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LONDRES... ESTA TARDE...
O MONSTRO DE LONDRES
Madame! Que bom que voltou. Obrigada.
Est� aguardando o Dr. Esmond?
Estou. Entendo.
Sou a Sra. Esmond. N�o quer se sentar?
Por que deixou o paciente na sala de estar, Sally? N�o � um paciente. Ele est� hospedado aqui na casa.
Ah, �? Onde? Na sala do Doutor.
Entendo. E � para ser tratado como se fosse da fam�lia.
� mesmo? Claro que n�o vou falar com o doutor, mas o homem � um ladr�o. Um criminoso.
Como sabe? Ouvi o doutor dizer � Sra. Duncan.
Ele assaltou o doutor com um rev�lver.
E em vez de ir pra cadeia vai ficar aqui por seis meses para receber... Terapia.
E voc� n�o aprova. N�o sou eu que tenho que aprovar.
Mas eu n�o vou ficar numa casa com um assaltante. Vou pedir minhas contas.
Quando vai embora?
Quanto mais cedo melhor.
Ol�, Carol. O Clive est� a�?
Glenda! N�o a est�vamos esperando. Adeus, Doutor.
D� para notar.
Glenda! Ol�, Clive.
O que foi? O tempo ruim a fez voltar? N�o. O tempo estava �timo mas eu estava chateada.
Querida, chateado fico eu quando voc� sai.
Dessa vez deve ter ficado chateado mesmo.
Ent�o j� soube. Sim. E Sally j� pediu as contas.
Ela n�o aprova uma ladr�o dentro de casa.
Tamb�m n�o sei se aprovo.
Uma coisa � tratamento psicol�gico numa penitenci�ria.
Outra coisa � tratar do seu paciente em circunst�ncias ideais.
O rapaz � jovem e inteligente. Se descobrir o que o faz desviar, talvez consiga ajud�-lo.
Se n�o for assim, ser� um total desperd�cio de um ser humano.
Se voltar para a pris�o ser� seu fim, disso tenho certeza.
De novo para a pris�o? Sim, ele � fichado e a Carol est� pesquisando.
Coisas bem s�rias. Bastante.
Mas � imaturo e infeliz e creio que assustado debaixo daquela carapa�a.
Assustado?
Eu diria assustador.
Roubo com viol�ncia. Assalto. Furto.
� educado? Tem possibilidades?
Por incr�vel que pare�a, n�o � produto de comunidades pobres. Fam�lia de militares, boas escolas. E isso o torna mais interessante.
Mas se � contra, eu cancelo. Afinal, n�o a quero fazendo o trabalho de casa.
Por que? Sei que h� anos que sonha com esse projeto.
Al�m do mais, nunca tivemos um criminoso como convidado.
Pelo menos um que soub�ssemos que fosse. Pode ser at� interessante.
Pode ser perigoso tamb�m. N�o se preocupe comigo. Ele n�o me assusta nem um pouco.
O que me assusta � encontrar substituta para a Sally.
Um drink antes do jantar? Pode ir preparando.
Obrigado, querida. De nada.
Desculpe, Sr. Clemmons, estava fora e n�o sabia quem voc� era.
E agora sabe. Sim.
Espero que esteja confort�vel.
Por qu�? Por qu�?
Porque � um convidado na minha casa.
Convidado? O doutor fez um acordo e isso � melhor que ir pra cadeia.
N�o me iludo de que seja outra coisa. N�o sou convidado, Sra. Esmond, sou um prisioneiro.
Ent�o j� se conheceram. Sim, duas vezes.
�timo. Xerez, ou u�sque, Frank?
U�sque com �gua.
O que est� lendo?
(Comportamento Sexual da F�mea Humana) Oh, apenas folheando...
Folheando?
Esse voc� tem que ler.
N�o tanto quanto antes.
Tamb�m tenho esse problema.
Gosta de esportes? N�o.
Tiro, pesca, nada? Que pena.
Montaria? N�o.
Devia. A Sra. Esmond � uma grande amazona.
Qualquer dia Glenda pode traz�-lo conosco, n�o?
Quem sabe.
Teria cancelado a palestra se soubesse que ia voltar.
Voc� nunca cancelou uma palestra em toda a sua vida.
Cancelou uma vez. Lembra do ano do grande fog?
Telefone para o Sr. Clemmons.
Com licen�a.
Al�. Que noite! Te segui at� a�, esperei a tarde toda que voc� sa�sse...
batalhei para conseguir o telefone... O que voc� manda? N�o ligue para c�.
Era um amigo. Algu�m que gostaria de ver?
N�o especialmente. Sinta-se livre se quiser convidar algum amigo seu.
Qualquer amigo? Qualquer um.
E se for um que estiver em apuros?
De que tipo?
Quando se tem amigos em apuros n�o se faz esse tipo de pergunta.
Sa�de. Chame quem quiser. Durante estes seis meses quero que voc� considere esta sua casa.
E se for uma mulher?
Como se sentiria a Sra. Esmond se trouxesse uma mulher para dentro da casa?
Convide quem quiser.
N�o se preocupe. N�o convidarei.
Adeus. Seja brilhante.
N�o sou sempre? Est� tudo bem? Claro.
Ele � bastante ocupado. �.
D� palestra. Escreve.
Li um dos seus livros esta tarde.
Dizia que o que conta � a inf�ncia da pessoa, sabe, os pais e as crian�as.
Mas ele se engana.
As pessoas j� nascem assim como s�o.
Ora veja, ent�o voc� sabe falar.
Voc� � americana, n�o?
Sou. E voc� � um pequeno C�sar.
Mais caf�?
N�o, obrigado.
Geralmente os cavaleiros acendem o cigarro das damas.
E uma dama n�o chama a aten��o se ele n�o o fizer.
Se machucou? Torci o pulso.
Claro, o treinamento de ex�rcito do Clive.
Deu sorte de cair nas m�os dele. Ele � �timo apesar de escrever livros.
Parab�ns, Sra. Esmond.
Tem certeza de que n�o aceita mais caf�?
Tenho.
Teria usado a arma contra Clive se ele n�o a tivesse tirado de voc�?
N�o.
Ent�o por que anda armado?
Por que pergunta?
Detesto qualquer tipo de arma. N�o t�m nada de glamoroso.
S�o apenas uns animais pedindo para serem trancados em gaiolas.
Respeito rebeldes se forem inteligentes, mas odeio a estupidez.
Acabou, Sra. Esmond?
N�o.
N�o me incomoda essa experi�ncia do Clive, embora ache que seja perda de tempo.
Se � de seu interesse, eu o ajudo. Levo-o para montar, ensino-lhe hinos...
Mas a casa tamb�m � minha e tem uma coisa que n�o posso tolerar.
Grosseria. Do tipo que tem demonstrado todo dia ou qualquer tipo de falta de educa��o.
Espero que tenha ficado claro, Sr. Clemmons. Boa noite.
Tudo bem, n�o vou morder.
Boa gente os Esmonds. Boa demais deixando voc� ficar aqui.
O que quer dizer?
Sabe muito bem. Sei de tudo sobre voc�, Sr. Clemmons.
Viu minha foto nos jornais? S� faltava essa!
Sei porque est� aqui. Devia estar � na pris�o. Eu sei, mas n�o estou.
E estou come�ando a gostar de n�o estar.
Que tal um caf�?
Me mandaram arrumar as coisas. Sou um convidado.
Vamos nos ver com freq��ncia. Dev�amos ser amigos. � o que pensa. J� pedi minhas contas e parto daqui a uma semana.
Por minha causa?
Sim. Por sua causa.
Est� dif�cil arranjar empregadas hoje em dia, n�o? Sim, muito.
A madame ter� que fazer tudo sozinha no futuro. Gente como voc� bem pode servir-se a si mesma.
Acho que n�o, Sally.
Acho que acaba n�o saindo, porque eu n�o iria gostar...
Agora arrume essa sujeira e me arranja um caf�.
Sra. Esmond.
Bom dia.
Bom dia.
Gostaria de montar com a senhora, se me permitir.
Se assim quiser.
Tinha sete anos quando sua m�e morreu. Sim.
Deve ter sido um golpe para seu pai.
Sim. Mas ele estava acostumado.
Afinal, era militar.
T�nhamos um bom relacionamento. Era mais como um irm�o do que um pai. Era do tipo atl�tico?
Sim. Ele demonstrava qualquer decep��o por sua falta de interesse por esportes?
N�o acho que se importava.
Como se dava com sua madrasta?
Bem. Era uma boa mulher.
O que seu pai fez quando foi expulso dessa escola?
Nada...
Ficou decepcionado, mas n�o se importou. E sua madrasta?
Ela era... uma mulher de bom temperamento. Ela deixava que ele se encarregasse dessas coisas.
Gostava mesmo dela. Sim!
J� disse dezenas de vezes. Sim.
Terminamos a sess�o.
Foi �timo. Apreciei bastante. �, voc� est� se saindo bem.
Isso n�o � necess�rio, Frank.
O qu�?
Oh, desculpe.
Acho que vou parar de montar por uns tempos.
Por qu�?
Acho que me cansei.
N�o � a montaria, Sra. Esmond. Sou eu.
N�o gosta de mim, n�o � verdade? Voc� n�o me importa a m�nima, Frank.
Nem mesmo quando tenta se esfregar nessa sua maneira t�o casual.
O que n�o gosto � o que voc� representa. E o que � isso?
Algo doentio.
Fala igual ao seu marido.
Clive acha que voc� teve uma inf�ncia ruim.
Acho que isso n�o � desculpa.
Muita gente vem de lares desfeitos.
Eu sou uma. Vivi em duas casas a 2.000 milhas de dist�ncia uma da outra e me sentia uma estranha em ambas.
Minha m�e me detestava, literalmente.
Mas me estabeleci na vida mesmo assim.
Certo, sra. Esmond. Falou de mim agora vou falar de voc�.
� uma dissimulada. Por fora � a imagem da calma, seguran�a, e sanidade.
Tem tudo o que quer, � o que me diz.
Mas por dentro n�o tem absolutamente nada.
Est� vazia. Sedenta. Sedenta?
Isso mesmo.
Conhe�o seu tipo. Conhe�o t�o bem.
Age como se nada pudesse abal�-la. Mas na verdade � pura tens�o.
Que n�o seria nada dif�cil de quebrar. Nem um pouco.
O Harry est� a�? Vou ver.
H� quanto tempo!
Oi? Vai montar hoje?
Claro. Me d� cinco minutos.
Estou curioso, inspetor.
Como � que a pol�cia descobriu que Frank Clemmons estava morando aqui?
Temos nossos canais. Percebo que n�o aprova.
N�o diria. Sabemos do seu interesse profissional nesses casos, mas tendo em vista a sua ficha achei que dever�amos conversar um pouco.
�timo, vamos conversar.
Tem se comportado bem? Claro.
Tem cumprido hor�rios? Estou sempre de olho nele.
N�o foi o que ouvi, doutor.
Escuta, inspetor, se quero ganhar sua confian�a tenho que lhe dar certa liberdade.
N�o vamos nos desentender. A pol�cia n�o pretende ser injusta e queremos que tudo d� certo.
Mas em nossa opini�o, achamos arriscado Clemmons sob o mesmo teto que voc�.
Tem direito a sua opini�o, inspetor.
N�o podemos fazer nada a respeito. S�, claro, se for necess�rio.
� justo. Espero que me perdoe o mau humor.
Claro, doutor.
N�o quer ver o Frank? Vai chegar a qualquer momento. N�o, s� queria mesmo ver o senhor.
Foi um prazer.
Importa-se se n�o o acompanhar? N�o se preocupe.
Adeus, inspetor. Adeus, doutor.
Inspetor!
Sim?
At� logo.
At� logo.
N�o fique t�o triste.
N�o estou triste. Estou preocupada.
Com o qu�? Com o policial.
Frank saindo escondido. Tudo. Isso tamb�m me preocupa.
N�o � f�cil. Ele � inteligente. �s vezes � como uma parede impenetr�vel.
Desista disso, Claive. Desistir?
Um amigo esteve aqui.
Eu sei.
Eu o vi.
Simmons.
Vai desistir? N�o.
Como foi a montaria hoje?
Foi bem. Glenda sempre fala como voc� est� indo bem.
Mas 4 horas de montaria por dia e sair at� tarde n�o combinam.
Est� sabendo?
Sinto muito. Sei que n�o devia, mas...
Estava a fim. Tinha que sair, sen�o explodia.
N�o me importo.
O que me importa � que tenha mentido esse tempo todo.
Como assim? Mentiu sobre sua inf�ncia, seu relacionamento com seu pai e sua m�e.
Ela n�o morreu. Fugiu. Eu pesquisei. Agora, por qu�, Frank?
Por que mente?
Desculpe.
Desculpe mas s�o coisas de que n�o gosto de falar. Por que n�o?
Odiava seu pai, n�o �?
Odiava.
Tudo bem, odiava. Por qu�?
Porque ele fez minha m�e me abandonar. Abandonar a voc�?
Abandon�-lo. Ele a induziu a faz�-lo. Ah.
Porque ele a tra�a.
Porque era mau, mesquinho e cruel.
Porque era autorit�rio e um hip�crita metido a besta.
J� tinha at� um caso com minha madrasta antes de minha m�e partir.
Como era sua madrasta?
Alta, loura, muito atraente.
Toda iluminada por fora e podre por dentro.
Tamb�m n�o gostava muito dela, gostava?
Eu a odiava.
E ela tamb�m me odiava.
Mas eu dei o troco.
Como?
N�o � da sua conta.
Como deu o troco, Frank? N�o � da sua conta!
Me deixa em paz!
Tim... toma aqui. Isso.
Ol�, Carol. Eu n�o entraria agora. Tem um policial a� com o Clive e o Frank.
Espero n�o estar interrompendo. Minha esposa, inspetor. Muito prazer.
Acabava de dizer ao Clemmons como � um homem de sorte.
E agora que a conheci, digo o mesmo de Clive. Obrigada.
Mais alguma pergunta?
Pouca coisa. Conhece a joalheria na Billiard Street? N�o.
Onde esteve ontem � noite? Aqui.
Toda a noite? Sim.
� verdade?
Est� tendo uma grande chance aqui. N�o a desperdice.
Ajudaria se n�o quisesse me culpar de tudo.
Sempre que algu�m assalta a Menze's ou outro lugar qualquer.
Bom dia, Doutor, Sra. Esmond. Bom dia Inspetor.
Ah, Clemmons. N�o mencionei que foi na Menze's, mencionei?
Mas foi.
N�o fui eu.
N�o faria uma coisa dessas com voc�.
Est� bem, Frank.
Acredita nele, Clive? E voc�?
N�o iria ser t�o tolo.
Espero que n�o. O que acha dele, Glenda? Vale a pena o tratamento?
Gosta dele? Sim. � fora do comum e tem coragem.
Por tr�s de toda aquela bravata existe algo que agrada.
Eu n�o acho que tenha se ausentado de casa.
Vamos esquecer isso.
Vamos jantar fora hoje.
Hoje...
Oh, querida...
Desculpe, mas prometo que da semana que vem em diante eu... Sei. J� sei.
Estarei pronta em um minuto.
Por que n�o d� uma olhada no jornal para ver o que est� passando? Est� bem.
Encontrou alguma coisa? Nada de especial. Apenas um novo faroeste.
S� isso? Que chato.
Queria sair hoje.
Sei como se sente. Sabe?
O que faria se estivesse sozinho? N�o sei.
Iria ao Metro. O que � isso?
Uma boate no Soho.
� divertido? Eu gosto.
Eu iria gostar? N�o.
Os homens s�o mal educados e as mulheres... S�o vulgares com vestidos vulgares?
Muito elegantes, tamb�m. S� que n�o nadam em dinheiro. Desculpe.
Vestido caro, coment�rio vulgar.
Leve-me ao Metro, Frank.
Est� falando s�rio? Estou.
Acha que vai gostar?
Se n�o gostar eu lhe direi.
Est� bem.
Ent�o suba e vista uma coisa mais... vulgar.
Pobre Frank. Est� envergonhado, n�o?
�? Com qu�? Comigo.
Por que deveria estar? Dan�ando desse jeito. Nunca me senti t�o pouco � vontade.
Sempre acha que as pessoas est�o te observando?
H� anos que n�o ou�o m�sica assim. Estou adorando.
Est� mais � vontade agora?
Como assim? Como se estivesse dan�ando com uma das suas namoradas.
Mas voc� n�o � uma das minhas namoradas. Voc� n�o gostaria de uma namorada como eu, n�o � Frank?
Est� me machucando.
Cuidado com o que faz, Glenda.
Tinha raz�o, Frank. N�o gostei deste lugar.
Hamston Gardens, o mais r�pido que puder, faz favor.
Vai a algum lugar? Vou.
Por qu�? Sabe muito bem por que.
Por minha causa?
Sim. Que pena.
Glenda ter� que cuidar da casa sozinha agora.
Varrer, tirar o p�, fazer as camas... O que est� fazendo?
N�o � muito legal da sua parte, Sally.
Especialmente depois que eu te pedir para ficar. N�o pode me impedir. Sou livre para sair.
Quem disse?
Queria ser um homem agora!
Um dia dev�amos ir � Esc�cia pescar salm�o.
Esquece-se que � s� por seis meses, n�o para sempre. �, n�o falta muito.
O que foi, Frank? N�o sei. Acho que n�o fui talhado para vida dom�stica.
Me d� nos nervos. Entendo. Ainda mais com o tipo de casa que sua madrasta tinha a lhe oferecer.
Por que sempre fala nela?
Parece at� que quer insinuar que havia algo entre n�s. Por que sempre faz parecer que ela nunca existiu?
Voc� n�o d� tr�gua. Pior que a pol�cia.
Ora, Frank. � suficientemente inteligente para ver que s� estou querendo ajudar.
Nunca pedi sua ajuda. S� estou aqui para n�o estar na pris�o e at� preferiria estar l�.
Como foi a pescaria? O Frank gostou?
N�o. E nem esperava que ele gostasse.
Ultimamente ele tem resistido a qualquer coisa que parta de mim.
Por que diz isso?
Superficialmente acho que estou representando o papel de pai e ele est� se ressentindo.
Est� desencorajado? N�o � f�cil.
Acha que ele est� aproveitando alguma coisa? N�o sei.
Talvez n�o seja t�o bom mexer com as pessoas. Poderiam resolver melhor seus problemas sozinhas.
Acha que o Frank deve ficar sozinho? Como saberia? N�o sou Deus.
E acha que eu sou? Se o halo cabe, vista-o.
N�o venha fingir que n�o gosta de manipular as pessoas como brinquedos.
Devo estar ficando maluca. Por qu�?
Porque me ama?
Ser� que eu te amo?
E pior ainda, sou mais velha que voc�.
Poucos anos. At� isso � demais para mulheres.
N�o para voc�.
Me d� um cigarro.
Frank...
N�o minta. Voc� estava envolvido naquele assalto?
N�o. J� disse dezenas de vezes.
N�o mentiria para mim, n�o �? Glenda, n�o insista!
Posso mentir sobre algumas coisas, mas n�o quando digo que te amo.
Bom dia. Vai embora.
Ainda n�o acabou? Pod�amos dar uma volta de carro. Estou ocupada, Frank.
Acabe mais tarde. N�o posso. Por favor, v� embora.
Para onde? Qualquer lugar.
Se vier comigo.
J� disse que n�o. Tenho muito trabalho por fazer.
Est� bem. Eu fico e te ajudo.
Oh, Frank, me deixa em paz. Ent�o me deixa ficar com voc�. Quero estar com voc�.
Frank, voc� � incorrig�vel. Pra que usar logo essa palavra?
Se n�o parar, eu juro que grito. Vamos l�, ent�o, grite. Gostaria de ouvi-la gritar.
Quer que ele ou�a? Deixe-o ouvir. Vamos, grite.
Me solta, vamos...
Tem raz�o. Eu estava tentando beij�-la.
Deu para notar. Ele s� estava brincando, Clive.
N�o estava, n�o. Deveria se sentir honrado, doutor.
N�o vejo a gra�a, Frank.
Desculpe. Gostaria que se desculpasse.
Me desculpe, Sra. Esmond.
Saia, Frank. Falo com voc� mais tarde.
J� � hora de ele ir embora. Quando voc� achar melhor.
Isso j� aconteceu antes? N�o.
Qual foi o pretexto? Est� insinuando que eu encorajei?
Claro que n�o. Mas gostaria de conhecer o contexto.
N�o iria gostar. Mesmo assim...
Se quer saber, ele insinuou que voc� est� me desprezando e que deve haver alguma coisa entre voc� e Carol.
Carol?
S� est� procurando encrenca. Quer atingi-lo me instrumentalizando, acho que � �bvio.
�bvio ou n�o, ele conseguiu.
Me descarto dele? Voc� decide.
Detestaria abandonar tudo a esta altura.
Fa�a o que quiser.
Acho que vou dar uma desculpa para a reuni�o de hoje no hospital.
Pelo amor de Deus, eu sei cuidar de mim mesma.
Est� bem.
Isso n�o pode voltar a acontecer, Frank. Por que n�o?
Eu teria aberto o jogo se achasse que voc� enfrentava.
Se quer mesmo que ele te mande embora, para onde iria? Para a cadeia?
Teriam que nos pegar primeiro. A n�s?
Acha que eu iria sozinho? Pode sair hoje � noite?
Voc� � um idiota. Eu sei.
Mas voc� bem que gosta. �...
S�o onze horas. Temos que ir. De jeito nenhum, estou me divertindo demais.
Se quiser escancarar, pode contar comigo.
Glenda!
Glenda!
Pronto. Se ferrou. Por qu�?
A pol�cia. Melhor parar.
Voc� me cansa.
Por favor, o doutor est�?
N�o � hor�rio de consulta. � assunto particular. Tem a ver com a Srta. Foster.
Espere a�.
Tem algu�m a� para falar com Clive sobre a Sally.
Problema? Acho que sim.
Chame o Clive.
Sou a Sra. Esmond. Entre, por favor. Obrigado.
Senhor... Bailey.
Sr. Bailey, veio a respeito da Sally?
Sim, senhora.
Talvez possa ajud�-lo. Prefiro aguardar o doutor.
Se preferir.
Como vai a Sally? Est� bem.
Trabalhando? Sim, n�o teve nenhum problema com isso.
Este � o Sr. Bailey. Amigo de Sally. Vamos nos casar.
Meus parab�ns. Venha, sente-se. N�o obrigado.
Este � o Frank Clemmonds?
� sim. � sobre ele e Sally.
Sim? Estou aqui a pedido de Sally.
Sobre um assunto que precisa ser esclarecido. Acho que me entende.
Foi agredida por esse Frank Clemmonds em sua casa.
S� ontem eu soube disso.
Mas � verdade. Sally n�o mente.
Quando me contou, meu impulso era foi de vir e arrebentar a cara dele.
Pois bem, estou aqui. N�o. Isso seria bom demais para ele.
E arriscado demais. O melhor seria coloc�-lo onde merece. Eu ia para a pol�cia...
Mas em vez disso veio aqui. S� queria que soubesse o que decidi fazer.
Sally queria esquecer tudo. Tem medo do Clemmons, mas eu n�o.
Quero v�-lo na pris�o.
Mas o que foi que ele fez? Arruinou suas roupas, jogou-a no ch�o, n�o queria deixar que ela sa�sse.
� mentira. Sally n�o mente. Est� aterrorizada desde que saiu daqui.
Escuta, Sr. Nailey. Deve haver uma maneira mais pr�tica e inteligente de... Com todo o respeito, doutor...
Sem essa... Por favor, Frank.
Deixe que ele fale. D� pra ver sua laia.
Sr. Bailey, pode me acompanhar ao meu escrit�rio?
Est� bem.
Entende, Sr. Bailey, todos somos capazes de qualquer coisa uma vez provocados.
Clemmons teve uma inf�ncia que o levou a ser quase um assassino.
Estou tentando destruir seu �dio e compuls�o por atacar.
Tem que entender que em voc�, em mim...
Na floresta escura de toda personalidade existe um tigre.
Um tigre adormecido.
Ent�o? Eu o persuadi a esquecer o assunto.
Os resultados da psicologia. �.
A mo�a est� dizendo a verdade?
Est�.
Sim. Eu a agredi.
N�o sei o que se apoderou de mim. Acho que n�o queria ver a Sra. Esmond carregada de trabalho de casa.
Louv�vel da sua parte. Ela fica muito agradecida.
Foi um atitude impensada. N�o faria mais isso agora.
Bom saber.
Qual � o problema?
N�o olhe para mim como se fosse um delinq�ente juvenil.
Ah, � voc�.
Quem pensou que fosse? Por um momento, um gatuno. o que est� fazendo aqui em baixo?
Achei ter ouvido um barulho.
Poderia ter-me atacado com este ati�ador, ou eu a voc�...
Poderia ter-me matado. Boa noite, Frank. Ent�o deu um jeito no Bailey.
Persuadiu a n�o procurar a pol�cia.
Por que n�o me disse que o persuadiu com 100 libras?
N�o achei importante. Mas �. Voc� o subornou.
N�o � bem assim. T�nhamos mesmo que ajudar Sally com seu enxoval.
Voc� o subornou para me subornar.
Eu sou sua cobaia e est� tentando comprar minha amizade.
Admito que existam provas melhores de amizade. Por isso n�o lhe contei.
Mas n�o pode me comprar, Dr. Esmond.
Eu lhe pagarei em dobro com juros.
Se preferir assim, tudo bem. Por favor desligue as luzes quando sair.
Vim verificar os telefones. �? Qual � o problema?
Problema com a discagem...
Anda, sai da�... vamos.
O que tem a� dentro?
Anda.
Certo...
Abra o cofre. Anda, n�o � seu dinheiro. N�o quer morrer por ele.
R�pido! Encha a valise.
Desista, Clive. Por favor.
N�o � t�o f�cil assim.
N�o t�o dif�cil quanto continuar.
Uma experi�ncia que n�o deu certo.
D� por encerrado e esque�a tudo isso.
N�o posso.
Eu at� que preciso descansar. Ter um tempo livre.
N�o posso desistir. N�o posso decepcionar o rapaz.
Sei que tem algo ali que vale salvar.
Tudo bem, Clive.
Ele me detesta, sabia?
N�o sei muito bem por qu�.
O que foi? � um carro da pol�cia.
Escuta... estive com voc� o dia todo. Frank!
Onde voc� esteve? No a�ougue.
Antes disso? No cabeleireiro.
Eu estava com voc�. Mas no cabeleireiro? Isso � rid�culo.
Hist�ria muito interessante. Quase t�o interessante quanto sua preocupa��o com Frank.
Faria alguns coment�rios. Mas prefere falar com Frank, n�o �? Prefiro.
Ol� inspetor. Prazer em v�-lo novamente.
Parece que n�o consigo ficar longe de voc�, rapaz.
Normalmente n�o me envolvo emocionalmente nos meus casos, mas com voc� � diferente.
Teve uma chance em um milh�o e a desprezou.
Para mim ser� um prazer peg�-lo.
Deixe-me resumir o caso como ele me contou. Se importa, Simmons? N�o. Pode falar.
O gerente diz que foi abordado por um homem de uns vinte anos...
talvez estivesse vestindo uma capa de chuva, talvez n�o...
talvez usasse �culos, talvez tivesse sardas...
talvez n�o tenha visto nada porque s� via o rev�lver apontado na sua cara... Dr. Esmond!
Diria que estou sendo injusto, ou deixou de dizer que mandou expedir um mandado para sua pris�o?
N�o mandei.
S� vim pedir que me acompanhasse para acare�-lo com o gerente. Fala s�rio?
Vai fazer uma acarea��o com apenas uma pessoa? Como sabe se n�o levantamos as digitais?
Por que se tivesse, teria o mandado neste momento.
Estava certo de que n�o tinha as digitais.
Como?
Como podia? Frank esteve comigo a tarde toda.
N�o toda a tarde. Passou algumas horas fazendo compras com minha mulher.
Mas enquanto fiz minhas visitas ele esperou no carro.
E por per�odos de n�o mais que dez minutos, o que n�o permitiria que ele fizesse tudo isso na Oxford Street.
Est� falando s�rio? Estou, sim.
Faria essa declara��o sob juramento? Claro.
Pe�o-lhe que retire o que disse, Sr. Esmond. N�o.
Acho que percebo o que est� querendo fazer.
Mas n�o v� que uma acusa��o de perj�rio poderia arruin�-lo?
Pela �ltima vez, est� preparado para retirar essa declara��o? Se assim o fizer, esteja certo de que jamais ser� mencionada.
N�o.
Posso revistar a casa?
Sem um mandado de busca?
N�o vamos come�ar tudo de novo, inspetor.
N�o vou poupar esfor�os, doutor. Isso eu prometo.
Preciso de uma bebida.
E voc�, Frank? N�o obrigado.
Onde est� o rev�lver? Na sua mesa.
E o dinheiro?
Tenho algum, o resto est� l� dentro. Pegue-o e traga-o ao escrit�rio. N�o percamos tempo.
Quero que fique bem claro, Carol. Quando sa� hoje o Frank estava comigo. Eu n�o sabia.
Ent�o est� sabendo agora. Ele esteve comigo a tarde toda. Ele saltou no caminho para casa para comprar cigarros.
N�o me desaponte.
Aqui est�.
Est� tudo aqui? N�o.
Colocaremos num embrulho comum e o mandamos de volta.
Faria isso para mim? Se quiser.
N�o obrigado. Anda. N�s merecemos. Passamos por um aperto.
Foi mesmo. Assalto em plena luz do dia.
Tamb�m estou num aperto. �.
Impressionante como n�o matou aquele gerente. Um movimento em falso e voc� o teria feito, n�o?
Sim, eu queria mat�-lo. Quase o fiz.
Ele lembrava seu pai?
Meu pai?
N�o. Nem um pouco.
Uma vez estive num aperto como esse com ele. Esteve?
Era meu dinheiro. Tinha economizado para comprar uma bicicleta.
Ele estava guardando para mim, e quando pedi ele n�o me deu... O dinheiro era meu.
Ent�o eu sa� e roubei uma.
A� chegou um padre. Eu corri e me escondi debaixo da cama como um gato amedrontado.
Ele queria me entregar.
Fez um discurso de como era um bom cidad�o.
Deviam achar que ele realmente era um grande homem.
A� disse: a justi�a tem que ser feita.
Queria mat�-lo. No dia que sa�sse da pris�o iria mat�-lo...
O que aconteceu, Frank?
Ele era forte demais...
forte demais.
Torceu meu bra�o e for�ou-me a me ajoelhar.
Ajoelhar-me diante dela.
A� me bateu.
Nunca me esquecerei do desenho do tapete. Azul e amarelo.
N�o � de admirar que os detestasse.
Ele mais.
Como eu o detestava.
Uma semana depois...
ele estava morto.
E voc� ficou com sua madrasta.
No dia em que o enterraram...
naquela noite...
ela se embriagou.
Come�ou a gritar comigo.
Voc� o matou... voc� o matou... voc� o matou!
E voc� o matou?
Eu rezei para que ele morresse. Eu queria que ele morresse. Eu o matei.
O que o m�dico escreveu no atestado de �bito?
Cora��o.
Voc� o odiava. Queria v�-lo morto. Sim.
Seu desejo fora cumprido. Sim.
Ele morreu e se sente culpado de assassinato. Sim.
E merece ser castigado. Eu sei!
Voc� n�o matou seu pai. Mas quando ele morreu voc� teve que procurar seu pr�prio castigo...
que � o que voc� vem tentando fazer.
Tudo que queria era am�-lo.
O que ele inviabilizou ao transformar o amor em medo.
�dio, culpa e medo. E a culpa e o medo gerando mais �dio.
N�o percebe, Frank? Toda a sua vida tem seguido esse padr�o, vivido dentro desse padr�o de comportamento.
Sua juventude, suas for�as, suas esperan�as...
tudo perdido por causa de uma mentira.
Voc� n�o matou seu pai. Perdido , perdido, perdido.
Eu n�o sei mais... eu n�o sei mais...
Clive!
Clive?
N�o vou esperar.
Al�? � a respeito do jantar, querida.
S�o 6 horas e tenho que estar na universidade �s 8. N�o dar� tempo de passar em casa.
Entendo. Ent�o com quantas pessoas devo contar para jantar?
Bem, o Frank quer ir comigo. Por que n�o se junta a n�s e jantamos mais tarde?
N�o. Voc�s dois v�o. Eu j� preparei alguma coisa.
Eu estarei bem.
Est� bem. At� logo.
Ol�. N�o conseguia encontrar minhas chaves. Como vai, querida? Que surpresa!
Esqueci completamente que tinha que preparar um artigo para o jornal.
Tem alguma coisa para comer?
Meio em cima da hora para alimentar dois homens famintos.
Frank n�o veio. Ficou com o barco e decidiu ficar mais alguns dias.
Alguma coisa errada? N�o.
Por que haveria de ter? S� falou tr�s palavras em uma hora.
S� estou cansada. Achei que estando livre do seu pensionista fixo...
Ainda sobra muito trabalho de casa.
N�o parece muito interessada em encontrar uma substituta para a Sally.
� mais dif�cil encontrar algu�m do que eu mesma fazer o trabalho. Voc� � que sabe.
Glenda. Ei ia sugerir... N�o receite para mim, Clive.
Perdi a calma, Clive. Mas voc� insiste tanto.
Desculpe, querida.
Tenho estado tenso, se � que seja desculpa. Voc� tenso?
Dif�cil de imaginar que voc� tenha nervos.
N�o quero dramatizar, mas um caso como o do Frank n�o � nada f�cil.
N�o foi nada f�cil.
As coisas que n�o pode fazer: demonstrar medo, insatisfa��o, qualquer forma de fraqueza, nem mesmo...
ci�me. Ci�me?
Mas voc� � que tem pagado por isso. Tenho-a desprezado horrivelmente e tenho consci�ncia disso.
N�o a culparia se jogasse tudo para o alto e me deixasse.
Mas quero compens�-la, querida.
Por que n�o viajamos por um m�s, quem sabe dois? N�o eu ou voc� sozinhos. N�s dois juntos.
Faz muito tempo. Mas... voc� tem uma palestra planejada.
Eu cancelo.
O que vamos fazer com o Frank?
J� pode andar com seus pr�prios p�s. Ele se vira.
Voc� � o melhor juiz para isso, claro.
Sr. Clemmons?
Quarto 3, madame. Obrigada.
Agora me diga qual � o problema.
Nenhum. Ent�o por que me tem evitado?
J� lhe disse. N�o poso ficar mais naquela casa.
Ele quer passar meses de f�rias comigo.
N�o se preocupe. Eu n�o irei.
N�o iria para lugar nenhum sem voc�.
Querido! Tive medo quando me pediu para fugir com voc�, mas agora n�o tenho mais.
Seria maravilhoso, n�o? Somos t�o parecidos, lutamos contra as mesmas coisas.
Talvez por isso aconteceu o que aconteceu entre n�s.
E agora sinto que pode dar certo.
Voc� deixaria o Clive? Deixaria.
Eu n�o o amo.
E todo o seu conforto? J� gozei deles.
Quero o que nunca tive.
Em seis meses estaria arrependida.
Pague para ver.
Quando. Em breve.
Muito em breve.
Agora fa�a suas malas e vamos para casa. Acho melhor n�o.
Pode saltar antes de chegar � cidade.
Eu pego o trem. Quando?
Amanh�.
N�o.
Hoje � tarde. Ligue para o Clive, diga que mudou de id�ia. Venha para jantar.
Est� bem.
N�o perca o trem.
N�o me deixe esperando, Frank.
Nunca me viu realmente zangada. Estou te prevenindo.
N�o sabe do que sou capaz.
Estava chovendo l�, Frank? Sim, um pouco hoje de manh�.
Tudo bem, eu atendo. Estou aguardando uma chamada.
Al�? Clemmons?
Sim.
Certo.
Estarei l�.
Era um amigo. N�o se preocupem. N�o � a Hist�ria se repetindo. Est� fazendo seis meses. Passou r�pido.
Seis meses. Em alguns momentos pareceram intermin�veis.
Mas terminaram, n�o? Sim, agora est� livre, Frank.
Sim, estou livre. Mesmo assim quero que saiba que pode ficar enquanto quiser.
Ser� muito bem-vindo. Tem que estar muito seguro antes de voltar a enfrentar o mundo.
Certo, obrigado.
Glenda e eu estamos planejando umas longas f�rias.
Sempre planejamos mas, sabe como �, a velha hist�ria.
Desta vez quero realmente que se realize. Mas, francamente, s� estamos preocupados com voc�.
N�o tem que se preocupar comigo porque...
eu tamb�m vou viajar. Hoje � noite.
Hoje? Por que hoje?
Tenho que me encontrar com o Inspetor Simmons na Delegacia.
Era ele no telefone.
Simmons?
Mas por qu�?
Sabia que teria que encarar a situa��o um dia mas...
podia ser mais bem administrado. Sabe, isso era uma coisa que lhe queria falar, mas...
achei que era uma decis�o que eu mesmo tinha que tomar.
Voc� mesmo disse que eu estava livre.
Mas n�o me sentirei livre enquanto n�o pagar pelo que fiz.
S� ap�s me acertar serei um homem livre.
Por isso liguei para o Simmons esta tarde.
Entendo. Eu gostaria de entender.
Podemos tomar o caf� enquanto conversamos a respeito.
N�o, obrigado, Glenda. Tenho que acabar de fazer minha mala.
Glenda, quero falar com Frank enquanto voc� e Carol lavam os pratos. Claro.
Clive, sou-lhe muit�ssimo agradecido...
e tamb�m sinto muito... Sente muito?
Sim, eu...
O inspetor Simmons lhe mandou um recado.
Ele disse que n�o se lembra da sua �ltima conversa.
Adeus. Ainda n�o. Eu lhe dou uma carona quando estiver pronto.
Ent�o?
Voc� ouviu. Mas n�o entendi.
Foi como disse.
Achei que partir�amos juntos. Voc� sabe aonde vou.
Voc� enlouqueceu?
N�o importa. Amanh� Clive estar� l� em sua defesa.
E logo ser� posto em liberdade.
E depois?
Depois nunca mais a verei.
Por qu�?
Porque n�o posso continuar a magoar o Clive.
Ao Clive?
E eu?
Seja humana. Seja decente.
Minha vida toda estive doente e ele me curou. N�o podia continuar assim. N�o respondeu minha pergunta. E eu?
Est� um pouco tarde para crises de consci�ncia.
Ou ser� que essas crises sempre aparecem tardiamente?
Depois de se ter divertido.
N�o vamos brigar, Glenda.
Voc� n�o vai me dispensar como uma criada.
Uma das suas gar�onetes, uma das suas aventuras no Metro.
N�o vamos terminar assim.
Ent�o n�o deve terminar.
J� terminou.
Frank. Por favor, Frank.
Diga agora que vai embora.
Eu vou embora.
Glenda! Glenda, o que aconteceu?
Glenda, pelo amor de Deus, me diga o que aconteceu.
Foi o Frank. Frank?
Sim, o Frank. Frank.
Seu paciente. Sua cobaia.
Sua personalidade reformada acertando as contas.
Frank.
O que vai fazer?
Dar-lhe uma medalha?
Clive! N�o fa�a isso!
Por favor!
Clive.
Voc� o matou. Sim.
Voc� o matou.
Ele est� morto?
Voc� o matou?
Era o que voc� queria, n�o?
Era.
N�o.
Ele ia embora. Ia me deixar, Clive.
A mim.
N�o a voc�. A mim.
O homem que sabia de tudo, que fazia milagres, mas que n�o sabia manter a pr�pria mulher.
A� ele mudou.
Ele te abandonou.
Um criminoso vulgar... n�o podia me largar como faria com um cigarro.
Mas voc� o matou, n�o �, Clive?
Acha que o mandar�o para a pris�o, Clive?
Acha que v�o mandar o Doutor Esmond para a cadeia?
Ele n�o est� morto, Glenda. Ele se foi.
Ele n�o est� morto. Se foi.
N�o a estou culpando por nada. Espere. Aonde vai?
Adivinhe.
N�o. Deixe-a ir. H� anos que voc�s n�o vivem bem. Voc� nunca vai dar conseguir dar jeito.
Deixe-a ir.
Frank, entre. R�pido. O que aconteceu?
Entre!
A� eu fugi da casa. Ele estava furioso. Insano.
N�o posso acreditar que Clive... Voc� n�o pode!
Ele est� com seu rev�lver. Disse que vai mat�-lo se o encontrar.
Tenho que voltar para v�-lo. Voc� n�o entende...
Est� louco. Disse que vai mat�-lo. Vamos voltar.
N�o! Ent�o pare o carro!
Passe o volante para mim. N�o!
Temos que ajud�-la.
N�o tem mais nada a fazer, senhor.
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