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Original subtitles

Maio de 1940

A Alemanha invade a Polónia, Dinamarca, Noruega, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.

O Corpo Expedicionário Britânico é destacado para a Europa.

Os soldados entrincheiram-se ao longo da fronteira Francesa.

E esperam.

Nunca ouviste falar nele?

Como é que não?

Porque não ligo muito a isso.

Diga-lhe, sargento.

Nunca ouvi falar nele.

Ouviu.

Ouviu.

Está só a mangar comigo.

Atenção à linha, soldado.

Danny Finnegan.

O Danny Boy.

"O" Danny Boy.

O imbatível.

Quantos combates fizeste, Danny?

Sei lá.

Desculpa amigo.

Não ligo muito a boxe.

Tudo bem.

Eu não me preocupava com isso agora.

Ele podia combater pela Inglaterra.

Como?

Se não houvesse guerra?

Meu, devias ter visto como ele recuperou.

Como é que se costuma dizer?

Não são os socos que dás...

mas aqueles que não levas.

Tenho razão?

Direita e esquerda.

É como se flutuasse no ringue.

Vamos, mostra-lhes.

Aquele combate, certo.

Estava-se no 11º assalto.

E ele nem sequer estava suado.

Senta-te, idiota.

E aí vem o "Danny Boy" Finnegan.

Ligeiro a cruzar o ringue na direcção do poste.

Harper, baixa-te.

Recebido.

Uma esquerda rápida.

Como um coice ou uma martelada.

Nivinski, hesita.

O Danny, pressiona.

O árbitro avança e...

Deixa-me ver.

Deixa-me ver.

Deixa-me ver.

Ó, meu Deus.

Há aqui algum socorrista?

Ele está morto.

Deixa-o.

Bill, vamos, vamos.

O que devo fazer?

Concentra-te e dispara.

Bem-vindos à guerra, rapazes.

Vamos, Billy.

Billy.

Basta que acertem no alvo.

Tu estás bem?

Toca a acertar-lhes.

Uma mina pode explodir e fazer-nos em bocados.

Precisamos de sair já daqui.

Vocês os dois, primeiro.

Vamos.

Eu não consigo.

Não consigo fazer isso.

Billy, vamos.

Sargento.

Smythe, dá-me fogo de cobertura e não pares.

Billy.

Billy.

Tu vens comigo.

Estás pronto?

Um, dois, três.

Vamos.

Eu não quero morrer aqui.

Eu não quero morrer aqui.

Danny, anda.

Não pares, não pares, não pares.

Deixa isso, deixa isso, deixa isso. Vamos.

O que estás a fazer?

Não devemos ser gazeados nos próximos tempos.

Vamos ser cilindrados.

Nós não vamos morrer, Billy.

Senhor.

Já vou ter convosco, rapazes.

Isso significa que podemos responder ao fogo, senhor.

Parece que está a acalmar.

Temos que recuar.

Senhor, devemos responder ao fogo.

Com o quê, soldado?

Bem, onde estão as metralhadoras?

Faltaram.

Qual é o plano, senhor?

Precisamos de fugir daqui até a um lugar seguro.

Temos que recuar.

Se recuarmos um pouco mais, senhor, vamos acabar no mar.

É esse o plano.

Num sítio chamado Dunquerque.

O quê?

A Marinha vem a caminho para nos levarem para casa.

Porquê a nós, senhor?

Aguardem pela minha ordem.

Passem a palavra.

É uma ordem.

Recuem, rapazes.

Ei, vamos recuar.

Vamos.

Billy, ele não me ouve.

Eu vou buscá-lo.

Anda, vamos.

Vamos recuar.

Já estávamos de saída.

Estávamos já de saída!

Anda.

Onde pára toda a gente?

Não sei.

Não reconheço esta zona.

Onde tens o teu mapa?

Ficou na trincheira.

Sim, também o meu.

Se é que sobrou alguma coisa.

Estamos na merda, Danny Boy.

Ainda respiramos.

Estamos perdidos.

Temos que encontrar o tal sítio. Como é que se chamava?

Dunquerque.

Vamos...

para Norte.

É isso que vamos fazer.

Vamos para Norte até vermos luzes.

Placas com sinais.

Havemos de reconhecer algo, certo.

Ou o mar.

Sim, ou o mar, Billy.

E depois, casa.

Faz-te lembrar alguma coisa?

Cada casa por aqui é o raio de uma quinta, não é?

Parecem todas iguais.

Espera aí.

Podemos perguntar-lhe.

Acho que não devíamos, amigo.

Temos que descobrir onde estamos

ou iremos falhar a evacuação.

Anda.

Devagar.

Mantem os olhos abertos, sim.

Desculpe.

Não, não fuja.

Somos soldados britânicos.

Ei. Aonde vão?

Calma, calma, calma.

Que são vocês? Baixem as armas.

Não o aviso de novo.

Eu vou disparar.

Juro-lhe que disparo.

- Baixem as armas. - Baixe isso.

- Baixem as armas. - Baixe-a.

Não o aviso outra vez.

Espere, espere, espere.

Calma, espere.

Veja.

Baixem as armas.

Sim.

O que estás a fazer?

Baixei a espingarda.

Basta...

ter calma.

Sim?

Só queremos saber onde estamos.

Não compreendo.

Não o compreendemos.

Procuramos a costa.

Vão atrair os alemães para aqui.

Tem calma, papá.

Calma, calma.

Pára, sim.

Está tudo bem.

Não me parece que nos queiram fazer mal.

Está tudo bem.

Ele está com medo.

Inglês.

Graças a Deus.

Olhe, queremos saber como se vai para o litoral.

Cala-te, papá.

A costa norte.

O Norte é para ali, mas os alemães estão lá.

Aonde querem ir?

A um sítio chamado Dunquerque.

Cala-te papá, se fazes favor.

Mas precisamos de um...

Como se diz mapa em francês?

Plan.

Plano.

Sim, precisamos de um plano.

Que querem eles?

Eu posso desenhar-lhes um.

Baixa a arma que ainda acertas em alguém.

Entrem, vou arranjar-vos comida.

Não os leves para dentro.

Que vais fazer?

Ele disse que são bem-vindos.

Confias nele, Danny.

Guarda a espingarda e a pistola.

Vai.

- Chantalle, não os deixes entrar em casa. - Está bem.

Vou ficar por aqui

a ver se ninguém os seguiu.

São 40 quilómetros.

Devem procurar Hazebrouck e depois seguir para Norte, para Dunquerque.

Perfeito, obrigado.

Agora, comam algo antes de irem.

40 quilómetros.

Quanto é isso em milhas?

Sinto muito pelo papá.

Ele não anda em si.

O meu marido foi para Lille um dia antes da chegada dos alemães.

Não o vimos desde aí.

Disseram-nos que os alemães fuzilaram todos os homens.

O quê, em Lille?

Não. Estivemos lá há alguns dias.

Não é verdade, Bill?

Muitos homens conseguiram sair.

Sim.

Montes.

Ouça, nós...

é melhor irmos andando,

assim, obrigado por isto

e também pelo mapa.

O prazer foi meu.

Ele é famoso, sabia.

Já pode dizer que conheceu o grande Danny Finnegan

quando isto acabar.

É estrela de cinema?

Não.

Pugilista.

Danny, ela pensa que és uma estrela de cinema.

Danny?

Baixa-te.

Ele está a denunciar-nos.

Ele vai-nos tramar.

Não.

Não a deixes olhar pela janela.

Matem-no.

Não, não dispares.

Não dispares.

Ele vai denunciar-nos.

Você mentiu-nos.

Nunca, eu juro-vos...

que ele nunca o faria.

Existe outra saída?

O quê, não há outra saída senão esta?

Não.

Agora é sério, Billy...

precisamos de uma outra saída.

Credo.

Baixe isso.

Baixe isso.

Saiam para fora.

O que está a fazer?

Vão lá para fora.

Eles vieram por vocês, não por ele.

Ouça.

Se me matar, ele mata-a a si.

E eles matam o seu pai.

Você não é como eles.

Vamos.

Eles vão matá-lo, Danny.

Estamos cercados.

O que fazemos agora?

Somos soldados, Billy.

Não somos heróis.

- O que estás a fazer? - Enfia a espingarda na mochila,

que de qualquer modo, em minutos estaremos mortos.

E a senhora, é melhor esconder-se.

Danny, eu só quero ir para casa.

Mãos ao ar.

- Quem mais está lá dentro? - Sou um simples agricultor.

Eu imploro-lhe.

Eu imploro-lhe.

Sou um simples agricultor.

Revistaste a casa inteira?

Só uma mulher e estes dois.

Leva-os para o camião.

Para onde nos levarão?

Merda! Olhem em frente. Agora são prisioneiros do Reich.

Desçam. Rápido!

Venham.

Danny Boy. Prazer em conhecer-te.

Não gastaram muito em colchões, pois não?

Estás bem?

Ouve, não foi culpa tua. Aquilo do velho agricultor.

Eles são nazis. Percebes?

Não sei. Não me sinto bem por dentro.

Pois. Eu também não.

Mas ainda respiramos.

Que será feito de nós, agora?

Entre!

Danny Finnegan, 1º Cabo

Bom dia!

Sou o capitão Drexler e sou o vosso carcereiro,

até serem enviados para um dos nossos novos campos

de prisioneiros de guerra na Alemanha.

Qualquer problema, falem comigo.

O meu inglês é excelente. Estudei na vossa universidade de Cambridge.

Mas que maneiras as minhas...

Vocês sabem quem eu sou, mas eu não sei quem vocês são.

Você. Qual é o seu nome?

Soldado Williams.

Williams? Não me diga.

E você?

Sabem, eu já tenho uma lista.

Cabo Bennett.

Qual de vocês é o Finnegan?

Danny Finnegan.

O grande Danny Finnegan.

Esta está a começar a ser uma excelente guerra.

E estamos só a começar. Venha comigo.

Deixa o Finnegan sair.

Mostra-lhe o que sabes fazer.

Não o quero ofender, mas isto é o melhor que tenho.

Chega!

A "Convenção de Genebra"

sobre o tratamento de prisioneiros de guerra

afirma claramente

que estes não devem ser submetidos a actos de violência.

O que é ridículo. Estamos em guerra.

Tudo isto é um acto de violência, não concorda.

Vou dar-lhe uma hipótese de encontrar

alguma honra, no meio de toda esta loucura.

Farei com que o seu esforço valha a pena.

Muito obrigado. Mas não luto com ele.

Não por si, senhor.

- O que se passa ali? - Cala-te!

- Siga-me. - Soldado. Sentido!

Para onde o levará?

Homens como nós não foram feitos para as aberrações da guerra.

Somos dançarinos, caçadores, atletas.

Somos atletas. Seguimos um código de honra.

As regras de Queensberry. "A última palavra é do árbitro."

Infelizmente, estamos temporariamente

em lados opostos do destino.

Mas eu dou-lhe a hipótese de pelo menos

ser honesto consigo próprio.

Não vou lutar para seu divertimento.

Não é para meu, não, não, não.

Daqui a dois dias teremos a honra da visita do meu comandante.

O coronel Lang é ele próprio

um grande atleta e um estudioso...

Não, "um verdadeiro admirador",

como dizem os americanos, desta nobre arte

na qual você se tornou exímio.

Você é, pode-se dizer, como um presente meu para ele.

Em troca, posso melhorar significativamente

a sua passagem por esta guerra.

- Então e os rapazes? - Não são para aqui precisos.

Bom. Bom.

Então pode libertá-los. E aí, eu luto contra quem você quiser.

- Sabe bem que não posso fazer isso. - Então, eu também não.

Você vai ponderar e irá lutar.

Caso contrário, verá que esta guerra lhe será

mesmo muito desagradável.

Soldado, leve-o daqui.

Tu tens que fazer isto. Tens que o derrotar por todos nós.

Queres derrotá-lo, fá-lo tu. Não és tu quem decide.

- Ele é um cobarde. - Ele não é cobarde.

- Combati ao seu lado. - Ele tem razão.

Mesmo que ele ganhe, será uma vitória para eles, não para nós.

- Alguém perguntou ao "Ali Baba"? - Sou soldado francês, idiota.

Ele parece-vos francês, rapazes?

Não somos brinquedos com os quais eles

se possam divertir quando e como quiserem.

- Foi o que eu lhe disse. - Agora és pacifista? Derrota o bastardo!

- Vais levar. - Anda cá, então!

Sentem-se.

Pusemo-nos a lutar entre nós quando deveríamos lutar contra eles.

Este alemão é muito esperto.

Com esta ideia do boxe, distrai-nos do nosso dever.

Senta-te!

- Continua. - Fugir.

O nosso dever não é vencê-los desportivamente. Não.

É onde lhes dói. Na guerra.

Portanto, temos que encontrar uma maneira de fugir daqui.

- Temos que avaliar a segurança. - Como faremos isso?

Venham comigo!

Venham comigo!

Vamos lá, malta.

- Venham comigo! - Não me toques.

Parece que é hora do banho, rapazes.

Não cabemos aí todos.

- Então, o que temos? - Metralhadora em cima do portão.

E ali outra.

Diria que a umas 50 jardas.

Digamos 50 metros.

Digo-vos que o Drexler não é parvo.

Mantém 50 de nós sob controlo apenas com aquela metralhadora.

- Não é uma alternativa viável. - Não saímos vivos por ali.

Acho que ele tem razão. Temos que encontrar outro sítio.

O tipo das entregas está desarmado.

Danny Finnegan - 1º Cabo

Vamos lá, malta. Vem aí um guarda.

Cabo Danny Finnegan. Soldado Jamie Williams. Sigam-me!

- Que se passa? - Que quererão eles?

- Rápido! - Vamos, Jamie. Sim?

O que se passará?

Acabei de falar ao telefone com o coronel Lang.

Ele está ansioso por vê-lo em acção.

Embora seja impróprio um oficial alemão negociar com prisioneiros

também lhe compete o suprimento das suas necessidades urgentes.

Circunstâncias especiais exigem soluções especiais.

Estou preparado para lhes fazer uma oferta única

que permitirá ser-mos generosos com os seus companheiros de prisão.

O que oferece?

Posso influenciar quais os campos para onde serão enviados.

Alguns são muito mais desagradáveis do que outros.

Não chega.

Acredite que se soubesse do zelo de alguns dos meus colegas,

não veria esta oferta como trivial.

- Não chega, senhor. - É a última hipótese.

Não o deixaremos lutar mesmo que ele queira!

Espera, Jamie.

Está certo, Danny, está certo.

Entra!

Que é que ele não percebeu, Danny?

Pendurem-no.

Não, não. Espere! Espere!

Pare! Espere! Eu faço-o. Eu luto com ele.

Excelente.

Não sei como vocês dizem? Dar: "tudo por tudo".

Dou-lhe a minha palavra.

- Mas que garantias tenho eu? - Eu disse-lhe que lutava.

Então, não vamos incomodá-lo enquanto ele treina. Siga-me.

Espere! Eu concordei!

Eu luto. Não o magoe. Eu luto. Juro pela minha honra.

Infelizmente, trocou o fazê-lo pela honra pela minha última oferta.

Eu disse-lhe sim!

A Força Aérea Inglesa bombardeou Merville ontem à noite.

Nada impedirá o nosso avanço, claro, mas parece que agora

a maior parte da cidade ruiu

e já não são precisas tantas escadas como as que já precisou.

Parece-me que vão abrir muitas covas por uns tempos.

E terão a difícil tarefa de descobrir quem é quem.

Muitos dos corpos nunca serão identificados.

Mais um cadáver entre tantos e ninguém notará.

Sr. capitão

Meu Deus.

O que te fizeram?

Está morto.

- Eu disse que o faria. - Sim, deu-me a sua palavra.

Agora tenho a certeza de que a irá cumprir.

Talvez mais tarde, não?

É proteína. Fortalece-te para o combate.

Não posso comer isso, amigo. Não posso aceitar.

Aqueles tipos perderam todas as esperanças.

Se queremos sair daqui, terás que nos ajudar.

Não tenho certeza que seja o homem indicado para isso.

Devolve-nos a esperança. A esperança de que podemos vencer.

Aí, encontraremos uma maneira de sair daqui.

Todos nós vamos rapar fome para que possas vencer.

Querem que eu lute com o alemão?

- Sim, rapaz. - Eu não. Só não gosto de salsichas.

Noite importante a de amanhã.

Tens razão, Jamie. Isto não mudará nada.

Não precisas de o fazer. Ainda podes desistir.

O tempo de desistir foi antes de me alistar, amigo.

Realmente, que fazes tu aqui? Porque te alistaste?

Parece mesmo que nunca saíste de East Anglia, rapaz.

Fui acusado de roubo em 1939.

Fui presente a um juiz, que era amigo do coronel Doyle.

Ele deu-me a escolher. E aqui estou eu.

Grandes escolhas te deram, hã?

Vais derrotar a besta do alemão o que nos levantará o ânimo.

Aí, pensaremos numa maneira de sair daqui.

Claro. Porque não?

Os rapazes estão lá fora. O Drexler acha que proporciona um ambiente desportivo.

A esperteza não foi essa. Trouxe-os para me verem perder.

Gente da terra também. E muitos homens das SS.

Não ficava surpreendido se ele se tramasse.

Bill, tenho que te contar uma coisa.

Para ganhar o meu título,

lutei com muitos homens valentes. Percebes?

Consigo imaginar.

Sim, mas ao ganhá-lo tudo muda.

Assim que és campeão, lutar passa a ser constante

e tu vives no mundo da lua.

O que queres dizer?

Não tenho um combate a sério há sete anos.

- Isso não pode ser verdade. - Estou a falar a sério.

Só existiram amadores, gente fraca ou combates contra iniciados.

Danny, que dizes? Achei que não querias lutar porque...

sei lá. Nunca me ocorreu que tivesses medo.

Fora!

- Não faça perguntas. - Ponham-no lá fora.

Vim desejar-lhe um bom combate.

E relembrá-lo do nosso acordo.

E há mais uma coisa...

- Muito apertado? - Não. Está bom.

Você não irá ganhar este combate.

Percebe? Faça uma boa luta.

Uma luta equilibrada.

Mas se aguentar até ao 10º round, aí, vai ao tapete.

Se se aguentar.

De certeza que não está muito apertado?

Não é preciso lembrá-lo do meu possante aperto.

De certeza que não quererá que eu lhe ligue as mãos outra vez.

Cuidado. O seu desportivismo e honra parecem vacilar um pouco.

Vá lá, você não é estúpido.

Nunca se tratou de honra. Apenas de ganhar ou perder.

Estamos em guerra. Os vitoriosos

vencem primeiro e depois partem para a guerra.

Enquanto os derrotados

partem primeiro para a guerra e só depois procuram vencer.

O matulão lá fora sabe que eu vou perder?

O cabo Bartho Kraus tem as suas próprias ordens.

Ele vai tentar matá-lo.

Boa sorte.

Ouve...

Venha, agora!

Conto-te mais tarde.

Srs. oficiais, respeitáveis senhoras e cavalheiros

as SS apresentam-lhes um combate de boxe

onde o honrado guerreiro luta pela sua própria glória

pela glória do seu uniforme e pela glória do seu país.

À minha direita, pela 3ª Divisão Blindada SS:

o cabo Bartho Kraus!

À minha esquerda, o cabo Danny Finnegan

em representação da derrotada Força Expedicionária Britânica..

Que vença o melhor guerreiro! Heil Hitler!

Danny, esquece o que se passou. Tudo isso não importa.

Basta ires e venceres por nós.

Não sei o que te dizer. Nem sequer sei as regras.

Acho que esta noite não haverá nenhumas.

Mantém os pés ligeiros e dá-lhe com força, acho eu.

Danny!

Mantenha a distância, Danny!

Vamos, Danny!

Isso, Danny!

1.

- Já está. Ele está KO. - Não, não neste round.

Quatro. Cinco. Seis.

Sete. Oito.

Nove.

- Ele é bom. - Tu és melhor.

Danny, tu vais ganhar.

Danny, estás impecável.

- Ele não pode contigo, rapaz. - O quê?

- Onde está a vaselina? - Ponho-a onde?

- Põe-na nas feridas. - Estou a ver.

- Só nas feridas, disse eu. - Para que serve, afinal?

- Faz com que os murros resvalem. - E funciona?

Veremos, não é. Anda, vamos.

Já o tens. Agora, já o tens.

- Qual é o round? - Décimo.

Está na hora. Dá-lhe forte, acaba com ele. Rebenta o sacana!

- Vamos, Danny! - Levanta-te!

Levanta-te, Danny!

- Vá lá, Danny! - Tu consegues!

Levanta-te! Danny, levanta-te!

- Quatro. - Danny, levanta-te, vamos!

- Cinco. - Sim!

- Seis. - É agora.

- Sete. - Tu consegues!

- Oito. - Vamos, Danny! Levanta-te!

- Nove. - Tu consegues!

Excelente, Danny!

Danny?

Eles riem-se, aplaudem porque acham, que o nosso rapaz foi ao chão.

Mas, não. O nosso glorioso guerreiro

ergue-se novamente, movido por misteriosas forças

que ninguém sabia existirem, nem mesmo ele próprio.

E move-se sobre o ringue.

Mas a grande besta da Baviera vem direita a ele.

Mas o nosso assassino alemão leva com uma esquerda

e uma direita, e outra esquerda de novo! E ainda outra!

Então o rapaz de Bethnal Green desfere o golpe de misericórdia!

Levanta-te, Finnegan. Vais conhecer um verdadeiro herói.

- Tudo bem, Bill. - Que raio querem eles?

Você tem um gancho de direita rápido e uma esquerda forte.

Boxeia bem.

- Combateu bem. - Parabéns.

É fácil bater num vulgar cabo...

É fácil bater num vulgar cabo, um amador.

Ele tem uma boa técnica, é cheio de espírito...

...tem uma boa técnica, é cheio de espírito

mas falta-lhe a verdadeira destreza física ariana.

Você nunca vencerá contra um verdadeiro campeão.

O meu campeão.

MAXIMUS SENNENHUND CAMPEÃO MUNDIAL EM 1934

Maximus Sennenhund foi campeão mundial de pesos pesados.

Já está morto.

Eu concordei numa luta contra o seu homem. Não serei o seu joguete.

- O quê...? - Jogador.

Jogos? Acha que isto é um jogo?

Tudo o que fazemos tem um propósito.

O Nacional-Socialismo não consiste em grandes gestos...

Tudo o que fazemos tem um propósito.

O Nacional-Socialismo não consiste em grandes gestos e actos extravagantes.

É uma atitude. Uma maneira de ser.

Um estilo de vida.

Milhões de minúsculos actos diários...

Milhões de minúsculos actos diários

cada um em si nada mais é do que uma simples gota de chuva

mas juntos, criam a fúria de uma tempestade.

Tomei as medidas necessárias e adiei a sua partida para a Alemanha.

Tomei as medidas necessárias e adiei a sua partida para a Alemanha.

Tem uma semana para se curar.

Depois, serão todos levados para um campo a sul de Berlim.

Mas, na noite anterior à sua partida...

Irá lutar contra o meu homem, e irá perder.

Trate dele.

O que aconteceu ao seu homem? Aquele com quem lutei?

O cabo Kraus foi transferido.

Eu disse-lhe para perder.

Vamos manter aqui os seus amigos como garantia.

Se você asneirar de novo, todos naquele celeiro vão acabar

nos escombros de uma escola francesa bombardeada.

- Uma semana? Mas para onde? - Ele não especificou.

Alemanha. É específico que chega.

Enquanto vocês se divertem e iniciam um clube de admiradores

esqueceram-se do que somos e para onde nos levam.

Não vamos a lado nenhum. Vamos para casa.

O que vais fazer? Boxear até à Alemanha?

- Não, não vou boxear até à Alemanha. - Então?

Precisamos de fugir, antes mesmo de nos levarem para a Alemanha.

O alemão deu-te forte e feio.

Ele tem razão. Temos que fugir esta semana.

E como vamos fazer isso?

Não sei.

É melhor pensarmos nisso.

Caso contrário, terás que lutar com o monstro.

E somos todos recambiados para a Alemanha.

Não, nem todos. Não o Danny.

Não te vejo a sobreviver a três rounds

contra aquela montanha de carne.

É isso aí. Há sempre um lado positivo, não?

Sigam-me!

Sigam-me!

Aquilo que me disseste sobre o antes da guerra...

desculpa eu chamar-te medroso.

Estava enganado.

Não, tinhas razão, eu estava com medo.

Haja o que houver,

gente pobre como nós acaba sempre por fazer as batalhas dos ricos.

Quero dizer, olha em volta.

- Billy. Olha quem é. - O tipo das entregas.

Não, não é um tipo. Olha.

É a miúda da quinta.

É a nossa saída daqui, certo? Anda comigo, Billy.

Mas que fazemos nós?

- Desculpa, Archie. Explico-te depois. - Chega aqui, Finnegan!

Pára!

- Larga! - Estamos do mesmo lado.

Ei.

Vá embora.

Preciso falar consigo.

Não, ainda nos matam aos dois. Vá!

Espere, eu só...

Vou chamar o guarda.

Basta, então!

- Quando ele vier arranque, sim? - Não suba na carroça.

Não têm melhoras nenhumas.

- O que está a fazer? - Só queria falar consigo.

Não, você estragou tudo.

Não tivemos culpa,

em termos sido cercados.

Do que está a falar?

Do seu pai na quinta...?

Não, não é da quinta.

No combate.

No combate?

Na luta.

Eu tinha morto o comandante mas você estragou tudo.

Comandante? Qual comandante?

Era perfeito.

Todos os olhos estavam postos em si.

Todos, excepto os meus.

E era só...

Então, você levantou-se.

Ele mexeu-se.

Tirou-me a única hipótese. Deu cabo de tudo. Agora, vá!

Como poderia saber do seu plano? Naquela noite, eu só via de um olho.

Isso agora não importa.

- E se tivesse outra oportunidade? - Estou a ouvir.

- Tem amigos em quem confie? - Para fazerem o quê?

- Ainda não sei. Mas arranja-os? - Acho que sim. Mas para quê?

- Arranje-os apenas, sim? - Mas qual é o seu plano?

Siga-me!

Rápido! Venha.

- Will, malta. - Que foi isto?

- O que disse ela? - Honestamente, não falámos muito.

Do que falaram, então?

Coisa estranha, sargento.

Ela disse-me que no combate ia matar o Lang.

O quê?

Quem, ela?

Como?

Escondeu uma faca no casaco.

Estava à cunha, mas ela esgueirou-se até lá à frente

sem que nenhum guarda a visse.

Ficou a cerca de 30 centímetros do Lang.

A 30 cm de lhe cortar o pescoço enquanto todos viam o combate.

Danny!

Precisamos de a contactar, de enviar uma mensagem à Chantalle.

Arranja papel e caneta, Maurice.

Temos que lhe escrever, pois não irei estar tão próximo dela novamente.

Diz-lhe que reúna todos aqueles em quem confia.

- Soldados? - Locais. Aqui já não há soldados.

Todos devem levar dois casacos para o combate de boxe.

Faremos com que eles coloquem um casaco sobre cada um de nós.

Então, enquanto todos assistem, ele esgueira-se.

Esgueira-se? Estás doido? Somos presos num minuto.

Não, porque eu vou dar-lhes um combate

do qual não conseguirão desviar os olhos.

- E tu? - Eu fico KO no 5º round.

Um de vocês terá que me levar.

Ou carregar-me, até onde eu me possa vestir.

A sala é vigiada pela frente, mas a fechadura traseira foi rebentada.

Um puxão naquilo e próxima coisa que veremos são as falésias de Dover.

- Estás a brincar, não? - Não estou a brincar, Maurice.

Se alguém tiver uma ideia melhor, é melhor que a diga.

Porque se não fugirmos em três dias, ficaremos presos na Alemanha.

Estando cercados de nazis, pela Gestapo, a polícia secreta.

Ainda estamos em França. A guerra ainda continua.

Ele tem razão. Temos que fugir antes que nos levem para a Alemanha.

Enquanto ainda existe caos lá fora.

- E depois? - Dunquerque.

Sim. E depois, casa.

Apanhaste tudo? Agora, temos que garantir que ela o recebe.

Toda esperança em sair daqui depende desse bilhete.

Não me posso aproximar dela, porque aí também ela será morta.

Precisamos de uma nova manobra de diversão.

Nenhum guarda pode estar a olhar na minha direcção.

Os alemães andam nervosos. Não caem facilmente noutro esquema.

- Ele tem razão. - Sim, acho que sim?

- Temos que pensar noutra coisa. - Algo maior. Muito maior.

Tenho uma ideia.

Fá-lo. Fá-lo antes que eu me arrependa.

Quê?

- Médico! - Raios partam!

Médico! Precisamos de um médico!

Para trás. Caso contrário, atiro.

- Precisamos de um médico! - Para trás. Caso contrário, atiro!

- Precisamos de um médico! - Olhe para a minha mão!

Médico! Anda então!

Vigia os outros, todos os outros.

Rápido! Vamos!

Rápido!

- Então, rapazes... - Espero que a miúda faça a sua parte.

- Nunca tive jeito para machados. - É bom que ela encontre o bilhete.

Caso contrário, nunca mais tocarei piano e terá sido tudo em vão.

Meu Deus. Tu tocavas piano?

Podia ter aprendido.

Agora já não.

Ela encontra-o.

- Como é que sabes? - Se não o fizer, estamos todos mortos.

Isto é estúpido.

Idiotas.

Uma catástrofe.

Vocês não vêem a única falha neste plano.

Só funciona se tu te aguentares o suficiente para que possamos fugir.

Sabes que precisas de pelo menos cinco rounds contra aquele monstro.

Tudo depende de seres capaz de te manteres vivo.

Vim dizer-lhe adeus. No caso de você não se safar.

Certo.

Acho que se as coisas fossem diferentes, poderíamos ter sido amigos.

Não me veio dizer para perder de novo, pois não?

Pelo contrário.

Esta noite quero que você, dê "tudo por tudo".

- É a maneira de lhe salvar a honra. - Ele vai desancar o seu homem!

Fico à espera de o ver tentar.

A 3ª Divisão Blindada SS falará desta noite por muitos anos.

Sim, pode apostar nisso.

De uma forma ou de outra.

Finnegan! Boa sorte.

Sim!

Já o tens, Danny!

Anda!

Um gancho!

Vamos!

Um gancho! Anda!

És muito rápido para ele.

Não sei se aguento os cinco rounds. Prepara-os.

Cá vamos nós outra vez.

Vamos, Danny!

Anda, Danny, vamos!

Vamos, Danny!

Como vão as coisas?

Três, já saíram.

O Harry, o Rich e o Zaid.

Está realmente a funcionar.

Já vão a meio caminho da costa.

O Archie e Maurice vão a seguir.

Certo, anda.

Depois somos nós.

Vou verificar a porta.

Eles descobriram a porta.

Está bloqueada.

Qual?

A porta de trás.

Não há escapatória.

Certo.

Que se passa?

Tens que sair daqui agora.

Eu não te vou deixar.

Vais sim, amigo.

Anda.

Ficamos juntos, amigo,

arranjamos maneira de fugir na Alemanha.

Ei.

Tens que me deixar vencer este combate sozinho.

Tu não vais vencer.

Eu já venci, Billy.

Billy.

Abriga-te e dispara.

Não, não, não.

Vamos.

FIM

Legendagem : Letras & Ideias Richard Perry / Ana Osório

Realização

Produção

Argumento

Director de Fotografia

Montagem

Música

LETRAS & IDEIAS - MMXX Ref: 116/00

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