All language subtitles for marius 2013 portuguese subs

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Original subtitles

É a minha pequena!

Art Subs 5 Anos fazendo Arte para você!

- Legendas - Durenkian.

- Revisão - Hirschen.

- Marius? - Fanny!

- Em que está pensando? - Talvez em você.

Que mentira!

Acha que vivo pensando em você?

Só pensa quando me vê.

Vai, Marius, me paga um café?

Vamos aproveitar que meu pai está dormindo. Venha!

Por que não veio dançar ontem à noite no Cascade?

- Você vai lá? - Dancei a noite toda

- com o Victor. - Ele deve parecer

tão idiota dançando quanto é andando.

Que malvado.

- E você? Aonde foi? - Dei uma caminhada.

- Por onde? - Pelo cais...

Respirar o ar da noite.

- Sozinho? - Claro.

Olha!

O Saigon chegou!

- Como você sabe? - É o apito do Yara.

Está pedindo um piloto.

Marius?

Está apitando! É o Yara.

Imbecil, é o percolador.

Marius?

Foi você quem ofereceu café a ela?

Sim. Acabei de fazer. Quer também?

- Não. - Por quê?

Se bebermos tudo grátis vai faltar para os clientes.

Não vai chorar por uma xícara de café.

Não é pelo café, é pelos modos.

Mas que modos?

Beber o bar enquanto estou dormindo.

Se queria me fazer uma afronta, conseguiu.

Uma afronta?

- Que afronta? - Se não posso oferecer um café

na minha idade, o que sou?

Uma criança!

Uma criança que deve obedecer o seu pai.

- Nessa idade? - Sim, minha linda.

Para mim, foi necessário chegar aos 32 anos para parar

de receber ordens do meu pai.

Assim era a família. Havia respeito e carinho.

Com chutes no traseiro.

E havia menos ingratos e revoltados.

Se eu levasse um tapa da minha mãe, não sei o seria.

Iria chorar em um canto, só isso.

E se seu pai fosse vivo e te desse um tapa na bunda

de vez em quando, não seria ma...

Você ganha filhos para que perturbem sua vida.

Como perturbo sua vida? Faço a metade de seu trabalho.

Sempre que preciso de você, você desaparece.

Eu? Fico aqui o dia todo.

- Isso é a verdade! - Fica,

mas com tanta má vontade...

Sempre triste, sempre pálido.

Parece um antialcoólico.

Talvez eu seja neurastênico.

- Você? - Pode ser.

- De onde tirou isso? - Por aí.

Diga, não venha com essa para cima do seu pai.

E você, vá vender suas vieiras em vez de vagabundear.

A verdade é que você é mole e preguiçoso.

É um sonhador.

Um sonhador. Nasceu em cima de um balcão

e não conhece seu trabalho.

- Essa foi demais! - Não conhece seu trabalho!

Não sabe nem dosar um mandarino-cassis.

E o seu linhaça-limão-curaçao da casa,

nem vamos falar. É uma catástrofe.

Pela décima vez, vou explicar.

Uma libra para a madame...

- Aqui está! - Obrigada.

- Obrigada, até logo. - Até logo.

Venha ver.

Primeiro, você põe um terço... de curaçao.

Cuidado, só um 1/3.

Depots, 1/3 de limão.

Um pouco maior, está vendo?

E agora...

Um bom terço de linhaça.

Olhe a cor. Olhe como é bonito.

E para terminar...

Um grande 1/3 de água.

Aí está!

- Isso dá 4/3. - Exatamente.

Espero que desta vez você tenha entendido.

Mas em um copo há 3/3.

Imbecil, isso depende do tamanho dos terços.

Não depende! Só se pode colocar 3/3.

E como eu fiz para colocar 4/3 neste copo?

Isso... É aritmética.

Aritmética!

Quando não se sabe o que dizer começa a enganação.

E a última gota? Por acaso é aritmética?

- A última gota do quê? - A que fica presa

no bico da garrafa. É não é difícil.

Olhe aqui.

Você derrama assim: virando a garrafa de 1/4

e com a rolha, recoloca a gota na garrafa.

Mas você, Sr. Marius, faz isso como um amador

e a gota escorre sobre a etiqueta.

É por isso que precisa segurar firme a garrafa.

- Isso te faz rir? - A você também.

Eu estou rindo da minha paciência.

Capitão?

Capitão!

Capitão?

- Não vamos partir? - Quantos são?

São... São... São um.

Eu já vou.

Enquanto isso, converse com ele para que sossegue.

- Eu já vou. - Certo, Capitão.

Aqui está. Metade mariscos, metade vieiras.

E o mesmo para mim.

E para o senhor, Sr. Panisse,

duas belas violetas no centro.

Obrigado, minha linda.

- Com um vinho branco. - Se estiver gelado.

Se está gelado? Experimente isto!

Parece que chegou do Polo Norte.

Para frente. Velocidade máxima.

Nossa! Já é meio-dia e meia.

Aonde ele vai?

É hora do meu pai ver os amores dele.

Uma italiana magnífica.

Uma mulher assim...

Não. Agora ele encontrou uma holandesa que é o dobro.

Que charme!

Panisse!

Panisse?

Desculpe Srta., viu o Sr. Panisse?

- Não. - Você também não?

Não.

É um pedido muito grande.

Ele está por aqui, no café.

- Meu jovem! - Eu?

Sim, você.

Sr. Panisse!

O contramestre do Malaisie o espera na loja

para um pedido grande.

Obrigado, meu jovem. Diga a ele que já vou.

Certo.

- É o Malaisie. - O grande veleiro de pesquisa?

- Quando ele parte? - Daqui a um mês.

Devo entregar a eles um jogo completo de velas.

Pesquisa com um veleiro?

Vão estudar os ventos e as correntes marinhas.

Desde o Suez até a Oceania.

É um veleiro com um pequeno motor auxiliar.

- Quem disse? - Um dos marujos.

Chega.

- Vou indo. - Já?

Fazer o quê.

Quando não se vive de rendas, é preciso trabalhar.

Disseram que ele ia casar novamente.

- Eu acho que ele vai. - Está viúvo há três meses,

mas é chifrudo há 20 anos.

Marius!

- O que você quer? - Venha aqui.

Olhe, Honorine.

É este aqui.

É bonito!

Cuidado para não cair.

É mesmo, é...

Escorrega.

Me diga, Panisse...

Falemos pouco, mas falemos.

- Você pensou bem no assunto? - Sim, pensei.

Já sabe que ela tem 30 anos a menos que você.

Não por culpa minha.

- Já sabe o que vai acontecer. - Sim, ela vai ter o que quiser.

Dinheiro, roupas, joias.

Eu sei que você é um lutador.

Ela não pode sentir falta do principal.

- De que principal? - Você entendeu.

Não fale do que não sabe.

Sei que não há nada mais lindo do que o amor.

Eu concordo com você.

- Seria melhor ter 18 anos. - Ela tem 18.

E você 50!

Mas eu tenho 600 mil francos.

Mas as anáguas não têm bolso. Digo isso a seu favor.

Quando olho para você, vejo um par de galhos

que vai até o teto.

Você está enganada, só isso.

Tudo o que eu peço é que me digam "sim".

O resto é comigo.

- Mamãe! - Minha pintinha!

Linda, não é?

Por que olha deste jeito?

Este vestido lindo.

Deve estar querendo ver o que tem dentro.

- Não vou ter medo, sabia? - Você? Vai embora correndo.

Acha isso?

Quando uma menina te olha, você abaixa os olhos.

Olhe aqui para ver.

Você é boba!

Por que está rindo assim?

Por nada. Venha!

Preciso de um conselho.

O quê?

- Acho que vou me casar. - Com quem?

Só vou contar por causa do conselho.

Então...

Com quem?

Será que devo contar?

Se não quer contar, não conte.

Você vai ficar sabendo.

Eu até já sei.

É o Victor. Todo mundo vi...

Ele vem comer mariscos todas as noites como pretexto.

Comeu tanto que quase morreu de urticária.

- O que isso prova? - Prova que ele é um imbecil.

E se está contando com a loja, seu pai ainda não morreu.

Não estou esperando que ninguém morra.

E não ligo para o Victor.

Então quem é?

Panisse.

Panisse?

- Panisse, o velho? - É.

O Sr. Panisse.

Panisse, o velho!

- Não acredita? - Não.

Bem, está pronto para me aconselhar?

Sim, aconselho a, na próxima vez que quiser se livrar de mim,

inventar uma história melhor.

Venha!

O sol é o deus do dia,

mas esconda dele esse rosto virgem,

pois poderá queimar com o calor selvagem dele,

as doces rosas do amor.

Panisse, foi você quem fez essa rima?

Se eu fosse mentiroso, diria que sim.

Marius! Dois anisetes!

Diga, Panisse...

- Um deles é para mim? - Para quem mais seria?

Sua mãe está verificando minha contabilidade.

Acho que faremos acordo, se você disser "sim".

- Pedi alguns dias para pensar. - Muito bem.

Não é tão ruim ficar esperando uma resposta.

Seu "sim", me dará ainda mais prazer.

Panisse, conte... Quantos empregados você tem?

23.

Cuidado! Está derramando tudo!

Desculpe.

Hoje ele está um pouco cansado.

Isso é falta de jeito.

- Esqueci meus fósforos. - Espere.

Que graça você faz. Um fósforo sendo segurado

por mãos tão lindas!

Não me diga que tenho belas mãos.

Elas são bem pequenas.

São finas e quentes.

E você tem um belo anel.

- É de ouro? - Não, não creio.

- Nunca teve um de ouro? - Não.

E seu colar é de ouro?

Meu colar, é. Ganhei da minha tia na comunhão.

Tem uma medalha pendurada aí?

Espere. Vou tirá-la para for a.

- O que tem escrito nela? - Minha data de nascimento.

Sua mãe está chamando.

- Não escutei. - Chamou três vezes.

Está sonhando?

Se ela precisar de você, sabe onde está.

Vamos falar sério. Sua mãe e eu discutimos as quantias...

- Estou incomodando? - Não.

Vocês falam baixo e quando me aproximo,

vocês se calam.

Estamos conversando sobre coisas pessoais.

Quando alguém esconde é porque fala de sacanagens.

Sacanagens? Quanta grosseria!

Olhe com quem está falando.

Estou falando com vocês.

E minha mão está pedindo para dar um murro!

- Marius! - Um murro em mim?

Coitado...

Venha aqui para for a.

Se for homem, venha aqui!

Cuidado! Você não me conhece.

Então me mostre.

- É agora, desgraçado! - Desgraçado?

Está me chamando de desgraçado?

Largue, isso é entre homens.

Vai, vamos ver esse murro!

Se não fossem esses cabelos brancos...

Quer que eu arranque para lhe agradar?

Panisse, a loja está cheia.

Eu estou ocupado!

Você teve sorte.

Fanny, vou te deixar pois os negócios me chamam.

Mas te espero em minha casa,

pois não porei mais os pés em um local onde as pessoas

não sabem qual é o seu lugar.

Usar seu sotaque parisiense não me impressiona.

Fanny, até daqui a pouco. Espero você lá.

Aqui, fique com o troco...

Garçom.

- Algum problema? - Que problema?

O que está fazendo é uma vergonha.

Por quê? Não tenho direito a casar?

Mas é necessário que você pense em tudo.

- Como assim? - Quando estiverem sozinhos.

- Vou dar um jeito. - Ele vai te beijar.

Azar.

Pense nas coisas que eu não posso dizer.

Ele vai te abraçar, aquele sujo.

Está imaginando que estou com ciúmes?

Para estar com ciúmes é necessário paixão.

Brincar junto quando crianças não é estar apaixonado...

- Sim, é claro, mas... - Eu também podia ter te amado.

Bonita como você é, não seria difícil.

Mas eu não quis, porque sabia que não podia casar com você.

- Você quer ser padre? - Não.

Mas não posso me casar.

- Por que essa besteira? - Porque é verdade.

Marius!

Marius, venha!

- Agora? - Sim.

Pode cuidar do bar para mim por alguns minutos?

- E se vierem clientes? - Você serve.

Tenho um lugar para você no Coromandel.

- Por quanto tempo? - Dez meses.

Suez, Aden, Bombaim, Colombo, Macassar, Sidney.

Gommeux, diga... Você viu o Marius?

Não, não vi.

Onde ele anda?

A mesma viagem que o Malaisie.

- Eu topo. - Ainda não. Não é certeza.

Se o corso não vier esta noite, você entra no lugar dele.

Esta noite?

Vamos partir à meia-noite.

E como ficarei sabendo?

Eu irei te chamar.

Frisepoulet...

Vá dizer ao Panisse que espero por ele

para beber o meloso.

- Mas é longe. - Como longe? São 30 metros.

Me dá o que, se eu for?

Um belo chute na bunda se não for agora.

Saúde!

- Boa noite. - Boa noite.

Fanny?

Fanny?

Estou te esperando. O que está...

- Abra. - Estou com dor de cabeça.

Chega de histórias. O que você tem?

Preciso pegar o trem para Aix, hoje. Abra!

Não se preocupe, mamãe. Não é nada.

- Minha querida. - Mamãe!

Mamãe! Marius!

Sim, sim, é claro.

É por causa desse Marius, esse sem futuro.

Mas é assim, desde o maternal.

Como as meninas são bobas.

O Sr. Panisse quer você, e você chora por alguém

que lava o copo dos outros.

Vai, meu amorzinho. Não chore.

Você o quer? Então você o terá, o teu Marius.

Eu não direi que não.

Mas, mamãe!

Ele não me quer!

Como? Ele não quer você?

E por que não quer mais voltar aqui?

Por que seu filho é grosseiro.

- Meu filho é grosseiro? - Ele me provocou.

Sim.

Mas você disse a ele algo que não devia?

Não disse nada.

Mas se você não o tivesse provocado,

ele não teria dito nada.

Eu não disse nada, nem olhei para ele.

E ele veio com tudo.

- Você está exagerando. - Ele queria me estrangular.

Deve ter alguma mulher no meio.

Só o amor leva alguém a fazer uma besteira assim.

Acha que ele está apaixonado pela Fanny?

Não. Eles se conhecem há muito tempo.

Porque quando ele veio para cima de mim,

eu estava ao lado da Fanny.

Você não vê nenhuma relação?

Talvez ele pensou que eu estava

tentando conquistá-la.

Você? Ele enlouqueceu.

Por que ter ciúmes de um macaco velho?

Vá saber?

É sério. Não é por causa da Fanny.

Ele deve ter conhecido alguma mulher que o fez sofrer.

Receio que seja a mulher do Escartefigue.

Com mais de 50 anos ela não faria sofrer

o filho do meu amigo.

Quem seria?

Deveria perguntar a ele.

É o que vou fazer, mas...

Não tenho coragem de falar com ele de mulheres.

- Por quê? - Por pudor.

Que pudor?

Pudor paterno.

Você tem sentimentos especiais.

Se você fosse pai, também teria sentimentos especiais, caipira.

O que está fazendo? Venha, vou mostrar o seu posto.

Pode ir.

Honorine. O que faz aqui tão tarde?

Vou pegar o trem para Aix, às 23:00.

Estou adiantada e resolvi passar aqui para conversar.

Estou escutando.

Não é um assunto fácil.

Quero falar sobre Fanny e Marius.

De Fanny e Marius? Sente-se, minha querida.

- O que ofereço a você? - Um mandarino-limão.

Um mandarino-limão...

E então? Fanny e Marius?

É tão difícil assim?

- Panisse quer a menina. - Para fazer o quê?

Para casar.

Mas esse coitado está louco.

- Foi o que eu disse a ele. - E o que a menina acha?

Concorda, se não puder ter quem ela quer.

E quem ela quer é Marius.

Exatamente.

E daí...?

Ela disse que ama o Marius

e que eles conversaram hoje à tarde.

Muito bem. E o que ele disse?

Ele não quer que ela case com Panisse.

E o Marius? Disse a ela que a ama?

Parece que ele deu a entender.

- Ele a beijou? - Não.

Deixou a entender, mas sem beijo?

Isso é estranho.

Mas ela disse que os dois se amam.

Marius disse que não pode casar com ela!

- Por quê? - Ele não quis contar.

Ela quase pediu a mão dele,

mas ele não respondeu, a fez chorar

e não disse por quê!

Mas que comportamento é esse?

O que ele quer? Uma princesa?

Não fique brava, Honorine.

Talvez ele não a ame.

Se não a ama, por que ter ciúmes do Panisse?

Talvez não seja tão difícil acertar tudo isso.

Então acerte rápido, pois se ela continuar chorando,

vou por fogo nesta barraca aqui.

Calma, Honorine. Calma.

Se ele se recusa, nós vamos esperar aqui

e vamos perguntar a ele o porquê.

- Não na minha frente. - Por quê?

Não quero que ele saiba que vim aqui.

Eu conheço os homens.

Se for Fanny quem pede a mão a ele,

ela nunca poderá repreendê-la

porque ele vai dizer, "Foi você quem pediu!"

Sua mãe veio contar que você chorou, etc.

Vai terminar por menosprezá-la e eles serão muito infelizes.

Certo, não vou contar, mas ela não deve falar do Panisse.

Por que não pode falar dele?

Porque se você conhece os homens,

eu conheço as mulheres.

Na primeira briga ela vai dizer, "Eu troquei Panisse por você,

um homem que tinha milhares de francos!"

Etc., etc., etc. E o fará morrer a estocadas de Panisse.

Escute, então... Não diga nada a ele e eu prometo

que ela nunca irá falar do Panisse.

De acordo.

Brindamos?

Sim.

- Brindamos. - Saúde!

Agora, a ideia desse casamento agrada a você?

Veremos.

Se isso se concretizar, o que você dará à menina?

O estande de mariscos.

Não é muito.

Há muitos aí que a aceitariam sem nada.

Ela não é corcunda. Não preciso comprar um marido.

Ela não é corcunda e o meu não é manco.

Ele é bonito É um belo filho.

Porque é bonito precisa uma filha de Rothschild?

Não, mas se tiverem filhos logo em seguida,

vão precisar de dinheiro.

Se tiverem filhos eu darei a eles uma renda.

E você, o que vai dar?

Ele continuará com o bar até que eu me aposente.

Eles morarão aqui. Tem bastante lugar.

Eu pagarei a ele 1.500 francos por mês.

De jeito nenhum. Precisa pagar muito mais.

- O que devo dar? - Vai precisar dar...

Vai precisar dar...

Vai precisar dar...

Duas belas fatias de viola

com uma salteira de 2 kg ainda mexendo a cauda.

Uma salteira de 2 kg ainda mexendo a cauda?

Isso! E eu acrescentaria as choupalas, o siri e o frango.

Francamente, Honorine. Pare de beber.

Marius! Acrescente, por favor, uma boa lagosta.

Está encomendando um cozido?

Sim, um cozido. Afinal você chegou!

Saí para dar uma volta e me atrasei.

Acabamos de acertar amanhã.

O mais cedo possível. Esse cozido não fica esperando.

Bem, vou pegar o meu trem.

- Até logo, César. - Até logo, Honorine.

- Até logo. - Até logo.

Boa noite, Sr. Panisse.

O que foi, minha menina?

Preciso conversar com o senhor.

Quer falar comigo?

Entre, menina. Entre.

Onde você estava esse tempo todo?

Partida de bilhar, na cervejaria.

- Não é verdade. - Como assim?

Não é verdade. Cale-se!

Deixe para lá. Tenho coisas mais sérias

para falar com você.

Que coisas?

É o seguinte.

Cedo ou tarde você vai acabar se casando.

Eu? Por quê?

Porque é natural, é normal. No comércio, é necessário.

- Você decidiu não se casar? - Nunca pensei nisso.

- É a hora de pensar. - Por quê?

Porquê...

O Panisse pediu a mão da Fanny.

Eu sei, mas qual é a relação?

Não se faça de bobo. Eu sei que você

é apaixonado pela Fanny.

- Quem lhe disse isso? - Meu minguinho.

- Ele não é muito esperto. - Claro que é.

A prova é que hoje de manhã

você atacou Panisse como um animal.

Se o empregado dele não chega, você teria estrangulado o homem.

- Nós apenas discutimos sobre... - Sobre o quê?

Sobre Fanny!

Você queria acabar com o rival.

- Ora, vamos! - Ora, vamos...

Não pensou que há outro meio de acabar com esse rival?

É só você pedir a mão da Fanny.

- Isso não me interessa. - Por quê?

Porque eu não quero me casar!

- Você é um mentiroso. - Por quê?

Porque está mentindo. Mentindo!

Está louco de raiva porque outro quer casar com ela.

E isso é insuportável para você.

Se você é louco, diga logo e eu te mando para o hospício!

Mas se não for, confie em mim

e me diga o que está acontecendo.

Há alguma outra mulher?

- Sim. - Finalmente.

Eu sabia. Quem é?

Me incomoda falar disso com você.

A mim também, mas me incomoda mais

ver você passar por idiota.

Eu quero saber quem é.

Não pode estar apaixonado por ela,

pois ama Fanny.

É por piedade dela.

E a piedade deixa você idiota?

Já que você insiste, vou contar.

É uma mulher...

Que eu amei...

E que me ama.

Muito.

Se eu disser a ela que quero me casar,

ela vai sofrer.

Sim, ela vai sofrer.

- Talvez até se suicide. - Isso é ruim.

É possível até...

que ela atire em mim.

Horrível, horrível! Nada disso!

Precisa me dar um tempo para prepará-la a respeito.

Afinal, não é tão complicado.

É...

É simples.

Muito simples.

Nem vou pedir para que me conte quem é...

porque você não vai dizer.

Mas ao menos confirme que não é a Sra. Escartefigue.

Não, não é ela.

Ótimo.

E com a Fanny, o que faremos?

Vamos esperar.

E se ela aceitar o pedido do Panisse?

- Ela não vai aceitar. - E se ela aceitar?

Daí...

Azar.

Azar?

Agora você exagerou.

Vamos falar sobre isso de novo amanhã de manhã.

Amanhã de manhã...

Me passe o caixa.

Vou repensar tudo isso durante a noite.

Está bocejando demais para alguém que vai pensar.

Boa noite, menino.

Boa noite, papai.

Papai?

O quê?

Eu gosto muito de você, sabia?

Que história é essa?

Gosto muito de você.

Eu também gosto de você.

Por que está me dizendo isso?

Porque estou vendo...

Que você se interessa por mim, que...

Que se preocupa comigo, então...

Isso me fez pensar que...

Eu gosto muito de você.

É claro.

Grande idiota!

Boa noite, papai.

Boa noite...

Meu filho!

Às vezes eu digo que você me aborrece,

mas não é verdade.

Ficou chateado comigo?

Não, não se preocupe comigo.

Eu deveria ter entendido antes, mas o que você queria?

Linda como você é...

Vai, volte logo para casa.

- Boa noite, Panisse. - Boa noite.

Você aqui?

- O que aconteceu? - Nada muito grave.

Esqueci a chave no cadeado e vim procurar.

Vi que a luz estava acesa e bati.

Fez certo.

Queria te contar que segui o seu conselho.

Que conselho?

Recusei o pedido do Panisse.

Não sei se você fez o certo.

- Foi você quem sugeriu. - Talvez foi rápido demais.

Eu deveria ter ficado quieto

ao invés de pegar essa responsabilidade.

Meu pai ainda não se deitou...

Nos vemos amanhã, querida Fanny.

Bom, já que está me mandando embora...

Não estou te mandando embora, não fique brava, entre.

Entre um pouco.

Eu gostaria de falar com você sobre esse casamento.

Mas como se eu fosse seu irmão.

Você não é meu irmão.

Eu te considero como uma irmã.

Não quero ser sua irmã.

É você quem eu amo.

É você quem eu quero.

Agora que me fez dizer isso, seja educado e não me olhe.

Não deveria ter me dito.

Você não me ama?

Marius, você me ama. Eu sei.

Eu não posso me casar.

Por quê? Você tem uma amante?

Confesse. Para um rapaz não é nenhuma vergonha.

Eu perguntei para a garçonete do café

se você tinha uma amante, mas ela jurou que não.

- O que ela vai pensar de você? - O que ela quiser.

Eu vou te seguir e acabarei sabendo quem é.

Não. Não existe ninguém.

Se eu fosse me casar,

eu casaria com você.

Mas...

não me pergunte mais nada.

- Com quem você está falando? - Com ninguém.

Passou a falar sozinho agora. Virou sonâmbulo?

Vá dormir, seu chato.

E vá dar uma olhada no terceiro barril de chope.

Não consegui fechar a torneira.

Eu vou olhar.

Venha. Falaremos sobre isso amanhã de manhã.

- Me conte o seu segredo. - Você não entenderia.

- Você me trairia. - Eu? Trair você?

Então vou contar.

- Eu quero ir embora. - Para onde?

Qualquer lugar, mas bem longe.

Seu pai te entristece? Quem te obriga a ir embora?

Nada.

É uma vontade.

Me leve com você.

Não tenho como te levar.

Você vai no navio?

Vou.

- Piquoiseau te convenceu. - Não.

Faz muito tempo que tenho vontade.

Uma noite, na frente do bar, atracou um veleiro.

Era um três mastros.

Trazia madeira das Antilhas.

Troncos negros por for a

e dourados por dentro.

Cheiravam a cânfora e pimenta.

Estava chegando de um arquipélago

chamado Sous-Le-Vent.

Conversei com os homens da tripulação.

Me contaram da terra deles.

Experimentei o rum de lá.

Era um rum doce, bem apimentado.

Depots, uma noite...

Uma noite, eles foram embora.

Eu fui até o cais,

fiquei olhando o belo veleiro partindo.

Ele estava contra o sol.

Estava indo para as ilhas Sous-le-Vent.

Foi nesse dia que decidi.

Me diga a verdade.

Havia uma mulher nesse barco?

Está vendo, você não entende.

Então você quer conhecer essas ilhas?

As ilhas Sous-le-Vent?

Seria melhor nunca ir para não estragar o sonho.

Mas eu quero sair daqui.

Essa é a verdade.

É algo bobo,

uma ideia inexplicável.

Tenho vontade de ir embora.

É por essa vontade que você quer me deixar?

Agora que eu contei, vá embora.

Marius.

Vai embora hoje?

Vou.

Estou esperando eles me chamarem.

Eu te suplico, não vá embora!

Eu suplico, Marius. Não hoje!

Vá depots, em um outro barco.

Não hoje. Fique mais alguns dias.

Eu sempre vou te amar, Marius.

E se me levassem com algemas?

Não ia chorar, para me dar coragem?

Me deixe ir embora. Me esqueça.

Nunca! Ficarei esperando!

Não me espere! Eu quero ir embora!

Não responda.

Se você for, vou me afogar.

O corso voltou.

Ele voltou?

Está a bordo.

Não vá embora!

Não fique triste, não chore.

Vou te amar tanto que vai se curar.

Agora acabou.

Vou cuidar de você.

Patrão!

Me dá uma garrafa de rum!

Ainda não dormiu! Estou vendo a luz.

O que é isso?

Não tem rum, está fechado. Vão dormir.

Querem que eu desça? Vão dormir.

Meu pai vem vindo. Rápido.

O que esse menino está aprontando?

Está dormindo?

Está dormindo.

- Nunca vai amar outra mulher? - Não, você sabe disso.

Uma outra mulher... Nunca.

É a sua vez.

- Estou na dúvida. - Mas não até amanhã.

Então, Capitão, estamos esperando.

Isso é importante. Eles têm 32.

- E nós, quanto temos? - 30.

- Vamos para 34. - É ganhar ou perder a partida.

É por isso que me pergunto se Panisse tem copas.

Se acompanhasse o jogo, saberia.

O jogo é em silêncio. É proibido falar.

Se fosse em um campeonato já estaria desclassificado.

Já joguei dez campeonatos e nunca vi naipes assim.

Você está perdido.

As injúrias da sua agonia não chegam ao vencedor.

Sim, mas e se Panisse tiver copas.

Quando se joga não se fala, nem "bom dia".

Não falei isso, estou pensando.

Pense em silêncio.

- E você, não faça sinais. - Eu? Fazendo sinais?

E só olhe para uma coisa, o seu próprio jogo.

- E você também! - Mais uma careta,

jogo as cartas para cima e volto para casa.

Não se incomode, eles estão fritos.

Eu conheço bem o jogo de manilhas

e não duvidaria um segundo

se tivesse certeza que Panisse tem copas.

Eles continuam dando sinais.

Cuide do Capitão, eu cuido do César.

Como assim? Me acusa de trapaceiro?

Eu, seu colega de infância? Obrigado.

- Ficou magoado? - Não, me deixou feliz.

Parece que sou um bandido.

Obrigado.

Acertou no coração, sabia?

Acertou no coração.

Bem no coração.

No coração.

E então? Paramos de jogar?

Ele me acertou no coração. E você? Não sentiu nada?

- Muito bem, copas. - Copas.

Acha que sou um imbecil?

Disse isso para ele entender que estou com copas.

Fique com todas as cartas.

Não jogo mais com gregos.

Desta vez ele ficou brigou para sempre.

Azar dele. Está errado.

Ele está errado por brigar e você por trapacear.

Se não se pode trapacear com os amigos

não vale a pena jogar cartas.

Bem. Vamos jogar para saber quem paga a conta.

Boa noite a todos.

- Boa noite, senhorita. - Boa noite.

- Já vai se deitar? - Não, vou à estação

levar minha mãe.

- Você é uma ótima menina. - Marius não está?

- O que quer dele? - É para ir à estação amanhã,

buscar minhas cestas.

Marius!

Venha aqui!

Pode me ajudar amanhã cedo?

É claro.

Até amanhã, Fanny.

Cuide para sua mãe não perder o trem.

Eu vou levá-la.

Boa noite a todos.

Boa noite, Fanny.

Ela é linda como uma flor. Não é verdade, Marius?

Sim, ela é muito bonita.

Se ela soubesse onde ele vai esta noite,

- ficaria chateada. - Por quê?

Porque ele vai ver a amante.

E é por isso que desconfio que nem pensa em casar.

Que malandro.

Está se vestindo para ir passar a noite

na casa de uma mulher.

- O dia é quarta-feira. - Como sabe?

Daqui a pouco ele vai sair e me dizer, "Boa noite, papai."

E eu respondo, "Vai dar uma volta?"

Ele vai dizer, "Vou ao cinema."

Ele vai dar a volta nessa ruazinha de trás.

Vai entrar pela janela do quarto dele

e fechar a porta por dentro.

Para que isso?

De manhã, se a porta está fechada

fico pensando que ele dorme.

Malandro!

Meu filho é inteligente.

Mas eu também sou.

Pronto. Embaralhe.

- Boa noite, papai. - Boa noite, filho.

- Vai dar uma volta? - Vou ao cinema.

- Tem dinheiro? - Tenho o necessário.

Bom.

- Não volte muito tarde. - Meia noite, uma hora.

Não mais tarde.

- Cuide-se. - Marius, cuide-se!

Ele vai dar a volta por trás.

Me diga, César...

César, me diga...

- Quem é essa amante? - Não sei.

Só falamos disso uma vez e não fiquei insistindo.

Ele já está crescido.

Mas desconfio que é mulher de um marinheiro.

Por quê?

Em primeiro lugar, ele passa a noite,

o que significa que o marido está for a.

Sim, claro.

32.

37.

37?

Segundo, é na Marinha que tem mais cornos.

40.

Como?

É na Marinha que há mais cornos. 40.

- Está com frio? - O que fez a ele?

Eu não fiz nada.

É porque eu disse que na Marinha...

Minhas desculpas, amigo.

Desculpas à Marinha ou ao corno?

- A ambos. - Desculpas não são suficientes.

Por favor, não fique assim.

Se você é corno, não é sua culpa.

Todos sabem. Não é nenhum mistério.

Mas Sobonne não sabia!

- Foi ele quem me contou. - Eu?

Se eu sou corno, não te interessa.

Mas te proíbo de insultar a Marinha francesa!

Nunca mais jogarei com você!

- Calma, escute... - Não quero escutar nada!

Volto amanhã de manhã para receber suas desculpas.

- Ora, Capitão... - Não insista.

Se quer desculpas, posso pedir agora mesmo.

Não, eu quero desculpas pensadas.

Quero que pense na gravidade do que disse.

Não seja, ainda por cima, idiota.

Nunca quis insultar a Marinha francesa.

Eu a admiro, a amo.

Que se dane se ama a Marinha francesa.

A Marinha francesa manda você à merda.

É você?

Eu ansiava por isso.

Me aperte!

Você me ama?

Sim, eu te amo. E você?

Eu? Como louca!

Só de pensar que você queria ir embora

para o país dos macacos verdes...

Era inexplicável.

Me conte...

- Não está mais pensando nisso? - Não.

Não como antes.

Meu delírio foi embora do jeito que apareceu.

Conte, Marius... Quando nos casaremos?

Quando você quiser.

Vou falar com meu pai e depots...

Vamos pedir à sua mãe.

Posso te explicar meu plano?

Que plano?

Nossa casa.

- Já tem um plano? - Já imaginei tudo.

Então conte.

Seu pai nos dará o quarto dele, que é maior que o seu.

Começou mal.

Ele nunca dará o quarto dele para você.

- Por quê? - Pense um pouco.

Minha mãe morreu nele.

Ele nunca mudou as coisas de lugar.

Azar, ficaremos com o seu.

Vou colocar um carpete azul.

E os móveis? Sabe como vou colocar?

Entre as duas janelas, colocarei a cômoda da minha tia.

Na frente da cômoda...

- O que foi? - Um navio passando.

Está apitando para evitar um encontrão.

Nossa, esse é grande!

E na frente da cômoda, o que vai colocar?

Nossa cama.

Marius não está aqui.

Se tem Fanny, tem Marius.

Quero falar com você.

Então fale.

Marius não esconde nada de mim.

Mas eu talvez esconda. Marius, venha.

Fale na minha frente ou vá embora.

Que seja.

Me desculpe.

Ficarei te esperando na frente do bar.

Quando você voltar, falaremos.

Tchau, apaixonados.

Isso é chato. Ele vai notar que não voltei para casa.

Diga que ele não te vi...

Ele vai contar para todo mundo, criar histórias.

É melhor eu falar com ele.

Então vá logo. Eu fico esperando.

- O que quer? - Tem um lugar no Malaisie.

Vamos, venha logo.

Chefe.

Eu não posso ir.

Arranjei um lugar para você e está recusando?

Não posso.

Há quatro meses está me enchendo que está louco para embarcar,

- e me larga na última hora? - Sinto muito.

Isso não é certo.

Na próxima, vou desconfiar dos marselheses.

Preciso de mais coragem para ficar

do que para ir embora.

Está perdendo uma ótima chance.

Parece que é por causa de uma mulher.

A garota que vende mariscos.

Picaram você tão forte assim?

Não tenho mais direito de ir embora.

- Por quê? - É um caso de consciência.

Vai se arrepender.

Nunca tanto quanto agora.

Aí está um que vai passar as noites chorando.

E onde encontrar alguém agora?

Espere!

Não procurem outro.

Espere.

Você disse que ele vai ficar chorando à noite.

Você tem certeza?

- Vai ser um infeliz. - Você viu, pense nisso.

- Quer acabar com a vida dele? - Cale-se.

Espere até amanhã para achar um substituto.

Talvez ele vá.

Mesmo se você deixar, agora ele vai se recusar.

Passe no bar amanhã de manhã.

Onde você estava? Fiquei com medo.

Aqui. Eu estava aqui.

- Sobre o que ele queria falar? - Nada.

Ele queria o dinheiro dele e eu dei.

Que horas são?

Onde ele está?

Já volto.

Caramba, está com pena da sua amante,

mas desde ontem às 20h00...

já teve tempo suficiente.

Mais uma vez obrigada, Sr. Amourdedieu.

Sempre que eu puder ajudar, conte comigo.

- Um bom dia, Honorine. - Bom dia.

- O que foi? - Você reconhece este cinto?

O que foi? Marius teve um acidente?

Bem que merecia, esse danado. Eles precisam se casar agora!

Sente-se, Honorine. Sente-se.

Não chore assim. O que foi?

Fui até Aix, como todas as quartas-feiras.

- Aix, todas as quartas-feiras? - Sim, ver minha irmã.

E em vez de voltar no trem das 22h como sempre,

voltei de carro com o Sr. Amourdedieu.

E então...

O que eles disseram?

Fiquei com vergonha.

Saí sem fazer barulho.

Marius, agora você exagerou.

O que você fez, meu garoto?

É um malcriado.

Ela tem 18 anos.

18 anos.

Vai acabar como a tia dela, a Zoé!

Não diga isso.

Vá, Honorine... Não chore, vamos consertar isso.

É bem melhor do que quebrar uma perna.

Quem acreditaria em uma coisa assim?

Essa menininha, que tinha pudor, que parecia criança.

Desde que ela não passe a fazer de graça

- daqui para a frente. - E você tem coragem de rir?

Não percebe que é terrível para mim?

Que estou nervosa? Que estou perdida?

É verdade, coitada.

O que ofereço a você?

Um mandarino-limão. Meu Deus.

Vamos lá. Vamos beber e examinar a situação.

Mas a situação é bem simples.

Assim que encontrar minha filha, vou parti-la em dois!

Não vai matá-la por isso.

- Com golpes de cassetete. - Ora, Honorine!

Me largue. Você não me conhece.

Chega, Honorine!

Acalme-se.

Sente-se aqui, minha linda. Sente.

Me dá isso aqui.

Iremos casá-los e em 15 dias não falaremos mais disso.

Ah, os filhos!

Os filhos são bons quando são pequenos.

O que quer? É a juventude. Tudo passa rápido.

É. Mas, mesmo assim...

É, coitada.

A juventude passa rápido

e não volta mais.

Sr. Marius!

- Está entrando pela janela. - Eu não quero vê-lo...

- porque vou arranhá-lo. - Não vai arranhar ninguém.

- Vai, vá embora. - Está vendo o estado

- em que estou? - Acalme suas emoções.

Eu lhe dei minha palavra.

Iremos casá-los em 15 dias.

Você está atrasada!

- Limpet a casa antes de vir. - Fez certo.

Mas o estande ficou fechado.

- Não sei o que me segura. - O que fiz de errado?

Eu voltei para casa hoje às 07h00.

Mamãe, eu te peço perdão.

Isso não tem perdão.

Não era mais simples casar antes?

Você fez isso por vício. Como minha irmã, por vício.

Poderia ter feito isso de forma honesta.

Ele queria te ver dormir?

Então diga a ele que agora se case e rápido.

- E não! Eu vou falar com ele... - Não, mamãe!

Pare, me solte!

Se ele não te pedir, não volte para casa.

Não será mais minha filha.

Vou me trancar aqui e morrer chorando.

E aquele ali, se aproveitando para nos roubar.

O que pretende?

- Onde está a vendedora? - Sou eu. O que quer?

- Acordou? - Que horas são?

- Passou das 09h00. - Fiquei lendo até tarde ontem.

Já te disse mil vezes que ler faz mal,

principalmente tão tarde.

- Não está com uma cara boa. - Você acha?

Deveria ler um livro que cansa. Eu quase fui te acordar.

Você não me chamou lá pelas 07h00?

Sim, eu chamei, mas você continuou dormindo.

- Se escutava o ronco daqui. - Isso é impossível.

- E por quê? - Eu nunca ronco.

Roncava tanto que os clientes começaram a rir.

Eu tentei, mas a porta estava fechada.

Devo ter fechado sem querer.

Sem querer... Tome o café. Os croissants estão quentes.

Vamos ao café da manhã.

- Suas calças estão caindo. - É?

Tive a impressão.

- Posso ter emagrecido. - É, você lê demais.

Continue assim e vai ficar magro como um palito.

E por que não põe um cinto?

Vou comprar um para mim.

E então?

Isso é tão simples.

Grande Marius, or a!

- Está com um bom apetite. - Estou, sim.

A leitura te matou?

Grande Marius, or a!

Me diga...

Sua velha amante,

aquela que você satisfaz, por piedade...

A suicida.

Ainda encontra com ela?

Claro que sim.

Não! Isso continua?

Continua sendo um companheiro terrível!

Por quê?

Por nada.

Grande Marius, or a!

Contou a ela que vai se casar?

Ainda não,

mas a deixei compreender que um dia desses...

Você não se explica bem, mas entende-se. Enfim...

Isso é muito correto com ela, mas não com a Fanny.

- Por que é menos correto? - Porque a deixou esperando.

Pretende casar com ela?

Sim. Eu já decidi.

E por que não contam aos pais?

É Fanny que está sem pressa.

Quando eu falo disso ela diz que temos tempo.

É estranho.

Me pergunto se ela não se arrepende

pelo Panisse.

Ela nem liga para aquele velho coitado.

- Então por quê? - É culpa sua.

- Minha culpa? - É.

Você ainda não conhece bem as mulheres,

então vou explicá-las para você.

As mulheres são fiéis e delicadas.

Podemos não dizer nada a elas,

mas veem tudo, compreendem tudo, adivinham tudo.

Ela compreende que você não tem pressa.

Por fidelidade ela te diz que vocês têm tempo.

Mas diga a ela que o casamento é para amanhã de manhã

e ela chegará à igreja antes do padre.

- Talvez você tenha razão. - Não é talvez.

Eu tenho razão.

Eu vou falar com ela.

Escute aqui...

Assim que a vir,

fale de forma séria.

Fale o quanto antes.

Lembre-se da Zoé que não era menos honesta que as outras.

Que relação tem isso

com essa história que eu sequer conheço?

Não sabe?

Zoé era uma jovem linda e provocante,

mas sem maldade.

Ela trabalhava na fábrica de fósforos.

Lembro dela passando aqui com um grande chapéu de palha.

Todos os homens olhavam. Tinha um charme especial.

Ela sorria para todos, mas era santa como uma imagem.

Mas um dia, se encantou por um marinheiro espanhol.

Ela acreditou que iam se casar, que ele não iria mais viajar.

E assim...

Deram-se um ao outro antes da hora.

E uma noite, ele foi embora.

- Ele a abandonou? - Sim.

Ele a abandonou.

E então a Zoé...

Coitada.

Quando um homem as trai,

elas perdem o gosto de outra forma.

Ela nunca mais conseguiu amar ninguém.

E se tornou filha das ruas.

E quando elas começam,

não têm mais nada a perder.

A honra é como um fósforo.

Só serve para uma vez.

Por que está me contando isso?

É para te dizer que Fanny não é para se divertir.

Entendeu?

Sim, entendi.

Eu não suspeito dela, não sei nada, nunca vi nada.

Mas se houve conversas entre vocês,

carícias,

precisam se casar o quanto antes.

Entendeu?

- Vou falar com ela. - Isso.

Fale com ela sobre isso.

E insista, o mais que puder.

Compreendeu?

Porque se quer saber o que penso,

o marinheiro da Zoé,

não era um homem.

E então?

Está pronto?

Não.

Já lhe disse ontem à noite, não posso.

- Encontrou um substituto? - Não.

Achei que você entenderia.

Foi um erro seu, principalmente ao me dizer isso.

Não, eu não vou. Não!

Não.

Se mudar de ideia, é só atravessar o cais.

Não vou mudar de ideia.

Vou mandar um cartão postal.

Por que me disse que ele iria? Agora me falta um homem.

Daqui a pouco ele vai estar lá.

Não me parece.

Mulheres...

Chame a sua mãe.

Precisamos conversar.

Está com muita pressa?

Se você me ama, não perca nem um momento.

Chame a sua mãe.

Você quer mesmo casar comigo?

O casamento é coisa séria.

É para a vida inteira.

Chame a sua mãe, por favor.

Tem certeza que me ama o suficiente?

Tem um barco no cais, à esquerda, você viu?

- É o Malaisie, eu sei. - Eu tenho um lugar nele.

Vieram me procurar.

Minha mala está pronta.

Se eu quisesse ir embora, era só atravessar o cais,

mas vou ficar.

Vou ficar com você.

Por quanto tempo?

Se você me ajudar, será para sempre.

Talvez, Marius.

Mas se casar comigo, nunca será feliz.

Você quer me dar o seu nome porque se sente responsável.

Mas você não é responsável. Não me pediu nada.

Fui eu quem procurou você.

Vá embora, Marius.

Siga o seu sonho.

Ele não envia você para mim.

Fanny, não fique me tentando.

É só você atravessar o cais.

Fanny...

Se você me ama,

me pegue em seus braços,

cubra meus olhos e me prenda com toda sua força.

Não sofra inutilmente.

Você ainda tem tempo.

Mas...

Infeliz...

O que será de você se eu for embora?

Não se incomode, eu já tenho uma saída.

Tem?

O que isso quer dizer?

Vai casar com Panisse?

Com ele ou com outro, o que isso importa?

Falou com ele sobre isso?

Falou? Quando?

Várias vezes.

Quando você contou que o recusou, estava mentindo?

Sabe, Marius, não é por mim.

As famílias têm interesses.

Não é só o amor que existe na vida.

Há coisas mais fortes que ele.

Enquanto eu lutava contra as minhas vontades...

Enquanto eu sofria em silêncio.

Eles combinavam as coisas entre eles?

- Aonde você vai? - Me solte.

- Vai embora? - Cada um com o que ama.

Você casa com o dinheiro do Panisse

e eu caso com o mar.

Eles dão a volta ao mundo e eu dou a volta na quadra.

Você vai ficar, Marius? Vai ficar?

Não consigo passar. Meu pai está na frente do bar.

Estão soltando as amarras.

Passe pela janela.

Faça como se tivesse um encontro amoroso.

Contorne a praça, vou distrair o seu pai.

Fanny...

Não, não diga mais nada.

Vá embora! Vá embora!

Marius, é você?

Diga ao meu pai que...

O quê?

O quê, menino?

Não, nada.

Nada.

Pronto.

Venha aqui, César.

Pronto. Eu já volto.

Como está rosada. Parece que chorou.

- Sim, pode ser. - Você chorou?

E então? Marius falou com você?

Estamos de acordo?

Que felicidade.

Bravo menino, brava Fanny!

Sabe há quanto tempo penso nesse casamento?

- Três meses? - Não, há 11 anos... Não!

Há 14 anos. Você era menor que um vaso de flores

e uma noite, neste bar, a mãe do Marius te pegou

te beijou e disse,

"Não é verdade, Fanny, que você será a mulher do Marius?"

No bar, todos riram, mas...

você não riu.

Você abriu seus grandee olhos negros

e disse, "Sim!"

E agora, chegou a hora.

César!

Marius está diante do Malaisie e quer falar com você.

Não é isso. Ele foi buscar minhas cestas na estação.

Fui eu que pedi.

Mas que história é essa?

São coisas que doem ver. Abra seus olhos.

Pare com isso, bobão. Já vi tudo faz tempo.

Venha, minha linda. Vamos ver o barco partir.

- E os clientes? - Eles esperam.

- Não. - Por quê?

Quero ficar aqui com você.

- Para falar do quê? - Coisas do nosso interesse.

Um apartamento, por exemplo. Vamos precisar um.

Vocês virão morar aqui comigo.

Não pensa que quero viver sozinho

como um animal velho.

E depots, sabe...

fico enchendo o Marius de vez em quando,

mas eu gosto muito dele.

É o meu filho.

Se eu ficar sem vê-lo por uns seis meses...

eu morreria.

Para o apartamento, o meu plano é o seguinte.

Já conhece o meu quarto?

Vou lhe mostrar.

Olhe a minha ideia, venha.

Venha, Fanny. Venha, minha linda.

Ficarão bem aqui.

Esta janela. Não imagina quanto é agradável pela manhã

se deixar acordar pelos raios do sol.

No verão, chegam até o pé da cama,

mas no inverno, de manhã, lá pelas 10h00,

chegam até o pêndulo.

O que acha deste quarto?

- É maior que o do Marius. - Isso.

Eu pensei que sou sozinho, não preciso de tanto espaço.

Ficarei com o quarto do Marius

e este aqui será de vocês.

Sim, vai ser mais fácil de colocar tudo.

Só tem uma coisa que vou te pedir.

É que deixe a cama onde ela está.

Foi aqui que ele nasceu...

E foi aqui que ela morreu.

- O Malaisie vai sair. - Boa viagem!

Que o Bom Deus cuide deles e os proteja.

Está vendo? Aquela porta ali?

Atrás tem uma pequena peça que não serve a nada.

Ali vamos colocar, se quiser, e isso será meu prazer,

uma cama pequena.

- Bem pequena. - Sim...

Minha pequena! O que foi?

O que foi, minha filhinha?

Fanny! Fanny!

Marius, ela está doente! Traga uma garrafa de rum!

Marius!

Onde ele está? Marius!

O mar.

Que está dançando.

Ao longo dos golfos claros.

Com reflexos de prata.

O mar.

Com reflexos mutantes.

Sob a chuva.

O mar.

Ao sol do verão.

Confunde suas ovelhas brancas.

Com anjos tão puros.

O mar.

Pastor do Azul.

Infinito.

Olhem.

Nas paragens.

Essas grandee roseiras molhadas.

Olhem.

Os pássaros brancos.

E essas casas apodrecidas.

O mar.

Cuidou deles.

Ao longo dos golfos claros.

E de uma canção de amor.

O mar.

Cuidou do meu coração.

Pela vida toda.

Art Subs 5 Anos fazendo Arte para você!

- Legendas - Durenkian.

- Revisão - Hirschen

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