All language subtitles for Chiedimi se Sono Felice

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Original subtitles

Voc� j� ouviu falar de algu�m que estava feliz ao morrer?

Talvez um alpinista, que li no jornal, subiu uma montanha e nunca mais desceu.

Ele atingiu seu objetivo.

Ou um mergulhador, que submergiu e n�o conseguiu voltar.

Bateu seu recorde pessoal. Talvez tenha sorrido ent�o.

E este sou eu, no fim dessa hist�ria.

Esse sou eu. E voc�s podem achar estranho, mas...

...apesar de estar pra morrer, estou feliz!

15 de setembro de 2000, 5:15

O que � o rancor?

O rancor � isso que... quando... bem... quando voc�...

� o rancor, a palavra j� diz: ran-cor. E isso quer dizer que...

Ah, meu Deus, eu tenho mesmo que fazer a narra��o?

Calma...

Na pr�tica, � como quando voc� � amigo, mas amigo mesmo de algu�m, sabe?

Algu�m pisa na bola, algu�m fica ofendido...

...e os dois n�o se veem por tr�s anos, que foi o que houve conosco.

Quem ser� �s 5:15?

N�o me v� por tr�s anos e me bate a porta na cara?

O que voc� quer?

Olha, eu sei que � tarde, mas algo aconteceu e...

O que � que voc� quer?

Aldo est� mal.

Ainda assim, h� tr�s anos, as coisas eram diferentes...

TR�S ANOS ANTES

Pra come�ar, digo que h� tr�s anos Giovanni, Giacomo e eu �ramos amigos...

...verdaderamente amigos, amig�es. Ademais, �ramos atores.

Atores. N�o realmente atores de alto n�vel, �ramos mais de... digamos...

...est� bem, na verdade eu, por exemplo, trabalhava de figurante en �peras l�ricas.

Cinco noites por semana, al�m da matin�...

...por quatro pratas. Sabe, a princ�pio, n�o se pode ser muito exigente.

Quem tinha me arrumado o trabalho foi Silvana, minha namorada.

N�o quero parecer convencido, mas sempre tive mulheres �s pampas!

Oi, caras. Eu sei que j� disse mil vezes, mas esta vez � certo.

Estou apaixonado!

Se chama Dalia, e � linda, simp�tica, fant�stica, inteligente...

T� falando com quem?

Nada, nada... dorme, dorme.

- De novo falando com a foto? - S� um papinho com velhos amigos.

Mas tem sempre que lev�-la a todo lugar, o tempo todo?

N�o me sinto � vontade sem ela.

Est� com ci�me? Ciumenta! Ciumentona!

Amor, desculpa!

Maria! Ai, Maria, que dor! Maria, que dor!

Porca mis�ria, milh�es de plaquetas desperdi�adas!

Desculpa!

Desculpa, amor, desculpa!

N�o se preocupe, n�o se preocupe...

...que n�o s�o nada mais que 5 ou 7 bilh�es de plaquetas perdidas.

Sinto muito, por favor, desculpa!

N�o fica pedindo desculpas...

...que estou fraco e me sufoca.

- Sinto muito. "E agora, as not�cias das 6:30."

Olha que idiotas, o jornal das 6:30 e p�em no ar �s 2:00.

"Recebemos neste momento not�cias de problemas no tr�fego da via expressa..."

Maria, a matin�!

Cad� as minhas cal�as? Quando preciso, nunca encontro!

- Est� me sufocando! - O bra�o direito aqui...

- N�o posso respirar! - Desculpa. - P�ra de pedir desculpa!

Se n�o me despedirem, eu me demito, por pena deles!

- Desculpa! - De novo, p�ra com isso!

Estou com a braguilha aberta. Me d� um beijo!

A foto! Minhas mem�rias...

Assassino!

- Quer ketchup? - N�o, obrigado.

Merda, isso � hora de chegar?

Bonita, n�?

Talvez eu n�o fosse um grande figurante...

...mas ficava uma beleza num traje do s�c. XVI.

Infelizmente, havia outros que ficavam melhor que eu.

Giacomo, por exemplo, havia entrado no mundo do cinema. Trabalhava com dublagem.

Dizia que dublar era �timo, porque podia ser qualquer um.

Hoje � Cary Grant, amanh� Robert De Niro...

um dia ser� Al Pacino, outro Tom Cruise.

Este dia, Giacomo era Sr. Quaggott.

Ent�o Sr. Quaggott, como est�? Vamos ouvir essa tosse feia. Tussa!

Outra vez.

Est� tudo bem, Sr. Quaggott.

Siga o tratamento por duas semanas e ver� que melhora. Tchau!

Senhorita, antes de deixar entrar...

"...o pr�ximo paciente, devo dizer-lhe algo importante."

"- Que, doutor? - Eu te amo, senhorita."

E depois tinha Giovanni. Giovanni estava ainda pior.

Coitado, trabalhava de manequim vivo numa loja de departamentos.

Um, dois, tr�s...

M�mico de merda!

- Olha s� isso! - N�o, n�o! - Sim, sim!

Meninos, por favor! Estou trabalhando, sei que s� querem se divertir, mas...

Todos os dias aqui? N�o v�o � escola como os otros garotos?

Que cabe�as de purungo! Se eu pego um de voc�s...

Se eu fosse pai de voc�s, iam ver o que � bom pra tosse.

Que que eu te disse?

- Te disse pra ficar... - ...parado. - E mudo.

N�o deve falar nunca. E principalmente n�o deve mover-se.

N�o deve moverse por nenhum mo-ti-vo.

N�o estamos na rua. Esta � uma grande loja.

Uma grande, grande loja.

Eu estou vendo, presta aten��o!

Temos que cuidar da nossa imagem. Da pr�xima vez, � rua, entendido?

E sorria!

E pensar que Giovanni poderia ter um trabalho menos humilhante.

Sua fam�lia era propiet�ria de uma pequena torrefa��o.

Mas infelizmente Giovanni odiava caf�.

� eu sei. Vistos assim parec�amos tr�s idiotas.

E talvez f�ssemos...

...mas as coisas iam mudar. Tudo come�ou no dia da mudan�a.

O dia da grande decis�o!

Giovanni se deixou convencer a deixarme morar...

...num velho armaz�m dos seus pais. Sempre quis morar num loft.

- Minha casa! - Olha, isso � s� tempor�rio.

- Agora que estou aqui n�o penso em mais nada. - Vamos deixar isso bem claro...

Giovanni, desculpa, n�o te disse antes.

Obrigado, me salvaste a vida, �s um amig�o!

De qualquer forma o armaz�m nem se usava mais.

E como � uma situa��o tempor�ria...

Giovanni, quando quiser vir, sem problemas.

Esta casa estar� sempre aberta para ti.

N�o tenha vergonha, vem quando quiser, entende?

- Que vergonha, � minha... - S� d� uma ligadinha antes.

Ah Giacomino, voc� tamb�m! Quando quiser vir, vem.

A porta aberta... a qualquer hora... gente que entra, gente que sai...

- N�o! - A gente faz o que quer.

- N�o. - Comemos, bebemos o dia todo, de noite...

...nos embebedamos, destru�mos todo, arrebentamos com essa merda de casa!

- N�o, n�o, um momento, vamos deixar claro, voc� fica respons�vel!

Hav�amos decidido dar o grande passo que iria mudar nossas vidas.

Produzir um espet�culo s� nosso! S� precis�vamos decidir qual.

Dessa vez tenho uma boa ideia. E se fiz�ssemos o "Cyrano de Bergerac"?

Giacomino, Giacomino, sempre com estas americanices, para com isso, vai!

Que americanice? � franc�s, o "Cyrano".

Ah, voc� sempre sabe tudo!

E se fizermos "La Locandiera"?

Giovanni, "La Locandiera" � em veneziano. Como vamos recit�-lo?

- Qual o problema? - Voc� sabe recitar em veneziano?

- � fac�limo! - Deixa eu ver, vai.

S�o os gestos!

"Ho visto un ratone a la laguna, e tutta la calta, todo in beeto, arriba la fiela".

- "Beeto" qu�? - Beeto!

Isso � veneziano?

N�o importam as palavras, � a musicalidade, o ritmo do idioma, a gestualidade.

Mas parece que o teu c�rebro morreu!

Giacomo, falar com voc� e com uma parede � a mesma coisa.

E finalmente tomei uma decis�o importante: terminar com minha namorada, Silvana,...

... uma chata pegajosa, que eu n�o tinha coragem de chutar...

...e ficar de uma vez com Dalia, l� do come�o.

A que me fez perder quatro bilh�es de plaquetas, lembra?

Estava t�o apaixonado, que tinha at� comprado uma alian�a.

Amanh� ela vem �s 7:30, e eu entrego-o o anel.

"Entrego-a", feminino, quantas vezes tenho que dizer? "Entrego-a".

- O italiano � importante! - Oh, mas como � chato!

De todas as formas, amanh�, �s 7:30...

Em resumo, ach�vamos que tudo estava por come�ar...

...e a mudan�a era s� o come�o do fim.

Quietos! � ela, Dalia, a deusa do amor!

- Atende. - Deixa ela curtir um pouco.

Olha que ela desliga!

Oi amo... Silvana!

- � a Silvana, diz que eu n�o estou! - Idiota, voc� que atendeu!

Valeu! Que baita amigos! Oi Silvana, estava te ligando agora.

Perdi a hora. Olha s� a sinergia!

Amanh�? �s 7:30?

N�o posso, n�o posso porque meu cachorro mordeu o pr�prio rabo.

Sim, o cachorro, peguei ele de um canil...

- Me diz uma ra�a de cachorro! - Boxer.

Malditos, boxer n�o tem rabo!

Eh, ele fica tentando morder o rabo por causa da diabetes.

N�o sei, o veterin�rio que disse.

Ent�o, amanh� �s 10:30.

N�o, �s 7:30? �s 9, e a gente fecha.

Est� bem, �s 7:30. Passo te buscar?

Voc� vem?

N�o, tenho nada a esconder! Queria te evitar o trajeto pra te agradar.

T�, tchau...

Por qu�, por qu�?

Giacomino, te imploro!

- Que �? - Me livra dela!

N�o posso passar a vida terminando com as suas namoradas!

- Te imploro! - Seja adulto, assuma a responsabilidade e termina.

N�o sabe que eu s� sei DAR amor?

Vai Giacomo, faz esse favor, j� fez isso tantas vezes!

Faz esse favor, j� fez isso tantas vezes!

- Mesmo que quisesse, n�o posso, tenho que trabalhar. - Em qu�?

Tenho um turno de dublagem, Aldo.

Te pediram pra peidar enquanto passa o trem?

Falou o Super-m�mico, Tutankamon! Ajuda voc�, o Aldo!

- Que problema tem? - Ent�o vai! - Te suplico!

Obrigado!

E o que digo, se nem a conhe�o?

N�o se preocupe, � f�cil!

J� fiz muitas vezes. � f�cil chutar a mulher dos outros.

A �nica coisa importante � n�o deix�-la falar.

N�o d� tempo pra ela falar.

Tem que ser l�cido frio, distante.

- Como Zoff? - Como Zoff.

Sei que n�o me conhece, mas preciso te dizer algo importante.

- Sim mas... - N�o, por favor, n�o me interrompa, deixa eu falar.

Me permita entrar, por favor.

Eu sei que � doloroso, mas espero que entenda.

N�o, entender eu entendi, mas s� uma coisa:

Esse Aldo, quem �?

Desculpa, voc� n�o � a Silvana, a atriz?

N�o, eu sou Marina e sou aeromo�a.

- � aqui? - Sim, mas a esta hora n�o tem ningu�m.

"O Gr�o de Ouro, bom dia, sou Aldo. Em que posso ajud�-lo?"

Aldo, � o Giovanni. N�o precisa atender o telefone assim.

"Ah Giovanni, escuta..."

...perdemos um cliente. - Quem?

- Um tal de Barlocchi ou Barlozzi... - Barozzi!

Mas � o �nico que paga em dia, Aldo!

Quantas vezes eu disse pra n�o falar com os clientes?

S� d� o n�mero do meu neg�cio!

"Mas esse cara era um imbecil arrogante, n�o se perde nada."

Est� bem, escuta, temos que conversar.

Tudo certo com Silvana?

A� � que est�. Houve um problema com Silvana.

Ent�o, ela est� indo pra a�.

- Qu�? - Silvana, est� indo a�.

Mas voc� � idiota? Tamb�m est� vindo a Dalia!

- Mas tamb�m, que andar voc� me falou? - O que eu fa�o agora? O que eu fa�o?

Te mato!

O que que eu fa�o? Merda!

N�o d� pra confiar nos amigos! Calma!

N�o consigo, estou muito nervoso, porca mis�ria!

- Que surpresa, Silvana! - Como assim, surpresa? Combinamos 7:30.

Digo, que surpresa �s 7:30 em ponto.

- Voc� est� um pouco estranho. - N�o, estranho?

- Vamos, me deixa entrar, que quero ver a sua casa. - N�o, t� uma bagun�a.

Est� tudo virado.

Prefiro que n�o entre, para preservar minha imagem.

Por que fica olhando para os lados? Que est� havendo?

- N�o posso olhar em volta? - Vamos, que tenho que ir ao banheiro.

N�o pode, est� entupido. � uma vis�o repug... asque...

Que est� acontecendo aqui? O que voc� est� escondendo?

- Nada! Acredite... - Deixa eu entrar, deixa eu entrar!

Deixa eu entrar!

Maria, o que eu fiz? Por que eu sou t�o retardado?

Sou um idiota, um idiota!

O que eu fiz, matei ela?

Amor, acorda! Levanta!

Como est�? Se ap�ie em mim. Como se sente? Bem?

Que tontura! O que houve?

N�o se preocupe que estou aqui. Respira.

- Por que me deu uma cabe�ada? - Eu, uma cabe�ada? Te salvei a vida!

Eu bem me lembro que voc� me deu uma cabe�ada.

Que cabe�ada? N�o se lembra, que caiu uma telha...

...e eu saltei e te protegi? Te salvei a vida, tanto que voc� me disse...

"Obrigado, amor, por me salvar a vida, mas � melhor nos separarmos".

- Eu? - Que n�o nos vejamos por um tem... Voc� disse!

"Chegamos ao fim da linha do nosso amor". S�o as suas palavras!

- Imposs�vel, deve ser culpa da telha! - Pode at� ser, mas voc� disse!

N�o, n�o, amor, por favor, n�o � poss�vel, n�o me lembro de ter dito... Por qu�...?

N�o sabe o quanto gosto de voc�? Quero ficar com voc� pro resto da vida.

Que � isso?

� lindo! Amor...

Querido, � magn�fico!

"Olha, n�o se sabe bem o que houve. Um acidente, mas..."

Aldo dirigia.

Na verdade, nem consigo imaginar Aldo dirigindo um carro.

N�o conseguia nem guiar a bicicleta, lembra?

Meu Deus, estamos aqui achando que foi culpa do Aldo e talvez nem foi assim.

Eu nem sabia que ele tinha ido � Sic�lia.

Porque desde aquele dia, eu n�o o vi mais. N�o sei voc�.

Quanto tempo passou? Tr�s anos, n�o?

Olha, n�o estou com vontade de conversar. J� te disse...

...se temos que fazer isso, faremos, mas n�o temos porque conversar.

Ali est�. Palermo, port�o 7. Vamos.

Vamos comprar as passagens antes, Giacomo.

N�o, j� temos as passagens.

Temos, quem?

Olha, Giovanni, n�o sabia como dizer. Ela comprou.

- Tchau. - Giovanni, foi ela que me avisou. - N�o me interessa.

Giovanni, se n�o fosse por ela, nem ficar�amos sabendo!

- N�o me interessa. - Escuta, faz isso pelo menos por Aldo.

Eu pego o pr�ximo trem.

No pr�ximo, pode ser tarde demais.

"Sabe que realmente acho que dever�amos encenar o "Cyrano"?"

Mas tem um milh�o de personagens e n�s somos s� tr�s.

- � verdade, mas j� sei como resolver... - Quer interpretar uma mulher? Roxana?

- Voc� vai fazer? - Deixa a mulher, n�o vou fazer a mulher, pensava...

- � em franc�s e rima! - Sim, mas se n�o vai me deixar terminar de falar...

...n�o posso te dizer como resolver. - Estou escutando.

- Ent�o, tem Cyrano, certo? - Giacomo, olha os patos!

Ent�o, a ideia base � ter um narrador...

As ovelhas, Giacomo!

Olha o cabrito!

- Posso continuar, ou...? - Vai, vai!

- Em rela��o � Roxana, podemos... - Olha as pombas, Giacomo!

Olha, se n�o quer me escutar, me diz: "n�o quero escutar".

Eu fico quieto, e boa noite.

N�o precisa ficar de "qu� qu� qu�", o tempo todo.

Eu estou escutando, mas escuta um pouco a natureza, tamb�m!

- Pergunte-me se estou feliz. - Est� feliz? - Muito.

- Olha o que eu encontrei embaixo da porta. - Uma bicicleta? Que bonita!

� uma carta de Dalia, idiota!

Me diz que n�o quer mais me ver, e isso gra�as a voc�.

Se voc� me diz que � o 2� piso e � o 3�, n�o � culpa minha.

- Nem quero falar contigo. De todo modo, o pior � outra coisa. - O que?

- Dei o anel pra Silvana. - Quer terminar com ela e deu o anel?

- Sim, mas antes dei uma cabe�ada. - Uma cabe�ada? - Como, cabe�ada?

- Giacomino! - Que?

Agora ela mostra o anel para as amigas e fala que eu quero casar com ela!

- E? - Me ajuda!

- N�o! - Por favor! - De jeito nenhum!

Arranca no sprint do lago, B�rtora salta � frente!

Baronchelli o segue de perto!

Ah, filho da puta! Giacomino, caiu a correia! Me espera!

Giacomino! Giacomino, n�o tem d� de mim?

Maldita correia! Giacomino!

"Finalmente convenci Giacomo a me ajudar a chutar a Silvana."

"O plano era este: ele ia falar..."

"...e convenc�-la a sumir pra sempre da minha vida."

"Se n�o funcionasse, daria uma cabe�ada e roubaria o anel."

"Desgra�a, me acabaram com a bicicleta!"

Mas que fedor! � a janta ou um adubo novo?

Amigo! Se livrou dela, enfim!

Era t�o grudenta! Sempre agarrada como uma sanguessuga.

Conseguiu? Me responda, sim? Sim? Eu vejo nos seus olhos!

O grande libertador! Porca mis�ria. Vamos, fale.

Recuperou o anel? Deu a cabe�ada?

N�o tinha me dito que Silvana mora com uma garota linda.

- Que est� dizendo? - Pergunte-me se estou feliz.

Est� feliz? Est� feliz?

Calme, Silvana n�o � um problema. Voc� me faz esse favor...

...e depois do jantar, n�o vai mais ouvir uma palavra de Silvana.

- Palavra de Giacomino. - E quando � este jantar?

- Amanh�. - N�o posso.

- Aldo, n�o seja besta. - Por que eu tenho que estar l�?

De novo? Te disse que tem que ser dois casais, eu e Daniela, tu e Silvana.

Daniela sem Silvana, n�o vem.

E depois, como vamos fazer o jantar na sua casa sem voc�?

Aldo, n�o � por ter uma geladeira de 1960, que deve ter alimentos de 1960.

- Ainda assim, n�o somos dois casais. - Como assim?

Tem uma amiga, que acabou de se mudar, n�o entendi bem.

Temos que encontrar um amigo pra fazer companhia a ela, sen�o n�o adianta.

Mas qual � o problema? Giovanni...

Me passa o queijo, por favor? Que tal Lello? O queijo.

- Lello? Lello � gordo. - Um pouco gordo, �.

- Muito loquaz. - Ser loquaz n�o � nada, o problema � que fala demais. Ent�o Brio.

- Brio poderia ser, se se lavasse. - N�o se pode pedir que o Brio se lave.

- Ent�o Rudy. - Rudy, que rouba r�dio de carros?

N�o, o outro Rudy.

N�o quer dizer aquele que vai em concursos de arrotos?

- Duas vezes campe�o italiano de arrotos. - Vai chamar um arrotador?

Eu consigo um VIP, e voc� dispensa ele!

J� percebi que contigo, n�o vou conseguir nada, est� bem.

Obrigado!

Que idiotas! Temos a solu��o aqui, bem na nossa cara, e nem vimos.

Giovanni! N�o tem um amigo, um parente?

- N�o conhe�o ningu�m. - Mas nem um primata com polegar opositor?

- Ah, vai cagar, vai! - Era piada!

- Caiu como um pato! - Que pato, o que!

"Toma uma mulher, trate-a mal, deixa esperar por horas."

"Desaparece e quando a chames, fa�a como se fosse um favor."

"Fa�a-a sentir-se pouco importante, equilibra o amor e a crueldade."

"Trate de ser um terno amante, mas fora da cama, nenhuma piedade."

Aldo, isso me parece uma estupidez.

Que � que voc� sabe, Giacomino? Marco Ferradini � o guru do amor.

Quer saber como tratar as mulheres, escuta Marco Ferradini, � praxe!

- T�, escutemos. - De novo do come�o.

- "Trate de ser...? ...do jeito que �s".

Um terno amante, um terno amante! N�o entra na sua cabe�a!

� um ponto chave do teorema! Um terno amante!

Eu s� vim porque prometi, est� bem?

Mas algu�m viu a garota? Espero que n�o seja um monstro.

Seja um monstro ou um pastor alem�o, n�o tem import�ncia...

...s� estamos fazendo um favor a Giacomino.

- Fa�amos este favor. - Fa�amos o favor, e n�o se fala mais nisso.

Voltemos ao assunto.

Giacomino, pode ler todos os livros que quiser, coisa que eu nunca fa�o.

- Que grande orgulho, n�? - Ferradini � um erudito do amor.

Vamos deixar isso claro.

- Faremos por Giacomino, certo? - Sim.

- Ele paga? - N�o, vamos dividir os gastos, seu muquirana.

- Est� bem, a minha parte j� dei. - O que voc� deu?

- Os cinquenta centavos do carrinho. - Mas depois te devolvem!

� um capital imobilizado e os juros, pam!, se perdem.

- Que juros! - O que voc� entende de econom�a, Giacomo?

- O que ele tem? - Est� louco. Vota pra m�sica.

- "Toma uma mulher...? ...trate-a mal"

Viu que voc� consegue? Teus olhos brilham de intelig�ncia.

- Ent�o, "trata de ser..."? - "...digno da situa��o".

"Um terno amante", "um terno amante"! Todo mundo sabe!

- Senhora, "trata de ser...? - "...um terno amante".

Viu s�? At� os lactobacilos sabem!

Sigamos.

"Fora da cama..."? "Fora da cama..."?

- "...ningu�m � perfeito". - Nenhuma piedade! Nenhuma piedade!

Que fa�o contigo? Atitude perante o amor: nenhuma!

Giovanni, liga e cancela o jantar, n�o estamos prontos.

Chega com essa bobagem, por favor! Vamos que temos que cozinhar.

E voc� tamb�m, Giacomino: "Fora da cama, nenhuma piedade".

Todo mundo sabe.

- "Fora da cama..." - "...nenhuma piedade".

- Sou um g�nio, n�? - O que tem na cabe�a, um bugio?

Assim as garotas encontram a casa.

Voc� � besta? Meu primo ficou surdo por uma pancada dessas!

- E com uma destas, mudo. - Vai, vai, me deixa em paz.

Se Giacomino se senta aqui, Daniela pode sentar aqui.

- Giacomino? - Que?

- Qual o seu melhor lado? - Que?

Deixa pra l�, vai ao acaso!

Silvana o mais longe poss�vel de mim.

N�o! Os cinquenta centavos do carrinho! Eu esqueci de pegar!

Marina, a aeromo�a.

Bom, eu conto essa e depois fico quieta.

Li numa revista como fazer para dar rem�dio a um gato.

Pega a pata do gato, e passa o rem�dio nela.

O que o gato faz? Lambe a pata e toma o rem�dio.

Certo, quando eu era crian�a e minha av� tinha que me dar suposit�rios...

...colocava em cima do selim da bicicleta.

Giovanni, me diz uma coisa, como conheceu a Marina?

Bom, voc� sabe...

- Amigos comuns. - Amigos comuns.

�, no avi�o � que n�o foi, porque Giovanni tem medo de voar.

- Ah, voc� tem? - Nem tanto.

N�o, medo n�o. Ele borra as cal�as.

- Borra um pouquinho. - Mas e como foi que conheceu a Marina?

Silvana, ja te disseram, tem amigos em comum!

N�o se pode falar de outra coisa, s� voc� que fala!

- Quem s�o esses amigos comuns? - Giovannino, n�o sente um cheiro estranho?

- N�o, de que? - De queimado.

- Claro, o assado est� no forno! - Eu sinto tamb�m.

- Vou l� ver. - Te dou uma m�o.

- Eu n�o sinto cheiro de queimado. - Voc� tem meleca no nariz.

T� queimando feio.

- Eu senti mesmo o cheiro. - Mesmo?

Essa mo�a...

...� a que Aldo queria largar? - Sim.

- Mas continuam juntos? - Pelo que parece.

E aquele anel?

� uma hist�ria complicada, que nem vou te contar, um problema.

- E Giacomo? Est� interessado... - Pelo que parece.

- Ent�o n�s dois... - N�s dois?

- Ser�amos o terceiro casal. - N�o...

...eu nem sabia que voc� viria, se n�o, nem teria aceitado.

- Ah, obrigado! - N�o � isso, quero dizer...

eu queria... digo, dizer... ...no bom sentido...

Licensa, desculpa.

O problema � encontrar um teatro, porque o resto podemos resolver.

Porque, n�o � t�o importante a forma, a apar�ncia, a concep��o.

Outra coisa � que importa, o conte�do, a ideia. Isso que importa.

De resto, a hist�ria do teatro � clara: o teatro nasce, sobretudo, daqui.

E qual seria a pe�a?

Ele quer fazer Cyrano de Bergerac, mas n�o temos certeza.

O Cyrano! Ent�o eu fa�o a Roxana, j� me vejo na sacada.

"O beijo � um ap�strofo rosa sobre a palavra amor".

Melhor fazermos "Tr�s homens num barco". Tr�s homens, mais f�cil.

De todo modo, eu serei o protagonista, Cyrano.

Bom, ao menos, n�o precisa de nariz posti�o.

Giacomino, n�o leva a mal. Se eu tivesse um nariz assim...

...eu arrancaria!

Te preparamos duas tiras de el�stico, a� parece artificial.

- A� pareceria falso. - Algu�m quer um pouco de sangria?

- Que original! - � o elmo do tenor.

Quando me demitiram do La Scala peguei de indeniza��o.

- Voc� � nojento, Aldo. - Aqui dentro esteve a cabe�a de Pavarotti.

- Quatro, cinco litros de sangria! - Sem contar a caspa.

- Em cima n�o mora ningu�m, n�? - N�o.

- Porque ouvi um barulho. - Talvez seja uma pomba.

- Quem raios s�o voc�s? - Quem � voc�?

Calado! Onde est�o os computadores?

- Que computadores? - Senta a�!

- Voc� veio pelo elmo do Pavarotti? - Quieto!

Com certeza n�o � pelo elmo.

- Este n�o � o n�mero 16? - N�o, este � o n�mero 65.

N�o se preocupe, n�o houve nada.

- Calma. - Sentados!

Voc�, a carteira.

- Calma. - A carteira! - Baixa a arma. - Quieto!

- Tome. - Sentado.

N�o me aponte essa arma.

- Est� vazia! - Voc� me pediu a carteira.

- N�o temos na... - Fica quieta, intrometida!

- Gostei desse cara. - Tu...

...tira o colar da sua namorada. - Ele n�o � meu... - Calado.

Escuta, tem um anel, da senhorita...

que... tem um anel... ali est�...

- N�o me interessa. - Como, n�o te interessa? Custou meio milh�o.

- Me d�! - Mas... - R�pido! - Faz o que ele disse!

O que p�s na boca? Abre a boca!

Abre a boca! Abre!

Fecha. Anda logo!

� falsa.

N�o chore!

Obrigado! Tamb�m pelo assado, por tudo.

- N�o por isso, Beppe. - Se n�o fosse por voc�s, eu...

Beppe, �nimo! Quantas vezes preciso dizer? Vai ficar tudo bem.

Voc� � um cara inteligente, se v�.

Se v� o qu�?

Beppe, s�o frases feitas, s� por dizer, n�o precisa analisar tudo, sen�o...

Agora, olha s�: p�ra com os roubos, que isso n�o � pra voc�.

Sabe o que voc� tem que fazer?

A: encontrar um trabalho, e B: uma namorada, e tudo se resolve.

Sim, falar � f�cil. Garotas!

Por exemplo esta noite, a mo�a bonita, a do colar, a loira.

- Daniela? - Daniela! Sim. Me deu o telefone dela, mas o que eu fa�o?

Desculpa, como assim? Em que sentido te deu o telefone?

Me deu seu n�mero de telefone...

Mas o que eu fa�o? Ligo e digo: "Oi, eu sou o ladr�o, se lembra de mim"?

- Mas como assim, que n�mero te deu? - Me deu o n�mero da casa dela...

...o n�mero do telefone, mas n�o tenho coragem de ligar...

- Espera, pra que ela te deu o n�mero?

- Vamos, Giacomino! Tchau, Beppe.

- Algo errado? - N�o, � um problema, Giacomino...

...que est� um pouco confuso.

- Bom, obrigado de novo. - Tchau, Beppe.

- Nos vemos. - Claro.

- Ent�o, boa noite.

Gordo! A bicicleta, hein?

- Ah! - Eu estava...

� o h�bito. Beppe, p�ra com essa mania, hein?

Me digam uma coisa, segundo voc�s, honestamente...

Beppe � muito melhor que eu?

Giacomino, n�o precisa se aprofundar em tudo.

N�o se apoquente. De qualquer forma, Daniela n�o era para ti.

- Por qu�? - Por tantas coisas, ela tem "savoir faire",...

...se v� que pertenece � nobreza. Aceita, vive e, principalmente, deixa viver.

Que ano de merda!

Ser� que o anel que engoli vai me fazer mal?

N�o, � s� comer meio sab�o e amanh� ele j� desceu.

Pode ser, mas me sinto estranho.

Giovanni, voc� � estranho, e n�o � pelo anel!

N�o, Aldo, minha boca, sinto como se tivesse secado.

- Que? - Minha boca, secura na boca.

Maria, um est� pra chorar, o outro tem a secura da boca!

Santo Morellino di Scansano, um pouco de alegria!

- Est� bem. Rapazes, Copa Am�rica? - Est� bem.

- Basta, Giacomo! - N�o se pode encostar no teu corpinho!

Que corpinho, dois tiros livres.

Vamos!

Agora vai o segundo.

- Toco! - Ah, t�, genial, toco em tiro livre.

- Vai pegar a bola. - Vai voc�. - Deixa que eu vou.

Pode me devolver a bola, que � minha? J� vamos embora.

Mandem os agentes Briosca e Rezzoli.

Tua!

Vamos!

"Uns v�ndalos danificaram uma est�tua na pra�a. Nariz e orelha."

"- Pegaram os delinquentes?" - N�o, era um bando de garotos.

Que eu podia fazer? N�o pude atirar porque estou sem pistola. Desgra�ados!

Amanh� quando vier � delegacia, fa�a um BO. Boa noite.

- Boa noite. - Deu certo. - Est� bem.

- Como disse que se chama? - Marina. � fant�stica.

N�o sei o que est� havendo, mas tenho um n� no est�mago.

A primeira vez que a vi n�o me fez nenhum efeito.

Mas hoje abriu a porta, com aqueles olhos azuis, e fiquei paralizado.

O amor � assim, como quando se v� algu�m em fila dupla.

A primeira vez passa, mas na segunda, s�o 160 mil liras de multa.

Como te dizia, n�o sei, � como uma energia nova...

...me d� vontade de ir � sua casa, e jogar pedrinhas na janela...

...tocar o interfone...

...fazer uma bela serenata, para impression�-la, entende?

- Uma serenata? - Sim. - Onde mora?

- Via Guarrazzi. - N�mero? - Dois. Por qu�?

De noite limpam as ruas, n�o vai dar pra ouvir nada.

Uma pena, porque era uma bela ideia.

- Tchau, Ant�nio. Amanh� nos vemos. - Jogamos uma partida?

Te aviso, vai por outro caminho, que esta noite asfaltam.

Vai cagar, vai!

15 de setembro de 2000, 12:50

Que tipo de lanches tem?

- Presunto, queijo, presunto e queijo... - Presunto cru ou cozindo? - Cozido.

- N�o gosto. Queijo? - Queijo.

Sim, mas tem tantos tipos de queijo: cheddar, fresco, gruyere...

- Olha, esta manh� me levantei �s 6. - E eu �s 5.

Sim, mas que hora se deitou?

- �s onze e meia, meia-noite. - Eu �s 2.

- Bom, de queijo, ent�o. - �timo.

Pode esquentar, por favor?

Claro!

Uma meia horinha.

- T� bom, d� ele assim. - Certeza? - Sim, certeza.

Licensa, me d� dois sandu�ches, uma Coca e uma mineral.

- Me diz quanto � tudo, eu pago o teu. - N�o, Giacomo, o meu eu pago.

- Deixa que eu pago. - Se eu disse que pago meu lanche, quem paga ele sou eu.

- Quanto �? - 4.500.

- N�o tem dinheiro? - N�o, tinha que passar num caixa.

- Deixa eu pago. - Te disse que n�o, Giacomo.

- Voc� paga na volta. - Perdi a fome j�.

- Sabem a que hora me levantei? - �s 6. N�o vou comer.

- Me d� tudo. - Olha que depois eu n�o como

- Quanto � tudo? - 21.200.

Giov�!

Depois te pago, hein?

Te pago.

Um pouco de Coca?

- N�o, obrigado, estou bem assim. - Vai! - N�o insista, Giacomo.

Bom, quem sabe um golinho.

Est� gelada!

Muito boa mesmo, obrigado.

Depois daquela famosa cena, por um tempo tudo andou muito bem.

Giovanni devolveu o anel � Marina, melhor n�o explicar como.

De fato, desde aquele dia estavam sempre juntos.

A coisa era s�ria, tanto que Giovanni at� tinha comprado um carro...

...para fazer viagens rom�nticas. E, especialmente, nos confessou...

...que tinha tomado uma grande decis�o: pedir a Marina que morasse com ele.

Bom pra eles! Eu, enfim, tinha rompido com Silvana...

...mas fiquei com um vazio enorme dentro de mim.

Para preench�-lo, recorri � medita��o...

...o sil�ncio e � introspec��o.

Garotos, me ou�am, se estiverem deprimidos, fa�am como eu.

Procurem um curso Zen na discoteca mais pr�xima!

E principalmente, a grande novidade: t�nhamos escolhido a pe�a!

Giacomo conseguiu nos convencer a fazer o "Cyrano de Bergerac".

E a pe�a vai, temos os cartazes!

- Aqui est�o, fresquinhos. Fresquinhos, fresquinhos.

Retardado, Cyrano � com "C", n�o com "S"!

- Bergerac com "K"! - N�o � Diabolik!

� um in�til!

� medida que se aproximava a estr�ia, ensai�vamos como loucos.

T�nhamos encontrado a protagonista feminina, Francesca.

Melhor n�o podia ir. Tanto que come�ou a andar mal.

N�o mal, pior, muito pior!

- Vai � merda! - Francesca! - � merda voc�s tamb�m!

Aldo!

Aldo!

- Que fizeste esta vez? - Como?

- Como como? Acabamos de ver a Francesca chorando. Que fez a ela? - Nada.

Escuta, espert�o, n�o se meteu com ela, foi?

- N�o. - Fala a verdade!

- Sim. - Com certeza te pegou com outra, hein?

- N�o. - Fala a verdade!

Voc� � realmente o campe�o ol�mpico dos idiotas, n�?

E agora, o que a gente faz? Voc� sabe, s� tem uma solu��o.

- Qual? - Chamamos a Silvana.

- Nem brinca, Silvana n�o! - N�o d� tempo, � a �nica que sabe a pe�a.

- N�o podem fazer isso comigo! - Voc� fez a merda, agora paga.

- Um momento, vamos pensar, pode ter uma solu��o! - Qual?

Poder�amos fazer uns testes.

- Voce �...? - Elena Anselmi.

- E vem de...? - Mil�o.

Imagino Elena, que tenha experi�ncia teatral.

Eu sim, e voc�s?

De todo modo, a pe�a � "Cyrano de Bergerac".

Sim, Bergerac, que seria tamb�m o autor.

Imagino que j� tenha experi�ncia em teatro.

- Sim, eu trabalhei com Albertazzi, com... - Albertazzi, o grande Albertazzi!

O grande e irrepreens�vel Albertazzi!

Minha m�e, nem sabia que ele tamb�m fazia teatro!

- Se te digo que eu falo, eu falo! - Que que eu fiz?

Aldo, se ele fala, ele que fala!

Nem � preciso que eu te explique quem � Cyrano...

...que eu interpreto como sendo um personagem po�tico, rom�ntico.

Est� apaixonado por Roxana, mas se envergonha tanto de seu nariz...

...que n�o apenas se nega a esse amor, mas tamb�m ajuda a Cristiano...

...belo, por�m est�pido, a conquistar Roxana.

- E quem faz Cristiano? - Cristiano, o belo, eu fa�o.

N�o, sem brincadeira, quem faz Cristiano?

Cristiano, o belo, eu fa�o.

- Mas o que foi que eu disse? - Eu n�o disse nada!

Se envergonha tanto de seu nariz, que renuncia a esse amor...

...e ajuda Cristiano, belo, mas est�pido, a conquistar Roxana.

Cristiano, o est�pido, fa�o eu.

- A cenografia ser� bem simples... - Escuta, eu n�o te conhe�o?

- N�o sei. - N�o pode ser, voc� � o m�mico da loja.

- Sim. - S�rio?

Sim, eu trabalho l� amanh�.

E agora, o que eu falei?

Giovanni, n�o precisa contar tudo, tudo.

Esta � uma situa��o kafkiana.

Mas quem exatamente � esse "Kafkian"?

Obviamente pensamos em todos os detalhes da produ��o.

Por exemplo, a cenografia ter� um papel relevante...

...na nossa chave estil�stica.

Obviamente ser� tudo rigoroso...

Giacomo, olha, olha! Parece de borracha. Se dobla como uma borracha.

Mas voc�, esta manh�, n�o devia estar na loja fazendo papel de cacto?

Perd�o.

Ent�o, que acha?

Quando come�amos?

A encena��o do Cyrano n�o come�ava bem.

Mas se isto parece uma desgra�a, n�o � nada perto do que viria.

Porque o amor, quando resolve, � realmente um bastardo.

N�o sei se � medo...

...mas isso de casa... me parece um pouco apressado.

Mas a casa tem que ser reservada r�pido. Tivemos sorte de encontr�-la.

� perfeita para n�s, s� falta pintar.

Eu esperaria.

O banheiro � enorme.

Ah, a janela que d� para a escada est� com problemas.

Mas eu te digo, se est� no banheiro, n�o est� na escada...

...e se est� na escada, n�o est� no banheiro.

Tamb�m � uma quest�o de espa�o vital.

Eu estou habituada �s minhas coisas, ao meu ritmo.

Os m�veis da sala de jantar minha m�e nos d�, tudo muito bom.

E da cozinha tamb�m, que cabe certinho, n�o se pode querer mais.

Eu tenho um pesadelo: meus pais vendo TV, em sil�ncio.

E se amavam, hein?

O que voc� acha?

Olha, n�o sei como dizer, mas...

...se tem tantas d�vidas...

...ou vai morar com ele ou melhor terminar.

Giovanni, olha, n�o sei como dizer...

...mas os m�veis da sua m�e s�o horr�veis.

Que � que voc� sabe, Giacomo, se nem sabe o que � uma plaina!

O que tem a ver? N�o precisa saber fazer m�veis para avali�-los.

N�o, querido, quem sabe fazer, sabe entender.

- Mas que raio de prov�rbio � esse? - N�o � um prov�rbio, � a vida, Giacomo.

- Giovanni! - Sim, Giovanni...

O que ela te disse?

O que ela disse? Que precisa pensar.

Sim, mas onde est� agora?

- Onde est� agora? Em Frankfurt. - Frankfurt?

Tinha um voo para Frankfurt de tr�s dias, precisava de tempo.

Frankfurt, precisava de tempo?

O que acha que foi fazer em Frankfurt? � a cidade do pecado!

Com certeza disse a ele que precisava ficar sozinha, pra pensar.

Ela me disse que precisava ficar sozinha pra pensar.

Primeiro s�, depois acompanhada.

- Giovanni, s�o coisas normais numa rela��o. - Sim, a rela��o.

- Giovanni, s�o coisas que se diz. - Sim, coisas que se diz.

Giovanni, n�o repita cada coisa que digo.

Di�logo � feito de pergunta e resposta!

Sim, resposta.

Giacomino, voc� tamb�m! � �timo para chutar garotas...

...mas para reconciliar um casal, � uma droga. Deixa eu tentar.

Vamos, n�o se preocupe, que agora resolvemos, n�?

Ent�o voc�, Giovannino, o que voc� disse dela?

"A ela", fala direito.

Giacomino, vou te dar com a p� na cara.

O que voc� disse "a ela"?

Nada, estava trabalhando de m�mico e n�o pude falar.

Mas tamb�m nem saberia o que dizer.

- Ela te disse aquilo tudo e voc� n�o disse nada?

Porca mis�ria, n�o percebeu que ela... s� falou pra se sentir...?

N�o conhece as mulheres?

- Mas � um bund�o mesmo! - Voc� acha? - Acho!

Agora voc� pega o primeiro voo para S�o Petersburgo, entendido?

Na verdade � Frankfurt, t�?

Giacomino, eu pego a p�, te meto na cara...

...e te deixo meio morto e meio vivo, entendeu?

- A geografia � importante. - E a sa�de tamb�m!

- Ainda est� aqui! Anda logo! - N�o tenho certeza...

- Tem medo de avi�o. - Que?

Quer dizer que numa hora dessas voc� tem medo de avi�o?

N�o � s� medo, � terror.

N�o � s� isso, amanh� eu tenho que trabalhar, fazer o m�mico.

M�mico? N�o acredito nos meus ouvidos! Eu poderia te substituir...

...se o traje apertado n�o mostrasse as j�ias da coroa, mas Giacomino pode!

- Giacomino? - Por que, n�o posso ser m�mico?

N�o quer? Eu sei fazer, fa�o o espelho, subir no murinho...

- N�o fa�a. - As flores, puxar a corda...

- N�o fa�a. - Tamb�m fa�o isso. - O que � isso?

- Patinador. - Ele fez! - � isso, eu fico.

Pera�, se fosse pra fazer o patinador, te daria raz�o...

...mas � s� ficar completamente parado.

Vou? Vou!

- Obrigado. - De nada.

Licen�a, onde ficam as roupas �ntimas?

- N�o sei, acho que no segundo piso. - Obrigado.

- Ent�o, o que foi que n�o entendeu? - Nada. - N�o, n�o me responda.

- Quieto e parado. - Voc� perguntou... - Eu disse parado.

- Mas... - Eu disse pra ficar calado. Calado e parado.

- Seu amigo n�o te explicou? - Sim, me explicou, mas...

N�o responda, parado e calado.

Tira as m�os de mim, que estou trabalhando, por favor!

Voc� deve ficar parado, n�o importa o que aconte�a, est� bem?

At� se um cliente pedir informa��o, entendido?

- Ele perguntou da roupa �ntima... - Fica mudo, sempre im�vel, sempre!

- Ah, sempre? - Sempre.

- Como agora? - Entendeu, agora entendeu?

- N�o sou burro. - Vejamos se � capaz de ficar parado e mudo.

Porque o jogo � esse, entende? Te perguntam e n�o respondes, im�vel.

Nossos clientes querem isto, e os damos o que querem.

"Lhes" damos, se diz "lhes damos". O italiano � importante.

Fora! Seguran�a! Ponham ele pra fora!

Me solta!

E fale pro seu amigo que n�o volte!

Ela n�o est� em Frankfurt.

- Como que n�o est� em Frankfurt? - Foi substitu�da por uma colega.

- Deixa eu falar, um segundo! - Vai, vai!

Anda, vai!

N�o se trata assim um trabalhador!

Giovanni?

- Marina! Que...? - Giacomo!

Voc� n�o estava em Frankfurt?

� uma longa hist�ria. Mas, o que voc� est� fazendo aqui?

- Eu tive que substituir Giovanni porque... - Por qu�?

Porque ele foi a Frankfurt atr�s de voc�.

Deus, e eu vim aqui falar com ele...

- O que houve? - Tive um problema com o gerente...

J� ouviu falar da teoria do plano inclinado? N�o? Eu explico.

P�e-se uma bolinha sobre um plano inclinado.

A bolinha come�a a rolar...

...e por mais impercept�vel que seja a inclina��o...

...come�a a correr cada vez mais r�pido.

� imposs�vel par�-la.

Aqui est�o: ela, garota confusa que precisa conversar...

...e ele, amigo de confian�a cheio de boas inten��es.

Como acham que vai acabar?

Podemos conversar?

Diga que n�o!

Relaxa e voc� vai ver...

Eu vou para l�.

Se quiser eu te acompanho.

Diga que n�o!

Esta n�o � a sua parada?

Vem, vem. Me d� a m�o.

Vira a cara.

Mas felizmente, as pessoas n�o s�o bolinhas.

Basta um gesto, um olhar, uma frase qualquer...

...para mudar o rumo das coisas.

Uma pena que Giacomino, agora, � uma marionete nas m�os do destino.

Obrigado.

Por favor, n�o aperta tanto!

N�o sei como aconteceu, Aldo. Est�vamos ali e aconteceu.

- Voc� sabe como essas coisas acontecem. - N�o, n�o sei como acontece!

De todo modo, voc� vai contar a ele?

- Claro que vou contar! - Certeza absoluta?

O que tiver que dizer, diz depois da estr�ia.

N�o posso, n�o entende que o sentimento de culpa me mata?

Mas desde quando voc� tem esta consci�ncia?

- Por que n�o contou ontem? - Porque ontem contei que perdeu o emprego.

- O que que eu ouvi? Perdeu? Perdeu...? - O emprego!

- Merda! Como foi? - Discuti com o gerente e me chutaram.

Mas que amigo! Em um mesmo dia o fizeste perder o emprego e a noiva!

Pega um carro, atropela a m�e dele e termina o servi�o!

- Obrigado! - De nada, de nada!

Por favor, Giacomino, se eu te pedir um favor amanh�...

...n�o fa�a! N�o me fa�a!

"Que toquem as trombetas, senhores espectadores,...

Come�a a com�dia, que falem os atores".

"Cristiano, meu amigo! Abra�a-me, companheiro..."

"Cyrano, que not�cias traz?" N�o, n�o consigo. N�o consigo.

Giovanni, voc� tem que se concentrar, em cinco dias estreamos.

Nada, procurei em todo lugar, liguei para as amigas.

Nada. Ningu�m sabe onde est�.

Olha que azar!

Paola me disse que quando eu estava em Frankfurt,...

...ela foi me buscar na loja.

Eu como um retardado em Frankfurt e ela na loja de departamentos!

Voc� n�o a viu?

- Quem? - Como, quem, a Marina!

- N�o, n�o. - Deve ter chegado depois que te chutaram.

- Deve ter sido assim. - Talvez tenha vindo � casa.

�, pode ser. Agora, Giacomino, retomamos. "Cristiano, meu amigo, companheiro".

"Cristiano, meu amigo... "

Bom, na verdade, ela veio.

- Como veio? - Veio atr�s de ti.

- Porque n�o me contou? - � que, eu pensei... "N�o sei se falo",...

"Devia ter muito em que pensar. Eu conto depois."

Pensar em que, Giacomo? O que ela te disse?

Nada, foi te procurar, n�o te encontrou e se foi. Nada Giova, nada!

Giacomino, adiante. "Cristiano, meu amigo, companheiro... "

Tamb�m conversamos um pouco.

Maria!

O que voc� tem, Giacomo? Tenho que te arrancar as palavras da boca?

- Diz o que ela te falou! - Nada, o que eu j� te disse.

Fomos a um bar, tomamos ch�, quer dizer, eu tomei caf� e ela ch�...

Mas que me importa o que tomaram, diz o que ela falou!

Vai parar com essa merda de m�sica ou n�o?

- Ent�o? - Sim, calma, nada...

Falamos sobre coisas do momento, depois eu...

...a levei at� o port�o de casa e ali... - Ali o que?

Oh, nada, tudo esquecido, tudo superado, tudo...

"Superado" o que, Giacomo?

Giova... nos beijamos.

Vira, vira, com cuidado, que vamos part�-lo em dois!

Vira ele, espera. Parado, deixa ele respirar!

Maria! Giacomino, o que fizeste? Giova, acorda!

Giovannino, desperta! Espero que tenha perdido a mem�ria.

Est� despertando. Vamos, Giovanni.

Tudo bem? Foi s� um pesadelo, como est�?

- Eu estava em Frankfurt e voc� a beijou. - Sim, mas Giovanni...

Cala a boca! Eu em Frankfurt e voc� a beijou! Me d� nojo, Gi�como!

Giovanni, eu posso explicar.

Explicar o que? Voc� � realmente um bastardo, Giacomo.

N�o quero mais ver a tua cara, voc� morreu pra mim.

- Giovanni, foi s� um beijo. - Algu�m te perguntou algo?

Bah, um beijo...

...� s� um ap�strofo rosa, no meio de "Frankfurt".

- Que merda est� dizendo, t� me sacaneando? - Estou confuso, desculpa.

- Voc� sabia e n�o me contou nada! - Eu n�o sabia.

Pior, voc� me mandou a Frankfurt para deixar os dois a s�s!

Est� criando um mal entendido, est� chateado...

Me d�o nojo! Me d�o nojo os dois!

- Espera, vamos ser razo�veis. - Cala a boca! S� cala a boca!

Voc� s� consegue viver apoiado nas nossas costas!

Voc� � um aproveitador, um parasita.

Quer saber de uma coisa? Voc� vai agora no meu armaz�m...

...pega as suas coisas e n�o me aparece mais! Entendido?

A festa acabou! Est� claro?

- E a pe�a? - A pe�a?

Olha a pe�a. Olha s� a pe�a!

Merda de pe�a!

Por favor, deixa assim.

Giacomino, vai, me deixa sozinho.

Desculpe, onde fica o hospital?

- Licen�a. - Sim?

- Estamos procurando Aldo Baglio. - Quem? - Aldo Baglio.

Deixa comigo.

- Quem procura? - Aldo Baglio, Cataldo Baglio, dever�a estar aqu�.

- Baglio, Baglio... Pirandello? - Aldo Baglio, � um alto, careca.

Alto, careca, mora em Mil�o. Fala de teatro o tempo todo...

- Pirandello, sim, Pirandello! - Onde podemos encontr�-lo?

Mandamos ele pra casa. O que pod�amos fazer, fizemos.

- � in�til. - Por que in�til, � t�o grave?

- Voc�s s�o parentes?

- N�o, mas... - Ent�o n�o posso dar informa��o.

Eles n�o, mas eu sou parente.

Primo, seu pai � irm�o da minha m�e.

- Que? - A m�e minha, minha m�e, somos primos de sangue.

- Terminou? - Sim.

- Bonita, n�? - Bonita, quem?

- A enfermeira, no hospital. - Giacomo, estamos aqui por outro motivo.

- Eu sei. - Sabe que estamos aqui por outro motivo?

N�o precisa ficar repetindo, eu sei.

Deve ser aqui.

Que lugar � este?

- Quem �? - Buscamos Aldo Baglio.

Ah, voc�s devem ser seus amigos de Mil�o! Bem-vindos!

Aldo ficar� t�o feliz de v�-los...

...se os reconhecer...

Santo Ant�nio Abade! Obrigado por ter me trazido pra c� com voc�!

Que luz, que paz tem aqui!

Santo Antonio Abade, Santo Antonio de Padua � seu irm�o? Primo?

- Aldo, Aldo! Me reconhece? - Sim, Santo Antonio?

- Santo Antonio! - N�o Aldo, sou Giacomino.

Como � poss�vel, morreu antes de mim?

Voc� tamb�m partiu a cabe�a?

- N�o... - Aldo, somos n�s. Viemos te ver.

Marina, que feliz estou de te ver!

- Quem � o velhinho ali atr�s? - � o Giovanni, Aldo.

- Giovanni, merda, como est� feio! - N�o me reconhece.

Se voc� veio tamb�m, � porque estou mesmo pra morrer.

- Aldo, n�o diga bobagem! - Tia Caterina! Tia Caterina!

Minha boca! �gua, �gua com g�s!

- �gua com g�s, na garrafa! - Calma. - J� vem.

- �gua com g�s! - Tranquilo Aldo, calma.

Que bom t�-los aqui! Voltaram a ser amigos, n�?

- � verdade que voltaram a ser amigos? - Sim, sim, Aldo.

- Aqui est� a �gua. - A� vem.

- Chegou. - �gua com g�s!

- �gua com g�s, �gua com g�s! - Aldo, fica calmo.

�gua com g�s!

N�o consigo ver ele assim!

- Deixa eu. - �gua com g�s.

Na garrafa, na garrafa!

- N�o se pode abrir a janela? - N�o, n�o, melhor n�o!

O m�dico diz que a luz o incomoda.

Mas senhora, o que foi que aconteceu?

Um acidente, bateu a cabe�a, e quando acordou estava assim.

N�o come, n�o dorme, s� quer �gua com g�s.

- Que diz o m�dico? - Ah, os m�dicos!

Espero s� ouvir r�pido, os cascos do cavalo de S�o Bartolomeu...

- Esperemos. - Tomara.

...que o leve para longe, com seu saco preto. Assim deixa de sofrer!

- Senhora, um pouco de otimismo! - Mas isso � otimismo.

- Isto � otimismo? - Claro!

- Amigos! - Sim, Aldo?

- Sabem que... amigos... eh... que... - O que disse, Aldo?

- � de... todo... - "Todo", o que, Aldo? - Calma. - Fala.

- Sabem o que eu queria fazer, mais que tudo? - Que?

Comermos juntos os arancinis do Tio Toto.

- S�o um poema! - Pode se levantar, Aldo?

- Me parece que n�o. - Sim.

- N�o � melhor ficar na cama? - N�o, eu consigo. - Espera.

- Vamos ajud�-lo. - Eu consigo.

- Calma, vamos ajudar! - Eu consigo... n�o, n�o consigo!

- N�o pode? - N�o se mova, Aldo.

- Eu consigo levantar! - N�s te ajudamos!

Tenho �lceras nas costas, n�o consigo levantar!

- Eu queria tanto os arancinis! - N�s vamos, Aldo.

- Me fariam esse favor? - Sem problemas.

- S�rio? - Vamos n�s.

- Estou emocionado! - No digas eso, Aldo...

- Obrigado! - Vamos n�s.

- Eu fico com ele. - Marina, me faz companhia!

Esse velhinho era mesmo Giovanni?

- Onde fica o Tio Toto? - Na esquina.

Melhor Aldo ficar aqui. Esse � o local do encontro dele com S�o Bartolomeu...

- Este � o bar do Tio Toto? - Sim.

Escuta Giovanni, eu devo te dizer uma coisa, h� muito tempo que eu quero dizer.

- O que? - Marina, olha, n�o houve nada, depois daquilo...

- Est� bem, Giacomo, n�o faz mal. - Eu s� queria... - Deixa quieto.

N�o se incomodem, permane�am sentados.

Senhores, me apresento: sou A Comedia.

Pirandello, �s um poeta!

N�o s�o reais, mas s�o feitos po�ticos...

...que os v�o satisfazer.

Meu cora��o se chama trama, gente que se odeia e que se ama.

Em meu sangue todo jogo cabe, o beijo ou o duelo com espadas.

O alimento do vossos aplausos, � o veneno dos maus atores.

Eu sou a Com�dia e me divido em atos,...

...para contar a voc�s os extraordin�rios fatos...

...destes cavalheiros, e da bela dama,...

...de a quem cr� amar e de quem na verdade ama.

Se contar� do poeta Cyrano e seu nariz, que parece moldado com cimento.

N�o maquiaram o ator, n�o era el caso,...

...porque o nariz � de verdade, e n�o fingimento!

E de Cristiano, jovem cadete...

...que se expresa um pouco menos que um gib�o...

...mas encanta, tem boa apar�ncia...

Um pouco da fantasia, isto � fic��o!

Os dois ardem de amor, isto � belo, por Roxana, a prima de Cyrano.

De seu primo ama o c�rebro, mas ama o corpo e cara de Cristiano.

A hora do pre�mbulo termina, � hora da pe�a comen�ar,...

O jogo da trama, com seus artif�cios, as voltas do tecer e do bordar.

Que toquem as trombetas, senhores espectadores!

Come�a a Comedia, que falem os atores.

Cristiano, meu amigo. Abra�a-me, companheiro!

Cyrano, que not�cias trazes, m�s ou boas?

Encontrei Roxana.

E ent�o? Est� apaixonada? O que ela acha de mim?

A morte se aproxima, posso ver a minha ep�grafe chegar:

"Aqui jaz um astr�nomo, um poeta regular..."

"...fil�sofo, m�sico, um cavaleiro apaixonado..."

"...que em suma, foi um pouco de tudo, e n�o foi nada".

Que poderia um narrador acrescentar ao que j� narraram os atores?

A mim n�o resta mais que desaparecer, fazer uma rever�ncia e depois sair.

Como Cyrano, que se confessa e morre diante de seu eterno amor...

...eu tamb�m, terminado meu caminho, me calo e me vou com meu destino.

O que � daquele que come�a e termina, floresce e em um segundo se corre.

Que vive, por no m�ximo, um par de horas, esperando um aplauso e depois morre.

�, eu sei, eu contei uma mentira!

Mas a id�ia de me fazer de doente foi de Marina.

Eu n�o concordava. Sabe, essas coisas trazem azar!

De qualquer forma, sem essa mentira, os dois nunca teriam se reconciliado.

E eu agora n�o estaria feliz!

Al�m do mais, meu av� sempre disse...

"Uma mentira oportuna, vale mais que quinhentas verdades".

E assim chegamos ao final, mas voc�s ainda querem saber um monte de coisas.

Querem saber se esta ser� a �ltima vez que atuamos juntos...

...se agora que nos acertamos, n�o seremos idiotas para nos magoarmos de novo...

...se Marina e Giovanni se reconciliaram...

...se Giacomo poder� dar ao menos um beijo na enfermeira.

O que querem que eu diga? Eu n�o sei todas estas coisas...

...mas, como dizia meu av�...

...tudo � poss�vel. Ou quase.

Mas ao menos sei como passarei o resto dos meus dias...

...porque uma ideia... me ocorre!

PERGUNTA-ME SE ESTOU FELIZ

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