All language subtitles for Bitter Daisies - S02E02

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Original subtitles

H� dois anos, tinha uma filha a entrar na faculdade

e outra na Guarda Civil de quem me orgulhava.

Agora, uma est� no cemit�rio

e envergonho-me da outra.

Eva, sou a Laura, a jornalista que ligou.

Sei que foi quem resolveu o caso.

Mataram a minha mulher

para mandar uma mensagem

e levaram a Rebeca para me manter calado.

- � a nova? - Conhece-la?

Tenho de encontrar os organizadores.

Entraram na minha casa.

Sim, mas conseguiu escapar.

Est�s bem?

- Eva. - Procuras gente muito poderosa.

S� h� um clube para gente dessa.

O que foi?

Estava tudo bem at� falares no div�rcio.

- J� n�o me ligavas. - A culpa n�o foi minha.

Vais falar na mi�da...

O meu dever era levar o assassino a tribunal.

� importante, Salgado.

Tens de ver.

- Porque voltaste? - J� c� estive?

Agora mesmo.

A mem�ria � caprichosa.

Pode lembrar-se com pormenor do que viu pelo canto do olho.

E pode apagar cap�tulos inteiros da nossa vida.

Refere-se �s minhas amn�sias.

Lembra-se do que se passou durante as mesmas?

De nada.

J� recuperou parte das mem�rias perdidas?

Nunca.

S� sei pelos efeitos ou pelo que os outros me contam.

A amn�sia pode ter muitas causas.

Especialmente em algu�m com a psique t�o fr�gil como a sua.

A origem pode ser neurol�gica,

bioqu�mica ou apenas psicol�gica.

Devido �s tr�s ou pela necessidade de apagar coisas horr�veis

que a nossa mente n�o suporta.

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

O apartamento � de uma empresa. O nome da v�tima n�o aparece.

� Diego Sanchez Pereira.

Era um dos principais suspeitos do caso 1618.

Achas que est�o relacionados?

VOU LEVAR-TE � OUTRA MARGEM, �S SOMBRAS ETERNAS DO FOGO E DO GELO.

N�o sei, mas faz uma busca pelo nome e fala com os vizinhos.

Certo, chefe.

A OUTRA MARGEM

Homic�dio de Diego Sanchez Pereira. Arquivo um.

Inspe��o no local do crime.

A primeira palavra que vem � cabe�a � "dantesco".

Um homic�dio atroz e sanguin�rio. Brutal.

O local est� desarrumado, mas n�o foi revistado.

A v�tima gostava de jogos sadomasoquistas.

N�o sabemos se como dominador ou dominado.

Tinha uma gaveta com droga e talvez dinheiro.

O agressor deixou a droga

e talvez tenha levado o dinheiro.

Tira este quadro.

Cuidado, devagar.

Escreveram com sangue na parede.

Per me si va.

N�o sabemos o que significa. Deve ser latim.

Per me si va. Significa: "Por mim se vai."

- Sabes latim? - N�o � latim, � italiano.

"Por mim se vai � cidade dolente.

Por mim se vai � eterna dor.

Por mim se vai entre a perdida gente.

Deixai a esperan�a, todos os que aqui entrais."

� o cartaz das Portas do Inferno, em A Divina Com�dia.

Um psicopata ou um assassino a soldo intelectual.

- A causa da morte foram as facadas? - Talvez.

Mas quero que vejas isto.

O assassino cortou-lhe a l�ngua,

talvez o tenha feito engoli-la.

Pois. Pode ser uma assinatura.

Vou dizer-lhes que procurem nesta zona.

Espera. H� aqui qualquer coisa.

- Preciso de luz! - Uma lanterna!

Bellis perennis, em latim. "Sempre bela".

Uma margarida comum, das que se apanham no campo.

A amn�sia n�o �

uma boa ferramenta para uma inspetora.

C� me arranjo.

H� muitas formas de reconstruir os factos.

O que � isso? Sangue?

N�o. Marcador vermelho.

Porque vim c�?

Talvez tenhas vindo falar da tua irm� Margarita.

- Como sabes isso? - �s a Eva Mayo.

Tenente da Pol�cia Judici�ria da Guarda Civil.

Foste expulsa da for�a

quando agrediste e raptaste uma superior, a Rosa Vargas.

Para evitar o esc�ndalo,

a Rosa ficou com os louros de tudo o que descobriste em Muri�s.

Que mais sabes sobre Muri�s?

Tudo.

Que n�o estiveste na festa,

mas foste uma dos poucos que viram a grava��o.

E a �nica que sobreviveu para se lembrar.

Poucos sabem isso...

Ainda tenho os meus conhecimentos.

Ter�s de confiar em mim.

Acabaram-se as mentiras.

Chegaste aqui por volta das quatro da manh�.

Tiveste uma conversa tensa com o gerente do Clube Cairo.

O Diego.

Segui-o at� � casa dele.

Exatamente.

Ele esteve na festa de Muri�s. Lembro-me bem dele.

J� me disseste isso.

De que mais fal�mos?

Perguntaste-me por uns n�meros.

Estes n�meros?

Continuo sem saber o que s�o.

Coordenadas, c�digos,

uma palavra-passe...

Podem ser qualquer coisa.

E o que te disse mais?

Fizeste-me muitas perguntas.

E, se confiasses mais em mim,

j� terias mais respostas.

Tudo o que o Diego te disse est� perdido na tua mem�ria.

Ter�s de refazer o caminho percorrido, ainda que isso

nem sempre seja poss�vel.

POL�CIA

- O que se passou? - N�o sei. Um assalto, ou assim.

A flor na boca pode ser algo pessoal entre o assassino e a v�tima.

Ou uma assinatura, uma forma de mostrar que o crime � dele.

J� lhe chamam o Assassino das Margaridas.

E a frase escrita na parede?

Foi escrita com o sangue da v�tima.

Significa: "Por mim se vai." � italiano, da Divina Com�dia.

Pode ser um bando a ajustar contas.

O juiz n�o quer provocar o p�nico,

por isso, pediu que n�o se divulgasse no m�nimo por 24 horas.

Por isso, n�o falem com a imprensa

e, quando vos perguntarem, n�o digam que ele foi assassinado.

Entenderam?

E que mais?

Uma vizinha ouviu gritos e chamou a pol�cia.

� chegada, a porta estava aberta, n�o foi for�ada.

Pensamos que a v�tima conhecia o assassino e que o deixou entrar.

O nome da v�tima � Diego Sanchez Pereira

e trabalhava no Clube Cairo.

Vou pedir um mandado de busca para entrar no clube

e para aceder �s contas telef�nicas.

O juiz do caso � o Moreiras.

E quer testes biom�tricos,

impress�es ou ADN para confirmar a identidade da v�tima.

A cient�fica est� a tratar disso.

E j� conhecemos a identidade, � uma perda de tempo.

Ele � que decidiu, n�o eu.

N�o � familiar nem amigo �ntimo da v�tima. N�o lhe chega, ponto final.

Entendido.

O que descobriu, doutora?

Foi golpeado na cara, costelas e bra�os

e tem uma luxa��o ligeira no pulso.

Deve ter sido quando o imobilizaram

e ataram � cadeira.

Tamb�m tinha fibras de veludo vermelho no pesco�o,

como se tivesse sido estrangulado com um len�o.

Tortura ou jogo sexual. A v�tima era sadomasoquista.

Se era, gostava de ser submisso. Tinha muitas marcas e cicatrizes antigas.

Mas estas s�o muito piores. Acho que foi torturado.

- Causa da morte? - Hemorragia.

N�o por estes cortes,

mas por estas punhaladas. S�o limpas, precisas

e diretas a �rg�os vitais.

O assassino sabia matar.

E a arma?

Uma faca grande, militar ou de ca�a.

A dimens�o e a cor dos hematomas leva-me a concluir

que passou meia hora entre a tortura e morte.

Sim. E foi a� que lhe cortou a l�ngua?

N�o. Foi cortada ap�s a morte.

E n�o estava no est�mago, o assassino levou-a.

- Abreu, tens um segundo? - Claro.

Porque me d�s isto?

O caso 1618.

O homic�dio da mi�da n�o identificada.

Conhe�o o caso.

Ela tinha ADN do agressor nas unhas.

E, no sapato, havia uma impress�o parcial do Diego Sanchez,

a v�tima atual.

E essa prova foi recusada.

Porque n�o conseguimos uma correspond�ncia exata,

mas agora podemos consegui-la.

- Os casos podem estar relacionados. - N�o os mistures.

Concentra-te no assassino do homem e esquece a mi�da. Pode ser?

Certo. J� ouvi.

N�o, eu conhe�o-te. Ouviste, mas n�o escutaste.

E n�o quero que voltes a esse assunto.

- Mas, se o ADN coincidir... - Salgado!

N�o posso pedir correspond�ncia de ADN com provas de outro caso. Est� na lei!

E sabes disso! N�o me fodas!

N�o est�o relacionados e ponto final.

- Percebeste? - Desculpem.

- O que foi? - A identidade da v�tima est� confirmada.

Est� bem. V�o para o clube. Eu falo com o Moreiras.

Despacha-te, ou ficas sem nada.

Obrigada.

Anda! Tens de trabalhar!

CLUBE CAIRO

N�o v�o abrir?

A empresa ia mandar algu�m.

Que venha j�.

Est� aqui, chefe.

- Ol�. Bom dia. - Bom dia.

Afaste-se, por favor. Vamos.

Esteve aqui algu�m.

Anda comigo!

Revistem a garagem e os arredores.

Vamos, por ali!

Vamos!

Ol�, o que trazes a�?

Encontraste algo no livro?

A DIVINA COM�DIA

Nada de importante.

Na verdade, h� uma frase para ti:

"Deixai a esperan�a, todos os que aqui entrais."

Devias gravar isso no anel.

Obrigado pelo incentivo.

- O que queres? - � da cient�fica.

N�o encontraram impress�es digitais nem ADN.

Nem no cofre, nem no DVD. S� havia da v�tima.

Estava de luvas, como em casa do Diego.

Ou n�o. Encontraram outro ADN na casa do Diego.

De uma mulher. Nos brinquedos sexuais e nos len��is.

O ADN � s� de uma pessoa.

Ou seja, tinha namorada.

J� fal�mos com os colegas e vizinhos.

Ou n�o sabem, ou n�o querem falar.

Insistam.

Tamb�m chegou isto.

Deixaram-no na entrada. J� passou o controlo de seguran�a.

URGENTE

PEDIDO DE DIV�RCIO

Tens as grava��es do caso 1618?

Perderam-nas no tribunal?

Acho que tenho uma c�pia.

Eva.

Eva.

Eva.

Eva.

Ol�.

� o s�mbolo de que fal�mos.

� o que o L�rio usa, o das tr�s lebres.

O Mauro encontrou este em Muri�s.

� o mesmo. Vestiam as mulheres de coelhinhas.

Pode fazer parte da encena��o.

Este lacre � usado para selar cartas.

Podem estar a us�-lo para os convites.

Encontrei uma data nas coisas do Diego:

dezanove de novembro.

Pode ser a data de outra festa.

Mas n�o sabemos onde.

Estou a investigar essas festas.

Houve mais, al�m da de Muri�s?

Sim, antes e depois. Pelo menos uma por ano.

Descobriste o que se passou na casa do Diego?

Procurei na imprensa local e nas not�cias, mas nada.

Amanh�, falo com o meu contacto na esquadra.

O que � isto?

Parece uma chave de um hotel.

Pode ser do Oslo.

Diz-se que � frequentado por acompanhantes de luxo.

NO CLUBE. 23H00. ELE LEVA UMA FLOR VERMELHA.

O que se passa?

Um aviso da p�gina de acompanhantes. Um cliente quer ver-me no Cairo.

Levar� uma flor vermelha.

Vou preparar-me.

Vais encontrar-te com o cliente?

H� melhor maneira de entrar no hotel?

E que vais fazer?

Sei tomar conta de mim.

- Deixem-me em paz! - Por favor, senhores!

N�o se trata assim uma senhora.

Ol�, Huichi.

Procuro o Diego.

N�o sabes onde est�?

N�o...

Ontem, esteve no clube,

mas h� dias que n�o aparecia.

Entendo.

Sabes se falou com algu�m?

Algu�m que n�o costume vir ao clube?

N�o.

Se o vires,

diz-lhe que o procuro.

Esse perfume cheira muito bem na tua pele.

Seria uma pena, se ningu�m o pudesse aproveitar, n�o achas?

Muito bem.

Est� tudo claro?

Vamos beber um copo. Quero apresentar-te um amigo. Passa.

Ontem, sa�ste de repente.

Senti-me mal e fui para casa.

- Com licen�a, tenho um encontro. - Eu sei.

Como soubeste que era eu?

Disseste que eras nova,

procurei o c�digo da �ltima atualiza��o.

E apareceste tu na foto.

Se n�o soubesse que �s inform�tico acharia que me perseguias.

Calma, estou a brincar.

Ainda bem, pensei que tivesse ar de perseguidor.

Desculpa, achei que nos t�nhamos dado bem e apetecia-me falar.

Vamos para um s�tio mais �ntimo?

Claro. Podemos falar num destes sof�s, se quiseres.

Quero foder.

Claro.

Vou ao hotel.

Champanhe?

N�o bebo �lcool.

Estou a brincar.

Vamos brindar a uma noite inesquec�vel.

A primeira de muitas.

- Vamos divertir-nos muito. - Claro.

Vou tomar um duche.

Est� bem. Espero-te aqui.

Eva.

Eva.

CARLOS BARCIA LOPEZ CHEFE DE SEGURAN�A

Despe-te.

Despe-te.

Como queiras...

N�o, por favor!

Pare, por favor!

� melhor assim?

Sacana!

Claudia.

N�o.

Pap�is do div�rcio? N�o os recebi.

Estou a ligar porque encontrei o teu tablet nas minhas coisas.

N�o, claro que n�o vou ver. Quem achas que sou?

Est� bem. Vem quando quiseres.

O corpo foi encontrado na bagageira de um carro

que tentou passar um controlo de seguran�a.

O condutor fugiu.

Investiga��o no local.

Cortes superficiais e hematomas

em quase todo o corpo.

A rapariga tem um vestido branco...

Mais tarde, vou a� ver a m�e.

N�o estou a pedir.

� s� para n�o me receberes como no outro dia.

EM CASA CONFIRMAR

CONFIRMA��O

Como correu a noite?

Descobriste algo no hotel?

Nada de �til.

O que queres?

Tenho informa��es sobre a imagem que o L�rio usa.

O s�mbolo das tr�s lebres ou coelhos.

N�o se sabe o que significa nem a origem,

mas � antigo e aparece em quase todas as culturas.

Pode ter que ver com a deusa Ostara

ou ser um s�mbolo de fertilidade.

At� uns neonazis a usaram.

O L�rio pode ser uma seita?

Ou isso, ou gostam de coisas esot�ricas.

Vou � cidade

para ver se sei o que se passou

na casa do Diego.

Bom trabalho.

Obrigada.

Bom dia, Sr. Juiz. E obrigado por ter vindo.

Queria falar consigo.

Lembra-se do caso 1618, da desconhecida?

Lembro-me que quase foi suspenso

devido ao seu comportamento. - Sim.

Pode estar relacionado com a morte de Diego Sanchez.

- Tem provas? - � isso que quero descobrir.

Deixe-me comparar o ADN do Diego Sanchez com o das unhas da mi�da.

A lei n�o funciona assim.

Preciso de provas para autorizar essa compara��o.

A sua intui��o n�o � uma prova. N�o volte a isso, Salgado.

- Eu sei. Escute... - Salgado!

Um momento, por favor.

Desculpa, temos um problema urgente.

TAMP�O DISTRIBUIDOR DELCO

- Diz, Laura. - Liga a televis�o. � sobre o Diego.

Esta reda��o recebeu uma den�ncia an�nima sobre o sil�ncio da pol�cia

em rela��o ao homic�dio do Diego Sanchez.

As imagens podem chocar os espetadores.

Eva.

Sei que temos um problema.

Estou a ver na televis�o.

Faremos a festa na mesma,

mas n�o podemos cometer erros, depois do que se passou em Muri�s.

Ficas com o lugar do Diego.

N�o sei, pode ser qualquer coisa.

Um assalto,

uma mulher desprezada, vingan�a pessoal...

Seja o que for...

... quero saber quem matou o Diego

e porqu�.

A v�tima chama-se Diego Sanchez Pereira.

Residia nesta cidade e trabalhava na hotelaria.

Desde o in�cio, o crime foi investigado com celeridade.

N�o demos a informa��o � imprensa

nem divulg�mos a morte

por discri��o, n�o para a ocultar.

A discri��o necess�ria para n�o alertar o culpado nem causar alarme.

Porque causaria alarme?

� um homic�dio, causa sempre, n�o?

Foi o assassino que divulgou as imagens?

N�o posso comentar isso, faz parte da investiga��o.

� verdade que uma das hip�teses da pol�cia

� que se trata de um assassino em s�rie que deixa uma margarida?

A pol�cia considera muitas hip�teses.

N�o posso comentar para bem da investiga��o.

Inspetor Salgado! N�o v�! Uma pergunta!

Por favor, inspetor. Foi-se!

A pol�cia n�o faz ideia. Se deixassem connosco...

Na Guarda Civil, aprendi a trabalhar com as pessoas.

Eva, o que se passa? Est�s bem?

Sim, estou.

Vim ver a m�e.

J� a viste.

Ajudaste-me a p�-la na cama.

- Lembras-te? - Sim.

- Sim. - O que se passa? Est�s bem?

Sim, pai. Estou bem, dormi pouco.

Tens tomado a medica��o?

Claro.

Foi uma amn�sia, n�o foi?

Porque dizes isso?

Pai, porque dizes isso?

- O que foi? - O que tem a m�e?

Elena.

Calma, isto acontece. Eu trato disto.

Por amor de Deus,

ainda n�o dormiste. Anda, meu amor.

Vamos para a cama. Sim?

Vamos e descansas.

Vamos, devagarinho.

O assassino mandou um bilhete an�nimo � imprensa.

O que significa?

Mais ou menos: "Vou levar-te � outra margem."

- � da Divina Com�dia, n�o �? - Sim.

E a outra margem � a morte.

E mais?

Com as fotos e o bilhete, vinha isto: a l�ngua.

A cient�fica j� tem as fotos e o bilhete, mas o que fazemos com isso?

Vai para a forense ou para a cient�fica? Ou um bocado para cada?

Era a brincar.

A v�tima n�o acharia piada.

Manda para a forense

e diz-lhes para a mandarem � cient�fica. E mais?

Quem assaltou o Cairo n�o deixou vest�gios,

levou os v�deos da seguran�a

e quase tudo o que estava no cofre.

Quase?

Havia doses de uma mistura de cetamina e efedrina

e de outros alcaloides em quantidades menores.

O que foi?

O que fazes com isso?

Se o superintendente te v� com o caso, mata-nos.

Havia uma mistura de efedrina e cetamina no corpo da mi�da.

- A quem vais ligar? - Ao Moreiras.

Sr. Juiz, � o Salgado.

No escrit�rio do Diego Sanchez, havia a mesma droga que no corpo da mi�da.

A do caso 1618.

N�o queria provas? Ei-las.

Sim. N�o � bem uma prova, � um ind�cio...

Sim, Sr. Juiz.

Salgado.

N�o voltes a ficar obcecado.

Controla-te.

N�o fa�as merda com o Abreu e o Moreiras.

Quando fomos a Santiago.

Eu lembro-me.

Fomos no teu carro?

Na altura, funcionava.

S� � preciso mudar aquela pe�a.

Para qu�? Aonde vamos agora?

Foi a �ltima viagem com a tua m�e.

Porque perguntaste se foi amn�sia?

V� l�, por favor...

Foi ap�s esta viagem.

Foi a primeira vez que a m�e acordou a dizer que ouvia vozes.

Foi assim que tudo come�ou?

E depois vieram os medos,

ficar horas a olhar o vazio.

A m�e sempre foi muito sens�vel e delicada,

como tu.

Eu e a Margarita �ramos os fortes.

Foram anos complicados.

Mas a m�e estava bem com a medica��o.

Sentia-se cuidada por n�s,

at� a tua irm� morrer.

Tu tamb�m sofreste muito. E eu, mas ela...

Partiu-se algo dentro dela.

E mudou de repente.

Que tipo de mudan�a?

- N�o sei se dev�amos falar sobre isto. - V� l�.

Os tratamentos melhoraram e estou bem.

Ouvia e via a Margarita.

Dizia que falava com ela.

E, depois, as amn�sias...

As amn�sias...

Como eram?

Esquecia as coisas.

N�o eram coisas espec�ficas ou recados,

eram horas inteiras que eram apagadas.

O m�dico n�o deu import�ncia, disse que era da medica��o,

mas mudou-a muitas vezes, e nada.

Piorou muito.

At� que, um dia, acordou assim,

presa no seu corpo.

As doen�as s�o uma m� heran�a, querida.

- O que te aconteceu agora... - N�o foi.

Estava distra�da. H� dias que n�o durmo bem.

Mas estou bem.

N�o notaste nenhum sintoma novo?

N�o.

Eva.

- Eva. - N�o.

N�o podes fugir.

Eva.

Eva.

Eva.

Eva, n�o podes fugir.

Eva.

Eva.

Eva.

Eva.

O que fazes aqui?

- Vim falar contigo. - Aqui n�o se fala. Vai-te embora.

Marquei para as 15 horas.

N�o aceitas mulheres como clientes?

Chegaste mais cedo.

Vem comigo.

Tens muitos clientes destes?

Deixaste um cliente no clube,

andaste pelos corredores do hotel e agora vens ver-me.

Talvez sejas pol�cia.

- Talvez. - Isto � tudo legal.

N�o h� sexo. � tipo uma aula de Pilates,

por isso, podes ir.

O meu tempo ainda n�o acabou.

O que queres, pol�cia?

S� quero conversar.

Aqui n�o se conversa.

Aqui, joga-se.

Ent�o, joguemos.

Se eu tirar a carta mais alta, posso perguntar.

Se fores tu, pegas no dinheiro e vou-me embora.

O dinheiro � teu.

N�o vai ser f�cil.

Um empate.

Outra carta.

Continuemos a jogar.

Perguntas tu e depois pergunto eu.

Est� bem.

De onde conheces o Diego?

Era um amigo que me facilitava a vida.

Quem era o homem com quem falaste na garagem?

Um cliente que teve um dia mau.

� a minha vez.

�s pol�cia ou n�o?

Se n�o fores sincera, o jogo acaba.

Fui da Guarda Civil,

mas agora trabalho sozinha. - O que procuras?

� outra pergunta.

Como come�aste nisto?

A hist�ria triste de uma mi�da de 11 anos

a tentar sair do que agora chamam

uma fam�lia disfuncional.

Uma fam�lia de merda, para mim.

E a promessa de uma carreira de modelo numa ag�ncia.

Ao in�cio, era como a Cinderela, sabes?

Mas, no fim, uma menina sem pais

vale mais na cama que na passarela.

� a minha vez. O que procuras?

Uma amiga que pode estar em apuros.

Porque n�o vais � pol�cia?

Pode estar metida nisto, n�o confio neles.

Que idade tem ela?

Dezassete.

N�o h� menores no Cairo. Procuras no s�tio errado.

E onde est�o as menores?

Em apartamentos, as que queriam trabalhar.

Escondem as que obrigam a trabalhar.

Sabes algo sobre festas com menores vestidas de coelhinhas?

N�o.

O nome L�rio diz-te alguma coisa?

Acabou o tempo.

Tenho trabalho.

Tamb�m trabalhas online?

Tenho de aproveitar, a beleza murcha depressa.

Sabes onde � a porta.

S� mais uma coisa.

A ag�ncia era a Porto Modeling, n�o era?

Boa, pol�cia.

Fala o Salgado.

Preciso de uma compara��o de ADN.

Comparem o ADN do Sanchez com o encontrado no caso 1618.

Sim, a autoriza��o j� vai.

Sim.

Despachem-se!

- Est�s bem? - Sim, claro.

O que trazes a�?

Da parte dos crimes financeiros.

A casa do Diego Sanchez � de uma empresa que, apesar de pequena,

faz parte de um grupo que movimenta muito dinheiro.

- Lavagem de dinheiro. - � o que parece.

Os Crimes Financeiros investigam estas empresas,

mas a maioria � de fachada e opera no estrangeiro.

Vai demorar.

Este � o Clube Cairo.

E quem sabe de quem ser�o estas empresas?

Na casa do Diego,

havia um cat�logo de uma ag�ncia de modelos.

De qual?

Boa tarde. Sou da transportadora.

O funcion�rio est� atrasado, pode esperar?

� uma entrega urgente do L�rio.

Obrigada.

Ol�?

- N�o te mexas! - Leve o que quiser!

- O dinheiro est� na minha mesa. - N�o o quero.

N�o me fa�a mal, por favor.

- Fala e n�o te acontecer� nada. - Quem �?

Matou o Diego?

Eu � que fa�o as perguntas.

Para que s�o os fatos de coelhinha?

Para uma festa.

Quando vai ser?

N�o sei.

Quando?

A 19 de novembro.

- Onde? - N�o sei.

S� levo as raparigas que pedem para a festa.

S�o menores?

Sim.

Sim, e mais velhas tamb�m.

E onde vivem elas?

As que eu levo vivem nas casas delas

ou em apartamentos partilhados.

E as que s�o obrigadas?

N�o sei nada sobre essas!

Juro.

N�o vou ao clube, nem ao hotel, nem �s festas.

S� levo as mi�das que me pedem.

E elas fazem-no pelo dinheiro e pela droga!

E onde � que as menores recebem os clientes?

Onde?

Onde?

No andar secreto de um hotel!

Mas nem sei onde �

nem quero saber!

Quem � o L�rio?

Como sabe esse nome?

Quem �?

N�o sei! Ningu�m sabe!

Nem penses em falar! Calada!

Posso entrar?

Ol�?

Boa tarde.

CORPO DE PROSTITUTA ENCONTRADO EM MURI�S

TENENTE ROSA VARGAS DA GUARDA CIVIL MORRE EM SERVI�O

Eva, aonde foste?

Porque est�s t�o nervosa?

A mulher com quem foste falar apareceu morta.

N�o quero ser c�mplice de uma assassina.

Teimou em vir sozinho e n�o atende o telefone desde ontem.

Isto cheira-me mal...

- Deixa-me sair, porra! - Tenho de te fazer umas perguntas.

Ou me deixas sair, ou corto-te a cara!

N�o sei o que te aconteceu em pequena.

Fosse o que fosse, n�o devia ter acontecido.

Mas deve ter que ver com as pessoas que t�m a Rebeca.

Ajuda-me a encontr�-la

e eles pagar�o pelo que fizeram.

Ol�, linda.

Como foste m� e tentaste fugir,

j� n�o �s intoc�vel.

Legendas: DINA ALMEIDA

Tens de trabalhar.

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