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Original subtitles

No sistema de justi�a criminal, crimes sexuais

s�o considerados especialmente hediondos.

Na cidade de Nova Iorque os dedicados detetives

que investigam delitos b�rbaros

s�o membros do esquadr�o de elite

chamado Unidade de V�timas Especiais.

Estas s�o suas hist�rias.

Certo, isso n�o �... o que queremos.

Por que n�o esperamos aqui um pouco?

Vamos deixar todos nos alcan�ar.

-Seus pais te mandaram mensagem? -N�o, Lydia.

Lydia Banks?

Sim. N�o a vi desde que se mudou para Nova Iorque.

Ela disse que nos encontraria aqui.

Ann!

L� est� ela! Lydia!

Meu Deus!

Oi, estranha. Bem-vinda a Nova Iorque.

A cidade � t�o grande. Achei que n�o me encontraria.

Nossa!

Voc� se lembra do Lucas.

-Claro. Oi. -Oi, Lydia.

Ent�o, para onde vamos?

Meu Deus. O barman ainda quer me vender doses.

Ele n�o deveria fazer isso. Vou dizer algo a ele.

Que cavalheiresco.

Lucas � �timo.

Era com quem podia conversar quando foi embora.

Ent�o, pergunta:

-o que voc�s s�o? -Como �?

Time de debate do ensino m�dio ou modelos da UN?

Temos uma pequena aposta.

Nenhum dos dois. Ela mora aqui.

Estou visitando, sendo volunt�ria na igreja.

Nossa, uma carola.

Isto � t�o legal. Voc� deve ser virgem, ent�o.

Com uma cantada dessa, voc� sem d�vida �.

N�o estamos interessadas.

Pelo menos tentei.

-Caramba. -Esqueci quanto senti sua falta.

Ann, os rapazes estavam te incomodando?

Lydia se livrou deles.

Entendo.

Obrigado, Lydia.

O prazer � meu.

-Ol�, Charlotte. -S�o 11h.

Hora de desligar as luzes.

-Oi. -Voc� conhece as regras.

-Sem visitas no quarto. -Foi culpa minha,

eu precisava usar o banheiro. Mas estou saindo.

Desculpa.

-Tchau. -Tchau, Ann.

Desligue as luzes.

QUE ESTRAGA PRAZER

Acabei de desligar as luzes, Charlotte.

Estou indo...

Voltei.

Charlotte deve estar dormindo...

Ann?

Ann, o que h� de errado?

O nome da v�tima � Ann Davenport.

18 anos, veio de Hunter, Indiana com um grupo da igreja.

E disse que foi agredida sexualmente no quarto.

Na verdade, a amiga disse isso.

Lydia Banks, tamb�m 18 anos. Ela que ligou para o 190.

Certo, precisaremos das imagens do corredor e do elevador.

Registros do cart�o-chave. As atividades.

-Oi. -Oi, voc� � da UVE?

Sim, sou. Tenente Benson. Este � o detetive Tutuola.

-Voc� � a Lydia? -Sim.

Lydia, preciso falar com a Ann a s�s um pouco, est� bem?

Muito obrigada.

Ent�o, Ann, pode me dizer o que aconteceu?

-Eu n�o tenho certeza. -Voc� foi estuprada!

Olha, ela foi estuprada.

Ela nunca deixaria um homem transar com ela. Ela �...

Ela � l�sbica.

Law & Order SVU 18X19 Conversion

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Lynne

Lynne | Gabi

Lynne | Gabi | TatuW

Gabi | TatuW | Lura

TatuW | Lura | Lu Colorada

Lura | Lu Colorada | rmsdiana

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Nay | mandyfre | LaryCarvalho

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LaryCarvalho

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Olha, n�o sei o que Ann te contou,

mas a igreja fez lavagem cerebral nela.

Convenceram-na de que ser gay � pecado.

Como voc�s se conhecem?

N�s crescemos juntas.

Sa� de Indiana quando fiz 16 anos.

Mantivemos contato, mas hoje foi a primeira vez

que a vi desde que mudei para NY.

Certo. E o que fizeram esta noite?

Bem, tomamos uma bebida.

Foi s� um refrigerante no bar.

Ent�o voltamos para o quarto dela.

E da� a monitora bateu na porta e disse: "23h, apagar luzes."

Ent�o Ann me passou a chave de seu quarto

para que pudesse voltar para sairmos.

-Mais tarde quanto? -Uma meia hora depois.

Pensei que todos dormiam, ent�o entrei e Ann chorava.

E ela disse que havia sido estuprada.

Ela usou esta palavra?

Basicamente. Disse,

"Ele me obrigou. Minha virtude se foi."

O que isso parece para voc�?

Poucos minutos depois, ouvi uma batida na porta.

Pensei que era Charlotte de novo, mas n�o era.

Voc� sabe quem era?

S� um cara.

Certo. Era algu�m que conhecia?

Estava escuro e eu...

n�o sei dizer.

Certo. Ann, ele amea�ou voc�

ou tinha uma arma?

N�o, ele disse...

disse para eu deitar na cama.

Eu n�o queria. Ent�o...

mas eu pensei que deveria.

Tudo bem.

Pode dizer o que aconteceu em seguida?

Ele levantou minha saia.

E eu disse, "n�o".

E tentei empurr�-lo e ent�o ele...

Ele... ele fez sexo comigo assim mesmo. E...

Eu nunca faria sexo com um garoto.

-Porque voc� � l�sbica. -N�o.

N�o, estou me guardando para o casamento.

Sou uma virgem.

-Ou era. -Ent�o o que Lydia disse...

N�o sou. Eu gosto da Lydia, mas nunca faria algo a respeito.

�... � pecado.

Querida, preciso que me ou�a.

Se voc� n�o quis fazer sexo com aquele garoto,

� estupro.

Ent�o gostaria de lev�-la ao hospital,

onde poder� ser examinada, certo?

HOSPTIAL MERCY QUARTA, 3 DE MAIO

Ent�o Ann n�o pode dizer quem a atacou ou n�o quer?

� �bvio que est� traumatizada.

O autor a deve ter amea�ado.

Ou fez sexo com um namorado

e n�o quer que a namorada saiba.

N�o acredito nisso.

-Tenente Benson? -Sim.

Sou o Reverendo Gary Langham. Ann � minha congregada.

-Vou fazer a liga��o. -Sim.

Sim, reverendo. Ann falou de voc�.

Estamos preocupados com ela. Foi estuprada?

-Disse por quem? -N�o, ainda n�o.

Na verdade est� bem hesitante em contar o que ocorreu.

Posso entender. Ela � muito protegida.

� poss�vel que Ann esteja envolvida com algu�m do grupo?

Ou que tenha um namorado

-aqui em Nova Iorque? -Imposs�vel.

Ann � casta. Todos nossos congregados s�o.

N�o cremos em sexo pr� nupcial.

Entendo. Tinha que perguntar.

Me culpo por isso.

N�o devia t�-la trazido � NY.

Ela �, � ing�nua.

Ela confia.

� �bvio que algu�m se aproveitou dela.

Mas n�o notou algu�m em particular?

Agora que falou, havia esses dois garotos.

Estavam b�bados.

Foram desagrad�veis.

Um usava um bon� laranja da "Shark Wear".

Certo, isso pode ajudar muito.

S�o os pais de Ann.

Est�o pegando um voo para c� agora.

N�o � o melhor dia para conhecer Nova Iorque.

N�o. Se lembrar de algo mais,

faria a gentileza de me ligar?

-Ligarei. Obrigado. -Certo. Obrigada, reverendo.

Reverendo? O que tinha a dizer?

Que n�o est�o mais no Kansas.

NYPD. Abra.

Bom dia, raio de sol.

Sabe porque estamos aqui?

O gar�om os chamou? Nossos RGs n�o eram falsos, juro.

N�o, esque�a o gar�om. Conhece esta garota?

Ei, acorde.

-N�o. Acho que n�o. -E voc�?

Do bar, talvez?

Sim. � a garota da igreja.

A garota da igreja foi violentada ontem.

N�o temos nada com isso.

A amiga dela nos cortou. N�s sa�mos.

Sa�ram? Onde foram depois do bar?

Viemos dormir.

Vimos o Billy Joel no Garden.

Perdemos o �ltimo trem para Massapequa,

e usei o cart�o do meu pai nesse quarto.

N�o seguiram elas aqui? Tentar um sim?

N�o. O namorado dela estava ai. N�o queria me meter.

-O namorado dela como era? -Fale com o barman.

Ele estava gritando l� sobre alguns drinks.

Nem sei o que eles faziam no bar.

Ele pulou no meu pesco�o.

Eu n�o sabia que eram menores.

N�o � o seu trabalho?

Estava cheio. Pedindo soda, sem gorjeta.

-Eu preciso comer tamb�m. -Certo. Tudo bem.

E como esse cara parecia?

Arrumado. Alto. Cabelo castanho.

Bem educado para algu�m irritado.

-� o melhor que pode? -Ele estava sem dinheiro.

Cobrei a bebida dele no quarto.

Tem o n�mero do quarto?

Ann n�o � minha namorada. � minha amiga.

Vamos � igreja juntos. Ela est� bem?

-Estavam no bar ontem? -Sim. E a amiga dela, Lydia.

Notou algu�m seguindo-a?

Ou a Ann estava flertando com algu�m?

N�o. A Ann n�o flerta. Sobre o que se trata?

Ela foi violentada ontem a noite no quarto dela.

O qu�?

Ela disse que foi violentada?

Foi essa palavra que ela usou?

N�o. Foi o que aconteceu.

-N�o foi. -Ela foi estuprada.

Estamos tentando entender quem fez isso com ela.

N�o. Ela n�o foi estuprada.

Eu n�o estupraria ningu�m.

Do que est� falando?

N�o foi estupro. Foi coito curativo.

Eu estava salvando a alma dela.

Lucas � meu amigo.

Ele fez o que achou que fosse certo.

Por isso n�o contei que foi ele.

-Entendemos. -Ele nos contou que o que fez

foi "coito curativo".

Sim. Para curar minha atra��o pela Lydia.

Homossexualidade � pecado.

Eu seguia o comando de Deus.

S�rio? Mas Ann disse que n�o consentiu,

que ela n�o queria fazer sexo.

N�o, ela queria.

-Ela disse isso? -N�o precisou.

Eu sei que ela n�o quer ser homossexual.

Ningu�m quer.

Voc�s nos disse que era virgem.

Ent�o, o que ele fez para voc� n�o � pecado tamb�m?

Fornica��o pode ser perdoada.

� um pequeno pre�o a pagar

pelo pecado maior da homossexualidade.

Ele estava me salvando.

Ela disse para n�s que n�o queria

voc� l� e que ela disse n�o.

Mesmo que ela dissesse, n�o importaria.

Por que n�o?

Porque nos ensinam a n�o escutar as palavras do diabo.

Independente do que ele pensa,

se voc� n�o queria que ele fizesse isso,

se voc� n�o deu consentimento.

� estupro.

Isso � o que voc� acredita.

N�o, � o que eu sei, querida. � a lei.

Mas n�o � a lei de Deus.

N�o foi estupro.

N�o foi feito com �dio ou raiva.

Foi feito com amor.

O mundo est� cheio de tenta��es,

mas quando a mulher sente a Gl�ria Divina dentro dela,

ela v� o caminho da verdade.

A Gl�ria Divina?

Ficar com um homem, � o desejo de Deus.

Quando a mulher sente isso, ela volta para Deus.

E entende o papel dela. Ann precisava ser salva.

-Liv? -Sim. Com licen�a, Ann.

O garoto basicamente confessou.

Mas para ele, for��-la a fazer sexo

-foi para salv�-la do inferno. -Deixe-o falar.

Certo. E os pais da Ann est�o aqui.

-Quero ver minha filha. -E ver�o.

Ela est� conversando com a Tenente.

Ela n�o devia ter vindo.

-Ela foi violentada. -Quem fez isso?

J� prenderam algu�m?

Estamos investigando.

Eu n�o entendo. Como aconteceu?

Foi algu�m no hotel?

N�o achamos que seja um estranho.

Voc� conhecem algu�m chamado Lucas Hull?

-Sim. -Podem descrever

o relacionamento dele com sua filha?

O que quer dizer?

Paul, isso deve ter rela��o com a Lydia Banks.

Como �?

Lydia. Ela tentou desvirtuar a Ann.

Porque Ann disse que ela era uma amiga.

Ela � l�sbica.

Levaremos nossa filha.

Vamos cuidar disso da nossa forma.

Eu entendo, senhor. Mas estamos no meio

de uma investiga��o criminal e gostar�amos de coopera��o.

� a pol�cia, Paul. Ela precisa ficar.

-Ajudaria muito. -Estou preocupada com a Ann.

Independente do porqu�, ela est� traumatizada.

-Quero deix�-la a salvo. -N�s tamb�m.

J� tivemos o suficiente disso.

Estaremos no hotel.

O que acontecer� com Lucas?

Ele cometeu um crime, Ann.

N�o podemos fingir que nunca aconteceu.

Reverendo, a pol�cia est� dizendo

-que Ann foi... -Eu sei.

Leve Ann para o hotel. Deixe-me cuidar da pol�cia.

Tenente Benson, contratei um advogado

de Nova lorque para Lucas Hull.

E a entrevista com o meu cliente acabou.

Lucas tem direito � defesa,

mas ele j� confessou para meus detetives.

N�o h� nada o que confessar.

-Desculpe-me? -Lucas praticou coito curativo

com Ann Davenport. � direito dele,

-est� na Primeira Emenda. -Direito dele?

Faz parte das cren�as religiosas dele e de Ann.

-Certo. -N�o sou nenhum pastor

e sei que Deus n�o concorda com estupro.

E nem o Estado de Nova lorque.

E independente de suas cren�as religiosas,

Lucas � culpado de abuso sexual.

Ent�o n�o ir� a lugar algum.

Ent�o nos veremos no tribunal.

O advogado est� invocando a 1� Emenda?

Ele alega que tentava cur�-la

-e a v�tima tamb�m. -A v�tima?

�, ela admite que foi estuprada, mas n�o quer prestar queixa

porque acha que ele tinha raz�o.

Nada disso importa. Ann n�o consentiu.

-Foi estupro. -Mas se ela realmente acha

-que ele queria cur�-la... -Mesmo se cair nesse loucura,

o paciente pode recusar o tratamento.

Mas s� estou dizendo que, devido �s cren�as religiosas,

� mais do que poss�vel que o advogado dele

vai distorcer para consentimento.

�, concordo.

Ent�o temos que tentar fazer com que Ann veja a luz.

-E como faremos isso? -Use sua imagina��o.

A religi�o � usada para justificar tudo

de genoc�dio � guerra contra o Natal.

Estou certo que podemos virar isso a nosso favor.

S� traga-a para o nosso lado.

-Oi. -A� est� voc�. Oi.

Minha m�e acha que estou dormindo.

Ela tem medo que eu v� ver Lydia.

E voc� quer ver a Lydia?

Lydia � uma boa pessoa,

mesmo que ela seja...

Homossexual?

Voc� � uma boa pessoa tamb�m, Ann.

Tento colocar tudo isso

nas m�os de Deus, ter f�.

Mas a lei de Deus e a dos homens dizem duas coisas diferentes.

E como eu sei qual � a certa?

Talvez voc� n�o precise saber.

Talvez voc� s� precise dizer a verdade.

A verdade.

Que eu sinto algo por Lydia ou o que Lucas fez?

Ambos.

Mas minha luxuria � um pecado. �...

Ann,

Deus te fez do jeito que voc� �.

O que Lucas fez, acha mesmo que Deus iria aprovar isso?

Ele te machucou.

Sabe, tamb�m acredito em Deus.

E n�o sei ao certo o que Ele tem planejado para mim

ou para voc�.

Ou para qualquer um, para dizer a verdade.

Mas o que tenho certeza,

independente da religi�o,

� que o que Lucas fez com voc� foi errado.

�, eu sei.

Lucas Hull, na acusa��o de estupro,

-como se declara? -Inocente, Merit�ssimo.

-Fian�a? -Solicitamos pris�o preventiva.

dada a seriedade da acusa��o.

O acusado n�o possui la�os com a comunidade.

Lucas � de uma cidade pequena em Indiana.

N�o tem antecedentes. Dada sua idade

e a falta de recursos, n�o � um risco.

Ele nem tem passaporte. S� est� aqui

porque suas cren�as religiosas n�o s�o respeitadas pelo Estado.

Guarde para o julgamento, advogado.

Fian�a fixada em U$ 100 mil, dinheiro ou cau��o.

N�o tenho esse dinheiro.

J� come�amos a arrecadar

porque a igreja toma conta dos seus.

Pr�ximo caso. Processo n�mero 171002496.

Estou apelando a voc�, tenente.

N�o fa�a minha filha testemunhar.

Ela ser� rejeitada pela igreja, nossa comunidade.

-Isto � um problema particular. -N�o, n�o � mais.

Um crime foi cometido.

Ent�o agora, infelizmente, � um problema p�blico.

N�o entendo. Por que a obriga a fazer isso?

S� pedi para sua filha falar a verdade.

E ela me disse que isso era algo que ela valorizava.

A verdade � que Lucas Hull tentou salvar sua alma.

A verdade � que sua filha foi abusada sexualmente.

Sabia que ela nunca deveria ter vindo � Nova Iorque.

Agora o pai dela... n�o consegue nem vir aqui.

Cheryl. Cheryl, por favor. Apenas vamos.

Acham que a lei secular deles precede a de Deus.

Mas, descobrir�o que est�o errados.

Posso imaginar sobre o que era aquilo.

Eles realmente n�o acreditam que um crime foi cometido.

Nunca subestime o poder da f�.

N�o importa no que ele acredite, Braun n�o far� um acordo.

Sim, porque o Reverendo Gary n�o deixa.

Se Lucas admitir que cometeu um crime,

o Reverendo Gary perde o respeito da congrega��o.

Certo, vamos repassar o testemunho da Ann de novo.

Para que seja consistente.

No ele disse, ela disse e Deus disse,

n�o vai querer que "Deus" tenha a �ltima palavra.

Falei muito cedo.

A defesa pediu indeferimento sob prote��o da 1� Emenda.

E dizer que estupro � certo, se feito por raz�es religiosas.

N�o lembro de ler isso na B�blia.

GABINETE DO JUIZ JOSHUA GOLDFARB SEGUNDA, 15 DE MAIO

A igreja na qual Lucas Hull e Ann Davenport

pertencem, � firme na cren�a que homossexualidade � pecado

e que coito curativo � a cura apropriada.

-Ent�o, teve consenso impl�cito. -Esse argumento � rid�culo.

Todas religi�es s�o rid�culas para quem n�o cr�.

� a base da discrimina��o religiosa.

Em Cantwell versus Connecticut e Hobby Lobby...

Nenhum dos casos envolveu estupro.

Reynold versus EUA decretou que essa prote��o

n�o d� direito de agir sob cren�a religiosa

-e violar a lei. -Sim, mas isso n�o � verdade

em Povo versus Moua,

-em 1985. -N�o � precedente, Excel�ncia.

E nesse caso reduziram a senten�a.

N�o anularam o crime sob premissa religiosa.

Mas se quiser um acordo, minha oferta est� de p�.

Aos olhos do Senhor, o juiz final,

meu cliente � inocente.

N�o deixarei Lucas, declarar-se culpado.

Com todo o respeito ao Todo Poderoso,

as leis Dele n�o significam nada quando � agress�o sexual.

Bons argumentos. Deixarei o j�ri ouvi-los.

Pedido para indeferir est� negado.

Tenente Benson.

Lydia. Lydia, o que voc� est� fazendo aqui?

N�o entendo. O sr. Barba disse n�o precisar de mim.

Pelo meu relacionamento com Ann, prejudicaria o caso.

Mas nada aconteceu entre n�s.

Compreende isso, Lydia. Mas � que n�o � t�o simples.

Eles tentar�o fazer parecer que Ann n�o queria ser gay?

Usar�o isso como parte da defesa.

Ela n�o retorna minha liga��es.

N�o tem sido f�cil para ela. Ela est� focando no julgamento.

� minha culpa.

Se Lucas n�o nos visse, Ann n�o teria sido estuprada.

Lydia, a culpa n�o � sua.

Claro.

Deus � culpado.

Tenho que entrar. Sinto muito.

SUPREMO TRIBUNAL SEGUNDA, 15 DE MAIO

Mesmo Ann acreditando ser pecado sua atra��o por mulheres,

ainda tinha direito de dizer n�o.

Lucas Hull e Ann Davenport acreditam

que homossexualidade � contra a lei de Deus.

E os dois acreditam

que coito curativo

pode ajudar algu�m a vencer,

o que a pr�pria Ann, v� como uma doen�a.

Apesar do falat�rio religioso ou frases hip�critas,

o caso se resume a uma simples quest�o:

Ann Davenport consentiu fazer sexo com o r�u?

Se a resposta for n�o, significa que foi estuprada.

Lucas sabia que Lydia e eu est�vamos sozinhas no quarto.

E ele estava com medo que eu ca�sse em tenta��o.

Disse que eu precisava sentir toda a gl�ria

do prop�sito de Deus para superar aquela lux�ria.

-Como voc� respondeu? -Que poderia resistir sozinha,

que n�o precisava que ele fizesse aquilo.

E ele me empurrou na cama.

E ent�o, o que aconteceu?

Ele levantou minha saia

e for�ou-se...

for�ou-se para dentro de mim.

E eu... disse n�o e tentei livrar-me dele.

Mas ele n�o parou.

Quando a pol�cia apareceu, por que n�o contou a eles

que Lucas tinha feito isso?

Porque n�o queria causar problemas a ele.

Ele estava fazendo o que achava certo.

Mas voc� n�o consentiu.

-N�o. -Obrigado, Ann.

Sem mais perguntas.

Srt.� Davenport, simpatizo com voc�.

Esta n�o dever ser uma boa posi��o para estar.

Voc� e Lucas s�o amigos e quando ele foi ao seu quarto,

voc� n�o gritou ou pediu ajuda?

-N�o. -Ele n�o tinha uma arma?

-N�o. -E n�o te impediu de sair?

N�o.

- Quando sua amiga l�sbica... - Protesto.

Mantido. Cuidado, sr. Braun.

Quando sua amiga voltou ao quarto,

logo ap�s Lucas sair,

-disse a ela que foi estuprada? -N�o...

Eu estava chateada.

Ela perguntou o que aconteceu, falei que havia transado.

Que ele me obrigou.

Mas n�o usou as palavras estupro ou agress�o sexual.

N�o chamou a pol�cia.

De fato, a srt�. Banks chamou contra sua vontade, n�o foi?

Sim, mas estava tentando me ajudar.

Mais uma pergunta.

-Est� namorando com ela? -N�o...

� poss�vel que ela queira?

Ela voltou ao seu quarto, querendo seduzi-la,

e quando viu que transou com Lucas,

-ela ficou chateada... -Protesto.

Um momento, Merit�ssimo.

-Merit�ssimo. -Protesto mantido.

- Sr. Braun, voc� est� conosco? - Retirado.

No entanto, Merit�ssimo, Gostaria de continuar

admitindo um v�deo como evid�ncia E.

-Agora que estou sabendo disso. -Porque acabamos de receber,

mas refere-se ao depoimento da srt�. Davenport.

Boa tentativa. Preciso examinar a evid�ncia.

Eu tamb�m. O tribunal est� em recesso.

Ann, sinto muito por isso ter ficado complicado

-a ponto de envolver a pol�cia. -Eu sei.

S� n�o queria que vivesse uma vida assim.

- Ser condenada. -Eu entendo.

Por que disse que foi estuprada?

Talvez estivesse confusa, Ann. Foi isso?

Sobrecarregada com Lydia,

com Nova Iorque, a pol�cia.

Por isso disse que foi violentada?

Foi.

-Acho que sim. -Ent�o est� resolvido.

O que aconteceu entre voc�s foi um evento aben�oado.

Vamos orar.

L� se vai nosso caso.

O homem planeja e Deus ri.

N�o h� nada engra�ado sobre o reverendo Gary.

Ou estupro, em nome da religi�o.

Depois que transaram, eu os aconselhei.

Descobri que n�o havia malicia entre eles.

Ann perdoou Lucas e entendeu que ele fez o certo e piedoso.

Por que gravou a reuni�o?

Porque o estado de Nova Iorque n�o entende nossa cren�a.

Mas tenho obriga��es com o bem estar de meus fi�is.

Lucas n�o deveria sofrer por salvar Ann,

por ser um mensageiro da vontade de Deus.

Na sua opini�o, como conselheiro de Ann,

ela queria ser salva da homossexualidade?

Claro. N�o duvido disso.

-Discutimos isso v�rias vezes. -Protesto,

isso � algo privado entre cl�rigo e congregante.

A srt�. Davenport n�o concordou com isso.

Mantido.

Reverendo, uma �ltima pergunta.

Como l�der da igreja,

voc� acredita que Deus perdoa

e ordena rela��es sexuais curativas?

Acredito.

Sem mais perguntas.

N�o estava no quarto quando Ann foi estuprada.

-N�o. -N�o ouviu que ela disse,

-ou n�o disse. -Correto.

Alega que na sua reuni�o, depois do estupro,

-Ann perdoou o acusado. -Tenho certeza.

-Estava l�. -Tem certeza,

acredita que ela o perdoou, e que seu perd�o foi genu�no.

-Claro. -Ent�o o acusado errou.

Conceder de perd�o n�o implica um crime?

Um delito que precisa ser perdoado.

-Precisa, mas... -Precisa.

N�o entende nossa cren�a.

-N�o entende... -Isso n�o � sobre cren�a.

N�o � sobre Deus ou homossexualidade.

� sobre um crime. Sobre uma mulher dizer n�o

-e ser estuprada mesmo assim. -Protesto.

Retirado.

Esperei Lydia e Charlotte sa�rem e depois bati na porta

e Ann me deixou entrar.

E o que aconteceu?

Expliquei porque estava ali.

O que tinha que acontecer. O que Deus estava pedindo.

E como ela reagiu?

Ela estava assustada. Eu tamb�m.

Nunca fizemos aquilo antes e n�o �ramos casados.

Mas sabia que deveria libert�-la do pecado.

-Ent�o a deitei na cama. -Ela resistiu?

Ela estava tensa. N�o foi f�cil.

Mas acredito que ela sabia o que precisava acontecer.

O que o Reverendo e Deus queria que fiz�ssemos.

Lucas, o que aconteceu depois?

Ela chorou um pouco.

Estava chateada.

Eu tamb�m, foi muito dif�cil para n�s dois.

Depois ela disse que entendeu o motivo de eu ter feito aquilo.

E que eu devia ir.

Ela, em qualquer momento, falou de estupro

ou que chamaria a pol�cia?

N�o. O Rev. Gary disse que Lydia chamou a pol�cia

e por isso estavam envolvidos.

E quando me procuraram, disse a verdade.

Cada palavra.

Obrigado, Lucas.

Voc� acha que Ann � honesta?

Com certeza.

Voc� j� a viu mentir?

Ela n�o faria isso, n�o � de sua natureza.

Pode explicar por que o testemunho dela

refuta diretamente o seu?

Eu cito: "Ele puxou minha saia, for�ou-se dentro de mim.

Eu disse n�o, tentei empurr�-lo.

-Ele n�o parou". -Ela n�o mentiu.

Estava experimentando uma uni�o com Deus.

� o que acontece, como o Rev. Gary diz.

Resista ao dem�nio e ele fugir� de voc�.

-E ela estava resistindo. -Os dem�nios dela estavam

e, �s vezes, precisa combat�-los para salvar algu�m.

E se sou eu que preciso pagar, que assim seja.

Mas eu amo a Ann.

Eu nunca a machucaria.

Machucou-a.

-A defesa parece feliz. -Deveriam estar.

Lucas � s�rio, sincero, fala a verdade.

Est� dizendo que perdemos o j�ri?

� bem prov�vel.

N�o est� pensando em fazer um acordo.

N�o, s�o todos c�mplices.

Quando vamos atr�s do verdadeiro vil�o?

O Reverendo.

Ouviu o Lucas no banco.

-Viu o v�deo. -Precisar�amos provar

que Gary ordenou o estupro de Ann.

E Lucas � o �nico que pode nos contar.

Deixe-me investigar.

Ver o que acho sobre o relacionamento

do Lucas e do Gary.

Eram os pais do Lucas.

Parece que largou a escola no 2� ano.

Passou o ano seguinte vivendo e sendo ensinado por Gary.

-Disseram o porqu�? -Parece que Gary

cuida de alguns estudantes especiais.

Lucas era um deles.

Estudando sua cren�a como aprendiz do Gary.

Sabe, mant�-lo fora de encrenca.

-E o motivo eles n�o sabem. -Pode ser qualquer coisa.

Qual de voc�s vai ligar para a Liv?

Esse sou eu delegando,

praticando minhas habilidades como sargento.

N�o fa�a mist�rio, por que estamos aqui?

J� disse que n�o faremos um acordo.

E se for um acordo muito melhor?

N�o achamos que ele � o �nico culpado.

-Como? -Queremos o Reverendo.

Lucas, foi o Rev. Gary que te disse

-que podia curar a Ann, certo? -Espere, n�o responda.

Tamb�m disse a voc�s para n�o prestar queixa, certo?

Pessoal, onde querem chegar?

Se h� circunst�ncias atenuantes,

se o Rev. Gary tem algo contra voc�,

precisamos saber. � para o seu bem.

N�o entendo o que est� falando.

Sabemos que mora com ele h� um ano.

Pode nos dizer o porqu�?

-Me meti em encrenca na escola. -Certo.

Quem decidiu que viveria com o Rev. Gary?

Ele.

E faz o que Gary manda, certo?

N�o estou julgando. Cresci na Igreja, eu entendo.

Quando era adolescente, se o padre mandassem pular,

s� perguntava a altura.

Foi a melhor coisa que podia acontecer.

Aprendi muito.

Me ensinou a confiar no plano de Deus.

Est� sendo acusado de estupro,

-parece o plano de Deus? -Tem que ser.

Ele disse que tinha que viver com ele.

Disse para largar a escola.

N�o apenas eu, tinham outros.

O que mais ele disse para voc� e os outros fazerem?

Nossas tarefas na casa e na Igreja.

Nos fazia estudar as Escrituras.

Nos levou a outras cidades para nos voluntariamos

-nos programas de jovens. -J� pediu

para praticar coito curativo antes?

-N�o fale, Lucas. -Voc�s n�o nos entendem.

Ele me mostrou o caminho da honradez.

Lucas, tenho certeza que quando ele cita a B�blia

parece que ele sabe do que est� falando.

Mas precisa acreditar, se algu�m usa Deus

-para cometer crimes... -Entenderam errado.

Ele te disse para estuprar a Ann.

Viu Lydia com ela. Sabia que estava em apuros

-e que n�o t�nhamos tempo. -Ordenou especificamente...

N�o, ele me salvou! Ele n�o � o pecador, eu sou!

Era minha penit�ncia!

Penit�ncia? Pelo qu�?

Ann n�o confiou em mim s� por sermos amigos.

Sucumbimos � mesma tenta��o.

Eu nunca...

Nunca tive problemas na escola.

O Rev. Gary me pegou com um amigo uma noite.

Um garoto.

Lucas � gay? O Reverendo o pegou?

Foi o que ele disse. Come�ou e n�o parou de falar.

A parte curativa era para ambos.

Lucas e Ann.

Concordou em testemunhar contra Gary,

talvez d� para acus�-lo como c�mplice.

Achei outra coisa. O extrato da conta da Igreja.

Lucas disse que recebia US$ 200 mensalmente.

Sim, para sustento, tarefas.

Talvez, claro, mas achei...

Achei despesas de US$200

para outros garotos, por v�rios anos.

Lucas disse que n�o era o �nico vivendo l�.

Se provarmos que um dos garotos que trabalham pro Gary recebeu

para curar algu�m com estupro, logo, temos um tr�fico sexual.

N�o podemos, n�o sem a coopera��o deles.

Gary n�o sabe disso e nem o que Lucas nos disse.

Leis de confisco de bens s�o muito fortes

sob o tr�fico de sexo.

A igreja tem muito a perder.

Eles t�m centenas de milhares reservados

para trabalho mission�rio, abrigos.

Certo, vamos peg�-lo onde d�i mais.

Traga-o aqui e veja se Gary � realmente um homem de Deus.

N�o foi suficiente colocar Ann contra mim, Lucas tamb�m.

-Voc� fez isso sozinho, Gary. -N�o.

Tentava salvar suas vidas. Suas almas.

S�o crian�as com desejos sexuais normais, mas os fez sentir

-como se fossem possu�dos. -E s�o.

E isso me mata.

N�o faz ideia de como as amo.

Tudo que quero � proteg�-los

dos pecados do mundo, deles mesmos.

Mas n�o pode estuprar o gay

para fora de algu�m. Terapia de convers�o

-n�o funciona. -Nunca acreditar� nisso, n�o �?

N�o estamos aqui pra voc�s tentarem convenc�-lo

-de que suas cren�as s�o crime. -N�o. Ele tem suas cren�as,

-entendemos. -O que fez Lucas fazer a Ann,

isso � crime. � tr�fico sexual.

Tr�fico sexual. S�rio?

S�rio? Certo.

Encontramos os pagamentos.

N�o s� pro Lucas, mas pros outros tamb�m.

E prometo que falaremos com cada um.

O pr�prio Deus

enviou essas crian�as para que as salvassem.

Voc�s n�o tem jurisdi��o em Indiana.

Est� certo, n�o temos. Mas a Pol�cia Federal tem.

E se o chamarmos para um caso de tr�fico interestadual

a primeira coisa que far�o � congelar as posses da igreja.

Cada moeda sumir�.

Tenho mais de 900 fieis que arrecadam dinheiro

pros pobres, para abrandar desastres,

trabalho mission�rio. Somos bons.

Sim, sua igreja fez coisas boas.

A o inferno est� cheio de boas inten��es.

E na sua atual situa��o,

cada pessoa que voc� j� pregou ser� atingida.

Tudo que voc� construiu.

Tudo pelo qual trabalhou,

-desaparecer�. -A n�o ser que fa�a um acordo.

Declarar-se culpado.

Quer saber? Acho que acabamos por aqui.

Espere.

As pessoas que ajudamos n�o merecem isso.

Minha congrega��o tamb�m n�o.

Reverendo, isso � chantagem.

N�o. Esse � meu fardo.

Essa � minha igreja, s�o minhas pessoas.

E se isso significa que preciso me sacrificar

para salv�-los,

ent�o que assim seja.

Ele realmente ir� fazer.

Oferecerei um acordo por prostitui��o.

Desde que pare essa igreja de induzir o estupro.

Seja o que for que o juiz decida,

lhe dar� tempo suficiente para acertar as coisas com Deus.

E Lucas?

Ele garantiu sua parte da barganha.

Agress�o Sexual, de um a quatro anos.

Sabe qual � a parte mais medonha disso?

� que o Reverendo realmente acredita

que est� fazendo a coisa certa.

Sim. E seus fi�is tamb�m.

O que � mais medonho.

ILHA RIKERS, INSTITUI��O CORRECIONAL

-QUARTA-FEIRA 17 DE MAIO -Como voc� est�?

Bem.

Rezando muito.

Ann,

eu sinto muito.

Eu devia ter ouvido voc�.

-Mas questionar a Deus... -Est� errado, sim.

Reverendo Gary tamb�m me falou isso.

Mas...

Talvez tenhamos que decidir por n�s mesmos

-o que Deus est� dizendo. -N�o temos que decidir

-o certo e o errado. -Foi o que voc� fez

quando eu estava com Lydia no meu quarto de hotel.

Eu tinha uma escolha e voc� a tirou de mim.

Lucas,

eu o perdoo.

Mas n�o pode mudar as pessoas. N�o assim.

Deus nos fez assim. Como podemos ser menos que perfeitos?

Como o amor, de qualquer tipo,

seria errado?

Ann, est� na hora de ir.

Isso certamente n�o poderia ter sido f�cil.

N�o, n�o foi.

Ent�o, Ann, o que voc� far� agora?

Tenho alguns primos em Denver com quem vou ficar.

-Tentar entender isso.. -Bom.

Definitivamente n�o voltarei a Nova Iorque.

E quanto aos seus pais?

Eles ainda n�o est�o prontos. Talvez um dia estar�o.

Sabe, as coisas melhoram.

Ficam mais f�ceis

com o tempo.

E com f�.

S� parem de justificar crimes com o nome de Deus. Parem!

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