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Original subtitles

AVISO: ESTE FILME É INSPIRADO EM FACTOS REAIS.

MAS OS AUTORES QUEREM REFORÇAR QUE A FIGURA DO MÉDICO É IMPORTANTE.

Não chores, meu bem. O doutor vai só tirar-te a febre.

37,9. Não tem febre.

É uma menina, doutor. É a Lulu.

- Podem baixar o volume? - O quê?

- Têm a chupeta? - Não temos.

O pediatra disse que faz mal.

Sim? E porquê?

A chupeta atrapalha o bebé na hora de demonstrar emoções.

- Está cheia de borracha alérgica. - Estou a ver.

- O gato tem dor, o cão também... - O que está a fazer, doutor?

Não consigo dar a consulta se ele estiver aos gritos.

- Ela. - Pronto, isso.

- Aguenta, querida. - Então, quais são as queixas?

Tem uma tosse muito intensa. Até parece que vai sufocar.

- Pode segurá-la pelos braços? - Sim.

Você, pegue nas pernas.

- É o papá que está a segurar-te. - A mamã ama-te muito!

- E o papá também. - Amamos a nossa fofura.

Com licença!

- Assim fica complicado trabalhar. - Desculpe.

Então, ela tem frio.

Pronto, já está! Essa coisa fria já foi embora!

- Sim, meu amor. - Ele já não vai fazer mais.

- Doutor... - A sua mão está a estorvar.

Abre a boca!

- O que foi, doutor? - Papá!

Papá, papá!

- Adele... - Sim, é o tio doutor!

Parem com isso. Irrita-me.

- Pronto, querida, não chores. - Podem pegar nela.

Vem cá, princesa.

- O que tem ela, doutor? - Faringite.

Inflamação das cordas vocais, daí a tosse, mas nada de preocupante.

Obrigada.

- Tanto remédio? Ela é uma criança! - E daí? São 80 euros.

Certo.

- Precisa do cartão do seguro? - Não, tenho o aparelho avariado.

- Pode pagar com cheque. - Certo.

Era só para saber.

Obrigado.

Que confusão! Nem dá para passar!

- O que está escrito aqui? - Sei lá, não se percebe nada.

- Desculpe, o que diz na última linha? - Tampões de ouvido.

Um em cada ouvido antes de dormir.

Feliz Natal.

É psicopata.

- Sim, Suzy? - Temos um caso de dor lombar.

- No 18º distrito. - Quantos anos?

Sessenta e nove. Não tem febre nem elevador.

Tenho de ser sempre eu?

Sugeri um osteopata, mas ele quer um médico a sério.

- Onde está o Bassano? - Em casa a comer peru.

É você o único de serviço hoje.

- Sabe como me deixar feliz! - Desculpe.

Pronto, mande lá isso.

Feito.

E, Serge, por favor, nada de tolices. O controlo está de olho em si.

Não se preocupe.

- Até à próxima. - Até à próxima.

DOUTOR?

- Como vai pagar? - Pode levar o meu relógio.

Pareço-lhe a Madre Teresa?

Com licença.

Sim?

- Quero ver a Rose. - E quem é você?

- Dr. Mamou-Mani. - Deixa-o entrar, Janne.

- Aceita uma bebida? - Por que não? Tem uísque?

Não.

E gin?

Não.

- Talvez vinho branco? - Não.

Há prosecco, se quiser.

- Nada de cerveja? - Desculpe.

- Quer um copo de aperol? - Não sei o que é, mas pode ser.

- De certeza que não queres vir? - Adoraria, mas estou cansada.

Se mudares de ideias, apanha um Uber e vai lá ter.

- Prometes? - Sim.

Boa noite.

- Aqui está. - Obrigado.

Como é?

É amargo.

Quer ficar para jantar?

Poderíamos ter um Natal aconchegante.

Obrigado pelo convite, mas estou de plantão.

Compreendo.

Fica para a próxima.

Sim, claro.

Feliz Natal.

Doutor?

Doutor?

Doutor?

Sim, que foi?

Parece que está a dormir.

Não, estava só a pensar.

Já disse que não queria magoar a minha filha.

Já tem problemas que lhe cheguem com o marido.

- Feliz Natal, Serge. - Obrigado, querida.

- Hoje há peru. - Não, quero bife com lentilhas.

Lentilhas e bife com sangue!

- Sou todo ouvidos. - Tem dois minutos?

- Onde está? - No carro.

Recebemos uma reclamação.

- De quem? - De uma senhora Joffren.

Recentemente, examinou o bebé dela que tinha faringite.

Não gostou que tivesse colocado o dedo na boca da bebé.

- "Isto não é a selva, seu bode!" - Impressionante. É tudo?

Era bom que fosse. Por acaso não está nos copos?

- Claro que não! - Então, Serge?

Já se esqueceu de que, na segunda-feira, vomitou para cima de um paciente?

Isso é do sedativo!

- O radiculite dá cabo de mim. - Pois, sim.

Mas bem, ouça:

entendo que o Natal seja díficil para si, mas vou deixar de o encobrir.

Pronto, não se preocupe. Desculpe, mas estão a ligar-me.

- Sim, Rose? - Serge, fui uma tonta.

- Venha rápido, sinto-me mal. - Mais devagar, não estou a entender.

- Tomei muitos comprimidos. - Quantos?

- Não sei, alguns. - Onde estás?

- Em casa. - Certo, aguarda. Vou a caminho.

Abre, Rose! Porra!

Esta é uma mensagem automático.

Rose!

Peço desculpa, senhor...

Desculpe, mas eu...

- Você mora aqui? - Não recusaria.

Pois.

Então...

Oito...

- Mexa-se lá! - Ora pronto.

Agradecido.

Rose!

Rose!

Merda.

Que tola!

Rose, acorda! Rose!

- Estou? - Serviço de emergência.

Daqui fala o dr. Mamou-Mani.

- Tenho uma paciente inconsciente. - O que tem ela?

Intoxicação aguda com sedativos.

- Sabe quais? - Xanax.

- Quantos tomou ela? - Uma dúzia, mais ou menos.

- Corre perigo de vida? - Não, está só inconsciente.

8 na escala de Glasgow.

Mantenha-a sob vigilância. Pode dar-me o nome e a morada?

Rose... E o resto?

Rose, qual é o teu apelido?

Rose!

Porra.

Rosa Malaparte. Rua Desiree Ruggeri, 9.

- O código do prédio, por favor. - O código? Merda, o código...!

831-A4. É este.

- 831-A4. - A equipa está a caminho.

Obrigado, fico à espera.

O que está a fazer?

Ela deve ficar de lado.

- Estou a incomodá-lo? - Não, não, está tudo bem.

- Sei o que estou a fazer, fiz cursos. - Que cursos?

Primeiros socorros.

A vítima deve ser deitada numa posição que seja segura.

Para não sufocar. Agora ela está a salvo.

Quando era miúdo queria ser bombeiro,

mas, como sou asmático, não me deixaram ser.

Isso é tudo muito bonito, mas o que está a fazer não faz sentido.

- Porquê? - Porque eu sou médico.

- Ponho-a como ela estava? - Não é necessário.

Obrigado pela ajuda. Vou acompanhá-lo à saída.

Venha comigo.

Lamento imenso.

- O que tem ela? - Nada sério.

Agradeço em nome dela. Boa noite e Feliz Natal.

- O que faço ao pedido dela? - O que é?

É do restaurante de chucrute. Acho que deve ser chucrute.

Já deve é estar frio.

Vá lá.

- Serge, onde está metido? - Estou a tratar de uma coisa, Suzy.

Ligue-me daqui a 10 minutos.

Você vai pôr-me num caixão!

Esse tal Buttes Chaumont está à sua espera há uma hora e meia.

Ele que chame uma ambulância!

Para renovar uma receita? Vão ficar muito contentes.

Ele chamou o médico para renovar a receita?

E o que faço eu? Você é o único a trabalhar hoje!

Lixem-se todos!

Ó amigo!

- Sim? - Tenho um trabalho para si.

Certo, é para já. Adeus.

Entregue isto ao sr. Zanakis. A morada está aí, 19º distrito.

Para eu fazer a entrega, tem de fazer um pedido na aplicação.

- Você não faz entregas? - Tenho o meu transporte.

- Uma bicicleta alugada? - Isso é temporário.

- Quanto ganha por viagem? - Uns três euros.

Dou-lhe vinte se for já.

A questão não é essa.

Se receber outro pedido agora, estou tramado.

Mas é claro, eu compreendo.

Só estou eu a trabalhar hoje. Terei de a deixar sozinha.

É desagradável, mas é o que é.

Para ser franco, isso é chantagem.

Vou deixar um bilhete para a equipa da ambulância debaixo da porta.

Que grande merda.

Entrem. Ela está ali.

- Para onde vão levá-la? - Para Bichat.

Não há vaga em Saint Louis.

- Tome. - O que é isto?

As coisas e os documentos dela. Quando ela despertar...

Não levamos itens pessoais. Lamento.

Merda, tenho de ir também.

- Estou? - Sim, olá, bom dia.

- Quem fala? - Malek Aknun.

O do chucrute, lembra-se?

Era para lhe perguntar como se dá uma injecção intramuscular na nádega.

O quê?

Como se dá uma injeção intramuscular na nádega?

Como assim? Onde está você?

Para onde você me mandou. Em casa do idoso, o sr. Zanakis.

- Sim, está ali. - Espere aí.

- E por que quer dar-lhe uma injecção? - Foi ele que me pediu.

Senão já teria ido embora.

Mas não se preocupe. O meu avô é diabético.

Está bom da cabeça? Esqueça lá isso!

- Você faz entregas, não é médico! - Por isso é que lhe liguei.

Espere, vamos fazer tudo como deve ser.

- Conte-me o que se passou. - Nada de especial.

Cheguei aqui e entreguei a carta, tal como me pediu.

Ele convidou-me a entrar. E eu entrei.

E estivemos a falar. Um bom senhor, bem-humorado.

E do nada, ele passa-me a caixa e diz-me para lhe dar uma injecção.

- O que devo eu responder? - Você tem a caixa?

Sim, sim.

- O que está escrito lá? - Então...

Não sei é ler isto. Ciano-cobalamina.

Está tudo bem, isso é vitamina B.

Faça assim: deite-o, dê-lhe água,

e diga-lhe que lhe dará a injecção dentro de 5 minutos.

- Pode ser? - Sim, sim.

Vou a caminho. E pare de brincar aos médicos.

Certo.

Sr. Zanakis, sou eu. Trouxe-lhe água.

Senhor, está tudo bem?

O que se passa, senhor? Trouxe-lhe água.

Senhor?

Isso não é engraçado.

Não brinque, por favor.

Porra, merda!

Adeus.

- Serge? - Sim, o que foi?

Já tratou do Zanakis? Há mais gente à espera.

Sim, quem se segue?

12º distrito. É um homem, 32 anos, com dores nos intestinos.

Porra!

Serge?

- Estou? - Sim.

Está tudo bem?

Fenomenalmente.

Vou enviar-lhe os dados.

Sim, está bem, até logo.

O que está aqui a fazer?

Acabei de levar um pontapé na cara do seu carro.

Está bem?

Parece que sim.

E esperar por mim, não?

A primeira coisa que quero dizer-lhe é que

não quero ter nada a ver com isto, por isso, ouça-me bem.

Depois da nossa conversa, lá na casa do Zanakis, eu...

- Resuma lá isso. - Sim.

Fiz o que me disse. Fui buscar-lhe água.

Enchi um copo, abri a porta e vi-o no sofá!

- E daí? - Morreu.

- Foi-se. - Está a brincar comigo?

- O que é que lhe fez? - Nada, nem lhe toquei!

Não pode ser! Como é que eu resolvo isto?

Merda!

- Está bem? - Não me toque!

Deixe-se de brincadeiras.

- De que está a falar? - Do Zanakis.

Estou?

- Serge, está a ouvir-me? - Quem lhe contou?

O que acha? Foi ele que me ligou.

- Quem? - Você está bêbado?

O Zanakis! Está à sua espera.

Sozinho em casa, como um idiota.

O que disse ele?

Que o seu médico desaparecera. Serge, porra!

Está louco ou está só a brincar?

Não, vou a caminho de lá.

Saiu-me um peso dos ombros!

- Mas que bom! - Desculpe, mas...

- Tenho de ir indo. Mesmo. - Sim, desculpe.

- Também tenho de entregar marisco. - Certo.

O dever chama-me.

- Boa noite, eu... - Onde se meteu?

Deixou-me aqui como um coitado.

É complicado de explicar.

Certo. Mas entre lá!

Õptimo.

Pronto.

- Pode segurar nisto? - Assim?

Pronto, pode largar.

- Pronto? - Sim.

Muito obrigado.

É cheque ou dinheiro?

Deixei um cheque assinado em cima da cómoda.

- Escreva lá o valor. - Muito bem.

Então?

- Dê cá a mão. - Obrigado.

Quem será?

Boa noite, senhor. Já nos vimos hoje.

- O que veio este idiota cá fazer? - Desculpem, esqueci-me da mochila.

Está tudo bem?

Alto lá.

Ele esteve aqui antes.

Ele, mas não você.

Tem toda a razão, senhor Zanakis. O Malek é o meu estagiário.

- Anda comigo a ganhar experiência. - É exactamente isso.

Sim. E agora tenho uma chamada urgente para a família Sushi.

- O quê? - Vamos a isto.

Não vamos deixar a senhora Sushi à espera.

Adeus, senhor Zanakis! Um Feliz Natal!

Foi um prazer, senhor Zanakis!

Obrigado.

- Até à vista. - Sim, até logo.

Vai deixar-em em paz hoje?

Só queria ver um profissional a dar uma injecção.

- Parece difícil para uma pessoa só. - Obrigado, mas não preciso de ajuda.

Não, a sério. Deixe-me ajudar.

Já lhe disse que sou capaz.

- Faça tal e qual como eu disser. - Certo, certo.

Então, injecte aqui à beira do dedo.

- No quarto esquerdo externo. - Assim?

- Sim. - Entendido.

Espete a agulha de forma perpendicular, num ângulo recto.

- Entendido? - Sim.

Não, não! Nada de tocar com os dedos na agulha.

Pronto, vamos a isto.

- Está pronto? - Sim.

Um, dois, três!

Porra! O que é que fez, seu idiota?

- Eu disse "externo", não "interno"! - Sei lá eu qual é qual!

Porra.

Perfurou-me o nervo. Agora nem as pernas sinto!

Espere, não!

- Levante-me! - Estou a tentar.

É melhor deitar-me.

- Está melhor? - Não!

- Estou? - Onde está, Serge?

Vira o disco e toca o mesmo?

Estou, Serge? Está preso na casa de banho?

Não, nem pensar.

Está a lavar as mãos?

Despache-se. O sujeito está com dor de barriga.

Vai rir-se com o que vou dizer, mas não posso trabalhar hoje.

O que se passa?

- Serge? - Não me seguro de pé.

- Embebedou-se? - Não, nada disso.

Talvez o Bassano ou o Le Pelletier possam substituir-me.

Esqueceu-se? Eles estão com a família.

Estão a comemorar o Natal. O Serge é o único na cidade!

- Que alegria de Natal! - Serge, deixe-se de coisas!

Lave a cara e mãos à obra!

Porra!

O que vamos fazer agora?

- Quanto é que calça? - Como assim?

Os seus sapatos são muito moles. Parece que vim de chinelos.

Qualquer coisa é melhor do que as suas sapatilhas.

- Isto não vai correr bem. - Deixe-se de coisas!

- Qual é o seu apelido? - Mamou-Mani.

- De certeza de que há risco nenhum? - Não, é só fazer o que eu digo.

- Qual é o nome do seu paciente? - Rouget.

Ora bem, Rouget...

Rouget.

- Sim? - Sim, boa noite. É o Dr. Nam...

- Mamou-Mani, o médico. - Muito bem, 11º andar.

Vou subir.

- Consegue ouvir-me? - Perfeitamente.

Relaxe e vai correr tudo bem. O meu apelido é Mamou-Mani.

Meteu-se em algum lugar que faz interferência.

E agora?

Agora está bem.

Bem, mande-o deitar-se num sofá ou assim

e peça-lhe para descrever o que está a sentir.

- Entendido? - Sim.

A doença do Natal é a gula, mas não se pode excluir as outras.

Não vá ele ter apendicite ou algo pior.

Por hoje já chega de idiotices.

Doutor?

Sim, eu mesmo.

- É aqui. - Estou a ir.

- Esqueceu-se da mala. - A minha mala...

Certo, isso mesmo.

Desculpe, estou cansado hoje. É Natal e estou sozinho de plantão.

- Boa noite. - Faça favor.

- Que bela casa a sua. - Obrigado.

Mora aqui sozinho?

- Sim, porquê? - Curiosidade, isto é tão grande.

- Paga muito pela casa? - Podemos ir ao que importa?

Tenho dores de barriga e a minha família está há duas horas à minha espera.

Sim, claro.

- Posso lavar as mãos? - Claro, a casa de banho é já ali.

É a primeira à esquerda.

Se não ajudar, veja se tem gases. E pode terminar a consulta.

Pode repetir? Não ouvi.

- O que não entendeu? - Tudo.

Bem, peça para descrever os sintomas.

E não repita em voz alta senão não vou ouvir nada.

- E depois? - Vou-lhe dizendo.

Não há com que se preocupar. Acredite em mim.

Acreditar, acreditar...

- Sabe, o seu WC é espectacular. - Obrigado.

Dá vontade de tomar banho.

Diga-me o que o incomoda. Sou todo ouvidos.

Dói-me imenso a barriga, como se estivessem a abrir-me com uma faca.

Dói-lhe imenso a barriga...

como se estivessem a abri-lo com uma faca.

Exacto.

Pergunte há quanto tempo está assim.

Há quanto tempo está assim?

- Há uns três dias. - Uns três dias.

- Três dias, nada mais, nada menos. - Pergunte-lhe se tem gases.

Diga-me lá, tem gás?

- Gás? - Sim, aqui no apartamento...

Gases, idiota! Gases, não gás.

- Ou melhor, gases. - Ah, gases... Se tenho? Não.

Não, não.

Nada de gases.

- Afinal, sim. - Bem, isso é positivo.

- Certo, fico contente. - Pergunte se tem febre.

A próxima pergunta que lhe vou colocar é se tem febre.

Não, não tenho febre.

Sem febre.

Entendido. Muito bem.

Pergunte-lhe quando foi a última vez que ele evacuou.

Diga-me, há quanto tempo não se evacua?

Evacuo-me? Não entendi...

Evacuar-se de um prédio forte...

Não, porra, "evacuar" é o mesmo do que cagar!

- Cagar! - Ah, cagar! Entendi agora, sim.

Não, já não faço há muito.

- Com esse peso também... - Só não me peça para fazer desporto.

Nunca na vida irei para o ginásio.

- Estou cansado de muletas... - Chega da vida miserável dele.

Parece que estamos um pouco distraídos. Vamos lá falar da evacuação.

De evacuação... Não sei o que dizer.

É complicado. Dou o meu melhor, mas não sai nada.

- O que faz exactamente? - Em que sentido?

Faço força.

O que tenho, doutor? Desembuche.

- De que doença sofre? - O que se passa comigo?

- Preciso de saber. - É uma boa pergunta.

- O que tem você? - Pedras na vesícula.

Desagradável, mas nada sério.

Mande-o para o hospital para fazer um raio-x ao intestino.

- Na minha opinião, você tem... - Pedras?

- Precisamente. - Porra, isso não!

- Tem de ir fazer um raio-X. - Não, não vou para o hospital.

Da última vez que lá fui, passei um dia inteiro no corredor deitado numa maca.

- Ninguém apareceu... - Sim, isso é desagradável.

Até que uma enfermeira apareceu e resolveu o problema na hora.

- Então vamos tentar? - A sério, vai-me fazer isso?

Cuidado, não sabe onde está a meter-se. E quando digo meter...

Salve-me a vida apenas, doutor.

O nosso trabalho é esse. E, para além disso, é Natal.

Obrigado, amigo.

Muito bem.

Porra!

Nem imagina o quão grato estou. Vai ser cá um alívio!

- O que está a fazer? - E a mãe vai ficar tão feliz!

Todos me perguntavam por que é que eu não ia passar o Natal.

- Até a irmã de Toulouse! - Desculpe, tenho uma chamada.

- Volto já. - Faça favor, doutor...

A minha mãe vai ficar tão feliz. Fico à sua espera.

Dr. Mami-Mami-Mami, ouve-me? O que acha, colega?

Aparentemente, ele tem concremento.

Preciso de tirar a camisa, doutor?

- Vou já ter consigo. - Muito bem.

- Então, o que é? - Fezes que bloqueiam o recto.

Pode ser mais claro, por favor? Será melhor para todos.

Ele tem merda seca colada no cu que concordou arrancar! Já entendeu?

Pode ir buscar uma toalha ao WC, por favor?

Duas. De preferência, duas!

Muito bem.

- Como correu? - Isto fica entre nós.

Disse-lhe para o levar às urgèncias.

- Tome. - Não, isso é para si.

A sério?

Tome, desinfecte mas é as mãos antes de tocar no volante.

Com prazer. Obrigado.

- Estou? - Sim, o que foi?

Uma chamada para a zona rica, tal como o Serge gosta.

Dor de garganta, febre. Já enviei os dados.

- Está bem? - Sim, até à próxima.

Está de mau humor?

É suposto eu estar aqui aos pinotes? Caí e você mete-me a trabalhar!

- O pedido não é meu. Que quer que diga? - Já está tudo dito.

- Adeusinho. - Espere, Serge, não vamos discut...

Tem um trabalho difícil. E tão desagradável.

- O que está a fazer? - Vou-me embora.

Ainda agora começamos. Vai deixar-me neste estado?

E se alguém precisar de um médico a sério em vez de mim?

O que devo fazer? Não quero magoar ninguém.

Não vai haver problema, acredite.

Trato de gripes e tosses há vinte anos.

O que eu vi não parecia tosse. Desculpe, mas vou-me embora.

Gostava de não o fazer, mas vou ter de deununciá-lo.

Prática ilegal da medicina, usurpação de identidade, fraude, extorsão.

Chega ou quer mais?

Serão essas as melhores falas do meu currículo.

Lamento, mas se eu não acabar o turno, a minha licença será revogada.

E já não tenho idade para andar a entregar pizzas.

Eu não sou entregador de pizza. Ofereço serviços de transporte pessoal.

Ligou para a 17ª Esquadra.

O seu número de telefone está registado, pelo que a chamada será gravada.

O Hooliganismo é punível com multa.

Ligou para a 17ª Esquadra.

Certo, desligue lá isso.

Vamos para o Parque Monceau, Avenida Van Dyck.

Sim, é mais difícil do que andar de bicicleta.

Tinha o travão de mão puxado.

O Parque Monceau é para o outro lado.

Eu sei.

Temos de ir primeiro ao André. E é por aqui o caminho.

- Quem é o André? - Sei lá, não o conheço.

Tenho de ir buscar o marisco.

Tenho um paciente à espera e você a fazer-me um desvio destes!

E o que vai fazer? Queixa à polícia?

Também tenho o que conversar com eles.

Que me fez refém...

Não, vou concluir o pedido e depois vamos ter com o paciente.

Nem sei que lhe diga.

Desculpe, mas também não quero perder o emprego.

Olá.

Eu tenho um pedido...

Espera, vai sair agora.

Aqui está. Boa sorte!

Só falta uma paragenzinha.

- Que fedor! - Esteja calado.

- O que foi? - Nada, só queria agradecer.

Está tudo bem.

Por que demorou tanto?

- Olá, senhor. - Boa noite.

É mais boa noitinha já...

Não teve grande pressa...

Não estou a entender.

- O que foi? - Onde está a lagosta?

- Qual lagosta? - Isto é alguma piada?

Talvez seja erro do restaurante. Escreva na aplicação.

Não, meu querido, foi você.

- Como? - Comeu-a, não comeu?

De que está a falar? Não toquei na lagosta!

Você cheira a lagosta.

Tresanda, na verdade.

Sim, o marisco tem um cheiro forte.

Eu trouxe-o e cheirava mal.

Abra a boca.

O quê?

Comeu-a?

- Não, não... - Ele comeu a nossa lagosta!

Não, seu desgraçado!

Estou a brincar.

Quase acreditei.

Mas a sério, onde está a lagosta?

Eu não comi a lagosta. Acho que vou...

Não, não vai a lado nenhum.

Vou chamar a polícia.

E nem pense em pirar-se. Tenho um SMS com o seu nome.

Mas isso...

- Devia ter visto a sua cara! - Não estou a entender.

Estou a brincar consigo!

É Natal, época de brincadeiras! Prego sempre partidas no Natal.

E não dê ouvidos a ninguém porque você é um tipo porreiro.

- Feliz Natal! - Igualmente.

Fique bem.

Mas que idiota.

Palhaço.

Desculpe, esqueci-me do lixo. Importava-se de o levar?

Fez-se muito lixo e eu esqueci-me, está a ver?

Ainda aqui está?

Onde deveria estar?

- Para onde tem de ir? - E a si que lhe importa?

Eu faço entregas e quero ajudá-lo.

Só não quero voltar a limpar a "chaminé" a ninguém.

- Mantemos as condições. - Quais são?

100% para mim, o resto para si.

Pronto, que seja.

- Bem, vamos ao Parque Monceau. - Certo.

Relembro-o que limpar a "chaminé" foi uma ideia sua.

Não toque na ferida.

Outra vez o travão de mão? Qualquer coisa serve.

Vamos?

Que grande porco.

O parasita obrigou-me a trazer o lixo e ainda me deu duas estrelas.

- Tem um óptimo trabalho. - Não se rale comigo.

Dentro de seis anos, tudo será diferente.

Veja bem.

- Que sucata é esta? - É o meu futuro carro, um Toyota Prius.

O meu irmão foi buscá-lo e vai deixá-lo um mimo.

- Como assim, "foi buscar"? - Ele trabalha no reboque.

Na foto, está todo rebentado.

Mas vai ficar uma maravilha.

Cor cinza metálico, jantas de liga-leves. Um carro de sonho.

Mesmo que ande nele, o que eu até duvido,

há sempre um cabrão que vai fazer uma crítica negativa.

Por que diz isso? Já pensei em tudo.

Vai ver, tudo a dar 5 estrelas.

Chocolates, qualquer playlist a pedido do cliente, assentos aquecidos.

Vá devagar que estou a tirar notas!

Nem todos podem salvar vidas como o senhor.

Salvar vidas?

Aqui diz "Ambulância de Paris" não diz "Médicos sem Fronteiras"!

Desculpe.

Não, a sério.

Salvou a vida àquela mulher.

Ficou obcecado com isso? Qual mulher?

- Aquela do chucrute. - A Rose? Isso é diferente.

- Ela não é minha paciente. - É sua namorada?

Não, era namorada do meu filho.

Está verde.

E como ela está?

- Quer o número dela? - Eu também estava lá!

Gostava de saber como ela está.

Bem, em observação em Bichat. Mais alguma coisa?

- E tem outro namorado agora? - Está verde, porra!

Pois, está verde...

Verde como os olhos dela.

Está a tirar-me do sério!

Do outro lado.

Troque.

Assim, isso.

Respire.

Que coisa incrível!

Consegue ouvir-se tudo o que acontece nos pulmões!

Quando eu era pequeno, queria muito ouvir.

- Que fixe! - Dê cá isso. Vá.

Este é o som de pulmões saudáveis. Mais saudáveis do que os seus.

Nota a diferença?

- Posso ouvir os meus mais uma vez? - Rápido, que temos gente à espera.

Lado errado.

- Nada mal, hã? - Bem, sim.

- Qual é o nome deles? - Schneider.

Schneider?

Encontrei.

Obviamente, é um apelido alemão. Como chegaram eles aqui?

É tudo esquisito. Kyuchet, Guebo, Guimoar. Faz lembrar o Gimor do ténis.

Desculpe, boa noite. Aqui é o dr. Nana-Nanu-Nani.

- Mamou-Mani, seu idiota. - Perdão?

Mamou-Mani, desculpe.

Terceiro andar.

Certo, estou a caminho.

Céus!

Se for constipação, vê o quê e por que ordem?

Garganta, nariz, pulmões.

E se o paciente tiver febre e fortes dores de cabeça?

Aí já não sei.

Verifique se os músculos do pescoço endureceram.

Nesse caso, é meningite. E lembre-se: a febre é de, pelo menos, 39,5º.

- E se eu me enganar? - Não poderá enganar-se.

Em caso de dúvida, chama-se uma ambulância.

A roupa muda uma pessoa!

Pareço um príncipe!

Quem é aquele rapaz ao lado da Rose no elevador?

- É o meu filho. Pouse a foto, por favor. - E onde ele está?

- Não passam o Natal juntos? - Ele morreu.

Merda, lamento.

- Lamento mesmo. - Já foi há muito tempo.

Mas vá, o paciente está à espera.

Não há nada pior do que pais de crianças doentes.

- Tente falar o menos possível com eles. - Entendido.

E seja gentil com eles.

Boa noite, doutor.

Boa noite, senhora.

- Faça o favor de entrar. - Agradeço.

Boa noite.

Que tecto alto!

Doutor...

Boa noite.

Boa noite.

Feliz Natal.

- Doutor... - Excelentes esquis.

Fantástico!

- Doutor... - Sim?

- É por ali. - Desculpe.

- Que casa bonita, senhora. - Obrigada.

Há quanto tempo mora aqui?

- Esta casa foi construída pelo meu bisavô. - Ele era pedreiro?

Um pedreiro livre, a bem dizer.

Livre, como assim?

Todos os Schneiders de todas as gerações estiveram aqui.

A sério? Deve ser bom quando há tantos amantes de teatro na família.

Perdoe-me a curiosidade, mas parece-me tão jovem para ser médico.

- Quantos anos tem? - Vinte e seis.

Tem de se ter, pelo menos, trinta.

Acabei a escola mais cedo. Como aluno externo.

Sou excelente a ciências naturais.

- Os meus parabéns. - Fico feliz por ouvir isso.

- Siga-me, por favor. - Sim, claro.

Boa noite, doutor.

Boa noite, senhora. Como está?

- Eu estou bem, obrigada. - Ainda bem.

Então, pequenote? Como te chamas?

Balthazar.

É um pouco tímido.

- Vou deixar-vos. Feliz Natal, doutor. - Feliz Natal, senhora.

Senhora, desculpe. Queria dizer-lhe que foi um gosto.

É a sua mãe?

- É a minha sogra. - Sogra...!

Acho que teve muita sorte com a nora.

Eu disse para ser simpático, não para ir para aí engatar!

Não quer levá-la ao cinema?

- Está a arder em febre. - Sim.

- Mediu-lhe a temperatura? - Sim, há uma hora. Tinha 38,2º.

38,2º há uma hora atrás.

Há que medir novamente.

- Devemos voltar a medir. - Muito bem.

Balthazar, consegues sentar-te?

Aqui está.

Uma cadeira fantástica.

É bem simples.

Este é o seu quarto? O seu marido é banqueiro?

Muito bem.

Ora bem, o termómetro...

Aqui está ele.

Como é que isto trabalha? Se se carregar uma vez...

Acabei de o comprar, é um modelo novo.

É só um momento...

- Isso é sofisticado. - Vamos descobrir agora.

Não sei, acho que... O que é isto?

Aqui está! Vamos a isto. Estás pronto, amiguinho?

Um, dois, três! Mãos ao ar!

A sua temperatura corporal é de 32ºC.

Estás com frio?

Experimente na testa agora.

Está tudo bem aqui?

- Boa noite, senhor. - Boa noite.

Quem é esse?

Estás pronto? Um, dois, três!

A sua temperatura corporal é de 38,4ºC.

38,4, não é meningite! Dá cá mais cinco, parceiro!

Somos sortudos.

Até agora tudo bem, senhora.

Agora vamos verificar... Os pulmões!

Podes desapertar a camisa?

Então...

Inspira fundo.

Desculpe lá, o que está a fazer?

Estamos a inspirar profundamente. Sim, isso mesmo. Mais forte.

Sabes que mais, parceiro?

Tens uns pulmões de campeão. O que é muito bom.

Então...

Vamos continuamos o diagnóstico.

Encontre uma colher de língua e envie-me uma foto da garganta.

Desculpe, senhor, não...

Então, onde está a colher? Está aqui. Muito bem.

Vamos lá a isto.

Então, pequenote... Diz "ahhh".

Excelente.

Boa visibilidade.

Então, existe inflamação?

- Deixe-me acabar o diagnóstico, senhor. - Perdooe o meu marido.

Ele é cirurgião. Não consegue controlar-se.

Porra, o número é esse.

O senhor é cirurgião?

- Então o que estou aqui a fazer? - Não trato os meus familiares.

Sim, claro. Entendo. As pequenas doenças não são a sua praia.

Por isso, caro colega, deixe-me trabalhar calmamente.

- Por favor, doutor. - Obrigado.

Anginas não é.

Vamos ignorar o nariz. Envie-me uma dos ouvidos.

E não stresse, vai correr bem.

Então...

Desculpe lá, mas o que está a fazer? Para que é o telemóvel?

Charles...!

Isso já é ridículo, sabe? A lâmpada do meu aparelho fundiu.

Usei o que estava mais à mão.

- Refere-se ao otoscópio? - Sim, um otoscópio.

- Já tirou a foto? - Sim, deixem-me todos em paz!

Não consigo trabalhar se estiverem para aí a dar em cima de mim!

Isso é stressante, sabia?

Ou confiam em mim ou vou-me embora!

- Você é mesmo médico? - Já chega, Charles!

Sim, senhor, sou médico.

Como todos na minha família. De geração a geração.

Dedicamo-nos à medicina.

Mas se estão com dúvidas...

Deixo-te aqui com o papá...

- Ele que trate de ti. - Não, doutor.

- Boa sorte. - Lamento...

Fica bem, Balthazar.

Não me diga que decidiu fugir!

Por que o doutor foi embora?

- Tu és impossível, Charles. - Doutor, espere.

Doutor!

Desculpe, fui estúpido.

Imploro-lhe que volte e prometo que não volto a interferir.

- Então, quem é o número um? - Sou eu.

- Feche a porta, tenho frio. - Sim.

- Quantos anos se estuda para ser médico? - Você nem a escola acabou!

Olhe que tenho um diploma! Era o melhor a biologia.

- Nove anos para um clínico geral. - Nove?

Isso é brincadeira?

A minha irmã também estudou. Era fixe.

- Durante quase três anos. - Por que deixou?

Devido à gravidez.

É uma pena, ela teria sido uma boa advogada.

O que faz ela agora?

Morreu.

Merda!

Não, estou a brincar!

Você é cá um parvalhão!

- Onde é que vamos a seguir? - Rua Chapon.

É uma senhora idosa. Parece que as ama.

E olhe que é mútuo.

Vamos a isto.

Boa noite. É o doutor.

Mamou-Mani.

Boa noite, doutor.

Aqui tem o seu hambúrguer.

Fantástico.

- Vai um gole? - Não, obrigado.

Não tem arritmia. Meça-lhe a pressão arterial.

Do outro lado.

Certo, já chega.

Coloque o estetoscópio aqui.

Como deve ser. Agora pulse essa coisa.

Entendido.

Quando paramos de ouvir o som, o que fazemos?

Abre-se lentamente a válvula e liberta-se o ar.

Mais alguém quer medir as tensões?

É por conta da casa!

Meninas, sorriam aos três. Um, dois, três!

Que estranho. Estou a ter um déjà-vu.

Boa noite, doutor.

Doutor, está tudo bem?

Está.

Vá para a sala de estar. A minha esposa já está a dormir.

Vai entrar?

Desculpe, dá-me licença para ir à casa-de-banho?

Sim, é no final do corredor.

Obrigado.

O que se passa?

Serge, parece que nos metemos numa alhada.

- É o da porra da lagosta! - Qual lagosta?

O tipo que me fez despejar o lixo. Estou com ele agora.

- Estou na casa-de-banho! - Porra!

E não deu logo por ela?

- Não sei, simplesmente não dei. - Ele reconheceu-o?

- Parece que não. O que faço agora? - Saia já daí.

- Eu resolvo com a Susie. - Certo, vou já sair.

Doutor?

Está aí?

Está tudo bem consigo?

Lamento, mas tenho de ir embora. Tenho uma outra chamada muito urgente.

De joelhos?

Deixei cair os meus remédios, mas já os encontrei.

Desculpe, doutor, mas o meu caso também é urgente.

Não lhe dê importância e saia já daí!

- Passa-se alguma coisa? - O quê?

- Desculpe, o quê? - Desculpo o quê?

- Há algum problema? - Não vejo nenhum. Mas há?

Também não vejo.

Já nos conhecemos?

Acho que não.

Tem a certeza?

Sim.

Certo, senhor. Não mais do que dois minutos.

- Muito bem. - Dois minutos?! Saia daí!

- Tem dor de barriga? - Na verdade, não.

- Sou todo ouvidos, mas diga logo. - Doutor, pode passar-me baixa?

Porra!

Vou de férias para a montanha, mas já gastei as férias todas.

- É este o seu assunto urgente? - O comboio é amanhã de manhã.

E nem sequer hesita.

Vai recusar-me este favorzinho?

Sim.

O quê?

Dói-lhe se tocar aqui?

- Não... - E aqui?

Aí sim!

- É muito doloroso? - Parece que tenho uma abelha aí dentro.

Abra a boca e diga "ahhh".

Abra mais.

Merda!

O que foi?

- Tem um bom seguro de saúde? - O que está a fazer, Malek?

- Um comum, como toda a gente. - Não gosto do que vejo.

E o que viu?

- Gostava de estar enganado, mas... - Malek!

Não brinque.

- E não estou a brincar. - Pare com isso, Malek!

- Não? - Malek!

Quantos anos tem, senhor?

Mas o que é isto?

Prometa-me que vai fazer um raio-X pela manhã.

E não vá sozinho.

De agora em diante, ande sempre com a família.

Muito bem. Obrigado, doutor.

Anime-se.

- A probabilidade de cura é de 1:2. - É? Não sabia.

Chupa!

Vai ser assim com todos.

Será que sabe como podem acabar as suas brincadeiras?

Que tem? Ele merece.

- E se ele reclamar, faço o quê? - Sei lá eu!

Ele também é um cretino! Chamar um médico sem razão.

Eu sinto-me insultado! Não é para isto que se estuda nove anos!

- É para quê então? - Bem, não sei.

Está a ver? Não sabe!

Mas existem muitos pacientes reais por aí que precisam de ajuda!

Só pediu baixa! Isso não é o fim do mundo.

- Mas ele não estava doente! - E você não é médico!

- Considerem-se quites. - E não faz mal?

Passaria baixas falsas?

Certo, já percebi. Não quero saber.

- Onde vamos agora? - A algum lado.

A sério? E o que vamos fazer?

Você entrega pedidos, se quiser. E eu durmo.

Não há pedidos a esta hora.

Então reze para que a Suzy nos deixe em paz.

- Sem fazer nenhum. - Mas eu queria...

Talvez eu...

Onde estamos?

Por que está a sorrir como um idiota?

Dormiste bem?

Acho que perdi um episódio.

Só posso dizer que dormiu. E ronca que nem um porco!

Sim, é um horror.

Deixe-me supor que o assunto está na curvatura do septo nasal.

O que estás aqui a fazer?

Vamos levá-la a casa.

Teve alta com o roupão?

É um hospital.

Está toda a gente a dormir. É só sair em silêncio.

Deixe lá ver se entendi bem... Não assinou a alta?

- Assinar o què? - Estava tão escuro que decidi fugir.

Foi por isso que liguei.

E eu não queria acordá-lo, já que roncava tão pacificamente...

Mas há algum problema?

Não, não, vamos lá levar-te.

- Temos de atender. - Sim.

- Estou a ouvir. - Acordei-o?

Não, pode falar.

Intoxicação alimentar. Metro Port de Lila.

Parece algo sério, toda a família está envolvida.

Enviei os dados.

Certo, estou em Port de la Chapelle. Demoro um quarto de hora.

Certo, vou avisá-los.

- Vamos para o Porto de Lila. - Certo.

Vamos fazer um pequeno desvio e depois levamos-te.

Rose, segura-te bem!

Vamos a isto!

- Dá a bolsa que está aí à Rose. - Muito bem.

Toma.

Era o que estava mais à mão.

- Andou a vasculhar nas minhas coisas? - Ligaste-me quando fizeste parvoíces.

Não foi parovíces. Só queria dormir.

Com uma caixa de pastilhas inteira? Ias passar um bom tempo a dormir!

Cada um foge da realidade à sua maneira.

Devíamos tentar à tua maneira a ver se dá resultado.

Não entendo por que ele saiu, mas você continua sentado.

As minhas costas não estão boas.

Pode tirar-me isto?

Vamos a isto?

- Pressiona com o dedo. - Sim.

Muito bem.

O seu estagiário é porreiro.

Estagiário...

Sim?

Boa noite, aqui é o dr. Mamou-Mani.

- O que disse ele? - É no quinto andar.

Depois explico-te tudo.

- Estamos é mal. - Vou num ápice!

Senhora Jiménez?

Sim? Entre, estou na sala.

- Boa noite, senhora. - Boa noite, doutor.

- O que se passa? - Estou muito mal-disposta.

Deite-se. Ficará mais fácil.

Pergunte-lhe o que ela comeu.

- Lembra-se do que comeu? - Lembro.

Truta, camarão, tangerinas.

Foie gras, doces de Natal, geleia de figo, também pistachio e aperitivos.

Estou a ver...

- E peru com batatas assadas. - É tudo?

O meu filho e o meu marido ainda comeram ostras, mas eu não gosto.

- Então, recapitulando: Peru... - Não, não, eu ouvi tudo.

Veja se ela tem febre.

Não tem febre, já não é mau.

Deixe-me ir ver como eles estão e já venho ter consigo.

- Os quartos são ao final do corredor. - É um instante.

Pode explicar-me?

- Está de turno comigo hoje. - Mas quem é ele?

O estafeta que te levava o chucrute.

Antes de emborcares as pastilhas, pediste chucrute e o Malek foi levá-lo.

E cheguei em boa hora porque o Serge não sabia o código do prédio.

Ele é estafeta?

- Ofereço serviços de transporte pessoal. - Deixe a letra e trate de vida.

Olá, parceiro. Estás bom?

Volto já.

Serge, está a ouvir-me? Isto é tudo muito estranho.

O miúdo tem o quarto com vomitado por tudo quanto é canto!

Isto é um pesadelo. Não sei o que se passa.

É uma intoxicação alimentar. Vou enviar uma lista de medicação.

Diga-lhes para beberem muita água,

e se amanhã não melhorarem, para irem ao hospital.

Vou ver como o está o pai.

Senhor, é o doutor.

- Diga-me, como se sente? - Muito mal.

Estou a vomitar de cinco em cinco minutos.

- Também tenho diarreia. - Merda!

Venho já ter consigo.

Pegue numa caneta para escrever a receita da medicação.

- Não, Serge, isto é outra coisa. - Então porquê?

É estranho, mas, de repente, também me senti mal.

Estou com tonturas e com dores de cabeça.

Malek, é normal. Está cansado, tem sido uma noite longa.

Não é nada disso. Até vir aqui, estava bem.

- Então, o que têm eles? - Não é intoxicação alimentar.

Alguma coisa se passa aqui.

- Até o cão mal anda. - Que tipo de cão?

Não sei, é o cão deles.

Consegue ouvi-lo?

Vomitou-me nos sapatos.

Malek, abra já as janelas! Tinha razão!

Foram envenenados com monóxido de carbono.

Encontre uma bomba de oxigénio na pasta.

Deixe-os respirar por ela. Entendido?

Senhora, vou já!

- Senhor, levante-se e saia daqui. - Despache-se. Eles podem morrer.

As janelas estão abertas!

Vai buscar a tua mãe, rápido!

Pronto, respire. Consegue sentir o ar a encher os pulmões?

Venha devagar, não tenha medo. Estou a segurá-la.

Inspire fundo agora.

- Está a sentir? - Estou.

Que vista maravilhosa.

Olá, malta. Conseguem girar o pescoço?

Parece mesmo um médico.

Ele é bom nisto.

Aqui está o cãozinho. Como estás, Carlito?

- O nome dele é Carlito? - Sim.

É um nome porreiro.

Ele é traficante?

Sabes o que é mais engraçado?

Ele fez-me lembrar como já fui um bom médico.

Vocês estão avariados da cabeça! É impossível serem iguais.

Se não quiseres vê-lo, ninguém te obriga.

Com cuidado...

Diga-me, o cão vai melhorar?

Serge?

- Olá, Serge? - Sim!

Quer acredite ou não, um jornalista de Paris acabou de ligar.

- Quer escrever sobre si. - Isso é uma piada?

Ele sabe das suas façanhas. Escreve sobre milagres de Natal.

E então?

Então é que acabou de salvar uma família. Dou-lhe o seu número?

Não, nem pense!

Como quiser.

Bom trabalho, seja como for.

É tão bom dizer-lhe algo bom uma vez a cada cem anos.

Venha cá!

- Está a falar com quem? - Com ninguém.

Não há ninguém na minha vida para além de si, Suzy.

Mesmo que isso não seja verdade, agradeço na mesma.

- Já posso ir dormir? - Ainda não.

O último paciente ficou na Nolle Street.

- Dor de barriga. É isso. - Vou passar por lá.

Até amanhã, minha cabra.

Vai ser difícil voltar a entregar hambúrgueres.

- Ou chucrute. - Ou chucrute, certo.

Posso?

Toma.

Então?

Caraças...

Como é que ele se chamava?

Quem?

O filho do Serge.

- És muito atrevido. - Lamento.

Chamava-se David.

E...

Morreu há seis anos no dia de Natal. Numa avalanche.

- Agora já sabes de tudo. - Lamento.

- Também lá estavas? - Sim.

Tive sorte.

Sempre tive uma vontade muito grande de aprender a esquiar.

Mas diminuiste-a agora.

Por que não estás a passar o Natal com a tua família?

Como vivemos muito próximos, não festejamos nada.

E punha a árvore onde, na cabeça?

- Tens filhos? - Filhos?

Não, ainda vivo com os meus pais.

- Sou atraente? - Não digo que não.

Se não fosse o cão a manchar-me as botas, estava fenomenal.

- Obrigada por ires buscar-me ao hospital. - Ora essa.

Não ia deixar-te no corredor do hospital durante a noite estando tu de meias.

E queria certificar-me de uma outra coisa.

O quê?

Que és tão linda com os olhos abertos quanto com eles fechados.

E então?

O som da salvação.

A propósito...

Acho que ela gostou de mim.

Que tolice...

A nossa última consulta é em Saint-Lazare.

- Podemos dar-te boleia. - Obrigada, mas vou adormecer.

Eu vou de Uber.

- Tens a certeza? - Sim, mal me aguento em pé.

Vê se descansas. Ligo-te na próxima semana.

É melhor não.

Porquê?

- Vamos parar de fingir. - Não estou a entender.

Está, Serge, e muito bem. Você prefere não me ver.

De onde tiraste essa ideia? Sempre que me ligas, eu venho.

Desejando que eu não estivesse a chateá-lo.

Não?

Adeus, Malek.

- Vai deixá-la ir embora? - Sim, vamos embora.

Sabe que mais, Serge?

Rose!

Rose, espera!

Perdoa-o.

E queria dizer-te que gostaria de encontrar-te de alguma forma.

Se não te importares.

Rosa Malaparte. Não há outra no Instragram.

- Fantástico. Eu sou o Kiwi-92. - Certo.

Também estou sozinho.

Que bom que você chegou lá, cuide dela!

- Vire à esquerda ali. - É proibido.

Se não cortarmos caminho, andamos às voltas até de manhã.

Certo.

O que é isto?

- Merda! - O que está a fazer?

Passe para o volante, eu não tenho carta.

Se me apanham, bem posso dizer adeus ao carro dos meus sonhos.

- E não podia ter dito antes? - Que diferença faria?

Caraças.

Raios me partam.

- Ande lá, eles estão a chegar! - Estou a dar o meu melhor.

- E puxe o travão de mão, porra! - Eu sei. Tenho a perna presa.

Qual é o problema?

- Não sabe que é proibído? - Eu sei. E então?

- As regras também são para si, doutor. - Tem toda a razão, sr. agente.

E que tal um paciente com um ataque cardíaco na Rua Nolle?

- Quase a morrer? - Isso é verdade?

O que acha?

Embora também é verdade que vamos todos "embarcar".

Ora bem...

Aqui está a carta de condução. E também deve querer o livrete.

Não é necessário. Pode seguir.

E passo por onde?

Mexa-se, mais gordo.

Foda-se!

Pode vir, o caminho está livre.

- Obrigado, salvou-me a vida. - Eu fui a favor.

Foda-se.

Sabe, gosto do seu trabalho.

Calha bem. É que ainda não o acabamos.

Dr. Malek Aknun.

Soa-lhe bem?

- Boa noite, doutor. - Boa noite, minha senhora.

- Pode entrar. - Obrigado.

Que apartamento pequeno o seu!

Mas diga-me lá o que tem.

- Tenho dores de barriga. - Não se preocupe, o doutor vai ajudar.

- O seu café cheira bem. - Só o fervi, nem consegui bebê-lo.

- Quer um pouco? - Com certeza.

Para ser franco, tive uma noite díficil.

Não jantei em família.

Quase fui parar à esquadra.

Podia nem ter cá vindo.

Malek, por favor!

Então porquê?

Não, é só que...

O que se passa? Está bem?

Doutor, o que é isto?

- Acabou de se mijar! - De modo nenhum.

Bem, um pouco.

De que cor é a urina dela?

- É transparente, quase nem se vê. - Como "transparente"?

- E como é o cheiro? - Não, não vou cheirar.

Ouça, Malek, parece que a bolsa de água rebentou.

- O quê? - Como está a barriga dela?

Pergunte-lhe se está grávida.

O quê?

- Isto é uma piada? - Não, por que pergunta?

A senhora está grávida?

- Não, onde foi buscar... - Então, digo-lhe já

que você não está grávida! Está só inchada, como toda a gente!

- O que se passa, minha senhora? - Tenho dores!

Malek, examine-a e avise-me.

Certo. Apoie-se em mim, senhora.

- Vou examiná-la. - Dói muito!

- Cuidado para não escorregar. - Qual é o meu problema, doutor?

Não se preocupe, vai ficar bem. Vou só examiná-la.

Isto precisa de ser lavado.

Agora, se puder abrir... Isso mesmo.

Lamento, senhora.

Então, doutor, o que se passa?

Doutor?

Doutor!

Doutor!

- Malek! - Doutor!

- Malek, onde é que foi? - Doutor!

- Estou, Malek? - Doutor, acorde! Acorde!

Merda, merda!

Doutor!

Doutor!

Acorde, doutor!

- Estou? - Sonya?

- Ajude-me. - Está tudo bem.

- O doutor desmaiou. - Não se preocupe, também sou médico.

- Diga uma coisa: está gestante? - Não sei, acho que sim.

- Muito bem. - Como é possível?

Sonya, é importante que relaxe. A ajuda vai a caminho e vai ficar bem.

Encontre a posição mais confortável para si.

Respire profunda e calmamente. Estou a caminho.

- Está tudo bem, senhor? - Está.

- Desculpe, senhora, estou um pouco fora do assunto. - Estou dando à luz.

- Não pode ser, senhora. - Já lhe sinto a cabeça!

Olá, ligou para o 112. Por favor, não desligue. A sua chamada será...

Doutor, acorde!

Não se mexa, senhora. Não entre em pânico. Já volto.

Ela está sozinha.

- É tudo o que sei. - Certo, enviarei uma equipa.

Precisam de si ali.

Devagar.

- É dos bombeiros? - Eles estão a caminho.

Mas não se preocupe. Também sou médico.

Pouse-me na mesa.

Com cuidado.

Não vou conseguir.

O parto é a coisa mais natural do mundo.

Quando foi a última vez que esteve com o período?

Não sei.

Sinto-o a bater! Quero ir para o hospital!

Receio que não vai dar tempo. Vamos fazer o seguinte.

Trabalhei nos MSF muitos anos e em condições mais difíceis.

Pare de falar de partos ou vou expulsá-lo daqui!

Faça o que quiser.

Malek, traga-me toalhas limpas e a minha mala.

Minha senhora, onde é a casa de banho?

É ali!

Obrigado.

Perfeito, muito bem. É isso mesmo, Sonya!

Inspire profundamente. Está tudo bem.

- Não consigo! - O mais profundamente possível.

Você também, Malek. Pegue no inalador.

Inspire bem profundamente

e quando eu lhe disser, vai empurrar com toda a sua força!

- Pronta? - Não!

- Vai conseguir, todas conseguem! - Eu não sou necessário aqui.

Continue a inspirar bem fundo. Vai tudo ficar bem.

- Vai conseguir, tenho a certeza! - Está pronta?

Vamos, o mais forte que puder! Isso mesmo, faça força!

Respire novamente.

Respire. Não temos mais espaço.

Vamos pô-la de lado. Vai ficar mais confortável.

- Eu ajudo-o. - Malek...

Ponha a perna dela no seu ombro. Sim, isso mesmo.

- Na verdade, é melhor assim. - Sabe uma coisa, senhora?

- Dou-lhe os meus parabéns. - Ai sim?

Está agora na posição lateral de segurança.

Obrigado, Malek.

Nada lhe acontecerá. Eu sei como é.

Então, vamos ajudá-lo a sair?

Certo, atenção. Um, dois, três. Empurre com toda a sua força!

Vamos lá!

Isso, isso!

Sim, isso mesmo! Está a ir muito bem, Sonya!

Está a ir muito bem.

Só mais um bocadinho!

Já está, já o vejo! Cá está o nosso bebé.

Pronto.

Mais precisamente, a bebé. Uma menina saudável.

E é cá uma beleza.

Fantástico.

Conseguiu.

Quer vê-la?

Nada disso. Vou dar-lhe um pouco de colo.

Então, como estás?

Desinfecte as mãos e passe-me o clipe.

Obrigado.

Agora eu prendo e você corta.

Está a falar a sério?

Estou.

- Aqui? - Não, não. Aqui.

Sabe, o seu trabalho é maravilhoso.

Sim. Às vezes, sim.

- Serge. - O que foi?

Sei tudo sobre o seu filho.

A Rose contou-me.

Corte.

Passou por coisas terríveis,

mas o Serge faz falta a este mundo. A prova está aqui.

Vocês vão cortar o cordão umbelical ou tenho de usar os dentes?!

Desculpe, minha senhora.

Vamos a isso.

E pronto.

Como está?

Encoste-me ao capô.

Sabe...

Nem acredito.

Está bem?

- Bem, fim do turno. - Sim.

Vou dar-lhe uma boleia

e preparar a maior sande de todos os tempos para mim.

Se quiser, vamos comer qualquer coisa juntos.

Há um café aqui perto. Daqueles que nunca fecha.

- É tudo delicioso lá. - Por que não?

Mas primeiro, quero que cumpra o meu último pedido.

Tudo bem.

O que quer?

Quero dizer-te uma coisa.

Então, sem tempo, você saiu rapidamente.

Sou toda ouvidos.

Não quero perder-te, Rose.

Desculpa, fui um perfeito idiota.

- Fique em pé! - Não consigo!

Malek!

- Já o agarrei. - Cuidado.

- Está tudo bem? - Não!

Temos de nos virar.

Ai a minha mão!

O que fazemos agora?

Vamos estabilizar-nos.

Vamos até lá ao fundo.

- Se quiser, posso deixá-lo de lado. - Cale-se!

E para ti, Rose?

- Acho que vou comer chucrute. - Bem...

- Tem na ementa? - Claro que sim.

- Então, três de chucrute. - Não, não!

Vou querer uma omolete, por favor. Com um pouco de queijo.

- Muito bem. - Adoro queijo.

A que horas começa o teu turno hoje?

Depende de qual.

O do doutor Mamou-Malek.

- Parece-te bem? - Sim.

Está a ver, Serge? Ela tem a sua razão.

- Deixe lá essas suas parvoíces. - O que é que tem?

Até entendo que é Natal, mas ainda assim...

Vais ter de te habituar.

DOUTOR?

Obrigado.

- Fez a profilaxia com o antibiótico? - Sim.

Muito bem. As tensões e o ritmo cardíaco estão estáveis?

- Sim, doutor. - Está tudo bem.

- A anestesia funcionou? - Sim.

Então, vamos a isto.

- Luvas, por favor. - Aqui estão.

- Nada de complicações? - Está tudo bem.

- Tomou anticoagulantes? - Não, doutor.

Este caso é bastante complicado.

É exigida concentração máxima.

Vamos fazer uma celioscopia.

Bem, é este o procedimento padrão para remover a hérnia do esófago.

Será necessária uma incisão. São 18:41.

Bisturi.

Mas quem será?

Desculpe! É só um segundo.

- Bom dia. - Bom dia, senhor. Entre.

- É você o Christian? - Sou, sim.

- Muito bem. - Está com um ar cansado.

Sabe como é, isto do carro, os cursos, os exames.

Quais cursos?

- Será que tem carta? - Tenho, não se preocupe.

O que anda a aprender?

Anatomia para Totós?

- Passa-se alguma coisa? - Não, está tudo bem.

- Mesmo? - Mesmo.

Certo, muito bem.

- Gosta das suas aulas? - Sim, adoro.

- Estou em estágio. - Onde?

- No instituto médico. - Fantástico.

Quero ser...

Médico.

- Mas ainda é motorista? - Sou.

Então, leve-me ao aeroporto. Estou atrasado para o voo.

- Sim, claro. Desculpe. - Muito obrigado.

Orly, Terminal Oeste.

Deve ter aí tudo escrito. Inseri os dados todos ao pedir.

- Isso, senhor. Vamos. - Se fizer o favor.

- Tem aí uns chocolates. - Sim, obrigado.

Vamos lá, senhor.

- Está confortável? - Sim, obrigado.

- Quer ouvir alguma rádio? - Ponha aquilo que quiser.

- Importa-se que atenda? - Faça o que quiser!

Já lhe respondi uma vez. Para què estar sempre a perguntar?

Olá, Serge.

Não posso, tenho um cliente.

Não há hipótese. Será que pode esperar?

E chamar uma ambulância?

Certo, mande-me a morada. Chego dentro de dez minutos.

Importa-se que o deixe aqui? Tenho uma chamada urgente.

Tradução e Legendagem darkdevil

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