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No distante norte da Sibéria...
nas montanhas Verkhoyansk, conheci os Evens...
uma pequena tribo nômade de criadores de renas.
Homens livres...
que não têm bens materiais, apesar de serem muito ricos...
pela habilidade deles de viver em harmonia com a natureza.
Em clãs de quatro a seis famílias...
conduzem um grande rebanho de renas semi-selvagens...
que vão passando através das gerações por milhares de anos.
Aos Evens, que compartilharam seu incrível modo de vida comigo...
eu dedico este filme.
LOUP - UMA AMIZADE PARA SEMPRE
Serguei, não saia daí!
Tome.
Minha primeira recordação do seu pai...
foi o dia em que ele vestiu esta túnica.
Ele mal tinha 15 anos.
As mangas foram até os joelhos.
Vai ficar melhor em você. Vamos lá, vista.
Pare de sonhar agora.
- Está com medo? - Não, estou bem.
Já estive lá em cima sozinho.
Agora é diferente, Serguei.
Conheço você. Sempre com a cabeça longe.
Mãe, eu não sou mais criança.
Ainda é, por mais cinco minutos.
Serguei, você vem?
Meu nome é Nicolai, líder do clã Batagai...
que vaga pelas pastagens da montanha Kharanga.
Hoje, estou caçando carneiro selvagem.
É tradição oferecer a carne na cerimônia da 1ª Lua de verão.
Durante o banquete, designamos quem olhará as renas no inverno.
E meu filho, Serguei, foi o escolhido.
- Wladim, precisamos de você. - Ninguém precisa de mim.
Ora, vamos.
É uma pena meu pai não estar mais aqui.
Não mudaria nada.
Serguei é um ano mais velho que você.
Ele deve vigiar o rebanho.
Quem disse que ele conseguirá?
No ano que vem será a sua vez.
Vamos!
Venha.
Serguei...
o clã escolheu você para cuidar...
do nosso bem mais precioso. O grande rebanho.
É ele que seguimos...
e que nos dá tudo o que precisamos.
- Vai cuidar dele? - Sim.
Protegê-lo?
Sim.
Não enxergo mais, então vou dar meu rifle a você, Serguei.
Agora ele é seu.
Que o espírito de nossas montanhas esteja com você.
Vida longa a Serguei!
Vai ficar bem?
Coloque na mochila. Não leve nas costas.
Prefiro carregar comigo. Nunca se sabe.
Do que tem medo?
De nada.
Nada.
- Você entendeu tudo? - Sim, papai.
O rebanho está no planalto de Jana.
- Está sabendo? - Sim, não se preocupe.
Então, vá. Não deixe o rebanho sozinho por muito tempo.
Com esses malditos lobos por aí.
Pode ir.
Muito bem.
É Mouriak! Vejam, é Mouriak!
Saudações, Moujouk. Seu espírito tem guiado minhas jornadas.
Fico feliz em saber que está aqui, Mouriak.
Esses encontros devem alimentar nossos dois clãs.
Mouriak!
Nicolai!
Vamos lá.
Moujouk!
Vai ficar muito tempo?
Até o inverno terminar.
Vou levar 20 machos dos grandes.
Você se tornou uma moça linda, Nastazia.
Seus pais não estão aqui?
Não, eles estão com o rebanho, perto de Sebiane.
Estávamos ficando preocupados.
Achei que nunca chegaríamos aqui.
Serguei está aqui?
É o guardião do rebanho agora.
- Onde ele está? - Lá em cima, com o rebanho.
Serguei lamentou não poder ver você.
Dois anos é muito tempo.
- Deve estar mais alto do que eu. - Quase.
Está um garotão.
O garotão não pode voltar mais cedo?
O que vocês estão tramando?
Eu trouxe um fogão. As noites estão frias.
Diga...
- Serguei pode voltar antes? - Não há troca antes de uma semana.
Nicolai!
Tudo bem, vou recuar.
Vou ficar aqui, não se preocupe.
Você é linda, magnífica.
Vou chamar você de Voulka. Gosta?
Tchau, Voulka! Vou deixar você em paz...
até seus filhotes crescerem um pouco.
Quem são?
Estamos aqui para te substituir.
Seu pai nos mandou. Mouriak está aqui.
- Vai ter uns dias de folga. - Agora?
Não, no próximo verão.
Quero tocar o rebanho.
Tem líquen aqui.
Estão inquietos. Vão em direção a Ouchaka.
Nicolai vai levantar acampamento.
Vai encontrá-los no vale.
Ele quer ir para Ouchaka para pescar.
Não está com frio?
Vamos! Vamos!
Vejam, é o Serguei!
- Lá em cima. - É o Serguei.
- Nastazia? - Sim.
Serguei.
Olhe, mamãe, Nastazia e Serguei pararam.
- Está mudada. - Você também.
Vamos.
Em frente.
Pena que perdi a cerimônia.
Vai me mostrar?
Pare com isso.
Nicolai disse que acamparemos...
nas pastagens de Kalanka, à beira do rio.
Podemos ir ao estreito de Pulka.
Lembra?
Não vou ter tempo, preciso voltar ao rebanho.
Nicolai vai caçar amanhã. Pode esperar até ele voltar.
- Wladim está lá em cima. - Sou eu que tenho de vigiar.
Ele pode substituir você.
Não posso ficar, Nastazia.
Meu lugar é lá, entende?
Sim, eu entendo. Compreendo perfeitamente.
Não fique chateada. O rebanho lá em cima é importante.
Então, volte para lá!
Nastazia!
Falta muito ainda?
Alexeiv, venha ver!
- É difícil dizer. - Não é um carcaju.
Um lobo?
É o que parece.
Vamos seguir as pegadas?
Não estão atacando as renas.
Devíamos averiguar mesmo assim.
Certo.
Um lobo morto é melhor do que um vivo.
Está indo tudo bem lá em cima, Serguei?
Sim.
Tem certeza?
Sim, nenhuma novidade.
Está tudo bem.
- Tudo bem com o líquen lá? - Sim, mas as trarei para baixo.
O líquen parece mais denso. As renas estão seguindo.
Cadê a Nastazia?
Está cansada.
- Quer caçar amanhã? - Não, vou voltar para lá.
Mas Wladim pode ficar lá em cima.
- Nastazia perguntou... - Eu cuido do rebanho.
O resto é assunto meu também.
Alexeiv, não vale a pena ir longe. Tem lenha boa aqui.
Já de volta?
Onde estavam?
Por que não levaram o rebanho para Ouchaka?
Estávamos ocupados.
- Podemos fazer isso agora. - Não preciso de ajuda.
Tem um lobo por aí.
- Viu as pegadas dele? - E daí?
"E daí?" Não sou o guardião do rebanho...
Já chega! Sei o que devo fazer!
Quem você pensa que é? Não levante a voz para mim!
Parem!
Venha. Tudo isso está subindo à sua cabeça.
- Tudo bem? - Sim.
- Talvez não devesse ir. - É. Ele está estranho.
- Estranho? - Está escondendo alguma coisa.
Eu levaria o trabalho mais a sério.
- É muito longe? - A tenda dele fica junto ao lago.
Boa viagem.
Venha.
Tenha calma.
Não precisa se alarmar, está tudo bem.
Venha, belezinha.
Venha.
Venha.
Venha cá.
Venha.
Vem, vem.
Isso, assim.
Muito bem, você não tem medo.
Calminha aí.
Mantenha a calma. Assim mesmo, Voulka.
Pode ficar com seu filhote.
Espere aí, Voulka...
essas pegadas não são suas.
Você tem um amante?
Você é o mais corajoso.
Um verdadeiro líder.
Vou te chamar de Kamar.
Kamar.
Venha.
Você é a mais tímida.
Venha, não tenha medo.
Nastazia!
Você é louco! Completamente louco, Serguei!
Vai ser uma surpresa geral.
Não conte para ninguém, ou estarei perdido.
Vai perder tudo!
O que deu em você? Por que fez isso?
Não sei, Nastazia.
Não tive coragem de matá-los.
Não tem nada a dizer?
- Aonde você vai? - Para o acampamento.
Pare!
Veja!
Não pode ir agora.
É uma tempestade. Não pode cruzar o desfiladeiro.
Seria loucura ir esta noite.
Isso não vai mudar nada.
Você teria feito o mesmo.
É melhor achar uma solução.
Serguei!
Aí está você.
- E Nastazia? - Estou aqui.
Estávamos preocupados com você.
Com esse temporal, não é bom passar a noite nas montanhas.
Que bom que vocês estão aqui juntos.
Essa lenha está bem seca.
O tempo está abrindo.
- Como está indo com o rebanho? - Estou dando conta.
- Não tem certeza? - Está tudo bem, acredite.
Wladim viu pegadas de lobo.
Então?
Sim, talvez tenha uma pegada por aqui.
Talvez uma? Uma não é o bastante?
Como você não notou?
- Wladim vem e... - Eu vi pegadas, mas...
Você as viu, sim ou não?
Diga!
Eles ficam longe das renas no verão.
Que bom que ficam longe delas!
Mas os lobos atacam no começo do outono.
O que está havendo?
Sossegue, Nicolai, ele está fazendo um bom trabalho.
Pode confiar nele.
Até me deixou para trás pelo rebanho.
Certo.
Vamos! Vamos!
Sinto muito, Nastazia.
Eu devia ter contado logo. Fui um idiota.
- Isso é loucura, Serguei. - Nunca irão saber.
- Como estão as coisas lá? - Bem.
- E Nastazia? - Ela está com Serguei.
Que bom.
Estava ficando preocupada com ela.
Onde mais ela estaria?
Você está estranho.
Não, eu estou bem.
Eles estão se entendendo bem.
Então, qual é o problema?
Não sei. Serguei está estranho. Esquivo.
É porque Wladim contou a você sobre os lobos.
Desde que o pai morreu, ele tem inventado coisas...
para chamar sua atenção.
Não preciso de Wladim para formar uma opinião.
Devia confiar mais no seu filho.
Voulka!
Voulka!
Voulka!
- Eu trouxe alguém. - Voulka é sua namorada?
Fique aqui. Não tenha medo.
Calma, Voulka. Devagar.
Kamar...
pequeno Kitnic...
e Baikal.
Como vai, Kitnic?
Tudo bem.
Você tem que recuar. Ela não te conhece.
- Entende os lobos agora? - Tenho que entender.
Devia acampar em outro lugar.
Está muito perto do covil.
Vamos para uma área mais aberta.
Tocaremos o rebanho e mudaremos a tenda.
Nós?
- Acho que é o suficiente. - Não vai adiantar.
Vão comer as renas quando o inverno chegar.
Ao menos vão nos seguir agora.
Por que não explica tudo ao seu pai?
Não, você não o conhece.
Mataram 17 lobos no inverno passado. Nem tiveram chance.
Nem tentou falar com ele.
Falar com ele significa condenar nossos lobos.
Você não tem escolha.
Quer que nós mesmos os matemos?
Voulka!
Venha, Voulka.
Não tenha medo. Venha.
Venha, Voulka.
Chegue mais perto. Assim.
Mais perto, Voulka.
Isso. Muito bem.
Fora!
Vá embora!
É incrível como eles cresceram rápido.
Eu os vi há dois dias, na entrada do vale.
Acho que se instalaram lá.
Não estão longe do rebanho, mas tudo bem por ora.
Sim, claro! O macho grande começa a se interessar.
Não se preocupe.
- Por falar em lobos... - Eles estão aqui?
Espere. Fique aqui.
Venha.
Venha cá.
Pode vir.
Isso, assim.
Isso, venha.
- Quem é esse? - Kamar, o mais corajoso.
Diga "oi" para Nastazia. Venha.
Foi o primeiro a vir até mim.
Cadê o Kitnic?
Ali está! Venha.
Esta é Voulka.
Relaxe, não vai fazer nada. Voulka, vem!
Ela ainda é meio selvagem.
Baikal! Venha, Baikal!
- Nunca se aproximou dele? - Não a menos de 50 metros.
Ele mantém distância.
- É muito desconfiado. - Ele me dá medo.
Acha que a neve permanece?
Não nos baixos vales. Mas aqui, sim.
- Sabe o que significa? - Não.
As renas ficarão no curral no inverno.
Longe dos lobos.
E partiremos em breve.
Quero que fique, Nastazia.
Sabe o que isso significa?
Sim, eu sei.
Tem certeza?
Nastazia, venha ver!
Há pegadas por toda parte!
Não é apenas um lobo, é uma matilha!
- Uma matilha vagando por aqui! - Não, são só dois ou três.
Está me gozando?
Não vão atacar o rebanho.
- Eles comem perdiz. - "Eles comem perdiz"! Perdiz!
Eles devoram nossas renas!
Vamos partir.
Acha que não são capazes de nos seguir?
Desmonte sua tenda e venha ao acampamento.
Amanhã, vamos reunir o rebanho para levar ao curral.
Mouriak vai nos ajudar.
- Vamos seguir pelo vale? - Sim. Iremos pelas montanhas...
com o rebanho.
O curral é longe do acampamento?
Uns 15 minutos.
Vamos nos juntar a você quando terminarmos.
Serguei vai ficar para vigiar.
Depressa! Não vamos perder tempo!
Vamos.
Rápido! Mexam-se!
Rápido!
Venham! Vamos!
Vamos.
Coloque as renas para dentro!
Vamos às tarefas.
- Quem vigia as renas? - Isso é trabalho do Serguei.
Nicolai, os lobos nos seguiram.
- Você viu as pegadas? - Todo mundo viu.
Agora que as renas estão aqui, Alexeiv e eu podemos caçá-los.
Sim. Vão.
Voltem ao acampamento depois.
Eu ouvi. Sei o que está fazendo. Vou com vocês.
Você vai ficar aqui e vigiar as renas.
Nós cuidaremos dos lobos. Ordens do seu pai.
Cada um tem a sua tarefa.
Esperem!
Parem!
- Não precisamos de você! - Onde estão indo?
Não faz sentido procurar juntos.
Vamos para Ouchaka. Procure em outro lugar.
Vou deixá-los. Irei direto ao pé do desfiladeiro.
Então vamos!
Voulka!
Voulka!
Não! Voltem!
Não!
Ah, não!
- E então? - As pegadas foram apagadas...
pelo vento.
Serguei se juntou a nós no rio.
Nós nos separamos. Ele foi para o desfiladeiro.
O quê? Não está com as renas?
Ele voltou?
Lmagino que sim. Não as deixaria sozinhas.
- Veja se ele está no curral. - Eu irei.
Ficarei na cabana com Serguei.
Foi o que planejamos.
Vamos, rápido!
É estranho que tenha ido sozinho.
Está fazendo pouco caso de mim. Falei para ele ficar.
- E se ele ainda não voltou? - Já estaríamos sabendo.
Nastazia teria nos avisado.
Vamos.
Tudo bem?
Cadê suas renas?
Fale comigo!
- Wladim os encontrou? - Não.
Ele voltou. Não achou as pegadas por causa do vento.
Quem está vigiando o rebanho?
Temos que ir!
Serguei, olhe!
Ah, não!
Eles são lobos, Serguei! Lobos!
Eu queria tanto mudar as coisas.
Mudar a natureza?
O que você quer?
Que os lobos parem de comer renas para que não os matemos?
Em que mundo você vive?
- Ainda assim, eu não os odeio. - Sua família os odeia?
Não, assim como o lobo não odeia sua presa.
Todos lutam pela sobrevivência. Aceite isso.
Nós criamos renas.
Estou com medo, Serguei.
Você mentiu para nós, Serguei!
Desde o começo!
O que está aprontando?
O que está escondendo de nós?
Wladim tem razão. Você é muito jovem para cuidar do rebanho.
Se não é homem para o clã...
como pode ser homem para uma mulher?
Prepare as renas. Vá com Andrei.
Desta vez, nós os pegaremos.
Vamos seguir as pegadas até os lobos.
Sou eu que tenho de resolver isso, e mais ninguém!
- Já ouvi isso antes. - É entre eles e eu.
Dê-me uma chance.
É a última.
A derradeira.
Vamos.
- Tenha cuidado. - Foi bom ver você.
Vai por Rhandiga?
Nunca mais passarei por lá.
Tudo foi posto abaixo.
Todas as árvores se foram.
As chuvas do outono lavaram o solo. Não sobrou nada.
Nós tentaremos impedi-los.
Sei que posso contar com você.
Eu zelarei por Nastazia. Diga aos pais dela.
E você, tome conta do seu filho.
No próximo verão, iremos visitá-los.
- Está triste? - Não é isso!
É o Serguei. Faz muito tempo que partiu.
Ele nos prejudicou. O que mais espera dele?
Não me importa o que pensa o clã. Você não entende.
Só me importa onde ele está...
o que está fazendo e se está bem.
Um lobo.
Serguei.
A morte.
- Morte? - O lobo.
Um lobo, a morte.
Um lobo?
E Serguei?
Serguei...
Serguei?
Eu não sei.
Vamos!
Bom, muito bom.
Vamos!
Devagar.
Vamos, vamos!
Devagar, devagar.
Por que fizeram isso? Foi errado.
Não!
De novo, não!
Não!
Parem!
Baikal...
Baikal...
Eu não queria fazer isso, Baikal.
Tudo bem?
Você não parece bem.
Alexeiv, olhe as renas. Eu cuido disso.
Ouça, Serguei não é uma criança.
Ele está acostumado. Conhece as tempestades.
- Ele não tem abrigo. - Tem que encontrar seus lobos!
É isso que importa.
Precisa provar que é capaz.
Ele quebrou nossas regras.
- Pensou que... - Nossas regras?
Nossas regras.
Suas regras, que você impõe a todos nós.
Não são minhas, são as regras do clã.
Regras que regem nossas vidas.
E nos mantém vivos.
Nicolai, um líder tem de saber evoluir.
Seu filho pode não estar agindo errado.
Você precisa encontrá-lo. Tenho um mau pressentimento.
Vamos. Vamos!
Kamar, Anouska, Kitnic! Venham.
Não vão embora, sou eu.
Venham.
Minha bela Anouska...
Meu lindo Kamar...
Venham, sou eu. Vejam, estou sem rifle.
Anouska!
Não tenha medo.
Sou eu, Anouska.
Venha, bonita. Sou eu mesmo.
Venha, Kitnic, sou eu.
Não tenha medo, meu lindo. Voulka, sou eu.
Não tenha medo.
Venha cá.
Eu vi a fumaça. Imaginei que fosse você.
Veio me checar?
Um lobo?
- Muito bem, Serguei. - Os outros estão bem adiante.
Não vim checar você.
Estávamos preocupados.
Vou voltar e tranquilizar a sua mãe...
e deixar que faça o que tem de fazer.
Estarei no Lago Ozala, mudamos o acampamento.
Lembra?
Foi onde pegamos aquela truta enorme.
Você quase caiu no buraco.
Fique calmo.
Calmo.
Venha.
Venha.
Vamos.
Isso.
Não tenha medo.
Isso, muito bom.
Venha cá. Isso, isso.
Mantenha-me aquecido.
Você é um amor.
Venha. Isso me aquece.
Isso.
Venha.
Cuidado, isto é fogo.
Não! Não toquem nas renas!
Eu disse não! Mandei não tocar!
Eu disse não!
Não!
Não, acabou!
Kamar! Olhe só para você!
Vamos!
Assim! Muito bom.
Assim. Muito bem, venha.
Vamos!
Dê uma olhada lá embaixo.
Está vendo?
Todo aquele território?
Vocês podem caçar lá.
Anouska! Venha.
Venha.
Ouça, Torok, você não pode mais cruzar o rio.
Não me siga. Deve ficar aqui.
Aqui tem tudo o que precisa.
Voltarei com Nastazia no próximo verão.
Não! Acabou.
Não! Não!
Vão embora! Vão!
Vão embora!
Fiquem aí! Isso mesmo.
Assim.
Fiquem aí.
Isso.
É Serguei!
Nicolai, é o Serguei.
Serguei...
Tudo bem?
Vamos.
Deixe, vá se aquecer. Vou ver as renas.
É loucura o que você fez.
Até onde chegou?
Deixe-o falar.
- Então? - Havia seis deles.
Matei o lobo novo primeiro.
Os outros fugiram.
Eu os alcancei, mas não consegui me aproximar.
Em momento algum. Estavam sempre à frente.
Poderia ter levado semanas.
Mas num vale que não conheciam, eu os encurralei num penhasco.
Um dos lobos se matou. Uma queda de 100 metros.
Olhei para os outros.
Estão mortos.
- Trouxe as peles? - Eu faço as perguntas.
Estão no barranco.
Vá buscá-las se quiser.
Olhe para o rebanho.
Eu o vi crescer. Gosto dele.
E odeio que seja atacado.
Sabe, Serguei...
seus lobos...
não quero vê-los de volta.
O líquen está crescendo aqui.
Vamos nos mudar logo.
Nastazia se juntará ao seu clã antes da Lua dos ventos.
Eu irei com ela.
Nicolai está chamando.
Pegue umas renas para a festa.
Estou indo.
Pronto.
- Tudo bem? - Sim.
Não sei que segredo vocês dois dividem.
E nem quero saber. Só espero que seja um bom segredo.
O que é um bom segredo?
Um segredo que não cause sofrimento se for descoberto.
Serguei e eu somos fortes para enfrentar.
- Então,'é um bom segredo. - E um segredo!
Sua noiva é linda.
Devem estar crescidos.
Kamar deve estar dando as ordens.
Ele não deixava as renas em paz.
Sempre as mordia.
- E Anouska? - Anouska e Kitnic...
ainda são apegados à mãe.
Iremos vê-los no próximo verão.
Vamos pegar o mesmo caminho?
Se os rios estiverem em cheia, iremos pelo planalto.
- Acha que estarão lá? - Espero que sim.
É um bom lugar. Eles têm tudo que precisam.
Todo ano é a mesma coisa. Nunca matamos todos.
- Nunca vai acabar. - E por que deveria?
Dividimos as montanhas com os lobos.
Tendemos a esquecer.
Nosso problema não são os lobos.
Os homens descendo o Maska são.
Eles acham que a terra é deles.
- Vão nos destruir. - Não virão tão longe.
Estão construindo uma estrada para Rhandiga.
Mouriak me contou. Está tudo devastado.
Mas, com uma estrada, sabemos o que acontece.
- Não sobra nada. - Rhandiga fica longe.
Muito longe, mas logo ficará perto.
- Devagar. - Ah, é? Por quê?
Porque eu também posso vê-los.
Como se chamam seus cinco lobos?
Anouska... e Kitnic? É isso?
- O que ele disse? - Nada, eu explico.
Sim, claro. Explique bem.
- Ele está bem? - Não sei.
Não foi nada, só uma pequena luxação.
Vou controlar a dor com argila. Não é nada.
Pronto.
Serguei, avise o clã.
Uma nevasca se aproxima.
Aquela que anuncia o fim do inverno.
Mas o vento não é só o que ouço.
Isso não é bom. Nada bom.
Ouçam.
Peguem seus rifles.
Certo. Irei pela direita com Serguei.
Wladim, você vai pela esquerda.
Leve três ou quatro homens com você.
Pegue o trenó. Os outros seguirão a pé. Certo?
Não há tempo a perder.
Não precisa esperar.
Vai revê-los logo. Mas não no mesmo estado.
- Então? - Acertei um, talvez dois.
Pela esquerda, vamos cercá-los.
Vamos!
Pode deixar.
Vigie o rebanho, eu cuido dos lobos.
Ah, é você! Meu pé prendeu na correia.
Ele achou que você era uma rena e atacou.
Tome, eu peguei seu rifle.
Você fez o que pôde.
Tinha que acabar assim.
Sabe disso.
Muito bem, Wladim.
Será um bom guardião no próximo verão.
Serguei?
- Serguei? - Desapareça!
- Vá dar uma olhada. - Vá para o inferno!
Eu iria se fosse você. Tem seis deles.
Seis!
- Seis? - Serguei, matamos seis deles.
Seis...
Tinham sobrado cinco dos seus lobos, não?
Não eram os nossos lobos, Nastazia!
Não eram os nossos lobos.
Eu também estou feliz.
Mas não vai passar a sua vida com os lobos, vai?
Graças a essa história e ao meu filho Serguei...
compreendi que os lobos não são nossos inimigos...
exceto quando atacam nossas renas.
Agora, preciso ensinar a Serguei que os lobos devem permanecer lobos...
e não são nossos amigos.
Para isso existem os cães.
E nós, Evens...
permanecemos nômades, sempre defendendo nossas renas.
Esse equilíbrio se chama harmonia.
A harmonia com a qual desejamos viver entre as montanhas...
com as renas e os lobos.
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