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Demora o teu tempo.
Volta para casa.
Por um momento, sente-te à vontade.
Hoje, mais que nunca,
o homem deve aprender a viver de nova com a natureza.
Por isso, o programa "Encontros no Fim do fim do mundo"
convida-os a descobrir todos esses povos, paisagens
e animais congelados no tempo.
No natal, não nos acompanharão um, nem dois, nem três
mas sim quatro convidados excepcionais.
Ele já "janta" convosco há mais de cinte anos.
O apresentador estrela, JGG, Julien Grosset-Grainville.
Senhoras e senhores, boas noites.
Ela é "Vera, a Vet”, a veterinária que fala com animais
na série de televisão número um em França.
- A indomável Nathalie Dulac! - Está a escapar-me!
Séraphin, comporta-te!
A besta do "stand-up" que está para actuar no Stade de France.
E rei da comédia,
- o inigualável Sam! - Foi genial!
Mas não é fácil.
Muitos golos com os "bleus" e na Champions com o Atlética.
A mascote da selecçã, O "Matador", Kévin Kerguellec!
Para que parte do mundo viajarão nossas estrelas?
Com quem ou com o quê se vão encontrar?
Eles vão descobrir isso assim que seu avião levantar vôo,
e vocês também, a 25 de dezembro.
"Encontros no fim do fim do mundo. Especial Natal”.
- À esquerda! - Então? Eu vi.
- Eu sei ler. - Bom, nunca se sabe.
Prometeste que quando pendurasses as botas iriamos a Biarritz.
Não pendurei as botas. Substituiram-me após 22 anos
por uma loira que nem mesmo conhece a capital da Mongólia.
Ulán Bator. Achas difícil Ulán Bator? Até um miúdo sabe isso.
Não sei como aceitaste participar num programa tão brega.
Estás a brincar? É o programa do momento,
todo mundo quer fazê-lo. Imaginas o especial de natal?
Não estou a falar do "Encontros no fim do fim do mundo"
mas sim das televendas.
Para voltar a triunfar o mais importante é ficar no trampolim.
E dar saltinhos uma, e outra e outra vez.
Vou estar fora por uns dias, não te preocupes.
Levo a mochila às costas e algumas coisas mais.
Um diário de viagem para contar minhas histórias.
Levo tudo o que preciso na minha mochila!
Pára!
Não levo o passaporte. Dá meia volta!
O quê?
MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA
Julien. Já estás aqui?
Pois claro!
- Mas ainda é cedo. - Não, deixa que te explique.
Dos quatro que vamos contigo, eu sou o melhor.
Serei eu quem irá encontrar o tótem.
Julien, isto não são umas férias.
Escuta... Digo-te uma coisa, Poli.
Aos cinquenta e nove anos todos os dias são férias.
Vamos, em marcha. Eu levo a bolsa.
Diz ao Short que traga a maleta amarela.
Quem é o Short?
Leva-a tu.
Veio "A Vet".
Marc, sabes uma coisa? Esqueci-me do passa...
Hace diez minutos que me he ido.
Eu sei.
Não me lixes, Marc! Pediste-me em casamento há três dias!
Eu sei. Eu sei e sinto muito.
Digo, sinto muito por teres ido.
Não seria melhor preparar o passeio
antes de ir acampar com esse sacana do Léo Poli?
Ainda só se venderam um terço das entradas.
Não te resta outra, Sam.
Porquê? Porque não esgotam? Porque não esgotam?
Tem em conta de que o "Stade de France" é enorme.
As pessoas estão lixadas, não tem dinheiro e riem-se menos.
Riem-se menos? Que nada! Claro que se riem!
Claro que se riem e muito, mas é um riso interior.
Um riso silêncioso.
O que se passa contigo? O que te incomoda?
Não! Para se rirem em silêncio não precisam ir ao Stade de France.
Não gozes! Prometeste que irias à festa.
MEU FILHO, MINHA LUTA
- Ela foi neste fim de semana. - Merda...
Não!
Como pude me esquecer?
Porque concordei em vir para este circo?
Odeio viajar.
Como estás? Léo Poli!
- O grande Léo Poli! - Bem vindo, Sam.
Que vontade tenho de ir de férias contigo.
Gosto do teu programa. É genial. É genial, mas... não é fácil.
- Sam! - Olá.
Apresento-vos a Nico, a sua mala e a minha.
Olá. Mas... Sam, vais ter que ir sozinho.
Como? Somos unha e carne.
Sam, essa é a piada do primeiro episódio.
Saires por conta própria.
- Não digas. A sério? - Sim. A sério.
Um momento.
Pode-se cortar? Corta um segundo.
O que é tudo isto? Jamais na vida fui sozinho para nenhuma parte.
Nem podes ir sozinho à casa de banho?
Porque te ries? Quem é esse?
As piadas faço-as eu, isso fica claro?
Qué pesadelo!
JGG!
JGG!
- Como estou contente! - Sam...
Senhoras e senhores, boa noite. Escuta, é genial...
mas não é fácil!
- Se o fazes melhor do que eu... - Não, quem me dera.
- Sim, acertaste em cheio! - Desde logo.
Deixa-me passar, sou a Nathalie Dulac!
Não me reconheces? Não vês televisão?
Nathalie, o que se passa? Deixa-a passar, é a Nathalie Dulac.
- O que vos disse? - Sinto muito, Nathalie.
Poli, que vontade tenho de partir!
Nathalie.
- Está bebâda? - Está a fumar?
E a tua bagagem?
Viajar sem bagagem é viajar com o coração.
Sim? Anda cá. Nathalie, que alegria!
Sr. Grainville.
Diz-me, é verdade que vais trabalhar nas televendas?
Meu Deus...
- Adoro as televendas. - Certo.
Onde está a minha Nathalie Dulac?
Que vontade tinha eu de conhecer "A veterinária"!
Quem é esse?
Tu sabes, o Sam... O nosso Sam.
Sim, claro! Perdão.
É que ele parece muito maior em pessoa.
- Bom, não tanto. - Tu também aparentas a tua idade.
Vamos deixá-lo estar. Isso ficou feio,
- importam-se de repetir? - Mesmo nada.
Tentem que haja melhor ambiente entre vocês, mais espirito de... perdão.
Tenho que o levar.
Sim? Sim.
Olá. Sou o Géronimo. Podem chamar-me Jéróme. Ou Gégé.
- Ou podemos não chamar-te. - A quem importa isso?
- Venham, vamos. Por aqui. - Está bem.
- Devias ter chegado há três horas! - Eu sei, Julien.
Desculpem, devem embarcar já.
- Pois vamos. - Esperem, não, não.
De todos modos, não quero minha imagem associado a essa côdea de pão.
Também não tenho vontade de viajar com ele.
- Atenção, vêm aí! - O quê?
Camera, camera, camera! Vamos!
A gravar.
- Sim, senhor! - Sinto muito, sinto muito.
- Kevin. - Bem vindo, Kevin.
Foi por pouco, não?
Diz-me, onde vais com esse disfarce? É carnaval?
Não é um disfarce. É a minha roupa normal de cada dia.
Creio que o preto na África austral não seja boa ideia.
- Já sabes onde vamos? - Sim.
- Claro, para África. - O quê?
Escuta, Julien, era eu que devia contar isso no avião!
Rapaz... Tenho vinte e cinco anos deste mundinho.
As noticias vinham até mim, nem sequer tinha que as procurar.
Claro, também tenho vinte cinco anos neste mundo e não o sabia.
- Porque não sabias? - Não sabia, porque...
conseguir informações de um coala ou um porco-da-indía não é fácil.
- Porque és "A veterinária"! - Venham, vamos, vamos.
- Para a aventura! - Sim!
- O "Matador" em pessoa! - Sim.
Espera... Um momento.
Haverá baleias?
Não. Sinto dizer-te isso, Kevin.
Não? É que um passarinho me disse que estiveste a nadar entre baleias.
- E as baleias deixam-me louco. - O quê? Não, não, não.
Desta vez vamos conhecer a tribo mais isolada do planeta.
É uma pena. Não se vão embora!
- Esperem! - Os Malawas.
Dá-me uma pastilha. Queres?
Como raios sabias isso sobre as baleias?
Que pesadelo!
- Um pouco de leitura, senhor? - Boa! Que bem.
Obrigado.
- E isto? Não viajamos em primeira? - Nem me recordes disso.
- Estamos em executiva com plebeus. - Bom, malta, vamos à aventura.
Camera, a gravar.
Chegou o momento de se despedirem da civilização.
Tirem os vossos telemóveis e ponham-nos nessa bolsa.
- Com muito gosto. - Aqui vai.
- Isto vai ser o mais dificil. - Certo, malta. Apaguem as cameras,
ponham-se confortáveis e disfrutem do vôo.
Gigi. Devolve-me isso, sim? Era só para as tomadas falsas.
- Não era para as tomadas falsas? - Não, não era. Isto é a sério.
Não posso estar oito dias sem o telemóvel.
- Quinze dias. - O quê?
- Saiste na capa da "Voici"! - O quê?
Não sabías?
"NATHALIE E MARC CASAM-SE"! - Estão prestes a casar.
Emociona sempre sair na capa.
Eu já saí em oito. E com dois nús.
Vais convidar-me?
Gégé, acende-a.
Sam, estamos prestes a decolar.
Está na hora de conhecerem o destino.
Não é preciso. Vamos a Tikilele. Sim, o Julien já se chibou.
Vais estar a gravar todo tempo? Corta! Estamos no avião.
Senhor. Desculpe... Posso pedir-lhe um vodca?
- Claro, senhor. - Traga dois. Outro para mim.
Não tem um "Grand Bordeaux"? "Cháteau Latour"? "Pétrus"?
- Se quer trago uma imperial. - Mas da primeira classe,
porque a de aqui é lamentável.
Espera, e um Red Bull, com batatas!
Não devia ter ouvido a estação. Que bela viagem nos espera!
Que pesadelo.
Se voltar a dizer "Que pesadelo" sais deste avião pela retrete.
- Vou ali para o fundo. - Óptimo.
- Como estáo? Está tudo bem? - Tirem-me daqui!
É normal que não haja cinto? Nat, importas-te que trocamos?
- Calma, é só turbulência. - Toma. Dou-te o meu.
- Mas assim será inútil, homem! - Respirem, já falta menos.
A equipa de producção!
Atravessaremos o deserto
e à noite juntam-nos ao resto da equipa.
- Se soubesse, tinha ido com eles! - Com as rajadas de vento
que vão ter que suportar, estarás muito melhor connosco.
¡Agarraos bien!
Temos que descer! Deixem-me sair!
Está bem, mas... isto não é fácil.
Não sabem a sorte que temos.
A natureza em todo seu esplendor dá-nos as boas vindas.
Uma pastilha contra enjôos?
Apresento-vos o Wokabi, o nosso novo guia.
É uma sorte contar com ele,
pois ele foi o único forasteiro a ser aceitado pelos Malawas.
Não se vão embora! Esqueci-me da bolsa.
Não me admira, tinham-no confundido com um ananás com todo esse pêlo.
Parece um cortinado do duche.
Falo quinze idiomas.
Este penteado é o simbolo de pertencer à minha tribo.
E o cortinado de duche é nosso fato guerreiro tradicional.
Vermelho como a ira do nosso deus.
Desculpem, deixei uma coisa no carro. Volto já.
Bom, quanto ao clima, qual é a tua previsão?
Foi uma surpresa.
Sinto que encaixo neste país, mesmo que minha pele seja demasiado branca,
- mas por dentro sou negra. - Não te preocupes, querida.
Em duas horas não serás nem branca nem negra, serás bastante vermelha.
Vês isto?
Só trouxe um e ficarei feliz por o partilhar.
Não. Quero romper com todas artimanhas da nossa sociedade de consumo.
- Perfeito! - Nisso tenho que lhe dar razão.
Traz isso, que já tenho queimaduras de segundo grau!
Dou-te pouco, senão para mim não me resta nada.
Merda.
Olha por onde... Uma caixa de vinte?
Escuta, não tenhas ilusões. Isto não é o que parece.
A regra número um do reporter é levar sempre o passaporte,
cinquenta euros em dinheiro e penicilina.
Não se molham e assim... flutuam.
Merda! Esse peixe acaba de levar o meu passaporte!
Sacana!
Ninguém tem um arpão? Um arpão?
Tu tens... "Tu teres um harpuão?
Bem vindo a África.
Papá Estrunfe, falta muito?
Estamos a chegar mas ainda falta.
Bom.
Pé esquerdo, pé direito, calcanhar para baixo.
Apoiamos e empurramos o dedo grosso.
Pé esquerdo, pé direito, calcanhar para baixo.
Vais andar todo caminho assim?
Que ciumento.
Cem por cento desintoxicante.
O calor faz com que expulsamos toda a gordura do organismo.
Que vontada tenho de me sentar na piscina do hotel.
Do que estás a falar, Kevin? Não há hotel.
- Não há hotel? Essa é boa. - Nunca viste o programa?
Não?
Vamos para uma tribo de primitivos e por isso, dormimos com eles.
E com baleias? Já dormiste alguma vez com baleias?
- Não, Kevin. - Vamos, homem.
Não entendo como marcou tantos golos, sendo tão tapadinho.
Por mais voltas que dê, não o consigo entender.
Doem-me os pés.
Que ruído é esse?
- Estão à nossa espera. - Desculpa.
Estamos quase em estado de "ingravidez" e sedentos.
Perdidos entre a meseta de Tikilele e o deserto de Duakip.
Um grupo de nativos vem ao nosso encontro.
Podias ter dito para trazermos calçado de montanha.
Nossos convidados estão impacientes.
Impaciente, uma ova.
Vais ajudar-me ou não?
Um encontro excepcional com pessoas excepcionais.
Começo a ficar esgotada.
Estamos...
Estamos muuito honrados por vos conhecer.
Obrigado por nos receberem.
Olá.
Olha para eles, que lindos com suas cabeças de jarras.
Sinto-me como se me espiassem por uma fechadura.
Encantado, sou o Kevin. Não?
Não tenham medo.
Lamento, perdão.
A mím metiam-me muito menos medo com a máscara.
- Onde vão? - Vem por mim, parece.
Dizem que dão as boas vindas à mulher com os cabelos de ouro.
- Nunca viram uma mulher loira. - Entendo.
Isto... bons días. Encantada.
Ainda não os entendo, mas ele faz a tradução.
É bonito, não? Eu sei.
Olá!
Por fim.
Estou a gostar deste passeio pelo campo. Não, Tokapi?
- Wokabi. Wokabi. - Olha, façamos uma coisa.
Vou chamar-te Jeff, como o meu genro, de quem eu gosto muito.
Assim será mais fácil. Eu serei Julien e tu serás Jeff.
- Prefiro Wokabi. - De acordo, Jeff. Vamos.
Onde vais? Meus pés estão a matar-me.
Eu daqui não me mexo.
Vamos, Gégé! Corre, corre, corre!
Grava isso!
Chegamos.
Já era hora.
Isto é o paraíso.
Olá, como estão? Boa tarde.
Isso é meu. Olá, senhora.
Está longe, mas é bonito.
Moni onji.
Muli. Buanyi.
Yina landa.
Endi Julien. Julien.
Ende konduera cucu yíwaní.
Cucu yiwanii!
Não o pronunciei bem?
Diria que deixaste uma marca.
Estava a falar em chichewa, a lingua dos malawianos.
- Não tem nada a ver com a nossa. - A sério?
Bom, de todos modos, nunca é demais sabê-la.
Ajuda-te a comunicar, não? Gégé?
Por fim. Alguém importante.
Desculpa. Apresento-me, Sam. Chefe do humor.
Certo. Está bem.
- Budan? - "Bhoo' Din" quer dizer "sol".
Muito obrigado.
A sorte brindou-nos com este momento espiritual único.
Nathalie, o que achas dele?
Sinto que se produziu uma ligação inexplicável
entre ti e as crianças da aldeia.
Sinto uma grande emoção. O que me incomoda é...
Malta! Têm bolas de adobe!
São mesmo fixes!
Ainda não acabei.
O futebol, é vida.
Aproxima as pessoas, seja qual for a cultura.
Isso não é uma bola.
É uma bola de excrementos de zebra. Usam-nas como fertilizantes.
Porque fazem isso? Há algum problema?
Aquele que ousa dirigir-se aos xamãs ao chegar, traz consigo um mal de olho.
É o Krabou!
Não queria estar na tua pelo, amigo. Arranjaste a bonita!
Não sou o Krabou, sou o Sam!
Krabou! É umKrabou! Krabou! Krabou!
Krabou!
Com todo o meu afecto. Diz-me, como te chamas, meu filho?
O quê? Vou chamar-te Jeff como a todos os outros. Será mais fácil.
Toma, Jeff. Para mim Jeff. E tu serás Frangoise, sim?
Para ti, Frangoise. Para Frangoise.
Frangoise. Jeff. Para Jeff. Para o pequeno Jeff.
Olá, Julien. Estás consciente de que eles não sabem ler?
- E muito menos francês? - Pois claro, mas olha para eles.
Estão encantados e estão a gostar!
Não, o que lhes interessa são as fotografias.
Ficam com elas e fazem vodu com elas.
O que dizes? Esperem! Devolvam-mas.
Vamos, Jeff, dá-ma. Dêem-me todas!
- Era brincadeira. - Não lhe digas.
Olhem para isto, rapazes! Capturei um Pokémon!
Não fizeste já o suficiente ao trazer o Krabou?
Esta será a vossa casa.
É melhor do que esperava. Não achas?
Bem vindos ao lar dos Malawas
para este encontro no fim do fim do mundo.
E... Como dormimos?
Exacto!
- Isso mesmo. - Certo, se dormir sei o que fazer.
- A pergunta é onde dormimos. - De facto, Nathalie,
Os Malawas não tem o conceito de cama.
Dormem onde querem, onde podem, quando estão cansados.
- Ora, isso é fascinante. - Está bem, é simples e práctico.
É minimalista, sem colchões nem lençóis.
E além disso não tem nada para lavar... isso é revolucionário.
- E respeita o meio ambiente. - É verdade, bem visto.
É assim mesmo, Malawas!
Vêem? Sempre se aprende algo de novo.
Desde este momento, nossos rapazes viverão como Malawas.
Renunciando ao conforto, ao materialismo.
Em união com a natureza.
Léo, deixa-me a mim, vais ver. Sinto muito, perdão.
Estou dentro? Óptimo.
Desde este momento, renunciamos a toda a comodidade.
Prontos para vivir como nossos amigos, os malawas.
Não sentes a emoção?
Sempre que te vejo, parece que estás prestes a mandar-me lixar.
Não, nada disso. Corta, corta. Já está.
- Parabéns pela choça, é óptima. - Como é óptima?
- Não aguento mais um segundo aqui! - Não te precipites, Sam...
Não quero dormir entre milhões de bichos minúsculos!
Minúsculos nada, Sam.
As baratas até tem matrícula por seram tão grandes.
- Podias pôr um tapete para nós? - Isso.
Posso pedir um quarto só para mim?
Agora vamos deixar que vocês se instalem, certo?
E como dizem os Malawas: "Otanga", boa noite.
Otanga, que quer dizer "Boa noite".
- Adeus. - Okatanga.
Vamos ficar aqui? Parece bem a todos?
Pois aqui, Okatanga.
Quem vai dormir esta noite como uma lontra?
Sou eu!
- Isso é que é fixe! - Rapaz, que loucura!
Nat, se te apetecer, posso fazer um buraco, respeitando a distância.
Parece-me mais interessante dormir como eles.
Depois logo me dizes de madrugada.
Vamos!
Sim, tu continua a sonhar.
Que cômodo é isto!
Não posso mais.
Está a roncar toda a noite.
Não tinha tanta dor de ouvídos desde o concerto da Shakira.
- Bebem mesmo leite de zebra? - Sim, está muito bom.
- Como um batido de Oreo? - Que fixe!
Sou intolerante à lactose. Não digero o leite.
Perdão, chefe.
Acho que vou tomar um café, porque isso... será um não.
Eu tambiém.
- A que veio isso? - Quem é o Marc?
Marc és tu, vamos.
- Aí o tens. - Eu sou o Kevin.
Não te armes em esperto, Marquitos, tu só segues o papel.
Obrigado.
- Queima! - Foi ordenhado recentemente.
- Sim, claro. - Está bom.
Um pouco salgado. Tem um pequeno gosto a...
- A quê, Marc? - A leite?
Isto é leite de fêmea ou de macho?
Ora!
Mas, está perfeito, muito bom.
- Jamais voltes a fazer esse gesto. - Porquê?
É um grande insulto. Quer dizer: "Que teu ânus nunca se feche!"
- Grande calvário. - Não há que ficar assim.
Disse-o a brincar.
Isso ainda é pior!
Quer dizer: "Meto-te os dedos no nariz"
"e tiro-te o cérebro para o dar de comer aos hipopótamos".
Vocês tem uma lingua bastante gráfica.
Sim! Com sinais, sons e palavras nos entendemos.
Vou guardar as mãos, sim? As mãos ficam tapadas.
- Kevin, não te mexas mais. - Esquece o "pedra, papel, tesoura".
"Marc" quer dizer "zebra" em malawa.
- E marc quer dizer "leite de zebra". - Está bem.
Sim, porque não? Sim, acho que é tão asqueroso
como untar manteiga numa torrada de chocolate.
Bom dia!
Obrigado.
- Sabandija! - Um segundo. Vamos agora.
- Dormiram bem? - Como um bebé, meu amigo.
- Acomodei-me na perfeição. - Eu nem por isso.
- Teria sido melhor um hotel. - Trago-vos uma boa noticia.
- Falamos com a produção. - Sabia que havia rede.
- Não, é telefone por satélite. - Tem telefone?
- Sim, mas só para emergências. - É bom saber disso.
Parece que a equipa está no meio de uma tempestade...
- De areia. De areia. - Estão um ou dois dias atrasados.
- Dois. - Não!
- E as minhas malas? - Mas Julien, e a tua mochila gigante?
Na minha mochila apenas levo a cama!
- Não fiques assim. - Não fico assim!
- E qual é a boa noticia? - A boa noticia é que o Gégé,
foi clarividente e trouxe baterias de substituição.
Assim podemos continuar a gravar.
Mas teremos que ficar cá um ou dois dias mais.
Impossivel. Tenho osteópata por causa das costas.
Não vos quero contar minha vida, mas o tipo é um génio.
Mas tem que se marcar consulta com um mês de avanço.
A quem o dizer, que tenho um Bar Mitzvá no Dubai.
Pensam mesmo que o vou perder?
Olhem, façam o que quiserem. Eu... Vens comigo?
Porque, no final de contas, são todos iguais.
- Acham piada ele cair? - Não.
Eu também não.
Os malawas alimentam-se principalmente de jambé.
E também utilizam sua casca para fabricar máscaras.
São as mulheres que recolhem o jambé.
Isso! Onde estão os homens?
Vamos, Gégé, grava! Nathalie...
Um segundo. Enquanto elas se matam a recolher o jambé,
os homens vão caçar gazelas à tribo aqui ao lado.
É o mesmo em todo os lados. A familia, o amor, o respeito...
São os valores que nos incutiram, mas a realidad é outra.
O homem é um porco desde o início dos tempos.
Já está, corta já! Corta já!
Corta já! Corta já!
Corta já! Corta já!
Corta já! Corta já!
Corta já! Corta já!
- O que foi isso? - As urtigas picam imenso!
O que se passa? O que disse?
Ele disse: "Caluda, estamos a caçar".
Pikachu! Se virem algum branco avisam-me, sim?
Não! Não entres aí!
Não! Fora, fora. Vigia.
Não! Tem camas!
Que sacanas!
Sim!
Há adobe por todo lado.
Nas casas, nos caminhos, nas pessoas, tudo com adobe.
Marrocos dá-lhe mil voltas.
Bom, já que procuras uma desculpa, não se passa nada!
Dile que mi tío ha muerto.
Está bem. E não te esqueças de o chamar.
Não me lixes!
Há um macaco à minha frente!
E tem tomates tão grandes que vai varrendo o chão com eles!
Macaquinho! Não, não estou a falar contigo.
Procura-me um vôo imediatamente! E pode ser até em classe turistica!
Não, em classe turistica não.
Que quererá dizer com pente? Espera...
Quer dizer que a honra é tua, Julien.
- Minha? - Sim!
Minha. Óptimo. Fixe. Obrigado pela pressão.
Também não tenho muita ilusão em comer lince.
Li que para os egipcios, o lince era sagrado.
Não, não era o lince, mas sim a esfinge.
Digamos que há tempos que não caço com arco para me alimentar, sabes?
Dá-me. Isto é coisa para o "Matador". Vais ver o atleta.
Nunca falhei um tiro em toda minha carreira.
Estás a ouvi-lo? Acertei-lhe!
Acertei-lhe! Acertei-lhe em cheio.
Esse grito é muito estranho.
Podias tê-lo feito com o pé,
Merda! Sinto mesmo muito!
Como se diz: "Pode ser que estivesses demasiado perto?"
Perdoa-me. Estás bem?
- Deixa-te de fazer gestos, raios! - Só disse o que sinto!
Corre, Kevin!
Jéróme! Jéróme, anda.
Sim, Krabou, entendido.
Gravaremos todas as minhas sequências agora
e depois montam tudo com as dos restantes.
- É que tenho que ir embora. - Não te podes ir embora, Sam.
Será que não consegues disfrutar disto?
Escuta, meu tio morreu. Sabes o que é morrer?
É lixado, sim?
Achas que me vou divertir a fazer isto agora?
- Teu tio morreu? - Sim, ontem pela manhã!
Mentira, foi à noite. Certo? De doença. Vamos, grava.
Certo. Preparado?
Óptimo.
Acabou-se.
Chegou a hora de me ir. De abandonar os malawas.
Um povo que me acolheu com... os braços abertos.
"Sua gente, seu carácter, seus sorrisos".
Seus valores. O valor. O valor do adobe, incluíndo.
Esse adobe que nós não temos.
Aquí sinto-me mais humano. Longe da comédia humana...
E de toda essa fama que te vai consumindo a vida.
"Sam, Sam, uma fotografia!" "Sam, Sam, uma selfie!"
"Sam, sempre que te vejo..." "Que lindo é, Sam!"
"Sam, és o nosso deus!"
Não sou nenhum deus. Deus está aí, Com meus irmãos e irmãs.
Não vai ser nada fácil deixar tudo isto.
A tierra.
Cortem! O quê? Bom, não? Estiveste genial!
Vamos, sigam-me. Vamos gravar o Pikachu.
Já vem aí.
Obrigado pelo cachimbo!
Está óptimo!
À tua.
Sabes que mais? Acho que o xamã te tem debaixo de olho.
- Para nem falar de ti. - Nem em sonhos.
Vocês homens são como camarões. Ninguém quer a cabeça. só as caudas.
Porque dizes isso? Olha para o teu miúdo, Marc.
- É lindo, inteligente... - Passa o cachimbo.
Eu acho-o mais experiente, elegante, simpático.
Léo. Cala a boca.
Não, no final tens razão.
Às vezes faz bem desabafar.
Sabes que eu me considero um cidadão do mundo.
No fundo sou o Cristovão Colombo do século vinte e um.
- Tu vivías em París, certo? - Digamos que partilho apartamento.
- Com a minha mãe. - Muito bem.
Senhor! Que bem que se está aquí!
Tens o braço cheio de merda!
Isto é uma glória abençoada!
Que bom!
- Estás na merda! - Toca-te.
Raios!
O fantasma da ópera!
Não vejo uma merda!
Onde está a roupa?
A sério que te meteste?
- Vem cá! - Léo?
- Vamos. Anda, dá-me! - Léo, é uma brincadeira?
- Vamos, dá-me! Não, meu cabelo! - Léo?
Merda de bicho!
Meu cabelo!
Léo? Isto é de loucos! Estiveram quase a matar-nos!
Grande merd...
Léo. Léo? Olá?
Há alguém?
Léo?
Léo?
Que nojo tenho.
Léo?
Grande buraco em que te atiraste!
Onde está esse imbécil? Léo?
Léo! Léo!
Vamos, ainda tenho que me despedir... Que merda é essa?
Anda. Olha, está ali o chefe.
Chefe! Chegas em bom momento.
Pois. Como se diz "chefe" em malawa?
"Mapongo", óptimo. E como se diz "adeus"?
Mapongo. É sempre a mesma palavra, "mapanga"
E agora gostaria de dizer: "Vou embora mas voltarei"
"porque isto foi bom, obrigado, fora o leite".
"Papapapango! Quase o mesmo que "popopongo",
é um idioma demasiado simples, mas práctico, há que dizer.
Não, "mapango" significa que tens o verme Mapongo em cima.
Deves ficar quieto ou ele come-te o cérebro.
Tiveste sorte.
Estiveste fantástico!
Quero voltar para casa!
Tenho as perucas no carro, raios. Gigi, onde te meteste?
Primeiro tentam matar-nos.
Pelo contrário, queriam salvar-nos da serpente limonada.
Onde estás?
Mas o que...
Léo?
- Léo? - Leo?
Nem rasto do Léo. É possivel que...
Sim, deixas-me?
Que nosso amigo tenha tido um encontro fatal.
Uma mamba negra, uma hiena malhada...
Nestas alturas é provável que tenha já morrido de forma atroz.
Custa dizer isto porque... o tinhamos em alta estima.
Mas há que aceitar a realidade.
- Julien. Isso não teve piada. - Não pretendo ter piada!
Talvez tenha ido buscar o resto da equipa.
Nú? Ele deixou a roupa junto à lagoa.
Dá-ma.
Não tem um elefante que detecte nosso amigo pelo odor da sua roupa?
Não, não. Não lha dês! Agora não a poderás recuperar.
Tudo que dês ao xamã é considerado uma oferta.
Sim? Como o meu irmão!
O chefe diz que Léo se deve ter perdido. Não te preocupes.
A luz da fogueira irá guiá-lo até nós
e então vamos rir juntos ao abrigo das estrelas.
Para dizer a verdade, faz tempo que não me ri-o de nada
e dúvido que o vá fazer agora.
Não quer dizer que não me saiba rir, mas esta situação não o merece!
Quando vão chegar os reforços?
- O telefone desapareceu. - O quê?
- Não há mais telefones? - Não.
Algum idiota deve de o ter dado ao xamã.
Encontrei um vôo, Sam.
Menos mal! Mas devo dizer-te que...
- não quero viajar com os da tv. - Viste o Léo?
- Hala? - Não. Léo, não. Lamento.
- Acabará por voltar, verás. - Conhece bem a zona.
- Vamos, que é hora de jantar. - Sim?
- Sím. - Tenho fome.
- E eu. - Vou já de seguida.
- De acordo. - Hala?
- Nico... - Tem natas.
- A sério? - Não, é a brincar.
Sam?
Sim, vou agora.
Senhoras e senhores, boas noites.
Esta noite, o povo malawa
honra-nos com um dos seus rituais mais ancestrais, o kukizenda.
Kukazando.
Sim, isso, o kukazanda.
Um ritual em que sacrificam uma zebra,
que para eles é seu bem mais precioso e fonte principal de leite.
Por isso, em nome da equipa, agradeço-lhes.
Obrigado.
- Bravo! - É nisto que consiste a televisão.
Em sentir a adrenalina do momento.
Por certo, sabias que comecei como reporter de guerra?
- A sério? - Sim.
Durante a Segunda Guerra Mundial?
Isso é impossivel, pensa só.
Kukazando! ...sando!
É para nós? Obrigado.
Não, para mím não, obrigado.
É que antes vomitei... e pelo nariz.
Krabou! Krabou!
- Deves aceitar. - Não, não, Sam...
Esta manhã, quasem matam a mim e ao Julien por uma tolice.
Eu aceitaria, Krabou.
Com muito gosto. Obrigado.
Tenho um olho a flutuar dentro.
Isso é um bom presságio sentimental.
- Bom... - Sim?
Vou provar.
Ver como está esta maldita zebra.
- Ora, não está mau! - Não?
Até me parece muito bom. É bastante súbtil.
- Sim. - Tem... um certo toque a coentro.
Não é verdade, Nat?
- O olho está um pouco amargo. - Parabéns, grande chefe.
É uma excelente refeição. De verdade. E digo-o sem...
Sem fazer gestos obscenos, não, cabrãozão?
- Não lhe traduzas isso, Jeff. - Eu estou a gostar muito.
Sim, quem o iria dizer.
Deixaram alguns pedaços bastante duros.
- Raios, no meu há pêlos. - O quê?
- Será a crina da zebra. - O quê?
Sam, Sam. Olha o que eu encontrei na tigela.
Léo levava isto no cabelo.
Não...
- Na tigela do Kévin. - É a mola do Léo!
São os cabelos dele!
Nós estamos... a comer...
O imbecil do Léo.
São caníbais!
Que canibais, qual quê? Vivem da caça e da recolha.
Pena que o Léo não está. Ele iria adorar isto.
Não, não, não. Agora querem que coma um pedaço do seu coração?
- Não penso fazer isso. - É o coração do nosso amigo, está feio.
Embora eu não o considere meu amigo.
Tenho que falar com o meu agente.
Espero que seja uma partida, caso contrário não tem piada!
- Dá-lhe um pouco, eu não posso! - Vamos, Nat!
- Nem sequer penses! - Vamos, dá-lhe um pouco!
- Mas está crú! - Dá-lhe um pouco!
Vamos! Dá-mo já! Vamos!
Eu comi o Léo.
Eu comi o Léo.
Eu comi-o.
Bem feito.
Eu comi o Léo. Eu comi-o.
Eu comi o Léo. Eu comi-o.
Penso dar-lhes boa nota no Trip Advisor.
Porque não te calas? Porque não te calas?
- Disse-o para quebrar o gelo. - Acalmem-se e respirem.
- Basta! - O importante numa situação de crise...
- é manter a cabeça fria. - Isso é fácil de dizer.
Que aqui a única que comeu o olho dele fui eu!
Muito bem. Escuta bem.
Vamos escolher um lider, e acho que o mais natural é que o chefe
- seja eu. - Não, será melhor ser eu o chefe.
- Eu também. - Vês?
Não, eu também acho que deveria ser eu.
Qual foi o teu maior feito? Tirar a carta de condução?
Tenho doutoramento em ciências politicas.
Algum de vocês ganhou a Champions League como capitão?
Acabou-se a discussão! O chefe sou eu!
Eu sou o chefe. Tu, doutor, fazes fumaça.
Tu, o Matador, porque não vais ouvir o canto dos grilos?
E tu vais preparar-me um café, porque preciso dele para pensar.
Escutem-me!
Sou o mais capacitado para gestionar uma situação de crise.
Além disso, vou contar-vos algo bastante confidencial.
Nesta altura já me é igual. Sou um maçom.
Querem parar com o vosso jogo de ver quem a tem maior?
A única coisa que interresa agora é sair deste pesadelo!
Não vou permitir que me comam! Também há muito que comer!
E não estou preparada para morrer!
Porque nunca fui ao festival de Cannes.
Nunca ganhei um César!
Nem sequer tive nenhum papel num filme decente.
E acabei de romper com meu namorado! Não haverá boda!
E ainda por cima é terça. e às terças vou ao psicólogo.
E já nem sequer posso falar com ele!
És mesmo maçam de verdade?
Claro. E isso converte-me no chefe.
Onde estará o telefone? Temos que pedir ajuda.
- Deve estar na arca do xamã. - Exacto. Eu vou lá.
- Tens que o ir buscar. - Eu? E se fores tu, Sam?
- Não posso ir, sou o Krabou! - Procuram isto?
- Ele o quê? - Sim, é isso.
Agora já me fazem caso? Que se lixem!
- Não! - Vão buscar vosso telefone de merda!
Calma! Pára!
- Acalma-te, Nathalie! - Porque fizeste isso?
Aqui tem o vosso telefone! Calma!
Estiveste preste a condenar-nos a todos!
Está a sonhar!
- Tiveste muita sorte. - Hala?
- Estás a ouvir-me? - Sim, quem és?
Sou o Gégé. Isto saiu-nos do controle.
- Estamos prestes a... - Olá. Olá, sou o Sam.
A situação é dantesca. Esta gente está maluca.
Mataram o Léo e agora querem que nós o comamos.
- Estamos aterrorizados. - Sam, agradeço teu comentário,
mas neste momento não estamos para brincadeiras.
Continuamos presos no meio da tempestade.
- Há pelo menos metro e meio... - Fazes o favor de te calar
e traz aqui a tua quatro vezes quatro ou arranco-te os olhos
- e dou-os aos hipopótamos! - Porque não mantemos a calma?
Flota?
- Gigi? - Diz.
Aquí fala o chefe do grupo. Esta gente são canibais! Eles...
- Apagou-se. - Apagou-se?
- Não tem batería. - Quem foi o imbecil que o usou?
Era só para emergências! E agora, o que fazemos?
Deve ter sido o Léo.
- Que sacana! - Escutem.
Pelo seu físico, deverão ter comida para dois ou três dias.
- Não, o Léo não dá para tanto. - Mas teremos algum tempo!
Não, não. Daqui a um par de dia estaremos em pedacinhos.
Não vêem que somos as presas deles?
É como o filme "Tubarão" mas em terra.
Terrabarão.
Não tem o mesmo peso.
- Estamos lixados de qualquer modo. - Que merda de programa.
Podiamos ligar ao Macron se tivessemos os telemóveis.
- A quem? - Ao Macron, ele gosta de piadas.
Há tempos que é meu seguidor.
- Não nos vão deixar partir. - Pois não!
Se a equipa não chegar aqui amanhã à noite,
um de nós terá que se sacrificar.
Vamos.
Sei que é difícil, mas... Quem está disposto a fazê-lo?
Qualquer um de vocês, para mim é me igual.
Não, eu não. Não posso fazê-lo, Julien.
Vou tentar fazer uma caixa de ligações com as baterias da camera.
Bom, malta. Basta de tolices.
O telefone está morto. Calem-se e vamos sair daqui.
Amigo, tem cuidado.
Creio que estás a confundie esta situação de crise com familiaridade.
Temos partilhado momentos com o Léo não nos torna amigos.
- Não, achavas mesmo? - Enquanto os caníbais dormem,
este técnico de esquerda si daqui, porque não quer acabar como papa.
- Bravo, óptimo. Covarde! - De esquerda?
O que tem isso a haver? Eu também sou socialista!
Pobrezinha...
- Pobrezinha - Desculpa...
Não és o único que entende de sobrevivência?
- Não te vás embora sem nós! - Espera!
Algum de vocês me ajuda a dobrar a cama?
Algum de vocês me ajuda a dobrar a cama?
Não, não... Não!
Se a algum de vocês apetecer um fondue de cérebro
apenas tem que me meter um crouton pelo ouvido.
Tens água? Passa-a!
- Não trouxeste nenhuma? - Não.
Era mesmo necessária? Porque não disseste?
Não sabem fazer nada sozinhos. São todos umas estrelas mimadas.
Dão um só gole sem abusar e depois devolvem-ma.
- Está bem. - Sem abusar...
- Sombra! - Não pares.
- Apenas um minuto. - Onde está tua humanidade?
Não posso mais, já nem sinto os pés!
Escuta, e se mudarmos de sapatos a cada cinco quilómetros?
Obrigado.
Os amigos servem para isso.
Diz-me, Kévin, ainda continuas solteiro?
Vivo com os colegas. Bom, eles é que vivem comigo.
- Não conhecia essa tua faceta. - Pois.
Não te preocupes. Estou habituado a levar tacos e a correr com eles.
- Sim? - Esse não é o cachecol do Léo?
- Sim. E depois? - E essa é a mochila dele.
Onde quer que esse pobre diabo esteja, já não precisa dela.
Claro. São o pior flagelo deste continente.
Perdão?
Vejamos.
Estamos aqui e a três quilómetros há uma aldeia com um aérodromo.
Basta cruzar este riacho.
Então, porque é que na vinda apanhamos um jipe,
uma canoa e estivemos oito horas numa camioneta com 60 graus de calor?
Porque era preciso aprimorar o espectáculo.
E se eu te der um soco...
Escuta-me, palhaço! Vou deixar as coisas claras!
Não vou fazer de bola. Não sinto admiração por ti.
Teu humor é demasiado brando para mim. Eu gosto de humor negro.
Mas também não sinto admiração por nenhum de vocês.
Assim, a partir de agora, ao primeiro que me falar mal,
- parto-lhe o nariz! - Disse que permanece.
- Mãe que me pariu! - O que acabamos de dizer, idiota?
- Acaba-me de picar um bicho! - Como?
- Aí está. - Vamos!
Foste picado por um Leiurus Quinquestriatxxs.
É a primeira vez que vejo um em pessoa!
Seu veneno é três vezes mais potente que o da cobra do Cabo,
- que por si já é péssima... - O que quer isso dizer?
- Pois... - Pois que vais bater as botas.
- Não, por Deus! - Há que extrair o veneno.
Que venha alguém. Vamos, Nathalie.
- Nem pensar, não te vou chupar o pé. - Mas acabo de dar-te os meus sapatos!
Emprestaste-mos, Kévin, que não é a mesma coisa!
Vamos, são quase teus.
- Minhas costas não são tão largas. - Queres ser tu a chupar?
- Eu? Não. - Vamos, vai ajudar-te, Matador.
- Obrigado. Vamos. - Não te mexas.
Agora, fazes assim e chupas.
Vamos, já é teu, Kévin!
- Chupa! Tu consegues! - Vais deixar-me paralítico!
Bom, é melhor isso que morrer.
- O que fazes? - Anda aqui.
- Não quero morrer. - Há que fazer um corte.
Gégé, deixa-me. Eu faço-o.
- Assim? - Como um filete.
Até logo.
- Está aí! Cuidado! - Onde?
Aí, estás a ver? Olha, olha! Aí, aí, aí!
- É uma escolopendra! - Uma quê?
É inofensiva. Só há que tirar a cabeça e sorver as vitaminas.
Não, não, não...
- Não posso acreditar! - Isso é asqueroso!
Notarás um pouco de febre, nada mais.
Julien, vou matar-te.
Não vale a pena lamentar-se. Sé positivo, agradece por estar vivo.
- Dá-me a faca. - Neste ritmo, acabará sem sangue.
- Temos que cauterizar a ferida. - Não consigo olhar!
- Jamais me tinha cagado tanto. - Posso?
Salvo aquela vez em que confundí o Michael Jordan
com um vendedor ambulante.
Estava com meus amigos numa esplanada e já tinha bebido uns copos...
Hala, cauterizada.
Porque não disseste que tinhas outro par de sapatos?
- Porque não somos amigos. - Cem.
Olhem! A aldeia. Estamos salvos!
Mas não encontro o riacho.
Então as línhas cinzentas eram isto.
Era evidente. Marcam o desnivel.
Merda... Deus.
Deve ser uma brincadeira.
Estamos ao lado!
O que fazemos agora?
Ou contornamos o penhasco para encontrar uma ponte ou pulamos,
escalamos com risco e podemos chegar ao anoitecer.
Ou abortamos e mudamos de plano.
É melhor, porque isto está tão alto que até te cagas.
E eu, o nadar não é lá grande coisa, digamos.
E o impacto sería o mesmo que o de um ovo sobre cimento.
No contrato não havia nada disto. Façam o que quiserem, eu passo.
- Dêem-me as mochilas. - O quê?
Dêem-me as mochilas!
- O que pretendes? - Onde vais?
- O que fazes, homem? - Porque as deitaste fora?
Precisava de peso.
Zero, zero, um. zero, zero, dois. Zero, zero, três.
Quatro segundos, 60 quilos, podemos saltar. Quem vai primeiro?
O quê?
Os heróis não existem na tv, mas sim na vida real.
Quem vai ser o herói?
É porque te faltam as botas de marca?
É porque te falta o público? É porque te falta o teleponto?
Quanto à actriz...
Será melhor nem perguntar.
Não, senhor, sou eu. O Zé Ninguém.
Quem é que vos salvou? Géronimo!
- Tu, palhaço. - Sim.
- Grava no YouTube. Pressiona aqui. - Sim.
Vamos. Façam o mesmo que eu, nada de tolices, certo?
- Bom. - Acção!
Gé-ro-ni... Merda! Raios!
Deixei-me para o final.
Certo. Vamos para este.
Vamos.
Esperem... Morreu!
Não deviamos dedicar-lhe uma oração ou assim?
Que raios é isso?
Pois... uma oração. É como rezam os indianos, não?
A ti não te sobe o sangue à cabeça, pois não?
Em marcha.
Pois... sim.
Parecía calmo, mas tinha o feitio de mil demónios.
- E ainda nos tirou as mochilas. - Raios!
Que saibas que a tua morte foi uma piada!
O xamã nega que a tribo parta à procura deles.
- Diz que são maus. - Não, não. Por favor, grande chefe.
Eles não são pessoas normais, como tu e eu.
São pessoas famosa. Odeiam todo mundo, é normal.
Está bem.
O chefe diz que o clã deve cuidar dos seus convidados.
E que irá procurá-los com os seus melhores homens,
- contra a opinião do xamã. - Obrigado. "Thank you", chefe.
Dizem que o xamã tem razão.
- Wokabi... - Diz-me.
Diz-lhes para os trazerem... vivos.
Ouviste
Ele o quê? Não.
Há tempos que não dava um passeio sem ninguém me pedir uma selfie.
Daria qualquer coisa para estar em um engarrafamento
com um tubo de escapa na cara.
Preciso comer algo, malta.
Um elefante, um macaco... Um urso.
Não há ursos na savana, Kévin.
- Há tempos que não o escuto. - A sério?
- O que comes? - Nada.
- Por favor... - Escuta. Estou...
a comer estas bolinhas que vês no chão.
- Isto? - Sim.
- São fritos naturalmente. - E são bons?
É tipo como uma mistura entre caramelo e alcaparra.
E também não me mata.
Não sinto o gosto a caramelo, apenas a... alcaparra.
Água!
- O quê? - Há água!
Sim!
Sim!
Um momento! ¡Esperem, esperem! Esperem! Esperem!
- Temos que nos esconder. - Onde?
Esconder-nos atrás do leão.
Um momento, malta! Está a abanar a cauda.
Acho que ele me reconheceu!
Deve ser porque os leões vêem muito televisão, Julien.
Reconheceu-me como macho dominante, como líder, como chefe do grupo.
Não, quando abana a cauda quer dizer que está prestes a atacar.
Nat, faz alguma coisa! És a veterinária!
Numa série, Kévin! Sou alérgica aos animais.
Encho-me todos os dias com antihistamínicos!
Está a aproximar-se! Deixa-me a mim!
Na selva...
na terrivel selva...
O que está a fazer?
Morto está o leão. Está o leão...
Na selva... Funciona!
Sim, é a minha voz de barítono, acalma-o.
Na selva... na terrivel selva...
Morto está o leão.
Na selva... Na terrivel selva...
- Morta está... o leão! - Não, não, não. Mais solto.
- Acalma-te, Julien! - Está irritado, Julien. Cala-te.
E quase o tinha controlado.
Vai comer-nos!
Queres deixar-me louca? Não vês que estamos em sarilhos?
Já sabemos que és o rei da savana!
Ainda que sejam as leoas a fazer todo o trabalho!
Assim, se não te importas, vamos beber um pouco da tua água nojenta,
antes de sairmos do teu reino de merda, está bem?
Sim!
É isso!
Vamos, rapazes. Toca a beber!
- Negativo. - Talvez deveríamos...
- Acho que é melhor não correr. - Na selva, na...
- Não comeces outra vez. - Não corram.
- Não corram! Não corrams! - Também não lhe virem as costas!
Um elefantezinho.
- Há que ir mais depressa. - Faço o que posso.
- Queres que te leve aos ombros? - Não precisas de te incomodar.
Temos que avançar se queremos chegar às canoas antes de anoitecer.
Não vás tão rápido, Sr. Sabichão!
De certeza que vamos na direcção correcta?
Parece que o sol se irá por ali.
Por isso, este fica aí!
Sim, as estamos ao sul do equador. Aqui tudo é ao contrário.
A água corre em sentido contrário. Isto é o mesmo. Dá-me o teu relógio.
Com cuidado, que foi uma prenda.
O que fazes? Estás louco? É o meu relógio do Usain Bolt!
- Logo comprarás outro. - Usain deu-me nos Jogos do Río!
- Era dele! - Não sejas tão materialista, Sam!
Isso faz parte do passado. Olha para a bússola que fiz.
Fui escuteiro toda minha infância e pioneiro até aos 23 anos.
- Sei bem o que faço. - E porque não usaste o teu?
- Tinhas outro relógio? - Escuta.
- Porque não usaste o teu. - Foi prenda do presidente da estação.
Achei que com o relógio do Usain Bolt sairiamos daqui mais depressa.
Por amor de Deus, Julien!
Agora estamos perdidos no meio do nada!
E para nem dizer que está a anoitecer!
- Estão rápidos. - Incrível.
Foi uma coisa minha?
Que pesadelo!
Não, não. Não...
"Isto não são umas férias" dizia ele. Grande imbecil!
Vai mais depressa. Escuta, Kévin.
Não vais conseguir nada com uns óculos de sol.
Além disso já é noite, não estás a ver?
Ser impossivel não significa que não o consiga fazer.
O que tu disseres.
Geronimo! Giro...
Senhoras e senhores, boa noite.. Julien Gosset-Grainville...
em directo naquela que talvez será a nossa última noite.
Uma noite fría e gélida.
Só nos resta uma opção: compartilhar nosso calor humano.
Como essas pobres almas... perdidas.
- Vem aí alguém? - Não é um animal?
- Onde? - Há pessoas!
- Estamos salvos! - Venham! Estamos aqui!
Estamos aqui! Estamos aqui!
São os malawas. São os malawas!
- Encontraram-nos! - Vão destripar-nos vivos!
Vão fazer de nós espetos! Têm tigres!
- Socorro! Ajudem! - Corram! Corram!
- Socorro! - Sou demasiado bela para morrer!
Não se separem! Não se separem!
Esperem, já os perdi!
- Retirada! - Esperem por mim!
Soltem-me, desgraçados!
Solta-me, disse para me soltares!
Têm fome? Bom proveito!
Pára! Estás a bater-me!
Merda, outra vez! Acabou-se.
Retirada! Retirada!
Não nos vão ferrar os dentes, bastardos! Não somos hamburgueres!
Um momento, um momento. O que fazem agora?
Vão-se embora?
Vão-se embora! Vão-se embora!
- Mostramos-lhes como é! - Ganhamos!
Sim!
Não podemos demorar aqui. Vão voltar com facas!
- E com garfos! - E com pratos!
Merda!
E se formos mais para norte? Mais para norte?
Se entrarem no deserto, estão mortos.
Falta muito para chegar?
É só uma faixa de areia. Se formos a direito para leste,
em breve encontraremos uma aldeia de pescadores.
- Estou a morrer de sede. - Tal como todos.
Diria que já tinhamos passado por aqui.
- Deixa-me ver. - Não?
És idiota ou quê?
- Tua bússola não se mexe! - Não!
- Quando está quieta indica o norte. - Deixa-me ver.
O norte está por aqui mas também está por aqui, não é?
E parece que por aqui também! Vês? Tem que estar má!
Não, mulher. Digo-te que o norte...
- é por aí. - Seguimos-te há um dia.
E agora estamos perdidos no deserto!
Arruinaste o meu relógio! O meu relógio!
Para nos perdermos neste deserto de merda!
E eu estou quase a desmaiar!
Então e eu? Eu também existo!
Vou deixar as coisas muito claras, rapazes.
Se morrermos todos juntos neste deserto, apenas falarão de mim.
Porque a única que desperta paixões aqui sou eu!
- A diva! - Devo dizer que não interessas nada.
- Até os leões passam por ti! - O quê? Vou matar-te!
Tentou assassinar-me! É uma maldita psicópata!
As minhas costas! Não me consigo mover!
- Creio que estamos presos. - Não se mexam!
Não consigo respirar!
Somos demasiado inúteis até para lutarmos.
Espera, levanta o braço. Levanta-o!
Eu corri toda minha vida.
E para quê?
Para morrer no meio do deserto, rodeado de imbecís.
Fui incapaz de atender o telefone ao meu filho no aeroporto.
Eu teria dado tudo para estar no centro das atenções,
e parece que no final acabarei queimado.
Devias ter aproveitado para observar a beleza deste mundo.
Aprender a partilhar com as pessoas que amamos.
Tomar consciência do sonho que temos de estar vivos. E...
Visitar estas terras.
- Foi isso que o Kévin disse? - Sim.
Foi como se uma galinha tivesse feito uma multiplicação.
Porque choras?
Posso ter marcado mais golos, mas eu tinha um sonho!
Queria escrever canções e cantar.
- A sério? - E já não o poderei fazer.
Vês como havia algo de bom em ti?
Deixa-o.
Este é o fim do fim do fim.
Sim.
Senhoras e senhores, boa noite.
Estamos aqui, espera! Espera!
Não te vás, por favor! Acorda!
O helicóptero já está aqui!
- O helicóptero! - Aqui!
Espera! Aqui!
Aqui!
- Não! - Viram-nos, não?
- Venham! Vamos! - Viram-nos!
Estamos salvos, por fim!
- Vamos! - Dá-me uma ajuda, vamos!
Vamos!
Venha! Venha! Um pouco mais.
Não parem!
Vamos!
Venham!
Já estamos.
Vem cá.
Sim!
Vamos.
É a equipa!
Sim!
Disse-lhes que era por aqui.
Estamos vivos!
Estamos aqui!
- Gigi! Gigi! - Gigl! Que alegría ver-te!
O que fazem aqui? Encontraram-nos?
- Fizeram papa deles. - Mataram-no!
- E comeram-no. - Comeram-no!
- Comeram-no! - Mas quem?
Isto é que é vida!
O quê?
Não...
Conseguiram!
Todo mundo anda à vossa procura!
Os malawas, a policia; mantiveram a França em suspense!
- Tu não estavas morto? - Que nada!
- Não te comeram? - Estás inteiro!
Já quase temia o pior,
sobretudo após ver o Géronimo feito em caldo.
Olá, malta.
Fixe.
Anda! Ainda está vivo?
Parece que sim. Disseram-me que faltaram ao respeito aos malawas.
O quê? Eles não nos iam comer?
Mas o que dizes? Sairam para vos procurar!
Não!
Mas que monte de anormais!
Vinham resgatar-nos.
- Fomos uns idiotas. - Sim, uns idiotas.
- Exacto, uns idiotas. - Certo, não é preciso repetir.
E já tem material suficiente para que a montagem final fique boa?
Bom, vamos desenrascar-nos. Como sempre.
Disfrutem dos "Encontros no Fim do Fim do Mundo" com Vreal.
Para ti.
Penso conhecer cada um destes meninos e chamá-los pelo seu nome. Isso mesmo.
- Consegui! Consegui! - O quê?
A familia, o amor, o respeito.
São os valores que eles nos incutiram,
mas a realidad é que é assim desde o principio dos tempos.
Sua gente, seu carácter, seu sorriso... sua simplicidade.
Este sitio faz com que me sinta uma pessoa melhor, um ser humano melhor.
Boa noite.
Bem vindos a este memorável encontro no fim do fim do mundo.
Com todos vocês, os heróis.
- Boa noite. - Boa noite.
Bem vindo, Sam. Bem vindo, Kévin. Bem vindo, Julien. Bem vinda, Nathalie.
Já está.
Vamos pôr-nos em posição.
Decidimos fazer umas filmagens nocturnas
com o nosso camera, Géronimo, que hoje nos acompanha.
Bravo!
Vão afastar-se do acampamento e de repente... perdem-se.
Durante trinta e seis horas vão ter todos com o coração nas mãos,
enquanto que vocês, perdidos na imensidão do deserto,
escapam à morte.
Uma experiência que vos marcou para toda a vida.
Assim, Sam, diz-me...
- o que mudou para ti? - Isso é evidente.
Programei mais quatro actuações extras que esgotaram em 5 minutos.
Raios! Sim?
Parabéns! Bravo.
Fico feliz por esgotarem,
mas depois espero poder tirar um anos sabático,
e ir durante algum tempo para a California.
Agora preciso de passar mais tempo com o meu filho,
antes que ele se canse das piadas do seu pai.
- Duvido que isso aconteça. - Que comovedor.
Obrigado.
Agora vamos falar com o Julien.
Tenho a sensação de ter havido um antes e um depois.
- Sim, é verdade. - Disseram que ias deixar París
- para mudar-te para Biarritz. - Ao viver esta experiência...
parece que aceitei finalmente que o tempo passa.
Mas isso não é tão dificil quando estás rodeado de gente que amas,
como a minha mulher, Alice.
Isso merece um aplauso.
Nathalie, teu nome está n boca de todos produtores de cinema.
Significa que a Véro a Veterinária, se vai retirar?
- Não! Não, não... - Que dizes! Aproveita já!
Não, a sério. A verdade é que esta noite
não me apetece falar da minha carreira nem da minha vida.
A única coisa que sei é que tenho a necessidade de ajudar os outros.
É muito nobre da tua parte.
Grande!
Mereces isso, Nathalie. Bravo.
Kévin, diz-me, o que mudou para ti?
Bom, pois... Pouca coisa.
- Não o ouves, Kévin? - Isso!
Número um em vendas, quase nada! Vamos lá vê-lo, Kevin. Bravo.
Kukazanda, kukazanda.
Compartilhar a vida juntos.
Todos somos uma. Todos somos um.
Ku-ka-zan-do!
Todos somos uma. Todos somos uma.
Ku-ka-zan-do!
Bravo!
Apenas quero dizer que fui eu que escrevi a letra
- e para mim isso é importante. - Sinto muuito interromper, mas...
o que acham de deixarmos de falar de nós
e fazer um pequena homenagem aos malawas, esse povo orgulhoso,
nobre, que vive feliz com tudo que Deus lhes deu, que é nada?
Certo.
De facto, deram-nos uma lição de vida que nunca esqueceremos,
- o que é a humildade. - A humildade.
Tenho impressão de que esta aventura vos...
- uniu para sempre. - Sim, é verdade.
E mais, até diria que nos nos tornamos muito amigos.
E tu que o digas!
Por outro lado, devo anunciar que segundo a última noticia
do "Le Journal du Dimanche",
são as quatro celebridades...
favoritas dos franceses.
O quê? Não!
Boa! Muito bem!
- Humildade, humildade, humildade. - Claro.
- Tudo que sobe, desce. - Muito bem dito, Kévin.
O que fizeste foi muito humilde, já que és tu o número um.
- Não! - És número uno, graças ao teu single.
- Não entendo. - Voltamos após uma pequena pausa.
Espera, espera. O número um de quê?
- Que é isso do número um? - Apenas votaram os hooligans?
- Significa que sou o mais popular. - Não é por isso. Espera.
Que sejas popular não impede que sejas um imbecil.
- Mas o que tens tu? - Não, Julien. Basta.
Se te tivessem visto a atirar pedras aos malawas,
duvido que fosses número um.
- E deste-lhes mesmo. - Falamos de ti?
De que vais à California para gravar teu espectáculo em inglês?
- Decepcionas-me, Sam. - Em antena em vinte segundos.
Vamos acalmar-nos um pouco! Escuta-me, Julien.
Ainda não disseste à tua mulher que voltas a trabalhar o mês que vem?
E como director de informação! Como director de informação!
- É para melhorar as audiências! - Podemos acalmar-nos?
- Em antena em cinco segundos. - Agora sei porque teu noivo te deixou!
- Mereceste isso. - Vamos entrar em directo, malta.
- Krabou! - Géronimo, ajuda-me!
- Krabou! - Vou arrancar-te a cabeça!
- Estamos em antena! - Vem cá. Vem cá!
Sentem-se já, por favor! Estamos em directo.
- Solta-o! - Vem ajudar-me, Gerónimo!
- Krabou! - Estamos en directo!
LEGENDAS BY DRAKKEN
Agora tenta chutar o mais forte que consigas com o o peito do pé.
Vês? Isto é o peito do pé. O peito do pé.
Peito do pé direito ou esquerdo segundo a tua ergonomía.
De acordo? Deixamos a teoria e passamos à práctica.
Olha, olha. Olha para o "Matador". Atenção.
Isso mesmo!
Era um árabe, um chinês e um belga.
E um malawa. Já são quatro. E vão... Não.
Um árabe, um chinês e um belga vão num avião
e o piloto diz-lhes: "Não tem o suficiente?"
É que em França fazemos sempre piadas
com um belga, um árabe e um chinês.
Cada noite saio numa caixa pequena para falar às familias
e as pessoas gostam de me ouvir.
Pode ser que algum dia, espero que muito em breve,
a televisão chegue a esta aldeia.
Porque isso significaria que vosso modo de vida teria...
Sim, Krabou!
Muito bem.
Sou especialista no Antigo Egipto.
E conheço toda a dinastia de Imhotep.
Conheces o Imhotep?
Bom, há uma mulheer, a malvada rainha, Fopatep.
E dentro desta grande dinastía...
está o neto que quer tomar o poder, Kikatep,
que foi assassinado por Nohesidoyoketep.
Certo. Vocês são um público difícil.
Nathalie, anda cá. Anda cá.
Olha.
Estás a ver? É uma "Tripfwopkwuum Spectamm".
- Uma planta carnívora muito rara. - Não.
- O quê? - É a outra planta.
Tens razão. É essa. É essa.
Entendo. Tens o mesmo de aventureiro que eu de veterinária.
- Que pesadelo! - Corta já.
Kukazanda, kukazanda.
Compartilhamos a vida juntos.
Kukazanda, kukazanda.
Compartilhamos a vida juntos.
Kukazanda, kukazanda.
Compartilhamos a vida juntos.
Kukazanda, kukazanda.
Compartilhamos a vida juntos.
Todos os homens são iguais Todos os homens são iguais
Ku-ka-zan-do!
Todas as mulheres são iguais Todas as mulheres são iguais
Ku-ku-ku ka-ka-ka-kazan-do!
Todos com fome: somas amigos, aprendamos a compartilhar a vida!
Todos com fome: somas companheiros, aprendemos a compartilhar o pão.
Todas as fémeas: somas colegas, aprendemos a compartilhar a água
Ku-ka-zan-do!
Em vez de "acção" digo "cortem".
- Minha mãe! - Que maravilha, a virgem!
Meu Deus!
Mandei que mo trouxessem antes de vir...
Espera, o que se passa aí? Antes de vir para aquí.
Quando estudas o problema, encontras a solução.
Porque isso é a França.
Cortem.
- Perdão. Sinto muito. - Deixa-me. Deixa-me apanhá-la.
Que te deixe o quê?
Acção!
Isso vai ajudar-te, Matador.
Perdão, não tenho a mochila.
Vai buscá-la. Eu espero-te aqui.
Tem que voltar aos vossos sitios.
Que teve um encontro fatal...
Como aquele que eu estive prestes de ter.
Kevin... toma. Límpa a merda da frente, queres?
Perdão. Podemos repetir outra vez, se possivel? Lamento.
- Acção! - Vamos!
Tem o verme Mapongo em cima!
- Lamento, não o apanhei bem. - Estava a fazer isto muito bem!
Certo.
O que é a fama? Digam-me, o que é a fama ao fim e ao cabo?
Descia do avião e diziam: "Ramzy"! Agora quando desço dizem: "Sam"!
São minhas! Dá-me as minhas pipocas! Dá-me!
Não, se ele não se importar.
- Agora, o que tinha a dizer? - Vejo que não fizeste os deveres.
Morde.
Rico!
Géronimo!
Não me lixes! Tenho um macaco á minha frente.
Segunda tomada.
Acção!
Perdão!
Terraburão.
Não tem o mesmo gancho.
Repetimos. Não tem o mesmo gancho.
O jornal está em alemão, podias mudá-lo?
Sim, Vanessa?
Esse peitinho!
Quando te moves, moves-me também a mim.
- Queremos que ela saia sozinha. - Sim, eu entendo.
- É Vero. Vero, a veterinária. - Já a faço eu. Aqui tens.
Obrigado.
Corta, Gégé.
Obrigado.
Obrigado.
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