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UM DOCUMENTÁRIO ORIGINAL NETFLIX
Pedi-vos a verdade, pedi-vos o vosso poder erótico
e esse desejo incrível.
Quero que se esforcem.
Não se esqueçam daquilo que é difícil de mostrar.
Isto vai provocar-vos e vai fazer com que se entreguem.
Obrigada por seres a primeira.
Se pensarmos na sociedade em que vivemos,
as mulheres estão presas na cultura masculina.
Há um abuso global das mulheres.
Body-shaming, abuso sexual e destruição do ego.
As mulheres carregam muita vergonha,
porque o corpo delas não é igual ao corpo da capa de revista.
Encontrem o vosso corpo erótico.
Vá lá! Dá-me mais!
Mostra-lhes as ancas!
O facto de uma pessoa se vestir de certa forma ou estar sexy
não significa que vos está a convidar a serem sexuais com ela.
Temos abafado o corpo feminino
e limitado o erotismo das mulheres.
Está na hora das mulheres assumirem o seu poder.
E a hora chegou!
A forma de assumir esse poder é através do movimento.
Acho que a reformulação do varão
permite a reivindicação pessoal do corpo feminino.
Gostamos de dizer que somos progressistas,
mas quando se fala em dança do varão,
pensam logo nos sítios onde os homens fumam, bebem
e as mulheres dançam por dinheiro.
E isso é apenas uma parte do que é.
É o mundo do varão.
Há a dança do varão, arte do varão,
fitness do varão e desporto do varão.
São coisas diferentes para pessoas diferentes.
É um percurso de crescimento e autodescoberta.
Queria recuperar a minha confiança.
Estou numa guerra para ajudar as mulheres a reivindicarem-se.
Quando entrarem no meu mundo,
vai parecer que estão no Clube de Combate para mulheres.
E se fizerem julgamentos, vou pedir-vos para sair.
Isto não é para coninhas.
FONTANA, CALIFÓRNIA
Bom dia.
Tenho 50 anos.
Tenho dois filhos.
E sou viúva.
Vai fazer um ano e oito meses
desde que o meu marido morreu.
Pronto.
Quem me conhece, sabe que sou muito ativa,
ando de um lado para o outro e estou sempre ocupada.
Perder o meu marido…
Uma grande parte de mim morreu com ele.
Consigo trabalhar.
Consigo atender os meus clientes.
Consigo cuidar da loja.
Quando volto para o carro,
não há música.
Não há vida.
Neste momento, a mesa da cozinha já não é uma mesa.
Está cheia de contas.
Está tudo sombrio.
O Terry não era só o meu marido. Era o meu melhor amigo.
Era o padrasto dos meus filhos.
Perdi isso tudo…
… num fim de semana.
Tenho de me deixar ser feliz.
Por isso, decidi experimentar o S Factor.
Abri a ficha de inscrição
e, depois, fechei-a e deixei-a em casa.
Mas algo me disse: "Volta para trás e vê o que é."
Eu já dava voz a este movimento.
Criado pela atriz Sheila Kelley,
o S Factor é a moda do fitness mais sensual de Hollywood.
Já tinha escrito um livro. Já tinha ido ao Oprah Show com o S.
A Sheila Kelley vai mostrar-nos como usar o varão.
A Teri Hatcher, que andava na escola, foi à Oprah e mostrou uns movimentos.
Trata-se muito de emancipação. Há mulheres de todos os tamanhos na aula.
Não se trata de olhar para nós ou de ser sexy.
Trata-se de encontrar bem-estar e confiança no nosso corpo.
Vá lá, Martha!
Porque se chama S Factor?
Por causa da forma do corpo da mulher.
As curvas do "S" assemelham-se à forma do corpo da mulher
em oposição ao corpo do homem, que é mais um "H".
- Um "H"? Obrigadinho! - Tu sabes…
As mulheres são um "S".
Os homens são um "H".
Meu Deus!
Sabia que tinha de o separar do olhar masculino.
Falei sobre o varão no contexto do fitness,
como algo que podemos fazer para ficar em forma.
No fundo, o S Factor
é um estilo de vida criado para quem se identifica como mulher
para libertar o corpo através do movimento sensual
e para aprender como nos pode ajudar a estar melhor no mundo.
Pronto.
Quando percebi isso, pensei:
"Tenho de levar isto às mulheres. Quero fazê-lo."
ESTÚDIO S FACTOR, LOS ANGELES
Preencha isto e depois entregue-me.
Tem aí uma caneta.
MULHERES DE VÁRIAS CAMADAS SOCIAIS E CIDADES
VÊM AO S FACTOR PARA FAZER UM PERCURSO DE 6 MESES
Obrigada.
- Como te chamas? - Evelyn.
- Sou a Patty. - Muito prazer.
O meu nome do meio é Evelyn. Sou a Violet.
- Violet. - Muito prazer.
- Vim de Fontana. - É longe daqui?
O meu objetivo é subir ao varão.
Ficarei feliz por subir até ao topo e acenar a todas.
Provavelmente, não irei acenar, mas o meu objetivo é subir.
Evelyn.
- Sou a Ava. - Ava.
Elizabeth.
Tem de rubricar aqui.
Não tenho coordenação.
- Não tens de ter. - Sou uma totó.
Não tenho aulas de dança desde o terceiro ano.
- Exato! - Eu sou igual.
Não sei o que esperar.
- Pois. - Entendes?
Vai ser interessante.
Olá!
Como estão?
Bem!
Estão nervosas?
- Sim. - São umas cabras corajosas.
Peço-vos que deixem o calçado aqui.
Entrem. Coloquem as vossas coisas no banco.
Soltem o cabelo, tirem os óculos e vamos sentar-nos em círculo.
Vejam este grupo!
AULA 1 INICIANTES
Apresento-vos a Ali,
que vai ensinar comigo.
Eu sou a Sheila e a minha missão de vida
é ajudar as mulheres a recuperar a sua plenitude.
Vamos iniciar um percurso de seis meses
onde nos iremos reconetar com os nossos corpos
através do movimento sensual
e iremos conhecer-nos umas às outras, apesar de agora sermos desconhecidas.
Tem de haver segurança.
É por isso que não há espelhos nem julgamentos.
Quero saber como se chamam, de onde vêm e o que procuram.
Quem quer ser a primeira?
O que procuro aqui…
Recentemente, parei de me ver ao espelho,
principalmente, esta zona.
Sinto vergonha por ter engordado.
Nunca me senti sexy
nem nunca aceitei o meu corpo como é.
Sempre fui maria-rapaz.
Nunca entendi verdadeiramente o que significa ser mulher.
Espero que esta aula ajude e me ajude a gostar de mim,
porque não gosto mesmo.
Perdi o meu marido recentemente. Passou um ano e meio.
Isto é importante para mim.
Quero voltar a abraçar a intimidade,
incluindo comigo própria,
porque perdi muita coisa
e quero isso de volta.
- Sim! - Vamos a isso.
Vamos começar?
A minha namorada anda aqui.
Ela está mais aberta e começa a ver a deusa dentro dela.
E eu pensei: "Também quero."
Tenho três filhos e o mais novo tem 21 anos.
Por isso, sinto que concluí
a parte da maternidade da minha vida.
Se não fizer isto agora, não serei capaz.
Enquanto a cabeça puxa o corpo todo para a esquerda…
Acho lindíssimas todas as mulheres que vejo.
Digo: "Ela é linda!" Mas não consigo ver isso em mim.
Quero encontrar essa confiança, sentir-me sexy
e não me comparar negativamente com as outras mulheres.
Agora penso:
"Meu Deus! São todas lindas! Como é que eu estou?"
Ela fez-vos uma pergunta.
- Como está? - Sim. Como é que ela está agora?
Estás gira!
Todas as mulheres que vêm ao estúdio
têm um lado delas que foi abafado.
O mundo faz grandes julgamentos sobre quem tem excesso de peso.
Passei pelo processo de:
"És isto demais. És aquilo demais. Não és isto o suficiente."
Quando era pequena, o meu pai
chamava-me Cachorro-Quente, era uma alcunha.
Isso deu cabo de mim.
Desenvolvi-me muito cedo e começaram a reparar em mim.
Chamavam-me puta por ter nascido como nasci.
Eu distanciei-me disso,
porque não queria ser julgada, não queria que me chamassem nomes.
Porque é que uma mulher voluptuosa ou uma mulher magra com celulite…
Porque é que esse tipo de pessoas não podem ser amadas
e lindas?
Vou ensinar-vos a caminhar ao estilo do S Factor.
A primeira parte consiste em arrastarem o pé de trás para a frente
pela linha mediana.
O corpo inteiro desliza.
Ponham o peito para fora e os ombros para trás.
Ponham a barriga para dentro para apoiar a lombar, porque arqueia.
E não importa. Não estão numa linha reta nem vão a lado nenhum.
Estão apenas a desfrutar da forma como caminham.
É esse o percurso.
Quando uma mulher pensa que não sabe dançar,
por se sentir constrangida e desajeitada…
… fico furiosa, porque não se trata de sentir a batida.
Não, trata-se de libertar o sofrimento
e o trauma do nosso corpo.
Onde está a tua curva agora?
Onde está…
Dás-me os teus óculos?
Obrigada.
- Não consigo ver. - Ótimo!
Põe a anca para fora.
Faz assim ao cabelo. Isso mesmo.
És como uma raposa que está escondida
e não queremos que te escondas mais.
Como vamos fazer?
Em 2015, fui diagnosticada com lúpus.
Havia uma razão para estar sempre paralisada.
Para querer andar e não conseguir,
para querer pegar numa chávena e não conseguir.
Tornei-me muito consciente do movimento e quero explorar mais isso.
Eu não tenho uma história. Só queria vir a uma aula do varão.
Porque é algo diferente, novo.
Quero abanar o rabiosque.
- Para mim, isto é transformador. - Sim, estou a ver.
- Pronto. - É bastante intenso.
Estou a pensar: "No que me meti?"
Meteste-te em algo bem profundo, querida!
Não tinha medo, mas agora sim.
Serão todas responsáveis por não desistir.
Vai haver emoção, medo e julgamentos.
Têm de lutar contra isso.
- Todas vão querer desistir. - Sim.
Todas vão pensar: "Isto é íntimo demais. Isto é assustador."
Se forem corajosas, vão continuar e vão reivindicarem-se totalmente.
Se cederem,
vão afastar-se e pensar: "Onde estou?"
Quero que olhem para alguém do círculo.
Chamem a atenção de alguém e apontem para ela.
Já todas têm uma pessoa?
Vá lá. Fala. Eu não consigo ver.
Alguém está a olhar para ela?
- És a minha miúda! - Levanta o braço.
Ela é o teu espelho neste percurso.
Vai ficar ao teu lado e responsabilizar-te.
Vão criar uma irmandade.
LOS ANGELES, CALIFÓRNIA
Nunca procurei ou tive a intenção
de ser a fundadora de uma prática do movimento feminino.
Aqui está.
Está pronto.
IGUANA AZUL
Estava a preparar-me para um filme, onde fiz de stripper.
Fiquei fascinada pela dança do varão.
Era incrível ser tão abertamente feminina.
Quando somos ofendidos constantemente
e nos dizem o que é certo ou errado para fazer com o corpo,
começamos a interiorizar isso e a ofender-nos.
Eu autoflagelava-me imenso.
Fui diagnosticada com anorexia.
Cortava-me.
Este estilo de vida e prática
fez-me confrontar
todas as coisas que me tornaram insegura,
que me fizeram sentir julgada e desligada.
Um dia,
estava a deixar o meu filho no infantário
quando bateram à minha janela.
Era uma mãe que não conhecia. Ela disse-me:
"Ouvi dizer que fazes dança do varão."
E eu disse: "Sim.
Traz saltos altos de 15 cm e vai ter a minha casa."
Então, comecei a ensinar.
Muito bem. Está pronto, vamos sentar-nos.
Os meus filhos enfrentaram desafios
por a mãe ter varões em casa.
Os pais não deixavam as filhas virem a minha casa,
porque pensavam que era um clube de strip.
Precisávamos disto.
Podemos começar todas as reuniões assim?
NOVA IORQUE, NOVA IORQUE
Acabei por abrir estúdios em Chicago, São Francisco,
Los Angeles, Houston e Nova Iorque.
Quando comecei,
senti libertação e desprendimento.
Apesar de não chorar fisicamente,
as danças eram o meu choro.
Estava com um estado de espírito sombrio.
A minha relação tinha acabado.
Estava destroçada.
Sentia que tinha 38 anos
e que nunca me ia casar ou ter um bebé.
Pensei que isso nunca aconteceria.
Queria reconetar-me comigo própria.
Sentia-me muito abatida.
Queria sentir-me mais sensual e sexual.
Quando comecei,
grande parte pelo que passei era para me sentir bem na minha pele,
sentir a sensualidade no meu corpo.
Não sabia que havia algo mais profundo.
Há uma luta entre duas energias eróticas.
Entre a tua luxúria e o teu desejo,
tem havido medo e retrocesso, certo?
E vem aí muita esperança.
LEITURA CORPORAL
Mas quero que a esperança traga a luxúria. Não a deixes.
Como uma mulher negra trabalhadora,
encontro muitas coisas que me deixam furiosa.
Há um grande estigma à volta da ideia da mulher negra furiosa.
Tenho tentado muito controlar isso,
porque sei que há essas perceções
e que a minha fúria não está bem.
O S Factor é um local seguro para explorar e tentar expressar isso.
Sigo o S Factor há cerca de oito anos.
Grande parte foca-se na profundidade das relações
que estas mulheres têm umas com as outras.
Passei de acreditar que a dança do varão era algo solitário
para descobrir uma grande família de braços abertos, que me aceita
e celebra as minhas vitórias comigo.
A indústria do varão é única, porque é criada por mulheres.
As donas originais do estúdio do varão praticaram o S Factor
ou eram strippers e as pessoas queriam aprender com elas.
Esta indústria criativa tem crescido imenso,
porque o nosso negócio foca-se
em como a dança do varão nos ajuda a ser emancipadas para sempre.
Em como nos sentimos maiores e mais ousadas fora do estúdio
devido à confiança que a dança do varão nos dá.
É essa a parte inebriante do varão.
SÃO FRANCISCO, CALIFÓRNIA
Adoro competir.
Quero sempre ganhar, é a minha forma de ser.
Também sou advogada.
Atualmente, pratico direito de família pro bono.
Posso ser dançarina do varão e advogada. Não é fixe?
Sou conhecida como trickster, no mundo da dança do varão.
Publico muitos truques nas redes sociais. Adoro ensinar truques.
Daqui a cinco semanas, vou competir no Golden Gate Pole Championship.
Eu sempre competi para contar histórias.
Posso contar uma história em que acredito com o meu corpo
com a qual talvez os outros se identifiquem?
Quando fui à primeira aula de dança do varão,
pensei: "Vai ser um bom passatempo."
Não sei.
Talvez tenha sido a sensação elétrica, magnética, no aço inoxidável do varão,
mas assim que toquei no varão, pensei:
"Adoro isto."
No varão, eu voo, literalmente.
Eu voo. É de loucos.
Nunca imaginei que conseguiria fazer isto há cinco anos.
- Lavaste as mãos, Amy? - Sim.
AMY, SETE ANOS
Aqui está ela. Fala com ele.
Olá, Nick!
Sou a mais velha de sete irmãos.
Fui criada na Igreja Mórmon.
As mulheres mórmones que assumem a sua sexualidade
são olhadas de lado.
Fingimos que a nossa sexualidade não existe.
E se, em algum momento, existir para nós,
dizemos as nossas orações e pedimos perdão.
Sentia-me má pessoa,
por causa da luxúria que tinha no corpo, por ter vergonha da minha sexualidade.
Isto é real? Acredito mesmo nisto?
Quando comecei a fazer dança do varão não disse a ninguém,
porque ainda era algo alternativo e estranho.
Quero poder dizer que faço dança do varão
e não me perguntarem logo: "És stripper?"
Em vez disso, perguntarem: "Isso é fixe. Parece difícil."
Boa! Muito bem!
DANÇARINA DE VARÃO
Sou dona do San Francisco Pole and Dance.
Queria criar um espaço onde qualquer pessoa pode ir
sem ter vergonha de fazer dança do varão.
Aqui, os meus alunos podem tirar a fachada que usam no trabalho.
Se têm barriga por cima dos abdominais, podem mostrá-la.
Não usamos muita roupa, porque ajuda a agarrar o varão.
Para cima.
Digo aos meus alunos: "Eu sei que têm vergonha do vosso corpo,
mas quero que tirem a maior parte da roupa,
fiquem de biquíni,
venham para a frente de espelhos
e experimentem algo que nunca fizeram
e ao qual devem ser péssimos."
É difícil convencê-los disso.
Hoje, vou mostrar-vos três truques.
Vamos incorporar e intercalar os truques com dança livre.
E rosto!
Peito!
Barriga! Perna!
Vão pôr as ancas para trás e ficar em posição sentada,
puxando o rosto para o varão.
Levando a vulva até ao chão.
Inscrevi-me na aula de coreografia sexy
porque nunca estive em forma nem me senti sexy,
Gosto de fazer coisas que me assustam e isto assustou-me.
Vamos fazer isto juntos.
Um, para trás. Dois, para trás.
Pés, desce.
Sua rainha! Isso foi brutal! Foi fantástico.
O mais empolgante da dança do varão é o facto de ajudar pessoas,
especialmente as mulheres,
a redescobrir a relação com os corpos delas.
Vão fazer o seguinte.
Usem a vossa mão dominante.
Vão manter esse caminhar curvilíneo
e vão fechar a porta.
Depois, vão virar-se.
Certo?
Quero que pensem no varão como a tela da arte do vosso corpo.
Não se trata do varão.
Eu sou de Ohio.
Cresci a fazer ginástica. Era a minha vida.
Quando era mais nova, fui abusada sexualmente repetidamente
pelo ex-famoso médico de ginástica olímpica, Larry Nassar,
mas foi uma das coisas que reprimi.
Fingi sempre que isso não aconteceu,
mas esteve sempre presente.
Preciso de respirar.
- Mas isto… - Não tens de falar mais.
- Podes apenas estar. - Está bem.
Comecei a fazer ginástica aos dois anos e apaixonei-me por isso.
Quis logo ser uma atleta olímpica.
Lembro-me das Olimpíadas de 1996 quando a Kerri Strug partiu o pé.
Foi um grande momento.
Muito bem, Meg.
Eu abdiquei de tudo.
Não tinha amigos, vida social, nada.
Boa! Bom trabalho, Meg!
Aos 15 anos, tinha três fraturas de stresse nas costas.
Mas os meus treinadores disseram-me: "Sem dor não há resultados. Aguenta."
Então, eu aguentei e treinei seis meses com essas fraturas.
Não conseguia caminhar, tinha muitos espasmos,
o meu corpo estava demasiado contraído e a tentar proteger-se.
Fomos a alguns médicos. Não sabiam qual era o meu problema.
Quando conhecemos o Larry Nassar, foi um bênção
o facto de ele saber o que eu tinha para me tratar.
Era um médico famoso.
Todas as minhas heroínas foram tratadas por ele.
Quando a Kerri Strug partiu o pé,
as pessoas não sabem que foi o Larry Nassar
que lhe estendeu a mão.
Ele começava por fazer uma massagem e começava a subir por dentro das coxas.
Depois, disfarçava, colocando-se entre mim e a minha mãe,
continuando a massagem com uma mão,
enquanto a outra penetrava agressivamente.
Era doloroso. Doía.
Saía sempre de lá com dores.
Era muito intenso.
Eu soube logo que algo estava errado,
mas tinha demasiado medo.
Estava aterrorizada.
Tinha pavor de dizer algo.
Ainda nem conhecia aquela parte do meu corpo.
O ano que passou foi horrível.
Deixei de viver, porque comecei a lidar com isto.
Fiz terapia, fui proativa,
mas não sei quem sou.
Estamos neste mundo para ter força de viver
e a cultura em que vivemos rouba-a ao feminino.
E eu já não aceito isso.
Obrigada por se juntarem a esta viagem incrível de recuperação.
Vamos chegar lá.
Vou falar-vos do que vão trazer para a semana.
Sapatos. Entre 15 a 20 cm de salto.
Estes sapatos vão começar a ensinar-vos sobre vocês.
Vão inclinar a vossa pélvis mais 30 graus e tornar a curva mais evidente.
Também vai acentuar a sexualidade do vosso corpo.
Evelyn. Então?
O que se passa?
O meu marido Terry…
Dia seis de março faz um ano e meio que ele morreu.
Nessa altura, volto a pôr a minha aliança,
porque eu tirei-a.
Permite-te soluçar. Soluça durante um bocado.
Não há vergonha.
Não impeças os soluços. Estás a sofrer.
Mas o teu corpo precisa de movimentar a emoção.
Mas é um choro tão feio.
Meu Deus!
Não estou a dizer que é feio.
Sim, a expressão de choro deve ser feia, mas, quer dizer, este tipo de choro…
… eu não conheço.
Eu sei que é diferente e ouço-o quando ressoa em minha casa.
É horrível.
Põe a mão onde ele está agora, no teu corpo.
- Desculpa? - Põe a mão onde ele está no teu corpo.
Onde o sentes mais?
- Aqui. - Aqui?
Quero que o movas.
Não quero que o sintas ou que fales.
Quero que mexas o corpo.
Acho que não consigo.
Deixa essa mão e esse braço acalmarem-te.
Se ele está aí,
deixa esse braço acalmar-te.
Sabes fazer isto. Respira.
Respira.
Deixa que te mova.
Dança, agora mesmo.
Vá lá.
Vem em direção a mim com a tua respiração.
Isso mesmo. Magnífico, Evelyn.
Liberta-o.
Gatinha até mim.
Devagar. Tu sabes fazer isto.
Boa!
Continua a mexer-te. Põe… Nesse braço. Sim!
Sente-o a dançar contigo, querida.
Boa!
Agora, volta para trás.
Não faz mal voltares a ser feliz.
Obrigada por confiares em nós.
Há muito tempo que não confiava,
por isso, obrigada.
Apesar de não serem terapeutas, como professoras
proporcionam uma experiência
que cura imenso de uma forma terapêutica.
Mas tenham muito cuidado.
Se provocarem uma reação de PSPT, chamem-na após a aula e falem com ela.
"Andas num terapeuta para te dar o apoio que nós não te podemos dar,
mas de que precisas, não só para aproveitar a aula,
mas para recuperares?"
A Sheila pediu-me para vos informar, para me certificar de que estão à vontade
ao trabalhar com mulheres com histórias de trauma
ou que sentem trauma agora.
Tenho uma aluna na minha aula que teve um trauma sexual em pequena.
O que vês?
Hesitação, corpo bloqueado.
A chave para a recuperação do trauma é a libertação da vergonha
no processo de reclamação
da sexualidade delas nos termos delas, ao ritmo delas.
Porque o poder foi-lhes retirado
e substituído por vergonha.
A vergonha faz-nos prisioneiros,
mas tudo o que a vergonha quer é vir ao de cima e desaparecer.
"Já não me serves."
Este movimento dá-nos um estado de paz incrível
e devolve-nos o domínio.
É incrível como o varão pode ser coisas diferentes para pessoas diferentes.
Há as competições de varão, onde se trata de vencer e perder.
Focam-se no desempenho.
Sou doutorado em física teórica e neurociência.
Comecei a fazê-lo para corrigir a coluna.
As minhas escolas focam-se num bom treino técnico
que tem a competição como objetivo.
As mãos são o centro de tudo. Está espetacular.
Não percas o público. Estás a contar uma história.
- Mantém o contacto visual. - Certo.
Há dançarinos profissionais, como a Jenyne Butterfly,
que atuam em espetáculos como o Cirque du Soleil.
Senhoras e senhores, Jenyne Butterfly!
Chamo-me Jenyne, sou conhecida como Butterfly.
Sou acrobata
e a minha especialidade é a arte do varão.
Atuei durante cinco anos com o Cirque du Soleil.
E também sou mãe.
Quando tinha 18 anos, levaram-me a um clube de strip
onde a melhor dançarina de varão do país atuava.
PIONEIRA NA DANÇA DE VARÃO
Ela chamava-se Pantera.
Ela era muito intimidante.
Eu não acreditava no que via.
Ela subia, esticava-se para trás e fazia abdominais.
Depois, dava voltas muito depressa
e descia.
E depois fazia flexões com uma mão.
Isso ficou-me na cabeça.
Comecei a trabalhar no clube como empregada.
Pousei o meu tabuleiro e tentei fazer coisas no varão.
Não consegui fazer nada.
A Pantera passou e viu-me. Ela disse: "Precisas de botas para subir."
Ela deu-me um par de botas.
Eu rasguei as botas.
Percebi que tinha de ganhar força.
Era autodidata.
Tento passar a maior parte do tempo no ar, porque sou desastrada.
Só sou graciosa no ar.
Decidi desistir da faculdade e focar-me no meu treino.
O varão tornou-se numa prioridade.
Fui ao World Pole Dancing Championship,
onde representei os EUA.
Foi então que a minha carreira começou a avançar.
Há muita liberdade no varão.
Assim que tiro os pés do chão,
estou noutro mundo.
Não há certo e errado no varão.
Há apenas concentração e a ligação com o meu corpo.
É terapia.
É uma libertação.
Esquecemos o que se passa na nossa vida
e focamo-nos em nós.
Ajuda-nos a ser mais saudáveis.
Dá-nos força e flexibilidade.
Boa! Isso mesmo.
Independentemente do tempo que demora,
qualquer um desenvolverá o que precisa para se conseguir elevar.
Podem começar por ir a uma aula por semana,
para sair do sofá.
Quando comecei a dançar no varão, era muito recente.
Não existiam instrutores de dança do varão.
Quando vi nas notícias,
disse: "O quê? Isto é incrível!"
Era a Sheila Kelley.
Pensei: "É fantástico
o facto de ela o divulgar e disponibilizar para tantas mulheres."
Ela está a fazer algo maravilhoso
que eu sabia que fazia parte do varão,
mas foi a parte que eu ignorei.
Senti que estávamos a percorrer percursos idênticos,
mas eu segui o percurso da atuação e ela seguiu o ensino.
Não ensino a fazer o que faço.
Ensino a fazer o que o seu corpo quer fazer,
como o seu corpo se move para o seu prazer e o seu desejo.
Essa é a premissa do que ensino.
Quero que as mulheres se sintam seguras para explorar este lado delas,
para redescobrirem, reivindicarem, se tornarem inteiras
e brilharem, porra!
HOLLYWOOD, CALIFÓRNIA
Preciso de saltos altos ortopédicos.
Um salto demure.
Salto alto clássico.
Isto podia matar alguém!
Prefiro usar Converse.
Olha! Miúda!
- Eles têm algo para todos! - Têm algo para todos.
- Pronto. - Levanta-te.
O ar é diferente aqui em cima.
Sim!
- Caminhar à S. - Não sei se consigo.
Queria…
Parece que vou subir ao altar.
Estou a apanhar-lhe o jeito.
Caminha direito. Um, dois.
AULA 3 INICIANTES
- Olá. - Parece maior.
Trouxe luvas.
- Que fixe! - Achei que era boa ideia.
Estas luvas… Surpreende-me que não tenham teias de aranha.
Sim.
Não.
Há imensas cenas de dança do varão e strippers em Hollywood Boulevard.
Fui a 20 lojas, literalmente.
Nada me servia.
Vesti uma tanga, mas não as posso usar, porque se perdem no meu rabo.
Tipo…
Fiquei irritada e furiosa.
Pensei: "Que se foda esta aula! Que se foda toda a gente nela!"
Sem ofensa, meninas, mas…
Estava a ver isto ao espelho
e a pensar que se ia enrolar quando subisse ao varão.
Depois, pensei: "Não quero fazer isto. Sinto-me nojenta.
Quero sentir-me sexy, mas sinto-me nojenta."
Lindíssima!
Já estás farta?
Sim, por isso é que estou aqui.
Vives com a mente masculina crítica.
A mente masculina crítica vê o mundo com o olhar masculino crítico
que mede tudo.
Querida! Continua! Força!
As ferramentas que vos vou dar ensinam o corpo
e o corpo irá ensinar a mente, se o deixarem.
Na primeira aula, grande parte do que aprendemos
foca-se em apreciar as nossas curvas.
Muitas das coisas que nos dizem: "Acariciem a vossa barriga."
Eu não o queria fazer. Odeio a minha barriga.
Depois, percebi o seguinte:
"Se não consegues tocar na tua barriga, quem tocará?"
Estamos a mudar os padrões no vosso corpo.
- Já alguém sente a diferença? - Sim.
Levantem as mãos.
Para mim é muito parecido…
Agora não consigo falar.
Lisset, o que se passa?
Tive uma semana muito emocional.
Olhava para o meu cão e dizia: "Gosto tanto de ti!"
Senti-me muito aberta, totalmente aberta,
e sinto tudo e todos.
Sempre fui forte por fora,
por isso, ao mover o corpo, consegui sentir certas coisas e chorar.
Não usava o cabelo apanhado. Sempre o usei solto.
Usava isso como mecanismo de defesa.
Desvia a atenção dos meus traços.
No trabalho, usei o cabelo apanhado duas vezes.
Sei que é uma tolice para quem usa o cabelo apanhado,
mas senti-me confiante. Desculpem.
Pela primeira vez em muito tempo.
Faz um favor a ti mesma e não limpes as lágrimas.
Desculpem.
É normal!
Isso é um padrão. Um padrão de desculpas.
Estou feliz por vos ter a todas.
Amber, tu sentiste a diferença.
Não fazia ideia do quão pudica era.
Quer dizer…
Fiz maratonas.
Sempre fui atleta.
Não há nada que não tenha feito.
Saí daqui e, tipo…
Comecei a chorar e pensei: "Sou muito mais incapaz do que pensava."
Primeiro, pensei em desistir. Tu disseste que íamos querer desistir.
Não costumo chorar. Não esperava chorar horrivelmente.
Talvez as lágrimas sejam lindas.
Bom, não as viste. Não foi…
Não foi como…
Houve ranhos e tudo.
- Não foi bonito. - Vou continuar a pressionar-te.
Não quero chorar aqui, mas pronto.
Amber, és ótima em merdas masculinas.
- És um bom homenzinho. - Sim.
Nunca serás um homem tão bom como um homem,
mas serás uma mulher fenomenal.
Acho que virei para a semana. Veremos.
Pronto, querida.
Tenho problemas com o facto de me dissociar do meu corpo.
Parece que não faz parte de mim.
Que partes do teu corpo te assustam mais?
Acho que é o meu coração, o que o meu coração quer
e as partes femininas.
A tua vulva?
Sim, a vulva.
Alguém te roubou isso e tens de a recuperar, reivindicar.
Estava a pensar na primeira vez que me dissociei da minha vulva
e aprendi sobre essa parte do corpo.
Ensinaram-me que isto era mau desde nova. Que a sexualidade era má.
E fico irritada por ter sido condicionada assim.
Fico mesmo furiosa.
E não faz mal. Nós vamos libertar essa raiva.
Sim.
O que vamos fazer, Jenn?
Vamos caminhar à volta do varão.
Usando o half-pint, vão girar sobre o pé esquerdo.
Tragam a mão esquerda para aqui.
Levem-na para a direita e deixem-se descer.
Neste ponto já fizeram metade do trabalho.
Agora, só têm de se agarrar
e puxar a outra perna.
- Que triste. - Não, foi espetacular!
Força!
Nunca tinha feito isto!
Para a semana, vais subir mais.
E, na semana depois dessa, chegarás ao topo.
Sim!
Preciso de força nos braços.
Eu comecei como aluna.
A Sheila disse-me que devia ser professora.
Eu pensei: "Ela é louca. Não consigo ensinar."
Mas eu fiquei fascinada,
inscrevi-me na formação para professores
e tornei-me na diretora de eventos.
Tornou-se uma missão de vida.
Dar outra oportunidade às mulheres, como eu tive.
- Pronta? - Sim.
- Entro agora? - Sim.
Que stressante.
PROFESSORA, S FACTOR
Viste? Não!
Quando tinha 13 anos,
a minha vida começou a ir por água abaixo.
- Sim! - Estás fora.
Era temperamental. Diziam que era um monstro.
Sentia que ninguém me entendia.
Perdi o contacto com o meu corpo.
Deixei de o amar.
Entrei numa espiral de raiva.
Comecei a engordar.
Depois, emagrecia.
Foi uma oscilação de 18 ou 22 kg.
Depois, tive os meus filhos e engordei mais 27 kg.
Agora, tenho acima de 45 kg a mais.
Deixei de cuidar de mim.
O que vamos jantar hoje?
Como as videiras, finalmente, floresceram um pouco,
pensei em fazermos tamales.
Se me incomoda o facto de ela ter excesso de peso?
Quer dizer…
MARIDO DA JENN
É uma questão de saúde.
Sei que ela é linda e ela também,
mas há uma negatividade inerente
quando alguém tem excesso de peso.
Eu ia dar uma aula no S Factor e, depois, ia comer ao McDonald's.
Ou passava o dia sem comer e, depois, comia muitos doces em casa.
Não fazia o que ensinava nas aulas.
A ideia de me ver ao espelho,
sinto-me como a rapariga de Quem Tramou Rogger Rabbit?
Ela é voluptuosa, sexy, furiosa.
É radiante.
Depois, vejo-me ao espelho e penso: "Gorda de merda, quem és? Sai do espelho."
O meu corpo gritava por liberdade.
Quando comecei a mover o meu corpo, a lidar com a minha raiva
e a ouvir aquela música do esforço muscular,
consegui, por fim, libertar-me em vez de bater nas paredes.
Estás a deixá-la ganhar.
Têm de lutar no interior e tu não deixas isso acontecer.
Não consigo ouvir.
Tinha muita energia e agressividade e não sabia o que fazer com isso.
Mas a raiva está sempre comigo.
Sim!
Isso! Sente a luta no interior!
Sente a luta no interior!
Estou pronta para me ver ao espelho e ver o que os outros veem.
- Foi brutal. - Obrigada.
- Brutal. - Obrigada.
Foi um renascimento.
Pronto.
Nesta comunidade,
há um grande nível de honestidade, porque eu vi-te a dançar
e sei que não estás bem.
Eu fui molestada por um amigo da família.
É muito difícil quando sentimos que ninguém nos protege.
Uma das maiores dádivas do S Factor
é descobrir uma forma de superar a tristeza,
de sentir as emoções sem deixar que nos afoguem.
Quando senti o nódulo, soube que, provavelmente, seria cancro.
Vou ser mãe pela segunda vez em breve
e o medo de me perder
naquele primeiro ano de maternidade
é assustador e isolador.
Passei pela tristeza. Passei pela raiva.
Perdi o meu peito e o meu cabelo.
E, para a maioria das mulheres, essas duas coisas
estão muito ligadas à feminilidade.
Aquela dança foi sobre a solidão que, às vezes, sinto
e sobre a vontade
de gritar e de deitar paredes abaixo…
Não sei.
Destruir coisas para ser ouvida.
A minha professora pediu-me para tocar na cabeça.
Eu fiquei enojada e não o consegui fazer.
O momento em que ela me fez tocar na cabeça,
foi o momento mais intenso que partilhei com uma amiga
na minha vida.
Tu fizeste isto.
Isto é humilhante.
É muito catártico. Deixa tudo sair, querida.
Ter um local que me ensinou o vocabulário
para avançar através das emoções que se seguem à cirurgia,
ter essa dádiva foi muito importante.
É por isso que acredito que combati o cancro com a dança.
SÃO FRANCISCO, CALIFÓRNIA
Assim.
Passo a maior parte do tempo a treinar para as competições.
Trinta e dois alunos e seis instrutores meus vão competir
no Golden Gate Pole Championship, incluindo eu.
Pronto. Inclina-te para trás.
Inspira. Mais. Pronto.
Acho que a disciplina e o desejo de sucesso
vem dos meus pais.
O meu pai foi tenente-coronel dos Fuzileiros.
A minha mãe fez parte da primeira turma de mulheres
que se formou em West Point.
Quando tinha 19 anos, fugi de casa
e mudei-me para Los Angeles.
Queria muito ser atriz.
Não sabia representar nem sabia cantar.
Não sabia fazer nada, mas tinha muita confiança
de que ia ser incrível.
Que ia ter uma audição ou ser descoberta num centro comercial.
Muito cliché.
Tinha poupado cerca de 2 mil dólares e o dinheiro acabou depressa.
Pago 25 dólares por hora para posares nua.
Isto é para posar nua?
Não tens de aceitar.
Só ganho seis dólares por hora a fazer babysitting, por isso…
Tira o top primeiro.
A falta de dinheiro levou-me a posar nua.
E, depois disso, entrei para a indústria pornográfica.
Quem é esta rapariga lindíssima?
Chamo-me Wendy James.
Wendy James. Diz-nos, Wendy, que idade tens?
Tenho idade suficiente.
Idade suficiente.
Ainda era virgem quando entrei na pornografia.
E só quando entrei na indústria é que pensei:
"A sexualidade pode ser uma coisa boa."
- Os teus amigos sabem o que fazes? - Claro que não!
Menti a muitas pessoas
e tive uma vida dupla durante muito tempo.
Estava desesperada.
Também não queria admitir que falhei às pessoas de quem gostava.
Tinha muita vergonha por fazer aquilo,
porque ia à igreja e fazia pornografia.
Contribuía com o dinheiro da pornografia como se assim ficasse tudo bem.
Convenci-me de que era como o Robin dos Bosques.
Tirava dos maus e dava aos bons.
É ridículo.
Os meus dois mundos colidiram quando dois dos anciões mórmones,
os chamados patriarcas,
foram ter comigo ao estacionamento antes da missa.
Disseram-me que sabiam o que eu fazia, eu fiquei envergonhada
e nunca mais voltei à igreja.
Fui castigada porque me viram num vídeo pornográfico.
Eles viram-no, mas não foram castigados.
Seis meses depois, deixei a pornografia.
Pronto.
Comecei a servir às mesas
e as pessoas começaram a perceber
que eu era a Wendy James da pornografia.
Chamavam-me puta
e diziam-me que só servia para levar com esporra.
Havia homens que iam ao restaurante
com os filhos e as mulheres.
Entregavam-me o recibo a dizer:
"Vi que chupas bem.
Vem ter comigo ao estacionamento às 22h00."
Pedia aos meus colegas de trabalho para me acompanharem até ao carro.
Questionei-me se haveria uma vida para mim após a pornografia.
"Devo voltar? Só posso fazer isto agora,
porque passei seis meses nesta indústria?"
Foi um momento negro e muito triste.
Demorei quatro anos a concluir a formação e ser transferida para Berkeley.
Quando lá cheguei, senti que estava a recomeçar.
Pensei: "Isto é um mundo novo.
Estou a usar a minha mente. Já não estou a usar o corpo."
Nessa noite, fui fazer compras ao supermercado.
E a primeira coisa que o homem da caixa disse foi:
"És a Wendy James?"
E eu pensei: "Não acredito! Isto nunca vai acabar!"
Daqui a uma semana ou duas, passam ao nível intermédio.
Depois de julho, faremos a cerimónia
e isso será um ritual para vos levar para o nível avançado.
Vamos levar pétalas de flores. Vamos dançar no oceano.
Vamos rever rapidamente.
Mão direita em cima, mão esquerda aqui.
Vão pôr o pé deste lado.
Teremos um truque novo chamado corkscrew.
Vou mostrar como se faz.
Quem se quiser virar de cabeça para baixo pode vir aqui.
A inversão é assustadora.
Levem os joelhos até ao peito.
Deixem a cabeça ir para trás. Levantem as ancas.
INVERSÃO
Eis o que se passa.
Estão a começar a despertar a vossa criatura erótica.
Vão fazer o seguinte, vão caminhar em direção à parede.
Vou esticar-me
e vou empurrar a parede
até lá atrás.
Boa, Evelyn! Incrível!
Sou uma mulher plus-size.
Há julgamento,
mas aqui
não me sinto diferente.
Fechamos a porta,
ligamos a música
e sinto que somos iguais.
É isso que quero aprender aqui.
Quero levar isto comigo quando sair daqui.
Inspira pelo nariz e expira pela boca.
- O que foi avassalador? - Senti-me constrangida.
Como se não pertencesse aqui, tipo: "Que merda! Porque estou aqui?
Não és bonita o suficiente. Estás a fazer figura de parva."
E fiquei muito…
Foste chamada para pôr isto no teu corpo,
ou seja, ela está desejosa por estar aqui e por ser vista.
Eu venho de avião do Utah, todos os domingos.
É divertido estar aqui.
Chego a uma vibração elevadíssima que me deixa com desejo de mais,
mas quando volto para casa…
Não sei como explicar isto
à minha família muito conservadora.
Quando as pessoas virem isto, dirão que vou para o Inferno.
É esse o meu problema.
O teu marido sabe o que fazes?
Acho que sabe um pouco sobre isto, mas…
Não sei como lhe dizer!
Senta-lo numa cadeira e fazes-lhe uma lap dance?
Não, foda-se!
Vou dar-te uma tarefa.
Sim!
Da próxima vez que te vir, fizeste-lhe, pelo menos, uma lap dance.
- Isso vai explicar-lhe. - Que aprendi a fazer lap dance?
Se o fizeres como te ensinamos, para o teu prazer,
ele verá uma mulher livre.
Eu tenho o mesmo problema, mas a minha família não vê Netflix.
Por isso, não tenho de lhes dizer.
É o meu segredo e vai morrer comigo.
O meu marido é um executivo na Microsoft.
Ele chama-me Mulher Maravilha.
Acha que sou capaz de tudo.
É o meu maior apoiante.
Ser marido de uma dançarina de varão é divertido.
A dança do varão é muito exótica
e pensamos: "A minha mulher é tão sexy!"
Mas, a certa altura, pensamos: "Não quero ver mais dança do varão.
Já não consigo ver mais."
Boa! Olha só!
Ela queria pôr um varão no meu escritório, nas traseiras.
Eu não deixei, porque ia bloquear a TV.
Mas depois começámos a treinar juntos.
Comecei a fazer step no varão e contra a parede.
Ele não quis saber mais dos Yankees.
Ficou…
Estamos juntos há 28 anos.
Mas ele é complicado.
Tivemos um casamento atribulado e foi instável durante algum tempo.
Se não tivesse este estilo de vida feminino,
estaria divorciada dele.
Não! Acho que não estaríamos divorciados.
O que disse ela, que estaríamos divorciados?
Agora sou eu que quero o divórcio.
Estou apaixonada.
Aqui eu posso colapsar.
Ele é tudo para mim.
Eu sou o varão dela.
Em vários sentidos.
Às vezes, fico chateado,
porque vejo maridos e namorados de outras dançarinas do varão
que parecem envergonhados
por as mulheres ou namoradas dançarem no varão.
Acho que elas lhes deviam dar com os pés,
porque ninguém precisa disso.
Se o vosso namorado ou marido não gosta que dancem no varão,
arranjem outro.
Há 3,5 mil milhões de homens no mundo.
Talvez quatro.
O varão mudou a minha vida de várias formas.
Após ter o meu filho, ganhei 27 kg.
Não me sentia confiante e as minhas roupas não me serviam.
Tentei de tudo para emagrecer.
Não conseguia. Até experimentar a dança do varão.
Perdi os 27 kg.
É uma forma divertida de fazer exercício.
Eu entendo que haja julgamento.
Gostava que a perceção mudasse, porque isto não é o que pensam.
O meu marido é muito conservador.
Quando lhe disse que queria ter aulas de dança no varão,
ele não compreendeu.
Pensou que ia ser uma fase, que ia fazer dança no varão e desistir.
Quando te prenderes,
tens de te empurrar para fora.
Assim. Estás a ver?
Amo-o imenso,
mas ele é muito possessivo em relação a mim e ao meu corpo.
Não quer que ninguém olhe para mim.
Por isso, não tenho uma rede social para aquilo que faço.
Sinto que o meu marido me está a tirar algo.
Em termos de carreira, limita-me,
porque os instrutores partilham o que fazem nas aulas,
mas eu não posso.
Também sinto que o corpo é meu
e, se o corpo é meu, devia poder fazer o que quero com ele.
Sou uma raridade,
porque poucas dançarinas do varão frequentam a igreja.
Eu sei que devo ser uma esposa submissa
de uma perspetiva cristã e que o devo respeitar e honrar.
Mas se publicasse um vídeo meu no Instagram, contrariando-o,
ele ia ficar chateado.
Irá continuar casado comigo?
Tenho dois filhos. Tenho uma família e não a quero perder.
Uma coisa que me ensinaram muito na minha igreja
foi que o meu valor era muito dependente dos homens que me rodeavam.
E que eu tinha valor, se casasse com um homem de valor.
Eu adoro dançar no varão porque é subversivo.
É como se dissesse:
"Peguem nos vossos padrões patriarcais e enfiem-nos no cu.
É isto que adoro e é isto que me faz sentir viva."
Põe a cabeça para trás, Megan.
Sim!
Sim, querida!
Sim! O quê?
Eu ensino as mulheres a chegarem à plenitude da sua feminilidade.
Devagar. Quero que o faças devagar. Termina devagar.
A começar pelas curvas, pela sensualidade e pelo movimento.
Fica assim.
Está a doer? Estás a sentir? Está a irritar-te?
Se está, fica assim.
Quando têm o corpo delas em pleno,
pelos vistos, isso é muito perturbador para certas pessoas.
O patriarcado.
"Não podes controlar esse corpo, é um corpo perigoso,
a não ser que mande nele, a não ser que seja meu."
Assim que pari o meu filho:
"Sê um rapaz. Sê um macho. Sê forte.
Vive ao máximo como homem! Vive a tua masculinidade!"
E dizemos às nossas filhas para não viverem ao máximo no corpo delas.
É demasiado perigoso.
Mas para serem iguais…
… é melhor elevarem-se e recuperarem o vosso corpo.
A MEIO DO CURSO, AS ALUNAS INICIANTES FAZEM UMA FESTA DO VARÃO
Eu entrei de mente aberta. Não sabia o que esperar.
Não sabia no que me estava a meter.
A AMBER DESISTIU DO S FACTOR
Passávamos duas horas com mulheres a chorar e a soluçar.
Não me senti empoderada.
Parecia que estava a ver uma novela.
Tínhamos um grupo no WhatsApp.
Após ver as fotos,
não é algo no qual escolheria envolver-me.
Nunca desejaria que o meu filho de 12 anos me visse
de cuecas e sem camisola.
A Sheila a contorcer-se no chão
e a insistir para "deitarmos cá para fora".
Eu e o meu grupo não nos empoderamos assim.
Sinto que me estou a revelar uma grande cabra,
mas estou a tentar ser o mais sincera possível,
porque acho que deve haver outras pessoas que pensam como eu.
Tenho muitas batalhas.
Tenho as batalhas exteriores
com o mundo por não entender o que fazemos.
E tenho as batalhas internas do medo.
AULA 13 INICIANTES
Está tudo bem quando estou aqui, sinto-me maravilhosa e fabulosa.
Mas quando me vou embora, penso: "De volta às coisas normais."
Adoro esta aula e quero isto.
Quero crescer e sentir que mudei.
Mas não sinto que mudei.
Na festa de sexta, sentia-me mal.
Estavam todas sexy, a dançar, livres, a serem vocês mesmas.
A certa altura, sentei-me sozinha.
Pensei: "Eu não sou nada sexy."
Olho para o meu corpo e odeio-o.
Não me sinto sexy em nada.
Não gostei de me sentir assim.
Este é o sítio mais seguro para ti,
porque vamos proteger-te e deixar-te ser quem precisas de ser.
Querer ouvir alguém a dizer que somos lindas…
Era mais importante ouvir isso dele
e ele não o disse.
Nos últimos meses de vida dele,
estávamos quase a chegar onde precisávamos de estar e ele morreu.
Querer ouvir alguém a dizer que somos lindas…
Queria ouvir isso dele, mas não ouvi.
Mas li isso
na porra de uma mensagem para outra mulher.
TENHO SAUDADES TUAS!
E pensei: "Como foste capaz?"
O teu falecido marido tinha um caso?
Talvez fossem só mensagens. Quem sabe?
Não lhe posso perguntar.
É aquela palavra, "linda".
E pensei: "Meu Deus!
Quantas vezes quis ouvir isto?"
E depois pensei: "Ainda bem que descobri,
porque estava quase a ir-me abaixo."
Eu pensei:
"Tenho de voltar e tocar neste chão,
estar neste espaço,
para voltar a viver."
Vou ter de continuar.
Não tenho relações sexuais há seis anos.
- Senti que tinha de o dizer. - É importante dizê-lo.
É importante neste círculo da verdade, para seres responsável por onde estás.
Vou ser sincera.
O teu corpo não quer fazer sexo com outro ser humano.
- É por isso… - Pois não.
E não há problema nenhum nisso.
Vais estar pronta em breve para cortar o cabelo?
Não tenho o cabelo curto há 20 anos
e também não quero ter.
O teu cabelo quer voar, mover-se mais.
Está bem? Vamos fazer isso. Vamos fazer uma transformação.
Há quem venha para aprender dança do varão e ficam surpreendidas
por isto tocar numa parte delas que desconheciam.
Respira fundo e deixa-te cair.
Preciso de me ir abaixo há muito tempo e não consigo.
Isto é um tremor neurogénico.
Está a tentar libertar merdas e tu estás a aguentar.
Estou a impedir.
Eu sei.
Não queres soluçar?
- Não. - Porquê?
Se me for abaixo, não sei se me consigo recompor.
Temos de tirar isto de dentro de ti.
- Está bem? - Sim.
Todas as mulheres que vêm cá,
pelo menos, querem abordar a sexualidade e o corpo,
por isso, ela quer isto.
Eu sei que ela não pediu dor emocional,
mas está a tentar seguir em frente.
E quando tu trabalhas com ela de uma forma responsável,
estás a dar-lhe uma dádiva inestimável.
É algo terapêutico.
É empoderador.
Mas também pode desencadear algo.
Ao ensinar, estão a tratar ainda mais de vocês.
Bateste à porta?
Já falámos sobre emagrecer. Quantos quilos queres perder?
Gostava de emagrecer 45 kg.
Muito bem. Quanto pesas?
- Peso 120 kg. - Sim.
Acho que 45 kg é um bom número.
- Vamos fazer isso. - Sim.
É assustador.
- Se é possível perder 45 kg… - Seis quilos por mês.
A sério?
- Só? - Sim.
- A sério? - Sim!
Apenas dividi 45 kg por sete meses, o que dá seis quilos.
Pode ser o nosso objetivo?
- Sim. - Pronto.
Porquê agora? Porquê neste momento?
Não quero morrer nova.
Quero viver pelos meus filhos.
- Quero vê-los a crescer. - Sim.
Quero ter um bom casamento, um casamento saudável.
- Um casamento sexy. - Sim.
Em que podes ficar por cima.
E fazer coisas muito divertidas.
- Sim. - Sim.
- E o meu corpo dói. - Eu sei. Eu ouço.
- Mesmo agora. - Sim.
Sim.
Demoraste oito anos a dizer-me o que aconteceu ao teu corpo.
Contaste-me de repente.
Queres dizer o que aconteceu ao teu corpo?
Não sei.
É mais fácil esquecer.
Não, não é, porque está no teu corpo.
Antes daquilo acontecer, tinhas excesso de peso?
- Não. - Não.
Fui violada
por rapazes
na preparatória ou na secundária.
Vais deixá-los destruírem a tua vida?
- Não! - Não?
- Roubar o teu corpo? O teu prazer? - Não.
- Então está na hora. - Sim.
É a desculpa de serem jovens e estúpidos.
Não, foi uma brutalidade.
Não tive noção do impacto.
E, depois, tive a minha filha e…
Não quero que ela…
… faça o que eu fiz e ignore.
Tu não fizeste nada de errado.
A não ser existir no mundo como mulher.
- Eras inocente. Tinhas 15, 16 anos? - Sim.
Por isso, atenção a quando dizes algo como "o que eu fiz".
Tens de ir à aula.
Tens de te mover.
AULA 16 INICIANTES
Quando tinha 13 anos, fui violada.
Essa foi a minha primeira experiência sexual.
Era virgem. Nunca tinha feito sexo. Era insegura em relação ao meu corpo.
Comecei a sentir-me mais à vontade comigo mesma,
mas depois drogaram-me e violaram-me de forma violenta
e fiquei fodida da cabeça.
Voltou a acontecer duas vezes na faculdade.
Duas vezes diferentes.
Eu fui abusada sexualmente por um namorado.
E acabei por reconfortar o rapaz que me violou.
Eu sei, como é possível, certo?
Fui violada pela primeira vez aos 20 anos
e ele era meu namorado, na altura.
Fui abusada sexualmente
e excluída e intimidada depois disso, ao ponto de desistir da escola.
Anos depois disso,
carreguei muita vergonha no corpo
e senti-me muito constrangida ao elevar a minha sexualidade.
Senti que foi parte de mim a tentar ser sexual e confiante.
- Por isso, culpei-me. - Sim.
Ainda me sinto muito insegura,
insegura na sociedade e, principalmente, com homens.
O meu corpo não parece meu.
Às vezes, sinto-me um borrão. Sinto-me tão desligada.
Vivia num estado de medo constante.
O medo de ser magoada por um homem.
Terror puro e…
Sim.
Quero mesmo aprender a confiar em mim mesma.
Basicamente, é por isso que estou aqui, para ter confiança em mim,
para confiar no meu interior e para ser quem sei que devo ser.
Pensei que ias atrás de mim. Acho que saltaste por cima…
Desculpa.
Decidi partilhar o que faço.
O Bricey venceu!
O meu marido viu a conta do meu Instagram antes de lhe contar
e disse logo:
"Fizeste o que disse para não fazeres."
Eu disse: "Tu passaste dos limites ao dizer o que posso ou não fazer.
Se quero partilhar fotos minhas, é o meu corpo, tenho esse direito.
É isto que eu faço. Aceitas ou não aceitas."
E ele disse: "Acabou tudo."
Vamos divorciar-nos.
Não tenho razão para ter vergonha nem para recear.
Isto é quem sou.
Deixei que o meu marido me controlasse durante muito tempo,
mas depois percebi que não era livre.
Há pessoas que me perguntam:
"Como é que o que fazes traz glória a Deus?"
E há outras pessoas que dizem:
"Tens 40 anos, tens dois filhos e estás numa forma fantástica.
És uma inspiração."
Há mulheres que se tornam tão completas e ricas,
tão explosivamente radiantes.
As pessoas com quem estão, os homens com quem estão,
ficam muito assoberbados e não sabem lidar com isso,
como dar espaço a isso,
como estar presentes perante esse poder.
Não só as mulheres vão crescer, como vão afetar tudo e todos no caminho.
Refiro-me a uma mudança total do paradigma
de como vivemos juntos, homens e mulheres.
Todas sabem que convidei alguma energia masculina.
Acho que vos vai ajudar muito confrontar a presença masculina.
Estes homens são conscientes.
Eles trabalham na capacidade para dar espaço ao feminino.
E o que surgir, emocionalmente, deixem surgir.
Obrigada por terem vindo.
Quando trago presença masculina,
quero que olhem nos olhos delas
com amor e como quem mataria por elas.
Quando estiverem prontas, vou deixar-vos entrar e deixem fluir.
O objetivo deles é fazer-vos sentir amadas, vistas
e protegidas.
Do que precisarem.
Eles detém a presença masculina.
Estes homens existem.
Esta energia masculina existe.
- Posso tocar-lhe? - Pede-lhe.
Posso tocar-te?
Tudo acima da cintura.
Isto pode ser muito terapêutico, se assim o escolherem.
Sintam como é serem vistas
no vosso esplendor feminino.
Tenho saudades dele.
- Tenho saudades dele. - Sim.
Não faz mal.
Podes pedir-lhe carinho?
Nunca me assumi ao meu pai, quando ele era vivo.
Principalmente, porque a minha mãe achava que ele não me aceitaria.
Tive essa sensação de aceitação
de um homem que o representou.
Sim. Sentes um homem que te pode proteger?
Penso nas mulheres com quem estive,
antes de respirar tão conscientemente como agora,
que que magoei.
Tenho imensos arrependimentos da forma como tratei as mulheres.
Estar contigo foi…
Para mim, ser vista naquele espaço vulnerável
e ser abraçada naquele espaço
sem esperar mais nada…
Não esperava que quase todas ficássemos paralisadas.
E pensámos: "Caramba! Os homens afetaram-nos mesmo!"
Pareceu que os nossos corações se tocaram. Conseguia sentir-te e senti-me segura.
Quando pus os braços para trás,
rendi-me totalmente.
Acho que nunca fiz isto com ninguém na minha vida.
Obrigada.
VÍTIMAS ENFRENTAM LARRY NASSAR NO TRIBUNAL
DEPOIMENTOS DAS TESTEMUNHAS
A sobrevivente seguinte é Megan Halicek.
O Larry Nassar era um deus para mim,
mas revelou ser um monstro.
Foi um intruso indevido
das minhas zonas mais privadas, íntimas e que nunca foram tocadas.
Eu sabia que algo estava errado,
mas estava aterrorizada ao ponto de paralisar fisicamente e emocionalmente.
Tentei ao máximo confiar nele, pensei que era o meu salvador.
O mais confuso foi a minha mãe estar presente quando aconteceu.
Quando soube do abuso, senti-me incrédula.
Como deixei isto acontecer?
Temos uma noção do que é a segurança.
Eu estava lá e, mesmo assim, ela não estava segura.
Pensei que estavas segura.
Desculpa.
Não faz mal.
Não confiava em ninguém para me manter segura
e continuo sem confiar em ninguém.
O mundo parece inseguro. Os homens também.
Estou sempre vigilante a alguém, em algum lado,
que se vá aproveitar de mim, sexualizar-me ou magoar-me.
Farei o que for preciso durante o tempo necessário para recuperar
para isto não ter poder sobre mim.
No Twitter, alguém criou um perfil falso.
É @WendyJamesXXX.
Eu não criei esta conta.
Ele enviava a conhecidos meus vídeos de homens a virem-se na minha cara.
Este é um vídeo de dança no varão que pus no YouTube.
Uma pessoa com a alcunha "bug man" veio mencioná-lo, como sempre.
ELA ERA A WENDY.
"Vejam-na a despejar os tomates ou a vir-se, ela é muito boa no que faz."
Constantemente, mesmo 15 anos depois.
"Sabiam que ela já fez pornografia?" Como se fosse algo horrível.
Não acho que seja.
Mas porque se importam?
Porque ainda me chateiam com isto?
O mais difícil após passarmos pela exclusão social
é levantar, voltar e dizer:
"Ainda estou aqui. Não me deitam abaixo."
Usar a minha história para ajudar outros a superar a vergonha
que também sentem na vida é a razão porque estou aqui.
Quero dar entrada. Chamo-me Amy Bond.
Olá!
- Meu Deus! Vieste! - Como estás?
Estou ótima. A divertir-me imenso.
O meu objetivo é fazer alguém chorar
e não foder tudo.
Meu Deus!
- Posso tocar? - Sim!
- De quanto tempo estás? - Sete meses.
- Usaste saltos altos? - Sim.
São sapatos Church.
- Como está o spin pole? - Lento.
Estou nervosa com as várias formas como o meu número pode correr mal.
Estou preocupada com a força de pulso e se me conseguirei agarrar ao varão.
Apenas não quero morrer.
Agarrar-me ao varão para não cair.
Isso não acontecerá.
Amanhã, vou começar o meu percurso de emagrecimento.
Aterroriza-me a segurança de ficar com este peso
e o medo do que acontecerá se emagrecer.
Nos últimos 12 anos,
tenho libertado camadas.
Acredito que o momento da minha recuperação começou
quando reconheci que foi uma violação
e não arranjei outras desculpas.
Olá. Tudo bem?
PAIS DA JENN
- Estás bonita. - Obrigada.
O que se vai passar hoje?
Uma libertação.
Eu só soube há sete ou oito anos que ela…
… foi violada.
Não consigo imaginar o que ela passou e como o reprimiu durante estes anos.
Eu sei que o perdão é muito importante
e isso foi importante para mim,
o facto de ela me perdoar por não saber do que se passou,
por não estar presente quando ela precisou de mim,
por trabalhar demasiado e cuidar do negócio
quando devia estar a cuidar da minha filha.
Ela está a revelar a vida dela,
mas se encontrar paz no coração,
se se conseguir tornar na mulher que ela quer ser,
então ótimo para ela.
Estou a libertar todos os vestígios da violação que já não me servem
e os pensamentos de eu não ser merecedora.
AULA 22 INICIANTES
Nas próximas duas semanas abordaremos a dança livre.
Não vamos dançar com isto.
Vamos encontrar prazer, uma história
e uma conversa que o corpo quer ter.
Não sei como acordam de manhã,
mas eu acordo com a Katy Perry.
Mudei todos os meus toques para canções eróticas.
Canções com alma.
De manhã, quando acordo,
deitada na cama, sorrio.
Depois, viro-me e penso:
"Pronto, quero começar o meu dia."
Não vou mentir, volto a desligar o despertador.
A música voltou para a minha vida
e eu comprei uma tanga.
Querem ver? Estou a usar uma tanga.
De certeza que vocês também usam,
mas eu estou de tanga.
Meu Deus!
Jaimee!
Olha para ti!
O quê?
Uma salva de palmas para ela!
Olha para ti.
Mais!
Isso mesmo. Não penses.
O corte de cabelo fez-me ver.
Tornei-me mais confiante,
experienciando este percurso com estas mulheres, com o apoio delas.
Expira. Isso mesmo. Solta-te! Deixa tocar!
Enquanto cria o ambiente.
O quê? Quem és tu?
O que aconteceu à Lisset?
Da última vez que te vi, tinhas uma t-shirt até cima.
O que se passou? Estás ao rubro, miúda.
Se convidássemos o grupo para uma festa do varão,
sentar-me-ia num canto e diria: "Vocês são tão sexy."
Mas…
Mas eu não sou assim.
Baixa o joelho direito para o esquerdo.
É vulnerável para ti mostrar a curva feminina, não é?
Protegeste-te com o corpo mais masculino,
mas tens um corpo muito feminino.
És tu, não és?
Sim.
Começo a perceber como isto entra no dia a dia.
Fiz uma lap dance para o meu marido.
Olhar nos olhos um do outro durante o tempo todo
foi mesmo mágico.
Salvou o nosso casamento!
Estou muito empolgada,
porque vejo mudanças.
Tu estás a confrontar demónios. Tu estás a despertar.
Tu estás mais independente
neste mundo que achavas estar fora do teu alcance.
A minha dança de hoje não se foca em sermos bonitas.
Foca-se em sermos poderosas.
Tive um casamento abusivo durante nove anos e meio.
Pedi uma providência cautelar.
Ele saiu de casa e, finalmente, eu consegui respirar.
Só quero que todas saibam que não estão sozinhas,
que são lindas e fortes.
Assim que usarem o varão e virem que o fazem por elas,
isso dar-lhes-á confiança para perceberem que são mulheres fortes.
Está aqui a Amy Bond?
- Amy Bond? - Sim.
Bem-vinda, Amy Bond.
Começou como uma quinta-feira normal.
"TYPICAL THURSDAY" DE RUPI KAUR
A claridade beijou as minhas pálpebras.
Ouvi a Rupi Kaur a dizer este poema sobre abuso sexual numa TED Talk.
Acabámos por sair com amigos
No final, perguntaste-me Se queria boleia para casa
Eu aceitei Porque os nossos pais trabalhavam juntos
Mas devia ter percebido
Quando em vez de me levares para casa
Em direção ao cruzamento luminoso Com luzes e vida
Viraste à esquerda
Esta história é sobre ser violada
e existir num corpo violado após o abuso sexual.
Identifico-me com a história, porque fui violada duas vezes.
Todos os amantes que me tocam Acabam por ser como tu
Já não são eles Que estão em cima de mim
És tu
Fazer este número com o mesmo corpo que foi violado
é como uma reivindicação.
É reconstruir uma casa num corpo que alguém me tentou tirar.
Esta casa é com o que vim ao mundo
Não a podes levar
Não há espaço para ti
Vou entrar na banheira
E lavar o dia de ontem do cabelo
Pôr música
Sentar-me
Esticar as pernas
E desfrutar desta quinta-feira normal
Tinha receio de que o público começasse a aplaudir
e não ouvissem as palavras.
Mas eles perceberam.
Gostava de ter saltado bem,
porque falhei no ano passado.
E voltei a falhar. Raios!
Mas vou ter de o fazer noutra competição, porque quero fazer aquilo bem num palco
como faço no estúdio.
A medalha de prata
é da Amy Bond.
Obrigada.
CONVENÇÃO DO VARÃO DE LAS VEGAS
Estou agradecida por como tudo aconteceu na minha vida.
Não consigo imaginar onde estaria ou o que estaria a fazer
se não tivesse visto a Pantera a dançar no varão.
Há alguns anos, vi a Pantera numa competição mundial
e disse-lhe: "Obrigada."
Fiquei muito feliz por a ter visto. Isso mudou a minha vida.
Tudo o que tenho, tudo o que sou e tudo o que faço
é por causa disso.
Tenho 35 anos e acho que ainda não sou a melhor dançarina do varão que posso ser.
Ainda estou a aprender. Serei sempre uma aluna.
Estão prontas para a folia?
ÚLTIMA AULA DANÇA DE GRADUAÇÃO
Meu Deus!
Vá lá!
Hoje tenho esperança
de conhecer alguém de novo e de me apaixonar.
Vai ser difícil.
Tenho medo de dar tudo de mim de novo
e de essa pessoa morrer.
Mas isso faz parte da vida.
Tenho de aprender a aceitar.
E quando ficar demasiado intenso…
… vou respirar.
Não fazia isso.
Estive doente durante cinco anos.
Nunca me senti tão bem. Estou ótima. E sei que isto tem algo que ver com isso.
Quero experienciar mais.
Houve mudanças grandes e pequenas.
Houve mudanças a nível sexual.
Coisas que estavam entorpecidas.
Sentimos um lado de nós que nunca tínhamos sentido
e que pode conquistar o mundo.
Tornei-me muito mais consciente.
O meu corpo diz sempre a verdade e tenho de a libertar.
Sou sexy!
Sinto que cheguei a um ponto onde não tenho de fingir
que não fiz as coisas que aconteceram no meu passado
para ser aceite por este mundo.
Acho que, subconscientemente,
construir este espaço era importante para mim
porque tive muito medo do mundo durante muito tempo.
Em vez de viver nos mundos maiores,
decidi criar um mundo meu.
Os mundos onde nos juntamos como desajustados.
Pessoas que foram excluídas e envergonhadas sexualmente
podem dançar à vontade.
E enquanto os outros nos julgam,
porque acham que a dança no varão é algo horrível,
nós vamos estar aqui a abanar os rabos no chão,
a sacudir o cabelo, a fazer twerk e a divertirmo-nos imenso.
São as mesmas pessoas com quem iniciámos o curso?
O quê? Estão a sentir isto?
A coragem necessária para vir aqui e fazer este percurso é linda.
Estou assoberbada de amor por vocês.
Há um reaparecimento de mulheres a apoiar mulheres.
A dança do varão representa isso há mais de dez anos.
E se não sentíssemos vergonha em relação aos nossos corpos?
Acho que o mundo seria melhor.
Poderíamos direcionar a energia para nos ajudarmos uns aos outros
e para fazer coisas mais importantes.
É esse o trabalho que tem de ser feito.
Todas as mulheres têm de se reivindicar…
… e recuperar o que é delas por direito.
O maior obstáculo é o olhar masculino.
Como mudamos isso?
É uma batalha. É uma luta pelo corpo feminino.
Este é o único corpo que teremos.
Não os vamos deixar mandar nele.
Não ficaremos mais caladas.
Eu ajudo as mulheres a fazer isso.
EVELYN FOI PROMOVIDA A SUBGERENTE DA SEE'S CANDIES.
ELA REENCONTROU O AMOR.
É uma honra e um privilégio
de o condenar a 175 anos de prisão.
Isto é uma sentença de morte.
Levantem-se.
MEGAN E AS SOBREVIVENTES CONTINUAM A MANIFESTAR-SE CONTRA O ABUSO SEXUAL.
- Estás a derreter. - Não é fantástico?
Em que ponto estás?
Meu Deus! Perdi 16 kg.
Não acredito!
LISSET FICOU NOIVA RECENTEMENTE.
PATRICIA VAI CASAR-SE ESTE ANO.
AMY ABRIU UM SEGUNDO ESTÚDIO DE DANÇA DO VARÃO.
ELA E A ALLISON VENCERAM UMA COMPETIÇÃO DE PARES.
SHEILA CONTINUA A ENSINAR.
O que tem de alongar? O que tem de crescer?
UMA MULHER DE CADA VEZ.
Legendas: Maria João Fernandes
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