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Existe um pa�s na Terra que tem tudo.
Existe um pa�s na Terra que esconde muitas hist�rias.
Hist�rias sobre civiliza��es milenares.
Sobre povos que foram a base das sociedades como hoje as conhecemos.
Existe um pa�s que esconde mitos e lendas ancestrais,
transmitidos de gera��o em gera��o, ao longo dos s�culos.
Existe um lugar que ainda esconde segredos
e quer que o mundo os descubra.
Bem-vindos ao Peru: um tesouro escondido.
Das zonas costeiras do oceano Pac�fico...
...� densa floresta amaz�nica.
Ao longo dos Andes, as montanhas mais altas do continente americano,
ergue-se um pa�s com uma origem que remonta a milhares de anos.
Dos primeiros homens que habitaram estas terras,
�s primeiras civiliza��es que se conhecem.
Aqui existiu um dos maiores imp�rios na hist�ria da Terra.
Um imp�rio que ainda hoje surpreende o mundo inteiro
com a sua cultura e arquitectura,
as suas estrat�gias e organiza��o enquanto povo.
Um imp�rio que, a dada altura, se estendia por quase toda a Am�rica do Sul.
O Peru � um pa�s caracterizado pela sua diversidade cultural,
pelas paisagens,
pelas esp�cies animais que vivem por todo o territ�rio
e pela vegeta��o diversa e exuberante.
Um pa�s cujo desenvolvimento tem sido influenciado pela rela��o entre o Homem
e a Natureza.
Um pa�s rodeado por uma linha costeira de norte a sul.
Costas oce�nicas contidas
por um dos desertos mais �ridos do planeta Terra.
� nesta costa que se encontra a capital actual do Peru.
Lima.
Em cima destas fal�sias,
Lima � uma cidade onde residem
pouco mais de oito milh�es de pessoas.
Uma cidade que observa e protege fervorosamente o pa�s inteiro.
Um pa�s com hist�rias.
Numa das suas praias, esconde-se uma das mais bem guardadas tradi��es do Peru.
� em Huanchaco que est�o os caballitos de totora.
Esta embarca��o utilizada pelos pescadores da regi�o
� constru�da com a totora,
uma planta abundante nestas praias.
H� quem diga que o surf foi inventado aqui.
Conta a hist�ria que os pescadores locais
foram os primeiros a apanhar ondas nos caballitos de totora.
Durante o p�r do sol, vindos da pesca,
eles apanhavam ondas quando se aproximavam da costa,
inicialmente por lazer e depois como desporto.
Dono Urcia � um dos moradores locais
que protegem esta tradi��o com cerca de tr�s mil anos.
Ele mostra-a aos turistas e transmite-a de gera��o em gera��o.
A costa do Pac�fico do Peru
estende-se desde o norte, na fronteira com o Equador,
at� ao sul, na fronteira com o Chile.
Uma costa com �gua cristalina,
desertos �ridos e cadeias montanhosas que chegam at� ao mar
com os seus �ltimos declives.
A rela��o do Homem com o mar
remonta �s origens da humanidade.
Foi a guia para descobrir novos mundos
e iniciou os interc�mbios entre culturas e civiliza��es
que moldaram a sociedade no nosso planeta.
O mar tem sentido o impacto da evolu��o e o seu equil�brio corre perigo.
Estas �guas t�m sido protegidas por pescadores tradicionais
que nunca pararam de lutar pela seguran�a do oceano
e que contam com o apoio de um aliado contempor�neo.
Um aliado que tamb�m cuida das praias,
o oceano e as comunidades pr�ximas.
Um aliado curioso, aventureiro e ousado.
Os surfistas peruanos.
Eles descobriram um mundo de praias com ondas perfeitas
e colaboraram com o desenvolvimento de novos centros urbanos.
A sua premissa � desfrutar da natureza,
cuidar dela e dar a conhecer a sua import�ncia
para a sobreviv�ncia de todas as esp�cies,
incluindo os seres humanos.
Diria que sou um dos primeiros surfistas profissionais do Peru.
Fiquei fascinado com a velocidade que alcan�ava em cima da �gua.
Nem podia acreditar.
Eu j� estava cativado, mas depois fez-se luz e apaixonei-me pelo desporto.
A Brunela � uma jovem surfista do norte, de M�ncora.
Ela tem imenso talento.
Gosto muito do surf dela. � poderoso.
O Tom�s compreende as linhas
e aquelas novas manobras que se veem no circuito.
Se ele se esfor�ar, dedicar tempo a isto
e treinar, pode vir a ser um dos melhores.
Punta Hermosa, uma praia a minutos da cidade de Lima.
� uma das capitais do surf peruano.
M�ncora, uma praia que encanta pela sua tranquilidade e mar sereno.
Os primeiros surfistas do Peru descobriram v�rias praias a norte.
Em busca de ondas perfeitas e de um ver�o eterno,
chegaram a Cabo Blanco.
Basta passar l� uns dias, estar com as pessoas
e experienciar o lugar
para nos apaixonarmos. � uma vida simples,
mas, ao mesmo tempo, h� algo
que n�o � comum, que s�o umas ondas perfeitas.
� como um tesouro para n�s, porque � sempre ver�o,
h� sempre sol e um clima bom, e isso � dif�cil de encontrar.
A maioria das cheias vem do hemisf�rio sul
e do hemisf�rio norte.
S�o tempestades que geram furac�es
e que criam ondas gigantes no alto-mar.
Depois chegam at� � costa.
N�s sabemos que, se no Havai houver ondas grandes,
cinco dias depois elas chegam ao norte do Peru.
A 540 quil�metros de Cabo Blanco, no Porto de Malabrigo,
est� a praia de Chicama.
Esta praia � conhecida mundialmente por ter as ondas mais longas do mundo.
Existem visitantes do mundo inteiro
que v�m at� esta praia para desafiar a Natureza.
N�o basta ser-se um grande surfista.
Quem decidir apanhar ondas nesta praia,
ter� de enfrentar o invulgar desafio de se manter na prancha
por muito mais tempo do que o habitual.
Aqui, podemos apanhar uma onda com 2,5 quil�metros de comprimento,
desde que se tenha a destreza e pernas fortes.
A norte, em El �uro,
por baixo desta �gua esverdeada...
...� comum receber a visita
da tartaruga-verde.
Esta esp�cie em vias de extin��o
est� sob a protec��o de quase todos os governos no mundo.
Em muitos casos,
as tartarugas chegam � costa peruana depois de nidificarem nas Ilhas Gal�pagos.
Esta � apenas uma das muitas criaturas que habitam no nosso oceano.
Durante Julho e Agosto, as praias peruanas recebem outro visitante.
Um dos maiores mam�feros do mundo.
A baleia-de-bossa.
Os machos lutam pela f�mea no cio e, ap�s a concep��o,
esperam 11 meses at� que a baleia d� � luz.
Elas viajam milhares de quil�metros desde o sul do �rctico
at� �s costas peruanas para darem � luz e amamentarem as crias.
Este mam�fero pode pesar entre 30 e 50 toneladas
e medir entre 12 e 16 metros de comprimento.
A orca � o seu �nico predador natural,
mas a neglig�ncia humana e as altera��es clim�ticas
s�o duas das principais causas
da diminui��o dr�stica na popula��o global de baleias-de-bossa.
Esta cruel realidade levou a um refor�o das medidas
de preserva��o e cuidado desta esp�cie a n�vel mundial,
tendo-se conseguido controlar a popula��o ao longo dos �ltimos anos.
Longe desta incr�vel vida mar�tima...
...e apenas 550 metros acima do n�vel do mar,
est� o deserto de Nazca.
� neste terreno
que se encontra um dos maiores mist�rios da humanidade.
As Linhas de Nazca.
Um conjunto de imagens de animais
e formas geom�tricas gigantes tra�adas na perfei��o
numa superf�cie de mais de 600 quil�metros quadrados.
Parece imposs�vel que tenham sido feitas por seres humanos.
Ainda mais se tivermos em considera��o que foram criadas h� mais de 1500 anos.
Existe uma teoria que afirma que n�o foram criadas por seres humanos.
No entanto,
as teorias mais fundamentadas sugerem que foi a civiliza��o Nazca,
que habitou nesta zona durante essa altura.
O que ainda n�o se conseguiu determinar
� se os desenhos eram parte de um calend�rio gigantesco,
se eram s�mbolos astron�micos
ou se eram figuras de natureza protectora ou divina.
Do c�u, � poss�vel observar animais, vegetais
e formas geom�tricas que cobrem quil�metros.
Os Nazcas criaram um sistema de aquedutos que lhes permitisse plantar
em terrenos des�rticos,
onde praticamente n�o chove.
Gra�as a estas estruturas, sabemos que os Nazcas foram engenheiros
extremamente evolu�dos.
Mas o m�todo utilizado para se alcan�ar um tra�o t�o exacto
e uns �ngulos t�o perfeitos
certamente ser� um mist�rio para sempre.
No deserto do Peru
podemos ver uma paisagem rochosa e desoladora
onde a presen�a de vida parece imposs�vel.
Neste deserto podemos ainda apreciar
um dos milagres que a Terra nos oferece.
S�o estas dunas que protegem esta maravilha,
este mist�rio da Natureza.
O o�sis da Huacachina.
As dunas no deserto de Ica estendem-se por quil�metros a fio.
Parecem n�o ter fim.
A sua �gua verde surge devido a um afloramento subterr�neo,
criando um ambiente de paz.
A popula��o local desfruta da serenidade
e convida os visitantes para uma viagem inesquec�vel.
Atr�s do o�sis,
o deus Sol...
...venerado por todas as culturas que t�m habitado estas terras...
...esconde-se no horizonte...
...e d� espa�o � noite gelada do deserto.
Hoje em dia, Lima � tamb�m a capital gastron�mica do pa�s.
E � aqui que vivem alguns dos melhores chefs do mundo.
Eu nasci entre estes dois mundos.
O meu pai � japon�s
e a minha m�e � peruana, mas com ascend�ncia japonesa.
Adoro cozinhar.
Enquanto chefs, aquilo que nos motiva
� deixar as pessoas felizes, pois isso � o que nos deixa felizes.
Uma vez eu disse:
"Um bom perfume deve ser feito a partir de alho e de cebolas."
A minha av� ia ao mercado.
A senhora que trabalhava com ela, a Maura,
cozinhava para a semana inteira.
Aos s�bados, levantava-me mais tarde pois n�o tinha escola.
A Maura chegava �s nove da manh� e come�ava a cozinhar.
E, claro, a primeira coisa que ela fazia
era cortar alho, cebolas e coentros, e isso era o meu despertador.
Eu tomava o pequeno-almo�o na cozinha e observava a Maura a cozinhar.
N�o demorava muito tempo at� eu lhe perguntar se a podia ajudar.
Ela cozinhava muito comida crioula,
mas com um toque japon�s,
pois trabalhava com a minha av�.
Naquela altura, n�o era chamada de comida Nikkei,
mas era comida crioula com uns toques orientais.
Depois, fui-me embora. Fui para o Jap�o. Tinha l� a casa dos meus av�s.
Eu sabia que a vida no Jap�o seria dura. Mas sempre me vi a viver no Peru.
Eu nunca sa� daqui para ficar noutro lugar.
Sa� do Peru para aprender tudo o que conseguisse
e um dia voltar e p�r em pr�tica esse conhecimento.
A pessoa que me deu aquele empurr�o final,
que me disse para tentar, foi o meu pai.
Disse que me via como um investimento,
n�o como um filho. Que se fosse investir em algu�m,
teria de confiar nessa pessoa,
que ela ia trabalhar e justificar o investimento.
Disse-me: "Depois do que viveste, acho que posso investir em ti."
O Peru tem a receita para o prato perfeito.
O segredo vem de tr�s ingredientes principais:
a sua tradi��o,
vinda de todas as suas civiliza��es milenares,
a biodiversidade dos produtos
e, por fim, a influ�ncia de culturas estrangeiras.
Tudo isso pode ser encontrado, por exemplo, em Arequipa...
...com os seus restaurantes de comida picante.
Uma parte do segredo da comida peruana
est� nos frutos provenientes da terra e do oceano.
Em El �uro, pratica-se a pesca artesanal.
At� hoje, os pescadores usam as mesmas t�cnicas
que eram utilizadas h� centenas de anos.
Nesta regi�o, o objectivo passa n�o s� por desenvolver uma pesca
baseada em t�cnicas tradicionais, mas tamb�m conseguir que seja sustent�vel.
Os corajosos e solit�rios pescadores
aventuram-se at� 32 quil�metros para longe da costa
em pequenas jangadas, desafiando a Natureza.
No fim do dia, grupos de pescadores artesanais
d�o-nos uma imagem espantosa.
Ao longe, podemos ver uma pequena embarca��o. A seu lado,
vemos dezenas de outras a regressarem do alto-mar com a sua captura di�ria.
S�o cada vez mais os pescadores que tentam recuperar este ecossistema
e que lutam por sensibilizar as pessoas para cuidar do oceano.
Longe da costa, no interior do Peru, encontra-se a regi�o da serra.
A nordeste do Departamento de Arequipa,
existe um vale que ocupa uma zona
com cerca de 12 000 quil�metros quadrados
e locais que chegam aos 4000 metros de profundidade.
Vales infinitos,
montanhas que chegam aos c�us.
Desfiladeiros moldados pela passagem do tempo
estendem-se ao longo dos Andes peruanos.
Vales protegidos por seres que vivem neste territ�rio
desde muito antes da chegada dos humanos.
A maior ave terrestre voadora do mundo.
Os seus quase tr�s metros de envergadura
marcam o seu territ�rio e observam com empenho
aquele que j� foi o maior imp�rio da Am�rica do Sul.
� o condor-dos-andes.
Uma ave necr�faga com um corpo esbelto e penas negras.
O seu pesco�o tem penas brancas, tal como as suas asas,
capazes de voos at� 70 quil�metros por hora.
Os Incas acreditavam que o condor era imortal.
Conta a lenda que este p�ssaro, que pode viver at� aos 75 anos,
quando envelhece e sente que est� a perder a for�a,
pousa no pico mais alto das montanhas, recolhe as asas,
recolhe as patas e deixa-se cair para o fundo do desfiladeiro,
onde termina o seu reino.
Esta morte � simb�lica, pois assim o condor regressa ao ninho,
onde ir� renascer e iniciar um novo ciclo de vida.
O condor representava a for�a,
a intelig�ncia, a euforia e a exalta��o.
Foi um animal respeitado por todos
os que habitavam nos Andes, desde antes do descobrimento da Am�rica.
Um animal respons�vel n�o s� por bons e maus press�gios,
mas tamb�m pelo nascer do Sol,
pois a sua energia permitia-lhe agarrar na estrela
e ergu�-la acima das montanhas, para dar in�cio ao ciclo da vida.
O condor protege a sua fam�lia.
Ensina as suas crias a voar e s� depois de se conseguirem desenrascar sozinhas
� que as deixa come�ar a escrever o seu pr�prio destino.
Mas nunca abandonar� a parceira com quem partilhou uma vida
e saltar� com ela para o desfiladeiro
caso ela perca a sua vida primeiro.
Estas montanhas atravessam o Peru de norte a sul,
como a coluna vertebral de um pa�s
que viu culturas e civiliza��es florescerem ao longo da sua hist�ria.
A norte, encontra-se o Departamento do Amazonas,
uma das regi�es mais belas da serra peruana.
Os nossos antepassados deixaram nestas paredes rochosas
testemunhos vivos das suas tradi��es e das suas culturas.
Os sarc�fagos de Carajia.
S�o a express�o funer�ria m�xima de uma cultura pr�-Inca
conhecida como a cultura chachapoya.
Podemos observar que dois destes l�deres
t�m cr�nios em cima dos sarc�fagos.
Isto pode ser indicador
do estatuto de l�der num povo guerreiro, como eram os Chachapoyas.
Na cosmovis�o andina,
as montanhas eram sagradas. Eram a origem da vida.
Enterrar os corpos nesta montanha era uma forma de voltar ao in�cio da vida
e levar o governante m�ximo para um lugar remoto,
inacess�vel a qualquer pessoa.
As t�cnicas que utilizavam para alcan�ar
estes locais remotos permanecem um mist�rio.
Os Andes peruanos estendem-se por toda a regi�o,
evidenciando paisagens por entre montanhas, desfiladeiros,
rios e uma zona de grande biodiversidade na vegeta��o conhecida como a selva alta.
Esta vegeta��o cobre as montanhas de �rvores e de uma abund�ncia de esp�cies.
� a norte, exactamente nesta terra,
que podemos encontrar um dos lugares mais bonitos do Peru.
A cascata de Gocta.
Para chegar at� este lugar m�gico,
� preciso percorrer cinco quil�metros de trilhos
e pontes suspensas por entre montanhas,
florestas, rios e uma vegeta��o deslumbrante.
Esta cascata tem mais de 700 metros de altura
e � uma das mais altas do mundo.
Esta regi�o impressionante
� o orgulho das aldeias vizinhas que protegem
e cuidam desta maravilha da natureza.
S�o estes habitantes
que contam as lendas de tesouros protegidos por sereias escondidas
no fundo do lago formado por esta cascata.
A 100 quil�metros a sul desta regi�o, � necess�rio atravessar duas montanhas
e percorrer v�rios quil�metros desde a aldeia mais pr�xima
para chegar a um dos s�tios arqueol�gicos mais bem preservados do Peru.
A fortaleza de Ku�lap.
Este lugar pertence � cultura chachapoya
e encontra-se 3000 metros acima do n�vel do mar.
Esta cidadela foi constru�da por etapas, ao longo de v�rios s�culos.
Os Chachapoyas controlaram esta regi�o desde o ano 900 d.C.
at� � chegada dos Incas, depois de 1400.
Os Incas anexaram-nos ao seu imp�rio,
mas, apesar de os terem espalhado para conseguirem manter o controlo,
respeitaram as suas tradi��es, que se mant�m at� hoje na regi�o.
A sudeste, encontramos um dos tesouros mais preciosos do Peru.
A cerca de 4000 metros de altura est� a via naveg�vel mais alta do mundo.
Uma extens�o de �gua que excede os 6000 quil�metros quadrados
e que parece um oceano no meio dos Andes.
Quando se navega pelo lago, � poss�vel observar o horizonte
sem conseguir ver qualquer por��o de terra.
Uma maravilha da natureza
onde ainda se encontram comunidades
que vivem como os seus antepassados s�culos antes.
Reza a lenda
que foi deste lago que surgiu o Imp�rio Inca.
Mas, muito antes dessa grande civiliza��o,
estas �guas tinham sido habitadas por outras civiliza��es e culturas.
Os Uros s�o uma comunidade ind�gena
que vive em ilhas flutuantes situadas ao longo do lago.
� nestas ilhas feitas com a planta totora
que os Uros organizam as suas comunidades.
Percorrendo o rio, � poss�vel encontrar tanto grupos grandes como pequenos
formados por umas quantas fam�lias.
Estas comunidades distribuem o poder entre si,
alternando o respons�vel por comandar e por tomar as decis�es da comunidade.
As mulheres, assim como os homens,
alternam no cargo da presid�ncia. E s�o os anci�os,
os mais s�bios, que se encarregam de manter vivas as tradi��es
e de legar o conhecimento entre gera��es.
Longe dos Uros, e ainda mais longe da cidade de Puno,
encontra-se uma das ilhas mais bonitas do lago Titicaca.
A ilha de Taquile, ou Intike na l�ngua qu�chua.
� uma obra-prima da natureza, com uma extens�o total de cinco quil�metros.
Banhada pela �gua cristalina do lago Titicaca,
nesta ilha habita uma comunidade que preserva a l�ngua e os costumes.
Rodeada por um ambiente rico, subsistem gra�as � agricultura,
ao artesanato e aos tecidos.
Hoje em dia, os ilh�us comercializam com os Uros e outras comunidades locais.
O que � incr�vel nos tempos que correm � ainda recorrerem � permuta de servi�os.
Uma ilha que, at� aos dias de hoje, n�o tem electricidade
nem acesso a telecomunica��es,
� um lugar que nos convida a viajar no tempo
e a desligarmo-nos totalmente do mundo tal como o conhecemos.
Nesta ilha vive uma das fam�lias mais tradicionais.
Todos t�m a sua fun��o,
desde cultivar batatas a usar os teares.
� no ponto mais alto, quase 4100 metros acima do n�vel do mar,
que estes irm�os se despedem do Sol,
escondido l� longe, no horizonte.
No sudeste do Peru, na vertente oriental dos Andes,
na bacia do rio Huatanay,
encontramos uma das cidades mais cativantes do mundo.
O ber�o de uma das civiliza��es mais fascinantes da humanidade.
A capital do Imp�rio Inca.
Reza a lenda que foi no lago Titicaca
que nasceram dois irm�os, tornados marido e esposa,
Manco Capac e Mama Ocllo, filhos do deus Sol,
cuja miss�o era fundar a capital do futuro imp�rio
no vale do rio Huatanay, em Cusco.
As ruas ainda conservam vest�gios do per�odo inca
entrela�ados com o da coloniza��o.
Na sua arquitectura, podemos ver influ�ncias de ambas as culturas
que resultam numa cidade fascinante e encantadora.
Rodeada por casas constru�das s�culos antes
e com habitantes que, at� hoje, mant�m vivas as suas tradi��es.
Os historiadores concordam num facto curioso:
embora haja vest�gios de civiliza��es
que habitaram esta regi�o centenas,
qui�� milhares de anos antes dos Incas,
foi s� no s�culo XIII d.C. que esta cidade alcan�ou o seu apogeu,
convertendo-a na capital do Imp�rio Inca,
o maior imp�rio que existiu no continente americano
e um dos maiores � face da Terra.
A pouco mais de 100 quil�metros da cidade de Cusco,
de comboio, � margem do rio Urubamba...
...ou caminhando pelas montanhas,
percorremos locais sagrados,
onde existem caminhos que escondem hist�rias ancestrais
e atrav�s dos quais podemos chegar
a uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo.
Uma obra-prima da engenharia e da arquitectura
que evidencia qu�o avan�ado era o Imp�rio Inca.
Entre os picos das montanhas e o rio que corre entre os vales,
encontramos...
...as ru�nas de Machu Picchu.
Foi um centro administrativo,
educativo, pol�tico, religioso
e de investiga��o cient�fica do Imp�rio Inca.
A cultura inca s� se desenvolveu durante cerca de 300 anos,
desde o ano 1200 at� � chegada dos espanh�is.
Nesse curto per�odo de tempo,
conseguiram construir um imp�rio que conquistou
e anexou ao seu pr�prio governo pol�tico
uma variedade de culturas e de civiliza��es
ao longo de grande parte da Am�rica do Sul.
Constru�ram esta maravilha arquitect�nica no cimo de uma montanha
utilizando a pedra que emerge nesta zona.
Os Incas, que caminharam por estas ruas e dormiram dentro destas paredes,
eram extremamente evolu�dos para a altura.
A queda deste imp�rio s� se deu com a chegada dos espanh�is.
A civiliza��o inca � hoje um orgulho para todos os peruanos,
que se esfor�am por manter viva a sua heran�a, as tradi��es e o legado.
S�o as nossas ra�zes e o nosso respeito
que manter�o viva a heran�a
de uma civiliza��o que at� hoje
� admirada pelo mundo inteiro.
O Peru � respons�vel pela preserva��o de um dos ecossistemas
mais importantes do planeta Terra.
A Amaz�nia.
Localizada na regi�o de Loreto,
este habitat atravessa um territ�rio
com mais de seis milh�es de quil�metros quadrados
e � a maior floresta tropical � face da Terra,
estendendo-se por nove pa�ses ao longo da Am�rica do Sul.
A Amaz�nia � conhecida como o pulm�o da Terra
e � uma das regi�es de maior riqueza biol�gica do mundo.
Nesta floresta densa existem imensas plantas por classificar,
milhares de aves
e milh�es de insectos.
A floresta
est� repleta de animais selvagens.
Cada um deles tem um papel essencial
no equil�brio deste ecossistema.
Ser o banquete de outra esp�cie
� um perigo constante.
Este macaco noturno,
que raramente � visto acordado durante o dia,
precisa de se esconder nestas �rvores ocas
para ficar a salvo de criaturas que amea�am a sua vida.
S� se sentirem um perigo aproximar-se
� que saem cuidadosamente para investigar os arredores.
Perto desta �rvore,
convivem v�rios macacos que trepam at� bem alto
para se protegerem de outras esp�cies que os possam amea�ar.
Esta jib�ia,
que pode medir at� quatro metros de comprimento,
camufla-se na vegeta��o.
Enrola-se nos troncos e � capaz de trepar at� ao esconderijo das suas presas
para as ca�ar atrav�s da asfixia.
Cada esp�cie tem as suas prefer�ncias.
Algumas mant�m pactos de paz
que lhes permitem sobreviver neste mundo de predadores.
Claro que tamb�m existem criaturas invulgares,
que parecem n�o estar a par dos perigos desta floresta.
Como a pregui�a, por exemplo,
que passa a maior parte do dia a dormir nos ramos das �rvores.
Um mam�fero que se camufla na vegeta��o
devido � cor esverdeada do seu pelo.
Alimenta-se de folhas e gosta de estar ao sol.
Em dias quentes, mostra a sua barriga,
mas, quando aparecem as nuvens,
p�e-se numa posi��o espec�fica que a ajuda a manter uma temperatura agrad�vel.
A sua alimenta��o � a respons�vel pelo metabolismo lento
e pelos movimentos vagarosos.
Nas folhas da mesma �rvore...
...vive esta tar�ntula.
Pode passar o dia inteiro sem se mexer,
enquanto se prepara para a hora de ca�ar, a meio da noite.
O seu banquete preferido s�o os insectos,
como as formigas, que se movem como um ex�rcito pela floresta.
S�o tamb�m a alimenta��o perfeita
para este estranho esp�cime:
a r� venenosa.
Este pequeno anf�bio com apenas um cent�metro e meio
� um dos animais mais letais do mundo.
O seu veneno adv�m das toxinas dos insectos dos quais se alimenta.
A suas cores ajudam-na a camuflar-se
e a proteger-se dos predadores naturais.
A r� n�o � o �nico animal que d� cor � Amaz�nia.
Centenas de borboletas exibem a sua beleza neste ecossistema.
Mas n�o s�o as �nicas a sobrevoar estes rios e bosques.
Uma quantidade imensa de aves percorre o c�u da floresta.
Um clima indom�vel.
� uma zona afectada pelo calor permanente
e pela humidade que surge dos seus grandes rios.
Ainda assim, � uma regi�o onde a precipita��o pode ser maior ou menor,
varia de acordo com a �poca
e chove praticamente todos os dias.
Mas o Sol tamb�m est� sempre presente.
Durante uns meses espec�ficos,
os bosques ficam inundados e recebem novos nutrientes
que ajudam este diverso ecossistema
a renovar-se permanentemente.
Estas cheias fazem parte do equil�brio perfeito
dos milagres da pr�pria Natureza.
Os rios e os desfiladeiros rodeiam estes bosques.
� precisamente no sul do territ�rio peruano
que nasce o rio Amazonas, na regi�o de Arequipa.
As suas �guas v�o desde o nevoso Misti
at� ao rio Ucayali
que, em conjunto com o rio Mara��n,
s�o os dois afluentes principais do Amazonas.
Estas duas correntes encontram-se aqui
para dar origem ao maior rio do mundo,
que cont�m um quinto de toda a �gua doce em estado l�quido.
Na regi�o de Loreto,
encontra-se a Reserva Nacional de Pacaya-Samiria.
Com dois milh�es de hectares,
� a regi�o de floresta tropical inund�vel
mais extensa da Amaz�nia peruana...
...e a segunda maior zona protegida do Peru.
Aqui encontram-se comunidades ind�genas que vivem na regi�o
desde tempos antigos.
� gra�as � preserva��o
e � conserva��o desta zona
que estas comunidades e os seus espa�os
est�o protegidos e assegurados.
Ainda existem nas profundezas da selva amaz�nica
comunidades ind�genas por recensear
e outras que protegem zelosamente os seus costumes,
os seus dialectos e as suas tradi��es.
Como a comunidade de San Jorge, que vive nas margens do rio Mara��n.
Ali nada o golfinho-de-�gua-doce.
Este simp�tico animal adaptou-se � �gua doce
e � comum v�-lo a nadar em grupo,
protegendo-se entre si.
Nem todas as criaturas da floresta preferem ter companhia.
Aqui vive um animal solit�rio.
Uma esp�cie que, em toda a sua vida,
s� teve de se preocupar com um predador:
o ser humano.
O otorongo, mais conhecido como jaguar.
O maior e mais ic�nico felino da Am�rica,
e um dos maiores do mundo.
O otorongo raramente se aproxima de pessoas.
Gra�as ao seu olfacto, consegue detect�-las a mais de 200 metros,
permitindo-lhe ficar longe da sua maior amea�a.
A sua pele extravagante
foi o motivo para esta esp�cie se encontrar em perigo,
pois era comercializada no passado.
A sua conserva��o �, hoje em dia, uma preocupa��o geral.
Por entre a riqueza da floresta amaz�nica
est�, possivelmente, a resposta e a cura para quase todas as doen�as
que afectam o ser humano.
Nas suas plantas
e na sua vegeta��o
podemos encontrar as subst�ncias activas
de praticamente qualquer medicamento,
sem o envolvimento de qu�micos nem de ind�strias.
A pr�pria Natureza poder� ser a resposta para todas as doen�as.
Desde tempos antigos
que os xam�s t�m desenvolvido conhecimentos superiores
sobre o modo como a natureza pode ser usada para curar os seres humanos.
Luis Culquit�n
� um dos xam�s mais reconhecidos no mundo.
O seu ref�gio encontra-se nas profundezas do Amazonas peruano.
� neste para�so terrestre
que ele recebe visitas em busca de curas.
O xam� fala com o seu visitante,
vai at� ao fundo da sua alma
para descobrir a origem do seu sofrimento
e decide qual ser� o tratamento mais adequado.
O ritual da ayahuasca
� o primeiro passo no sentido de uma cura interior
e de uma limpeza da alma que prepara o visitante
para o tratamento que o xam� escolheu para si.
As ind�strias n�o s�o capazes de curar o ser humano.
� da sua mente,
dos seus problemas e preocupa��es,
que surge a maioria das doen�as
e � na natureza que se encontra a cura.
� o nosso Amazonas que ainda guarda o nosso maior tesouro.
Cuidar dele e preserv�-lo
significa preservar a mat�ria-prima para curar toda a humanidade.
As florestas tropicais do Peru
t�m um papel fundamental no ecossistema do nosso planeta.
Estas florestas conservam uma humidade
que lhes permite temperar n�o s� o clima do Amazonas,
como tamb�m do mundo inteiro.
� esta humidade que fornece uma temperatura equilibrada,
que ir� circular pelo planeta inteiro
atrav�s das correntes de ar do equador.
A sua desfloresta��o pode colocar em risco todas as esp�cies do planeta,
incluindo o ser humano.
O seu impacto ir� reflectir-se na temperatura do planeta,
o que poder� agravar o aquecimento global
e, consequentemente, causar cat�strofes clim�ticas
que podem acabar com o mundo tal como o conhecemos.
� da responsabilidade de todos n�s
preservar o ambiente e estas condi��es
para deixar �s pr�ximas gera��es
uma Terra tal como a conhecemos hoje.
Este lugar � essencial para compreender e preservar a nossa hist�ria.
Foi um local sagrado.
Curiosamente, independentemente das cren�as dos seus habitantes,
aqui nenhuma era proibida nem se impunha sobre as outras.
Pachacamac
�, assim, um bom exemplo
de um lugar onde se re�nem todas as culturas e cren�as
daqueles que habitaram este pa�s.
Um local considerado patrim�nio hist�rico
que guarda os tesouros arqueol�gicos de algumas culturas simb�licas do passado.
� na nossa Am�rica Latina
que se juntam culturas e influ�ncias do mundo inteiro.
O Peru � um exemplo de toler�ncia e de conviv�ncia.
Este pa�s �, por si, um tesouro.
� nos seus povos e nas suas tradi��es
que se esconde o tesouro mais precioso.
A congru�ncia de civiliza��es milenares
com a influ�ncia e descend�ncia de civiliza��es
provenientes de todos os continentes.
Foi atrav�s da sua cultura, dos seus costumes
e at� da sua tradi��o culin�ria que se concebeu este pa�s.
Atrav�s da mistura de todas as ra�as e etnias que vieram at� este lugar.
Atrav�s da compreens�o da incr�vel natureza deste s�tio,
podemos perceber a rela��o que o Homem tem mantido com o meio ambiente.
� atrav�s do conhecimento
que podemos compreender a import�ncia de conhecer e preservar o nosso passado.
� atrav�s da valoriza��o da terra onde vivemos
que podemos trabalhar para a preservar.
Para a proteger com orgulho e mostr�-la ao mundo inteiro.
Foi a uni�o que nos tornou distintos
e � a uni�o que nos tornar� fortes no futuro.
� aqui que se encontra o Peru,
um tesouro escondido.
O nosso tesouro.
Legendas: Jos� Fernandes Ripadas por: RicardoB/2017
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