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A TA�A DE OURO

V�, pai! Ei-los!

Maldito! Tu n�o �s um homem! O teu filho, sim.

Matem esta cadela! E tamb�m o seu cachorro!

Imploro-te, pai!

Imploro-te! Tem piedade! Imploro-te!

E a mulher assassinada era a madrasta do rapaz?

A mulher do pai dele.

E o irm�o, que sempre tivera ci�mes dele,

levou o pai a ver o que se passava.

De qualquer modo, o Duque estava farto da esposa.

Era �vida de dinheiro e de jovens amantes.

Tens uns antepassados encantadores!

N�o sei para que serviam estes quartos,

ou quem fazia uso deles.

O meu av�, o velho pr�ncipe, costumava dizer

que uma casa onde se conhecem todos os quartos

n�o merece ser habitada.

O �ltimo membro da fam�lia que viveu aqui foi o meu tio Alfonso.

Teve de partir, porque estava a ser envenenado.

N�o por uma pessoa, mas por lascas de folhas de ouro

que ca�am do teto para dentro da sua ch�vena de caf�.

Descobriu-se que continham ars�nico.

Pal�cio Ugolini, perto de Roma - 1903

Vem...

Foi aqui que gastaram o dinheiro que podia ter sido meu.

Um dos pr�ncipes do s�culo passado,

gastou tudo o que tinha na montagem de �Commedias�,

onde tinha sempre o papel principal!

O Sr. Verver gastaria milh�es a restaurar isto.

Felizmente, tem-nos.

Vais mesmo para Baden-Baden?

Por que Baden-Baden?

Porque umas pessoas simp�ticas convidaram-me.

Preferia ir para casa.

Mas n�o suportas a Am�rica mais do que cinco minutos.

Tem a vantagem de ficar muito distante de ti,

e da tua noiva.

Sabes o que mais desejo para ti?

Gostarias que eu tamb�m casasse.

Que g�nero de pessoa tens em vista para mim?

Algu�m bondoso, simp�tico e inteligente.

E rico.

Ajudas-me a encontrar esse magn�fico marido?

Algu�m que me fa�a esquecer-te?

Charlotte...

N�o tenho alternativa.

- Eu n�o tenho dinheiro. - Tanto me faz!

Por favor, n�o fa�as isto.

Charlotte...

Charlotte! Charlotte!

Casa de Londres de Adam Verver,

o multimilion�rio da Am�rica

N�o posso crer!

Fanny, � bom demais para ser verdade!

A Charlotte est� em Londres?

Quando chegou?

Pensei que estava em Baden.

- E est� consigo neste momento? - Que te parece?

Tenho de v�-la quanto antes! Fanny, querida, por favor!

- Se vieres busc�-la de carro... - Claro! Sem d�vida.

Obrigada, minha querida.

Que alegria! A Charlotte veio para o nosso casamento.

Vais conhecer a Charlotte!

Sempre gostei da Charlotte. Era a tua melhor amiga no col�gio.

Imagine uma jovem linda, nobre,

que conhecia todos os idiomas, e todos os pa�ses do mundo!

E eu, uma pequena americana, completamente apavorada!

Adotou-me como amiga.

- Que est� a ver? - Uma coisa �mpar.

� um belo presente do teu noivo.

� interessante para mim por ser o antepassado de quem herdei o nome,

Amerigo.

Amerigo seguiu na esteira de Colombo,

e conseguiu que fosse dado o seu nome ao novo continente

em vez do pobre Colombo! E, desde a�,

em cada gera��o � dado o nome Amerigo a um filho na fam�lia.

Amerigo...

Agora deves fazer algo por mim, meu querido, nobre Amerigo.

Vai buscar a Charlotte.

Est� na casa dos Assingham, mas tem de ficar conosco, claro.

Trazes-me a minha amiga?

N�o acho justo eu...

...eu deix�-lo...

Deixares-me? Tu n�o vais deixar-me!

Tu e Amerigo v�o mudar-se praticamente aqui para o lado,

para Carlton House.

Mas agora, serei eu e ele, e o pai sozinho. Perdemos a nossa simetria.

Simetria?

Gostavas que, para conserv�-la, eu tamb�m casasse?

Se o fizesse, eu compreenderia. Pode ter a certeza.

E sei que a culpa seria minha.

Culpa tua?

Vem c�, querida. �s t�o tola!

Os ingleses chamar-te-iam... absurda!

Numa cidade americana, o que te chamar�amos? Tu sabes...

- "Falar � toa" - "Falar � toa! Sim, sim, sim!"

"Falar � toa!"

Fez uma coisa maravilhosa por ele, Fanny! A s�rio.

Se tivesse de escolher para si uma mulher, a Maggie seria o ideal.

Por m�rito pr�prio, sim, e claro est�, pelo pai dela.

Foi maravilhoso da sua parte apresent�-los um ao outro.

Tamb�m quero fazer algo maravilhoso por ti, Charlotte.

N�o podes passar a vida como h�spede em casa dos outros.

Foste feita para uma vida de luxo, n�o de pobreza.

Tu n�o �s uma pobretanas, Charlotte.

Mas � isso mesmo que sou... pobre.

Nunca disse � Maggie?

Que tu e o Pr�ncipe se conheciam?

N�o!

N�o decidimos todos que seria o melhor?

- Todos deviam come�ar de novo? - Come�ar de novo!

Estava a dizer ao Pr�ncipe que s� se fala nele

e no grande acontecimento.

Meu caro, todos temos de passar por isso.

- A Fanny cuidar� de mim! - Sim, a Fanny cuida de todos.

- Portanto, est� tudo bem. - Est� melhor do que bem!

Como v�, n�o se livrou de mim.

Estou contente que tenha voltado.

N�o faltaria ao casamento de Maggie.

- N�o deve faltar a nada! - E Baden-Baden foi horr�vel!

Aqueles hot�is e os h�spedes, lojas cheias de coisas horrorosas,

sapatos cor-de-rosa e sombrinhas a condizer!

Coisas disparatadas que ningu�m de perfeito ju�zo compraria.

Vim-me embora porque n�o encontrei nada de valor para dar � Maggie

como prenda de casamento.

Tem de ajudar-me a encontrar algo, Pr�ncipe.

Sei como sabe comprar bem, desde os nossos tempos em Roma.

Sim, em Roma, com os meus pobres romanos, mas,

em Londres, n�o sou t�o persuasivo!

N�o h� nada aqui que ela gostasse de usar.

H� alguma coisa que tu gostasses de usar?

Queres oferecer-me uma prenda?

Aceit�-la-ias?

- Se aceitasse, que faria com ela? - Usava-la.

E, se o fizesse, mostr�-la-ia � Maggie,

e dizia o que mais tinhas oferecido?

Por que n�o?

Foi por isto que eu voltei...

Para estar contigo como nos tempos que passamos em Roma.

- Por que dizes isso? - Tenho de faz�-lo.

- N�o deves. - Quero diz�-lo.

Quero que saibas que voltei para estarmos juntos uma vez mais,

antes...

...antes de fazeres o que vais fazer.

N�o te exijo nada.

Que te pe�o? Uma hora ou duas, nada mais.

Uma hora ou duas para comprares um presente para a tua amiga.

Tive de vir! Senti tanto a tua falta! Pensei que o meu cora��o...

Gosta?

Gostas?

O que �?

Foi feita de um �nico cristal perfeito.

Perfeito?

Asseguro-lhe que n�o encontra nenhum tra�o de uni�o.

Mesmo se eu raspasse o ouro?

Espero por ti l� fora.

N�o pode raspar o ouro.

Foi aplicado atrav�s de um processo muito antigo.

Tem algum defeito?

� um presente para uma amiga e, se tem defeito, tenho de saber.

A sua amiga nunca descobrir� qualquer defeito.

Vou pensar.

- Vou guard�-la para si. - Obrigada.

Pareceu-me o presente ideal.

- N�o viste? - Vi o qu�?

- Est� fendida. - N�o vi nada.

- S� vi que era linda. - � esse o perigo.

Perigo? Para o teu casamento?

- Perigo para a tua felicidade? - Para tudo.

Sabes como sou supersticioso.

Fawns - Castelo Alugado por Adam Verver - 1905

Chegou o pap�!

O queridinho do pap�!

Meu tesouro!

D�-me...

Lindo menino.

Chegamos!

- � como imaginaste? - Acho-o ainda mais maravilhoso!

Vamos procurar o pai. Vai ficar t�o contente por ver-te.

- Bem-vinda a Fawns, Charlotte. - Obrigada por receber-me.

O comboio veio atrasado. Mas ei-la, s� e salva, finalmente!

Ela n�o pregou olho, por isso vou lev�-la j� para o quarto.

- Boa ideia. - Mais tarde fala com ela.

A Maggie instalou-a no Quarto Vermelho.

Tem duas belas vistas do castelo, de Canaletto.

Infelizmente, n�o s�o nossas.

� t�o bom ter-te aqui, onde �s apreciada, onde �s amada.

Estou certo de que a apreciam onde quer que ela esteja.

Vais ficar no melhor quarto. Prometo-te que n�o tem fantasmas!

Charlotte...

Ela est� muito cansada, por isso vou lev�-la j� para a cama.

- N�o quero ir para a cama. - V�s tudo mais tarde.

Pareces-me muito cansada. O teu quarto � por aqui.

Sabes o que eu acho?

Que est�s com saudades de casa.

Eu estou em casa.

Saudades de It�lia.

Naturalmente gostavas de voltar a Roma, um romano como tu!

Nada nos impede agora de ir.

Agora que a Charlotte est� aqui?

Sinto-me perfeitamente tranquila deixando o pai

e o Principino com ela. - A Charlotte � muito competente.

Sim, � muito pr�tica. Suponho que teve mesmo de s�-lo.

Mas tamb�m � rom�ntica.

"O rei nos pa�ses...

"O rei nos pa�ses...

devastados pela guerra..." - Temos de ir!

Nem que seja para melhorar o meu p�ssimo italiano!

Seria t�o bom irmos a Roma.

Tu e eu...

Sozinhos.

Juntos.

Isso � muito bonito, Charlotte. Muito bonito.

Sabe quem s�o estas senhoras?

- Senhoras da alta sociedade? - Perguntei-me v�rias vezes...

N�o sei os seus nomes. Vieram junto com a casa.

E os pintores?

Os pintores...?

Eles tamb�m ter�o de ficar sem nome!

Charlotte, venha ao escrit�rio. Quero mostrar-lhe uma coisa.

Estes s�o de Rafael.

Este foi o primeiro desenho dele que comprei.

Tenho tido sorte ao longo dos anos.

Agora tenho cinco.

J� n�o se veem no mercado.

Esta foi a minha descoberta mais recente.

Mas ser� de Rafael?

Ou ser� de Perugino, o seu mestre?

� lindo.

Qualquer pessoa o desejaria! N�o acha?

Andam comigo, para onde quer que v�.

Fazem-me sentir em casa, em todos os s�tios onde temos vivido.

S�o como velhos amigos que podem ficar o tempo que quiserem.

Recebi uma carta de um tal Sr. Gutermann-Seuss.

Diz que tem um conjunto de azulejos turcos muito interessante.

Tenciono ir visit�-lo. Nunca se sabe se ser� algo raro.

Antes de ela casar, levava sempre a Maggie comigo.

N�o podia deix�-la sozinha num hotel.

Quando a m�e morreu, ficamos s� eu e ela, mais ningu�m.

Desde os 10 anos que ela conhece todos os negociantes da Europa.

At� mesmo alguns indiv�duos de reputa��o duvidosa,

que compram e vendem obras roubadas,

nalgum quarto escondido num beco!

Isto s�o projetos do museu que estou a construir em American City.

Quer v�-los?

A minha ambi��o � criar um pal�cio romano

num terreno baldio.

Isto s�o as galerias... Uma cole��o medieval...

um estatu�rio romano.

O estatu�rio n�o agrada muito aos habitantes de American City.

Falam muito nas folhas de figueira

mesmo cobrindo-as com fatos de banho de papel pardo.

Foi assim que resolveram o problema na Uffizi.

Que rid�culo! N�o merecem a sua generosidade.

Acho que prefeririam ter uma nova f�brica de g�s em American City.

Foi assim que eu comecei... A partir de carv�o betuminoso.

D� o melhor carv�o de coque do mundo.

Com a ajuda da m�o-de-obra dos imigrantes

a alimentar as fornalhas.

Trabalhavam 12 horas por dia, sete dias por semana, ano ap�s ano.

Nunca viram nada belo...

...na sua vida.

Quero dar-lhes alguma coisa.

Dar-lhes algo mais...

Mais que peda�os de carv�o mineral. Devo-lhes isso...

Levar-lhes todos os tesouros que consiga encontrar.

Por isso, ando a compr�-los para eles.

Como um pirata, parto � aventura, saqueando e pilhando.

E escondo o esp�lio. Guardo-o aqui, em Paris,

It�lia, Espanha.

Em cofres-fortes, bancos, armaz�ns.

Um dia, encaixoto-os e levo tudo de volta para casa comigo.

Vem tudo para aqui.

Para os ingratos cidad�os de American City.

� este o meu plano... para o futuro.

O meu dilema � ser isto uma tarefa dif�cil para um homem s�.

N�o devia ret�-la. Prometi cuidar de si.

A Maggie deu-me a ideia de que seria o contr�rio.

Seja como for, sei que ficaria muito contente por saber

que me faz companhia.

Detesta que eu fique sozinho sem ela.

Tem a estranha ideia de que est� a abandonar-me.

Acho que,

quando uma jovem se casa, de certo modo, abandona o pai.

Talvez. De certo modo.

Mas sinto-me mal por ela se sentir culpada

em rela��o a mim e...

- Estou a ret�-la com isto tudo! - N�o, de modo nenhum!

Temos de ir dormir.

Charlotte...

Estou contente por ter decidido ficar.

E eu estou feliz por estar aqui.

Se for a Camberwell ver os azulejos turcos de Mr. Gutermann-Seuss...

Posso ir consigo? Gostaria muito.

Espl�ndido.

Boa noite, Charlotte.

Boa noite.

Pal�cio Ugolini Um m�s depois

Prepara-te para ouvir isto...

"Finalmente, enchi-me de coragem,

e pedi a Charlotte em casamento. Ela, sempre maravilhosa, respondeu:

Desde que a Maggie e o Pr�ncipe aprovem.

Assim, vamos a Roma obter pessoalmente

o que ansiosamente esperamos ser o vosso consentimento."

O nosso consentimento!

N�o perderemos a oportunidade de examinar as obras do Pal�cio,

das quais me d�s not�cias t�o desesperantes."

Eles v�o chegar... A quantos estamos? A 4.

Chegar�o, penso eu, quarta ou quinta-feira, o mais tardar!

- Pai! - Mag!

Mostra o pal�cio � Charlotte. Ela nunca o viu.

Estou morta para que me conduzam numa visita principesca!

Se visses como estava h� dois anos!

� um milagre o que j� se fez. Mostra-lhe.

E era aqui que o primeiro duque guardava o seu museu de m�mias,

caso tenhas esquecido. Sempre que voltava de uma batalha,

trazia os cativos consigo,

matava-os e embalsamava-os com palha.

Minha querida It�lia!

� imposs�vel andar a teu lado com esse chap�u!

- N�o que n�o seja magn�fico. - Um presente do meu noivo.

Mas ainda n�o tenho o teu consentimento,

nem uma �nica palavra tua.

N�o est�s feliz por ires ter uma madrasta t�o jovem?

O que vais fazer requer uma grande coragem.

N�o s� da tua parte...

...mas de n�s dois.

Requer as nossas melhores inten��es

para com eles.

Todo o nosso... carinho.

Eles s�o bons e...

...e generosos. - Certamente.

Eles s�o bons meninos. E filhos de bons meninos.

Tiveste v�rios, lembras-te?

Londres Tr�s anos mais tarde

Baile em Lancaster House

Fazem um par muito elegante.

Poder� chamar-se a uma madrasta e ao seu enteado "um par"?

Que outra coisa podemos chamar-lhe, se aparecem juntos em todo o lado?

- Ela n�o sabe o que est� a fazer! - Que queres que ela fa�a?

Que fique fechada num dos arm�rios de Sr. Verver

com outras obras raras?

Tr�s noites seguidas! Dito por ela!

Seu mentiroso!

- Fanny! - Ent�o, o teu marido est� doente?

- Sentiu-se muito doente para vir? - Se assim fosse, n�o o deixava.

- A Maggie estava preocupada. - Ela preocupa-se sempre.

N�o seria mais natural ser a mulher a preocupar-se em vez da filha?

Tu sabes como as coisas se passam entre n�s!

O pai e a filha sentem-se mais felizes quando est�o s�s.

Arranjam sempre pretextos para isso.

Vou ter consigo a Cleveland Row.

N�o, eu vou at� Carlton House Terrace.

Parecem duas crian�as a combinar uma festa de bonecas. Adoram!

Sentem-se bem juntos.

- E qual � o teu papel? - Sentir-me bem sozinha, suponho!

- E o Pr�ncipe? - Bem, estamos no mesmo barco.

Tu est�s sem d�vida no "barco" do Sr. Verver.

N�o est� o Pr�ncipe tamb�m no "barco" do Sr. Verver?

Onde estaria ele se assim n�o fosse?

- Onde estarias tu? - Precisamente.

Mas agora onde estou, � fixo.

Fixo como um alfinete espetado numa almofada!

Sua Alteza Real expressou o desejo de conhec�-la.

D�-me a grande honra de apresent�-la a Sua Alteza?

Que querer� de mim Sua Alteza Real?

Deve ir imediatamente. � uma ordem.

Mandam chamar Charlotte atrav�s de si?

N�o, minha cara.

Como v�, foi atrav�s do Embaixador de It�lia.

� o seu Embaixador. Tratam-na como seu ap�ndice!

Meu ap�ndice? Minha cara, que compara��o!

Reparei que gosta de ter uma coisa sem cham�-la pelo seu nome.

Estou pronto como qualquer outro, a chamar espada a uma espada!

Ent�o, deixe-me dar nome a esta espada.

A Sra. Verver deve ser menos conhecida como sua madrasta,

e um pouco mais como a esposa do seu marido.

E o Sr. Verver devia ser um pouco mais conhecido

como marido de sua mulher. Ela n�o � ap�ndice de ningu�m.

� uma magn�fica e maravilhosa criatura por m�rito pr�prio.

A sua mulher tamb�m.

Acredite...

...eu sei a sorte que tenho na minha mulher, no meu sogro,

na minha madrasta e... na minha amiga.

Vamos ser fotografados. Venham.

Est� preparada?

Ent�o, vou disparar.

Excelente!

Outra vez...

Perfeito!

Est� preparado?

Muito bem. Est�o c�modos?

Ent�o, vou disparar.

�timo. A seguir.

- Traz-me isso, Bob. - Certamente.

N�o compreendo por que te culpas.

Ele precisava de uma mulher rica, ela de um marido rico.

Eu apresentei-o a Maggie. Ajudei-o porque confiei nele.

Ainda confio.

Ent�o, achas que a culpa � toda da pobre Charlotte?

- Se ela o deixasse em paz... - Talvez ele n�o queira isso.

N�o te esque�as que est� numa posi��o

em que n�o tem nada que fazer.

Pobre Maggie...

A culpa � minha. Devia ter-lhe contado.

Que o marido e a amiga se conheciam... bem?

Nunca percebi por que lhe ocultaste isso.

H� coisas na vida que a Maggie n�o...

...n�o deve saber. N�o te parece?

Temos de salvaguardar a inoc�ncia dela.

Nesse caso, � de admirar que o Pr�ncipe se aborre�a a seu lado?

Nenhum homem gosta de ser casado com uma crian�a inexperiente.

- Vem para a cama. - "Vem para a cama"...

� a tua solu��o para tudo!

Mary, Rainha da Esc�cia!

Boa tarde, minha senhora.

Por que vieste de carruagem?

- Onde est� o teu autom�vel? - Deixei-o em casa.

Quis sentir-me como quando podia fazer o que me apetecia.

N�o me lembro que alguma vez

te apetecesse viajar desconfortavelmente!

Parece-me que gostava de tudo naquele tempo.

Traz-me � mem�ria velhos sentimentos.

Surgem de novo. A s�rio.

Tudo surge de novo.

Deves estar ansiosa por beber o teu ch�.

Deixa-me servir-te uma ch�vena de ch� bem forte.

A Maggie levou o pequeno a Cleveland Row.

Como de costume.

Chegaram antes das onze, e ainda l� est�o.

Pergunto-me o que pensam que ando a fazer.

O que � feito de mim enquanto eles est�o t�o felizes juntos.

Ou o que � feito de ti.

� claro que eu...

Sinto-me feliz por eles estarem felizes e por adorarem o meu filho.

Fariam o mesmo por um filho teu.

Isso nunca acontecer�.

- Nunca? - Nunca.

Seria melhor para ti.

Seria preciso mais do que um filho meu.

Seria preciso mais de 10 filhos, se os tivesse,

para separar os nossos c�njuges.

� estranho, n�o �?

Como tu e eu estamos t�o incrivelmente s�s...

Por eles estarem t�o incrivelmente juntos?

J� pensei nisso, sim...

Por vezes...

Por vezes, acho que, em vez de mais,

compreendo cada vez menos esta gente onde formei fam�lia.

Americanos!

- S�o muito diferentes. - A mim, compreendes-me.

Tu!

Tu �s como eu.

Ou seja, italiana e terr�vel?

N�o!

Americana e terr�vel!

E eles?

Eles s�o despretensiosos, e bons.

E � por isso que temos de proteg�-los.

N�o foi o que dissemos que �amos fazer, em Roma?

Agir juntos... Cuidar deles.

Sim, temos de agir juntos.

Sabe Deus como eles o fazem!

Quando fores para casa, onde vais dizer que estiveste?

Vou dizer que estive aqui.

Acompanhando-te na tua solid�o.

Que outra coisa, meu querido...

Que outra coisa podemos fazer?

- O teu convite para Matcham. - N�o deseja mais nada?

Recebemos o nosso ontem. Vamos gostar muito, garanto-te.

Os fins-de-semana em Matcham s�o t�o divertidos!

Est�s a preparar-te para o fim-de-semana.

- J� sei que decidiste n�o ir. - Foi a Maggie que te disse?

Fui eu que lhe pedi.

N�o me atrevi a dizer-te eu.

� uma pena. Ela, pelo menos, havia de gostar.

� uma tonta. Devia ir. Eu disse-lhe isso.

Quanto mais n�o fosse, n�o devia privar o Amerigo de divertir-se.

O Amerigo vai.

N�o posso aparecer sozinha em Matcham.

Achas que dev�amos pedir-lhe para deixar a Maggie?

Estou certo de que ele preferiria ficar com a esposa.

Sem d�vida.

Mas n�o fica bem eu aparecer sozinha, n�o achas?

Charlotte...

Importavas-te muito de tamb�m n�o ires?

N�o! � claro que deves ir.

O mundo inteiro tem de ver-te em todo o teu esplendor!

N�o pode ser desperdi�ado s� com o teu marido.

Sabes, Adam, n�o podemos afastar-nos todos do mundo.

Algu�m tem de ir a estas coisas, queiramos ou n�o.

Eu sei, eu sei...

- Falaste com ele? - Com quem?

- Com o Amerigo. Que disse ele? - Sobre qu�?

Sobre voc�s dois irem sozinhos a Matcham.

Que havia de dizer, se foi esse o teu desejo e n�o dele nem meu?

Quando l� chegares, v�o todos sentir muita pena de ti por...

...seres casada com um marido enfadonho que nunca sai.

� o que v�o dizer.

Podem dizer o que lhes apetecer.

E n�s podemos fazer o que nos apetecer. Tens raz�o.

Devemos agir sempre de acordo com a nossa consci�ncia.

Que dizes a este?

� lindo. Queres experimentar?

- Acho que ele fez batota! - Numa bicicleta? Imposs�vel!

Os italianos s�o muito desonestos.

Um seu antepassado era Papa e tamb�m houve v�rios cardeais,

todos com d�zias de filhos.

Se aquilo n�o � fazer batota, gostava de saber o que �!

Com estes nobres romanos, �: "Aut Caesar aut nihil", "C�sar ou nada."

"Aut vincere aut mori", "vencer ou morrer"!

Muito bem! Brav�ssimo!

Muito bem.

N�o... Acho que a Maggie e o pai n�o gostariam disto aqui.

Se � assim t�o mau para eles, como pode ser bom para si?

N�o deve envergonhar-se de mim, Fanny.

Durante quatro anos vivi a vida,

que pensei adequar-se

melhor � Maggie e ao pai.

Mas, h� alturas em que tenho de sair

e esticar um pouco as pernas.

Isto �, precisa divertir-se � sua maneira?

Bem sabe que para isso n�o estaria aqui. Estaria onde perten�o,

a respirar o ar onde nasci.

- Ent�o, ainda sente a sua falta? - De Roma?

Que lhe parece?

Cada minuto.

De toda a minha alma!

Tem a certeza...

...de que foi a aposta certa? - Talvez tenha sido muito baixa.

Por que n�o espera at� o jogo acabar?

Tenho a certeza.

- T�m imenso talento, n�o acha? - Absolutamente!

Ele n�o � divino?

O Sr. Blint tem uma voz linda.

Sim, mas precisamos de praticar mais.

Vamos ficar c� amanh�, quando todos partirem.

N�o seria divertido ficar conosco e o Pr�ncipe tamb�m?

S� n�s quatro. Que lhe parece?

Eu e o Bob gost�vamos de apanhar um comboio que vos convenha.

Apesar de todo este tempo aqui, acho que mal nos vimos.

� muito am�vel da tua parte, minha querida.

Mas decidimos, o Amerigo e eu,

ficar at� depois do almo�o.

V�o ficar?

Sim. A Charlotte prometeu-o � nossa anfitri�.

� um aborrecimento,

porque assim eu tamb�m tenho de ficar.

Tem de ficar com a Charlotte?

Tenho de cuidar que ela chegue bem.

O Sr. Verver e a Maggie assim o esperam.

Claro.

- Podia fazer-nos um grande favor. - Claro.

Mandar um recado a Cleveland Row, dizendo que ficamos retidos,

mas que voltaremos a tempo para o jantar.

Farei melhor do que isso.

Irei diretamente da esta��o e explicarei a vossa situa��o.

Agradecia-lhe muito.

Sim, pode dizer-lhes que estamos a ter a m�xima paci�ncia.

A m�xima paci�ncia!

Muito bem.

Nada tens a recear da Fanny.

� a ti que receio... �s vezes.

Nada receies. Ela n�o pode chegar junto � tua mulher e dizer:

"Desculpa ter arranjado o teu casamento. Enganei-me."

N�o se enganou! Fez bem.

- Est� tudo bem. - Ent�o, � o que eu digo.

Eles s�o felizes. N�s tamb�m podemos ser felizes.

E, se n�o parecesse muito vulgar...

...diria que podemos estar tranquilos.

Boa noite, meu querido.

� voc�?

� como jogar � cabra-cega!

S� o diabo sabe o que cada um anda a fazer!

Boa noite.

Boa noite para si e para a Fanny. Durmam bem.

Eu durmo como uma pedra. A Fanny � que fica a cismar!

Pobre Fanny. O que a faz cismar?

N�o me pergunte! S�o coisas que me ultrapassam.

Metaf�sica e psicologia.

Estavas a falar com algu�m?

Eu ouvi-te.

Devia estar outra vez a falar sozinho.

Pobre velhote!

N�o mintas pra mim. J� h� bastante gente a faz�-lo!

E que mentira vou inventar � Maggie amanh�?

N�o tens de dizer-lhe nada.

Disseste que devemos proteger a inoc�ncia dela.

Se ela continuar inocente muito mais tempo, vai perder o marido.

Acho que ele n�o est� muito interessado na Charlotte.

Os homens n�o gostam que lhes seja tudo facilitado.

Tens a no��o de que sabes tudo acerca dos homens e das mulheres.

N�o sei!

Deixo o conhecimento do cora��o humano a teu cargo.

S� n�o quero que isso te traga problemas.

- Respire, Gladys, bem fundo. - N�o me fa�a rir!

Procura a Charlotte?

Acho que ela tamb�m anda � sua procura.

� sua ca�a!

Latindo por si!

- N�o seja mau! Trabalhe! - Tenho de ensin�-la a tocar.

J� passa das 11 horas... Se ficamos aqui para o almo�o,

o que acontece � nossa tarde?

- Por que ficar para almo�o? - A nossa anfitri�...

Nem sonha que ficamos! Ela s� v� o Sr. Blint.

Gloucester � ali. Tem uma bela catedral.

Todos sabem que, sempre que podemos, paramos a ver catedrais.

Descobri o nome da estalagem.

H� duas, mas eu escolhi a que nos conv�m. Vais ver...

�s terr�vel...

Como sabes exatamente o que eu estou a pensar?

Sei porque � sempre o que eu tamb�m estou a pensar.

Estamos sempre em harmonia.

Prepara as tuas coisas.

Prepara as tuas coisas, depressa.

R�pido!

Tem o t�mulo de um rei qualquer muito famoso.

Muito interessante.

Ricardo II. Ou ser� Eduardo II?

Sei que foi assassinado de uma forma b�rbara!

Pensei que s� n�s, italianos, � que faz�amos isso.

Voc�s, italianos! Com os vossos venenos e os vossos punhais.

Podemos n�o chegar a tempo para o jantar...

Eles talvez nem notem.

Como � poss�vel pensar que um homem

pode ficar a s�s com uma mulher,

e uma mulher como tu...

Como Ad�o e Eva... antes da queda!

Isso n�o podia acontecer.

N�o podia...

Por que est�s �s escuras?

N�o recebeste o telegrama a dizer que perdemos o comboio?

Sim. Agrade�o-te muito teres pensado em mand�-lo.

- Jantaste? - Com o meu pai.

Est�vamos juntos quando o teu telegrama chegou.

Tens um vestido novo!

- � muito bonito. - Gostas?

Estreei-o hoje ao jantar.

Para ti...

- Mas j� jantaste. - Um horror!

Que aventura!

A Fanny contou-nos que a Charlotte fez muito sucesso em Matcham.

A bela e magn�fica Sra. Verver de quem tanto nos orgulhamos!

E que Lady Castledean n�o suportou a ideia de ela partir e,

por isso, a reteve.

Por isso, tamb�m eu tive de ficar. N�o podia deix�-la voltar sozinha.

Claro que n�o.

- O pai disse que fizeste bem. - Disse?

Pensei que estarias a dormir.

N�o conseguiria... Senti tanto a tua falta.

Tive saudades.

- Espera at� ouvires a aventura! - Tua e da Charlotte?

Decidimos visitar a catedral de Gloucester.

� uma catedral magn�fica, consta.

Com claustros.

E o t�mulo de um rei.

- O pequeno est� a dormir? - H� horas!

Que rei?

Que rei tem o t�mulo em Gloucester?

� Ricardo II ou Eduardo II?

N�o me lembro.

N�o o acordes.

E que mais?

Que mais, al�m de perdermos estupidamente o comboio?

- Onde jantaram? - Numa estalagem p�ssima.

Uma coisa horr�vel, chamada, julgo eu,

empad�o de carneiro.

Cozinha inglesa.

E tu, que fizeste?

Estivemos com o pai. Passamos l� a noite.

Todas as noites?

Estiveste fora sexta, s�bado e domingo.

Voltamos para Carlton House Terrace no domingo,

pensando que talvez voltasses um dia mais cedo em vez de...

Em vez de...?

Um dia mais tarde.

Tive um sonho estranho no domingo.

- Na verdade foi um pesadelo. - Estavas sozinha e com medo.

Devias ter ficado com o teu pai, em Cleveland Row.

N�o, n�o estava com medo.

E come�ou como um sonho, n�o como um pesadelo.

Eu estava num lindo pagode,

cheio de pedrarias e revestido de esmalte colorido.

Adorava estar ali e estava feliz. Pensei que estava feliz...

Mas, depois, aconteceu uma coisa estranha.

N�o sei descrever. Era como um som estranho.

N�o, era uma impress�o mais do que um som, como um aviso.

Bati na parede, naquele esmalte lindo,

e depois ouviu-se um som.

Como quando se bate com uma chave numa coisa,

e sai um certo som que te alerta que est� fendida.

Era como se o pagode estivesse fendido.

E a� come�ou o pesadelo, porque pensei que estava presa l� dentro.

Ia desmoronar-se em mil peda�os e enterrar-me-ia viva!

Parecia mover-se.

Mas sabes o que mais me assustou?

Foi que o pai soubesse que eu estava presa

naquele horr�vel pagode fendido. E pensei que ele n�o podia saber.

N�o podia saber que eu corria perigo. Eu n�o podia gritar.

Quando acordei,

descobri que tinha metido o len�ol na boca para n�o gritar

e para o pai n�o me ouvir.

E ele...

- Ele n�o perguntou nada? - Nem uma palavra.

Onde estivemos, ou por que perdemos o comboio.

Aparentemente, n�o lhe interessou minimamente.

- Que ter� pensado? - Com ele, nunca se sabe.

Acho que nem a Maggie sabe o que ele pensa.

Ela est� com ele agora.

Claro que n�o temos hip�tese de saber o que est� a dizer-lhe,

ou o que est�o a dizer um ao outro.

- Sobre n�s? - Sobre qualquer coisa.

Por que diabo nos encontramos aqui?

Porque ningu�m que nos conhece se lembraria de vir aqui.

Sim, n�o devemos ser vistos juntos assiduamente.

Se assim �, a culpa � deles, que nos fazem ir juntos a todo o lado,

enquanto ficam em casa, fazendo planos. Eis o �ltimo:

o meu marido quer levar a tua mulher a Espanha

para ver um Goya. S� os dois, tal como antigamente.

- Deixando-me a mim e a ti... - Juntos, como antigamente.

N�o, n�o devemos ser vistos sozinhos.

E eles n�o devem ficar sozinhos. Temos de ser de modo diferente.

Qual � a tua ideia? Tens tantas!

A minha ideia � simplesmente que...

...deves estar mais com o meu marido,

e eu mais com a tua mulher.

S� durante algum tempo.

Vem c�!

Vamos embora.

Soube que ouviu falar de um Goya, em Espanha.

Sim, h� uma possibilidade.

- A Maggie disse-lhe? - Disse-me a Charlotte.

Disse-me que estava a pensar levar a Maggie, quando for v�-lo.

Sim, t�nhamos planejado isso, com a sua autoriza��o.

- Se a Maggie assim o desejar... - Sim, claro.

Voc� faz sempre o que a sua mulher deseja.

Somos dois maridos ideais, voc� e eu.

- Est� com medo, av�? - Tu est�s?

N�o te assustas facilmente, pois n�o?

N�o sais ao teu pobre av�!

N�o consigo imagin�-lo com medo do que quer que seja.

Pois bem, conhece-me muito mal.

Tenho sempre o cora��o nas m�os,

com medo que algo aconte�a a este rapazinho.

Ou � Maggie... que lhe fa�am algum mal.

Seria capaz de qualquer coisa, se fosse o caso.

Por isso, tenho medo... medo de mim pr�prio, tamb�m...

Do que seria capaz de fazer, se ela alguma vez fosse magoada.

Vou contar-lhe uma hist�ria engra�ada.

Aconteceu h� muitos anos...

Em Paris. A primeira vez que l� estive

com a m�e de Maggie, em lua-de-mel,

Est�vamos num restaurante e um homem sentado noutra mesa

fitava a minha mulher de um modo que eu n�o gostei.

Por isso, agarrei numa faca, e precipitei-me para ele...

Talvez nem fosse uma faca cortante,

provavelmente era a faca da manteiga!

Parece que ainda estou a ver a cara dele...

...com uma express�o de espanto.

Acho que quis apunhal�-lo.

S� quando a minha mulher me segurou o bra�o

� que baixei a m�o e larguei a faca.

Ela levou-me dali, pedindo desculpas a torto e a direito.

Foi a primeira e a �ltima vez que sa� sem pagar a conta.

E ningu�m veio atr�s de n�s.

Acho que ficaram aterrorizados com aquele americano selvagem!

"Quem � este Sr. Verver?"

Por que ser� que nunca h� nada que eu possa comer?

- Nada mesmo? Que tal isto? - Ele detesta geleia de carne.

Por que n�o experimentas o ganso?

- Que p�ssaros s�o estes? - Acho que s�o pombos.

Quero o ganso.

Ele j� te disse algo mais sobre o Goya que quer ir ver na Espanha?

N�o. E a ti, disse-te?

Talvez devesses ir tu com o pai a Espanha.

De bom grado! Gosto da companhia do meu marido.

Mas n�o sei se ele prefere a tua � minha.

Isso n�o � verdade.

N�o � segredo. Todos sabem que ele casou comigo, n�o por mim,

nem mesmo por ele... mas por ti.

Talvez n�o seja boa ideia ir a Espanha agora.

A n�o ser que ele deseje muito ir. Ou tu.

Mas, claro, tu s� queres o que ele quer.

- E o Amerigo. - O meu marido.

Gostaria de satisfazer tamb�m os desejos do meu marido.

- E sabes quais s�o? - Tu sabes?

Maggie...

Estou cheia de ci�mes!

Trouxe a sua linda mulher aqui e n�o a levou a Matcham?

Que fizemos n�s para merecermos a sua indiferen�a e do seu pai?

Ela � bonita demais para ficar em casa!

Na pr�xima vez, n�o a dispenso.

Divertimo-nos tanto!

Adoro o teu vestido. � de Paquin?

- Que bonito! Vira-te. - Lindo!

N�o h� como os franceses!

Charles Blint, Lucy Moncreif.

Ela tem os maiores diamantes e o cabelo mais ruivo!

E as mais compridas pestanas posti�as!

Nos mais falsos olhos... N�o gosto dela.

� a primeira vez que te ou�o dizer que n�o gostas de algu�m.

- Devias faz�-lo mais vezes. - De que est�o a falar?

Devem ter-se divertido imensamente em Matcham.

Foi uma tremenda ma�ada!

E Gloucester? Gostava imenso de ter visto a catedral convosco.

Amerigo, temos de levar a Maggie a Gloucester.

Temos de ir l� todos.

Do ponto de vista arquitet�nico, tem imenso interesse.

E parece que historicamente tamb�m,

com o t�mulo de um rei. Quem �?

- Ricardo II. - Sim?

Pensei que era Eduardo II. Devo ter-me enganado.

Vamos sentar-nos.

- No Ritz. - Sexta-feira.

- � uma hora. - N�o te atrases.

O que queria a "gata"?

Saber o que � que eu poderia ter descoberto.

Sobre ela?

Por qu�? Ela n�o tem que atirar pedras ao telhado de ningu�m.

� reconfortante conhecermos os nossos amigos.

Tal como tu tamb�m n�o podes atirar nenhuma.

Que pedra poderia atirar?

Se tentasses, atingia-te de volta da maneira mais terr�vel!

Escapuliu-se outra vez?

Sabes como eu sou, com estas m�sicas modernas.

- O que � aquilo? - Gavrielka.

� muito barulhento!

Parece que afinal n�o vamos fazer a nossa viagem a Espanha.

N�o. N�o seria justo para com os outros.

N�o. N�o seria justo para com eles.

Mas sinto-me culpada, em rela��o a si e ao Amerigo.

Por qu�? Que mal nos fizeste?

Ret�-los aqui, nas tarefas dom�sticas,

comigo e o Principino

e a Charlotte,

quando ambos devem estar ansiosos por sair sozinhos.

Mag, est�s ent�o a pensar em alinhar-nos?

O Pr�ncipe e eu de um lado, e Charlotte e tu do outro?

N�o seria divertido?

Quantos casais poderiam pensar em tal coisa?

Quantos t�m a nossa sorte, de nos darmos t�o bem os quatro?

Bem, j� que assim �,

deixa-me fazer outra sugest�o,

para uma harmonia diferente este Ver�o.

� tal qual o "Hamlet".

- Ainda bem que acabou! - N�o gostaste?

Pergunto-me o que estar� a Fanny a pensar. Em alguma coisa �.

Disseste que n�o t�nhamos de preocupar-nos.

Vai ter com a tua mulher. Confia em mim. Sei o que fa�o!

Sabes? Sabes mesmo? Ent�o tens mais sorte do que eu!

"Est� tudo bem". Lembras-te?

C� est�o voc�s!

A Maggie ajudou-me a escapar � m�sica do s�culo XX.

Entretanto, estivemos os dois aqui sentados, n�o foi, Mag,

e engendramos um plano diab�lico!

O pai gostaria de ir para Fawns mais cedo este ano,

se isso convier a voc�s dois.

Perfeitamente. Pod�amos partir todos juntos ainda esta semana,

se assim o preferires. - Preferia irmos os dois primeiro.

Este fim-de-semana, se quiseres. E ficamos l� sozinhos por um tempo.

Tornamos a casa habit�vel, como dantes.

- Que dizes, Charlotte? - Espl�ndido.

�ptimo! Amerigo?

Espl�ndido!

V�s, Mag, que felizardos somos n�s quatro.

Estamos sempre todos de acordo sobre qualquer plano proposto.

Gostaste do bailado?

O pr�ximo.

Este castelo, constru�do na Idade M�dia,

sobre as ru�nas de uma fortaleza romana,

foi onde ocorreram as famosas, ou antes, as infames execu��es

da terceira mulher do duque e do seu filho.

Ugo era o favorito do Duque,

o que levou o ciumento irm�o mais velho a denunci�-lo e � madrasta,

tendo sido apanhados em flagrante delito.

Os amantes foram logo presos e arrastados para a morte.

O rapaz tinha 16 anos e a madrasta o dobro da sua idade.

O Duque voltou a casar com Eleonora de Arag�o,

que tinha apenas 11 anos.

Pr�ximo diapositivo.

O Castelo v�-se a quil�metros...

O que h� de horr�vel entre eles?

Entre o meu marido e a mulher do meu pai?

Entre eles?!

O que queres dizer?

Qualquer coisa que n�o devia existir. Acha que sim?

O Duque condenou a mulher, Parisina, e o seu adorado Ugo,

seu amante secreto, a serem decapitados.

Foi o quinto Duque

que primeiro assumiu o t�tulo de Pr�ncipe de Ugolini.

Adotou tamb�m o nome de Amerigo, como o famoso parente navegador.

Venha conosco para Fawns com o Coronel, Fanny.

N�o me deixe l� sozinha,

observando e adivinhando que mentiras me dizem.

A Charlotte mudou em rela��o a mim.

Pode n�o querer-nos l�. � a casa dela.

� a casa do meu pai.

"As belas mulheres sobre as quais pousa o seu olhar,

s�o levadas a am�-lo e convencidas de maneira prodigiosa,

com maior for�a que o �man atrai o ferro."

"Compramos Ouro"

Parece-me o estilo de loja onde talvez...

Talvez encontre algo original e belo para dar ao meu pai no anivers�rio.

� muito bonita,

mas n�o sei se seria indicado para meu pai.

- O pai � Adam Verver, - Sim, o colecionador americano!

Tudo o que lhe dou nunca me parece suficientemente bom.

Mas ele tem a teoria linda

de que um presente dado com amor entra numa categoria especial.

At� tem um arm�rio de vidro especialmente para essas prendas.

E as minhas est�o todas l�. Todas, ao longo de todos estes anos.

Por que disse que a Charlotte se voltou contra si?

Talvez seja s� imagina��o.

Ningu�m imagina tais coisas de �nimo leve.

Deve ter alguma raz�o para as suas suspeitas.

Tu tens alguma para as tuas?

O que � isso?

� uma coisa que tenho h� muito tempo.

� bizantino.

Guardei-a para uma senhora que disse que voltaria.

Uma senhora e um senhor. Cuidado... Marido ou noivo...

Foi h� mais de cinco anos.

- 8 de Julho de 1903. - Tr�s dias antes do meu casamento.

Nunca voltaram, por isso posso dizer que ainda est� � venda.

- Quanto �? - Trezentas libras.

Pode ser precisamente aquela coisa especial para o arm�rio do meu pai.

Manda-a para mim?

Ser� entregue amanh�. � uma honra.

Onde fica Biz�ncio?

Eles sabem que eu sei.

Sabes o qu�, pelo amor de Deus, minha querida?

Que o teu marido e a tua madrasta t�m vindo a conspirar, dia ap�s dia,

em tua casa e na do teu pai?

Seria insuport�vel pensar isso!

N�o se suportaria!

Temos de suportar muitas coisas por amor.

Amor pelo teu marido ou pelo teu pai?

Por amor!

� t�o desolador sem eles...

- Sem a Maggie e o Principino. - E o Pr�ncipe.

Sim, como sentimos a falta da nossa pequena fam�lia!

Mas � uma b�n��o, minha querida,

termo-nos um ao outro.

Trouxe isto para te mostrar.

Foi aqui que constru�mos os alicerces.

Neste edif�cio, entre a rua 41 e a 51.

American City argumentou que o museu est� a apropriar-se

de uma concess�o para uma linha de el�tricos.

� tudo uma quest�o de pol�tica e dos habituais subornos.

Se for necess�rio, compro ambos os lados da rua.

Mas tenho de l� estar. N�o posso deixar tudo entregue ao arquiteto.

N�o vejo qualquer motivo que te impe�a de ir.

H� algum motivo que te impe�a a ti?

Se eu tivesse de partir, digamos, na pr�xima semana, virias comigo?

Bom, gostaria muito,

mas n�o seria f�cil partirmos ambos em t�o curto espa�o de tempo.

E n�o terias de permanecer muito tempo longe.

E se acontecesse... Se fossemos...

...por muito tempo?

E se decid�ssemos ficar,

e come�ar esta nossa obra, a nossa verdadeira obra,

tu e eu juntos...

Nem mais tarde, nem num futuro long�nquo, mas agora!

N�o!

N�o suporto a ideia da tua cole��o...

Todos os teus tesouros serem enterrados l� longe.

Consideras "enterro" ir para American City?

Os teus tesouros, sim. Ficarem num lugar onde ningu�m os aprecie,

� como... como enterr�-los num t�mulo.

Num t�mulo?

O meu museu, um t�mulo?

Os t�mulos podem ser muito belos.

Viste fotografias do Taj Mahal, o t�mulo na �ndia

que um imperador construiu para a sua amada rainha.

- Sim. Ap�s a sua morte. - � claro.

Ningu�m pensaria em enterrar uma rainha em vida.

Eles n�o est�o interessados nele.

Querem o el�trico, n�o o teu museu.

Talvez n�o o queiram,

mas v�o t�-lo.

Charlotte!

V�o servir-me o jantar no escrit�rio. Tenho muitas cartas para escrever.

Espero que n�o te importes.

Boa noite.

Boa noite.

Trouxe-me a ta�a de ouro. Que amabilidade!

Princesa, que coincid�ncia extraordin�ria!

Disse-lhe que uma senhora e um senhor estavam interessados na ta�a.

Agora vejo aqui

essa mesma senhora e o senhor!

Tem a certeza?

N�o � um par que se esque�a facilmente,

mesmo ao fim de 5 anos.

Tive a sensa��o de que estavam noivos ou talvez recentemente casados.

Estavam � procura de um presente um para o outro.

A senhora gostou da minha ta�a de ouro, o senhor n�o.

- A quem passo o cheque? - A. R. Jarvis...

J-A-R-V-I-S.

- Trezentas libras, disse? - N�o, princesa, desculpe...

Metade dessa quantia, � mais do que suficiente.

Foi por isso que vim eu pr�prio.

Achei que tinha de dizer-lhe que a ta�a est� fendida.

Sim, o cristal est� fendido.

N�o podia deix�-la dar este presente ao seu pai, ignorando isto.

Princesa, tem um defeito.

Por essa raz�o, cento e cinquenta libras � o suficiente.

Muito obrigado, Princesa.

- Vou apanhar-te! - Querido, assustaste-me.

Vem c�, meu homenzinho!

- Boa noite. - Boa noite.

Est�s linda, querida.

Linda demais para o nosso Embaixador. Pobre homem...

Ainda n�o aprendeu a dar uma recep��o como deve ser!

O presente de anivers�rio do teu pai...

Acontece que � muito diferente do que eu pensei.

� linda!

� verdade, mas tem um defeito.

Um defeito?

N�o vejo qualquer defeito.

Da� o logro...

- Tem uma fenda. - Uma fenda?

No ouro?

- Como pode ser t�o pesada? - � cristal...

E penso que foi, em tempos, bastante valiosa.

E agora?

Agora n�o passa de uma ta�a dourada com uma falha.

� inacredit�vel! Parece perfeita.

Sim. Uma fraude perfeita.

Maggie, querida... Que se passa?

Lembra-se do homem da loja nos dizer que um casal quis compr�-la?

Acho que ele disse marido e mulher, mas podia ter dito amantes.

Ele reconheceu-os.

E lembrou-se da data.

Oito de Julho de 1903.

Falamos nisso na loja. Tr�s dias antes do nosso casamento.

Eles eram...

Eram �ntimos, compreende?

Depende do que quiseres dizer com isso.

Quero dizer que eram t�o �ntimos que me ocultaram!

At� mesmo que se conheciam!

N�o sabia de nada? N�o suspeitou de nada?

Nada?

Querida Fanny...

Sei que o que quer que fez ou que n�o fez,

foi na melhor das inten��es.

Fiz todo o poss�vel. Fiz todo o poss�vel para agir pelo melhor.

Estou certa que sim.

Acredito em si.

Mas agora, o melhor que pode fazer por mim � mentir.

Mentir ao pai, porque ele n�o pode saber.

Mas tens a certeza de que ele n�o sabe?

N�o, n�o tenho.

A �nica certeza que tenho � que o seu primeiro...

O seu primeiro pensamento ser� evitar que eu sofra.

- � por isso que se cala. - E que tu te calas.

Sim. Quando tinha s� suspeitas...

Mas agora que tenho a prova... Agora que isto existe!

E se n�o existisse?

E se nunca tivesses descoberto?

Mas descobri.

E agora est� a�... Em toda a sua fealdade!

- V�... - Pouse-a. N�o suporto v�-la.

Magia!

Se me permites, levo o teu carro para a Embaixada,

e mando depois buscar-te.

Pr�ncipe...

- Reconhece? - N�o.

� a ta�a que tu e Charlotte estiveram para comprar,

numa pequena loja de Bloomsbury.

- Sim! - H� cinco anos.

Tr�s dias antes do teu casamento.

Que foi tamb�m o teu casamento, minha querida.

E � essa a quest�o.

A quest�o? Da tua sa�da, sozinho, com Charlotte?

Em busca de um presente de casamento para ti.

Ela queria tanto dar-te uma coisa!

O homem da loja tentou impingir-nos a ta�a,

mas eu vi logo que n�o servia,

que estava fendida.

Mas agora � meu,

este presente de voc�s dois.

- Que queres que eu diga? - Nada mais.

Isto disse tudo. Estou-vos grata que a tenham deixado na loja

para eu descobrir. Para finalmente ter a certeza.

A certeza de qu�?

Daquilo que tenho vindo a suspeitar, a temer todos estes meses.

E n�o disseste nada todo este tempo? Nada!

- Querida, �s t�o reservada. - N�o, �s tu que �s reservado!

Durante cinco anos n�o disseste nada, nem uma palavra.

Nem mesmo que voc�s se conheciam!

At� isso me foi ocultado � data do nosso casamento.

Se te tivesse dito, faria alguma diferen�a?!

Para o nosso casamento? Talvez n�o.

Porque j� ent�o eu sabia que n�o podia viver sem ti,

o que tu sabias muito bem!

- Fingiste amar-me! - N�o!

- E fingiste am�-lo! - N�o!

Por que casou ele? Por qu�?

Tudo estava bem antes: s� n�s tr�s e depois o nosso filho!

Nenhum de n�s precisava dela!

A n�o ser que tu precisasses.

� de ti que eu preciso.

E agora mais do que nunca.

Agora que eu sei, tenho de vos proteger a ti e a Charlotte?

Mas n�o � a voc�s que eu tenho de proteger.

- Ele disse-te alguma coisa? - A mim?

O pai preferiria morrer!

A mulher dele deve sab�-lo melhor do que eu. Pergunta-lhe!

- Como se eu fosse faz�-lo! - N�o lhe perguntas tudo?

N�o vos vi j� aos dois, a combinar coisas?

� uma pena.

- A Fanny n�o devia ter feito isto. - A Fanny quis destruir a prova.

Mas j� n�o � poss�vel ser cega e est�pida.

Ou que tu penses que o sou.

Se pensasse isso, ent�o seria eu que era muito est�pido.

- Diz-me o que queres. - Quero a felicidade sem falhas.

Quero a ta�a sem uma fenda.

E agora n�o tenho uma prenda de anos para o pai!

Deixa-me procurar qualquer coisa.

Maggie...

Meu amor querido,

est�s no quarto ao lado, quero dizer-te isto e n�o consigo.

Por isso, escrevo-te, n�o como teu marido mas como um amante,

loucamente apaixonado e com receio de diz�-lo abertamente.

A minha vida �s tu apenas. Somente tu.

N�o tenho palavras em ingl�s e nem mesmo em italiano.

Por isso, segura a minha carta nas tuas m�os. Segura-a

e guarda-a. Por favor, segura-me e guarda-me.

Passas-me a toalha, por favor?

O pai n�o nos deixa dar banho ao Olmo.

Tem andado todo o dia preocupado se o Olmo est� com alguma doen�a.

Onde est� ele?

O Olmo? Est� na Sala do Arco.

Vai dizer ao Amerigo que nem sempre apetece aos c�es brincar.

N�o por estarem doentes, mas por terem sono ou por pregui�a.

Est� bem.

Vou agarrar-te! Vou agarrar-te os p�s, as patas e a cauda!

Desde que chegaram que tu e eu n�o estivemos um momento a s�s!

Ela disse-te alguma coisa?

Ela quem?

Quem? A tua mulher!

Falou contigo?

Sim, naturalmente. Marido e mulher falam um com o outro.

O teu marido disse-te alguma coisa?

O meu marido s� fala com a tua mulher. Tu sabes isso!

Mas, contudo, h� qualquer coisa. Qualquer coisa!

Amerigo, responde-me.

Ela disse-te alguma coisa acerca de n�s? Que disse ela?

N�o disse nada.

- Absolutamente nada? - Absolutamente nada.

- Ela n�o descobriu? - Descobriu o qu�?

A Fanny n�o lhe disse nada?

- O que sabe a Fanny para contar? - N�o confio na Fanny.

Devias confiar. Tem sido uma boa amiga.

Uma boa amiga dos Verver, pai e filha, n�o nossa!

- Nossa? - Tua e minha...

� tudo o que conta para mim, tu e eu.

Como se tu nunca tivesses casado e eu nunca tivesse casado

e s� houvesse aquelas semanas em Roma, em que me amaste.

Charlotte, isso pertence ao passado.

Ao passado!

Ao passado?

Enterrado e esquecido? � assim?

� f�cil para ti.

Podes voltar as costas, fumar um cigarro,

e brincar com o teu filho ou o teu c�o.

Foste tu mesma que disseste que t�nhamos de ser cautelosos,

que ningu�m deveria suspeitar. - Ela suspeita?

J� te disse que n�o!

Est�s a dizer-me a verdade?

N�o confias em mim?

Charlotte!

Chegou pelo correio... Uma oferta particular.

N�o � o Rafael que fazia parte da Cole��o Real em Windsor?

Isso! Tens aprendido alguma coisa.

A viver contigo, era imposs�vel n�o aprender!

Por quanto tempo v�o ficar ainda conosco os Assingham?

Espero que fiquem, como de costume, por largo tempo.

A Fanny intitula-se nossa "h�spede habitual".

Mas, como sabes, vamos ter muitos visitantes na pr�xima semana.

Temos muitos quartos.

Adam...

Sinto-me constrangida com a Fanny.

- N�o compreendo. - A Fanny mudou em rela��o a mim

e acho que ela est� a tentar influenciar tamb�m a Maggie.

� como se estivesse a dizer-lhe coisas sobre mim.

Coisas inventadas, claro!

Mentiras, tanto quanto sei.

Desculpa. Posso ser eu que estou a imaginar coisas.

- Pode ser. - Mas � mais forte do que eu.

Porque acho que ela conseguiu...

A Fanny conseguiu influenciar a Maggie,

fazendo-a mudar em rela��o a mim.

A Maggie nunca mudaria. Ela � dedicada e leal.

Sei isso melhor do que ningu�m.

Desde crian�as que somos amigas �ntimas.

Ela n�o saberia como trair, fingir, ou mentir,

exceto para proteger aqueles que ama.

Nesse caso, � capaz de mentir e fingir melhor do que ningu�m.

Se a Maggie mudasse em rela��o a uma amiga,

n�o seria por mera cal�nia, seria por algo na verdade terr�vel.

Algo imperdo�vel.

O Rafael de Windsor � uma miniatura.

O original foi vendido ap�s a execu��o de Carlos I,

e ficou na cole��o do Cardeal Mazarino.

E agora vais compr�-lo?

Estou a pensar nisso...

Mas pedem uma quantia muito avultada.

Tens a certeza de que � aut�ntico?

Sabes bem que nunca ajo sem ter uma certeza.

Recebi uma carta triste da pobre Isabel Brinkahott.

Ainda est� em Veneza com aquele marido horroroso!

- Como se chama ele? - Falvey.

Gostava de ajud�-la a separar-se dele.

Mas como? Fez a pr�pria cama!

N�o receiem que a Maggie revele algum segredo...

N�o percebe nada de cartas!

Tentei ensin�-la durante anos, mas desisti.

Costumava jogar "whist" com a tia.

- "Whist", Fanny? - "Whist".

Disse-me que avisou o tio para n�o deixar aquele dinheiro todo � Isabel,

para ela n�o ser a presa f�cil de algum ca�ador de dotes.

E, claro, foi exatamente o que aconteceu.

Mas o que ningu�m previu,

� que o horroroso ca�ador de dotes fosse um americano

e n�o o habitual italiano sem recursos!

� a sua vez, Pr�ncipe.

Andava � tua procura.

Est� t�o abafado l� dentro.

E aqui tamb�m!

Deve vir a� uma tempestade.

- Talvez seja melhor entrarmos. - Repara no teu pai.

Ningu�m pensaria jamais

em perturb�-lo ou apoquent�-lo.

Sei que sentes o mesmo.

Tens raz�o. Sinto, sim.

Maggie...

Tens alguma queixa contra mim?

Magoei-te de alguma forma?

Tenho dado voltas � imagina��o,

tentando pensar o que poderia ter feito

contra ti.

Que mal te fiz eu?

Mas talvez me tenha enganado.

Enganaste-te, sim.

Que al�vio!

Eu tinha de desabafar...

- Sou assim! - N�o te acuso de nada.

Que sorte!

Nunca pensei em ti sen�o como sendo bela, admir�vel e boa.

Exatamente o que penso de ti, minha querida.

Nesse caso, d�s-me um beijo?

Ela n�o sabe nada. Viste como me beijou?

Sim, vi.

�s muito tola, Charlotte! N�o a compreendes.

- Boa noite. - Boa noite.

N�o vens deitar-te?

N�o. Preciso apanhar ar fresco.

Hoje, est� muito abafado dentro de casa. Est� sufocante!

"Ele bem podia gritar. Ela n�o ligou nada...

Depois, foi junto de Gretel, sacudiu-a e gritou-lhe:

Levanta-te, pregui�osa! Vai buscar..."

O que aconteceu? Por que est�s aqui, meu querido?

Estava um tigre debaixo da cama dele, por isso veio para a nossa!

"Vai buscar �gua e cozinha uma coisa boa para o teu irm�o.

Ele est� no est�bulo e tem de engordar.

Quando estiver bem gordinho, eu como-o!"

- � uma hist�ria triste. - � a preferida dele.

As crian�as que se perdem na floresta

e s�o comidas por uma bruxa...

Ele s� gosta de hist�rias onde acontecem coisas terr�veis!

� o resultado de viver num pa�s sem sol.

Sem c�u azul.

Sem o azul do nosso c�u.

Seria maravilhoso lev�-lo para It�lia, n�o?

O pai n�o poderia viver sem o Principino.

Ou sem ti.

Ou tu sem ele.

E eu nunca te pediria isso. Sabes bem que n�o.

Nem mesmo se o desejasses muito?

Se desejasses isso acima de tudo?

N�o, a n�o ser que tu desejasses isso acima de tudo.

Tenho de ir deit�-lo.

Vamos, meu querido.

Deixa-te disso, Maggie!

Fazes isso desde pequena e nunca me enganaste!

Anda c�.

V� isto... Estes degraus s�o muito estreitos, n�o achas?

Parecem um pouco estreitos para o edif�cio.

Quero along�-los para que as pessoas possam sentar-se, conversar,

usufruir do Sol.

Estes s�o muito estreitos. Toda a escadaria est� estreita.

Meu caro senhor, devia estar na cama,

e n�o aqui a pensar no seu museu!

Nunca paro de pensar nele!

Sonho com ele. � a minha obra... Aquilo em que apostei tudo.

� essa a sua grandeza, a sua grande motiva��o.

Enquanto que eu possuo apenas o meu ego�smo.

S� acreditarei nisso quando o Amerigo se queixar de ti.

Mas � justamente... � ele que constitui o meu ego�smo.

A motiva��o ego�sta para tudo o que fa�o.

Amo-o tanto que morreria por ele.

Amo-o tanto, que � terr�vel!

E assim, por ele...

...que, no fim sou eu, desisti pura e simplesmente de si.

Sacrifiquei-o a si.

Mais valia t�-lo posto no navio de volta para American City.

Ouve, Maggie, se continuas a falar assim,

fazes-me desejar ter embarcado para American City.

Fazes-me mesmo desejar ter-me embarcado!

D�s-me a sensa��o de que American City

seria o melhor lugar para n�s.

Para mim e para a Charlotte.

Ent�o agora oferece-me ambos como v�timas do meu ego�smo?

Minha querida,

comunicar-te-ei quando sentir que estou a ser tua v�tima.

Entretanto, farei o que acho melhor.

Melhor para quem?

- Para ti. - Claro!

Sempre, sempre, eu!

E o pai?

Eu sei cuidar de mim.

E da minha mulher.

N�o acreditas em mim?

Mais do que em qualquer outra pessoa!

E acho que � esse o modo como acredita tamb�m em mim.

O modo como acredito...

...sim.

Ent�o...

Ent�o...

Adam Verver Prepara os Seus Tesouros

Para a Viagem at� American City

N�o somos propriedade deles!

N�o podem despachar-nos com o resto, para onde lhes apetecer!

Ningu�m vai despachar-te.

Vais partir para ocupar o teu verdadeiro lugar.

Nasceste para isso!

Podes empunhar a tocha da civiliza��o,

como a Est�tua da Liberdade. A s�rio...

O teu marido prepara-te um grande futuro.

N�o h� futuro para mim, se n�o for a teu lado.

Ouve.

Estou pronta a deixar esta casa amanh�... hoje...

Sem nada, como vim! Podemos ir para qualquer lado!

N�o compreendes? Eu amo a minha mulher!

Amo a Maggie.

Cada dia mais. � diferente de tudo o que senti antes.

Est�s a mentir-me.

Mentiste-me sempre!

A ti, n�o! A ela.

Uma vida n�o chegar� para apagar o gosto amargo destas mentiras!

A desonra!

Charlotte... a desonra!

A desonra!

Este belo Cupido, dormindo sobre um golfinho, data de 1766

e � de Joseph Nollekins.

H� algo de muito aliciante nas imita��es de Nollekins,

que podemos comparar

�s varia��es de um m�sico sobre um dado tema.

Gostaria de salientar que o rapaz repousa sobre um pedestal.

American City...

S� o nome deve soar-lhe como uma senten�a.

Como um posto de com�rcio numa regi�o remota do Oregon.

E, � direita, "Rebeca, no Po�o." Pensamos ser de Giacomo Cavedoni.

Ela j� antev� tudo.

� incapaz de falar ou resistir...

...ou levantar um dedo.

O tema �: "Alde�es banqueteando-se", de mil seiscentos e tal.

E tudo isto vai para a Am�rica!

Devia levantar a quest�o no Parlamento.

Fazer disso uma "causa c�lebre".

Estas coisas n�o pertencem aos museus brit�nicos?

S� os gatunos e os assassinos eram deportados para o ultramar.

Agora, s�o os retratos dos seus antepassados!

Concordar�o comigo que este retrato de Henrique VIII,

de Hans Holbein,

domina todos os outros quadros desta sala.

Holbein retrata de forma not�vel a autoridade da realeza.

Mas, para mim, � tamb�m um retrato arrepiante do ego masculino,

em toda a sua dureza e for�a f�sica brutal.

Aqui est� patente o estilo frio e duro de Holbein,

que faz real�ar t�o bem a express�o de desafio do rei

a quem se atravessasse no seu caminho,

incluindo as suas in�meras mulheres que,

uma a uma, cumpriram o seu fatal destino.

Por aqui.

Amerigo...

Por que n�o vais ter com ela?

Tens raz�o, claro que devia faz�-lo.

Devo-lhe isso.

Ela devia compreender-te melhor.

A Charlotte ainda n�o come�ou a conhecer-te.

Ent�o, espero que nunca me conhe�a.

Espero que nunca adivinhe que fui eu que pedi ao pai para lev�-la.

Se n�o vais ter com ela, vou eu.

- Que vais dizer-lhe? - Depende do que ela me disser.

O que lhe ocorrer para salvar o seu orgulho.

Algo que a fa�a um pouco menos infeliz.

� s� mais uma mentira.

Que seja a �ltima, minha querida.

Espera! Espera!

Penso que vais gostar deste livro.

Li qualquer coisa do mesmo autor. Achei-o muito idealista.

Mas vou ler este.

Vais gostar das cenas da vida social. Est�o bem descritas.

Estou cansada! Cansada desta vida que levamos.

Sei que te agrada, que est� de acordo contigo.

Mas n�o me serve.

Disse ao meu marido que a nossa verdadeira vida n�o � aqui.

A dele e a minha.

Por isso, decidi lev�-lo para a sua terra.

- Ent�o, a decis�o foi tua? - Inteiramente minha.

Disse-lhe: para qu� ficarmos aqui em Inglaterra?

A nossa tarefa � l�... Aguarda-nos em American City.

Sou muito ego�sta...

Para mim, o meu marido est� em primeiro lugar.

O mesmo acontece comigo.

- Vou afast�-lo de ti. - Vais afastar o meu pai de mim?

Sempre tiveste ci�mes do nosso casamento.

Tentaste interpor-te entre n�s.

Mas eu tenciono conservar o homem com quem casei.

Quero t�-lo, finalmente, um pouco para mim.

Bem longe, onde tu j� n�o possas manobrar contra n�s.

Se foi isso que fiz,

ent�o parece que falhei. - Falhaste, sim!

Ainda bem que o admites.

V�m encaixotar mais coisas na quinta-feira.

Por isso, tu e eu temos muito que fazer.

Um trabalho agrad�vel.

Contigo l� para me ajudares,

depressa estar� tudo no local apropriado.

No seu museu... na sua cidade.

Quando eles virem todos os meus tesouros,

todo o meu esp�lio em exposi��o,

v�o aprender a gostar dele.

Quando te virem, minha querida,

ficar�o muito calados e atentos.

Nunca viram nada como tu.

Vais fazer com que os seus olhos saiam fora das �rbitas,

como costumam dizer l�.

"A Sra. Adam Verver,

ex Charlotte Stant, � inteligente, al�m de muito bela."

"Mais de 400 caixotes contendo obras de arte de valor incalcul�vel

acompanham o colecionador, o Sr. Adam Verver."

Ripadas do DVD por: PT-Subs Rips

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