All language subtitles for The.Wolf.At.The.Door.AKA.Oviri.1986.DVDRip.x264-DMW-portb

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Original subtitles

GAUGUIN - UM LOBO ATR�S DA PORTA

Ele me disse, quando voltou do Taiti,

que possu�a apenas 4 francos. Mas isso n�o o preocupou.

Porque ele tinha muitas pinturas, e estava convencido

que tudo seria diferente, assim que as pinturas fossem exibidas.

Julien!

Eles n�o deixar�o de ficar impressionados.

Esperei muito tempo por isso.

Muito tempo.

"Nafea Fa Ipoipo". O que isso significa?

Isto significa: "Gostaria de saber pintar".

Um cachorro vermelho!

- Isso � o que eu temia. - O qu�?

3000 francos � demais.

N�s n�o vendemos nada. Temos que baixar o pre�o.

- N�o vendemos nenhum? - Certamente que n�o.

Nesse caso, tenho uma ideia melhor.

- Qual? - Duplicar os pre�os!

Sr. Vollard. Madame... Este � o Sr. Gauguin, o artista.

- Extremamente interessante. - Eu j� ouvi isso antes.

Eu n�o disse que gostei deles, mas que s�o interessantes.

O que isso quer dizer?

A falta de perspectiva, por exemplo. � um gesto interessante.

N�o � um gesto! � o resultado de uma luta!

Mas a perspectiva... Como posso dizer?

V�? Muitos t�m dificuldade de expressar ideias com palavras.

Ent�o pense o qu�o dif�cil deve ser express�-las sem palavras!

Eu gosto desta pintura. Voc� n�o?

Sim...

Mas eu nunca realmente entendi os princ�pios do simbolismo.

N�o se trata de compreens�o. � uma quest�o de emo��o.

Degas est� aqui.

- N�mero 37. - Sim, Sr. Degas?

Eu quero compr�-lo. Envie para mim.

Sr. Degas. O Sr. obviamente admira o trabalho do Sr. Gauguin.

Ele pinta como um lobo.

Sr. Degas!

Esqueceu sua bengala.

Sr. Leclercq!

- Conhece o Sr. Gauguin? - N�o, mas j� ouvi falar dele.

Senhora Ida Molard. Paul Gauguin.

Meu marido tamb�m � um artista. Espero que voc� seja paciente.

Ele � muito barulhento. Ele � compositor.

- Ele est� trabalhando agora. - Eu n�o ou�o nada.

Digo, ele est� trabalhando no Minist�rio da Agricultura.

- Sua exposi��o come�ou hoje? - Sim.

- Espero que tenha corrido bem. - Ser� um grande triunfo.

Com licen�a. Tchau, Julien.

- Isso � incr�vel. - Mostra um dos seus mitos.

- O que o mito diz? - � complicado.

Isso diz algo muito simples...

- O qu�? - Que n�o h� vida ap�s a morte.

Eu nunca teria adivinhado.

N�o...

Parece que o meu trabalho � dif�cil de entender.

- Posso entrar, Sr. Gauguin? - Claro.

Sente-se.

Voc� gosta desta cor?

Sim.

Eu tive um amigo pintor que era obcecado por amarelo.

Naquela �poca, eu gostava de vermelho. N�s discut�amos muito sobre isso.

Desde a morte dele, tive muita rela��o sentimental com o amarelo.

Apenas um quarto dos quadros da minha exposi��o foram vendidos.

� triste v�-los partir,

mas outros est�o chegando, e preciso da cor que os fa�a vender.

O Sr. Leclercq disse que o Sr. Degas comprou uma de suas pinturas.

Queria poder comprar uma dele!

O Sr. Degas tamb�m disse que voc� pinta como um lobo.

O que ele quis dizer com isso?

Quer algo para beber? Ch�?

- Absinto? - N�o, obrigada.

Voc� conhece a hist�ria sobre o c�o e o lobo faminto?

Sente-se.

Havia um lobo faminto, que conheceu um cachorro na rua.

Ele olhou para ele e disse: "Voc� � muito gordo. Onde voc� encontra carne?"

O cachorro disse: "Eu vivo com pessoas que me d�o comida".

E o lobo disse: "Seu p�lo � t�o puro e brilhante".

O cachorro disse: "Tenho um lugar confort�vel".

�V� para casa comigo. Deve haver espa�o para voc�".

"Voc� ser� cuidado. Eles lhe levar�o para passear, dar�o comida".

O lobo concordou. Mas quando eles chegaram na casa do cachorro,

O lobo disse ao cachorro: "O que voc� est� vestindo no pesco�o?"

E o cachorro disse: "Bem, isso? Esta � a minha coleira".

- O que aconteceu ent�o? - O lobo morreu de fome.

Voc� n�o vai morrer de fome!

� impressionante como no �ltimo instante, algu�m sempre te d� carne!

- Como assim? - Minha exposi��o.

Eu paguei cartazes, publicidade, convites.

Molduras. Custou mais do que lucrei.

Resultado: fome!

Mas como sempre, eu tive sorte.

- O que houve? - Meu tio Zizi.

Ele nunca foi de nenhuma utilidade. Finalmente, ele fez alguma coisa.

- O qu�? - Ele morreu.

E deixou algum dinheiro. N�o muito, mas o suficiente.

- Quantos anos voc� tem? - 14 anos.

A idade de minha filha Aline, quando a vi pela �ltima vez.

- Meu pai � cantor de �pera. - N�o, ele � compositor.

Quero dizer meu verdadeiro pai, n�o aquele tolo.

- Voc� tem muitos filhos? - Sim, muitos.

Mas ela...

Eu a amo mais.

Ela n�o � ador�vel?

H� uma carta do seu pai.

- Parece que ele est� em Paris. - Ele vai voltar para casa?

N�o. Ele quer que eu v� at� ele.

- Quando voc� vai? - Por que todos n�s n�o vamos?

Ele sabe onde me encontrar.

Ele pode vir, uma vez que ele tenha dinheiro.

Afinal, metade pertence a n�s.

Eu n�o pretendo brincar ao redor do mundo como louca.

- Como era o Taiti? - Deve ter sido bom algum dia.

Antes de chegarmos e destruirmos.

Mas ainda � lindo, quando se sai da cidade.

Do que chamamos de civiliza��o.

Conte-me sobre o Taiti.

Eu estive l� por alguns meses.

Eu decidi viajar pela ilha.

Passava por uma pequena vila na costa leste,

e algumas pessoas me convidaram para jantar em sua cabana.

Uma mulher me perguntou o que eu estava fazendo,

e por algum motivo eu disse que procurava uma esposa.

Ent�o ela sorriu para mim e disse:

Pegue minha filha.

Eu fiz isso. Eu a trouxe comigo.

No come�o eu n�o entendi o que a garota estava pensando.

Ent�o eu percebi que ela estava feliz.

E ent�o eu percebi outra coisa mais estranha e desconhecida.

Eu estava feliz.

Isso me assustou.

Por que voc� a deixou?

Eu n�o sei.

Pegue a terceira pintura acima do piano.

� ela.

Seu nome � Teha-Amana.

Disse que ela estava feliz. Por que ela parece t�o triste?

� porque eles sabem como ser realmente feliz

e como ser realmente triste.

Uma das muitas coisas que eles entendem � que,

em algum lugar, esperando por eles,

est� o pior que lhes pode acontecer.

Quantos anos ela tinha, a sua esposa no Taiti?

13.

Mais jovem que eu.

� um menino ou uma menina?

Oh, Deus!

Uma menina.

Bom. Como devemos cham�-la?

Ela tem dois anos. O nome dela � Germaine.

Voc� n�o vai me beijar?

Por que voc� n�o disse que viria?

Onde ela est�?

Germaine?

Voc� poderia imaginar morar em um ateli�?

- Paul, n�o. - Por que n�o?

- Voc� se casou? - N�o!

O que � ent�o?

Eu n�o quero que ela te conhe�a, te ame,

para depois abandon�-la, ou talvez lev�-la com voc�,

e me deixar sozinha. Eu n�o aguentaria.

- Eu n�o faria isso. - Como posso confiar em voc�?

Se eu lhe der meu endere�o, voc� viria me visitar?

Talvez...

Eu teria trazido algum dinheiro. Eu tive uma exposi��o,

mas n�o vendi muito.

Eu trouxe isto para Germaine.

Prazer em v�-la.

Ambroise! � voc� quem est� por tr�s disso?

Voc� disse que queria uma negra, ent�o comprei uma para voc�.

Imposs�vel!

Cuidado!

- Quem pode lidar com ser compositor? - Os compositores s�o privilegiados.

- Eles s�o? - Um mundo privado e independente.

Apenas sons, harmonias. Nada mais.

- Exceto pelo Minist�rio da Agricultura. - Esse � seu erro.

Se sa�sse, seria mais f�cil para voc�.

- Ele tem medo. - Fique quieta!

Ela est� certa.

Preciso de seguran�a. Saber que posso ganhar o p�o.

Nos tr�s primeiros meses de 1880, eu fui corretor da bolsa.

Eu ganhei mais de 40.000 francos de ouro.

O suficiente para viver por 10 anos no Taiti.

Mas eu estava na bolsa de valores, morrendo em p�.

- Voc� n�o tem medo de nada? - Artistas s�o como criminosos.

H� algo que todos os criminosos temem: pris�o.

Era isso que a Dinamarca era para mim... uma pris�o.

Minha esposa era a carcereira, que jogara a chave fora.

Por isso tive que fugir.

Mette, minha querida esposa. Agora estou deixando voc�.

Senhoras e senhores...

Com todo o respeito, digo adeus.

E ent�o eu fugi. Agora os problemas s�o bastante simples.

- Quais s�o? - Ningu�m gosta das minhas pinturas.

- N�o � assim t�o f�cil. - Voc� n�o acha?

Eu sempre penso que os problemas dos outros s�o simples.

Mais simples que os meus.

Voc� est� se mudando... com Germaine?

Voc� vai ficar em Paris?

- Por um tempo. - Mas n�o para sempre?

N�o vou dizer que estarei em algum lugar para sempre.

E francamente...

Se eu pudesse, voltaria amanh�.

Ent�o eu apenas,

o visitarei de vez em quando. � o melhor.

Melhor para a crian�a. E melhor para mim.

COPENHAGUE 1894

- Acho que voc� n�o vai gostar. - N�o h� mal em olhar para eles.

- Ele ainda est� em Paris? - At� onde sei, sim.

Voc� n�o ficar� surpreso ao ouvir que ele foi discreto sobre a heran�a.

Duas semanas atr�s, ele disse que n�o tinha chegado. Eu n�o acredito nele.

Eu tenho que ir para Paris muito em breve.

Voc� gostaria que eu recebesse sua parte?

Sim.

Veja. Achei que as crian�as n�o deviam v�-los.

Sem d�vida. Eles s�o desagradavelmente primitivos.

Mas deixe-me lev�-los de qualquer maneira.

- Nosso arranjo habitual? - N�o se sinta obrigado.

- Deve ter muitos deles. - Bem, cerca de 30.

- N�o sei onde os coloca! - Bem, � uma casa espa�osa.

Sim?

� voc�?

Pendure seu casaco e sente-se.

- Um copo de �gua? - N�o, obrigado.

Em dias como este voc� deve desejar os tr�picos.

N�o apenas em dias como este.

- Posso? - Sim, por favor.

- Van Gogh? - Sim.

Os pre�os das pinturas dele come�aram a subir.

Bom pra ele.

Vejo que aprendeu muito com ele.

Sim. Ele me ensinou que uma cadeira pode ser tr�gica.

Eu ensinei a ele o porqu�.

N�o quer me vender um dele? Eu posso pagar bem.

Poderia me pagar bem por uma ou mais das minhas pinturas,

e eu poderia aceitar. Ou pode tentar me convencer a vender

uma das minhas poucas mem�rias de meu amigo mais pr�ximo.

E ent�o eu poderia chutar-te escada abaixo.

Desculpe. Vou dizer por que eu vim.

Sim, diga.

- Veja ela. Ela � de Java. - E da�?

Eu a dei a um amigo. Pensei que ela gostaria.

Mas foi um desastre. Ela n�o tem treino.

Se quiser, poderia us�-la como modelo, ou algo assim.

Quer se livrar dela?

Em troca eu poderia mostrar algumas de suas pinturas na minha galeria.

Interessado?

N�o vai compr�-los?

N�o!

Entre.

Come�ou cedo hoje?

- Ele � bonitinho. - Ele � Ela.

Nunca resisti ao ex�lio.

Bom dia!

- Por que voc� est� t�o feliz? - Eu decidi trabalhar.

- N�o ia me usar como modelo? - Eu ia? Gosta dela?

Voc� pode brincar com ela mais tarde.

Hora de trabalhar!

Eu trouxe uma amiga. O nome dela � Taoa.

Agora, ao trabalho.

- Tudo bem? - N�o � muito confort�vel.

Melhor?

Assim n�o. Cruze seus p�s.

Ficou melhor.

Isso foi tudo por hoje.

Ningu�m disse que � uma casa de repouso.

D� apetite, n�o �?

Eu pensei que poderia dormir comigo esta noite.

- Tem Absinto no Taiti? - O'Connor, eles t�m de tudo.

Nem imagino voc� no meio de coqueiros.

Havia apenas uma coisa que sentia falta...

Poder sair e beber com meus amigos.

Os colonos eram insuport�veis, ent�o eu n�o tinha com quem conversar.

Quando voc� voltar, que tal eu ir com voc�?

- Voc� est� falando s�rio? - Paris n�o significa nada para mim.

Isso seria maravilhoso. Por que todos voc�s n�o v�m?

- H� muitas mulheres? - Tr�s por dia!

- Muito para beber? - Eles d�o de gra�a.

O Minist�rio mal me d� licen�a.

Eu n�o quis dizer voc�, William, mas Paco.

E voc�, Jourdan? Tem medo at� de atravessar a rua.

Se todos forem, eu vou tamb�m.

Sabem o que seria melhor?

Poder�amos nos unir e combater a corrup��o

da administra��o francesa. Poder�amos conseguir.

MINIST�RIO DAS COL�NIAS

Deixe-me explicar isso claramente. Acho que n�o prestou aten��o.

Imagine que voc� � um policial provinciano,

ignorante e preconceituoso, que � enviado para as col�nias.

N�o seria melhor dizer isso por escrito?

Eu n�o ligo para o que � melhor.

Estou ouvindo.

Quando voc� chega l�, descobre que tem poder sobre pessoas

est�pidas o suficiente para se considerarem inferiores.

Espere um pouco!

E a lei diz que pode mult�-los por coisas que nunca acharam errado,

e ent�o fica com um ter�o do dinheiro.

Claro que existem grandes despesas administrativas.

Papo furado! Falamos de voc� subornar pessoas a cometer qualquer crime

que possam imaginar!

Para que ser rude?

Eu tive que encontrar o melhor caminho para chamar sua aten��o.

Isso foi apenas o come�o. Depois fomos ao conservat�rio.

Eu disse ao diretor que se ele n�o tocasse a sua sinfonia,

eu voltaria e pisaria na cara dele.

� melhor voc� me deixar cuidar disso sozinho.

Voc� estava trabalhando.

E espero sempre estar.

Tenho certeza que estar�.

O que h� de errado com voc�?

Nada.

- Entre. - Eu n�o sabia que voc� tinha visitas.

- Volto mais tarde. - N�o, entre.

Diga a eles que s� falo sueco.

� um amigo da Su�cia. Sr. Strindberg. Ele � escritor.

Strindberg.

- Gauguin � pintor e mora l� em cima. - Que tipo de escritor?

Principalmente para teatro. Infelizmente, ele fala apenas sueco.

Que pena.

Eu estive pensando sobre o que falamos ontem, William.

Por que n�o vamos para o Taiti? Traga a fam�lia.

Acho que n�o.

Eles t�m pianos l�... e argila.

- N�s suecos j� estamos longe de casa. - Eu gostaria de ir.

Ele parece interessante. Se ele falasse uma l�ngua civilizada

poder�amos convid�-lo para nossas reuni�es de quinta-feira.

Sr. Gauguin, eu ficaria feliz em vir.

- Chegou! - O qu�?

O dinheiro do pobre tio Zizi.

Finalmente.

- Pegue. Est� certo? - Sim.

Tios mortos. Deveria haver um em cada casa.

Se meu av� tivesse agido mais,

isto seria um evento anual.

William!

15.000 francos.

Se ele pensa que pode se safar disso.

- Meu tio est� morto. - Sinto muito.

N�o, isso significa que pude comprar algo para a Germaine.

E algo para voc�.

- Isso significa que voc� vai embora? - N�o.

N�o tenho certeza se h� o suficiente para isso.

Voc� est� esperando clientes?

N�o � melhor eu ir at� voc�?

O porteiro reclamar�. � melhor � tarde.

- E Germaine? - Ela pode ficar no cercadinho.

Vai levar pelo menos uma hora para desembrulhar esse cavalo.

Onde ela est�?

Voc� falou s�rio quando disse que posaria para mim?

O que isso significa?

- O qu�? - "Te Faruru"?

Isto significa: "Aqui se faz amor".

N�o se mexa.

- Onde voc� esteve? - Fora.

- Fora onde? - Eu tinha coisas a fazer.

- Voc� trabalha para mim! - Estou aqui, certo?

Bem, prepare-se. Voc� a substituir�.

Achei que era eu que voc� pintava.

N�o � um retrato. Eu s� preciso da forma.

- N�o fique aborrecida. - N�o estou. Voc� me enganou!

- N�o seja boba! - Eu n�o farei isso de novo.

Como quiser.

Minha m�e n�o iria gostar, se ela soubesse.

Entre! A porta est� aberta.

- Quem �? - Edvard Brandes.

Quem?

Brandes.

- Meu cunhado? Marido de Ingeborg? - Exatamente.

- O que posso fazer por voc�? - Sua esposa me mandou.

- Talvez eu deva... - N�o se preocupe com ela. Sente-se.

Parece que seu tio morreu e deixou algum dinheiro.

O que me fez pensar que Deus existe.

Sua esposa acha que tem direito � metade da heran�a.

Ela deve estar certa. Mas me pergunto se posso dar metade?

- Esta � a quest�o. - Por que voc� n�o pode pagar?

Escreveu que sua exposi��o foi um sucesso.

Um sucesso cr�tico, escrevi.

Por outro lado, ela n�o vendeu boa parte das minhas pinturas?

Sim. Quase exclusivamente para mim.

Eu n�o deveria receber metade do dinheiro?

Eu acho que tenho uma sa�da para isso.

Eu poderia

usar a metade dela para comprar de volta minhas pinturas?

Devo deixar voc� comprar de volta minhas pinturas com o dinheiro dela?

N�o, eu compro minhas pinturas com o dinheiro do tio Zizi.

Ela precisa do dinheiro, n�o eu...

Entendo.

Impasse!

Al�m disso, eu criei uma liga��o com suas pinturas.

N�o me diga que aquele pequeno pa�s abomin�vel

finalmente produziu um homem de bom gosto?

- Voc� n�o gosta da Dinamarca? - Eu odeio.

� tr�gico que quase todos os meus filhos se tornaram dinamarqueses.

- Eu n�o concordo. - N�o, claro que n�o.

� melhor eu ir agora.

Gostei da nossa conversa.

- Voc� me perdoou? - Pelo qu�?

Claro.

Ajude um pouco. Ofere�a os bolinhos.

- Voc� est� se divertindo? - Vou subir.

Eu j� volto.

Eu entendo bem por que vai voltar.

Se estas pinturas falassem, diriam isso:

"Eu encontrei meu lar".

Eu quero criar uma col�nia de artistas l�, com meus amigos l� embaixo.

Julien ser� o cronista.

� principalmente uma quest�o financeira.

Bem, as finan�as...

Geralmente discutimos est�tica �s quintas.

Esta noite � uma exce��o. Celebramos uma quantia que recebi.

Que voc� prefere usar em bebidas do que em bilhetes de barco.

O que pode ser mais compreens�vel? Voc� tem um macaco?

Estou muito interessado em macacos.

Eu fiz muita pesquisa nas teorias de Darwin,

e sou capaz de determinar que ele est� errado em muitos pontos.

Eu tenho, por exemplo, comprovado

que o gorila � a prole de um marujo naufragado e uma macaca.

S�rio?

Sim. E isso nos traz de volta para suas pinturas.

Obrigado, Julien.

Voc� gosta deles?

N�o. Como gostar de algo que n�o se pode entender?

- Quem s�o essas mulheres? - Como assim?

A mulher civilizada,

o tipo de mulher que idealizamos,

� inferior ao homem.

E qu�o mais inferiores para chamar a aten��o de um artista

n�o devem ser estas selvagens?

Est� completamente errado. O chamado selvagem

� infinitamente mais civilizado do que podemos ser.

Esta � uma suposi��o absurda.

Por que sofremos?

Por que voc� sofre?

O que eu quero dizer � que aqui na Europa estamos constantemente sofrendo.

Ci�me, posses, problemas financeiros, ressentimento.

Insatisfa��o constante. Essas pessoas tamb�m sofrem. Intensamente.

Mas em momentos de tristeza e dor.

N�o � como n�s. Passamos a vida toda lutando cegamente

por tudo o que � parte natural da vida deles:

Aceita��o, calma, confian�a, respeito pelos outros.

Mas nunca alcan�amos isso, porque n�s

esquecemos o que eles n�o esqueceram:

Os segredos da inoc�ncia.

De qualquer forma,

est� bem claro que voc� � um verdadeiro artista.

Eu sei que vou sonhar sobre estas pinturas.

Fora!

O que h� de errado com voc�?

Ela posa para mim.

Eu nunca vou te ver de novo.

- Quem era essa? - Uma amiga.

Espero que n�o sejamos visitados por seus inimigos.

- Devo me sentar de novo? - N�o.

N�o, isso � suficiente por hoje.

- Temos que sair de Paris. - Eu gosto de Paris.

Assim que eu terminar isso, n�s vamos para a Bretanha.

- Partiremos na primavera? - Sim.

Isso nos d� apenas 4 ou 5 meses para arrecadar dinheiro para a viagem.

Se algu�m tiver problemas, ainda resta um pouco do Tio Zizi.

Viva o Tio Zizi!

Viva o dinheiro do Tio Zizi!

Negra! Negra!

Qual deles � o macaco?

- N�o devemos voltar? - N�o. Conhe�o os marinheiros, j� fui um.

S�o fanfarr�es. N�o ligue.

Por que voc� est� maior que seu irm�o?

Negra suja!

Voc� bateu nele! Ele � meu filho!

Ent�o voc� deveria educ�-lo melhor.

- Paco! O'Connor! - Paco!

Por que n�o para, se d�i?

Tudo d�i.

- Quanto tempo voc� ficar� assim? - "Sete semanas", disse o m�dico.

Estou congelando.

A cor de um objeto � quase irrelevante.

As cores t�m sentimentos. Cada uma tem suas emo��es.

� preciso tentar unir o objeto

com a melhor cor que expressa seu verdadeiro ser.

Ver�o que � muito mais f�cil de ver.

A clareza. Voc�s entender�o que as formas mais simples

expressam as emo��es mais profundas...

E tamb�m as mais quentes.

Ent�o volte para Paris.

- E como vou viver? - Viveu antes de me conhecer, n�o?

Por que as pessoas querem depender dos outros?

V� ao meu est�dio e escolha uma pintura.

- Leve para Ambroise Vollard. - Ningu�m quer suas pinturas.

Gauguin quebrou a perna.

Ele pergunta se Judith pode ir cuidar dele.

- Deixe-me ir. - Nem pensar!

- Quero cuidar dele! - Nem pensar!

Voc� deve dizer a eles que precisam se preparar.

- Eu quero ir o mais r�pido poss�vel. - Claro.

Sabia que a senhora Gloanec as aceitava como aluguel?

- Annah disse que ningu�m os quer. - Ela n�o sabe de nada.

Ouvi dizer que minhas pinturas s�o muito apreciadas aqui.

O dono das que eu vendi pela �ltima vez se cansou delas

e usou o tecido da tela para fazer palmilhas para os sapatos!

N�o coma o modelo!

Eu queria poder viver de comer flores.

Cristo! Se voc� mora muito tempo na Europa,

n�o consegue discernir entre comida e veneno.

Eu queria vir, mas n�o deixaram.

Minha querida.

- O que houve? - Annah se mudou.

Ela levou tudo com ela, todo o meu dinheiro...

Tudo.

Eu sempre soube que ela era muito civilizada.

O pior � que eu n�o tenho dinheiro suficiente para a passagem agora.

- Qual passagem? - De volta para o Taiti.

Ent�o fico feliz que ela roubou seu dinheiro.

Isso n�o me impede. Vou dar um jeito de ir.

Como?

Passos desesperados.

Voc� trouxe dinheiro?

N�o, pelo contr�rio. Eu esperava poder pegar emprestado um pouco.

Mas e a nossa parte da heran�a?

Foi roubada. Cada centavo foi roubado do meu est�dio.

- Preciso mesmo acreditar? - � verdade!

Voc� veio implorar?

Eu s� preciso de dinheiro suficiente para voltar para o Taiti.

Foi um grande erro voltar para a Europa.

A Europa n�o tem nada a me oferecer.

Uma vez l�, nunca mais vou incomod�-la.

Voc� espera que eu lhe d� dinheiro?

- E os seus filhos? - Sim, e quanto a eles. Onde eles est�o?

Quando eu soube que voc� viria, enviei-os � minha irm�.

Se voc� n�o tem dinheiro, posso talvez falar com Brandes.

- N�o ouse se aproximar dele! - Por que n�o?

Porque eu n�o quero, simples assim!

Ele j� tem muitos quadros seus.

Os que voc� vendeu para ele.

- Eu disse... - Pai!

Minha querida!

Voc� voltou?

N�o, eu vou voltar para o Taiti.

- Vim me despedir. - N�o! N�o v�!

Voc� estar� sempre comigo. Eu penso em voc� todos os dias.

V� para o seu quarto. Seu pai falar� com voc� mais tarde.

Agora voc� a perturbou!

Por que voc� n�o nos deixa em paz?

Deixarei.

Voc�s nunca mais me ver�o.

Por qu�? Voc�...?

O qu�?

Eu disse... bom.

- Sr. Strindberg. - Sr. Gauguin.

Eu entendo que � seu anivers�rio.

E este � pior lugar para pass�-lo.

� a primeira vez que estou em um hospital.

Eu fiz bem de ficar longe de um por tanto tempo.

S� se encontra gente da classe baixa.

Infelizmente eu n�o trouxe um presente. Pelo contr�rio.

Quero que voc� me d� um.

Estou vendendo minhas pinturas para arrecadar dinheiro para a viagem.

Quero que voc� escreva o pref�cio do cat�logo.

- N�o. N�o. - Por que n�o?

Eu disse que n�o entendo a barb�rie primitiva.

Vi sua pe�a no m�s passado... "O Pai".

Foi muito mais b�rbara do que minhas pobres pinturas.

- Voc� acha? - Est� muito claro

que o lar burgu�s � mais letal do que a selva.

O her�i deveria usar um fac�o!

Cartolas ou selvagens nus:

Onde h� homens e especialmente mulheres, h� destrui��o.

Vou lhe dizer uma coisa.

Escreva uma carta dizendo por que n�o quer escrev�-lo,

e eu a usarei como pref�cio.

Voc� sabe por que estou aqui? Chama-se psor�ase.

Quando fecho a m�o para escrever, sai sangue pelos n�s dos dedos.

N�o basta os artistas sofrerem mentalmente, como devem,

e materialmente, como sofrem.

Eventualmente, eles sofrem fisicamente no ato da pr�pria cria��o.

Sendo como a vida �, pensamos em vingan�a.

Se eu partir, posso escapar de tudo isso.

N�o vai. Mas tiro o chap�u para a tentativa.

Saio do hospital semana que vem.

- Escreverei sua carta. - Obrigado.

Mas voc� nunca escapar�.

Senhorita...

Entenderam? Far�o lances de at� 300 francos.

N�o posso vend�-los por menos.

200 francos. 220, 250...

280, 300 francos.

- 320. - Foi s� o primeiro.

400 francos, 450? 450 francos. Dou-lhe uma, duas, tr�s.

Vendido ao Sr. Degas.

O pr�ximo lote � esse retrato not�vel intitulado

"Annah, a javanesa". Algu�m oferece 100 francos?

Nenhuma oferta?

Algu�m oferece 100 francos? 100 francos por este retrato?

Ningu�m oferece 100 francos?

100 francos! Quem oferecer� 100 francos?

100 francos? 100 francos foram oferecidos.

Outras ofertas? 100 francos!

120 francos!

150 francos, por favor.

180 francos.

200? 200 francos.

220?

250?

280?

300 francos.

300 francos. Dou-lhe uma, duas, tr�s.

Vendido para aquele cavalheiro.

Pr�ximo lote...

Contando os comprados e a porcentagem deles,

o seu ganho foi de 1800 francos.

S� isso?

Meu Deus!

A passagem custa quase 1000.

N�o sobrar� nada para viver!

Paco, Jourdan e O'Connor me pediram para lhe dizer algo.

Eles decidiram n�o ir.

Entendo.

- Ent�o somos s� n�s. - Eu n�o tenho dinheiro.

Veja...

H� o suficiente para n�s dois chegarmos l�.

Teremos que trabalhar por um tempo, quando chegarmos.

N�o posso ir.

Eu queria. Eu pensei que sim.

Mas fiquei acordado pensando.

Estou com medo.

Me desculpe.

V�. Diga aos outros que irei logo.

Voc� os quer?

Voc� sabe que sim.

1500 francos.

- N�o sei... - Eu n�o discutirei o pre�o!

- Voc� vai voltar? - Sim.

Faz bem.

Se me permite dizer, acho que n�o deveria ter voltado.

� a sua personalidade. As pessoas veem voc� como o homem do Tahiti.

N�o querem v�-lo aqui. Isso os deixa confusos.

- Tenho uma proposta. - Estou ouvindo.

Me envie 200 francos por m�s

e depois te envio todo o meu trabalho.

- N�o. Ficar� assim, se n�o se importa. - Ent�o, como vou comer?

- L� n�o cresce tudo nas �rvores? - N�o desde que chegamos.

Conseguir�. Eu mando algu�m pegar os quadros.

N�o, leve-os! N�o quero mais v�-los.

- Eu n�o posso carregar os tr�s. - Voc� os quer ou n�o?

- Eu disse que n�o... - Eu sei.

Eu s� quero te dar um presente de despedida.

Posso entrar e larg�-lo? Est� pesado.

Sim, entre.

- Onde est� a menina? - Com a minha m�e.

Voc� est� esperando algum namorado?

- Aonde voc� vai? - De volta ao Taiti.

Desta vez para sempre. Voc� quer vir?

Qual � o problema?

Se voc� realmente vai para sempre,

ent�o n�o devemos dizer adeus?

Eu n�o entendo por que voc� quer ir.

Posso morrer de fome em qualquer lugar.

Como o lobo.

Me leve com voc�!

- Voc� n�o seria feliz. - Eu n�o estou feliz aqui.

Mam�e me trata muito mal, e William � um idiota.

N�o vai querer um mundo totalmente diferente.

N�s poder�amos viver juntos, ter filhos.

Eu sempre me senti como um pai para voc�.

Como poderia, se n�o � pai nem de seus pr�prios filhos?

Posso pegar uma mecha do seu cabelo?

N�o engula tudo de uma vez.

� para voc�.

Estou muito emocionado.

Qualquer coisa. Tudo o que voc� quiser.

- N�o! - Por favor!

N�o! N�o!

Nunca mais tive not�cias dele.

Mas eu soube que no Outono ele finalmente chegou ao Taiti,

onde ele foi muito feliz por algum tempo.

Tradu��o: deadmeadow Abril de 2020

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