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"N�O H� JUSTI�A. EXISTEM APENAS LIMITES." ALBERT CAMUS
Quando vai ser emitido? Ele poderia anunci�-lo hoje, certo?
Sim... � prov�vel que esteja esperando at� que os resultados anuais sejam anunciados.
Todo mundo vai estar l� e vai ser um pouco mais oficial ent�o.
O que voc� vai fazer com a oferta de Lambrechts?
Eles me ignoraram por anos.
Agora que eles est�o na merda, de repente me querem e acenam dinheiro para mim.
- Eu n�o sou esse tipo de pessoa. - N�o, voc� n�o � esse tipo de pessoa.
- N�o, voc� tem princ�pios. - Sim.
- Voc� � previs�vel tamb�m. - Continue.
- E uma pessoa decente. - E chato.
- Chato, Chato. - Chato e seriamente subestimado.
- Isso � verdade. - Maravilhoso, hein?
Estamos indo para casa, princesa.
- N�o. - Sim.
Voc� est� de olho no pr�ncipe herdeiro?
- Quando voc� vai contar a ele? - Vamos almo�ar amanh�.
- Vou perguntar a ele oficialmente ent�o. - Oh, certo.
- Foi fant�stico. - Obrigado.
- Mesmo. - Anna se divertiu muito.
- Sim. - Obrigado.
- Voc� se divertiu? - Sim.
- N�o est� muito cansada? - Nunca estou cansada.
- Nunca estou cansada. - Nunca cansada.
Ela est� dormindo.
Quer um pouco?
- Tome. - N�o.
Delicioso, n�o �?
- Vou buscar p�o. - OK.
Seu dinheiro, por favor.
Papai?
Papai?
O VEREDITO
Luc?
Ella
Ella
- Luc. - Quero... quero ver a Ella.
- Voc� tem... - O que?
Voc� esteve em coma por tr�s semanas.
Os m�dicos n�o sabiam quando voc� iria acordar. Ou mesmo se voc� ia acordar.
- N�o tivemos op��o. - Ella. Ella
N�s tivemos que seguir em frente com o funeral.
N�o havia c�meras na loja,
e n�o h� imagens utiliz�veis do CCTV do posto de gasolina.
No canto de uma temos a imagem de uma motocicleta se afastando,
mas a placa est� ileg�vel e n�o podemos dizer o tipo exato da moto.
Existem tantas pegadas e impress�es digitais na loja
que nenhuma � clara.
Eles n�o eram muito exigentes com a limpeza. E n�o temos nenhuma testemunha.
Exceto voc�, � claro.
Dada a arbitrariedade e brutalidade do que aconteceu,
� muito prov�vel que quem o fez seja conhecido por n�s. Quero dizer...
Esse tipo de viol�ncia raramente � um fato isolado. Isso n�o acontece de repente.
Algu�m assim provavelmente tem outros crimes violentos em seu nome.
E...
Kenny De Groot?
Shhh. Sil�ncio!
- Pol�cia Federal! - Pol�cia! Parado!
M�os para cima!
Bra�os afastados!
Uma esc�ria com uma longa hist�ria criminal.
Assalto, roubo, com�rcio, bens roubados, brigas de b�bados...
Um criminoso reincidente. V�rias entradas na pris�o.
Eu procuraria um bom advogado, se fosse voc�. Advogado criminal.
N�o � o meu ramo. Eu vou atr�s dos clientes que n�o pagam suas contas.
Eu leio contratos.
N�o se esque�a, pode parecer um caso simples, mas n�o �.
- N�o h� testemunhas diretas. - E eu que?
- Testemunhas imparciais. - Oh meu Deus!
O resultado final?
Roubo com homic�dio, com senten�a de pris�o perp�tua, ser� dif�cil.
Dif�cil? A bolsa dela foi deixada no ch�o em peda�os.
Essa � a quest�o. Tecnicamente s� pode ser roubo com assassinato
se o autor realmente roubou algo, e neste caso, ele n�o o fez.
Homic�dio � uma possibilidade, mas assalto seguido de morte � mais realista.
A pena m�xima � de dez anos. Eu n�o que se possa esperar uma senten�a reduzida,
ent�o h� uma boa chance de ele ficar atr�s das grades por pelo menos seis anos.
Seis anos?
Acho que sim.
E quanto a Anna?
Bom...
Tecnicamente falando, Anna foi... um acidente.
Um acidente?
Um acidente.
E n�o devemos subestimar nossos oponentes.
Voc�, por exemplo, j� se perguntou
como um suspeito, um simples mec�nico, como Kenny De Groot,
pode pagar uma ambiciosa e talentosa advogada como a Srta. Teugels?
Olhe, Sr. Segers. Com sua renda, sua renda declarada,
voc� mesmo tem que arcar com os custos legais.
Ao contr�rio de muitos criminosos quem, e isso n�o vai te surpreender,
n�o tem uma renda declarada e, portanto, recebem assist�ncia jur�dica.
E, ao contr�rio do que voc� pensa, advogados de assist�ncia jur�dica n�o fazem isso por amor,
nem s�o movidos por impar�vel idealismo irreprim�vel.
Eles enviam sua substanciais faturas ao Estado.
� por isso que nos casos que aparecem nos jornais, como o seu,
Os criminosos podem pagar uma advogada proeminente como a Sra. Teugels.
Isso soa muito c�nico, Sr. De Cock.
Eu diria realista. Pragm�tico.
Veja. Voc� est� me pagando para gui�-lo neste campo minado.
Ent�o � meu trabalho te dizer onde est�o as minas.
Sr. Segers. Luc.
Eu n�o vou dizer que sei como voc� se sente.
N�o sei e, para ser honesto, espero nunca saber.
Mas eu sei que conheci muitas pessoas em uma situa��o semelhante � sua.
E, por incr�vel que pare�a, muitos deles eventualmente seguem adiante.
Um julgamento tamb�m ajudar� voc� a chegar a um acordo com ele, dando um desfecho nisso.
A justi�a que est� procurando e voc� a ter�, eu prometo,
ir� ajud�-lo a encontrar a paz.
Caso contr�rio, n�o faz sentido deixar isso come�ar.
Obrigado.
Luc, por que voc� n�o vem ficar com a gente por um tempo?
De Groot? Venha comigo. Sua advogada est� aqui.
Tenho boas not�cias.
E, como Procurador-Geral, voc� concorda com este argumento?
Sim, � verdade. Obrigado por ligar.
Um erro de procedimento?
O que � exatamente um erro de procedimento?
Bem... a lei � complexa. Foram incorporadas todos os tipos de regras estritas
para evitar a pris�o ou deten��o arbitr�ria.
Essas regras existem por um bom motivo. Elas protegem os inocentes, � claro,
mas o culpado pode ocasionalmente us�-las tamb�m, e isso � o que aconteceu agora.
O homem matou minha esposa. Ele foi preso e est� atr�s das grades.
- O que procedimento tem a ver com isso? - Bem, esse � o problema.
O pedido do Minist�rio P�blico para que o juiz de instru��o investigue
o suspeito de um caso criminal,
neste caso, para que Kenny De Groot possa ser preso pelo que aconteceu � sua esposa.
O assassinato da minha esposa, voc� quer dizer. Sim, sim.
O assassinato de sua esposa. Bem, esse documento n�o foi assinado pelo Minist�rio P�blico.
Esquecimento, distra��o, quem sabe?
De qualquer maneira, n�o havia nenhuma assinatura nele.
Sim, e?
Bem, se o pedido de uma investiga��o n�o foi assinado,
o referido documento n�o tem validade jur�dica.
Ent�o, fatos ou investiga��es como resultado desse documento n�o s�o legais.
Droga, ou�a a si mesmo!
Que tipo de merda te�rica � essa?
E ningu�m havia notado at� agora?
Bem, a realidade � que os ju�zes est�o afogados na papelada
e ent�o apenas leem os documentos que s�o relevantes para eles.
A �nica pessoa que l� um arquivo inteiro em detalhes � o advogado da parte,
e o Sr. De Groot tem um dos bons.
E agora?
O erro cometido � considerado pelos legisladores como sendo t�o fundamental
que todos os fatos derivados dele devem ser declarados nulos.
Uma assinatura est� faltando em um pequeno peda�o de papel. E da�?
Os ju�zes recomendaram que o suspeito seja libertado.
O que?
Hoje � tarde. �s 17 h.
Sinto muito.
Seguindo as instru��es dos ju�zes, o suspeito foi liberado �s 17 horas de hoje.
N�o houve rea��o do Promotor p�blico.
mas o advogado do suspeito, deu uma breve declara��o.
As leis e procedimentos devem ser respeitados.
Em primeiro lugar pelos respons�veis por sua aplica��o.
Estas regras garantem a a correta administra��o da justi�a.
E estas regras n�o s�o flex�veis nem negoci�veis.
Imagino que muitas pessoas em casa est�o se perguntando como isso pode acontecer.
Sim, e � compreens�vel.
N�o � a primeira vez que algu�m � posto em liberdade,
ou mesmo considerado inocente devido a um erro de procedimento.
Mas isso � particularmente perturbador,
j� que se deve essencialmente a falta de uma assinatura em um documento.
O suspeito j� foi liberado definitivamente?
A express�o legal � que a a��o penal foi arquivada.
O Minist�rio P�blico ainda pode instaurar a a��o,
mas se as evid�ncias coletadas no momento da pris�o s�o declaradas inv�lidas
ent�o a a��o se torna um problema.
Houve alguma rea��o do Ministro de Justi�a?
Sim, e j� ouvimos isso antes.
N�o posso comentar sobre este caso espec�fico, � claro.
H� uma separa��o de poderes neste pa�s.
Mas entendo a indigna��o da opini�o p�blica.
S� posso repetir que meu departamento tem estado ocupado informatizando o...
UMA SEMANA DEPOIS
- Tudo bem? - Sim.
- N�o. Desculpe. Quero dizer... - Eu sei o que voc� quer dizer. Obrigado.
Todos lamentam muito, Luc.
Mas eles n�o sabem como falar com voc�, o que dizer.
�s vezes eu n�o sei o que dizer tamb�m, ent�o n�o posso culp�-los.
Estou feliz que voc� tenha vindo. As pessoas t�m perguntado por voc�.
Queridos amigos...
Nossa empresa pode, certamente, num dia como hoje,
olhar para o passado com satisfa��o.
Mas �, acima de tudo, o trabalho de uma empresa e do seu CEO
olhar para o futuro.
E, para melhor preparar a Puype Logistic para os desafios
que dever�o ser encontrados nos anos, nas d�cadas que vir�o.
agora � a hora desse velho soldado
se afastar,
e, com a m�xima confian�a, passar o controle para um homem mais jovem,
um homem com experiencia, apetite, vis�o, talento
e, acima de tudo, retid�o.
Caros amigos, tenho um grande prazer de apresent�-los ao nosso novo CEO...
Wim De Vos!
Obrigado.
- Posso? - Claro.
- Luc, espero... - Voc� � o homem certo para o trabalho.
Se eu fosse Karel, teria feito a mesma escolha dadas as circunst�ncias.
Obrigado. Isso significa muito para mim, realmente.
Eu s� queria dizer que a empresa tem muito que agradecer a voc�.
e teremos que ter uma conversa sobre o modo como voc� v� as coisas.
H� um grande trabalho a caminho em Dubai e agora voc�...
- Como devo dizer? - Agora n�o tenho mais nenhum v�nculo.
Sim. N�o, n�o. Eu n�o quis dizer isso, mas...
Talvez uma mudan�a de local fizesse bem a voc�. Uma mudan�a de ares.
Vou pensar sobre isso. Mas eu n�o acho que v� faz�-lo.
Eu sinto, como posso dizer, que ainda n�o terminei aqui.
Est� bem.
Eu estou sempre aqui, se voc� precisar de qualquer coisa.
Est� certo.
Bem... at� logo.
REPARA��O DE AUTOM�VEIS DE GROOT
REPARO DE AUTOM�VEIS.
Karel disse que voc� n�o tem respondido seu celular por dias.
Est� tudo bem, Luc?
� a segunda vez que voc� me faz essa pergunta. Continua sendo uma pergunta est�pida.
N�o, nem tudo est� bem. Eu queria que estivesse, mas n�o � assim. Obrigado.
- Onde voc� foi ontem? - Trabalhar.
N�o. Voc� n�o foi trabalhar ontem. Nem no dia anterior.
E quando voc� est� l�, � como se voc� n�o estivesse.
- Ah, sim? - Todo mundo est� preocupado.
E isso me inclui.
Voc� tamb�m n�o estava em casa.
Voc� me seguiu?
N�o. Eu estava esperando na sua porta. Esperei muito tempo.
Karel sabe que voc� me segue?
Voc� n�o deveria estar com as outras esposas dos capit�es da ind�stria,
fazendo trabalho de caridade? Como almo�os pela �frica ou algo assim?
Voc� n�o vai fazer algo est�pido, vai?
O que voc� quer dizer com algo est�pido?
Juntar-se a minha esposa e a minha filha? Sim.
N�o h� um �nico segundo no dia que n�o pense nisso.
Eu adorme�o com o cora��o partido, Eu acordo com o cora��o partido.
Algumas pessoas me evitam porque pensam que a dor � contagiosa, ou algo parecido.
Ou porque eles acham que � hora de parar, e continuar a vida.
O tempo cura todas as feridas, certo? E eu ainda tenho muito pelo que viver.
Isso � verdade, n�o?
Quando eu pergunto a eles o que,
eles olham para mim como se dissessem: "Voc� n�o deveria perguntar isso."
"Estamos apenas fazendo um esfor�o sendo gentis". Est� bem. Obrigado.
Mas n�o funciona assim, Louise.
Talvez sim se o seu av� de 91 morresse pacificamente em seu sono.
Mas n�o se o assassino de sua esposa ainda est� � solta porque algum palha�o...
esqueceu de assinar um peda�o de papel.
Ent�o n�o funciona.
Eu n�o posso esperar que voc� entenda o que eu quero dizer. Ningu�m entende.
Estou bem no meio disso e eu tamb�m n�o entendo.
Ent�o, em resumo, nada est� bem.
Desculpe.
Desculpe, Louise. Sinto muito.
As cifras apresentadas na assembleia anual foram certamente positivas.
RISOS LIBERADOS
34 CASOS POSSIVELMENTE AFETADOS POR ERRO DE PROCEDIMENTO
DEZ CRIMINOSOS PERIGOSOS DEIXAM A PRIS�O
REPARO DE AUTOM�VEIS
Visitantes estrangeiros passeiam na Abadia de Westminster por Ernest Maples,
e param no t�mulo de um advogado muito famoso.
E um diz: "Olha aqui est� um grande advogado e um homem honesto."
E um visitante pergunta: 'Eles enterram duas pessoas em um t�mulo em seu pa�s? '
Obrigado.
Senhores... temos um problema.
Sim.
Puta merda.
Puta merda.
Tenho que consultar o Procurador-Geral, mas suponho que ele n�o vai querer confus�o.
Talvez, estou dizendo que talvez, possamos ir por homic�dio culposo.
De jeito nenhum. Assassinato.
Um tribunal com um j�ri de meus pares. Porque eu quero um esc�ndalo.
Eu cuidei de De Groot, agora � a vez do sistema.
Acabamos de ouvir que o o autor n�o resistiu � pris�o.
Foi formalmente identificado como Luc Segers.
A esposa dele foi morta pela v�tima m�s passado, lembra, Stef?
Durante um frustrado roubo a uma loja.
A filha dele tamb�m morreu tragicamente, ao mesmo tempo.
E Kenny De Groot foi posto em liberdade devido a um erro de procedimento.
Ningu�m comentou. nem o Minist�rio P�blico,
nem o Ministro da Justi�a da Na��o.
Algu�m tem alguma sugest�o sobre o que devo dizer para a m�dia?
- Bem? - Eu seria o mais neutro poss�vel.
Claro. E dizer que h� separa��o de poderes?
E que tenho plena confian�a em nosso sistema judicial?
A esposa e a filha do cara foram mortas pelo lixo que voc� libertou.
Esse tipo de coment�rio � totalmente desnecess�rio, Ministro.
Mesmo a portas fechadas. Voc� deveria saber disso.
Trata-se de um homem que matou outro homem.
E isso � tudo que importa. Todo o resto � apenas pol�tica e baboseira.
Eu n�o fui eleito. Eu nunca digo baboseiras.
N�o do nosso estado constitucional, por certo, que � o �nico que eu quero viver.
Se nosso estado constitucional � imperfeito, Ministro,
isso significa que a democracia � imperfeita.
Mas de todos os sistemas que temos testado, parece ser o menos ruim.
Ent�o � isso, ou abrir as portas para os b�rbaros.
Luc Segers ser� julgado pelo que fez, porque assim deve ser.
Honestamente, Jacques. Acorde e sinta o cheiro do caf�.
Voc� realmente acha que vai encontrar um j�ri que ir� condenar o homem?
Voc� viu os coment�rios nos f�runs de jornais? Isso � s� o come�o.
N�o. E eu n�o tenho que l�-los. N�o faz parte do meu trabalho.
Al�m disso, j� passamos por coisa muito pior, certo?
300.000 pessoas em uma manifesta��o, lembra? A Marcha Branca.
O Grande Protesto P�blico. A Revolu��o Popular.
Onde eles est�o agora? O partido pol�tico perdeu e restam apenas 300.
As pessoas est�o descontentes de qualquer forma.
Com os fundos p�blicos pagos para manter a fam�lia real.
Pelos pa�ses dos Balc�s votando entre si no Eurovision Song Contest.
Pelo absurdo valor da arte moderna, pelo amor de Deus!
Contanto que eles possam estar com raiva, n�o importa por qu�.
Mas tudo bem, deixe-os ficar com raiva.
Os c�es latem, mas a caravana continua. Porque a caravana n�o tem outra escolha.
Bom dia, senhoras e senhores.
O Ministro far� uma breve declara��o mas n�o vai responder a perguntas.
Repito, o ministro far� uma declara��o,
mas n�o haver� perguntas.
Bom dia.
Como ser humano e como pai, me parecem lament�veis os acontecimentos de ontem.
Mas quero deixar uma coisa bem clara, ningu�m neste pa�s est� acima da lei
A lei e sua aplica��o � o que se interp�e entre a ordem e o caos.
E o caos n�o � uma op��o. Por isso � que temos uma divis�o de poderes.
Eu confio que nosso sistema judicial tratar� este delicado caso corretamente.
- N�o, n�o. Sem perguntas.
Lamento profundamente os acontecimentos de ontem...
Meu cliente tem um endere�o fixo.
N�o h� perigo que fa�a de novo ou fuja.
O Sr. Segers tamb�m expressou seu desejo de comparecer perante um j�ri de seus pares.
Pe�o ao tribunal que lhe conceda uma fian�a para permitir que ele se prepare para o julgamento.
Dados todos os argumentos apresentados e a grande como��o em torno deste caso,
o suspeito permanecer� sob cust�dia.
Ou�a, Walter.
Cabe a n�s brilhar como um diamante em uma pilha de esterco. OK?
Conto com voc�. Eu quero zero,
repito, zero erros, descuido ou pontas soltas
isso vai explodir na nossa cara dentro do ano. Est� certo?
N�o vamos deixar o Estado constitucional cair no rid�culo.
O Estado constitucional n�o pode permitir isso, portanto, n�s tamb�m n�o podemos.
Voc� � o juiz de instru��o. Voc� entende?
- Sim, senhor. - Bom.
Ouvi dizer que voc� se inscreveu para se tornar um juiz.
- Sim. - Voc� n�o pode passar toda a sua carreira
como juiz de instru��o, certo?
Providenciarei que voc� tenha os resultados do inqu�rito o mais r�pido poss�vel.
Bom. Eu vou estar esperando por voc�. E n�o esque�a de dar meus cumprimentos
- para sua ador�vel esposa. - Certo.
� tudo bastante simples, na verdade.
A arma foi encontrada no local com as digitais do agressor.
O motivo � muito claro neste caso.
De acordo com o que dizem os moradores locais, ele estava planejando por um tempo.
Premedita��o. O que � conhecido como um caso aberto e fechado.
O que v�o fazer?
O que voc� quer dizer?
Voc� n�o l� os jornais? Esse cara � um her�i.
Voc� pensa o mesmo?
N�o. N�o. Mas eu posso entender que os outros pensem assim.
Nunca deveriam ter deixado De Groot solto, em primeiro lugar.
Veja, Alain. N�o se trata de escolhas.
Se Segers sair livre, podemos esquecer o estado de direito,
E estaremos de volta ao Faroeste.
Nunca estive do lado dos cowboys, Walter. Sempre dos �ndios.
Claro. Os �ndios perderam no final.
N�o posso te desejar boa sorte, voc� sabe.
Apenas integridade.
O que me intriga, e isso � para Sr. De Cock, o advogado,
qualquer pai ou m�e cujo filho tenha sido ferido diz que vai pegar o homem ou a mulher.
Mas este homem o fez. O que faz o Sr. Segers ser diferente destas pessoas?
Os outros eram protegidos pela lei, em maior ou menor grau.
O Sr. Segers ficou vergonhosamente decepcionado com o nosso sistema de justi�a.
Ent�o, pode-se dizer que devemos dar cr�dito ao Sr. Segers
por expor as debilidades de nosso sistema judicial?
Posso assegurar-lhes que,
o Sr. Segers teria preferido dar este prazer a algum outro.
Aproveite.
Sr. Segers, se houver alguma coisa... se eu puder fazer algo por voc�...
Obrigado.
OFICINA DE AUTOM�VEIS
OFICINA DE KENNY GROOT DESTRU�DA PELAS CHAMAS
E se ficar ainda mais fora de controle?
Pelo que eu sei, a v�tima s� trabalhava em uma oficina.
N�o acho que mais dez casas ser�o incendiadas.
O que devemos fazer? Sobre o inc�ndio?
O que podemos fazer? Seguir os procedimentos, deixar que a pol�cia fa�a o seu trabalho.
Ou uma oficina incendiada tamb�m � uma falha do sistema judicial?
N�o. Nossa prioridade � clara, parece-me, Walter.
E esta prioridade � Luc Segers.
Um homem foi assassinado e sabemos quem fez isso.
Sempre o jogo mais chato de Cluedo. Que simples
Pediremos 30 anos, n�o perp�tua. Devido a circunst�ncias atenuantes.
E Luc Segers deveria se ajoelhar e nos agradecer.
Bem.
Luc Segers colocou uma bomba para o sistema.
E vamos desativar esta bomba.
Duas op��es. A primeira � a mais segura contanto que o tribunal siga nosso exemplo.
Eu reivindico provoca��o. Ent�o, voc� arrisca no m�ximo cinco anos.
Menos circunst�ncias atenuantes. Menos tempo sob cust�dia
e menos o b�nus de Natal do rei. Voc� estar� em casa em menos de 2 anos.
Por que voc� acha que o j�ri vai concordar?
Porque todos ganham. N�o podem permitir uma absolvi��o, � claro.
Isso seria uma vergonha e uma amea�a de morte ao Estado de Direito.
Por outro lado, eles n�o querem inflamar � opini�o p�blica dando o m�ximo.
A Provoca��o oferece a elegante solu��o para consider�-lo culpado,
sem um castigo muito forte. Todos ganham.
E se eu n�o quiser que todos ganhem? E se eu quiser que eles percam?
Essa � a op��o dois. Artigo 71, Impulso irresist�vel. Arriscado.
Por que?
� apelado quase exclusivamente nos casos de crimes passionais.
Marido decente, trabalhador,
que descobre que sua esposa o trai com o vizinho.
E ela diz a ele com um sorriso zombeteiro que vai deix�-lo,
e vai levar as crian�as, a poupan�a e a TV de plasma.
N�o necessariamente nesta ordem.
Uma n�voa vermelha desce sobre os decentes olhos do marido, ele pega uma faca
e faz 37 furos na bruxa ad�ltera. Artigo 71.
O tipo de caso de um advogado inteligente pode vencer enquanto cutuca seu nariz. Mas...
o impulso irresist�vel � algo moment�neo. Um flash.
E isso � dif�cil de conciliar com a premedita��o, o planejamento.
Dif�cil ou imposs�vel?
Luc, estou supondo que o j�ri vai querer ajud�-lo.
Mas voc� tem que tornar isso poss�vel para eles. D� a eles um �libi.
E a provoca��o � o �libi perfeito.
Isso n�o � bom o suficiente. N�o se eu perder...
N�o � bom o suficiente. Quero ganhar.
Ganhar.
Luc, como se advogado, tenho que lhe dizer
que voc� encontrar� forte oposi��o no tribunal.
O artigo 71 � uma op��o dif�cil, mesmo com um j�ri solid�rio.
Se eles te considerarem culpado, voc� arrisca sua vida.
Este � um risco que voc� deseja correr?
Sim, este � um risco que eu quero correr.
DEZ MESES DEPOIS
O j�ri foi selecionado no final da semana passada.
O julgamento de Luc Segers come�a amanh�.
Seria correto descrev�-lo como um julgamento hist�rico?
Voc� sempre tem que ser cuidadoso com palavras como "hist�rico".
Mas acho que este � um caso hist�rico, na hist�ria do direito belga.
O sistema judicial est� de novo sob consider�vel tens�o, hein?
Nem sempre foi assim, para ser honesto.
O sistema judicial �s vezes falha, e erros de procedimento s�o cometidos,
com consequ�ncias de longo alcance, que minam a confian�a no sistema.
Mas tamb�m h� julgamento. E neste julgamento as evid�ncias s�o claras
Cabe ao Tribunal de Justi�a administrar a justi�a.
Temos o resultado da pesquisa de opini�o. O que o p�blico belga est� dizendo?
71% acham que Luc Segers deve ser absolvido,
E 24% dizem que ele � culpado. Ent�o... O que voc� acha disso?
Muitas pessoas gritando a mesma coisa em voz alta n�o significa que estejam certos.
Fant�stico. Estaremos de volta ap�s o intervalo.
Depois do intervalo, n�s temos o mais antigo...
Deixem o acusado passar.
D�A 1
Sra. De Meuter, voc� mora na casa na frente da oficina de Kenny De Groot?
Sim senhor. Quando eu olho pela minha janela eu posso ver tudo o que acontece l�.
N�o que eu fa�a. Isso seria... Eu tenho outras coisas pra fazer.
Voc� observou o acusado, Luc Segers, nas proximidades da oficina?
Sim. Quando fui � quitanda, eu sempre vou na da esquina.
porque tem verduras frescas, e eu vi o cavalheiro.
Ele estava sentado em seu carro. Apenas sentado l�. Olhando.
Quantas vezes voc� o viu l�?
Tr�s ou quatro vezes.
Eu o notei porque ele estava em um carro muito vistoso.
Eu disse a mim mesmo que esperava que ele ficasse nele, sen�o...
Naquela vizinhan�a...
Quando foi a �ltima vez que voc� o viu, Sra. De Meuter?
Bem, foi no dia... do assassinato.
Eu ouvi alguns estampidos muito altos e me aproximei da janela,
e eu vi o Sr. Segers sair e sentar-se na cal�ada.
Eu pensei: "Por que ele sentou-se na cal�ada?"
Sra. De Meuter, qu�o bem voc� conhece Kenny De Groot?
N�o muito bem. O homem n�o tinha muito a ver com os habitantes locais.
- Mas voc� conversava com ele? - Na verdade n�o. Para ser honesta eu...
Para ser honesta, eu tinha medo dele. E n�o s� eu.
- Toda a vizinhan�a tinha medo dele. - Por qu�?
Como dizer?
Ele tinha uma reputa��o.
Que tipo de reputa��o?
Sr. De Cock, eu permiti que voc� questionasse � testemunha no in�cio do julgamento.
Eu gostaria de lembr�-lo que este � um privil�gio que posso retirar.
- Tem alguma pergunta mais espec�fica? - Sem mais perguntas. Obrigado.
- Srta. Teugels? - Sim.
Sra. De Meuter, voc� j� teve uma alterca��o com o Sr. De Groot?
N�o.
- Alguma vez ele a amea�ou fisicamente? - N�o.
- Ele amea�ou voc� verbalmente? - N�o.
Gritou com voc�? A insultou? Olhou para voc� de forma amea�adora?
- N�o. - Ent�o, posso aconselh�-la, senhora,
n�o julgue as pessoas com base em boatos e fofocas.
Srta. Teugels, � o suficiente.
Portanto, n�o h� d�vida poss�vel?
N�o. O r�u confessou e as evid�ncias na cena o confirmaram.
Bem. Obrigado. Sem mais perguntas, Merit�ssimo.
Sr. De Cock, suponho que a defesa tenha algumas perguntas
Obrigado.
Voc� foi um dos primeiros a chegar na cena do crime ap�s o assassinato,
- na oficina de De Groot, correto? - Sim.
Onde estava o acusado, Sr. Segers, neste momento?
O Sr. Segers estava na Van da pol�cia, algemado e vigiado por dois policiais.
O que voc� fez em seguida?
Eu fui at� ele. N�s nos conhecemos. J� t�nhamos nos encontrado antes.
Voc� pode nos contar sobre as circunst�ncias
em que voc� se reuniu com o Sr. Segers pela primeira vez?
Eu conheci o Sr. Segers durante a investiga��o do assassinato de sua esposa.
Sr. Vercauteren, sua escolha de palavras � altamente carregada e tendenciosa.
Devo pedir-lhe para usar a qualifica��o jur�dica
que foi aplicada na �poca, ou seja,
les�o corporal grave sem inten��o de matar, mas que levaram � morte.
Pe�o desculpas. Me enganei.
Inicialmente, se tratava de uma investiga��o de assassinato. Da� minha confus�o.
Obrigado, Merit�ssimo, pela... corre��o.
Ent�o voc� conhecia o acusado.
Como voc� descreveria o homem que viu na oficina de Kenny De Groot naquele dia?
Ele parecia meio distante. Como se houvesse uma esp�cie de n�voa sobre seus olhos.
Era como se ele estivesse fora de si. Mas n�o por causa de bebida ou drogas.
E quando ele me viu foi como se ele ...
- estivesse despertando. - Sr. De Cock, por favor.
O Sr. Vercauteren n�o � psiquiatra ent�o n�o � competente.
Mas eu passei mais tempo com Sr. Segers do que seu psiquiatra.
Sr. Vercauteren, por favor, atenha-se a responder �s perguntas.
Sim, estou tentando, mas continuo sendo interrompido.
Obrigado. Sem mais perguntas.
� um julgamento que se apoderou do p�blico em geral,
e tamb�m est� sendo seguido de perto pela m�dia e o mundo da pol�tica.
- Retorno a voc�. - Obrigado.
Voc�, � claro, estar� seguindo o julgamento Segers conosco
O julgamento do bom assassino.
Bom assassino? Eles n�o conhecem a B�blia.
Aqui no est�dio conosco, nosso especialista jur�dico Faroek �zg�nes.
Faroek, acho que podemos dizer com garantia de que, qualquer que seja o veredito,
este julgamento, sem d�vidas, vai deixar marcas profundas.
Com certeza, porque de fato, h� um julgamento paralelo ao mesmo tempo.
Um julgamento nos bastidores do sistema judicial.
O poder judici�rio est� intoc�vel em sua torre de marfim h� anos.
Mas agora est� sob press�o crescente da opini�o p�blica.
A advocacia e o judici�rio ter�o que pensar seriamente sobre isso.
Obrigado. Estamos esperando a rea��o do Ministro da Justi�a...
Claro. Eu me perguntei quando isso viria. Os bastardos.
Ele n�o deseja fazer coment�rios no momento.
Um �nico especialista n�o � muito, n�o �?
Normalmente n�o seria, mas neste caso o especialista �
� um �libi que estamos oferecendo ao j�ri.
para que eles possam converter racionalmente a simpatia deles por voc�,
em um veredito de inocente.
Se assumirmos que eles querem absolv�-lo, isso � motiva��o suficiente.
- Posso fazer mais alguma coisa? - Na verdade n�o. Apenas esteja l� amanh�.
Bem.
DIA 2
Obrigado.
O Tribunal, de p�.
Bom dia a todos. Podem trazer o acusado.
Ent�o, Professor, o r�u estava em perfeito ju�zo, na sua opini�o profissional?
- Certamente. - Significa que estava plenamente consciente
de tudo o que fez? - Correto.
Obrigado. Sem mais perguntas, Merit�ssimo.
Sr. De Cock, suponho que tenha algumas perguntas.
Sim, merit�ssimo.
Professor De Bats, voc� acabou de descrever o Sr. Segers como, e cito,
um homem normal e inteligente que passou por um trauma emocional.
Um trauma emocional soa bastante s�rio.
Existem muitas formas de trauma, de trauma emocional.
No caso do Sr. Segers, est� na forma de pesar severo com caracter�sticas traum�ticas.
Um choque causado pela viol�ncia ele mesmo experimentou
e uma incapacidade de aceitar os eventos.
N�o vou subestimar nada disso,
mas tanto as evid�ncias quanto meus exames mostraram claramente
que o Sr. Segers, que est� acima da intelig�ncia m�dia, est� em seu ju�zo perfeito.
Em outras palavras, � respons�vel pelos seus atos.
Em cem por cento?
A psicologia n�o � matem�tica. N�o � uma ci�ncia exata.
- N�o oferecemos garantias. - Ent�o, n�o cem por cento?
Sr. De Cock, o Professor De Bats j� respondeu sua pergunta.
Se voc� tiver mais perguntas...
Professor De Bats, ou devo dizer, professor em�rito?
Porque voc� foi aposentado por um tempo, ou estou enganado?
- N�o vejo... - H� quanto tempo n�o est� ativo?
A aposentadoria para um professor provavelmente � bem diferente,
do que para pessoas em sua profiss�o. - Sem mais perguntas, Merit�ssimo.
Existem numerosos casos na literatura m�dica
de soldados em situa��es de exaust�o extrema e luta amarga,
mas tamb�m de pessoas comuns que sofrem
um trauma psicol�gico causado por viol�ncia brutal,
que experimentam uma consci�ncia restrita por um longo per�odo de tempo.
O corpo, ao sofrer dores f�sicas, se desconecta parcial ou completamente.
A Inconsci�ncia � o exemplo mais espec�fico.
A mesma coisa acontece com a mente. O sofrimento psicol�gico pode causar o desligamento do sistema.
A pessoa em quest�o ainda parece funcionar,
mas est� apenas parcialmente consciente ou totalmente inconsciente do que est� fazendo.
Na sua opini�o profissional, sua opini�o profissional ativa,
O Sr. Segers representa um perigo permanente para a sociedade?
N�o, seu trauma foi eliminado, por assim dizer.
A dor, ao aceitar o que aconteceu, continua em um processo longo e dif�cil,
talvez infinito, mas n�o � um perigo para a sociedade.
Voc� est� familiarizado com o artigo 71 do C�digo Penal Belga?
Refere-se ao impulso irresist�vel. Para ser mais espec�fico,
este artigo se aplica ao Sr. Segers, na sua opini�o?
Na minha opini�o... sim.
Obrigado. Sem mais perguntas, Merit�ssimo.
Eu suspeito que a outra parte deseja responder a isso.
- Srta. Teugels? - N�o, obrigada. Merit�ssimo.
- Procurador Geral? - Sim. Obrigado, Merit�ssimo.
Eu ouvi com muita aten��o o Sr. De Weers,
e sua teoria me parece muito fascinante. Eu gostaria de ler mais sobre isso.
Voc� pode recomendar alguma publica��o cient�fica que apoia seu ponto de vista?
Ou colegas professores da mesma opini�o, que podem explicar isso melhor?
A psicologia � uma �rea que est� mudando constantemente,
e nunca pode haver unanimidade, claro, mas...
Eu perguntei se existem, Sr. De Weers. Sim ou n�o ser� o suficiente.
- N�o especificamente, mas... - Obrigado. Sem mais perguntas.
Estamos suspendendo para o almo�o, retomaremos �s 14h.
- Podem levar o acusado. - O Tribunal de p�.
� uma Walther P5 de 9 mm. Uma arma alem�. N�o pode ser obtida sem uma licen�a.
Era a arma padr�o da pol�cia holandesa de 1979 a 2013.
Tamb�m � muito popular entre Criminosos do Leste Europeu.
Devida a sua precis�o e,
apesar de seu grande calibre, � muito pequena e f�cil de manejar.
Sr. Lachaert, mais uma pergunta.
Voc� se referiu a uma pistola como f�cil de usar. O que voc� quis dizer?
O que eu disse, � que � f�cil de manusear.
Certo. Mas sou um leigo total, Voc� poderia ser mais espec�fico?
Por exemplo, n�o tem trava de seguran�a, nem muito recuo.
� semiautom�tica, ent�o voc� n�o precisa recarregar ap�s cada tiro.
Pode continuar disparando at� que o carregador esteja vazio.
E foi esse o caso. O carregador estava vazio.
Sim. O carregador aloja oito balas e todos as oito foram disparadas.
Na sua opini�o de especialista, esses tiros foram direcionados?
O que voc� quer dizer?
Quero dizer, havia buracos de bala em toda parte. Na parede, no espelho.
Da� minha pergunta. Esses tiros foram dirigidos?
Direcionados ou n�o, n�o faz diferen�a de t�o perto.
Repito, esses tiros foram direcionados?
Todos os disparos s�o direcionados. Mesmo que a pontaria �s vezes seja ruim.
N�o tenho mais perguntas, Merit�ssimo.
O Sr. De Groot foi atingido por v�rias balas no espa�o de alguns segundos.
Um na bochecha. Um no ombro direito.
Dois na �rea do est�mago. Estes resultaram em hemorragias internas graves.
E a bala que causou sua morte em quest�o de minutos,
foi a que entrou em seu corpo logo abaixo de seu cora��o,
rasgou sua aorta e saiu de seu corpo pelas costas.
Voc� pode nos dizer a dist�ncia de onde a v�tima foi baleada?
Eu diria que a dist�ncia de tiro
variou entre no m�ximo dois metros para as primeiras balas disparadas
a uns 40 cm para a �ltima. - Obrigado, Sr. Tuypens. Srta. Teugels?
Merit�ssimo, posso pedir ao oficial que me d� a arma em quest�o?
Obrigado. Voc� disse 40 cm, n�o �?
Essa � aproximadamente a dist�ncia.
Srta. Teugels, n�o estamos na Am�rica. Mostre alguma modera��o, por favor.
Sem mais perguntas, Merit�ssimo.
Como de costume, os psiquiatras discordaram.
Se fosse um jogo de futebol, eu diria que estamos um a um. S� temos...
N�o � ruim. Amanh� vamos para a prorroga��o.
O que voc� acha?
O m�dico e as fotos tiveram um impacto consider�vel.
Para ser honesto, elas tamb�m me perturbaram, e j� as tinha visto antes.
E agora as not�cias do exterior ...
DIA 3
Sr. Puype, quanto tempo faz que conhece o acusado?
H� mais de vinte anos.
Ele trabalhou na minha empresa nas f�rias como estudante. Isso chamou minha aten��o, ent�o.
- Chamou sua aten��o de que forma? - Da maneira mais positiva.
Um trabalhador duro.
Ambicioso tamb�m.
Mas sem a veia mesquinha que muitas vezes acompanha a ambi��o. E...
era popular com todo mundo.
E ele veio trabalhar para voc� depois de completar seus estudos?
Sim. Sim. Ele ia ser meu sucessor.
Pelo menos... n�s ir�amos sair para jantar e eu ia contar a ele.
Bem... perguntar a ele.
Mas sua esposa e a menina foram mortas no dia anterior...
Sr. De Cock, por favor.
Por favor continue, senhor Puype.
Em pouco tempo Luc voltou ao escrit�rio.
Para come�ar, ele estava apenas... Como devo dizer? Triste.
Embora essa palavra seja muito d�bil para descrever o que ele deve ter sentido.
- Mas a partir do momento que o ... - Suspeito.
Sim. Teve que ser liberado...
algo se rompeu dentro de Luc.
Ele n�o era mais a mesma pessoa. N�s o hav�amos perdido completamente.
O que aconteceu, ent�o?
Algo que eu... Algo de que me envergonho profundamente.
Mas uma empresa n�o para.
Voc� tem que seguir em frente, voc� tem responsabilidades.
As pessoas que trabalham para voc�, todas as suas fam�lias.
Ent�o eu... Eu nomeei outra pessoa.
Perd�o, Luc.
Voc� n�o deve censurar voc� mesmo, Sr. Puype.
Obrigado. Sem mais perguntas.
A testemunha pode se retirar. O tribunal ser� retomado novamente amanh� �s 9h00.
Foi um dia emocionante no julgamento de Segers. Eu volto para voc�, Stef.
Obrigado, Elke Pattyn. Voc� o continuar� acompanhando at� o final.
Como nosso expert jur�dico, no est�dio esta tarde, Faroek �zg�nes.
Quando � a vez do j�ri?
Em teoria, amanh� � tarde ap�s os argumentos finais
Ser�o levados para fora depois do resumo do Presidente do Tribunal.
- At� que tenham chegado a uma decis�o? - Sim.
- E ent�o? - Ent�o, a senten�a � pronunciada.
E o perdedor questionar� o principio de um j�ri de pares. Como sempre.
DIA 4
Neste tribunal, mas em particular fora dele,
reiteradamente tem sido dito, nos �ltimos dias e semanas,
que Kenny De Groot deveria ter permanecido atr�s das grades.
E ent�o este evento terr�vel n�o teria acontecido.
Que se deu excessiva import�ncia a um est�pido erro de procedimento,
e que o advogado que reivindicou aquele erro de procedimento, que fui eu,
tem una enorme responsabilidade.
Eu gostaria de dizer isso: um advogado s� pode alegar um erro de procedimento,
se um erro de procedimento realmente ocorrer.
E prestem aten��o especial a a palavra "erro" em erro de procedimento.
O advogado � como um �rbitro de futebol quem � insultado por aplicar as regras.
A diferen�a entre um �rbitro e um advogado �
que um �rbitro frequentemente tem que interpretar e improvisar
enquanto que um advogado apenas aplica a lei.
E, senhoras e senhores, a lei n�o � um peda�o de papel
que est� sujeito � interpreta��o e improvisa��o.
A interpreta��o e improvisa��o conduzem � imprud�ncia,
a manipula��o, a arbitrariedade.
E a lei foi introduzida, e foi elaborada para...
proteger os cidad�os de uma democracia, das for�as de m�-f�
que se beneficiam da arbitrariedade e manipula��o.
Essa � a diferen�a, o ponto onde a democracia se converte em ditadura.
� por isso que existem normas, procedimentos e leis que devem ser respeitadas.
E n�o s� se for conveniente, mas sempre.
Os direitos b�sicos de Kenny De Groot foram pisoteados.
N�o � porque seus vizinhos n�o gostam dele
que ele n�o tem os mesmos direitos como voc� e eu e todos os outros.
Porque a lei garante igualdade. Devemos garantir isso. Devemos proteg�-la.
E a prote��o dessa igualdade
� muito mais importante do que qualquer quest�o de culpa.
N�o importa a qu�o absurdo ou injusto pare�a.
E se isso te incomoda, se te machuca,
ent�o cabe aos pol�ticos e ao judici�rio garantirem
que n�o aconte�a de novo fazendo leis claras e s�lidas,
e sendo muito cuidadoso ao aplic�-las.
A v�tima quase n�o foi representada neste julgamento.
Porque, al�m de muito outras coisas, Kenny De Groot era,
sobretudo, uma pessoa solit�ria.
Foi um primo muito distante dele que me pediu para estar aqui e represent�-lo.
Fora isso, ele n�o estava interessado.
Eles n�o haviam entrado em contato por anos e poderia continuar assim.
Fui capaz de tranquiliz�-lo em rela��o a isto.
Eu queria estar aqui. N�o porque me sinta respons�vel.
Mas porque eu suspeitava, temia que, como sempre,
fosse a v�tima a ser julgada,
e eu queria qualificar as coisas, se necess�rio.
Senhoras e senhores do j�ri, aqui est�o algumas fotos
de Kenny De Groot quando crian�a. N�o s�o muitas.
E n�o h� nenhuma em que ele pare�a feliz e despreocupado.
Kenny De Groot � filho de um ricos e trabalhadores comerciantes de diamantes
de Antu�rpia.
Eles queriam um filho perfeito. E tiveram Kenny. Kenny era perfeito.
Mas quando ainda estava molhando suas cal�as aos tr�s anos,
e foi diagnosticado incontin�ncia cr�nica,
seu mundo desabou, eles n�o queriam isso.
Eles n�o pediram por isso, eles n�o tinham tempo para isso.
N�o podiam se gabar para os vizinhos e conhecidos sobre isso.
E o que a fam�lia vai dizer?
Ent�o ... Kenny foi escondido com seguran�a
em um lar para crian�as problem�ticas.
Isso poderia ser arranjado em troca de substanciais doa��es financeiras.
Ele aprendeu a controlar sua incontin�ncia o melhor que p�de,
porque ele realmente queria que seus pais tivessem orgulho dele.
No in�cio, seus pais iam v�-lo de vez em quando,
mas somente por meia hora, porque eles estavam muito ocupados.
Quando ele completou seis anos foi permitido a ele ir para casa nos fins de semana.
Ele ia no micro-�nibus do lugar, era uma viagem de noventa minutos.
As crian�as que moravam mais perto eram deixadas primeiro.
At� que paravam onde seus pais iriam busc�-lo.
A primeira vez que ele esperou ali por uma hora e meia.
Completamente sozinho.
At� que, ao anoitecer, uma patrulha da pol�cia local o viu.
Eles encontraram o endere�o residencial em seu bolso e o levaram at� l�.
A pr�xima vez que o micro-�nibus esperou dez minutos, depois o levou de volta.
Depois de uns meses...
Kenny ficou na casa nos finais de semana.
Voc� pode imaginar o que sentiu uma crian�a de 6 anos?
Kenny ficou no lugar at� os 18 anos, quando foi jogado na rua.
Onde ele sobreviveu usando os instintos, os truques,
mas acima de tudo a dureza que ele havia aprendido no lar infantil.
Ent�o lhes digo
Se o sistema falhou em alguma coisa foi muito tempo antes do dia fatal
em que os caminhos da Sra. Segers e Kenny De Groot se cruzaram.
Kenny De Groot merecia ser fuzilado e morto como um cachorro louco?
Tenho certeza de que n�o.
Ent�o, senhoras e senhores do j�ri, pe�o-lhes,
considerar Luc Segers culpado do assassinato que ele cometeu.
Obrigado.
O Procurador-Geral pode agora apresentar seus argumentos finais.
Obrigado, Merit�ssimo.
Senhoras e senhores do j�ri.
Fatos s�o as �nicas coisas que contam em um tribunal.
Tudo que � n�o um fato � uma mentira.
Ent�o, deixe-me contar-lhes apenas os fatos. A verdade.
N�o importa o qu�o desagrad�veis possam parecer.
Fato: S� h� um acusado neste caso e � Luc Segers.
Fato: n�o apenas as evid�ncias contra o acusado s�o inquestion�veis,
ele mesmo confessou.
Outro fato: ele admitiu seguir a v�tima, por dias,
esperando o momento certo para atacar.
E quando o Sr. Segers decidiu, em plena posse de suas faculdades,
quando o assassinato deveria ocorrer, ele comprou uma arma ilegalmente.
Ele seguiu cada passo de seu plano totalmente consciente do que estava fazendo
e de suas consequ�ncias.
Isso � exatamente o que a lei descreve como premedita��o.
Ent�o, se colocarmos todos esses fatos juntos
e completamos o quebra-cabe�a, o que �s vezes � a verdade,
ent�o h� apenas uma conclus�o.
Uma verdade. Existe apenas um fato estabelecido.
Luc Segers, em posse de uma arma ilegal,
executou o desarmado Kenny De Groot � sangue frio.
O assassinato em si foi planejado em detalhes e ent�o realizado.
Apenas dois tipos de assassinos seguem a esse padr�o.
Assassinos contratados e aqueles que buscam vingan�a.
O Sr. Segers n�o trabalhava para outra pessoa.
Ent�o o Sr. Segers queria vingan�a.
Existem centenas de pessoas na pris�o que agiram por vingan�a
e eu lhes digo que eles est�o ali por uma boa raz�o.
N�o h� nenhum argumento para tratar o Sr. Segers de forma diferente.
A defesa ir�, � claro, dizer que h�, se referindo ao Artigo 71,
inclusive convocando um suposto especialista dos Pa�ses Baixos
evocando teorias n�o comprovadas. E repito, teorias. N�o fatos.
Ningu�m nega que o que o Sr. Segers experimentou foi terr�vel.
Ningu�m nega a dor que Luc Segers vai sofrer pelo resto da vida.
O que lhe aconteceu foi terr�vel. Mas n�o � �nico.
Em tribunais como este, h� casos em que aposentados enfrentam cara a cara
com vigaristas que fugiram com toda a pens�o deles.
Em tribunais como este existem casos em que m�es e pais enfrentam
o motorista b�bado quem matou seu filho.
Sabendo que ele j� havia sido detido anteriormente conduzindo embriagado.
Em tribunais como este existem m�es e pais que t�m que ouvir, em detalhes,
o que estupradores fizeram para sua filha.
Esses s�o todos eventos tr�gicos todos e cada um,
e todas essas pessoas est�o despeda�adas
pela dor, a impot�ncia e, sim, pelo desejo de vingan�a.
Todas as etapas do dif�cil processo de poder aceitar o que ocorreu,
contam com a ajuda da fam�lia, dos amigos e dos servi�os sociais.
Mas o Sr. Segers nunca aceitou a ajuda que foi oferecida.
N�o. O Sr. Segers, em vez disso, decidiu infligir dor a outra pessoa.
Mas, senhoras e senhores do j�ri, a vingan�a n�o � a solu��o.
Nunca.
E a dor n�o pode e n�o deve ser uma desculpa para vingan�a.
Nunca.
Luc Segers decidiu que ele, ao contr�rio da nossa sociedade,
tem o direito de aplicar a senten�a de morte.
Ele decidiu tirar a vida de outro homem, mat�-lo, assassin�-lo.
Isso n�o faz de Luc Segers um m�rtir, uma v�tima, um s�mbolo.
Isso faz de Luc Segers um assassino.
E voc�s senhoras e senhores do j�ri, agora t�m que decidir
se permitir�o a um assassino ficar impune ou n�o.
O Minist�rio P�blico est� consciente da falta antecedentes criminais,
e est� disposto para levar circunst�ncias atenuantes em considera��o.
Mas primeiro voc�s t�m que decidir se ele � ou n�o culpado.
E a �nica maneira de fazer isso � olhar para os fatos.
Obrigado pela aten��o.
Independente de qual seja o resultado, valeu a pena?
Quero dizer, considerando o que sabemos agora...
Voc� o faria de novo?
Oh, sim.
� verdade que a informatiza��o iniciado pelo meu antecessor,
esteve atrasada, mas as coisas agora est�o de volta aos trilhos.
O Procurador-Geral terminou, e suspenderam para o almo�o.
Voc� est� preocupado com o veredito
e como isso refletir� Departamento de Justi�a?
Preocupado? Por que eu deveria me importar?
N�o preciso record�-los que existe uma separa��o de poderes neste pa�s.
Como ministro, n�o tenho que comentar um veredito.
O departamento est� sujeito a cr�ticas consider�veis.
Mas, o departamento fez o seu melhor para tornar o sistema de justi�a moderno...
N�o h� nenhuma prova vis�vel disso.
Em 2000 voc� prometeu tr�s novas penitenci�rias para 2010. Vejo que...
Sim. Sim, � verdade. Mas h� tamb�m coisas chamadas procedimentos.
E as pessoas que querem mais pris�es ficam felizes por as constru�rem em qualquer lugar
menos em seu quintal, na sua cidade ou, apenas para estarem seguros, nos seus estados.
O que voc� quer que eu fa�a? Cavar algum lugar por minha conta?
O que o Ministro est� se referindo � que esperamos que
todas as condi��es administrativas sejam atendidas at� o final do ano.
E que a demora seja limitada. Agora se nos d�o licen�a...
- Obrigado, senhores - Bem.
O fato de nenhum desses caras ter perguntado
como todas as pris�es est�o t�o cheias se o sistema de justi�a n�o est� funcionando,
� uma muito interessante contradi��o.
Isso porque um ter�o desses encarcerados est�o sob cust�dia aguardando julgamento.
Felizmente. Assim podemos mant�-los fora das ruas por um tempo,
porque nunca conseguiremos conden�-los.
N�o importa qual seja o seu veredito, senhoras e senhores do j�ri,
n�o h� vencedores neste triste caso, apenas perdedores.
Kenny De Groot est� morto. Morto a tiros por Luc Segers.
Ella De Graeve e Anna Segers,
a esposa e a filha de sete anos de Luc Segers, tamb�m est�o mortas.
Mortas durante um surto sem sentido, de viol�ncia brutal, por Kenny De Groot.
A Srta. Teugels tem falado emotivamente sobre Kenny De Groot,
e a sua triste hist�ria que me emocionou tamb�m.
� verdade que Kenny De Groot merecia uma vida melhor.
O que seus pr�prios pais fizeram com ele � uma desgra�a vergonhosa.
Eu s� espero que eles percebam que t�m responsabilidade moral.
Mas... todas as decis�es que tomamos como indiv�duos
s�o em �ltima inst�ncia, a decis�o desse indiv�duo.
'Apenas diga n�o' � um slogan apropriado em campanhas antidrogas.
Drogas n�o voam at� seu nariz como p�len no ar.
Um carro n�o viaja a 180 km por hora por si pr�prio. O motorista o faz fazer isso.
Kenny De Groot n�o foi o �nico naquele lar infantil.
Ao longo dos anos, centenas, se n�o milhares de crian�as viveram l�
e foram criadas da melhor maneira poss�vel, conforme as circunst�ncias.
A maioria n�o estava l� voluntariamente.
A maioria n�o teve a inf�ncia que tinham direito como filhos.
Mas como resultado disso, todos se tornaram ladr�es ou assassinos?
N�o acredito.
Este homem n�o tem mais nada.
No entanto, at� recentemente, Luc Segers tinha tudo o que queria.
Uma linda esposa, uma filha fant�stica.
Uma carreira, um futuro. Ele era popular com amigos e colegas.
Ele era o "cimento da sociedade", como dizemos.
Bem, seu futuro lhe foi arrancado.
N�o por um desastre natural, ou um acidente, ou por uma doen�a,
ou o que � simplesmente conhecido como destino.
A injusti�a disso � cruel, terr�vel e muito insuport�vel,
mas n�o h� nada que algu�m possa fazer sobre isso.
Voc� pega as pe�as, voc� tenta col�-las novamente e seguir em frente.
Porque isso � vida. E as pessoas definem isso Bem, eles dizem que a vida continua
�s vezes � assim, �s vezes n�o.
Mas... tente imaginar
que o destino tem uma cara. Um nome.
e esse algu�m � culpado da morte de sua esposa. Da morte de sua filha.
Esse algu�m � respons�vel por destruir tudo o que � caro para voc�.
E todos os seus planos, sonhos e as expectativas s�o arrasados,
e tudo que resta � a dor, a raiva e o pesar.
A �nica coisa que resta, a �nica coisa a qual voc� se apega
� o conhecimento que vivemos em um estado de direito.
Em uma sociedade organizada que combate a transgress�o e pune o transgressor.
Isso n�o traz de volta os mortos, � claro. N�o desfaz o dano causado.
Mas � indispens�vel para ajudar as pessoas a aceitar o que aconteceu.
Se isso n�o acontece...
Sim, devido a um tecnicismo ou a um chamado erro de procedimento,
o delito n�o � combatido e o transgressor n�o � punido,
O que isso diz sobre a lei e a justi�a?
Luc Segers foi defraudado pelo sistema de justi�a.
O contrato t�cito que ele e todos n�s temos com o Estado
foi rescindido de forma unilateral.
N�s confiamos na organiza��o da sociedade para o estado.
Pagamos impostos por isso. E bastante substanciais, inclusive.
E assumimos que o Estado protege seus cidad�os.
E se algo der errado apesar de tudo,
presumimos que o Estado vai intervir,
corrigindo as coisas sempre que poss�vel, e punindo quando necess�rio.
Isso tamb�m � um contrato celebrado pelo estado.
A seguran�a jur�dica � um dos pilares de nossa sociedade.
Um direito inalien�vel. Algo que � evidente.
Remova essa pedra angular e o Estado Constitucional vacila.
E n�o, ao contr�rio do que meu colega acabou de afirmar,
N�o s�o os procedimentos que garantem o Estado de Direito.
A teoria da lei n�o tem preced�ncia sobre tudo o mais,
e certamente n�o, se essa teoria for usada e abusada,
para manter o culpado fora da pris�o. Isso mina a lei. Isso a corr�i.
Em nome da democracia, se o que realmente acontece � o oposto,
a lei n�o � mais sin�nimo de justi�a.
Como consequ�ncia disto, o cidad�o perde a confian�a no Estado de Direito.
o qual, senhoras e senhores do j�ri, � a bomba sob o sistema.
Se o estado de direito n�o tivesse se tornado uma par�dia do que deveria ser,
ent�o o criminoso que arruinou a vida de Luc Segers,
teria sido julgado e condenado e este julgamento n�o teria que acontecer.
Luc Segers � o primeiro homem cuja esposa foi assassinada?
N�o.
Luc Segers � o primeiro homem a perder seu filho?
N�o.
Mas at� onde eu sei � o primeiro homem a quem foi dito
que, de acordo com a carta da lei, essas coisas n�o aconteceram.
Podem imaginar isso? Podem tentar imaginar isso?
E naquele momento algo se rompeu dentro de Luc Segers.
Voc�s ouviram as testemunhas. Ele n�o era mais o mesmo.
Era como se houvesse uma n�voa em seus olhos.
O Professor De Weers falou sobre
o choque que pode causar a dor e a exposi��o � viol�ncia extrema.
As a��es de Luc Segers
foram impulsionadas pelo que � descrito no Artigo 71 como um impulso irresist�vel.
E isso � o suficiente...
para, em plena consci�ncia, consider�-lo inocente.
Senhoras e senhores do j�ri.
Eu lhes pe�o para ajudar este homem, que n�o representa perigo para a sociedade,
que, pelo contr�rio, foi v�tima de uma terr�vel injusti�a da sociedade,
para ficar de p� novamente e permitir-lhe um futuro.
Um futuro diferente daquele que, brutalmente, tiraram dele.
Mas isso � o m�nimo que a sociedade e voc�s, como representantes da sociedade,
podem fazer por esta v�tima.
Desejo-lhes coragem e sabedoria para esta tarefa
Obrigado por ouvirem.
Sr. Segers, voc� deseja dizer algo antes que o j�ri se retire?
Eu sou uma pessoa comum, assim como voc�.
E eu era feliz.
N�o sei se merecia essa felicidade. Acho que sim.
Eu nunca fiz mal a ningu�m conscientemente. Eu sempre tentei fazer a coisa certa.
Eu tamb�m sempre acreditei nas estruturas da nossa sociedade.
Em nosso sistema... que cuida de n�s,
e que, apesar de tudo, ainda acho que � o melhor sistema.
Eu acho que devemos proteger e nutrir esse sistema,
assim como ele nos protege e nos nutre.
E n�o aceitar abusos e manipula��o do mesmo por outros
que infringiram a lei mas que se escondem atr�s dela.
O Sr. De Cock falou sobre o meu futuro.
N�o sei como ser� o meu futuro.
Tudo que eu posso ver no presente � um vazio
que eu n�o sei se algum dia poderei preencher.
Eu n�o escolhi o que me aconteceu nem fazer o que eu fiz.
Claro que eu tamb�m n�o sei o que faria se eu estivesse no lugar de voc�s.
Acho que... n�o sei.
Eu acho que voc�s t�m que fazer o que acharem que � correto.
E eu vou aceitar, � claro.
Obrigado.
Senhoras e senhores do j�ri, voc�s agora t�m a dif�cil tarefa de...
Agora temos que esperar a decis�o do j�ri.
Se o seu veredicto for inocente,
aceitar�o a alega��o de seu advogado, de impulso irresist�vel.
E Luc Segers ser� um homem livre. Se for considerado culpado,
o j�ri e o tribunal ter�o ent�o que considerar sua senten�a.
O j�ri foi levado para um hotel. N�o haver� uma decis�o esta tarde.
OK, obrigado.
Isto � bom ou ruim?
Para ser honesto, n�o sei.
O j�ri consultou os ju�zes sobre a motiva��o de sua decis�o.
Como voc� sabe, isso � obrigat�rio sob a legisla��o europeia.
O presidente do tribunal ler� agora o veredito.
A cortina est� prestes a se fechar.
em um dos casos judiciais mais divulgados que nosso pa�s j� conheceu,
e Luc Segers descobrir�...
O acusado, por favor, fique de p� para a leitura do veredito.
Considerando o julgamento da Divis�o de Acusa��o
de 22 de dezembro de 2012 no qual Luc Segers, engenheiro,
nascido em Schilde a 11 de janeiro de 1968,
residente em Temse...
Legendas PtBr: RC
Cada ano, dezenas de pessoas na B�lgica s�o liberadas ou n�o processadas
devido a erros de procedimento.
Incluindo traficantes de pessoas, traficantes de drogas,
autores de delitos violentos, e de delitos sexuais...
O problema do erro de procedimento foi tratado pela Comiss�o Franchimont
em sua proposta de um Novo C�digo de Direito Processual Penal.
Esta proposta, de 2002, ainda n�o foi debatida pelo parlamento.
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