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Legendas: Luís Filipe Bernardes
JULIA JOLIET SERVIÇO DE FÃ CLUBE
SECRETÁRIA DE LEROY DANE ASSASSINADA
Pode entrar!
Dizem que você tem uma cara simpática.
Daria pra oferecer uma birita para este pobre policial de folga?
Já que é pobre terá que aceitar um bourbon.
Nas terças prefiro scotch.
Mas aceito bourbon.
Procuram-se herdeiros desaparecidos.
O que você faz com seus jornais velhos?
Separo por ano.
- Veio aqui só pra filar uma bebida? - E por que não?
Um dólar poupado é um dólar ganho.
Vejo que esteve lendo sobre o caso Joliet.
Secretária de Leroy James.
Não era bem secretário. Cuidava do seu fã clube.
Diz que não tinha parentes.
Seus bens não ultrapassam $3,000. $1,800 na poupança...
$500 na conta corrente e bens pessoais cerca de $600.
Não está à sua altura.
Um dos pertences de Julia Joliet
era um monte de recortes de jornal referentes ao famoso caso Delaney.
Ainda está encasquetado com ele?
Ainda penso nele de vez em quando.
Doris Delaney.
A moça que tinha tudo na vida.
Saiu do Colégio McGillian para meninas ontem à tarde...
Há doze anos.
Doris, 16 anos, filha única dos milionários Jonathan e Eleonora Delaney
disse a sua melhor amiga que ia comer um sorvete num shopping...
a um quarteirão do colégio.
Ela nunca chegou à loja.
E os pais gastaram $750,000 durante 5 anos à sua procura.
Contrataram os melhores advogados e detetives.
Recorreram a todas as secretarias de polícia do país.
O FBI tinha um dossiê em Washington chamado 'Delaney, Doris'...
'Não Solucionado'.
Precisa dizer mais alguma coisa?
Não esqueceu uma coisa?
Quem quer que tenta localizar Doris Delaney doze anos depois
é um pateta.
Quando terminar desligue as luzes ao sair, falou?
Te vejo mais tarde.
- Um uísque com soda, Peter. - E outra dose pra mim, por favor.
Com licença...
Não estou vendendo seguros, não é uma intimação...
e não é pra se mandar daí, mas você não é Leroy Delaney?
- Claro. Por quê? - Nada. É só por perguntar.
Um cara na sua posição precisa estar sempre de guarda.
- Você é lutador? - Não, mas o exército parece que achava.
Então já serviu, hein?
Eu me dei bem.
No esquadrão do General Omar Bradley. Saí com insígnia de prata.
A propósito, viu um filme que estrelei recentemente
chamado 'Tank Brigade'?
Ainda não.
O cara que escreveu nunca viu um tanque na vida.
Queria fazer dinheiro sem conhecimento de causa.
Tive que improvisar quase todas as falas no filme.
Era cada furo que dava pra passar um caminhão.
- Ou um tanque. - É.
- Amor! - Oi, gatinha.
- Mais tarde, querida, mais tarde... - Tem razão.
Você está linda.
Me serve o que ele estava tomando.
Dá licença um minutinho.
Você não ia tomar a iniciativa, ia?
Não.
Há quanto tempo, Tom.
- Você está muito bem, Linda. - Obrigada.
Tinha até esquecido como você é bonito.
- Você deve me detestar. - Por que a detestaria?
- Pelo que fiz com você. - Isso faz muito tempo.
- Você superou? Se casou? - Não estou casado.
- Alguma mulher deve ter-se interessado... - Não estou casado.
Nem eu... agora.
Estou acompanhada. Vem sentar conosco.
Harris não se incomodará. E tanto faz, mesmo.
Não obrigado.
Só vim tomar este drink.
Vi você falando com Leroy Dane.
- É amigo seu? - Não especialmente. É seu?
Você está amargo. Devo tê-lo magoado muito.
Não estou amargo.
Não fingirei que não magoou, pois magoou.
Mas eu estava bem acompanhado.
Metade do batalhão passava o dia lendo cartas de despedida das ex.
Não acredito... Claro. Ficava mais fácil fazer piada.
Espera aí.
Como se chamava mesmo o cara com quem se casou? Newcomer?
Não deu certo. E se chamava Newcomb.
Agora preciso voltar para a mesa.
Por favor, vamos conversar mais tarde.
Harris está começando a ficar aborrecido e Nicki parece entediada.
Linda, não é? Nicki Kovacs.
Está com seu noivo, Walter Collinson. Já ouviu falar, não?
Sim, tá montado no dinheiro.
Bem, não os deixe esperando.
Faz o seguinte, almoçaremos juntos. Eu te ligo.
Como se não sabe meu telefone? Nem ia perguntar, ia?
Tudo bem, eu te ligo.
Põe na minha conta, Peter.
Com licença...
Sabe onde fica o apartamento do Sr. Klinger?
- Não moro aqui. Pergunte à gerente. - Obrigado, senhor.
Não mora nenhum Klinger aqui.
Ele mesmo me disse que morava no condomínio Greco.
- Este não é o Greco? - Não. Fica a duas quadras daqui.
Como fui me enganar? Desculpe o incômodo.
Era o que mais acontecia com a pobre Julia.
Tinha medo de estranhos. Por isso mantinha a porta trancada.
- Trancava sempre? - Ultimamente sempre.
- Já acabou? - Sim, Sra. Wilkinson, obrigado.
Espero que não tenha levado nada que a polícia possa precisar.
Não. Não levei nada.
Como você entrou?
Entrei pela janela do terraço.
Isso se chama invasão de domicílio.
Eu arrisco.
Então esta é sua casa.
Já andei explorando. Muito bonita. E cara.
E arrumadíssima. É um bom dono de casa.
- Já dividi muito quarto na faculdade. - Eu sei.
Estou aqui há mais de uma hora. Bisbilhotei tudo.
Você é assinante de dezenas de jornais. Nova York, Chicago...
Denver, Cleveland. Olhei até seus arquivos.
Cheio de cartas sobre testamentos e herdeiros.
Esse é meu trabalho. Localizo herdeiros desaparecidos.
Não entendo. Por que você faz isso?
Um cara morre sem deixar testamento.
Nenhum parente é encontrado.
Eu encontro e ganho uma percentagem.
Não sei se me soa muito bem.
Parece coisa de vampiro, viver às custas dos mortos.
É comum ter parentes que nunca se viu na vida.
Eu apareço dizendo que herdaram
alguns milhares de dólares de um tio ou tia-avó qualquer.
Como não os conheço não tem sentimento envolvido.
É como ganhar na loteria.
Gosta de fazer isso?
Ao procurar seu nome na lista telefônica.
fiquei feliz quando vi seu endereço em Brentwood.
Você era bem-sucedido.
A casa está à sua altura...
mas acho que esperava mais de você.
Na verdade você sempre esperou, não é, Linda?
- Te conheci estudando direito... - Eu desisti!
Do que mais você desistiu?
Faz tanto tempo...
Nem tanto. Podemos compensar o tempo perdido.
Podemos?
- Nunca amei Newcomb. - Por que se casou com ele?
Não sei. Você sumiu por tanto tempo. Eu só tinha 19 anos.
O que isso tem a ver?
Talvez tivesse medo de você.
De como me anulava. Você era tão forte.
Não queria virar uma dona de casa
limitada a lavar, cozinhar, fazer compras.
Não se deu bem até agora?
- Pelo menos eu vivi. - Então o que está fazendo aqui?
Não sei.
Mas quando te vi no bar...
percebi que você era o homem na minha vida...
e sempre será.
Então, almoço amanhã?
No Brown Derby, Beverly Hills.
Vou investir em você.
Quero uma ligação para Chevy Chase, Maryland.
É um subúrbio de Washington, D.C.
Ligação direta para o Coronel Charles Maddock.
Capital 2-6363.
O meu é 0-4626, Sr. Tom Alder.
Certo.
Olá, Chuck. É o Tom Alder.
Como assim, madrugada?
Aqui é madrugada. Aí são seis da manhã.
Preciso de um favor.
Preciso da folha de serviço de Leroy Dane no exército.
É, o ator de cinema.
Quero saber quando entrou para o exército, quando pediu dispensa,
seu endereço atual, tudo que puder conseguir.
Sei o que ele come de manhã. Li na revista do seu fã clube.
Sim, é importante.
Sim, o mais rápido que puder.
Pode ligar a cobrar, tudo bem.
Mande lembranças para sua mulher. Tchau.
Você é a Nicki Kovacs, não é?
Sim.
Meu nome é Tom Alder. Eu a vi no Circle Room outro dia.
Eu sei. É amigo da Linda Foster.
Sei que isso é meio batido, mas...
mas não a conheço de algum lugar?
- Naquela noite não foi. - Não, digo antes daquilo.
Parece-se muito com uma moça que eu conheci.
Só que ela tinha cabelos escuros e foi há muito tempo.
Não tinha como ser eu. Não moro em Los Angeles.
Costuma vir muito a Los Angeles?
Na verdade, esta é minha primeira vez aqui.
Moro em San Francisco.
Ah.
Está indo para Nova York?
Não. Chicago.
Apertem seus cintos de segurança, por favor.
Sr. Alder...
Não quis ser seca com você.
Linda e eu somos muito amigas. Sei tudo a seu respeito.
Então deve saber que...
não via Linda desde 1950.
Sei, sim.
Ah, sabe?
Também sei que Linda teve uma baita dor de cabeça ontem à noite.
Harris ficou bem aborrecido.
O que mais você sabe?
- Ela superou, não foi? - Bem...
Foi o que pensei.
Harris veio tomar um drink conosco no hotel.
Ligou para Linda mas não conseguiu encontrá-la.
Harris e Walter foram colegas de quarto em Princeton.
Foi Walter que te apresentou a Linda?
Sim.
Você é advogado, não é?
Não, não sou advogado.
Estava falando com um ator no bar...
Tem negócios com o show business?
Não, hm...
Linda disse que sou um vampiro.
- Como? - Porque procuro herdeiros perdidos.
Você vive disso?
Hm-hmm.
É que, em essência, sou um homem muito preguiçoso.
Só trabalho quando preciso ou quando algo me interessa.
Não acredito que seja preguiçoso.
- Você amou bastante a Linda... - Ela te disse isso?
Que terminou com você quando esteve na Coreia? Sim.
Você é casado?
Não. Não sou casado.
Bem, isso explica muita coisa.
- Explica? - Sim.
Estudou direito, nunca se formou.
É solteiro e procura herdeiros perdidos...
porque te dá tempo para pensar em Linda e...
se lamuriar.
Quer dizer derramar lágrimas num copo de bar?
- Isso mesmo.
Apertem os cintos, por favor.
Obrigada.
- Estamos chegando? - Sim, dentro do horário.
Até logo.
Sinto um pouco de pena da Linda.
Acho que ela cometeu um erro.
Por favor!
Está faltando um artigo neste jornal.
Era só o que faltava. Roubam, rasgam, fazem de tudo.
É importante?
Tem outro arquivo?
Talvez haja exemplares antigos no depósito.
Tem quase 50 toneladas de jornais lá dentro.
De vez em quando nos livramos de uma tonelada para abrir espaço.
Vai levar uma infinidade para procurar...
Qual é a data? 15 de fevereiro de 1948.
Da época do caso Doris Delaney. Lembra-se?
Se me lembro? Trabalhei no caso.
Trabalhava como revisor.
Então deve conhecer o cara que cobriu o caso, Desmond Slocum.
O cara bebia feito um gambá.
Acabou sendo mandado embora. Nenhum jornal queria saber dele.
- Está vivo? - Há dois ou três meses estava.
Passou aqui pra me pedir um dinheiro.
Não o deixam entrar mais na redação.
Isso não é jeito de tratar ninguém.
Ele foi um dos melhores repórteres policiais da cidade.
Cobria tudo.
Assalto, sequestro... Cadê os fósforos?
- O caso Doris Delaney... - Sabe onde posso encontrá-lo?
Deixa ver...
Ele costumava ir beber na Terceira Avenida.
Um dia passei lá pra tomar uma cervejinha.
Lá estava ele, fedendo a álcool.
Puxou briga com um cliente e botaram ele pra fora.
Quando ele mandava aqui, vou te contar...
ninguém botava Desmond Slocum pra fora.
Sabe onde o corpo foi enterrado?
Tem alguém aqui chamado Slocum?
Ali no final do bar.
Aceita uma bebida, Sr. Slocum?
Não preciso que ninguém me compre bebida.
Pelo menos hoje.
Doei sangue por $4. Dá pra hoje.
Me procure amanhã e beijarei teus pés por um drink...
mas hoje, não. Se manda.
Queria falar com você do caso Doris Delaney.
Ah, não. De novo?
Já sei.
Você é um daqueles escritores de romances policiais.
Um monte de babacas querendo escrever sobre Doris Delaney.
Não mais comete crimes passionais?
Eu mesmo posso sair por aí e matar uma loura pra você.
Arranco sua roupa e ainda deixo minhas iniciais na barriga dela.
Os malucos que leem teus livros vão se amarrar.
Escuta, não sou escritor...
não me interesso por crimes passionais...
nem em crimes corriqueiros.
O que me interessa é Doris Delaney.
Qual é a pegada?
E não me diga que não tem. Caso contrário não estaria me dando $20.
Estou tentando encontrá-la.
Pronto. Era só essa que faltava.
Os tiras não conseguiram encontrá-la, O FBI não chegou nem perto,
centenas de detetives e advogados
sugaram um milhão dólares do velho Delaney e agora...
dez anos depois do caso encerrado
vem você achando que pode encontrar o corpo por míseros $20.
Toma um drink, Slocum.
- É 'senhor' Slocum. - Tudo bem, tome um drink, Sr. Slocum.
É bom não esquecer.
Houve época em que o Secretário de Polícia me consultava.
O Delaney também.
'Senhor Slocum', dizia ele,
'minha filha não é moça de família...
e se tocar nesse assunto...
será processado por injúria e difamação!'
Seu artigo não mencionou nada sobre gravidez.
Já falei...
o cara tinha 10 milhões de dólares.
O médico omitiu isso no relatório.
De quem, Doris Delaney?
De quem estamos falando?
Philip, como é? Capricha aqui.
Recebi minha pensão. $20.
Como estava dizendo...
visitei todos os pediatras da costa leste e alguns na oeste.
Centenas de pediatras.
E encontrei ele. Dr. Drucker.
Ela o tinha procurado e estava em apuros.
'É uma filha', grita o velho Delaney.
'Meu bebezinho, não!', grita a mãe.
Bebezinho? A menina tinha 16 anos.
Bebezinhos de 14 já estão tendo filhos.
'Impossível', grita Delaney. 'Ela não é esse tipo de garota.'
Todas são desse tipo.
Esse é seu mistério da Doris Delaney.
Amedrontada com a gravidez, tem medo de contar pro pai...
e se dá mal.
Mas o corpo nunca foi encontrado.
Como você sabe?
Qual é a aparência de um corpo
depois de duas semanas debaixo d'água?
Não daria pra distinguir tua avó de um bacalhau.
É isso aí. Cobri tudo até o caso esfriar.
Escrevi um milhão de palavras sobre ele.
Tudo baboseira.
Tendo do que beber, escreveria até sobre a vida sexual de peixinhos de aquário.
Surpreso, Sr. Alder?
Quem é você?
Ah, sim, um nome. Deseja um nome.
Pois bem, dar-lhe ei um. Winterbottom.
Van Landigen.
Se prefere algo menos pretensioso, Smith, Jones.
Seja o que for, você tem um minuto.
Senão chama a polícia, não é isso?
Ah, não, você é dos valentões. Pôr-me-á na rua pessoalmente.
Mas veja bem, meu caro, debaixo deste casaco...
uma pistola automática?
Não, não é minha carteira. Ela está no lado direito.
Deixe-me mostrar-lhe.
Deve achar que está muito magra.
Sim, mas potente.
Gostaria de sua opinião a respeito deste exemplar.
Ouso dizer que nunca teve uma igual.
Um bálsamo para os olhos. Uma nota de mil dólares. É toda sua.
- Por quê? - Por seus serviços. Quero contratá-lo.
- Não, obrigado. - Mas nem me ouviu ainda.
Não pode recusar seus serviços sem antes de ouvir minhas razões.
Calma, o minuto já venceu. Isso é um revólver?
Ora essa, Sr. Alder...
Esta nota é uma das dez que possuo.
Todas podem ser suas por um bocadinho do seu tempo,
tempo este que sabe usar tão bem.
Quero que encontre um homem para mim.
Quem?
Meu irmão desaparecido, Auguste Pleschette.
- Eu sou Jacques Pleschette, ao seu serviço. - Como vai?
- Então você não é detetive? - Não. Por isso te procurei.
Eu não sou detetive.
Estive conversando com um colega seu em San Francisco.
Dei-lhe uma nota dessas para que me fornecesse sua ficha.
Sua vida, suas realizações, tudo.
Disse que você era o melhor.
Falou-me do seu trabalho extraordinário em localizar herdeiros perdidos.
Que tinha talento para isso.
Perspicácia, um sexto sentido.
Matemáticos sabem que dois mais dois dá quatro
mas você sabe que dois mais dois 'são' quatro.
E não se satisfaz com isso.
Olha em cima, embaixo, do lado, por trás.
Vê o que o matemático não vê porque ele aceita os números.
Você fala demais.
O que estava fazendo em Hollywood no apartamento de Julia Joliet?
Estava lá por causa de você. Eu o segui.
Queria observá-lo em ação, por assim dizer, sua técnica.
Já me havia decidido a contratar seus serviços.
Você vasculhou a casa da Srta. Joliet, observou...
encontrou pistas despercebidas pela polícia.
É, né?
Que pistas foram essas?
Ora, meu caro, não sei. Não sou seu confidente.
Não as vi, não sei que importância têm.
- Mas se tivesse que arriscar um palpite... - Arrisque.
Segundo os jornais, a Srta. Joliet trabalhava para o Sr. Dane, o ator de cinema.
Arriscaria dizer que ele a assassinou. Você sabe, mas não pode provar.
Busca provas aqui em Nova York.
Algo no passado do Sr. Dane.
Ou da Srta. Joliet.
Muito bem, Sr... Pleschette.
Muito obrigado.
Agora gostaria de falar do meu irmão desaparecido.
Chama-se Auguste Pleschette ou coisa assim, não é?
Isso.
- Há quanto tempo está sumido? - Há muito, muito tempo.
Auguste é 15 anos meu caçula. Quinze anos e três meses.
Nasceu três meses após eu lançar-me no mundo
para tentar minha sorte, por assim dizer.
E não voltou mais para sua terra.
Como podia? Era jovem, estava aprendendo meu ofício.
Uma vez Auguste escreveu-me uma carta.
Pra que endereço ele a mandou?
- É necessário saber? - Só queria saber.
- Está me constrangendo. - Por que haveria de constrangê-lo...
um endereço tão antigo?
Porque na época em que escreveu
eu me encontrava numa situação peculiar.
Bem, se precisa saber, o endereço era um presídio em Nova York.
Sing-Sing?
Sim, infelizmente.
Quer dizer que cumpriu pena.
Sou um erudito. Onde mais teria adquirido tanta erudição?
Não tive educação formal. Saí de casa com 15 anos.
Na prisão sobra tempo para estudo.
E há excelentes bibliotecas
nas melhores penitenciárias estaduais.
- Também sobra tempo... tempo. - Quanto tempo cumpriu?
- Da primeira vez apenas 3 anos. - E a segunda?
Vamos poupar tempo. Estou com...
Bem, passei um total de 26 anos na prisão.
'Big Frenchie', rei dos golpistas, é assim que me chamavam.
Big Frenchie, hein?
Mas isso é coisa do passado. Sr. Alden...
Não vai deixar minha vida pregressa atrapalhar nosso acordo.
Vai procurar meu irmão, não vai?
Acho que não, Frankie.
Pense primeiro. Amanhã nos falaremos.
A propósito, odeio o apelido Frenchie ou Big Frenchie.
Mantenhamos a classe.
Portemo-nos como cavalheiros... Sr. Pleschette, Sr. Alden, sim?
Sr. Pleschette...
Minha missão não interferirá com seu trabalho.
Pode fazê-lo simultaneamente.
Por favor, pense com carinho.
Aguardarei uma resposta pela manhã.
Sim, eu quero Murray Hill 9...
3636.
Quero falar com o Sr. Honsinger.
Sim?
Pode completar.
Ei, Tom!
Olá, Jimmy.
Acabo de desembarcar, como vai?
Hmm... estava muito bem até agora.
Não me diga que é outro abacaxi como da última vez.
Ah, não, o caso Doris Delaney?
Quero umas informações sobre as seguintes pessoas, aguenta aí.
Está pronto? Vamos lá.
Drucker? Sim, lembro. O pediatra.
Sabia que esse seria o próximo.
Sra. Delaney.
Hm-hmm.
New York Globe,
fotocópia,
página 4,
seção 2.
Sim, claro.
Tudo bem.
Quem mais?
Julia Joliet.
Devia ter uns cinquenta e poucos anos, por aí.
Escuta, Jim,
um cara chamado 'Big Frenchie' Pleschette.
Tem um irmão chamado Auguste...
Auguste?
Tá brincando! Deve ser August.
A-u-g-u-s-t-e.
É assim que ele pronuncia.
Jim, quero essas informações o mais rápido que puder.
Estou no Biltmore.
Use quanta gente você puder. Estou com pressa.
Tá certo.
Até mais tarde.
Alô.
Sim, posso falar.
- Linda? - Quer dizer que me deixou na mão.
Covarde.
Tenho meus espiões. Um deles te viu no avião.
Tudo bem, foi a Nicki.
Ela me ligou de Chicago. Disse que você estava indo pra Nova York.
Daí você ligou pra todos os hotéis de Nova York, hein?
Se ela disse que segurei sua mão até Chicago, ela tem razão.
A propósito, disse por que estava indo pra Chicago?
Voo 9 para Chicago e Nova York...
Onde você está?
Estou no... Circle Room.
Com Harris e Walter Collinson.
Não, não estou com dor de cabeça.
Mas agora tenho que ir. Tchau, querido.
Alô?
Ponha na linha.
Oi, James, não esperei que ligasse tão cedo.
Sei, trabalha dia e noite.
Tenho uns endereços pra você.
Espera pegar um lápis.
Pode falar.
Doutor Drucker.
220, Rua 72, West.
Jacques Pleschette...
esse é especial, hein?
Nasceu numa cidadezinha chamada Dumas, Dakota do Norte.
Uma ficha e tanto.
- Oito condenações. - Cara ocupado.
E o irmão Auguste?
Dá um tempo. Nem aprendi a pronunciar o nome ainda.
Sim.
Agora o endereço dos Delaney.
Sra. Delaney...
645, Park Avenue.
Sim...
vamos almoçar juntos, James, se eu tiver tempo.
Mas não traga nenhuma namorada, hein?
Podes crer. Tá certo. Até logo.
O Sr. Alder, senhora.
Mande entrar.
Pode explicar isso?
- Já leu? - Sim, já li.
Sua letra é firme e clara. Diria indicar uma personalidade forte.
Meu marido era um home muito forte.
Não havia sequer um osso desonesto em seu corpo.
Quanto a você, meu senhor,
não é só um vigarista...
como também um mentiroso.
Pegue isso!
"Sua filha está viva."
Você não sabe nada dela.
Queria me ver então usou esse artifício para ter acesso.
- Não acredita que sua filha esteja viva? - Claro que ela está viva!
Se estivesse morta eu saberia.
Então acredita em percepção extra-sensorial.
Um charlatão me procurou com essa conversa há dez anos.
Você me desaponta, Sr. Alder.
Não disse que acreditava nisso. Perguntei se acreditava.
Eu não acredito!
Sei que minha filha esta viva, senão teria sido informada de sua morte.
Ela pode não se comunicar comigo estando viva.
Mas sei que teria deixado uma carta ou um bilhete...
para ser-me entregue após sua morte.
Isso não tem nada de extra-sensorial.
Bem...
estou esperando sua desculpa
por ter escrito este cartão.
O que acha que aconteceu com sua filha há 12 anos?
Estou esperando sua resposta.
Vai me deixar responder com minhas próprias palavras?
Não o convidei para sentar-se...
porque ainda não decidi quanto tempo permitirei que fique.
Ora, sente-se, Sr. Alder.
Aproxime a cadeira.
Quero ver seu rosto.
Saberei se está mentindo.
Há dois dias assassinaram uma mulher em Los Angeles.
Não sua filha.
Uma mulher mais velha chamada Julia Joliet.
Seu assassinato foi...
bem, terei que entrar em detalhes meio íntimos.
Tenho idade para isso.
Levou muitas pancadas e provavelmente foi estuprada.
Aparentemente, o agressor queria alguma coisa escondida na sua pessoa.
Quando a polícia revistou o apartamento encontrou uns recortes de jornal.
Recortes sobre sua filha.
Ora, continue.
Sra. Delaney...
minha profissão é procurar pessoas desaparecidas.
O caso Doris Delaney é um clássico. Sempre me interessou.
Está começando a me desinteressar.
Então tentarei reavivá-lo.
A menção do nome de sua filha
ligado ao assassinato de Julia Joliet despertou minha curiosidade.
Joliet era apenas uma secretária. Ninguém teria razão de matá-la.
Nada foi roubado.
Então por que a mataram?
Talvez alguma coisa ou alguma informação que tivesse da sua filha.
Havia um nome no caso...
um nome famoso...
E se esse homem tivesse matado Julie Joliet?
Investiguei esse homem.
Leroy Dane?
Percebi que não dizia a verdade. Mentiu sobre quase tudo.
Como sabia seu nome?
Ainda leio jornais, Sr. Alder.
Nomes de artistas famosos são tão importantes aqui quanto na Califórnia.
Continue.
Julia conhecia Leroy Danes. Era sua secretária.
E também estava interessada em sua filha.
Uma menina sumida há 12 anos.
Novamente, por que a mataram?
Talvez porque tivesse alguma informação, informação da sua filha.
Talvez o assassino quisesse esconder essa informação.
Seria uma possibilidade interessante,
especialmente se o assassino viesse a ser um ator famoso.
É ele o assassino?
Não sei.
Ainda não tenho certeza.
Está escondendo alguma coisa de mim, Sr. Alder.
Bem, sugeriu-se que...
apesar da idade de sua filha, ela poderia estar...
Grávida?
Sim.
Meu marido não admitia essa sugestão.
Contudo, teria aceitado.
Ele até aceitou, aqui em sua própria casa. Mas a questão não foi essa.
Nem nada do que possa estar pensando.
Então o que acha que aconteceu com sua filha?
Acredita que minha filha fugiu?
É uma opinião.
Eu sempre achei que ela fez isso.
Fugiu.
Nunca acreditei nas outras coisas.
Escrava branca, sequestro.
Posso pedir mais um favor?
Posso ver uma foto dela?
- Mas já viu nos jornais... - Eu sei, mas só vi uma.
Quero ver os seus.
Me diga uma coisa, Sr. Alder.
Você vai encontrar minha filha?
Acredito que sim.
Acha que vai ter êxito...
enquanto tantos outros fracassaram?
Posso ver?
Sim.
- Quando foi tirada esta última? - No Natal.
Um pouco antes...
antes de ela partir.
- E esta? - Alguns meses antes, perto da Páscoa de 1947.
Esta é a melhor de todas. A favorita do pai.
Por isso que deram para os jornais e a polícia?
Também porque é a sua imagem exata.
Não tanto quanto esta.
Seu pai...
vendo sua filha crescer...
orgulhoso de sua filha...
Ele a vê como uma criança.
Inconscientemente devia ressentir-se de que estivesse crescendo.
Talvez ressentisse em sua filha o desabrochar da mulher...
a marca da maturidade.
Esta foto é de uma criança.
Um rosto muito bonito, mesmo assim uma criança.
Em poucos meses rostos não mudam muito.
Para uma menina de 16 anos, parece a foto de uma mulher.
O suéter... tão justo.
Definitivamente ela não era uma criança.
A polícia estava procurando uma criança, eu sinto muito.
Ora...
só por ter apontado um detalhe vital que eu não tinha notado?
Falar da maturidade de minha filha...
talvez fosse um assunto delicado demais para se tocar.
Embora importante.
É importante, não é?
Hm-hmm.
Queria que tivesse conhecido minha filha em 1948.
É gentil de sua parte dizer isso.
Bem...
Muito obrigado.
- Adeus. - Adeus, Sr. Alder.
- Tom Alder! Como vai? -Olá, James, tudo bem?
- Vamos, sente-se. - Obrigado.
- Que tal um uísque ou um bourbon? - Nenhum dos dois.
- Não bebe mais? - Estou trabalhando.
Ora, eu também. Para você.
- Por quê, não sei. - Como assim?
Francamente, acho que imagina em que está se metendo.
Sei muito bem, acabo de estar com a Sra. Delaney.
Isso é piada? Há dez anos que ela não fala com ninguém.
Comigo falou.
Ela é uma ermitã. Odeia o mundo.
Especialmente tiras.
Por falar em tiras.
- A tal mulher de Los Angeles... - Julia Joliet?
É.
Vulgo Kate Carmen...
vulgo Frida Fay... uma simpatia de mulher...
Condenada duas vezes por chantagem, multa de $1,000,
liberdade condicional em 14 de janeiro de 1919,
Faz... 42 anos.
Declarou ter 21 anos.
Novamente presa em 1929.
Fiança de $50 dólares que ficou devendo.
É isso.
Nenhuma convicção depois de 1929?
Aqui não. Deve ter-se mudado ou talvez trocado de nome.
Cheque na Califórnia depois de 1929.
Sim?
Ponha na linha.
Honsinger falando. Pode falar.
Certo.
Certo. Aguenta aí.
É o Fred Tamm, de Washington. Cara muito legal.
Diz que tem um arquivo do New York Globe na Biblioteca do Congresso...
incluindo uma cópia da edição de 15 de fevereiro de 1948.
Pergunte o que tem na página 4, seção 2, coluna 3.
Fred, o que tem na página 4, seção 2, coluna 3?
Uh-huh.
Uma foto? Então vá por artigo abaixo.
Certo.
Danny Kanig.
Bom trabalho, Fred.
Tire uma fotocópia e mande pelo correio imediatamente.
E mande a conta.
Quer mais alguma coisa de Washington?
Não. Tenho um amigo coronel. Ele me dará o que preciso.
É só isso, Fred. Obrigado.
Como esse coronel vai te ajudar?
Ele conseguiu a folha de serviço de Leroy Dane, o ator.
Dane disse que foi um herói durante a guerra.
Só se for com outro nome, não Dane.
Jim...
Vê o que consegue sobre esse Danny Kanig.
Tudo bem, mesmo que não esteja entendendo nada.
Não faz sentido.
Uma foto que sumiu.
Chantagista na Califórnia, um ator,
Doris Delaney.
Não fecha.
Alô.
De Chicago? Sim...
Linda, pensei que estivesse em Los Angeles.
Menti. Estava no aeroporto quando te liguei.
Nicki tinha ligado nas não queria que eu contasse pra ninguém.
Parecia ser muito importante, coisa de família.
Por isso estou em Chicago.
Estou no Palmer House, mas ela não está nem registrada.
Espera, deixe ver se entendi.
Nicki ligou de Chicago, parecia coisa importante...
algo de família e não queria que contasse.
- Tem certeza de que era Nicki? - Não, mas a voz era igual.
E sua família mora em Chicago, pelo menos perto.
Ela ia visitá-la.
Ora, ela não especificou que ficaria no Palmer House.
Está me confundindo. Deixa pensar. Tive a impressão de que...
Hm...
Não falou em problema, só que era importante.
Não grita comigo, querido. Não consigo pensar assim.
Claro que disse que avião eu ia tomar.
Chegamos a Chicago hoje às 7:00, vim direto para o hotel...
quando vi que ela não estava registrada
imaginei que estivesse com sua família e me telefonaria mais tarde.
Ela sabe que me preocupo e tem muita consideração.
Mas como ia saber? Você só a viu uma vez.
Claro, ela me contou tudo.
Mas duvido muito que tenha tentado seduzi-la num avião lotado.
Só estou implicando.
Mas estou mesmo preocupada com a Nicki.
Estou com uma pressentimento estranho.
Não acredito em pressentimentos. Ela é esperta. Vai aparecer.
Mas acho que devia ligar pro Collinson. É noivo dela, tem direito de saber.
Sim, pode deixar, eu te ligarei.
- Até logo. - Tchau.
Sim?
Querido!
Senti tantas saudades.
Nunca mais vou te largar. Nem por Nicki, ou quem quer que seja.
Não é melhor fechar a porta?
Ei, que beijo foi esse? O que aconteceu?
Nada. Já soube da Nicki?
Não e pouco me importa.
Pensei que fosse amiga dela.
E eu pensei que seu negócio em Nova York fosse importante.
Decidi que não era tão importante assim, falou?
Está tão preocupado com a Nicki.
Pois bem, apaixone-se por ela.
Mas você não tem o dinheiro de Walter Collinson.
Nem o dinheiro do Harris Toomey.
Isso é maldade. Já disse o que acho do dinheiro dele.
Ah, não vamos brigar.
Tudo bem.
Quando me ligou estava preocupada com Nicki. Podemos falar disso?
- Ela ligou? - Não.
- Ligou pro Collinson? - Sim, por volta de 13:00.
- Falou com ele? - Falei com Harris. Collinson ligou de volta.
Está vindo pra cá. Ele tem um avião particular.
Como o Sr. Collinson reagiu?
Ficou muito nervoso, chegamos a discutir.
Achou que eu era culpada em parte. Isto é, por ela ter vindo pra cá.
Pelo que notei, foi uma decisão de última hora.
Coisa de momento.
De repente decidiu viajar ontem de manhã.
Perguntou o endereço da família dela?
Ele não sabe.
Não sabe o endereço da família?
Foi o que disse. Ele nunca conheceu sua família.
Acho que Nicki sempre teve um pouco de vergonha da família.
Ela não é muito de falar...
mas uma vez, quando perguntei,
ela foi muito evasiva.
Só falou que o pai era tcheco...
ou iugoslavo, sei lá.
Não estou ajudando muito, não é?
Você é tão preciso, eu nunca tenho certeza de nada.
Não vou adiantar nada no seu trabalho, não é?
Bonita como está, acho vai.
Até daqui a pouco.
Onde você vai?
Deixei minhas malas em Nova York. Não trouxa nem pasta de dente.
Vou fazer umas compras.
Arranjarei um quarto e te chamo para jantarmos.
Tchau.
- São fãzocas do galã. - Quem é?
O maior de todos, Leroy Dane. Em carne e osso.
- O que ele está fazendo aqui? - Ele vem sempre.
Dando autógrafos, entrevistas, tanta coisa...
- Tem um quarto? - Sim, senhor.
Ligação interurbana, por favor..
Sim, quero ligar para o Sr. Honsinger.
Nova York, Murray Hill 9336.
Tom Alder.
Sim?
Ponha na linha.
- Tom! - Olá, James.
É, estou em Chicago.
Alguma informação sobre o Kanig?
Nada de especial. Um vigarista de segunda categoria.
Prisões de todo tipo, proxenetismo, pequenos furtos...
Foi morto em 1948.
E nosso amigo Auguste Pleschette?
A tal fotocópia de Washington, né?
Tinha uma informação que pode ser importante.
Pleschette e Kanig eram parceiros.
Pelo menos na época da foto.
Como é que o Pleschette parece?
Não sei. Só encontramos esta foto.
Só dá pra ver seu braço algemado ao de Kanig.
E o Kanig, como se parece?
Espera.
Parece ser alto,
1.90m, cerca de 80kg, cabelo castanho...
Hmm... meio boa pinta.
Bem, obrigado, James.
Quer que te mande a foto?
Não, segura ela aí.
A propósito, onde enterraram Kanig?
O registro policial diz que o corpo foi identificado por parentes.
Hm...
Obrigado, James. Volto a falar com você.
Por favor...
me liga com a telefonista de interurbanos.
Quero uma ligação para Washington, D.C., para o senhor...
isto é, Coronel Charles Maddock.
Sim, Pentágono, departamento de informações.
Eu aguardo.
Chuck? Tom Alder aqui.
Tudo bem... olha só...
preciso de outro favor.
Quero que investigue mais alguns caras.
Pronto? Auguste Pleschette.
Todos têm o mesmo problema.
Danny Kanig.
Isso... quero o mais rápido possível. Estou no Palmer House em Chicago.
Fico aguardando.
Até mais. Adeus, Chuck.
- Boa noite. - Boa noite, senhor.
- Um steak New York, mal passado. - Com licença, senhor.
Boa noite. Podem me acompanhar.
Aceita um aperitivo?
- Um martini. - Boa ideia.
- Dois martinis. - Obrigado.
Ei, lembro de você. Da outra noite.
No Circle Room, Hollywood. Falamos sobre guerra.
É verdade... Sr. Dane, Srta. Foster
Boa noite, Srta. Foster.
- Linda mulher. - Obrigada. Sou grande fã sua.
Se for para Hollywood, garanto que meu estúdio a contrata.
Acredito que conheça meu noi...
um amigo meu que frequenta seu clube de golfe, Harris Toomey.
Claro, grande jogador.
Já jogamos juntos algumas partidas bem disputadas.
Sr. Dane, se está sozinho não quer se sentar?
Obrigado, será um prazer.
Como se explica que nunca a vi com o Harris?
Como se explica que nunca a vi com o Harris?
Costumo sair muito. Se a conhecesse tenho certeza de que me lembraria.
Não faço o gênero esportivo.
Quase nos conhecemos outro noite no Circle Room
quando conversava com o Sr. Alder.
Devo ser cego que nem um morcego se não lembro de tê-la visto.
Você estava acompanhado...
Acompanhado? Não me lembro.
Ah, sim! Uma zinha que peguei por aí.
Está para estrelar algum filme em breve?
Daqui a algumas semanas.
- Filme de guerra? - Só podia ser.
O estúdio acha que fico bem de uniforme. Só me chamam para filmes de guerra.
Uso tanto uniforme que outro dia bati continência pra mim mesmo.
Força Aérea, Exército, Marinha,
até em submarinos. "Fire 1, Fire 2"...
Você viu?
Não, acho que também não vi.
Eu vi. Você estava magnífico.
Obrigado, é gentileza sua.
- E você, o que você faz? - O que eu faço?
Sua profissão. Você é agente? Parece que já o vi em Hollywood.
- Não sou agente. - Empresário?
- Não. - Desisto.
Eu caço pessoas.
Ele gosta de fazer piada de tudo.
- Ele é investigador. - Inves...
- Ah, um detetive. - Não sou detetive. Eu...
eu procuro herdeiros desaparecidos.
Isso é um emprego?
Os herdeiros encontrados gostam. Entram na grana.
Vai entender.
- Linda. - Walter! Harris!
Surpresa?
Apresento-lhes o Sr. Toomey e o Sr. Collinson.
Sr. Alder e creio que conheçam o Sr. Dane.
- Como vão? - Olá, Dane! Prazer em revê-lo.
- Estávamos falando de você, Harris. - Bem não era, eu aposto.
Collinson, 'o' Walter Collinson? Estaleiros, cobre?
Prazer em conhecê-lo. Não sabia que era amigo do Harris.
Então você é a antiga paixão da Linda.
Eu sou Harris Toomey.
- Espero não estarmos interrompendo. - Não, tudo bem.
Quando Linda me falou de Nicki tive que vir imediatamente.
- Já soube dela? - Não, ainda não.
Isso é ridículo. Não pode simplesmente ter desaparecido.
- Sua esposa, Sr. Collinson? - Noiva. Vamos nos casar mês que vem.
Aconteceu alguma coisa?
Deve ser o susto. Com certeza não houve nada.
Quem sabe não te deu o hotel errado?
Tenho certeza de que disse Palmer House. Não posso estar enganada.
Estava muito nervosa quando ligou, mas sei que disse Palmer House.
Com licença, meu jantar chegou. Se me permite uma sugestão, Sr. Collinson,
o Sr. Alder é detetive. Talvez possa dar sua opinião.
Quer dizer que é um detetive. Interessante.
Mas acho que não devemos discutir isso em público. É um assunto particular.
Vamos nos registrar e faremos planos.
Boa ideia, Harris. Podemos nos encontrar depois do jantar.
- Isto é, se Nicki ainda não tiver aparecido. - Linda, eu estou preocupado.
- Acho que não precisaremos do Sr. Alder. - Nós mesmos podemos resolver.
Não precisam esperar até depois do jantar.
- Já vou indo. - Isso é que não!
- Vou dar um telefonema. - Vou com você.
- Só estava pensando no Walt. - Vai se catar, Harris.
Tom.
Tom, espere.
Sinto muito. Ele estava sendo insultuoso.
Como acha que eu teria reagido
se tivesse conhecido o tal do Newcombe nesses circunstâncias?
É...
pode falar, Coronel.
Preso por proxenetismo, suspeito de proxenetismo...
Preso por... Gente fina, Hein?
É..
Recebeu indulto em 1948.
Fargo, Dakota do Norte.
Não... é só do que preciso, Coronel.
Só que é a ficha de um homem que morreu em 1948.
Bem...
explicarei mais tarde, Chuck.
Sim... até logo.
Vamos, doçura, vamos até ali.
Essa está pra mim.
Olá, belezura, ganhou um pombinho.
Pombinho? Parece mais um frango.
- Ora, vamos dançar. - Estou tomada.
Como assim, tomada?
Um tenente? Tenente não dá pra te bancar, garota.
- Se manda, Coronel. - Tudo bem. Fica pra próxima.
Obrigada.
Eu disse obrigada.
Eu ouvi.
Também vai ouvir se pedir que me pague uma bebida?
Claro.
Ito, champanhe, por favor.
Então...
Vamos tomar um porre?
Porre com ginger ale?
- Está pagando por champanhe. - Mas bebendo ginger ale.
Escuta aqui, Zé... ou tenente Zé, como quer que se chame,
Sabe que lugar é este?
Faço ideia.
Pois eu tenho que dançar.
Ganho comissão pelas danças e pela bebida que você comprar.
Não posso ficar de conversa. A menos que pague pela hora.
Tem dinheiro?
Tenho algum.
Muito bem. Quer beber ou dançar?
O que foi? Acha que não valho?
Olha pra mim.
Olha pra mim!
Tem cada maluco!
Espera.
Senta.
Tem certeza que tem dinheiro?
Olha, não estou a fim de beber e...
está barulhento demais aqui pra conversar.
Podemos ir pra outro lugar?
Claro, se puder pagar.
Acho que não tem dinheiro suficiente.
- De quanto precisa? - Cem dólares.
Tenho cem dólares.
Tudo bem. Podemos subir pra conversar no meu apartamento.
É o que vamos fazer, Tenente. Conversar.
Melhor me pagar agora, Tenente.
Tem bastante dinheiro aqui, Tenente.
Salários atrasados.
Onde você esteve? Perdido numa ilha deserta?
Pra que me deu isso? Não me impressiona.
Quando despachou o coronel lá embaixo eu...
O coronel estava bêbedo! Não ponha minhocas na cabeça.
Você é muito bonita.
Obrigada.
Tem...
tempo contado pelos $100?
Eu só gostaria de...
ficar sentado aqui...
estou meio cansado.
Parece que a noite vai ser longa.
Gostaria de ficar sentado um pouco...
queria ficar te olhando, pode ser?
Como preferir, tenente.
Tudo bem se só quiser olhar.
Na verdade, você também não é nada mau de olhar.
Espera aí...
não está tão cansado assim.
Você foi ferido.
Estou bem agora.
Vou pro hospital amanhã.
Por isso vim aqui hoje.
- Para uma última aventura? - Se importa?
Não.
Quer conversar?
É alguma mulher, Tenente?
Como se chama?
Se chamava Linda.
Linda.
Significa bonita em espanhol.
Ela era bonita?
Era.
Me fale dela.
Como a conheceu?
Na sala de matrícula...
da UCLA, na Califórnia.
Ela era caloura.
E você?
Eu...
estava me matriculando no curso de Direito.
Começamos a sair juntos...
Íamos nos casar...
Aí Tio Sam me mandou uma carta...
O Exército, né?
Fiquei um tempo estacionado no Forte Ward.
Eu a visitava em Los Angeles e ela vinha me visitar.
Como quer que te chame?
Nessa época eu já estava aqui.
Vim para Tóquio em 1948.
Me chamo Lily Brown.
Continuo te chamando de Tenente?
Hm-hmm... Tom Alden.
Você estava apaixonado por ela e ela te escrevia sempre.
Até a última carta.
Tipo "Caro amigo"...
Bem, não te perguntarei sobre a Guerra, Tenente.
Acho que me contaria mesmo.
Se feriu, te mandaram pra cá e...
e ainda está apaixonado por ela.
Agora ela está casada...
Tem razão, ainda devo estar apaixonado.
Você é desse tipo de homem.
Gostaria de dormir um pouco, Tenente?
Se importaria?
Claro que não?
- Vamos, relaxa. - Chega.
Ei, qual é? Estou com montes de fichas.
Engula-os.
Bom dia.
Uh... bom dia.
Acho que peguei no sono.
Sim, dormiu a noite toda.
Não durmo bem assim desde...
Desde que recebeu a carta?
Desde que recebi a carta.
Escuta, sei que não é da minha conta,
mas não é só você que tem problemas.
É o que mais tem no mundo.
Tem razão.
Bem,
acho que...
Acho melhor ir andando.
Quer um café antes de ir?
Sim.
- Leite e açúcar? - Não, uh...
Puro.
Você parece...
diferente hoje.
Não estou diferente.
Acho que falei muito ontem...
Você sabe tudo de mim e eu nada de você.
Não tem muito pra saber.
Ainda sou uma moça que gosta de dançar.
Também gosta de ler...
e escutar música.
- Isso não tem nada de especial... - Não quis dizer isso, é que...
uma moça como você...
Não quis dizer isso, eu...
O que queria dizer, Lily...
Tudo bem te chamar de Lily?
Claro.
Só estava pensando...
Posso te ver de novo?
Pode, se quiser.
- Mas aqui não. - Não pensei em ser aqui.
Pensei em sairmos...
Podemos jantar fora ou...
dar uma volta...
ou sentar por aí e conversar.
Gostaria, sim.
Tom.
Pedi que não viesse aqui.
Precisava te ver, Lily.
Podemos subir?
Vou embora amanhã.
- Amanhã? - O avião sai às 6:00.
- Então só temos... - Até as 5:00.
Quero falar com você.
Quero te contar umas coisas.
Linda não será problema nenhum entre nós...
Não. Linda não é o problema.
Escuta...
- Quando falei do seu trabalho... - Não! Não faça perguntas.
Nunca perguntei antes. Só agora, depois esqueceremos.
As perguntas e respostas não farão diferença alguma.
Eu só quero saber.
Tem umas perguntas que você não vai responder.
Tem perguntas que não responderei.
Por quê?
Não é o momento certo para nós dois, Tom.
Momento e mundo errados.
Não entendo...
Momento errado, mundo errado...
Não fale, Tom.
Me ame, me ame...
Sim, um momento.
Pensei em tomarmos alguma coisa.
Para nos conhecermos melhor.
Por que não?
Eu peço. O que você quer?
Melhor conversarmos primeiro. Pode mudar de ideia quanto à bebida.
O quê?
Você subiu aqui...
pra perguntar se estou chegando perto, hm?
- Perto de quê? - De você.
Não sei do que está falando.
Estou falando de um vigarista chamado Pleschette.
Auguste Pleschette, já ouviu falar?
Não.
E um cara chamado Kanig?
- Te diz alguma coisa? - Nada.
Nunca ouvi de nenhum Kanig ou Kleshette ou Pleschette
Meu nome é Dane, Leroy Dane.
Falei com um amigo meu em Washington...
Ele disse que nenhum Leroy Dane
serviu no exército na Segunda Guerra Mundial.
Mas disse que um tal de Kanig tinha servido.
Só que não tinha servido em nenhum esquadrão, nem ora oficial.
Se eu fosse uma dessas pessoas...
não acha que poderia acontecer alguma coisa com você?
Algo meio desagradável?
Não creio.
Acho que Pleschette tem um lado meio covarde...
digamos, bem grandinho.
Até mais.
Talvez.
- Alô? - Sr. Tom Alder, por favor.
- Tom Alder falando. - Chamada interurbana, Sr. Alder.
Pode falar, senhora.
Tom?
Nicki?
Nicki, onde você está?
Telefonista, essa chamada... - Sinto muito, era interurbana.
Eu sei, pode descobrir de onde foi feita?
- Pode aguardar, senhor? - Sim eu espero.
Sua chamada foi via Minneapolis. Minneapolis, telefonista.
-...enviada de Custer City, Dakota do Norte. - Custer City, Dakota do Norte.
- Foi dada de uma cabine telefônica... - Cabine telefônica.
- ...2426 - Brule Lodge. É uma linha múltipla.
- O que significa isso? - Significa que é uma extensão.
- Posso ajudar em mais alguma coisa? - Não, é só isso, obrigado.
Boa noite, Sr. Alden. Ou melhor, bom dia.
- Entendo que esteja surpreso. - Estou, sim.
Imaginei que sim.
Eu pulei Chicago trocando de avião.
Pensei que não o veria mais depois de Nova York.
Pois pensou mal. Eu estava atrás de você todo esse tempo.
Eu o segui.
Como sabe, segui-o quando visitou a Sra. Delaney...
e aquele detetive, o Honsinger.
Segui-o até o aeroporto,
Vi-o embarcar e tomei o avião seguinte.
Ei, algum de vocês se chama Alder?
- Thomas Alder. - É uma situação meio estranha.
Precisarei de alguma garantia, digamos $200.
Não tenho dinheiro comigo
mas quando chegar a Custer City te mando um cheque, falou?
Não precisa. O preço é o mesmo para um ou para dois.
Dividiremos o transporte aéreo meio a meio.
- Frenchie, eu viajo sozinho. - Que desperdício.
Ademais, já me conhece muito bem. Estarei logo atrás de você...
...senão adiante.
Vamos, iremos juntos a Custer City.
Aliviaremos o tédio da viagem. Tome, senhor...
nossa comissão.
O verdadeiro amigo do homem é o dinheiro. Nunca o deixa na mão.
Ele conforta e revigora em momentos de desespero.
Não concordo com o ditado...
que o dinheiro é a raiz de todos os males.
Dinheiro não é um mal.
Não por si só.
Tudo bem. Duas passagens.
Ele não vai desequilibrar o avião, vai?
Sim, Sr. Alden. Meu irmão é uma alma perdida.
É deplorável, mas é verdade.
Se mete em atividades nefárias, mentiu, roubou...
- Você também. - Ora, mas há uma diferença.
Nunca fui genuinamente um ladrão. como meu irmão,
- Soube que o infeliz já foi até gatuno. - Ele já foi ladrão, proxeneta...
- Proxeneta? - Foi traficante e assassino.
Deveras completa a investigação que você fez de Auguste Pleschette.
Fala com bastante autoridade.
- Estudou linha por linha... - O livro todo.
Mas a questão é o que vamos fazer?
Não faremos nada.
Deixaremos 12 pessoas decidirem. Chama-se júri.
Devíamos examinar a personalidade do meu irmão.
Do que ele mais gosta? Não é dinheiro?
Muito bem. Tire o dinheiro dele.
Ele sofrerá mais que o fogo perpétuo dos infernos.
Isso se chama chantagem.
Magnífico, caro senhor.
Essa sua mente afiada, sua lógica fria vai direto no ponto.
Não posso dizer tanto de você.
Trocando em miúdos, está falando de chantagem, não é?
Mas ele tem tanto...
Ele tem tanto e eu tão pouco.
- Deseja uma cabana? - Não, queria uma informação.
Cabanas eu tenho, informação não.
Tem uma mulher hospedada aqui, cerca de 30 anos,
muito bonita, loura?
- Sua mulher, hein? Não, não é minha mulher.
Ah...
Escuta, estou com pressa...
acho que ela fez uma chamada da sua cabine ali.
Sim, teve uma mulher aqui ontem à noite.
Ela usou a cabine. Me perguntou como chegar a Dumas.
Ei disse que não daria pra ir de noite.
A estrada é bem ruim. Cabine 6.
Obrigado.
Mas ela não está lá.
Saiu bem cedo hoje de manhã.
Obrigado.
Você está bem?
Sim.
Estava procurando aquela casa ali embaixo.
Faz muito tempo, Lily.
Faz, sim.
Queria esquecer, mas não conseguia.
Eu tinha que lembrar.
Foi a única coisa que me deu forças depois que me deixou em Tóquio.
Oh, Tom, quando você foi embora só queria morrer.
Mas não podia, porque...
Tom, tenho que te contar uma coisa.
Não sou Nicki Kovacs e...
também não sou Lily Brown.
- Meu nome verdadeiro é Doris Delaney... - Eu sei.
Como... quando você descobriu?
Hoje.
Ou então outro dia quando sua mãe me mostrou uma foto sua em criança.
Ou talvez há muito tempo.
Quando a deixei em Tóquio tive muito tempo para pensar.
A forma como nos conhecemos...
você não parecia se encaixar com o que fazia.
Um dia li um artigo de revista sobre Doris Delaney.
Sobre o que poderia ter acontecido com ela.
Eu pensei, talvez Doris Delaney apenas tenha fugido.
Fugi, sim. Tinha que fugir.
Isso é o que eu não entendia. Por quê?
Sabia que era algo que não podia enfrentar, algo para onde não podia voltar.
E era.
Quer me contar o que foi?
Quero te contar tudo, Tom, mas...
Estou do seu lado, não sabe?
Vamos, falar ajuda.
Bem, um homem que...
Eu o conheci num shopping perto da escola.
Ele foi legal comigo...
Algumas semanas depois...
ele me convidou ao seu apartamento para conhecer uns amigos.
Oh, Tom...
eu era tão jovem, não sabia o que estava fazendo.
Não tinha ninguém lá.
Eu resisti...
mas ele bateu em mim e...
Mais tarde descobri que estava grávida e...
liguei para ele e disse.
Ele disse que me ajudaria.
Então voltei até seu apartamento.
Mas ele não ajudou... foi pior.
Havia um amigo com ele...
Eu sei, Danny Kanig.
Ele me segurou enquanto o amigo...
Havia um revólver...
enquanto me debatia eu atirei nele...
Havia tanto sangue, Tom.
Eu entrei em pânico. Saí correndo. Corri sem parar.
Já passou, Lily.
Mas não podia voltar. Minhas digitais estavam no revólver.
A única maneira que podiam me incriminar seria se eu morresse...
e tirassem minhas digitais.
- Eu sei... - Tantas vezes eu quis isso.
Mas eu não podia... não podia por causa da minha família.
Eu sei.
Eu perdi a criança.
Mas... eu tinha matado um homem.
e tinha que me enfiar num buraco bem escuro
onde ninguém tivesse ouvido falar em Doris Delaney...
e, se suspeitassem, nunca acreditariam.
Foi onde você me encontrou.
Te contei tudo menos o nome do homem.
Foi o Auguste Pleschette.
Leroy Dane.
Por isso é que eu vim aqui.
Eu tinha que descobrir.
E se estivermos errados, Tom?
Não estamos errados.
Quero que você ouça pessoalmente. Vamos.
O que vocês querem?
Quero fazer algumas perguntas sobre seu filho.
Vá pro inferno. Não vou falar de ninguém.
Tudo farinha do mesmo saco.
Querido papai, está vivendo sozinho há tanto tempo.
Melhor viver sozinho que ouvir vocês tagarelando.
Figura curiosa, não, Sr. Alder?
Seja bem-vindo à casa do mau pai.
- A casa da minha juventude. - Sabe por que viemos, não é?
Claro, a cena final do drama. Não quer entrar para esperarmos?
Não preciso esperar. Só quero perguntar uma coisa a seu pai.
Mas precisa esperar o desfecho.
E isso só com todos os atores em cena.
O último está para chegar.
Leroy Dane?
Ele já interpretou muitos papéis e usou vários nomes.
Sim, meu irmão Auguste.
Era o que queríamos saber.
Vamos entrar e ficar mais à vontade?
- Auguste não virá. - Virá, sim. Eu o chamei.
Desarrumado, não?
Se fosse um ator de cinema...
se ganhassem um milhão de dólares bruto...
e recebessem um telegrama dizendo:
"Perigo ronda em Dakota onde tudo começou".
O que faria, Sr. Alden, se recebesse esse telegrama?
Faz muito tempo. Auguste está morto.
Enterrei ele em 1948.
Existe um túmulo, mas os restos do meu irmão não estão lá.
Quem está lá, Danny Kanig?
O homem cuja identidade meu irmão assumiu em 1948, quando...
O homem que eu matei ou...
achei que tinha matado.
Você matou um homem, não importa se era meu irmão...
Espera, vamos esclarecer uma coisa.
Você não matou ninguém.
Ela feriu um homem que sobreviveu.
E aí, meu irmão?
Você caiu nessa com os olhos bem abertos.
'Big Frenchie', rei dos golpistas.
Esperava mais de você.
Chegou aqui antes de mim?
- Duas horas antes. - Papai, você não me disse.
Todos aqueles anos que você passou na prisão...
não te ensinaram a garantir suas apostas?
Nunca mandou um centavo pro velho.
Mas eu me garanti.
Passei por aqui mês passado
quando soube que alguém estava revirando as cinzas.
Só me custou $300.
Uma televisão, um telefone.
Um seguro.
E você não sossegou. Teve que vasculhar tudo de novo.
Meu irmão querido...
Sem essa, não vai ganhar nada com isso.
Já teve a sua chance.
Depois que me livrei da Joliet você podia ter parado, mas não.
- Teve que contar pro Alder. - Não foi assim.
Auguste, meu caro...
Você não sabe metade, quase nada do que aconteceu.
Esquece, Frenchie.
Dessa você não escapa.
Do que está falando?
Acha que você vai escapar?
Não. Mas seu irmão acha.
Vai te propor um acordo, a nossa vida pela dele.
Não dê ouvidos a ele. Podemos resolver isso entre nós.
Vamos lá fora. Tenho uma coisa de importância vital para te contar.
Ele vai lhe contar que sou Doris Delaney.
Doris Delaney?
Sim... me pareceu familiar quando te vi em Hollywood.
Doris Delaney.
Se soubesse que era bonita assim depois de todos esses anos...
e com tanto dinheiro...
poderia ter feito pior.
Devia ter-me casado com você.
Isso você nunca conseguiria.
Você fugiu depois de me balear.
Pensou que tinha me matado.
Pois a bala só passou de raspão pela minha cabeça.
Eu me levantei assim que você saiu.
Então foi você que matou aquele homem... o outro homem.
Me pareceu uma boa ideia na ocasião.
Teu pai tinha 50 milhões de dólares e...
Danny Kanig era um vigarista.
Ele nunca tinha sido visto junto com Doris Delaney.
Seus colegas e o pessoal na sorveteria
nunca associariam um vigarista como Kanig a...
Sua foto foi publicada no jornal.
Foi meu único golpe de sorte. O resto eu tive que batalhar.
Algum fotógrafo tirou uma foto de nós após um golpe.
Trocaram os nome. Me puseram como Kanig...
e Kanig como eu.
Somos irmãos, Auguste, O sangue é mais forte.
Ele já matou duas pessoas.
- Três ou quatro a mais não farão diferença. - Tem razão, Sr. Alden.
Nunca matei um homem na minha vida.
Mas meu irmão...
Sr. Alder, acabo de matar um homem.
Não vai me prender?
Não sou policial, Frenchie. Quer ser preso, chame o delegado.
Claro.
O delegado, por favor.
Aqui é da residência dos Pleschette.
Pode mandar um policial imediatamente?
Um homem acaba de ser morto.
Isso mesmo.
Claro que aguardarei. Obrigado.
Não precisarei disso onde estou indo.
Com licença.
Sr. Alden, espere.
Para falar a verdade, não me sinto tão mal.
Meu irmão era vil.
Ele feriu muita gente durante sua vida.
Você, por exemplo, Srta. Delaney.
O mundo me ignorou.
Meus amigos mesmo estão todos na prisão.
Mas terei tempo para estudar. E talvez...
talvez até escreva minhas recordações.
Se escreve tão bem quanto fala será um sucesso.
Talvez venda bem.
Quem sabe eu fique famoso? Posso ganhar uma condicional.
Um indulto.
Todo um mundo novo pode se abrir para Jacques Pleschette.
Sim, se puder publicar meus refinados dotes literários...
Legendas: Luís Filipe Bernardes
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