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Virem.
Certo, pra fora!
Certo, virem.
Giorgia, fique a�. Samanta e a sua amiga podem ficar � vontade.
Tire a roupa.
Vire. Devagar.
Ela serve.
Obrigado, amor, pode ir.
"A DESCONHECIDA"
Este tem a vantagem de j� estar desocupado e mobiliado.
Foi reformado recentemente, os m�veis s�o praticamente novos...
mas j� vou avisando: O aluguel � quase o dobro e o dep�sito � maior.
Isso sem falar no condom�nio, que � o triplo.
E � melhor que eu diga de antem�o:
Quando passam caminh�es, tudo treme.
No fim das contas, � melhor a senhora ficar com o outro.
Vou ficar com este.
O que deseja?
- Felicidades. - Tchau, Matteo.
Bom dia. Est� precisando de uma dom�stica?
- De onde voc� �? - Da Ucr�nia.
N�o, n�o estamos precisando.
- Se o senhor souber de algo... - Passe aqui outras vezes, veremos.
Muito obrigada.
Obrigada.
- E... o que voc� sabe fazer? - Tudo: limpar, cozinhar, lavar...
...passar... - Est� se sentindo mal? � fome?
N�o, estou bem.
S� preciso de um emprego. Ajude-me, e vai ganhar 20% .
- O que voc� pensa que eu sou? - 30%, ali�s. Est� bem? 30% .
Dou 30% pro senhor.
Olhe s�, cada uma que me aparece!
Mo�a!
Volte e passe novamente.
- Com licen�a. - Certo.
Gosta de morangos, n�o?
- Um documento, por favor. - Sim.
- Pode dar a bolsa? Tenha paci�ncia. - Tome.
- Irena Iaru? - Iarushenko. Irena Iarushenko.
- Nada aqui. - Lamento, mo�a, mas precisamos...
O que � isto?
Dinheiro. Economias.
De vez em quando dispara, e n�o sei o que fazer. J� avisei.
- Acho que � um defeito. - Desculpe, senhora. Isso acontece.
Nello, aonde voc� vai?!
Est� com sede?
Sei que est� desempregada. Eu vou pedir demiss�o, quer trabalhar aqui?
- Obrigada, mas j� arrumei emprego. - �timo. Que bom pra voc�.
- Posso ver com alguma amiga. - Bem, se souber de algu�m...
Acabo de me formar, vou trabalhar com uma advogada.
- Parab�ns. - Mas voc� teve sorte.
Aqui em Velarchi s� moram ourives...
n�o costumam empregar estrangeiras.
Pelo que eles pagam, voc� limparia?
Claro que n�o. Mesmo assim, j� falei: Essa escadaria d� nojo!
Tudo bem, j� entendi, j� entendi.
Muito bem! �timo trabalho.
- Quando devo voltar? - �s ter�as e aos s�bados.
S�o 30 euros por dia. 30 com 30, 60 por semana.
Portanto, eu lhe dou 40 por semana. Certo?
- Certo. - Com quanto vai abrir a conta?
Oito mil.
Ouvi dizer que procura emprego. Minha m�e precisa de faxineira.
- Caso lhe interesse... - Lamento, j� preenchi toda a semana.
- Posso ver com alguma amiga. - Obrigado.
Foi voc� que encerou a porta e a ins�gnia no 4� andar?
- Por que, n�o podia? - Bem, n�o era fun��o sua...
mas, como consegue fazer milagres, est� perdoada.
Obrigada. Caso precise de mim pra qualquer coisa...
Gina, as vitaminas de Tea acabaram.
Sim, sim. Eu sei. Vou comprar mais.
- Bom trabalho, ent�o. - Tchau, senhora.
- Escadas, escadas! - O elevador estava funcionando!
S� que eu tenho claustrofobia, fico sem ar. Por isso, escadas, escadas.
Passo a vida subindo e descendo escadas.
Apareceu outro servicinho. Um apartamento vazio pra limpar.
- Onde? - Terceiro andar, o n�mero 6.
- Quanto devo pedir? - Quanto mais, melhor pros dois, n�o?
Tudo bem. Combinado, ent�o. A gente se v� na segunda.
Escute...
bom apetite.
Obrigada.
O que n�o suporto � o sil�ncio. Ela s� conversa com a filha.
Com todos os outros, � um urso. Como consegue passar o dia todo calada?
- Deve ter seus problemas. - Claro, problemas n�o lhe faltam.
- Qual a profiss�o do Sr. Donato? - Os dois t�m uma ourivesaria.
Ele � o administrador, ela desenha e faz as joias.
� muito talentosa, mas n�o gosta de companhia.
Se a senhora quiser, podemos sair juntas.
Eu s� tenho folga quinta � tarde e domingo.
Pode ser, mas voc�... n�o sei nada a seu respeito.
FERRAGENS & FERRAMENTAS
CINEMA
- Nossa Senhora, que barulho � esse? - � Valeria.
- Por que ela n�o trabalha na oficina? - Ela e o marido se separaram.
Nem todo mundo que se separa monta uma oficina em casa!
Antes, tamb�m, como brigavam!
S� nas f�rias deles no campo t�nhamos paz.
Ela passou a gravidez toda no campo.
Al�?
Sim.
Eu tamb�m.
N�o, agora n�o posso falar. Posso ligar mais tarde?
Tchau.
Segurem o ladr�o!
Pare! Ladr�o!
Pega ladr�o!
Volto j�.
- 36. - 37!
39!
40!
- 41! - Mas eu pedi de 8 mm!
- 42? Quem tem o 42? - Sou eu!
- C�pia das 3 e do controle remoto. - Certo.
Uma c�pia de cada.
- Algum problema? - N�o. Posso j� ir pagando?
- 60 euros. Tr�s chaves e um... - Ele estava na frente.
Desculpe.
- Pronto. - N�o temos mais este modelo.
- Esta n�o vou poder copiar. - Tem certeza? Verifique melhor.
Est� em falta, j� pedimos mais.
Podia ter me avisado. Vou ser demitida por sua causa!
Espere, espere! Acho que d� pra dar um jeito!
Socorro! Subam, depressa!
- Est� passando mal? - J� estou melhor.
Malditos! Subam pra me pegar, se t�m coragem!
Estou t�o contente. N�o gosto de ir ao cinema sozinha.
- Por que n�o vai com a menina? - Ela s� gosta de desenho animado.
- Ainda n�o tem idade pra ver de tudo. - Domingo que vem, ela faz 4 anos.
- Quero dar uma caderneta de poupan�a. - Dinheiro no banco? N�o rende nada.
N�o, eu ia depositar o quanto pudesse todo m�s...
assim, quando ela completasse 18 anos, ia ter um pequeno tesouro.
- Quer? - Sim, obrigada. Ela vai fazer render.
Desculpe, que sujeira. Saiu de uma vez, sinto muito.
N�o, n�o se preocupe.
N�o se preocupe. Mas isso s� vai acontecer daqui a muito tempo.
- Talvez vire um capital e tanto. - Ent�o acho um �timo presente.
Ela vai gostar.
- N�o vou contar pra ningu�m, juro. - Voc� vai se dar mal, ouviu?
H� tr�s anos voc� procura, procura, procura! Est� procurando o qu�?
Pergunta o dia todo, de sol a sol! Parece doen�a!
Perd�o, senhora, aqui � Matteo. N�o, n�o, nada grave.
� que a senhora esqueceu de ligar o alarme.
Sim, j� verifiquei, est� tudo no lugar. Mas eu levei um susto.
Pode deixar que eu ligo. Boa noite.
� poss�vel ter um sonho de verdade no meio de tantos pesadelos?
Mas eu estou aqui de verdade, n�o est� sentindo?
Sou eu, Nello, em carne, osso, pele, nervos.
E os pesadelos a gente esquece.
Deixe comigo. Vou tirar voc� daquela vida nojenta.
Qu�?
Talvez um dia eu consiga esquecer meus pesadelos.
S� os meus, � mais f�cil. Mas voc�...
- Que conversa � essa? Seja clara. - N�o d� mais, � pouco dinheiro.
Agora que o servi�o no 6 acabou, o senhor precisa me ajudar.
Tenha paci�ncia.
- Bom dia. - Ol�, Matteo.
- Quantos ourives trabalham em casa? - Todos, menos o do 3� andar.
E n�o precisam de algu�m que ajude nas tarefas dom�sticas...
...que substitua alguma criada velha? - � dif�cil.
Pra uma estrangeira como voc�, � ainda pior.
Todos est�o bem aparelhados, com gente de confian�a, entendeu?
- Bom dia. - Bom dia.
Como a sua amiga Gina. Est� l� desde sempre.
Acha que v�o demiti-la?
- Escadas, escadas, escadas... - Bom dia, Gina!
- Como foi a festa? - Como todo anivers�rio de crian�a.
Quanto mais elas se divertem, mais os adultos pensam na velhice.
- Ela gostou do presente? - A m�e ficou boquiaberta.
- N�o esperava por isso. - E a menina?
Acho que ela nem entendeu. Sabe, com tantos brinquedos novos...
Mas n�o importa. Um dia vai entender.
Ontem machucou a cabe�a de novo, pobre anjinho.
- Como assim? - Ela sofre de uma rara doen�a...
que a impede de ter reflexos de defesa.
Por isso est� sempre cheia de hematomas, coitadinha.
Quando cai algo em cima dela, n�o tem o instinto de se proteger.
Quando ela trope�a, n�o usa as m�os, como todos fazem.
- Mas deve haver uma cura. - Os m�dicos dizem que n�o.
Bem, mas, se ela tomar cuidado, n�o � t�o grave. H� coisas piores.
Bem, vou embora. Preciso ir.
- At� mais tarde. - Tchau.
Sim. Essa serve.
- A senhora � Irena? - Sim.
- Documentos, visto de perman�ncia? - Tudo em ordem.
- 32 anos. � casada, tem filhos? - Casada, mas sem filhos.
- E o seu marido? - Trabalha na Ucr�nia.
- Sabe cozinhar? - Sim.
- Que pratos sabe fazer melhor? - Um pouco de tudo.
Enroladinho � milanesa, macarr�o ao pesto, espaguete � botarga...
...tortas de todos os tipos. - Que estranho.
- A senhora n�o gosta de torta? - N�o � isso. Pelo contr�rio.
Tem experi�ncia com crian�as pequenas?
Sim, senhora.
- Cuidou delas muitas vezes? - Muitas.
Parece perfeita. Na verdade, a pobre Gina elogiava muito a senhora.
O porteiro tamb�m. Bem, fa�amos uma experi�ncia, depois veremos.
- Quando quer que eu comece? - Pode ser na segunda?
- Perfeito. Obrigada, madame. - Uma coisa muito importante:
...a senhora sabe dirigir? - Com certeza.
- Est� bom assim? - Melhor.
Mas agora engate a segunda.
AUTO-ESCOLA Certo. Estou indo bem?
- A aula precisava ser aqui? - Ontem estava vazio. Vire ali.
Some daqui! Chega!
Cuidado! Quer atropelar algu�m?!
Gostei de voc�, sabia?
Juntos, vamos fazer grandes coisas. Quero lhe dar um nome art�stico.
Especial.
Giorgia.
Giorgia, como na can��o.
Giorgia
Giorgia
Gostou ou n�o gostou?
Solte uma das minhas m�os tamb�m...
que eu respondo.
Que lindos olhos voc� tem.
Al�?
Al�?!
- Quem �? Al�! - Giorgia
Giorgia
Aqui � a �rea de servi�o. Desculpe a bagun�a, mas eu, sozinha, n�o...
Cuidado com a m�quina de lavar.
Vaza ao centrifugar. Precisava achar algu�m que consertasse.
A coifa est� com defeito. Depois de ligar, precisa bater aqui.
- Onde � o registro do g�s? - Sim, bem lembrado.
Nas primeiras semanas, pode trabalhar tamb�m �s quintas?
Claro, madame.
- Aqui tamb�m troco os len��is? - N�o. Era o quarto de Gina.
Agora ningu�m dorme a�.
Esta � a minha oficina. Por nenhum motivo no mundo ponha os p�s aqui...
...nem toque em nada quando saio. - Nem pra varrer o ch�o?
- Nenhum motivo, entendeu? - Est� bem, madame.
- Amor! Amor, n�o foi nada. - Malvada! Malvada!
- Ela n�o fez de prop�sito. - Eu sinto muito!
- Manda ela embora! Mande ela embora! - Eu sinto muito mesmo.
N�o quero mais te ver! N�o quero! Malvada!
Voc� se deixou roubar!
N�o avisei pra tomar cuidado?! S�o todas iguais!
Que culpa tenho eu? O senhor mandou excit�-los mesmo sem...
Sujou minha camisa tamb�m. Eu vou dar um jeito em voc�.
Quem se mete em rolo precisa se desenrolar.
- Madame, com licen�a. - Sim? Pode entrar.
Esta blusinha est� com o colarinho estragado. O que devo fazer?
Fazer o qu�? Jogue fora. � uma pena, ficava bem em mim.
- Se quiser, posso tentar vir�-lo. - Sabe fazer at� isso?
- N�o � dif�cil. - Ol�.
- Ol�. - Estou acabando o fecho da corrente.
- Esta � Irena, a nova dom�stica. - Boa tarde, senhor.
- Boa tarde. Continue. - Papai, papai!
- Trouxe o meu castelo? - Desculpe, esqueci de novo.
Saia um pouco, por favor. V� cuidar da menina.
Imediatamente, senhor.
Tea, voc� quer lanchar?
Tea?
- Quer me explicar? Diga o motivo! - E isso � jeito de falar?!
�, sim! Porque eu n�o reconhe�o mais nada nesta casa!
- Quer baixar o tom de voz?! - Baixar o que, sua puta?!
- Como se atreve?! - Eu sei muito bem o que voc� faz!
Pare! Pare com isso, por favor! N�o venha com ares de...
Com ares de qu�? De qu�?!
- At� amanh�! - Tchau, Tea!
- Tchau, Marco! - Tchau.
Est� triste porque eu vim?
Sua m�e n�o p�de vir.
Vem, vem.
Voc� tem raz�o. Fui estabanada, mas o que devo fazer pra ser perdoada?
- Voc� enrolou minha m�e. - Por qu�?
Porque n�o � verdade que voc� sabe dirigir. Vou contar pra ela.
Isso, conte. Assim, vai se livrar de mim.
Mas n�o � minha culpa se voc� n�o sabe cair.
S� que, se eu for mandada embora por sua causa, vou contar pra ela...
que voc� bisbilhota as brigas dela com seu pai e chora escondido.
- Ol�, mam�e! - Ol�, amor.
Ol�.
Como voc� est�? Como foi o dia?
- Tudo bem. - Que bom.
Agora fique um pouco com Irena, a mam�e tem um servi�o urgente.
Est� bem? Depois a gente se v�. Tchau.
- V� para o seu quarto. - Por qu�?
V�.
Que lindo! O castelo da princesa!
- Obrigada! - N�o me agrade�a. Seu pai trouxe.
- Ligou pro papai? - Claro. Voc� � que n�o liga pra ele.
Irena, a centr�fuga!
- Aprendeu a ligar pra ele? Que bom. - Sim.
Um pano s� n�o d�, vai precisar de mais!
- Tudo bem, est� tudo sob controle! - Cuidado, sen�o alaga tudo!
Pegou um balde?
- Vazou muita �gua? - Nada, madame.
- O que houve? Um milagre? - A borracha estava velha. Troquei.
Muito bem. �timo. O pesadelo acabou. Excelente!
Com licen�a... se n�o precisa de mais nada, vou terminar e ir embora.
N�o, espere, Irena. J� que seu relacionamento com Tea melhorou...
poderia ficar com ela at� meia-noite, meia-noite e meia?
Pode sair, madame, n�o tenho problemas de hor�rio.
�timo!
Eu sei que foi voc�.
- O qu�? - O presente.
Por que n�o me contou?
Pensei que fosse ficar mais contente achando que foi seu pai.
A cor do seu cabelo mudou tr�s vezes.
Era preto quando voc� nasceu, depois ficou ruivo...
e h� um ano � castanho.
E os olhos...
pretos, verdes, castanhos! Nossa!
Voc� conhece alguma can��o de ninar?
- Can��o de ninar? Sim. Uma. - Vai.
Ol�, ol�, ol�!
Ol�!
Nossa, voc� arrumou at� o dep�sito?
Precisei esvaziar, estava alagado.
- Aqui vai tudo pro lixo. - Minhas coisas n�o!
Lembra disto?
- Que linda! - Est� irreconhec�vel!
- Que maravilha. Muito bem! - Como conseguiu, em 3 dias? Perfeita!
Irena, as toalhas!
Pus tudo pra lavar, e n�o deu tempo de guardar.
Que frio. Obrigada.
Parab�ns, madame. A senhora tem corpo de menina. � linda.
Ora, n�o diga bobagens.
- Donato, cuidado, ela vai cair! - �s ordens, coronel!
Fico feliz que a senhora e seu marido... Bem, Tea est� mais calma.
Passe creme nas minhas costas, por favor.
Obrigada.
Est� ficando rid�culo. Chamo voc� de "senhora"...
voc� me chama de "madame".
- Vamos nos tratar por "voc�". - Certo. Como quiser, madame.
N�o falei s� pra elogiar. Seu corpo � lindo mesmo.
Nem parece que teve uma filha.
Tea, cuidado!
- N�o corra tanto! - N�o a apavorem.
- Se ela cair, caiu; depois levanta. - S� n�o queremos que se machuque.
- Mas deixem que ela se mexa. - N�o acredito que n�o haja uma cura.
Ela n�o � doente! Enfiem isso na cabe�a!
- Tea. - Vai, vai, voa!
Irena, como � o seu marido?
- Meu marido? - Voc� nunca fala dele.
Vai, voa! Vai, voa!
Vai, vai!
- Ol�, papai! Ol�! - Pode me deixar no ponto de �nibus.
- Vamos lev�-la at� em casa. - N�o, n�o se incomode.
- Sim, assim a gente v� a sua casa! - Outro dia, por favor. Prefiro andar.
Tchau!
Irena! Irena, espere!
Vou com voc�, assim a gente conversa um pouco.
- Algum problema? - N�o, n�o.
N�o sabe o quanto lutei pra convenc�-los a contratar voc�.
- Havia outras candidatas melhores. - Entendi. Quer rever nosso acordo?
N�o, n�o � isso. Eu s� esperava uma migalha de gentileza a mais.
Pode deixar que eu carrego. Voc� mora por aqui?
Preste aten��o, Matteo: De hoje em diante, lhe dou 50% do meu sal�rio.
Est� bem? Mas fique longe de mim. Obrigada.
OURIVESARIA ADACHER
Preciso dizer algo muito importante.
Voc� ficaria uma semana aqui, sozinha com Tea?
� que... antes do Natal, preciso dar um tempo, ficar um pouco sozinha.
- N�o precisa me explicar. Tudo bem. - Que bom.
Naturalmente, vai ganhar um extra, e deixarei dinheiro para as despesas.
Caso precise, pode sempre ligar pro Donato. Com licen�a, espere.
Vou manter o celular ligado, pode me ligar quando quiser!
N�o se preocupe, vai dar tudo certo!
� com Tea que me preocupo. N�o tire os olhos dela, entendeu?
Talvez seja melhor que ela nem v� � escola esses dias. O que acha?
N�o sei, acho que seria mudan�a demais na rotina.
Tudo bem que sexta � o �ltimo dia de aula. Ou � s�bado?
N�o, acho que � sexta mesmo. Mas deixe pra l�.
Sen�o ela vai fazer perguntas demais.
Ah, e mais uma coisa: Faz tempo que n�o vou para Villa Robinia.
Eu cuido disso. A senhora procure ser feliz.
- O que voc� fez? - N�o fiz nada.
Ah, voc� est� a�? J� tinha procurado em todo lugar.
Implorei para que n�o a deixasse sair! Eu ia busc�-la na sala de aula!
- Ela fugiu. - Isso eu entendi! N�o entendi como!
Minhas amigas me empurraram escada abaixo!
Tome cuidado. Se isso se repetir, a senhora ter� problemas s�rios.
- Ainda d�i? - D�i.
Da pr�xima vez, voc� precisa reagir, entendeu?
- Meta a m�o nelas! - E aquela hist�ria da outra face?
"Quando algu�m te d� um tapa, ofere�a a outra face."
Quem diz isso s�o os primeiros a bater.
Precisa aprender a se defender, a se proteger das quedas.
Como?
Se quiser aprender, vai ter de fazer tudo o que eu mando.
- Aceito. - Toque aqui.
Ent�o vamos comemorar.
- Aposto que gosta de morango. - Voc� acertou!
Eu tinha certeza.
O pediatra falou que n�o posso comer morango.
Voc� vai contar pra mam�e?
De jeito nenhum. Seria trair nosso acordo. Eu sei guardar segredo.
- Est� machucando? - N�o. Vamos brincar de salame?
� mais ou menos isso.
Levanta.
Vou te ajudar.
Muito bem.
Vai.
Vai.
Vai, sozinha.
Vai, Tea, sozinha. Sozinha, agora.
Muito bem. Muito bem. De p�.
Vai, Tea, de p�, anda!
Muito bem. Levanta.
- Isso, muito bem. - Consegui, agora chega!
Levanta! Sozinha, agora! Anda.
- De p�, de p�! De p�! Levanta! - Malvada!
Anda! Sozinha, anda! Levanta.
Mais uma vez, vai. Isso.
Levanta. Levanta!
- Tea, anda, anda, anda! - Conto pra mam�e! Ela te despede!
- � mesmo? Voc� vai me despedir? - Malvada!
Isso! De novo!
- Malvada! - De novo! De novo!
Levanta. Levanta! Levanta!
- Chega, pelo amor de Deus! - Levanta. Levanta! Levanta!
- Malvada! - Vai! De novo! Levanta! Vai!
Sua puta! Puta! Puta!
Muito bem! Voc� foi �tima!
Viu como voc� consegue? Viu?! Por que n�o me bateu antes?
Por que n�o fez isso antes? Voc� consegue, entendeu?
Venha comigo.
- Avise Dona Valeria da mensalidade. - Eu j� paguei.
Desculpe, ent�o. � aqui.
Aqui est� a paciente mais boazinha de Villa Robinia.
- Gina? Me reconhece? - � in�til.
Mas, se n�o estiver muito frio, podem sair para tomar ar. Faz bem a ela.
Eu sinto muito. Sei que a senhora nunca vai me perdoar...
mas, se eu n�o seguisse o meu caminho, eu � que ia morrer.
A senhora entende?
Mas, de alguma forma, vou compens�-la.
Essa � pequena demais pra um ramo grande. P�e l� em cima.
�s ordens, presidente.
- Anda, p�e a ponta tamb�m. - Sr. Donato, vai jantar aqui?
- O que o senhor presidente diz? - Ficar comigo uma noite n�o mata.
- Vai jantar com a gente? - N�o acho adequado.
- Pai, fala com ela. - Tea, n�o seja manhosa.
Se eu sou o presidente, por que s�o sempre voc�s que decidem?
Irena, por favor...
- Quem te ensinou a cozinhar t�o bem? - Ningu�m.
Li muitas receitas.
Estou com fome, muita fome!
Estou com fome! Ainda estou com fome!
Ele est� com fome!
Tragam isso pra c�!
- Agora preciso de tr�s crian�as! - Eu! Eu! Eu!
- Voc�, voc�... e voc�! - N�o! Tea, Tea, n�o!
- Por qu�? Deixe-a ir. - Vamos ajud�-lo a digerir, pulem!
Vamos, vamos, pulem!
M�e!
Levanta.
Levanta.
De p�.
N�o adianta! Me deixa em paz!
- Me estapeia! Me bate! - Pelo amor de Deus, chega!
Eu fa�o tudo... tudo... mas... me deixa sair...
Eu nunca vou conseguir.
- Ele n�o vem trabalhar faz tempo. - Nem veio pegar o pagamento!
Onde posso procur�-lo?
Sei l�!
- Uma foto com o Papai Noel? - Vem, vamos tirar!
- Sorriam. - Mais juntos.
- Chegue mais perto da mam�e. - Mas ela n�o...
- O que foi? - Nada, nada.
- Paradas. - Sorriam. Um belo sorriso. Pronto!
Ol�, meu anjo. Ol�, amor.
Como voc� est�? Est� t�o linda, elegante!
- Feliz Natal, madame. - Obrigada, Matteo.
- At� mais. - Deixa ver.
O que foi isso?
- O que � isso no bra�o? - Nada.
- Irena, o que aconteceu? - Foi no parquinho, no balan�o.
- Voc� sabe como eu sou. - Sim, amor.
- O que devo preparar? - La esquecendo, vamos jantar fora.
Obrigada, Irena. Mas, se voc� j� acabou, pode ir embora.
- Amanh� a gente conversa. - Est� bem. Bom passeio.
- Obrigada. - E voc�, com quem vai jantar?
- Com umas amigas. - Voc� conhece minhas amigas.
Por que nunca me apresenta as suas?
- Acho que voc� n�o ia se divertir. - Mas a gente se v� amanh�?
Claro, por que n�o dever�amos nos ver?
S� que tudo voltar� a ser como antes.
Feliz Natal!
- Feliz Natal. - Feliz Natal!
Quem �?
- Cristo Santo! O que aconteceu?! - Me ajuda.
Vem pra dentro. Vem.
Voc� n�o quer ir pro hospital nem pra delegacia. Desculpe.
Com certeza est� metida numa encrenca daquelas.
Deixe-me ficar aqui por uns dias, por favor.
Quer me encrencar tamb�m?
- S� se o senhor n�o me ajudar. - Sinto muito...
mas precisa sumir daqui antes de amanhecer, fui claro?
E pra sempre, entendeu?
Mas antes quero me despedir de todos os cond�minos.
- Fa�a o que quiser, mas suma! - Vou contar a f�bula do ouro em p�.
Mas o que est�?
Eles deviam ter batido mais.
Vem c�. Gostou?
- Dia e noite aqui? - Amor, � por voc� tamb�m.
Lucrezia sai com voc� pra tomar ar � noite.
- "Culin�ria Italiana"? - Tome.
Pra mim?
Que lindos! Como sabe que eu adoro vermelho?
Eu observo, estudo voc�! � verdade que �s vezes tenho a m�o pesada...
mas � porque gosto de voc�. S� precisa me fazer um favor:
...tem alguns amigos meus a�. - Mas eu...
� que eles s�o meio esquisitos. E a� chega, repouso absoluto at� o parto.
Quem vai entrar primeiro?
Aqui est�. Trouxe os rem�dios e todo o resto.
- E... um chocolate. - Diga � Sra. Adacher...
que estou gripada e n�o vou poder trabalhar por uns tempos.
Est� bem.
Boas festas! Feliz Natal!
R�pido, r�pido!
- Nem uma vez? - N�o. Acho que abortei.
Voc� n�o deve se gostar muito. � uma pena. Na sua idade...
O que quer dizer?
Que voc� n�o pode mais ter filhos.
- Este �nibus vai pra Velarchi? - Sim, senhora.
S� sei que voc� precisa tomar cuidado!
Est�o falando demais por a�. Os homens n�o se divertem mais...
dizem que voc� s� chora. O vento virou, Giorgia.
Agora ele � todo amoroso, mas, quando voc� n�o servir mais...
O que mais ele pode fazer? Livrar-se de mim?
Cada um faz o que quer com sua vida.
E o �ltimo desejo do condenado?
Diga qual � o nome.
Sou eu. A porta n�o abria.
Ela te procurou o dia todo.
- Precisa de ajuda, de um m�dico? - N�o, obrigada.
- Como est� Tea? - � incr�vel, tamb�m est� com febre.
Espere, vou passar pra ela.
Oi.
- Que vozinha fraca. - Viu? Fiquei doente, como voc�.
- Quando voc� volta? - Logo.
Por que n�o vem agora? � s� se agasalhar bem.
N�o posso, amor.
Ent�o canta aquela can��o que n�o d� pra entender nada...
...mas que sempre me faz dormir. - Est� bem. J� est� deitadinha?
Sim.
- Voc� est� contente hoje. - Acontece.
Olhe que hoje dois sujeitos estiveram aqui, perguntando por voc�.
Falei que voc� n�o trabalhava mais aqui.
- Fez bem. - E mais uma coisa:
A madame est� procurando uma nova dom�stica.
Acho que te conv�m dar o fora.
Eu avisei.
Me sinto num daqueles lugares onde voc� anda, anda, e n�o sai do lugar.
Voc� n�o sabe onde � a sa�da, nem se tem sa�da.
E cada passo que d� � um erro.
E eu j� cometi tantos erros... uma vida n�o basta pra pagar por todos.
Mas acreditar que algu�m como eu, no fim das contas...
ainda pudesse ter um futuro...
essa foi minha maior culpa.
S� por isso mere�o morrer. N�o por aquele animal.
Isto � por Nello!
Eu faria de novo, n�o tenho remorso...
s� medo, pois achei que eu tivesse acertado as contas com meu passado.
Mas, pelo visto, meu passado n�o acertou as contas comigo.
Hoje cansei bastante a senhora.
Obrigada, at� mais.
- Irena? - Bom dia.
- Vejo que sarou. - Sim, estou melhor.
Sa� de casa hoje de manh�. La ligar pra senhora � tarde.
- E voc�, como est�? - O que � isso na sua cara?
De tanto pensar em voc�, eu tamb�m ca�.
- J� achou outra dom�stica? - Que inten��es voc� tem?
- Houve furtos no condom�nio, sabia? - � mesmo?
Talvez seja melhor que me devolva as chaves.
- � melhor pra voc� tamb�m. - Claro, s� faltava.
- Estou sempre em casa. Eu abro. - Est� bem.
Tea, voc�s querem tomar alguma coisa? Sei l�, um...
Crian�as. Tea. Est�o com sede?
Comprei isto pra voc�. � um desenho animado novo.
N�o v� que estamos brincando? Deixa a gente em paz.
Por que voc� me trata mal? O que foi que eu fiz?
Me ensina a brincar de esconde-esconde.
1! 2! 3! 4! 5!
6! 7! 8! 9! 10!
Onde voc� se escondeu?
Que fim levou Tea?
Tea, saia da�!
Tea!
Tea!
Tea!
O que aconteceu? O que voc� tem? Calma. O que foi?
Conte o que aconteceu.
Raptaram a menina.
Quem raptou? O que est� dizendo?
Onde voc� estava? Responda.
Responda!
Ganhei, voc� n�o me achou!
Desculpa.
Passou.
Posso te ajudar?
Conven�a sua m�e a me deixar dormir aqui hoje.
- Est� com medo do homem do jornal? - N�o, � s� pra ficar com voc�.
Vou tentar, mas, se ela deixar, a gente faz as pazes?
J� fizemos as pazes, meu amor.
- Depressa, estamos atrasadas! - N�o corra.
E agora, como vamos pra escola?
Pronto, conseguiu ser demitida.
Eu podia apostar. Desde que voc� chegou, s� coisa ruim aconteceu.
- Deixe-me ficar aqui mais uns dias. - E onde vou enfiar voc�?
O por�o est� alagado.
E eu n�o quero encrenca. Voc� � perigosa demais.
- E ingrata. - Ingrata? Sempre cumpri os acordos.
O dinheiro? Se quiser, eu devolvo.
Voc� n�o entendeu nada.
Eu gosto de voc�!
N�s dois, juntos... a gente vai longe.
- J� decidiu como vai me matar? - O que est� dizendo?
Sabia que sempre gostei de voc�?
Pena que ficou meio extravagante, ou s� Deus sabe aonde chegar�amos.
Ao mesmo ponto onde estamos, ou seja, no fim, certo?
- Ainda temos algum tempo. - Ent�o, vamos beber.
Se esta � a �ltima vez, quero me embriagar com voc�.
Nunca entendi por que chamam voc� de Mofo.
Toma.
Tire as m�os de mim.
Desculpe.
Quer que eu fale com a madame? Ela te readmite.
Ou sou velho demais pra voc�? O que vai fazer?
N�o tenha medo.
- D� um beijo. - Tchau.
Oi!
- Como voc� est�? - Eu tentei, mas ela est� muito brava.
- Est� com medo. - Medo do qu�?
De voc�.
- O que voc� fez pra minha m�e? - Nada.
Est� escondendo alguma coisa de mim tamb�m?
Eu gosto de voc�. Faria qualquer coisa por voc�s.
- Tea. - Obrigada.
- Bom dia. - Bom dia.
- Foi s� um "ol�". Por favor... - Entendi. Entendi.
Pai, ela quer voltar, mas a mam�e disse que n�o.
Tenha paci�ncia. Minha esposa � assim.
Vai passar.
� pequeno, mas me trouxe tanta sorte.
Estudei para os exames aqui. At� escrevi minha tese aqui.
O aluguel � barato, por isso ainda o conservo. Adoraria ver voc� aqui.
- Aonde d� esta escada? - Numa sa�da de servi�o.
N�o tenho medo de nada! S� quero esquecer o passado...
e n�o quero que algu�m me lembre dele todo dia!
Sinto muito.
Foi seu pai que te mandou aqui,n�o?
Voc� precisa de dez mil por m�s, certo?
N�o do homem que me p�s aqui. E nem da filha dele! H� oito anos...
Quieta!
Achou que seria f�cil matar algu�m como eu?
Dois golpes de tesoura e tchau? Como no cinema?
Nem todos s�o competentes como voc�.
Desde que voc� foi embora, tive muito tempo...
pra pensar em como me livrar de voc�.
Agora tenho algumas ideias.
Escolha a sua preferida e ande logo.
Tudo a seu tempo.
Mas sou mais generoso do que voc�, Giorgia.
Se me responder, dou minha palavra: Deixo voc� em paz.
O dinheiro! Onde est� o dinheiro?!
Que dinheiro? N�o sei de dinheiro nenhum.
Vai.
Vai.
N�o entre.
Por favor.
"DOEN�AS MUSCULARES DA INF�NCIA"
Eu deveria ter entendido quem era voc�...
e que tudo era uma chantagem.
Quanto voc� quer?
- Nada. N�o quero nada. - O que veio procurar aqui?
Amizade, compreens�o?
Enfie isto na cabe�a: Jamais deixarei que roube minha filha.
- Sua filha. - Sim. Ela � minha filha.
Conforme-se. Est� tudo legalizado.
Voc� n�o pode fazer nada.
A m�e sou eu, para todos os efeitos.
Diga uma quantia.
Eu n�o quero nada da senhora.
Ent�o deixe minha menina em paz.
Nunca mais apare�a. Nunca mais!
Devolva as chaves do carro.
E estas?
As chaves de casa.
Nem pra ladra voc� presta. J� tinha devolvido as outras.
Quem � o homem do jornal?
V� embora, madame.
Desapare�a, se n�o quiser se dar mal. E quem te acompanha tamb�m!
Voc� se meteu numa encrenca enorme.
Nem imagina a grana que poder�amos ganhar com essa situa��o.
- Ela n�o tem nada a ver com isso. - Mas � perigosa.
Devolva o dinheiro. Tem uma semana. Sen�o n�o vai se salvar.
Conhe�o voc�. Assim que pegar o dinheiro, me mata do mesmo jeito.
Acredite em mim, amor. � melhor pra voc�.
Poderia ter feito isso tantas vezes, mas n�o era o que eu queria.
Nunca pensei em lev�-la embora.
Eu queria ficar perto dela. S� isso me bastava.
V�-la crescer. Descobrir em que podia se parecer com o pai dela.
Talvez eu tenha errado tudo. Devia ter feito como tantas outras...
que um belo dia aparecem, fazem um esc�ndalo e recuperam o que � seu.
Talvez ainda possa fazer isso.
Mas por que voc� sempre me faz assinar?
Por que sempre me faz assinar?
Ouviu? Est� assim h� alguns dias.
- Ent�o vai voltar a andar? - O importante � que ela se comunique.
- Com licen�a, tem hora marcada? - N�o, mas o Sr. Adacher me conhece.
- Trabalhei com a esposa dele. - Olhe...
- S� preciso de 5 minutos. � urgente. - Espere, verei o que posso fazer.
- A senhora � Irena Iarushenko? - Sim.
Sinto muito, mas o Sr. Adacher n�o pode falar com a senhora.
- Aconteceu alguma coisa? - O que vamos fazer?
Isso, mais pra c�, vai, vai!
- Bom dia, Sr. Adacher. - Bom dia.
Fez bem em vir. La mandar o porteiro procur�-la.
Eu quis vir antes, mas fiquei com medo de incomodar.
- Imaginei. - Devagar.
- Como est� Tea? - N�o muito bem. Est� nervosa.
Pergunta sempre quando Valeria voltar� da viagem que inventamos.
- Ela n�o est� indo � escola? - Eu a deixei com minhas irm�s, mas...
ela n�o est� bem l�.
- Pergunta sempre da senhora tamb�m. - Se o senhor quiser...
mesmo que s� por algumas horas, pra fazer companhia pra ela...
Na verdade, ia pedir que a senhora voltasse em tempo integral.
Na nova casa, ter� um quarto s� seu, acho que Tea ia ficar contente.
Giorgia, voc� gosta de se mudar.
- Quem se exila mora em mil casas. - Sei. Muito po�tico.
Mas meu saco j� encheu. Cad� o dinheiro?
Como posso acreditar que depois vai me deixar em paz?
Na verdade, prometi ao Pai Eterno que ia partir o seu pesco�o.
Mas, se nem Ele puder fazer vista grossa...
- S� eu e voc�. - Voc� nunca foi rom�ntica assim.
� uma pena.
Agora confia em mim?
Estas quatro, no escrit�rio do Sr. Donato.
Leve isto embora, precisa consertar.
Irena!
Bom dia.
- Como voc� est�? - Bem, e voc�?
Agora que vi voc�, estou melhor, meu amor.
Vou te mostrar o seu quarto.
- Viu como � grande? - Cad� o quarto da mam�e?
Depois a gente v�. Diga, como quer que fiquem os m�veis e o resto?
Vai, amor, podemos inventar muita coisa.
N�o tem muito o que inventar. Quero tudo como antes.
- O que voc� fez na m�o? Machucou? - Irena.
Procuram a senhora.
- A senhora � Irena Iarushenko? - Sim.
- Siga-nos at� a viatura, por favor. - Por qu�?
� s� uma notifica��o.
O que est� acontecendo?
Nada. Nada.
Volto j�.
Me deixa ficar com este, por favor!
Que diferen�a faz pra voc�? Trabalho o tempo que quiser! Pagarei por ele!
Me solta!
Tire essa ideia da cabe�a, entendeu?!
A senhora tem habilita��o?
Sim.
Que estranho. Acho que esqueci em casa. Mas sei o n�mero de cor.
RC-30...
...97... - 254-B.
- Reconhece? - Sim.
E isto?
Como era o seu relacionamento com a Sra. Valeria Corsini Adacher?
- �timo. - Quando a viu pela �ltima vez?
Acreditem, eu gostava da madame!
Mas discutiu muito com ela. Por qu�?
Ela n�o estava mais contente com meu trabalho.
Acontece, que mal h� nisso?
E as digitais no porta-luvas e em todo lugar? Como explica isso?
- Irena dirigia aquele carro sempre. - Sim, doutora, isso eu entendi.
- Mas e o sapato? A habilita��o? - Devem ter ca�do l�. Qual a liga��o?
O carro caiu no rio porque o motor e os freios foram sabotados.
N�o foi acidente; foi assassinato.
Mas eu nem sei onde ficam os freios de um autom�vel!
A inoc�ncia de Irena � evidente.
As provas contra ela n�o se sustentam.
Tudo bem, tudo bem.
- O que significa esse "tudo bem"? - Que n�o os convencemos.
Agente!
Que lugar � este?
Do canto do tanque, cinco passos at� o t�mulo do c�o.
O dinheiro est� ali.
O t�mulo do c�o, o tanque? O que � isso, uma ca�a ao tesouro?!
- Chegou perto. - Bem, j� que tem pr�tica, voc� cava!
Mexa-se!
1... 2... 3... 4... 5.
- Ali. - Como eu devo dizer a voc�?
- Pegue essa p�! - V� pro inferno!
Com voc�, sua desgra�ada!
Ele � o assassino que procuram.
- Agora acreditam em mim? - E por que ele teria feito tudo isso?
Para me punir.
Acho que n�o me lembrei direito, deve ser mais pra l�.
Como assim, mais pra l�, mais pra c�, mais pra l�?!
Precisa me dar o dinheiro, entendeu?!
Sua ratazana!
Ele nos fazia de escravas. Se n�o troux�ssemos a quantia exigida...
ele nos pendurava de cabe�a pra baixo, nuas, e mijava em n�s.
- E os presentes? - Vinham depois...
quando eu ficava gr�vida. Era o jeito dele de me tratar bem.
Perfumes, celulares, sapatos.
No fim, 400, at� 500 euros.
- No fim? - Sim, na conclus�o da transa��o.
A senhora conhecia as pessoas com quem eram feitas essas transa��es?
N�o. Do quarto m�s em diante, ele me trancava...
eu n�o via mais ningu�m.
- Vamos, explique melhor. - Mofo arrumava os compradores.
Achou os primeiros quando eu estava no oitavo m�s, mas foi acidental.
Depois disso, sempre foi tudo planejado.
- Como assim? - O comprador escolhia uma de n�s...
e, a partir da�, a escolhida n�o se precavia mais, para ficar gr�vida.
Perd�o, mas... quantas vezes a senhora?
Nove.
Nove beb�s em doze anos.
O �ltimo foi Tea Adacher.
Empurre!
Empurre!
Fa�a for�a, empurre!
- Isso! - Isso, muito bem!
- Pronto, pronto! - Saiu!
Isso, amor!
- Isso, amor, vai! - Deixa ver! Deixa ver!
Isso! Isso!
Pronto! Pronto!
Pronto! Muito bem!
Me deixa ver! Me deixa ver!
- Me deixa ver! - Deixa, vai.
Olhe.
E esque�a.
Que lindo!
Como pode ter tanta certeza de que Tea Adacher seja sua filha?
A data de nascimento dela � s� tr�s dias depois do meu parto.
Em geral, esses beb�s demoram a ser registrados.
- Isso n�o � prova suficiente. - Ningu�m viu a Sra. Adacher gr�vida.
N�o existe uma s� foto dela com o barrig�o. Toda m�e tem alguma.
Nem um s� exame desses que toda mulher gr�vida faz.
Absurdo, n�o? Al�m disso, Tea n�o se parece com os pais.
- De fato, � filha adotiva deles. - Como pode dizer isso?
Vi o documento da ado��o. Estava no cofre da casa deles.
Diga ao juiz o que voc� sentia pelo Sr. Donato e pela esposa dele.
Eu os amava. Deram � minha filha o futuro que eu jamais poderia dar.
Como a senhora identificou os Adacher?
Em Velarchi, h� 12 fam�lias Adacher, mas s� eles tinham filho pequeno.
Sim, mas como sabia...
que o sobrenome dos presumidos compradores do beb�...
era exatamente Adacher?
Foi a parteira quem me disse.
Lucrezia Genna, conhece Irena Iarushenko, aqui presente, n�o?
Na verdade, todos a chamavam de Giorgia. N�o �?
Contou isso pro juiz?
Mas eu a conhe�o, sim.
Nos depoimentos de voc�s, h� uma contradi��o a esclarecer.
A senhora via quem nos escolhia e depois levava os beb�s.
Eu n�o via ningu�m, merit�ssimo! N�o sei nada desses beb�s!
- Voc� � doente! - Est�vamos na sua casa!
Voc� cozinhava berinjelas quando disse que eles se chamavam Adacher...
...e que eram de Velarchi! - Eu nem sei cozinhar berinjelas!
Mas no seu depoimento aparece o nome Adacher.
- Como ficou sabendo desse nome? - Ela me atormentava.
Queria que eu contasse o que eu n�o sabia, era insuport�vel.
Queria que eu convencesse Mofo a contar, ent�o um dia tentei.
- Ent�o diz o nome pra essa imbecil! - Mas eu n�o sei como se chamavam.
Como se chamavam, como se chamavam...
precisamos bolar um nome original.
"Adacher".
Diz que s�o os Adacher, de Velarchi.
E foi o que eu te disse.
� imposs�vel.
Ela s� quer se vingar.
OURIVESARIA ADACHER
Nossa!
Sua decis�o de colaborar com a justi�a foi muito �til...
mas os ju�zes n�o v�o poder ignorar muitas coisas.
Eu j� alcancei o meu objetivo. O resto n�o importa.
Voc�s foram maravilhosas.
Queria perguntar uma coisa, mas...
Voc�s j� sabem tudo a meu respeito.
- Coragem. - Voc� nunca pensou...
em localizar seus filhos? Os outros, quero dizer?
- N�o. S� a �ltima. - E por qu�?
N�o sei. Talvez porque eu sabia quem era o pai.
Mas ultimamente tenho pensado nos outros tamb�m.
S� sei a idade deles. O resto... eu invento.
Se eu n�o tivesse encontrado Tea, talvez fosse procurar os outros.
Tamb�m preciso dizer uma coisa.
Fale.
O exame de DNA mostra que Tea n�o � sua filha.
O documento do cofre era s� um pedido de cust�dia.
Voc� devia ter notado que n�o trazia o nome da menina.
Foi uma ado��o totalmente legal. A m�e biol�gica sumiu ap�s o parto.
Mas o juiz me encarregou de te fazer uma proposta...
muito peculiar. Naturalmente, voc� n�o � obrigada a aceitar.
Baixinha.
N�o me reconhece? Est� brava comigo?
Me perdoe.
� que precisei voltar pro meu pa�s.
Fica muito longe, sabe?
Voc� tamb�m foi viajar?
N�o � mais uma boa bab�. Antes, voc� pedia permiss�o pra mam�e.
Estou ficando velha. Esque�o as coisas.
- Da pr�xima vez, pe�a pra mim. - Est� bem, meu presidente.
- O que aconteceu? - Levei outro tombo.
S� que desta vez n�o sei em quem devo meter a m�o.
Por isso n�o quer comer?
Quando voc� cair e n�o souber quem empurrou...
brigue com o primeiro que passar, mas nunca com voc� mesma.
Desta vez, voc� n�o me trouxe um presente.
� verdade. Mas trabalhei pra voc� ter um presente bem grande.
Por enquanto � segredo, mas daqui a um tempo, quando voc� descobrir...
...vai ficar sem palavras. - Quanto tempo?
Voc� j� vai ser uma garota linda de morrer.
Algu�m consegue esperar tanto tempo?
Claro. � preciso ter paci�ncia para as coisas importantes.
Por isso voc� precisa se alimentar. Assim vai crescer...
e n�o vai precisar mais de uma bab� pra te ajudar a comer...
nem pra escolher suas roupas de manh�.
Voc� vai fazer tudo sozinha.
Est� dizendo que n�o vai ficar comigo?
Bem, uma dom�stica nunca fica para sempre.
Cedo ou tarde, ela vai embora...
ou � demitida.
- Mas eu n�o demiti voc�. - Eu sei, mas...
precisei arrumar outro emprego.
Pede demiss�o. Ou faz eles mandarem voc� embora.
� dif�cil. N�o � um emprego como todos os outros.
Mas, se voc� aprender logo a escrever...
poderemos trocar cartas...
e voc� poder� me contar como � virar uma mulher.
Voc� j� deveria saber.
Tive distra��es demais na minha vida.
Nem percebi.
Ent�o tudo o que me ensinou foi voc� que inventou?
�s vezes.
N�o d� pra confiar em voc�s, adultos.
Est� se sentindo mal?
N�o. Eu subo sozinha, obrigada.
Boa sorte.
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