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Original subtitles

Argumento e Realização

STAVROS 2

Sabe que é uma pessoa muito simpática? É casada?

Não, não!

Com o meu feitio, prefiro ficar sozinha e não aborrecer ninguém.

Vive com a sua família? - lnfelizmente não tenho família!

Vivo sozinha.

Ouça, a história da minha vida é um drama.

Preferia não estragar-lhe a refeição com as minhas tristezas.

Não se preocupe. Tenho apenas curiosidade em conhecer a sua história.

O meu pai e o meu irmão morreram num acidente de carro quando tinha 2 anos.

Pouco depois a minha mãe sofreu um derrame cerebral terrível.

Está internada num hospício há mais de 30 anos.

Chega-lhe? - Minha nossa! lsso é terrível!

Quem olhou por si quandoera pequena?

Por sorte, também eu tive o meu anjo da guarda!

Quem era?

Um parente afastado da minha mãe, de quem nunca conheci sequer o nome!

Olhou sempre por nós. Depois da minha mãe ter recuperado,

fui internada num colégio de freiras.

Quando atingi a maioridade,

fui contactada por uma instituição bancária,

dizendo-me que alguém tinha colocado à minha disposição

uma pensão vitalícia suficiente para sobreviver

e para pagar a mensalidade do hospício onde a minha mãe estava internada.

E teve oportunidade de conhecer o seu benfeitor?

Nunca me foi possível conhecê-lo.

A única referência que tinha era a entidade bancária

onde tinha deixado as instruções para a minha pensão vitalícia.

Mas sempre que tentei obter algumas informações,

foi-me sempre dito que tinha recebido ordens expressas

para manter o total anonimato.

Agora chega de falar da minha vida privada.

Creio que estamos aqui para falar de trabalho.

Sabe, já me tinha esquecido disso por completo!

A minha empresa encarregou-me de contactá-la,

o que para mim foi uma grande honra,

pois considero-a como uma das melhores jornalistas que existe,

para lhe transmitir os parabéns mais sinceros pela sua transmissão,

e para lhe dar uma notícia que irá certamente dar-lhe um grande prazer.

O sr.Stavros... em pessoa...

... deseja encontrar-se consigo para lhe conceder uma entrevista.

Chegará a 15 de Dezembro para o lançamento de ''Glória e Sucesso''.

E diz-me isso dessa forma? - Como queria que lho dissesse?

Espero que não esteja a brincar comigo! - Não me atreveria a tal, sra.Strato!

Sabe que o grande chefe não concede uma entrevista há mais de 30 anos?

Claro que sei! Como vê, afinal não tem tão pouca sorte como isso!

Ele chegará a Roma, no seu avião particular, pelas 20h30.

Deverá ir ter ao Palácio da Ópera por volta das 21h.

Mas saiba que deverá respeitar algumas disposições.

Nada de câmaras de filmar, nada de fotografias.

Foram-lhe concedidos apenas 30 minutos, e nem um segundo mais!

Estou a começar a achá-lo muito simpático.

Antes não se esqueça de ir buscar a autorização, às 20h no meu escritório.

Esteja descansado. Serei pontual.

Muito pontual.

Olá, mamã! Como estás, minha querida?

Hoje é o dia mais feliz da minha vida, mamã!

Há anos que esperava por este momento!

Pensa só! Vou ter a honra de o encontrar pessoalmente...

O sr.Stavros Mintas!

Desculpa! Devo estar a incomodar-te!

Mamã...

... queria tanto que pudesses partilhar comigo esta alegria!

Gosto muito de ti, mamã!

Gosto muito de ti!

Especial Stavros

Conduzido em Estúdio por

Antes de dar início à segunda parte do ''Especial Stavros'',

Queria agradecer-lhes pela preferência que concederam a esta transmissão

na semana passada.

Fomos seguidos por cerca de 13 milhões de telespectadores,

com um share de audiência de 48 por cento,

o que colocou o ''Especial Stavros'' como a emissão mais seguida do ano.

Um resultado incrível, que os seus autores nunca teriam imaginado.

Agradeço muito.

Como já vos havia dito a semana passada,

estamos nas vésperas da primeira edição de ''Glória e Sucesso''.

O manifestação com fins humanitários à qual, como sabem, Stavros aderiu,

tendo enviado um cartão de visita de 10 milhões de dólares,

para ajudar à reconstrução do Kosovo.

A chegada a ltália do homem mais rico do mundo,

assumo um aspecto de acontecimento histórico por duas razões especiais:

em primeiro lugar, o facto de Stavros aparecer em público,

após quase trinta anos de exílio, na sua belíssima ilha do Pacífico.

Em segundo lugar, o facto de entrar no seu país de origem,

após quase quarenta anos de ausência.

Obviamente, toda a redacção está a trabalhar muito no sentido de obter

uma entrevista em exclusivo, com o nosso mais ilustre concidadão.

Ficando a aguardar os futuros acontecimentos,

começaremos já a emitir esta segunda emissão de ''Especial Stavros'',

que espero venha contribuir para clarificar alguns dos aspectos

da extraordinária vida de um dos homens mais interessantes

do nosso século.

Especial Stavros

Queres submergir num mundo de frescura e bem-estar?

Experimenta a suave fragrância do gel de banho Ranieri.

Não conseguirás deixar de usá-lo...

Especial Stavros

Cheguei a Roma no final dos anos cinquenta,

para responder a um anúncio de uma empresa de produções cinematográficas.

Eles procuravam uma mulher, com as minhas características,

para desempenhar o papel de Paulina Bonaparte, no filme ''Napoleão''.

Apresentei-me no escritório de um velho agente de casting,

e fui escolhida entre uma centena de candidatas.

Foi nessa altura que conheci Stavros, no seu grande escritório da Piaza Navona.

Então, o que acha?

Não a acha perfeita para interpretar o papel de Paulina Bonaparte?

Sabe, você é o homem que mais odeio no mundo, sem ofensa, devo dizer.

Mas devo dizer que tem um talento extraordinário para fazer castings.

Gostava de interpretar o papel de Paulina Bonaparte?

Está a brincar, sr.Stavros?

Não, não estou a brincar!

Mas já tem alguma experiência de representação?

Quanto a isso não há problema algum. Garanto-lhe que é muito boa!

Então será você a nossa Paulina Bonaparte.

Dei início à rodagem daquele filme com uma enorme emoção.

Actuava ao lado daquela que, mais tarde, viria a ser

a grande Mónica Foster.

Espero que esteja a brincar! Viu a expressão da Mónica?

Claro! - E chama a isso representar?

Se vão representar assim todo o filme, mais vale pararmos!

Eu achei a cena muito boa!

Estou-me nas tintas para aquilo que você pensa!

Se lhe digo que Mónica Foster representa mal, deve refazer a cena...

Não sei porquê, mas Stavros não suportava a presença de Mónica.

E sempre que ela filmava uma cena,

entrava logo em grandes discussões com o realizador.

Gosta das flores? - Muito!

Eu também. Quer em casa quer no escritório exijo que sejam frescas.

O seu perfume acompanha a minha vida.

Nunca imaginei que um homem de negócio, como o senhor,

pudesse sentir tanto amor pela natureza.

Teria cometido um erro muito vulgar.

Temos de ver sempre além das aparências.

O que me diria se a convidasse a descobrir

outras facetas ocultas do meu carácter?

Sentia-me particularmente atraída por aquele homem.

Ele tinha uma doçura e uma sensibilidade fora do normal.

Entre nós nasceu uma relação,

que foi logo relatada em todos os jornais da época.

Este restaurante é fantástico!

Há muito tempo que não comia uma carne tão boa!

Temos de cá voltar!

Os teus desejos são ordens para mim, meu amor!

Bom dia! Não me tinhas dito que vinhas comer com a nossa Paulina Bonaparte!

Poderias, pelo menos, ter a delicadeza de ma apresentar!

Muito prazer. Sou Hans Helmut. - Madalena Ruta.

Devo dizer-lhe que é ainda mais bela do que imaginava.

Só espero não ter violado a vossa intimidade.

Se o fiz, peço-lhes desculpa.

Desejo-lhes um excelente resto de jantar.

Até à próxima! - Até à próxima!

Como é que ele sabia da existência de Paulina Bonaparte?

Ele é meu sócio, e deve ter visto uma foto tua no escritório.

Nunca me tinhas dito que tinhas um sócio.

Foi uma sorte para ti ele não estar no escritório quando foste prestar provas,

senão tê-lo-ias conhecido certamente.

Pela forma como falas, não me parece que gostes muito dele.

Esquece isso. Talvez um dia te conte muitas coisas a seu respeito.

Nessa altura compreenderás.

Não posso esconder que me sentia muito atraída pelo sócio de Stavros.

Apesar da sua presença causar em mim um sentimento de receio e medo.

Apesar de continuar apaixonada pelo Stavros,

a inconsciência e o ímpeto dos meus vinte anos

levaram-me a cometer um acto o qual nunca deveria ter cometido.

Durante a festa organizada para a estreia do filme ''Napoleão'',

o seu sócio não tirava os olhos de cima de mim,

e cortejava-me de uma forma tal,

que me deixava bastante incomodada.

Enquanto decorria a recepção, fomos para trás de um espelho falso,

o que nos permitia controla toda a situação, sem sermos vistos.

Não sei como é que Stavros veio a descobrir a minha traição.

Ou alguém nos viu... ou então talvez tenha sido intuição sua.

O facto é que a sua reacção foi terrível e descontrolada.

Comportaste-te como uma verdadeira puta, como uma mulher da rua!

Só uma prostituta poderia fazer o que fizeste!

Agora pega em tudo o que é teu e desaparece para sempre da minha vida!

Entendido? És uma puta, e pertences estar num bordel!

Ficara sozinha. Perdera o homem que amava e o meu trabalho.

E foi então que, desesperada, recorri a Helmut,

que, no fundo, fora a causa de todos os meus problemas.

Pôs-me fora de casa. Agora não me resta mais nada.

Perdi o dinheiro... o trabalho...

Ajuda-me, Hans. Tu podes fazê-lo.

Lamento muito, mas creio que a tua carreira de actriz tenha terminado.

Apesar de ser seu sócio, não aceitará que voltes a trabalhar connosco.

Fui uma estúpida. Dei cabo da minha vida!

O que vou fazer agora? - Talvez tenha uma solução.

Sou proprietário de uma escola dirigida por freiras.

A velha directora teve de retirar-se por problemas de saúde.

Posso falar com a madre superiora,

mas não te posso garantir que ela aceite a minha recomendação.

Mas não tenho experiência alguma de gerir uma escola. O que teria de fazer?

É muito simples. És uma mulher inteligente e aprenderias depressa.

Se conseguires ficar com o lugar, um dia terás de fazer algo por mim.

Que queres dizer com isso? Não estou a entender!

Perceberás quando chegar o momento.

Mas, não te esqueças que se não fizeres o que te pedir,

deixarás de poder contar com a minha ajuda.

Não percebi bem o que Helmut queria dizer com o seu discurso.

Mas aceitei a proposta, apesar daquele trabalho não me atrair muito.

Tinha conhecido o luxo e as riquezas do cinema,

e certamente não me agradava a ideia de estar empregada num colégio.

Mas, por outro lado, não me restava outra possibilidade de sobrevivência.

Já devem estar a par da minha anterior experiência como actriz de cinema.

Este trabalho é muito diferente de tudo o que já fiz antes.

Mas digo-vos desde já,

que a partir da agora, tentarei não pensar no meu passado,

para vos poder dedicar todo o meu tempo.

Acima de ser a vossa directora, desejo ser vossa amiga.

Mas exijo respeito. lsso é algo muito importante.

Sei que não estão aqui por opção,

mas porque vos foi imposto pela autoridade judicial.

Sei que é difícil, mas não se esqueçam de que estão num colégio,

por isso, temos todos de respeitar regras.

E, para o fazer, preciso da vossa ajuda.

Em breve percebi o conteúdo do discurso de Helmut no restaurante.

As jovens daquela colégio estavam todas a ser exploradas,

num enorme negócio de prostituição,

que era controlado por ele,

e do qual eu me tornara cúmplice inconscientemente.

Todos os pedidos de Helmut deviam ser satisfeitos.

Caso contrário, ficaria sem trabalho

e seria obrigada a regressar à pobreza da qual eu partira.

Recordo-me que um dia contactou-me,

pedindo-me que acompanhasse duas das colegiais,

à rica residência de um Xeque árabe.

E devíamos satisfazer todos os seus pedidos.

A primeira experiência, com aquele xeque árabe, foi terrível,

quer para mim, quer para as raparigas.

Mas todos os desejos de Helmut deviam ser satisfeitos.

Agora masturba-me...

lsso mesmo...

Chupa-a...

Masturba-me e olha-me nos olhos! Olha para mim!

Mais depressa!

Mete-a na boca!

Aquela situação durou alguns meses.

As miúdas continuavam a prostituir-se,

até ao dia em que o porteiro da escola veio falar comigo, no meu escritório.

Disse-me ter apanhado uma das raparigas a tentar sair à noite.

Eu fingi ficar surpreendida,

e tive que colocar o ar mais sério que consegui,

para a poder repreender quanto àquilo que tentara fazer.

Alguns dias depois a polícia apareceu no colégio,

e fui presa, acusada de colaboração na prostituição.

Uma das raparigas do colégio, denunciara tudo,

com a cumplicidade do motorista de Helmut.

A escola foi fechada. No processo, fui condenada a dois anos de cadeia.

Stavros foi absolvido.

Eu, obviamente, testemunhei a seu favor.

Esta é a minha história.

Especial Stavros

Bastam duas taças e uma garrafa de champanhe Salieri...

... para ceder à tentação...

Especial Stavros

Conheci Stavros no início de 1940.

Ele trabalhava como moço de estrebaria nos estábulos do tio.

Era um jovem bom e simpático, apesar de ser muito pobre.

Não escondo que estava loucamente apaixonada por ele.

Era frequente ir ter com ele...

... tentando atrair a sua atenção para mim.

Mas ele estava noivo de uma grande amiga minha,

e não queria saber de mim para nada.

O que estás a fazer?

Estou a trabalhar! Porquê? Não se nota?

Vinha perguntar-te se amanhã queres ir comigo à festa

que organizaram na aldeia.

Não, obrigado. Amanhã tenho um encontro com a Ana.

Não me parece que ela queira ir. Não sei... veremos.

Agora ainda tenho muito que fazer.

Não me apetece pensar no que farei amanhã.

Se decidirmos ir, encontrar-nos-emos lá.

Está bem. Então, vou andando. Adeus. - Adeus!

Bom dia! - Bom dia! Como está?

Bem. E o senhor?

Poderia estar melhor, mas não me posso queixar.

Também vai à festa da aldeia amanhã?

Esperamos o ano inteiro pela chegada deste dia, como poderia faltar!

Então, vemo-nos amanhã! - Adeus!

Stavros foi à festa com a minha amiga Ana,

e dançou todo o tempo com ela, sem nunca olhar sequer para mim!

Estava furiosa. Sentia-me devorada pelos ciúmes.

Tinha de fazer alguma coisa para pôr fim àquela relação.

Pouco tempo depois, apresentou-se-me a ocasião ideal.

Queria pedir-te um favor. - Fala.

O meu pai está muito mal...

... e para tratá-lo são precisos medicamentos.

No mercado negro pediram-me 50 liras.

A única pessoa que me pode emprestar o dinheiro, é o tio do Stavros.

Se ele estiver disposto a ajudar-me,

posso deixar-lhe, como garantia, um anel...

... que a minha mãe me deixou.

Vale, pelo menos, dez vezes mais! É muito bonito!

Porque mo dizes a mim e não falas directamente com ele?

Não. Aquele homem é um porco.

Já uma vez tentei pedir-lhe um favor e ele tentou meter-me as mãos em cima!

Se Stavros viesse a saber disso, até seria capaz de me matar!

Não te preocupes. Amanhã irei eu falar com ele.

Porque quiseste ver-me? - Desejava falar consigo.

Trata-se de um favor muito importante, que a Ana me pediu que lhe pedisse.

E porque vieste tu? A Ana não tem língua para falar?

lnfelizmente, ela tem o pai muito mal, e não lhe foi possível vir.

E do que se trata?

Ela precisa de comprar medicamentos para o pai.

Ele precisa mesmo deles! No mercado negro pediram-lhe 50 liras!

Se lhe pudesse emprestar esse dinheiro,

ela podia dar-lhe como garantia um anel de valor.

Passei uma vida a trabalhar sem parar!

Faço grandes sacrifícios para poupar uma lira que seja!

Sinceramente, não sei o que me possa interessar um anel!

Mas o anel só serviria de garantia! Garantia de quê?

Conheço bem a família da Ana e sei que nunca me poderia devolver o dinheiro!

Mas se a Ana quer que lhe empreste algo, sabe o que tem de fazer.

E tu tens de ajudá-la!

Diz-me, o que te disse ele? Trouxeste o anel?

Sim, tenho-o aqui. O que achas?

É muito bonito.

lnfelizmente, só isto não chega. Ele quer também outra coisa.

O que quer mais aquele porco? Tenta imaginar.

Sacana! Nunca terá aquilo que quer!

Para comprares os medicamentos, a única hipótese é pedires-lhe o dinheiro.

Por outro lado, não passa de um velho.

Ouve bem o que te digo de fazeres e não te tocará nem com um dedo.

Eu depois trato de lhe acalmar os seus calores.

Fica descansada, não te preocupes. E farias isso por mim?

Para que servem as amigas?

No dia seguinte encontrei o Stavros...

... e fingi confiar-lhe tudo o que acontecera no noite anterior,

indicando-lhe o local do encontro,

para lhe demonstrar a veracidade da minha versão.

Aquilo que me contas não pode ser verdade! Não acredito!

Ela há muito que tem relações sexuais com o teu tio por causa de dinheiro.

Neste momento ele está cansado,

e pediu-me que para lhe emprestar o dinheiro, também eu me juntasse a eles.

Foi o que a Ana me disse! Não é possível! lsso é mentira!

Porque olhas tanto para este anel! Chega aqui, quero beijar-te!

Esta não vale nada! Se querem o dinheiro, tens de ser tu a divertir-me!

No dia seguinte, quando fui até aos estábulos,

para ver a reacção de Stavros, encontrei o cadáver do tio dele.

Só então comecei a dar-me conta

daquilo que a minha inconsciência provocara.

Nunca mais vi Stavros.

Carrego, desde aquele dia, um enorme remorso na minha consciência.

Com vergonha daquilo que fizera,

nunca mais quis ver a minha amiga.

E fechei-me num silêncio que durou até ao dia de hoje.

O facto de ter falado, talvez me tenha ajudado,

a tornar mais suportável a minha dor,

que carrego dentro de mim há quase cinquenta anos.

Especial Stavros

Nas vinhas de Asnières existem uvas muito apreciadas,

com as quais é feito um vinho único:

Colmax, o teu vinho para sempre!

Especial Stavros

conheci Stavros em Outubro de 1940.

Na altura decidira partir para França, por motivos políticos.

Pouco depois rebentava a Segunda Guerra Mundial.

Recordo que o conheci no carro que fazia a carreira

de Cabo de Orlando até à estação de Reggio Calabria,

de onde partia um comboio que me levaria até à fronteira com França.

Vamos fazer uma pequena pausa de 20 minutos e partimos logo em seguida!

Há aqui perto um restaurante. Quem quiser comer algo, pode seguir-me.

Pareces encantado a olhar para esse anel!

Deixa-me em paz! Não me apetece falar!

Onde vais? Já disse para me deixares em paz!

''Já disse para me deixares em paz!''

Como consegues imitar assim a minha voz?

É um dom. Oferece-me um cigarro.

lmagina que estava prestes a pedir-te um cigarro!

Não tenho dinheiro nem para comprar um pedaço de pão.

lmagina só! Um cigarro!

Estamos bem lixados! Espera-nos um brilhante futuro, meu amigo!

Sim, também penso a mesma coisa.

Nem eu nem o Stavros tínhamos um tostão que fosse nos bolsos.

Rapidamente percebemos que se queríamos chegar a França,

tínhamos de inventar alguma coisa.

Fixei-me em duas pessoas que tinham ficado connosco no autocarro.

Pareciam ser pessoas abastadas e isso deu-me logo uma ideia.

Diz? Talvez tenha arranjado dinheiro.

Onde? Olha para ali!

Aproximei-me deles e usando a minha simpatia, travei logo amizade com eles.

Soube que o velho era o sogro da rapariga,

e percebi logo que a ela, não lhe era indiferente os encantos de Stavros.

Assim, partilhámos o trabalho.

Agora olha para a esquerda... Não deixes de olhar...

... Agora fecha os olhos... isso mesmo...

... isso... muito bem...

Mantenha os olhos fechados e poderei ajudá-lo a resolver os seus problemas.

lsso mesmo... só mais um pouco assim...

Sabe que sou psicólogo?...

lsso mesmo... assim...

Dormir...

Vejo que o senhor é um homem muito introvertido!

E cheio de uma profunda tristeza...

Agora vamos tentar dormir mais um pouco...

... um pouco mais... lsso mesmo... Muito bem...

lsso mesmo... muito bem...

Feche os olhos um pouco mais, por favor!

Tem de entender que só poderá abrir os olhos quando eu lho disser.

Se quer curar-se, deve fazer tudo o que eu disser.

Conseguimos arranjar o dinheiro necessário

para prosseguir com a viagem com algum sucesso.

Conseguimos chegar a França, onde os nossos caminhos se separaram.

Voltei a vê-lo muitos anos depois da guerra, na sua casa de Roma.

Recordo-me de que estava também presente

um seu amigo francês, que estivera com ele num grupo de militar.

Stavros era já um importante produtor cinematográfico.

Ofereceu-me para trabalhar na sua empresa como secretário.

Aceitei de imediato a sua proposta,

pois encontrava-me numa situação económica desesperada.

Naquela altura, ele tinha uma relação com uma mulher lindíssima,

mas que tinha perdido a vista quando era nova.

Sei que és muito bom a imitar vozes. Sim, sou.

Queria pedir-te um favor.

Aviso-te já que não podes recusar-te,

senão vais acabar no meio da rua,

considerando que também trabalhas graças a mim.

Creio nunca te ter recusado algum favor. Do que se trata?

Do Stavros. Stavros?

Ele vai estar ausente por alguns dias,

e eu gostaria de me encontrar com a sua mulher.

Mas para isso preciso que faças de banda sonora.

Que lhe faça de banda sonora? Não consigo entender!

Quero dizer que terás de imitar a voz de Stavros.

lmitar o Stavros! Quero brincar com a mulher dele!

Queres enganar a mulher dele? Ela é cega!

Claro! Mas não é nenhum imbecil!

Ela perceberia logo esta palhaçada!

Além disso, eu nunca traio um amigo! Nunca!

Se fizeres o que te disser, ela não vai perceber nada.

E não te esqueças de uma coisa.

Sou sócio de Stavros com 50% do capital.

E em qualquer momento posso decidir despedir-te.

Agora pensa bem, mas pensa depressa, antes que seja tarde demais.

Compreendo!

Muito bem... eu faço isso.

Fui obrigado a aceitar aquela chantagem,

e pouco tempo depois também percebi que as jovens

que vinham prestar provas para entrar nos filmes,

também eram obrigadas a obedecer aos seus pedidos.

Vamos, mexe essa rata! Vamos, mexe-te!

Mantém essa boca aberta, Índiazinha! lsso mesmo!

Uns tempos depois, Stavros ausentou-se de Roma por alguns dias,

e o sr.Helmut quis pôr então em prática o seu projecto.

Boa noite. Minha nossa, assustaste-me!

Mas não devias voltar só depois de amanhã.

Não me foi possível! O que queres dizer?

Aproxima-te de mim, querido. Porque me falas de tão longe?

Vim com dois homens... Vieste com dois homens?

Podias ter-me avisado! Agora trazes gente para cá sem me avisar antes?

Não pude. Tenta entender, meu amor. Aconteceu uma coisa terrível!

Se prometeres ficar calma, conto-te tudo.

Mas, por favor, tenta não te enervar!

Um homem aproxima-se de mim e aponta-me uma arma,

ameaçando-me de me matar! Minha nossa!

Porquê? O que queria ele? O que queria ele?...

Eu tinha parado na auto-estrada para pôr gasolina.

Depois chegaram mais dois e assaltaram-me!

Um deles, ameaçando-me, obrigou-me a trazê-lo até aqui!

Obrigaram-me a abrir o cofre e levaram tudo! Tudo!!

Se levaram tudo, porque não se vão embora?

Dá-lhes as minhas jóias, mas obriga-os a sair!

Sim, já as levaram, mas isso não é tudo...

Então o que querem eles de nós ainda?

Querem mais! O quê?

Ouve, querida... Estou a ficar farta!

Vê se te acalmas! Está a aproximar-se de ti um homem.

Porque se aproxima ele de mim? Tenta acalmar-te!

É uma questão de vida ou de morte! Eles são capazes de nos matar!

Entendeste? Agora não te mexas, por favor!

Fica calma... Sossega... O que quer esse sacana?

Não podes fazer mais nada... Porque me está ele a tocar?

Por favor, tenta fazer qualquer coisa!

Não posso fazer nada!

Amas-me, não é verdade?... Não queres que me aconteça alguma coisa...

Recorda-te que o outro me está a ameaçar com uma arma!

Deixa-o fazer o que quer, meu amor... Não te preocupes...

Sei que é algo terrível... mas fomos obrigados a isto...

Compreendo que não seja fácil para ti...

... mas verás com em breve terá terminado.

Deixa-o fazer o que quer, querida...

lsso...

O mais importante de tudo é que não te mexas.

Verás que não te fará mal.

Tem calma, querida. Se ficares calma, verás que não te acontece nada.

Verás que depressa tudo terá terminado.

Deves fazê-lo para salvar as nossas vidas.

Estes tipos não têm medo de nada. São capazes de qualquer coisa.

lsso, deixa que te beije... lsso, deixa que ele o faça.

Deixa que o faça...

lsso mesmo.

Tem de fazer boa cara, neste jogo tão nojento.

Fazes-me sofrer, mas deves continuar!

É isto que eles querem, por isso não pares! Continua!

Sinto-me enlouquecer... estou a enlouquecer...

lsto é terrível!...

Agora já chega!

lmporta-se de parar? Vamos acabar com isto!

Todos podemos errar na vida, e eu cometi o mais grave dos erros.

Se Stavros ouvir esta entrevista, apenas lhe queria dizer uma coisa.

Apesar de já terem passado mais de 40 anos,

peço-te desculpa por todo o mal que te fiz.

Especial Stavros

Na última parte de ''Especial Stavros'', que irá para o ar para a semana,

esperamos poder oferecer-lhe o tão esperado momento da verdade.

Todos os testemunhos que escutaram até ao momento,

poderão ser desmentidos ou confirmados pelo interessado.

Desde que ele aceite falar perante as nossas câmaras.

Seja como for,

mais uma vez deixem que vos agradeça a preferência dada a esta emissão.

Marco convosco mais um encontro para a última parte de ''Especial Stavros'',

despedindo-me cordialmente de todos. A vossa Antonella Strado.

Adeus e até para a semana.

Entra!

É a sra.Strato! Manda-a entrar.

Não quero que nos incomodem. Queira entrar, por favor.

Boa noite. Olá!

Queira sentar-se, por favor. Obrigada.

Vejo que é uma pessoa muito pontual.

Sim, sou por hábito pontual.

Ontem à tarde, no restaurante, não me apercebi que fosse tão esbelta.

Como faz para se manter sempre em forma?

Procuro cuidar da minha alimentação

e pratico o meu desporto preferido, que é a dança.

Tem sorte por arranjar tempo para isso.

Eu fumo imenso e não arranjo tempo livre para praticar desporto.

É apenas uma questão de vontade. Acha mesmo?

Quando começar a ter os primeiro problemas cardíacos, perceberá isso.

Foi muito simpático o que me disse.

Mas também eu devo dar-lhe uma má notícia.

Espero que não tenha nada a ver com a minha entrevista.

Sim, trata-se precisamente disso.

A Stavros lncorporation não gostou nada de uma das suas entrevistas.

Em particular, aquela que foi feita com aquele que se dizia ser

ter sido no passado o secretário pessoal do sr.Stavros.

Ele não afirmava sê-lo. Ele foi mesmo o secretário de Stavros.

lsso é o que ele diz.

Antes de deixar ir para o ar as minhas entrevistas,

tenho por hábito proceder a investigações muito precisas.

Não quero discutir. Apenas lhe estou a transmitir o que me disseram.

As declarações sobre o assalto àquele idoso no autocarro,

não agradaram nada. Assim, deixaram nas minhas mãos tomar uma decisão

sobre a questão de lhe dar crédito ou não.

O que pretende dizer com isso?

Quero dizer que deixaram inteiramente nas minhas mãos

dar-lhe crédito ou não.

Então espero que não haja qualquer problema.

Como já tive oportunidade de lhe dizer, sou um homem muito curioso.

Gostaria de satisfazer uma das minhas curiosidades antes de creditá-la.

Caso possa, tentarei ser-lhe útil.

Então diga-me o que deseja!

Como pratica a dança, gostaria muito de poder vê-la dançar.

Caro senhor, eu sou jornalista...

... e não bailarina profissional.

E se, tal como pressinto, pretende mais alguma coisa depois da dança...

... então posso dizer-lhe que pode enfiar no cu a sua creditação.

E satisfaça a sua curiosidade com uma puta qualquer,

desde que encontre alguma disposta a estar consigo!

Sim, quem fala? O sr.Stavros deseja saber

se a sra. Strato passou aí para levantar a sua autorização.

Ela devia vir hoje ao meu escritório buscá-la, mas não apareceu.

Tente localizá-la. Com certeza. Farei todos os possíveis.

Não se esqueça, pois é muito importante.

Esteja descansado. Eu tratarei de contactá-la.

Adeus!

Boa tarde! Chegaram hoje flores lindíssimas para a sua mãe!

Mas não sabemos quem lhas mandou.

Agora também recebe rosas de admiradores secretos?

Mamã...

O teu mundo deve ser bem melhor daquele em que eu vivo.

Há anos que esperava por este momento,

mas a pulhice daquele nojento deitou tudo a perder num instante.

Na verdade, não tenho sorte. Não sei como tu eras quando jovem, mas...

... eu sou incapaz de aceitar uma chantagem...

... seja de quem for! Vai...

O que disseste, mamã?

Vai...

Olha-me nos olhos enquanto me chupas a verga.

Não pares de olhar para mim!

Não deves desviar os teus olhos dos meus, nem por um segundo!

Fico cheio de tesão ao foder-te enquanto me olhas!

Querias armar-te em senhora de carácter, mas gostas de verga!

Não pares de olhar para mim, mula!

Perdão. É a sra.Strato? Sim, sou.

Queira acompanhar-me, por favor. Com certeza.

A sra.Strato está aqui. Posso mandá-la entrar?

Que entre imediatamente. Queira entrar, por favor.

Boa noite.

É um grande prazer para mim poder conhecê-la, sra.Strato.

Queira sentar-se, por favor.

Sinto-me feliz por ter vindo. É para mim uma honra, sr.Stavros.

lmagino o que lhe deve ter custado este encontro.

Já dei ordens para despedir aquele porco do departamento de imprensa.

Peço-lhe desculpa em seu nome e em nome da empresa que represento.

lnfelizmente, vivemos num mundo de desavergonhados,

e nem eu consigo livrar-me deles!

Deseja tomar alguma coisa? Não, obrigada.

Vejo que está nervosa. Ponha-se à vontade.

Recordo-lhe que apenas temos meia hora.

lmporta-se que tome notas enquanto me vai respondendo?

Esteja à vontade.

Em primeiro lugar gostaria de saber

quais os motivos que o levaram a sair de ltália antes da guerra?

Na altura, cometi uma grande loucura,

provocada por um grande amor, que não mais esquecerei em toda a vida.

Alguma vez amou alguém?

A única pessoa de quem gosto loucamente é da minha mãe.

Então sabe o que isso significa. Faria qualquer coisa pela sua mãe, não é?

Eu, que nunca tive uma família,

entreguei toda a minha vida nas mãos de uma mulher.

Os meus pais eram de origem grega, e emigraram para ltália em 1915,

tendo-se estabelecido na Sicília.

Quatro anos depois decidiram trazer-me ao mundo.

Éramos uma família muito pobre.

Quando eu tinha oito anos, os meus pais morreram com tuberculose.

Fui criado por um irmão do meu pai, que se divertia a tratar-me como um escravo.

Tinha cerca de 20 anos quando conheci a Ana.

Tínhamos uma relação maravilhosa.

E ela conseguia dar-me o amor que a vida sempre me negara.

lnfelizmente, mais uma vez, o destino escolhera para mim outro caminho.

Quero lá saber da porcaria deste anel! Vem cá que quero beijar-te!

O meu mundo desabara,

por isso decidi acabar com a vida daquele porco do meu tio.

Naquela altura, o meu tio era muito importante na aldeia.

Na época, matar um fascista significava a morte.

Assim decidi fugir para França.

O que se passou durante a viagem já lhe foi contado em pormenor

pelo meu ex-secretário.

Cheguei a Paris e comecei a fazer pequenos trabalhos.

Apenas tentava sobreviver.

Até ao dia em que as tropas nazis invadiram a França.

Foi então que decidi pôr-me ao serviço do grupo de combatentes da libertação.

Não se tratou propriamente de um acto de heroísmo.

Afinal não tinha nada a perder.

E considerando que na altura os alemães eram aliados dos italianos,

a extradição pelo homicídio do meu tio seria mais do que certa.

Foi precisamente numa missão que consistia em recuperar

um carregamento de obras de arte,

que o destino mudou inesperadamente a minha vida.

Olha o que encontrei no camião.

Mas tens de me prometer que guardas segredo.

Claro!

Nenhum dos outros o deve saber.

Todo aquele ouro deveria valer o equivalente

a dois milhões de liras actuais.

Eu e o sargento Duhem não pensámos duas vezes.

Apesar de estarmos conscientes de estar a cometer um acto ilegal,

decidimos esconder aquela caixa,

com o propósito de voltar para a recuperar no final da guerra.

lnfelizmente, o meu companheiro perdeu a vida durante um ataque.

Poucos meses após o final da guerra, voltei para recuperar aquele ouro.

Com o dinheiro que obtive com a sua venda,

decidi investir no mundo do cinema,

que estava na época em plena expansão.

Durante anos, os negócios foram de vento em poupa,

até ao dia em que...

Diga-me, porque razão quis encontrar-se comigo?

O motivo é muito claro e simples.

O senhor é dos poucos sobreviventes do grupo de resistentes Águilla,

e o único que enriqueceu após a guerra.

Os outros não passam todos de pobretanas.

O que quer dizer com isso? Como conhece o grupo Águilla?

Eu fazia parte das forças alemãs que estavam em França,

e após o desembarque das forças aliadas,

a minha companhia recebeu ordens para transportar para a Alemanha,

um carregamento de obras de arte roubadas em alguns museus franceses.

Fomos atacados pelo grupo Águilla.

Eu fui feito prisioneiro e parte daquele carregamento desapareceu.

E depois? Creio que na época não andávamos a brincar.

Se bem me recordo, estávamos em guerra.

Claro que estávamos em guerra, mas a guerra tem as suas regras,

e aquele carregamento desapareceu.

Foi restituído ao comando das forças aliadas.

Mais propriamente ao General Carl Williams. Mas estava incompleto.

Faltava uma caixa com lingotes de ouro.

Não entendo o que me está a dizer,

mas peço-lhe que saia imediatamente do meu escritório.

Não temos mais nada a dizer um ao outro.

Como queira.

Saiba que ainda tenho comigo a ordem de transporte relativa ao carregamento.

E as autoridades franceses ficariam muito satisfeitas

por poderem investigar o desaparecimento daquele ouro!

E creio que também o fisco ficaria particularmente satisfeito ao saber

como pôde dar início a uma actividade deste tipo,

considerando que antes da guerra, você não passava de um pobre desgraçado.

O que deseja?

Sossegue, não quero dinheiro.

Sei que dirige uma empresa de grande capacidade. É um óptimo gerente.

Creio que 50% me chegariam. Creio ser uma proposta honesta.

Creio não ter exagerado. Não concorda?

Aquele homem entrou na minha vida de forma prepotente.

E foi para mim o início de um período obscuro,

do qual já conhece todos os pormenores.

Voltou a ver, após a guerra, a mulher que amava?

Em 1960, regressei pela primeira vez a Sicília.

Era um homem rico. A primeira coisa que me ocorreu foi telefonar-lhe.

Consegui o seu número sem problemas e encontrámo-nos numa praça da aldeia.

Passaram-se quase 20 anos e a mim parece-me que foi um dia.

lnfelizmente mudou tanta coisa, meu amor.

Tens razão, mas o amor que sinto por ti não mudou.

Esse não morrerá nunca.

Esperei-te durante tantos anos. Foste-te embora e deixaste-me sozinha.

Tive de refazer a minha vida.

Tenho um filho e um marido de quem gosto muito.

Mas e as nossas promessas e projectos? O que será do nosso amor?

Amo-te e sempre te amei.

Querida, trouxe-te isto de volta. Toma.

Agora mais ninguém to conseguirá roubar.

Deixámo-nos arrastar pelo êxtase.

Daquele nosso encontro foi concebida uma lindíssima menina.

Ela preferiu atribuir a paternidade ao marido.

Deveria ser um segredo nosso que nos manteria unidos até à eternidade.

Mas foi também nessa altura que o destino volta a escolher outro caminho.

Toma este anel! És um porco, um sacana! Não quero voltar a ver-te!

Trata-se apenas de um erro judicial. Deixa que te explique!

Não tens nada a explicar! Desaparece da minha vida! Não quero ver-te mais!

Não, espera!

Lera nos jornais de escândalos

que me encontrava indirectamente relacionado com Hans Helmut.

Para continuar a viver serenamente,

vi-me sempre obrigado a perdoar as incorrecções daquele homem.

Mas havia uma coisa que ele nunca devia ter feito na vida.

Destruir a minha relação com a Ana.

lsso eu nunca seria capaz de lhe perdoar.

A partir daí decidi retirar-me para um isolamento total,

pensando unicamente nos meus negócios.

Hoje sou o homem mais rico do mundo,

mas percebi que a felicidade não tem preço.

E voltou a ver a sua filha?

Ela é hoje uma personagem muito famosa,

e costumo vê-la com frequência na televisão.

E a mulher que amava?

A mulher que eu amo.

lnfelizmente ela teve muito menos sorte do que eu.

O seu marido e o seu filho tiveram um acidente,

tendo morrido ambos.

Pouco tempo depois, ela sofreu um derrame cerebral,

que a obrigou a viver prostrada, numa total invalidez.

Porque nunca foi vê-la?

Porque não teria servido de nada.

Prefiro recordar-me dela como era dantes.

Mas sempre olhei por ela e pela minha filha.

Eu sei disso.

Algumas pessoas disseram-me que tem a sua mãe muito doente.

Poderia fazer-me um favor? Claro.

Tome isto. Verá que a fará feliz.

Mas limpe as suas lágrimas, minha senhora.

A vida nem sempre é assim tão triste.

Deve aprender a enfrentá-la com optimismo.

Faça-o e não se arrependerá nunca.

Hoje está um dia maravilhoso.

Ontem alguém me pediu que te desse isto.

Ele nunca deixou de te amar...

... e nunca te esquecerá.

Legendas Cross_eYe

FlM

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