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Original subtitles

ANTERIORMENTE

Isto é um vídeo que foi publicado com o título "Noa Racista".

Ora bem, não o vais deixar convidar 700 pessoas.

Caso contrário, a noite mais importante da tua vida

vai parecer um festival iemenita.

-Querida, juro-te... -Afasta-te de mim.

-Noa racista! -Noa racista!

Sou, oficialmente, a mulher mais odiada de Israel.

Eles não me amam porque não te amam a ti.

Assaf, desculpa, mas isto é pasta de tomate...

E aquilo que eu quero é o amor da minha filha.

E tu vais ajudar-me.

Só um empurrãozinho.

O que tenho de fazer para que não fale sobre a Noa?

Quero o escritório do Tzvika Granot.

É seu.

Antes de mais, diz-me: o que achas da Noa Hollander?

É encantadora.

Alguém me explica o que se passou aqui?

O teu pai salvou-te o couro.

Será que podemos virar a página?

Podemos tentar.

-Lindo! -Aquilo vale dois ou três pontos?

-Dois. -Dois.

É melhor do que ver na TV, não, Avi?

Podes crer! Este ecrã é gigante!

Só espero não levar com a bola na cara.

-Eu estou mortinho por levar com ela. -Exato. É uma honra, Avi. Descontraia.

Aquele pai é um osso duro de roer.

Até descobrires como lhe dar a volta.

Aquele tipo é espetacular.

Juro que estou a ficar apaixonado.

Ouve,

lembras-te do filho do meu antigo sócio?

-O Yair? Claro que me lembro. -Altman, sim.

Era o meu melhor amigo.

No secundário, eu e esse palerma maltratámos metade dos miúdos da escola.

Agora, esse palerma está a tentar maltratar-me.

Os meus 11 hotéis na África do Sul, com as melhores localizações,

licenças para construção e tudo, estão bloqueados há um ano por culpa dele.

Amanhã, vou jantar com ele.

-Então, ele está cá? -Sim.

Manda-lhe cumprimentos.

Podes dar-lhos pessoalmente. Quero que venhas comigo.

Eu? Porquê?

Ouça o que lhe digo, Avi, este jogo está no papo.

Deus o ouça, Gideon.

Tenta ser simpático. O homem convidou-nos.

Não consigo ser mais simpático com alguém que se fez à tua mãe.

Respeitar, mas estar alerta...

Dá-me um beijo.

Temos 80 iPhones apontados a nós.

O Tzvika vai matar-te.

Para, parvo.

Tem dez homens corpulentos a suar à sua frente

e não consegue tirar os olhos da Noa e do Gideon?

Quando eu representar um daqueles Golias desproporcionados,

fico atento ao campo.

Neste momento, estou a olhar para a minha filha.

Ela é filha dele, Tzvika, e eles fizeram as pazes.

É melhor começar a aceitar isso.

Também tem de cuidar de si.

-Não quer representar mais pessoas? -Não.

E encontrar o amor verdadeiro? Sem ser alguém da indústria.

Alguém com quem queira ter filhos.

Espere, eu conheço alguém.

Não estou interessado.

Que idade tem? 53 anos?

Com todo o respeito pelo Gideon e por este emprego,

quando eu chegar aos 53, espero já ser avó.

-Tenho 46 anos. -Boa, o tipo que conheço tem 36.

Ouçam bem, a pessoa que vai tentar marcar é...

... Gideon Hollander.

É toda sua, Avi.

Se marcar, levo-o a um restaurante.

Prepare o cartão de crédito.

Pessoal, será Avi Dahari a lançar! Deem-lhe uma salva de palmas.

Força, pai!

Força, Avi!

O jantar é amanhã às 21h00. Preciso de ti lá.

Não é um bocado cedo para me estares a pedir favores, pai?

Não vou.

Noa, o meu pai está em campo. Apoia-o.

Avi Dahari vai tentar marcar três pontos.

Cada dia que passa com os hotéis parados,

perdemos centenas de milhares de dólares.

Se eu perder aqueles terrenos, será muito mau para todos nós.

Boa. Então, tenta não os perder.

Estás a ouvir-me?

Ou não percebes o que estou a dizer?

Olé, pai!

Estou prestes a ir à falência.

O quê?

E encestou!

Estás bem, querida?

Assaf, traz-me um saco de amendoins.

Blanca, vem cá.

-Aqui tem, Amalia. -Obrigada, linda.

Perla, esta é a namorada latina do Assaf.

É amorosa.

E conseguiu um homem amoroso.

Vês como apoio a tua namorada?

Vejo. Quando nos casarmos, ela também será tua namorada.

Tem lá calma com isso do casamento.

São 187 shekels e os amendoins são oferta, portanto, não peças descontos.

Ponha na minha conta, pago depois.

Não há calma para ninguém. Eu e a Blanca vamos casar-nos.

Ela é judia, sequer?

Não. O amor não vê isso.

Então, é melhor o amor comprar óculos.

-Adeus, querida. Cumprimentos à mãe. -Adeus. Adeus, Assaf.

Eu já concordei em contratá-la

e agora queres que me retirem o certificado kosher e me fechem a loja?

Não sejas dramática.

Vai-te habituando à ideia de que a Blanca Pujés será Blanca Dahari.

Está bem?

Aturo sempre as tuas maluqueiras.

Investi no teu álbum imaginário

e paguei a tua viagem a Espanha

-com as poupanças da Merav. -O quê?

Até concordei, sem que me perguntassem,

em acolher uma desconhecida em minha casa. Mas um casamento? Nem pensar!

-Não grites comigo. -Continuarei a gritar contigo

até meteres isso na cabeça!

-Até lhe digo a ela. -Mãe...

-Blanca. -Sim?

-Eu gosto de ti, sim. -Mãe...

Casamento? Não!

-Assaf. -Assaf!

-Espera, Assaf. Eu vou contigo. -Assaf!

Aonde pensas que vais?

Até aceitares completamente a Blanca, não há Assaf para ninguém!

-Assaf... -Não venhas comigo! Deixa-me em paz.

Agora tenho de ser a babysitter desta?

Tens noção de que "babysitter" é uma palavra internacional, certo?

Repare, Eden, estou em frente ao cesto,

com as mãos a tremer.

Digo para mim mesmo: "Avi, tu consegues!"

-Eu sabia que ia conseguir. Claro! -A sério?

Segurou a bola como um profissional.

A Eden é fantástica.

Se as coisas estão assim tão más, como podes estar tão calmo?

É o instinto de sobrevivência.

Esperem.

Eden, está a ouvir esta canção?

É da Gali Atari, chama-se "Israeli Fall" e é de 1986.

-É sobre mim. -Pai...

Ela escreveu-a dois meses depois de eu a ter deixado.

"Aquele que prometeu um inverno quente

nunca cumpriu."

Fui eu que quebrei a promessa porque a deixei.

O Avi namorou com a Gali Atari?

-Sim, tivemos um caso há 30 anos. -Caramba!

Quando ela ainda usava caracóis.

Esperem, eu tenho de representar a minha mãe

e dizer que, até hoje, nunca vimos provas deste caso.

"Provas..."

Ouve a letra. Aí tens as tuas provas.

Podemos ligar à Gali e perguntar.

Tem o número da Gali Atari?

Amanhã, terei.

-Vi-a em LA... -Adoro o teu pai.

... e o público não se queria ir embora.

-Foi incrível. -Vejam quem chegou.

É o Clive, um tipo bestial.

-Olá, Clive. -Olá.

Muito prazer.

Este é o Clive, o preparador físico do Gideon. Tzvika.

Senta-te aqui ao pé dele.

Ele é enorme.

-Tzvika? -Sim?

Os teus hotéis são um sucesso e vives como um rei.

Aquilo que disseste não faz sentido.

-Quero perceber o que se está a passar. -Cometi um erro.

Cometeste vários erros. O que foi, desta vez?

Antes da África do Sul, eu trabalhava de forma inteligente e ordenada.

Agora, na África do Sul,

decidi construir 11 hotéis ao mesmo tempo.

Onze hotéis!

São milhares de milhões.

-O Yair apareceu. -E foi aí que...

Não. Primeiro, foi o presidente da Eritreia,

que bloqueou todos os terrenos por um período de tempo ilimitado

devido a suspeitas de corrupção.

É bom saber que nem todos são corruptos como tu.

Mas a questão é que são!

Alguém o enganou antes de mim.

E esse alguém foi...

Podes completar a minha frase.

O Yair Altman.

Vamos ligar à mãe a dizer-lhe.

Porque haveria o Yair de te querer lixar?

As coisas entre mim e o pai dele não acabaram bem.

-Despediste-o. -Sim.

-É vingança. -Bonito.

Só prova que ele ama o pai.

Chamada em espera. O que vai ela dizer?

Durante seis meses, ele não atendeu o telefone

e não aceitava nada. Nem reuniões, nem mediadores... Nada!

Há três semanas, escrevi-lhe a dizer que tu o queres ver.

-Eu? -Sim.

Aceitou num instante.

Ele só me quer humilhar à tua frente.

Quer desfrutar disso.

Se a tua magia ainda funcionar nele

e se pedires com jeitinho,

eu também fico a beneficiar e ele deixa-me em paz.

Amalia, estou aqui com o Gideon Hollander.

Ele diz que me arranja um encontro com a Gali Atari.

Porque me falas assim? Queres irritar-me?

-Avi! -O que foi?

Está a gritar.

Certo, peço desculpa. Adeus.

Porque está tão rabugento? O que se passa?

Pelo mesmo motivo que te olhas ao espelho cem vezes por dia.

Faz-me sentir bem.

Foi por isto que fizeste as pazes comigo.

Também foi.

Não te querias aproximar da tua filha.

Vieste cá por causa disto.

Noa,

vim para te salvar de ires viver num apartamento arrendado

em Bat Yam, ao lado dos pais do teu namorado.

Estás a exagerar, pai.

Tu vais arranjar solução. É o que fazes sempre.

Estou farta das tuas tretas.

Noa, vem à reunião

-e faz o que tens de fazer. -Senão?

Senão, o quê?

Amos,

vai um charuto? -O que estás a fazer?

Pai.

Caramba! Que luxo!

-O escritório dele é porreiro. -O meu escritório.

De hoje em diante, este escritório é meu. Parabéns a mim.

Vá, vamos colocar aqui alguma energia Maimon.

Começando por arrancar a Noa daquela parede.

Consegues arrancá-la da parede, mas não da tua cabeça.

E temos de nos livrar destes sofás. As almofadas são horrorosas.

Que candeeiro feio é este? Não quero este plasma.

E esta fruta? Eu quero é flores! Montes delas.

Traz-me flores laranja e cor-de-rosa.

-Estás a ouvir, Pish? -Estou.

-Onde arranjaste a garrafa? -No frigorífico do Tzvika.

Cada garrafa custa uma carrada de euros.

Pish, sai da frente.

O que te deu?

É assim que se inauguram os barcos e este é o meu Titanic!

Mas sem o icebergue e as pessoas mortas.

Pronto, Vanessa, desfruta do novo escritório.

Vamos falar de negócios.

Quando me consegues uma campanha?

Amanhã, terás a tua foto naquela parede

e tu vais encomendar um letreiro enorme para a entrada

com as iniciais da Maimon Representation Israel.

"MRI", portanto. Vão achar que fazes ressonâncias magnéticas.

A Coral e a Noy, as burras da escola, entraram no próximo catálogo da SHE

só por terem assinado com a Eliyanah Tidhar.

Grande coisa. Consigo que estejas na SHE amanhã.

Nada disso. Disseste que eu ia substituir a Noa.

Como ela saiu, quero ser a porta-voz da SHE.

Daphna, Roma não se fez num dia...

Se tivessem a tecnologia de hoje, faziam-na numa hora.

Vanessa, olha para mim.

Eu não sou tu.

Sei o que valho e não peço desculpa por isso.

Sou meio russa e meio marroquina. Sou única.

Uma futura galinha dos ovos de ouro.

Tens dois dias para me conseguires uma campanha da SHE.

Caso contrário, deixo-te. Adeus.

As tuas ameaças não me afetam. Daphna!

Daphna, para!

Pronto, adeus. Manda cumprimentos à tua mãe. Amanhã falamos.

Para de olhar assim para mim. É irritante.

O que estás a fazer?

Casa comigo.

O quê?

Casa comigo!

Casar comigo não sai barato!

Prepara os teus pais.

Querida, jantas com ele e fica despachado.

-Não quero, Amos. -Claro que não.

O Gucci ensinou-te que primeiro dizes que não

-e fazes-te de difícil. -Não é isso.

Vês? Lá está o "não".

-Não tem piada. -Outra vez.

Porque lhe dás tanta graxa?

Porque faço de tudo para saborear a tua herança.

E ele explicou-te porque precisa de mim naquele jantar?

Diz que há um tipo que o anda a incomodar, mas...

-...não elaborou. -Ele disse-te quem é o Yair?

Disse que era um estupor.

-Porquê? Há algo mais que eu deva saber? -Há.

No secundário, ele estava apaixonado por mim.

Duas vezes por semana, tentava convencer-me a dormir com ele.

-Sim? E depois? -Sim.

E depois...

... é com orgulho que digo que fui a única do distrito inteiro

que não cedeu ao Yair Altman.

Mesmo ele sendo charmoso e uma brasa.

Vê o Instagram dele.

Logo veremos se queres que eu vá. Yair Altman.

Certo, eu estou a perceber.

-Queres que eu fique com ciúmes. -Sim.

-Nem penses. Sabes porquê? -Porquê?

Porque sei que és louca por mim.

Vê o Instagram dele.

Esquece, Noa. Não vais.

O que aconteceu?

Noa?

-Acabei de ver o teu irmão nu. -Como?

O teu irmão. Vi-o nu.

Noa.

Noa, desculpa, mas devias bater à porta.

A sério? Porque não avisaste que estavas aqui?

Para a próxima, ela que bata à porta.

-Não posso mais contigo, Assaf. -Então?

-Quem entra assim na casa de banho? -Noa.

Queres uma?

Não vou voltar para lá, Amos.

Vou viver para Espanha e trabalhar como pastor.

Estás a exagerar, meu.

Faça eu o que fizer, nunca é suficiente.

Tu fazes o que quiseres porque vais casar com a Noa,

o sonho molhado de qualquer Amalia.

Eu namoro com a Blanca gentia, o pesadelo seco

-de qualquer Amalia. -Assaf,

a Blanca não é o pesadelo da mãe.

Ela própria o disse. Estou farto.

Estive fora durante cinco meses. Vê como a tua vida progrediu

e compara-a à minha.

Ontem, pesquisei-te no Google e obtive uns 9000 resultados.

Eu só tenho três.

Amos,

posso passar alguns dias aqui?

Nem vão saber que estou aqui. Serei o Casper iemenita.

-Claro que sim, mano. -Obrigado.

Tens fome, Assaf? Queres que te prepare alguma coisa?

Não, já é tarde. Não vos quero incomodar.

Vão dormir.

-Boa noite, Assaf. -Boa noite.

Amos.

Fazes-me a tua piza de pita?

Com salada, ovo e salada de ovo? E ervas aromáticas?

E tabasco?

-Claro, Assaf. Mais alguma coisa? -Não.

Pronto, vai-te vestir. Também queres comer?

-Tens a certeza? -Sim.

Obrigado, Amos.

De certeza que não queres? O cheiro vai enlouquecer-te.

Não quero.

Ouve, esta tua política de casa aberta, "entra e sai à vontade", é porreira,

-mas gostava de ser avisada. -Vá lá, Noa, ele é família.

Eu estava a brincar. Sossega.

O Yair é jeitoso.

Não comeces.

Então, posso dizer ao meu pai que não vou ao jantar?

Não, mas podes dizer-lhe que vamos os dois.

Levo o meu fato ameaçador.

Este ovo com as decorações é caro?

-Ele é inacreditável. -Desculpem lá.

Tzvika...

-Ouve com atenção. -Tzvika.

Se ele fez chichi no tapete enquanto olhava para ti,

-é porque está chateado contigo. -Tzvika...

O Hussein não faria chichi sem motivo.

-Ele é um cão esperto. -Tzvika...

O que queres? Quem morreu?

Vanessa Maimon?

Futura Vanessa Maimon-Cohen.

Tira as patas de cima das minhas coisas

e baza já do meu escritório.

O escritório agora é meu.

Não sei a quem devo ligar primeiro.

À Polícia, para ires presa,

ou a uma ambulância, para seres internada.

Ligue ao Gideon Hollander. Foi ele que me deu o escritório,

porque defendi a Noa no programa do seu ex-namorado nojento

e salvei-a de ser apedrejada.

Espanta-me que não o tenham informado.

TRANSFERÊNCIA DE TZVIKA GRANOT PARA VANESSA MAIMON

Limor, vamos.

Limor,

tu ficas comigo.

Fico com o Tzvika até ao fim.

Obrigado, querida.

Dou-te um aumento de 20 %.

Limor, não te mexas.

Lamento, Tzvika.

Tzvika, querido,

as chaves do carro também são minhas.

Merda...

Bolas, perdeu as chaves de casa?

Um cappuccino, duas colheres de açúcar.

-Hollander! Noa! -Tzvika.

Vim de táxi

porque o teu pai deu o meu escritório com tudo incluído,

incluindo o raio da Limor,

à ex-namorada psicopata do padeiro do Iémen.

Bom dia para si também, Versace.

Tzvika, chegou mesmo a tempo de provar a ementa.

O que é isto?

É o irmão do padeiro do Iémen,

que está responsável pela comida do casamento do Amos e da Noa.

-Este é o Gilli. -Noa...

O nosso jardineiro que passou a subchefe.

Noa, ele tirou-me o escritório e deu-o à Vanessa.

-Como assim? Não estou a... -Deu-lho.

Tirou-mo e deu-lho

para ela não falar mal de ti no programa do Miki.

-Nesse caso, tudo bem. -Desculpa?

A primeira kubana está pronta. Cuidado que está quente.

Não te ouvi bem. "Nesse caso, tudo bem"?

A Vanessa salvou-me da confusão que tu criaste.

-Se é o preço que nós temos de pagar... -"Nós" não, Noa. Não és tu.

-Eu é que estou a pagar. -Foste tu que fizeste asneira, não fui eu.

Provem, pessoal. Preciso de saber o que acham.

O que se passa com este?

A Amalia não aceita a namorada dele por não ser judia

e ele vai estar por aqui até ela a aceitar.

Dolce and Gabbana,

nós perdemos uma grande oportunidade.

Quando eu queria ser cantor, podíamos ter ganho milhões.

-Yoav, certo? -Assaf.

Tanto dá.

Vai converter a tua namorada e volta daqui a uma hora.

Eu tenho de falar com a Noa. Querida,

tens de ligar ao teu pai e dizer-lhe...

Vou jantar com ele. Eu trato disto.

É um génio, Versace!

Jantar?

Outra vez sem mim? Porquê?

Porque voltaste a não ser convidado.

Ela vai adorar a kubana.

-Adeus, Gilli. Obrigado, meu. -Adeus, Assaf.

-Lavo os pratos e já saio. -Está bem.

Então?

Raios, não estou vestida.

É só um minuto.

Olá.

Olá.

Clive, não é?

Tzvika...

Vai...

... ficar para o exercício?

Pois, não dá. Tenho de ir ao escritório e...

Tenho trabalho para fazer, mas adorava pagar-te um copo, depois.

Estou a ver.

Pelo seu comportamento de ontem...

-Nada disso. Fui um otário. -... não me parece.

Lamento imenso. Tive um dia horrível.

-Deixa-me compensar-te. -Na verdade,

não tem nada que ver com ontem.

Apenas é demasiado velho para mim.

É como é.

-Lamento. -Tudo bem.

Porque não? Se não gostares,

voltas para Jesus.

Eu não fiz o suficiente por ti?

Prometeste-me que teríamos sucesso, que abriríamos um negócio em conjunto.

Vê bem o que estou a fazer! Estou a limpar a tua casa!

Sim, mas tu sabes como é importante para mim

que os meus pais gostem de ti.

Não me vou converter pelos teus pais!

Estás a cometer um erro, Blanca.

Ser judeu é uma dádiva. Somos o povo escolhido.

A minha mãe já me odeia por a ter deixado

por um país onde temos mísseis a cair-nos na cabeça.

E o que lhe vou dizer? "Olá, mãe, vou mudar de religião."

Não nos caem mísseis em cima todos os dias, só a cada dois anos.

Pronto, se é só a cada dois anos...

Deixa lá.

Mas, por ti, estou disposta a estudar hebraico.

A sério?

Sim, meu docinho de chocolate.

Olha, "Escola de Hebraico".

ESCOLA DE HEBRAICO

Olá, rabino.

Rabino, esta é a Blanca.

-É o teu professor de hebraico, o Adi. -Olá.

-Não... -Nada de abraços.

-O que foi? Pronto. -Não...

-A aula vai começar. -Sim, a aula de hebraico.

-É tão empolgante. -Sim. Até logo, meu doce.

Espera...

-Adeus. -Adeus, querida.

-Hebraico. -Hebraico. Sim.

Ouve, eu mantenho a minha promessa,

mas é bom que faças o mesmo.

Certifica-te de que a Blanca é uma judia kosher o suficiente para a Amalia

e eu certifico-me de que serás tu

a casar a Noa e o Amos, e a cortar o dito cujo do filho deles.

-Que Deus queira. -Está bem? Que Deus queira.

Adeus.

Mãe, tenho boas notícias.

A Blanca vai converter-se. Sim!

SINAGOGA PORTA DE SIÃO - ÁRVORE DA VIDA

Não quero devolver o escritório ao Tzvika

porque não o quero a trabalhar contigo.

Tudo bem, pai. Eu arrendo-lhe um.

Mas ele deve ganhar bem, graças a ti. Ele há de sobreviver.

Exatamente.

Se queres que eu despeça a Eden, despede o Tzvika.

-Pediste-lhe para despedir a Eden? Porquê? -Sim.

Porque conheço a laia dela.

Procuram um marido rico ou um chefe rico para melhorarem as suas vidas.

E então?

Noa, tu queres que ele a despeça

porque tens ciúmes do quanto ele gosta dela,

mas, depois do que ela fez por ti, não é simpático.

Hollander!

Então, Noa, não te levantas para me dar um abraço?

Eras um otário e não mudaste nada.

Yair, estás a apertar muito.

-Há quanto tempo. -Olha para ti. Estás um homem.

Gostas? Posso substituir o Bradley Coop Coop no próximo filme?

-Claro que sim. -É isso.

-Como vai isso, Gideon? -Melhor é impossível.

Olhe que não, vá por mim. E tu deves ser...

... o Amos, o grande vencedor.

-O teu homem é um tipo rijo. -Bastante.

Ele teria acabado contigo no secundário, pelo que me fizeste.

És de andar à porrada, meu?

Só quando é necessário.

Só a algemei ao bebedouro,

-quando ela me irritou. -E pegaste fogo à minha mochila,

-quando eu a levava às costas. -Bem, tu atiraste-me ovos,

-quando eu estava com... -A secretária do reitor.

A minha mãe apanhou-nos por tua causa. Ela ficou fula comigo.

-E o reitor também ficou. -Olá.

Olá!

Não é preciso. Diga ao chefe que eu estou aqui

e traga-nos um Borgonha de 96.

Se não houver, vamos embora.

Sim.

Bem, é igualzinha à minha esposa. Que loucura.

-Casaste? -Sim.

Há seis anos, com a neta do presidente da Eritreia.

Não lhe contou, Gideon?

E tu, contaste ao Amos que eras caidinha por mim?

Não, contei-lhe a verdade.

Vejam só tamanha beleza!

Esses olhos grandes, que mais parecem diamantes.

Não concordas, Amos?

Correm rumores de que te interessas por diamantes.

É um dos maiores negociantes de diamantes do mundo.

Sim, mas de que vale isso, quando o nosso pai não está cá para ver?

O quê? O Yoram faleceu?

Sim, há muito tempo.

Vá, não quero estragar o ambiente. Estamos aqui para fazer negócio.

-Amos Oz e... Isso. -Eden.

Deem-nos uns minutos para resolvermos uns assuntos

e já teremos o nosso jantar em família.

Queres dar um saltinho ao bar, "Amos Oz"?

O barco do amor

-Ele é uma brasa. Caramba. -É, não é?

Credo, que otário.

Do pior que há.

Porque estás tão agitado?

Eu? Pareço-lhe agitado?

Pela forma como a beijaste para mostrares que é tua, como um babuíno?

O que foi aquilo?

Considera-lo uma ameaça?

Ela não quer saber dele.

Viste como o palerma se esforçou tanto para chamar a atenção?

O que foi aquilo?

Que carente.

Mas ele é como a Noa. Ela gosta de dar nas vistas.

São todos assim. O Gideon também é.

Ao menos, não somos como eles.

"Eles"?

-Então, não é um "deles"? -Não.

Não nasci rica. Nem perto disso.

Agora tenho algum, mas...

... não desejo estar no topo da pirâmide,

onde todos me conhecem e me temem. Não sou assim. Eles é que são.

Porque está com o Gideon?

Porque estás com a Noa?

-Porque a amo. -Eu amo o que faço.

E amo o Gideon.

Não como amas a Noa, mas...

... ele trouxe-me até aqui.

Estarei eternamente em dívida para com ele.

Pois, ela não gosta de si.

E diz que ele não me acha muita piada.

Eu sei o que ela diz.

Não acredites.

Estou sempre com ele e nunca o ouvi a falar mal de ti.

E ele também a ama muito. Fica descansado.

Só um pouco. Ela está bêbeda.

Ela já chegou aqui meia tocada.

Para de olhar para eles. Descontrai.

Quero que ela olhe para aqui.

Queres que ela olhe para aqui?

Depois, o copo partiu-se...

Ela não vê.

Não está a funcionar.

Pronto, tentámos...

Eu acredito em sinais, sabes?

Numa viagem à Índia, um amigo meu abre um negócio

e, do nada, anda a negociar diamantes.

"Diamantes?" Pergunto eu. "Miúdas? Porque não?"

Então, lá se foram quatro anos na Faculdade de Direito.

Não é verdade.

Eu queria aprender como funciona a justiça e aplicá-la aos pecadores.

Porque sorris? O que fez ele?

O que fiz eu?

Nada.

Despediste o pai dele. Isso é "nada"?

É por isso que estamos aqui, não é, Yair?

Não lhe desbloqueias os terrenos?

Estás a castigar o meu pai por ter despedido o teu, certo?

Foi isso que lhe contou?

Sim, foi isso.

O teu pai não despediu o meu.

Ele matou-o.

Quando os hotéis dele começaram a ter sucesso na América,

o teu pai expulsou o meu do negócio e deixou-o sem um tostão.

E mais,

quando o meu pai voltou para casa,

descobriu que, enquanto ele se fartava de trabalhar para o Gideon em Los Angeles,

o teu pai, o amoroso Gideon,

estava a ter um caso com a minha mãe, aqui em Israel.

-Não foi isso que aconteceu, Yair... -Então, explique-me!

Começou com o teu pai a discutir comigo porque queria uma parte maior do negócio.

Nós saímos do país por sua causa, para começar de novo,

mas o meu pai não aguentou.

Começou a beber e nunca mais parou.

Um ano depois, bateu de frente contra um camião.

-Nem foi ao funeral dele. -Era o meu melhor amigo. Deixa saudades.

Ele foi o meu primeiro sócio, estávamos juntos desde o primeiro dia,

-desde o primeiro hotel... -Ainda assim, dormiste com a esposa dele.

Estavas a pedi-las, pai.

A tudo o que o Gideon Hollander estava a pedir.

Sabes,

durante estes últimos anos, tenho pensado muito em ti.

A sério. Sempre que cá vinha,

via-te nos cartazes e sentia-me orgulhoso.

E por muito que este símio me irrite, quando ele disse que me querias ver,

não pude rejeitar.

Também pensei muito em ti.

E agora, depois de tudo o que disseste, lamento que tenhamos perdido o contacto.

Eu podia ter-te ajudado.

Não faz mal. Agora, estamos em contacto

e vamos continuar a mantê-lo.

Convida-me para o teu casamento.

Claro que sim. Trazes a tua esposa?

A minha ou a de outra pessoa.

Se calhar, até te faço um colar de diamantes,

para condizer com os teus olhos grandes.

-Se calhar, não. Faz mesmo. -Está feito.

Mais alguma coisa?

Não.

Pronto, vou chamar os nossos amigos.

Yair, espera.

Quero dizer mais uma coisa.

Se temos algo em comum,

é que o Gideon Hollander nos lixou aos dois.

E quando pensávamos que ele não ia mais fundo,

ele provou o contrário.

O Gideon é mesmo assim.

Ele merece tudo o que lhe fizeste.

Mas acho que ele já percebeu.

Eu gostaria imenso se pudesses tentar...

... tal como eu tento,

perdoá-lo.

Reunir-nos foi uma boa ideia.

-Dá só uma trinca. -Não.

-Então, andas a contar calorias? -Para.

-Vá lá. -Estás a chatear-me outra vez.

Amos, será que me podes salvar?

O melhor que posso fazer é levar-te para casa.

-Bem, pessoal, temos de ir embora. -Obrigada.

Ele amanhã tem trabalho na padaria.

-Espera, Amos, não pagámos a conta. -Não faz mal, eu pago. Nós pagamos.

Temos de ficar. É na boa.

Pronto, dá-me um abraço.

Mas não me mates.

Não te esqueças de me convidar. Sim, Amos Oz?

-Talvez te compre um quadro. -Com certeza.

-Adeus, Noa. -Adeus.

Não foi assim tão mau.

Nem fazes ideia de como lhe salvei a vida.

-Eu deixo-vos a sós. -Não, fica.

Não vamos demorar.

Devo dizer que ela...

... colocou as coisas em perspetiva.

Se os terrenos em África significam assim tanto para si,

eu digo ao avô da minha esposa para os desbloquear.

Fico-te agradecido, Yair. Obrigado.

Sem problema.

-Ainda sobre o teu pai, se me permites. -Sabe que mais?

Eu tenho uma condição.

Nada de especial.

Sei que a Noa está apaixonada e que vai casar com aquele jeitoso,

e não lhe quero estragar a vida, mas...

Se quer construir os hotéis em África, eu quero...

... a Noa.

Por uma noite.

Quando éramos miúdos, tentei e falhei.

Sinto que fiquei a perder.

O quê?

Quero a Noa por uma noite.

Decida o que me quer dar.

O seu negócio ou a sua filha.

Senhoras e senhores,

tenho o prazer de anunciar

que o grande Gideon Hollander decidiu

oferecer-vos o jantar de hoje!

E uma garrafa de Borgonha de 96 para todas as mesas,

cortesia de Yoram Altman.

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