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Original subtitles

[Street Corner Felines - The O'Jays]

JUSTIÇA BRUTAL

[Henry gemendo]

[Henry] Eu gostava de você quando estávamos no ensino fundamental.

Na turma do professor Lorenzo.

[Lana] Eu também gostava de você.

Eu queria ter sabido disso.

Mas eu teria precisado de um manual na época.

Já pensou em fazer outra coisa?

Outro tipo de trabalho?

Nada sério.

Trabalhei no shopping por pouco tempo.

Me deixe olhar se não se importa.

Faz muito tempo.

[carro aproximando-se]

[música no rádio]

Vou falar com o André na terça.

Está interessado se rolar algo?

Antes de considerar esse tipo de vocação,

-preciso me aclimatar. -[Biscuit] Claro.

Ande por aí. Respire ar fresco.

Contemple o céu. Veja o quanto ele é azul do lado de fora.

Divirta-se.

Quando eu me acomodar, te aviso.

De qualquer forma, obrigado por arranjar o lance com a Lana.

E por ir me buscar.

De nada.

Até mais.

[trancando a porta]

[Jennifer gemendo]

[Jennifer] Querido, volte pro seu quarto, está bem?

-[Jennifer] A mamãe está ocupada. -Não é o Ethan.

[Jennifer] Henry?

É.

-Vista-se e... -[Jennifer] Ouça.

Estou acompanhada. Eu...

Vista-se e dispense esse cara, ou vou praticar beisebol na cabeça dele.

E seja rápida.

[Jennifer] Você não tem o direito de vir aqui.

Isto foi o taco de beisebol.

E esta porta está mais do que frágil.

[Jennifer] Está bem!

[Jennifer] Estamos nos vestindo. Caramba!

Antes de trazer meu amigo,

você tem que prometer que não vai machucá-lo.

Fora.

Ligue pra minha mãe de novo e quebro seu crânio.

-Entendido? -Sim.

Tudo bem.

Jogue os sacos de lixo que estão aí fora na caçamba.

Pode deixar.

-Seu tolo, você me deu prejuízo. -Mãe, há quanto tempo está fazendo isso?

Não muito.

E o seu emprego no mercado?

Fui demitida.

Eu te dei dinheiro antes de ir pra cadeia. O bastante pro dobro do tempo.

-O dinheiro acabou. -É...

E posso ver nos seus braços onde ele foi gasto.

Você não tem o direito de me dar sermão sobre nada.

Você foi preso. Eu fiz o que tinha que ser feito.

Mãe...

vamos deixar tudo isso pra trás.

Não tem porquê ficar discutindo sobre o passado.

Você não pode fazer isso.

Prostituição? Drogas?

Principalmente na frente do Ethan. Nunca.

[Jennifer] Ele não é mais um bebê.

E ficar fazendo essas coisas perto dele vai estragá-lo pra sempre.

Então você vai cuidar de nós agora?

Como o maricas do seu pai cuidou

quando fugiu com o boiola do namorado dele?

O papai está num passado do qual nem vale a pena falar.

Mal saiu da prisão e você já tem oportunidades?

-Talvez. -Ouça...

as contas estão atrasadas seis meses, aluguel e tudo mais.

E os credores estão perturbando como mosquitos.

Entendi.

Comece a se organizar.

[Henry] E organizar esta casa.

[Henry] E eu vou cuidar do resto.

[Henry] O Ethan está em casa?

[Ethan] O que é?

Sou eu.

[Ethan] Henry?

-Quando você saiu da gaiola? -Hoje. Posso entrar?

Pode...

A mamãe me mandou trancar a porta porque um cara vinha mais tarde.

-Estou indo. -[cadeira de rodas rangendo]

Parece que você precisa de óleo. Mãe, você tem um que cheire bem?

-Tenho um italiano fechado com rolha. -Vai servir.

Parece que você anda malhando.

É. Tenho levantado peso.

Vamos fazer direito.

Vai me mostrar os jogos que mencionou nas suas cartas?

-Você vai ficar aqui? -Vou.

Até as coisas se ajeitarem.

TRÊS SEMANAS DEPOIS...

[passos na escada]

[passos continuam]

Cadê o meu?

Derramou.

Não pensou em voltar e comprar outro pra mim?

Iria demorar.

Havia pouco tempo e menos vontade ainda.

Idiota.

Achei que você se contentaria em me ouvir falar do meu.

Não.

A história começa nos campos da Jamaica, onde...

[porta batendo]

O Davids vai tentar o vazamento nos canos?

Geralmente funciona. Sim.

[barulho de canos]

Você ainda acha

que chiclete é pra vacas e imbecis?

Acho. E é.

[celulares vibrando e tocando]

[Davids batendo na porta]

[Davids batendo na porta]

[Vasquez] Vá embora. Estou dormindo.

[Davids batendo na porta]

[Vasquez] Estou dormindo!

[Davids] Desculpe incomodar, Sr. Vasquez.

Tem um vazamento vindo do seu apartamento.

Preciso entrar pra verificar o encanamento.

[Vasquez] Não vejo vazamento nenhum.

[Davids] O zelador me pediu para verificar.

Me deixe entrar. Verifico o mais rápido possível.

[passos no apartamento]

[Davids] Sr. Vasquez!

[Davids] Senhor!

[Davids] Senhor!

[Davids] Preciso entrar pra verificar o encanamento.

[passos e porta batendo]

[Davids] Sr. Vasquez!

[Davidsbatendo na porta]

[Vasquez] Estou me vestindo.

[passos no apartamento]

Polícia. Não se mexa.

Não mexa o braço de novo. Comprende?

[Vasquez] Está bem! Sim.

[Ridgeman] Anthony.

[Vasquez] Que palhaçada, cara! Merda!

[algemando]

Tem mais alguém lá dentro?

[em espanhol] Minha namorada. [em inglês] Está no quarto. Sozinha.

Essa mulher que você está abandonando está armada?

-Não. -Qual é o nome dela?

Se você se lembrar.

Cara, quer tirar a porra do pé...

[Vasquez gritando] Merda!

-Tem algo na sua bota. -É, eu percebi. Qual é o nome dela?

-Rosalinda. -Parecem dois nomes.

-[Anthony] No mínimo. -[Vasquez] Mas é só um.

Tem certeza de que só tem uma mulher lá dentro?

Só uma, cara! É só ela.

Rosalinda!

É a polícia de Bulwark.

Preciso que abra essa porta e saia com as mãos pra cima.

Rosalinda! Você está aí?

A Rosalinda fala inglês?

Sim, mas ela tem problema de audição, cara.

Ela é surda?

Ela usa algo pra poder escutar melhor, mas tira quando vai dormir.

-[Ridgeman] Ele tem cara de quem ronca. -[Vasquez] É apneia.

Ela tem alguma arma?

Arma não, cara, mas ela tem spray de pimenta na bolsa, então...

-[Vasquez] Qual é, cara? -Vai ficar confortável.

Que merda! Está cortando minha circulação.

-Voltaremos antes que seu pé fique azul. -Provavelmente.

É melhor que o meu apartamento.

Até o cheiro.

Encontre o Davids.

Policial?

[Davids] Detetive?

Você foi fundo no disfarce de encanador.

Meu primo é encanador.

O Vasquez está algemado?

Na escada de incêndio. A namorada surda dele está aqui dentro.

[Davids] Vocês vão atirar nela?

-[Davids] Ela está armada. -Tem 75% de chance, sim.

-[Davids] Onde quer que eu fique? -[Ridgeman] Na janela.

Devia ter deixado o encanador entrar.

[Ridgeman sussurrando] Um, dois...

Polícia. Está bem?

Comprende? Sí o no?

Essa bolsa pareceu um pouco pesada.

Considerou o tanto de maquiagem que as latinas carregam?

Mesmo assim.

[Anthony] Ela tem uma arma.

Venha. Vamos, querida.

Fique aqui.

Fecha a porta e liga os ventiladores ao máximo?

Onde seu namorado colocou a sacola verde que pegou ontem à noite?

Posso vestir algo?

Estou com frio.

-Não entendi o que ela disse? E você? -Não.

Parecia um golfinho falando.

Acho que vamos entendê-la melhor quando ela nos responder.

-[Ridgeman] Onde está a bolsa verde? -Quero ligar pra um advogado.

"Eu quero... blá-blá"?

Onde está a sacola verde?

Vimos o Vasquez trazê-la pra cá ontem às 23h.

Aquele cara bacana que fugiu e te deixou aqui conosco.

Ao menos ele teve tempo de pegar a alma gêmea dele.

[bola rolando]

Diga-nos onde ela está

e meu parceiro e eu terminaremos a tempo de tomar o café da manhã no Bert's.

Talvez seja um bom motivo para esquecer você e a sua arma.

Onde ela está?

No closet.

Ali.

[Rosalinda] Na parede atrás dos ternos.

Sinto cheiro de três ovos com gema mole.

Batatas raladas fritas.

-E torrada de pão de centeio. -Mais o café que você me deve.

[abrindo a bolsa]

Policial!

-[Davids] Sim, detetive? -Arraste o Vasquez pra dentro.

Temos dinheiro, narcóticos e dois imbecis pra levar pra delegacia e processar.

Você disse que se eu dissesse onde a bolsa estava, me deixaria ir.

-Consegue entendê-la? -Não.

[música ambiente]

É um homem ou uma mulher cantando essa música?

Não sei.

Não que faça diferença hoje em dia.

Acho que a diferença acabou

quando os homens começaram a dizer: "estamos grávidos".

-Seus cafés da manhã. -Obrigado.

[celulares vibrando]

Eu não sabia que o tenente gostava tanto de intrigas.

Com licença!

Pode embalar nossa comida pra viagem?

Você quer que eu embale tudo que acabei de trazer de lá até aqui?

Correto.

Vou pegar as embalagens.

Vocês bateram num caminhão com bufê de café da manhã?

Estávamos comendo no Bert's quando recebemos sua mensagem,

então embalamos a comida e o cheiro empesteou o carro.

Gosto da torrada de pão de centeio deles.

Eles compram o pão fresco na Jeanette's, a padaria em frente.

Tem um problema com a apreensão que fizeram essa manhã.

Quem está reclamando?

Um cidadão. Ele viu vocês na escada de incêndio.

Vasquez estava armado e era uma ameaça.

-Fizemos o que... -Tem um vídeo.

-Você viu? -Vi. Não é horrível.

Poderia ser muito melhor.

O som é uma merda.

O cara estava muito longe pra captar algo compreensível.

-Isso nos ajuda. -Quem te avisou?

Meu contato no Canal 7.

-[Ridgeman suspirando] -[Anthony] Que bosta.

Quando vai ao ar?

Às 18h.

Vocês vão sobreviver.

Mas...

acho que encerraremos nossas discussões sobre aumentos e promoções.

-[Ridgeman suspirando] -[Anthony] Que bosta.

Não maltratamos o Vasquez tanto assim. Eu cuidei dele. O Anthony não...

Fez o bastante.

O Sr. Lurasetti também está no vídeo, sorrindo como num anuário escolar

quando você colocou o pé na cabeça daquele cara.

Nosso inspetor,

nosso inspetor mexicano-americano, dificilmente será tolerante.

Mas sua produtividade exemplar vai evitar que percam seus distintivos.

Política, como sempre.

Tão irritante quanto os celulares.

Tem política em todo lugar.

Hoje em dia, ser considerado racista pela opinião pública

é como ser acusado de comunista nos anos 50.

Seja por um comentário ofensivo feito num telefonema particular,

ou o tratamento indelicado de uma minoria que vende drogas pros jovens.

O ramo do entretenimento, antes chamado de "noticiários", precisa de vilões.

Não tem hipocrisia maior em como a mídia trata

toda intolerância aparente com uma completa e total intolerância.

É palhaçada.

Mas é a realidade.

Não sou racista.

Todo Dia de Martin Luther King compro um café preto.

Por quanto tempo ficaremos suspensos?

Seis semanas.

Sem remuneração.

Precisamos da renda.

Sei quanto os detetives ganham em Bulwark.

[Ridgeman suspirando]

Vão comer pão de centeio.

Ridgeman,

você precisa prestar atenção.

Olhos digitais estão por toda parte.

Faço o que acho melhor quando estou nas ruas.

Eu era assim quando éramos parceiros e continuo sendo assim.

Há um motivo pra eu estar no comando atrás desta mesa

e você nas ruas, agachado por horas em escadas de incêndios no frio

com um parceiro 20 anos mais novo que você.

O Anthony tem um motor na língua, mas é de confiança.

Não me referi a isso.

OS POLICIAIS CALVERT E RIDGEMAN, APREENDEM CINCO MILHÕES EM DROGAS

[Ridgeman suspirando]

Obrigado por nos avisar sobre essa situação.

Ficaremos gratos com qualquer ajuda que possa nos dar com o inspetor.

Outra coisa antes de ir.

Vi aquele vídeo algumas vezes.

Você usou mais força do que deveria.

Quando trabalhávamos juntos,

você não era tão agressivo.

E daí?

Não é saudável pra você trabalhar nas ruas todos esses anos.

Você obtém resultados.

Mas está perdendo perspectiva e compaixão.

Mais alguns anos e você será um rolo compressor humano

coberto de espigões

e alimentado pelo ódio.

Tem muitos imbecis nas ruas.

Sim.

Use a sua folga pra pensar nas coisas.

Converse com a Melanie.

Passe um tempo com ela e com a Sarah.

Sim, vou fazer isso.

[rapazes rindo]

[trancando a porta]

[Sarah] Não.

Não.

[Melanie] Sarah?

[tirando os sapatos]

Sim, mãe. Sou eu.

[bengala batendo no chão]

Querida?

O que houve?

Querida?

Venha aqui.

Boa noite e bem-vindo de volta, Sr. Lurasetti.

Nova-iorquinos me chamam de Tony.

Tony, então. Um momento, por favor.

Há algo errado com ele, Tony?

Não, ele é...

Ele é lindo, exatamente como você prometeu.

Se a Denise tiver alguma dúvida quando eu estiver de joelho,

isto vai guiá-la pra direção certa.

-Tenho um problema no trabalho. -Precisa de um plano de pagamento?

-Seria um prazer fazer... -Obrigado.

Eu economizei o bastante pra isso. É um problema diferente.

Minha esposa tem dois irmãos terapeutas

e três irmãs advogadas.

Meu problema não requer esses tipos de profissionais.

Só penso em que tipo de futuro posso oferecer à minha namorada...

e a vida não terá muitos diamantes.

[trancando a porta]

CONTEÚDO DO COFRE 2B: CONFIRMADO

DURAÇÃO DO ARMAZENAMENTO: DESCONHECIDA

[discando no celular]

Você tem que estar pronto até amanhã à noite.

Você tem que ter cuidado nesses lugares. Eles têm leões.

Podemos atirar neles?

Sim, mas vai ser difícil sem uma espingarda com ação de bomba.

Como conseguimos... Merda!

Certo, fique atrás de mim.

[leão rugindo]

Fique aí.

O cara explodiu o felino.

Veja, temos que ir. Tem mais vindo.

Depois que atravessarmos o riacho, temos que ter cuidado com as jiboias.

Este cara está pronto pra um safári de verdade.

Mesmo que minhas pernas funcionassem, eu não ia querer caçar animais de verdade.

Isso é coisa de brancos ricos.

Ainda assim, você é excelente nesse jogo.

E também nos outros que jogamos.

Sim. É isso que quero fazer quando crescer.

-Jogar vídeo game? -Não, ser designer de jogos.

Criar mundos diferentes da realidade.

Tem escolas que ensinam a fazer isso?

-Faculdade ou algo assim? -Sim, tem faculdades.

-Talvez quando terminar o ensino médio... -[celular vibrando]

Tenho que ir.

Pode salvar essa aventura?

Sim, dá pra salvar.

Beleza.

[música no rádio]

[Henry] Os primos dele vão estar lá desta vez?

[Biscuit] Sim, vão.

[Henry] Não gosto de fazer coisas com tantos pontos de interrogação.

[Biscuit] É, nem eu. Mas...

a data foi adiantada, já recebemos parte do nosso pagamento,

e o André garantiu que são bons.

[Henry] O próprio André é questionável.

[Henry] Você trouxe nosso seguro?

[Biscuit] Está no porta-luvas.

[Biscuit] Por que encapou com celofane?

Porque, às vezes, não temos tempo pra luvas.

Ou limpar as digitais.

[Biscuit] Espero que não precisemos usá-las.

Vamos escondê-las nos veículos quando tivermos a chance,

na van e no carro de fuga.

[música no rádio continua]

Vai ser tranquilo.

[TV] Dois detetives foram filmados de manhã por um cidadão de Bulwark.

Ambos foram suspensos.

Brett Ridgeman foi acusado de força excessiva em 1998 e 2004.

Anthony Lurasetti foi suspenso por violar o código de conduta no ano passado.

POLICIAIS DE BULWARK ACUSADOS DE FORÇA EXCESSIVA

[TV] O Chefe de Polícia não quis comentar no momento.

FECHADO ABERTO

Você tem cinco segundos pra me passar a grana.

Está bem.

Um... dois...

três...

quatro... cinco.

Sim.

[homem] Preciso de um maço de...

[homem] Por favor!

Por favor!

[TV - noticiário]

[trancando a porta]

[Melanie] Sapatos!

Esqueci.

-Oi. -Oi.

-Quer uma cerveja? -Não, obrigada.

Hoje tive que tomar uns comprimidos extras.

Lamento ouvir isso. Você está bem?

Mais ou menos.

[abrindo a cerveja]

O que é aquilo?

Uns garotos perturbaram a Sarah na volta do ônibus

e um deles jogou um copo de refrigerante nela.

-Que garotos? -Ela não os reconheceu.

Quatro negros, um de bicicleta.

Mas importa quem? Essa foi a quinta vez.

Esse bairro de merda. Está cada vez pior.

-Ela está bem? -Está.

Mas voltar pra casa da escola caminhando por quatro quadras

não deveria ser uma provação.

Não deveria.

-Você ofereceu encontrá-la no ônibus? -Claro que ofereci.

Mas ela sabe que não é fácil pra mim andar por aí,

além do mais, ela teria vergonha.

É.

Ela tem dois DNAs de policiais, claro que ela é durona.

Principalmente pra idade e sexo dela.

Ela está crescendo. Se tornando uma mulher.

Esses garotos começarão a ter outras ideias sobre ela muito em breve,

se já não têm.

Nunca pensei que eu fosse racista antes de vir morar nesta área.

Sou tão liberal quanto uma ex-policial pode ser. Mas agora...

-Agora precisamos nos mudar. -Eu sei.

-É pra ontem. Ou pra antes de ontem. -Eu sei.

O que está acontecendo com você e com o Anthony não vai ajudar.

-Você viu as imagens do Vasquez? -Eu vi.

E?

Está na hora de comprar um casaco novo.

É.

Algumas pessoas comentaram.

Como eu estava dizendo,

liguei para uma empresa de segurança e perguntei...

-Não vai trabalhar como segurança. -Precisamos de dinheiro pra nos mudar.

De jeito nenhum.

-Posso tomar analgésicos... -Não!

Você toma analgésicos pra descascar batatas. Fim de papo.

Mas quero fazer algo. Eu preciso fazer algo.

Como mãe. Como ex-policial.

Ou, algum dia...

Algum dia, estaremos num quarto de hospital com nossa filha

conversando com um terapeuta sobre estupro.

É.

Vou cuidar disso.

Como?

Tem um jeito.

Mas não é algo sobre o qual vamos falar.

Nunca.

Está bem.

-Sarah. -Sim?

O programa sobre os leões está passando se quiser assistir comigo.

-Se prefere ler... sabe... -Não, tudo bem.

Estou olhando pra mesma página há 20 minutos.

-Quer algo pra comer? -Quero.

[música na TV]

Você está bem depois do que aconteceu?

Sim, estou.

[Melanie] Oi...

Oi.

-Quer um biscoito? -Não, obrigada.

[Melanie suspirando com dor]

[música na TV continua]

Eles são tão fofos antes de crescerem.

Tenho algo pra fazer. Volto em algumas horas.

[música no rádio]

NORTH PLAZA - ENTRADA

[suspirando]

Quero falar com o Friedrich, ou "Freddy" se ele preferir.

-E a quem devo... -Diga que o Ridgeman está aqui.

-Vou ver se ele está disponível. -Ele está.

-Quanto eles custam? Não vejo a etiqueta. -Cinco mil dólares.

Então são à prova de bala?

[Friedrich] Quer um drinque?

Não vim pela bebida.

Por favor.

Está procurando um terno novo

agora que violentamente mereceu um tempo livre?

Não.

Então, por que decidiu movimentar minha loja esta noite?

-Como está o seu filho? -Bem. Muito bem.

A mãe dele e eu vamos levá-lo pra visitar alguns campi no próximo mês.

-Ele tirou notas altas nas provas. -Achei que ele tinha potencial.

Obrigado.

Sei que você não tem inclinação para as exceções.

Ele era muito jovem, os chefões estão na cadeia

e eu sabia que você poderia me dar algo valioso algum dia

se eu fizesse vista grossa.

-Como posso ajudá-lo? -Preciso de uma dica.

E o que você espera encontrar?

Um traficante. Ou um comprador.

De preferência, alguém de fora da cidade.

Não sou tão bem informado quanto já fui.

Ligue para alguém que seja.

Vou ligar.

Agora.

Anthony. Sim.

Esteja na frente da minha casa às 4h30.

Sim, da manhã.

Coloque a placa do carro falsa.

Leve todo o seu armamento e vista-se casualmente.

[alarme do celular]

[passos na rua]

[carro aproximando-se]

[Anthony] Você é o policial famoso que vi no noticiário?

[música no rádio]

Tem algum motivo pra ficar aí atrás?

Tem.

-Está tudo bem com você e a Melanie? -Sim, elas estão bem.

Vai me dizer qual é a natureza deste evento?

Eu vou dormir.

-O que nós... -Você vai dirigir até a 19 com Brand.

Por que vamos até lá?

Cada resposta que te dou vai resultar em três vezes mais perguntas.

Me deixe dormir.

Quando chegarmos lá, terá suas respostas e tempo pra cochilar se precisar.

Parece uma tocaia.

Dezenove com Brand.

-Você sabe que estamos suspensos. -Me acorde na 18.

[música no rádio]

[Ridgeman roncando]

Estamos na 18.

Esquina da direita.

[música no rádio continua]

Antes de tocar em alguma coisa.

Cinzeiro.

Uma dessas coisas laranjas abriu perto do meu apartamento.

Ripe and Fresh.

-É ruim? -Ainda não fui lá.

Pensei que a Denise cozinhasse.

Só na casa dela.

Ela só faz compras em mercados orgânicos especializados em aliviar a culpa.

Pare do outro lado dessa caçamba de lixo.

-Está bom assim? -Perfeito.

[desligando o rádio]

Pegue duas.

Tem algo rolando no 633 daquele prédio de estuque bege.

O quê?

É difícil dizer.

Sobretudo porque o apartamento 633 nem existe.

Como assim?

Não tem porta com o número 633. Não tem janelas nem campainha.

E nenhuma correspondência é entregue lá.

Mas está lá.

Isso soa metafísico.

-Você recebeu uma dica sobre isso? -Sim.

Meu contato me disse que um tal de Lorentz Vogelmann

estava procurando por uma residência invisível,

e o 633 daquele prédio é onde ele foi parar.

Vogelmann.

Não conheço esse nome.

Ele não é daqui.

Que tipo de trabalho ele faz?

Distribuição.

Heroína, principalmente. Pacotes grandes.

O que estamos fazendo aqui?

Está me perguntando como um civil? Porque é isso que somos agora. Civis.

Como qualquer professora de Jardim de Infância

ou o mendigo que coleta latinhas na frente do meu prédio.

Eu sei onde joguei meu distintivo ontem.

O que estamos fazendo aqui?

Estamos monitorando um indivíduo suspeito

pra tentar descobrir se ele tem dinheiro do qual não precisa.

[Anthony suspira]

Que bosta.

-Se não quiser fazer parte nisso... -Droga.

Você é louco?

Você foi suspenso, e não foi a primeira vez na sua carreira,

e agora decidiu se tornar um criminoso?

Que diabos está pretendendo?

Então?

Diga algo.

Fale!

Estou a um mês de completar 60 anos.

Ainda estou no mesmo patamar que estava aos 27 anos.

Por muitos anos, acreditei que a qualidade do meu trabalho,

o que fazemos juntos, o que fiz com meus parceiros anteriores,

me proporcionaria o que eu merecia.

Mas não faço política, não mudo conforme a ocasião

e essa merda é mais importante do que o trabalho bom e honesto.

Então ontem,

após impedirmos que uma quantidade enorme de drogas invadisse as escolas,

fomos suspensos porque não foi feito educadamente.

Chego em casa e descubro que a minha filha foi agredida pela quinta vez em dois anos

por causa da merda de bairro onde a merda do meu salário me obriga a morar.

E a minha esposa não pode ajudar.

Ela mal consegue passar o dia com os remédios que toma.

Elas estão bem?

Sim. A Melanie precisa de tempo. A Sarah está bem.

Ela está lidando com isso melhor do que as moças na idade dela.

Mas quem sabe que tipo de dano a longo prazo isso está causando nela.

Houve oportunidades antes. E não foram poucas.

Aceitar suborno, ficar com drogas, furtar dinheiro...

Eu era um policial na ativa. Hoje, sou um civil pobre de quase 60 anos.

Eu posso aceitar isso, mas não vou pedir que elas aceitem.

Se você juntar todos, cada imbecil que prendemos,

provavelmente encheria duas alas da penitenciária estadual. Talvez três.

Temos a qualificação e o direito de adquirir uma compensação adequada.

-Minha nossa. -Casamentos não são baratos.

Não seja babaca. Não é nisso que estou pensando.

-Acha que nossos salários refletem... -Chega de justificativas.

Sou mais esperto que você, não vai me manipular.

Vi como você olhou para aquela sacola ontem.

Calado.

Me deixe pensar.

Que bosta.

Se não quiser ouvir mais nada sobre isso, ligue o carro e me deixe em casa.

-Não quero que você se machuque. -Não preciso de guardião.

-Posso fazer isso sozinho se precisar. -Não pode ter certeza.

Certeza, não. Mas se isso se complicar, eu desisto e procuro outra coisa.

É uma péssima ideia.

Péssima pra você e pra mim.

Tão ruim quanto lasanha em lata.

Então ligue o carro e me deixe em casa.

Se fizer isso, faça por você.

Não porque tem pena da minha situação, ou porque somos parceiros,

ou porque somos amigos que fazem hambúrgueres aos domingos,

ou assistimos às lutas.

Faça só porque quer uma grana. Apenas isso.

Vamos nos disfarçar ao fazer contato.

Sim, tenho máscaras e coletes à prova de bala nos sacos de lixo.

Bombas de gás lacrimogêneo também.

Estou dentro até não estar mais.

-Lorentz Vogelmann? -É.

-Ele parece valente. -Ele é.

Sabe se a mercadoria dele está no 633?

Não, mas depois que confirmarmos que ele está lá, nós o seguimos

e vamos conhecer o itinerário dele.

Por quanto tempo?

Meu contato disse que ele alugou o 633 por duas semanas.

Hoje é o segundo dia desse período.

Sabe algo mais sobre ele? Veículo? Associados?

É isso que vamos saber agora.

Câmera.

Obrigado.

Por que não tira um cochilo?

Com prazer.

Me pergunte se ainda estou dentro quando eu acordar.

[carro buzinando]

Eu dormi durante cinco horas?

-Você devia ter me cutucado. -Não teve motivo pra isso.

Ainda está dentro?

Estou até não estar mais.

-Já viu o Vogelmann? -Não.

Vou pegar alguma coisa nessa coisa laranja enorme.

Quer uma salada de ovo no pão de centeio torrado?

-Duas. E uma root beer. -Certo.

[barulho com a boca]

[mordida e mastigação barulhenta]

[mastigação barulhenta]

Amém.

Estou ouvindo e cheirando isso há 98 minutos.

A melhor parte de uma tocaia,

além de quando ela acaba,

é quando você está comendo.

Uma única formiga-de-fogo teria comido mais rápido.

[carro aproximando-se]

Não.

[suspirando]

Pegue duas.

Ainda estou desfrutando o sabor do sanduíche.

Nem todos estamos.

[Smith] Onde estacionou?

[Juan] Eu já disse, você está ficando senil.

[Juan] Não trancou?

[Smith] Eu esq...

Eu estava pensando em outra coisa. Desculpe.

[Juan] Essa sacola é sua?

[Smith] Acho que não.

[Gray] Olhem pro para-brisa.

[Gray] Coloquem os cintos de segurança e tranquem as portas.

[Gray] Paco...

coloque esse protetor solar, por favor.

[Gray] Ótimo. Agora esvaziem os bolsos.

[Gray] Coloquem tudo nessa sacola ou vão pintar casas no Paraíso.

-[Smith] Não nos machuque. -[Gray] Vocês têm cinco segundos.

[Gray] Quatro... três...

-É tudo que tenho! -Eu também, juro por Deus!

[Gray] Mostrem os forros dos bolsos.

[Smith] Viu?

BULWARK SERVIÇOS DE SEGURANÇA

[Gray] Desligue o telefone.

[Behzad] Tchau.

[Behzad desliga o celular]

[Behzad] Esperava que você...

[Behzad] Você vai...

Sem ar.

Me permita mostrar-lhe o interior, por favor.

Se algo se mover aí dentro, um rato, um camundongo, um mosquito bebê,

você vai tocar a campainha da porta de Alá.

Abra o capô.

[abrindo a porta da Van]

[destravando o capô]

[fechando a porta da Van]

[Behzad] Está tudo como o esperado?

[Gray] O sangue é grátis.

[Gray] Chaves.

[porta batendo]

-[Melanie] Brett, é você? -Confirmado.

[chuveiro ligado]

[Melanie] Olhe no closet. Comprei algo pra você.

[Melanie] Experimente.

Tudo que você compra pra mim cabe perfeitamente.

[suspiro]

[chuveiro ligado]

Obrigado por comprá-lo.

Me agradeça na cama.

[Ridgeman roncando]

[música ambiente]

Vocês surraram alguma minoria hoje?

Só fazemos isso quando estamos em serviço.

-Isso estava delicioso. -Que bom que gostou.

E por sua reticência que esta é uma daquelas vezes

que não pode falar do trabalho?

Por favor... deduza pela minha reticência.

Embora você tenha sido suspenso e, tecnicamente, é um civil?

Os bandidos não param só porque dois policiais foram afastados.

E não trabalhamos só pelo salário.

O quê?

Não tente enganar alguém que é mais esperta que você.

Muito mais esperta.

Você viu que eu trouxe cannolis do Fiorenzo's?

Só não faça algo que prejudique a sua carreira, por favor.

Não farei.

[música ambiente]

Sete não foram contabilizados.

Se o Vogelmann está naquele prédio e tem um veículo,

um destes é o dele.

Ainda está dentro?

Com um pé na porta.

Denise?

Ela sacou que tem algo errado.

Eu não disse nada.

Então?

Eu peguei o anel de noivado.

-Do Feinbaum? -É.

Certo.

Eu o peguei no dia em que prendemos o Vasquez.

O momento não era ideal, mas eu ia pedi-la em casamento mesmo assim.

Eu não ia deixar uma bobagem de trabalho interferir na minha vida pessoal.

Mas ela estava de mau humor naquela noite

por causa de um drama no trabalho dela e... não pedi.

Ontem você me trouxe aqui, sugeriu isso,

e, de certa forma, concordo com a ideia,

roubarmos dinheiro de um traficante miserável,

se o risco não for muito grande.

Mas naquela noite, quando vi a Denise,

antes mesmo dela suspeitar de algo,

eu soube que não posso pedi-la em casamento até isso acabar.

Eu fugi das perguntas dela no jantar,

e, pela primeira vez desde que fui à joalheria,

não tenho certeza de que ela vai aceitar se eu pedir.

Certo. Vou te levar pra casa.

Ainda não me decidi.

-Só estou ponderando... -Mentira. Você se decidiu.

Mesmo que pense que não.

Você é mais novo que eu, tem mais opções.

Peça um parceiro novo quando voltarmos ao serviço.

Provavelmente vão te promover um dia.

Não quero um novo parceiro. E eu disse que iria até o fim deste turno.

Sim, obrigado, mas você não tem obrigação...

Minha palavra é uma obrigação.

Obrigado.

Duas saladas de ovo.

E pago pelo seu também se não for de soppressata.

Lá está um.

[carro aproximando-se]

É o estacionamento de visitantes.

Aqueles caras têm passado.

É, são suspeitos.

Acha que estão com o Vogelmann? São compradores dele?

Vinte por cento.

Intermediários ou, mais provavelmente, força local.

E duas root beers.

[Ridgeman roncando]

Que bosta.

Ridgeman.

-Vogelmann? -É.

Com os negros que vimos antes.

Estão indo pro oeste.

Tem certeza que...

A grande dama precisa de um descongestionante.

-Não chegue tão perto. -Vão nos notar se eu dirigir mais devagar.

Não conheço esta área muito bem. O que tem no oeste?

É como aqui, depois tem a rodovia e o distrito escolar.

Não estão fazendo tudo isso pra roubar giz de cera.

Que tal um trabalho de montagem?

Isso é necessário agora?

Cinco por cento.

Isso quer dizer atirar nos pneus, mandar um alerta, coisas assim, certo?

Não estamos atrás de nenhum presidente.

Preciso de uma resposta melhor.

Estamos indo pra um território novo.

Nebuloso, paisagem acinzentada. Mas conheço meus limites

e talvez não os seus.

Antes de montar um instrumento mortal que usei no Exército pela última vez,

quero ouvir que você não planeja executar um ser humano

pra facilitar um roubo.

Não vamos executar ninguém.

Esse acordo é reforçado com concreto armado.

Combinado. Agora monte.

[Ridgeman] Droga.

[Anthony] Via expressa. Bem na frente do SUV preto.

Não a deixe à vista.

-Acha que a transação acontece hoje? -Vão tratar de negócios.

Dois negros suspeitos e um forasteiro ex-presidiário passeando de madrugada.

Embora possa ser só uma preliminar.

Vogelmann carregava duas maletas pretas quando entrou no carro.

Algo mais que tenha se esquecido de me contar?

-Não. -Não? Tem certeza?

Algo sutil, como um dos negros ter uma bazuca?

Ei!

Fiquei horas acordado ouvindo você processar o ar.

Foi sem querer.

Tudo bem.

Você poderia ter me deixado dormir e acabado com tudo isso.

Eu poderia mesmo.

Considerando-se as maletas,

esta será a transação em 70%.

E os outros 30?

Vogelmann pode estar mostrando dinheiro ou mercadoria a alguém,

depende de que lado do acordo ele está.

A maleta...

[Anthony] O distrito financeiro?

O que está havendo?

Alguma ideia?

Estou descartando minhas ideias porque nenhuma se encaixa nisso.

[música]

Ainda está em construção.

Quer que eu envie ou entregue em mãos seu prêmio de gênio?

Legal. Muito estiloso.

Está falando isso antes de usar seu spray gay no cabelo?

Não posso falar depois.

É hora de dar uma olhada?

Às 5h45.

Por quê?

A hora mais próxima pra um encontro é 5h30.

E devemos considerar um atraso da outra parte.

A menos que Vogelmann esteja 19 minutos atrasado.

Possível, mas improvável.

E vou dar uma olhada sozinho.

-Geralmente, eu... -Você mal está aqui.

Qualquer risco grande que corrermos, eu encaro sozinho.

[chacoalhando tinta spray]

[spray]

[Anthony tossindo]

Vou te pintar primeiro.

[Henry] Não faça porcaria.

Eu costumava grafitar.

E eu me lembro de como ficava.

[Biscuit] Você não era melhor, sabe disso.

Eu só fazia placas.

Você é que tentava fazer arte.

Desenhou um pit bull e todos acharam que era uma tartaruga.

[passos]

FECHADO CONSTRUÇÃO

[passos aproximando-se]

[porta do carro abrindo]

Nada.

Que tal ir pra um telhado próximo pra ter uma visão melhor?

Não vale a exposição

nem o risco de nos separarmos caso as coisas peguem fogo.

Este é um péssimo local pra... [carro saindo]

Quem diabos são aqueles caras?

Já deviam estar aqui antes do Vogelmann chegar.

[suspirando]

São eles.

Quem?

Os caras negros.

Os que vieram com o Vogelmann.

-Que bosta. -Droga.

Alguma ideia do que está acontecendo?

Obviamente, esses caras esperam ficar expostos às pessoas ou câmeras.

É o único jeito dos disfarces fazerem sentido.

[Anthony] Que tipo de trabalho?

Assalto? Sequestro?

-Assassinato? -Um ou alguns desses. Sim.

Senhora?

[motorista] Precisa de ajuda?

Não. Desculpe.

[homem] Pode segurar o elevador?

Por favor, segure! Senhora!

[corrente na porta]

Jeffrey.

Jeffrey, me deixe entrar.

Abra!

[Jeffrey] Kelly, pare de gritar. Eu estava no banheiro.

Por que colocou a corrente?

Por que não está a caminho do trabalho?

Não pode responder uma pergunta com outra.

Não brigue comigo, está bem? Só...

Você precisa descer, pegar o ônibus e ir trabalhar.

-Abra a porta agora. -Não posso.

Como não pode? É claro que pode.

Eu quero abrir. Quero mesmo, mas não posso.

Sua licença-maternidade venceu há quatro semanas.

Você usou as férias e as licenças médicas pra ficar aqui com o Jackson.

Ele precisava de mim.

Estou cuidando bem dele.

E vou continuar até você voltar do trabalho.

Eu te odeio.

E eu te amo o dobro disso. Você precisa ir pro trabalho.

Hoje.

Meu emprego é uma idiotice.

Eu vou pra lá e vendo...

pedaços da minha vida por um salário...

pra que os ricos que nunca conheci coloquem dinheiro em lugares que nunca vi.

Como posso me sentar a uma mesa idiota e falar sobre contas bancárias

enquanto meu bebê está aqui?

[soluçando]

[passos]

O Jackson precisa de fraldas, de roupas e de comida de bebê gourmet.

Depois, ele vai precisar de material escolar

e, se ele for como eu e meus irmãos, vai precisar de aparelho dentário também.

Tudo isso custa dinheiro e você ganha muito mais do que eu.

Eu sei.

Por favor, pegue o ônibus e vá trabalhar.

Está bem.

Desculpe ter dito que te odeio.

Tudo bem.

Eu sei o que você quis dizer.

Posso vê-lo?

Pela abertura.

Prometo ir se você me deixar vê-lo só um segundo.

[suspirando]

-Preciso tocá-lo. -Kelly, por favor...

Só um segundo! Prometo que vou depois!

Você quebrou essa promessa antes e recentemente.

Você jura pela vida do nosso bebê que vai embora depois de tocá-lo?

Não.

Fale pra poder valer. Juramentos são assim.

Juro pela vida do nosso filho que vou trabalhar depois de tocá-lo.

[bebê balbuciando]

Você jurou pela vida dele.

[suspirando]

[bebê balbuciando]

Vejo vocês quando voltar do trabalho.

[Kelly] Tão fofo.

[suspirando]

Oi.

-[Cheryl] Olá! -[Kelly] Oi.

-[segurança] Bem-vinda de volta. -Obrigada.

[Edmington] Céus! Deus seja louvado!

É possível que essa visão radiante de maternidade que acabou de entrar

seja a nossa querida Sra. Summer?

Bem-vinda de volta. Bem-vinda de volta e parabéns

por trazer um menino adorável a este mundo.

Obrigada, Sr. Edmington.

Todos nós do banco temos grandes expectativas para o seu menino.

Expectativas maravilhosas numa escala mundial.

Eu também.

Nesse caso, nossas expectativas estão alinhadas.

-Oi. -[Willian] Bem-vinda de volta.

-[Cheryl] É um prazer. -Igualmente.

[Edmington] Sra. Summer...

sua ausência foi um peso para nós.

Seu retorno é uma benção divina.

Foram só três meses.

Ainda assim, uma época triste.

Você não deveria estar tão bonita depois de ter um bebê.

[Kelly] Obrigada.

-É irritante você estar tão bonita. -Obrigada.

-Eu fiz cupcakes! -Com chocolate duplo?

É claro.

Seu marido me ajudou com esta parte.

[Edmington] Um pequeno símbolo, um pequeno gesto por nossa afeição.

Sr. Edmington, pessoal, sério... obrigada por isso. De coração.

Foi muito difícil deixar o bebê.

Temos entregas agendadas para hoje?

Não que eu saiba.

[Henry] Ouçam todos.

Mãos ao alto sem se mexer ou este homem morre.

[voz distorcida] Mantenham as mãos levantadas.

Cooperem.

Se fizerem movimentos súbitos,

serão executados.

Se a polícia aparecer,

todos serão executados.

Não deem mais valor ao dinheiro do que à própria vida.

Vocês entenderam?

Sim.

Sr. Edmington.

Senhor?

[Voz distorcida] Tem algum funcionário lá nos fundos?

Se tiver, traga-os agora.

Você tem 20 segundos.

Não tem ninguém lá nos fundos. Estão todos aqui na frente.

Tem certeza dessa resposta?

Você parece incerto.

Não, tenho certeza de que todos estão aqui na frente do banco.

Vamos aceitar essa resposta.

Se estiver enganado, seus testículos serão removidos com isso.

Por favor, não vamos falar em violência. Como eu disse, estão todos aqui...

Você!

Você parece honesta e obediente.

Amarre as mãos de cada pessoa

exceto as do gerente.

Use isto.

Amarre as mãos deles nas costas. Apertado.

Não diga nada a ninguém em momento algum, ou será executada.

Sr. Edmington.

Senhor?

Um de nós vai segui-lo até os cofres. Abra todos eles.

Eu abrirei todos os cofres que puder abrir para vocês.

Se o nosso associado não retornar com barras de ouro em até três minutos,

vamos executar aquela mulher.

[relógio - tic-tac]

[Cheryl soluçando]

[relógio - tic-tac]

4 LADRÕES ARMADOS NO BANCO BULWARK NORTE

ENVIE A POLÍCIA

Envie-o.

Pode garantir que meu bebê receba isto?

O nome dele é Jackson.

-Eles devem ter vindo por aqui. -Acha que sabem que os seguimos?

Trinta por cento.

Espero que eles tenham nos visto em Brownvine.

-Espera que eles tenham nos visto? -Sim. Se souberem que foram descobertos,

talvez desistam do que quer que tenham planejado.

É bom saber que suas prioridades mudaram.

Civis estão em perigo. Eles são a prioridade.

Com ou sem dinheiro e distintivo. Você tinha dúvidas?

Microscópicas, se tanto. Mas é bom ouvir em alto e bom som.

Banco Confiança de Bulwark Norte.

[Anthony] Isso não é ambíguo.

Aquilo é uma troneira?

-O que é uma troneira? -Vê aquela abertura?

O corte horizontal acima da palavra segurança.

Tem um cara ali dentro.

-Então é um assalto. -É.

[ligando a câmera]

Vamos esperá-los sair?

Sim.

É um assalto até alguém torná-lo algo pior.

Você planeja encurralá-los?

Não faz sentido.

Distrito financeiro em dia útil? Não devemos abordá-los aqui.

Acha que vão voltar ao edifício garagem depois?

Cinquenta por cento.

Cinquenta por cento não vale nada numa pergunta de sim ou não.

Espero que aquele otário não fique muito curioso.

O banco vai abrir em 15 minutos. Volte depois.

Ele pode ter dito 50, não tenho certeza.

É improvável.

Aquele cara parece um comercial de cigarros.

[acendendo isqueiro]

Estão carregando.

[acelerando]

[freando]

[buzinas]

Minha nossa.

Poderíamos ter impedido isso.

-Você vai dizer algo? -Concentre-se nisso.

Deixamos aquelas pessoas serem assassinadas.

Você não vai dizer nada?

Você não tem nada a dizer sobre a nossa culpa?

Com essas emoções italianas você já disse o bastante.

-Você vai pro Inferno, seu babaca. -Eu não previ aquilo.

Quando soubemos que não era uma transação de drogas

já era tarde demais.

Você podia ter feito o chamado.

Quando a van saiu do edifício garagem. Alertado a polícia de Bulwark.

Não alertamos.

A chance de conseguir algo no intervalo de 16 minutos não era de 50%

nem mesmo de 25.

Quer ligar pra polícia de Bulwark? A estadual? Os federais?

Deixá-los cuidar disso? Vá em frente.

Mas aquela van e os assassinos dentro dela

terão sumido antes que qualquer um deles possa responder.

Depende de nós.

Você disse que não mataria ninguém a menos que fosse em legítima defesa.

Deu a sua palavra.

[Vogelmann] Pegue a interestadual.

O que aconteceu lá foi excessivo.

[Vogelmann] Você quer elaborar sua crítica?

Nos dar o ponto de vista urbano?

Ele não tem mais nada a dizer.

Cuidado com a boca, cara.

[Biscuit] Preste atenção na estrada. Você vai conseguir.

-[Vogelmann] Parrudo, Magrelo. -Sim?

Coloquem suas armas dentro do porta-luvas.

[engatilhando a metralhadora]

[ladrão 1] Isso não foi uma sugestão.

Tudo bem.

Cubra essas armas com a seção de esportes.

[Vogelmann] Feche a porta.

Feche a porta.

Está fechada.

[ladrão 1] Não a ouvimos clicar. Queremos ouvir um clique.

[travando o porta-luvas]

[Vogelmann] Não abram o porta-luvas sem que eu dê permissão.

Tudo bem.

Está vendo algo?

Não.

Droga! A interestadual.

Alguma ideia sobre onde vão parar?

Algum lugar rural onde possam trocar de veículos.

Mas onde é...

Vamos precisar de gasolina em breve.

Sim, eles também. Paramos quando eles pararem.

O galão está no porta-malas?

Você precisa perguntar?

[Cheryl resmungando]

[ladrão 2] Quieta.

[Cheryl] Preciso fazer xixi.

[Cheryl gritando]

É o segundo "quieta".

Diga outra palavra e vai virar pirata.

[ladrão 1] Cubra isso.

[ladrão 2] Fique parada.

[Cheryl gritando]

[ladrão 2] Esguiche.

[ladrão 1] Magrelo.

Sim?

[ladrão 1] Livre-se da urina desta senhora.

Vamos conseguir.

Faça o que foi pago pra fazer e ignore-os.

Lembra quando a sua mãe nos trouxe aqui no seu aniversário?

Você, eu e, ao menos, mais dez crianças.

Tinha umas garotas lá também.

Ainda que não as quiséssemos por perto.

Mas eram as amigas da sua irmã e algumas vizinhas, eu acho.

E você quis um bolo sorvete, então sua mãe o trouxe num isopor.

O que era mesmo?

O tiranossauro Rex.

Isso mesmo.

Agora lembro. Você era um T-Rex.

As presas eram de balas de milho.

Mas das brancas com as pontas vermelhas pra parecer que era sangue.

Da refeição que tinha acabado de comer. O estegossauro ou seja lá quem foi.

-Eu adorava dinossauros naquela época. -É, adorava mesmo.

E ficou com raiva porque a sua mãe me deu a fatia maior.

É.

Cara, a fatia maior é do aniversariante.

-Isso está na lista da mamãe. -É.

Mas ela devia saber que a minha mãe não cuidava bem de mim.

Ela sabia.

Eu sempre fui a fim dela.

Ela sabia disso também.

Obrigado, mano.

Vamos conseguir.

-Juntos. -Sim.

[Vogelmann] Tem alguém nos seguindo?

-Nós vimos um... -Não.

As únicas coisas atrás de nós são uma picape verde e um carro cinza

que entraram na rodovia há pouco tempo.

Fiquem vigilantes.

Sempre fico.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

A primeira estimativa é de cinco mortos, dois em estado grave e um desaparecido.

Droga. O último é um refém.

Uma quantidade grande de barras de ouro foi entregue há dois dias.

Não é uma coincidência.

Droga!

Seis pessoas foram premiadas.

Seis seres humanos morreram.

Eu tenho que saber.

Caso a gente não volte, tenho que saber o que ela teria dito.

Vamos voltar.

Cem por cento?

Eu estou em 80. Talvez até 85. Você está em 70.

-Experiência? -É.

E não sou italiano.

Caixa postal.

Oi, Denise. Eu...

Eu quero te pedir um favor. É muito importante.

Estou longe e preciso de uma informação que está lá em casa.

Se você puder passar lá e pegá-la eu ficaria muito agradecido.

Está no bolso direito do meu blazer bege.

O Herringbone que usei na casa da sua irmã na última visita.

Eu sei que isso é inconveniente,

mas você vai me ajudar muito.

Me liga quando pegar.

É isso. Até já.

Te amo. Tchau.

Não é o modo mais romântico de pedir alguém em casamento.

Não é. A Denise é esperta.

Ela tem uma cabeça ótima.

Não vai mudar a resposta só por causa de como a pedi em casamento.

-Eu te dou uns... -Não diga um percentual.

Cuidado com aquilo.

Estou vendo.

Vamos comprar comida quando acabarmos.

Estou com vontade de comer macarrão celofane.

Está bem.

[Vogelmann] Parrudo.

Sim?

Tem alguém nos seguindo?

A picape verde? O carro cinza?

-Não. -Veja nos retrovisores, por favor.

Nada além de poeira e ar.

Estou de olho.

[Vogelmann] Parrudo.

Pra quem está sinalizando?

Pra ninguém.

Liguei a seta por hábito.

[Henry] Gambá.

Geladeira.

Rato morto.

"Tamo" na área.

[ladrão 2] Estamos na área ou estamos na área.

[ladrão 2] Não. "Tamo" na área.

Você me entendeu, não foi?

[engatilhando a arma]

-Entendeu? -[Vogelmann] Por favor, olhe pra frente.

O cara está exacerbando.

[Vogelmann] A porta da garagem ainda está intacta.

É o que parece.

[ladrão 1 pegando as chaves]

[Vogelmann] Abra a baia direita.

-Posso pegar minha arma no porta-luvas... -[Vogelmann] Não pode.

[ladrão 2 engatilhando a arma]

[ladrão 2 atirando]

[tiros]

[tiroteio]

[Anthony] Gambá.

[Anthony] Geladeira.

[Anthony] Rato morto.

[ladrão 1] Me dê a chave.

Me dê a chave.

Atire nele e use a chave extra.

A chave extra está no chaveiro que dei ao Magrelo.

Cadê a chave?

Procurou na bunda da sua mãe?

Cadê a chave?

Pergunte a um proctologista.

[Henry correndo]

[Henry] Aguente firme, mano!

[Biscuit] Saia daqui.

-[Biscuit] Me deixe, cara. Saia daqui. -Cale a boca, cara.

Pare! Henry, pare!

Caramba!

Isso tudo foi minha culpa. [porta da Van abrindo]

A ideia foi minha.

Vá!

Henry!

Se ficar com o ouro, dê um pouco pra minha mãe.

Vou cuidar bem dela.

Sim.

Compre uma televisão maneira. Uma daquelas...

-[Vogelmann] Vê a chave em algum lugar? -Ele a engoliu.

E o Magrelo ainda está por aí.

[carro aproximando-se]

[Anthony] Passamos por eles e atacamos por trás?

Não. Precisamos encurralá-los aqui e agora.

[Ridgeman] O conflito não poderia acontecer num local mais deserto que este.

[Anthony] Parece que estão tendo problemas com os ajudantes.

[porta da Van abrindo]

-[Anthony] Cheryl Reed ainda está viva. -A porta da frente parece blindada.

Por que a estão obrigando a fazer aquilo? Querem limpar tudo antes de prosseguirem?

[Ridgeman] Setenta e cinco por cento.

-[Anthony] E os outros 25? -Não sei.

[Ridgeman] Tem algo estranho.

[porta da Van abrindo]

[Anthony] Isso é um exagero.

-[Anthony] O carro está vazando. -Estou ciente.

-[Ridgeman] Não tome um tiro. -Eles não têm o ângulo certo.

[porta da Van abrindo]

[Anthony] A menos que deitem no chão.

E como já estou aqui, vou acertar o primeiro tiro.

-Aprendeu isso no Exército? -Na aula de geometria.

[Ridgeman] Você viu o que aconteceu com o outro ajudante?

-[Anthony] O magrelo negro? -Ele mesmo.

[Anthony] Não.

[Anthony] Acho que desapareceu no primeiro tiroteio.

[Ridgeman] Essa é uma variável que não precisávamos.

[Ridgeman] Comece a festa.

[Ridgeman] Errou o alvo?

[Anthony] Não seja babaca.

[Anthony] A Van tem pneus sem ar.

Remova o estômago para que a chave não caia nas entranhas dele.

Está bem.

[ladrão 2] Acha que são tiras?

Só se forem corruptos e vieram pelo ouro.

Acho que são parceiros do Magrelo.

[tiro acertando a Van]

Concentre-se no seu trabalho.

A dupla não está armada para nos enfrentar.

[ladrão 2] É o saco pálido ali. O que parece um...

Eu sei qual é.

[ladrão 1] Cuidado pra não furar o fígado dele.

É o pior cheiro do mundo. Principalmente nos negros.

Vamos descartá-lo e prosseguir.

Cartuchos.

[Anthony] Devemos denunciar isso? Anonimamente.

[Anthony] Não estou equipado pra...

[porta da Van abrindo]

Está ficando estranho.

Entre no carro.

-[Anthony] Vamos bater? -Cem por cento.

-[Anthony] Obrigado por avisar. -Você ouviu. Cinto.

[tirando foto]

[Vogelmann] O endereço residencial dela é legível nessa foto?

[ladrão 1] Completamente. E ela é mais nova do que aparenta.

[ladrão 2] Deve ter tido filhos.

Você tem algum ente querido neste endereço?

A foto tem instruções desagradáveis para os nossos associados,

a menos que você faça exatamente o que mandarmos.

[Anthony] O vazamento aumentou.

É, eu escuto bem.

[Anthony] Estou preocupado.

[engatilhando a metralhadora]

[Anthony] Devemos nos anunciar? Dizer que somos policiais?

Não.

Isso vai aumentar a probabilidade de uma situação de refém em 60%.

[Ridgeman] Ei! Cabeças de bagre!

Ouçam bem!

Este é o único acordo que terão.

Estamos aqui pelo ouro. Só isso.

Deixem as barras onde estão e saiam. Vamos deixá-los partir.

Se ficarem na van, vamos matar todos vocês.

Vogelmann, coadjuvante número um, coadjuvante número dois, a garota, todos.

[Ridgeman] Pegue o gás.

[Anthony] Lacrimogênio?

[Ridgeman] A gasolina.

[Denise] Não atrase a reunião por minha causa. Estou atrasada.

O orçamento não cobre o acesso para deficientes e detectores de metal

e precisamos ter os dois.

Vou fazer um favor pro Tony e conversamos quando eu voltar.

Obrigada. Tchau.

[Ridgeman] Vocês têm 45 segundos pra sair.

[celular vidrando]

MENSAGEM DE VOZ

[Cheryl gritando]

[Ridgeman] Vocês têm 15 segundos.

[Cheryl] Não!

[tiro e homem caindo]

[Cheryl gritando]

[porta da Van abrindo]

[Ridgeman] Parece uma mulher, mas verifique.

Ela é mulher.

Sra. Reed?

O que houve com o Vogelmann e seus coadjuvantes?

Pode vir para o outro lado deste veículo?

Sra. Reed, me ouviu?

[Cheryl] Estou indo.

Continue vindo, Sra. Reed. Está indo muito bem.

[Anthony] Está quase aqui.

[Cheryl gemendo]

[Anthony] Você está bem?

[porta da Van abrindo]

[Ridgeman] Venha.

Não! Eu não quero ver o que está embaixo disto.

Está bem.

[respiração pesada]

A garota era inocente.

Quer que eu te leve ao pronto-socorro?

Não, dói muito pra me mexer.

E não tem razão.

Não tenho as palavras certas pra esta situação.

Não existe nenhuma.

Espero que eu não seja... lembrado

por esse erro.

Vou deixar seu nome fora disso.

-Espero que consiga. -Vou conseguir.

[celular caindo]

Quer que eu pegue?

Ela ligou.

-Eu sei. -Eu digito pra você.

-A senha é... -Eu sei qual é.

Me deixe segurá-lo.

Desculpe.

Não era... o que eu queria ouvir.

[respiração difícil]

-Quer que eu o quebre? -Quero.

Maldição! Seu filho da...

Droga!

Satisfeito?

[porta da Van]

[ladrões tossindo]

[ladrão 2] Estou me rendendo! Aceito seu acordo.

Certo. Saia com as mãos pra cima.

Preciso de ajuda médica...

[Henry atirando]

[Henry] Livre-se desse galão de gasolina.

[Henry] Não fiz tudo isso pra te ver queimar o dinheiro.

-Ouro não é inflamável. -Não quero que ele derreta.

E também tem dinheiro aí.

Quer vir aqui e cuidar do Vogelmann sozinho?

Não, cara. Não.

Você é o especialista. Veja o ótimo trabalho que fez aqui.

Pode executar mulheres nuas e tudo mais.

Babaca.

[voz distorcida] Não deem mais valor ao dinheiro...

[troneira abrindo]

[Henry atirando]

[Henry atirando]

[Henry] A próxima bala não será um alerta.

O seu colete à prova de bala é legal. Te deixa esbelto.

Como quando uma mulher usa cinta.

É mais elegante do que o casaco que você usava no noticiário

quando pisoteou aquele mexicano.

Onde você me notou?

Você passou pelo banco.

Duas vezes, quando nos seguiu no estacionamento.

O que você quer?

Fique aí.

Pra eu poder te agradecer pessoalmente por matar todos esses bandidos cruéis.

É isso o que a maioria dos policiais faz quando é suspensa?

Rouba assaltantes de banco?

Por que está tirando?

Preciso da faixa pra estancar o sangramento.

[Henry] Tudo bem.

Vou te fazer umas perguntas.

Se mentir,

mando o vídeo que fiz de você matando a branquela pros noticiários.

Tive o ângulo perfeito lá de cima.

Até te gravei quando tirou a máscara.

-Pergunte. -O que a polícia de Bulwark sabe sobre...

-Cretino. -Igualmente.

[respirações cansadas]

Vamos conversar.

Diga as palavras.

Devemos limpar essa bagunça juntos e dividir o ouro.

Podemos brigar mais

até estarmos aleijados ou mortos, ou ambos podemos ser ricos.

Não vejo dilema nisso.

Confiar num policial

que é corrupto pra cacete é o dilema.

A única certeza sobre você é que não dá a mínima

pros juramentos que fez.

Minha filha foi agredida pela quinta vez há dois dias.

Minha esposa tem esclerose múltipla e mal consegue andar sem uma bengala.

Eu preciso disso.

-Setenta, trinta. -Sessenta, quarenta.

[Henry] Tudo bem.

Tem um carro de fuga ali dentro?

O detetive é astuto.

Precisamos levar este pro lago.

Tudo bem.

Vamos descarregar as armas juntos e lentamente

pra que nenhum de nós se sinta tentado.

Está bem.

[Henry] O que faremos com os nossos amigos?

[Henry] Não podemos deixá-los aqui.

[Henry] Também não podemos levá-los sem nos expor.

Vamos enterrá-los.

[Henry] Não sabíamos que eles trariam uma mulher.

Ninguém seria baleado, a menos que apontassem uma arma pra nós.

Esse era o acordo.

[Henry] Você acreditou nisso ou só quis acreditar?

[Ridgeman abrindo o porta-luvas]

[Henry] Não tem armas aqui.

Tem muitas armas naquela van.

Eu tenho palavra. Somos 60-40.

Vamos à van ao mesmo tempo.

Como queira. Está tranquilo.

Não está cheirando bem lá dentro.

-[Ridgeman] Colocaremos o ouro aqui. -Por quê? Essa lata-velha está morta.

Certo, mas tenho que tirá-lo daqui.

Não quero que você suma com tudo no seu porta-malas.

Você é tão paranoico que está me fazendo ficar paranoico.

-Só estou tentando evitar a tentação. -O detetive é um padre.

-Vamos devagar. -Tranquilo.

[Henry] Cheira como se todos tivessem se cagado.

[Ridgeman] Não brinque com arma nenhuma.

No Dia dos Pais, a sua filha bate uma ou duas continências pra você.

Ela me respeita.

-Está tudo nestas sacolas? -Está.

Exceto por uns pedaços perdidos no concreto.

[ligando o rádio]

[música continua]

[pegando o revólver]

[música continua]

[Henry] Eu desengato.

[Ridgeman] Vou pegar as sacolas.

[Ridgeman] Sinto muito.

Não chegue muito perto daquela lama.

Você não é professor do ensino fundamental?

Acostumado a lidar com criancinhas que não sabem de "tudo"?

Acho que você quis dizer "que não sabem de nada".

-Você me entendeu, não foi? -Entendi.

Mas, pelo que vi, você é muito mais esperto do que parece.

É bom ser subestimado.

Está fazendo isso caso eu confunda este carro com um submarino?

Sim.

Tenha calma.

-Que merda é essa? -É só uma precaução.

Não quero te machucar. Pegue o seu celular.

-O vídeo é minha garantia. -Errado.

Você pode me identificar se for jogado na cadeia,

ou se for à julgamento eu posso identificar você.

Isso vai nos manter calados. É justo e equilibrado.

Mas o vídeo pode virar uma extorsão contra mim feita por você,

por quem você o enviar, ou por quem hackear o seu celular.

Nada disso vai acontecer. Somos 60-40.

Só estou tentando remover a tentação.

Tire essa arma do meu pescoço.

Me dê seu telefone e sua senha.

-Afaste a porra dessa arma de mim. -Não quero te machucar, mas se você...

Seu burro de merda.

Eu não ia te chantagear. Eu tenho palavra.

Devia ter confiado num negro.

[Ridgeman agonizando]

Tudo que fiz antes disso foi roubar uns carros, vender cocaína

e colocar o otário que aleijou meu irmão na UTI.

Eu nunca matei ninguém.

[Ridgeman agonizando]

Maldição.

Enterre meu amigo, por favor.

Não o quero envolvido nisso.

-Tudo bem. -Obrigado.

Você estava falando a verdade sobre a sua filha ser agredida?

E a sua esposa ter EM?

Eu estava sendo sincero.

Vou dar uma parte pra elas.

Quarenta por cento.

Elas não vão receber 40.

Mas vou cuidar bem delas.

Desculpe por te colocar perto desses policiais,

mas não posso ser exigente agora.

Depois que isso for esquecido,

volto pra te enterrar como se deve.

ONZE MESES DEPOIS...

[música]

[Jennifer] Oi, Henry.

Posso pedir pro Christopher terminar no quarto de hóspedes se quiser.

Tudo bem, mãe.

Sei que você gosta de olhar pro mar quando faz massagem.

[Jennifer] Sim.

[Jennifer] Chegou algo pra você pelo correio enquanto esteve fora.

Acho que é do seu corretor.

Tive um dia longo demais pra ver números agora.

O Ethan está em casa ou na casa do Jeremy?

Ele está na sala de jogos.

Certo.

Quer sushi pro jantar?

Posso fazer uma comida caseira se você quiser.

Obrigado. Vou adorar a sua comida.

[tiros no video game]

Esse jogo é bom?

[desligando o video game]

Já terminou tudo?

Finalmente.

[porta abrindo]

[noticiário na TV]

Oi, querida.

-Tinha um pacote lá embaixo... -Feche a porta, por favor.

[TV] Nenhum suspeito desse crime violento foi preso ainda.

[TV] O Chefe de Polícia não confirmou...

Acho que é do papai.

[TV] ...se isso tem ligação com as outras trêsinvasões de domicílio que...

O que consta como remetente?

Ridgeman e uma caixa postal.

Me dê, por favor.

Nossa, como é pesada.

-Posso te ajudar a abrir. -Não.

Está endereçada a mim e quero abri-la. Sozinha.

-Mãe, eu quero... -Sarah, por favor.

Está bem.

Não consegui cozinhar esta noite, então pedi comida chinesa.

-Tudo bem. -Beijo.

[porta fechando]

[suspirando]

Obrigada.

[video game]

Dê uma pausa.

JOGO PAUSADO

Quando saí pra enviar aquele pacote,

comecei a pensar naquele jogo que estávamos jogando

antes de tudo mudar pra nós.

O da selva.

Você ainda o tem?

[Ethan] O Shotgun Safari?

[Ethan] Sim.

Pronto?

Sim.

Vamos caçar uns leões.

[Shotgun Safari - The O'Jays]

JUSTIÇA BRUTAL

[música termina]

[Street Corner Felines - The O'Jays]

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