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Yoruba
Zulu
Egito,
a fonte mais rica de tesouros arqueológicos do planeta.
Este é fabuloso.
Sob esta paisagem de deserto
estão os segredos desta civilização antiga.
Uau! Percebe-se porque os faraós escolheram este local.
Agora, numa temporada completa de escavações,
as nossas câmaras receberam acesso sem precedentes
e seguem equipas na linha da frente da arqueologia.
Conduzo depressa porque estou empolgado.
É uma entrada. Vemos uma entrada.
Revelam segredos enterrados.
Disseram-me que encontraram algo.
Meu Deus.
Uma esfinge!
E fazem descobertas que podem reescrever a história antiga.
Desta vez, segredos novos sobre o menino rei, Tutankhamon.
Aliaa usa tecnologia pioneira
para revelar provas surpreendentes sobre o seu túmulo
e o motivo de ter ficado escondido durante 3000 anos.
Havia muitos assaltos. Como é que não foi descoberto?
Eissa descobre tesouros de Tutankhamon perdidos há muito.
É a descoberta mais emocionante da minha carreira.
E Alejandro descobre tesouros enterrados extraordinários
num túmulo com 4000 anos.
Parabéns!
TESOUROS PERDIDOS DO EGIPTO
TESOUROS DE TUTANKHAMON
O Vale dos Reis.
Há 3500 anos,
os faraós deixaram de construir pirâmides como túmulos.
Escolheram estes penhascos isolados para o seu cemitério.
Atualmente, vêm arqueólogos do mundo inteiro
para desvendar os mistérios ainda escondidos
nesta cidade dos mortos.
É o primeiro dia no vale
para a egiptóloga Aliaa Ismail, nascida no Cairo, e a sua equipa.
Há muita energia aqui.
Pessoas do mundo inteiro vêm ao vale. É fantástico.
É um orgulho ter esta linhagem.
É uma das necrópoles mais famosas do mundo.
Creio que é especial porque surge do nada.
Mais de 480 km a sul do Cairo, no centro do Egito,
estão os penhascos de calcário do Vale dos Reis.
Após 200 anos de escavações,
os arqueólogos encontraram 65 túmulos escondidos nas rochas,
mas só um foi encontrado com o tesouro no interior.
Pertencia ao faraó Tutankhamon.
TÚMULO DE TUTANKHAMON
Este é o número 62,
o de Tutankhamon.
Um dos grandes achados do século.
O explorador britânico Howard Carter
descobriu o túmulo de Tutankhamon em 1922.
Alguém da equipa viu degraus a descer na areia.
Levavam à entrada do túmulo,
enterrada sob metros de entulho e escombros.
O que Carter encontrou no interior
inspirou arqueólogos das gerações futuras.
No interior da montanha,
entre um labirinto de túneis que perfuraram a rocha,
Carter chegou ao túmulo de Tutankhamon,
escondido no centro do vale.
Lá dentro, encontrou tesouros
diferentes de tudo o que se conhecia.
Mais de 5000 artefactos inestimáveis,
incluindo estátuas de ouro.
Na câmara funerária,
a múmia do faraó, com uma máscara mortuária de ouro,
estava dentro de um caixão feito com mais de 90 kg de ouro maciço.
Este túmulo intacto tornou Tutankhamon o faraó mais famoso.
Agora, Aliaa investiga a vida deste faraó dourado...
e porque o seu túmulo esteve escondido tanto tempo.
A equipa de Aliaa digitaliza e documenta o túmulo há dez anos.
Fizeram uma descoberta notável.
A ideia é entender o que se passa quando vemos o vazio de cor.
As digitalizações retiram a tinta das paredes
e revelam sinais invulgares.
Esta é a cena principal.
Aqui temos a imagem 3D da parede norte.
Vemos a silhueta de uma imagem.
Terá sido feita enquanto pintavam.
As imagens mostram o contorno escondido do rosto.
É causado pela ponta do pincel,
se pintarem com o gesso ainda húmido.
Foi por isso que os pincéis deixaram marcas muito leves.
Permite-nos perceber que foi apressado.
Mas porque apressariam um trabalho tão importante?
As imagens na parede revelam mais pistas.
Embora se tenha tornado o faraó mais famoso do Antigo Egito,
Tutankhamon não teve um reinado longo.
Tinha apenas nove anos quando se tornou rei
e dependeu de conselheiros para governar o império vasto.
Quando Tutankhamon cresceu,
ficou conhecido por se retratar como um rei guerreiro,
que vai para a batalha numa quadriga.
Mas o menino rei teve várias doenças, incluindo malária.
Tinha apenas 19 anos quando morreu inesperadamente.
Aliaa pensa que as marcas reveladas no gesso
são provas de um enterro apressado
devido à morte súbita de Tutankhamon.
A parte decorada é muito pequena. É só a câmara funerária.
O resto do túmulo não está decorado.
Se tivesse mais tempo, seria todo decorado.
Embora a construção do túmulo possa ter sido apressada,
os seus tesouros eram tudo o que um faraó podia desejar
para chegar à vida depois da morte.
Porque ficou este túmulo escondido sob uma camada de pedras
durante milhares de anos,
se todos os outros túmulos do vale foram saqueados?
Para desvendar o mistério, Aliaa recorre a tecnologias novas
e a investigação passa para fora do vale.
Em Gizé, 480 km a norte,
na sombra das pirâmides,
o maior tesouro de sempre vai para uma casa nova,
um museu e centro de investigação de mil milhões de dólares.
Quando estiver terminado,
o Grande Museu Egípcio reunirá
todos os tesouros de Tutankhamon no mesmo sítio,
pela primeira vez em cem anos.
Ter todas os artigos do túmulo de Tutankhamon...
DIRETOR, GRANDE MUSEU EGÍPCIO
no mesmo sítio
será uma oportunidade fantástica
para encontrar factos novos,
aspetos novos e escondidos sobre Tutankhamon.
Depois de Carter ter retirado os tesouros do túmulo de Tutankhamon,
foram parar a museus de todo o Egito.
Agora, pela primeira vez no laboratório do museu,
cientistas e egiptólogos usarão tecnologias modernas
para analisar cada artefacto.
Alguns pormenores reaparecem
e dão-nos informações novas sobre estas antiguidades.
Mas alguns dos maiores tesouros de Tutankhamon
ainda não chegaram.
No Museu de Luxor, 480 km a sul,
Eissa Zidan prepara 122 artefactos inestimáveis
para levar para Gizé.
É um grande orgulho trabalhar com este tipo de artefacto.
Temos a grande responsabilidade de lidar com a coleção de Tutankhamon.
É uma oportunidade única de levar esta coleção para o Cairo.
A lista de artefactos de Eissa
inclui uma das famosas quadrigas de Tutankhamon,
modelos de barcos complexos
e uma cabeça única da deusa vaca Hator,
talhada a ouro de forma elaborada.
Na minha opinião, esta cabeça de vaca,
como a máscara de Tutankhamon,
é uma peça muito importante desta coleção.
Após apenas quatro horas,
o acondicionamento de Eissa para subitamente.
Alguém da equipa descobriu algo inesperado no armazém.
É uma caixa antiga que Howard Carter usou
para guardar e tirar os tesouros de Tutankhamon do túmulo.
Nunca tinha descoberto algo assim.
É a descoberta mais emocionante da minha carreira.
A caixa estava desaparecida, supostamente perdida há décadas.
Ninguém sabe que tesouros pode conter.
Perto de Assuão, 195 km a sul do Vale dos Reis,
uma equipa espanhola, da Universidade de Jaén,
espera seguir as pegadas de Carter
e fazer descobertas que podem reescrever a História.
O professor Alejandro Jiménez-Serrano
lidera a maior equipa estrangeira que trabalha no Egito.
Hoje é o primeiro dia da temporada de escavação.
Desculpem a confusão.
O quarto é partilhado por três investigadores.
Esta é a minha cama, supostamente a melhor.
DIRETOR DA MISSÃO
Desculpem.
É incrível acordar e a primeira coisa que se vê,
fora a cara feia dos colegas,
é o Qubbet el-Hawa, o monte.
Qubbet el-Hawa é um dos maiores cemitérios antigos do Egito.
Até agora, foram descobertos aqui 100 túmulos.
Pertencem aos nobres que governaram o Egito
centenas de anos antes dos faraós enterrados no Vale dos Reis.
A missão de Alejandro é procurar mais túmulos fechados
e revelar mais sobre os primeiros egípcios.
É difícil explicar o que sinto.
Além de nervoso, estou empolgado. É uma mistura de sentimentos.
É uma honra vir cá todos os anos.
Esta é a parte mais difícil do dia, subir o monte.
É o décimo ano de escavação da equipa.
É muito bom estar cá de novo.
Há uma razão para estarem todos entusiasmados.
Há um ano, Alejandro encontrou a entrada de um túmulo selado,
mas a licença dele expirou antes de poder explorar o interior.
Hoje estão 40 graus.
Será difícil trabalhar ao sol.
Para evitarem ladrões de túmulos modernos,
instalaram uma porta de aço que bloqueia a entrada do poço
que vai dar à entrada selada.
Tivemos de esperar um ano, a imaginar as possibilidades.
Estou muito empolgado.
Em Luxor,
a equipa de Eissa embala os tesouros de Tutankhamon
para a mudança para o Grande Museu Egípcio, em Gizé.
No armazém,
Eissa está pronto para abrir a caixa perdida de Carter
e descobrir o que contém.
A equipa reúne-se para ver se a caixa contém
tesouros inestimáveis do túmulo de Tutankhamon.
Fantástico.
É incrível.
Estas peças delicadas de madeira são partes de barco antigas.
Obrigado, Sr. Mohammad Atwa, por esta descoberta.
Os registos do armazém sugerem
que podem ser peças perdidas do modelo de barco
que Howard Carter encontrou no túmulo de Tutankhamon.
É a ponta de um dos remos, assim.
Ainda tem vestígios de ouro, depois de tantos anos.
Segundo a antiga crença egípcia,
os barcos eram cruciais depois da morte.
Colocar modelos de barcos nos túmulos
era fundamental em qualquer enterro.
As embarcações tinham muitas vezes tripulações,
porque se pensava que as réplicas ganhavam vida
e ajudavam a pescar e transportar no mundo dos mortos.
Os faraós usavam uma embarcação especial
para navegar no céu por toda a eternidade.
As pessoas comuns também pensavam
chegar à vida depois da morte de barco,
remando no Nilo até ao mundo seguinte.
Podemos ver a data deste jornal.
Domingo, 5 de novembro de 1933.
Talvez Howard Carter tenha lido este jornal...
CONSERVADOR CHEFE
antes de o usar como apoio na caixa.
Para descobrir de onde vieram estas peças,
Mohammad analisa o inventário original de Carter.
Esta é a foto tirada no túmulo.
Podemos ver o barco.
É o artigo 321.
Tem o mastro que está aqui.
Registos mostram que a caixa foi enviada para Luxor em 1973,
mas desapareceu, talvez perdida ou roubada.
É muito emocionante. É uma descoberta nova
de um dos artefactos mais importantes do rei Tutankhamon.
CONSERVADOR
Eissa pensa que o resto do barco está seguro no laboratório novo.
Talvez possam finalmente juntar as peças.
Para transportar os tesouros para Gizé,
a equipa de Eissa tem de percorrer 645 km de estradas de deserto
e ruas movimentadas da cidade,
até chegar à segurança do museu novo.
Precisam de dois camiões
para transportar os 122 artefactos para Gizé.
É um momento muito importante para a coleção.
A viagem final de Tutankhamon.
Com relíquias tão valiosas a bordo,
receiam que o transporte seja alvo de um sequestro.
Temos boa Polícia e um bom exército.
Vão seguir-nos durante a viagem de Luxor ao Cairo.
Com a segurança a postos, é hora de partir.
Enfrentam agora uma viagem dura de 12 horas pelo deserto,
para chegarem a Gizé antes do anoitecer.
Desde a descoberta de Carter dos tesouros de Tutankhamon,
os arqueólogos tentam perceber onde e como
os antigos Egípcios encontraram quantidades grandes de ouro.
Oitenta quilómetros a sul do Vale dos Reis,
no limite do Deserto Oriental,
o especialista francês em ouro Thomas Faucher
e o arqueólogo John Ward
procuram a origem do ouro de Tutankhamon.
- Vou... - Esperas pelo semáforo?
O Deserto Oriental cobre 220 000 km quadrados
de vastidão remota e árida.
Algumas destas rochas têm grãos minúsculos de ouro.
Thomas estuda técnicas antigas de extração de ouro há sete anos.
Agora, quer tentar encontrar algum indício.
Mas esta região do deserto é perigosa.
Temos de sair antes que escureça.
Não é seguro ficar lá.
Podemos perder-nos ou ter um acidente.
Além disso, as cobras aparecem com o pôr do sol.
- Cobras? - Sim, víboras.
- Ninguém me falou de... - Há víboras, sim.
A primeira paragem é um poço antigo.
Pode dar pistas sobre comunidades mineiras
na época de Tutankhamon.
Este é o poço, diante de nós.
Está seco.
Meu Deus, é muito fundo.
O poço pode estar seco hoje, mas era tão importante,
que os antigos Egípcios tinham um templo em sua honra.
É lindo, não é?
Fizeram um teto de gesso e depois pintaram.
É incrível.
O texto gravado nestas paredes
revela pistas sobre os mineiros de ouro e para onde iam.
Engenheiros antigos construíram uma rede de poços e paragens
por todo o deserto, sempre um dia a pé do último.
Os viajantes e mineiros podiam atravessar e explorar o deserto.
Os entalhes do templo indicam que estes poços levavam às minas.
Thomas espera encontrar algum indício
das pessoas por trás da extração do ouro de Tutankhamon.
Agora, vamos avançar mais.
Como num mapa do tesouro antigo,
têm de seguir o rasto de poços para o interior do deserto.
Em Assuão, no cemitério antigo de Qubbet el-Hawa,
Alejandro está prestes a abrir um túmulo com 4000 anos.
Procuram o tesouro funerário que possa estar no interior.
Não sei quem está mais nervoso, se eu ou a minha equipa.
Quero ir já!
Após um ano de espera,
Alejandro pode finalmente entrar no túmulo.
É fantástico.
Tem um caixão com 4000 anos.
Os trabalhadores puseram uma caixa coberta de papel não ácido
dentro do caixão,
para que não desabe enquanto examinam o túmulo.
Tivemos muita sorte.
É impossível explicar o que sinto.
O túmulo tinha dois caixões,
o caixão externo e o interno.
Entre os destroços do caixão externo,
Alejandro vê algo extraordinário.
Está cheio de modelos de madeira.
Infelizmente, o caixão externo caiu em cima deles.
A câmara está cheia de modelos de barcos
semelhantes ao do túmulo de Tutankhamon.
Hoje em dia, é raro encontrar este barco funerário num túmulo.
Mas não há apenas um, há quatro com tripulação.
Queremos rir, gritar e chorar.
É a primeira vez em 70 anos
que um conjunto de barcos como este foi encontrado.
Esta descoberta dá a Alejandro uma oportunidade muito rara
de estudar artefactos funerários tão importantes.
Primeiro, tem de os retirar em segurança do túmulo.
Alejandro chama a equipa de especialistas em conservação,
Sara e Theresa.
Vejo um, dois, três, quatro barcos.
Estão em muito mau estado.
É muito difícil e os insetos comem os apoios.
Térmitas atacaram os barcos de madeira.
Sara borrifa-os com um adesivo líquido,
para os segurar.
Vamos ver se são capazes de fazer um milagre.
Preparam uma cama de espuma que apoiará o barco
no transporte até ao laboratório de restauro.
Mas o casco de madeira está preso ao fundo do túmulo.
Terão de o libertar com bisturis e precisão cirúrgica.
Cerca de 40 metros separam o túmulo do laboratório de restauro,
mas hoje está muito vento. É muito agressivo.
Os barcos antigos são extremamente frágeis.
Preparem-se.
Quando o vento amaina,
a equipa aproveita para retirar o primeiro barco.
Cuidado.
Perfeito.
Foi emocionante.
Um dos melhores momentos da minha carreira.
Temos uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito...
Oito pessoas.
Vamos demorar muitas semanas
a limpá-lo e a consertar as peças que se partiram
há alguns séculos.
Enquanto a equipa trabalha no barco,
Alejandro pode finalmente abrir o caixão
e ver quem e o que está no interior.
No meio do deserto,
a frota que transporta os tesouros de Tutankhamon
partiu há duas horas, quando Eissa deteta um problema.
Estou preocupado com a quadriga.
CONSERVADOR CHEFE
Uma manta térmica que protege a quadriga de Tutankhamon
está a soltar-se.
Se sair, pode causar um acidente.
Vamos parar para a prender.
A paragem imprevista no deserto
torna esta frota, com os tesouros mais valiosos do mundo,
um possível alvo de sequestro.
Eissa e a equipa não conseguem prender
a manta térmica que protege a quadriga de Tutankhamon.
Temos alguns problemas.
Ao remover a manta,
o calor do deserto pode danificar o tesouro inestimável.
Está tudo bem.
Agora, Eissa tem de pôr a frota em movimento.
Esperamos chegar bem ao Cairo.
No vale, a egiptóloga Aliaa Ismail quer descobrir
como o túmulo e os tesouros de Tutankhamon
ficaram escondidos durante 3000 anos.
Houve muitos assaltos,
na antiguidade e nos tempos modernos...
EGIPTÓLOGA
mas parece que este túmulo não foi encontrado.
Como é possível?
Os antigos engenheiros do túmulo de Tutankhamon tinham um plano.
No interior da montanha,
esforçaram-se por ocultar o túmulo.
A câmara funerária do faraó está a oito metros de profundidade.
É defendida de dentro para fora.
Os engenheiros construíram uma parede que bloqueia a câmara.
Encheram o corredor que leva ao rei com muito entulho.
Depois, selaram uma última porta
e cobriram o túmulo de Tutankhamon com muitos pedregulhos.
Era a proteção normal de túmulos, na época.
Quando Carter descobriu este túmulo,
tinha mais materiais por cima do que qualquer outro do vale.
Talvez explique como se manteve oculto mais de 3000 anos.
De onde vieram as pedras e o entulho extra?
Aliaa investiga com o geólogo alemão Martin Ziegler.
Se quisermos entender a evolução do Vale dos Reis...
GEÓLOGO
temos de entender a evolução da rocha.
Martin espera encontrar pistas
nas pedras da entrada de um túmulo próximo.
Na entrada, há uma laje pendurada por cima.
Pode cair uma pedra do penhasco.
Todos os anos, há dezenas de sismos no Egito.
Martin instalou um sismómetro
para medir qualquer vibração que cause a queda de pedras.
Calculamos que este aconteceu a 600 ou 700 km do Vale dos Reis.
Se houvesse um terramoto muito mais perto do Vale dos Reis,
como o afetaria?
Um terramoto muito grande pode desestabilizar as pedras.
Se virmos a história de terramotos registados,
em períodos históricos de milhares de anos,
há registos de terramotos com esta magnitude.
Podem quedas de pedras causadas por sismos há 3000 anos
explicar as toneladas de pedras na entrada do túmulo de Tutankhamon?
Com o passado geológico e do ponto de vista histórico,
pode ter havido quedas de pedras, causadas por sismos,
a tapar os túmulos.
Mas não há penhascos diretamente acima do túmulo de Tutankhamon.
Não teria sido atingido por uma queda direta.
Como é que tantos materiais desceram o vale
e taparam completamente a entrada do túmulo?
Para desvendar esse mistério, Aliaa e Martin têm de voar.
No interior do Deserto Oriental,
Thomas e John procuram indícios dos mineiros
que produziram o ouro dos tesouros de Tutankhamon.
Tentam encontrar uma rota de poços antigos
que os mineiros terão seguido ao viajar até às minas.
É como procurar uma agulha no palheiro,
mas perco alguns rins.
A 110 km do último poço antigo,
Thomas e John entram no desconhecido.
Com o GPS avariado,
podem ficar totalmente perdidos.
Esta tecnologia está defunta.
Não funciona.
Aqui, fica no lado direito.
Estamos na parte de trás.
Temos de dar a volta.
Após dois dias de buscas, John pensa que encontraram algo.
O que é aquilo? Na base da montanha.
Encontrámo-lo!
Parece que encontrámos um lugar muito interessante.
É uma povoação.
Podem parecer pedras dispersas,
mas o olhar experiente de Thomas
vê o contorno de edifícios antigos.
Temos as cabanas, onde as pessoas viviam e trabalhavam.
- Sim, temos aqui indícios... - Thomas.
Houve quem trabalhasse aqui e há ainda mais ali.
Quando se aproximam,
John vê as ferramentas usadas pelos antigos mineiros
para extrair ouro das rochas.
Sim, é a pedra de amolar.
- É um batedor. - Sim, exatamente.
Era com isto que partiam o quartzo.
São os vestígios de um antigo campo de extração de ouro.
De quantas pessoas falamos? Vinte ou trinta?
Sim, talvez vivessem aqui famílias.
Thomas estuda antigas técnicas mineiras há anos,
mas ver estes indícios ao vivo
reforça o sofrimento dos mineiros.
Começam com um pedaço de quartzo como este e querem obter um pó.
Têm de o esmagar.
Imaginem como custa partir um único pedaço de quartzo.
Fazer isso o dia inteiro, ao sol,
a bater e a amolar, durante anos.
Estes indícios retratam a vida de mineiros do deserto.
Talham poços na pedra, com até dez metros,
à procura de quartzo que tenha ouro.
Esmagar o quartzo era uma tarefa gigantesca.
Especialistas em minas calculam que uma equipa de 20 pessoas
demoraria uma semana a processar pedra suficiente
para fazer uma colher cheia de ouro.
- É pesado. - É mesmo.
Infelizmente, restam poucos indícios dessas minas antigas,
mas estas povoações permitem conhecer melhor
as comunidades que tinham vidas duras a processar o ouro.
Temos todos os materiais que usavam.
Trabalhavam aqui para extrair e processar o ouro
que foi enviado para o Vale dos Reis.
- Encontrámos. - Encontrámos.
Em Assuão, a equipa de Alejandro prepara-se para retirar o caixão
do túmulo que abriram.
As inscrições revelam que pertence a um homem chamado Shemai.
Acabam de tirar a tampa do caixão de Shemai.
Rebecca, és a primeira pessoa
a ver o rosto de Shemai nos últimos 4000 anos.
Parabéns.
O caixão interior está intacto, mas extremamente frágil.
A equipa de Alejandro reforçou-o para tentar proteger a múmia.
É difícil exprimir o que sinto. É um momento especial.
Estudo esta família
e é quase a minha segunda família.
No laboratório de restauro,
a beleza complexa dos modelos de barcos começa a surgir.
Térmitas comeram grande parte da madeira,
mas os excrementos ajudaram a segurar partes dos barcos
durante milhares de anos.
Algumas partes ainda estão muito bem conservadas.
Esta cabeça do homem está coberta de excrementos de térmita,
mas a madeira ainda é visível.
Alejandro viu uma figura diferente das outras.
Vemos, no meio do barco,
um rosto amarelo de uma múmia.
Representaria Shemai.
Esta descoberta excecional ajudará os arqueólogos a entender
a evolução de práticas funerárias no Antigo Egito.
Eu sempre sonhei descobrir algo assim.
É um sonho que se tornou realidade.
A próxima tarefa de Alejandro
é levar a múmia de Shemai para a superfície
pela primeira vez em 4000 anos.
No Vale dos Reis, Aliaa e Martin procuram pistas
que expliquem porque o túmulo de Tutankhamon
esteve tanto tempo escondido.
Têm uma autorização especial do governo para usar um drone,
para terem uma perspetiva única da posição do túmulo.
Está no ar.
Se olhar para baixo,
devemos estar a sobrevoar a entrada de Tutankhamon.
Agora, vemos os penhascos atrás.
Vemos a posição central do túmulo.
Por cima vemos escombros.
Pedras soltas e escombros cobrem os penhascos por trás do túmulo,
mas o drone também revela estes canais
criados na rocha por chuvas fortes ao longo de milhares de anos.
Essa pode ser a pista crucial que faltava.
Pensamos que, numa enxurrada,
os materiais podem descer nestes canais.
Ao longo da história,
o vale viu terramotos e enxurradas ocasionais.
A água empurra as pedras na direção dos túmulos.
O túmulo de Tutankhamon situa-se onde os canais se encontram.
E onde deixam toneladas de pedras.
Isso e lascas de pedra de um túmulo construído acima
cobriram mais a entrada
e mantiveram-na escondida mais de 3000 anos.
É muito emocionante para mim, enquanto egiptóloga,
ver o túmulo de Tutankhamon de cima
e ver como se enquadra no vale.
É o local privilegiado, o mais protegido.
Ele teve o túmulo mais salvaguardado.
Tutankhamon foi um menino rei
com um papel pequeno na história do Egito.
Como o seu túmulo permaneceu escondido milhares de anos,
o seu tesouro foi protegido dos ladrões
e tornou-se a lenda que conhecemos.
Em Assuão, a equipa leva a múmia do antigo egípcio Shemai
para a superfície pela primeira vez em 4000 anos.
É o culminar de dez anos de trabalho de Alejandro
e uma oportunidade incrível para saber mais sobre Shemai.
Um metro e 25 centímetros.
É bastante baixo.
A minha filha é deste tamanho e tem oito anos.
Esperava que, no mínimo,
ele tivesse uns 20 anos.
Foi uma surpresa.
Não esperava que pudesse ser um rapaz.
O caixão dele dizia
que ele era a pessoa responsável pela administração da loja.
Ao controlar a loja, controla as pessoas,
porque decide quem recebe comida.
Esta prova nova revela que Shemai tinha um cargo importante
na sociedade egípcia, embora fosse muito jovem.
Podia não ser um faraó,
mas, como o menino rei Tutankhamon,
a posição dele permitiu-lhe ter um túmulo e bens funerários
para garantir uma passagem segura para a vida depois da morte.
Demoraram 12 horas,
mas, finalmente, Eissa e a frota de tesouros de Tutankhamon
chegam à cidade.
Estamos no Cairo e fomos recebidos por muito trânsito.
É muito emocionante. Esperámos por este momento.
Tarek Tawfik, o diretor do museu,
está ansioso por ter tudo no interior, em segurança.
As primeiras caixas têm de ser retiradas...
DIRETOR, GRANDE MUSEU EGÍPCIO
para que comecem a sair as peças de Tutankhamon.
Agora, posso dizer que estou muito feliz.
A missão terminou.
Será como abrir presentes de Natal,
quando tirarmos as peças e descobrirmos mais pormenores
sobre como complementam a história do rei Tutankhamon.
A equipa de Eissa pode finalmente desembalar os tesouros valiosos.
Cientistas e egiptólogos
podem começar a estudar e analisar cada objeto
no laboratório avançado.
A prioridade são as peças de barco descobertas recentemente.
Vamos ver na nossa base de dados
qual delas pode pertencer a algum dos nossos barcos.
Durante quase cem anos,
o barco que esteve enterrado com Tutankhamon,
para o ajudar a chegar ao mundo dos mortos,
não teve o mastro.
Exatamente.
É muito bonito.
É incrível que, depois de tantos anos,
ainda haja descobertas e segredos
sobre o rei dourado, Tutankhamon.
Cem anos após ser descoberto,
o tesouro incrível de Tutankhamon ainda surpreende o mundo.
E o Vale dos Reis mostra
porque continua a ser o melhor lugar do mundo
para procurar os segredos dos famosos faraós do Egito.
Legendas: Ana Rita Santos
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