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Original subtitles

Os personagens e factos hist�ricos que aparecem a seguir

pertencem a uma etapa crucial do passado de Espanha.

Uma etapa na qual governava o monarca mais poderoso sobre a terra:

Felipe II, denominado "o rei prudente"

N�o obstante, algumas das situa��es e atitudes que se apresentam,

devem-se a uma livre interpreta��o dos factos.

Sobretudo aqueles que ainda hoje, permanecem obscuros nos livros da hist�ria.

Rodrigo, n�o te dobres, guarda a posi��o.

Controla a tua perna e tira-a com for�a. N�o tanto.

Senhor.

N�o se passa nada, Bartolom�. Haveis-vos magoado?

N�o.

D�-ma, querido.

D�-ma.

Luta comigo, Bartolom�.

Minha senhora, preferiria n�o o fazer. Deixa-o, m�e.

De que � que tens medo? Temes deixar-me cega de todo?

Fixa-te no meu, filho. O indicador e o polegar

s�o os que mandam, deves aplicar a for�a justa.

Se n�o a seguras bem perde-la. Ataca. Ataca.

E se a apertas demasiado, n�o poder�s domin�-la. Ataca.

Pensa no que dizem os mestres.

Imagina que tens um p�ssaro na m�o. Ataca.

N�o queres mat�-lo, nem que se ponha a voar.

Dona Ana de Mendoza.

Querido Antonio P�rez.

Rodrigo.

Vejo que continuais a praticar.

Neste mundo em que vivemos uma mulher como eu

deve saber defender-se.

O rei pensa que haveis voltado a Madrid porque sentias a falta

da vida na corte. Disso falais

nos vossos gabinetes? Sim creio.

Ent�o na pr�xima vez diz-lhe a verdade, diz-lhe que regressei a Madrid

para estar contigo. Cortava-nos a cabe�a aos dois.

N�o digas disparates. Est� apaixonado por ti.

Como � que sabes? Disse-to ele?

Todos na corte o murmuram. Como gostam de falar.

� certo que fostes amantes?

Perguntei-te eu alguma vez pelas tuas aventuras?

N�o. Mas conto-tas todas.

N�o, n�o � necess�rio.

Est�s aqui, est�s comigo, � suficiente.

Fica esta noite. Queres?

At� que amanhe�a.

Ent�o n�o me pe�as que te deixe dormir.

Entrai.

Majestade.

Juan de Escobedo j� est� aqui.

E h� que o ouvir. N�o podeis negar-vos.

Lamentavelmente. Mateo V�zquez j� chegou � corte?

N�o chegou.

Esper�-lo-emos.

Se assim o ordenais, assim se far�. Embora deva dizer-vos

que n�o o considero necess�rio Sim j� sei que se pud�sseis,

afastarias esse andaluz da corte, mas n�o podeis.

N�o come�aremos sem ele. Majestade.

Porque � que o rei confia tanto em Antonio P�rez?

Eu tamb�m n�o entendo. Um homem ad�ltero

que esbanja o seu patrim�nio no jogo, em mulheres...

Se fazeis caso dos rumores que correm pela corte...

Tendes demasiada simpatia por P�rez. Falai, contai-me.

Dizem que teve contactos carnais com homens.

Isso sim que n�o acredito, conhe�o-o bem.

Desse individuo, senhor Ben�tez, pode esperar-se qualquer coisa.

Pelas suas veias corre sangue judeu. Pobre dona Joana.

Sim, a sua esposa � uma santa. Enfim, devo ir-me. Cavalheiros.

Reverendo senhor. Dom Gabriel.

De onde haveis tirado esse tesouro? Pertencia ao duque de Sesa,

um presente do Papa Pio V. Est� carregado de indulg�ncias.

Uma maravilha. Hoje mesmo realizar-se-�

nas moedas do duque e retirei-o para v�s.

Obrigado. Tamb�m vos guardo umas sementes

da nova Espanha, dizem que d�o uma flor preciosa.

Vinde plant�-la quando quiserdes. Assim o farei.

E outra coisa. Dizei-me.

Ainda quereis a secretaria de It�lia, n�o � verdade?

Sim. Mas P�rez tamb�m a deseja, n�o tenho nada que fazer.

H� algo... Sim.

Necessito informa��o.

Observai o vosso amigo, escutai-o,

se me proporcionais alguma evid�ncia

que possa desacredit�-lo perante o rei,

a secretaria de It�lia ser� vossa.

P�rez? Partiu ao sair o sol. Bernardina.

N�o sei que mentiras contar� � sua mulher.

Dona Juana de Coel sabe t�o bem como eu o que o amor

e o casamento s�o duas coisas bem distintas.

Essa � a desgra�a que os nobres e os reis, devem medir

muito bem nas negocia��es de casamento.

Nem sempre � assim. Ent�o que o perguntem

� rainha, dona Ana da �ustria. Por cas�-la com o seu tio.

sendo ela uma crian�a, j� v�s, todos os filhos lhe nascem doentes.

A mim tamb�m me casaram sendo uma crian�a. Tinha 13 anos.

Lembrais-vos? Sim. E dom Ruy 37.

Mas n�o foi nenhuma desgra�a. A desgra�a persegue-os agora.

N�o comais de p�! Mas que mandona sois.

A minha obriga��o � cuidar-vos. E fa�o-o t�o bem como sei.

Acaso conheceis o meu destino? Amais P�rez,

e sei que esse amor vos faz dano. Se vais continuar por a�,

� melhor que vos ides.

J� eram horas. Onde dem�nio vos haveis escondido?

Eu n�o me escondo de ningu�m, Escobedo. N�o tenho motivos.

E v�s, que fazeis aqui? N�o sabia que estiv�sseis em Espanha.

Uma viagem imprevista. Imagino o humor do Rei.

N�o quis receber-me at� que cheg�sseis.

Sua Majestade n�o gosta de surpresas.

� que h� algo que Sua Majestade goste?

Majestade.

Entre.

Alguma outra coisa? Isso � tudo, Majestade.

Ent�o � a vossa vez, Escobedo. Falai. Que assunto

t�o importante vos trouxe � corte sem anunciar

a vossa visita?

Majestade, trago uma carta do vosso irm�o.

O meu irm�o escreve-me uma carta e v�s fazeis de mensageiro?

Esse � o trabalho de um secret�rio?

Lede.

"De dom Juan da �ustria, governador na Flandres,

a sua cat�lica e real Majestade Felipe II. Sabeis o muito

que me custou aceitar o cargo de governador na Flandres.

V�s me convencestes." Tu nunca ser�s rainha Ana.

Tira essas ideias da cabe�a. Mas a nossa fam�lia vem

dos reis de Castela. Ainda assim, querida. Quieta, quieta.

Ter�s que conformar-te em ser duquesa, como a tua irm�,

ou princesa, como eu. Tu porque � que n�o foste rainha?

Vinde. Vinde.

Quereis saber algo de rainhas? E quereis saber porque

vossa m�e n�o p�de s�-lo? Para come�ar, as rainhas

t�m de ter quatro qualidades.

Beleza, fertilidade, riqueza e prud�ncia.

� isso. E acontece que vossa m�e n�o as tem todas.

N�o? N�o. Possui beleza? Pois sim.

E isso que lhe falta um olho. Mas apesar disso, os homens

admiram-na, as mulheres invejam-na. � f�rtil? V�s mesma.

Pariu dez vezes. Se isso n�o � ser f�rtil... Riqueza? Pois sim,

isso tamb�m o tem. Vossa m�e � a princesa de �boli,

filha �nica e herdeira de uma grande fortuna. Al�m disso, pertence

� fam�lia Mendoza e de la Cerda.

Falta a prud�ncia. Sabes o que significa?

N�o. A prud�ncia significa

morder a l�ngua e calar quase todo o tempo.

E a vossa m�e gosta muito de dizer o que pensa.

A mim tamb�m. Diz que sim, menina.

Pois tende cuidado, filha. Que isso sempre traz problemas.

Pedis-me uma guerra? Nada que n�o vos tiv�ssemos

pedido j�. Nada que vossa majestade n�o se tivesse

comprometido a proporcionar-nos.

Majestade, a guerra contra Inglaterra � necess�ria.

Os hereges est�o a apoderar-se de toda a Europa.

A Fran�a j� declarou a guerra aos protestantes.

Imagino que ansiais essa batalha.

Se ajudamos os franceses, eles ajudar-nos-�o a entrar

em Inglaterra.

N�o posso decidir ainda.

Dom Juan espera uma resposta. E t�-la-�.

Quando? Quando seja poss�vel.

Se n�o quereis ir � guerra, permiti que dom Juan regresse

a Espanha. Dai-lhe um lugar na corte.

Com todos os meus respeitos, Majestade, vosso irm�o tem direito

� concess�o de amplas honras e merc�s.

Isso pensais?

Dom Juan da �ustria � filho tamb�m do Imperador Carlos V.

De modo que sim, isso penso. Reverendo senhor V�zquez,

acompanhai o mensageiro de meu irm�o.

Obrigado.

Majestade.

V�zquez.

Desobedeceis ao rei? N�o � desobedi�ncia.

Ent�o? Cautela.

Eu diria que sois um cobarde. Basta! Ide-vos.

Sabia que est�veis aqui, mas n�o vos esperava.

Seria um pecado vir a Madrid e n�o vir saudar-vos.

Como foi a vossa conversa com o Rei?

Foi uma viagem in�til. Mandou dom Juan � Flandres para

mant�-lo longe da corte. Pode ser que tenhais raz�o.

Conhe�o o Rei. Sei o que sente pelo seu irm�o.

N�o lhe tem nenhum respeito.

A� equivocai-vos. N�o � falta de respeito. � inveja.

Dom Felipe � um homem muito ciumento. E dom Juan � jovem, atraente

e valente. E parece-se com o Imperador muito mais do que ele.

Sim. Mas sempre o considerar� um bastardo.

� o que v�s credes?

Est� tudo como sempre.

Suponho que sentireis a falta de dom Ruy.

Habitu�mo-nos � sua aus�ncia.

Eu ainda sinto certa nostalgia. Do meu esposo?

Sim, poderia dizer-se assim. Sinto a falta das nossas conversas

pol�ticas nesta sala, os jantares, as festas.

Continuais a reunir-vos? N�o.

As coisas sem o pr�ncipe j� n�o s�o como antes.

Mas podemos reunir-nos de novo! F�-lo-emos antes

de partirdes. Eu encarrego-me de falar

com os nossos amigos e de compor tudo.

N�o podeis dizer que n�o.

Pelos velhos tempos. Pelos velhos tempos.

Invadir Inglaterra.

V�s credes que devo contribuir para essa loucura?

Sou um firme defensor da paz, j� o sabeis. N�o me interessa

essa guerra, nem nenhuma outra.

Quero que faleis com ele. Com Escobedo?

Sim. Quero que finjais que estais da sua parte.

Escobedo conhece-me bem. Sabe como penso.

N�o me ser� f�cil engan�-lo. Falai-lhe mal de mim. Dizei-lhe

que a vossa fidelidade a mim, n�o � mais do que uma farsa

que conspirais nas minhas costas, que estais com ele,

mas que temeis a minha reac��o. Se � certo que o meu irm�o

ambiciona um reino, quero saber at� onde � capaz de chegar

para o conseguir. Est� a convidar-nos a essa reuni�o?

Parece que n�o se t�m em conta os meus conselhos.

Acaba-se a conversa. A� chega a Rainha.

Diego vem c�.

Diego.

Majestade.

E Fernando, n�o sai para brincar com os seus irm�os?

N�o o nosso primog�nito continua doente.

Lamento.

Em breve melhorar�. H� que acreditar nos m�dicos.

�s vezes penso que sabem tanto de medicina como eu.

Se n�o dispondes de nada mais.

Majestades.

O que vos parece, Sofonisba, podemos terminar por hoje?

Claro, continuaremos amanh�. Sai ao jardim, minha vida,

j� me re�no contigo.

Ainda n�o fal�mos dos vossos honor�rios.

N�o vos cobrarei nada.

O rei quer que considerais esta tela como um presente seu.

Ainda assim.

Ofere�o-vos este anel.

Se quiserdes, podeis fazer algo por mim.

Vejamos se est� ao meu alcance.

Minha senhora, conheceis a proibi��o?

A que proibi��o vos referis?

As mulheres n�o podemos pintar corpos nus.

Sim, uma est�pida norma.

Dizem que os olhos da mulher s� sabem olhar com pecado.

Quereis que pouse para v�s nua?

Ou se quereis que vos pague.

Sois muito ousada. Perdoai-me.

N�o queria ofender-vos, pensei que talvez v�s...

Aceitai-o, por favor.

E eu aceitarei a vossa proposta.

Gosto de ignorar as proibi��es.

E tr�s. Hia!

Uh!

Mais pertinho. Fernando? Aqui, m�e.

"Aqui m�e". Onde � aqui? Ana?

Ana, Ana? Ana! Ai, que te apanho!

Cada dia est� mais bonita. Sim.

Se essa mulher n�o fosse a princesa de �boli.

Tentarias seduzi-la? V�s n�o?

Eu sou um homem casado. As mulheres s�o

o vossa grande gosto, toda a gente o sabe.

As coisas mudaram muito nestes dois �ltimos anos

Ai! Apanhei-te, ia! N�o sei se creio em v�s.

Asseguro-vos que sou sincero. Bem, como digais.

Em todo o caso, a princesa � intoc�vel.

Ainda � jovem, poderia voltar a casar-se.

Permiti-lo-ia o rei? Porque n�o?

Duvido. E dir-vos-ei algo mais,

nenhum homem poder� competir com a mem�ria de dom Ruy Gomez.

Disse algo engra�ado? N�o. As crian�as.

Ai! Apanhei-te.

Onde est�o? Senhora, chegaram os convidados.

J� est�. Toma, filha. Acabou-se.

Vamos, acabou-se. M�e...

Comer os dois. Ide com os vossos irm�os.

Uh.

Uf! As crian�as.

Cavalheiros. Princesa.

Bem, quem esperamos? Acompanhem-me.

O rei fez-nos uma promessa. E que procurais,

um t�tulo de milord?

Bem, j� que n�o conto com a gra�a de sua majestade.

N�o, os interesses do nosso rei n�o est�o em Inglaterra.

A que vos referis?

Bartolom�.

Podeis retirar-vos.

Refiro-me a Portugal. O rei sempre desejou uma uni�o

de Castela com Portugal. N�o s� o nosso rei a desejou,

tamb�m o seu, o imperador, os Reis Cat�licos...

Certo. E agora, agora � o momento de actuar.

O rei morreu sem descend�ncia, o cardeal ocupa o seu lugar...

at� que decida quem deve suceder-lhe. N�o?

Ouvi que o cardeal Henrique apoia a candidatura

da duquesa de Bragan�a. A prima do rei.

Dom Felipe tem tanto direito como ela a essa coroa.

E credes que dom Felipe invadir� Portugal chegado o caso?

Esse � o reino que deseja, n�o deseja uma alian�a com Fran�a

nem uma uni�o com Inglaterra. Quer a coroa de Portugal,

que, al�m disso, lhe pertence por leg�timo direito.

E se n�o pode consegui-la mediante uma negocia��o,

bem pode surgir uma guerra.

Como estais t�o bem informada?

Dom Juan, sabeis que vivi muitos anos na corte.

Conhe�o bem o rei. Se me guardais o segredo...

Falai sem medo, por favor.

N�o h� muito, por ordem do rei, viajei a Portugal

e visitei o cardeal dom Henrique.

Contou-me que h� um novo aspirante ao trono portugu�s.

O prior do Crato.

E amea�ou com tomar o reino pela for�a.

Esse homem � um louco e um bastardo,

e n�o tem leg�timos direitos.

Mas o cardeal Enrique n�o o deixar� ocupar o trono.

E v�s,

n�o lutareis v�s por ele?

Eu?

Sim, sempre haveis tido influ�ncia em Portugal.

� certo, os Mendoza tiveram tanta influ�ncia em Portugal

como em Castela. E se mal n�o me recordo,

vossa fam�lia est� aparentada com os de Bragan�a.

N�o, n�o vos equivocais.

De facto estou a pensar fortalecer os la�os com Portugal.

Tenho pensado casar a minha filha com o filho da duquesa de Bragan�a.

Assim talvez a minha pequena consiga chegar a ser rainha.

Sabeis o qu�, dom Antonio?

Na vossa pr�xima viagem a Portugal explicareis os meus prop�sitos

ao cardeal Enrique. F�-lo-ei sem d�vida. princesa.

Falais a s�rio?

N�o.

N�o sabeis reconhecer uma piada?

Que disparate.

Rodrigo, �lvaro, vejamos o atalho.

Senhores, observem.

Gosto do vosso cabelo.

Ningu�m na vossa fam�lia o tem t�o louro.

De que conheceis v�s a minha fam�lia?

Toda a gente vos conhece. Sois o filho bastardo do rei.

Que dizeis?

Mas como vos atreveis? Dizei-o. Dizei-o!

Bastardo! Basta. Basta!

Aos seus postos. N�o lhe fa�ais caso, ignorai-o,

como se n�o se tivesse passado nada. N�o falarias assim, Bartolom�,

se a ofendida fosse a tua m�e. N�o a conheci.

Seguramente era uma puta, por isso que pouco me importa.

A� est�.

Esperai.

Que vais fazer?

Retirai o que haveis dito. Retirar o qu�?

O que haveis dito da minha m�e.

N�o h� mais do que olhar-vos. Sois o bastardo do rei.

As vossas palavras s�o uma ofensa � honra da minha fam�lia.

E pe�o-vos que me deis a oportunidade de defend�-la.

Quando queirais e onde queirais.

� espada.

� espada e adaga. � morte.

Feito. Feito.

Apesar do que disse � refei��o,

estou de acordo convosco.

O nosso rei � injusto com o seu irm�o.

E se � assim porque n�o falais com clareza?

O duque de Alba est� encerrado no castelo de Uceda

por consentir que o seu filho se casasse em segredo com Maria Toledo.

S� por isso? O rei queria que se casasse

com uma das damas da rainha. J� v�s que estupidez.

Se por um disparate assim � capaz de encerrar o duque de Alba,

imaginai o que faria comigo se soubesse que estou de acordo convosco.

Mas v�s sempre haveis defendido a paz.

E continuo a defend�-la, mas tamb�m penso que um rei

deve cumprir as suas promessas. Promessas?

Mentiu-nos � consci�ncia.

Sei que o nosso rei � um homem miser�vel, desapiedado;

o tratamento que tem com o seu irm�o demonstra-o.

N�o sei que pensar, amigo meu. Estais a estender-me uma armadilha?

Estou a oferecer-vos a minha ajuda.

Mas n�o insistirei,

j� vejo que n�o confiais em mim. Reconhe�o que me custa,

sobretudo se penso nos rumores que correm pela Flandres.

Que rumores?

Diz-se que sois amigo de Guillermo de Orange.

Parece-vos engra�ado? Jamais falei com esse homem.

Credes-me capaz de atrai�oar o rei?

N�o sei. O tempo mudou-nos a todos.

Dizei-me, Sofonisba, n�o h� nenhum homem na vossa vida?

N�o, minha senhora. Uma mulher, talvez?

N�o, minha senhora. Pois o rei n�o vai consentir

que vos mantenhais solteira por muito tempo.

Aposto que j� vos est� a procurar esposo.

Algo ouvi, sim; mas n�o me interessa o casamento.

E o amor? Tamb�m n�o?

Sou feliz aqui, com as minhas pinturas.

N�o vos movais, rogo-vos. Lamento, � que este maldito

em ocasi�es ainda me d�i. Permitis que me aproxime um momento?

Claro.

Preciso de ver-vos bem a cara.

Vou tir�-la. N�o, n�o � preciso.

Estou nua perante v�s,

n�o me importa tirar isto tamb�m.

Havei-me mentido. Em qu�?

Amais algu�m. Vi-o em vossos olhos.

Disse-vos a verdade, sou feliz aqui.

Ningu�m me poder� dar nunca um momento como este.

Isso � a �nica coisa que haveis podido ver em meus olhos.

Que fazeis aqui, Bernardina? Que se passa?

� Rodrigo, vosso filho, vai bater-se em duelo.

Em duelo? Porqu�? Com quem? Com um jovem da casa de Alba.

Rodrigo diz que a ofendeu. A quem, a mim?

Chamou-lhe bastardo.

Bartolom� est� com ele. E n�o pude det�-los.

Vamos. Cocheiros, levem-nos a �lcazar.

Os actos p�blicos da Semana Santa,

a carta ao duque de Medina Sidonia,

� assunto do cocheiro da duquesa...

Tamb�m vos escreveu Teresa de �vila.

Comecemos, pois.

Majestade, se n�o vos parece inoportuno,

tamb�m temos pendente a quest�o de It�lia.

Assim �. Conhe�o a vossa inten��o

de dar a secretaria a Antonio P�rez,

mas, se me permitis,

insisto em que seria melhor escolha um homem como Gabriel Ben�tez.

O homem que vos cuida do jardim?

� um homem bom. Conhe�o-o bem

e estou completamente seguro da sua integridade.

Tomaremos a decis�o no Conselho.

Se nos lugares p�blicos n�o h� homens bons,

os assuntos de Estado ir�o de mal a pior.

Quereis dizer, talvez, mas P�rez n�o � um homem bom?

Correm certos rumores pela corte.

Inclusive h� quem diga que a seca do reino

� culpa sua.

N�o me vou rir, se � isso que pretendeis.

N�o, majestade, eu s� digo... Fazei-me um favor:

tapai os ouvidos e trabalhai mais.

Majestade, a princesa de �boli pede para vos ver.

Fazei-a entrar.

Princesa de �boli. Perdoai, majestade,

perdoai que vos interrompa

e que me apresente sem anunciar a minha visita.

Tenho que falar convosco, n�o posso esperar.

Ide-vos. Temos muito trabalho, majestade,

tamb�m vos escreveu... Creio ter dito que vos ides.

Majestade. Princesa.

Tinha saudades vossas.

Haveis tardado demasiado em voltar a ver-nos.

Majestade, necessito falar convosco, necessito a vossa ajuda.

Rodrigo est� em perigo e temo pela sua vida.

S� a v�s vos ouvir�.

Que fazeis aqui? N�o quero ver ningu�m.

O vosso criado fez-me entrar, v�s o haveis pedido.

� verdade. Perdoai-me.

Dom Felipe afastou-vos dos seus aposentos.

N�o. � essa mulher, a princesa de �boli.

N�o sei que estranho poder exerce sobre o rei.

Dela queria falar-vos. Vamos, escuto-vos.

Seguindo os velhos costumes, a princesa convocou uma reuni�o

em sua casa. Assististes v�s?

Escobedo, Alonso, Romero, P�rez e eu mesmo, sim.

Uma dama e cinco homens...

As portas da sala estariam abertas de par em par.

N�o. A princesa fez sair os criados

e pediu-lhes que as fechassem. Bem.

Que me podeis contar de Antonio P�rez?

Na realidade, as palavras mais interessantes

foram as da princesa.

Continua a meter o nariz nos assuntos do Estado.

Tomai assento, quero saber tudo.

Soldados! Soldados do rei! Soldados!

Isto n�o vai ficar assim,

procuraremos outro lugar e outro momento.

Claro. Quietos a�!

Alto a guarda do rei! Alto em nome do rei! Quietos!

Majestade! Ah!

R�pido, avisai as parteiras e chamai o rei.

Tranquilizai-vos, majestade.

Tranquila. Tranquila. Ah!

Devagar.

Tranquilizai-vos.

E tudo por defender a honra da tua m�e.

N�o sou um bastardo. N�o, mas �s

um jovem temer�rio e impulsivo. Vais encerrar-me?

O duelo n�o est� castigado com o encerramento,

mas sim com a excomunh�o.

Mas n�o vou castigar-te.

Nem a Bartolom�? N�o, desta vez passarei por alto

o sucedido. Obrigado, Majestade.

N�o voltar� a suceder. Isso espero.

E agora,

deixa que te conte algo de teu pai.

Dom Ruy de Silva pensava que a obsess�o pela honra

� uma doen�a. Eu opino o mesmo,

uma doen�a que nos fez muito dano.

Oxal� pud�ssemos acabar com ela.

Se eu fosse teu pai, pedir-te-ia que te centrasses nos teus estudos;

que escolhesses uma carreira e sobretudo, que confiasses mais

na tua m�e.

Os que sujam a boca acusando-a de ad�ltera,

n�o merecem ser ouvidos.

A tua m�e � uma mulher boa, ama-te e sofre por ti

e quer o melhor para ti e para os teus irm�os.

E porque a conhe�o, sei que far� o imposs�vel por dar-vo-lo.

N�o escuteis os que falam mal dela, escutai-a a ela.

E respeitai-a.

Sim, Majestade.

Apesar do serm�o, hei-de dizer-te que tamb�m me agrada

o que fizeste. �s valente.

Ou isso me parece a mim.

Majestade... � um var�o?

Sim. E est� vivo?

Est� vivo e � precioso. Aproximai-mo quero v�-lo.

Viver�s.

Tu viver�s.

O pequeno Felipe parece-se muito a v�s.

S� pe�o a Deus que tenha boa sa�de.

Morreram-me dois var�es e Fernando continua doente.

Que dizem os m�dicos? Nada, que h� que esperar.

Vinde.

Conforta-me tanto ter-vos perto.

N�o me olheis assim.

Depois, a gente fala.

Como est� Rodrigo?

Bem.

Embora n�o me conte muito, a verdade.

Sinto-o um pouco distante, creio que sente a falta de dom Ruy.

N�o sei que fazer. Creio que agora necessita um pai mais que nunca.

Eu estou aqui. Sempre que me necessiteis,

podeis acudir a mim.

Eu sei.

E agrade�o-vos.

Majestade.

Devo ir-me.

Tendes assuntos que atender.

N�o me importa o que a gente fale,

eu s� escuto a minha consci�ncia.

E Deus.

N�o tardeis em voltar a visitar-nos.

Vamos.

Que haveis sacado a Escobedo?

Esteve a fazer contactos com Roma.

Nas minhas costas?

Segundo parece o Santo Padre � favor�vel � guerra

contra Inglaterra. Falou-vos de mim?

Sim. Que vos disse?

Afirmou que sois o diabo.

Algo mais?

Que sois demasiado velho para continuar a reinar.

Disse algo de interesse? Que n�o sois um bom rei,

que nunca o haveis sido; que parece que tenhas esquecido

a miss�o de um rei cat�lico. Que n�o vos preocupam

os interesses de Espanha,

que a �nica coisa que vos preocupa s�o os vossos interesses pessoais.

Como se atreve? Disse tamb�m

que dom Juan da �ustria merece ser rei de Espanha,

que o convencer� para que vos afaste do trono

e que o ajudar� a consegui-lo.

Bem.

O poder do rei deriva de Deus. Aqueles que resistem

e se revoltem contra o rei, fazem-no contra Deus.

Os s�bditos do rei t�m que obedecer ao seu amo

porque ele ocupa o lugar de Deus sobre a Terra.

Necessito uma resposta clara.

Haveis entendido a pergunta?

Creio que sois V�s quem n�o entende, Majestade.

O rei tem poder absoluto sobre os seus s�bditos,

inclu�do o de decidir a sua morte por raz�es de estado.

Sem processo algum? Sem o submeter a julgamento?

Posso condenar um homem sem um processo pr�vio?

V�s sois a justi�a.

Majestade. Que fazeis aqui?

Quem vos deixou entrar?

Dom Juan caiu doente de tifo.

Que m�s not�cias. Sim e tamb�m h� outras boas.

Vosso irm�o, farto de esperar os refor�os que dev�eis enviar,

conseguiu a ajuda dos alem�es.

Venceremos os rebeldes s� com as nossas for�as.

Ent�o, n�o necessitais mais homens. Isso alegra-me.

E sabendo que o meu irm�o est� doente,

suponho que correreis a seu lado. Sim, t�o cedo como seja poss�vel.

Isso est� bem.

Venceremos os rebeldes com vossa ajuda ou sem ela.

Acabais de diz�-lo. E depois, conquistaremos

Inglaterra. N�o!

Em nome de Espanha; n�o, sem o meu consentimento.

Don Juan da �ustria j� n�o necessita da vossa ajuda

nem o vosso consentimento. Casar-se-� com Mar�a Estuardo

e ser� proclamado rei da Esc�cia e de Inglaterra.

Insolente!

Ide-vos.

Ide-vos.

Haveis tido um bom dia.

Sim.

Entre.

Senhor, veio um mensageiro do rei.

Que entre.

Est� bem podeis ir-vos.

Que se passa? Nada.

Que vos escreveu o rei? N�o se passa nada.

Demoraste a vir. Aborrecido talvez?

Porque o ia estar?

N�o sei.

Talvez te incomode que estivesse no outro dia com o Rei.

Em absoluto.

Sei que algo te preocupa. Que se passou?

Tudo est� bem.

Deixa-me que te conte um segredo.

Sofonisba de Anguissola est� a retractar-me.

Isso � um segredo?

Nua.

N�o podes posar nua.

Est�s a p�r-te em perigo e a ela.

Se algu�m se inteira... Ningu�m tem porqu�,

se tu n�o o contares.

N�o entendo essa est�pida proibi��o.

Que h� de mal num corpo nu?

Onde est� o crime?

Que sentes?

Gosto. Gostas?

Mm! Mm!

Horas e horas nua a deixar que essa mulher te olhe.

Gostas disso? �s vezes olha-me

como me olharia um homem.

Posa para mim.

Deixa-me que imagine o quadro.

N�o, eu tenho uma ideia melhor.

N�o.

N�o me toques, quieto.

N�o fa�as nada.

Se ela te visse, tamb�m quereria pintar-te.

Tens um corpo t�o belo.

Nunca tinha estado assim diante de uma mulher.

Vossa sou, para v�s nasci.

Que mandais fazer de mim?

Dai-me morte, dai-me vida.

Dai sa�de ou doen�a, honra ou desonra,

que a todo digo que sim.

Dai-me guerra ou paz crescida,

fraqueza ou for�a cumprida,

que a tudo digo que sim.

Dizei, doce amor, dizei,

que mandais fazer de mim?

A princesa n�o pode atender-vos.

Parto amanh� para a Flandres, vim dizer-lhe adeus.

Eu me despedirei por v�s. Agora n�o vos posso deixar entrar,

n�o haveis anunciado a vossa visita.

Sou Juan de Escobedo, n�o me reconheceis?

Sou amigo da princesa e desta casa desde h� anos.

N�o necessito anunciar-me. Eu disse que n�o.

Por favor, escutai-me.

Bernardina.

Vai atr�s dele. N�o.

Esperai, esperai. Deveis escutar-me.

Detende-vos, rogo-vos.

N�o esperava isto de v�s.

Guardar-nos-�s o segredo? E porque iria faz�-lo?

Pela sua fam�lia e pelos meus filhos. E pelo Rei?

Sim, Juan, tamb�m por ele. Seu secret�rio,

o seu homem de confian�a, o seu c�o mais fiel e a sua amiga

mais querida. N�o creio que gostasse de sab�-lo.

Rogo-vos. Onde est� a sua honra?

A honra? Era honesto,

um exemplo para n�s. E amava-os com loucura.

Assim o ofendeis agora? Juan.

O meu marido est� morto. Como vou ofend�-lo

se h� mais de 6 anos que est� no sepulcro?

Olhai-me.

Olhai-me, olhai-me.

Parece-vos que estou morta?

Ou acaso deveria viver como se o estivesse?

Juan.

Suplico-vos, prometei-me que n�o direis nada.

Est� bem.

Posso pedir-vos algo em troca?

Dizei-me.

Quer que fale com o Rei, que o pressione

para que consinta em invadir Inglaterra, mas...

O que est� a pensar Escobedo? Acalma-te.

N�o ter�s que fazer nada.

Porque n�o o detiveste? Escuta.

N�o temos que fazer nada.

Quem sois e que quereis?

N�o regressar� jamais � Flandres.

Porqu�?

Que est�s a dizer?

Escobedo h�-de morrer.

Quem vos manda?

O Rei ordenou.

A sua morte?

O Rei ordenou a sua morte?

E tu?

Tu �s seu secret�rio, seu conselheiro.

Que lhe disseste para convenc�-lo a que n�o o mate?

Fala.

Que lhe disseste?

Nada. Nada?

Isso � um crime.

� um crime e...

Tu consentiste-o.

Como pudeste faz�-lo? Porqu�?

� nosso amigo. Um amigo que pretende atrai�oar-nos.

Devemos impedi-lo. N�o, Ana.

J� � tarde.

N�o!

A mim a guarda!

A mim a guarda!

Guarda!

L�.

N�o.

Ana. Ana, suplico-te.

N�o.

Por favor.

L�.

Acabai com ele e fazei-o quanto antes.

N�o quero ver-vos na corte at� que o tenhais feito.

Reconheces a letra? N�o posso crer. Porqu�?

Porque � necess�rio. Para quem?

Para o rei? Para todos.

Para ti tamb�m.

N�o, Antonio, n�o. N�o.

Esta carta pode ser a tua salva��o, n�o o entendes?

Guarda-a. Guarda-a num lugar seguro.

Pode ser que a necessites algum dia.

Ent�o, guarda-a tu.

S� posso confiar em ti.

Embora na realidade pouco se tenha perdido, lamento-o.

Mataram-no � facada, na rua,

perto do pal�cio de �boli. H� testemunhas?

Um velho viu tr�s homens.

Ladr�es? Sup�e-se.

Haver� que diz�-lo a dom Juan da �ustria.

J� saiu um correio para a Flandres.

Bem. Haver� que decidir quem substitui Escobedo.

A minha irm� necessita um novo secret�rio.

A fam�lia do morto pede justi�a.

Naturalmente, t�-la-�o. Ordeno que se inicie uma investiga��o,

que fechem todos os caminhos, que revistem todas as pousadas.

V�zquez, ocupai-vos.

Falai com o alcaide e com o presidente do Conselho.

Agora.

S�o de fiar esses homens? Se os det�m e esse velho

os reconhece, falar�o.

Eu n�o sei nada deste assunto.

Senhor? Espera, onde vais?

Tenho que fazer uns recados. Antes quero que me acompanhes.

Vou apresentar-te a um amigo.

�s um bom crist�o?

Sim, senhor.

Um bom crist�o n�o tem mais rem�dio que crer no pecado,

e no dem�nio. Cr�s tu no dem�nio?

Sim, senhor.

Saber�s que o dem�nio pode vir a n�s em formas diversas,

para tentar-nos e afastar-nos do caminho recto.

Ent�o, se tens essas coisas em conta,

estou seguro de que me dir�s a verdade.

A verdade sobre qu�? Eu n�o sei nada.

Sabes que mataram um homem importante, e que esse homem era

amigo da princesa de �boli e tamb�m do secret�rio do rei,

Antonio P�rez. E deves saber, tamb�m, que nosso Senhor

te est� a p�r � prova neste preciso instante.

A princesa reuniu-se com os seus amigos no pal�cio,

servias tu � mesa?

Sim, senhor.

Viste morrer algum homem na fogueira? Estou seguro que sim.

Ent�o imagina como deve ser o inferno.

Talvez deva ausentar-me durante algum tempo.

Quero sair de Espanha.

Ides com ela? N�o, Juana, vou s�.

Nunca quis saber nada de vossas amantes, nunca perguntei,

mas a princesa n�o � como elas, ela �... toda a gente sabe

que ela � distinta.

Juana.

Amai-la?

Sim.

A vi�va de Escobedo quer falar-vos e pede-vos audi�ncia.

Ocupai-vos. Eu j� n�o sei que dizer-lhe, majestade.

Vai todos os dias ao meu gabinete. Est� convencida de que a morte

do seu esposo foi um conspira��o.

E continua a pedir justi�a.

N�o sei, que mais podemos fazer? Os malfeitores est�o mortos.

A ideia da conspira��o parece que cobra for�a.

H� testemunhas esta vez? N�o, majestade.

Continuai a investigar. Fazei o vosso trabalho.

N�o acabei, majestade. Mais rumores?

Agora j� s�o certezas. Pouco antes do crime houve uma reuni�o

no pal�cio dos �boli.

Sim. Falou-se da Flandres e tamb�m em Portugal.

A princesa tem inten��o de casar a sua filha mais nova

com um Bragan�a. Assim vos paga as aten��es

e a generosidade que sempre lhe haveis mostrado.

Estais loucos. N�o � um rumor, majestade.

Posso demonstr�-lo. E tamb�m posso demonstrar

que na mesma noite do crime Escobedo visitou a princesa,

e que Antonio P�rez estava com ela.

N�o alcan�o atender-vos.

Consta-me que P�rez a visita com frequ�ncia, �s vezes passam

a noite juntos, na mesma cama.

Se estais a mentir, os vossos dias na corte

ter�o chegado ao seu fim. N�o minto, majestade.

Ide-vos.

Queria contar-vos algo mais.

Dizei.

A princesa posou para a vossa retratista.

Nua.

N�o � certo que tenham tido uma modelo, majestade.

S� vos haveis inspirado em algu�m.

Conhe�o bem o corpo da mulher.

Meu querido Antonio P�rez, j� estais aqui.

Destrui esse quadro.

Majestade?

Que quereis dizer-me?

Majestade.

Ouvi que Mateo V�zquez est� a conspirar contra mim.

Isso n�o � novidade.

Ele conspira contra v�s e v�s falais-me mal dele.

Alimenta o rumor de que tive algo a ver com a morte de Escobedo.

Creio que � o momento apropriado para resolver o tema de It�lia.

Entendo, quereis afastar-vos da corte.

Seria a maneira de abortar os prop�sitos de V�zquez.

Se me outorgais a secretaria de It�lia compreender�

que confiais em mim e saber� que n�o tem nada que fazer.

Acercai-vos.

Observai esta tela.

O primeiro nu que pinta a nossa retratista.

Ela nega ter copiado do natural.

Que opinais v�s?

N�o saberia que dizer. Observai o rosto.

N�o vos parece familiar?

N�o.

Talvez n�o seja o rosto ent�o. Observai a tela.

N�o vos parece familiar esta mulher?

Em absoluto, majestade.

E agrada-vos olh�-la?

Sim. Naturalmente, a mim tamb�m.

� uma mulher bela. Esquecei-vos de It�lia.

Dei a secretaria a Ben�tez, a v�s necessito-vos perto.

Quanto a V�zquez n�o o temais, move-o a inveja.

O que lhe d�i, e por isso fala mal de v�s,

� a boa vontade e a confian�a que vos tenho.

Majestade. Majestade, perdoai, n�o sabia que est�veis aqui.

A pequena Ana caiu e estava a chorar.

Creio que se magoou no cotovelo.

� certo que Antonio P�rez vos ajuda nos tr�mites

para que caseis vossa filha com o filho da duquesa

de Bragan�a? N�o! Como vou fazer algo assim?

Foi uma piada que fizemos no outro dia enquanto com�amos.

Quem � que o contou?

� vosso amante?

O qu�?

Antonio P�rez � vosso amante?

Sim.

Acaso vos importa? Sou vi�va, majestade.

Meu pai morreu e eu n�o tenho irm�os.

Gra�as a Deus n�o tenho que prestar contas a nenhum homem.

Nem sequer a mim.

N�o, nem sequer a v�s.

Sou vosso rei.

Sim, mas n�o sois meu dono.

Eu decido a quem amo, s� eu.

Pois sabei que amais um assassino.

Antonio P�rez est� implicado no crime de Escobedo.

E v�s n�o?

Quem vos contou?

Nada. Acercai-vos.

Que vos contou P�rez?

Tudo. Que fostes v�s quem deu a ordem.

Os descuidos dos reis acabam por abrasar a garganta

de quem os revela.

Dom Juan da �ustria morreu de tifo.

Deixou escrito que � sua morte vos entregassem estes documentos.

� toda a sua correspond�ncia.

Uma carta de Escobedo a dom Juan da �ustria?

Lede o que meu irm�o escreveu nas margens.

Ponde fim �s vossas negocia��es.

N�o farei nada contra os desejos do rei.

Meu irm�o n�o tinha nenhuma inten��o de atentar contra mim.

Jamais teria dado um passo sem o meu consentimento.

Eu fiz matar o seu secret�rio, Juan de Escobedo.

E j� n�o sei porqu�.

Enganou-vos. Fez-vos crer o que n�o era.

Destitui-lo teria sido suficiente.

Cometi um crime injusto.

E sei que de algum modo vou pagar por ele.

Foi vossa a ideia?

Sim.

E o vosso secret�rio Antonio P�rez op�s-se a ela?

N�o. E sabendo o que sabemos agora,

n�o cabe a possibilidade de que a ele lhe conviesse

mais a sua morte que a v�s?

Nosso filho... O infante Fernando.

Nosso filho... ah.

Quem me envia tanta morte?

� o diabo? � o diabo?

Ou. � o diabo?

� o diabo? Ou � este o castigo que me envia Deus?

Temos uma ordem de pris�o. Porqu�?

N�o nos informaram disso.

N�o fiz nada que possa ofender o rei, n�o o entendo.

Que diz na ordem? N�o aparecem os motivos?

N�o, senhora, eu ignoro-os. S� sei que deveis acompanhar-me.

E podeis trazer convosco uma criada.

Que haveis feito?

Ficai tranquila. Que haveis feito?

Falarei com o rei. Que haveis feito?

Ficai tranquila, Juana.

Princesa.

N�o vos preocupeis.

Amanh� estaremos em casa.

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