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A ROSA DE FERRO
Tradu��o * Tatuador *
S� LEGENDAS RARAS slegendasraras.blogspot.com
Sincronizadas por rafexe
- Como chegou aqui? - Perd�o?
Como chegou aqui?
Sirva-me um copo, por favor.
Se foi. Estava furiosa.
Sobretudo porque foi mal recebida.
Sou um pouco t�mido, mas recitarei um pequeno poema.
Quer recitar um poema.
Sucumbindo enquanto dormia, ele vivia em seus sonhos.
Seu sonho era a mar�, fluindo sobre a praia.
A mar� que goteja. Seus olhos nos olhos.
Seus l�bios nos l�bios.
� por voc� que disse adeus a vida.
Voc�, que choraste por mim, tanto que quis chorar por mim mesmo.
Isso � tudo.
Ainda vive com seus pais?
Por que me olhava enquanto recitava seu poema?
Porque era a �nica forma de poder te falar.
- Que faz na vida? - Na vida?
Ah... a vida...
A vida... E voc�?
- Dan�a. - Moderna?
N�o, cl�ssica.
E que faz nos domingos?
- Depende. - Eu ando de bicicleta.
Adoro passear de bicicleta.
- Quer me acompanhar amanh�? - Sim.
Na velha esta��o as 11:00, combinado?
Combinado, estarei l�.
- Cansada? - Um pouco.
- Quer descansar? - Sim.
Estou farto dessa cidade.
- Entre. - Mas � um cemit�rio!
N�o encontraremos um lugar mais tranquilo.
- Nunca havia vindo? - S� passei aqui, mas n�o entrei.
� muito grande. N�o ficaria aqui sozinha.
� a tristeza que te assusta?
Na realidade, n�o me assusta.
� um cemit�rio normal posso ver casas ao redor.
Aqui s� vejo tumbas e nada mais.
Aqui ainda n�o entrei.
Um cemit�rio como este � tranquilizador.
- Tranquilizador? - Sim.
� como estar no campo. H� �rvores, grandes espa�os vazios.
Ainda tem espa�o.
- Onde vamos? - Por qu�? N�o gosta daqui?
Sem carros, sem lixo, sem nada para incomodar.
- Realmente quer ficar aqui? - Por que n�o?
- Espere aqui que trarei a cesta. - Espere, irei com voc�.
Me pegue se puder!
Verdade quer voltar?
"Voc�s. que aqui vieram, abandonem toda a esperan�a!"
- N�o brinque com isso! - Est� assustada?
N�o, � que... est� deserto.
N�o, olhe l�!
- Maldi��o. - Coloque de volta!
Vou consertar.
N�o se preocupe. Est�o sepultados no fundo.
Os crucifixos s�o colocados em homenagem a Jesus.
Sim, claro.
- Chocolate? - Sim.
Obrigada.
Te darei um peda�o de chocolate.
Est� louco? Aqui n�o!
Gastar dinheiro nisso... Ficava bem para os fara�s.
Ao menos os fara�s sabiam como embalsamar os corpos.
Mas isso n�o os ajuda a ressuscitar.
Por que ressuscitar deveria ser mais dif�cil que nascer?
N�o me importa onde me coloquem quando morrer.
Cr� que a alma deixe o corpo depois da morte?
Existe a alma?
N�o creio que tenha algo depois da morte f�sica.
� est�pido gastar tanto dinheiro em fiambres.
Alguns fazem por amor.
Pois prefiro o amor na vida que o amor na morte.
Olhe, est� aberto.
Vamos entrar e ver como �.
N�o, n�o pode fazer isso!
Por que? Tem medo?
� de dia. N�o tema.
Vem?
N�o, n�o deve fazer isso!
Te disse que havia muita gente por aqui.
Se assustou?
Vamos l� embaixo e nada nos molestar�.
- N�o quer? - N�o.
Ent�o, espere aqui.
Irei sozinho.
N�o, me espere!
Est� �mido.
A putrefa��o dos cad�veres � adiada se n�o tiver umidade.
Como acontece no deserto.
Mas n�o � t�o ruim.
Ademais, estamos isolados do ru�do.
� como uma cripta romana.
Pierre?
Venha a mim.
- A tampa se fechou sozinha? - N�o.
Anoiteceu, s� isso.
Dizem que as estrelas s�o deuses enviando sinais.
Vamos sair daqui. A luz da bicicleta n�o funciona.
Que estranho. J� n�o vejo a trilha.
Subirei para dar uma olhada.
J� n�o reconhe�o nada.
Vamos. Encontraremos um caminho.
Viu? Tinha raz�o.
Esta trilha deveria conduzir ao caminho principal.
Acredita que tenham fechado o port�o?
Que horas s�o?
Meu rel�gio!
Deve ter ca�do na cripta. Vou busc�-lo.
N�o, n�o v�! N�o me deixe s�!
N�o quero voltar l�.
Como quiser.
Devemos ter tomado a dire��o errada.
O caminho principal deve estar do outro lado.
N�o serve de nada andar em c�rculos.
Iremos atrav�s das tumbas.
J� passamos aqui!
- Vou pegar o rel�gio. - N�o! Quero sair daqui!
Acalme-se. Sairemos daqui!
- Gritemos juntos. Algu�m ouvir�. - Quem?
- R�pido! - Espere!
- N�o posso mais, espere! - Vamos!
Venha! Por aqui!
Olhe!
L�!
Que � isso?
Parece um edif�cio administrativo.
Deve ter algu�m aqui.
Por favor, tire-me daqui!
N�o se preocupe.
Acredita que estamos muito longe?
Acho que � o caminho.
J� sei onde estamos.
Feche seus olhos eu te guiarei.
Agora?
J� posso abrir meus olhos?
Espera um pouco mais.
Estamos andando junto a cerca.
N�o abra os olhos.
Me deixa tocar as barras da cerca?
Voc� mentiu.
Mentiu!
Fecha a boca!
J� chega! Disse para fechar a boca!
Te deixarei aqui. Me ouviu?
Escute. Caminhemos um pouco.
Ao menos, assim ficaremos aquecidos.
Estamos em um cemit�rio provincial, n�o � uma selva.
Tem frio?
Sim.
N�o.
Frio?
Escute.
N�o sei. J� n�o sei nada.
Maldito cemit�rio.
Por favor, n�o se aborre�a. Cr� que os mortos...?
Essas coisas velhas te assustam?
Veja o que fa�o com elas.
Chega! Chega!
N�o cede. � um tipo de chave que o mant�m firme.
Vamos dar um volta.
Talvez encontremos a sa�da.
Os aloes vivem 50 anos.
- Morrem ap�s florescer uma �nica vez. - Do que est� falando?
S� uma vez.
- Est� bem? Quer parar? - Sim, sim.
Vem aqui.
1� de novembro.
O mundo dos mortos se mistura com o dos vivos.
Que aconteceu? Levante-se, por Deus!
Estou bem aqui.
Deixe-me.
Ficou louca!
N�o � o momento para parar.
De outra forma, passaremos a noite toda aqui.
N�o, te imploro.
N�o agora. Controle-se!
Voc�s, que conhecem a terra subterr�nea.
Podem me ouvir?
Voc�s, meus amigos... Me respondam.
Os que foram presos com suas cercas e crucifixos.
Voc�s n�o s�o os mortos.
Eles s�o.
Eles que fecharam a porta do castelo de cristal.
Que esconde?
- Est� tudo bem. - Cale-se!
N�o tema. Os mortos s�o nossos amigos.
Encontraremos o caminho aqui. S� aqui.
Andaremos at� o muro externo. Logo, encontraremos o port�o.
Escutou?
A rua!
O muro!
Vamos. Subiremos por l�.
Esque�a a cerca. Estaremos fora em 2 minutos.
N�o est� feliz?
Por que quer voltar para eles?
Eles n�o conhecem o verdadeiro caminho.
S� pensam em destruir, machucar e bagun�ar.
N�o amam como n�s.
Se nosso amor � suficientemente forte, n�o ficar�o contra n�s.
- Todos morreram. - � suficiente!
- Vem ou n�o? - N�o v�.
N�o!
N�o! N�o!
N�o!
N�o! N�o! N�o!
� meia-noite.
A rosa de cristal. Ela nos guiar�.
O que farei com isso?
Deve se acalmar.
Por qu� pensa na morte quando estamos neste belo jardim?
�rvores, areia,
esconderijos, casas.
Essas esculturas de pedra em nosso jardim.
Agarre-me se puder!
Espere! Pare!
Bem pensado. Tem raz�o. Algu�m ver� as chamas.
O fogo no cemit�rio atrair� os guardas.
O caminho...
Cuide do fogo. Vou pegar o rel�gio. J� estamos a salvo.
Abra!
Que est� fazendo? Abra! Abra!
Abra!
V�, meu amor... L� � o caminho.
Por este caminho deixaremos a vida real.
Toda a alegria do mundo, a morte...
Onde est�? volte, vadia!
Procure, meu amor. Procure mais longe.
A terra subterr�nea.
Juntos para sempre.
N�o mais o medo. N�o mais a dor.
N�o voltar�o a nos tocar. Os malvados nos abandonaram.
Ande, leve suas aves de ouro.
Entre! Ande!
N�o. Sem viol�ncia.
Seja forte, meu amor. Por n�s dois.
O jardim dos ventos.
Todos os perfumes abrem seus bra�os para n�s.
Amigos generosos.
Bandos de andorinhas voam em dire��o � luz.
P�lidos bra�os me rodeiam.
E agora, o castelo de cristal,
dia e noite, a luz do amanhecer,
t�o grande como o c�u e a Terra.
Nos esperam, meu amor.
Ande. as aves ainda riem.
Sobre minha boca, todos seus beijos.
Oh, sim, te amo.
Os campos cobertos pelo ver�o,
bem abaixo do vento, e al�m da morte,
r�pido, como o azul...
Aten��o!
Sobre n�s, os raios do sol.
J� chegaram. Me d� sua m�o.
Des�a! Des�a!
As flores est�o dan�ando.
Seus dedos est�o ardendo, meu amor.
Seu h�lito sobre meu corpo.
Espere-me.
Juntos para sempre.
Abra!
N�o posso respirar! Abra!
Estou sufocando!
R�pido!
Karine, volte!
Onde est�, meu amor? Espere-me.
Juntos para sempre.
Me espera.
Descerei at� voc�.
Me d� sua m�o.
Sua m�o.
Todos Voc�s. est�o mortos.
E n�s, vivos.
Tradu��o de * Tatuador *
Sincronizado por rafexe
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