All language subtitles for That Forsyte Woman (Compton Bennett, 1949).portuguese-brazil

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Original subtitles

A GL�RIA DE AMAR

Irene!

Irene!

Sim?

Bosinney.

Philip Bosinney.

Como se escreve?

B-O-S-l-N-N-E-Y.

- Mas est�... - Eu sei.

Posso v�-lo?

- � sua esposa? - N�o.

- Familiar? - N�o.

Ent�o, precisa de autoriza��o.

Mas eu gostaria de v�-lo!

S� um minuto.

A terceira porta.

N�o deveria permitir, mas por um minuto...

H� pouco veio uma mulher?

Pode nos atender?

- Uma mulher? - Sim, de cabelo vermelho.

Perguntando por Bosinney, um caso de acidente.

- Est� l� dentro. - Onde?

- � algum familiar? - N�o.

- E voc�? - N�o.

Ent�o precisam de autoriza��o.

S� quero ver esta mulher!

Sair� agora mesmo.

- Esperaremos - Est� bem.

Como sabia que ela viria aqui?

Qual outro lugar poderia ir?

N�o paro de pensar...

que talvez tenha sido o melhor que poderia ter ocorrido.

O melhor para quem? Para voc�?

Sim, para mim.

Irene, vou chamar um coche.

- N�o, deixe-me. - Ser� melhor que venha comigo.

Preciso ver a June.

- Voc� vir� comigo! - Preciso...

Precisa de repouso e de um m�dico.

Leve-me at� a June!

N�o espere dela nem afeto nem piedade.

- Cocheiro! Cocheiro! - Sim.

Com este nevoeiro irei cobrar o dobro.

Certo.

Fique aqui, Soames. Entre Irene e voc� tudo acabou.

Charlesgate Square, 16. Chelsea.

Obrigada, por tudo.

N�o fale agora.

Quero que entenda o que aconteceu.

- Tem direito de sab�-lo. - Amanh�.

N�o, deixe-me falar, por favor. Primeiro, sobre ele.

E depois, desta noite.

Esta noite horr�vel.

Que ironia ter de falar com voc�, um Forsyte, sobre sua fam�lia!

June.

Como pode trazer esta mulher aqui? Como pode?

- Por favor. - Afaste-se.

June, sei como voc� se sente, mas ou�a-me, por favor.

- Philip... - Vai zombar dele tamb�m?

Ou veio para devolv�-lo?

Quem dera, pudesse!

Papai, pedi sua ajuda porque estava desesperada.

Porque precisava de voc�. E voc� me faz isso!

June, escute-me.

Entendo que se sinta assim, mas deixe-me falar.

- Agora n�o, Irene! - Manipulou voc� tamb�m, papai?

- � muito pr�prio dela! - June! June!

Preciso contar-lhe.

� melhor que n�o saiba por voc�.

Venha aqui e descanse.

Tire isto.

Assim estar� melhor.

Pronto.

- Um pouco de...? - N�o, obrigada.

Como voc� � compreensivo! Agora que j� sabe de tudo.

Relaxe e descanse.

Est� tremendo. Vou buscar um cobertor.

Quando falar� com June?

Farei isso. Breve.

Breve.

Fale...!

Breve.

Deveria estar com June, mas n�o posso deixar voc�, Irene.

Pode precisar de mim.

Embora n�o saiba,

eu amo voc� desde a primeira vez que a vi, naquela galeria de arte.

Mas nossos caminhos se separaram.

Se tivesse podido ficar perto de voc� e da June,

talvez tudo isso pudesse ter sido evitado.

Mas os Forsyte me haviam fechado suas portas.

Lembro-me bem.

Meu pai completava 80 anos.

N�o queria que me vissem e fiquei na cal�ada do outro lado da rua,

na esperan�a de ver a June.

Chegou com as suas imponentes tias, Ann, Julie e Hester.

Assustei-me quando vi meu pai atr�s de uma janela,

vendo-as chegar.

Encontraram-se todos no sal�o.

Os cinco irm�o, as tr�s irm�s,

seus filhos e filhas, com suas esposas e maridos.

Quando um Forsyte nascia, noivava ou se casava,

todo o cl� se reunia para apreciar a nova aquisi��o.

Quando um Forsyte morria...

Mas ningu�m havia morrido.

A morte era contra os seus princ�pios.

Mantinham em seguran�a tudo que era seu.

Esposas, casas, dinheiro, inclusive a pr�pria vida!

Encarnavam a alta burguesia.

A metade mais s�lida da Inglaterra.

Essa metade que corresponde a 4% da popula��o do pa�s.

A metade que importa!

- Felicidades, Jolyon. - Obrigado.

O retrato parece ele mesmo.

N�o, o fizeram maior.

� bonito, mas 100 libras...!

O melhor � ficar amigo do artista.

Convida-o para jantar e ele faz o quadro pela metade do pre�o.

- A firma de sir Andrew? - Sim.

Pensei que s� pintasse a nobreza.

Com 100.000 libras no banco qualquer um vira nobre.

� verdade. As coisas mudaram. Estamos em 1880.

- Come demais, irm�o. - N�o, � o meu peito que � baixo.

O que me conta de Soames?

H� uma mulher perseguindo o seu filho.

- Que mulher? - N�o me diga que n�o sabe.

Ningu�m me conta nada.

E quem �?

Seu pai era professor. De arqueologia ou algo parecido.

- lsso d� pouco dinheiro. - Deixou para a filha uns tost�es.

Como meu filho pode conhecer algu�m assim?

Eu a apresentei.

Chama-se Irene Heronford. Eu a conheci num concerto.

Ser� outra bo�mia!

Nada disso. � uma pianista brilhante.

Para voc�, todos s�o brilhantes. Um era um escultor brilhante.

Esse rapaz escoc�s era um escultor brilhante...

Sim, um escultor brilhante...!

E porque n�o a aconselha parar de perseguir o meu filho?

Persegui-lo, tio James?

Aqui est� Soames. Ele nos contar�.

Quem � essa mulher, Soames?

� verdade que pertence a Igreja Metodista?

Ainda n�o lhe perguntei, senhoras.

Querido Soames, essa mulher est� longe de ser jovem, n�o �?

Tamb�m n�o perguntei sua idade.

Se tiver mais de 20 anos, sem casar at� agora, h� alguma coisa.

Sim?

Salvo rar�ssimos os casos de n�o desejar se casar.

Como minha irm�, Hester.

Conhe�o os truques dessas ca�adoras de fortunas.

Um rosto bonito, uma ta�a de champanhe, um baile...

e antes de se dar conta ter� pedido sua m�o em casamento.

Eu pedi...

v�rias vezes.

- E sempre fui rejeitado. - Rejeitar a voc�?

J� que se interessam tanto por algo que n�o lhes diz respeito...

devem saber que sou eu quem a estou perseguindo h� um ano.

Sem nenhum �xito.

Ainda a chamam de ca�adora de fortunas?

Mas voc� mesmo admitiu que ela n�o possui nenhum dinheiro...

Miss Herenford � filha de um iminente professor, j� falecido.

E neta de um c�lebre general.

Quem somos n�s? O que o meu av� era?

Um carreteiro que prosperou construindo carruagens!

N�o h� necessidade de recordar essas coisas.

Agora somos ricos. lsso � que importa.

Exato. E como homem de posi��o,

nunca descanso at� conseguir o que desejo.

Feliz anivers�rio, tio.

Obrigado.

Entre, Senhor Forsyte.

Identifiquei o ru�do de sua carruagem.

A Srta. Herenford lamenta ter de faz�-lo esperar.

Mas o Freddie, seu principal aluno, se atrasou para a aula.

O seu pai � dono da loja de ferragens dali da frente.

Sra. Taylor, este menino estuda h� muito tempo?

Sim, h� muito tempo.

Mesmo?

Nunca aprender�. Mas o qu� a Senhorita pode fazer?

Ensinar m�sica ou viver de uma pens�o, como eu.

Demorar� muito?

Agora ela est� tocando. Direi para se apressar.

- N�o gostaria de tocar assim? - N�o.

Poderia tocar se colocasse o m�nimo de empenho.

Senhora Winthrop, nem todas as pessoas gostam de m�sica.

Tenho certeza de que Freddie se sairia melhor em outra atividade.

Mas se demonstrasse algum interesse...

Sinceramente, est� gastando o seu dinheiro com essas li��es.

Bem, suponho que devo ficar agradecida � voc�

pela sua franqueza.

- Adeus, Srta. Herenford. - Adeus. E muito obrigada.

Adeus, Senhora Winthrop.

- � o Sr. Forsyte? - N�o o fa�a esperar mais.

Diga-lhe que vou em seguida.

- Boa tarde, Irene. - Ol�, Soames.

Desculpe-me. Des�o j�.

N�o se preocupe pelo Sr. Forsyte. Eu lhe farei companhia.

Temos muita coisa em comum.

� um Corot? Gosto de ouvir voc� falar de pintura, Soames.

Sempre gostei de ver quadros, mas n�o entendo quase nada.

- Gostou deste, de verdade? - Sim, muito.

Que est� fazendo?

Acabamos de vend�-lo, Sr. Forsyte. Por 120 libras.

Vendido?

O que voc� gostou.

Temos que aprender a renunciar as coisas que gostamos.

� mesmo? Pois eu n�o.

Desculpe-me por um momento. Volto em seguida.

Sr. Forsyte, quer entrar?

Era a primeira vez que eu expunha numa galeria de Londres.

E esperava vender o suficiente para saldar as d�vidas.

Vi seu rosto pela primeira vez.

Refletido no cristal de uma de minhas aquarelas.

E de repente, minha obra pareceu algo p�lido e insignificante.

Intitula-se, O Lago do Moinho.

Mas suponho que n�o seja muito bom.

Pois eu gosto muito.

- Verdade? - T�o suave, t�o sereno...

- Quem � o artista? - N�o � muito conhecido.

Algum dia ser�.

Forsyte! Jolyon...

- lsso mesmo. - Ent�o voc� �...

Irene, j� o tenho.

O comprador ainda estava aqui. E vendeu-me por 170.

- Soames, um pre�o exorbitante. - N�o �, se voc� gosta.

Boa tarde, Soames.

Boa tarde.

Gostaria de falar-lhe. Se voc� nos permitir.

Claro.

Tem bom olfato para neg�cios.

Este Corot valer� o dobro em dez anos.

Sim? Tenho pouco tempo. O que gostaria de dizer?

- Como est� meu pai? - Est� muito bem.

Preocupado ao saber que havia voltado de Paris.

Sua desculpa ser� a morte da mulher com quem se casou?

Precisa-se de alguma desculpa para voltar a Inglaterra?

Estaria melhor em Paris. L� as excentricidades n�o chocam.

- N�o s�o como n�s. - N�o, s�o boas pessoas.

Como est� minha filha?

N�o a vejo desde que tinha quatro anos.

Voc� aceitou isso. A fam�lia cuida dela com carinho.

Entendeu bem o que melhor convinha para a garota.

N�o tive escolha. Agora � uma mulher adulta...

Continue sem escolha. O acordo continua de p�.

Gostaria que soubesse que voltei, gostaria de v�-la.

A fam�lia n�o consentir�.

June est� muito bem. Deixe tudo do jeito que est�.

- Deseja saber mais alguma coisa? - N�o, obrigado.

Aquele � Jolyon Forsyte, o pai de June...

A ovelha negra da fam�lia.

Pois eu achei muito cavalheiro e encantador.

O que pensaria de um indiv�duo que fugiu com a governanta...

um ano depois do falecimento da esposa?

Dependeria da governanta.

Bom dia, Soames.

Na exposi��o eu lhe perguntei se queria alguma coisa.

N�o seria o local apropriado para falar e n�o quis ser impertinente.

- lsso � muito dif�cil? - A mo�a que estava com voc�...

O que tem?

Parece que ela gostou dessa aquarela.

- Sim? - Gostaria de oferecer-lhe.

N�o conseguiu vend�-la?

S� pe�o um favor:

Poderia me dizer seu nome para poder envi�-la?

- Claro que posso dizer. - Obrigado.

� a mulher com quem vou me casar.

- Quer saber algo mais? - N�o, eu...

- Permita-me felicit�-lo. - Obrigado.

Talvez gostasse de oferecer-lhe como presente de casamento.

Que eu saiba, ningu�m d� presentes sem motivos.

- O que lhe disse na exposi��o? - O que lhe disse?

Sim. Pensou que estivesse sozinha, n�o?

- Presa f�cil. - Escute, Soames...!

Conhe�o os tipos como voc�. N�o chegue perto dela.

S� gostaria que tivesse o quadro, s� isso.

Diga que voc� o comprou... se achar melhor.

Ouvi dizer que leciona numa escola de artes de segunda categoria.

A escola � de primeira categoria. De segunda sou eu.

- Bom dia, tio James. - Bom dia.

- N�o estava em Paris? - Voltou h� pouco tempo.

Poderia se encarregar deste caso?

Em julho? Imposs�vel. Estarei em lua de mel.

- Lua de mel? N�o me disse nada! - Estou dizendo agora.

Trata-se da professora de piano que o rejeitou?

E continua rejeitando.

Lembra-se daquele arm�rio do McDonald,

que n�o queriam lhe vender e queria tanto?

- � uma compara��o absurda. - Acha mesmo?

N�o �, conhecendo voc�.

N�o me lembro de ter passado uma noite t�o agrad�vel.

Porque n�o repetirmos outras noites?

Obrigada outra vez. Boa noite.

Preciso lhe dizer algo. Posso entrar?

� muito tarde. Acordaremos a Sra. Taylor.

No escrit�rio n�o nos ouvir�. � s� um momento.

Fale, Soames.

Irene, voc� n�o pensa no seu futuro?

- �s vezes. - �s vezes?

N�o durmo direito pensando nele.

Por isso... Estive pensando que...

precisa de algu�m que se interponha entre voc�...

e esta s�rdida situa��o em que voc� vive.

E eu estou aqui para isso.

Eu amo voc�. Quero voc� em minha vida... em minha casa.

- Existe algum outro? - N�o.

Mas houve?

- Sim. Uma vez, h� muito tempo. - Quem? Onde est� agora?

Um jovem muito estranho. Diferente de voc�.

N�o tinha sua sensatez, nem a sua for�a.

Voc� � respons�vel e s�lido.

Ele era ao contr�rio. Impulsivo e alegre.

N�o havia nada de s�rio nele.

N�o sei o que pensava. Nunca andava nem arrumado.

Mas quando entrava em algum lugar todos sorriam para ele.

Sim? E quanto tempo isso faz?

Eu o conheci no Cairo, na campanha do Nilo.

- Um oficial! De que regimento? - South Staffordshire.

Quanto tempo durou este romance?

N�o muito. Quatro semanas.

Menos ainda.

Vinte e cinco dias.

Foi para frente com seu regimento e nunca mais voltou.

Uma patrulha noturna, uma emboscada em Suakin...

N�o tinha aspecto de her�i.

N�o se pode viver de recorda��es. Tudo isso � passado.

Voc� gosta de mim, certo?

Sim.

Muito.

lsso � suficiente.

O amor surgir�, pouco a pouco.

At� isto acontecer o meu ser� suficiente.

lsso seria injusto com voc�.

E tamb�m � injusto para voc�, insistindo continuadamente.

Sei que ao dizer esta noite que n�o devemos nos ver mais...

vou me lamentar.

Voc� n�o entende?

Fa�o parte da sua vida mas n�o tenho como corresponder.

Estarei triste sem voc�.

Este conflito n�o existiria se eu gostasse de voc�.

Haver� de me querer algum dia.

Esperar esse dia, n�o seria um bom compromisso para voc�.

Nunca tenho compromissos... ruins.

Pe�o t�o pouco, n�o exigirei nada, s� que fique comigo.

E se n�o for feliz e quiser ir embora, deixarei voc� ir.

N�o � essa a ideia do casamento.

Voc� � o homem mais generoso que conheci.

Merece muito mais do que eu jamais poderia oferecer.

Gostaria de querer a voc� do jeito que me quer.

Pode ter certeza.

E agora v� antes que eu mude de ideia.

Estarei esperando esse momento.

Sempre. Boa noite

Adeus, Soames.

Boa tarde, Sr. Forsyte. Aqui est�o as chaves.

Abra a porta.

O propriet�rio assinou o contrato?

De imediato, o senhor entende de neg�cios.

Creio que sim.

- Far�o as reformas? - Sim, senhor.

Bem.

Agora posso dizer que se n�o tivesse feito p� firme...

ele teria pedido o dobro pela casa.

Eu a queria a todo custo,

e que estivesse dispon�vel em junho.

- Caso-me em julho. - N�o sabia. Parab�ns!

Obrigado.

E sua futura esposa, gosta da casa?

- Ainda n�o viu. - Ser� feliz aqui.

Esta parede pode ser demolida e construiria um jardim de inverno.

Est� muito em moda dentre as senhoras.

Sim, mas nessa parede ficar�o alguns quadros.

Claro! � um investimento bem melhor.

Sim, quadros de pintores novos antes que fiquem famosos.

Essa ser� uma sala de m�sica. Minha futura esposa adora.

Claro, a m�sica � uma grande divers�o.

Com certeza.

Que delicia. Pensar que esta casa despertar� com Beethoven,

Bach e H�endel.

Espero h� seis semanas uma palavra sua.

Se necess�rio, esperarei seis anos. N�o tem piedade?

O Sr. Forsyte deve gastar uma fortuna em rosas.

Mesmo assim voc� nunca quer v�-lo.

Mais r�pido, Sra. Taylor. � uma polca.

Pagaria seu aluguel com o que ele gasta com rosas.

Logo terei novos alunos.

N�o espera que libere seu aluguel em troca de uma li��o di�ria?

N�o, Sra. Taylor.

Eu seria a �ltima pessoa do mundo a ter d�vidas sobre isso.

Al�m disso, sabe tornar-se �til.

Se tivesse familiares a quem recorrer...

N�o parece ser uma pessoa de fazer amizades com facilidade...

Sra. Taylor.

O Sr. Forsyte! Vou receb�-lo!

Fa�a-me um favor. Diga-lhe que viajei e n�o sabe quando volto.

- Mas... - Por favor.

Tudo bem. Mas se fosse eu...

Tudo est� indo bem.

Falo a seu respeito, com ela, constantemente.

- Saberei recompens�-la. - N�o, n�o, Sr. Forsyte.

Fa�o isso porque quero o melhor para ela. Est� naquela sala.

N�o entre a�! Eu lhe disse que foi viajar!

Irene...

Por fim, Irene sucumbiu a insist�ncia de Soames,

e durante dois anos ele orgulhosamente

a exibiu em todas as ocasi�es.

A impress�o que causava a beleza de Irene aumentava a sua vaidade.

Nenhum homem poderia exibir melhor aquisi��o.

A Sra. Forsyte est�?

- Est� em seu quarto. - Vou falar com ela.

Bom dia, Am�lia. Eu levarei.

Como quiser, senhorita.

Entre, Am�lia.

Bom dia, Am�lia.

Que frio! N�o parece que estamos em julho.

Que horas s�o?

N�o importa, vou me levantar.

June chegar� a qualquer momento.

Se soubesse como me aborrece...

N�o vai trazer o caf�, June?

Irene!

Estava me enganando.

Tome o caf� depressa. Temos muito o que fazer.

Al�m disso, sup�e-se que as mulheres modernas n�o comem.

Quero que fique muito bonita. Deixe que escolha um vestido.

Vamos r�pido.

O que est� fazendo?

Coloque isso. Fica muito bem em voc�.

Quero que goste dele!

- De quem est� falando? - Philip. � o mais...

Ele � t�o encantador...!

- Onde o conheceu? - Na casa dos Ambrose.

� arquiteto e desenha pr�dios muito bonitos.

Estava descendo as escada ele me olhou bem nos olhos e disse:

''Minha noiva vem a�''. E nem me conhecia!

N�o est� se dando muitas esperan�as?

Oh, n�o. Convidou-me para um lanche e eu aceitei.

Tem um sobrenome raro. Bosinney, Philip Bosinney.

Serei a Sra. Bosinney.

- J� chegaram t�o longe? - Sim, deu-me a entender � noite.

O que disse?

N�o que tenha dito com palavras mas para mim ficou claro.

Algu�m da fam�lia j� sabe?

N�o. Voc� � a �nica que est� sabendo.

Preciso de ajuda.

Por qu�? Acredita que iriam se opor?

N�o h� motivo para isso.

- Mas n�o tem dinheiro... - Mas � t�o brilhante!

Sei que � conveniente casar-se com algu�m rico como Soames.

Mas � melhor escalar uma posi��o juntos.

Fale-me deste jovem.

Suponho que seja jovem.

Tem mais de 20 anos mas � muito atraente.

Acabar� sendo rico projetando pr�dios e igrejas.

Mas ningu�m est� querendo constru�-las.

Mas algum dia h� de triunfar.

Bem, melhor conhec�-lo. Convidou-o para um ch�?

N�o. Poder� v�-lo hoje no Regent's Park.

Est� me esperando.

- Se encontrar�o no parque? - Claro.

Hoje e todos os dias. Juntos no lago.

- June, isso n�o � correto. - Por que?

Se voc� me acompanhar as apar�ncias ficam cobertas.

Como sua tia e membro da fam�lia Forsyte,

n�o posso acreditar no que estou ouvindo.

A que horas se encontrar�o?

Voc� gostar� dele e depois me ajudar� com a fam�lia.

Convencer� o vov� para que todos o recebam.

O vov� gosta de voc�.

Sempre diz que o melhor de Soames � sua mulher.

- Ol�, Soames. - Bom dia.

- Voc� veio sozinha? - N�o, Jonathan me trouxe.

Um cocheiro servindo de companhia?

Vamos �s compras. Iremos em seu coche.

Ent�o pedirei para n�o me esperar.

Vejo que s�o unha e carne.

Convide-a para morar aqui. Economizariam tempo.

- Se encontrar�o todos os dias? - N�o tenho outro compromisso.

- Acha ruim? - N�o � isso.

Na verdade eu n�o sei o que voc� v� nessa mo�a.

Aborrece-me a sua falta de dignidade.

- � jovem e doce. - Muito.

Porque n�o me permite escolher suas amizades?

Como meus vestidos?

Fiz de voc� uma das mulheres mais bem vestidas de Londres.

- N�o pode se queixar disso. - N�o, voc� � muito generoso.

N�o � generosidade.

Gosto que deem a valor a uma mulher rica.

Esse � um princ�pio dos Forsyte.

Como a pontualidade.

Ontem � noite se atrasou.

Mas comportou-se bem,

e distraiu a fam�lia, que � o mais importante.

- N�o me diga. - At� meu pai a elogiou.

Ele surpreendeu-me � noite.

Me levou a um canto e disse:

Diga a Soames que me enganei

a respeito do arm�rio do MacDonald.

�s vezes

� necess�rio dar um lance alto para conseguir o que se deseja.

Ele disse isso?

Falava do arm�rio como se fosse eu.

Como se fosse voc�!

N�o achei gra�a.

N�o, n�o foi isso.

Talvez a compara��o n�o fosse t�o pr�pria quanto ele acreditava.

Porque esse arm�rio que se referiu � totalmente meu.

Irene, voc� ainda n�o est� pronta.

Voltarei logo. Procure n�o se atrasar.

Claro que n�o.

Coloque o vestido azul esta noite.

Como desejar.

- Bom dia. - Bom dia.

Est� ali.

R�pido.

Ali. Olhe. N�o � encantador?

Fale baixo. Pode ouvi-la.

Quando era menino n�o gostava de banho.

� como o Gerald.

lsso nos faz amigos.

Diziam que se n�o me lavasse n�o haveria creme no caf� da manh�.

Gosta de creme, Gerald?

- N�o. - Eu tamb�m n�o.

Disseram-lhe que n�o me deixariam ir � festas.

- Odeio festas. - Eu tamb�m.

N�s somos amigos! Darei um centavo para voc�...

E foi assim que o deixaram sozinho...

com a cara suja, sem o creme de manh� e sem festas.

- E o que voc� acha que aconteceu? - Viveu feliz para sempre!

Philip!

- Seu nome � Philip? - Sim.

Aquelas duas senhoras est�o chamando voc�.

- Duas? - Meu tost�o!

Claro. N�o tenho tanto dinheiro fique com esses dois xelins.

Que sorte!

- Fiz voc� esperar muito? - N�o.

Philip apresento a voc� a Sra. Forsyte, minha tia.

- Como vai voc�? - Muito prazer.

� muito am�vel em acompanh�-la.

Muito obrigado.

Levarei June para casa antes do ch�.

June e eu estamos juntas.

- Todo o dia? - O dia todo!

Pretendia dar um passeio de barco com June.

� vulgar, mas muito agrad�vel. Gostaria de vir conosco?

Sim, gosto muito de barcos.

O ruim � que eles s�o s� para duas pessoas

e n�o quero que fique desconfort�vel.

Tr�s � um n�mero ruim.

- Gostaria de visitar o zoo? - Sim, sempre gostei.

N�o acha que ser� aborrecido?

N�o me conhece. Se vou ao zoo, vou ao zoo.

lsso significa... jogar p�o para os ursos...

Ver os le�es comendo...

- Montar num camelo... - E ficar destru�da!

� delicioso.

Desisto. Acompanha-nos no lanche?

- Com muito prazer. - Vamos.

- Mais vinho, Sra. Forsyte? - N�o, obrigada.

- June? - N�o estou acostumada.

Ningu�m quer. � horr�vel ser rejeitado.

Sabe? Deveriam me mandar embora.

Sou bruto e alco�latra.

Ainda n�o tenho opini�o formada sobre voc�.

Falar� aos Forsyte dos meus maus modos?

- N�o tinha observado. - S�o muito pessoais.

Pr�prios de um artista criador.

Deveria me perguntar sobre minha posi��o social.

Gar�om, a conta.

Minha posi��o n�o � brilhante, mas meu futuro fabuloso.

E nosso casamento ser� muito agrad�vel.

Percebe-se que voc� n�o conhece o av� de June!

N�o me preocupo com fam�lia Forsyte, sou muito tolerante.

N�o levarei em conta sua riqueza nem seus antecedentes.

- Muito am�vel. - Nada disso.

N�o julgo ningu�m pelo que falam.

Sobre um alfinete de diamantes tamb�m bate um cora��o.

- Shakespeare ou Browning? - Melhor: � de Bosinney.

- Tem muito senso de humor, n�o? - Vai precisar muito.

- Contamos com sua ajuda. - N�o precisaremos.

Londres clama por um arquiteto genial!

- Para reconstru�-la com arte. - E com um sal�rio fabuloso.

Colossal! E com um t�tulo de nobreza,

escrit�rio em H�nnover Street, casa em Park Lane...

- Nada � imposs�vel para um g�nio. - Nada! At� fazer milagres!

- Milagres! - A conta, senhor.

Seis xelins.

Dois.

Algo vai mal, Sr. Bosinney?

Um pequeno milagre ajudaria?

Esta manh� fiz um investimento inesperado em doces.

Ficaria ofendido se lhe fizesse um empr�stimo?

Ofender-me? Ficaria encantado. Dois xelins.

Mais alguns para os doces? Meia coroa?

Magn�fico!

Salvou-me a vida. Poderei continuar existindo.

- Obrigado. - De nada.

Obrigado. Salvou-me a vida.

Os Forsyte s�os espetaculares. Acabo de investir num g�nio.

- N�o acredita. - Bem, eu...

Tamb�m n�o acredito que seja tia de ningu�m.

- Por qu�? - N�o corresponde ao padr�o.

E qual �?

Cora��o de ouro e tornozelos horr�veis.

Duvida que eu tenha cora��o de ouro?

N�o pensava no cora��o.

Pode chamar o meu coche?

Agora que a conversa come�ou ficar interessante?

Por favor, Irene...

Nenhuma tia nos deixaria sozinhos.

Sei que levar� June para casa na hora do ch�.

- E o zoo? Veremos os macacos. - N�o � necess�rio. Agora.

Sempre ocorre a mesma coisa quando voc� sai com a June.

Pensei que n�o viria.

June conheceu um rapaz com quem pretende casar-se.

- N�s o conhecemos? - N�o. Chama-se Bosinney.

Philip Bosinney, � arquiteto.

- Tem dinheiro? - N�o.

Jolyon n�o permitir� que June se case com um ca�ador de fortunas.

Pensavam que eu tamb�m fosse.

� diferente quando � o homem o dono do dinheiro.

Uma mulher pode ser propriedade de um homem mas o contr�rio...

N�o falei de propriedades.

- June acredita que ser� famoso. - June, acredita?

O que ela entende? N�o distinguiria Westminster de uma f�brica.

Uma mulher pode se enamorar de quem projetou essa f�brica.

Posso felicit�-lo, senhor?

Wilson me informou que � o seu anivers�rio de casamento.

Obrigado.

Ponho as flores diante do prato da senhora?

N�o. Creio que a senhora se esqueceu que dia � hoje,

se deix�-las poder� ficar embara�ada. Leve-as.

Sim, senhor.

Boa noite, Wilson.

Hoje haver� uma apresenta��o da Escola de Maridos, de Moli�re.

- Pensei que gostaria de assistir. - Sim.

N�o me enganei. Melhor que ficar em casa comigo.

Por que est� dizendo isso?

Poderia ficar tocando piano. Assim n�o teria de falar comigo.

lsso � injusto. N�o toco por que sei que o incomoda.

N�o me incomoda. Eu gostava.

At� que compreendi que o usava como barreira para isolar-se de mim.

Soames, porque voc� pensa essas coisas?

Gosto muito desse vestido.

Que bom que se lembrou de vesti-lo.

Claro. Voc� me pediu.

Lembra que dia � hoje?

N�o, certo?

Sim, � o dia do nosso anivers�rio de casamento.

- Faz dois anos... - Sim, sim, claro.

Entende agora porque perguntei.

� assombroso como as mulheres s�o esquecidas.

Sempre julguei que fosse o marido que esquecia das coisas.

Quando sa� do julgamento esta manh�, passei na Joalheria H�dden Garden.

E trouxe isso para voc�.

Vai combinar com o vestido.

Soames, � lindo.

Muito obrigada.

Presenteia-me com tantas coisas...

� perfeito.

E lembrou que as safiras s�o minhas pedras favoritas.

- Foi muito atencioso. - Obrigado. Procuro s�-lo.

Por�m n�o � rec�proco.

Oh, Soames, por favor. Esta deve ser uma noite feliz.

Feliz? Voc� � feliz?

Ou se conforma com a situa��o que acordamos.

Boa atua��o.

Enganaria a algu�m menos perceptivo.

Por que se tortura dessa maneira?

A mim tamb�m.

- Voc� deturpa tudo... - N�o deturpo nada!

Sei que tentou dar tudo o que um homem necessita.

Mas nunca est� por perto.

Sempre a percebo distante. Num mundo s� seu...

Voc� concordou.

Que posso dizer, apenas que... sinto muito.

Obrigado.

Outro estranho havia cruzado o umbral.

Os Forsyte se dispuseram a conhecer Philip Bosinney...

e a conden�-lo.

Como os soldados em Balaclava,

cerraram fileiras ante o intruso.

A� est�.

O Senhor Philip Bosinney.

- Lembrou-se de cruzar os dedos? - Inclusive os dos p�s.

Vou apresent�-lo ao meu av�. � ador�vel.

- Ele � o chefe da fam�lia e... - E n�o sou nada ador�vel!

- Muito prazer, senhor. - Igualmente.

Ent�o, quer ser meu neto...

N�o � esse meu prop�sito principal.

Ele quer dizer que n�o o conhece, mas...

Suponho que o rapaz poder� falar por si pr�prio.

- June sabe ser divertida. - Ela o diverte?

- Muito. - Boa base para o casamento.

Existem piores.

N�o imaginava conhec�-lo t�o r�pido...

Assim que n�o... Quero dizer...

Eu disse que seria como um banho de �gua gelada.

Um banho?

� bom sairmos daqui, n�o �, querido?

Nunca tinha visto uma boneca que fosse mais encantadora.

- Uma boneca? - Refere-se aos meus encantos.

Eu ouvi. Espero que n�o erre na escolha de um marido.

Venha, querido.

Deve conhecer o restante da fam�lia.

- Onde ela est�? - Quem?

- Irene, sua amiga. - Estava aqui neste instante.

Ali est� Soames, seu marido.

� importante na fam�lia, n�o deixa ningu�m se aproveitar dele.

Que acha, Soames? Fale ou cale-se para sempre.

- Como vai? - Com est�?

Vamos, ainda tem de enfrentar todos os demais.

N�o sei sua opini�o, Soames, mas eu estou surpreso.

Sempre suspeito de quem esteja sendo imposto na fam�lia,

sem que saibamos de onde vem.

O que acha de Littlemaster? � um bom arquiteto?

- � muito elegante. - Obedece tudo que eu mando.

Por�m isso acontecia antes de conhecer. Vamos.

Obrigado.

Apresento meu tio Swithin e meu tio Nicholas.

- Como vai? - Prazer.

- Todos gostam da June. - Eu sei. Eu tamb�m.

Muito bem, ainda n�o se casaram e j� diz que a quer.

Assim � a nova gera��o.

Eu disse a Philip que voc�s querem construir casas de campo.

Eu? Comprar terras? Construir casas?

Um investimento desse n�o se obt�m nem 4%.

- Ar fresco, tio. - E para que eu quero isso?

- Respirar � uma boa ideia. - Vamos andando.

- N�o terminei. - Venha.

Se June quer se casar com a arquitetura...

que o fa�a com o filho de Littlemaster.

Talvez n�o tenha filhos.

- Pois deve inteirar-se. - Deixe que siga seu caminho.

- N�o deve estar morto, n�o? - Quem?

- O filho de Littlemaster. - N�o sei.

- Irene, quem � Bosinney? - Um arquiteto promissor.

Mas nunca tivemos um arquiteto na fam�lia...

O que a June vai lucrar com um arquiteto?

O importante � que est� apaixonada.

As garotas sensatas n�o permitem que o amor supere a raz�o.

A pobre Hester se apaixonou por um professor de esgrima,

mas acabamos com aquilo a tempo.

Sempre me censuram por ter ficado solteira.

Bobagens. June deveria seguir o exemplo de nossa querida Irene.

- Em que sentido, tia Julia? - O da sensatez.

Esperou at� encontrar um homem que pudesse lhe dar tudo.

Tudo o que desejava e nunca conseguiria por si.

E acabou conseguindo.

Eu fiz isso?

� poss�vel que sim.

Por que n�o fala com June...?

E a conven�a a esperar para obter um pre�o melhor?

- N�o fale com tanta indelicadeza. - Desculpe, � verdade.

Mas n�o foi isso que voc� quis dizer?

- Verdade que � bonita? - Parece estrangeira.

Deve custar um dinheir�o a Soames s� para vesti-la.

Esperem por um grande desgosto. Recordem-se disso.

Tive uma ideia luminosa. Tome um ch� enquanto falo com Soames.

- Oh, � voc�. - O que aconteceu comigo.

- Me deixou sozinho. - Necessitava de ar fresco.

Voc� tamb�m?

Todos me cheiraram como se tivesse sido pescado podre.

Sabe? Suspeito que n�o me encaixo bem aqui.

E voc� tamb�m.

- Por que diz isso? - Tenho boa intui��o.

E por que, desde que a vi procurei averiguar coisas sobre voc�.

Sente-se, por favor.

Voc� � uma mulher extraordin�ria.

Quando nos apresentaram comportei-me muito mal.

Onde estava sua intui��o?

Fora de foco.

Vi em voc� um emiss�rio que os Forsyte enviavam contra mim.

- E se rebelou? - Sim, mas voc� fez isso por mim.

E agora que o cl� o examina, n�o est� satisfeito.

Que mal agradecido!

Deveria estar l� dentro com a June.

Para ver figuras de cera?

N�o vou num museu desses desde crian�a.

Prefiro estar perto de voc�.

Sei que parecem figuras de cera,

por�m n�o vou tolerar esses coment�rios sobre a fam�lia.

- Seus ou meus. - N�o � s� isso que nos une.

- Somos amigos. - Claro? N�o sabia.

Hoje n�o o reconhe�o. Est� muito mudado.

Diz isso pelo meu traje novo? Um disfarce para inspirar confian�a.

- Ainda n�o est�. - E a flor?

- Absurda. - N�o, n�o. Adoro os cravos.

O que tenho de mal? O cabelo?

- N�o se penteia direito. - A June diz a mesma coisa.

Recorda-me de algu�m.

Algu�m que tamb�m n�o se penteava?

Sim.

- Um bo�mio mal vestido? - Sim.

- Sem sentido de dignidade? - Nenhum.

- Nem maneiras refinadas? - N�o.

- Que n�o se podia levar a s�rio? - Nunca.

Mas que agradecia ser aceito como amigo?

Talvez.

Obrigado por aceitar-me.

- N�o se v�. - Devo faz�-lo.

Est� aqui? Disse a Soames que voc� quer uma casa no campo.

- Eu, uma casa de campo? - Acreditou quando eu falei.

Pareceu-lhe uma ideia magn�fica. Estariam s�s, longe de tudo.

Mas porque lhe ocorreu isso?

N�o compreende? Depois disso choveria trabalhos para o Philip.

June, pare com esses assuntos. Sinto-me num mercado.

N�o seja bobo. Eu convenci Soames.

Se tivesse feito isso por gostar do meu trabalho!

N�o se preocupe, ele pedir� todas as informa��es sobre voc�.

lsso � de se esperar.

E esse bobo fica pensando que fazem como se fosse uma caridade.

Ao contr�rio. Meu marido espera fazer um bom investimento.

N�o se preocupe. Adeus, meu marido est� me procurando.

- Adeus. Ir� me visitar? - Oh, sim, em breve.

- Vir� me ver antes de domingo? - Amanh� pela manh�.

- Mas n�o antes do caf�. - Creio que isto � seu.

Obrigada.

N�o acha que � ador�vel, agora que a conheceu melhor?

- Sim. Ador�vel... - Voc� perdeu seu cravo!

Querida Irene, espero que acerte a respeito desse Bosinney.

Sabe que confio em seu julgamento.

Creio que deveriam casar-se o quanto antes.

Mesmo? Alguma rela��o com seu casamento... com Soames?

Mas o de June n�o tem que ser t�o bom, igual ao seu...

Se June conseguir dois anos, ou s� dois meses de felicidade...

ter� valido a pena as boas recorda��es para guardar.

- Eu sei que est� apaixonada. - Apaixonada?

O amor destruiu o casamento do meu filho.

Por casar-se sem amor!

Eu pretendia um casamento respeit�vel para ele.

Acredita que um casamento sem amor pode ser respeit�vel?

Irene, est� tudo bem entre voc� e Soames?

Por que pergunta?

Quero que saiba que sou seu amigo.

Se esse arquitetinho quer realmente casar-se com June...

vai precisar colocar a m�o no bolso do tio Jolyon.

Acredito que se o encarregar do projeto da casa de campo,

isso vai agradar ao velho.

Poderia melhorar meu conceito, ele n�o vai viver para sempre...

Mas meu prop�sito principal foi o de agradar a voc�, Irene.

Considerei tamb�m que uma casa de campo,

longe das obriga��es sociais nos aproximaria.

Com certeza ser� assim.

Sra. Forsyte! June!

Encontramos um local espl�ndido para a casa.

Venham v�-lo.

Creio que ir� gostar, Irene.

Depressa!

Construirei aqui uma casa de sonhos.

E me enviar� a fatura de pesadelo.

Ficaria contente com uma cabana.

- Bem, o que acham? - lsto � magn�fico.

- H� um riacho. - Seu riacho.

- Este local n�o ser� �mido? - Daqui pode-se ver o Tamisa.

Sim, veja.

- N�o parecer� com nenhuma outra. - Ser� muito mais cara, n�o?

Quero beleza de linhas, gra�a, mod�stia, eleg�ncia...

e que seja um convite a entrar.

Philip, vamos ao riacho.

- Vamos, Philip. - Vamos, Irene.

- Soames, ajude-me a descer. - Sim, j� vou.

O que pensou quando encontrou a flor?

Que o futuro de June n�o estaria seguro em suas m�os.

N�o, n�o � o que eu quero.

Porque n�o faz muito compreens�vel os fundamentos da arquitetura?

Preciso de algo mais completo, um estudo mais profundo.

Ent�o o livro de Littlemaster. � um cl�ssico.

Mais � de uma gera��o mais antiga, n�o acha?

Gostaria de algu�m que apoiasse a escola moderna.

Entende: beleza das linhas, simplicidade...

J� sei o que deseja.

- Um momento. - Obrigada.

- Boa tarde. - Boa tarde.

- Voc� � Jolyon Forsyte. - Vejo que n�o esqueceu de mim.

Claro que n�o esqueci.

E recordo da sua aquarela: O Lago e o Moinho.

Foi muito am�vel aceitando-a.

Como? N�o entendi.

Eu o enviei como presente de casamento.

Deve ter se extraviado pelo caminho.

Deve ter me achado uma ingrata por n�o ter agradecido.

Gostaria muito de t�-la recebido.

- Como est� June? Est� feliz? - Sim, est�.

- Sempre est�o juntas? - Sim, somos amigas.

- Eu sei... - Aqui est�. Creio que gostar�.

- Obrigada. - Cinco xelins.

- Obrigada. - Obrigado.

- Adeus. Por que n�o vem visi...? - N�o me pe�a para visit�-los.

Soames n�o gostaria.

- Bem... Adeus. - Adeus.

Bonita senhora.

Verdade.

Nunca esteve aqui, mas seu rosto � familiar.

Arquitetura!

Porque iria querer encher a cabe�a com esses problemas?

- lsso me pergunto. - Conhece-a bem?

- Pois... - Claro! Agora me lembrei.

Sim. Aqui est�. Creio que sim.

- Sim. Not�vel, not�vel. - Est� bom de mem�ria.

� ela mesma. Cada linha.

Que retrato!

� assombroso como um homem guarda na sua mente o rosto de uma mulher.

Acho que vou levar para ela.

Sim, mudei de ideia, n�o quero vender mais.

- Desculpe. - Por qu�? Por que parou?

- Pensei que fosse meu marido. - N�o gosta de m�sica?

Era Chopin, n�o �? Por que parou de tocar?

Conhece bem, n�o?

Ouviu Rubinstein no m�s passado?

Sim.

- N�o lhe impressionou? - Vou com frequ�ncia ao Albert Hall.

Eu tamb�m.

Mas n�o na plateia. Pago um xelim e subo para o galinheiro.

H� algumas semanas que n�o a vejo.

� mesmo?

Tr�s intermin�veis semanas.

O que veio fazer aqui?

Tenho um compromisso, com seu marido.

- Ele tende a ser pontual. - Vim antes... de prop�sito.

Estou projetando uma nova sala de m�sica para a casa nova.

Com um teto arqueado.

Uma sala de m�sica!

Clara e harmoniosa.

N�o creio que meu marido gostar� da ideia.

Quer ver os esbo�os?

- Sim. Onde est�o? - Na biblioteca.

Perder� seu tempo. N�o entendo nada de arquitetura.

Nunca me interessei por isso.

N�o?

Mas eu vi que est� lendo um livro sobre arquitetura moderna.

E o marca p�ginas leva suas iniciais.

Sim.

O autor � meu amigo.

Depois que tiver lido entender� o que quero fazer.

Nos aproximar�. Nos far� aliados.

Ser� melhor que procure um aliado em meu marido.

Preocupa-me que seu marido se surpreenda quando entender...

como detesto o estilo vulgar e pretensioso do nosso tempo.

Casas que parecem igrejas. Igrejas que parecem museus.

Mob�lias que torturam os olhos e a anatomia.

Essas flores de cera! Odiosas imita��es.

N�o detesta essas coisas enganosas?

Porque n�o deixamos de fingir? Diante de todos e de n�s mesmos.

Posso ver os esbo�os?

Este � o do seu quarto.

Janelas que convidam o jardim a entrar no quarto!

Como voc� sabia que gostaria assim?

N�o conhece meus gostos.

Sei muitas coisas a seu respeito.

Sempre presente nos meus pensamentos.

Sabe disso tanto quanto eu.

� um quarto muito bonito.

Que compartilhar� com Soames!

N�o tenho direito de diz�-lo, mas me aliviar� faz�-lo.

Eu a amo, Irene.

Est� casada e existe June, mas eu a amo.

N�o estou orgulhoso de permitir que isto tenha ocorrido,

mas n�o pude evit�-lo.

Conhe�o voc� e nada mais me importa.

Tinha que saber.

Poder� se irritar e me desprezar.

Ao tentar me evitar, voc� me disse o que eu queria saber.

N�s nos amamos.

Ningu�m mais me importar� nunca.

E June?

Como poderia casar com ela amando voc�?

E esta casa?

Como poderia constru�-la para voc� e para Soames?

Existem deveres mais importantes que os sentimentos.

Voc� deve construir a casa, e eu devo viver nela com Soames.

Jamais farei nada que possa machucar June.

- O Sr. Bosinney j� chegou? - Sim, senhor. Est� na biblioteca.

Ol�, Bosinney.

Querida...

Trouxe as plantas.

Sabe, Bosinney?

- Andei olhando as plantas e... - Acredita que ser� muito caro.

Exatamente.

E ouvi tamb�m, que Littlemaster,

apesar do seu prest�gio, cobra mais barato.

Rara qualidade dos arquitetos. Gastamos o dinheiro dos outros.

- Pois me permita dizer-lhe que... - O Sr. Bosinney estava brincando.

� melhor assim.

O que foi isso?

Descartou o est�dio de minha mulher?

Sim, n�o foi uma boa ideia.

- De acordo. Tem outra solu��o? - Sim, mas ainda indefinida.

Escute, Bosinney: N�o gosto nada de jogos.

Mas com voc� me arrisquei, mas temos um contrato...

e deve ater-se a seus limites.

Odeio os limites.

- Soames. - Ol�, querida.

- Podemos conversar? - Claro que sim.

- Sei que est� ocupado... - Sim, este � um caso dif�cil.

Assim descansarei um pouco.

Pensei que estivesse dormindo. Disse que estava cansada.

Sim, e estou.

- Por isso pensei... - Sim? Fale.

Lembra-se da noite do nosso anivers�rio de casamento...

que concordamos em tomar umas decis�es importantes?

Sim, foi uma noite muito boa.

Voc� pensou que viajar nos aproximaria,

que permitiria que nos entend�ssemos melhor.

Mas fui obrigado a adiar.

O caso Norton fez aumentar muito nosso trabalho... era rendoso...

Porque o dinheiro n�o cai do c�u.

- Poder�amos viajar agora? - Este m�s?

Esta semana. Amanh�.

Mas estamos no outono, n�o � boa �poca de se viajar pela Inglaterra

Poderia ser o sul da Fran�a. Ou lt�lia.

- Quando estaria dispon�vel? - Em poucas horas.

Mas sexta feira � a festa de noivado de June!

N�o acredito que a felicidade de June dependa da nossa presen�a.

A mim pouco me importa a felicidade de June.

N�o acho que ser� feliz com esse pobre bo�mio.

Mas o tio Jolyon espera que estejamos presentes.

O tio Jolyon compreender�.

Esquece que foi ele que conseguiu que fosse aceita pela fam�lia.

E agora quer ofend�-lo dessa maneira.

N�o estava pensando nos Forsyte.

Pois deve faz�-lo.

Quem casa com um Forsyte, passa a ser um Forsyte.

Ent�o... sou uma Forsyte cansada.

Faria qualquer coisa para escapar.

E a casa que estou construindo para voc�?

Nem sequer se aproxima dela.

Todos acreditavam que passaria os dias l� mas

s� vai para ver como o arquiteto desperdi�a meu dinheiro.

Soames, pe�o, por favor. Vamos. N�o ir� se arrepender.

Muito bem, querida. Voc� gozar� suas f�rias.

Por enquanto cumpriremos nossas obriga��es sociais e econ�micas...

dentro de uns meses, iremos aonde quiser.

E agora deveria dormir. Tenho de terminar este trabalho. Boa noite.

Boa noite, Soames.

O Sr. Jolyon Forsyte convida aos Srs. Forsyte...

ao baile que ir� celebrar em sua resid�ncia...

na sexta feira dia 3 de setembro �s 21 horas.

N�o se vestiu, ainda?

Coisa que o tio Jolyon n�o suporta � a falta de pontualidade.

Pode me dar o la�o?

Como posso dar um la�o se me agarra assim.

Porque n�o � como as outras esposas?

Nem sequer me escuta.

E est� cada vez pior. As pessoas j� comentam.

Por que n�o me responde?

N�o posso me defender.

Talvez pudesse se tratasse voc�

como os outros tratam suas mulheres.

- Sinto muito. - Termine o la�o.

Lembre-se que sua amiga June � a homenageada.

Por ela Jolyon esbanjou muito dinheiro com este baile.

N�o devemos ofend�-lo chegando tarde.

Ficaria muito aborrecido se eu n�o fosse?

Faltar ao noivado de June? lsso � um disparate.

Sei que � um disparate. Um enorme disparate.

Mas se me desculpasse com os outros...

Desculpar voc�?

J� a desculpei com o tio Swithin e no jantar de Nicholas.

J� fui sozinho muitas vezes!

At� esse Bosinney pergunta por que n�o vai ver a casa.

Voc� ir� esta noite! Me ouviu?

N�o irei contrariar o tio Jolyon, nem a nenhum Forsyte.

Nem mesmo ao Bosinney. Est� satisfeito, Soames?

Todos em fila!

O quadrado!

Juntando as m�os. Na frente e atr�s.

Sauda��o.

Creio que todos j� chegaram, menos Soames e sua mulher.

Quem sabe n�o vir�o.

H� algum tempo ela n�o participa s� se faz presente.

Acredita que poderia ser...

Julia, seja mais delicada!

Damas e cavalheiros,

elejam seus pares para a valsa.

Por fim posso estar com voc�. N�o o vejo desde ter�a-feira.

- Eu sei. - Recebi suas flores.

Poderemos passar o domingo juntos.

Sinto muito, por�m...

trabalharei o dia todo.

Ent�o, pedirei ao tio Swithin que me leve a Robin Hill.

N�o atrapalharei seu trabalho mas estarei com voc�.

N�o irei � obra no domingo.

Tenho que terminar uns esbo�os, e isso devo faz�-lo no est�dio.

Quando terminar� a casa?

Depende das vezes que Soames mude de ideia.

Pois trate das coisas com Irene. Ela � mais agrad�vel.

Irene, querida.

Voc� perdeu tr�s dan�as.

Perd�o pelo atraso. Um cavalo perdeu a ferradura.

Um minuto...

empreste-me seu carn� de baile? Vou reservar a quadrilha.

N�o gosto dos bailes modernos de valsas e polcas.

- Fazem mal para as varizes. - Chegou a tempo, Irene?

Acho que podemos dan�ar uma mazurca.

Pensava que n�o viriam.

Bosinney, seus detalhes extras me custam uma fortuna.

Pode renunciar a tudo, se preferir.

- Sabe que n�o podemos parar. - N�o, n�o sei.

- Me permite seu carn�, Irene? - Sinto muito, est� todo preenchido.

Tamb�m quero falar com voc� sobre o pre�o das telhas.

J� que v�o falar de neg�cios vamos ver o av�.

Preciso de sua ajuda.

Tenho que falar com voc�.

Por que ele mudou tanto?

- Mudou? - Philip.

N�o o vi por toda a semana. S� me manda flores diariamente.

- lsso prova que n�o a esquece. - N�o compreende.

Essas flores s�o como uma desculpa.

Est� trabalhando em seu primeiro projeto importante.

N�o � isso.

� muito am�vel e atencioso, mas tanta amabilidade me amedronta.

June, est� se torturando sem raz�o.

N�o, n�o estou.

E voc� pensa igual a mim: talvez haja outra mulher.

Tem algum motivo para suspeitar disso?

N�o. Exceto...

Talvez nunca tenha se apaixonado. Talvez fosse s� um flerte...

e agora se sente encurralado pelos Forsyte.

- � muito generoso para deixar-me. - N�o deve pensar em tal coisa.

Amava voc� quando a pediu em casamento.

E agora n�o? Devo sab�-lo.

Deve me ajudar. Fale com ele.

- N�o tenho a quem pedir ajuda. - Sim, voc� tem.

- Seu pai. - Meu pai � um estranho.

Nunca me pareceu um estranho.

� seu pai. Necessita de voc� como voc� dele.

Creio que � a pessoa indicada para aconselh�-la.

Mas voc� conhece Philip. Averigue se h� outra mulher.

- E se houvesse? - Seria um disparate.

- Se o perder me suicido. - N�o sabe o que est� dizendo!

Acho que � o minha dan�a.

- Promete que falar� com ele? - Prometo.

N�o me aperte tanto. Todos olham.

N�o me importa.

- Est� louco. - Claro que estou.

Porque mudou de ideia? Refiro-me a dan�ar comigo.

June pediu que falasse comigo, n�o foi?

Ela sabe que me porto mal mas n�o sabe o porqu�.

N�o podemos falar aqui.

Vamos sentar um pouco? Hoje estou muito cansada.

- Ol�, Irene. - Ol�, Eric.

Pode ver para mim se deixei meu carn� no hall?

- Claro. Dan�ar� comigo? - Se houve lugar, adoraria...

Estaremos s�s apenas uns minutos.

- June... - Esta noite lhe direi a verdade.

N�o.

Quer que eu leve a mesma vida que voc� leva com Soames?

- N�o. - Que posso fazer?

Ser paciente. June � jovem e impetuosa.

- E est� apaixonada. - Voc� n�o acredita nisso.

Sou apenas um epis�dio em sua vida

importante agora, mas depois...

Se suicidar� se perder voc�.

Sempre teve tudo que quis.

Pode n�o saber o que � amar profundamente,

mas este epis�dio pode acabar em trag�dia.

N�o a deixe, n�o deve fazer isso.

Sinto muito, mas n�o encontrei seu carn�.

Que al�vio quando os m�sicos param!

De onde ser� que vieram?

Elejam seus pares para a polca.

Outra vez. At� logo.

Devemos nos encontrar para discutirmos.

� imposs�vel.

- Devo voltar. - N�o.

D�-me sua palavra de que n�o dir� nada a June.

N�o, se n�o disser quando posso v�-la.

N�o, Philip. � in�til insistir.

Irene, tentei cumprir com o meu dever, como voc� diz.

Continuo construindo sua casa.

Farei tudo para n�o magoar June mas n�o posso continuar assim.

N�o devo voltar a v�-lo, Philip.

- Ent�o, falarei com June. - N�o.

Irei domingo � tarde... ao seu est�dio.

Mais uma vez, perdi um momento cr�tico na vida da minha filha.

Vi o homem com quem iria se casar

e na falta do convite do noivado,

celebrei com uns copos no pub da esquina.

E agora voltava para casa...

Obrigada. Boa noite.

Permita.

Desculpe-me. Parece que tenho o costume de cruzar o seu caminho.

- Quer que o leve a algum lugar? - N�o acho que...

O coche voltar� para buscar Soames.

Ent�o, com muito gosto.

- Cubra-se. - � agrad�vel rev�-lo.

Este n�o � um encontro casual. H� tempo desejava v�-la.

Mesmo?

Meu instinto paternal perdeu todo o senso de medida.

Gostaria de conhecer sua opini�o sobre o noivo de June.

Eu o vi e gostei.

June est� muito apaixonada.

- N�o gosta dele? - Claro que sim! Todos gostam.

� muito simp�tico.

N�o leva a vida muito a s�rio.

N�o estou sendo contra.

- S� que... - N�o � um Forsyte, n�o?

Sim, � isso que acontece.

� impulsivo e generoso. Um pouco obstinado...

E fascinante. Lembra-me de algu�m que conheci.

lsso � importante. S� as boas pessoas permanecem.

� arquiteto, ouvi dizer, um desses jovens

rebeldes que odeiam esses adornos.

Acredito que seja muito audaz.

Mas advirto que � um grande talento.

Senti o mesmo com voc� quando vi suas pinturas.

- Obrigado. - Fico feliz

que sua exposi��o tenha sido um �xito.

Levei June, esperava encontr�-lo por l�.

Estava muito orgulhosa.

� muito am�vel.

Estranho, nos vimos poucas vezes...

mas tenho a sensa��o de conhec�-la h� muito tempo.

Espero que algum dia June se pare�a com voc�.

N�o, Sr. Forsyte.

Ainda n�o me disse se acredita que este jovem arquiteto...

est� apaixonado por June.

Voc� tem d�vida? Acha que n�o o quer?

- Se v�o a casar. - Devem fazer isso?

- Por que n�o? - Responda, por favor.

Gostaria muito que tivesse visto June.

Voc�s n�o deveriam estar separados.

Falarei com seu pai.

Oferece-me sua amizade e pedirei que deixe voc� estar com a June.

- June precisa de ajuda? - Sim.

Talvez voc� tamb�m.

Porque diz isso?

Ser� pelo mesmo instinto que a faz confiar em mim.

Voc� quer que minha filha viva comigo.

Sou grato por isso.

Espero mostrar-lhe minha gratid�o algum dia.

Sempre apreciei voc�, Irene.

Chegamos.

Quer entrar?

Prometi nunca mais cruzar as portas de um Forsyte.

- Smith o levar� onde quiser. - N�o. Gosto de caminhar.

- Bem, boa noite. - Boa noite.

Que tarde de domingo! Menos mal que conhecia a dire��o.

Dif�cil encontrar algo com essa neblina.

Obrigado, senhorita.

- Procura algu�m? - Sim. O Sr. Bosinney.

Eu supunha. Disse-me que esperava uma senhora.

- O que ele disse? - Que esperava uma senhora.

Venha. Eu abrirei a porta.

Est� no est�dio n�mero sete. N�o ir� demorar.

Saiu para comprar flores.

Perguntou onde poderia comprar flores num domingo � tarde.

Respondi que sempre h� uma florista em Embankment.

Viu que neblina? Parece noite.

Fique � vontade. O Sr. Bosinney n�o vai demorar.

Irene, meu amor,meu caminho.

� o meu destino, minha luz, toda a minha vida.

O Sr. Bosinney n�o est�. Por�m n�o...

- Qual o n�mero? - O sete, mas...

Obrigada.

N�o acreditei que viesse.

Ainda n�o creio.

Por isso comprou as flores?

N�o tenho experi�ncias nessas coisas.

Posso? N�o tem algo menor?

- Este est� bem? - Sim. Encha de �gua.

Curioso...

Eu ensaiei mil vezes o que iria dizer quando chegasse.

Como a abra�aria.

E agora que est� aqui, p�e-se a arrumar essas tristes flores.

Fico feliz que n�o tenha me abra�ado.

N�o desejaria que fizesse isso.

Mas agrade�o os seus sentimentos.

E as flores n�o s�o tristes.

- Irene... - Sim?

Quando era pequeno brincava um jogo curioso.

Promet�amos dizer a verdade durante todo o dia.

Aos mestres, aos pais,

a todos os adultos,

sem nos importar com as consequ�ncias.

E desde ent�o, n�o deixou de brincar com esse jogo...

Ainda o joga, sem se importar com as consequ�ncias.

N�o sei se saberia jog�-lo. Quer tentar?

Voc� n�o queria vir aqui hoje. Verdade?

- N�o, n�o queria. - Eu sabia.

Mas veio.

Por qu�?

- Por que... - Lembre-se das regras do jogo!

Vim pela promessa que me fez sobre June.

Achei que pudesse evitar que fizesse algo que lament�ssemos.

Porque queria dizer-lhe que eu posso trair a mim mesma,

fiz isso quando me casei, por�m n�o trairia June.

Pensei que pudesse faz�-lo compreender.

N�o joga como deveria jogar.

N�o valem verdades pelo meio.

- Tentemos de novo. - Para que?

Estes s�o os �ltimos momentos que estaremos juntos.

N�o quero que sejam os �ltimos momentos.

Quero que seja para sempre.

Oh, Philip!

Que tipo de felicidade ter�amos com as l�grimas de June?

N�o sofrer� muito. Esquecer�.

Voltar� a se apaixonar.

Irene...

Vai deixar que esses Forsyte ultrapassados a fa�am esquecer...

que voc� tem direito de viver sua pr�pria vida?

Lutaremos.

Estou acostumado a lutar por tudo.

Sempre aceitei desafios.

Mas isto � mais que um desafio.

Arranc�-la das garras desse cl� � o meu primeiro objetivo.

N�o conhece os Forsyte.

Jamais renunciam �s suas convic��es nem permitem que as arrebatem.

Philip? Philip!

N�o se preocupe. � meu vizinho.

Que deseja, Hans?

Pode me emprestar dois xelins?

N�o tenho certeza. Creio que sim.

Beberei a sua sa�de.

O que puder com dois xelins.

Oh, Philip!

N�o podemos continuar assim para sempre.

Pedirei a Soames que me deixe ir e n�o voltarei � Londres.

Prometa que n�o ir� me procurar. lsto � uma despedida.

Um adeus de verdade.

Encontrarei voc�... Onde quer que v�.

Nos perdemos um do outro quando nos encontramos.

Pai...

N�o sabe o que significa para mim poder abra��-la.

Sabia que algum dia isso iria acontecer.

N�o iria desejar se soubesse o que eu fiz.

Nada poderia fazer eu deixar de quer�-la de volta

Como pude fazer algo t�o terr�vel?

Encontrar� sua mulher

no est�dio de Philip Bosinney.

June.

Irene...

- Te procurei pela casa toda. - Sim?

- Voltei antes do previsto. - Estou vendo.

- Est� de chap�u. Saiu? - Sim.

- Com essa neblina? - Sim.

� perigoso sair em coche com o tempo assim.

- Fui caminhando. - Verdade?

Para onde, numa tarde t�o espl�ndida?

- Simplesmente dar um passeio. - Estava com June?

- June? N�o. - Estava s�?

Sozinha. Pare de me interrogar feito um fiscal.

N�o � um interrogat�rio, querida. � simples curiosidade.

S� que � raro sair com um tempo desses sem um destino.

Queria descansar um pouco antes de me vestir para jantar.

Desde quando nos vestimos para jantar aos domingos?

Havia esquecido que era domingo.

Parece confusa, querida.

Talvez tenha ido demasiado longe.

Vou falar seriamente com Bosinney. Esta noite.

Pedirei para vir aqui.

Eu cumpro os acordos que prometo. E espero o mesmo da outra parte.

Ent�o dever� lembrar...

do que combinamos...

que se nosso casamento fracassasse me deixaria livre.

E estou pedindo isso agora.

Nunca houve nenhum div�rcio entre os Forsyte.

E, no que me diz respeito, nunca haver�.

N�o falo de div�rcio,

mas sim em ir embora. N�o posso viver com voc�.

Quero ir a outro lugar. Ao continente, talvez.

E ficar s�.

Completamente s�. Por muito tempo.

E que dir�o as pessoas?

N�o, Irene. Odeio esc�ndalos.

Ou melhor: n�o permito esc�ndalos.

E que me diz agora de sua amizade com June?

N�o lhe causarei nenhum dano.

N�o creio que ela esteja de acordo com voc�.

E ainda se atreve a me pedir a sua liberdade!

J� teve sua liberdade hoje � tarde como uma qualquer!

- Saia daqui. - Este quarto � meu. Nosso.

E continuar� sendo.

N�o lhe devo nenhuma considera��o.

Torturou-me nos dois �ltimos anos com seus subterf�gios.

Foi uma mulher de gelo. Nem sequer olhava para mim.

Mas n�o serei t�o condescendente.

Respeito o Bosinney, mas n�o s� o jogarei para fora de Londres,

como tamb�m de sua profiss�o.

Amo Philip Bosinney.

Fui ao seu est�dio para lhe dizer que jamais tornaria a v�-lo.

Agora que June est� sabendo n�o h� mais raz�o de me calar.

Voc� me pertence.

Eu o amo, Soames.

- Sr. Bosinney. - Boa noite, Bosinney.

Espero n�o t�-lo incomodado fazendo-o vir a esta hora.

Wilson, um prato para o Sr. Bosinney.

Chamou-me para jantar?

Pode-se falar de neg�cios jantando.

Duvido muito.

Admiro o costume franc�s de tratar de neg�cios com um copo de vinho.

Sente-se, por favor.

Do que falaremos?

Sobre minha mulher...

Sim.

Pensei que o seu quarto deveria dar para o terra�o.

Boa ideia.

Mas suponho que n�o me chamou para falar de arquitetura.

Quero terminar a casa o mais r�pido poss�vel.

Pagarei o que for necess�rio.

Ou irei process�-lo por descumprimento de contrato.

Voc� tem muito senso de humor.

- Nunca brinco com meu dinheiro. - lsso eu j� sei.

Charuto? N�o, charuto.

N�o creio que sua reputa��o melhore quando o processar.

E ent�o n�o estar� em situa��o de me tirar a mulher.

Perguntava-me quanto tempo tardaria para come�ar a mostrar sua cara.

Confia muito em si mesmo, n�o �?

No entanto, eu o considero um imbecil. E um indigente.

Com todas as probabilidades de continuar sendo.

N�o sou propriet�rio... Mas acredito no meu futuro.

Sim? E quer que minha mulher divida este futuro com voc�.

N�o discutirei isso sem que ela esteja presente.

� uma pena que June tamb�m n�o esteja.

Ficaria interessada.

Wilson, diga a senhora que venha aqui.

Se recusar de faz�-lo, diga-lhe que Bosinney est� aqui.

Talvez mude de ideia.

A senhora foi embora h� meia hora atr�s.

- Como? - Amelia fez suas malas.

- Sabia disso? - Se soubesse viria aqui?

- Foi para sua casa? - Espero que assim seja.

Vou com voc�.

- Cuidado com que vai fazer! - Senhor, sua capa.

Cocheiro!

Cocheiro!

Voc� dirigia muito r�pido.

Um cachorro espantou os cavalos.

- Temos de lev�-lo ao hospital. - Est� morto?

N�o sei.

Perd�o. Aqui � o est�dio do Sr. Bosinney?

- Sim. - Posso...?

Obrigado.

N�o se surpreende de me encontrar aqui?

Na verdade n�o. June foi visitar-me esta tarde.

Posso esperar esse rapaz? Disse a ela que falaria com ele.

- Ir� demorar muito? - N�o sei.

Philip n�o me esperava.

Sim, n�o me parece mal, esperaremos juntos.

- Faz frio. - Sim, muito.

Talvez possamos avivar isto.

Creio que irei procurar um hotel.

- Um hotel? - Me separei de Soames.

Felicidades.

- Voc� n�o parece um Forsyte. - lsso � um elogio.

Tem algum motivo para me depreciar.

Deve ter coisas duras para me dizer.

Guardei-as para Bosinney.

Como todos os proscritos, tenho momentos de equidade.

E este � um deles.

Portanto, reservarei para ele minha censura...

E a voc� agradecerei duas coisas.

Aconselhar June que me procurasse,

o que na minha opini�o,

a salvou de casar-se com um homem que n�o a amava.

E em segundo,

gostaria de ter visto a cara de Soames quando voc� se foi.

- Onde est� June? - No meu est�dio.

Acredita que poderei v�-la e falar com ela?

H� tantas coisas que quero que entenda.

Deveria faz�-lo.

Tem frio? Coloque-o.

Ponha isso sobre suas pernas.

Voc� est� mais encantadora do que a primeira vez que a vi.

Pobre June.

N�o por perder Bosinney, mas por t�-la como rival.

Philip!

Talvez isto fique embara�oso.

Parece ter perdido as chaves.

Irene! Irene!

� Soames.

- Irene, me ouve? - N�o quero v�-lo.

Abra, sei que est� a�. Abra, � muito importante.

Ser� melhor.

Irene.

Vou lev�-la para casa.

Esta � minha casa.

- Vir� comigo. - Sou mais culpada do que voc�.

Deveria t�-lo deixado antes.

- O coche o espera. - Irene.

Bosinney... Philip Bosinney est� morto.

- O que est� dizendo? - Philip Bosinney est� morto.

Eu vi o acidente.

Retiraram-no debaixo dos cavalos.

- Irene, me ouve? - � verdade o que est� dizendo?

Sim. Estou vindo do hospital. Sua morte foi confirmada.

N�o sou hip�crita.

E n�o direi que lamento sua morte.

Irene,

estou disposto a perdoar coisas que outros n�o perdoariam.

- A acolherei sem impor condi��es. - Entende que ela n�o o ouve?

- Escute-me. - V� embora, por favor.

Melhor ser� irmos embora.

Irene! N�o a deixarei ir!

Ou�a-me? Nunca permitirei!

Nunca a deixarei ir! Nunca!

Irene! Irene, espere!

Irene!

Irene!

Soames!

- N�o se preocupe. - N�o o deixe entrar.

Eu me encarrego disso.

- Quem �? - O porteiro.

Voc� n�o � o porteiro! O que quer?

Volto em seguida.

- O que aconteceu? - Que est� fazendo? Quem � voc�?

Fale se n�o quiser levar uma surra. Quem � voc�?

Calma, amigo. lsto n�o � um assalto.

Soames lhe enviou, n�o foi? Voc� � um detetive particular.

Precisa-se ganhar a vida. Pegando-me n�o ajudar� � senhora.

Se soubesse o que est� acontecendo,

esqueceria este assunto.

Eu sei. A velha hist�ria. Mas n�o acredito.

E dez libras?

- Dez libras? - Sim.

Sinto muito, mas tamb�m temos nosso acordo.

Como � o chefe da fam�lia,

informo que processarei seu filho Jolyon como c�mplice.

- Ser� capaz de jurar em falso? - Tenho provas.

N�o acredito.

Mas suponho que nada o deter�.

Meu filho ficou com Irene quando precisava de ajuda. E eu aprovo.

Lamentar� pelo que est� fazendo, Soames. Acredite-me, lamentar�.

N�o duvido.

Jolyon Forsyte exp�e na galeria dos Campos El�seos.

Seu trabalho tem chamado muito a aten��o.

Desculpem. Estou vendo os quadros.

Perd�o, monsieur.

- Quero comprar esse quadro. - Sim, senhor.

Uma das primeiras obras de Forsyte.

Pintou-o faz cinco anos. � o momento de compr�-lo.

Agora sua cota��o subiu bastante.

- N�o lhe perguntei o pre�o. - � o n�mero 27.

Sinto muito, n�o est� � venda.

- � da esposa do artista - Tamb�m n�o lhe perguntei isso.

Quero compr�-lo. Embale-o, por favor.

- � imposs�vel, senhor. - lsto � rid�culo, est� exposto!

Tenho direito de compr�-lo.

- Quem � o encarregado? - O diretor. Fale com ele.

- Monsieur Bourval. - Madame?

- Que lhe disse este senhor? - O ingl�s?

Queria comprar seu retrato.

Ficou enfurecido ao saber que n�o estava � venda.

Estava muito interessado nele.

Eu o entendo perfeitamente.

Irene.

Como vai, Soames?

Muito bem, obrigada.

Queria comprar esse retrato, mas n�o est� � venda.

Pagaria qualquer pre�o.

Porque o quer? Porque n�o est� � venda?

N�o, porque acho que ainda tenho algum direito.

Era minha esposa quando foi pintado.

Cinco anos...

- Faz muito tempo... - Sim.

Volto � Londres esta noite.

- Tem tido not�cias de June? - Sim, iremos ao seu casamento.

Como est� Londres?

Londres? Cinza, como sempre.

Um pouco mais cinza agora.

Monsieur Bourval.

Madame?

Envie este quadro ao Sr. Soames Forsyte.

Malmesbury Square, 62, Londres.

- Sim, senhora. - � um presente.

Por que me deixou sozinho entre tanta gente?

N�o estou acostumado a tanto entusiasmo.

Est� assustada. Parece que viu um fantasma.

Sim. Soames.

- Soames, est� aqui? - J� foi.

- Por que n�o me chamou? - N�o achei necess�rio.

Todo este tempo temi encontrar-me com ele,

por�m s� senti pena.

Pena de Soames?

Oh, querido, ele � t�o pobre, e n�s temos tanto...

Se nos acompanharem,

beberemos � sa�de da Madame e � sua.

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