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É difícil acreditar que alguns meses atrás,
a primeira onda de Covid-19 esvaziou as ruas de Nápoles
e a Itália estava em lockdown.
Ainda bem, cheguei num breve momento de normalidade.
Restaurantes estão abertos
e máscaras não são obrigatórias na rua.
E obedeceremos as regras locais.
Nápoles é uma cidade emocionante.
No momento que chega, é engolfado
por uma caos magnifico.
E não adianta lutar contra.
As pessoas aqui fazem as coisas do próprio jeito.
Pegue a energia de Nova York,
misture a elegância de Nova Orleans,
adicione 3 mil anos de história,
e cozinhe no calor do vulcão mais famoso do mundo.
Isso é Nápoles.
Sou Stanley Tucci. Sou italiano de pai e mãe,
e estou viajando pela Itália para descobrir como a comida
em cada uma das 20 regiões desse país,
é tão única quantas as pessoas e seu passado.
No Sul somos acostumados a lutar.
Esse lugar pode ser desprezado como o primo pobre da Itália.
Stanley, é possível ter uma joia em todo lugar do mundo? Não!
Mas as pessoas que vivem nessa região,
tem seu próprio jeito de fazer as coisas.
Para mim essa é nossa filosofia.
Essa é nossa tradição.
Deram ao mundo sua comida preferida.
Pizza Margherita.
Só não esqueça onde foi inventada.
- Florença. - Mas como Florença? Nápoles.
Estamos em Nápoles! Maldito seja!
Stanley Tucci: Searching for Italy
S01E01 | Naples and the Amalfi Coast
Mrs. Bennet | TatiSaaresto | Henderson | TinTin
Helo | Rayusca | Mario | Nani | TKDion
Revisão: Mrs.Bennet
Se a pizza fosse nascer em algum lugar,
seria aqui, em Nápoles.
Lindo!
A cidade é quente, rápida, e uma festa para os sentidos.
Nápoles fica situada na Campânia.
É a capital não-oficial do sul da Itália.
E é ainda mais antiga que Roma.
É uma região de paisagens vulcânicas,
ilhas mágicas
e a mundialmente famosa Costa Amalfitana.
O sol do Sul nutre tomates que provocam inveja no mundo.
E nas colinas, búfalas produzem leite
para melhor muçarela.
Mas pizza não nasceu nas colinas exuberantes.
Veio das mais escuras e pobres ruas de Nápoles.
E sua história combina dois assuntos preferidos da Itália,
comida e morte.
Vesúvio em erupção.
Vulcão histórico da Itália
explode na mais assustadora e devastadora erupção.
Ao menos uma vez no século é propenso a isso.
DA FRIGIDEIRA AO FORNO
O vulcão é como uma ameaça perene, não?
É, pois está na paisagem.
Pode sempre vê-lo. Sempre tem ele...
Tem ele na sua mente e nos seus olhos.
Professora Elisabetta Moro
é uma dos 3 milhões de napolitanos
que vivem na sombra do poderoso vulcão.
As pessoas são obcecadas com a possibilidade de morrer,
pois existe o vulcão, existem terremotos.
- Sim. - Pois existem epidemias.
- Sim. - Então é bem difícil para eles.
A vida pode ser difícil nesta cidade volátil.
Não é de se admirar que aonde for em Nápoles,
verá santuários feitos à mão,
mantendo uma luz brilhando para entes queridos falecidos.
Por toda a cidade se vê isto.
Sim. Eles estão incluídos na arquitetura da cidade.
Sabe, estes são templos da memória.
- Certo. - Se lembra das pessoas
de sua família ou seus amigos,
especialmente jovens que morreram.
Vindo de uma família do sul da Itália,
morte sempre foi um assunto.
Eu lembro que minha avó ligava para minha mãe,
minha mãe pegava o telefone e dizia...
- "Sabe quem morreu?" - Sim, exato!
- Era isso mesmo. - Minha avó fazia o mesmo.
Mas também era uma forma de se sentir vivo.
Elizabetta está me mostrando a parte histórica da cidade.
Por centenas de anos, os mais pobres de Nápoles
foram amontoados nessas ruas estreitas.
Saneamento terrível significava que sua vida
poderia ser tirada de você de repente,
pela epidemia brutal daquela época, a cólera.
As pessoas ficaram com medo.
Porque era uma epidemia mais ou menos
- como o vírus da Covid-19. - Sim.
- Poderia transmitir facilmente. - Sim, certo.
A cólera se espalhou pela água e por alimentos.
As pessoas aqui cozinhavam pedaços de pão em óleo quente.
Então a fritura é mais simples.
É mais simples. É fácil.
Você pode obter um grau muito bom de higiene,
porque fritar realmente esteriliza tudo.
Provavelmente foi uma das poucas vezes na vida
em que fritar alguma coisa pode ter sido saudável.
Então é aqui que vamos comer pizza frita?
- Está bem. Ciao. - Querem pizza?
- Sim, sempre. - Como você gosta?
Uma pizza frita com ricota para mim.
A verdadeira pizza napolitana.
Pequena?
- Pequena. - Pequena.
- Certo, então... - Ricota.
- Pizza. Ricota. - Ricota.
- "Provola". - É um queijo defumado.
Gordura de porco.
Manjericão? Lindo.
Este é o original de Nápoles.
Depois de prová-lo, você nunca vai deixá-lo.
Há um século que a família dela faz isso.
- Então... - Há um século?
Há um século.
Essas ruas já foram cheias de lugares como este.
Mas Fernanda agora é a última de uma linhagem histórica.
Por quanto tempo deve fritar?
Só eu sei quanto tempo.
- É um segredo de família. - Quando fica dourado.
Dourado, não?
Fica estufado, não?
Esse é o truque.
É lindo.
Certo. Obrigado. Grazie.
- De nada. - Obrigada, Fernanda.
Pronta?
Esse delicioso pedaço de história,
era pizza, antes da pizza ser pizza.
Com o...
- Com o porco e a ricota. - É saboroso.
Enquanto queimamos algumas calorias,
Elizabetta me conta como a pizza nasceu nessas ruas.
Com começos bem despretensiosos.
O que eles faziam era vender pão,
com um pouco de gordura em cima,
às vezes pimenta,
porque as pessoas eram muito pobres.
Então, num certo momento,
as pessoas aqui inventaram a pizza.
Mas por muitos anos, era apenas algo napolitano,
um prato napolitano.
Porque a cólera teve um papel importante.
Sim, teve.
Teve por séculos.
Felizmente para nós, no final do século 19,
o preconceito italiano contra Nápoles e sua comida,
começou a mudar.
E Elizabetta me leva ao lugar, onde segundo a lenda,
em 1889 a Rainha italiana pediu uma pizza,
que viria a levar seu nome,
a Margherita.
Você faz pizza em casa?
- Em Nápoles é quase um crime. - Não tem porquê.
O único problema foi durante o lockdown.
Todas as pizzarias fecharam.
Foi terrível.
Sabe, no primeiro dia,
depois do lockdown,
60 mil pizzas foram feitas.
- No mesmo dia. - Sério?
Sim. E não foi suficiente,
porque todos queriam pizza.
- Estavam desesperados? - Sim.
Primeiro pizza, depois vacina.
Nas ruas de Nápoles,
pizza cresceu a partir de uma pandemia,
e sustentou a cidade durante outra.
O que nasceu num lugar consumido pela morte,
agora é uma comida que todos consideram maravilhosa.
Na cidade dos pizzaiolos,
há um homem cuja reputação,
é tão grande na cidade, quanto o Vesúvio.
Duas Margheritas. Muçarela de búfala.
Enzo Coccia, criou o padrão reconhecido globalmente,
para se fazer a melhor pizza napolitana do mundo.
E foi o primeiro pizzaiolo,
a ser reconhecido pelo guia Michelin.
Enzo?
Finalmente.
Que prazer! Bem-vindo à Nápoles.
- Não posso. - Não podemos...
A única coisa que ele ama mais que pizza,
é a própria Nápoles.
Esta é a minha cidade.
Florença!
Mas como Florença? Nápoles!
Estamos em Nápoles!
Maldito seja!
EM BUSCA DA PIZZA
Antes dele preparar uma pizza,
o maestro precisa ir às compras.
E quando na Campânia, quem precisa de loja,
quando se pode ir direto à fonte?
Búfalas foram trazidas para arar o solo do sul italiano
por conquistadores árabes, há quase mil anos.
E toda manhã bem cedo,
seu leite é transformado na muçarela mais refinada.
Oi, Mimmo!
Primeiro, vamos colocar a touca e tudo.
Mesmo sendo careca?
Sim, coloque assim mesmo. Vai ficar bonito.
Lindo.
Obrigado.
Esse homem de máscara é Mimmo Lovecchia.
É conhecido como um dos maiores queijeiros da Itália.
Assim que o leite de búfala dessa manhã é aquecido,
Mimmo, adiciona quimosina,
para separar a coalhada e o soro do leite.
É como um grande cérebro.
A coalhada é cortada e água fervendo é adicionada.
O resultado é incrível.
É como se ele fosse um mágico.
Sabe do que estou falando?
Agora vamos para o corte.
Em italiano "mozzare" significa decepar.
E esse antigo processo dá o nome ao queijo.
Se torna a "mozzarella".
A muçarela descansa na salmoura por algumas horas.
Diferente de outros queijos que melhoram com o tempo,
muçarela é melhor ser comida fresca.
O tradicional formato em V significa que é artesanal.
Ótima notícia para mim.
Ai, meu Deus.
Corte,
se escorrer leite,
você deve comprar.
Em nenhum outro lugar do mundo vai comer uma muçarela assim.
Bem-vindo à Campânia.
Então, se vai fazer a melhor pizza de Nápoles,
já que tem a melhor muçarela
você precisa do tomate perfeito.
Tem um lugar que é sussurrado em admiração,
por fãs de pizza de todo o mundo,
do Brooklyn à Bangcoc.
E Enzo está me levando lá.
Agora, nós vamos ver o verdadeiro San Marzano,
que o mundo inteiro tem inveja.
Como amante de pizza, eu somente
compro latas de tomates San Marzano,
e agora, eu estou indo à terra prometida.
Embora não esperasse uma pequena fazenda debaixo da rodovia.
Encontraremos com o fornecedor especial do Enzo,
Tio Vincenzo.
Atrás de portões enferrujados,
sou lembrado que aqui na Itália,
tesouros são encontrados nos mais improváveis locais.
Stanley, esses San Marzanos são muito especiais,
porque têm uma casca extremamente fina,
um suco agradável e uma acidez residual,
que é único na combinação com a mozzarella.
Não é muito ácido.
Não é muito ácido.
Não é muito doce.
É equilibrado.
E ainda é suculento.
Eu comi tomates San Marzano em vários lugares do mundo,
mas esse sabor vivo e equilibrado
não parece nada com os que já provei.
Existe um verdadeiro escândalo sobre San Marzano.
O New York Times até falou sobre isso em sua investigação.
É o tomate mais replicado no mundo.
Mas o verdadeiro San Marzano
cresce numa área de apenas 150 hectares.
- Não é muito. - É isso.
- E basta. - Não tem mais.
Porque em todo mundo existem milhões de latas...
É tudo falso!
Que se lê San Marzano, mas não são.
Não são San Marzano. Não.
Isto é San Marzano.
Eu sei, mas eu não posso vir aqui todos os dias.
O que eu posso fazer?
É um produto de qualidade.
É possível ter uma joia em todo lugar do mundo? Não.
Sim, eu sei. Impossível.
Numa noite não consigo abastecer todas as pizzarias de Nápoles,
muito menos do mundo.
Variedades usando o nome de San Marzano
são cultivadas em todos lugares, de Nova Jersey a Nova Zelândia,
mas apenas o tomates cultivados aqui,
são nutridos pelo solo rico e nutritivo,
dado pelo nosso velho amigo, agigantando-se no horizonte.
- Aquele é o Vesúvio? - Sim, é o Vesúvio.
Na erupção, cobriu quilômetros e quilômetros de argila.
Sem ele, não existiria esse presente de Deus.
Isso é para você, para pizza.
E isso é para você. Os melhores San Marzanos para fazer pizza.
- Obrigado, Vincenzo. - Te amo.
Quero uma resposta, se é bom ou não, combinado?
Após nosso passeio de compras, estamos de volta à cidade,
e finalmente, o maestro fará uma pizza para mim.
Para preparar a pizza napolitana precisamos
de quatro ingredientes.
Pizzas produzidas em larga escala
sempre adicionam açúcar, gordura e temperos.
Mas em Nápoles é apenas água, farinha, sal, fermento.
E muita habilidade.
Tiramos todo o ar e fazemos a borda.
O molho de San Marzanos do Tio Vicenzo vai primeiro,
Não colocamos muito.
Em seguida, os cremosos pedaços de mussarela de búfala
para se opor a doce acidez dos tomates.
Lembre-se, equilíbrio.
E o toque final.
Colocamos o pecorino.
Para adicionar salinidade.
- Manjericão. - E fragrância.
E então, em questão de segundos,
a mágica da comida acontece.
Stanley, 45 segundos e a pizza está pronta.
Trabalhei 40 anos para aprender a fazer isso.
Nossa, olhe só. Linda. Dourada.
O cheiro. O cheiro.
Meu Deus.
A história de Nápoles em um prato.
- Está delicioso. - Obrigado..
Está perfeita. Perfeita. Perfeita.
Produção de pizza é uma tradição que esperamos que nunca morra.
E que os pizzaiolos de Nápoles sempre mantenham
a chama de pura e simples perfeição, acesa.
A pizza é para o mundo todo.
É um presente. É um presente para humanidade.
E onde nasceu?
- Em Nápoles. - Em Nápoles!
Não em Nápoles.
- Em Nápoles! - Em Nápoles!
- Em Nápoles! - Muito bem!
PROBLEMA FERMENTANDO
Então, isso não é o que parece.
Deixe-me explicar. Nessa cidade,
às vezes parece que cada um está criando as próprias regras,
mas de algum modo, o lugar dá certo.
Vamos tomar um café?
Vou encontrar o homem que tenta manter a ordem aqui,
chefe da policia municipal, Capitão Capoano.
Três cafés, por favor.
No verdadeiro estilo napolitano,
ele quer explicar como funciona, durante um café.
A "cuccumella", a famosa "cuccumella".
Clássico café napolitano.
Deixaremos um "sospeso".
O capitão pede três cafés para nós dois.
Imagino que ele goste muito de café.
- Está certo? - Obrigado.
Nós deixamos aqui.
- Para o "sospeso". Obrigado. - Muito obrigado.
Mas pagar um café a mais,
é na verdade, uma importante tradição aqui em Nápoles.
É chamado de "caffè sospeso".
Quando uma pessoa necessitada aparece,
o vendedor de café dá uma bebida gratuita,
que o co-cidadão pagou anteriormente.
Essa é a filosofia do povo napolitano.
Aqui, em nosso caos, as coisas funcionam.
- Saúde. - Saluti.
Isso é bom.
As pessoas de Nápoles tem formas não oficiais
de se ajudarem que remontam a séculos.
Eles doam coisas essenciais
como café, comida, e até mesmo brinquedos
à famílias que não podem comprá-los.
Campânia é a segunda região mais pobre da Itália,
e a ajuda da comunidade é só o que algumas pessoas tem.
Quando isso falha, a poderosa máfia napolitana,
aqui conhecida como Camorra
está pronta para atacar.
O problema é grande e real.
Não podemos escondê-lo.
E infelizmente, por anos, a cidade
tem sido refém de grupos criminosos.
Máfia Camorrista,
que recrutam, principalmente entre...
entre pessoas que não tem do que viver.
Não vamos esquecer que a família do Al Capone
vieram da província de Nápoles.
Pobreza e crime sempre fizeram parte da vida na cidade.
Mas nos anos 60,
um experimento para melhorar as coisas, deu muito errado.
A 8 km do centro da cidade,
um novo mundo foi construido.
Era chamado de Scampia.
Os napolitanos mais pobres eram levados das favelas escuras,
para novas casas futurísticas.
Mas o sonho logo se tornou em pesadelo.
O local não tinha empregos nem transporte,
e as pessoas aqui, estavam presas.
A gangue de Camorra entrou onde o Estado falhou.
Drogas eram vendidas nas ruas
e as coisas ficaram tão feias, que até a polícia se afastou.
Residentes comuns ficaram presos no meio.
Recentemente, um novo capítulo na história do bairro
começou quando centenas de viajantes nômades,
chamados ciganos, chegaram.
Prazer em conhecê-la. Stanley.
- Samantha. - Samantha.
Eles vieram do leste europeu e montaram acampamento
sob uma rodovia aqui.
Onde é a casa?
- É aquela? - Sim.
Os ciganos buscaram uma vida melhor na Itália
e fizeram sua casa aqui,
apesar de não ter acesso a água corrente ou eletricidade.
Por quanto tempo você viveu aqui?
Estou aqui há mais de dez anos.
Minhas filhas nasceram aqui.
Estamos aqui há tanto tempo.
Se você não encontra um emprego, se não trabalha,
não consegue fazer seus filhos terem uma boa vida.
Por toda a vizinhança,
milhares de pessoas como Samantha
viram suas vidas sendo desperdiçadas,
rotulados injustamente como criminosos,
enquanto as autoridades os ignoravam.
Contudo, essa é Nápoles
e as pessoas cuidam uma das outras
das formas mais criativas.
A cozinha era um instrumento muito poderoso
para superar estereótipos e também criar empregos.
- Certo. - E decidimos
fazer uma pequena revolução através da cozinha.
Numa cabana no limite de Scampia,
ativistas locais, Emma e seus amigos,
viram que tinham uma comunidade talentosa,
de mulheres napolitanas e ciganas,
cada uma com tradições alimentares únicas,
e decidiram resolver as coisas por conta própria.
No sul somos acostumados a lutar.
Com ou sem a instituição.
Acho que é uma qualidade do sul da Itália.
Essa pequena ideia se tornou algo surpreendente.
A cabana é passado.
Agora é um restaurante e buffet chamado Chiku.
Localizado num grande prédio abandonado.
Samantha, quem eu conheci no acampamento cigano,
foi contratada como cozinheira.
Suas receitas ficaram tão populares
que hoje se destacam no menu.
Isso é usado para fazer a "sarma".
- A "sarma"? - Sim.
- O repolho é usado na "sarma". - O que vai dentro?
Esse recheio é feito de carne.
Depois você coloca isso dentro da couve-lombarda?
Então isso é sérvio?
É do meu país. Sempre comemos nas festas.
Um pouco de... azeite.
E vai para o forno.
Clientes vem para Scampia atravessando a cidade
para experimentar a deliciosa fusão
de comida napolitana e cigana que é criada aqui.
Isto é "Moussaka" Balcânica,
com ingredientes napolitanos.
Nesse caso, a "Moussaka"
- é feita com brócolis rabe. - Sim, sim.
O lugar não recebe ajuda governamental,
mas o sucesso do empreendimento social,
permite que ofereçam uma creche e educação
a todos os moradores de Scampia.
Fique a vontade!
- O que é isso? - "Sarma".
Cuscuz.
"Moussaka" com brócolis rabe.
Esse bairro ainda tem problemas,
mas diante da desolação inimaginável,
os voluntários de Chiku
abriram um lugar para misturar comida e talento.
Delicioso. Delicioso.
E criar esperança.
Essa é uma experiência incrível.
Mas a realidade é que vocês pegaram
essas duas culturas e uniram elas,
com uma frigideira.
À sua generosidade, obrigado.
À você.
Aos novos encontros. Saúde.
A maior alegria em viagens
é que às vezes você descobre um lugar sem querer,
e ele acaba ficando com você pelo resto da vida.
14 anos atrás, minha falecida esposa Kate e eu,
pegamos uma balsa de Nápoles até a Ilha de Ísquia,
a uma hora de distância.
Uma noite, fomos a um restaurante de família,
onde serviram pratos que nunca esperávamos comer
numa ilha no Golfo de Nápoles.
Eu tento voltar sempre que tenho chance.
E a mais velha da família, Sylvia,
vai me encontrar na doca.
- Ciao. - Seja bem-vindo.
- Muito bom te ver. - Sim.
Agora começamos a aventura.
- Está pronto? - Estou.
JUNTOS NOVAMENTE
Agora, você pode estar pensando,
hora de um belo passeio
pela costa com frutos do mar saborosos.
Mas não.
Esse restaurante fica, desafiadoramente,
longe da multidão da costa.
Através da mata.
E subindo a montanha.
Ísquia é uma das ilhas vulcânicas perto de Nápoles.
Turistas começaram a vir aqui nos anos 60
para aproveitar as águas termais.
Mas antes, eram piratas
e forças estrangeiras aparecendo na praia.
Seja bem-vindo.
Então, as famílias decidiram viver no alto
na segurança das montanhas.
E ao invés de pescar...
eles caçam... coelhos.
O lugar está cheio deles.
"Il coniglio all'ischitana".
É famoso por toda Itália.
Nos EUA, raramente comemos coelho,
mas a deliciosa carne magra
atrai a multidão a esse restaurante isolado.
Mas antes de comermos...
- Quer que eu abra? - Sim, por favor.
Temos que pegá-lo.
O que eles comem?
Folhas de árvores de castanha.
Acima do restaurante, coelhos selvagens são pegos
com um método engenhoso e sustentável
que moradores da ilha usam há séculos.
- Nós colocamos lá dentro. - Tudo?
Sim, tudo.
Um fosso é cavado perto do buraco do coelho,
e comida saborosa é jogada para atraí-los.
Folhas aromáticas e bagas
são selecionadas para adicionar sabor à carne do coelho.
- O sabor do... - Aparece na carne.
- Sim. - Naturalmente.
Então, só o que precisa fazer é pular dentro,
pegar um e...
Vou te poupar do resto.
O irmão mais novo de Sylvia, Agostino,
comanda a cozinha do Il Focolare.
Ele é ótimo em destacar os melhores sabores
da caça selvagem daqui.
Ele trabalhou nos melhores restaurantes
de Nova York e Londres.
Mas voltou para aplicar suas técnicas
na tradicional cozinha rústica.
Última vez que o vi, o encontrei na rua em Nova York.
- História engraçada. - Ele estava mal.
Brincadeira. Mas isso faz muito tempo.
- Sim, foi. - Mas eu amo coelho.
Cozinho muito em casa. E a coisa sobre o coelho,
é que não é muito gordo.
- Não tem gordura. - Não. Esse é... Não.
Porque esse coelho é selvagem.
Tudo certo. Colocamos azeite de oliva.
- Esse azeite é de Ísquia? - Sim.
Alho. Isso é o suficiente.
Depois, começamos a colocar o coelho.
- Não põe o sal agora? - Não, mais tarde.
- Porque... - Porque perde o líquido.
- A suculência. - Suculência, é.
Gostei que colocou a cabeça inteira de alho.
Agora, vinho branco.
Lindo.
Os ingredientes são simples.
Tomate, ervas, alho,
vinho branco e azeite.
Saber fazer o melhor com o que tem
é vital aqui em cima.
Enquanto o coelho cozinha, notei algo que nunca vi antes.
A vovó da família, Loretta,
está mostrando ao seu neto
como amarrar tomates com vinhas da região.
Essa é uma maneira natural de conservar o tomate.
Isso é importante durante o inverno,
para fazer pão com tomate,
a brusqueta ou até mesmo a salada de tomate.
Eu fiz um nó.
Viu, ele amarrou um nó. Perfeito
Hoje, o restaurante está fechado.
Mas fico honrado em ser convidado para o almoço.
É a primeira vez que a família se junta
desde que o pai faleceu,
no início do ano, durante o lockdown.
- Saúde. - Um brinde.
- Ao meu papai e à vida. - À vida.
É um momento emocionante,
mas também, um de celebração.
Ai, meu Deus.
Deliciosa como essa comida é,
cozinha tradicional assim,
também te conta a história de um lugar.
Como viveram e o que era importante para eles.
Desde quando se pode lembrar,
existe uma hierarquia rígida
de como o coelho de Ísquia é servido.
Então a coxa era a parte mais importante,
e devia ser dada ao patriarca, ao homem.
Nesse caso é você, que é nosso hóspede.
Bem, você é muito gentil. Obrigado.
Então, as crianças eram muito respeitadas também,
porque eram o futuro.
Antes havia trabalhadores do campo,
como havia um conceito de trabalho
então vamos dar ao Agostino o dorso.
Espere um pouco, todos terão um pedaço.
Só um?
Infelizmente, nesta hierarquia tradicional,
a mãe da família fica com o pescoço e o crânio.
Este é o "scappuccio".
O pescoço. Certo?
Você pode ver quantas histórias um coelho pode contar?
Comidas tradicionais como essa nos conectam
e nos tornam parte de uma história maior.
Olhe como está comendo tudo.
É minha filha.
É por isso que, ainda hoje,
as famílias em Ísquia se reúnem todo domingo,
para desfrutar de um coelho e um almoço juntos.
À vida!
Como se a imponente majestade do Vesúvio
e das ilhas vulcânicas não bastassem,
Campânia tem uma gloria final.
Apenas a meia hora de Nápoles,
uma das paisagens mais famosa e fabulosa do planeta começa.
A Costa Amalfitana.
É o cenário de milhares de filmes românticos,
e de férias únicas.
E lar de um restaurante
onde eu comi um prato simples de abobrinha e massa,
que honestamente, mudou minha vida.
Há tempos queria voltar.
A família concordou em me mostrar como é feito.
Minha esposa veio se juntar a mim.
E estamos num dos lugares mais bonitos do mundo.
O que poderia dar errado?
A TEMPESTADE PERFEITA
Certo. Há previsão de tempestade que ocorre uma vez na década,
e todos estão buscando abrigo.
Mas isso não impede a entrega matinal,
vinda das fazendas familiares nas colinas.
Cada item cultivado pelo pai, Pepino.
Bom dia!!
O orgulho nesta temporada,
é a estrela do meu prato favorito.
Abobrinha.
A primeira vez que comi esse prato
eu me insinuei na cozinha
para arrancar a receita da filha de Pepino, Antonia,
que gerencia o lugar.
Agora fazemos em casa "Spaghetti alla Norma"
toda semana, mas, nunca é tão bom.
Chef Tommaso está me dando uma aula magistral.
E minha esposa, Felicity, veio para cá,
para garantir que aprendamos.
Viemos aqui há dois anos.
Por isso estamos neste restaurante.
É, temos feito todo dia desde então.
Basicamente, todos os dias.
- Um favorito. Incrível. - Adoramos.
Todo mundo sempre acha que tem alho ou cebola.
- Apenas a doçura da abobrinha. - Eu sei.
- Espere. Ele já colocou. - Nós perdemos.
- Desculpe. - Tão amadores.
As abobrinhas fatiadas são fritas em óleo de girassol,
e esse é nosso primeiro erro.
Precisamos de três litros a mais do que usamos em casa.
É frustrante vê-lo fazendo com facilidade,
enquanto nós laboriosamente
fritávamos num recipiente pequeno.
- Eu sei. Tão triste. - Horas perdidas.
- Horas. Literalmente horas. - Eu sei.
Depois de frita, Tommaso deixa a abobrinha
durante a noite para amolecer.
- Você coloca na geladeira? - Sim, sim.
Com azeite e manjericão?
Com azeite e manjericão?
- Acho que fizemos errado. - Fizemos tudo errado.
Tommaso depois aquece a abobrinha.
Vou mostrar. A abobrinha agora está soltando tudo.
Olhe só. Incrível...
Lindo.
E por último, um ingrediente que nem tinham mencionado.
Veja, eles colocam manteiga.
- Então basicamente... - Eu perguntei a sua irmã,
dois anos atrás. Eu disse, eles colocam manteiga?
Onde está Antonia?
Tem manteiga?
Sim, um pouco de manteiga.
Você não me disse isso.
- Estou tão chateado. - É alérgico?
Não, não!
Não vou ficar chateado. Deixe para lá.
Foi erro meu, erro meu.
- Meu Deus. - Olhe só para isso.
Certo. Talvez não tenha sido proposital, mas então,
por que não manteria uma receita tão boa para si?
As pessoas vêm aqui do mundo todo
- só para isso. - Para isso?
- Sim. - Que loucura.
Aqui está o espaguete com abobrinha.
- Merece aplausos. - É muito emocionante.
- Incrível. - Meu Deus.
- Olhe para isso. - 20 minutos de êxtase.
Ainda melhor do que me lembro.
E um prato tão... simples.
Você o torna tão lindo.
Uma das melhores coisas que já provei. Obrigado.
Muito obrigada.
Antonia, muito obrigado. Obrigado.
Olhe o vento.
- O mar está quase negro. - Olhe o mar.
Vamos ficar aqui comendo carboidratos,
por cinco horas, ótimo.
Em qualquer outro dia, esse local ensolarado
fica cheio de clientes entusiasmados
em comer num dos lugares mais lindos do mundo.
Mas conforme a tempestade chega pela primeira vez do ano,
cada um dos 300 clientes esperados para hoje, cancelou.
À noite, Felicity, a equipe e eu somos os únicos convidados.
Ao invés de deixar essa comida incrível ser desperdiçada,
eles estão fazendo um banquete para os corajosos ainda aqui.
Enquanto a cozinha trabalha serenamente,
a equipe de filmagem me ajudou
a capturar imagens da famosa Costa Amalfitana
que normalmente não verá em postais.
Não é muito bonito?
Eu sei.
Até que a natureza nos manda correndo para dentro.
Chuva de granizo.
Um granizo do tamanho de um limão amalfitano,
acabou de cair. Puta merda.
Sabe, eu sonhava em ter esse lugar só para mim,
sendo servido de pratos de feijões,
cogumelos e azeitonas da fazenda da família,
lula frita, flor de abobrinha e mexilhões gratinados,
mas eu não esperava que fosse nessas circunstâncias.
Aqui na Campânia, a natureza pode ser cruel,
mas também pode ser realmente muito gentil, de fato.
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