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Itália.
Com uma vista aérea única,
revelamos o coração do mundo antigo,
um país empolgante e maravilhoso
onde tradições milenares...
... se cruzam com maravilhas da engenharia moderna
para criar uma paisagem inigualável no mundo.
Nesta série, faremos uma visita aérea pela Europa,
contemplando o cenário de uma nova perspetiva.
Filmando-a de cima no decorrer de um ano,
à medida que a paisagem se transforma
ao longo da mudança das estações,
desvendaremos a cultura, história
e engenharia
que criaram as grandes nações europeias atuais.
EUROPA VISTA DE CIMA
ITÁLIA
Itália,
uma península com mil quilómetros
que penetra no mar Mediterrâneo.
O país tem mais de 60 milhões de habitantes.
Mas, durante o ano, os visitantes fazem duplicar esse valor.
No verão, os turistas afluem às praias do sul
e, no inverno, às estâncias de esqui do norte.
Mas, à medida que a neve derrete...
... a chegada da primavera é o prenúncio da vaga de turistas
nas cidades históricas mais famosas de Itália.
Florença,
com o mundialmente famoso Duomo,
a catedral medieval icónica de Milão
e a torre inclinada de Pisa.
Mas a cidade mais visitada de todas é a capital da nação,
Roma.
Durante mais de 400 anos,
esta cidade dominou o mundo como capital do Império Romano
e os edifícios que restaram atraem um número incrível de visitantes.
Mais de nove milhões de pessoas vêm aqui todos os anos
para se maravilhar com o Coliseu,
o Fórum Romano
e o Panteão.
Este influxo pode ser problemático para quem vive e trabalha aqui,
incluindo os 800 residentes da Cidade do Vaticano,
o país mais pequeno do mundo.
É a sede da Igreja Católica Romana e lar do papa.
Thierry Roch pertence à força de segurança de elite do papa,
a Guarda Suíça.
Faço parte da Guarda Suíça há mais de dois anos.
É um serviço que prestamos à Igreja e ao papa.
Thierry é também corredor de fundo
da equipa de atletismo da Cidade do Vaticano,
um clube com grandes ambições,
pois espera, um dia, competir pela sua nação
nos Jogos Olímpicos.
O Vaticano situa-se no coração
da zona turística movimentada de Roma.
Todos os dias, as ruas estão cheias com milhares de visitantes,
o que pode dificultar as corridas do Thierry.
Para evitar a multidão,
ele e duas colegas de equipa iniciam o treino às cinco da manhã.
A corrida de treino de 5 km leva-o dos portões do Vaticano
diretamente até uma das mais belas praças barrocas de Roma...
PRAÇA NAVONA
PANTEÃO
... passando por um dos templos mais famosos do mundo,
pelas estruturas mais antigas de Roma...
FÓRUM ROMANO
... e, finalmente, pela atração mais famosa de todas,
o Coliseu.
É um percurso recheado de história.
Thierry e as colegas começam por atravessar o Tibre,
o rio que trazia trigo, azeite e vinho do Império para Roma.
Vistas de cima,
as famosas pontes da capital parecem quase irreconhecíveis,
sem o trânsito e os turistas.
Quando Thierry alcança a Praça Navona,
segue as pisadas da história do desporto.
Há quase mil anos, existia aqui uma arena de atletismo
com capacidade para quinze mil pessoas.
Uma perspetiva aérea revela
que a praça mantém o formato do estádio até hoje.
Foi o primeiro recinto desportivo permanente de Roma.
Recebeu competições de atletismo, bem como corridas de cavalos.
Os atletas aproximam-se do próximo marco histórico,
um edifício romano
que, normalmente, está rodeado de visitantes.
Este é o Panteão, com dois mil anos.
De cima, podemos maravilhar-nos
com uma vista impossível de ver do solo.
A vasta cúpula sobre esta igreja antiga
parece igual a um olho.
Os engenheiros romanos construíram-na com cimento,
um material tão resistente que parece quase novo,
apesar de ter sido erigido há milénios.
O óculo no centro alivia o peso do teto,
um truque estrutural que ajudou a fazer desta
a maior cúpula sem estruturas de apoio do mundo
durante mais de mil anos.
Os atletas do Vaticano chegam ao Fórum Romano
quando o sol começa a espreitar sobre o horizonte.
O Fórum era uma praça pública aberta,
rodeada das estruturas mais espetaculares do império,
mas este terreno era apenas um pântano,
até os romanos desenvolverem um sistema de canais complexo
para escoar a água para o Tibre.
Incrivelmente, este sistema antigo ainda funciona.
Com o sol já visível, a equipa tem pouco tempo
até os turistas tornarem a corrida impossível,
mas a meta está à vista.
O Coliseu.
Este vasto estádio tem mais de 1900 anos.
Possui um piso subterrâneo
e podia receber 50 mil pessoas no seu auge.
Na arena, os gladiadores lutavam até à morte
ou combatiam animais selvagens,
libertados de 36 alçapões.
O meu monumento preferido é o Coliseu,
porque se assemelha aos estádios de futebol atuais.
Thierry termina mesmo a tempo.
Foi mais uma corrida planeada na perfeição
e outro passo para o sonho de ganhar uma medalha
nos Jogos Olímpicos.
Roma é o destino turístico mais popular de Itália.
Mas, num segundo lugar próximo,
está uma das cidades mais invulgares do mundo.
Vista de cima das nuvens,
a costa norte italiana do Adriático parece fraturada,
com dezenas de ilhas pouco acima do nível do mar.
Ver a maior mais de perto revela algo extraordinário,
casas, cursos de água e centenas de barcos.
Eis Veneza, uma cidade construída sobre a água.
De cima, impressiona o labirinto de cursos de água sinuosos,
centrados na opulenta Praça de São Marcos,
com o seu enorme campanário e a basílica dourada.
Sem carros ou estradas, todos se deslocam de barco,
inclusive as vinte milhões de pessoas
que visitam a cidade todos os anos.
Mas as muitas maravilhas de Veneza só estão acessíveis
porque uma equipa de pessoas está disposta a sujar as mãos.
O engenheiro Lorenzo Bottazo é o responsável
por manter o trânsito em circulação.
De cima, a escala da tarefa torna-se clara.
São 150 canais que exigem manutenção constante.
Trabalhar em Veneza é fascinante.
Estar rodeado de tanta história e arte
é uma forte motivação para executar este trabalho.
O maior inimigo de Lorenzo é a silte.
Esta é empurrada pela lagoa ao redor
e fica presa nos canais estreitos de Veneza.
Sem controlo, a silte acumular-se-ia
e impediria que os barcos avançassem pelos canais.
É necessário dragar os canais
para assegurar o acesso dos bombeiros,
das ambulâncias e da polícia.
A silte poderia bloquear estes canais históricos.
Para combater o problema,
a equipa de Lorenzo utiliza esta megamáquina flutuante.
Esta embarcação única tem uma grua mecânica de quatro metros
e uma pá hidráulica
capaz de remover 95 toneladas de silte todos os dias.
Hoje, Lorenzo tem de desobstruir esta secção do canal Santa Maria.
À medida que a hora de ponta da manhã amaina,
a sua equipa fecha o canal para poder trabalhar tranquilamente,
mas tem de ser rápida.
Obstruir vias essenciais numa cidade deste tamanho
pode causar o caos no trânsito.
Lorenzo tem apenas sete horas para limpar o canal de Santa Maria,
antes que este tenha de reabrir para a hora de ponta, às cinco.
Aqui, a silte acumulou-se até 1,5 m sob a superfície da água.
A pá hidráulica da draga só remove doze quilos de silte de cada vez,
por isso, Lorenzo e a equipa têm muito trabalho pela frente,
mas os elementos estão do seu lado hoje.
Hoje, o tempo está bom
e os trabalhos decorrem dentro do previsto.
Com o fim do dia a aproximar-se,
a draga descarrega a última pá de silte na embarcação.
O canal de Santa Maria pode agora ser reaberto ao trânsito.
Mas o trabalho de Lorenzo nunca acaba por completo.
O projeto inclui a escavação de 21 canais.
Serão necessários 410 dias e, a cada dez anos,
todos os canais do centro histórico têm de ser escavados.
Graças a Lorenzo e à sua equipa,
Veneza permanecerá um destino agitado e fervilhante
por mais uma estação.
Em Itália, cidades movimentadas e densamente povoadas como esta
são um fenómeno do norte.
Pelo contrário, o sul rural está povoado de forma esparsa.
Cidades pacatas debruçadas nos penhascos
e ruínas vazias dão para o mar.
No entanto, quando a primavera dá lugar ao verão,
surge uma mudança,
com as temperaturas altas a atrair as pessoas para a costa sul.
Mas os humanos não são as únicas criaturas vivas
que migram para aqui, quando o verão chega.
Peixes do oceano nadam para as águas menos fundas do sul
para acasalar
e aí são perseguidos
por algumas das embarcações mais estranhas do mundo.
De cima das nuvens,
a Itália continental e a sua vizinha a sul, a Sicília,
parecem unidas.
Mas, mais de perto, vê-se uma passagem estreita
que separa os dois territórios,
com apenas 3 km de largura.
Trata-se do estreito de Messina.
Francesco Billé pesca nestas águas há quase trinta anos.
Usa um barco com uma proa comprida e saliente,
estranhamente parecida com a sua presa,
o espadarte.
O espadarte é especial pelo sabor.
É delicioso e a sua captura também é especial.
PESCADOR
Hoje, começa a nova época de pesca.
Francesco faz-se ao mar na sua embarcação incomum.
Chama-se "felucca".
Do cimo do mastro de 25 metros,
a sua equipa procura espadartes na água.
A altitude permite que veja o máximo possível do estreito.
Cabe a Francesco arpoar o espadarte a partir da coxia.
Daqui, pode aproximar-se sorrateiramente da presa
sem o ruído do motor a afugentar.
Os engenheiros marítimos sicilianos usam uma tecnologia engenhosa
para estes barcos não virarem durante uma perseguição veloz.
Instalam mais de 900 metros de cabos de aço
entre a coxia e o mastro.
Os cabos ajudam a dar estabilidade em águas agitadas.
Sob a linha da água, posicionam dezenas de lastros de 30 quilos
para servir de contrapeso
e impedir a embarcação de virar em curvas apertadas.
No cimo do mastro alto,
três pescadores vigiam as águas,
procurando incansavelmente a forma única do espadarte.
Não é fácil, porque os espadartes estão camuflados na água.
Subitamente, avistam um espadarte mesmo em frente.
Francesco avança pela coxia e prepara-se para arpoar.
A cabeça e a cauda estão sempre a mexer.
Temos um segundo e uma abertura.
Não podemos errar, porque, se falharmos,
o peixe desaparece.
Ele ergue o arpão, lança-o sobre a sombra na água...
... e acerta.
Viram? Apanhei-o.
Desce, Tino.
O espadarte está agora preso a uma corda comprida.
Incrivelmente, Francesco dá-lhe corda
para o peixe nadar.
Isso cansará o temível espadarte
e deverá fazer com que seja mais seguro trazê-lo para bordo.
Com o animal exausto,
Francesco puxa-o facilmente para a embarcação
e, com a ajuda da equipa, arrasta-o para bordo.
Matam rapidamente o enorme peixe
e marcam-lhe a face direita com linhas cruzadas,
uma tradição que demonstra o seu respeito
por um adversário valoroso.
Uma captura significa ter de levar o peixe para terra seca.
O Mediterrâneo tem sido alvo de sobrepesca nas últimas décadas.
Mas a pesca por arpão de Francesco
é considerada a forma sustentável de viver destas águas.
Pesca-se espadarte aqui há mais de dois mil anos.
É apenas uma das formas de vida que liga a Itália moderna
ao seu passado único.
As terras ricas e férteis do sul fornecem alimento em abundância
e prosperaram aqui civilizações durante milhares de anos.
Os gregos antigos instalaram-se aqui há 2700 anos,
muito antes da ascensão do Império Romano.
Mas todas estas civilizações viveram ensombradas por monstros.
E ainda vivem.
Vastas montanhas em forma de cone
dominam o sul de Itália.
É uma região vulcânica.
Em 79 d.C., o vulcão Vesúvio entrou em erupção,
destruindo a cidade romana de Pompeia.
Poderá ocorrer de novo uma tragédia semelhante?
A Itália tem mais de uma dúzia de vulcões
e três continuam ativos até hoje.
É o único país da Europa que vive com medo destes monstros.
Erguendo-se sobre a Sicília, está o Etna,
o vulcão mais ativo de todos.
O Etna é tão alto que a neve cobre o seu cume,
mas pode converter-se num monstro que cospe fogo
num ápice.
Em dezembro de 2018,
o Etna entrou violentamente em erupção,
disparando lava para o céu durante dias.
O vulcão ameaça as centenas de milhares de pessoas
que vivem à sua volta.
Mas não houve vítimas,
graças ao trabalho de cientistas como Marco Neri.
Cabe-lhe monitorizar o vulcão.
Detetar atividade invulgar com antecedência
permite ganhar tempo precioso na evacuação da zona.
Ele sobe até ao local da erupção recente
para medir a temperatura do vulcão e controlar a atmosfera.
Com estas informações, pode prever a próxima erupção.
Temos a obrigação e o dever de monitorizar o vulcão...
VULCANÓLOGO
... para alertarmos para erupções potencialmente perigosas.
Vive mais de um milhão de pessoas no raio de ação do Etna
e Marco sabe que não é uma questão de se,
mas sim de quando será a próxima erupção.
O Etna é dos vulcões mais ativos do mundo.
Por vezes, sente-se o solo vibrar
devido às pequenas explosões no seu interior.
De cima, vemos as fissuras profundas
que a erupção de 2018 abriu no flanco do Etna.
Hoje, Marco tem de medir a temperatura
desta região isolada no lado sudeste da montanha.
Há apenas poucos meses, toda esta zona era lava derretida.
Marco usa uma câmara de infravermelhos
para procurar temperaturas altas.
Se a temperatura tiver aumentado mais de vinte graus
desde a sua última visita,
pode ser o primeiro sinal de uma erupção iminente.
Cada imagem térmica é estudada e analisada por computador
para apurar com precisão a temperatura da superfície.
Neste momento, a temperatura é segura,
mas Marco tem de ter a certeza
que o Etna não representa qualquer ameaça hoje.
Assim, efetua uma segunda leitura crucial.
Se a pressão estiver a aumentar sob a superfície do vulcão,
a primeira coisa a sair não é lava, mas gás rádon.
Marco monitoriza os níveis de rádon aqui
para prever se há forças perigosas a concentrar-se
no interior do vulcão.
Esse é o nosso principal objetivo, a monitorização do Etna,
pois representa um enorme perigo para nós.
Hoje, as temperaturas e os níveis de rádon indicam a Marco
que o Etna está em repouso.
Os sicilianos podem estar tranquilos,
por agora.
À medida que o verão italiano se vai convertendo no outono...
... boa parte do país ganha tons vermelhos e castanhos.
Mas há uma zona da paisagem italiana
que está sempre verde.
Junto ao mar Adriático, fica a região da Apúlia,
o salto banhado pelo sol do calcanhar de Itália.
Quase 20 por cento do solo da Apúlia
está pontilhado de tufos verdes estranhos.
Mas que padrão misterioso é este?
Mais de perto,
veem-se os olivais sempre verdes da Apúlia.
Quase metade do azeite de Itália provém desta região.
É um ingrediente essencial em quase toda a cozinha italiana.
Mas a produção depende de uma boa colheita de outono.
Estamos em novembro
e o pequeno produtor Giovanni Principe viu sinais
de que as suas azeitonas têm de ser apanhadas agora.
Procuramos azeitonas meio pretas e meio verdes...
AGRICULTOR
... para obtermos um bom produto final, uma boa colheita.
Se as azeitonas estiverem pretas e demasiado maduras, não são boas.
Esta é a coloração certa.
Giovanni tem uma pequena parte deste vasto olival.
No outono, ele e os vizinhos vão ao olival fazer a apanha.
As azeitonas amadurecem depressa
e, em breve, mudarão de cor e ficarão amargas,
tornando-se inutilizáveis para fazer bom azeite,
pelo que Giovanni e os outros apanhadores têm de ser rápidos.
Fazer a apanha em menos de 50 árvores hoje
seria um desastre para a sua agenda ocupada.
Os produtores de azeitona da Apúlia têm de fazer a colheita
em quase 405 mil hectares a cada outono.
Para acelerar o processo, usam garfos especiais
para sacudir as azeitonas das árvores.
Os garfos possuem dentes vibratórios,
movidos a ar comprimido,
que ajudam a remover as azeitonas dos ramos.
Estes varejadores revolvem as folhas
sem danificar os frutos e as árvores.
Estão a avançar bem, mas, para produzir o melhor azeite,
têm de levar as azeitonas para o lagar
antes que o sol se ponha.
Para Giovanni, o tempo está a contar.
É quase noite,
mas Giovanni atingiu o objetivo essencial de hoje,
as cinquenta árvores.
Centenas de milhares de azeitonas cobrem agora o solo.
Giovanni tem agora de transportar as azeitonas para a quinta ao lado.
Aqui, a sua vizinha, Antonella Bisceglia,
assume o controlo.
É a dona do lagar que transformará as azeitonas em azeite.
Quando fazemos a colheita,
temos de produzir o azeite
em 24 horas...
DONA DE LAGAR
... porque é o intervalo adequado
para obter o azeite de melhor qualidade.
A apanha de hoje rendeu mais de uma tonelada de azeitonas.
As azeitonas começam a azedar,
se não forem moídas no dia da colheita,
pelo que o tempo urge para Antonella as converter
em bom azeite, conhecido aqui como "ouro verde".
Está bom.
Para Giovanni, o aroma doce é sinal de missão cumprida.
São os primeiros 200 litros de azeite da época
e valem milhares de euros.
Para os produtores de azeitona da Apúlia,
há muito em risco,
mas as recompensas são elevadas.
O outono é o culminar de um ano de trabalho
para os agricultores do sul de Itália.
Mas, no norte do país,
esta estação traz chuvas fortes e perigo
para um modo de vida que existe há milhares de anos.
O norte da Itália está repleto de cordilheiras altas.
TOSCANA
Na Toscana, a geologia e a indústria transformaram
a paisagem rochosa.
De cima, as montanhas em torno de Carrara parecem brancas.
Mas não se trata de neve.
Estas são pedreiras de mármore.
As pedreiras de Carrara existem desde o tempo dos romanos.
Fantiscritti é uma das maiores da região.
Gerações de mineiros extraíram a rocha branca destes penhascos
para fazer desde casas de banho de luxo
a belas estátuas.
Hoje, Alessandro Figaia, responsável pela pedreira,
tem de dar resposta a uma grande encomenda.
O mármore que escavarmos esta manhã
irá para um grande projeto comercial nos Estados Unidos.
Quando alguém compra mármore de Carrara,
compra tradição, técnica,
algo que durará para sempre.
Mas Alessandro tem um problema.
A chuva torrencial do outono enfraqueceu a rocha circundante.
Pequenas fraturas podem ter soltado o mármore
na encosta da pedreira feita pelo Homem.
Isso pode pôr em risco a vida dos trabalhadores no solo,
portanto, Alessandro fecha o local
e chama um grupo de especialistas
para procurar e remover pedras perigosas.
Estes homens chamam-se "tecchiaioli"
e patrulham a encosta frágil da pedreira.
Os "tecchiaioli" são os nossos anjos.
Cuidam de nós, protegem-nos,
certificam-se que a pedreira é segura.
Os "tecchiaioli" trabalham na encosta da pedreira,
suspensos por cordas compridas.
Têm de trabalhar sozinhos, resolvem o assunto
e não têm de ser muitos ao mesmo tempo.
São apenas equipas de duas, três pessoas.
Vêm cá com frequência e tratam de tudo.
Do ar, a tarefa dos "tecchiaioli" é revelada de forma inédita.
Vasculham a encosta em busca de fendas.
Depois, descem alguns metros e fazem o mesmo.
Quando encontram uma fenda,
dão pancadas na rocha com um grande cinzel,
conhecido como "paletto".
Procuram um som oco,
que pode significar que a pedra vai cair.
Alessandro tem de tratar da grande encomenda.
Mas não pode fazer nada até ter o aval dos "tecchiaioli".
À medida que os "tecchiaioli" descem pela pedreira de mármore...
... encontram uma pedra que parece perigosa.
Mas uma inspeção mais de perto revela que está bem presa,
por isso, avançam.
Os "tecchiaioli" acabam de vasculhar a encosta
e içam-se até ao cimo do penhasco.
Não encontraram uma única pedra perigosa.
Demoraram quatro horas a inspecionar a encosta,
mas valeu a pena.
Agora, os trabalhadores podem regressar ao local
e começar a escavar o mármore puro da encosta.
Cortam a rocha em blocos de 30 toneladas
para exportação.
O negócio de Alessandro está novamente no caminho certo.
A sua equipa pode concluir a grande encomenda do dia,
graças ao trabalho incrível dos "tecchiaioli".
É preciso ser um pouco louco para trabalhar nas pedreiras.
Ficamos viciados, de certa forma.
Depois de trabalharmos numa pedreira,
os outros trabalhos deixam de ser tão interessantes.
A paixão italiana pelo luxo mantém esta pedreira de mármore ativa
há milhares de anos.
É um dos muitos modos de vida
que se mantém ao longo de séculos da história italiana.
As vastas montanhas de Carrara ficaram brancas por ação humana.
Mas, a norte, há cordilheiras ainda mais imponentes
que mudam de cor com as estações.
Há enormes cadeias montanhosas na fronteira norte de Itália.
A dos Alpes é a mais alta da Europa,
com mais de mil quilómetros de comprimento
e quase cinco mil metros de altura.
Mas, escondida a leste,
fica uma segunda cordilheira mais pequena.
Aqui, erguem-se as Dolomitas,
formando picos irregulares com três mil metros de altura.
As cristas afiadas e verdejantes desta cordilheira
contrastam com os Alpes.
Com o final do outono,
a temperatura cai a pique nas Dolomitas.
O verde transforma-se em branco,
à medida que a neve cobre as montanhas
e o inverno chega.
A campeã mundial de escalada no gelo,
Angelika Rainer, é natural da região das Dolomitas.
Atualmente, viaja pelo mundo como escaladora profissional
mas, no que toca à escalada no gelo,
as Dolomitas são especiais para ela.
Este ano, decidi encontrar um projeto nas Dolomitas,
porque são lindíssimas.
Não há lugar como a nossa terra.
Há cascatas geladas espalhadas pelas Dolomitas no inverno.
O projeto especial de Angelika
consiste em passar as semanas mais frias do ano a escalar
o maior número destas cascatas que conseguir.
Hoje, tem um monstro em mãos,
uma cascata chamada Luyanta.
É uma parede com cem metros de altura de puro gelo.
A maioria dos bons escaladores
demoraria três horas a alcançar o cimo.
Angelika, tricampeã mundial,
ficará desapontada se não o fizer em menos de duas horas.
É evidente que Angelika se propôs um desafio formidável.
Ao contrário da rocha, o gelo está sempre a mudar.
Pode passar de sólido a mole e frágil em poucas horas,
o que pode ter consequências catastróficas.
Não é bom para o gelo, se a temperatura variar muito.
Se estiver muito frio e depois aquecer,
o gelo fica muito frágil.
Angelika tem de verificar constantemente
se o gelo tem firmeza para a suportar.
Toda a cascata pode ruir. Se cairmos, podemos morrer.
Daqui, a queda é alta, se ela avaliar mal o gelo.
Após uma escalada árdua,
Angelika alcança o cume em bem menos de duas horas.
Para a maioria dos escaladores,
esta subida bateria o seu recorde pessoal.
Mas, para Angelika, o tempo é irrelevante.
Olá, pessoal!
É apenas mais um passo para o seu objetivo pessoal,
conquistar as imponentes Dolomitas,
uma cascata de cada vez.
Quando chego ao cimo, sinto que consegui,
fui capaz de lá chegar.
Não se trata de vencer a montanha,
mas de eu própria melhorar e ser capaz de fazer isto.
No inverno,
as estâncias de esqui exclusivas dos Alpes
enchem-se de turistas abastados.
Mas nem todos vêm pelo esqui.
Todos os anos,
uma pequena área da paisagem alpina de Itália
torna-se a meca dos condutores temerários.
Modena, no norte industrial de Itália,
alberga muitos dos mais conhecidos
fabricantes de supercarros do mundo.
É o centro espiritual do supercarro.
Em conjunto,
quatro grandes empresas produzem mais de 15 mil todos os anos
e, pouco mais de 300 km a norte de Modena, em Livigno,
há uma pista que testa os limites de muitos destes carros.
Livigno tem uma das pistas mais estranhas do mundo,
feita totalmente de gelo.
Este ringue feito à medida consiste
num quilómetro de curvas e contracurvas
a quase dois mil metros de altitude.
Pilotos como Milos Pavlovich adoram-na,
pois a pista ultraescorregadia constitui o derradeiro teste
para a sua perícia nas curvas.
Esta pista de gelo é especial porque é muito compacta.
Tem muitos percalços e é preciso muita perícia
para fazer as curvas apertadas.
Os proprietários do terreno criam esta pista todos os anos,
inundando um campo no outono
e deixando-o gelar.
A geografia de Livigno torna-a ideal para a condução no gelo,
porque as montanhas a mantêm à sombra boa parte do dia,
o que a torna uma das zonas mais frias de Itália.
Os fabricantes de carros de luxo arrendam a pista de gelo
para proporcionar aos clientes mais prezados
uma experiência única.
Hoje, é a vez da Lamborghini.
O grupo de supercarros a deslizar
cria um espetáculo de inverno inigualável
e só pode ser apreciado em pleno a partir do ar.
Vindo cá, percebemos porque é especial.
É extraordinário, algo que não se faz todos os dias.
Os condutores vão ao limite para manter os supercarros no gelo.
Se travarem demais, as rodas bloquearão,
fazendo o carro sair da pista.
Mas, se entrarem na curva depressa demais,
podem perder o controlo do carro.
É preciso delicadeza no acelerador ao conduzir no gelo.
É uma questão de equilíbrio entre o volante,
o acelerador e o travão.
Conseguindo isso, deslizamos bem de um lado para o outro.
Fazer as curvas apertadas desta pista de gelo
é um triunfo não só da engenharia, mas também da condução.
Com o dia a chegar ao fim,
a exibição de engenharia pura amaina.
Mas Milos sabe que conduzir no gelo
é mais que um pico de adrenalina.
Estas competências farão das estradas de montanha italianas
um lugar mais seguro.
É algo que torna os condutores melhores
e mais seguros em todos os sentidos.
A Itália é um país que se orgulha do seu passado.
Mantém tradições e estilos de vida vivos
ao longo dos séculos.
Contudo, também inova para criar novos estilos de vida.
Aqui, antiguidade e modernidade aliam-se
para criar a grande nação europeia que vemos atualmente.
Legendas: Sónia Coelho
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