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� hora de ir.
Meu Deus, escurece t�o r�pido.
A AMPULHETA
Baseado na obra de Danilo Ki�
Com licen�a senhor.
Voc� sabe onde posso achar uma fileira de castanheiros selvagens?
Receio que n�o.
- Havia um po�o na esquina. - Eu n�o sei. - Obrigado.
- Bom dia. - Bom dia. - Posso ajudar voc�?
- Andreas Sam mora aqui? - N�o.
Talvez voc� conhe�a o pai dele, Eduard Sam? - N�o.
- Posso entrar? - Sim.
Sua m�e � Maria Sam, e a sua irm� � Ana.
Casa errada.
- Tenho certeza de que � aqui... Ol�. - Ol�.
Aqui, onde a figueira est�, era a m�quina de costura de sua m�e.
Pelo que eu sei, n�o.
Aqui onde est�o essas cebolas, estava sua cama.
Voc� deve estar errado. Eu nasci aqui.
Sempre houve um jardim aqui.
Devo ter cometido um erro.
Adeus.
Eu n�o posso. Obrigado.
Sou como o burro de Nasreddin: Acostumado a morrer de fome.
Mas eu n�o vou grasnar. V� em frente e coma.
Aqui, veja isso.
Eu decidi republic�-lo, ...
... e assim combinar neg�cios com prazer.
Comprarei um chap�u novo e um terno listrado.
Ent�o, eu irei para a beira-mar como turista.
Vou passar algum tempo no Royal Hotel em Opatija.
Beberei moderadamente, mas apenas bebidas finas:...
Grappa, absinto, conhaque franc�s, e ent�o depois do almo�o ...
... Vinho Teran ou Dingach.
Ou�a e divirta-se.
Aten��o! Aten��o!
Os passageiros embarcam no trem de Novi Sad via Belgrado para Opatija.
... Novi Sad, Indjija, Belgrado, Stara Pazova, Ruma...
... Sremska Mitrovica, Sid, Tovarnik, Slavonski Brod, Nova Kapela, Okucani, ...
... Novska, Kutina, Ivanic Grad...
Zagreb, Esta��o Central 5:35.
Isto significa: o condutor se embriagou...
... e o trem n�o parou em Vinkovci.
Ent�o vai passando...
Horvati, Desinec, Domigovici, Lazina, Draginjci, Karlovac, Ogulin...
Fu�ine, Fiume, 13:08.
O tempo est� ensolarado, O mar est� calmo.
E de t�xi para Opatija. Como deve ser.
Existem apenas alguns dos meus poemas, que n�o tenho vergonha.
O que voc� acha da presen�a do mar na poesia francesa moderna?
Voc� acha a nostalgia do mar uma orienta��o biol�gica?
Bem, eu n�o posso pensar assim.
Acabei de traduzir um poema de Claude Roy sobre uma concha:
"Se uma doen�a te incomoda, procure uma concha no mar."
A verdade � que geograficamente Passei minha inf�ncia em uma regi�o.
... que j� foi coberta pelo mar da Pan�nia.
O fato � que o que acontece l�, acontece no fundo do mar...
... tendo uma import�ncia espec�fica.
Em todo um conjunto de coisas, e requisitos...
... s�o como f�sseis trazidos � superf�cie das camadas profundas de areia.
Mais tarde, por�m, experimentei o Mediterr�neo de uma forma diferente...
... quando a Cruz Vermelha...
... me repatriou com minha m�e e minha irm� para Montenegro.
Depois de sua morte...
... n�s, como �rf�os, fomos levados para o mar perto de Herceg Novi.
N�s viajamos em um trem fedorento o dia todo, sedentos.
N�s molhamos as cal�as e tivemos a cabe�a raspada como condenados.
Uma enfermeira nos obrigava a fazer gin�stica
nas esta��es onde o trem parava por mais tempo.
Lembro-me da melodia de sua voz.
- E-dois-e-tr�s, dois-e-dois...
E ainda por cima, um garoto de Cantavir...
... se afogou em �guas rasas...
... no momento em que ele pulou na �gua.
Isso foi no come�o, ent�o n�o mais nos deixaram nos aproximar da �gua.
Essa � minha experi�ncia � beira-mar.
Meu Mediterr�neo.
Eu tenho a honra de receb�-lo na cidade,
... onde voc� passou a maior parte de sua inf�ncia.
Alguns pensam que aparentemente existe um conceito orquestrado...
... por tr�s das cr�ticas de seus trabalhos.
Como voc� se sente sobre esses repetidos ataques contra voc�?
Posso apresentar um amigo meu?
- Voc� deve ser um fil�sofo. - N�o, ele � astronauta.
Fenobarbital!
Fora dos velhos arm�rios pobre gente toda engomada.
Peep eepa uppa puppa
Todos os pobres meninos morrem, wuppa!
Voc� cara, voc� sabe quem voc� �... Voc� � um maldito... imitador...
Voc� ter� que declarar qual � a sua na��o. De que lado voc� est�?
Voc� � um merda...
Voc� tem que defender a escolha do idioma da sua escrita e dos seus sonhos
Porque quando as trombetas nacionalistas clamam,
eles querem que voc� escolha um lado.
E se voc� n�o quer estar nem do nosso lado, nem do deles,
... voc� provoca a ira, uma e outra vez.
E a� vem a guerra e o inferno de novo...
N�o apenas isso, voc� fez uma obra-prima.
Eles sentem que voc� j� n�o � mais um deles.
� por isso que eles querem punir voc�.
Andreas... n�o seja mais fraco do que eles.
Esquecemos o toque de recolher.
Droga. O que vou fazer agora?
Sinta-se � vontade para ficar e dormir conosco.
O que � isso?
Ratos.
Ratos no s�t�o.
Negociante de penas de ganso!
Negociante de penas de ganso!
Maria, Andi n�o est� na sala.
Adivinha quem �.
Quem � Eduard?
- Quem? - Meu falecido pai, Max Ahasverus.
O negociante de penas de Ganso. V� e veja por si mesmo.
O que voc� est� fazendo neste quarto frio?
- Estou jogando. - Suas m�os est�o congeladas.
N�o dormi nada ontem � noite.
Eu sonhei que estava andando na �gua com a merda at� os joelhos.
� um bom press�gio.
Pode significar uma ordem de pagamento inesperada,
... ganhar na loteria, ou um aumento da pens�o.
Alguns anos atr�s, no baile dos funcion�rios da ferrovia em Subotica,
ganhei um cheque de 25 dinares, e nesse mesmo ano...
... encontrei uma carteira no pr�dio da esta��o.
E todas as vezes eu sonhei a mesma coisa:...
... caminhando na �gua com merda, ou me afogando na merda.
Eu n�o esperava que voc� viesse.
Voc� � mais forte do que eu.
Mas tamb�m n�o sou covarde.
Pensar em uma luta para mim n�o teria sentido.
De todos modos, voc� n�o pode silenciar ningu�m.
Nem mesmo com sua pr�pria morte.
Voc� precisa de chuva.
A chuva dourada.
Gr�vida do esperma divino.
A chuva vir� e mijar� em n�s.
E nada vai sobrar de escalas falsas
quando come�a a chover.
E estaremos dan�ando na lama com os dentes de ouro.
Olhe para aquela multid�o.
Eles est�o aqui para nos fiscalizar.
Ol�, sou o Hermann. Venha comigo.
Seu tio era um amigo meu.
N�s ficaremos aqui at� que seus pais voltem.
- Bom dia. - Ol�.
Entre!
Esta � a minha filha.
D�-me as lan�as.
Isso � tudo!
Tenham cuidado, caras-p�lidas!
Vamos desenterrar a machadinha!
Um patife a menos.
O raio fulmina.
V� feliz para a reserva celestial!
Espl�ndido!
Onze pontos todos juntos!
Este � o meu Hermann. Tive que devolv�-lo ao quarto.
Ele quebrou as janelas de todos os vizinhos com suas flechas.
Sou um grande chefe ind�gena.
Socorro! Tenha piedade!
N�o h� piedade para os traidores malvados!
Bem, bem! Vamos, saiam!
- Nome? - Eduard Sam.
- Data de nascimento? - 11 de julho de 1889.
Estado civil?
Casado, dois filhos, meu filho Andreas, minha filha...
Ocupa��o?
Inspetor-chefe da ferrovia aposentado.
Inspetor-chefe da ferrovia aposentado.
Eu escrevi "Guia de �nibus tur�stico iugoslavo,
... navio, ferrovi�rio e a�reo "
Responda apenas �s minhas perguntas.
Voc� foi chamado antes ao trabalho for�ado?
Sim. J� em Novi Sad, antes da invas�o...
Voc� mencionou antes uma visita a um posto avan�ado da ferrovia.
- Foi em rela��o � minha pens�o. - Com quem voc� falou sobre isso?
- Com Andrija Laufer. - Quem � Laufer?
Trabalh�vamos juntos em Sid, quando ele era apenas um estagi�rio.
Que posto ele tem agora?
Ele � apenas um escritur�rio, esperando ser demitido a qualquer momento.
Eu pensei, a princ�pio, que ele n�o me reconheceu.
Ent�o percebi que ele tinha medo de falar na frente de outros funcion�rios.
Andrija ...
O que podemos fazer por voc�, senhor?
Eu vim perguntar
se voc� sabe o que aconteceu com a minha reclama��o
em rela��o � redu��o da minha pens�o.
- Nome? - Eduard Sam.
N�o � estranho que ainda esteja num posto de responsabilidade?
Nos anos 20, Laufer se casou com uma jovem mu�ulmana de Sarajevo.
Ele se converteu ao Isl�. Agora seu nome oficial � Alija Latific.
Eu acho que ele fez isso sem especial insist�ncia de seus pais.
Quero dizer, ele o fez por amor.
Quando sua esposa morreu, ele se tornou um tipo de dervixe leigo.
Ele estudou o Alcor�o e aprendeu �rabe. Acho que estava se preparando
para algum tipo de peregrina��o para Meca ou Palestina.
Mas ele nunca encontrou for�as para se afastar
da casa eterna de sua esposa.
Estava convencido de que ia a seu encontro.
- Pelo menos, de alguma forma... - Voc� fala demais. Seja breve.
Eu acho que o amor � emana��o de Deus.
Aqui... entre em contato conosco em um m�s.
Espero que o assunto seja levado em considera��o.
Pesquise em todos os departamentos!
-Rebecca, abra a porta! - Bom homem, estou indo!
Espere, j� vou abrir.
N�o os est�vamos esperando a essa hora da noite!
Entrem. Vamos, vamos.
- Ol�, Rebecca. - Voc� parece t�o magro.
Olhe para voc�, Edi.
Pequeno Andreas!
Como voc� cresceu!
Vamos.
Desculpe, n�o h� espa�o na casa. Mas conseguimos algo aqui embaixo.
Eu coloquei aqui algumas roupas de cama para voc�s.
N�s ouvimos falar do horror em Novi Sad.
Os Sternbergs, os Kohns, eles se foram. Para onde iremos?
Voc�s v�o ficar aqui.
N�o vamos incomodar mais voc�s. Tenham um bom descanso.
Este � o seu apartamento. Durma bem.
Boa noite.
Boa noite.
Apartamento!
Voc� ouviu aquele babu�no na cama da minha irm� disse: ...
... "seu" apartamento.
Eu lhes dei esta casa de presente!
Isto... era o est�bulo para os cavalos de meu pai.
Ainda cheira a mofo!
Voc� est� me ouvindo, ap�statas, seus bastardos feios!
Podem ouvir as trombetas de Jeric�?
Podem ouvi-las?
''Hulla ho''.
Significa: est� nevando.
Vou levar para Baksa.
Bom Dia.
Menino... venha aqui.
R�pido!
Voc� v� essa bicicleta?
N�o toque, rapaz!
Se voc� for um bom menino Eu vou deixar voc� limp�-la.
E agora, v� embora.
Isso mesmo seu pai esteve aqui em 1939.
Sim.
Ele era um alco�latra, diagnosticado com delirium tremens.
Eduard Sam, nascido em 11 de julho de 1889...
- ... em Kerkabaraba�, Hungria. - Correto.
O diagn�stico, no entanto, n�o � delirium tremens.
� ansiedade neur�tica.
� certo que ele esteve aqui em 1939, e tamb�m em 1934, por tr�s meses.
E h� algo mais.
O Tribunal Distrital aprovou o retorno de Eduard Sam,
... com a cl�usula de que, por um tempo,
... fosse colocado sob os cuidados e a guarda de sua esposa.
Por desgra�a,
como o resto dos registros, estes se perderam durante a guerra.
Obrigado.
O reparo custaria 7 pengs com 40 enchimentos.
Acabei de consertar e voc� o destruiu.
Eu n�o preciso desse lixo.
Meu av� tinha jogado fora.
Voc�... homem do ar!
Voc� tem uma pens�o decente e sua fam�lia est� morrendo de fome!
E onde voc� vai cozinhar?
Voc� n�o vai colocar uma s� panela nesse fog�o porque vou jogar fora!
No entanto, meu marido n�o � o Inspetor Geral, ...
... e eu n�o sou menos senhora do que a sua Madame montenegrina.
Por que n�o vai com seus parentes para Montenegro por um tempo?
Maldita seja sua hospitalidade, queridos primos!
Esta � a casa do meu pai! Eu sou o mestre aqui!
Para tr�s! Ele vai bater em algu�m!
Vamos tirar as camas e eles v�o dormir no ch�o como animais!
Eu gostaria de um quilo de porco, por favor.
Ent�o voc� come carne de porco?
Sim senhor. Comemos de tudo at� mesmo animais!
Feliz Ano Novo, Senhor!
N�o mais.
- Mais vinho. - J� � o suficiente. V� para casa.
Devemos beber vinho tinto forte,
e esperar que se misture com o sangue
... e ent�o corte os pulsos com vidro.
V� em frente, ent�o, tome mais.
Ah... meu cora��o est� sangrando.
Meu cora��o est� menstruando, se te d� prazer.
N�o minta, sua m�e era uma serpente.
A minha era apenas uma porca.
Voc� fede como um porco. Voc� se cagou?
Senhores, voc�s t�m trajes de banho para a praia?
Ou tomam banho de cueca?
Voc� sabe, devem se trocar O mais frequente poss�vel...
� aqui que voc� pertence! Seu porco!
Entre nossos ancestrais havia soldados
valentes e audazes e nobres damas.
Viviam nas cortes dos soberanos de Dubrovnik e Veneza.
E os marinheiros...
... navegaram o mundo, desde Kotor...
... e Istambul at� a China e o Jap�o.
H� uma hist�ria sobre uma de suas tias.
Dizem que ela cortou a cabe�a de um s�trapa turco.
J� � primavera no mar.
Eu gostava muito, ...
... quando fug�amos depois do almo�o no olival do av�.
No caminho...
... ench�amos nossas bolsas e bolsos...
... com tangerinas e figos maduros...
... com�amos, ...
... descansando a tarde inteira.
Nossos l�bios inchavam com as tangerinas que com�amos.
Mam�e...
... Decidi me tornar um santo.
Voc�, alguma vez, viu Deus?
Experi�ncia n�mero 24 Kerkabaraba�.
Com a presen�a de Rebecca Kohn, Sr. Gyula Kohn, Kornelia Sam,
... Prof. Dr. Arkadie Ryapkin Novgorod, ...
... Assistente: Prof. Dr. Konstantine Ivanovich Kiev.
- Sente-se e escreva. - Muito bem.
Por favor, obedecendo as normas, o experimento pode ser bem sucedido.
Vou ligar o fon�grafo. M�sica.
Senhorita Kri�na, do grupo Numberder.
Fama e eternidade.
Peguem-me pelos ombros e conduza-me no caminho da vit�ria!
Ruah Lohmaele, mostre-me o caminho!
Eu sei o que voc� � e sei o que voc� poderia ser!
Querubins, sejam a minha for�a em nome de Adonai.
Em nome de Elahima, Tetra Gramator.
Mellachim.
Querubins
Kadosh, Kadosh, Kadosh!
Adonai, Adonai!
Aleluia! Aleluia!
Am�m!
Desperte esp�rito!
Desperte!
Desperte!
Estou aqui.
Quem est� me procurando?
Voc� pode ouvir?
Apenas as colheres e garfos que tilintam
... ser�o ouvidos antes do dia do julgamento.
Onde voc� est� agora?
N�o h� nada aqui, apenas medo.
Sempre o medo, este estranho, onipresente ...
... medo sem fim.
� insuport�vel.
N�o h� mais...
Contribui��o n�mero um:
Levita��o.
Uma concha marinha.
N�mero dois: uma lagosta viva.
30 polegadas de comprimento.
O que voc� fez em Pest?
Eu tentei, atrav�s do minist�rio de Tr�nsito e transporte,
... influenciar o Comit�, o qual, eu acho,
incorreta e ilegalmente cortou minha pens�o de invalidez.
E tamb�m queria registrar no escrit�rio de direitos autorais
meus textos publicit�rios, feitos a pedido de meus clientes,
... principalmente homens de neg�cios judeus.
Foram estes os �nicos motivos da sua viagem?
Minha dentadura quebrou...
... durante os trabalhos for�ados e arranhava minhas gengivas.
Portanto, visitei um dentista, chamado Barna.
Encontrei seu an�ncio nos jornais:
"Pr�teses dentais a pre�os moderados, com dez anos de per�odo de garantia."
O que voc� est� fazendo? Isso n�o � um palco!
�, e eu fa�o o papel principal em um drama burgu�s grotesco.
Chamado de algo como "Desfile no Har�m",
ou "Ampulheta",
porque tudo est� caindo aos peda�os.
Devemos ser mais vigilantes.
Ele vai trazer dinamite ou uma bomba-rel�gio de Budapeste.
Ele � um anarquista.
E um porn�grafo.
Este � meu trem.
Bom Dia. Suas passagens, por favor.
Eu sou superintendente aposentado da ferrovia.
Seu cart�o residencial, por favor.
Devido � sua origem, voc� n�o � autorizado a viajar de primeira classe.
Para quem voc� ligou da esta��o?
Um certo Bela Gutmann, tabeli�o.
Mas como ele estava ocupado ele n�o pode me receber.
Tamb�m liguei ao escrit�rio de direitos autorais. E ningu�m atendeu a liga��o.
- Para algu�m mais? - N�o.
- Tente lembrar. - N�o posso.
Voc� ligou para a Srta. Krauss?
Bem, sim, na verdade, mas eu n�o falei com ela.
Me disseram que ela se casou e mudou-se para outro endere�o.
Para onde voc� foi da esta��o?
Meu trem atrasou, n�o tive tempo para resolver qualquer assunto meu.
Ent�o fui para o 3� andar da rua Dohanj 12, ao dentista Barna.
Eu estava ansioso para ter meus dentes reparados por ele.
Eu secretamente esperava que ele oferecesse-me um caf� e uma bebida.
Quem � que voc� est� procurando?
Doutor Barna, voc� sabe se ele est� a� dentro?
Ele desapareceu h� dois meses.
Eu sugiro que voc� saia agora ou chamarei a pol�cia.
Isso � um mal-entendido.
Eu s� queria que ele verificasse meus dentes. Veja!
Por que voc� visitou o Hermann?
Eu tinha duas horas extras at� a partida do meu trem.
Ent�o, visitei a Sra. Fischer.
Seu falecido marido nos ajudou muitas vezes com v�rios empr�stimos.
Ela trouxe as coisas do velho Hermann do dep�sito,
e ent�o ele come�ou a falar sobre Hermann normalmente,
... como se ele estivesse ali...
Voc� se lembra de Hermann...
Compramos esses sapatos em Schwarz para seu anivers�rio.
Voc� est� absolutamente certo, Hermann,
... eu n�o deveria ter esquecido.
� uma pena, mas esqueci.
Quinta-feira n�s teremos convidados para o jantar.
Vou fazer uma sopa, vamos passar uma noite agrad�vel.
O que significa o c�digo "sapatos e pincel de barbear"?
Eram os sapatos e o pincel de barbear do finado Hermann.
Descreva os sapatos.
- Estou cansado. - Descreva-os.
Eram imita��es de sapatos de camur�a, cinza, muito apertados para mim, ent�o.
Descreva seu apartamento.
Um pequeno apartamento de fundo, um fog�o Franklin no canto,
uma vitrine, uma mesa ao lado da janela, um sof� em que ...
Descreva o sof�...
Simples, antiquado, com um encosto estofado em veludo.
Hermann Fischer atirou em si mesmo neste mesmo sof�
Quando soube que sua filha havia sido assassinada
junto com seus av�s no ataque a Novi Sad.
Eles a haviam enviado para l� esperando que estivesse segura.
Bom Dia senhor. Como vai voc�?
Eu li uma cr�tica do seu livro no "Komunist" esta manh�.
- Voc� j� viu? - N�o, eu n�o a vi.
Voc� n�o precisa se preocupar em absoluto, a cr�tica � positiva.
Ele escreveu um livro. Foi comentado no "Komunist".
significa alguma coisa se a cr�tica do "Komunist" � boa ou ruim?
Significa. No ocidente significa dinheiro.
Quanto pode um escritor ganhar escrevendo aqui?
O suficiente para sobreviver. Alguns fazem mais, outros menos.
Quanto a mim, eu, honestamente, tenho problemas com dinheiro.
S�rio, Ferdinando? Voc� deve estar brincando.
N�o � uma brincadeira.
- Voc� entende ingl�s? - Sim.
S�rio. Minha esposa e eu temos um problema: como gastar o dinheiro.
Investir em im�veis, em ouro?
Diante do colapso da civiliza��o, o valor do ouro sobe.
S�rio?
Temos... Temos muito. N�o sabemos o que fazer. Viajar,
todo mundo o faz. Tudo est� mudando.
- Agrad�vel, n�o �? - Sim.
Isso � Louis XIV.
No ocidente as regalias s�o consider�veis.
- Por exemplo, fui para a Alb�nia.
Onde?
A Alb�nia
...por ocasi�o da morte de Mao.
Eu queria ver como os albaneses reagiram � morte de Mao.
A morte e as massas.
A morte e as massas.
E como o povo alban�s recebeu a not�cia?
Os guardas detiveram a mim e a minha amante americana.
Como? Com baionetas nos rifles.
No final, fomos perseguidos.
Isso � uma piada, homem!
S�rio, Ferdinando?
Voc� passou por algum outro lugar � caminho de casa?
O trem parou em uma esta��o pequena e desconhecida.
Algo como Sid, Mala Krsna ou Lenti.
Mas, n�o era nenhuma delas.
Eu tentei descobrir o nome da esta��o, mas sem sorte.
O que aconteceu depois?
Eu queria esvaziar minha bexiga no banheiro,
mas n�o pude, porque um homem olhava para mim.
O que ele queria?
Eu acho que ele queria saber se eu era circuncidado ou algo assim.
Continue.
Continue.
Eu caminhei em dire��o � multid�o, onde eles carregavam os mortos.
A partir desse momento n�o tenho certeza do que aconteceu.
Por favor fa�am alguma coisa.
Parem com esse humilhante e excruciante
... com�rcio de ossos humanos.
Pessoalmente eu n�o me importo em ser morto.
Mas eu acho que � totalmente desumano
tratar as pessoas da maneira como estou sendo tratado.
Eles tiraram meus ossos e deixaram meu corpo vazio.
Fa�a alguma coisa, por favor.
Sou v�tima de ladr�es de ossos.
O beijo da morte.
Santo Deus nos c�us!
Envie-me, por favor, seu anjo!
Anjo! Proteja-nos do mal.
Proteja minha irm�, minha m�e e meu pai. Am�m.
O que vamos fazer agora, Dingo?
Voc� e eu vamos pegar a estrada.
No ver�o vamos pescar no rio.
No inverno iremos de cidade em cidade.
Vamos ajudar os camponeses.
E quando ganharmos dinheiro suficiente,
vamos comprar um barco. E iremos para a casa do vov�.
Para Cetinje.
Ou S�o Francisco.
Ou a qualquer lugar.
Vou me tornar um gangster.
Ou um detetive.
N�o importa o que seja.
Poltrona, uma pe�a.
Um violino.
- Espelho duplo. - N�o o encontramos, senhor.
- Procurem! - Sim, senhor.
Banqueta. Uma pe�a.
Cadeira estofada. Seis pe�as.
Uma cadeira thonet.
Certo.
Onde est�o suas coisas, Sam?
Herr Reinwein, ...
... voc� n�o � mais do que uma cobaia na m�quina do mundo.
Eu n�o vou recorrer a qualquer tipo de com�rcio jacobino.
Qual com�rcio? Voc� est� falido!
Fracassado!
Voc� nem sabe que isso � o inferno.
N�o se preocupem comigo!
Com esses P�gasos chegaremos �s pir�mides,
e, guiado pelas m�os de Deus,
n�s entraremos, como Gilgamesh, para a imortalidade.
Triunfantes!
N�o h� justi�a neste mundo, nem para pessoas, nem para gatos.
Este carro � uma maravilha.
30.000 km sem nenhum problema.
Os italianos s�o mestres em fazer carros. Este foi feito em Torino.
A buzina tamb�m funciona.
Est� presa agora. N�o importa.
� sua primeira vez aqui?
N�o.
- Turista? - N�o, n�o.
Para onde?
Acima.
Por quanto tempo vamos continuar assim?
Ou�a, camarada.
Voc� tem que me dizer para onde ir, ou ent�o, n�o irei dirigir mais.
Olhe para baixo!
Voc� pode ver?
Vamos dar uma olhada pela sua perspectiva.
- Ao subir, lentamente, voc� se parece com um guindaste. - O que?
Depois uma andorinha.
Depois, uma borboleta,
ou uma gravata borboleta.
Depois... uma mosca.
Uma mosca?
Ent�o, o cuspe de uma mosca.
Est� certo. Saia.
Cai fora, j� disse!
Est� brincando comigo.
Os avi�es inimigos que avan�avam para Belgrado retornaram,
sem violar nosso espa�o a�reo.
o alarme de ataque em Kanjiza parou.
V�rios avi�es inimigos vindo do Norte,
da dire��o de Novi Sad.
Voc� vai se asfixiar com essa fuma�a.
N�s nos acostumamos com isso.
Sultan caiu!
Sultan! N�o desista, Sultan!
Temos que cuidar deles.
O major n�o deve encontr�-lo assim.
O outro logo o seguir�.
Compre, implore, pe�a emprestado ou roube!
Os cavalos devem ter feno, mesmo se todos n�s cairmos mortos.
E como diabos voc� pode conseguir. como voc� pode encontr�-lo. Droga!
- Puxe! - Agora!
- Puxe. - Agora!
As regras s�o as mesmas para unidades em retirada.
Exijo una austera disciplina.
N�o s�o soldados, est�o sujos!
Um cavalo vale mais do que voc�.
Roubando o tesouro? Idiotas!
Todos voc�s v�o enfrentar a corte marcial!
Ser�o enforcados como estes cavalos!
Que o Senhor tenha miseric�rdia de voc�s!
Mas eu n�o terei.
Isso � tudo.
Os cavalos ca�ram devido a fome e a neglig�ncia.
O consumo de carne de cavalo est� estritamente proibido!
- Duro como una rocha. - Os cavalos dos soldados ficaram aqui,
E eles estavam mijando aqui por meses.
Espero que morram!
Pegue a outra extremidade. Aqui...
Est� podre.
A pobre Rebeka passou a ferro em v�o...
Por favor.
Sim?
Voc� sabe quem � esse homem?
- Que homem? - O que acaba de sair.
Um alem�o.
Ele vem aqui todo ano e joga xadrez no terra�o.
- O que mais voc� sabe sobre ele? - N�o muito.
S� que ele conhece nossas bebidas e bebe moderadamente:
Grappa, absinto, um copo ou dois de Teran ou Dingach depois do almo�o.
Senhor, voc� n�o � permitido entrar vestindo seu casaco.
- Mas eu n�o... - Aqui est� seu n�mero.
Pegue o n�mero.
Voc� pode me ajudar, por favor?
Meu pai se trancou aqui h� cerca de 20 minutos.
Eu temo o pior...
Um momento, por favor.
Senhor!
Voc� tem certeza que seu pai entrou aqui?
Sim tenho. Ele n�o poderia ter ido a nenhum outro lugar.
A �nica sa�da � pela rede de esgoto.
Tenho certeza que ele entrou.
E tenho certeza que esta porta foi quebrada.
Adicione o custo � minha conta, por favor.
- Por favor, leve as crian�as embora. - M�e, o que est� acontecendo?
Seja gentil. Obrigado.
- Ele diz, que � o pai dele. - Por favor, levante-se...
O que voc� v� aqui?
O mar.
Um navio flutuando em um mar enorme.
- O que mais? - Um sapo.
Uma vagina.
A mand�bula de um cachorro, completamente aberta.
Uma vagina. Eu j� disse isso.
O estalo do osso do meu quadril no momento da concep��o.
Que "concep��o"?
N�o o que, mas de quem.
Quem est� sendo concebido em seu intelecto?
A morte, senhor.
Esse outro, meu outro ser.
Esse sou eu, depois da minha morte.
Eduard Sam, o homem morto, que encontra aquele que vive.
Legendas PtBr: RC
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