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SETE MULHERES
Norte da China, perto da fronteira com a Mong�lia.
Uma terra de senhores feudais e ex�rcitos de bandidos.
Um tempo de viol�ncia e aus�ncia da lei.
SOCIEDADE EDUCATIVA DA MISS�O CRIST� UNIFICADA
Obrigada, Kim.
Ponha o carro no abrigo, por favor,
e devolva o estojo de primeiros socorros � cl�nica.
- Bom dia, garotas. - Bom dia, senhorita.
A m�e do menino insistiu em me pagar,
ent�o colhi nove tangerinas, uma para cada uma de voc�s.
Muito obrigada, Srta. Andrews.
Srta. Andrews...
- � grave? - N�o, uma simples fratura.
Que maravilha ser capaz de fazer algo assim
e sem forma��o m�dica.
Para dirigir uma miss�o, Srta. Argent,
temos que aprender a fazer um pouco de tudo. Voc� sabe disso.
H� uma carta para voc�, Srta. Andrews,
do Escrit�rio Central.
Sim! H� uma carta para voc�!
Do Escrit�rio Central. A Srta. Argent j� me disse.
Espero que sejam noticias do m�dico. Tenho tanto medo.
Pois ter� que conter sua curiosidade at� a hora do almo�o.
"E assim, o doutor D.R.
"Cartwright
"chegar� no dia 16 ao mais tardar."
Gra�as a Deus. N�o suportaria um dia mais.
Que not�cias terr�veis de Komcha....
- Komcha! � onde est� Tunga Khan... - Florrie, por favor.
Eles foram mortos na cama enquanto dormiam e...
Sra. Pether, por favor!
Esse bandido... esse Tunga Khan, como voc� o chama
n�o se atreveria a nos molestar.
- Somos cidad�s americanas. - Com certeza!
Voc�s est�o totalmente a salvo.
Agora, agrade�amos.
Deus falou, minhas crian�as.
Deus lhes falou.
"Eu serei seu Deus e seu Pai."
Senhor, escute minhas preces
e atenda meu desejo.
Considere minha presen�a com sua verdade e gra�a.
Permita-me ouvir sua chamada nas horas da manh�
pois em voc� deposito minha confian�a.
- Revele sua... - Sr. Pether.
Voc� acha que alguma das crian�as entende uma palavra do que diz?
Acho que n�o.
Aprenda a conter sua tend�ncia ao p�lpito. Este n�o � um semin�rio teol�gico.
Desejo tanto chegar a eles...
Eu cuidarei de sua aula.
Voc� ir� a receber o Dr. Cartwright.
- Eu? - Por que n�o?
Como vou reconhec�-lo?
Quantos m�dicos voc� acha que viajam nessa caravana de mulas?
Demoramos tr�s meses para encontrar um.
Sim, eu sei.
Florrie e eu temos dado muitos problemas.
Temos sido uma carga.
- Sinto muito que tenha sido assim. - Certamente.
Srta. Clark...
Apresse-se. Chegar� atrasada para o jantar.
Sinto muito.
O doutor e o Sr. Pether chegar�o logo.
Sim, vou me apressar.
Seu cabelo...
Assim est� melhor, Emma.
Eles est�o atrasados. � hora do jantar.
O m�dico entender� que temos que comer.
� absolutamente necess�rio dizer "n�s"?
Sim, por favor, pare com isso..
� que somos "n�s". �s vezes ele se mexe e chuta.
Onde est�, Charles? Onde est� o doutor?
O que aconteceu, Pether?
N�o sei. N�o estava l�.
O mercado estava cheio de camponeses, todos chineses.
N�o encontrei nenhum m�dico.
A mesma coisa que a �ltima vez e a anterior tamb�m!
Voc� n�o consegue encontrar um m�dico, e nem mesmo tenta.
E nem liga para isso. N�o � justo! N�o � justo!
Leve sua mulher para o quarto, Sr. Pether, e a ponha na cama.
Ainda n�o jantamos. N�o conseguiremos dormir.
- V�o levar uma bandeja para voc�. - Eu levarei o jantar.
- A Srta. Argent levar� o jantar. - Nunca conseguiremos um m�dico.
Que estamos fazendo aqui? Este � o fim do mundo.
Florrie! Florrie!
Estou desesperada. Terei que parir como um animal. Um animal numa toca.
Indefesa! Indefesa! Por favor! Por favor!
Srta. Andrews, acha que a Sra. Pether vai se recuperar?
Se Deus quiser.
Que noite mais agrad�vel.
Jesus me ama, isso eu sei, porque a B�blia assim me diz.
Os pequenos a ele pertencem. Eles s�o fracos, mas Ele � forte.
Sim, Jesus me ama.
Sim, Jesus me ama.
Sim, Jesus me ama.
� isso que a B�blia diz.
Quem � voc� e o que quer?
Sou a Dra. Cartwright, e voc� quem �?
Sou Agatha Andrews, a diretora desta miss�o.
Est�vamos esperando por voc� h� dias. O que lhe aconteceu?
Seus cules idiotas perderam metade de minha bagagem.
Levei um dia para encontr�-la.
Imagino que esteja com fome depois da viagem. Quer comer alguma coisa e...?
Primeiro quero tomar um banho e descansar um pouco.
Ei, voc�s! Cuidado com o material medicinal!
- Nossa gente � bastante bem treinada. - Espero que sim.
Sra. Pether, � a doutora.
Voc� � o m�dico?
Mas voc� � uma mulher!
A menos que muitos homens tenham mentido para mim.
Charles! � uma mulher!
N�o se preocupe. Ela � t�o boa quanto qualquer homem.
Melhor!
Boa noite.
- Voc� chamou a doutora? - Sim, senhorita.
Dra. Cartwright,
agora que j� descansou, gostaria que conhecesse meu pessoal.
A Srta. Argent, minha assistente.
� muito leal e devotada.
N�o sei o que faria sem ela.
A Sra. Pether voc� j� conheceu.
A esposa de nosso �nico professor homem
Encantada, Reverendo.
O Sr. Pether n�o � um cl�rigo.
�, Sr. Pether?
N�o, Srta. Andrews, mas eu...
Como vai, Dra. Cartwright.
E a Srta. Emma Clark,
nosso membro mais jovem. Voc� ir� se sentar l�.
Tenho grandes esperan�as nela.
- Ol�, Emma. - Boa noite, Dra. Cartwright.
Alegro-me que tenha vindo Fez uma boa viagem?
Deve estar exausta. � uma viagem muito pesada.
- Voc�...? - Dra. Cartwright.
Ainda n�o demos as gra�as.
Deus amado,
fonte de todas as b�n��os,
n�s vos agradecemos por tudo que nos tendes dado.
Dai-nos o que desejar,
quanto desejar e quando desejar.
Somente v�s sabeis o que � bom para n�s.
Am�m.
Dra. Cartwright,
poderia n�o fumar?
Por qu�?
N�o aprovamos que as mulheres fumem.
N�o parece adequado a qualquer mulher
dedicada aos esfor�os crist�os.
Srta. Andrews, eu n�o pretendo dedicar-me aos esfor�os crist�os.
Eu me dedico somente ao exerc�cio da medicina.
Voc� sabia que este lugar era uma miss�o antes de chegar?
Sim, claro que sabia. Foi um golpe bastante duro.
Mas era o �nico trabalho dispon�vel para sair dos Estados Unidos.
E eu tinha raz�es pessoais para querer sair.
E voc�s t�m muita sorte que eu esteja por aqui.
Certamente n�o posso impedi-la de fumar em seu quarto.
Ou na cl�nica.
Voc� corta seu cabelo muito curto, Dra. Cartwright.
Sim, nos Estados Unidos est� na moda.
Al�m disso, em meu trabalho � muito pr�tico.
Oh, eu gosto. Fica muito bem.
Quer dizer... fica bem para voc�.
N�o tenho fome.
E o beb� est� chutando, Charles. Chutando bastante.
Quando vai me examinar, doutora? Amanh�?
Por que n�o esta noite?
Que bom!
Bem, Pether, n�o abriu a boca toda a noite.
Como se sente sendo o �nico galo neste galinheiro?
Sr. Pether.
Bem, n�o acompanhei, mas voc� ainda algumas semanas pela frente.
Doutora, ir� doer muito?
Voc� quer ter o beb�?
O que � uma mulher sem um filho?
Pether, pode entrar agora.
est� tudo bem, doutora?
At� agora.
Viu s�?
Mas n�o � normal que tenha seu primeiro beb� com essa idade.
- Florrie tem s� 42 anos. - 38, Charles!
O que vou dizer a voc�s � muito importante.
Pether, escute-me.
Quando a hora chegar, a Sra. Pether precisar� de uma maternidade moderna
com todo o equipamento necess�rio.
E pode ser de repente,
sem aviso pr�vio. Em sua idade nunca se sabe.
Tire-a daqui o quanto antes.
Esse � o meu conselho.
Tir�-la daqui?
N�o posso.
- Veja... - Sim, Pether?
- O trabalho aqui...falta gente. - Falta gente?
N�o podemos prescindir de ningu�m.
Pether, eu repito.
Sua mulher necessita de uma maternidade moderna e aqui n�o h� nenhuma.
Eu lhe disse, Charles! Voc� n�o deveria ter me trazido para esse lugar.
Por que a trouxe para c�?
Bem, sempre quis ser pastor.
Uma miss�o laica foi o m�ximo que consegui encontrar.
- H� quanto tempo est�o casados. - Quase um ano.
Um ano?
Quanto tempo durou o namoro?
Anos! Eu ainda estava na coleta quando conheci Charles.
Eu tamb�m queria me casar.
Sua m�e ainda estava viva e ele n�o tinha dinheiro para manter as duas.
Ou o dinheiro para ir � escola de Teologia.
Minha m�e era inv�lida.
Eu tinha que trabalhar,
para pagar as enfermeiras, o tratamento, e tudo mais.
- N�o havia mais ningu�m - Esperei durante anos.
Eu tamb�m, Florrie!
Casamento � uma coisa; ter um filho outra.
Uma coisa n�o leva � outra.
N�o sabiam das dificuldades de um parto premenop�usico?
Nunca me passou pela cabe�a. Est�vamos casados, finalmente!
E eu n�o me importava.
Todas as colegas de escola tinham filhos. Bessie Chapman teve g�meos.
Agora � minha vez!
Muito bem. Faremos o melhor que pudermos.
Deus cuidar� de Florrie.
Pether, trabalhei muitos anos em hospitais pobres. Nova York, Chicago.
Alguns eram aut�nticos infernos.
Eu nunca vi Deus descer e cuidar de algum deles.
Obrigada, doutora.
"Ainda que me mate... nele confiarei".
- Chame a Srta. Clark. - Sim, senhorita.
Sim, Srta. Andrews?
Quero que me escute atentamente, Emma.
S� estou tentando proteg�-la.
Voc� entende, n�o �?
N�o
Sua vida tem sido muito protegida.
Tanto seu pai como seus irm�os eram pastores do Senhor.
A Dra. Cartwright vem de um mundo bastante diferente.
Nunca ir� se adaptar a uma comunidade crist�.
Estou escrevendo ao Escrit�rio Central para que a substituam o quanto antes.
Eu a acho t�o interessante...
Fumar! Sentar-se antes de dar as gra�as!
Usar palavras profanas!
Chama isso de interessante?
Entendo que uma mo�a jovem e inexperiente
possa ver algo de excitante nela,
mas moralmente, espiritualmente, ela est� morta.
N�o.
A Dra. Cartwright veio para c� para cuidar dos doentes.
E da Sra. Pether. N�o pode ser uma mulher m�.
- Ela � diferente. - Ela � diferente!.
E a diferen�a � o mal que h� nela.
O mal? N�o posso acreditar nisso.
Querida Emma, sente-se.
Voc� realmente quer viver no mundo da Dra. Cartwright?
� para l� que essa jovem e boba curiosidade est� lhe conduzindo?
N�o, n�o. N�o quis dizer isso. Absolutamente.
Emma, eu me dediquei a voc�.
Tentei ensin�-la, gui�-la.
E voc� me paga perdendo a f�?
N�o! N�o, n�o perdi a f�..
N�o quis dizer isso. N�o era isso.
Voc� tem muitas virtudes, Emma.
Elas somente t�m que ser dirigidas para o lugar certo. Nada mais.
S�o Mateus disse,
"Bem-aventurados os puros de cora��o,
porque eles ver�o a Deus."
Isso � simples de entender, n�o �?
Sim. Obrigada, Srta. Andrews.
Sou a Srta. Binns, diretora da miss�o brit�nica de Komcha.
- Komcha! - Sim?
Essa � a Sra. Russel
e a Srta. Ling.
Conseguimos nos esconder quando ouvimos que Tunga Khan estava chegando.
Ele queimou Talmisha; ele matou nossa gente.
Que experi�ncia horrorosa!
Certamente, voc�s s�o bem vindas para ficar aqui.
Ei, Ching, Chang, qualquer que seja seu nome! Venha c�!
Pergunte a ela h� quanto tempo o beb� est� doente.
Dez dias, doutora.
Srta. Clark. Emma!
Leve este beb� para a cl�nica. Imediatamente.
Leve-o para a cl�nica. R�pido.
Sentem-se, por favor.
Srta. Argent.
Sinto muito. S� temos arroz frio e ch�. A cozinha est� fechada.
Estamos muito gratas, Srta. Andrews.
S�o bem vindas para ficar aqui
at� que a organiza��o de voc�s possa envi�-las para outro lugar.
S� Deus sabe quando isso vai ser.
Somos uma miss�o muito pobre.
Trabalharemos assim que tivermos descansado.
Eu conhe�o e admiro
o trabalho de sua... congrega��o, Srta. Binns.
Mas todos temos nossos pr�prios m�todos.
Um novo enfoque poderia provocar confus�o aqui.
Assim, durante o breve per�odo que estiverem conosco,
aproveitem para descansar.
Aqui n�o h� perigo.
- Somos cidad�s americanas. - Exatamente.
Ademais, h� uma guarni��o do ex�rcito chin�s na cidade.
� verdade o que dizem sobre as atrocidades em Komcha?
Atrocidades? Mataram,
mutilaram e estupraram!
Amarraram os chineses de tr�s em tr�s
- e os jogaram no fogo! - Russel!
Crian�as! Velhas!
Tanto fazia para eles!
Seguravam-nas enquanto lhes cortavam as pernas, os bra�os...
- Russel! - ...os p�s!
Charles!
As pessoas n�o costumam entrar em meu escrit�rio sem bater, doutora.
N�o serei respons�vel pela vida de Florrie Pether se ela ficar aqui.
E o que quer que eu fa�a?
D�-me o dinheiro para lev�-la a um hospital decente.
O que h�, doutora?
N�o se sente profissionalmente qualificada
para se ocupar de um simples parto?
Andrews, fiz de todos os tipos: partos de n�degas,
prematuros, cesarianas.
Trouxe beb�s a este mundo podre at� cansar.
Com os pais esperando fora para tirar as m�es das camas.
Mas elas eram jovens.
Algumas, quase meninas.
Florrie Pether n�o est� na flor da idade. Entenda isso!
Todo mundo que se juntou a essa miss�o alistou-se para uma guerra.
S�o soldados, Dra. Cartwright. Soldados no ex�rcito de Deus.
Deixe que se comportem como tal!
Por acaso seu Deus virou as costas aos fracos e indefesos?
O que a incomoda?
Voc� est� punindo Flora por ser culpada de um ato sexual sob este teto sagrado?
Fora!
Fora do meu escrit�rio!
Voc� n�o � nada mais que uma ditadora de meia tigela!
Dra. Cartwright!
Podem ouvi-la por toda a miss�o..
Srta. Argent,
em minha opini�o, a Sra. Pether corre um grave risco se der � luz aqui.
Ser� um milagre se o beb� viver!
Pe�a � sua chefa dinheiro para tirar a Sra. Pether daqui.
A Srta. Andrews n�o pode dar fundos da miss�o para uso particular.
� uma regra.
Ent�o espero que seu Deus seja misericordioso
porque � o �nico que pode ajudar Florrie Pether.
Isso � blasf�mia!
- Ol�, crian�as! - Ol�!
Doutora...
Como est� o beb�?
Por que n�o entra e descobre?
Bom dia, Chang.
Muito doente, Sra. doutora.
Ela est� bem?
- Tire as crian�as daqui! Leve-as ao campo. - Que campo?
Mexam-se, r�pido!
Vamos, crian�as. Hoje vamos sair para trabalhar no campo.
Vamos. De p�, meu doce. Vamos!
Vamos nos encontrar no rio
onde os p�s dos anjos cruzaram.
Sua corrente flui sem cessar
desde o trono de Deus.
Kim, onde est� voc�? Kim, venha c�!
Re�na todos os de Komcha no barrac�o.
- Komcha? - Sim, apresse-se. Vamos!
Srta. Argent,...
O que est� fazendo?
Estamos com sede!
- Vou trazer �gua fervida. - Dra. Cartwright!
N�o saia deste quarto at� que eu lhe diga, entendido, Florrie?
O que est� acontecendo?
Srta. Ling!
Diga-lhes o seguinte em seu idioma: que ponham tudo na carro�a.
Que tirem as roupas e os sapatos,
ponham-nos na carro�a e depois queimem tudo.
Voc� me ouviu? Que ponham tudo na carro�a e queimem.
Dra. Cartwright, o que acha que est� fazendo dando ordens ao meu pessoal?
Nesta miss�o h� uma epidemia, Andrews. C�lera!
Posso ajud�-la, doutora? Tenho experi�ncia m�dica.
Sim. Voc� pode isolar toda a sua gente.
E voc� re�na a sua. Temos que imuniz�-los. Temos que isolar este lugar completamente.
ALTO! EPIDEMIA!
Crian�as, arregacem as mangas.
H� soro suficiente, doutora?
S� Deus sabe, assim espero.
Chang, v� ao meu quarto e traga vestidos e sapatos. R�pido!
- Srta. Andrews! - N�o se preocupe, Pether.
Doutora,
est� trabalhando h� 36 horas. Fico no seu lugar.
Obrigada.
Descanse.
Chame-me em duas horas, prometido?
Oh Deus!
Florrie, trouxe a sua bandeja. A sua comida est� aqui.
Voc� lavou as m�os com desinfetante?
L�gico.
A doutora est� bem?
A doutora est� exausta.
Mas, est� bem, Charles?
N�o est� doente.
Lembre-a para vir falar comigo.
Irei pedir, mas... ela est� muito ocupada.
Mas ela tem que vir para falar comigo!
Meu estado muda cada dia, cada minuto. Posso senti-lo!
Mas Florrie, as pessoas est�o muito doentes aqui.
Est�o morrendo!
Cale-se! Voc� n�o deve me dizer nada desagrad�vel.
Tenho que ir agora.
- Voc� se lembrou do mel�o, Charles? - O mel�o?
Estou morrendo de vontade por um mel�o.
Diga a eles para trazer mel�es, Charles!
Doutora!
Dra. Cartwright!
Sinto muito. Sei que n�o descansou,
- mas � Emma. - Emma? Ela...?
Aconteceu t�o r�pido, doutora. As c�ibras...
Ela tem sede?
Tinha, at� que come�aram as c�ibras. Ent�o desmaiou.
Srta. Ling, sabe preparar uma cataplasma de terebintina?
Traga-a r�pido.
Calma.
Vai ajudar-me, doutora?
Para isso estou aqui, querida.
Deus, cuja miseric�rdia...
N�o posso rezar.
N�o posso rezar! Doutora...
n�o deixe que ela morra!
Oh, Deus, estou morta de cansa�o.
Voc� fuma demais.
Sim, tudo que fa�o, fa�o demais...
A Emma vai morrer?
N�o, � jovem e est� forte.
Mas muitos outros morrer�o antes que isto acabe.
Os velhos, os fracos...
N�o consigo suportar todas estas mortes sem sentido.
Tantos mortos sem batizar.
Sabe, Andrews? Voc� deveria ter se casado.
N�o.
Ter tido filhos, compartilhado seus problemas. Isso � a vida.
Nunca quis isso.
Mas a miss�o n�o � suficiente, certo?
O que quer dizer?
Trabalho cada dia...
- cada dia, cada hora da semana... - Sim, por qu�?
Tenho que encher minha vida.
Porque alguma coisa est� faltando.
Sim.
Sempre procurei por algo que n�o est� l�.
E Deus n�o � o bastante.
Que Deus me perdoe,
mas n�o � o bastante.
N�s lhe agradecemos, Senhor,
por ter nos livrado dos perigos da epidemia
e rezamos pelas almas daqueles que nos deixaram.
E lhe agradecemos por aquilo que nos vai dar.
D�-nos o que quiser e quando quiser...
Por que essas caras t�o f�nebres?
Boa noite, senhoras. Desculpem.
Est�o cansadas, eh?
O que todas precisam � de um bom trago.
Tire essa garrafa da mesa.
Vamos, Agatha. � whisky escoc�s do bom!
Vai cair muito bem para todas...
Ela andou bebendo!
Oh, Florrie...
Com toda a certeza. Mas n�o se preocupe.
Quando a coisa esquentar para voc�, vou estar s�bria.
Doutora!
Whisky! Que coisa mais asquerosa!
Eu assisti a degrada��o de um decente e honrado soldado,
convertido em um mentiroso e trapaceiro
gra�as a isso.
Arruinou a vida dele, arruinou a minha tamb�m.
- Poderia contar-lhes coisas. Coisas feias... - Russel!
Quando voc� entrou na miss�o de Komcha,
voc� fechou a porta � sua vida com o coronel Russel. Deixe-a fechada!
Por favor, sente-se Sra. Russel. J� tivemos o bastante dessa feiura.
Todas passamos por uma tens�o muito grande.
� chegada a hora de nos acalmarmos.
Voc� sabe que � respons�vel por isto, Dra. Cartwright?
Estou disposta a perdo�-la
porque voc� foi submetida a maior tens�o entre todas n�s.
Mas isso n�o deve acontecer novamente!
Por favor leve essa garrafa daqui
e tente voltar a uma vida normal!
Normal? O que h� de normal em minha vida?
Levei oito anos para me tornar m�dica. Renunciei a tudo para estudar.
E para que? Tudo o que pudesse conseguir!
N�o h� bons trabalhos para doutoras.
Nem consegui abrir um consult�rio decente.
Tive que derramar o suor nos piores hospitais
e, quando por fim encontro tempo para amar um pouco,
acabei me enrolando com o homem errado.
O que acha disso, Binnsy?
Tudo bem...
foi bom enquanto durou.
Mas preferiu ficar com a mulher dele.
O que isso tem de normal?
Para dizer a verdade, que dem�nios h� de normal
em qualquer de n�s malucas sentadas nesta mesa?
� tudo culpa sua. Abridor de bocas!
Sabe, Emma, voc� � a �nica que ainda tem uma oportunidade.
H� um mundo real l� fora.
Saia deste ninho de ratos e v� procur�-lo.
Pether!
Florrie? J�?
N�o, mas estava pensando...
- O que aconteceu? - N�o sei. Mas vou descobrir.
Minha nossa, essa sim � uma fogueira!
O que voc� acha que �? O ano novo chin�s?
N�o.
Hoje na classe as crian�as estavam com medo. Eu sei o que � medo.
Tunga Khan.
Deus santo!
Como se n�o bastasse ter que cuidar disso aqui.
Se ela for ter o beb� fugindo, n�o vai ter a m�nima chance.
Que dem�nios � aquilo?
Petardos?
Disparos de fuzil.
Que tipo de homem eu fui?
Engravidar minha mulher numa �poca dessas?
Que tipo de homem fui para traz�-la a este buraco chin�s?
E, por qu�?
Por que eu queria brincar de ser pastor do Evangelho!
� Deus, perdoe-me pelo que fiz a ela.
Com medo?
N�o
Pela primeira vez na minha vida, n�o tenho medo.
A �nica coisa em que consigo pensar � Florrie.
Escute.
- O que est� acontecendo? - Os soldados chineses v�o embora.
Voc�s t�m ordens para ir embora?
Voc�s est�o agindo por iniciativa pr�pria. Vou informar Nan King.
Por que os soldados est�o partindo, Srta. Ling? Est�o nos abandonando.
Por que nos deixam? � Tunga Khan, tenho certeza.
- Tenho certeza. - Fique calma.
Est�o indo! Nos abandonam! Poder�amos ir com eles!
De maneira alguma, Sra. Russel.
- J� lhe disse. N�o vir� aqui. - Kim!
- O que aconteceu, Pether? - Tunga Khan.
Kim, pegue o carro para mim. Vou descobrir o que est� acontecendo.
Se algo acontecer com voc�, Florrie est� perdida. Irei eu!
Eu sou a diretora desta miss�o e nem voc� nem ningu�m vai arriscar sua vida.
Esta � a �ltima vez que me d� ordens! Tire a cabe�a da areia!
Voc� ficou louco?
Nosso tempo de fingir que somos santos intoc�veis acabou.
Kim, pegue o carro.
� isso mesmo, Frank Merriwelh.
Charles! Charles! Aonde voc� vai? O que voc� vai fazer?
N�o seja est�pido!
Voc� n�o pode me deixar!
Aqui h� muita gente para cuidar de voc�, Florrie.
Escutem todos! Srta. Andrews! Todos!
Se tivermos que sair daqui, teremos que ser r�pidos.
Ent�o preparem-se! Somente o necess�rio!
Estejam prontos para ir assim que eu voltar.
N�o seja est�pido, Charles!
- Vamos l�, rapaz! - Volte! Volte!
Escute-me, Pether. Estou lhe avisando.
J� estou pronta. Tenho minha escova de dentes e o batom.
Trouxe suas coisas, Srta. Andrews. No caso de...
Isso � covardia!
N�o devemos nos contagiar pela histeria do Sr. Pether.
Claro que n�o. N�o somos como essas pobres criaturas da aldeia.
Charles! Ir at� l�!
Justo ele! N�o posso acreditar!
Acho que seria mais aconselh�vel que nos f�ssemos, Srta. Andrews.
N�o preciso de conselhos, Srta. Binns.
Eu constru� esta miss�o.
Eu a converti em parte da vida desta prov�ncia e n�o vou partir.
Todos os demais podem fazer o que quiserem.
N�o tenho medo desse bandido de meia pataca.
Eu vou ficar.
Ora, Andrews. Largue esse complexo de m�rtir. Vista as suas melhores roupas e vamos embora.
Dra. Cartwright, continuo sendo a diretora desta miss�o e como tal...
A� vem Charles!
� Tunga Khan!
Onde est� Charles? Onde est� meu marido? Charles!
- O que aconteceu ao Sr. Pether? - N�s vimos na cidade,
matando, roubando.
Tiravam as mo�as de suas casas, arrancavam a roupa delas,
batiam, estupravam.
As mo�as gritaram pedindo ajuda ao Sr. Pether.
O Sr. Pether saiu do carro para ajudar as mo�as
e o abateram como a um c�o.
Eles riram.
O Sr. Pether est� morto.
- N�o! N�o! Charles! - Pobre Florrie.
Voc� � um dem�nio!
Que Deus o mande para o inferno! Selvagem!
Mexam-se todos! Vamos! Venha! Todos!
O que far�o com a Srta. Ling?
- Por que a levaram? - Para humilh�-la.
A Srta. Ling � de uma fam�lia de mandarins.
Em alguns pa�ses seria chamada de princesa.
Charles...
Todos!
N�o.
N�o!
Dra. Cartwright,
agora sei o que � o mal.
Americanos...
Ricos...
Quer um resgate.
Quer dinheiro. Muito dinheiro.
Ele quer que voc� fique de p�.
Diga a ele para ir ao inferno.
Ela disse, "N�o, obrigada".
Florrie, calma. Agora �. Vamos come�ar.
N�o, n�o, n�o vou olhar! N�o!
Tenho que sair! Tenho que sair! N�o aguento!
Fique Calma, Florrie.
- O que posso fazer? - D� a ela um pau para que morda.
Tranquila. Tranquila.
Voc� est� fazendo muito bem. Morda o pau. For�a, muita for�a.
Tranquila. Tranquila.
Parecem gritos de animal! Voc� � a doutora, fa�a algo...
Deixe-me em paz!
Doutora, ela precisa de uma inje��o para aliviar a dor.
Eu sei.
- Vou pegar minha maleta de m�dico. - Mas, como vai... ?
Tunga Khan!
Tunga Khan!
Eu... Tunga Khan... eu.
Eu... Tunga Khan.
Tunga Khan est� a� dentro.
escute, macaco mongol, h� uma mulher doente.
Preciso de minha maleta de m�dico, �gua quente...
Uma mulher doente!
Srta. Ling!
Voc� est� bem?
Estou viva.
Diga a ele que a Sra. Pether vai morrer se n�o me der minha maleta de m�dico.
Resgate.
Ele sabe muito bem que o resgate n�o chegar� a tempo para salvar a vida do beb�.
Resgate... voc�!
- Ele quer dizer que...? - Sim.
Diga a ele que aceito.
Srta. Binns, ela est� voltando!
Vamos! Fora!
� um menino, caso se interesse.
Doutora.
Ela ir� dormir por 3 ou 4 horas.
Voc� entendeu o que ele disse?
Tenho uma vaga ideia.
Dra. Cartwright, n�o � um milagre que esteja vivo e respirando?
Florrie n�o vai conseguir alimentar o beb�.
Vou conseguir um pouco de leite.
Quando chegar, rasgue um peda�o da an�gua, mergulhe no leite
e deixe que o beb� chupe.
Voc� n�o vai voltar?
Aonde vai? Por que n�o volta?
A Dra. Cartwright fez um juramento
para preservar a vida humana.
Eu quero leite! Leite para o beb� e comida para aquela gente!
Ele s� a quer porque ela � branca e ele amarelo.
Animais!
Que tens�o!
Com este calor...
e agora esse moleque.
J� chega!
O que a doutora est� fazendo � por nosso bem
e dever�amos estar gratas.
Meu beb� n�o ter� pai.
O que levou ao Charles fazer uma coisa assim?
Charles, entre todas as pessoas.
Crescer� sabendo que seu pai foi um homem muito valente.
Mas, por que fez? Por qu�?
Quem vai nos manter agora?
Deus ir� manter a todas n�s...
N�o me fale de Deus!
Trouxe um pouco de comida.
Doutora, o beb� tem uma assadura na cabe�a.
D� a minha maleta. H� uma lo��o dentro.
N�o vai deixar que o beb� morra, n�o �, doutora?
N�o o trouxe ao mundo para deixar que morra, Florrie.
Coma algo, por favor.
N�o tocarei essa comida contaminada.
Contaminada?
- Florrie. - Isto?
N�o, isso � veneno. O frasco rosa.
Ele ir� morrer se ficarmos aqui, doutora. Voc� sabe disso.
Florrie, provavelmente crescer� e vai virar um esportista.
Vou lhe falar da mulher
e da besta que montava...
Adult�rio!
Fornica��o,...
Impureza,... idolatria...
Srta. Andrews!
A puta da Babil�nia!
Nos vamos. Venham.
Aonde vamos? Que ir�o fazer conosco?
Oh, povo da Babil�nia, ainda vemos a luz sobre n�s... !
Parem com isso!
Parem com esse barulho!
Sra. Pether,
Oh, essa crian�a!
Aqueles que fazem coisas
cuja gloria est� em sua vergonha,
n�o herdar�o o Reino de Deus.
Eu sei! Eu sei por que nos trouxeram para c�!
Para nos levar para fora,
colocar-nos contra a parede
e nos matar a tiros, como fizeram com os chineses.
Ir�o se matar entre eles! Est�o todos nus e amarelos!
A puta da Babil�nia.
Srta. Andrews!
Que espet�culo revoltante!
Ent�o por que est� assistindo?
Estava sonhando.
Sonhei que era o Dia de A��o de Gra�as
e eu era crian�a.
Ajudava minha tia Mildred esculpir a ab�bora.
Sempre com�amos peru no Dia de A��o de Gra�as.
Todo mundo come peru no Dia de A��o de Gra�as.
Na Inglaterra n�o celebram o Dia de A��o de Gra�as, n�o �?
N�o, o grande dia l� � o Natal.
Mas eu nunca o vi.
Nunca estive na Inglaterra.
Nunca sa� da China.
Nasci aqui.
Meu pai era mission�rio e minha m�e tamb�m.
Algum dia...
Dra. Cartwright, estou t�o feliz que esteja bem.
Talvez voc� possa nos dizer, doutora, por que nos trouxeram para c�.
N�o foram eles, fui eu. N�o podiam ficar naquela cho�a.
- Ele bebeu leite? - Um pouco, mas vomitou.
Ele est� t�o quieto, doutora.
Est� quieto porque est� fraco. O leite n�o est� adiantando.
Quanto tempo pode aguentar?
N�o sou totalmente tonta, doutora. Sei que ele est�...
se apagando.
Vamos, Florrie.
Ele quer que voc� cavalgue com ele.
Dra. Cartwright,
voc� nos tirou da cho�a.
Talvez consiga tirar o beb� daqui.
Voc� � uma boa garota, Emma.
Sob o negro manto da noite,
ela se deita com a besta.
Isso parece com o texto, Srta. Andrews, mas voc� o inventou.
N�s escolhemos a vida solit�ria para ajudar ao pr�ximo.
O que sabemos sobre os pecados da carne?
Que direito temos de gritar abuso por tr�s dos muros do celibato?
Voc�s todas v�o embora!
Vamos! Peguem as bolsas e v�o antes que ele mude de opini�o.
- Emma, cuide do menino. - Por qu�?
- Por que n�o vem conosco? - V�o embora!
Voc� vai...?
Cuide dela.
Argie.
Doutora, n�o fa�a isso. � um pecado.
� um pecado contra Deus. � um pecado.
Ent�o, reze por mim.
Dra. Cartwright,
nunca a esquecerei enquanto viver.
A mulher da vida...
Rameira entre as rameiras!
Cale-se!
N�o quero ouvir mais sua voz enquanto estiver viva!
Adeus, degenerado!
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