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Zulu
Egito,
a fonte mais rica de tesouros arqueológicos do planeta.
Este é fabuloso.
Sob esta paisagem de deserto
estão os segredos desta civilização antiga.
Uau! Percebe-se porque os faraós escolheram este local.
Agora, numa temporada completa de escavações,
as nossas câmaras receberam acesso sem precedentes
e seguem equipas na linha da frente da arqueologia.
Conduzo depressa porque estou empolgado.
É uma entrada. Vemos uma entrada.
Revelam segredos enterrados.
Disseram-me que encontraram algo.
Meu Deus.
Uma esfinge!
E fazem descobertas que podem reescrever a história antiga.
Desta vez,
as pirâmides revelam segredos novos e surpreendentes.
Ashraf faz uma descoberta incrível
num túmulo com 4500 anos.
Sinto que há algo lá em baixo, à nossa espera.
Iwona procura restos humanos.
É um pé esquerdo maravilhoso. Temos um par.
E John desvenda os segredos
do mais antigo túmulo conhecido do Vale dos Reis.
Estou na última morada de um faraó.
TESOUROS PERDIDOS DO EGIPTO
CAÇA AO TÚMULO DA PIRÂMIDE
No meio do deserto do Egito
estão alguns dos monumentos mais magníficos da história humana,
as pirâmides de Gizé.
Construídas com cerca de 5 milhões de blocos de pedra
e com 150 metros de altura,
foi aqui que os faraós do Antigo Egito
sepultaram os seus corpos mumificados
e tesouros inestimáveis.
Cada pirâmide gigante é um túmulo e um local de culto,
construída para garantir que os faraós Quéops,
Quéfren e Miquerinos
nunca seriam esquecidos.
Paramos aqui, Hamid.
Queremos pôr o nosso drone na pirâmide.
O responsável por este local antigo
é o diretor das pirâmides de Gizé, Ashraf Mohie.
Este é o meu escritório.
Sou egiptólogo há mais de 20 anos.
É fantástico trabalhar aqui, perto das pirâmides.
Ashraf fez recentemente uma descoberta notável
na sombra da pirâmide de Miquerinos,
a última a ser construída pelos faraós em Gizé,
e voa para examinar o local da escavação.
Aqui, vejo a pirâmide de cima.
Podemos aproximar-nos mais do templo?
Ao lado da entrada da pirâmide de Miquerinos
estão as ruínas de um grande templo
e um conjunto de túmulos.
Foi cercado de túmulos de altos funcionários.
Todos querem ter a honra de ter o túmulo perto de Miquerinos.
Ashraf escava um dos túmulos.
A localização foi documentada inicialmente
pelo arqueólogo americano George Reisner,
há mais de um século.
Reisner começou a trabalhar aqui em 1907,
mas não entrou.
Ele não encontrou a entrada, só escavou alguns dias.
Nós continuámos o trabalho e encontrámos a entrada.
Trabalhamos nos poços.
Começámos pelo primeiro, ali.
Temos a berma e os trabalhadores estão a escavar.
Reisner não escavou este túmulo.
Ashraf e a sua equipa serão os primeiros arqueólogos
a entrar nele em mais de 4500 anos.
Vamos descer aos poucos,
para ver se há algo na areia.
É uma honra estar aqui, entre as pirâmides.
O sonho da minha vida é escavar.
Será algo muito importante
para todos os egiptólogos na zona das pirâmides.
Miquerinos governou o Egito mais de duas décadas.
Como o pai e avô,
construiu uma pirâmide que seria a sua última morada.
A dele está no centro de um grande cemitério
onde só os mais chegados podiam ser enterrados.
O túmulo que Ashraf desenterra deve ser de alguém importante.
Parece ser uma estrutura com telhado plano chamada mastaba.
Por cima, dois poços
sugerem que pode ter mais do que uma câmara funerária.
Mas não haverá corpos dentro da mastaba.
Estarão por baixo dela, no leito de rocha.
Quero descer mais e ver o que estará dentro do poço.
Veremos se no fundo há uma câmara com sarcófago.
Miquerinos seria o último faraó
a construir uma pirâmide em Gizé.
Há 4000 anos, foram subitamente abandonadas.
A resposta para o abandono das pirâmides
pode estar 500 km a sul, no Vale dos Reis.
Escondida nestes rochedos remotos está a última morada
de alguns dos maiores e mais famosos faraós do Egito.
TÚMULO DE TUTANKHAMON
- Sr. Mahmoud? - Olá. Sim.
- Tem as chaves? - Sim, tenho tudo.
Aqui, o arqueólogo britânico John Ward
investiga porque os faraós deixaram de construir pirâmides
e decidiram ser enterrados neste local secreto.
Vamos para um dos túmulos mais antigos do vale,
onde tudo começou.
Vá na frente.
Perigoso e instável,
o túmulo KV20 está fechado ao público
e não é escavado desde 1904.
Dê-me o alicate.
Aqui tem.
Apesar do risco,
John tem uma autorização especial para investigar o interior.
Abre-te, Sésamo, como se diz.
Vai tentar percorrer os corredores escuros e em ruínas
para chegar à câmara funerária,
escondida a mais de 100 metros de profundidade.
Debaixo dos nossos pés está uma rede complexa
de obras-primas da engenharia.
Túneis, câmaras e poços
foram feitos para criar um espaço
no qual o faraó pode alcançar a imortalidade.
O Vale dos Reis é um desfiladeiro de calcário remoto.
Num canto isolado
estava um dos primeiros túmulos a ser esculpido no vale.
Construído para o poderoso faraó Tutmés I,
há 3500 anos,
engenheiros antigos esculpiram um corredor longo e estreito
que desce mais de 100 metros
até uma câmara funerária secreta.
Aqui, o corpo do faraó foi posto num sarcófago gigantesco
para que, escondido,
o rei com os seus tesouros pudesse descansar em paz para sempre.
Mahmoud, uma das coisas que sinto à medida que descemos
é que se tem a sensação de que descemos
para o mundo inferior.
A construção de um túmulo podia demorar anos
e exigia uma aldeia de trabalhadores.
Veja.
Devia ser horrível trabalhar aqui,
transportar até à superfície todo este calcário esculpido.
E há muita poeira. Estamos só a andar e eu respiro poeira.
Deve ter sido infernal.
John desce na escuridão há mais de 45 minutos.
Ainda não chegou à câmara funerária.
Este poço não tem fim.
À superfície,
uma equipa com mais de 170 trabalhadores
escava uma área conhecida como Vale dos Nobres.
Tem os túmulos da antiga elite social do Egito.
TÚMULO DE AMENEMOPET
Eram importantes para serem enterrados perto dos faraós.
Vou levar-vos até ao local da escavação.
A egiptóloga Andrea Loprieno-Gnirs,
da Universidade de Basileia,
investiga este local há 16 anos.
É um grande privilégio
ter a oportunidade de trabalhar aqui.
Queremos saber mais sobre quem usou este túmulo,
quem entrou no túmulo, quem o saqueou,
quem o usou para enterros ou para viver, ao longo dos anos.
Nesta temporada,
Andrea e a equipa tiram toneladas de terra e entulho dos túmulos.
Num dos túmulos, o TT95,
fizeram uma descoberta emocionante.
É uma câmara funerária muito grande, talhada na rocha.
Entre os materiais deixados pelos salteadores
encontrámos vasos de barro pintados
com o nome e título de Hunai.
Inscrições nos vasos sugerem
que uma nobre chamada Hunai foi enterrada aqui.
Mas quem era ela e qual era a ligação dela aos faraós?
Para responder, a equipa procura os restos de Hunai.
Mas ela não é a única enterrada aqui.
Este túmulo foi reutilizado por outros para enterrar os mortos
e tem centenas de partes do corpo.
Os saqueadores destruíram os corpos
à procura de ouro e amuletos embrulhados nas múmias.
Precisam de uma investigação forense para encontrar Hunai.
Uma orelha conservada. Não há maxilar, só um fragmento.
A responsável pela análise a estes restos humanos
é a bioarqueóloga britânica Iwona Kozieradzka-Ogunmakin.
Trabalho no Egito há 13 anos, creio.
Tenho bastante experiência com este material.
É um pé esquerdo maravilhoso.
Quando me perguntam o que faço,
hesito dizer,
porque costuma haver duas reações.
Uma é... A outra é: "A sério?"
Suponho que não é para todos.
Encontrar os restos de Hunai
é como procurar uma agulha no palheiro.
Este é o braço esquerdo.
95 FRAGMENTOS DE CRÂNIO. DIAGNÓSTICO TERMINADO.
Calculamos que o número mínimo de indivíduos
é superior a 80.
É um número grande,
quando pensamos que um adulto tem 206 ossos.
Imagine que o esqueleto está disperso.
Todos os locais têm desafios O desafio deste é muito grande.
Temos troncos sem braços, pernas ou cabeça.
Quinhentos quilómetros a norte, nas pirâmides...
É o fim da areia do poço.
Ashraf e a equipa escavam há dois dias
para encontrar a câmara funerária deste túmulo por escavar.
Devia haver algo aqui.
Por fim, chegam ao fundo de um dos poços.
Estamos muito perto da câmara funerária.
Este poço antigo
deve levar à entrada de uma câmara funerária com 4500 anos,
mas algo não está bem.
Eu ouço a rocha.
O machado bate na rocha.
Não é um bom sinal. Significa que o poço está inacabado.
Ashraf pensa que encontraram um poço falso,
criado de propósito para enganar ladrões
que tentam encontrar a câmara funerária.
É uma técnica antirroubo que ele já viu na pirâmide de Miquerinos.
Algo muito inteligente e incrível foi feito dentro desta pirâmide.
Miquerinos tinha medo que lhe roubassem os tesouros.
Depois da passagem principal,
ele usou blocos, como uma porta corrediça,
para selar a entrada do poço,
para que não fosse fácil de roubar.
Miquerinos construiu a pirâmide
para proteger o corpo e os tesouros,
mas a pirâmide gigante também atrai ladrões.
No interior, os engenheiros tentam proteger a câmara funerária
com várias lajes de pedra pesadas,
mas essas barreiras de rocha não eram suficientes
para afastar saqueadores.
O corpo e os tesouros do faraó foram roubados.
O lugar onde estamos
é onde tinham os blocos que selavam a passagem.
Encontrámos muitos fragmentos dos blocos,
porque foram partidos.
Alguns dos blocos pesam três ou quatro toneladas.
Com as paredes de pedra destruídas,
os saqueadores puderam entrar na câmara funerária do faraó.
Estamos no interior da câmara do rei.
O sarcófago deveria estar aqui,
mas o sarcófago foi levado
e perdemos o caixão de Miquerinos.
Não resta nada da múmia ou dos tesouros de Miquerinos.
Ashraf crê que a ameaça de saqueadores
foi a razão por que deixaram de construir pirâmides enormes.
Os faraós queriam algo mais seguro.
Em vez de uma pirâmide grande, que seria fácil de roubar,
os faraós aprenderam a lição com esta pirâmide
e foram para o Vale dos Reis,
onde os túmulos são talhados nas rochas,
para enganar os saqueadores.
Para esconder os corpos dos saqueadores
os grandes faraós escolheram um local isolado.
O Vale dos Reis.
Quanto falta, Mahmoud?
- Estamos perto. - Estamos perto?
John Ward está num dos primeiros túmulos do vale.
Desce a mais de 100 metros de profundidade,
até à câmara funerária sagrada.
Estamos perto do fim do túmulo.
Os últimos passos.
Estou no centro e na última morada
de um faraó.
Nem consigo imaginar
o que terão sentido
ao escavar isto.
É um feito fabuloso.
Embora concluído de forma tosca,
o KV20 foi uma experiência de sucesso.
Nesta câmara,
os arqueólogos encontraram dois caixões de pedra,
um com o nome do faraó Tutmés I,
o outro da rainha Hatchepsut, filha dele
e uma das rainhas mais poderosas do Egito.
Nos 500 anos seguintes,
os faraós construíram túmulos subterrâneos.
Até agora, 65 foram encontrados, mas os peritos suspeitam
que há pelo menos dois túmulos de faraó por descobrir.
Com a entrada do túmulo escondida,
os faraós acreditavam que as múmias e os tesouros
estariam protegidos de saqueadores.
Resolveram um problema,
mas tinham de encontrar um modo de serem venerados
e de ter o seu legado recordado para sempre.
A pirâmide tem tudo,
a câmara funerária, o local de culto,
mas aqui está tudo separado.
Aqui temos o túmulo, a última morada do faraó,
mas ele precisa do local de culto.
Os faraós queriam ser recordados para sempre.
Com o corpo escondido no vale,
os adoradores precisavam de um local de culto.
John quer investigar
como garantiram que o legado deles nunca seria esquecido.
No Vale dos Nobres,
Andrea e a equipa procuram pistas
que possam esclarecer a vida de uma nobre chamada Hunai.
Encontraram imagens numa parede
que sugerem que tinha um laço invulgar
com o faraó Amenhotep II.
É muito invulgar. Não há outro túmulo
que mostre esta relação muito pessoal com o rei.
Neste caso, podemos ver claramente
que ela lhe dá o peito.
As pinturas revelam que Hunai foi uma ama de leite real
que amamentou o futuro faraó quando ele era criança.
Esta relação íntima explica
porque Hunai foi enterrada tão perto do Vale dos Reis.
Este era o túmulo original de Hunai.
Encontrámos aqui mais indivíduos.
Ao procurar os restos mortais de Hunai,
Iwona analisa milhares de ossos encontrados no túmulo dela.
Esta é a arcada supraciliar.
Normalmente, é mais saliente nos homens.
Através das suturas coronais e dos dentes,
sabemos que esta pessoa tinha mais de 35 anos.
As inscrições na parede revelam também
que Hunai tinha um filho adulto que era um alto funcionário.
Iwona pensa que Hunai morreu na meia-idade.
Podemos ver depressões aqui.
Podem ser da menopausa.
Esta pessoa parecia ter um nariz bastante acentuado.
Tenho a certeza de uma mulher e outra está em dúvida.
São duas.
Os outros quatro
são provavelmente homens.
Para saber se algum dos crânios femininos pertence a Hunai,
Iwona tem de procurar sinais de um processo de mumificação
realizado apenas na elite abastada.
O cérebro da mulher que procuramos foi retirado aos bocados.
Em Gizé,
Ashraf e a equipa trabalham para desimpedir o segundo poço
do túmulo por escavar junto à pirâmide de Miquerinos.
O esforço deles foi recompensado.
Ele diz que há um buraco pequeno sem luz. Precisa de uma lanterna.
Vou enviar o Mohamed, para que nos diga o que está lá.
Pensam ter encontrado uma entrada
de uma câmara funerária talhada na rocha.
O egiptólogo Mohamed Ahmed será o primeiro a entrar.
Vê um caixão ou um sarcófago?
Esta é a abertura
que vai dar à câmara funerária.
Estou muito entusiasmado.
Selada com pedras e escondida no fundo do poço de dez metros,
esta câmara funerária pode ter os restos mortais com 4500 anos
do dono do túmulo e do seu tesouro.
Sr. Ashraf?
Eu vejo escuridão.
Veja através do buraco.
Pensa que vou esperar, depois de encontrar o buraco?
Agora, eu vou entrar.
Esta laje bloqueava
a entrada desta câmara funerária.
Quando vi o cascalho e as pedras inclinados,
pensei que alguém entrou antes de mim.
O túmulo foi saqueado,
mas Mohamed encontra ossos que foram deixados.
Este é um osso do peito.
Este é da bacia.
Creio que este grande e longo é da coxa.
Os tesouros podem ter sido levados,
mas estes ossos antigos numa câmara funerária junto à pirâmide
são uma descoberta incrível.
Os restos serão recolhidos e analisados pela equipa.
Mohamed, porque não sai para me contar e mostrar as imagens?
- Está bem, senhor. - Tem de sair já.
Então, foi saqueado.
Restam apenas alguns ossos e alguma madeira.
Estou um pouco desiludido,
porque esperava encontrar um caixão com uma múmia,
mas estou feliz, porque descobrimos algo.
Os fragmentos de osso encontrados nesta câmara funerária
não chegam para identificar quem foi aqui enterrado,
mas Ashraf acredita que há aqui outra câmara funerária,
por isso, a escavação continua.
Sinto que há algo lá em baixo. Espero que haja algo à nossa espera.
A apenas 1600 metros do Vale dos Reis,
na margem ocidental de Luxor,
encontra-se o Templo Mortuário, Medinet Habu.
Aqui está, Medinet Habu.
Chamam-lhe Templo Mortuário, a casa de milhões de anos.
Para os proteger de saqueadores, os faraós escondiam os túmulos,
mas também precisavam de ser venerados e recordados.
Escolheram este templo para honrar o seu legado.
Atualmente, vamos ao cemitério
e deixamos uma flor junto à lápide.
Isto é uma lápide, o legado dos faraós.
Ramsés, Amenhotep III, Hatchepsut,
todos eles deixaram aqui a sua marca.
Os faraós construíram templos mortuários como Medinet Habu
como palácios enormes
dedicados a preservar a memória deles para a eternidade.
Cada templo tinha sacerdotes leais
que mantinham um culto
que continuaria a venerar o rei para sempre.
Os nomes reais dos faraós eram escritos com símbolos especiais,
chamados cartelas, esculpidos nos templos.
Os nomes eram importantes.
Os antigos faraós acreditavam que, para alcançar a imortalidade,
os seus nomes devem ser ditos para sempre.
Há uma evolução.
Antes, o faraó era enterrado na pirâmide
e passou a ser enterrado ali, no Vale dos Reis.
Este é o Templo Mortuário.
São imortalizados aqui.
Para alguns faraós,
não bastava ter o nome numa parede do palácio.
Nas margens do rio Nilo,
encontra-se o imenso Templo de Luxor.
Aqui, uma equipa de engenheiros restaura uma estátua gigante
dedicada a um dos maiores faraós do Egito.
Esta é a estátua de Ramsés II,
o rei mais importante do Egito.
Mahmoud Farouk tem um desafio tremendo.
Tem de reconstruir a estátua gigante de Ramsés II,
com mais de dez metros de altura.
Foi destruída por um terramoto.
Agora, é hora de pôr o rei no lugar dele.
Hoje, vou erguer a estátua, daqui para o lugar dela, lá em cima.
Aqui, podem ver os dois pés. A cara vai ficar aqui.
Vai ficar bem, no fim. Se ficar perfeito, será bom.
Mahmoud e a equipa usam vigas modernas de aço
para manter unidas as peças da estátua.
Têm de alinhar na perfeição com as pernas, na entrada do templo.
Um passo em falso pode fazer com que a estátua de 3000 anos
choque com a parede do templo.
Colocar a estátua pesada no lugar é um desafio para a equipa.
As vigas de metal presas ao corpo e às pernas
têm de alinhar na perfeição.
Agora, vou subir para verificar tudo.
Pode parecer terminada,
mas Mahmoud tem de verificar o alinhamento dos olhos da estátua.
Segundo a tradição egípcia,
têm de olhar em frente para refletir o poder do rei.
Tem de descer de novo, para poder avançar.
As medidas mostram que os olhos apontam para baixo.
A equipa terá de recomeçar.
No Vale dos Nobres,
Iwona continua a análise forense aos restos humanos.
Para identificar Hunai,
ela procura indícios de um ritual de enterro raro.
O modo tradicional de mumificar o corpo
seria retirar o cérebro.
A ferramenta seria inserida pela narina
e o osso etmoide seria partido
para se ter acesso à cavidade cerebral.
A mumificação só era feita a indivíduos de posição elevada.
Como ama dos faraós, seria feita a Hunai.
Aqui temos um crânio completo.
É bastante interessante.
A pessoa perdeu todos os dentes de cima,
exceto um.
Creio que há aqui uma abertura pequena.
Este crânio parece...
Parece corresponder à descrição, até agora.
O buraco pequeno é um indício forte
de que o cérebro foi retirado.
Para provar a teoria,
Iwona usará tecnologia digital para ver melhor o interior.
Nas pirâmides,
Ashraf recebeu uma notícia emocionante.
O Mohamed telefonou-me e disse que encontrou um poço.
A equipa encontrou um terceiro poço acima do túmulo.
Bom dia.
Pode levar a outra câmara funerária.
O local torna-se mais emocionante.
Estamos mais empolgados,
para sabermos mais sobre esta situação.
Para acelerar a escavação,
a equipa construiu um sistema de roldanas.
Está vento, mas é bom.
O tempo está bom para trabalhar.
Subitamente, a equipa de Ashraf tem problemas.
A estrutura de metal caiu para dentro do poço.
Os trabalhadores no interior não respondem.
Não estava estável.
Graças a Deus, está tudo bem. Agora, usamos esta escada de corda.
Os trabalhadores estão bem.
Os trabalhadores escaparam quase ilesos.
Ashraf pode continuar com a escavação.
Estamos muito perto.
No lado direito,
creio que está a abertura da câmara funerária.
Mas uma enorme laje de pedra bloqueia o caminho.
Vão descer cordas e atá-las à pedra, para a retirar.
Ashraf abriu a entrada da câmara funerária.
Agora, está pronto para descobrir quem ou o que está lá dentro.
No Templo de Luxor,
o engenheiro Mahmoud tenta posicionar
a estátua de Ramsés II com 65 toneladas
na entrada do templo.
A primeira tentativa falhou.
É difícil para mim e para os trabalhadores.
Agora, vamos mudar um pouco e ficará melhor.
A equipa tem poucas horas para cortar e alterar as vigas.
Devem garantir que os olhos da estátua olham em frente,
para o horizonte, um símbolo de poder.
Só então terão restaurado o legado do grande faraó.
É uma pedra pesada e não é fácil.
Não sei como faziam isto na antiguidade.
Devagar e com cuidado, posicionam a estátua.
Desta vez, está tudo bem alinhado.
A estátua gigante de Ramsés II
está exatamente onde estava há 3000 anos.
Restaura o legado dele
como um dos maiores faraós a governar o Egito.
Agora, se vierem ao templo de Luxor,
serão recebidos por Ramsés.
Bem-vindos a Luxor.
Do outro lado do Nilo,
Iwona e a equipa recorreram à tecnologia digital
na procura da ama real, Hunai.
Temos a radiografia do crânio
que pensamos pertencer a Hunai.
Como mulher de posição elevada,
o corpo dela deveria ser preparado em conformidade
para o enterro.
Os antigos egípcios acreditavam que o cérebro não tinha valor
na vida depois da morte.
Retiravam-no aos bocados, através do nariz, na mumificação.
Não vemos resíduos de cérebro no interior do crânio.
O cérebro foi removido.
A radiografia confirma a teoria de Iwona.
Todos os indícios sugerem que este é o crânio de Hunai.
É uma descoberta importantíssima para a equipa.
Olá.
Apresento uma mulher,
uma mulher mais velha.
O cérebro dela foi retirado.
Se procuramos o melhor candidato ao crânio de Hunai,
é este crânio.
É um resultado fantástico.
É emocionante.
Três mil anos após a sua morte,
a memória de Hunai foi restaurada.
O seu papel único de ama de leite real
concedeu-lhe um túmulo ao lado do Vale dos Reis,
para que se juntasse aos faraós na vida depois da morte.
Pudemos encontrar uma grande ama de leite real
de Amenhotep II, quando era príncipe.
Creio que temos muita sorte.
Estou muito contente.
Nas pirâmides,
a equipa de Ashraf prepara-se para entrar
na câmara funerária com 4500 anos que acabaram de descobrir.
Estou empolgado por termos chegado ao fundo do poço,
mas eu sou grande e o poço lá em baixo é pequeno.
É por isso que envio os meus colegas.
Tem cerca de dez metros, é fundo.
Não é fácil ter alguém lá em baixo,
mas eles querem encontrar algo novo.
Ser egiptólogo é uma aventura, encontrar algo novo.
Ashraf trouxe especialistas para investigar a câmara,
o arqueólogo sénior Wael Fathi e a antropóloga Sara Saber.
Estou ansioso por saber o que vão ver.
Primeiro, garantimos que está tudo bem.
Depois, a Sara pode descer.
Ótimo. Sara, é a sua vez.
Ela está a descer.
Vai muito bem, Sara.
É uma das suas aventuras.
Creio que estão prontos para entrar na câmara funerária.
Isto é estranho.
Há ossos aqui e em todo o lado.
Mais uma vez, os saqueadores pilharam a câmara funerária.
São restos de um crânio.
Desta vez, deixaram mais indícios.
É um sacro.
É muito importante para saber a idade ou o sexo.
Temos de recolher os ossos todos.
Um selo?
Um selo?
- O que é? - É um carimbo.
É uma descoberta surpreendente.
Estes carimbos eram usados para selar potes de oferendas
deixados com o dono do túmulo, no enterro.
É raro que tenha sobrevivido mais de 4000 anos.
Tem uma inscrição de hieróglifos.
Vejo hieróglifos.
Esta pessoa carimbou algo com o seu nome ou o seu título.
É uma descoberta importante.
É o primeiro dia da Sara
e fizemos uma descoberta muito importante. É um grande dia.
Esta descoberta pode ter informações vitais
sobre quem foi enterrado tão perto da pirâmide de Miquerinos
e porquê.
Encontrámos parte do crânio. Este é o processo mastoide.
É muito pequeno.
Também encontrámos uma parte da vértebra.
É muito esponjosa.
Pertence a uma mulher, talvez com mais de 50 anos.
Os ossos revelam que é o túmulo de uma mulher.
Temos outro indício.
Poderão as inscrições no selo dar-lhes um nome?
Incrível.
Vemos dois braços subidos. Isto é "Ca".
Significa Kawu. Shepset Kawu. É o túmulo de Shepset Kawu.
Deu-nos sorte.
Estava satisfeito com os ossos, com o esqueleto,
mas veio, deu-nos sorte e encontrámos o selo.
Que grande dia para a nossa missão!
Os ladrões não ligavam aos ossos.
Graças a Deus, nós encontrámo-los.
Encontrámos os ossos e o selo
que nos falam da dona do túmulo, Shepset Kawu.
Tem o túmulo perto de Miquerinos, por isso era uma mulher importante.
Para nós, egiptólogos,
encontrar uma inscrição com um nome num túmulo desconhecido
é uma grande descoberta.
O que os saqueadores deixaram
ajudou Ashraf e a equipa a restaurar o nome
e a memória de Shepset Kawu.
Agora, como os faraós que construíram as pirâmides,
os templos mortuários
e os túmulos escondidos do Vale dos Reis,
a memória dela perdurará.
Legendas: Ana Rita Santos
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