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Aqui se conta a hist�ria com muita arte
de um pequeno caracol do mar e uma enorme baleia-jubarte.
O CARACOL E A BALEIA
Esta � uma rocha, da cor do carv�o.
E este � um caracol inquieto, com uma grande ambi��o.
O caracol pela rocha escorregava.
E o mar e os navios do porto contemplava.
E nessa contempla��o,
punha-se a suspirar:
Como � grande o mundo e o mar profundo!
Como gostava de navegar sob o sol...
Disse o pequeno caracol.
Estes s�o os outros carac�is do bando,
que ficaram bem colados � rocha negra e dura.
Eles disseram ao pequeno caracol:
Cala-te.
E fica quieto!
Nada de...
sair de perto!
Mas o pequeno caracol do mar continuava a suspirar.
E a certa altura exclamou:
J� sei! De boleia vou viajar!
Este � o caminho do caracolzinho,
um rasto prateado e ondulado
que diz...
"Pe�o boleia para dar a volta ao mundo"?
Ent�o, na bela de uma noite, apareceu esta baleia,
quando as estrelas brilhavam e a mar� estava cheia...
Uma baleia-jubarte?
Grande e poderosa,
que cantou ao caracol uma can��o maravilhosa
sobre o gelo cintilante e grutas de coral,
e estrelas cadentes, e ondas fenomenais.
E esta � a cauda da baleia-jubarte.
Ela ergueu-a para fora de �gua
e fez ao caracol um convite de amigo:
Anda, vem navegar comigo.
Este � o mar.
T�o bravio e gelado!
Onde a baleia foi nadar com o caracol na sua cauda.
Icebergues gigantes!
E terras distantes.
Com montanhas de fogo e areias douradas.
Estas s�o as ondas que cresciam e quebravam,
que espumavam e rolavam, a respingar e a encharcar
o pequeno caracol entusiasmado, � cauda da baleia ainda colado.
Estas s�o as cavernas do fundo do mar,
onde peixes emplumados de corpo listrado
e tubar�es, com os seus sorrisos malvados,
nadavam � volta da baleia
e do caracol na sua cauda montado.
Tubar�es...
Este � o c�u.
T�o vasto � o c�u!
�s vezes azul, quente e ensolarado.
Outras vezes por trov�es tumultuado.
Os seus raios amedrontam o pequeno caracol,
que agora sonha com a volta do sol.
E ele ficou a olhar o c�u, a terra e o mar,
as ondas e as cavernas e o dourado da areia.
Distra�do, encantado,
n�o cansava de apreciar.
Quando ent�o disse � baleia:
Sinto-me t�o pequeno.
Mas a� veio o dia em que a baleia se perdeu, coitada.
Estas s�o lanchas em disparada,
a correr em ziguezague, quase a voar,
a afugentar a baleia com a sua barulheira,
que se aproximou da praia, muito assustada.
Esta � a mar� a baixar.
Est� a ir embora!
E esta � a baleia encalhada na praia.
Depressa! Volta para o mar! Sai da areia!
Gritou o caracol.
Eu... n�o me consigo mexer.
- Sou grande demais. - Gemeu a baleia.
O caracol sentiu-se muito pequeno e impotente.
Ent�o...
- J� sei! - Exclamou contente!
E come�ou a rastejar.
- N�o posso falhar. - Disse o caracol para se animar.
Este � o sino da escola a tocar,
a chamar as crian�as para as aulas.
Esta � a professora a segurar o giz.
- Ela ent�o diz: - Sentem-se direitos.
N�o falem.
Este � o quadro da sala de aula,
e este � o caracol inquieto com grande ambi��o.
Um caracol, um caracol!
A professora espanta-se com a vista.
Espere! Olhe...
Est� a deixar um rasto.
Este � o rastro do pequeno caracol, que forma uma frase com arte:
Salvem a baleia!
Estas s�o as crian�as que saem a correr.
Chamam os bombeiros,
cavam a areia
e molham a baleia, que estava a sofrer.
Esta � a mar� a encher de novo.
E estes s�o os gritos do povo.
E a baleia e o caracol seguem seguros na sua jornada.
Os dois ao porto voltaram, e os amigos na rocha encontraram.
- Eles disseram: - Como o tempo voa!
E exclamaram: - Como cresceste!
E a baleia e o caracol contaram as suas aventuras mirabolantes
de cavernas de coral e gelo a cintilar ao sol,
e estrelas cadentes,
e ondas gigantes!
E de como o t�o pequeno e fr�gil caracol,
com o seu longo rasto e muita arte,
salvou a vida da baleia-jubarte.
E ent�o a baleia nessa hora botou a cauda para fora,
e subiram os carac�is um a um, at� n�o restar mais nenhum.
E todos cantaram ao mar naquele fim de tarde,
a navegar na cauda da baleia-jubarte.
imfreemozart ArtSubs
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