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Errada, como sempre.

A falta de atitude dos EUA na Europa de leste,

prova que a agress�o sovi�tica na fronteira afeg�

n�o ser� publicamente contestada por parte dos EUA.

O assunto: a Uni�o Sovi�tica continuar� com a s�rie recente

de exerc�cios militares levando a cabo o ensaio duma bomba hoje,

no mar a apenas 15.000 milhas da costa sul do Alaska.

O Presidente Richard Nixon enviou este aviso aos sovi�ticos:

Os Estados Unidos n�o come�a guerras.

Que fique claro,

mantemos a nossa for�a no intuito de manter a paz.

Por isso, qualquer advers�rio deveria interrogar-se:

As consequ�ncias de atacar a Am�rica...

...pesam mais que os poss�veis benef�cios?

Como resultado das actividades Sovi�ticas,

o grupo de cientistas "C�o de Guarda" de vigil�ncia nuclear

moveu o rel�gio do dia do ju�zo final

at� aos cinco minutos para a meia-noite.

Destrui��o por guerra nuclear.

A pergunta:

Numa escala de 0 a 10, com o zero a significar a impossibilidade

e o dez a significar a certeza metaf�sica absoluta.

Quais s�o as possibilidades dos russos atacarem mesmo os Estados Unidos?

- Pat Buchanan? - Zero.

Os sovi�ticos nunca arriscariam entrar em guerra

quando possu�mos um factor dissuasivo nuclear m�vel do nosso lado.

Est� a referir-se, � claro, ao Dr. Manhattan.

Mas poder� a exist�ncia do Dr. Manhattan garantir a paz mundial?

Eleanor Clift.

Bem, ele n�o impediu a Uni�o Sovi�tica

de come�ar a armazenar quantidades recordes de armas nucleares.

N�o acha que � tudo conversa?

Talvez a raz�o do porqu� os sovi�ticos estarem a fazer

estes testes nucleares

seja por se sentirem amea�ados pelo Dr. Manhattan. � claro.

Talvez o mundo inteiro se sinta assim.

Navios sovi�ticos invadiram as �guas territoriais...

Suponho que era apenas uma quest�o de tempo.

� uma piada. � tudo � uma piada.

M�e, perdoa-me!

ESPECTRO DE SEDA

OS GUARDI�ES

O JAP�O RENDE-SE

FELIZ REFORMA SALLY

RAMEIRAS L�SBICAS

RUSSOS POSSUEM BOMBA AT�MICA

Porque te queixas da tua vida? Sempre pus comer na mesa!

Magia, sonhos, era o que eu tinha antes.

Eu era uma hero�na, bolas!

Um acto com a inten��o clara de mostrar ao governo de Saig�o,

que a viol�ncia e a opress�o n�o levar�o � paz.

V�o-se lixar, porcos!

Boa sorte, Sr. Gorsky.

NIXON ELEITO PARA TERCEIRO MANDATO

Saiam daqui, vigilantes!

QUEM OLHA PELOS GUARDI�ES?

Est�o a roubar!

Edward Blake, 67 anos de idade.

1.89 m, corpo robusto de 102 kg.

Este tipo era musculado como um defesa.

Pois, eu vi o corpo.

Para um tipo da sua idade, estava em excelente forma.

Referes-te ao tirando o facto de estar morto?

Aquilo � vidro duplo.

� preciso bater com muita for�a s� para rach�-lo.

Teve de ser jogado.

- Examinaram o quarto? - Sim.

Gavetas abertas, tudo revirado, colch�o ao contr�rio.

- Provavelmente um assalto. - Ou fizeram parecer-se com um.

Est�s a ver isto?

A cumprimentar o Presidente.

Achas que o Blake era um espi�o?

Do governo? Miss�es secretas?

Eu acho...

...que isto � demasiado grande para n�s os dois.

Di�rio de Rorschach, 12 de Outubro de 1985.

O cad�ver dum c�o est� no beco esta manh�.

Com a marca dum pneu no abd�men arrebentado.

Esta cidade tem medo de mim.

J� vi a sua verdadeira face.

As ruas s�o a continua��o das sarjetas.

E as sarjetas est�o cheias de sangue.

E quando os esgotos finalmente se entupirem,

todos os vermes afogar-se-�o.

Toda a porcaria acumulada por todo o sexo e assass�nio

ir� subir at� �s suas cinturas.

E todas as rameiras e pol�ticos ir�o olhar para cima e gritar: "Salva-nos".

E eu irei sussurrar: "N�o!".

Agora, o mundo inteiro est� � beira dum precip�cio.

Olhando fixamente o sangrento inferno em baixo,

todos aqueles liberais, intelectuais e falinhas mansas.

E, subitamente, ningu�m consegue pensar em nada para dizer.

Abaixo de mim...

...esta cidade horr�vel...

...grita como um matadouro repleto de crian�as retardadas.

E a noite cheira a fornica��o e a consci�ncias pesadas.

O Comediante ri por �ltimo de Moloch

Esta noite, um Comediante morreu em Nova Iorque.

H� algu�m que sabe porqu�.

Algu�m sabe.

N�o, eu ouvi mesmo qualquer coisa.

Vigia a porta!

Deve ter sido vento Da pr�xima vez que tu...

Tudo come�ou com as quadrilhas.

As pessoas tendem a esquecerem-se disso.

Roupas de piratas, fantasmas,

achavam gra�a mascararem-se para cometerem assaltos.

� claro, assim que os prend�amos voltavam para as ruas logo a seguir.

Ningu�m podia identific�-los por causa das malditas m�scaras.

Por isso, alguns de n�s pol�cias, reunimos e decidimos:

"Ent�o vamos mascarar-nos tamb�m".

Para terminar com o que a Lei n�o podia.

Em pouco tempo, a imprensa deu asas sensacionalistas � not�cia e,

ena p�, pass�mos a passatempo nacional.

�ramos eu, o D�lar Bill, o Homem-Mariposa, o Capit�o Metr�polis,

o Justi�a Mascarada, a Espectro de Seda e o Comediante.

N�o me fa�as falar dele.

J� devo estar b�bado. Para contar-te esta hist�ria da treta de novo.

Acho que pretendias dizer algo.

Pretendo dizer que para n�s foi muito f�cil.

N�o foi justo o que aconteceu convosco. Voc�s ficaram com o que n�s deix�mos.

Com o Nixon a obrigar-vos a sa�rem.

Nixon, aquele sacana!

E pensar que votei 5 vezes naquele sacana!

Era nele ou nos comunistas, certo?

� quase meia-noite. Tenho de ir.

A verdade?

Foste um melhor Coruja Nocturna do que alguma vez eu fui, Danny rapaz.

Hollis, ambos sabemos que isso � uma tanga da treta.

Cuidado com a l�ngua!

Este � o gancho de esquerda que derrubou o Capit�o Axis, lembraste?

O vigilante mascarado conhecido por Rorschach,

agrediu um pol�cia esta madrugada.

Rorschach est� na lista do 10 mais procurados do FBI,

por viola��o da lei Keene, a qual baniu os her�is mascarados h� 6 anos.

Rorschach foi dado como incapacitado...

For�ou a sa�da de todos excepto ele.

Ele ir� desistir... quando morrer.

- At� para a semana? - Bem...

Sabes, n�o precisas de me fazer companhia assim.

N�o tens nenhum encontro escaldante ou assim?

Os reformados t�m de conviver juntos, certo?

- Nunca sentes a falta? - N�o.

- E voc�? - N�o, de maneira alguma.

A gente v�-se.

Consertos Lewis ESPECIALIDADE EM MODELOS OBSOLETOS

- Ol�, Daniel. - Rorschach!?

Servi a mim pr�prio uns feij�es. Espero que n�o te importes.

N�o, n�o. � claro que n�o.

Queres que os aque�a para ti?

Est� bom assim.

Como tens andado?

Fora da pris�o.

Ouvi falar de ti nas not�cias.

Dizem que agrediste um pol�cia.

Um ferimento ligeiro. N�o precisar� de ir ao hospital.

Daniel, olha para isto.

Isto � molho de feij�o?

Molho de feij�o humano. Esse crach� pertencia ao Comediante.

O sangue tamb�m. Ele est� morto.

Anda conversar l� em baixo.

Pode ter sido um assalto.

Talvez o assassino n�o conhecesse o Comediante.

Um ladr�o vulgar matar o Comediante?

Rid�culo.

Ouvi dizer que ele trabalhado para o governo desde 77.

A derrubar rep�blicas marxistas na Am�rica do Sul.

Talvez tenha sido um assassinato pol�tico ou algo assim.

Talvez.

Talvez algu�m esteja a apanhar her�is mascarados.

N�o achas isso um bocado paran�ico?

� isso que agora dizem de mim?

Paran�ico?

Olha, o Comediante fez muitos inimigos ao longo dos anos,

- at� mesmo entre os seus amigos. - Por falar em amigos, como vai o Hollis?

Ele escreveu o tal livro.

Disse algumas coisas m�s em rela��o ao Comediante.

N�o gosto do que est�s a insinuar.

E gosto ainda menos de andar a ser seguido.

Talvez estivesse a proteger-te.

Para o caso de algu�m vir atr�s de mascarados.

- Nunca foste sentimental assim. - Um ataque a um � um ataque a todos n�s.

O que sugeres que fa�amos?

Vingan�a.

Os Guardi�es acabaram.

- Diz o Tricky Dicky. - E digo eu.

Ningu�m sabe quem tu �s. Podias desistir.

- Tentar levar uma vida normal. - � o que tens agora? Uma vida normal?

Quando passas por uma rua numa cidade a morrer de raiva,

e passa uma barata humana a falar sobre hero�na

e de pornografia infantil.

Sentes-te mesmo normal?

Pelo menos n�o sou aquele que continua escondido atr�s duma m�scara.

N�o.

Est�s escondido � vista de todos.

Vemo-nos por a�, Dan.

H� uma sa�da de manuten��o a dois quarteir�es para norte.

Eu lembro-me.

Vim c� muitas vezes. Quando �ramos parceiros.

Foram tempos bestiais, Rorschach.

- O que aconteceu? - Tu desististe.

Di�rio de Rorschach, A primeira visita da noite foi infrut�fera.

Sinto-me ligeiramente deprimido.

Em breve haver� guerra.

Milh�es morrer�o na doen�a e na mis�ria.

Porque tem tanta import�ncia uma morte contra tantas?

Porque existe o bem e o mal, e o mal tem de ser castigado.

At� mesmo diante do Armaged�o...

...n�o me envergonharei com isto.

Mas existem tantos que merecem ser retribu�dos...

...e t�o pouco tempo.

Capit�o.

- Capit�o. - Ridley.

Ridley, viu outros sobreviventes?

N�o, senhor.

Capit�o, o meu p� est� preso num peda�o dos destro�os.

- Est� a puxar-me para baixo. - Segure-se!

Ridley!

Ridley. Ridley.

N�o.

Mais sangue, mais sangue, mais sangue.

Em del�rio, por quase me ter afogado, vi-o.

O Cargueiro Negro.

As velas negras do navio infernal contra o c�u amarelado,

E reconheci o odor f�tido da p�lvora, dos c�rebros humanos e da Guerra.

Mais sangue, mais sangue, mais sangue.

As ondas em meu redor tingiam-se de escarlate...

... a espumar, horrivelmente quentes, sob a vig�lia do cargueiro.

Em desespero, ofereci a minha alma miser�vel a Deus todo-poderoso,

... � sua miseric�rdia e julgamento.

Ent�o, o que achas, m�udo?

Dev�amos bombardear a R�ssia e deixar que Deus resolva.

Ou no m�nimo mandar o Dr. Manhattan fazer uma visita.

T�s a ver?

Quero dizer, n�o que eu seja um parvalh�o ou algo assim, mas s�o eles...

...que nos est�o a provocar. Mas � s� minha opini�o.

S� que eu vendo jornais, sabes, estou bem informado.

Sim, eu sei. A nova edi��o do Frontiersman. Ainda n�o chegou.

Gostaria que n�o ficasses a� parado, � espera...

...porque n�o sei quando vai chegar.

Pensava que eras um gajo bem informado.

- Vai comprar isso? - N�o.

Ai, Jesus. Tenta de novo amanh�, ok?

Sr. Veidt,

at� � data, voc� � um dos dois �nicos Guardi�es que revelaram

a sua verdadeira identidade ao mundo. O primeiro foi o Hollis Mason.

E voc� certamente lucrou imenso assim.

Transformando seu alter ego super-her�i, Ozymandias,

numa ind�stria dum bili�o de d�lares.

Brinquedos, lancheiras, engenharia gen�tica.

Sei que h� inclusive um filme a ser preparado.

N�o estou a ouvir pergunta alguma, Sr. Roth.

Desculpe. Acha...

Que os outros Guardi�es podem ressentir-se de prostituir a sua luta do passado.

� uma pergunta justa. Sim.

J� me ocorreu que os meus ex-colegas possam ver dessa forma.

Tal como voc�, claramente sabe que o jornalismo tendencioso vende mais...

...revistas.

A venda de artigos das Ind�strias Veidt

est� a financiar o nosso trabalho com o Dr. Manhattan.

Ampli�mos recentemente as nossas instala��es de pesquisa na Ant�rctica,

na esperan�a de desenvolver fontes de energia baratas e renov�veis

que possam eliminar a depend�ncia do mundo de combust�veis f�sseis.

N�o � preciso um cientista pol�tico para ver que

que a nossa Guerra Fria com os russos n�o � ideol�gica.

� baseada em medo. No medo de n�o termos o suficiente.

Mas se tornarmos os recursos infinitos...

...tornaremos a guerra obsoleta.

Espero que os outros Guardi�es entendam isto.

Onde quer que estejam.

Obrigado pelo seu tempo.

- Est�s com bom aspecto, Adrian. - Dan.

Passou-se tanto tempo.

REL�GIO DO DIA DO JU�ZO FINAL MARCA CINCO MINUTOS PARA A MEIA-NOITE

Ent�o, o Rorschach acha que anda algu�m a ca�ar os Guardi�es?

Achas poss�vel?

Acho que, estatisticamente, um homic�dio n�o � ind�cio duma tend�ncia.

O Rorschach � um sociopata, Dan. E tamb�m o era o Comediante.

Era quase um nazi.

Sabes disso melhor que ningu�m.

N�o estou aqui por sentir saudades dele.

� �bvio que ocorreu a Rorschach que somos

os �nicos que sabemos as nossas verdadeiras identidades.

Na verdade, o mundo inteiro conhece a tua.

Foi por isso que vim avisar-te em primeiro.

Obrigado, Dan.

Mas receio que haja algo muito mais real para nos preocuparmos do que...

...o assassino de mascarados do Rorschach.

Se os russos lan�arem as suas bombas nucleares,

o Jon pode mesmo det�-las?

Os sovi�ticos t�m um arsenal de 51.000 ogivas.

Mesmo que o Jon detenha 99% delas, as 1% que passarem...

...mesmo assim matariam todos os seres vivos na terra.

Nem mesmo o Dr. Manhattan pode estar em todos os lados ao mesmo tempo.

CENTRO DE PESQUISA MILITAR ROCKEFELLER

Di�rio de Rorschach,

13 de Outubro de 1985, 20:30h.

O encontro com o Dreibeirg deixou um mau sabor na boca.

Um sabor a fracasso desde que sa� da sua cave.

Porque permanecem t�o poucos de n�s activos,

s�os, e sem dist�rbios de personalidade?

O primeiro Coruja Nocturna � dono duma loja de repara��es.

A primeira Espectro de Seda � uma rameira decadente e envelhecida,

a morrer num asilo na Calif�rnia.

O D�lar Bill ficou com a capa presa numa porta girat�ria e foi abatido a tiro.

A Silhueta, assassinada.

V�tima do seu pr�prio estilo de vida indecente.

O Homem-Mariposa est� num asilo no Maine.

At� o Adrian Veidt, poss�vel homossexual.

Devo investigar mais ao pormenor.

Restam apenas dois nomes na minha lista.

Ambos dividem alojamentos particulares no Centro de Pesquisa Militar de Rockefeller.

Irei ter com eles.

Irei contar ao homem indestrut�vel que algu�m planeia assassin�-lo.

- Boa noite, Rorschach. - Dr. Manhattan.

- Sabes por que estou aqui? - Sim.

Mas ir�s sair desiludido.

Rorschach!

N�o devias estar aqui. �s um homem procurado.

� bom ver-te tamb�m, Espectro de Seda.

Possuo um nome verdadeiro que uso h� um par de anos. Tenta us�-lo.

Como queiras, Laurie.

- O que fazes aqui? - O Comediante est� morto.

O Rorschach quer que olhe para o meu futuro,

para ver se o assassino pode ser identificado.

J� avisei o Dreiberg. E vim avisar voc�s os dois.

Mesmo que quisesse ajudar, o meu futuro est� bloqueado.

H� uma esp�cie de interfer�ncia temporal. N�o consigo ver claramente.

Interfer�ncia? Causada pelo qu�?

Talvez pela probabilidade, de holocausto nuclear.

Se os EUA e a Uni�o Sovi�tica entrarem em guerra total,

a onda de choque resultante provocaria uma tempestade de tachyons,

part�culas que se deslocam de tr�s para frente naquilo que...

...voc�s entendem como tempo...

...obscurecendo, dessa forma a minha vis�o do presente.

Tenho de voltar a meu trabalho.

Espera um minuto.

E se for por isso que algu�m nos quer afastar,

para que n�o possamos fazer nada para impedi-lo?

Adeus, Rorschach.

Tive muito trabalho para vir aqui v�-lo. N�o vou sair...

...antes de dizer tudo.

H� muita coisa que n�o me contas ultimamente, Jon.

N�o quis preocupar-te prematuramente.

Se o Adrian e eu conseguirmos resolver a crise de energia,

a guerra pode ser evitada.

Sempre disseste que o tempo � simult�neo.

Se isso � verdade, como podes mudar o futuro?

Se pudesses compreender o tempo como eu.

Por favor, deixa-me mostrar-te.

Magia, sonhos. Era o que eu tinha antes.

- Eu era uma hero�na, bolas! - N�o tenho culpa de envelheceres.

Queixas-te de qu�? Eu ponho comer na mesa para ti e para a tua filha!

Por que n�o procuras o teu amigo Eddie? Talvez ele possa dar-te uma vida melhor.

- Ele foi um erro! Uma vez! - Tentou violar-te!

P�ra!

A tua mente vai a lugares sombrios e interrogas-te

porque escondo o pior de ti?

D� cumprimentos meus ao Dan.

O qu�?

Queres convidar-me para jantar,

como costum�vamos fazer.

Mas n�o vais. Sabes que n�o posso.

Por isso, vais ligar ao Dan. O que � natural.

Mereces o conforto dum velho amigo.

A mesa de Dan Dreiberg?

Lembraste daquele tipo maluco. Como se chamava ele?

O Capit�o Carnificina.

Fingia que era um super vil�o s� para andar sempre a ser espancado.

Sim, tentou isso comigo uma vez. Eu ignorei-o.

Come�ou a seguir-me pela rua em plena luz de dia, aos gritos:

"Castiga-me! Castiga-me!"

E eu disse: "N�o! Desaparece!"

Meu Deus! O que lhe aconteceu?

Ele tentou fazer isto com Rorschach

e o Rorschach atirou-o para um po�o dum elevador.

Meu Deus! Isso nem sequer tem gra�a.

- Tem alguma gra�a. - Alguma.

- � mesmo bom voltar a ver-te. - A ti tamb�m, Laurie.

Porque o faz�amos, Dan? Vestidos daquela forma.

Mais ningu�m o faria.

Pois, lembraste do meu fato? Aquele l�tex todo justo? Era horr�vel.

Pois, pois. Horr�vel.

Mas, n�o quis desiludir a m�e,

que queria que a sua filhota fosse como ela e lutasse com bandidos.

Penso que a Lei Keene foi a melhor coisa que nos aconteceu.

Bem, ao menos viveremos mais tempo.

O que foi?

O Jon acha que, a n�o ser possa fazer alguma coisa que...

...vai haver uma guerra nuclear.

Em breve.

Mas eu n�o sei o que pensar. Quero dizer, � tudo...

mec�nica qu�ntica e realidades paralelas com ele.

Na verdade, nunca sei que universo est� ele a ver.

Est� a ficar cada vez mais afastado de mim.

De todos.

J� nem sei dizer se ainda gosta de mim ou est� s� a fingir.

Se est� a fingir � porque gosta.

Espera, eu abro a porta.

Obrigada, Dan.

- J� est�s? - Sim.

Trazes sempre escolta do governo para jantares?

Est�o a certificar-se que nada fa�o para aborrecer a mais poderosa arma do governo.

Desculpa.

Convidei-te para jantar, colocar a conversa em dia e dar umas gargalhadas.

Mas... parece n�o existir muita vontade nos dias de hoje.

O que esperavas? O Comediante morreu.

Laurie? �s tu?

Pensei que por esta altura j� estivesses habituada a viajar assim.

N�o estou.

Odeio quando o Jon teletransporta-me.

Supera a classe econ�mica. Margarita?

M�e, s�o duas horas da tarde.

Lembraste daquele tipo que me escreve cartas?

Enviou-me um artigo de colec��o. Uma B�blia de Tijuana.

� uma banda desenhada porno de oito p�ginas que se fizeram nos anos 30 e 40.

- Ele enviou-te isto? - Claro.

S�o muitos valiosos, tipo antiguidades.

- M�e, isto � nojento. - Acho que at� � lisonjeiro.

Porque me chamas sempre de m�e quando est�s zangada?

Eu sei porque est�s aqui. Ainda sei ler, sabias?

Eu vi-o no jornal.

O funeral do Eddie Blake � hoje.

Acho que finalmente terminou de contar a sua piada.

Pobre Eddie.

Pobre Eddie!? Depois do que ele lhe fez?

Laurie, ainda �s jovem. N�o sabes.

As coisas mudam.

O que aconteceu passou-se h� quarenta anos atr�s.

Tenho 67 anos.

Todos os dias, o futuro parece um pouco mais escuro.

Mas o passado...

...at� as partes encardidas, ficam cada vez mais brilhantes.

Estou a ver luzes!

Est�o a sair do teu encanto.

P�ra com isso, Eddie.

- Obrigado, Weegee. - Obrigado, Sr. Coruja.

Amanh�, �s 3 horas no meu est�dio.

Uma sess�o de fotos a s�rio. Como ter� ficado o meu cabelo.

Vai andando. Estarei l� daqui a cinco.

Eddie!? Mas que raio fazes tu aqui?

- Sabias que estava a mudar de roupa. - � claro que sabia.

Anda l�, boneca. Eu sei do que precisas.

Deves ter alguma raz�o para te vestires desta forma.

Eu disse que n�o, Eddie.

- N�o soletra-se "S-I-M". - N�o soletra-se "N-�-O".

- Est� bem? - Anda l�, amorzinho.

Eddie?

Canalha!

� disto que gostas? � isto que te d� tusa?

O qu�?

As coisas s�o dif�ceis em todo o lado, fofinha.

Chove em cima dos justos e dos injustos de forma igual.

O Comediante era um pouco de ambos.

E achou sempre que seria o �ltimo a rir.

Fogo de artif�cio. S� podem estar a gozar-me.

N�o achas que este pa�s maldito j� teve fogo de artif�cio o suficiente?

Se tiv�ssemos perdido aqui no Vietname, acho que ter�amos ficado loucos.

Sabes? Enquanto pa�s.

Mas n�o perdemos. Gra�as a ti.

- Pareces amargurado. - Eu? Amargurado?

Porra, n�o. Diria antes hilariante.

- Jesus Cristo! - Sr. Eddie?

S� me faltava esta porra.

A guerra acabou. Temos de conversar,

acerca deste beb�.

N�o h� nada para conversar.

Estou de partida,

e vou-me esquecer de ti, do teu horr�vel suor e pa�s de merda.

Desaparece daqui, porra!

- N�o! - Desaparece daqui, porra!

Ir�s lembrar-te de mim!

Ir�s lembrar-te de mim e do meu pa�s para sempre!

A minha cara!

Blake! N�o o fa�as!

Blake!

Ela estava gr�vida...

...e foste capaz de a matar!?

Isso mesmo. E sabes o que mais? Tu ficaste a olhar para mim.

Podias ter transformado a arma em vapor, as balas em merc�rio,

a garrafa em malditos flocos de neve, mas n�o o fizeste, pois n�o?

Est�s-te completamente a lixar para os seres humanos.

Est�s a p�r-te � dist�ncia, Dr..

Deus nos ajude a todos.

M�dicos!

Bem vindos, iremos come�ar daqui a pouco.

Estamos � espera de mais um.

Eu disse-te que n�o serias a �nica vestida a preceito.

Bem vindo, Doutor. Agora podemos come�ar.

Obrigado por virem hoje.

Pe�o-vos que se inteirem deste mapa da �reas de alta criminalidade.

Isto � tudo uma treta!

Para um tipo que se chama o Comediante...

...nunca consigo saber quando est�s brincar.

Guardi�es. Essa � que � mesmo a piada.

N�o resultou h� 15 anos e de certeza que n�o vai agora

s� porque voc�s querem continuar a brincar aos cob�is e �ndios.

Talvez dev�ssemos concordar n�o beber nas reuni�es.

O Rorschach e eu conseguimos fazer frente no combate aos gangs

ao trabalharmos juntos.

Dito assim parece uma campanha publicit�ria.

N�o estou nisto para sobressair.

Podemos fazer muito mais. Podemos salvar este mundo.

Com a lideran�a certa.

A qual serias tu, certo Ozy?

Visto que �s o homem mais inteligente do planeta.

N�o � preciso um g�nio para ver que o mundo tem problemas.

Mas � preciso uma sala cheia de tot�s

para achar que � pequeno o suficiente para os resolveres.

Voc�s, ouvem falar que o Moloch est� de volta, ficam todos � rasquinha.

- Acham importante apanh�-lo? - A justi�a � importante.

Justi�a.

A justi�a vem ao encontro de todos n�s. N�o importa a porra que fa�amos.

Os humanos andam a tentar matar-se uns aos outros desde sempre.

Agora, temos finalmente o poder para terminar a tarefa.

Nada ter� import�ncia porque assim que as ogivas voarem, ficaremos todos em p�.

E aqui o nosso Ozymandias, ir� ser o homem mais inteligente nas cinzas.

Guardi�es! Pol�cia! Pol�cia para proteger as pessoas!

Aten��o, cidad�os!

Estamos a tentar manter a ordem!

Devem sair das ruas at� a greve da pol�cia terminar.

Por favor, n�o h� motivo para viol�ncia.

Estamos a tentar manter a ordem at� acabar a greve da pol�cia.

Ide de volta para as vossas tocas antes que se magoem!

- Eu tenho balas de borracha! - Quero os meus direitos!

Tu n�o �s a lei! Queremos pol�cias normais!

N�o aos vigilantes!

O meu filho � um pol�cia, seus maricon�os!

Bolas! Est� bem, � assim que querem?

N�o h� motivo para viol�ncia.

V�o-se lixar! V�o-se lixar!

Isto est� a p�r-se feio!

Cara�as, adoro trabalhar em solo americano, Dan.

N�o me divertia assim desde Woodward e Bernstein.

Vamos continuar assim quanto tempo?

O Congresso est� forjar uma lei que vai tirar-nos as m�scaras.

Os nossos dias est�o contados.

At� l� � como dizes sempre: "Somos a �nica protec��o da sociedade."

- Do qu�? - Est�s a brincar? Deles mesmos.

- Filho da m�e! - N�o, Comediante, espera!

Tira as tuas m�os nojentas de cima de mim!

Mas que raio aconteceu connosco?

O que aconteceu ao sonho americano?

O que aconteceu ao sonho americano!? Tornou-se realidade.

Est�s a olhar para ele.

SOVI�TICOS N�O IR�O TOLERAR AVENTURA AMERICANA NO AFEGANIST�O

Atr�s de ti.

Edgar William Jacobi. Mais conhecido por Edgar William Vaughn.

Mais conhecido por Moloch.

Do que est�s a falar?

Sou um homem de neg�cios reformado.

Mente de novo, Moloch, e eu parto-te outro dedo.

Eu cumpri minha pena. J� n�o sou o Moloch.

O que queres de mim?

Soube que estiveste no funeral do Blake. Porqu�?

Apenas achei que devia...

...prestar a minha considera��o pelo Comediante.

- Como sabias que ele era o Comediante? - Ele arrombou isto aqui h� uma semana!

Estava sem a m�scara. Estava b�bado.

Voc�s eram inimigos h� d�cadas! Por que iria ele visitar-te?

N�o sei.

Acordei no meu quarto e ele estava l�, transtornado.

- Estava a chorar. - A chorar?

- O Comediante? - Dizia coisas sem sentido.

Eu estava assustad�ssimo.

Pensei que fosse matar-me.

O que disse ele?

� uma piada. � tudo a porra duma piada.

Sabes, pensei que sabia como era.

Pensei que sabia como era o mundo.

Fiz coisas ruins.

Coisas ruins a mulheres. Eu alvejei crian�as...

...no Vietname.

Mas aquilo era a porra duma guerra!

Mas isto? Nunca fiz nada como isto.

Meu Deus!

Aqui estou eu, a carpir m�goas...

...com um de meus arqui inimigos.

A verdade �...

A verdade � que �s a coisa mais pr�xima de amigo que tenho. O que raio significa?

Merda.

E o teu nome... o teu nome estava na lista.

Junto com a Janey, ou como raio se chama ela.

A antiga namorada de Manhattan.

M�e, perdoa-me.

E depois foi-se embora.

Juro que n�o sei de que raio estava ele a falar.

Uma hist�ria engra�ada. Parece inacredit�vel.

- Se calhar � verdadeira. - Ent�o, ficamos assim?

Estou... limpo?

Tu? Limpo?

"Amygdaline", medicamento contrafeito � base de caro�os de damasco. � ilegal.

V� l�...

Olha, por favor... n�o confisques isso...

Eu... eu estou a experimentar tudo.

- Eu tenho cancro. - Que tipo de cancro?

Conheces aquele tipo que pode ter cura?

N�o � o tipo do meu.

Di�rio de Rorschach, 16 de Outubro.

Queres um pouco disto? $50, eu chupo-te o pau.

Pensei na hist�ria do Moloch. Podia ser tudo mentiras.

Um esquema de vingan�a planeado durante os anos passados atr�s das grades.

Vai-te lixar!

Fa�o mais dinheiro numa semana que tu num ano, maricas.

Mas se for verdade,

o que poderia assustar o Comediante a ponto de chorar em frente ao Moloch?

O que foi que ele viu? E aquela lista que ele mencionou?

Edward Blake "O Comediante".

Nascido em 1918.

Enterrado na chuva. Assassinado.

� isto que acontece connosco?

N�o h� tempo para amigos?

Apenas os nossos inimigos deixam rosas.

Vidas violentas acabando violentamente.

O Blake compreendeu.

Os humanos s�o selvagens por natureza.

Por mais que se tente dissimular, disfar�ar.

O Blake viu a verdadeira face da sociedade.

Escolheu ser uma par�dia dela.

Uma piada.

Uma vez ouvi uma piada:

Um homem vai ao m�dico e diz que est� deprimido.

Que a vida lhe parece dura e cruel.

Que se sente sozinho num mundo amea�ador.

O m�dico diz: "O tratamento � simples."

"O grande palha�o Pagliacci est� na cidade. V� v�-lo."

"Isso ir� anim�-lo."

O homem desfaz-se em l�grimas:

"Mas, doutor", diz ele,

eu sou o Pagliacci."

Boa piada. Todos se riem.

Toca o tambor. Cortinas.

- Hey, Bernie! - Sim?

D�s-me uma revista Time?

- Claro. - Quanto queres por ela hoje?

Para ti dois dolares.

Duas dolares. Subiu?

Aqui est�. Obrigado.

Ei, eu gostei do seu livro.

Oh, obrigado, Bernie. Fico feliz.

Quando despertei, deparei comigo numa l�gubre cabe�a-de-ponte,

... com os meus homens.

Peda�os dos meus homens.

Era tudo o que podia fazer por ela...

... apesar de ela me ter guiado por mares de sangue.

O seu abra�o h�mido impediu-me de vaguear para longe,

No entanto, este pequeno conforto era tudo o que podia oferecer...

Um membro da minha tripula��o jazia adiante.

P�ssaros comiam os seus pensamentos e mem�rias.

Afastem-se!

Afastem-se.

No Inferno, pelo menos as gaivotas est�o satisfeitas.

Da minha parte, eu implorava que me levassem os meus olhos.

Poupando-me assim de futuros horrores.

A que horas tens a entrevista?

N�o te preocupes, temos muito tempo.

O teu dedo � como lamber uma pilha.

Deus, Jon! P�ra! O que est�s a fazer?

Por favor, n�o te zangues. Sempre achei que gostavas disto.

N�o!

Eu n�o... sei...

Eu n�o quero... isso.

J� n�o sei o que te excita.

Olha, eu sei que estavas s� a experimentar...

Est�s a trabalhar aqui enquanto est�vamos juntos na cama?

O meu trabalho com Adrian entrou numa fase crucial.

- N�o achei que fosse preciso... - O qu�?

O qu�? Dizer-me qual de voc�s estava a dar-me uma queca "por pena"?

A minha aten��o estava totalmente centrada em ti.

Se achas que h� algum problema com a minha atitude, estou disposto a conversar.

Sabes que neste mundo tudo se encaixa menos as pessoas.

O que sou eu para ti? Outro puzzle para ser resolvido?

Pe�a aos seus homens para se afastarem. Estou a teletransportar o reactor

para Karnak agora. �s o meu �ltimo v�nculo com o mundo.

J� n�o quero essa responsabilidade.

Ele � todo teu.

N�o te preocupes, Jon. Ela voltar�.

N�o, n�o vai.

J� lhe chamaram muitas coisas:

her�i, arma, o homem suporte da nossa seguran�a nacional

dissuasor da guerra nuclear,

ou um homem para destruir mundos.

Esta noite, o Dr. Manhattan responder� �s minhas perguntas,

e �s vossas numa exclusiva entrevista trazida a voc�s

sem intervalos pelas empresas Veidt.

- Quem �? - � a Laurie.

Desculpa. Pus h� pouco esta fechadura nova.

- N�o sabia mais para onde ir. - N�o faz mal. Entra.

- O que se passa? - Deixei o Jon.

Deus! Lamento muito.

N�o sei porque estou aqui, � que eu...

...n�o conhe�o mais ningu�m.

N�o conhe�o ningu�m excepto malditos super-her�is.

Est� tudo bem. Provavelmente s� tiveram uma discuss�o ou assim.

N�o! Dan, tu n�o sabes como � viver com ele.

Agora ele olha para as coisas como n�o se lembrasse o que s�o.

� como se este mundo... este...

O mundo real para ele � como atravessar uma neblina.

E as pessoas s�o somente... sombras.

Sombras num nevoeiro.

Deus, como ficou tudo t�o complicado?

Desculpa, Dan. � a segunda vez que estrago a tua noite.

Ent�o? Fico feliz que tenhas aparecido.

Eu ia apenas ter com o Hollis para a nossa sess�o semanal de cerveja.

Gostarias de vir?

Na verdade, eu insisto.

Espantoso! O Dr. Manhattan chega e ningu�m me avisa!

- Ele acabou de... - N�o temos tempo para maquilhagem.

Aquele azul � claro demais para a televis�o.

Est� escuro o suficiente?

Sim... est� o suficiente.

Tem o peso do mundo nos ombros, vai desistir? N�o, aceita-o.

A imprensa noticiosa dificulta sempre. S�o o...

Meu Deus, a� vem aquele sem abrigo de novo.

J� te disse, a edi��o deste m�s ainda n�o saiu.

Porque te importas com aquela porcaria da ala conservadora?

Aqueles sacanas est�o-se a lixar para ti. Espera, est� a chegar.

- Seymour. - Bernie, como vai isso?

Bem, bem.

Talvez dev�ssemos apanhar um t�xi. Estes s�o bairros maus.

Pois, bem, estou mal humorada.

- Mi�da! - O que temos aqui?

Aqui est� a lista de assuntos a evitar aprovadas pelo Pent�gono.

Com certeza falar�o no Afeganist�o, mantenha-se calmo,

e procure n�o cair em rasteiras.

Um f�sico afamado que atrav�s dum terr�vel acidente

ficou com poderes extraordin�rios.

Sendo capaz de moldar a mat�ria � sua vontade.

Hoje o mundo conhece-o como Dr. Manhattan. Bem-vindo!

Obrigado.

� isso mesmo.

Sra. Black, a primeira pergunta � sua.

Dr. Manhattan, como sabe, o rel�gio do ju�zo final

simboliza a proximidade da humanidade face � extin��o.

A meia-noite representa a amea�a da guerra nuclear.

Neste momento marca quatro minutos para a meia-noite.

Concorda que estamos assim t�o pr�ximos da destrui��o?

O meu pai era um relojoeiro.

Deixou de o ser quando Einstein descobriu que o tempo � relativo.

Concordaria que um rel�gio simb�lico � t�o necess�rio ao intelecto

tal como uma foto de oxig�nio � �til a um homem que se afoga.

Ent�o est� a dizer que n�o existe perigo?

Mesmo num mundo sem armas nucleares, ainda haveria perigo.

O que pensa sobre o que muitos alegam que,

voc� � na verdade um Deus.

Dado que pode ver o passado e o futuro simultaneamente.

Apenas consigo ver o meu passado,

e o meu futuro.

N�o sou omnisciente.

Doug Roth, a sua pergunta.

Por falar no seu passado Dr. Manhattan, lembra-se dum homem chamado Wally Weaver?

Sim.

�ramos ambos f�sicos no Centro de Pesquisas Fletcher.

- Ele morreu de cancro. - Era um bom homem.

E o Edgar Jacobi? Conhecido pelo super vil�o Moloch?

Encararam-se v�rias vezes nos anos 60. Lutas, conflitos.

Sabia que ele tamb�m tem cancro?

N�o tinha conhecimento.

E em rela��o ao General Anthony Randolph?

Era o seu elo, quando come�ou a trabalhar para o governo.

Cancro.

Est� a sugerir que eu fui a causa?

Do meu ponto de vista, parece-me bastante �bvio.

Mesmo que assim seja � irrelevante.

Um corpo humano vivo e um corpo morto possuem o mesmo n�mero de part�culas.

Estruturalmente, n�o h� diferen�as.

Certo. Acalmem-se, por favor.

E � Janey Slater?

- Acha que a ela faz diferen�a? - Janey?

A sua ex-namorada? Que tamb�m era cientista?

- Conviveram durante onze anos. - Doug, uma pergunta de cada vez!

Ela tamb�m tem cancro. Os m�dicos deram-lhe seis meses.

N�o � verdade, Sra. Slater?

Eras o mundo para mim, Jon.

Eras toda a minha vida.

Lembras-te quantas vezes disseste que me amavas?

- Janey, eu n�o tinha conhecimento. - Eu fiquei do teu lado ap�s o acidente!

Dei-te tudo.

- � assim que me agradeces? - Janey, ningu�m me disse. N�o sabia.

Maldito sejas, Jon! Maldito sejas!

Janey! Espera!

Basta! Esta entrevista acabou!

Desliguem essas c�maras! Afastem-se todos!

Afastem-se todos! Ajudem-me aqui! Larguem-no!

Por favor.

Importam-se de sa�rem todos

e deixar-me em paz.

Eu disse: Deixem-me em paz!

Jesus!

N�s...

...a sermos assaltados!

Vamos!

Estou a tremer.

Sabes o que mais?

Estou exausta. A minha noite fica-se por aqui.

De certeza que n�o queres passar pelo Hollis comigo...

...e sacudir a adrenalina?

J� tive a minha dose de her�i por uma noite.

Ajudou teres-me ouvido.

Sempre que queiras.

Fica bem, Dan.

H� um mundo dif�cil l� fora.

At� � vista!

Pensei na minha fam�lia...

... na minha esposa, nas minhas filhas.

Vulner�veis, desprevenidas...

Esperando o meu regresso, apenas para encontrarem a dana��o...

... abatendo-se sobre elas.

Aqui!

Aqui!

Ridley.

Uma vela.

Ridley trouxe-me uma vela.

Talvez esta pudesse ser a minha via de regresso a Davidstown.

Tudo o que eu amava, tudo aquilo por que vivi, dependia de alcan�ar o lar...

... antes daquele terr�vel cargueiro.

O sol da manh� n�o me encontrou menos perturbado.

Ao longo da costa...

... alguns membros da tripula��o tinham sido inflados com o g�s.

Estremeci com a minha pr�pria ideia, tentando banir este pensamento repulsivo

Mesmo na morte, eles procuravam cumprir o seu dever...

... tornando a nossa embarca��o mais flutuante.

E eu cumpriria o meu dever de os fazer regressar a casa.

Perturbando grosseiramente o descanso eterno dos meus homens

e dispondo-os na cama que preparei,

rogava para que a minha esposa e filhas fossem carregadas por m�os mais gentis,

... quando chegasse a vez delas.

Devemos regressar a casa juntos, meu amigo.

Esperei pela mar�.

Depois, embarquei, em direc��o a Este.

Este, atrav�s do mar nocturno.

Este, sobre as costas de homens assassinados.

A esperan�a pode ser algo terr�vel.

Com a alvorada, vieram as gaivotas, procurando um pequeno-almo�o.

Ridley.

Sai.

Fui lembrado de que eu pr�prio n�o tinha comido.

Eu sei... n�o � apetitoso, mas... � tudo o que temos.

Ele foi-se embora!

- Foi-se embora! - Quem � que se foi embora?

- Dr. Manhattan. - O qu�? O que � que disse?

Dr. Manhattan foi-se embora, ele abandono-nos.

O qu�? Foi para onde?

Est�s atrasado.

Eu sei, eu sei. Nem vais acreditar no que aconteceu.

O Dr. Manhattan perdeu o controlo em directo na TV.

Espera, o qu�?

Eu estava com a Laurie. Ela n�o sabe.

Vai ficar a saber depressa. O mundo inteiro vai saber.

Eu disse: Deixem-me em paz!

Estou a olhar para as estrelas.

Est�o t�o distantes,

E a luz delas demora tanto a alcan�ar-nos.

Tudo que vemos das estrelas s�o fotografias antigas.

Estamos em Julho de 1959 e estou apaixonado.

Ficou impec�vel!

Pode vir busc�-la amanh�?

- S�o 75 c�ntimos. - Obrigado.

Gostava que ele tivesse feito um sinal. N�o sei se fiquei bem.

N�o, tenho a certeza que ficaste linda.

O nome dela � Janey Slater.

� uma cientista tal como eu.

Tenho 30 anos de idade.

Fomos apresentados por um meu amigo da universidade, Wally Weaver.

A 12 de Fevereiro de 1981, o Wally morre de cancro.

O qual dizem agora, que foi causado por mim.

Naquela noite, a Janey e eu fazemos amor pela primeira vez.

Daqui a um m�s, espera-me o acidente.

Eu j� os apanho. Acho que me esqueci do rel�gio.

Vamos esperar um pouco.

Atravesso a sala at� ao interior do campo intr�nseco.

Encontro o meu rel�gio.

Quando chego � porta... o Wally come�a a ficar p�lido.

O programa fechou a porta. N�o � poss�vel abrir durante o mesmo.

Eu estou aterrorizado.

Jon?!

Perdoa-me Jon, mas n�o consigo...

Janey, n�o me deixes! N�o me deixes!

� a 12 de Maio de 1959, quando sou apresentado � Janey.

Ela paga-me uma cerveja. � a primeira vez que uma mulher me fez isso.

Enquanto passa-me a caneca gelada,

os nossos dedos tocam-se.

Sim, Jon. Boa.

Agora � s� uma quest�o de voltar a montar os componentes numa sequ�ncia correcta.

Sinto medo pela �ltima vez.

Um funeral simb�lico � realizado. N�o h� nada para enterrar.

A Janey emoldura a foto.

� a �nica foto que algu�m tem de mim.

Um sistema circulat�rio � visto perto da cerca de seguran�a.

Alguns dias depois...

...um esqueleto com musculatura parcial � visto num corredor...

...e grita por uns instantes antes de desaparecer.

Meus Deus! Jon?

�s tu?

Na��es por todo o mundo continuam espantadas com a not�cia desta manh�.

Possivelmente o acontecimento mais importante da hist�ria recente.

Repetimos: o Super-Homem existe e � americano.

Chamam-me Dr. Manhattan.

Explicam-me que o nome foi escolhido

devido � associa��o do nome ser intimidadora para os inimigos dos E.U.A..

Os tipos da publicidade dizem que preciso dum log�tipo.

Se tenho que ter um s�mbolo...

...que seja um que respeito.

Est�o a tornar-me em algo vistoso.

Em algo letal.

Em Janeiro de 1971,

o Presidente Nixon pede-me para intervir no Vietname.

Algo que os seus antecessores n�o pediriam.

Uma semana depois acaba o conflito.

Algumas das for�as vietcongues quiseram render-se a mim pessoalmente.

Hollis Mason, um her�i mascarado aposentado escreve um livro.

No qual apelida o meu surgir de: "A alvorada do Super-Her�i".

N�o tenho a certeza se sei o seu significado.

Naquela altura fui mal interpretado.

Nunca disse que o Super-Homem existe e que � americano.

O que disse foi: "Deus existe... e ele � americano".

Se come�ar a ter uma sensa��o intensa e esmagadora

de terror religioso com este conceito, n�o se assuste.

Apenas quer dizer que voc� ainda est� s�o.

Estamos no Natal de 1963.

A Janey diz-me que est� com medo e preocupada.

Diz que agora eu sou como um Deus.

Eu respondo que n�o creio que Deus exista.

E se existe n�o serei parecido com ele.

Digo-lhe que ainda a desejo.

E que sempre a desejarei.

Minto-lhe a 4 de Setembro de 1970.

Estou numa sala cheia de pessoas com disfarces.

Uma mulher muito jovem olha para mim e sorri.

� linda.

Ap�s cada beijo longo,

d� um menor e mais gentil nos meus l�bios.

Como uma rubrica.

A Janey acusa-me de perseguir mi�das.

Desfaz-se em l�grimas de raiva e pergunta-me se � por estar a envelhecer.

� verdade.

Est� a envelhecer de forma vis�vel a cada dia.

Enquanto eu permane�o igual.

Prefiro a tranquilidade daqui.

Estou farto da Terra. Destas pessoas.

Farto de ser atingido pela complica��o das suas vidas.

Alegam que se esfor�am por construir um para�so,

contudo o seu para�so � povoado por horrores.

Talvez o mundo n�o seja criado.

Talvez nada seja criado.

Um rel�gio sem um artes�o.

� tarde demais. Sempre o foi.

Sempre ser�...

...tarde demais.

E n�o faz ideia para onde teria ido.

Como poderia saber?

Est� provavelmente no outro lado do mundo a estudar mol�culas ou assim.

Os nossos sat�lites varreram o planeta inteiro.

- N�o h� rasto da sua energia algures. - A s�rio?

Menina J�piter, teve uma discuss�o com o Dr. Manhattan hoje?

- N�o lhe diz a porra de respeito algum. - Diz, quando recebe do governo

e n�o faz o que lhe compete.

� o mais perto da palavra "rameira" que vai ficar comigo, Agente Forbes.

Um cigarro? Pe�o-lhe desculpa, menina J�piter.

Sabe o quanto importante � o Dr. Manhattan para a seguran�a nacional.

- Consegue entender a nossa preocupa��o. - Consigo entender.

Nada ter� import�ncia porque assim que as ogivas voarem, ficaremos todos em p�.

E aqui o nosso Ozymandias, ir� ser o homem mais inteligente nas cinzas.

Laurel? Laurel Jane?

�s a filha da Sally J�piter.

E tu o Comediante, certo?

- Foste excelente l� dentro. - Sabes, a tua m�e...

...foi uma das campe�s da beleza de sempre.

Tens os olhos dela, sabes? At� o mesmo sinal engra�ado.

- Tiras as m�os de cima dela. - Ol� boneca. H� quanto tempo.

N�o o suficiente para mim, Eddie. Entra no carro.

- N�o h� limites para ti? - Por Jesus Cristo, Sally.

J� n�o se pode falar com a sua...

...com a filha da sua velha amiga? O que raio pensas que eu sou?

Encontramo-lo!

- Encontramo-lo! - Onde est� ele?

Em Marte.

Sr. Presidente, os sovi�ticos moveram os seus tanques

para perto da fronteira afeg�.

Est�o a testar-nos para ver se

simul�mos o desaparecimento do Dr. Manhattan para,

persuadi-los a sa�rem de l�.

Se se aperceberem que n�o � a fingir. Provavelmente come�ar�o ataques a�reos.

Se assim for, controlar�o o Afeganist�o numa quest�o de dias.

E o grupo de cientistas nucleares "C�o de Guarda",

acertaram o rel�gio do dia do ju�zo final

para dois minutos antes da meia-noite.

Tirem esta merda do ecr�!

Quem s�o estes parvalh�es para dizer quando chega o dia.

Eu � que digo quando chega o dia!

Agora, passemos adiante.

E em rela��o aos restantes pa�ses do pacto de Vars�via?

A Checoslov�quia, Pol�nia e Alemanha de Leste mobilizaram as suas for�as.

Mas ainda sem movimenta��es. Est�o no "esperar para ver".

A deixarem que a Russos assumam o comando.

Atitudes fortes, Henry. � o que � preciso neste momento.

N�o podemos deixar aqueles merdosos pensarem que estamos fracos.

Sim. Devem recear o "maluco" do Nixon.

Estaremos prontos para um ataque preventivo em quanto tempo?

Dois dias.

Temos 54% de hip�tese de arrasar toda a URSS

antes que consigam lan�ar os m�sseis.

Quais seriam as nossas baixas?

Segundo estimativas conservadoras de quantas ogivas podemos destruir

antes do impacto, iremos perder toda a costa leste.

O �ltimo arfar...

...da institui��o de Harvard.

Vejamos como pensam ficar fora da fiss�o.

Pela antevis�o dos padr�es do vento, a radia��o ir� para o sul.

O M�xico ser� a zona mais afectada.

A maioria da zona agr�cola n�o dever� ser afectada.

Nada mau. Vistas as circunst�ncias.

Sr. Presidente, o que pretende fazer?

Passemos a DEFCON 2. Comecem a abastecer os bombardeiros.

O Dr. Manhattan tem dois dias.

Depois disso,

a humanidade estar� nas m�os duma autoridade maior que eu.

Esperemos que esteja do nosso lado.

- Deve haver forma de contact�-lo. - Desculpe.

- Transmiss�o por r�dio, vaiv�m. - Desculpe!

- O que se passa? - Preciso de ir ao W.C..

N�o entende?

A �nica coisa que pode trazer o Jon � o Jon.

Se ele quiser encontrar-me, encontra.

Estive prisioneira na minha vida demasiado tempo.

Sem o Dr. Manhattan para empurrar os russos para a paz, Sr. Veidt,

o povo vai precisar de contar com a energia � moda antiga.

O Sr. compreende.

O mundo n�o pode desistir do petr�leo e da energia nuclear

sem mais nem menos.

Destruiria toda a nossa economia num �pice.

Tens raz�o, Lee. Ele quer energia gratuita.

Bem, gratuita � mais um sin�nimo de socialista.

Talvez tenhamos de fazer uma investiga��o p�blica para verificar

as suas poss�veis liga��es comunistas.

Sr. lacocca, senhores,

eu respeito a vossa posi��o,

e o que alcan�aram enquanto empres�rios.

Querem conhecer o meu passado?

Com todo o gosto.

� p�blico o facto que aos 17 anos ambos os meus pais morreram.

Deixando-me sozinho.

Pode-se dizer que estive sempre sozinho.

Dizem que sou o homem mais inteligente do mundo,

mas na realidade senti-me muitas vezes est�pido.

Por ser incapaz de me relacionar com algu�m.

A algu�m vivo, quero eu dizer.

A �nica pessoa por quem senti afinidade morreu 300 anos antes do nascer de Cristo.

Alexandre da Maced�nia ou, Alexandre "O Grande" como � conhecido.

A sua vis�o dum mundo unido era...

...bem, era sem precedentes.

Eu queria... precisava igualar os seus feitos

por isso decidi aplicar conhecimentos antigos no nosso mundo actual.

Deste modo iniciei o meu caminho para a conquista.

N�o a conquista dos homens,

mas dos males que os perseguem.

Combust�veis f�sseis, petr�leo, energia nuclear,

s�o como uma droga, e os senhores neste caso s�o os traficantes.

- Oi�a l�! - N�o...

Oi�am os senhores,

O mundo ir� sobreviver,

e merece mais do que os senhores foram capazes de lhe dar.

Por isso deixemo-nos de floreados.

A minha empresa vale mais do que as vossas podem comprar juntas.

Posso compr�-los e vend�-los tr�s vezes. Algo que deviam considerar antes

de decidirem levar a nossa...

...disc�rdia... a p�blico.

Acho que sabem o caminho da rua.

Senhores.

O pessoal dos brinquedos quer falar consigo sobre novos vil�es

para a linha de Ozymandias. Parece que todos os vil�es antigos morreram.

- Sr. Veidt? - Acho que tenho algumas ideias.

Sr. Veidt?

Creio que come�amos com o p� errado.

Ele tem uma c�psula de veneno!

N�o a mordas, filho da m�e! Quem te enviou?

Eu quero um nome. D�-me um nome!

- P�lula de suic�dio. - Cianeto de pot�ssio.

- O tipo morreu antes de cair no ch�o. - Obrigado.

Ent�o o Rorschach tinha raz�o.

N�o foi um doido solit�rio. � uma organiza��o.

Bem financiada, bem equipada.

Mas quem iria querer matar-nos agora?

N�o sei. Mas n�o estamos seguros.

- Nenhuma not�cia do Jon? - N�o.

Bem, escuta,

porque n�o ficas na minha casa?

N�o, eu...

� muito gentil mas eu n�o dar-te trabalho.

Nada disso. Pensa apenas que me est�s a fazer um favor.

Assim n�o me irei incomodar de l� estares.

Est� bem.

Di�rio de Rorschach: 21 de Outubro de 1985.

�s 14:37h, vi o Dreiberg e a J�piter a sa�rem do restaurante.

N�o me reconheceram sem a minha m�scara.

Um caso amoroso?

Ser� que partiu o cora��o do Manhattan para fabricar o seu ex�lio?

Para abrir caminho ao Dreiberg?

Ser� que o Manhattan tem ao menos um cora��o para ser partido?

O beco estava frio, deserto.

As minhas coisas estavam onde as deixei, � minha espera.

A minha gabardina, os meus sapatos e as minhas luvas imaculadas.

A minha cara.

Aos p�-los, abandonei o meu disfarce...

...passando a ser eu.

Livre de medos ou fraquezas...

...ou lux�rias.

Ao fundo do beco...

...ouvi gritar uma mulher.

O primeiro som do coro nocturno da cidade.

Tentativa de viola��o.

Assalto.

Ambos.

O homem virou-se...

...e havia algo recompensador nos seus olhos.

Por vezes a noite � generosa comigo.

O assassino de Veidt era um marginal local chamado Roy Chess.

Encontrei pistas no seu apartamento.

Parece que trabalhava na Pyramid Transnational.

J� tinha visto o log�tipo antes. Na casa de Moloch.

Algu�m tentou eliminar o homem mais inteligente do mundo, Moloch.

O tipo trabalhava para a Pyramid Transnational.

Imagino que seja mais que uma empresa de transportes.

Da �ltima vez que aqui estive, vi um cheque dessa mesma empresa.

Acho que � uma fachada para quem quer, n�s os mascarados mortos.

N�o mintas mais, Moloch. Quem manda na Pyramid?

Rorschach! � a pol�cia! Sabemos que est�s a�.

N�o! N�o!

Se estiver algu�m a� contigo, manda-o sair ileso!

N�o! N�o, n�o, n�o!

Ca�ste na armadilha! Est�pido! Est�pido! Est�pido!

Nunca! Nunca te rendas.

- Espero que estejas preparado, her�i. - Quando estiveres.

Um.

Dois.

Tr�s.

- Apanhem-no! - Andem l�!

- Cristo! Ele cheira mal! - Tirem-lhe essa m�scara!

A minha face! Devolvam a minha face!

...Rorschach foi detido e identificado como Walter Kovacs.

Um homem branco de 35 anos.

Ainda pouco se sabe sobre Kovacs

mas foi acusado da morte de Edgar Jacobi,

encontrado morto com um tiro na cabe�a na sua casa no Bronx.

V�rios pol�cias ficaram feridos e a casa de Jacobi ficou em chamas

durante o curso da captura...

Rorschach! Vou comer-te como comi a tua m�e!

Sabia que este tipo era passado.

Mas Rorschach?

Normalmente tenho intui��o para estas coisas.

- Achava o mais alto. - � para veres...

- Nunca se sabe. - Ei, d�-me a Gazeta.

Aqui. Est� a ver este? Era meu cliente.

- Vinha aqui o tempo todo. - A s�rio?

Ent�o Bernie, boas not�cias?

Quem quer que sejamos, onde quer que moremos,

a nossa exist�ncia depende de caprichos de assassinos.

Mal reconheci o meu velho amigo Ridley.

N�o conseguia dizer-lhe que ele era um reflexo horr�vel...

... do seu antigo eu.

Tenho mesmo de o levar a casa antes... antes que ele fique pior.

Antes que ele sucumba.

Ouvi dizer que, com menos de um copo de �gua salgada por dia,

um homem pode sobreviver.

Capit�o?

O que est� a fazer, capit�o?

Estou a ir para Davidstown. � isso que estou a fazer.

Tenho de avisar toda a gente.

Acha que vai alcan�ar Davidstown antes do Cargueiro Negro?

O isolamento levou-o � loucura. Verdadeira loucura.

Mas temos de tentar.

Voc� � um tolo.

S� voc� sobreviveu ao ataque do cargueiro.

A sorte sorriu-lhe e voc� cospe-lhe na cara.

Vire a sua desprez�vel embarca��o e afaste-se, para bem longe...

N�o. N�o, a minha fam�lia. Eu tenho de os proteger.

O Cargueiro Negro j� l� est�.

A sua esposa, morta.

- As suas filhas, mortas. - Cale-se.

Voc� falhou para com a sua fam�lia como falhou com a sua tripula��o.

Vai acabar morto como eles. Vai dar a sua vida em v�o.

Dou a minha vida de forma nobre.

Mesmo que falhe, tomarei consolo no facto de reencontrar...

... a minha fam�lia no C�u.

C�u.

Oh, o C�u n�o existe, Capit�o.

Acredite em mim, senhor.

Por esta altura, eu j� saberia.

Walter Kovacs. � este o seu nome?

Deixe-me explicar a sua situa��o, Walter.

Se cooperar comigo, talvez possa convenc�-los

que deve receber tratamento m�dico

num hospital. Creio que seria bom para si.

Mas as autoridades querem deix�-lo...

com os outros detidos em geral.

Uma pris�o � uma pris�o.

Sim.

A diferen�a � que ali fora...

...ir�o come-lo vivo.

Voc� � o respons�vel por muitos deles estarem aqui, Walter.

Diga-me o que v�.

Uma linda borboleta.

E agora, o que v� aqui?

M�e, ele est� a magoar-te?

Est� um raio dum mi�do aqui. Disto j� eu tenho em casa.

Bastardo! Devia ter feito aquele aborto!

Algumas flores bonitas.

Ouvi dizer que a m�e deste gajo � uma rameira.

Ela pegou-te alguma doen�a?

Filho da m�e?

Est�s a ouvir-me, tot�?

Achas que ela faz-me um "bico" por 1 d�lar?

Nuvens.

Fale-me sobre o Rorschach. Por que voc� faz isso, Walter?

Continua a chamar-me Walter. Eu n�o gosto de si.

Voc� n�o gosta de mim. Certo. Porqu� exactamente?

Voc� � gordo.

Rico e, de tend�ncias liberais.

Aquilo a que chama compaix�o.

O desejo de proteger e compreender os culpados,

esta sociedade podre, chama-lhe reabilita��o.

- Uma atitude cheia de vergonha. - � vergonhoso querer-lhe o bem?

Est�o aqui outros homens com um comportamento pior que o meu, Doutor.

� claro, n�o s�o famosos, pois n�o?

Quer conhecer o Rorschach?

Vou falar-lhe sobre o Rorschach.

Uma vez visto o lado mais obscuro da sociedade

j� n�o se lhe pode virar as costas.

Nunca fingir, como voc� faz...

...que n�o existe, sem importar quem manda n�o olhar.

N�o fazemos esta... coisa porque � permitido...

...fazemo-lo porque somos obrigados.

Fazemo-lo porque somos coagidos.

Eu estava a investigar um caso de sequestro.

Blaire Roche, uma menina de seis anos.

Era um jovem na altura. Demasiado brando com os marginais.

Deixava-os viverem.

Parti o bra�o dum homem para conseguir uma pista,

que me levou ao local onde estava a menina.

Sabia que a menina estava aqui.

Mas quando revistei o local n�o vi nada.

E de repente encontrei-a.

Fred!

Barney!

Qual vai ladrar pelo paizinho?

Estava escuro quando o assassino voltou.

Escuro como tudo.

Meu Deus! Quem est� a�? Quem �?

Quem �?

O qu�? Mas que raio? Mas quem raio �s tu?

Mas que raio queres tu?

Mataste os meus c�es, meu!

Achas que tive alguma coisa a ver com aquela menina?

Eu achei aquilo!

Que prova � que tens? Isso n�o � nada!

Est� bem.

Eu confesso.

Eu raptei-a. Eu matei-a.

Prende-me.

O que �? Prende-me! Fui eu! J� disse que o fiz!

Cristo!

Olha, eu tenho um problema, meu. Leva-me preso, porra! Eu preciso de ajuda!

N�o! N�o o fa�as! N�o fa�as isso!

Leva-me preso! N�o o fa�as! N�o!

Os homens s�o presos.

Os c�es s�o abatidos.

Os tremores dos impactos fizeram o meu bra�o vibrar.

Sangue quente espirrou-me para a cara.

O quer que restava de Walter Kovacs morreu com a menina naquela noite.

Da� em diante s� existia o Rorschach.

Percebe, Dr., Deus n�o matou aquela menina.

N�o foi a sorte que a esquartejou, nem o destino que a deu aos c�es.

Se Deus viu o que fizemos naquela noite, n�o pareceu importar-se.

Daquele momento em diante, passei a saber:

"Deus n�o faz o mundo desta forma."

N�s fazemos.

N�o consigo ajud�-lo!

Rorschach! �s muito famoso, n�o �s?

Sabes, eu tamb�m sou muito famoso. N�o � assim?

- � isso mesmo. - Pois �.

Talvez te possa dar um aut�grafo.

O que achas, rapaz�o?

Ningu�m de voc�s parece entender. Eu n�o estou preso aqui com voc�s.

Est� bem, j� chega!

Voc�s � que est�o presos aqui comigo!

Laurie!

Merda!

- Aguenta! - Porra!

Deixa, deixa, deixa!

Desculpa. Estava a bisbilhotar e devo ter apertado o bot�o errado.

- Est�s ferida? - N�o, estou bem.

- Sinto-me t�o culpada. - N�o te preocupes.

J� aconteceu antes. O Comediante fez o mesmo em 77.

A Archie sobreviveu a isso.

Archie?

A abreviatura de Arquimedes. A coruja de estima��o do Merlin.

Uma alcunha idiota.

Como conseguiste comprar isto tudo?

Bem, o meu pai trabalhava na banca e deixou-me muito dinheiro quando morreu.

O que sempre me surpreendeu. Refiro-me, ele era...

Acho que ficou desiludido porque entrei na luta contra o crime

ao inv�s de segui-lo.

Acho que estava mais interessado em...

p�ssaros e avi�es, mitologia e...

E ainda, haviam tipos o suficiente nisto por isso n�o me sentiria rid�culo.

- Como o Hollis. - Sim.

Sim, ele era o meu her�i.

Lembro-me da primeira vez em que o conheci, eu...

...senti uma enorme liga��o, sabes?

A algo que tinha import�ncia.

Deve ser bom ter uma identidade secreta.

Um lugar secreto que ningu�m conhece, onde...

...possas vir e passar algum tempo sem ningu�m a vigiar-te.

Sem ningu�m a observar-te.

Queres experiment�-los?

Aqui vai.

S�o um espect�culo!

Amplificam o alcance espectral.

Imagem t�rmica.

Funcionam melhor ainda no escuro.

Consegues ver-me, certo?

Consigo ver tudo.

Lembro-me que, por mais escuro que ficasse,

sempre que olhava atrav�s desses �culos, ficava tudo claro como de dia.

Deve ser assim que o Jon v� o mundo.

Talvez dev�ssemos subir. A comida est� a arrefecer.

Guarda-os quando terminares.

O embaixador sovi�tico na O.N.U. n�o comentou

quando inquirido se o desaparecimento do Dr. Manhattan

impulsionou a agress�o sovi�tica no Afeganist�o.

Dan.

O Jon v� muitas coisas.

Mas n�o me v�.

Bem, eu...

Desculpa.

Vem c�!

Qual � o problema?

- Se pudesses mover-te um pouco... - Est� bem.

Pronto, j� est�!

Dan, o que se passa?

Desculpa, eu...

...preciso dalguns minutos.

Ora bolas!

N�o faz mal.

Talvez estiv�ssemos... a avan�ar depressa demais.

Temos todo o tempo do mundo.

Vamos avan�ar com calma.

J� l� vai muito tempo, Rorschach.

Grande Figura. Mundo pequeno.

Gostei dessa. Mas sabes, � mesmo um mundo pequeno aqui.

E j� estou nele h�... quanto tempo, Lloyd?

- H� quase 15 anos, Sr. Figura. - Isso mesmo.

15 anos desde que tu e aquele Coruja me prenderam.

Portanto...

Rorschach, o tipo que queimaste est� a morrer. Pode ir a qualquer momento.

Pelas minhas contas, est�o c� mais de 50 pessoas que prendeste.

Tenho falado com todas e est�o desejosas para ficar com um peda�o teu.

Este lugar vai explodir!

Ap�s isso, vais morrer �s polegadas.

Tarefa dif�cil.

Vou abrir neste gajo um buraco novo!

Acalma-te Lawrence. Em breve.

Vamos.

Saibam disto, meus amigos.

Hades � molhado.

Hades � solit�rio.

E, naquele instante, conhecemo-nos.

Lamento, meu amigo.

A minha jangada estava cada vez mais grotesca,

... reflectindo a minha pr�pria transforma��o.

� deriva e faminto, os meus temores mais sombrios avolumavam-se...

... espalhando-se do c�rebro ao cora��o como tinta preta,

... imposs�vel de remover.

O navio j� teria certamente alcan�ado Davidstown.

Imaginei as ruas calmas de Davidstown invadidas pelos dem�nios do cargueiro.

A minha mulher, as minhas filhas, quase de certeza mortas.

A minha tripula��o, morta.

A besta onde estava montado, morta.

Mais sangue, mais sangue, mais sangue.

Pai?

N�o pode ser. Oh, Senhor, n�o pode ser.

Pai, ajude-nos. Por favor.

Espera.

Estou a chegar.

Lamento minha querida.

Esperem. Todos menos elas.

Todos.

Tinha engolido demasiada �gua do mar.

Tinha engolido demasiado horror.

Deus condenou-me.

Deus condenou-nos a todos.

Na verdade, a vida � um inferno

e a m�o abrupta da morte a nossa �nica liberta��o.

N�o consigo aguentar mais.

Quero desesperadamente juntar-me � minha fam�lia.

Yo, meu.

O que � que est�s a ler?

Nada.

- Nada, �? - Ei, ei! Deixem o mi�do em paz!

Cala a boca, velhote!

Est�s a ler comics? �s atrasado?

Aonde pensa que vai, baixinho?

Dan?

Est� tudo bem?

Estou farto de ter medo.

Medo da guerra.

Medo do assassino de mascarados.

Medo deste maldito fato.

E de quanto o necessito.

Tamb�m eu.

Que se lixe. Vamos sair com a Archie.

A s�rio?

Eu tamb�m era uma vingadora mascarada, lembraste?

Estou habituada a sair �s 3 da manh� e fazer algo est�pido.

Inc�ndio r�pido. Alerta, a todas as unidades.

Apartamento em chamas na 5� e Grand. Inc�ndio r�pido.

Vamos!

- Consigo v�-lo! - Segura-te.

Dan, est�o mi�dos l� dentro!

Fiquem todos onde est�o e mantenham-se calmos.

N�s vamos tir�-los da�!

O telhado come�ou a desabar. P�e-me l� dentro.

Vou p�r-te pr�xima.

Vamos!

Certo, vamos l�, pessoal!

M�e, aquilo � um homem numa nave espacial?

Aquele � Jesus?

N�o, amorzinho.

Tudo certo.

Cuidado com os p�s!

J� foram todos?

- Adeus! - Adeus!

Custa-me a crer que fizemos aquilo.

- V�o prender-nos junto com o Rorschach. - Quem se vai ralar?

A 3� guerra mundial pode come�ar amanh�.

Certo?

Certo.

Anda c�! Volta aqui!

Ele morreu, Rorschach.

Enquanto andam todos entretidos,

resolvemos trazer-te um presente de festa.

Algo da oficina.

Chefe, j� reparou?

Nada de bocas tipo "mundo pequeno", "tarefa dif�cil",

porque sabe que assim que abrirmos a porta ser� o pr�ximo do bloco.

Est�-se mesmo a ver!

Est�s morto, Rorschach!

Temos uma pris�o cheia de assassinos. E tu o que tens?

As tuas m�os. O prazer � todo meu.

N�o chego � fechadura. Corto as barras?

O motim n�o durar o suficiente. Esperei 15 anos por isto.

Desculpa, Lawrence. Mas est�s a atrapalhar a minha vingan�a.

N�o � nada pessoal, grandalh�o.

Chefe, espera!

Agora vais saber o que diz o marcador.

1-0. Vem c� buscar-me.

Tenho andado a pensar,

sinto que temos uma obriga��o para com a nossa fraternidade.

- Acho que dev�amos libertar o Rorschach. - O qu�?

Algu�m o tramou.

E esta hist�ria toda dos cancros com o Jon n�o faz sentido.

Tu n�o ficaste.

Sim, mas invadir uma pris�o de m�xima seguran�a

n�o � o mesmo que apagar um inc�ndio.

Tens raz�o.

Vai ser ainda mais divertido.

R�pido, Lloyd! Quero sentir o cheiro deste filho da m�e a arder!

Sim!

N�o!

Nunca me tinha livrado duma nojice com uma sanita antes. � �bvio, de facto.

2-0.

� a tua vez.

Saiam da frente! Mexam-se!

Como sabemos se ainda est� vivo?

Ele est� vivo!

N�o!

Onde est� a minha cara?

N�o me mates!

� a sua vez Dr., Diga-me...

...o que est� a ver?

N�o se mexa!

Rorschach!

Daniel, menina J�piter.

Com a vossa licen�a, tenho de ir ao W.C. dos homens.

Pelo amor de Deus!

� bom ver-te de uniforme, Daniel.

Devia ter visto que s� precisavas dum belo par de pernas para te motivares.

- �s c� um parvalh�o, Rorschach. - Poupa-me a indigna��o.

Escolheste uma m� altura para seres infiel ao Jon.

Cansou-se do patriotismo, ou algu�m o levou a isso?

Sabes que mais? N�o fazes a porra da ideia do que dizes.

Importam-se de parar os dois? Podem discutir mais tarde.

Tive que desligar os pios da coruja, por isso ir�o alvejar-nos em breve.

Parem! Parem ou disparamos!

Est�s bem?

Sim. S� cansada, entendes?

- A guerra, a fuga da pris�o. - N�o te preocupes.

Est� bem? Vai tudo ficar bem.

- Ol�, Laurie. - Jon?

- Na TV disseram que estavas em Marte. - Eu estou em Marte.

Tu e eu estamos prestes a conversar l�.

Do que est�s a falar?

Vais tentar convencer-me a salvar o mundo.

- Laurie, n�o! - Dan, confia em mim.

Eu tenho de ir.

� lindo, n�o �?

Desculpa-me. Estas coisas por vezes escapam-me.

N�o voltar� a acontecer.

Isso � reconfortante.

Meu deus! Estou em Marte!

- Belo rabo! - Parvalh�o!

Vamos ver a revista daquele tot� ali.

Queres ouvir? Um super coruja qualquer acabou de tirar o Rorschach da pris�o.

- O Rorschach? - Sim.

Esse pateta p�s o meu primo numa cadeira de rodas.

Referes-te ao Coruja Nocturna. Ele e o Rorschach eram parceiros, lembraste?

- Sim. - Talvez meteu-se tamb�m com o teu primo.

- N�o escreveu um livro ou assim? - Sim.

Sabes, ele vive perto daqui junto a uma oficina.

- Vive? - Estar� l�?

Estou?

Sally?

- Hollis? - Sim.

Sim, Hollis Mason. Jesus.

Tiveste sempre o meu n�mero e esperaste at� � velhice para us�-lo?

Bem, pareceu-me uma ocasi�o especial, Sal.

O que foi?

A TV diz que houve ontem um inc�ndio num apartamento.

Foram pessoas encurraladas salvas por uma nave,

e dizem que o piloto...

...estava vestido como uma coruja.

E parece que estava com uma mulher sexy.

Laurie? A minha filha, Laurie?

N�o consigo imagin�-la em uniforme de novo.

Talvez finalmente agrade�a-me por t�-la iniciado.

Sabes, Sal, pelo tom da tua voz...

...pareces mais jovem que nunca.

Deus te aben�oe, Hollis.

Mas isso � provavelmente a senilidade.

Bem, foi �ptimo falar contigo, Sal.

Mas est� algu�m a bater.

Bem, n�o fiques muito sentimental a pensar no passado.

Fica bem, Hollis.

Tu tamb�m.

Adeus.

Adeus.

Estamos � procura do Sr. Coruja!

Sim. Aguentem os cavalos.

Sr. Coruja, est� a�?

Doce ou travessura.

Devia ter ficado na reforma, Coruja.

Odeio isto!

A acobardar na cave, a esconder-me das autoridades.

Os pol�cias est�o l� fora a ca�ar-nos. A menos que queiras voltar para a pris�o,

seria est�pido expor-nos sem um plano.

E qual seria esse?

Uma vez que o tenhamos definido,

podemos invadir a Pyramid, para ver se descobrimos algo.

J� fiz isso. N�o deu em nada.

Penso que � uma fachada para quem est� por detr�s disto, mas n�o posso provar.

Precisamos atingir contactos do submundo, "espremer" pessoas.

Claro. Por que n�o sacamos nomes na lista telef�nica?

Esqueceste como fazemos as coisas, Daniel? Ficaste muito macio.

Demasiado confiante. Especialmente com as mulheres.

Escuta, essa foi demais!

Quem pensas que �s, Rorschach?

Vives �s custas dos outros e insulta-los,

e ningu�m diz nada porque pensam que �s um lun�tico.

Desculpa, eu...

N�o devia ter dito aquilo.

Daniel...

...tu �s um bom amigo.

Sei que pode ser dif�cil comigo �s vezes.

Esquece l� isso.

Est� tudo bem, meu.

Vamos l� faze-lo � tua maneira.

Deus!

Pyramid Transnational. Algu�m j� ouviu falar?

Seus bandalhos!

Paguei uma rodada a todos e entregam-me assim?

Para tr�s ou espeto este copo nessa tua cara laroca.

Fiquem todos calmos. Tentaremos que isto seja breve.

Roy Chess, pago pela Pyramid, tentou matar o Adrian Veidt.

Est� morto.

- Conhecia-lo? - N�o.

Sim, sim! Eu contratei-o. Conheci-o na pris�o.

- �s um criminoso. - Fui. Porto-me bem desde que sai, juro.

Eu mal conhecia o Chess, mas mandaram-me contratar malta do passado.

- Quem te mandou? - O meu contacto, Sra. Slater.

A Janey Slater? Trabalha para a Pyramid tamb�m?

Sim, era muito simp�tica. Disse que contratar ex reclusos

fazia parte do programa da empresa. Dar �s pessoas uma nova chance.

Deus! Por favor, larga-me! Estou a dizer a verdade!

Janey Slater, a antiga namorada do Manhattan.

O pessoal do Adrian talvez ajude a saber quem manda na Pyramid.

Seguir o dinheiro.

O membro reformado dos Minutemen Hollis Mason foi encontrado morto

no seu apartamento h� menos duma hora.

Testemunhas dizem ter visto membros dum gang local conhecido por Knot-Tops

a sair do local perto da hora estimada da morte.

- Quem foi? - J� sabia que me ias incriminar, meu.

E os meus direitos civis? S� porque tenho vestido...

- Diz-me quem foi! - Montes de gente veste-se assim.

Quem assassinou o Hollis Mason?

Diz aos teus amigos que est�o mortos!

Vou arrebentar com este bairro inteiro de ratazanas!

Vou partir-te o pesco�o!

Daniel, � frente dos civis n�o.

Malditos. Malditos, Hollis.

� aqui que vamos ter a nossa conversa.

Aqui, ir�s revelar-me que tu e o Dreiberg t�m andado a dormir juntos.

- Sabes de mim e do Dan? - Ainda n�o.

Mas dentro de alguns momentos ir�s contar-me.

Se j� conheces o futuro, ent�o porque ficaste surpreso quando te deixei?

Ou quando aquele rep�rter te passou a rasteira?

Porque at� discutir o assunto se j� sabes como vai acabar?

Eu n�o tenho escolha.

Tudo est� pr�-estabelecido.

At� as minhas respostas.

E tu est�s a deixar-te levar pela engrenagem.

A coisa mais poderosa do Universo � apenas uma marioneta.

Somos todos marionetas, Laurie.

Eu sou apenas a marioneta que consegue ver os fios.

E se estiveres errado?

Porqu� a minha percep��o do tempo te incomoda tanto?

Porque n�o � humana. Porque p�e-me demente.

Dizes sempre que me queres reconfortar. Bem, n�o est� a resultar.

Olha, eu n�o quero discutir.

Desculpa por ter dormido com o Dan.

Dormiste com o Dan?

Acabaste de dizer-me que j� sabias disso.

Eu disse-te... frequentemente...

...que eras o meu �nico elo de liga��o com a humanidade.

Porque salvaria eu um mundo do qual eu j� n�o fa�o parte?

Ent�o f�-lo por mim. Se te preocupas mesmo.

Quando me abandonaste, eu abandonei a Terra.

Isso n�o te mostra que me preocupo?

O meu mundo vermelho aqui, agora...

significa mais para mim que o teu azul.

Deixa-me mostrar-te.

Os avi�es est�o abastecidos e prontos, Senhor.

Est� na hora, senhores.

Ponha-nos em DEFCON-1.

N�o est� no apartamento. N�o est� no escrit�rio.

Quais as tend�ncias nocturnas que atraem um homem que tem tudo

a esta hora da noite?

Daniel?

Est�s comigo?

- Sim. - Ent�o o que est�s a fazer?

Vou procurar pelo itiner�rio do Adrian.

Talvez ele o deixe registado.

- Algo n�o bate certo. - Concordo.

Janey Slater, Moloch, Roy Chess, trabalhavam todos para a Pyramid.

O Moloch disse que o Comediante falou numa lista com o nome dele e da Slater.

Quem quer que mande na Pyramid pode ter-lhes causado o cancro.

Tramado o Manhattan.

Tem gra�a.

Os antigos fara�s ansiavam pelo fim do mundo.

Acreditavam que os cad�veres se levantariam,

reclamariam os cora��es de dentro de jarras douradas.

- Devem estar em pulgas � espera. - Fara�s?

Tenho um ficheiro psicol�gico do Manhattan.

Vejamos o que diz o psic�logo da empresa:

O sujeito continua a retrair-se emocionalmente.

Se os �nicos la�os remanescentes forem cortados...

...prevemos um desapego total pela esp�cie humana.

Entrei.

AN�LISE FINANCEIRA

Inclui contribui��es atrav�s de actividades corporativas

da empresa principal VEIDT INTERNACIONAL.

N�o.

Parab�ns, Sr. Veidt.

O reactor de energia do Dr. Manhattan est� ligado.

O seu apoio, o seu entusiasmo...

...foi o que nos conduziu a este triunfo.

Em nome da equipa de pesquisas, n�s o saudamos.

O que h� na vida que n�o mere�a ser celebrado?

Este � o novo Karnak.

Isto representa o culminar dum sonho com mais de 2000 anos,

um sonho agora assegurado...

...devido � vossa inquestion�vel assist�ncia.

E por isto...

...sinto-me envergonhado...

...envergonhado que tenham agora de receber uma recompensa t�o inadequada.

Aos fara�s,

os seus maiores segredos confiados aos seus servos...

...enterrados vivos com eles em c�maras de terra batida.

Durmam bem, cavalheiros.

O nosso novo mundo pac�fico ficar� em d�vida...

...para com o vosso grande sacrif�cio.

Bubastis.

Di�rio de Rorschach: Registo final.

O Veidt est� por tr�s de tudo.

Porqu�? Qual � o seu prop�sito?

N�o consigo imaginar um advers�rio mais perigoso.

Costumava brincar a dizer que ele era r�pido ao ponto de agarrar uma bala.

Ele podia matar-nos aos dois sozinho na neve.

� para onde vamos agora. Ant�rctica.

Esteja eu vivo ou morto aquando desta leitura,

espero que o mundo sobreviva o suficiente para este di�rio chegar a si.

Vivi a minha vida livre de compromissos,

e entro na sombra sem queixas ou arrependimento.

Rorschach, dia 1 de Novembro.

SOVI�TICOS INVADEM AFEGANIST�O

Ah, Deus nos ajude.

- � um pouco cedo para ti ? - Sim.

Queria terminar a hist�ria antes de ir para escola.

Olha, fica com ele ?

- O qu�? - � tua.

Quer dizer, a vida � muito curta, certo?

Sim.

Obrigado, meu.

Porque raz�o a morte me evita?

Davidstown?

Davidstown.

Estava a apenas alguns quil�metros de dist�ncia.

Por esta altura, a cidade estava tomada.

Os dem�nios imaginavam-se livres de mim.

Mas agora eu estava em casa.

E a vingan�a seria minha.

N�o, n�o eram os salteadores vindos do Cargueiro Negro.

Reconheci o homem, um agiota de Davidstown.

Com Davidstown certamente capturada...

... porque dariam livre tr�nsito a este patife e � sua meretriz...

... para o seu encontro amoroso nocturno?

Teria ele colaborado?

Teria ele tra�do a minha gente?

A minha fam�lia?

Aqui.

O meu cora��o enregelou.

Teria a minha esposa sido confortada antes da sua execu��o...

... enquanto este colaborador e os seus mestres piratas zombavam?

A minha decis�o foi apressada, mas n�o dif�cil.

Quem � voc�? O que?

A sua cabe�a explodiu, como que pressionada pela culpa no interior.

A meretriz de um bucaneiro n�o merece piedade.

Duas figuras haviam cavalgado para aqui.

Duas teriam de regressar.

Um sentinela pirata.

Troteei sem pressa para evitar suspeitas...

A sua transgress�o n�o se ficou pela boa gente de Davidstown...

... havia perfurado profundamente, infectando a minha terra natal.

A minha Davidstown n�o estava como da �ltima vez que a vi.

J� estava atormentada pela maldi��o do Cargueiro Negro.

Em breve, iria aventurar-me entre homens mal�ficos,

carniceiros que agora residiam na minha casa...

... e faz�-los temerem-me.

No meu regresso a casa, encontrei as ruas conspicuamente silenciosas.

Entrei na minha antiga moradia sem fazer alarde.

com cuidado para n�o despertar os carniceiros que a ocupavam

do seu sono devasso.

N�o sabendo que a morte estava entre eles,

conheceriam o seu abra�o g�lido sem nunca perceberem porqu�.

Um, no entanto, estava desperto. Desvairado.

Para que ele n�o soasse o alarme,

ataquei-o assim que entrou na c�mara envolvida pelas trevas.

N�o vieram piratas, mas algo pior.

Pai?

Olhei para rostos familiares em p�nico.

Com l�bios inchados e ensanguentados, ela proferiu o meu nome.

Meu amor, porqu�?

A minha s�bita constata��o...

... n�o deixou espa�o para a sanidade.

Por isso fugi.

O que lhe aconteceu?

Voc�...

A certeza da minha maldi��o perseguia-me,

regozijando pela sua horrenda vit�ria.

A minha dedu��o n�o tinha falhas,

O Cargueiro Negro dirigia-se para Davidstown.

Deveria ter chegado.

N�o podes contar-me logo como tudo acaba, e poupar-nos o trabalho?

- Acaba contigo em l�grimas. - Em l�grimas?

- Ent�o n�o vais voltar � Terra? - At� certo ponto, sim.

As ruas est�o repletas de morte.

Jon, por favor!

Tens que impedir isto. Todos ir�o morrer.

E o universo nem vai dar por isso.

Na minha opini�o, a exist�ncia da vida...

...� um fen�meno demasiado sobrestimado.

Olha � tua volta.

Marte est� a sair-se bem sem ter sequer um micro organismo.

Aqui, � um mapa topogr�fico em constante mudan�a,

a fluir e a mudar ao redor do p�lo

em ciclos de ondula��es de 10 000 anos.

Por isso diz-me,

como tudo isto poderia ser altamente melhorado atrav�s dum oleoduto?

Atrav�s dum centro comercial?

Ent�o � pedir demais por um milagre?

Os milagres pela sua defini��o, n�o existem.

Meu Deus! Jon!

- S� o que pode acontecer acontece. - P�ra com as tuas tretas!

Pousa esta coisa! Agora!

Como queiras.

Sabes o que mais?

Podes mandar-me de volta � Terra para fritar com o Dan e a minha m�e

e todos os outros humanos sem valor.

Mas fica a saber que estavas errado.

Disseste que isto acabaria comigo em l�grimas, e olha: nada.

Talvez estivesses errado acerca de tudo.

Reclamas que me nego a ver a vida nos seus termos...

...contudo continuas a recusar a ver as coisas na minha perspectiva.

- Fechaste ao que tens medo. - N�o tenho medo.

Queres que veja as coisas como tu? Ent�o v� l�! Mostra-me!

Faz aquela coisa que tu fazes!

Magia, sonhos! Era o que eu tinha antes! Eu era uma hero�na, bolas!

N�o tenho culpa de envelheceres. Queixas-te de qu�?

Ponho comer na mesa para ti e para a tua filha!

Porque n�o ligas ao teu amigo Eddie? Talvez ele possa dar-te uma vida melhor.

...at� as partes encardidas, ficam cada vez mais brilhantes.

Sabes, a tua m�e foi uma das campe�s de beleza de todo o sempre.

- Tens os olhos dela, sabias? Tens... - Tira as m�os de cima dela!

Ol� boneca, h� que tempos!

N�o o suficiente para mim, Eddie! Entra no carro!

Agora!

N�o tens limites para nada?

Pelo amor de Deus, Sally. Um tipo n�o pode falar com a sua...

...com a filha da sua amiga?

Arranque!

Foi um erro! Uma vez!

O tipo tenta violar-te e anos mais tarde deixa-lo terminar o servi�o?

O que foi? Estavas b�bada ou a sentir-te s�?

Alguma vez vou viver sem isto?

Laurie!

N�o!

N�o! Ele n�o!

O Comediante...

...era o teu pai.

N�o!

N�o! N�o! N�o!

A minha vida �...

- ...uma grande piada. - N�o acho que assim seja.

Sim, pois.

Desculpa se n�o confio no teu sentido de humor.

Ir�s sorrir...

...se eu admitir que estava errado?

Acerca do qu�?

Milagres.

Acontecimentos com possibilidades astron�micas de ocorrer tipo...

...oxig�nio transformar-se em ouro.

Desejei presenciar tamanho acontecimento, contudo negligenciei que...

...no acasalamento humano...

...milh�es e milh�es de c�lulas competem para criar vida.

Gera��o atr�s de gera��o at� que...

...finalmente a tua m�e...

...ama um homem, Edward Blake,

o Comediante, um homem de quem tem todas as raz�es para odiar,

e resultando dessa contradi��o, contra incont�veis possibilidades

...foste tu.

Apenas...

...tu...

...que emergiste...

...para destilar uma forma t�o espec�fica...

...de todo aquele caos.

� como transformar ar em ouro.

Um milagre.

E portanto...

...eu estava errado.

Agora, enxuga os olhos, e vamos para casa.

Temos um aviso na estrutura artificial.

O aviso de aquecimento est� acima do normal.

Veidt!

N�o estou a gostar do solavancos da Archie.

FALHA DE MOTOR AVISO

- Os motores. - Est�o a congelar. Segura-te!

Daniel, est� a ir muito baixo.

N�o quero interferir na tua navega��o. Mas talvez devas subir rapidamente antes de...

Eu sei! Estou a tentar, a tentar subi-lo, cara�as!

Vou desviar o calor do lan�a-chamas para acelerar o descongelamento.

Mas vai demorar um bocado, e n�o temos tempo para esperar.

Precisas de algo mais quente.

Estou bem assim.

O que foi, menina?

O Adrian � um pacifista.

� vegetariano, pelo amor de Deus.

- Ele nunca matou algu�m na vida! - O Hitler era vegetariano.

Se est�s constrangido, deixa-o comigo.

N�o teremos uma segunda oportunidade.

Senhores, bem-vindos.

- Adrian, sabemos de tudo. - Ent�o, o que h� para discutir, Dan?

Muita coisa. Tu mataste o Comediante.

Que descanse em paz. O Blake descobriu tudo em primeiro.

O Nixon tinha-o a espiar-nos para assegurar que estiv�ssemos quietos.

O Blake descobriu o que eu estava a fazer aqui em Karnak

e quando visitou o pobre Moloch, estava j� a passar-se completamente.

Nem eu pude prever que seria ele a ter uma crise de consci�ncia.

Por isso...

...tive de mat�-lo.

Depois neutralizei o Jon. N�o foi tarefa f�cil.

Pus quase 2 bili�es de d�lares na pesquisa de tachyons

para travar o Jon de ver o futuro.

Usaste o perfil psicol�gico dele para manipul�-lo.

Faz�-lo sair do planeta.

Conhe�o o Jon o suficiente para saber que n�o � desprovido de emo��es.

O seu tremor facial subtil n�o era notado por um leigo, mas para mim...

...ele podia ter estado tamb�m a chorar.

Tudo o que eu precisava fazer era puxar o fio.

O repentino inundar de emo��es que o Jon sentiu

quando foi levado a crer que tinha causado cancro �s pessoas que amava

era a desculpa que precisava para deixar a Terra.

O teu assassino da treta. Pagaste-lhe s� para despistar-nos!

O Sr. Chess deu a sua vida ao servi�o duma causa maior, Dan.

Eu pus uma c�psula de cianeto na sua boca,

deixando apenas uma ponta solta.

Tu, e a tua teoria do assassino de mascarados.

Quando seguiste com a determina��o dum verdadeiro sociopata,

eu avisei a pol�cia...

...e uma vez que estavas preso, podia seguir em frente.

Lamento decepcionar-te..

Era suposto tornarmos o mundo um lugar melhor!

Dan, � exactamente o que estou a fazer.

Guerra nuclear? A extin��o humana?

� claro que os meus princ�pios morais fizeram-me hesitar

diante dos sacrif�cios necess�rios.

Algumas regi�es chave pelo globo,

Nova Iorque, Los Angeles Moscovo, Hong Kong...

...desintegradas num instante.

15 milh�es de pessoas mortas...

...pelo pr�prio Dr. Manhattan.

O castigo do mundo por piscar o olho � 3� Guerra Mundial.

O Jon n�o faria isso!

Um facto que ningu�m fora desta sala precisar� saber.

A energia alternativa em que trabalhava finalmente tornou-se verdade.

Estes anos todos, o Jon esteve a ajudar-me a copiar o seu poder,

desconhecendo como eu pretendia us�-lo.

Percebem?

O Comediante estava certo.

A natureza selvagem da humanidade levar� inevitavelmente

� destrui��o global.

Ent�o, a fim de salvar este planeta...

...tive que engan�-lo...

...com a maior piada posta em pr�tica da hist�ria do homem.

- Matando milh�es! - Para salvar bili�es!

Um crime necess�rio.

Sabes que n�o podemos deixar-te fazer isso.

"Fazer isso", Rorschach?

N�o sou um vil�o de banda desenhada.

Acham que vos explicaria o meu golpe de g�nio...

se houvesse a menor possibilidade de voc�s alterarem o resultado?

Iniciei o processo h� 35 minutos.

Finalmente, cheguei a um oceano sombrio

... que se estendia de forma infind�vel � minha frente.

Como havia chegado a esta horrosa situa��o com o amor...

... apenas o amor, como meu guia?

O agiota flutuava a meus p�s.

Inten��es nobres levaram-me � atrocidade.

A f�ria justa, for�a motriz do meu engenhoso e horr�vel esquema,

era apenas uma ilus�o.

Onde estava o meu erro?

Decidido a retomar a minha fuga, erguia a cabe�a e vi-o.

A embarca��o parecia estar � espera, n�o a preparar um ataque...

E, gradualmente, compreendi onde o intento inocente me havia levado...

... e vagueado para fora do meu alcance.

Inevit�vel, a verdade indiz�vel pairava diante de mim

� medida que nadava rumo ao cargueiro ancorado.

O seu mastro sombrio e desamparado preenchia toda a minha vis�o.

Todas as minhas boas inten��es resultaram nisto.

O mundo que tentei salvar estava irremediavelmente perdido.

Uma corda desceu.

Engasgando-me, agarrei-a...

... e do conv�s ouviram-se vivas,

tanto vulgares como torpes, o seu odor uma afronta para o C�u.

Nunca existiu um plano para capturar Davidstown.

Eles vieram para esperar at� poderem recolher

o �nico pr�mio a que davam valor.

Reclamar a �nica alma que verdadeiramente queriam.

Eu era um horror.

Entre horrores deveria viver.

FIM

- Meu, essa merda n�o faz sentido. - Se tu o dizes.

Desculpa, mas podes ficar com este lixo. A perder o meu tempo todo...

Olha. Sabes, neste tempo todo que vens c� ...

... nunca apanhei o teu nome.

- Bernard. - Bernard? Est�s a brincar.

� o meu nome tamb�m.

Grande coisa. Existem v�rios Bernards por a�.

Jesus Cristo, Henry!

Por que raios n�o tivemos um alerta de lan�amento?

N�o foram os sovi�ticos, Senhor.

A secreta diz que o tipo de energia

foi gerado pelo...

...Dr. Manhattan.

Jon!

Interfer�ncia. Interfer�ncia catacl�smica.

N�o acredito que tenha acontecido.

Isto n�o foi causado por ogivas nucleares.

Foi por mim.

Eu... fiz isto.

Que queres dizer com "fizeste isto"?

N�o directamente. Foi feito para parecer que fui eu.

O Adrian.

Por falar no diabo.

- Jon! - Eu sei!

Tens de det�-lo! Matou o Blake e matou milh�es!

Esperem aqui!

Adrian, p�ra com isto.

Usar os tachyons foi inteligente,

mas mesmo que n�o possa saber onde est�s posso tornar as paredes em vidro.

Devia agradecer-te.

Tinha quase esquecido a excita��o de n�o conhecer...

...os prazeres da incerteza.

Perdoa-me, menina.

O MEU NOME � OZYMANDIAS, REI DOS REIS:

VEJAM A MINHA OBRA, V�S PODEROSOS, E DESESPEREM!

�s c� um parvalh�o!

Veidt, seu canalha! Se a tiveres ferido eu...

Dan!

Cresce. O meu novo mundo exige um hero�smo menos �bvio.

Os teus...

...hero�smos infantis s�o redundantes. O que conseguiste com eles?

Fracassar em evitar a salva��o do mundo...

...� o teu �nico triunfo.

Estou decepcionado contigo, Adrian.

Bastante decepcionado.

Reconstruir-me foi o primeiro truque que aprendi.

N�o matou o Osterman!

Pensaste mesmo que me poderia matar?

Eu andei sobre a superf�cie do sol.

Testemunhei acontecimentos t�o min�sculos e t�o r�pidos...

...que mal se pode dizer que ocorreram.

Mas tu, Adrian, �s somente um homem.

O homem mais inteligente do mundo...

...� t�o amea�ador para mim...

...como a mais inteligente das formigas.

O que � isso? Mais uma arma "de ponta"?

Sim.

Pode dizer-se que sim.

...fomos atacados.

Milh�es de vidas foram repentinamente ceifadas,

num acto terr�vel perpetrado pelo pr�prio Dr. Manhattan.

Desde os ataques,

tenho estado em contacto constante com o l�der da U.R.S.S..

Pondo de lado as nossas querelas do passado,

ambos prometemos solenemente unir-nos contra este inimigo comum.

Com o resto do mundo, iremos prevalecer.

Este � um dia que n�o esqueceremos.

Apesar disso, seguimos em frente para defender a ra�a humana,

e tudo que � bom e justo no nosso mundo.

Obrigado.

Que Deus nos aben�oe a todos.

Est�s a ver?

Duas superpot�ncias a retroceder da guerra.

Eu salvei a Terra do inferno.

Ambos salv�mos.

Esta vit�ria � t�o tua quanto minha.

Agora podemos voltar, e fazer o que � suposto fazermos.

Era suposto fazermos uma justi�a rigorosa.

- Todos ir�o saber o que fizeste. - Ir�o?

Ao denunciares-me...

...ir�s sacrificar a paz pela qual tantos morreram hoje.

- Paz baseada numa mentira. - Mas paz,

- apesar disso. - Ele tem raz�o.

Denunciar o Adrian iria apenas condenar o mundo � destrui��o nuclear novamente.

N�o!

- N�o podemos fazer isto. - Em Marte...

...ensinaste-me o valor da vida.

Se esperamos preserv�-la aqui,

devemos ficar calados.

Fiquem com os vossos segredos.

Nem pensem nisso!

Rorschach!

Espera.

Nunca ficar comprometido. Nem mesmo diante do Armaged�o.

Foi sempre esta a diferen�a entre n�s, Daniel.

Obriguei-me a sentir cada morte,

a ver cada rosto inocente que assassinei para salvar a humanidade.

- Tu compreendes, n�o �? - Sem perdoar...

...nem censurar...

...eu compreendo.

Sai da minha frente. As pessoas precisam saber.

Sabes que n�o posso deixar-te fazer isso.

De repente, descobriste a humanidade?

Veio mesmo a calhar.

Se te tens importado desde o in�cio,

nada disto teria acontecido.

Eu consigo mudar quase tudo.

Mas n�o consigo mudar a natureza humana.

� claro que tens de proteger a nova utopia do Veidt.

Que diferen�a faz mais um cad�ver nos alicerces?

Est�s � espera de qu�?

F�-lo!

F�-lo!

N�o!

Vou deixar esta gal�xia,

por outra um pouco menos complicada.

Pensei que tinhas voltado a importares-te com a vida.

Importo-me.

Acho que talvez criarei alguma.

Adeus, Laurie.

Vamos!

Vamos!

Dan,

um mundo unido e em paz?

- Tinha de haver sacrif�cios. - N�o!

Tu n�o criaste a humanidade, mas apenas deformaste-a.

Tu mutilaste-a!

Esse � o teu legado!

Essa � a verdadeira piada em pr�tica.

Repetimos: N�o h� nada errado com a sua TV.

Voc� est� prestes a participar duma grande aventura.

Voc� est� prestes a experimentar o temor e mist�rio

que sai da mente interior para...

...os limites exteriores.

De certeza que n�o queres uma bebida?

Estou bem.

Sa�de!

Olha, h� algo que preciso muito contar.

Eu sei que o Eddie Blake era o meu pai.

Laurel!

O que deves pensar de mim.

Desculpe nunca ter-te contado. Devia t�-lo feito, mas...

...n�o sei... sentia-me envergonhada, burra.

N�o tem import�ncia.

A vida das pessoas leva-as a s�tios estranhos. A fazer coisas estranhas e,

bem, por vezes n�o podem falar sobre elas.

Eu sei o isso �.

Mas s� quero que saibas que...

...aos meus olhos, nunca fizeste nada de errado.

Perguntaste-me porque n�o sentia raiva dele.

Porque foste dada a mim por ele.

Obrigada, m�e.

Adoro-te.

- Ol�, menina J�piter. - Sally, por favor.

Com a vossa licen�a. Preciso de ir mudar-me, volto j�.

- Como v�o as coisas aqui em cima? - Bem.

- Como v�o as coisas l� em baixo? - Bem.

Penso que pus tudo a funcionar.

Todos os sistemas da Archie foram actualizados.

Terminei o conserto por agora,

portanto tudo o que temos a fazer � lev�-la a passear.

Bem, soa-me a um encontro.

Vamos ficar bem?

Enquanto as pessoas acharem que o Jon continua a vigiar-nos,

estaremos bem...

...no final.

Eu sei o que o Jon diria: "Nada termina".

"Nada termina verdadeiramente".

Seymor, j� n�o temos mat�ria alguma para escrever.

Toda a gente no pa�s,

todos os pa�ses do mundo est�o de m�os dadas

a cantar m�sicas de paz e amor!

� como viver numa maldita comunidade hippy global.

O Ronald Reagan disse que vai se candidatar a presidente em 88.

Pod�amos escrever um artigo sobre isso.

Seymor, n�o fazemos cobertura a tolices.

Isto continua a ser a Am�rica, caramba! Quem quer um cowboy na Casa Branca?

Est� certo, eu... posso procurar algo no arquivo de correspond�ncia.

Arquivo de correspond�ncia?

Tanto faz, toma a iniciativa.

Usa o que quiseres. Deixo completamente � tua escolha.

Di�rio de Rorschach: 12 de Outubro de 1985.

Esta noite, um Comediante morreu em Nova Iorque.

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