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Original subtitles

Vamos, vou te mostrar.

Anda.

E se nos pegarem ?

E se nos pegarem ?

Que esc�ndalo, hein ?

A Rep�blica me revolta. Mussolini � outra coisa.

Te digo o que o Mussolini �.

Dois coquet�is.

Est� destruindo a ma�onaria italiana.

mas quer que o comunista Bernard represente a Fran�a em Roma.

Vai � merda.

Sempre as mesmas caras.

As fal�ncias, os falsos benef�cios...

...acionistas adormecidos. Esse � o fim do Ocidente.

Precisamos � de algu�m como o Hitler.

Todos sabemos que ele � um louco e que n�o tem futuro.

Sabe que o Daladier ofereceu cargos aos socialistas ?

Que o Padre Lebrun se mijou na batina...

N�o se pode enganar os comunistas por muito tempo.

Se est� com algum problema, gostaria de saber o que vai fazer pela Fran�a esse seu Br�ton.

Como podem se exaltar tanto com esses assuntos de pol�tica.

Que se dane Napole�o !

repita suas palavras doces...

Isso � melhor.

Escuro demais. Parece sangue nos dedos.

Preciso de palavras que me fa�am sonhar.

N�o vai come�ar de novo.

Teu anel � bonito.

Me empresta por hoje ?

Cuidado, e� de ouro. Foi Paul que me deu.

Tem sorte de conhecer rapazes que te d�o an�is.

Sua vez chegar�.

Mas eu quero uma pessoa direita...

que me olhe nos olhos e me leve para passear de Bugatti em Sables d'Olonne..

Desculpe. Pensei que fosse o banheiro masculino.

O masculino � do outro lado.

Obrigado.

De nada.

N�o sonhe acordada. Almas g�meas s�o coisa de livros.

Passo para te pegar mais tarde.

Se incomoda ?

N�o, de modo algum.

O que � ?

O Sapato de Cetim.

Posso ?

N�o estou com tanta fome.

Est� sujo de manteiga...

Quer dormir comigo ?

Puta !

N�o iria entender.

Obrigado pela franqueza.

Fogo ! Fogo ! Inc�ndio na casa !

O que acha de fugirmos de casa ?

Muitas meninas fazem isso na Am�rica.

Saem de manh�...

como se fossem para a escola...

viram a esquina e se mandam para a Calif�rnia.

A Calif�rnia � longe.

Sete horas...

O que que eu vou dizer a mam�e ?

E eu ?

� voc�, Violette ?

Esqueceu a chave de novo ?

Minha chave.

Violette ! Onde est� voc� ?

O que aconteceu ?

Procuro minha chave. Ca�ram da minha bolsa.

Apresse-se. Seu pai est� esperando para que possa sair.

Boa noite.

Como vai minha filhinha ?

Boa noite. Boa noite.

Boa noite. Boa noite.

Boa noite !

Vamos nos sentar.

O que � isso ?

Meu Deus, esqueci de te contar.

O qu� ?

Esqueci de dizer que o encontrei.

Onde ?

Na rua.

� de ouro.

O que foi ?

Ela encontrou um anel de ouro.

Devia lev�-lo aos achados e perdidos.

Um anel de ouro ?

Jovens n�o precisam de an�is.

Jovens devem rescender a sabonete.

Encontrei umas cartas na sua gaveta.

Cartas ?

N�o tem vergonha ?

Vergonha de qu� ?

N�o sei se conto a seu pai.

"Meu Paul, meu rei, meu amor..."

Quem � esse Paul ?

Ningu�m, m�e.

Como ningu�m ? Est� escrito com todas as letras.

Nao grite. Sei muito menos que voc�.

Mas � sua letra.

Ah, me lembrei.

� o rascunho de um ensaio que mandei para a Universidade semana passada.

Um ensaio sobre o amor.

Um ensaio sobre o amor.

O que que a menina est� fazendo ?

Est� se lavando, papai.

Est� demorando...

Um dia ter� seu pr�prio banheiro...

ent�o temos que dar li��es de higiene.

Caso contr�rio pode ter problemas.

Na� se preocupe. Estou educando-a para ser uma verdadeira dama.

Em vez de mec�nico de trens, bem que voc� preferia que eu fosse um engenheiro.

habr�as preferido un ingeniero.

Claro que n�o.

Claro que sim...

Mesmo assim...

voc� j� conduziu o trem do Presidente Lebrun.

� verdade.

Quanto de a��car ?

Violette !

Oh, descupe.

Est� querendo que eu fique diab�tico ?

Desculpe.

Tudo bem.

O que que ela tem ?

Fale com ela.

Est� bem, Violette ?

Sim.

Ficaria bem com o repartido ao meio.

Espera, tenho uma id�ia. Venha.

Vou te fazer parecer um millon�rio! Vem, senta aqui.

Repartido ao meio...

Assim, um para cada lado...

Acham que sou uma boneca ?

Vou procurar uma coisa para voc� vestir.

Ficaria bem seu terno de casamento.

Peguei o dinheiro que caiu da carteira de papai.

Est� t�o velho que cai tudo pelo ch�o.

Terminou de pente�-lo ?

Acho que j� jogamos o suficiente por hoje.

Est� ao contr�rio.

Sim, mas este n�o.

Est� tudo...

Olha o que est� fazendo. Est� ao contr�rio.

Meu primo � muito bom de desenho...

O que est�o fazendo ?

Est� pegando a m�quina...

Sim, desenha bem...

N�o vou acabar nunca esse bot�o...

N�o fa�a barulho...

Deixa que eu suspendo. Estou com frio.

N�o, fale baixo.

Estou com frio. Fale baixo, vai acordar a menina.

Oh, que frio.

Onde est� o pano ? Vai sujar o len�ol.

Onde est� o pano ? Vai sujar o len�ol.

Est� a� ?

Sim.

Shh, n�o t�o alto.

Cuidado !

Violette ! Est� dormindo ?

Claro que dorme. P�e a cabe�a no travesseiro e apaga.

Pode cair a casa.

Mas imagina se um dia ela acorda ?

Ela sabe o que se passa entre marido e mulher...

Posso dar carona ?

Gostaria de ver o mar.

Est� louca. E a que horas eu chegaria em casa ?

Tira a m�o, estou com calor.

Est� de mau humor ?

Vamos, relaxa.

Larga. Estou com calor.

Quero ver o mar.

Me larga !

Sua vagabunda ! Puta !

Fora, sua sem-vergonha. Ordin�ria !

Adeus, papai.

Violette, n�o se deve deixar segredos jogados por a�.

Sabe que se papai soubesse o que tem nestas cartas eles nos mataria a ambas.

Voc� tem a eleg�ncia dele.

Acha mesmo ?

Voc� ter� um grande destino.

Me solta. Tenho que trabalhar.

Viu seu cabelo ?

Sei, est� caindo.

Na sua idade. Esquisito.

Falta de c�lcio.

Foi o Dr. Deron que disse ?

Ele n�o te d� nenhum rem�dio ?

D�.

Tenho consulta com ele daqui a uma hora.

Cuidado com os carros.

Tudo bem. Adeus.

Estou com dor de cabe�a.

� um caso grave de treponema.

O qu� ?

S�files, se preferir.

N�o posso deixar de informar aos seus pais.

Mas a� saber�o que n�o sou mais virgem.

Onde voc� vai ?

Vou me afogar no rio.

Bom dia. Bom dia.

Obrigada.

Desculpe, me atrasei. Tive que ver o professor depois da aula.

N�o se apresse, n�o estou com vontade.

Est� de mal comigo ?

N�o enche.

Est� cheia de g�nglios

E ficando careca.

Obrigada por ter passado para mim.

N�o estou no 4o ano de Medicina para n�o saber o que �, n�o � ?

Se eu tivesse s�files, saberia os sintomas.

Pode ser de fam�lia.

Claro, � heredit�rio.

Tem certeza ?

Absolutamente.

Esta semana estamos estudando enfermidades ven�reas.

Enfermidades ven�reas... olha isso.

Pode me emprestar esse livro ?

At� amanh�, pois vou precisar dele.

Quem � voc� ?

Sou eu, senhora. Zo� S�o 5 horas.

J� ?

Sonhei com algu�m que n�o conhe�o.

Algu�m que n�o se parece com ningu�m.

A senhora tamb�m n�o se parece com ningu�m.

Gostaria de ser como a senhora e dormir toda a tarde.

Mas � que eu trabalho de noite.

Em que mesmo que a senhora trabalha ?

Medicina.

Da �ltima vez disse que era Hist�ria.

N�o � de sua conta.

Senhora, n�o perguntei por mal.

Toma.

Obrigada.

De onde ela tira esse dinheiro ?

Foi Pierre que me cantaminou.

O estudante de Medicina ?

Sim, d� para entender ?

O que vai fazer com rela��o a seus pais ?

Hein ? O que vai fazer ?

Boa noite.

Vai fazer seus deveres a essa hora ?

Justo na hora em que vamos comer ?

Onde esteve � tarde ?

No cinema.

Mas eu te proibi de ir.

Fui com a irm� do Dr. Deron.

Se saio com gente decente n�o vai me proibir de sair, n�o � ?

Eu estive com o Dr. Deron.

Ent�o ele te explicou ?

� tudo o que voc� tem a dizer ?

Rasgou meu caderno.

O que est� dizendo ?

O que vou fazer contigo ?

N�o � culpa minha e sim uma doen�a de fam�lia.

Talvez seu av� tenha contra�do a doen�a com alguma conquista �rabe na Arg�lia.

Espero que perceba do que est� me acusando.

Germaine, acredito no que o m�dico disse.

N�o percebe que sua Violette transou com algum homem ?

N�o � poss�vel. Ele a examinou e ela � virgem.

N�o pode duvidar da palavra de um m�dico.

V� pegar um copo d'�gua. Estou com sede.

Se � heredit�rio podemos ter sem que saibamos.

Voc� est� louco.

Nesse caso ter�amos que tratar.

N�o fizemos nada. � ela.

� ela.

Mam�e n�o gosta que me ajude a fazer a cama.

Isso te far� bem.

Germaine... minha querida Germaine...

O que est� fazendo ?

V� ajudar sua m�e a fazer as compras.

N�o preciso de ajuda.

Seu apetite n�o ficou prejudicado.

Um telegrama.

� a irm� do Dr. Heron. Quer que eu v� visit�-la.

N�o posso recusar.

Por que n�o convida a irm� do Dr. Heron ?

Gostar�amos de conhec�-la.

Aqui � muito apertado.

Ela est� acostumada a apartamentos grandes.

Tem raz�o. N�o se pode mudar os h�bitos das pessoas.

Voc� entende tudo.

Aproveita que sua m�e n�o esteja para passar esmalte ?

Se a tivesse beijado hoje de manh�...

teria dado tudo certo.

Conhe�o sua m�e.

Desmaiei.

� a sua doen�a.

Tenho que sair para tomar ar.

Quer que te acompanhe ?

N�o, n�o. Eu vou, eu vou.

Conhece ?

Deveria dormir.

N�o queria...

� normal que voc� queira dinheiro. � s� pedir.

Acha que sou uma puta ?

R�pido, apresse-se minha pequena Violette !

� nesta via.

Tenho que confessar, Marie Pasquier, que nunca entendi muito bem...

o que faz uma mulher querer tornar-se uma aviadora.

E voc� acha que � s� saber mijar contra a parede

para poder ser piloto ?

Claro que n�o !

N�o brinque com o queijo.

V� pegar a sobremesa, Germaine.

N�o tem. N�o tive tempo.

N�o tem problema.

Do Dr. Deron.

Por que quer que tomemos esse rem�dio ?

Para evitar o cont�gio.

Eu disse que precis�vamos de tratatamento.

Mas eu n�o fiz nada errado. N�o fiz nada.

O Dr. Deron colocou uma marca na caixa dela.

Ela deve tomar uma dose diferente.

Por que n�s tomamos diferente ?

Porque a doen�a � mais grave em mim que em voc�s.

Devia envergonhar-se.

Baptiste ! Baptiste !

Estou com medo.

Por que ter medo, Germaine ? J� est� melhor.

Por favor, eu te imploro.

D� um jeito para que ela n�o esteja em casa quando eu voltar.

Por qu� ? Est� louca.

Me sentir�a melhor se a levasse a passear durante as f�rias.

F�rias durante o curso ?

Germaine, n�o te entendo.

Violette...

achei que voc� gostaria...

Minha filha.

Estou louca.

Tudo bem, tudo bem.

Qual o problema com a garrafa ?

O Dr Deron me deu um decantador.

Pode ir chamar os vizinhos.

Toma.

O Dr. Deron disse que � melhor num decantador.

Que bom que saiu do hospital.

Mam�e estava assustada, mas foi s� uma intoxica��o alimentar.

E voc�, minha menina ?

Estou bem. Tenho bronquite, mas estou tratando.

Ah, os br�nquios. S�o como os pulm�es.

Eu me intoxiquei com g�s em 1917, como voc�s sabem.

� duro.

Voc� n�o bebe ?

N�o, prefiro leite.

Vai se casar este ano.

Como sabe ?

Sendo um sujeito decente, n�o haveria por que se op�r.

Um m�dico.

Sim, ou um farmac�utico.

Ou advogado.

Sim, por que n�o ? O que acha, Sr. Nozi�re ?

Violette tem tempo.

Sim, tem.

Pagou caro ?

N�o sei. Foi presente.

Willy !

J� vou.

Conhece o amigo dele ?

Sim, vi-o no meu sonho.

Saia do mar.

� o v�rus que te faz alucinar.

Ah, p�ra !

Gostei da de preto.

� a Nozi�re. Cheia do dinheiro.

Al�m de tudo parece que seu pai a estupra.

� um pouco...

Contanto que tenha dinheiro.

Voc� me deve 400 francos !

Bom dia, belezas.

Apresento-lhes meu amigo Jean Dabin. N�o Gabin.

Dabin, com D como em Dagobert.

Essa � minha amiga, Maddy...

e sua amiga amiga, Violette.

Ent�o vai se tornar advogado ?

Ou algo assim. Como dizem, o Direito leva a qualquer coisa.

Com certeza.

E voc� ?

Eu...

Desfilo para a Paquin.

� legal a alta costura.

Deve ser fascinante. Sim.

Voc� me intimida.

Eu ?

N�o vai tirar a roupa ?

Tire para mim.

Leve-me at� a cama.

Fa�a comigo o que quiser.

Te amo como um animal.

Como um animal.

Sim, te amo.

Prometa-me que ser� para sempre.

Quero fugir com voc�.

Para longe.

Ou quero morrer aqui.

Agora.

Morrer agora ? Imediatamente ?

N�o, n�o � verdade.

Voc� me leva ao Sables d'Olonne?

Falei alguma coisa que n�o devia ?

N�o, n�o � voc�.

Preocupado com seu exame ?

Diga l�.

N�o pode me ajudar.

Tem certeza ?

Joguei na Bolsa, s� isso.

Precisa de dinheiro ? Toma.

N�o, guarda para suas roupas.

Sirva-se. N�o preciso de nada.

Fiquei assustada.

Assustada ?

De que n�o me amava mais.

Tem m�os bonitas.

Precisa de um anel.

Acha ?

Quando partimos para Sables d'Olonne ?

� preciso dinheiro para se ir l�.

R�pido, seu pai teve um acidente.

Onde ele est� ?

No hospital. Caiu do trem.

N�o entendo como p�de acontecer.

Coitado.

Quer que eu v� com voc� ?

N�o, fique e fa�a seus deveres.

Hoje n�o posso. Tenho um almo�o.

Se n�o estiver l� ao meio-dia em ponto, conto tudo.

Estarei fora por dois meses.

De f�rias, papai ?

Te pro�bo que me chames de "papai".

Tem vergonha do seu passado ?

A mim me assusta o futuro.

Fez alguma besteira ?

Teme que eu comprometa sua imagem de homem p�blico ?

Violette.

�mile ?

Preferia que eu fosse mais doce, n�o ?

Como minha m�e ?

Compremos um Bugatti.

Com o qu� ? S� tenho dinheiro para comprar um terno.

N�o � m� id�ia um terno.

Darei um jeito.

O mais importante � que compre um Bugatti.

O que poder�a jogar ?

Jogue o que quiser.

Jogue para fazer uma vaza.

O que eu fa�o ?

Jogue o �s.

Tenho um rei.

Bem, ganhas um ponto.

N�o ! Ah, sim.

Sim, ganhas um ponto.

Bom dia.

Chegou a tempo. N�o tinha mais dinheiro para pagar a bebida.

E os 400 francos que te dei ontem ?

Est� lindo em voc�.

420 francos.

Ainda devo 20 francos ao joalheiro.

Um homem como voc� n�o deve ter d�vidas.

Te disse que tenho que partir para Poitiers ?

N�o, n�o me disse.

Sim, te disse ontem.

Eu me lembraria. Me lembro de tudo.

N�o se preocupe. Ser�o apenas tr�s dias.

Tr�s d�as ?

E eu ?

Vai embora com outra mulher.

Estou certa que sim.

�Vaya una idea!

Como pode pensar isso ? S� conhe�o voc� em Paris.

Mas vai partir de qualquer jeito.

Tenho que ir, Violette.

Prometi aos meus pais de visitar esses amigos l�.

Me sinto acabada.

N�o se pode dizer nada numa plataforma.

Pasageiros para Angers, Nantes, Sables d'Olonne...

todos a bordo, por favor.

O Sr. Jean n�o veio ?

N�o.

Ent�o deve estar chateada.

N�o.

Podemos jogar uma partida essa tarde, n�o Violette?

N�o posso. Tenho um encontro com Janine Deron.

Fa�a isso por seu pai. Ele est� chateado desde o acidente.

N�o, n�o posso.

Ser� que ela est� escondendo alguma coisa ?

O que poderia ser ?

Jura que sentir� saudades de mim durante esses 3 dias em Poitiers.

Jura que s� ama a mim.

Jura que ser� para sempre.

V� embora.

Saia daqui. Ent�o saio eu.

Est� nervosa.

T�nhamos um encontro marcado no hotel.

N�o. Tem certeza ?

Claro.

Bem, vou deix�-los.

N�o, pode ficar.

D� um pouco de aten��o a ela.

Al�m de tudo, faz frio.

Te disse que estava chateado.

� mesquinha sua chatea��o. � coisa menor.

A mim me atrai a grandeza.

O amor sem grandeza n�o � nada.

Eu sinto amor. E voc�, o que sente ?

Queria que eu escrevesse de Poitiers ?

Voc� � que deveria querer.

N�o escrevi porque n�o estava inspirado.

Me deixa em paz.

Prometo te escrever da Bretanha.

Bretanha ? Que Bretanha ?

Daqui a duas semanas. Meus pais t�m amigos l�.

Seus pais t�m amigos por toda a parte.

Sei do que precisa... � dinheiro.

Ter� o quanto quiser.

Quanto ? Dois... trezentos, quinhentos ?

N�o, muito mais.

N�s iremos juntos.

Sables d'Olonne... em um Bugatti.

Isso mesmo.

Fantasias !

N�o acha que possa levantar 10.000 francos em tr�s d�as ?

10.000 francos ?

N�o acredita ?

Acredito que seja capaz de qualquer coisa.

Ent�o quer ?

E como far� para conseguir ?

Meu pai me adiantar�.

Nunca me disse que ele era milion�rio.

Estou dizendo agora.

J� pensou na heran�a ?

N�o.

Fico bem com voc�.

Um dia, eu te prometo...

te levarei para a Am�rica.

Verdade ?

Quando formos ricos.

N�o tem ningu�m na sua casa.

Seu pai foi ao hospital para fazer uma consulta.

Est� muito elegante, hein ?

Mas n�o rejuvenece.

Violette ?

Deve estar com a irm� do doutor.

O que est� fazendo, Germaine ?

Estou arrumando as coisas. J� vou.

Tenho que partir para Sables...

N�o me atrevo a aproximar-me da cama.

Est� imaginando coisas. O Sr. Jean estava sozinho.

Olha, est� escrito. "Espero por voc� e suas promessas".

"Espero por voc� e suas promessas."

J� trago o troco.

De onde saiu isso ?

Janine me emprestou seu vestido.

J� tenho idade suficiente para n�o me vestir como uma menina.

At� o Doutor me disse... O qu� ?

N�o tem o direito de ver minhas cartas. Parece um policial.

Suas crises n�o me impressionam.

Est� � com ci�mes.

Ele est� apaixonado h� 3 meses.

N�o adianta tentar nada.

S� queremos o melhor para voc�, Violette.

Se esse homem � direito, tem que se decidir.

Escreva para ele.

Escrever o qu� ?

Que ele decida se vai casar com voc�.

� �bvio que quer se casar.

Sua m�e tem raz�o, minha filha.

Meus pais...

han... no, hemos...

tendo... acabando... tendo encontrado suas cartas...

N�o... tendo encontrado nossa correspond�ncia...

Ficariam felizes de saber...

dos seus sentimentos por mim.

Ponto.

Portanto... conto com voc�...

para que lhes escreva.

Sinceramente...

E assine com seu nome, Violette.

Talvez seja bom acrescentar uma pequena frase a respeito da sua doen�a.

Se � respons�vel, casa-se mesmo voc� estando doente.

S�o uns perversos, uns mesquinhos.

Uns mesquinhos.

Eu te avisei. Foi dura demais.

Ambos fomos duros demais.

Dever�amos ter falado do dote que reservamos para ela.

Falar de dote ?

J� pensa demais em dinheiro.

Um dote n�o � a mesma coisa.

Daria cabo dele em 3 d�as.

Prefiro que receba o dote a que roube minhas economias.

E essa Janine ? Nem mesmo a conhecemos.

Vamos conhec�-la em breve.

Vai preparar seu assado.

Precisamos causar boa impress�o.

N�o est� mais zangada ?

Janine vai se atrasar.

Seus pais a retiveram. Ela pede desculpas.

O assado vai passar do ponto.

V�o se vestir. Eu me encarrego de tudo.

Janine s� tem 18 anos...

n�o tem necessidade tanto aprumo.

N�o quero que Violette se envergonhe de n�s.

Se tiver orgulho do pai, far� menos besteiras.

Por sinal, esqueci completamente de lhes dizer...

Como est�o bonitos.

Quero saltar aqui !

Andando sozinha de noite ?

Vai para longe ?

Suba, n�s te levamos.

� aqui.

Venha amanh�. Estou sempre em casa.

Vamos para a casa da Janine.

�Qu� quiere?

Venha r�pido ! N�o me atrevo a entrar, sinto cheiro de g�s

G�s ? - Sim.

Sim, � cheiro de g�s.

Estou me sentindo mal.

Rose, leve-a para dentro.

Violette, querida... seu pai...

Os casos de g�s sempre come�am noas andares de cima.

Conte-nos tudo que sabe, senhorita.

Se suicidaram, � terr�vel.

Acha que seria poss�vel o suic�dio ?

Tudo o que sei � que a Sra. Nozi�re era uma mulher estranha.

Triste e estranha.

Quando tinha pesadelos de noite...

ouvia-a gritar alto.

Venha ver-nos �s oito.

Visitaremos juntos sua m�e.

N�o consigo entender.

Violette � doente desde os 12 anos.

Isso nunca a impediu de se vestir como adulta.

O g�s ficou ligado por sete minutos, no m�ximo.

Pode crer, sou eletricista.

Al�m do mais, tamb�m fui envenenado por g�s em 1917.

Obrigado. Por ora, � tudo.

O que se faz com a mo�a ?

Eu lhe disse que passase pela delegacia �s 8.

E se ela fugir ?

Por que haveria de fugir ?

Se fugir, terei uma manh� tranq�ila.

Nunca vi uma pessoa t�o despreocupada como voc�.

Me pregunto o que faria na Alemanha se estivesse l�.

N�o importa onde esteja, sei o que fa�o.

N�o gosto de hospitais.

Vai correr tudo bem.

Sinto muito, a Sra. Nozi�re n�o pode receber nenhuma visita.

Ela n�o pode responder as suas perguntas.

Ela repete sempre as mesmas palavras.

Violette, muito sangue, Violette, muito sangue...

Deixe-me entrar s� por um momento.

Voc� me espere a�.

Bem, at� logo meninas...

Bem, meninas, que tal um caf� ?

Ajude-me. N�o tenho ningu�m.

Para que esse rel�gio ? N�o preciso ver horas.

Est� vendo ? Voltei.

Que bom.

Venha.

� prov�vel que nossa moda dificilmente passe do Reno.

Na verdade, o F�hrer decidiu criar uma ag�ncia para a moda alem�...

a cargo de Madame Goeber.

Essa iniciativa criar� uma nova moda mais de acordo com a cultura alem�.

O que � isso ?

Prefiro assim.

N�o entendo.

Ei !

N�o se lembra de mim ?

N�o.

N�o importa.

N�o devia ter vestido.

Fique com ele.

N�o preciso de nada agora.

Fique com tudo.

Achava que fosse us�-los para ir a Sables d'Olonne.

N�o vou mais.

E o Sr. Jean ?

N�o, por favor, fique.

De qualquer modo, Deus � vazio.

Deve haver algu�m acima dele.

Voc� ama demais o Sr. Jean.

Demais mesmo.

Tudo bem.

Leiam no Le Matin !

O terror de saias !

Assassinou e matou. Leiam no le Matin !

O terror de saias assassinou e roubou !

Leiam no Le Matin !

Le Matin !

O terror de saias assassinou e roubou !

Leiam no Le Matin !

Sou Andr� de Pinguet.

Paris � de morte, n�o � ?

Gra�as a Deus vou para a Inglaterra no fim de semana.

Vive com sua fam�lia ?

Sim, moro com minha m�e.

Trabalha numa grande casa de moda na Rue de la Paix.

E seu pai ?

Trabalhava na Rede Ferrovi�ria. Morreu h� um ano.

Meu tio cuida de mim. � comiss�rio de pol�cia.

Posso ?

Impressionante...

O que ?

Voc� se parece...

com a Violette Nozi�re.

A mo�a que matou os pais.

Tem raz�o. Parece mesmo.

Especialmente o queixo.

N�o se preocupe, n�o matei ningu�m.

Me chamo Christine Darfeuil, moro na Rue Henri Martin 77...

com minha m�e.

Sabe que horas s�o ?

N�o.

Tenho que ir.

T�o cedo ?

Poder�amos nos ver esta tarde.

Estou sozinho.

Nos reencontramos aqui mais tarde ?

�s 6, digamos ? Seria um prazer.

Tudo bem, adeus.

Ent�o �s 6, aqui ?

Tudo bem.

Nozi�re. Pol�cia, s�ga-nos.

Canalha ! Safado !

Ent�o quer dizer que tentou fugir ?

Sente-se.

A intima��o que recebeu se refere � sua pessoa ?

Responda sim ou n�o.

Sim.

Admite ter cometido esses atos ?

Sou culpada. Admito.

Gostaria de entender.

N�o conseguiria.

Mas seus atos foram premeditados.

N�o contra minha m�e.

E seu pai ?

Meu pai, sim.

Era como uma obsess�o.

H� uns dois anos.

J� o tinha tentado em mar�o.

Nunca contra minha m�e. Inclusive em mar�o.

Mas tamb�m agiu contra ela.

Temia que ela pudesse interferir.

N�o queria que ela me impedisse de matar meu pai.

Seu pai era muito autorit�rio ?

� isso ?

�, � isso.

Ele tinha ci�mes.

N�o queria que eu me casasse.

Mas isso n�o � tudo.

Conte tudo, minha filha.

Tudo come�ou entre mim e ele quando eu tinha 13 anos.

O senhor � o primeiro a quem eu revelo.

Voc� tem raz�o. N�o lhe quero mal algum.

O senhor, n�o.

Mas ele, mesmo agora, sinto que est� me olhando.

Mesmo morto, sinto que me deseja.

O que voc� fez ?

Envenenei meu pai.

Por qu� ?

Porque me obrigava a dormir com ele.

Fez bem.

Toma, beba um gole.

Por sinal, esqueci completamente de lhes dizer...

Como est�o bonitos !

O Dr. Deron me uma coisa para voc�s.

Outra vez ?

"Querida Sra. Nozi�re, perdi o recado que me mandou a respeito de seu marido...

"mas envio-lhe estes tr�s pacotes."

"Insisto que os tome antes de ir para a cama."

"Como se intoxicou em mar�o...

ser� melhor que tomem este preparado."

N�o entendo nada desta receita.

A doen�a, mam�e. Ainda estamos doentes.

Quero saber o que �. Vou mostrar ao farmac�utico.

Voc� vem, Violette ?

Sim, claro.

Bem, o que est�o esperando ? V�o.

N�o sei o que se passa com sua m�e. Est� cada dia mais nervosa.

Oi. Sabe quem eu vi hoje ?

Jojo.

Jojo Lelouche ?

Est� brincando !

Est� com pressa ?

Vale a pena saber, juro.

N�o sente a�, vai se sujar.

� s� por 5 minutos.

Jojo estava completamente nu na via.

N�o pode ser.

Tudo estava queimado: o motor, os vag�es, tudo.

S� ficou o Jojo sobre a v�a.

Voc� est� exagerando.

Mas eu vi. Estou lhe dizendo porque vi.

Nu ?

Mas eu o vi. N�o acredita em mim ?

S� acredita no que sai nos jornais ?

Tenho que ir. A velha detesta que eu fique conversando.

A que horas fecha a farm�cia ?

�s 7:30.

Ent�o j� fechou.

Olhe-me bem nos olhos.

Conf�o em voc�.

Se disser que tenho que tomar esse rem�dio, eu tomo.

O Dr. Deron mandou que tomasse.

Est� tarde demais para a farm�cia.

Como assim, tarde ?

Pegue �gua. O Doutor sabe o que faz.

Este � o seu pacote.

� para sua sinusite e fez uma mistura especial.

Como voc� sabe ?

Sei porque ele me disse.

Depressa. Estou com fome.

Est� levando mais que uma hora para preparar esse rem�dio.

N�o �, minha filha ?

N�o � t�o ruim assim.

Ponha um pouco mais de leite.

N�o gosto de leite.

� horr�vel.

Vou tirar o assado. Sen�o passa do ponto.

Vou tirar uma pestana, minha pequena Violette.

Papai, o que voc� tem ?

Violette, anda ! Seu pai est� doente.

N�o quero nada.

Comer� mais tarde.

Est� fazendo greve de fome ?

Cale-se.

Greve de conversa tamb�m ? Que cacete.

N�o estamos aqui para nos divertirmos.

Eu teria comido sua sopa e seu p�o.

O qu� ?

Eu o teria devorado.

Ande estamos indo ?

N�o se preocupe. Uma acarea��o com sua m�e.

N�o quero ! N�o com ela !

Tem certeza de que pode andar ?

Est� aqui para repetir diante de sua m�e...

a declara��o que me prestou.

Srta. Nozi�re, fale !

N�o !

Mate-se a si mesma.

Infeliz. N�o pode continuar a viver.

Perdoe-me mam�e. Perdoe-me, te imploro.

Te perdoarei ap�s o julgamento.

quando estiver morta.

N�o queria te matar, mam�e !

Levante sua manga !

N�o, Jean, n�o me fa�a mal.

Te amo demais para que me fa�a mal.

Eles t�m seus problemas para cuidar.

Me pergunto o que eles escondem de mim.

Estou certa que eles t�m um grande segredo.

Uma coisa que eles nunca me contaram.

Conte para mim.

Voc� � estranha.

Voc� nunca grita quando faz amor.

Te incomoda ?

N�o.

Voc� � estranha.

Seu pai a estuprou quando tinha 12 anos. N�o � de se espantar.

Estamos aqui para v�-la.

Ela pode dizer o que quiser.

Tentou envenen�-los duas vezes...

e duas vezes eles tomaram.

De certa forma, � como se eles quisessem morrer.

Violette tem raz�o ! A fam�lia � que est� em julgamento.

Ela desfez o terr�vel n� da serpente dos la�os de sangue.

O terr�vel n� da serpente dos la�os de fam�lia...

Paul Eluard. N�o conhe�o.

� o Dabin, o amante da Nozi�re. � o Dabin.

Canalha ! Canalha !

Afastem-se, seus chacais.

Nojento. Safado. Canalha.

Jean, meu amor...

Por favor...

pare de me chamar sempre de "meu amor".

� desnecess�rio.

Bom dia, minha filha.

Espera, perdi um brinco.

Deixa que eu procuro.

Cuide de sua filha.

Sim, minha filha. Eu sei, minha filha.

O que voc� tem ?

Sonhei que envenenava o esp�rito de minha m�e.

Quando era joven eu lhe dizia...

se algum homem abusar de voc�, conte logo para sua m�e.

Esta situa��o � bastante diferente.

Alguma vez invejou sua filha ?

N�o, nunca invejei ningu�m.

No in�cio queria morrer, mas quando soube...

de todo o mal que havia falado de meu marido...

decidi viver para limpar seu nome de tantas ignom�nias.

Viver para o vingar.

Decidi processar minha filha.

Violette !

Ainda ama sua m�e ?

Sim.

Por qu� ?

Porque n�o a compreendo.

Vi logo que se tratava de perversidade, de debilidade mental.

Sua insensibilidade se manifestava em forma de mitomania indigente.

Mentia o tempo todo.

Mas sempre perto da verdade. Mentiras horr�veis.

Chegou mesmo a inventar uma irm� para poder sair.

Como se uma irm� minha pudesse sair com ela.

Voc� teria ficado envergonhado.

Sim.

Foi o dinheiro. N�o deveria ter gastado tanto dinheiro.

Sabe, os burgueses detestam quando se toca nas suas queridas economias.

N�o tenho remorsos.

Tudo que fiz contra meu pai e minha m�e...

me tirou o prazer de tudo.

Nunca amei nenhum homem como o amei.

Agora n�o amo mais ningu�m.

Melhor para ti.

Acha que v�o me condenar ?

Ela dizia que desfilava cole��es nas praias da moda.

Na verdade, acho que ela nunca saiu de Par�s.

Uma vez ela nos levou ao Bois de Vincennes com uma garrafa de champagne...

para celebrar sua partida de f�rias.

S� que ela nunca partiu.

Ela estava sempre com jovens...

que se diziam estudantes, mas que n�o eram.

E com quem nunca quis me relacionar.

Fico contente de ouvi-lo dizer isso.

Obrigado, senhor.

N�o tem quem me defenda.

Pode ser que te absolvam.

Os ju�zes querem m�rtires.

A multid�o est� enlouquecida. N�o a podemos trazer ao tribunal.

Claro. Claro.

N�o � a primeira vez que usariam meu escrit�rio.

Uaa pris�o sempre tem uma hist�ria.

Veja esta cadeira, usada por Maria Antonieta...

quando se apresentou diante do tribunal revolucion�rio.

Ali a poltrona de Lu�s XVI.

Onde se sentou no dia fat�dico.

N�o, a� n�o. Por favor.

Fiquem � vontade na minha sala.

Estava doente.

Meu pai queria sempre...

eu queria me suicidar.

E seus pais ?

Queria que todos nos suicid�ssemos.

H� anos queria acabar xom esse passado de problemas e conflitos.

Queira explicar-se.

N�o posso.

V�-se bem que est� louca.

Me escute, mam�e.

Escute-me.

Olhe para mim.

Quero ver minha av�. Ela compreender�. Me escute.

Y los mat�.

Ent�o voc� matou. Mas por que roubar ?

Isso foi depois.

Precisava de dinheiro ?

Prometeu saldar a d�vida de Dabin com Willy.

N�o saldei aquela d�vida.

Porque ele n�o saiu de f�rias com voc� ?

N�o diga isso !

Sente-se.

Soltem-na.

Gostaria de lhe fizesse algumas perguntas.

Fa�a-as a senhora mesmo.

Mant�m as acusa��es que fez contra seu pai ?

Sim.

Deve haver um c�mplice.

Como sabe ?

Quando ca� na sala de jantar...

seria necess�rio algu�m para ajud�-la a levar-me para o quarto.

Eu a carreguei sozinha.

Como pode acreditar nela. Queria nos matar e roubar.

T�nhamos 120.000 francos no banco e ela os queria.

Por isso ela faz todas essas acusa��es contra o pai.

Aqui est� o pano que ela afirma que...

o Sr. Nozi�re usou de modo que ela...

n�o ficasse gr�vida durante seu ato incestuoso.

� mentira. S�o meus. Isto �...

eram das nossas rela��es, entre mim e ele.

Que vergonha.

Como ela os encontrou ?

Ela fu�ava tudo.

Voc� tamb�m fu�ava tudo.

A senhora estava a par das sa�das da sua filha pelo Quartier Latin ?

N�o.

Entretanto, temos aqui uma carta escrita por Violette...

na qual ela amea�a que se suicidar�...

no mesmo dia em que seu marido sai � sua procura e a encontra no Quartier Latin...

com uns amigos, ent�o suponho que soubesse.

E quanto � irm� imagin�ria do Dr. Deron...

n�o tem d�vida nenhuma ?

Creio que j� dei minha palavra, sr. juiz.

Violette Nozi�re, alega...

que n�o pretendia matar sua m�e.

Explique isso na sua presen�a.

O pacote para meu pai continha 24 comprimidos de Sovenal em p�.

Coloquei-o em sua m�o.

O de minha m�e continha 12...

e eu o pus diante dela.

Mentira ! Eu preparei os copos. Eu poderia muito bem ter tomado o outro.

Se n�o tivesse tomado meio copo estaria morta.

Fa�a entrar Jean Dabin.

Sr. Dabin.

Sente-se.

Foi para voc� que ela deu nosso dinheiro.

Matou por sua causa.

Controle-se, por favor.

� verdade que a Srta. Nozi�re lhe dava...

entre 100 e 150 francos por dia ?

Sim, � verdade.

Que efeito isso produzia no senhor ?

Nenhum.

Explique-se.

No Quartier, todos se emprestavam dinheiro.

� o anel de meu marido.

Ele o roubou do meu marido.

Sr. Dabin, roubou este anel...

como declara a Sra. Nozi�re ?

N�o, foi-me dado por Violette.

Se soubesse que era de seu pai, teria devolvido.

Confirma o que a testemunha acaba de dizer ?

Ele realmente desconhecia a proced�ncia desse anel ?

Se a testemunha n�o est� dizendo a verdade...

ser� acusado por cumplicidade no roubo do anel.

S� me preocupo por voc�.

Voc� � t�o forte.

Juro que n�o conhecia a proced�ncia desse anel.

Os relat�rios da pol�cia provam que Nozi�re o enchia de presentes...

e que ela pagava pelo quarto do hotel onde se encontravam.

Sabia que a acusada, para financiar esta necessidade,

se prostitu�a ?

Nunca ! Isso � mentira !

Ent�o onde conseguia o dinheiro que dava todos os dias a Dabin ?

O dinheiro que tirou de seus pais n�o representa nem um quarto do que lhe deu.

Por favor, explique-se.

N�o me atreveria, por causa de minha m�e.

N�o se atreveria ?

Do Sr. �mile, que cuidou de mim.

Outro dos seus amantes ?

Claro que n�o. Era uma rela��o plat�nica.

Um tipo de pai espiritual ?

Se assim quiser.

E quanto ele lhe dava ?

1.500 francos por m�s.

Por que ele era t�o generoso ?

Por raz�es que n�o posso dizer aqui.

Ent�o nos diga quem ele �. Pode ser que ele nos diga por qu�.

N�o posso, sr. juiz. N�o tenho direito de compromet�-lo.

Mas � em seu pr�prio interesse revelar seu nome.

N�o posso.

N�o adianta empurrar. O juiz n�o sair� em menos de duas horas.

Tudo o que se sabe desse Sr. �mile � que usa um terno azul e tem bigode grisalho.

Assim fica f�cil.

N�o entendo a atitude da m�e.

Est� agindo com moralidade, de maneira correta.

Deu veneno aos seus pais.

A malvada Violette Nozi�re.

Sem pena de tanta crueldade

cometeu esse terr�vel crime.

Vai dar tudo certo.

N�o tenha medo.

Tinha raz�o de se vestir assim, sabia ?

A sobriedade sempre impressiona os ju�zes.

Isso � extraordin�rio ! � o novo caso Dreyfus.

Metade da Fran�a est� do seu lado.

Propostas de casamento ! Sete homens que querem suicidar-se por voc�.

Padres que te defendem.

Tudo que desejo � que minha m�e me perdoe.

Ela desempenhou t�o bem seu papel que at� a m�e acabou cedendo.

A� vem a m�e !

O que vai fazer agora ?

Cuidar da minha filha.

Est� na hora.

Sim, est� na hora.

O veredito !

O tribunal, ap�s as delibera��es...

ordena que ela seja encaminhada, descal�a,

e coberta de um v�u negro...

a uma pra�a p�blica de Paris...

para ser decapitada.

Perdi minha corrente. Onde ela est� ?

Eu tinha uma corrente. Violette.

Tenho que encontr�-la.

Violette !

Pe�o perd�o a todos e agrade�o ao meu defensor.

Assine sua apela��o.

Violette, voc� foi condenada.

Voc�s me d�o nojo.

S�o todos uns canalhas.

Voc�s me d�o pena.

Amaldi�oo cada um de voc�s.

Levem a condenada !

N�o me toquem ! N�o me toquem !

D�em minha bolsa. N�o toquem nas minhas coisas.

Acha que vai ficar entediada ?

Sua m�e disse que daria todo seu dinheiro para te salvar.

Diga-lhe que agrade�o.

Todos os presos est�o falando de voc�.

Admitamos que matar seu pai n�o tenha te afetado...

mas v�o te decapitar...

Isso n�o mexe com voc� ?

N�o v�o cortar minha cabe�a.

A supervisora disse que se eu quisesse poderia trabalhar.

Acho que vou recome�ar do zero.

Dever�a ter decidido isso antes.

Antes eu n�o podia.

Agora eu posso.

Condenada � morte em 13 de Outubro de 1934...

Violette Nozi�re foi perdoada...

pelo Presidente Albert Lebrun em 24 de Dezembro...

e teve sua pena comutada para pris�o perp�tua com trabalhos for�ados.

Em virtude de seu comportamento exemplar na pris�o...

o Marechal P�tain reduziu a pena a 12 anos.

Decidida a recome�ar a vida ap�s a expira��o de sua pena,

tendo sido posta em liberdade em 29 de Agosto de 1945...

e logo agraciada pelo General de Gaulle em 1 de Setembro

com um decreto anulando...

sua proibi��o de resid�ncia na Fran�a por 25 anos,

Violette Nozi�re finalmente se casou com o filho do cl�rigo da pris�o...

com quem teve 5 filhos.

Abriram uma casa comercial.

En 1963, pouco antes de morrer...

o tribunal de Rouen deu um passo sem precedentes na justi�a francesa:

restabelecendo todos os direitos civis

a um condenado � morte pela justi�a comum.

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