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Original subtitles

"QUANDO N�O T�NHAMOS NADA, �RAMOS FELIZES NO NOSSO CULTO...

QUANDO COME��MOS A QUERER ALGO � QUE DEU PARA O TORTO..."

As ondas levantam-se,

e a fam�lia Paskowitz tamb�m.

E hoje, como todos os dias,

eles v�o surfar.

Este � o acampamento deles, � sombra da central de energia nuclear

a sul de San Clemente.

Dorian Paskowitz � um m�dico de 58 anos.

Formado pela Faculdade de Medicina de Stanford,

um dia decidiu largar tudo,

fechar o consult�rio e passar o resto da vida

a viajar com a fam�lia numa pequena autocaravana,

de onda em onda.

Nem consigo l� voltar,

porque devo ter feito muito do caminho son�mbula.

Devo ter feito muita coisa e apagado as mem�rias.

Durante 10 anos estive gr�vida ou a amamentar,

sem um �nico dia de intervalo.

O David nasceu em 1959.

Eu sou o que Gabriel foi para Deus.

O Jonathan nasceu em 1961.

O macho beta.

FILHO #2

Basicamente encostas-te,

v�s o macho alfa fazer tudo,

e no momento em que ele mais precisa de ti,

d�s-lhe um pontap� no traseiro,

tiras a coroa ao pr�ncipe e segues em frente.

O Abraham, em 1962.

Eu era o queridinho.

FILHO #3

Era o mais sens�vel.

O Izzy, em 1963.

FILHO #4

V�em? Somos selvagens.

O Moses nasceu em 1964.

No Hospital Kapiolani, pela m�o do Dr. Nishijima,

�s 14h38, a 26 de Setembro,

no ano do Nosso Senhor de 1964.

O Adam, 1966.

O meu pai ensinou-me a ser uma de duas coisas...

FILHO #6

Ou surfista...

Bem, tr�s. Ou um vagabundo, ou uma estrela de rock.

O Salvador, em 1967.

Diria que o meu papel foi provavelmente...

FILHO #7

... de nerd?

A Navah em 1969.

N�o sou um irm�o. Falta-me a pila.

E o Joshua Ben, em 1974.

N�s nascemos porque o Doc queria

repovoar o mundo de judeus.

Isso � extremista, porra.

Conhe�o pessoal skinhead assim.

Ao longo da nossa vida em conjunto,

fomos conhecidos como uma fam�lia muito invulgar.

Fomos conhecidos por sermos diferentes.

E � a maior desonra...

... a coisa menos lisonjeadora que podem dizer sobre mim,

porque na verdade...

�ramos as pessoas mais convencionais.

Uma onda do mar � como qualquer outra onda,

uma energia...

De uma fonte de energia,

as estrelas e o Sol.

Divide-se, e faz isto quente e aquilo frio,

faz aquela poderosa estrela gigante

com milhares de quil�metros quadrados.

Por isso, de certa forma, aquela pequena onda

tem nela alguma da sabedoria da Natureza, do Universo.

E n�s apanhamo-la.

Acho que o Dorian � o surfista por excel�ncia.

S� a ess�ncia do surfe,

a camaradagem e a cultura que rodeia a onda

� algo que o Dorian adorou toda a sua vida,

e est� a tentar transmitir ao mundo ao seu redor,

tanto aos surfistas como aos que n�o o s�o.

Mas � visto como um extremista e, por alguma pessoas,

como irrelevante, provavelmente,

e por mim e mais uns quantos,

como provavelmente o mais relevante.

A fam�lia Paskowitz � a fam�lia mais conhecida no surfe.

A sua vis�o � partilhar o seu amor pelo oceano,

e como ele pode ser terap�utico.

� uma mensagem muito boa,

porque se trata da divers�o. Eles s�o uma fam�lia t�o grande

e trazem tanto amor ao desporto.

Fic�mos agarrados porque � o nosso ganha-p�o,

mas mesmo assim divertimo-nos, especialmente nos dias de folga.

� aquilo que fazem todos os dias.

... aquela onda,

uma volta lind�ssima, e pela onda abaixo...

PRAIA DE WAIKIKI, HAVAI

Bom dia, mam� e beb�.

Deus vos aben�oe e vos guarde.

Mam� e beb�, ajudem-me a estar atento,

para que possa ser �til.

E pronto, caros amigos.

Bem ou mal, isto � o que eu fa�o.

As minhas ora��es podem n�o ser corretas.

Nem fa�o a mais p�lida ideia de quem Deus �.

Acho que ningu�m faz.

Para mim, Deus encaixa em todo o lado.

E � isso que eu quero ser.

O meu nome � Dorian

Pas-ko-witz.

Sou um dos poucos m�dicos judeus burros

que alguma vez ir�o conhecer.

Tenho 84 anos de idade

e tenho montes de problemas.

Tenho um pouco de enfisema devido a 80 anos de asma,

tenho atrofia dos m�sculos da perna,

tenho problemas na pr�stata, problemas na bexiga,

osteoartrite da coluna vertebral,

uma anca com osteoartrite.

Mas n�o tomo nenhum medicamento, de todo.

Em vez disso, estou a tentar alterar as coisas que fa�o

de modo a ser muito moderado.

Por outras palavras, tento ser

t�o saud�vel quando poss�vel, e essa � a chave.

A sa�de � mais do que a mera aus�ncia da doen�a.

� a presen�a de um estado superior de bem-estar,

um dinamismo, uma vitalidade.

Tem de se trabalhar para ela todos os dias da nossa vida.

N�o podemos obt�-la numa garrafa

nem do Dr. Phil. Tem de ser obtida

atrav�s da dieta e do exerc�cio, do descanso e do lazer,

de atitudes e da mente, tudo a funcionar em conjunto,

todos os dias da nossa vida. E ent�o,

os jovens podem tornar-se super-homens

e os velhos podem ficar mais velhos.

Em crian�a, s� surfava.

O meu pai n�o queria saber se eu ia � escola.

Eu n�o queria saber de ir � escola.

A minha m�e n�o me conseguia apanhar quando eu n�o ia � escola.

Por isso, terminei o liceu com uma m�dia negativa.

O Dorian � maluco, est� bem?

Digo isso com muito amor.

Ele � de extremos, muito de extremos.

E...

IRM�O MAIS NOVO DE DORIAN

...ele sempre foi o rebelde da fam�lia.

E a fam�lia n�o tem sabido lidar com ele.

Ele desenvolveu

uma certa atitude, uma certa filosofia.

E tudo o que ele fazia...

IRM� MAIS NOVA DE DORIAN

... envolvia essa filosofia.

Eu nasci a 3 de Mar�o de 1921,

na pequena cidade-ilha de Galveston, no Texas.

Mudei-me para San Diego quando tinha 13 anos de idade, em 1934.

A primeira vez que fiz surfe

foi numa prancha muito estranha,

ensinado por um salva-vidas surdo-mudo

que se chamava Leroy Colombo.

Isto � SanO. Quando o meu pai

subiu aquele monte, em 1939,

encontrou uma onda trapalhona e mole,

e isto tornou-se no seu canto do cisne.

Talvez houvesse centenas de surfistas em todo o mundo naquela altura,

contra centenas de milhares.

S� por fazer parte daquele grupo, Dorian afirmou-se

como um bo�mio, um escapista, um rom�ntico ou...

Sabe com quem se parecia o Dorian quando tinha 17, 18, 20 anos?

Com o Charles Atlas. Meu Deus,

lindo, com m�sculos bronzeados, fazia flex�es na praia.

Ele era um salva-vidas.

As raparigas deixavam-se afogar s� para serem salvas.

Queriam ser salvas por ele.

Ele conseguiu entrar em Stanford,

formou-se enquanto ainda era novo.

Tornei-me num delegado de sa�de p�blica

no territ�rio do Havai.

A primeira vez que veio abriu um pequeno consult�rio,

nas traseiras da Dairy Queen

e tratava todo o pessoal da praia, gratuitamente.

O Dorian levou o Juramento de Hip�crates muito a s�rio.

Eu nunca vou enriquecer � custa de pessoas doentes.

Ele era mais um rapaz da praia, como os restantes de n�s.

Muito do pessoal que ia l� era pobre, e o Doc tinha dificuldades.

Come�ou a surfar as ondas grandes connosco, em todo o lado onde �amos.

Ele casou primeiro com a Elizabeth.

Tiveram muitos problemas,

sobretudo sexualmente.

Est�vamos todos juntos num grupo de surfistas,

e and�vamos juntos. O Wally, o Georgy e o Woody.

E havia um rapaz japon�s.

Eu n�o sabia que ele andava a comer a minha mulher.

E ele casou com outra rapariga, meia-judia.

E ela era muito... conservadora.

Ent�o o Dorian abriu um escrit�rio e comprou um edif�cio...

E conseguiu ser conhecido.

E o gajo chegou a presidente

da Associa��o M�dica Americana no Havai.

Casaco branco, cal�as brancas,

uma bela gravata, ele tinha muito sucesso.

O Dorian fez parte do Brain Trust da Am�rica,

que recrutava as pessoas mais inteligentes do mundo

para o governo dos Estados Unidos.

Ele era um m�dico de Stanford, com distin��o.

Pediram-lhe para se candidatar

a governador das ilhas do Havai.

Era um verdadeiro vencedor.

Foi o ponto mais baixo da minha vida.

Sabem o que s�o crises de p�nico?

S�o a pior coisa do mundo.

Pensamos que vamos morrer, mas depois... n�o morremos.

E queremos morrer,

para nos libertarmos daquilo, e n�o morremos.

Eu estava aterrorizado quando deitava a cabe�a

na almofada � noite:

"Paskowitz, �s uma porra duma fraude.

Vais viver o resto da vida assim?

�s falso. Esta treta toda n�o � nada.

Tu j� nem fazes surfe."

O problema era que o Dorian n�o era levado a s�rio

por muitos dos seus contempor�neos.

O Dorian estava separado

da maioria das realidades que eles adoravam,

que era acumular riquezas e amealhar bens.

O Dorian tinha muita dificuldade

em agir de forma convencional.

N�o lhe interessava ser um figur�o.

Interessava-se por fazer o seu trabalho e ajudar-nos a todos.

Quando os m�dicos viram essa qualidade

de empatia,

disseram-lhe: "Est�s no s�tio errado.

�s um gajo da praia. Sai disso."

Tinha perdido a minha segunda esposa.

Vi as minhas duas lindas filhas afastarem-se de mim.

E disse para mim mesmo, "Deus todo-poderoso,

onde estou eu?"

Ent�o, em 1956,

depois de muitos anos de ins�nias e ansiedade,

embarquei numa odisseia

para encontrar a resposta de quem sou,

o que queria fazer na vida

e esquematizar um plano para o fazer.

O surfe reinventa-nos.

Tinha entrado na �gua

pronto para estourar os miolos,

e sa� da �gua como um guerreiro.

Despedi a minha empregada. Larguei o meu apartamento.

Deixei ir o sujeito que lavava o meu carro.

E decidi fazer uma viagem a Israel.

Este � o Dorian Paskowitz.

Quando veio a Israel devia ser por volta de 1957.

Fui para o deserto como Jesus de Nazar�,

e muitos outros malucos, e vivi como um animal.

Obtinha a comida do mar.

Durante um ano dourado, fui saud�vel. E ent�o...

tentei ser p�ra-quedista na tropa,

e eles riram-se na minha cara.

E eu disse: "Que se lixem. Vou buscar a prancha e surfar."

Pega na prancha, apanha umas quantas ondas.

Os salva-vidas vieram ter com ele. Queriam todos aprender a surfar.

Ele ensinou os verdadeiros her�is da praia de Tel Aviv a surfar.

Topsy, Dorian e Shaul.

Os mi�dos... tr�s ondas.

Todos eles... N�o entendiam

como eu ficava em p� em cima dum peda�o de madeira.

E a partir dali, surgiram todos os surfistas.

Eu estava a ficar melhor porque surfava mais.

Depois conheci uma rapariga judia chamada Ellen,

e junt�mo-nos.

Ela ensinou-me a fazer minetes.

Isso mudou imenso a minha vida.

A minha vida como marido tinha sido muito pobre.

E eu senti que a minha falta de conhecimento sexual

foi a causa disso.

Decidi fazer uma viagem � volta do mundo, e fazer um estudo

sobre o desenvolvimento psicossexual das mulheres.

Na verdade, ele comeu 25 mulheres

e tirou apontamentos.

Pensei que ia tentar comer 100 mulheres de seguida,

e fazer um teste a cada uma delas.

Todas recebem uma nota, chamada de "nota de d�fice masculino."

Daphne, a virgem, levou um 85.

Rochala Pollack levou um 78, se tanto.

A Carmela Goldberg levou um 90.

E foi quando encontrei a Juliette.

E foi o final da minha pesquisa.

Fiquei estarrecido com a nota t�o elevada dela.

O meu nome � Juliette Paskowitz. Nasci em Long Beach, na Calif�rnia.

Os meus pais s�o mexicanos.

A primeira vez que vi o Doc,

ele era a pessoa mais invulgar que alguma vez tinha conhecido.

Sabia que n�o podia deix�-lo fugir.

Ia amarr�-lo de alguma maneira.

Eu tinha 26 anos, e estava sentada num bar com uma amiga minha.

O Dorian entrou no bar.

Ele veio at� � nossa mesa e ficou ali.

E come�ou a fazer-me perguntas.

E depois, de repente, olha para mim e diz,

"Sabes que mais? Talvez sejas a m�e dos meus sete filhos."

E eu disse: "Bem, a minha m�e teve nove."

E tudo desapareceu naquele bar

excepto n�s os dois. Est�vamos t�o encantados.

Mud�mo-nos para o seu Studebaker.

O nosso primeiro apartamento.

Ele arranjou-o.

Colocou uma cama na parte de tr�s, um peda�o de contraplacado no tecto,

e todas as nossas coisas, uma prancha de surfe.

E partimos para o M�xico.

E eu disse para mim mesmo, "N�o me interessa ser um grande m�dico

ou uma pessoa rica, ou uma vedeta,

ou seja o que for.

S� quero ser um bom marido

e um bom pai, portanto um bom homem.

Uma noite, est�vamos estacionados na Ba�a San Carlos. Ele disse-me,

"Amanh� de manh� vamos casar-nos."

Eu comecei a chorar. Estava t�o feliz.

E na altura j� estava gr�vida.

Nove crian�as a viver numa caravana de 7,5 m.

N�o tenho registos nenhuns antes dos 23 anos.

Ficou tudo destru�do na confus�o.

Estas s�o algumas das fotografias da fam�lia que eu guardei.

O meu pai ficou t�o abatido com a sua vida anterior,

a tentar ser m�dico a s�rio, uma pessoa a s�rio,

que decidiu que o mundo fora do n�cleo familiar

era algo com que se devia ter muito cuidado,

na onda dos Amish.

O Dorian criou os filhos para serem como lobos.

Podiam adaptar-se em qualquer lugar.

N�o sei se um lobo consegue fazer isso,

mas sei que a fam�lia Paskowitz conseguia.

Ele queria que n�o estiv�ssemos presos a uma hipoteca,

a um banco ou presta��o autom�vel, fosse o que fosse,

e a qualquer momento

pud�ssemos entrar e partir, e deixar tudo para tr�s.

A pr�xima aventura est� a caminho.

Uma manh� acord�vamos e est�vamos em Pensacola.

Acord�vamos noutra e est�vamos em Corpus Christi.

Noutra manh�, acord�vamos e est�vamos em San Onofre.

�s vezes dirig�amo-nos para norte e o Dorian dizia...

"N�o sei, isto n�o me parece bem."

Virava o carro e come�ava a dirigir-se para sul.

E dizia, "Sim, � isso. Dev�amos estar a ir para sul."

S�o Francisco, Baja Calif�rnia, Florida, Venezuela,

Novo M�xico, Alabama, El Paso, Maine,

Virg�nia, Malibu, Dakota do Sul.

Part�amos num impulso, �amos para qualquer lado.

Um dia estava deitado na cama e ouvi isto...

LENDA DE MALIBU, AMIGOS DA FAM�LIA

Olho pela janela e vejo

um peda�o de sucata horr�vel.

E eles chegam � entrada.

- A porta abria-se e l� estavam eles. - L� vinham eles.

Um bando de mesti�os, nus e desgrenhados...

...a precisarem de um banho, de comida e coisas do g�nero.

�ramos t�o chegados.

Por isso � que �amos sempre com o meu pai para algum lado,

onde ele pudesse abrir a porta e deixar-nos dispersar.

Abria a porta da caravana: "Saiam e divirtam-se. Almo�o ao meio-dia."

Se entrassem na casa m�vel dos Paskowitz,

a Juliette estava sempre a varrer montes de areia.

Mas tinha sempre lindas flores frescas num vaso,

e estava sempre a ouvir �pera. Sempre.

A Juliette tinha a mais bela voz de contralto que alguma vez ouvira.

E todos os dias,

ela trazia m�sica �s nossas vidas.

E enquanto viaj�vamos, ensin�vamos-lhes outras culturas,

a maneira como as outras pessoas viviam, as diferentes comidas.

E l�amos durante horas, em sil�ncio.

Eu n�o era uma esp�cie

de radical intelectual avant-garde.

S� queria os meus filhos � minha volta,

a surfar comigo, e que se lixasse a educa��o.

Soa bem dizer que est�vamos

um passo � frente da autoridade escolar,

mas isso n�o aconteceu de verdade.

Porque se n�o entrarmos no sistema...

... eles nem sequer sabem que existimos.

O tipo de coisas que os seus pais teriam dito:

"Podes ir para a escola porque � seguro,

mas n�o v�s nadar com tubar�es, porque � perigoso."

Os nossos pais diziam: "Podem ir nadar com tubar�es,

mas nem pensem em ir para a escola, porque essa merda � perigosa."

Eles v�o � escola.

Eles v�o a uma escola que eu considero ser

muito mais exigente

do que o sistema p�blico de educa��o de qualquer pa�s onde estivemos.

A primeira coisa � que eu exijo que eles surfem

com gra�a, charme, bondade,

compaix�o, e que seja bons nisso.

Eles venciam todos os concursos.

O primeiro, segundo, terceiro e quarto era um Paskowitz.

Talvez um Tubesteak conseguisse o quinto lugar,

se tivesse sorte.

Na verdade, um Tubesteak ganhava se os Paskowitz estavam em Dakota.

A minha primeira onda em Tourmaline Canyon,

foi quando eu tinha seis anos. Eu nasci em 1963, portanto...

Foi a porra do ver�o de 1969, meu.

O meu pai levou-me na sua prancha de 3 m.

E eu estava na frente, vir�mo-nos e apanh�mos uma onda,

e eu senti que �amos a uma velocidade enorme.

Agarrei-me �s bordas com toda a for�a que tinha.

Volt�mos para terra, salt�mos da prancha e corremos para a praia.

Senti que foi um feito enorme.

Entrar na �gua revitaliza-nos.

Limpa-nos. Faz-nos sentir

muito ligados � terra, muito nativos.

Enquanto crescemos, os nossos banhos eram no oceano.

Quando estou muito tempo afastado, as minha guelras secam.

Tenho de ter �gua em cima. Tenho de voltar a entrar na �gua.

N�o encontram uma certa graciosidade nos animais selvagens?

H� uma certa graciosidade num jaguar.

H� uma certa graciosidade no voo de um p�ssaro.

H� uma certa graciosidade numa gazela que salta.

Digo-vos, todos os animais selvagens a t�m.

� algo que perdemos. N�o � algo que n�o possamos ter.

Quando a minha mulher teve o meu primeiro beb�, eu disse: "Ouve,

n�o quero que uma gorila

fa�a nada com o seu beb� que tu n�o fa�as com o meu beb�.

Se uma gorila amamenta o beb� durante dois anos,

quero que amamentes o meu beb� durante dois anos.

N�o quero ficar atr�s de nenhum gorila,

ou chimpanz�,

nenhuma salamandra ou osga,

nenhum esquilo."

� um conceito muito pesado.

Tamb�m � dif�cil ver um tipo a ver um babu�no

comer uma ma�a, mas n�o comer a casca

e depois imit�-lo durante o resto da vida, como o Dorian.

Um dia ele viu isso no jardim zool�gico.

Depois, viu isso outra vez no jardim zool�gico em San Diego.

"Os gorilas tamb�m n�o comem as cascas das ma��s.

Bolas, temos de parar de comer cascas de ma�a."

Sabe? Passava a ser lei.

Quando uma pessoa toma conta de si

da mesma maneira

que os outros animais tomam conta deles,

atingimos um estado de bem-estar superior chamado sa�de.

Quando est�vamos a crescer,

o mel era um luxo. N�o t�nhamos a��car refinado.

N�o com�amos p�o branco.

Com�amos sempre a mesma coisa todas as manh�s,

papas de aveia,

que era um composto de sete cereais muito forte.

Tem uma mistura de gr�os diferentes.

Alpista, ramos e merdas,

era isso que ele nos dava ao pequeno almo�o, e s� conhec�amos isso

porque est�vamos num ambiente controlado.

A minha m�e fazia um tacho enorme, e com�amos muitas sopas,

e muitas coisas que a minha m�e conseguia fazer.

Quando pod�amos parar para cozinhar.

De alguma maneira, conseguiam sempre alimentar os mi�dos.

Ela atirava aquilo para os pratos, como no Oliver Twist.

E ocasionalmente, na estrada, l� com�amos um ovo mexido.

Onde pud�ssemos pescar, n�s pesc�vamos.

E um peixe deste tamanho j� era bom.

E a �nica coisa que se deixava

eram os ossos da mand�bula, demasiado duros para mastigar e engolir.

E �s vezes at� com�amos esses.

Como o Abe dizia: "Migalhas, migalhas."

O Dorian mostrou-me como ingerir prote�nas um dia,

quando pegou num peixe inteiro e o comeu,

a cabe�a, os olhos, as espinhas, tudo. Ele comeu tudo.

E eu fiquei a olhar para ele, em estado de choque.

PRAIA DE SAN ONOFRE, CALIF�RNIA

Fa�o o que se chama pesca radical em prancha de surfe.

Primeiro apanhamos qualquer coisa com o isco o que temos,

e metemos os peixes maiores em anzol.

Depois largamos a �ncora e deixamo-los puxarem-nos.

Olha, aqui est� o meu �ltimo isco vivo.

Come-o!

O Adam acha que se um tubar�o branco viesse ter com ele,

era a coisa mais emocionante que lhe podia acontecer.

A mim, assustava-me imenso.

Afasto-me dois ou tr�s quil�metros e � um mundo t�o diferente.

N�o h� mais ningu�m sen�o eu.

� a �ltima coisa que resta fazer com a minha vida,

em que sou s� eu contra eu mesmo, contra os meus medos...

Pronto, l� vou eu.

O meu pai tinha um livro chamado Option.

E o livro era desta grossura. Era uma lista de m�dicos

que eram precisos no mundo, ou nos Estados Unidos.

Ele aceitava os piores trabalhos

daquele livro, que mais ningu�m queria.

E havia uma al�nea da �ltima vez que tiveram um m�dico,

e podiam ter passado anos, mas era esse que ele escolhia.

O Doc odeia mesmo o dinheiro.

Ele acredita que � a raiz de todos os males.

Uma das tias deixou-lhe, acho que foram 40 mil d�lares,

e ele disse: "N�o.

Da forma como tenho a minha vida alinhavada agora,

40 mil d�lares iam mud�-la, e eu n�o quero que ela mude."

Vivemos com dificuldade,

com momentos duros, com priva��es,

que para n�s s�o o pre�o que pagamos

pelas coisas que achamos importantes a n�vel elementar.

Quando ficamos com mais do que realmente precisamos,

digo aos meus filhos que estamos a tirar isso de algu�m.

Numa cidadezinha da Luisiana,

estacion�mos no parque e ele disse:

"Pessoal, c� est�.

Esta � a nossa �ltima moeda."

Era uma porcaria de cinco c�ntimos, e ele estava todo entusiasmado

porque sabia que aquela moeda representava outro desafio

para ele e para a sua fam�lia.

Peg�mos nos cinco c�ntimos e seguimos em frente.

�ramos t�o pobres

que nunca havia dinheiro para presentes, nem nada.

A certa altura, o Doc deu aos filhos

"o mar", por assim dizer.

Era uma esp�cie de prenda de anivers�rio.

Ele levava o mi�do para o mar e dizia,

"Filho, eu dou-te o mar."

E todos os mi�dos

ficavam desiludidos, sem qualquer d�vida. Est� a ver?

Porque houve alturas em que, seguramente,

n�o pod�amos estar todos vestidos, todos juntos ao mesmo tempo.

Mas houve alturas em que um de n�s podia ter uma roupa toda janota.

� preciso pensar nisso. Foi dif�cil, meu.

Sinceramente, eu n�o me lembro

de ter roupa interior feminina.

A minha m�e diria que n�o, mas ela esqueceu-se de muitas coisas.

E quando est�vamos ali,

mi�dos de 11, 12, 13, 14 anos, todos alinhados,

com 6,5 ou 7% de massa gorda,

parece uma de duas coisas: ou era um concurso de xilofone,

ou as pessoas est�o erradas. "Porque n�o engordam os mi�dos?"

- "Porque n�o est�o na escola?" - "O que se passa com voc�s?"

"Como � que fazem isto aos vossos filhos?"

"Porque n�o est�o a trabalhar para sustentar estas crian�as?"

"Que tipo de pais s�o voc�s?"

Viviam num espa�o t�o apertado

que nem podiam levar um brinquedo,

um brinquedo a mais, nem nada.

Ele olhava sempre aos pr�prios interesses, em rela��o ao que queria.

Dezassete, 18...

A minha teoria � que n�o obtemos a nossa educa��o em Stanford.

O que obtemos em Stanford chama-se conhecimento.

Mas a educa��o significa sabedoria.

A sabedoria obt�m-se atrav�s da experi�ncia,

da vida, das pessoas que conhecemos na vida quotidiana.

E foi isso que os meus filhos tiveram de sobra.

A minha mem�ria de estar com eles foi sempre de um incr�vel sentido

de vida e de amor, de partilha e de fam�lia.

Como estar numa col�nia de f�rias.

Nunca conheci um mi�do, quando �ramos mi�dos, que n�o pensasse,

"O que eu n�o daria para ter a vossa vida."

Porque parecia que est�vamos sempre em f�rias.

E nunca ouv�amos: "Sentem-se e aprendam geometria."

Est�vamos sempre a fazer algo empolgante.

Quando os mi�dos se transformam em adolescentes

e t�m de crescer, n�s nunca tivemos de fazer isso.

Aquilo pegava-se. Na verdade, muitos mi�dos

fugiam das suas casas

para virem brincar connosco todos os dias.

E as pessoas que viviam em casas ricas, grandes e bonitas

metiam-se nos seus Subarus novos,

vinham at� � praia e diziam,

"Vamos divertir-nos. Preciso de amor."

Viam a sua escapat�ria.

Diziam: "Eu sei que consigo fazer isto.

Eles n�o s�o os �nicos. Posso continuar a trabalhar.

Posso enviar a pens�o � minha ex-mulher e vai correr tudo bem,

mas vou fazer a cena que estes Paskowitz est�o a fazer,

porque eu quero aquilo.

N�o se pode... n�o h� meias medidas.

�ramos os poderosos Paskowitz. "Todos n�s juntos

conseguimos mover montanhas," dizia o Doc.

E esse era o seu mantra,

n�o h� ningu�m mais forte que o todo.

Se algu�m ficasse preso na areia, todos n�s...

"Poder Paskowitz, vamos l�,"

junt�vamos 11 pessoas, e tir�vamos o carro da areia.

Toda a gente tenta alcan�ar aquele momento espiritual de perfei��o.

N�s t�nhamos isso. N�s vivemo-lo.

N�o est�vamos apegados ao mundo f�sico, de todo.

Era um homem da �gua

O seu sangue corre nas minhas veias

Ele deu-me um amor

O oceano e a chuva...

Sabem, tenho uma filosofia de vida muito engra�ada.

Adoro ter os meus filhos � minha volta.

Sabem que eles nunca foram � escola?

Ent�o disse: "Gostavam de ter um trabalho este ver�o?

Recebem uma nova prancha, um d�lar por semana,

e podem surfar sempre que quiserem."

"Eu aceito," diziam todos.

Ent�o eu disse: "Trabalham para mim."

"Eu sabia que havia contrapartidas." "N�o, a s�rio. Trabalham para mim."

Dei um d�lar a cada um deles.

E foi assim que come�ou.

DR. PASKOWITZ E FAM�LIA CONVIDAM PARA UM FIM DE SEMANA DE SURFE

Em 1974, abrimos o acampamento de surfe no sul da Calif�rnia.

- E t�nhamos boa comida. - N�o era permitido a��car.

- Nada de drogas nem tabaco. - T�nhamos o slogan que dizia,

"Vivemos bem, comemos bem e surfamos bem."

O acampamento de surfe �, sem d�vida, algo que ador�vamos

de um ponto de vista emocional, porque era a nossa vida.

O nosso cora��o e alma, e toda a nossa vida,

tem sido em fun��o de levar as pessoas a surfar.

Levar para l� os mi�dos e faz�-los levantarem-se

e surfar as ondas, viver o sonho.

John, este �s tu.

Uma salva de palmas para o John Michael.

Dobra os joelhos, Big Jim.

Tens de comprimir quando entrares.

N�s n�o aceitamos a derrota dos nossos estudantes.

Por isso temos de os treinar fisicamente,

e for��-los a surfar.

� dif�cil.

ACAMPAMENTO DE SURFE MISSION BEACH, CALIF�RNIA

O milagre pode acontecer numa onda de qualquer tamanho.

Vimos gajos em pranchas de principiante que ensin�mos a surfar,

a olharem para a borda e passarem-se.

E � a mesma cara que vejo no Kelly Slater quando ele faz...

A intensidade da experi�ncia � a mesma.

- S� que ele � Shralpy. - � o melhor surfista do mundo.

- Vezes sete � 12� pot�ncia. - Vezes sete ao...

Tem sido muito fixe ver uma coisa que tomamos como garantido,

que fazemos todos os dias, especialmente de prancha curta,

vamos para o mar e queremos fazer uma manobra maior

ou surfar uma onda maior para obter novamente aquela excita��o.

Depois levamos um mi�do a surfar uma onda pela primeira vez,

e essa onda � t�o emocionante para ele.

Faz-nos apreciar muito mais todo o surfe.

Jackson, qualificado para a �ltima onda.

Vejam aquele backside.

TEMPLO BETH HILLEL

NAVAHA COM A FILHA E O FILHO

Muito bem, c� vamos n�s.

Max, podes ficar de olho no teu irm�o?

Ele vomitou no caminho para c�.

Vivemos em Encino.

Sinto-me como um peixe fora de �gua.

� um estilo de vida completamente diferente, que eu escolhi.

Claro que tem vantagens e desvantagens.

Claro que isso faz parte de ser m�e.

Temos de nos sacrificar. E o tr�nsito est� p�ssimo.

Para conduzir na 101, temos

de nos p�r a sonhar acordados,

e ter flash-backs do Cabo.

A maior parte do tempo, and�vamos seminus.

�ramos uns macaquinhos estranhos

numa pequena jaula, sabe?

Nunca tivemos uma caravana assim.

A nossa era metade daquela.

� o perfeito exemplo da caravana que nunca tivemos.

Se tiv�ssemos um bras�o, teria umas n�degas,

um rabo, bem brilhante.

Porque t�nhamos uma regra em casa:

quando vamos � casa de banho, lavamos o cu.

E todos temos cus muito bem limpos.

Porque quando se vive numa �rea pequena como aquela,

n�o se pode estar sujo.

As pessoas podiam chamar-nos ciganos e tudo,

mas n�o �ramos sujos.

Nove crian�as a viver numa caravana de 7,5 m.

Acho que tivemos pelo menos duas ou tr�s caravanas diferentes.

�s vezes arranj�vamos uma caravana nova,

mas nunca era nova. Era sempre uma caravana usada.

N�s �ramos como cachorrinhos.

�ramos tr�s ou quatro pessoas

na cama inferior pequena.

Ficavam dois nos sof�s-cama, ou l� o que eram.

E pelo menos dois ou tr�s ficavam no ch�o.

A minha m�e e o meu pai ficavam por cima.

Eu costumava ficar numa plataforma

que fizerem a seus p�s, eu ou o Joshy,

que me traumatizou sexualmente,

porque os meus pais faziam-no todas as noites.

Queriam l� saber se n�s ouv�amos.

O meu pai, porque tinha falhado

nas suas rela��es antes de conhecer a minha m�e,

chegou � minha m�e e disse: "Eu j� n�o tenho vergonha de ter

o tipo de necessidades que um homem tem.

Ou essas necessidades s�o satisfeitas,

ou n�o temos casamento."

Foder, para mim, �...

a palavra de Deus.

Deus,

seja l� quem for, decidiu

que a propaga��o

da vida, em qualquer esp�cie,

tem a ver com foder.

Ele podia estar no seu leito de morte,

e ainda queria fazer sexo.

E eu provavelmente o ajudarei com isso.

Isso era muito perturbador para um mi�do ouvir.

Era t�o nojento ter de ouvir

a copula��o estranha e barulhenta dos nossos pais.

Eu tinha uma t�cnica, quando o meu pai e a minha m�e

o faziam todas as noites, porra, em que dobrava a orelha,

com o l�bulo por cima, e depois dobrava esta parte,

e tentava colocar uma almofada em cima da cabe�a,

porque aquilo estava mesmo � minha frente.

E eles eram barulhentos.

O que aconteceu connosco � a mesma coisa

que aconteceu com os Mong�is nas suas tendas.

Os pais fodem, e as crian�as

riem e acham que eles est�o a brincar.

Querem ouvir uma coisa horr�vel?

Uma crian�a atr�s da porta, a ver o pai a bater na m�e.

Uma vez encontrei-os a fazerem sexo no ch�o da cozinha.

O rosto da minha m�e estava todo suado.

Eu tinha uns seis ou sete anos.

E eu disse: "M�e, est�s bem?"

E ela disse: "Claro. Eu e o pai estamos a fazer amor,"

com um grande sorriso. E depois disso,

a Juliette rematou: "Mas quando brincamos com...

N�o �s casado, n�o podes ter beb�s.

�s apenas um beb�, por isso usa apenas os dedos."

N�s ensin�mos-lhes o que deveriam fazer

quando estivessem com uma rapariga.

O que eu lhes ensinei

foi a mostrar sempre gratid�o se algu�m os quisesse foder.

Dizem sempre, "Muito obrigado."

E no dia seguinte, dizem ol�.

N�o � simplesmente:

"Toma l�, obrigado." Temos de ser simp�ticos

e respeitar a pessoa que nos oferece essa d�diva.

O meu pai era t�o franco e directo comigo.

Acho que tinha 14 anos quando veio ter comigo e disse:

"Quando estiveres pronta, basta dizeres-me

que eu passo-te a receita da p�lula."

Foi t�o repugnante que eu disse: "Eu nunca vou fazer isso."

Mas de certa forma, acho que ele tinha raz�o

porque faz com que n�o seja um tabu.

Aqui na Am�rica, somos uns esquisitos.

A nossa cultura est� a desfazer-se e ningu�m est� a dizer,

"Est� a acontecer porque somos p�ssimos na cama."

E � medida que vamos piorando na cama,

mais pornogr�ficos, mais prom�scuos

lascivos e impr�prios nos tornamos.

As culturas que est�o todas fodidas

em rela��o ao sexo, � foda,

s�o as culturas que v�o desmoronar-se.

E nesse processo de decl�nio, v�o causar guerras.

CENTRO SIMON WIESENTHAL

Isto � a fotografia que eu queria que vissem.

Esta fotografia mudou a minha vida.

N�o � apenas uma mulher que n�o se pode salvar,

que n�o pode fazer nada por ser judia,

que n�o pode fazer nada por ter um beb�,

que n�o pode fazer nada a n�o ser abra�ar o beb�

junto ao seu peito, sabendo

que este sujeito a vai matar,

e ao seu beb�.

Este homem matou esta mulher e a sua crian�a

na altura em que eu estava

no auge dos meus poderes,

era forte que nem um boi.

Os meus poderes enquanto judeu,

os meus poderes como nadador-salvador,

os meus poderes como estudioso...

Na altura, eu era completamente invenc�vel.

E fiz coisas...

das quais me orgulhava muito.

Mas n�o fiz uma �nica coisa...

para ajudar esta mulher.

O Doc sente muito profundamente a responsabilidade de ser judeu.

Nunca pass�mos uma sexta-feira sem acender as nossas velas.

Faz�amos as nossas ora��es e cant�vamos o Shem�.

E faz�amos um grande c�rculo e d�vamos todos as m�os.

Quase sinto que todos t�nhamos uma esp�cie diferente de juda�smo.

Fomos criados com o Holocausto, como se f�ssemos filhos de sobreviventes.

Acho que ele queria sentir um pouco dessa desgra�a,

e nunca esquec�-la.

Tudo o que fizemos na inf�ncia

foi da maneira mais dif�cil... tudo.

Ele achava que se era f�cil, algo estava errado.

Ele costumava tocar-nos

a m�sica do despertar da na��o do presidente Mao.

Todas as manh�s, aquele disco min�sculo de 45 rota��es...

"Vamos l� todos, os dedos dos p�s juntos..."

Ele queria isso tanto.

Para as outras pessoas, parecia muito permissivo,

l� estavam eles, todos enfiados naquela caravana.

E parecia uma coisa, mas realmente era outra.

Ele era um pai muito extremoso e rigoroso.

T�nhamos de causar boa impress�o a toda a gente.

Sempre que d�vamos uma entrevista,

t�nhamos de nos alinhar, posicionar-nos duma certa maneira.

Comer bem, viver bem, surfar bem.

Fisicamente, o Dorian colocou-nos numa dieta muito r�gida.

N�s surf�vamos todos os dias,

viaj�vamos pela costa, e o nosso pai incentivava-nos.

E n�s esfor��vamo-nos

e dobr�vamo-nos ao meio, faz�amos o que fosse preciso.

Fisicamente, um dia nessa rotina...

As vezes que eu ca� de cima do nosso carro sem ningu�m ao p�,

em sil�ncio total, talvez a sangrar um pouco da cabe�a.

E tinha de ficar ali deitado a aguentar,

voltar de mansinho � caravana e n�o fazer ondas.

E eu sei que todos os meus irm�os

sofreram dor pessoal... religiosamente.

Eu tive um acidente de surfe que quase me custou a vida.

Estavam a surfar no norte do M�xico,

e o Moses estava numa prancha que se tinha partido ao meio.

Ele estava a surfar nela e ela virou.

Ca� na prancha e ela fez...

Uma barbatana da prancha entrou-me 22 cm pelo rabo acima...

... cortou-me o c�lon ao meio.

Come�aram a sair-me v�sceras, e outras coisas.

O Dorian pegou na caravana e tirou tudo c� para fora,

desmanchou as tendas, "V�o!"

"Ponham-no inteiro!"

Est�vamos a 181 km da fronteira dos EUA.

Eu estava a morrer.

Sabem, eu tinha 40�C de febre.

Estava a sangrar internamente h� 90 minutos.

Fiquei sem mobilidade durante um ano.

Jurei nunca mais voltar a surfar.

Quando caguei pela primeira vez, nove meses depois,

fizemos uma grande festa.

Caguei � frente de umas 50 pessoas, em San Onofre.

Este � o meu pequeno local de trabalho.

O Cosmos, do Carl Sagan, ensinou-me praticamente tudo

o que h� para aprender sobre o mundo e a hist�ria.

O meu pai comprou-me um Commodore Vic-20,

que foi um dos primeiros computadores dom�sticos,

mas o problema � que se ligava � televis�o.

E das poucas vezes em que

t�nhamos liga��o � electricidade, todos os irm�os diziam:

"Nem penses que vais usar a televis�o para programar.

N�s vamos ver televis�o,

pela primeira vez em quatro meses", ou algo assim.

A falta de barreiras pessoais entre irm�os e irm�

fez com que alguns irm�os lidassem melhor

com o que tinham de lidar por provoca��o.

Era t�o competitivo.

O David, o Jonathan e o Israel

estavam quase ao mesmo n�vel, na inf�ncia,

e estavam sempre a competir.

S� queriam competir.

Como caranguejos num balde que v�em o sucesso dos irm�os

como um fracasso, d� por onde der.

E era muita tortura f�sica,

e muita... era dif�cil.

Nove crian�as a viver numa caravana de 7,5 m.

Acho que a pior coisa, para mim, pessoalmente,

foi ver a minha m�e saltar de caravana em caravana,

em condi��es cada vez piores.

Ela estava t�o desgastada por ter tido tantas crian�as.

Ela estava despeda�ada.

Quando temos tantos familiares

a viverem, respirarem, cagarem e comerem juntos,

num s�tio t�o pequeno, t�nhamos crises.

Havia tantos i�es positivos

entre as hormonas masculinas.

Ent�o encontrei o meu pequeno canto na caravana,

para me esconder

no meu mundo fict�cio de livros e desenhos.

Mas o que realmente me chateou

foi que o meu pai estava satisfeito sexualmente

durante a minha adolesc�ncia. Foi muito frustrante, sexualmente.

Quer consideremos o sexo uma ida ao baile de finalistas,

porque � uma esp�cie de prolongamento do sexo,

ou um encontro e uns beijos, eu n�o conseguia nada!

Acho que o sexo era aquilo que dizia a cada um de n�s:

"� melhor encontrarmos um recept�culo para este desejo."

E certamente n�o estavam em Pescadero,

a 2500 km do restaurante de comida r�pida mais pr�ximo.

As coisas est�o a mudar para os Paskowitz.

Quatro dos rapazes s�o agora suficientemente bons

para desafiar os melhores no mundo do surfe.

Tornaram-se profissionais e est�o a receber propostas e patroc�nios

de fabricantes de pranchas, fatos de surfe e coisas afins.

Mas durante quanto tempo conseguir� Dorian Paskowitz

manter o seu grupo de dissidentes juntos,

depois de experimentarem os confortos materiais?

Assim que sentimos uma lufada da boa vida,

assim que vamos a casa de um amigo nosso

e vemos que eles comem d�nutes ao pequeno almo�o,

� dif�cil dizer que n�o. � dif�cil

voltar para a caravana e comer papas de aveia.

N�s confront�vamo-lo diariamente.

Diz�amos, "Isto � uma merda. Eu quero ir para o liceu."

Mas ele foi inflex�vel enquanto p�de.

Eu adoro esta fotografia. Quero dizer, vejam isto.

Estamos todos juntos na �gua como uma fam�lia, at� a minha m�e.

Mas devo dizer que o Jonathan e o Salvador

est�o a sangrar,

por terem sido coagidos a entrar na �gua.

Por pisarem num coral, ou algo assim?

N�o, por serem espancados.

Ele � um ditador. Sim, ele era o Fidel.

�s vezes sentia que os seus m�todos de castigo eram extremos.

Ele era t�o inflex�vel, t�o controlador.

Ele ficava desfeito quando perdia esse controlo.

Ele era jovem e cheio de vida, e tinha um g�nio terr�vel.

Uma vez, partiu o mobili�rio todo num acesso de raiva.

Eu costumava chorar muito quando �ramos jovens.

Eu adorava apoiar o Reich.

O pai dizia, "Vamos fazer isto," e eu ia logo.

As tropas alinhavam-se, sen�o eu ia acabar com a rebeli�o.

Alinhar, fazer os calist�nicos, ajeitar o fecho do fato.

"N�o quero usar este fato de surfe." "Vais usar esse fato, sen�o eu..."

Era o pobre David.

Ele pensava que estava certo

ao fazer a vontade do Dorian a toda a hora,

e ao mesmo tempo toda a gente queria...

"O pai n�o est� c�. Vamos fazer asneiras."

Eu n�o estava a lutar pelo Dorian.

Estava a lutar pelo conceito que ele defendia.

Como ele tinha conseguido p�r isto a funcionar,

era t�o fixe que eu n�o queria que acabasse.

Eu quase queria dizer, "N�o vamos estragar isto. Isto � �ptimo."

O David era o capit�o, mas n�o tinha co-capit�es nem tenentes.

E o Dorian exercia ainda mais press�o ao faz�-lo entender

que tudo o que acontecia com os irm�os

era responsabilidade dele.

O Jonathan atirou lama para a casa de banho

ou incendiou a nossa casa de banho m�vel, fez uma coisa muito m�.

E l� estava eu,

"Agarra-o," a perseguir o Jonathan pela praia,

com o Dorian a seguir-me, "Apanha-o! Tu consegues!"

Eu atirei-o ao ch�o, e o meu pai por cima disse-me, "Estrangula-o."

Agarrei no Jonathan pela garganta e estrangulei-o

at� o nariz dele come�ar a sangrar.

E eu percebi, "Que merda,

eu estou mesmo a ouvir isto.

O que vir� a seguir?"

Sinto-me muito culpado por desempenhar esse papel.

E acho que agora ser�amos uma fam�lia

se n�o tivesse havido uma m�o t�o pesada

sobre todos n�s.

Jonathan, de 18 anos, revoltou-se

e deixou a fam�lia para viver uma vida convencional.

Agora sou uma pessoa normal.

Sou mais parecido

com um jovem comum, de 19 anos, da Calif�rnia.

Os meus irm�os, por outro lado, s�o do tipo de homem californiano

que levou uma lavagem ao c�rebro, em boa forma

mas n�o totalmente educado.

Eu sa� de casa aos 23 anos. Ele passou-se.

"Como te atreves a fazer isso a mim e � tua m�e?

N�o conseguimos fazer isto sem ti. Vamos todos morrer aqui."

E eu disse: "Pai, eu tenho 23 anos."

O David e o Adam vieram c�.

E queriam cantar.

E queriam trabalho.

Fomos �s lojas de roupas usadas e eu vesti-os.

S�o tudo roupas usadas que ela me comprou,

porque eu s� tinha fatos de banho e t-shirts.

Era um imitador do Johnny Mathis. Foi o meu primeiro concerto.

N�o me apercebi de que est�vamos a correr todos os bares gay.

O fot�grafo inventou esta pose.

Eu estava na boa. Andava por ali. Tinha 21 anos.

Fazia 300 a 400 d�lares por noite em gorjetas.

Juntei dinheiro, comprei um carro.

Chamavam-me "GQ Abe"

quando punha a minha col�nia Polo e usava os �culos de sol Carrera.

Toda a gente fugiu e tentou sair da fam�lia,

tentou criar uma vida na sociedade e seguir os seus pr�prios caminhos.

T�nhamos criado nove filhos �nicos.

Todos quer�amos ser conhecidos.

Quando tinha a empresa Black Flys,

torn�mo-nos muito populares depressa, e promovi muitas bandas.

E o Adam formou a banda e assinou um contrato discogr�fico.

O Josh fez um improviso,

e pimba, saiu e eles arrasaram.

...eu quero-te

Sofre l� Mais dif�cil n�o h�

Esfrega, pequenina Ser como as outras n�o d�

Sofre l� Mais dif�cil n�o h�

A maioria dos meus irm�os passaram um per�odo de loucura.

Todos eram super-estrelas. Eram todos o pr�ximo campe�o de surfe.

Eram todos o pr�ximo modelo.

Sofre l� Mais dif�cil n�o h�

Quando mexes comigo Amor, quero-te j�

Jonathan, d�-nos not�cias da fam�lia Paskowitz.

O David � m�sico. Ele tem algumas bandas,

os Goldfish e os Johnny Monster and the Nightmares.

Eu estou a trabalhar em projectos com o Israel e o Abraham.

O Abraham � o nosso vendedor.

O Moses trabalha no est�dio da Sony, no Adultos � For�a.

O Adam e o Joshua est�o agora no top 40,

acabaram de abrir para os Rolling Stones.

E a Navah acabou de casar

e est� gr�vida do seu primeiro filho.

O Salvador, o g�nio gr�fico da fam�lia,

tem feito os gr�ficos e trabalho de computador para a empresa Hurley.

Quando se pergunta pelas novidades da fam�lia,

demora sempre um pouco, porque s�o muitos.

Fui o mais r�pido poss�vel.

...quero-te

Ser como as outras n�o d�

Tenho-te onde te quero

Tenho-te onde te quero

Nunca, na minha vida, sofri por causa do fracasso,

mas sempre fui muito cauteloso com o sucesso.

A PRIMEIRA FAM�LIA DO SURFE

Este � o Isaiah, e vai falar-me da sua primeira semana de aulas.

Fala-me da tua primeira semana na escola.

IZZY COM O FILHO, ISAIAH ISAIAH � AUTISTA

V� l�, usa a tua linguagem.

Fala-me da primeira semana na escola.

- Foi divertido? - Sim.

O que fizeste na escola? O que fizeste?

O que fizeste? O que aprendeste?

- A ler. - A ler? E que mais?

O que mais? O que mais fizeste?

Ci�ncias sociais.

- Ci�ncias sociais? - E um intervalo.

E fizeram um intervalo. E o que fizeram mais?

Oh, n�o.

Temos passado por muito.

Ele tem 14 anos agora. Temos passado por muito.

Ningu�m consegue imaginar. Ningu�m na fam�lia dele

esteve assim tanto tempo com o Isaiah.

E o Israel, ele fugiu daquilo, literalmente.

Depois de sair da caravana,

a minha vida inteira foi como um sonho.

Casei-me com a mi�da mais bonita da cidade,

tive uma carreira de sucesso no surfe profissional,

apoios da Nike, da Hang Ten e dessas grandes marcas.

E senti-me totalmente roubado, se Deus realmente existisse,

ele era um mau Deus por me dar o Isaiah.

A natureza do nosso neg�cio � estar sempre em festa,

ent�o eu bebi demais, sem d�vida.

Com o passar dos anos, Abe, todos voc�s

tiveram m�o naquilo desde o in�cio, verdade?

Bem, o Dorian come�ou o acampamento, e depois...

a evolu��o come�ou com o David, depois eu estive l�,

e o Moses, durante algum tempo.

Agora o Izzy est� a gerir o acampamento,

e acho que est� a fazer um excelente trabalho.

Que simpatia, Abe.

O Israel � ex-surfista profissional sem escolaridade, aptid�es,

casado e com filhos, e agora tem um filho autista.

O pai disse: "O Izzy precisa da nossa ajuda."

Se algum dos irm�os precisava do acampamento de surfe

como ocupa��o, era o Israel.

O Israel era o �nico rapaz

que verdadeiramente arriscaria a sua vida,

a sua fortuna, o seu conforto, tudo, pelo surfe.

E eu senti que o Israel merecia ser o dono do acampamento.

No acampamento de surfe, este ano,

fomos s� eu, o Abraham e o Israel.

E isso foi fixe.

N�s gostar�amos mesmo

de ter mais irm�os c�, mas sinceramente,

alguns deles j� nem sabem lidar com isto.

Teriam ataques card�acos, porque � dif�cil.

E outros est�o demasiado ocupados.

E... obviamente,

h� certos irm�os que nem sequer queremos c�.

- O que quer dizer? - Bem, como o David.

N�s afast�mo-nos da fam�lia h� quase seis anos.

Afast�mo-nos do acampamento de surfe por...

ESPOSA DO DAVID

... raz�es financeiras.

Eu voltei de Nova Iorque, e voltei ao acampamento de surfe

para trabalhar, durante o ver�o.

E descobri que a minha fam�lia perdeu a concess�o em San Onofre,

o que significa que o estado

j� n�o nos d� o direito

de fazer neg�cios em propriedade p�blica.

Ent�o eu perguntei-lhes sobre isso

e eles disseram, "Temos advogados envolvidos.

N�o te preocupes. N�o precisamos da tua ajuda."

Mas quando o Abraham falou em atirar uma bomba incendi�ria

ao posto da guarda florestal, eu sabia que precisavam de ajuda.

Ent�o fui com o meu amigo Dave

falar com o director do parque, na altura.

Ele disse: "Bem, temos sete infrac��es

que acumularam, e resultaram numa demiss�o."

Vamos ter de incluir o Dave

como parceiro de neg�cios, porque eles n�o v�o aceitar

a fam�lia Paskowitz de novo

sem algum tipo de supervis�o de adultos.

Volt�mos a contact�-lo com um plano de neg�cios,

com um plano de marketing, uma doutrina de empregados,

uma an�lise financeira,

um pacote de patroc�nios intacto,

tudo o que ele queria ver.

E poder�amos voltar a contratar a fam�lia sob os nossos ausp�cios.

Ent�o eu disse: "Pessoal, vou dar-vos uma grande surpresa.

Quero que venham visitar-me. Vamos ter uma reuni�o."

Eu pensei que ia ser o her�i conquistador.

Encontr�mo-nos todos no escrit�rio dele e fomos para a sala de reuni�es.

A sala de reuni�es era maravilhosa.

Foi um desastre.

Pastas � frente de toda a gente, uma caneta para cada um.

Fic�mos todos: "N�s somos surfistas. Que est�s a fazer, mano?"

"Pessoal, eu e o Dave conseguimos a concess�o."

E o David diz, "Este � o meu s�cio,

o David Ron qualquer-coisa. Vai ser ele

que nos vai enriquecer."

Eles come�aram a chorar e a gritar.

O Jonathan quase que andou � porrada com o advogado.

O Joshua come�ou a chorar.

O Abraham estava a tirar fotos de todas as matr�culas.

O Israel disse: "Quero lutar contigo."

"Se voltarmos a ver estas matr�culas, vamos parar para vos cumprimentar."

E ele atacou, sem piedade.

E depois o Moses pegou no telefone e ligou para as emerg�ncias.

E foi isso.

A fam�lia Paskowitz nunca ganhou dinheiro.

O �nico dinheiro que ganh�mos foi no acampamento de surfe.

Ent�o toda a gente dizia: "Quero fazer o acampamento.

Quero fazer o acampamento," isto e aquilo.

� como a febre do ouro. Ficas maluco.

E ent�o quando algu�m disse: "Espera l�,

o David quer ficar com o nosso ouro." Nem pensar.

Toda a gente pensou que, por exemplo, o acampamento

foi uma discuss�o pelo dinheiro. E n�o foi.

Foi sobre a possibilidade de fazer as coisas que quer�amos fazer

para sobreviver, e ter uma vida maravilhosa.

Ent�o, tudo depende do dinheiro?

Claro que sim. Depende do dinheiro.

Porque se n�o tivermos dinheiro,

n�o podemos comprar p�o, n�o podemos comprar bolos,

n�o podemos comprar bacon.

Se n�o tivermos dinheiro, n�o temos um estilo de vida.

Temos uma constante preocupa��o com o dinheiro.

E de certa forma, o meu pai vivia na pobreza, financeiramente,

e na riqueza emocional,

mas todos n�s sofremos com a preocupa��o de n�o termos dinheiro.

Eu andaria

Mas os meus p�s doem-me

Eu correria

Mas n�o vou a lado nenhum

ADAM ATUA COM A SUA BANDA, OS JETLINER

Eu perdi-me

Na raiva, mas

Eu n�o sei...

Este deve ser o meu 500� concerto, provavelmente. Talvez mais.

E eles s�o sempre iguais.

Acabamos sempre num quarto

com montes de autocolantes nas paredes.

Eu...

... �s vezes sinto que devia ter sido m�dico como o meu pai.

Claro que nunca ter ido � escola podia ser um problema.

Estou no Beach Fire Bar and Grill...

... belos petiscos, boa gente, boa comida, divers�o.

E eles foram suficientemente simp�ticos para me dar trabalho.

Adoro cozinhar. Fui a primeira rapariga, antes da Navah.

Era o �nico na fam�lia que ajudava a minha m�e,

de todos os irm�os megal�manos.

Mas o que realmente me d�i era gostar tanto de medicina.

Queria tanto ir para a faculdade de medicina de Stanford.

E quanto tinha 18 anos, ainda tinha esperan�a de fazer isso.

Comecei a ter aulas, para equival�ncias,

forma��o profissional, cursos de t�cnico de emerg�ncia m�dica,

de primeiros socorros, salvamento.

E depois falei com o conselheiro e ele disse

que eu ia levar 10 anos a recuperar.

Quando me qualificasse para ir para um col�gio de quatro anos,

teria 30 anos de idade. Vieram-me as l�grimas,

saber que estava t�o atrasado.

E esse sonho... estava destru�do.

A partir desse dia, eu disse: "Eu nunca serei m�dico."

O meu pai adora exibir o facto de ser formado em Stanford.

Mas que raio de formado em Stanford,

que raio de judeu, diria:

"N�o vou mandar os meus filhos para a escola"?

Acho que foi completamente injusto.

Se ia manter-nos numa caravana

para o resto das nossas vidas, tudo bem.

Mas n�o nos podia manter sem educa��o,

e depois mandar-nos para o mundo, e esperar

que n�o tiv�ssemos s�rios problemas.

O meu pai sempre quis que n�s entend�ssemos

que n�o �ramos diferentes dos macacos,

o que seria normal se l� tiv�ssemos ficado,

mas n�s n�o fic�mos l�.

Cas�mo-nos,

as nossas esposas n�o queriam estar casadas com um animais.

�s vezes ainda � dif�cil lidar com a vida moderna.

- Na pr�xima semana? - � mesma hora?

Combinado. Adeus.

� uma luta para todos os irm�os e irm� Paskowitz,

funcionar numa sociedade para a qual n�o estavam preparados.

Deram-lhes a ideia de que podiam viver a vida

da maneira que queriam, podiam viver onde conseguissem respirar,

quando tudo isso � muito bonito,

mas existem muitos outros elementos, eu acho,

que afectam a vida quotidiana.

A incapacidade de ter um trabalho

como qualquer pessoa normal, porque nos �ltimos 10 anos

criei uma empresa de 20 milh�es de d�lares para um sujeito

e tive uma empresa de roupa de desporto, e coisas assim,

onde deveria ter sido mais esperto, ter tido um contrato.

Devia ter ficado com uma parcela.

E como sou um Paskowitz, n�o sou suficientemente versado

nos "caminhos dos �mpios", como diria o Dorian,

as pr�ticas da sociedade.

E agora, como adultos,

ter uma fam�lia, ter uma conta banc�ria,

ter uma casa, fazer pagamentos,

e faz�-lo sem falhar, � uma luta.

Para qualquer pessoa que pense, "Aqueles Paskowitz,

tiveram uma experi�ncia de vida maravilhosa e hol�stica

e deviam ter permanecido limpos

como uma vela que Deus fez com a sua pr�pria urina,"

em primeiro lugar, estou-me nas tintas para o que as pessoas pensam.

Com certeza, todos cri�mos v�cios sociais para n�s pr�prios.

Infelizmente, somos humanos.

Eu toquei em todo o lado,

em toda a lixeira, em todos os locais terr�veis,

daqui � maldita Checoslov�quia.

Esta � uma nova lixeira.

Desculpe. N�o nos podemos sentar aqui? N�o pode ser?

Mais duro que um carril

Mais afiado que um buril

Perfuram a barriga de lado

Do filho da m�e favorito...

Eles s�o pregui�osos.

Nem um d�cimo das pessoas, os filhos da Terra,

t�m a oportunidade que os meus filhos tiveram.

Dentro do pulso

De cada crian�a nascida

Dentro da f�ria

De cada mulher repelida

Uma das minhas maiores decep��es

� que os meus filhos n�o descobriram por si mesmos

a diferen�a entre a educa��o e o conhecimento.

Ou�am, muita gente vai � escola.

Muita gente vai para Stanford, muita gente vai

para o secund�rio, para a universidade.

Porque n�o est�o...

Porque n�o est�o a film�-los?

Como � que v�m ter com uma cambada de ignorantes,

com um indiano mexicano

e um judeu idiota?

Porque � que nos est�o a filmar a n�s?

Escrevi uma can��o para o meu pai que exprime a minha...

... a minha decep��o com a forma como me tratou.

E senti que tinha dedicado o meu tempo

a ser de confian�a, e para que acreditasse em mim.

Ent�o, basicamente, esta can��o dizia

que as coisas n�o h�o-de melhorar at� ele morrer.

Porque a sua vontade � demasiado forte

para deixar a dos outros manifestar-se.

Sinto-te...

Sinto-te.

Olhos fr�geis.

Penso em ti.

Mas de mente destro�ada.

Para agora.

E entende.

A quem tu...

... deste a recompensa

V� agora

Deves chorar

Em breve viverei

Tu ser�s p�

Tu ainda

Rezas tamb�m?

Na tua cara

Eu digo

Tu deves

Descer

Tu vais

Descer

Tu deves

Descer

Tu vais

Descer

Eu tentei o bem Mas o bem disse n�o

Procuro outra resposta

D�-me mais uma oportunidade Para eu saber

Quem...

Olha-me nos olhos Diz-me o que v�s

Outra alma desgra�ada

O diabo leva outra Parte de mim

Deus, �s mestre do risco nulo

N�o consigo ouvir mais.

- N�o � horr�vel? - Ele j� ouviu isso?

N�o juntamos o c�rculo

h� mais de 10 anos.

E duvido que aconte�a t�o depressa.

O Dorian � um instrumento da mais alta sensibilidade,

muito sens�vel, muito inteligente.

Ele... � como um profeta.

Ele sente estas coisas de maneira diferente das outras pessoas.

Acho que � por isso que ele � t�o extremo,

casou com um certo tipo de esposa,

ter um grande n�mero de filhos,

come�ar o surfe em Israel, e assim por diante.

Mas ele � como um recept�culo

para as coisas inspiradoras e terr�veis da vida.

Muitas vezes, na minha vida com os meus filhos,

fui demasiado s�rio,

demasiado radical,

e demasiado forreta.

Mas isso � apenas uma maneira de dizer

que n�o fui o homem que deveria ter sido.

Porque um verdadeiro homem,

como uma verdadeira mulher,

� capaz

de se controlar, antes de controlar os seus filhos.

Ser� que lhes dei as ferramentas

que, de certa forma, criam oportunidades?

N�o, n�o dei.

Se olharem para o meu pai,

e o colocarem em qualquer �poca da hist�ria da humanidade,

ele � um grande ser humano.

Se o colocarem neste pequeno

per�odo tecnol�gico, ele n�o fez muito.

Ele n�o tem os adornos de uma exist�ncia confort�vel.

E 99 por cento das pessoas quereriam ser uma parte do mundo

que n�o tem a ver apenas com a sobreviv�ncia.

Portanto, pode-se dizer que ele foi um falhado a vida toda.

Demos-lhes amor, uni�o,

comida, roupa e abrigo.

Demos-lhes um regime alimentar,

o exerc�cio que sempre tiveram,

o descanso que tiveram,

amontoados uns com os outros, dormiam como cachorrinhos.

O seu lazer era uns com os outros,

e a antecipa��o de um novo dia.

E as suas atitudes mentais

talvez n�o fossem grandes filosofias,

mas eram atitudes sensatas.

N�o, olha, tenho de ir.

Tenho de ir.

- Queres fazer isto amanh�? - Sim.

- Tomas conta disto? - D�-me.

- Tomas conta? - Sim, sim.

- Tomas bem conta dele? - Sim, sim.

- Sim? N�o te magoas? - Sim.

- N�o te magoes, est� bem? - Est� bem.

- Entendes-me? - � bom, tu.

- Tem cuidado, est� bem? - Est� bem.

- Certo? - Certo.

- �ptimo. - Obrigado.

- N�o tens de qu�. - Tu?

Para ti.

- Tem cuidado. - Est� bem, obrigado.

- Tem cuidado. - Est� bem.

Vamos ver se tem cuidado.

Eu li o livro do meu pai, Surfar com Sa�de, pela primeira vez.

Ele disse uma coisa nesse livro que fez sentido para mim,

que foi que o homem primitivo

teve de lutar todos os dias para n�o ter fome,

e o homem moderno tem de lutar todos os dias para ter fome.

Porque, como foi dif�cil para o homem primitivo arranjar comida,

� f�cil para n�s arranj�-la e morrer por causa dela.

Eu entendi isso. Fez sentido.

Porque n�o seria uma luta?

Todos os ossos do meu corpo desejam

voltar um dia �quele n�vel de sa�de,

n�o sendo a aus�ncia da doen�a,

mas um estado superior de bem-estar,

acima e al�m de simplesmente ser,

mas ser tudo aquilo que um ser humano pode ser

para que o c�rebro possa ser tudo aquilo que pode ser.

Todos podem faz�-lo.

S� existe um calcanhar de Aquiles nisto tudo,

� que temos de ser verdadeiramente sinceros quanto a querer mesmo.

Temos de nos importar mesmo. Temos de saber

que tudo aquilo que comemos tem de ser pensado.

N�o podemos simplesmente comer alguma coisa sem pensar,

como acho que 100 por cento dos americanos fazem.

Pegamos num bife, ligamos o motor do Hummer...

Acho que era isso que o Dorian receava que nos torn�ssemos,

em anti-humanos.

Quando damos o menos poss�vel

para ganhar o mais poss�vel no menor per�odo de tempo poss�vel.

Acho que o fim da civiliza��o moderna

est� pr�ximo. Acho que,

que o actual estado de exist�ncia tem de chegar a um fim,

espero que com as menores consequ�ncias poss�veis.

Mas todos n�s precisamos de passar fome durante uns anos.

Porque o mundo � demasiado pequeno

no contexto do Universo.

E somos t�o independentes

que n�o podemos saltar aqui sem fazer barulho ali.

Se continuarmos na nossa busca

pelo poder e pelo conforto,

e continuarmos a concordar com isso,

vamos ser impenitentes, vamos ser desconhecedores,

vamos ser ignorantes sobre a nossa vulnerabilidade.

E um destes dias, algu�m vai ligar o interruptor.

Hoje � um dia muito especial.

N�o sei do pai, mas eu acordei �s 4h04

ansiosa e a pensar

em ver os meus filhos no aeroporto.

Ol�, pessoal. Fala o David.

Queria ligar para dizer que est� tudo a andar a 100 por cento.

PASSADOS DEZ ANOS, DOC E JULIETTE PEDIRAM A TODOS

PARA POREM DE LADO AS DIFEREN�AS E REUNIREM-SE COMO FAM�LIA

Dave, � a Navie. Estou fula por n�o podermos ir esta noite...

� o Salvador.

� Dia de Ac��o de Gra�as, e tu sabes porqu�...

Espero que tudo corra

t�o bem quanto se pode esperar. Adeus.

N�o queremos estar sentados quando os nossos filhos chegarem.

Como est�s?

Venham, venham, meus filhos.

Ol�. Como est�s?

Abra�o de grupo.

Salvador, est�s a emagrecer.

Pois estou. Estou a tentar muito.

L� est� ele.

N�o caias, pai.

- Ainda sabes pegar neles? - Meu Deus... cuidado com a cabe�a.

Amanh�, Sr. Amanh�.

Oh, Joshua.

O Joshua est� cheio de m�sculo, Abraham.

E tu est�s cheio de gordura, Abraham.

Estou um pouco cautelosa com os meus sentimentos

porque n�o sei o que vai acontecer.

Sou eternamente optimista.

Acho que algu�m iria chegar ao irm�o mais velho e dizer,

"Irm�o, estou t�o feliz por te ver,"

e agarr�-lo, abra��-lo.

Estou mesmo ansiosa para que isso aconte�a.

Aconte�a o que acontecer, estou muito ansiosa.

Acho que h� um longo caminho a percorrer, em certos aspectos.

No entanto, a vida � curta. Os pais do Dave s�o velhos.

Quem sabe o que vai acontecer amanh�?

N�o queremos olhar para tr�s e ter arrependimentos, como:

"Dev�amos ter feito aquilo," ou o que dev�amos ter dito.

N�o importam as nossas preocupa��es.

O sol vai nascer e p�r-se amanh�.

E tentei instigar nos meus irm�os

que, vejam, eu tenho 41 anos agora, porra,

e se n�o se aperceberem em breve, v�o ter 51 ou 61 anos,

e depois v�o dizer: "Meu Deus, deix�mos passar 20 anos."

Ao menos, s� deix�mos passar sete anos.

Estou contente por estar aqui com eles, sabe?

Lidei com tantas perdas pessoais

que percebi que mesmo uma fam�lia com defeitos que fica unida, � melhor

do que n�o ter fam�lia nenhuma.

Vou dar ao David um grande abra�o e um beijo, quando o vir.

Ol�, David.

Aqui est�o a Delilah e a Davida.

Ol�. Como te chamas?

- Est�s com bom aspecto, David. - Obrigado.

Certo.

Deixa-me olhar bem para ti.

Eu conheci-o quando ele era beb�.

E acho que ouvi dizer que tiveram um segundo filho,

mas n�o sabia que havia um terceiro.

Estamos 99 por cento todos juntos.

S� nos falta um rapaz e a sua fam�lia,

o Izzy.

B�N��O HAVAIANA PARA O DIA DE A��O DE GRA�AS

Acabei de chegar, mas n�o devia estar aqui.

Tenho o meu filho autista em casa

que � violento, bate e morde.

E n�o devia estar aqui,

mas estou, por respeito a uma pessoa muito especial,

o meu pai, que eu amo e respeito, e que n�o entendo.

Muito bem, como estou?

Cheguei.

Tens o meu colar.

- Ol�, m�e. - Estou t�o feliz por te ver.

� t�o bom ver-te.

- Tens a fam�lia toda c�. - Obrigada.

Obrigada.

- Isto � para ti. - Muito obrigada.

Vamos poder dar as m�os,

fechar o c�rculo.

- Izzy! - Tive saudades tuas.

Estamos fora dos port�es a partir daqui.

Abracem-se, por amor de Deus.

Imaginem isto.

� inacredit�vel.

Os bons momentos ultrapassam os maus.

� quase como um sonho.

Quando me deito, ainda penso

em todas as coisas que quase nos mataram, mas...

E eu nunca faria isso com os meus filhos,

nunca na vida. Nem por 10 milh�es de d�lares.

Entendo muito mais porque � que os meus pais fizeram aquelas escolhas.

E agora tenho uma vida t�o normal para uma mulher judia.

E nunca ningu�m acreditaria

nas experi�ncias que eu e os meus irm�os tivemos juntos.

Eu n�o trocaria isso por nada neste mundo, nunca.

A �nica mudan�a que vou fazer � tentar dar � minha filha Halo

conhecimentos suficientes sobre o mundo

para poder fazer parte dele,

se ela escolher ser. E se ela quiser viver

da maneira que o av� viveu, tamb�m pode faz�-lo.

Em vez de uma caravana, vou comprar

uma esp�cie de barco lento,

e vou para o mais longe poss�vel, durante o maior per�odo poss�vel.

E tenciono que os meus filhos passem pelo que o meu pai me fez passar.

N�o vou mand�-los para a escola, e vou manter o sonho vivo.

Eu anseio muito pelo momento

em que vou estar em Punta Conejo,

com o carro preso na areia, n�o temos dinheiro,

nada para comer, mas depois da fome desaparecer

e estou a remar para uma esquerda de 1,2 m.

Ningu�m l� est�. Ningu�m sabe onde est�.

E estou sozinho e estou a resplandecer.

Vou a 160 km por hora, e � isso, acabou-se.

E no final, eu evaporo.

Quero isso de volta. Quero l� estar outra vez.

- Onde est� o Max? - Max!

- Jeff, anda c�. - Vem j� para aqui.

- Anda c�, Jeff. - Jeff, aproxima-te.

DEPOIS DA REUNI�O COM A FAM�LIA,

O DAVID PEDIU PARA SER NOVAMENTE O CAPIT�O.

O JONATHAN � PRODUTOR NA IND�STRIA DO CINEMA.

VIVE EM NOVA IORQUE,

A TRABALHAR EM PROJETOS DE SURFE E OUTROS FILMES.

E levantou-se, virou-se, est� a explorar.

Abraham a carregar desde o fundo.

O ABRAHAM � INSTRUTOR DE SURFE PROFISSIONAL,

E ABRIU UM NEG�CIO DE CATERING NA FLORIDA.

- L� est� o Izzy. - Meu Deus.

O IZZY E A ESPOSA, DANIELLE, FUNDARAM O "SURFER'S HEALING",

UMA INSTITUI��O QUE ENSINA SURFE A CRIAN�AS AUTISTAS.

Nada o det�m.

Que bela onda.

MOSES � COORDENADOR DE TRANSPORTE E PRODUTOR DE CINEMA.

Vou esperar um pouco mais at� ver alguma coisa

que se pare�a com uma onda surf�vel.

O ADAM � O VOCALISTA DA BANDA JETLINER...

Eu sou o melhor deles todos.

... E PLANEIA A SUA FUGA DE BARCO.

N�o fa�o surfe h� um ano.

O SALVADOR � ARGUMENTISTA E PRODUTOR EM LOS ANGELES,

COM PROJETOS EM PRODU��O EM V�RIOS EST�DIOS.

A Navie est� com ela.

A NAVAH � SURFISTA E DONA DE CASA.

� MUITO ATIVA NO TEMPLO LOCAL E NA ESCOLA DOS FILHOS.

Boa. Ele n�o vai deixar esta escapar.

JOSH � COMPOSITOR. TOCA NA BANDA LIFE IN EXILE.

� INSTRUTOR DE SURFE, CINEASTA E ILUSTRADOR.

E o David vai atr�s, a pressionar o Abraham. Tenta assust�-lo.

O Abraham treme de medo.

E l� est� o Josh para os cumprimentar.

Irm�os unidos na espuma das ondas.

Um belo percurso. Bravo.

Desfrutem dos vossos filhos enquanto s�o pequenos.

E amem-nos muito,

porque v�o crescer muito depressa.

� mais f�cil morrer se tivermos vivido

do que morrer se n�o o fizemos.

Por isso eu digo a todos os jovens,

fa�am mem�rias, mem�rias bonitas.

Quando chegar a hora de partirem,

n�o ir�o sozinhos.

O DOC AINDA PRATICA SURFE TODOS OS DIAS E PROMOVE O SEU LIVRO,

SURFAR E SA�DE: COMO PERDER PESO E GANHAR VIDA.

JULIETTE CRIA LA�OS COM OS SEUS 17 NETOS.

Querida, eu tinha

A melhor inten��o

Mas enfiei-me num buraco

Com uma moderna inven��o

Querido, fiz-te pensar Que n�o tinhas alento

Para reconciliar a verdade Num tempo turbulento?

Ignorando mensagens

As boas m�quinas n�o mentem

A partir daqui rolamos

A partir daqui rolamos

Seria uma �ptima maneira de morrer:

ser comido por um tubar�o.

Sim...

... um grande tubar�o.

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