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Esta é a KKNG Estéreo 92, de Oklahoma.
A magnífica Companhia Americana de Ballet apresenta-se no Civic Center Music Hall.
Grandes estrelas da dança apresentarão ballets completos de Tchaikovsky
e vários actos clássicos e contemporâneos do vasto repertório da companhia.
Os bilhetes estão disponíveis na bilheteira do Music Hall e agências.
E agora continuaremos com músicas do ballet.
Estão todos prontos?
Que óptimo.
Que burra.
- Não ias preparar o bar? - Teremos tempo quando voltarmos.
Pai.
A esposa é sempre a última a saber.
Emilia, vai-te vestir!
Janina, não faças isso agora.
Demoras uma hora para te aprontares. Vai agora. Onde está o Ethan?
Mãe, esse colar de contas fica horrível com esse vestido.
Emma deu-me este colar de contas antes de tu nasceres.
Mas agora ele parece horrível.
- Ethan, queres parar com isso? - São as luzes. Estou louco!
As luzes são para a festa. Rápido. Sairemos dentro de dois minutos.
Vamos.
- Quem tem os bilhetes? - Eu não lhes peguei.
- Eu peguei. - Tens os bilhetes.
Estou tão nervosa.
Mãe, não fique tão ansiosa.
A GRANDE DECISÃO
- Como estás? - Bem.
- Choraste muito? - Bastante.
- O que disseste aos meninos? - Nada. Eles conhecem-te.
Ouviram a história sobre ti e a Emma disputando o mesmo papel várias vezes.
- Não precisamos ir aos bastidores. - Precisamos, sim.
Venha à festa. Relaxe, Sevilla.
Para que fazer um arabesque perfeito se a plateia não nota a diferença?
Fui péssima esta noite. Vou para casa tomar um banho quente.
Você é chata, Sevilla. Vou colocá-la num táxi.
Não, obrigada, querido. A minha limusina aguarda-me.
- Onde ficam os lavabos? - Por ali.
Deedee?
- Freddie. - Querida, como está?
Freddie. Estou tão feliz em vê-lo.
Estes são os nossos filhos. Emilia, Janina e Ethan.
Está óptima.
Deedee.
Olá, Adelaide.
Ora.
Está em forma, querida.
- E você também. - Cuidar do ballet mantém-me em forma.
Poderia perder uns quilinhos, Deedee.
Você sempre disse isso.
- Nada de doces na festa hoje. - Nem um biscoitinho, doçura.
Deedee?
É o Michael.
Michael Cooke.
É o Michael.
Wayne, o Michael está aqui.
- Olá, Wayne. - Veja só.
- Céus, está óptimo. - Tanto que ela não me reconheceu.
Você não era o maior coreógrafo do mundo quando me fui embora.
- Não? Pensei que fosse. - Ele tinha feito Anna Karenina.
Venha.
Não deve ir mais devagar que isso. Acho que fico na ponta por...
Aí está você. Meu Deus!
- Você estava maravilhosa. - Não estava.
- Queria estar, mas não consegui. - Estava, sim.
- Adorei as suas flores. Muito obrigada. - Você estava fabulosa.
Não estava. Sabe que o meu pé me incomoda. Escrevi-lhe.
Não deu para notar.
- Fiquei nervosa por você estar aqui. - Você estava maravilhosa.
- Não estava. - Estava, sim.
Estava sim, Emma.
Ah, Wayne.
Você me emocionou como sempre.
Obrigada.
- Wayne, faz muito tempo. - Com certeza.
Gostaria de ver a sua afilhada? Emilia, vem cá.
Meu Deus!
- Ela não é linda? - Meu Deus!
Da última vez que a vi, eu conseguia pegar-lhe.
Ela é adorável.
Ela é adorável, Deedee.
Janina.
Ethan.
Ele é um pouco perigoso.
Vejam só vocês.
Eles não sabem como o tempo voa.
Não, não sabem.
Ah, Deedee.
Ainda terrivelmente organizada.
Eu sempre fui uma desarrumada.
Só não gostava quando pegava no meu lápis dos olhos e não devolvia.
Para o seu lugar certo.
Ah, Emma. Você leva esta foto para onde quer que vá?
Essa e a da mãe. O resto entra e sai de álbuns de recortes.
Querida. Você usou mesmo este chapéu no meu casamento?
Adoro esse chapéu.
Dá para acreditar como éramos jovens?
- Estou péssima. - Todos ficavam, perto do Wayne.
- Céus, ele é lindo. - Mesmo de calças com vinco.
É por isso que toda a companhia andava atrás dele.
Que bom que você olhava para outro.
- Quer dizer para o Michael. - Não, de olho no jogo.
Diga-me uma coisa, Emma.
Como é ser você hoje?
Eu danço.
Tenho aulas, ensaio, apresento-me. Volto para o meu hotel.
Algumas cidades são melhores que outras. E certas noites também.
Acho que fui bem esta noite. Queria ser, por você.
Não conseguiria não ser boa.
- Ainda? - Sim.
É uma artista.
- O que está a fazer? - Odeio esta foto.
Vou enviar-lhe uma nova. Quantos quartos?
Já viu todos. Quer ver a adega? Não temos.
Aposto que a mãe seria uma melhor Anna Karenina. Emma é péssima.
Você é tão estúpido.
Mark, sabe o que esse russozinho fantástico vai fazer?
Fará com que seja respeitável tornar jovens americanos em dançarinos.
Viu? Num bom dia, consigo fazer seis entrechats com cabriolas duplas.
- Ganhaste. - Foi gentil da parte dela trazer isto.
- Ela só bebe isso agora. - Ainda não conversaste com ela.
Tenho andado ocupada com o resto da companhia. Adoro a companhia.
Não quero que se vão embora. Irei com eles. Sentirei a sua falta.
Que diabo! Aos teus olhos.
Ao teu rabo.
Emma? Alguém viu a Emma?
Com toda essa experiência, você realmente é uma profissional.
Gostaria de ter aulas com a companhia de manhã?
Emilia, de nada adianta ser tímida.
Precisa saber o que quer e expressar isso.
- Sei de algumas coisas que quero. - Por exemplo?
Ter aulas com a companhia.
Se eu soubesse em que me estava a meter há 38 anos,
não teria começado essa maldita companhia de ballet.
Eu só sabia que precisávamos de uma companhia americana de primeira classe.
- Mas há muitos estrangeiros nela. - A dança é internacional.
A minha companhia quase foi à falência cinco vezes.
Mas aqui estamos nós, a melhor companhia de ballet do mundo.
Bem, pelo menos deste país.
- Foi assim que foi educada? - Sim.
A sua mãe.
Quero que ela e o seu pai me apresentem a magnatas do petróleo.
Eles têm uma escola de ballet, querida, o que sempre significou
meia dúzia de garotinhas gorduchas com pais muito ricos.
Não interferirei no negócio deles.
Sei como lidar com os ricos. Dê-lhes esperança e eles lhe dão dinheiro.
Não guarde esse presunto.
Poupe o anúncio, Adelaide. Janina não tem um centavo.
- Ela deveria abrir um restaurante. - Obrigada.
É direito de um coreógrafo manter as suas ideias para si mesmo.
Mas, Arnold, é preciso tanto segredo? Conte-nos algo sobre o seu novo ballet.
Não haverá cisnes no palco.
- Já é alguma coisa. - Não o suficiente para você participar.
- Não corra, Adelaide. - Michael e eu faremos o possível.
E eu nunca corro.
Como consegue alguma coisa dela?
Percebendo que ela sabe exactamente o que está a fazer.
A propósito, gostaríamos de um novo ballet para Emma nesta temporada.
Não precisa usá-la, Arnold. Foi só uma ideia.
- Ficou satisfeita com Emma esta noite? - Sim, muito.
Eu criei Emma, Janina.
Não criou. Michael criou Emma. Mas você ajudou, Adelaide.
A bebida faz surgir os chatos. Eu poderia ter ajudado a criá-la a si.
- É verdade, mãe? - Era tão boa quanto Emma, mãe?
- Eu era diferente. - Muito. Desde que se juntaram a nós.
Diferentes como?
A sua mãe preferiu casar-se.
- Boa noite. - Eu a levarei até ao carro.
- Boa noite. - Estou a caminho. Boa noite.
Céus, dançarinos têm pés horríveis.
Se eu fosse homem, poderia ter os pés... Crianças... que quisesse, e ainda dançar.
Quantas crianças?
Três, como as suas.
E um marido como Wayne.
Sim.
É uma rapariga de sorte.
Quer trocar de lugar?
Não consigo imaginá-la a ensinar um bando de crianças idiotas.
Ou morando numa cidade onde a companhia finalmente chega.
E, quando chega, é só por duas noites.
Não, você escolheu a vida que quis, Emma.
Você também.
Na verdade, não.
Você não me deixou.
- Explique-se! - "Explique-se"?
Aprendeu umas expressões sofisticadas no caminho, certo?
Sinceramente não sei do que está a falar.
- Lembra-se do Michael a fazer a Anna Karenina? - É claro que sim.
- Quem ensaiou ele para o papel de Anna? - Você e eu.
E daí?
- Você ficou grávida. - Sim.
E você foi chamada 19 vezes para os aplausos finais.
- Guarda-me rancor por isso? - Não por isso.
Gostaria de trocar de lugar?
Não sou mais chamada 19 vezes para aplausos finais.
Mas alguém irá, noutro balé, e não serei eu.
Lembra-se da Dahkarova?
Ela mora num apartamento em Carnegie Hall, tão velho quanto ela,
cheio de fotos dela dançando a Giselle.
Ela dá aulas...
quando consegue.
Aluga quartos para dançarinos, quando consegue.
Era uma óptima bailarina, o nosso ídolo. Mas Michael não pensou nela para Anna.
Ela era muito velha.
Exactamente.
Isso é um facto da vida, Emma.
E tenho aulas amanhã, o que é outro facto da vida.
ESCOLA DE BALET RODGERS
Olá, mãe.
Ethan!
Mulheres não podem entrar aqui.
Acredito que o jogo foi cancelado por causa da chuva.
Não era um jogo, só treino.
- Vais ser expulso da equipa. - Não vou.
- Achas-te assim tão valioso? - Não, mas eles acham.
Veste-te. Fora. Vai para casa.
- É a aula avançada do pai. - Conheço o horário.
Não perderei essa aula, então poupe a respiração.
Poupa a tua. Agora entende isto.
Se quiseres jogar beisebol, termina o treino. Se quiseres dançar, chega a horas.
Prefiro beisebol, porque os atletas duram mais e ganham mais dinheiro,
mas de qualquer maneira, segue as regras. Entendeste?
Entendi.
Segundo grupo, por favor.
Eu o verei no ensaio depois. Adeus.
A postos.
Préparation. Comece a música.
Virem. Calcanhar para frente.
Continuem. Vamos, raparigas. Juntas. Não tão atrasadas.
Ela consegue bolsa em todas as escolas por que passa.
Estudou com Carmelita em Los Angeles, com uma bolsa.
Obrigado. Rapazes, por favor.
Ela dançou profissionalmente em Houston e Santa Fé.
Há muito dinheiro em Santa Fé.
Pausa. Em posição. Pausa. Raparigas, continuem imediatamente.
Arabesque. Pés juntos. O tempo todo na posição certa.
Marquem o tempo certo.
Bom.
O final correcto e toda a combinação para o lado direito.
Deedee e Wayne fizeram um bom trabalho. O que acha, Adelaide?
Pai, é verdade que Yuri faz duplos no ar, depois uma pirueta e cai num joelho?
- Foi o que ouvi. - Jesus!
As minhas amigas não ligam se ele faz triplos e cai de abertura.
- Só querem saber de o ver de malha. - E tu não?
Não. Dançarinos são chatos. Adoram-se a si mesmos. É culpa dos espelhos.
Pai, ouviu isto?
A mãe e pai são professores, não dançarinos. E tu não és nada.
- É mesmo? - Sim.
- Mãe... - Se ainda não sabe...
Fui convidada a entrar para a companhia.
Calados. Quando começa?
Com ensaios em New York antes da temporada de verão.
Mas, pai, não disse que iria.
- Idiota. - Ethan.
- Eu disse que queria pensar. - Pelo amor de Deus, porquê?
Porque tem mais cabeça que tu. Sabe que é uma encruzilhada.
- O quê? - Não ria. É sim.
E quero saber para onde estou a ir.
Certo. Porque não?
Foi muito inteligente, Emilia.
Vamos comer.
O ar condicionado do escritório ainda está avariado.
Eu sei. Disseram que o consertariam de manhã.
Sempre dizem isso, mas nunca dizem que manhã.
Porque achas que ela está hesitante quanto a entrar para a companhia?
Ela não admitirá, mas não se sente bem em deixar-nos.
Eu também não. Eu sinto-me pior.
Tenho essa imagem de Janina a ir para a faculdade, depois Ethan e...
Sabes que a Emma viaja com aqueles três cachorrinhos?
- Preferirias que a Emilia não fosse? - Não.
Não mesmo.
Não quero que passe o resto da sua vida enterrada aqui, em Oklahoma.
Estava a pensar. Se ela for, deverias passar o Verão em New York.
Sempre a proteges.
Ela não faz amigos como a Janina.
Ela fará, na companhia.
Há sempre muitos ciúmes na companhia.
Isso nunca te incomodou. Porque não vais tu? Porquê eu?
Sabes que queres ir, sabes que temos de manter a escola aberta
e sabes que sou um professor melhor que tu.
Só no Verão. É muito quente para mim aqui.
Além disso, não posso deixar os outros dois.
Janina está feliz aqui e cuida bem da casa. E Ethan...
Ethan faria o possível para ir estudar em New York.
Então?
Conheces-me muito bem.
Adoraria ir para lá.
E acho que precisas ir.
- Está a tentar livrares-te de mim? - Não, estou tentando segurar-te.
- Pensei no caso, mas tenho duas perguntas. - Com certeza.
Ethan diz que tenho medo da competição. Não é verdade.
Mas é uma grande companhia, então o quanto conseguirei dançar?
- Depende do quanto fores boa. - E o quanto sou eu boa?
Muito. Qual é a outra pergunta?
Eu deveria saber agora se quero permanecer na companhia?
O que te faz perguntar isso?
Parece que se ficar, terei de desistir de certas coisas.
Louca. Lida com isso quando acontecer.
Mas por enquanto, se souberes o que queres, faz isso.
- Não é sempre fácil saber. - Para mim, é.
Quer dizer, sei o que quero agora.
O que queres?
Só dançar.
Então vai em frente.
ESCOLA DA COMPANHIA AMERICANA DE BALLET
Mão esquerda na barra.
Ombro para baixo. Braço. E...
Grand plié.
Um ombro para trás.
E abram. Olhem para a mão. Pés juntos.
Ergam o braço. Port de bras. Para frente. Um...
No meio do movimento. Isso.
Perfeito.
Agora développé. E puxem. Continuem puxando.
Dedos dos pés na quinta posição.
- Não... - Desculpa.
Já chega.
Como consegues dançar com ele se não aguentas nem um curativo?
Comporta-te. Ganhaste uma bolsa, então sê grato.
Eu sou. E como você disse, mantém-me longe das ruas.
É melhor não fazeres de engraçadinho com os teus professores.
Adeus, mãe.
- Não. - Não queres ser visto comigo?
- Não tem nada melhor a fazer? - Sinceramente, não.
Bem, deixe-me ir primeiro.
Droga.
Olá, Florence. Adelaide está por aqui?
Não, ela foi a uma reunião para angariar fundos, Sra. Rodgers.
Deedee.
- Sevilla, como vai? - Olá.
Só cheguei até aí.
Interessante.
Obrigada, pessoal.
Quer que eu mostre o seu solo agora?
Por favor.
Três piqués, dois chaînés e plié.
- Arabesque. Preparação na quarta. - Pirueta dupla, certo?
Pode fazer uma só.
Consigo fazer uma dupla.
- Onde quer que coloque a cabeça? - Para baixo e para o lado.
Fascinante.
Arnold, seria útil se me dissesse o que estou a dançar.
Não há uma história. É abstracto.
Eu sei. Perguntei o quê, não quem. O que estou a sentir?
Nada, Emma. Você só dança.
Arnold...
falou com a pessoa errada.
Cuidado com a pressão, Arnold.
Eu não disse que se não usar Emma, não montaremos seu ballet.
Eu disse que com Emma, receberá a atenção que merece.
Na verdade, foi por isso que lhe mostrou, certo?
Fiquei surpreso por Emma Jacklin querer participar nele.
Por quê? Emma sempre trabalhou com jovens coreógrafos...
Michael.
Preciso muito de um novo ballet, Arnold, e sabe disso.
Estamos usando-nos um ao outro, então jogue limpo.
Você tem muito talento. O suficiente para mudá-lo,
para poder usar-me no que eu faço de melhor.
Eu gostaria, Emma, mas não é tão simples.
- A sua ambivalência está a aparecer. - Não seja maldoso.
- Não estou a falar da sua vida sexual. - Ballets não são para agradar a estrelas.
Arnold quer que a coreografia seja a única estrela.
É, e deve ser.
Então não me quer.
Bem, então é muito simples.
A sua coreografia ficou muito boa em Emilia. Use-a. Ela surpreendê-lo-á.
De volta ao trabalho.
O idiota nem teve a gentileza de me convencer a ficar no seu ballet.
Beba devagar.
A propósito, você e Freddie não farão Giselle esta temporada.
- Está a tentar dar-me um susto? - Não.
Sevilla fará duas apresentações e revezará com...
Carolyn.
Escolheu uma óptima hora para me dizer, Michael.
É melhor atirar tudo em cima de si de uma vez.
Melhor para quem?
Sou o director artístico, Emma.
Diga-me quando e como você daria a notícia a uma artista que respeita.
E a uma amiga.
Coitado do Freddie.
Sabe que só receberemos por apresentação esta temporada.
Eu não sabia.
Os soluços já passaram.
Preciso descobrir onde posso colocá-las.
Tudo o que ela tem aqui ou é um ícone, ou um samovar, ou está partido.
Ou todos os três.
- "D D Vanyo ligo"? - O quê?
Acho que é isso que diz.
É da noite passada. Precisa aprender a decifrar o código de Dahkarova.
- "Wayne ligou"? - Sim.
Ele é bem esperto. Sabe que se me desse corda, eu me enforcaria.
- Como vai a Janina? - Ela está bem.
Louca. Detesta balé, adora Oklahoma. Como consegui educar uma criança normal?
Isto servirá de vaso.
Se eu conseguisse o trabalho de professora.
Só preciso da aprovação de Adelaide, mas não consigo falar com ela.
Quem está ela a treinar?
A loura de olhos grandes. Ela vem sempre aqui. Carolyn.
Ouvi dizer que Carolyn fará Giselle esta temporada.
Diabos! Não terei soluços de novo.
Erga os braços. E se eu matar Adelaide? De qualquer maneira, seria bom.
Não culpe a Adelaide. Não é culpa dela. Jurei que pararia aos 35.
E 36, 37...
E então fechei os olhos.
Quantos anos tinha quando começou a ter aulas?
Oito.
Eu tinha sete.
- Os nossos corpos sempre reclamaram. - Eu sei.
Mas você não ficou o tempo suficiente para descobrir que eles se rebelam.
E muito cedo.
Eles recusam-se a fazer o que a pessoa quer.
Eles não conseguem.
Mas até hoje, há momentos em que tudo se junta.
A música, a dança...
as luzes...
as roupas...
Você queria saber como era ser como eu.
Sempre que estou fora do palco, fico à espera para entrar nele.
Quer uma cerveja?
- Como? - Não, chá.
- Vou fazer. - Não, sente-se.
- Falarei com Adelaide sobre o seu trabalho. - Não fale nada com a Adelaide.
Quer dizer-me uma coisa?
Porque é que os problemas de gente como você parecem mais importantes que os meus?
- É óbvio, você é mais importante. - Se eu for, não será por muito tempo.
Há alguns anos, eu ensaiava com Dahkarova.
Hoje, Carolyn.
Mas no ano que vem...
Emilia.
- Emilia? - Sim.
Ela é assim tão boa?
Acho que ela o fará por si, Deedee.
Com licença. Sra. Rodgers, poderia...
- Emma, está aqui. - Ainda.
- O que quer, Carolyn? - Um copo de água, por favor.
A chaleira está a ferver.
- Emma. - Madame.
- Desculpe. - Porquê? Não é culpa sua.
- Eu entendo. - Sim, eu também.
Passei pela mesma coisa.
Carolyn.
- Chá? - Obrigada, Emma.
A preparação para a minha primeira apresentação de Giselle é tão difícil...
Pare de falar. Sente-se.
- Bolinhos, Deedee? - Bolo? Certamente. Quem mais quer?
- Adoraria. Que tipo... - Não.
- Olá, mãe. - Olá, querida.
Emma. Olá, Madame Dahkarova. Olá, Carolyn.
Arnold ficou horrível depois que você se foi.
- Mas o papel será seu. - Eu sabia que foi ideia sua.
- Quer chá, querida? Emilia? - Sim, por favor.
Arnold lutou e resmungou muito?
- Conseguirá o papel. - Que papel?
- No novo balé de Arnold. - Quem, Arnold? Um bom balé?
É um bom papel para Emilia.
Então precisa ajudar a treiná-la.
Certo.
Farei isso.
Mas, Emma... você? A treinar?
Tolice. Eu fá-lo-ei. É preciso ensinar alguém a ser tão boa quanto eu.
Mas, Madame, não... A senhora não é...
Não o quê? Não sou o quê?
Acho que o que a Carolyn quer dizer é que a senhora não dança mais, e eu sim.
- Quem mais a ajudou? - Kschessinska.
De Mariinsky a mim.
De mim para si enquanto eu ainda dançava.
Agora a Carolyn, e depois você, Emilia, se treinar pontas todo o dia.
- As noites de estreia são empolgantes. - É mesmo?
Queria que você fizesse a primeira Giselle esta noite, e não Sevilla.
É preciso correr o máximo que puder para ficar no mesmo lugar.
Como?
É de Alice no País das Maravilhas.
- Desce um pouco? - Não, segue a linha natural.
Um pouco mais para fora.
- Posso tentar de novo? - É claro.
É maravilhoso.
Lembre-me de lhe perguntar algo.
Um pouco mais rápido.
- Nada mal. - Não me mime, querida.
Prefere que eu o bajule como Adelaide faz?
Por que não bajulamos um ao outro?
Você é nojento. E tão subtil quanto ela. Esta manhã, ela disse-me:
"Sevilla, querida, você é a maior primeira bailarina do mundo".
Não, eu sou.
Não ficou bom. Vamos tentar erguer-me de novo.
Adelaide não pára porque sabe que quero dançar em Milão e no Rio.
- Ela quer que eu faça essa turnê. - Não recuse.
- É exactamente o que Richard disse. - Quem é Richard?
- Sevilla, ligação à distância. - Já vou.
Com licença, por favor. Não demorarei.
Richard é a razão pela qual não terminarei como Emma.
Detesto ser interrompido por ligações. O segundo elenco, por favor.
Começaremos do carrinho. Prontos? E...
Tudo bem, podes acender a luz.
- Não quis acordá-la. - Não acordaste.
Eu estava com o Yuri.
- Estás bem? - Sim.
Estou a tomar a pílula.
Só para garantir.
Meu Deus.
Não precisas te preocupar. Vai dormir agora.
- Não queres conversar? - Não.
Poderá estragar tudo.
Volte para a cama. Durma bem.
- Fique feliz por mim, mãe. - Eu estou.
Só não achei que seria tão rápido...
Tão rápido o quê?
Que não irias só... querer dançar.
Mãe.
Volte para a cama.
Vá. Está tudo bem.
- Como você está? - Bem.
Vamos.
Uma vez por semana, o pai e eu verificávamos as novidades.
Emma e eu subíamos ao terceiro andar para experimentar os vestidos mais caros.
Vejo-o depois.
Rosie.
Estes são os meus filhos, Emilia e Ethan.
Joe Rosenberg, regente da companhia quando o vosso pai e eu estávamos nela.
- Ele era o melhor. - Ainda sou.
Mas agora rejo musicais.
Mais comida e moradia permanente. Para onde vão?
Ali. Moramos em Carnegie Hall. Como vai a sua esposa, Joe?
Qual delas? Já tive duas desde que nos vi-mos pela última vez.
Não. Como vão as três?
Explosivas. Nunca as vejo.
- E como vai o... qual é mesmo o nome? - Wayne.
Está em Oklahoma com a nossa outra filha. Passaremos o Verão aqui.
Que óptimo. Estou à solta.
Desistiu do balé para reger na Broadway?
- É um homem sem alma. - E você, uma mulher sem vinho.
- Ele trouxe o vinho? - Sim, trouxe.
Prove. Ele trouxe.
- Você tem muita alma, querido. - Mas não muito gosto.
Correcto.
Vou atender.
Cale-se.
Alô?
- Deedee, é uma honra para Emilia. - "Honra"?
- Yuri é um óptimo dançarino. - É claro, querida. Ele é russo.
Correcto.
Acredite se quiser, Linda foi aceite em Yale.
Ninguém mais quer estudar em Princeton.
Com certeza não os meus filhos.
Todos escolheram escolas diferentes, e nenhum a escola em que estudei.
- Isso é um reflexão sobre mim? - Não, Carter.
Diria que é uma reflexão sobre Princeton.
Você é parcial.
Há anos.
- Desculpe, Menina Jacklin. - Coloque-as em qualquer lugar.
- Parece que não posso beijá-la aqui. - Não me incomodaria.
Poderia incomodar a Maggie.
O suficiente para lhe dar o divórcio?
Só preciso pedir, Emma. Sabe disso.
E então?
- Você desistiria da dança? - Porque não?
Perguntei há 15 anos. 14 anos. 13.
Pergunte-me agora.
Sempre quis saber o que você faz com todas essas flores.
Eu as doo aos hospitais.
Sabe uma das razões por que duramos tanto tempo?
Diga-me outra, Carter.
Porque a situação se adequava a você, que gostava das limitações.
Não sei se ainda gosto.
Mas agora eu gosto.
Sinto muito.
Eu também.
Entre.
É melhor eu ir andando.
Você prefere que eu não venha depois?
Não, venha.
Vamos pelo menos terminar a temporada.
Até mais tarde.
És louca. Fica.
- Yuri, a minha mãe vai ficar louca. - Então ela também é louca.
Ela é uma senhora decente.
- Estás louco. Não posso. - Sim.
- Então meia hora. - Não, a noite toda.
Por favor.
Porquê?
Estou nostálgico.
Virem as costas para a nova direcção e olhem para cima.
Ponto fixo acima da linha do braço e da mão.
Bom. Segundo grupo, por favor.
Faremos um port de bras. Preparem-se.
Não tencionem o ombro.
Bem relaxado.
- Estão atrasadas. - Porque estão atrasadas?
Ficámos presas na casa de banho.
Linhas. Juntas.
Em linha recta, por favor. Braços. Não se esqueçam.
Na época, eu estava mais do que apaixonado por si.
Só que eu não ficava bem de malha.
Mas agora as coisas mudaram.
É verdade?
Agora nenhum de nós fica bem de malha.
- Fale por si próprio. - E estou.
Posso abrir novos horizontes para si, querida.
Dançarinos são burros.
Quero dizer, do que entende? Crianças e balé, certo?
E você só entende de música e divórcio, certo?
Um minuto para a vinheta, por favor.
Livros. Corrupção. Fotos indecentes.
O divórcio é uma droga,
as violetas são azuis,
Tchaikovsky é óptimo...
e você também.
Que lindo. Eu precisava disso.
Quando éramos pobres, eu tinha um apartamento na rua 52 Oeste.
Você partiu antes da melhor parte.
- Não se lembra, certo? - Eu lembro-me.
Em cima de um clube de jazz.
Não parta agora.
- Sentes-te melhor? - Muito mais.
- Foi culpa minha, Yuri. - Não.
- Eu estava muito nervosa. - Porquê?
És fabuloso. E os meus joelhos são fracos.
Gosto de garotas com joelhos fracos.
- Só gostas de garotas. - Muito. Isso é errado?
Não. Todos deveriam ter o direito de fazer as suas próprias escolhas.
- Gosto da tua. - Da minha o quê?
Escolha.
- Desculpa. o meu inglês... - Não, eu tenho dificuldades às vezes.
Carolyn, às vezes é melhor não falar.
Concordo. Principalmente comigo, porque...
Sim?
Olá?
- Emilia? - Pai!
Olá.
Como vai? Como está a Janina?
Ela está a cuidar bem de mim. E está óptima na escola.
Que bom.
Esqueci-me completamente de como é tarde aí.
Pai, já sabe sobre meu papel no balé?
Sim, a tua mãe disse-me que conseguiste o papel principal.
Não deixes o Arnold Berger assustar-te. Manda o teu namorado atrás dele.
E como vai ele?
Ele está bem. Não tenho muito tempo para esse tipo de coisas.
Não me surpreende. Eles exigem muito de ti quando és tão boa.
Chama a tua mãe, por favor.
Ela ficou com a Emma. Estão sempre a coxixar. Às vezes ela dorme lá.
Que bom.
Pede-lhe que me ligue quando puder. Enquanto isso, volta para a cama...
Pai, pode vir a Nova York brevemente?
É claro, querida.
Assim que as aulas terminarem, Janina e eu apanharemos o primeiro voo.
Sim. Eu amo-te, pai.
Eu também te amo.
Adeus.
Acordaste tarde.
Bom dia, querida.
O pai ligou a noite passada. Eu disse-lhe que estava com a Emma.
- Porque não me acordaste? - Era muito tarde.
O pai e Janina mandaram beijos.
Emilia, a que horas vais almoçar hoje?
Estou ocupada. Adeus, Madame, Ethan.
Há algo estranho.
Emilia, toda essa emoção é óptima...
para a cena da louca em Giselle, não para o meu balé.
Não é uma virgem do interior. É só um corpo se movendo com a música.
Não para a música, mas com ela.
Isso é a dança. Então, por favor, não dance com emoção.
Não pense. Mova-se como eu mandar na contagem que eu determinar.
Eu não conto.
Como marca o tempo? Premonição?
Eu sinto, com a música. E encontro o compasso.
Não sinta. Conte.
Onde paramos, Peter?
Barra 132... sem emoção, por favor.
- Olhe lá. Bonitinha, não é? - Muito bonita.
Como vai.
Queria saber se poderia resolver uma aposta para nós.
Somos de fora da cidade e achamos que você também é.
Viu? Eu sabia.
Barman, mais uma rodada aqui.
- Este é... - Barney Joe. Lake Charles, Louisiana.
Sou Bill Britt, de Amarillo, oeste do Texas. É um prazer conhecê-la.
De onde é?
Leningrado, União Soviética.
É mesmo? O que faz aqui?
Preciso de liberdade artística.
O que é que faz?
Sou uma artista. Por isso preciso de liberdade.
Acabou comigo.
Para que está a guardar as cerejas?
Para o jantar.
- Ah, não. - O que é?
- Hora de partir. - Não vá.
Esqueceu-se da sua bolsa.
Porque não volta?
Tenho um óptimo homem para isso, Sevilla.
Nada de injecções. Eu desmaio quando vejo agulhas.
É só massagem. Deixarei o telefone no seu camarim.
Obrigada, querida.
Saiam do palco.
Diminua as luzes. Maestro, a postos.
Olá.
O que bebeu?
Licor de cereja, para recordações.
Deixe-me sair daqui.
- Aqui. - Está frio aqui.
Vai conseguir.
Cinco, seis, sete, oito.
Há algo errado.
Não tenho a certeza, mas ela está bêbada.
Com licença.
Tome isto. Segure-se. Vai ficar bem.
Não diga nada à Adelaide. Contarei tudo no meu camarim. Adeus.
Ela está bem.
Vá.
Sim, concordo.
O parceiro correcto é essencial. E Michael era óptimo para mim.
- O que houve? - Ele passou a coreógrafo.
Agora, a minha querida criança, precisa dormir.
Ainda não.
O que houve entre você e Michael?
- Prioridades. - Ele gostava mais de rapazes?
Na época, não. Bem, como eu saberia?
Não falávamos sobre isso tão abertamente naquela época.
Michael sabia que a minha prioridade era a dança.
Arrependeu-se?
Não acredito em arrependimento. Somos o que somos.
Sou como você?
Eu não sei.
- Não deveria ligar para casa? - Acordaria o Ethan.
E fiquei muito na casa de Yuri.
Não pára de me surpreender.
E a mim. Queria saber quem eu era.
- E saberá. - Quando?
Algo acontecerá. Haverá um momento.
- Talvez quando voltar com o Yuri. - Não o quero de volta.
É claro que adoro dançar com ele e adoro ir para a cama com ele.
Mas eu queria que fosse mais, e isso atrapalha.
O que é que você mais quer?
Ambos? É algo com que se sonhar.
Boa noite.
É tão bom aqui.
Fico feliz.
Preciso falar com ele.
- Posso? - É claro.
- Olá, Emma. - Michael, a sua ligação para Londres.
Vou atender daqui.
Emma, veja o poster que Michael encontrou. A nossa primeira apresentação de gala.
- Você ainda dançava. E você, Michael. - Você estava no corpo de balé.
Agora estou atrás de uma mesa.
Não importa. Precisamos manter a companhia. Isso é o que importa.
Sim, outro ano, outro evento de gala. Eles lembram-me as Olimpíadas.
Querida, ainda fica nervosa depois de todo esse tempo?
Ligarei de novo daqui a uma hora.
Será um super evento de gala.
Marcia e Richard virão de Stuttgart, e...
- Acha que viajam na classe turística? - Não, Adelaide.
Ouvi dizer que também fará o novo balé de Arnold.
Querida...
Não. Eu só queria saber se Emilia será convidada para a festa.
Ela irá.
EMILIA - FELIZ PRIMEIRA NOITE DE GALA. COM CARINHO, EMMA
É muito bonito.
Porque está com raiva?
- E tu? - Não estou.
Estás sim, e estás a ser fria comigo, como Emma.
Aquele russozinho tarado magoou-te e agora descontas em mim.
Não escondi nada de ti. Trouxe Rosie aqui. Tu bem sabias...
- Tenho de lavar o meu cabelo. - Volta aqui, Emilia.
Senta-te. Quero conversar e que me ouças. Ainda sou a tua mãe.
Quando o pai e Janina chegarem, queres que nos vejam assim?
Queres magoá-los também?
- Podemos conversar? - Não há nada a falar.
Pára de me punir.
Olha para mim.
Olha para mim, por favor.
O pai e eu ficámos separados o Verão inteiro.
O pai não faria o que fez.
- Como sabes? - Conheço o pai.
Como conheces o Yuri?
Sou a única malvada? Vamos, Emilia. Sê justa.
Sei que estás magoada.
Entendo. E posso ajudar-te.
Deixa-me ajudar-te. Não me ignores. Somos amigas.
Ninguém te pode ajudar melhor do que eu.
Ninguém te conhece melhor do que eu.
Mãe, você está é com raiva de Emma, certo?
Não.
Emilia, eu amo-te.
Posso ter parecido um monstro,
mas era para ajudá-la a entender o que é o meu balé, e não o que você quer que seja.
Bravo, Arnold. Continue a falar assim. Ela ficará mais histérica.
- Não estou histérica. - Nem eu.
- Não sei porque não. - O que quer dizer?
Talvez tenhas razão. Um evento ridículo, a maior noite da temporada.
É só a sua grande oportunidade, a grande oportunidade de Emilia.
Não é nada especial.
- Tenho de ir à casa de banho de novo. - Está bem?
Não te preocupes com ele. Ficará bem.
Tenho um segredinho para ti. É perfeitamente normal ficar nervosa.
- É mesmo? - É. Eu sei.
Dança bem.
Não estou tão surpresa. Se os bilhetes esgotarem para as últimas duas semanas,
terminaremos a temporada com um débito de menos de 80 mil.
- Imagine. - Quase o preço do seu colar.
Ah, não, Dennis. É imitação.
O verdadeiro foi...
- Foi vendido para quê, Michael? - A greve dos músicos.
Sim. Idiotas.
Olá, Sra. Stewart. Adoro os Stewarts. Eles deram-nos 25 mil dólares no ano passado.
Está óptima.
- Precisa ver o glamour lá na frente. - Não quero pensar nisso.
- Vai fazer Anna. - A cena do suicídio.
As outras usarão tutus curtos e farão umas cem piruetas.
E esta dama não tão jovem dominará o palco e arrasará.
Este é lindo.
Quer ser o meu par na festa?
- Ou já tem um? - Não, aquilo acabou.
Deu um lindo vestido à Emilia também. Mas não deveria.
Porque não? É a minha afilhada.
Não deveria. Só isso. Boa sorte.
25° ANIVERSÁRIO DE GALA DA COMPANHIA AMERICANA DE BALÉ, 1977
"O CASAMENTO DE AURORA" SEVILLA HASLAM - YURI KOPEIKINE
COREOGRAFIA DE MARIUS PETIPA MÚSICA DE PETER ILYITCH TCHAIKOVSKY
Até hoje, há momentos em que tudo se junta.
A dança, a música, as luzes...
"LENDA" MARCIA HAYDÉE - RICHARD CRAGUN
COREOGRAFIA DE JOHN CRANKO MÚSICA DE HENRYK WIENIAWSKI
"TCHAIKOVSKY - PAS DE DEUX" SUZANNE FARRELL - PETER MARTINS
COREOGRAFIA DE GEORGE BALANCHINE MÚSICA DE PETER ILYITCH TCHAIKOVSKY
"O CISNE NEGRO" LUCETTE ALDOUS - FERNANDO BUJONES
COREOGRAFIA DE MARIUS PETIPA MÚSICA DE PETER ILYITCH TCHAIKOVSKY
A sua mãe preferiu casar-se.
"ANNA KARENINA" EMMA JACKLIN - FREDDIE ROMOFF
COREOGRAFIA DE MICHAEL COOKE MÚSICA DE PETER ILYITCH TCHAIKOVSKY
Foi chamada 19 vezes para os aplausos finais.
E ficou grávida.
Não consigo assistir mais. Estão muito velhos. Isto deprime-me.
Estou velho para fazer outro, o que me deprime ainda mais.
É um balé lindo, Michael. Viverá para sempre.
Porque não nós?
Porque não está a assistir?
Dói. Fiquei a ver a Emma e eu a ensaiar para si.
Se eu fizer uma pergunta, responderá honestamente?
O que é?
Céus, dá para acreditar? Quero-lhe perguntar isto há 20 anos.
Se eu não tivesse ficado grávida, ter-me-ia escolhido para fazer Anna?
Não me lembro, Deedee.
Honestamente, não me lembro.
Eu queria não me lembrar.
Corram, vão perder o meu balé.
"ELLINGTONIA" EMILIA RODGERS
COREOGRAFIA DE ARNOLD BERGER MÚSICA DE DUKE ELLINGTON
Acho que ela o fará por si, Deedee.
É maravilhoso.
Tenho de agradecer.
"O CORSÁRIO" YURI KOPEIKINE
COREOGRAFIA MARIUS PETIPA MÚSICA LUDWIG MINKUS
- À Emilia, querida. - Estou tão feliz por ela.
Tradição é continuidade e ainda bem que vivi para ver isto.
É a segunda geração da nossa família.
E da sua, é claro. O que faremos com a nossa bailarinazinha?
Ficaria óptima em A Bela Adormecida.
Perfeito. Nós a aqueceremos nesta temporada
e ela aquecerá a venda de bilhetes na próxima.
- Quer-lhe contar? - Não.
- Acho que é uma ideia fabulosa. - Eu também.
Não é maravilhoso? Não estás animada? Estou tão orgulhosa!
- Alguém viu a minha mulher diabólica? - Calma, querido.
Foi muito esperta ao fazer Anna.
Da próxima, terá de me erguer, Emma. As minhas costas não aguentam mais.
- Coitado do Freddie. - Vale a pena.
- Sabe o que queremos que faça, Emma? - Um novo balé?
- A tradição faz uma companhia... - Esta é a noite da tradição.
Cale-se, Michael.
Gostaria de montar de novo a versão completa de A Bela Adormecida.
Muito obrigada, mas acho que não posso mais dançá-la.
Não, mas poderia montá-la.
Conhece-a de cor. Seria divertido, um novo desafio.
Ela o faria muito bem. Não acha, Michael?
Acho que escolheu uma péssima hora, Adelaide.
Com licença. Preciso dar um retoque no meu rosto.
Pelo amor de Deus, Adelaide.
Querido, até a Emma precisa seguir adiante.
Como todos nós.
Olá, Deedee.
Champanhe, por favor.
Lembra-se dos contos de fadas que líamos para a Emilia?
Como aquele sobre as duas princesas?
Sempre que uma delas abria a boca, dela saíam diamantes e rubis.
Sempre que a outra abria a boca, dela saíam sapos e lagartixas.
Sapos e lagartixas a caminho.
Sim.
Um daqueles sapinhos já fez a sua aparição.
- Quando? - Esta noite, no meu camarim.
Quando disse que eu não deveria ter comprado o vestido para Emilia.
Disse duas vezes. Pouco antes da apresentação.
Dancei esta noite como não o faço há anos.
Foi o que ouvi.
Outro sapinho. Deve ter guardado muitos durante todos estes anos.
Não.
Na verdade, embalsamei.
Acho que não.
Por que não os deixa sair? Não me apresentarei amanhã.
Escolha.
Este é um pequeno, do qual praticamente me esqueci.
Porque fez a sua melhor amiga duvidar dela mesma? E do seu marido? Porquê?
Porque se agarrou à chance de arruinar o casamento dela?
Porque disse "tenha o bebé ou nunca segurará Wayne"?
Só estou curiosa.
Tem uma memória curiosa.
Todos temos. Pelo que me lembro, disse que se fizesse o aborto, perderia Wayne.
Não. Isso é lindo, mas incorrecto.
Eu lembro-me exactamente das suas palavras.
Após tantos anos.
Mais tarde, descobri porque as disse, pois também me lembro...
que disse "esqueça-se do balé do Michael. Haverá outros".
Sua bailarinazinha esperta.
Sabia que um balé desses só surge uma vez, e você queria-o.
E muito.
Então mentiu para conseguir o que queria.
Nunca tive de mentir para isso. Sou muito boa.
É mesmo?
Sim.
E se dissesse "conversa fiada", seria em francês.
Se eu usasse tais palavras normalmente, já as teria dito várias vezes.
Em inglês.
Acho mais apropriado que as diga a si mesma,
por tentar me culpar pelo que você fez.
Deedee, a escolha foi sua.
É muito tarde para se arrepender dela.
Digo-lhe o mesmo a si, Emma.
Eu não me arrependo.
Então por que está a tentar ser uma mãe na sua idade?
Isto não é um sapinho. É um sapo-boi enorme.
Não quero ser a mãe de ninguém. Vejo Emilia como uma amiga.
Que burra eu sou! Uma razão que me levou a ajudá-la foi
eu ter pensado que você se alegraria se a sua filha fosse o que você não foi.
Quer dizer, você. É tão bom ser você?
- Obviamente acha que sim. - Não.
De qualquer maneira, duvido que Emilia se transforme em você.
Ela tem tanto talento quanto você e esforça-se muito.
Mas há uma coisa, querida amiga, que você é
e que a pobre Emilia não.
Por favor, diga.
Uma assassina.
Você passaria por cima de todos e não perderia o sono.
Foi assim que chegou onde está.
Boa menina.
Deedee.
- Estou farta do seu ciúme. - Eu também.
Pare de me culpar pela sua vida. Você escolheu-a.
Você escolheu-a. Não me deixou descobrir se eu era mesmo boa.
- Não era. Por isso se casou com Wayne. - Eu amava Wayne.
Então desistiu de sua carreira e engravidou para provar isso?
- Sim. - Não minta para mim, e sim para você.
Sabia que não era muito boa.
Engravidou porque Wayne dançava, o que significava ser gay na época.
- Provou que ele era homem com um bebé. - É mentira.
Sabe que não. Você prendeu-o com um bebé e acabou com a carreira dele.
Agora ela é melhor que você e está com ciúmes.
Você tem convicção. Usará qualquer desculpa.
- Que desculpa? - Por tentar tomar a minha filha.
- Devolvo o elogio. É uma mentirosa. - E você usa as pessoas.
Usa e sempre usou.
Primeiro eu. Depois Michael. Fingindo estar apaixonada por ele.
Depois Adelaide, e agora, Emilia.
Como?
Aquela cena há cinco minutos, lá em cima.
Reverência, abraço, aplausos. Não era para ela, e sim para você.
Usa Emilia para que todos possam dizer "Emma não é maravilhosa?"
É maravilhosa. Incrível. É fantástico como não pára.
Está ultrapassada e sabe disso. Está apavorada.
Só tem o seu livro de recortes, as velhas sapatilhas de ponta e os cães ridículos.
Como preencherá o vazio, Emma?
Não com a minha filha. Deixe as suas malditas mãos longe dela.
- Sou melhor para Emilia que você. - Não é mesmo.
Ela procurou-me porque a sua mãe estava ausente, ocupada, transando como louca.
Sua vaca.
Se houvesse um fotógrafo aqui, seria uma nova carreira para você.
Eu devo estar horrível.
Não, está linda.
Não sei como consegue.
Dê-me o pente e eu mostrarei.
Ficarei com esta metade. Obrigada.
Perdi um brinco.
Sinto muito.
- Eu não. - Não?
Não sinto muito.
Mas esse ciúme.
É venenoso.
- Pode transformá-la num monstro. - Torna as pessoas injustas.
Você acertou no alvo.
E você também.
Não me lembro mesmo do que eu disse sobre ter o bebé.
Mas sei que
eu teria dito qualquer coisa para conseguir o papel.
Eu tive de fazer isso.
Você era suficientemente boa para me ameaçar.
Céus...
Emma, você não sabe...
quantos anos quis ouvi-la dizer exactamente isso.
Próximo autocarro para o centro de Manhattan em 30 minutos.
Emma ensaiou com ela a manhã inteira, e Dahkarova, de tarde.
- Para quê tanto ensaio? - Surpresa.
A sua filha dançará com Yuri no dia 15.
- Ele acabará com ela. - De forma nenhuma.
Emma e Dahkarova estão a dar o máximo de si.
Ethan, mostre a Janina o quarto dela.
Quer ver algo maravilhoso? Venha.
Lembre-se, é esquerda, direita, esquerda, direita.
Precisa fazer isso para brilhar de verdade. Como um diamante.
Mais perto. Certo.
Mais assim, em vez de assim e assim.
Bem definido.
Muito bom. Não, está bom.
Achas que ela conseguirá, Wayne?
Fará diferença se não conseguir?
Não.
Contanto que não faça para ela.
Ainda te incomoda não teres conseguido?
Emma disse que me casei contigo porque eu sabia que não conseguiria.
Não é verdade.
E disse algo mais.
Que fiquei grávida da primeira vez, de Emilia,
porque eu queria provar a todos
que não eras gay.
O que é verdade, em parte.
Eu sabia.
Sabias?
Eu também tinha de provar isso.
Então eu deixei-te arruinar a tua carreira.
Não, eu prendi-te com uma família. Poderias ter sido um sucesso.
Eu? Nunca. Eu não.
Consegui o que queria.
Eu também.
- Porque não me pediste? - Adelaide detesta pagar horas extra.
Como vais ensaiar sem um parceiro?
Levaste muito a sério o que houve com a Carolyn.
Mas me desculpo mesmo assim.
Continua. Vamos.
- Podemos jantar? - Estou ocupada.
- Depois do jantar? - Cama.
- É uma piada. - Acho que não.
Vamos. E...
Não é piada.
Foi bom?
Sim.
Então sorri.
Vamos continuar.
Emilia, foi incrível. Foi tão maravilhoso.
Ela não estava maravilhosa?
Subam a escada e é à esquerda.
Só mais um beijo.
Foi muito bom. Agora está tudo pronto.
- Você foi óptima. - Adorei-a.
Foi absolutamente maravilhosa, querida.
Foi incrível. Foi lindo.
Escolha um sentimento.
Inveja.
A vida dela só está a começar.
Não é muito longa, Deedee.
Eu sei.
Contanto que traga o que ela quiser.
E trará.
Trará.
Se ela soubesse tudo o que sabemos.
Não faria a menor diferença.
By Andreas para o MKO Conversão PT-BR para PT-PT: paisdesousa
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