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Egito,
a fonte mais rica de tesouros arqueológicos do planeta.
Este é fabuloso.
Sob esta paisagem de deserto
estão os segredos desta civilização antiga.
Uau! Percebe-se porque os faraós escolheram este local.
Agora, numa temporada completa de escavações,
as nossas câmaras receberam acesso sem precedentes
e seguem equipas na linha da frente da arqueologia.
Conduzo depressa porque estou empolgado.
É uma entrada. Vemos uma entrada.
Revelam segredos enterrados.
Disseram-me que encontraram algo.
Meu Deus.
Uma esfinge!
E fazem descobertas que podem reescrever a história antiga.
Desta vez,
a caça ao túmulo perdido da rainha Cleópatra.
Colleen procura pistas nos hieróglifos.
Aqui vemos Cleópatra como a deusa Ísis.
Alejandro examina múmias antigas num hospital egípcio.
Temos amuletos.
E Kathleen faz uma descoberta subterrânea surpreendente.
Céus.
Segue na direção do templo.
TESOUROS PERDIDOS DO EGIPTO
O TÚMULO PERDIDO DE CLEOPATRA
O Antigo Egito,
um reino de grandes faraós e um berço da civilização.
Após 3000 anos,
este império chegou ao fim
com a última faraó,
a rainha Cleópatra.
Há séculos que esta mulher enigmática
capta a imaginação do mundo,
mas a localização do túmulo dela ainda é um mistério.
Atualmente, arqueólogos procuram pistas por todo o Egito.
Os conceituados egiptólogos Colleen e John Darnell
são especialistas em decifrar hieróglifos.
Vão a caminho do Vale dos Reis.
Vamos ao local dos túmulos
de quase todos os faraós do Império Novo.
O vale é um labirinto com 65 túmulos escondidos.
Formam um dos maiores cemitérios reais do mundo,
mas nem todos estão terminados.
Hoje vamos ao túmulo inacabado de Ramsés XI.
É o último túmulo cuja construção foi começada no Vale dos Reis.
Muitas vezes, os projetos inacabados no Egito
podem dizer-nos mais do que o projeto terminado.
Ramsés XI reinou mais de mil anos antes de Cleópatra.
Quando morreu, o túmulo dele nunca foi usado.
Podemos ver a fase inicial da decoração do túmulo.
Já é uma representação linda de Ramsés XI.
Sabemos exatamente quem vemos,
por causa das cartelas dele diante do rosto.
Parecem ter planeado
o que seriam ilustrações e textos notáveis
na parte inicial do túmulo.
O túmulo de Ramsés XI
situa-se a leste do Vale dos Reis.
As câmaras cavernosas e salões com colunas
revelam como o faraó devia ter sido enterrado.
Mas a parte de trás do túmulo está inacabada.
Após 500 anos de túmulos de reis e rainhas no vale,
o túmulo de Ramsés marca o fim de uma era.
Ramsés XI abandonou o Vale dos Reis
e mais nenhum faraó foi aqui sepultado.
Este é o fim de um legado,
os reis deixaram de ser enterrados no Vale dos Reis,
mas é também o início de algo novo,
de túmulos reais que terminam com Cleópatra.
Os historiadores creem que este cemitério real foi abandonado
por causa dos saqueadores,
mas ninguém encontrou o cemitério dos últimos faraós do Egito:
Cleópatra e a linhagem dela.
Onde estará?
Quando o vale deixou de ser utilizado,
a sede do poder do Egito mudou para norte,
para Alexandria.
A última grande dinastia de faraós teve a capital aqui,
para explorar o comércio no mar Mediterrâneo.
O arqueólogo Dr. Ross Thomas, do Museu Britânico,
procura na antiga capital indícios que possam levar a Cleópatra.
A cidade antiga tinha cerca de 500 mil habitantes,
no século I a.C.
Era um dos portos e cidades mais importantes do Mediterrâneo.
A cidade portuária de Alexandria foi fundada por Alexandre Magno,
que conquistou o Egito há 2300 anos.
Era famosa pelos seus palácios, estátuas, pela biblioteca
e por um farol colossal com mais de 110 metros de altura,
uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Nessa época, o Egito foi governado pelos sucessores de Alexandre,
os faraós gregos chamados Ptolomeus.
Mas essa linhagem terminou quando o país foi conquistado por Roma.
A última faraó do Egito foi a rainha Cleópatra.
Muitos arqueólogos pensam que ela será encontrada num cemitério real
algures em Alexandria, a capital construída pela família dela.
Mas é difícil procurar aqui.
A cidade antiga foi atingida por vários terramotos
e grande parte encontra-se debaixo do mar.
- Temos pesos? - Sim.
Atim, podemos preparar o meu equipamento?
O professor Emad Khalil, da Universidade de Alexandria,
começou a explorar a cidade submersa há mais de 20 anos.
Está muito atento ao túmulo de Cleópatra.
Ainda não foi encontrado em Alexandria,
mas, como dizemos sempre,
há outras cidades sob a atual Alexandria.
Os indícios da antiga capital de Cleópatra
estão espalhados no fundo do mar.
Cacos de olaria,
colunas enormes,
obeliscos tombados,
e o que acreditam ser uma das entradas do farol famoso.
Havia imensas colunas e bases de colunas,
centenas de blocos estruturais muito grandes.
Creio que vimos parte de um obelisco e parte da entrada do farol.
É extraordinário.
Cada mergulho fornece dados novos que Emad e Ross investigam,
mas não há sinais do túmulo de Cleópatra ou de familiares dela.
Supomos que quereriam ser sepultados na cidade deles.
Normalmente, há um cemitério real
com todos os túmulos dos reis e rainhas.
E se Cleópatra não foi sepultada em Alexandria?
Uma mulher pensa que todos têm procurado no sítio errado.
48 quilómetros a oeste de Alexandria,
numa cidade antiga chamada Taposiris Magna,
há um templo pouco conhecido.
Aqui, Kathleen Martinez,
uma advogada que se tornou arqueóloga,
procura algo.
Este é um dos momentos emocionantes de uma escavação.
Há uma década que ela tenta provar
que a rainha Cleópatra está enterrada sob este templo.
Desde criança que queria ser arqueóloga,
mas os meus pais convenceram-me a estudar Direito.
Tornei-me advogada.
O conhecimento e a informação que obtive enquanto advogada
são combinados com a arqueologia
e foi assim que segui Cleópatra até Taposiris Magna.
Kathleen é da República Dominicana, nas Caraíbas.
Há 13 anos, abdicou da advocacia
e começou as escavações neste templo.
Revelámos muitas estruturas importantes
que provam que este templo estava ativo
na época da rainha Cleópatra e dos faraós gregos.
Este pode ser o lugar perfeito para o túmulo perdido de Cleópatra.
Aos 18 anos, Cleópatra tornou-se faraó,
após a morte do pai dela, Ptolomeu XII.
Ela governou durante 21 anos.
Perante a ameaça de uma invasão romana,
ela formou alianças com o inimigo.
Primeiro, cortejou Júlio César e teve um filho dele.
Depois, teve uma relação com Marco António.
Em 31 a.C.,
a marinha romana, liderada por Augusto,
atacou o Egito.
Para evitar a captura,
reza a lenda que Cleópatra se suicidou
com a mordida de uma cobra venenosa.
Ela ameaçou Roma e os romanos receavam-na.
Ela pensava que podia conquistar o mundo,
mesmo sendo mulher.
Era uma guerreira e alcançou o impossível.
É por isso que é a minha heroína.
Tentarei fazer tudo o que puder para encontrar o túmulo dela.
Kathleen crê que Cleópatra pode estar sepultada neste local.
Nesta temporada, ela tem uma pista promissora,
fora do templo, a 90 metros das muralhas,
um vazio estranho no terreno.
Encontrámos um corte na rocha.
É um poço.
Tentamos perceber para onde nos leva.
Kathleen crê que o poço pode levar ao túmulo perdido de Cleópatra,
escondido debaixo da terra,
mas é perigoso escavar neste local.
Vamos, amigo. Não brinquem com essas cordas.
É perigoso, porque o balde pode virar-se
e atingir os homens que estão lá em baixo.
Com a possibilidade de entrar numa cavidade subterrânea,
receiam que o piso do poço possa desabar.
Pode cair a qualquer momento.
É uma entrada. Vemos uma entrada.
É uma descoberta importantíssima.
O poço vai dar a um túnel.
É emocionante. Tenho de ver o que é.
Está escondido há 2000 anos.
Por todo o Egito,
a caça por túmulos perdidos continua.
Oitocentos quilómetros a sul de Alexandria
fica a cidade antiga de Assuão.
É aqui que o arqueólogo espanhol Alejandro Jiménez-Serrano
lidera uma equipa grande
que trabalha na antiga necrópole de Qubbet el-Hawa.
Tem um dos maiores conjuntos de túmulos intactos do Egito.
Alejandro procura sepulturas não marcadas e túmulos perdidos.
Este local vasto é mais antigo do que o Vale dos Reis
e pensa-se ser o cemitério de muitos nobres abastados.
Hoje, ele trabalha num dos túmulos antigos.
Tenta identificar quem foi sepultado lá.
Infelizmente, não tem inscrições.
Não sabemos quem é o dono ou que família ocupou este túmulo.
Só podemos saber em que período foi construído,
por causa do estilo.
No interior do túmulo,
a equipa acaba de encontrar duas múmias enterradas.
Quando afastam a areia,
Alejandro faz uma descoberta surpreendente.
É a ponta de uma linda máscara mortuária dourada.
As máscaras mortuárias são muitas vezes de camadas de linho
ou de papiro reciclado,
depois embebidas em gesso.
Isso forma um material forte semelhante a papel machê,
chamado cartonagem.
Ainda molhada, a cartonagem é moldada à imagem do falecido
e depois pintada.
Muitas vezes, o nome era escrito na máscara,
com inscrições que ajudariam a levar o falecido
para a vida depois da morte.
Este ritual funerário antigo continuou mais de 2000 anos,
até à época de Cleópatra.
A qualidade da cartonagem é incrível, com muita cor.
Tem texto.
Parece ser possível ler o nome do dono original.
Antes que Alejandro possa dar um nome a este corpo antigo,
a equipa terá de retirar a máscara frágil.
Usam pincéis suaves para remover a areia, grão a grão.
Depois, fortalecem a máscara com papel revestido com resina,
para que não parta.
É um privilégio
e é fantástico ter a oportunidade
de trabalhar com material inalterado.
Em Taposiris Magna...
Eles cuidam muito bem de mim.
Não estão habituados a ver mulheres a descer o poço.
Kathleen Martinez desce num poço com 2000 anos.
Ela acredita que a pode levar ao túmulo perdido de Cleópatra.
Mas há um problema.
Céus!
Os túneis estão cheios de água.
O poço vertical desce seis metros
e vai dar a dois túneis estreitos.
Temos túneis,
perfeitamente cortados na rocha.
Um deles para seguir para norte
e o outro vai para sul.
A água nos túneis dificulta muito a exploração,
mas Kathleen quer avançar.
Vejam. Céus.
É tão sinistro. Vejam.
Há uma porta no fim do túnel.
Mas está quase totalmente coberta de água.
Agora que vê a qualidade do trabalho em pedra
e o esforço necessário para criar estes túneis,
Kathleen tem a certeza de que vão para um lugar importante.
Tentei entrar, mas é mais fundo.
Quase caí.
Por isso...
Tenho de bombear a água.
Tenho de explorar esta porta.
Kathleen tem de encontrar uma bomba de água
para explorar os túneis alagados.
Não se pode andar ou rastejar, por causa da água. Não é seguro.
Será uma das maiores aventuras da escavação.
Temos de saber o que existe.
Kathleen acredita que o túmulo perdido de Cleópatra
está escondido algures neste local.
Ela tem indícios de que o templo está associado à deusa Ísis.
Kathleen pensa que essa é a maior pista, até agora.
Há indícios arqueológicos de que o templo
era talvez o centro religioso mais importante para Ísis, no norte.
Sabemos que a rainha Cleópatra
foi sepultada num templo de Ísis.
Pode ser o lugar perfeito para o túmulo perdido de Cleópatra.
Mas quem era Ísis e qual é a ligação dela a Cleópatra?
610 km a sul de Taposiris Magna, nas margens do rio Nilo,
fica o complexo de templos de Dendera.
Partes deste local vasto são dedicadas a Ísis,
uma deusa egípcia muito adorada na época de Cleópatra.
É aqui que a Dra. Colleen Darnell continua a sua busca
por pistas sobre a vida de Cleópatra
escritas nos hieróglifos.
Estamos no templo de Dendera.
Uma das imagens mais importantes é uma representação de Cleópatra.
O templo foi construído há 2000 anos
e tornou-se um local de culto importante para os Egípcios.
Ao longo dos séculos,
vários faraós esculpiram o seu nome e imagem aqui,
para serem venerados, incluindo Cleópatra.
Este título é "senhor das duas terras",
referindo-se ao Alto e ao Baixo Egito,
Cleópatra.
Cleópatra tomou uma decisão astuta.
No templo, ela usa o toucado simbólico de Ísis.
Aqui, vemos a representação famosa
de Cleópatra como deusa Ísis.
Aqui, temos Cleópatra e o filho dela, Cesarião.
Cleópatra tem uma peruca longa,
os chifres e o disco solar, com penas de avestruz por trás.
Cleópatra queria ser vista pelos súbditos
como a encarnação terrestre de Ísis.
Ela fazia uma ligação profunda
a uma das deusas mais populares da época.
Ísis era conhecida pelos poderes de cura e proteção
e adorada pelos Egípcios e pelos Gregos.
Imortalizando-se como Ísis na parede do templo,
Cleópatra esperava manter o apoio e o amor do seu povo.
Conseguiu.
Quando Cleópatra se pôs no lugar de Ísis,
proclamou a identidade dela de governante divina.
Em Taposiris Magna,
Kathleen pensa que a ligação de Cleópatra a Ísis
pode significar que está sepultada sob este templo.
Agora, a equipa retira a água dos túneis alagados,
mas vai demorar até que possa explorar.
Está a funcionar.
É um grande alívio ver que funciona.
Hoje ou amanhã, vamos poder explorar.
É tão emocionante!
Kathleen crê que Cleópatra pode estar numa câmara subterrânea
e que os túneis a podem levar até lá.
Ela encontrou o poço com tecnologia de radar.
Com uma possível descoberta importante a poucos metros,
ela trouxe equipamento de uso militar mais sensível
para analisar melhor a rocha.
Para mim, o futuro da escavação é com um georradar.
Era uma tecnologia usada para fins militares,
para procurar túneis e cavidades.
É uma tecnologia perfeita para o meu trabalho.
Podemos fazer um perfil aqui?
Quando avançam o radar,
ele emite ondas de rádio no solo.
Aqui, tem cerca de 15 metros de profundidade.
Os dados do radar terão de ser enviados para análise.
Devem revelar qualquer zona oca subterrânea,
e talvez até a localização da câmara funerária de Cleópatra.
Fico sempre muito empolgada.
Na escavação,
tudo depende da equipa que bombeia a água dos túneis.
Enquanto o trabalho continua na escavação,
Kathleen participa num evento importante no Cairo.
É bonito.
- O que acha? - É bonito. Meu Deus.
No Museu Egípcio,
centenas dos achados de Kathleen são exibidos pela primeira vez.
Vêm todos da escavação dela em Taposiris Magna,
encontrados ao longo de dez anos.
Kathleen crê que cada peça dá mais valor à teoria dela
de que Cleópatra pode estar sepultada lá.
Descobrimos cerca de 200 moedas.
Por exemplo,
esta é uma moeda da rainha Cleópatra.
Procuro a rainha Cleópatra
e foi a primeira vez que estive frente a frente com a minha heroína.
Foi um momento emocionante na escavação.
Vamos trocar este com este.
Estive a pensar.
Quando era pequena, na República Dominicana,
sonhava que um dia
ia fazer descobertas no Egito.
Todos na República Dominicana,
os professores e os meus pais, disseram que nunca aconteceria.
Agora, estamos a exibir 350 objetos.
Para quem começou como arqueóloga amadora,
Kathleen tem o mundo a olhar para os achados dela.
Nós tínhamos o desejo de mudar a História.
É um dos melhores momentos da minha vida.
A exposição é apenas uma apresentação do meu trabalho.
O trabalho a sério, o que nos entusiasma mais,
é na escavação, onde continuamos a procurar.
Na escavação,
há um problema com a bomba de água.
Endireita.
Mohamed, o que aconteceu?
Não sei. Talvez não haja eletricidade.
- Foi cortada. - Sim.
- Não está a funcionar? - Não, parou.
Depois de tanto esforço, não há eletricidade na zona.
Só temos mais algumas horas hoje
e o dia de amanhã.
A licença do governo para escavar neste local
só dura mais um dia.
É uma corrida contra o tempo para explorar os túneis.
Temos muitos desafios,
mas nunca desistimos.
Na necrópole de 4000 anos de Qubbet el-Hawa,
a equipa de Alejandro encontrou uma máscara mortuária rara
feita de cartonagem.
Espera que lhe diga o nome de quem foi aqui sepultado,
mas decifrar os hieróglifos pintados na superfície dourada
revela-se difícil.
Não consigo ler bem os hieróglifos todos.
Será melhor fazê-lo depois da consolidação e da limpeza.
A equipa de Alejandro começou o processo meticuloso
de extrair a máscara.
A tarefa é dificultada
porque está sob os ossos do proprietário.
É um momento delicado,
porque temos restos humanos que tocam na máscara.
E não queremos destruir a cartonagem.
Estão a retirar a cartonagem.
Genial.
A máscara antiga é cuidadosamente retirada,
mas sai em várias partes,
unidas com resina e papel, para que não se danifique mais.
É mesmo incrível.
Estou a verificar se há um nome.
Sim, há mais hieróglifos.
Aqui está o nome. É pela alma de...
Seti Hacaib a Inet.
Alejandro tem agora o nome do corpo desconhecido,
mas ainda não sabe o papel que tinha na sociedade.
Agora, temos de ver as publicações,
para saber se há alguma referência na vizinhança ou noutros documentos.
Mas é fantástico.
A máscara mortuária é levada para o laboratório,
onde será analisada.
A equipa tentará voltar a uni-la, como um puzzle.
Pode haver mais segredos a revelar sobre este homem misterioso.
Em Assuão, no outro lado da escavação,
Alejandro encontrou várias múmias intactas.
Ele procura pistas para a sua identidade,
que podem estar escondidas nas faixas antigas.
Para as manter intactas,
os arqueólogos já não podem abrir as faixas.
Há cem anos, era comum cortar as faixas.
Hoje, felizmente, temos técnicas não invasivas.
A ideia é ir
ao hospital universitário, em Assuão,
onde têm TAC muito boas.
Ao fazer uma TAC aos corpos,
Alejandro espera examinar como morreram
e ver se há objetos funerários escondidos no interior.
É possível que haja um punhal
ou um objeto de metal no interior.
Podemos confirmar com que idade morreu,
se teve alguma doença.
A TAC vai dar-nos muitas informações.
No Vale dos Reis,
John e Colleen Darnell continuam a procurar pistas
sobre a vida e a morte prematura de Cleópatra.
No interior do túmulo do faraó Seti I,
examinam inscrições que podem esclarecer
como Cleópatra decidiu suicidar-se.
Os túmulos do Vale dos Reis
foram construídos na época áurea da civilização egípcia.
Tesouros e decorações revelam o simbolismo
que teve um papel crucial no sistema de crenças.
O túmulo do faraó Seti I encontra-se no sudeste do vale.
É o mais profundo e o mais decorado.
Nas paredes há imagens de deuses e deusas
do centro da sociedade egípcia,
um sistema de crenças que durou até à época de Cleópatra.
No túmulo de Seti I,
vemos uma representação fantástica da deusa Uto,
nos hieróglifos.
Ela é a cobra que está na testa do rei.
Uto era a protetora do Egito e dos seus faraós.
Assumia frequentemente a forma de cobra,
quase sempre uma naja-egípcia.
Reza a lenda que Cleópatra se suicidou
com a mordida de uma cobra venenosa,
quando foi encurralada pelo exército romano invasor.
Esta imagem foi pintada
mais de mil anos antes do suicídio de Cleópatra.
Ter escolhido este símbolo antigo dos faraós,
a áspide, para se suicidar,
mostra que usa o maior símbolo real,
quer ter uma ligação ao que veio antes,
ao passado antigo do Egito.
Cleópatra, ao longo da vida e da morte,
era obcecada pelas tradições do Antigo Egito.
Em Taposiris Magna,
Kathleen crê que está mais perto do túmulo perdido de Cleópatra.
A temporada de escavação aproxima-se do fim
e ela quer ver se os túneis vão dar a uma câmara funerária.
- Está a funcionar? - Sim, porque hoje há eletricidade.
A equipa bombeia água há dois dias,
mas cortes de luz atrasaram muito o processo.
Água.
Talvez eu possa descer para tentar ver.
E vou explorar.
Vamos começar?
Estou pronta.
Vamos ver a porta.
É a primeira vez que Kathleen pode explorar os túneis.
Meu Deus.
Ela começa pelo túnel que se afasta do templo.
O túnel continua.
Veem?
Posso ver que continua.
Continua.
Ainda há água aqui.
Vamos seguir na outra direção.
Com o caminho ainda alagado, Kathleen tem de voltar para trás.
Explora agora o segundo túnel.
Vira.
Vou avançar um pouco mais.
Continua.
Segue na direção do templo.
Fizeram aqui um corte enorme na rocha, para virar.
É uma grande descoberta.
Há algo muito importante aqui em baixo, sem dúvida.
Estes túneis demorariam meses ou anos a esculpir à mão.
Kathleen crê que vão dar a um lugar importante.
Foi incrível.
Agora, sabemos muito sobre este poço.
Infelizmente, não pudemos ver o fim do túnel.
Havia muita água.
Com a licença prestes a expirar,
a escavação de Kathleen tem de terminar,
mas ainda é possível que os dados do georradar
possam revelar se os túneis vão dar a um túmulo.
Agora, aguardamos o resultado do georradar.
Tenho de ser paciente e de esperar.
Em Assuão, Alejandro prepara-se para uma missão noturna.
Vai levar seis múmias antigas para um hospital na cidade.
Vai usar a máquina de TAC fora de horas,
para ver se há algo escondido no interior destes corpos antigos.
Mahmut, tu e o Osama podem entrar?
Por motivos de segurança, terá escolta policial.
Esta noite vamos fazer a TAC.
Queremos usar uma tecnologia não invasiva
para tentar saber algo
sobre como foram sepultados,
as patologias, as possíveis doenças que tinham,
a causa da morte, o género e a idade.
A TAC deve poder ver os ossos por baixo das faixas,
mas Alejandro receia que danifique os restos frágeis.
As múmias são muito delicadas.
Temos de pensar que foram enfaixadas
há mais de 2000 anos.
Podem sofrer estragos.
Bom, vamos embora.
Estou?
Vamos chegar
daqui a cinco a dez minutos, no máximo.
Temos de aproveitar para obter o máximo de informações.
Bom, veremos.
A atividade noturna de Alejandro
chamou a atenção da imprensa local.
Peço aos jornalistas
que deixem os especialistas trabalhar.
Qual será a primeira?
Esta.
- Está pronto? - Sim.
As múmias estão embrulhadas num pano,
para estarem mais protegidas dentro da máquina.
Tira uma série de radiografias com ângulos diferentes
para criar uma imagem tridimensional do corpo.
Estamos a verificar se ficou bem.
Até agora, sabe-se muito pouco sobre estas múmias.
Não sabem como morreram ou com que idade.
Alejandro tenta identificá-las.
Espera descobrir pistas para compreender as vidas delas
e, por fim, as mortes.
Era velho?
A primeira análise ao corpo mostra
que morreu com mais de 60 anos.
Agora, tenho de escolher a próxima múmia.
Vamos.
Temos algo muito interessante.
Pensava que a múmia seria um homem,
mas parece ser uma mulher.
Não esperávamos isso.
Quando o último corpo entra na máquina,
os arqueólogos detetam algo impressionante.
- Tem amuletos. - Tem.
Temos amuletos.
Há um escaravelho alado.
O símbolo de Hórus.
O exame revela um amuleto esculpido elaborado
com a forma de um escaravelho.
Os amuletos funerários eram frequentemente usados pela elite
para proteger a alma do falecido.
O escaravelho simbolizava o renascimento.
O escaravelho era colocado sobre o coração
e tinha muitas vezes feitiços escritos.
Os feitiços davam instruções ao coração da pessoa,
para a ajudar no julgamento da sua alma.
É a primeira vez que os vejo
na sua posição, no corpo.
É emocionante.
Das nove múmias examinadas pela equipa de Alejandro,
esta é a única com um amuleto na posição original.
Com um achado tão precioso,
Alejandro pode terminar a noite em alta.
É meia-noite e...
estou completamente exausto.
Obrigado.
Em Taposiris Magna, Kathleen recebeu notícias
sobre o georradar que procura o túmulo de Cleópatra.
Hoje é o último dia. As pessoas que analisam o radar
vão trazer o resultado.
Disseram-me que têm uma ótima notícia.
Digam-me qual é a boa notícia.
Encontrámos uma cavidade grande.
- Pode ser uma câmara? - Sim.
Vou chorar.
Tento...
Estou tão feliz.
Pode ser qualquer coisa, mas sinto que é o que procuro.
A análise de Kathleen revela uma cavidade com 9 metros de largura
diretamente abaixo da entrada do templo.
Teria sido um esforço monumental para os trabalhadores antigos.
Se for um túmulo,
deve pertencer a alguém importante.
Este pode ser o esconderijo perfeito
da última rainha do Egito, Cleópatra.
O túmulo pode conter os tesouros reais dela
e a descoberta seria um dos maiores achados
da história da arqueologia.
A sala é grande.
- E isto? - Dez metros.
Tem dez metros?
O túmulo perdido de Cleópatra pode estar ao alcance de Kathleen.
Estou muito empolgada e comovida.
É algo muito importante e valioso
que tentaram esconder.
Creio que é a fase final da minha busca.
Tem sido uma temporada incrível para Kathleen e para a equipa.
Com o fim da licença, ela tem de proteger o local
e continuar a procurar a câmara no próximo ano.
Vou voltar na próxima temporada.
Este é o momento por que esperava.
Agora, sei exatamente onde continuar.
Legendas: Ana Rita Santos
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