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Original subtitles

Nesta semana, em VICE...

os filhos da crise de opiáceos nos EUA.

Os bisavós estão assumindo essas crianças

porque não tem ninguém para cuidar delas.

Cada vez mais bebês nascem com abstinência de opiáceos.

Depois, o nacionalismo hindu na Índia.

É um encontro de um grupo de protetores de vacas,

que patrulham as ruas

para conter os contrabandistas de vacas.

O que sente ao ver alguém matando uma vaca?

Se você fizesse isso, eu ia querer decepar suas mãos.

Eles estão dizendo que é hora de mudar.

Há dois anos, na quarta temporada,

falamos do aumento da epidemia dos opiáceos,

que se tornou uma das piores crises de saúde dos EUA.

É triste circular pelas ruas e lembrar dos lugares

de acordo com quem morreu de overdose.

O CDC estima que, só em 2016,

mais de 42 mil pessoas morreram de overdose de opiáceos,

fazendo o governo declarar uma emergência de saúde.

Podemos ser a geração que vai pôr um fim

na epidemia dos opiáceos.

Nós vamos conseguir.

Mas há outra crise da qual mal ouvimos falar:

a das crianças negligenciadas e abandonadas por pais viciados.

Isobel Yeung foi a West Virginia,

marco zero da epidemia,

para falar dessa trágica crise colateral.

GERAÇÃO DOS OPIÁCEOS

Deixe-me vê-la. Está tendo uma overdose.

Vamos ajudar.

Pode respirar? Está ouvindo?

Tire esse gelo daí.

Comprime as veias, dificulta para os médicos.

Traga o Narcan. Tenho luvas.

Pronto. Respire.

Se vomitar, segure as costas.

Tem quanto tempo?

Tem uns cinco... Uns cinco, sete minutos.

Acabei de vê-la com Emmanuelle há 15 minutos.

Não pode ser tanto tempo.

Ela estava aqui fora, quando você chegou?

-Tesia, pode me ouvir? -Vamos, Tesia. Acorde.

Pronto.

Fale um pouco comigo.

Oi! O que houve?

-Eu tive convulsões. -Convulsões?

-Está na minha ficha. -Certo. Tudo bem.

É heroína ou outra coisa que a deixa doente?

Não quero encrencá-la, mas quero saber o que tomou.

Sabemos que foi heroína, mas quanto?

Era branca ou marrom?

Não sei. Ela já tinha preparado.

E ela pulou em mim.

Ela lhe deu, você usou...

E bateu em você? Não faz sentido.

Tesia, é melhor falar.

Acabamos de encontrá-la

no caminho para outra ocorrência.

Segundo os policiais, eles sempre salvam vidas aqui.

Parece até que você sabia. Você a ajudou.

Sempre que eu puder

porque eu já fui ajudado por outras pessoas.

No meu caso,

eu chegava a ter duas overdoses por mês.

E nesse ritmo, talvez eu nem complete 32 anos.

-Você tem filhos? Família? -Sim, tenho.

E isso atrapalha muito

porque não sou mais o pai que eu era.

Posso dizer algo, sem lhe desrespeitar?

Eu estava te ouvindo falar.

Eu ajudo como posso. Esse pessoal também.

Você sabe disso.

Volte para seus filhos. Por favor.

O aumento da dependência e do número de overdoses

está tendo um efeito arrasador nas crianças.

A crise dos opiáceos

vem deixando muitas crianças negligenciadas.

Vemos cada vez mais bebês com abstinência neonatal.

Mais crianças são levadas de seus lares

por causa dos pais viciados.

Há mais de dois milhões de viciados em opiáceos nos EUA,

e em West Virginia,

o vício levou ao maior número de mortes por overdose no país,

deixando um problema grave para a próxima geração.

Conseguimos localizar Tesia,

a mulher que nós vimos tendo uma overdose.

Estamos na região de Charleston,

indo vê-la na casa da mãe dela.

Quantas overdoses você teve nos últimos meses?

Aquela foi a única vez.

Eu fico muito mal

porque odiaria que minha filha soubesse

que a mãe dela morreu de overdose.

Não dá para criar uma filha desse jeito.

Não é justo com ela.

Quando ela nasceu,

eu não sabia nada de como criar um bebê e tal.

Eu estava muito deprimida e com raiva de mim.

Então, eu recorri à única coisa que eu tinha,

que eram as drogas.

O que está em jogo? Quero dizer, como vai ser,

se você não se curar?

Eu não só vou perder minha filha de vez,

como, provavelmente, vou me perder também.

Quanto mais a gente se afunda, mais difícil é de largar.

Tesia está em um grupo crescente de pais

que perderam a guarda dos filhos

por abuso de substâncias.

E em West Virginia, quase todos com quem falamos

foram afetados de alguma forma pelos opiáceos,

inclusive o prefeito de Charleston, Danny Jones.

Charleston, West Virginia.

É isso aí.

Vamos lá.

Temos alguns ouvintes para perguntar.

Isobel está aqui. Ela é do "VICE".

Então, vou falar o que vamos fazer hoje.

Nós vamos falar da crise dos opiáceos.

E todos nós temos alguma solução para isso.

Temos uma prisão regional que vai dobrar de tamanho.

Precisa haver um processo de recuperação.

E pelo tempo que precisar,

essas pessoas terão de ficar lá.

James,

quer falar de um problema que afetou sua família?

Bem, não só minha família, como de muitos.

Virou uma praga.

Não sei se eles precisam de prisão,

mas deviam ser isolados.

Não acha melhor a família enfrentar isso reunida?

Você acha melhor ter uma separação total?

Não. Tratar com amor e pulso firme é melhor.

Steve, pode falar.

-Como vai, chefe? -Tudo bem.

-Oi. -Tenho dois garotos.

Eu já liguei antes. Os dois usam.

E estou com o prefeito.

Precisamos de outra prisão, com tratamento forçado.

A prisão funciona como solução imediata.

Porque, primeiro, nós salvamos o viciado.

E depois, afastamos a pessoa de quem só a prejudica.

E você fala com experiência, já que prendeu o seu filho.

Eu o prendi umas duas ou três vezes.

O filho do prefeito de Charleston

luta publicamente há anos contra uma dependência.

E gastei muito no tratamento dele.

E achar que não sou solidário

é não saber muito de mim,

como também é não saber da história das pessoas

que passaram por isso e disseram: "Chega".

No estado, os tribunais têm recebido

cada vez mais casos de crimes e custódia

por conta dos pais viciados em opiáceos.

Falamos com a promotora do condado de Kanawha,

Maryclaire Akers,

que viu seu trabalho aumentar com crianças afetadas.

Quantos dos seus casos têm ligação com opiáceos?

Uns 90%.

Ou mais.

Em 2008,

nós tiramos 285 crianças de seus lares.

Em 2016, foram 656 crianças.

Só no nosso condado.

Como os abrigos estão lidando com a chegada

das crianças afetadas por essa crise?

O sistema está ultrapassado e inutilizado.

Os bisavós estão assumindo essas crianças

porque os filhos e os netos se tornaram viciados

e não tem quem cuide das crianças.

Como essas crianças estão sendo retiradas de seus lares,

os abrigos de West Virginia

que receberam quatro mil crianças em 2015,

hoje recebem sete mil.

Crianças como Zachery, Eliana e Asia,

cujas mãe e avó lutaram contra o vício,

aguardaram um tempo

antes de serem adotadas pela tia-avó delas, Donna.

Você consegue!

Deixe de moleza.

Elas nos contavam coisas

das quais crianças jamais deveriam saber.

E falavam sem problema.

Vai me ensinar a jogar?

Não posso ensinar nada.

Você não se intimida, não é?

Nós nunca conhecemos nossa mãe de verdade.

A gente só entrava e saía do Conselho Tutelar.

Esqueci onde estávamos,

mas ela era muito má e abusiva.

Ela nos agredia com um pedaço de pau.

Tínhamos de ficar na parede.

Como se ela fosse nos revistar, sei lá.

E ela nos deixava assim por pelo menos 15 minutos.

Em quantos lares adotivos vocês estiveram?

Um monte. Muitos.

Nem nos lembramos de alguns deles.

Mas sabemos que estivemos lá.

Fazemos terapia por isso,

e temos depressão, ansiedade e tudo mais.

Quando estou em espaços muito grandes e abertos,

parece que o mundo vira e eu vou cair.

E eu fico muito tonto.

Não desejo que ninguém passe o que nós passamos.

Mas até os mais jovens viraram vítimas da crise,

com algumas crianças expostas a opiáceos

mesmo antes de nascerem.

HOSPITAL CABELL HUNTINGTON

Certo. Vou aferir a temperatura dela.

Estamos no Hospital Cabell Huntington,

onde veremos os impactos mais arrasadores

da crise dos opiáceos, aqui em West Virginia.

-Ela está tremendo? -É um tremor anormal.

É um dos sintomas de abstinência.

Cada vez mais bebês como Malaysia nascem

com Síndrome de Abstinência Neonatal,

ou SAN.

Com apenas quatro semanas,

Malaysia toma duas doses diárias de metadona e clonidina

para ajudar a suportar os sintomas de abstinência.

Quanto tempo demora

para um bebê parar de ter sintomas de abstinência?

Até seis meses. Às vezes, até um ano.

Não consigo imaginar o que você enfrenta e vê todo dia,

nem como deve ser difícil.

Geralmente, eu vou para casa bem.

Em alguns dias, não.

Em todo o país, a cada 15 minutos,

um bebê nasce com abstinência de opiáceos,

aumentando os pedidos de auxílio social

e obrigando os legisladores a abordarem o assunto.

Enquanto estivermos aqui,

oito bebês nascerão com abstinência neonatal

e dez pessoas morrerão de overdose.

O Congresso deve manter o trabalho conjunto

para combater a crise, abordando a causa principal

e o efeito cascata da epidemia de opiáceos.

Falhar não é uma opção.

Nosso futuro não é a dependência.

Em 2018,

o governo gastará $4,6 bilhões para combater a epidemia.

Mas só para 2015, o custo nacional da crise

foi estimado em mais de $500 bilhões.

Com pouca esperança de ver uma boa ação federal,

um advogado de West Virginia resolveu agir sozinho.

Ele liderará um processo de prescrição de opiáceos,

com centenas de condados afetados,

que pode render bilhões.

Nós deixamos de ter esperança no estado

e no governo federal.

Não estamos mais esperando por ajuda.

A intenção é abrir um caso por conduta errônea

e pedir a um júri ou juiz

para obrigar as distribuidoras a conterem a epidemia.

Qual é a função das distribuidoras?

Elas têm uma função muito importante.

Elas monitoram e detectam pedidos suspeitos.

Pedidos muito grandes, de frequência anormal,

ou um desvio de um padrão normal.

Então, devemos pensar que a entrada

dessas drogas em nossa comunidade

afeta todo mundo.

Em seis anos, 780 milhões de opiáceos prescritos

vieram para West Virginia.

Nossa população tem menos de dois milhões.

Esse gargalo na rede de distribuição

nos afetou e muito nos últimos 20 anos.

Então, vimos que não dava mais para sanar o problema.

Queremos que esse pessoal saia da prisão e fique seco,

no meio de uma monção.

Infelizmente,

a epidemia não trata apenas da doença do viciado,

mas do prejuízo às crianças da comunidade,

no sistema judiciário, nas prisões e nas escolas.

Ficamos com uma geração perdida.

Na última década,

vimos o nacionalismo aumentar no mundo.

Defenda a Europa!

Itália para italianos!

As vidas importam!

Mas em nenhum lugar vem dominando a política

quanto na Índia,

onde o partido do premiê Modi, o BJP,

é acusado de piorar a segregação da maioria hindu

de muçulmanos e cristãos.

Krishna Andavolu foi à Índia

para ver de perto essa disputa política e religiosa.

HINDUSTÃO

HARIDWAR, ÍNDIA

Então, é bem cedo, no comecinho da manhã,

e é hora dessas vacas fazerem xixi.

E eles trouxeram baldes para coletarem o xixi

porque, para eles, elas são muito sagradas,

e a urina contém qualidades medicinais.

Lá vai ele.

As vacas são tão sagradas aqui,

que a urina e as fezes viraram itens

de um setor bilionário de produtos diversos.

-É urina de vaca. -Destilada.

Urina destilada.

É urina para a vaca, e um remédio para nós.

Isto é para dor.

É para artrite e dor muscular.

É uma pomada.

O que é isto?

É dhoop batti orgânico.

-Incenso. -Isso.

E do que é feito?

De cocô de vaca.

Isto é cocô de vaca?

Cura doenças.

Asma, problemas no pulmão...

Tosse.

Mas é orgânico.

Claro. Mais orgânico, impossível.

Você acha que as vacas são sagradas?

A vaca não é um animal, para os indianos.

A vaca é uma mãe.

E por "indianos", quer dizer "hindus".

-Hindus. -Isso.

Há quase um bilhão de hindus da Índia.

E com o aumento da tensão entre eles e as minorias,

a vaca tornou-se o centro de um movimento violento.

Estou a algumas horas de Déli, na cidadezinha de Meerut,

e vou conhecer um grupo de protetores de vacas

que patrulham as ruas

para tentarem conter contrabandistas.

Como hindu, por que é tão importante proteger as vacas?

No hinduísmo, as vacas têm um status de mãe.

São os muçulmanos que nos ridicularizam

e não vamos tolerar que menosprezem nossa fé.

E queremos pegá-los.

Viva Lorde Rama!

Um policial chegou.

O grupo de protetores quer fazer uma blitz aqui.

Esse aí.

São búfalos?

Tudo bem. Pode ir.

As blitze montadas por hinduístas locais

têm se difundido no país.

E pelo que vimos,

são auxiliadas pelas autoridades locais.

Eles estão aqui para ajudar.

Nós vamos ajudar no que pudermos.

O problema é o que acontece depois

de prenderem um suposto abatedor de vacas.

Um rapaz de 20 anos foi linchado por um grupo

por tentar vender vacas.

Houve outro linchamento em Charkar.

Uma pessoa foi linchada por posse de carne.

As vítimas nesses casos são quase sempre muçulmanas,

que sofrem de tudo, de espancamentos a morte.

Na primeira vez que peguei esse pessoal,

foi como se alguém fosse abater minha mãe,

e eu a tivesse salvado.

Eu castiguei o pecador.

Quando vê alguém matando uma vaca,

o que você sente?

Se você fizesse isso,

eu ia querer decepar suas mãos.

Mas se eu fosse decepar suas mãos,

como seríamos diferentes?

Só posso castigar você.

Porque quero que você e pessoas como você,

essa raça toda deve ser expulsa da Índia.

E se eu começar a decepar e a degolar,

haverá uma carnificina. Ninguém sobreviverá aqui.

Viva a Mãe Índia!

-Viva a Vaca Mãe! -Viva a Vaca Mãe!

Em muitas partes do país,

a suspeita de comer carne já é motivo para morrer.

Um homem de 50 anos apanhou até morrer

após circularem rumores

de que a família comia carne.

No caso de Akhlaq,

um fazendeiro morto por um grupo hindu, em 2015,

a polícia não só investigou a morte,

mas também o suposto consumo de carne.

Falamos com o irmão dele sobre o ocorrido.

Há um templo hinduísta a 200 metros da nossa casa.

E anunciaram no templo

que alguém tinha matado uma vaca.

Um grupo se juntou, foi à casa de Akhlaq e o atacou.

Mesmo sem nenhuma vaca lá, nenhum sinal de sangue.

Não havia provas.

-O grupo era de hindus? -Sim.

Uma vaca vale mais do que a vida de Akhlaq?

Um relatório descobriu que 97% desses assassinatos,

na última década, ocorreram após o premiê Narendra Modi

assumir o poder em 2014.

Para entendermos o motivo de tanta violência,

falamos com o Dr. Shashi Tharoor,

historiador, escritor hindu, ex-Subsecretário Geral da ONU

e hoje, membro da oposição do Parlamento indiano.

A Índia enfrentou violência comunal ou religiosa

ao longo da história. Está pior agora?

Tivemos erupções periódicas.

A pior delas foi a divisão da Índia, em 1947,

quando os britânicos retalharam o Paquistão da Índia.

Isso causou um genocídio com um milhão de mortes.

Claro que não houve nada parecido até hoje.

Mas o mais importante

é que o Estado assegurou o preceito secular

de igualdade e de que a religião não determina direitos.

Mas pela primeira vez temos um governo

com um histórico ideológico

que nos faz questionar seu compromisso

com o preceito de igualdade.

Esse partido é o Partido Bharatiya Janata,

ou BJP, um partido de direita

ligado diretamente ao nacionalismo hindu.

Por ter citado o extremismo do BJP,

o Dr. Tharoor virou um alvo político.

Atualmente, ele está metido em um escândalo nacional.

Nós rejeitamos totalmente a acusação contra Shashi Taroor.

Isso saiu da fábrica de mentiras

do Primeiro-Ministro Narendra Modi.

Enquanto o secularismo cai,

os líderes do BJP não se intimidam para falar

de suas crenças nacionalistas.

Temos convicção de que o país deva ser,

predominantemente, um país de maioria hindu.

Enquanto houver o Islã, haverá terrorismo.

Se alguém na Índia desafiar um hindu,

nós não o deixaremos ficar na Índia.

E nenhum político do BJP é mais ferrenho

do que Yogi Adityanath,

um monge hinduísta islamofóbico

que deve governar o estado mais populoso da Índia.

Hindus e muçulmanos têm culturas diferentes.

Eles não podem coexistir.

Ou certamente ocorrerá um embate!

Há a ideia de que esses muçulmanos vieram,

derrotaram nossos heróis e nos dominaram.

E há a ideia de muitos de que é hora dos hindus

derrotarem os muçulmanos.

Eles até reescreveram alguns livros

para que as batalhas perdidas pelos hindus

fossem descritas como vitórias.

Para os líderes do BJP,

todo político muçulmano da Índia é estrangeiro,

mesmo que tenha mudado assim que chegou ao país

e casou-se com alguém.

Chamá-los de estrangeiros é pura intolerância.

O BJP não só comanda uma maioria no Parlamento

e em estados importantes, mas sua dominância é apregoada

por um grupo de soldados hinduístas, o RSS.

Este é o encontro anual

do Rashtriya Swayamsevak Sangh, o RSS,

que parece uma organização militar, mas não é.

O lado político do RSS hoje domina a política da Índia.

O RSS foi criado em 1925 por Keshav Baliram Hedgewar,

com o objetivo de criar uma unidade hindu.

Líderes como M.S. Golwalkar admiravam Hitler e o nazismo

por medidas para garantir, entre aspas,

"a pureza da nação e de sua cultura".

Com seis milhões de membros no país,

o RSS é a maior organização paramilitar voluntária do mundo,

embora seu líder negue.

O partido no poder, o BJP, foi criado a partir do RSS.

Três dos oficiais mais importantes do BJP,

inclusive o premiê, eram membros do RSS.

Então, a ideologia por trás da organização, a motivação,

a ideia de que a Mãe Índia é uma nação hindu,

está entremeada ao conceito do que o BJP quer como partido.

Conforme a supremacia hindu se torna institucionalizada,

críticos do BJP e de sua agenda estão sendo silenciados.

Falamos com Aakar Patel, que é jornalista

e chefe da Anistia Internacional na Índia.

Há liberdade de imprensa na Índia?

Sim e não.

Somos livres para falar do que for,

se o governo aprovar.

Se o governo não aprovar,

o jornal é vandalizado, eles nos prendem

e mandam gente para nos agredir.

Não há muita distinção da lei.

Gauri Lankesh, uma editora de jornal

que criticava muito o BJP e o nacionalismo hindu,

foi morta por um grupo na porta de casa, em Bangalore,

semanas antes desta entrevista.

-Por que ela morreu? -Tivemos mortes parecidas

de pessoas que tentaram resistir aos hindus.

E vou lhe dizer qual é o problema.

O problema na Índia não é a política.

É essa violência fascista, na verdade.

Avançar, direita!

Marchem!

-A Índia é uma nação hindu? -Sim, sim.

Hoje o mundo sofre com ataques de muçulmanos jihadistas.

Não somos contra ninguém. Não somos.

Mas eles devem seguir nossas regras.

-Viva Lorde Rama! -Viva!

-Viva a Mãe Índia! -Viva!

Para sabermos o que o BJP faz para conter a violência,

falamos com Ram Madhav,

um oficial de alto escalão do BJP.

A mensagem de que o BJP é um partido hindu,

ajudou a alavancar o plano, a popularidade?

O BJP é um partido ligado ao nacionalismo hindu.

Mas não é uma identidade específica de uma religião.

A minoria muçulmana é frequentemente assediada,

espancada, e por vezes, assassinada,

sob a égide de proteção de vacas,

proteção da cultura e dos muçulmanos.

Todos nós trabalhamos como uma família,

uma comunidade. E há problemas, às vezes.

E eles serão resolvidos.

Já que o seu partido é de inclusão,

por que Yogi Adityanath é um porta-voz tão importante?

O Sr. Yogi Adityanath é chefe do maior estado da Índia.

Se ele propagar violência contra alguém,

amanhã ele deixa o cargo.

Se matarem um hindu, mataremos cem deles.

Sou contra ouvir que se matarem um hindu,

-cem muçulmanos devem morrer. -Ele nunca disse isso.

É uma interpretação totalmente errônea dele.

O surgimento do BJP como partido nacionalista,

a ideia de que protetores de vacas, os vigilantes,

matam pessoas,

de que os livros estão sendo reescritos,

tudo isso, para quem vê de fora,

exala autoritarismo e até fascismo.

Você é de fora e não viu bem.

Eu vi com meus olhos, ouvi com meus ouvidos...

Então, não viu direito.

Seus olhos estão ruins. Precisa dar um jeito.

Avancem!

Infelizmente, estamos vendo um retrocesso cultural

em muitos países.

"Tornar os EUA grandes de novo"

é bem o que o BJP está tentando fazer na Índia.

É tornar a Índia hindu grande de novo.

Vimos o mesmo fenômeno com os direitos húngaros,

do Movimento Jobbik.

Foi igual com Marine La Pen e com a Frente Nacional.

Temos o referendo do Brexit,

que foi um referendo bastante anti-imigração.

É o mesmo que querer expulsar estrangeiros,

quem for diferente,

e recuperar uma versão mais pura do nosso país

porque "assim é que é bom".

Parece fascismo.

Infelizmente, em muitos aspectos,

é exatamente isso que nos lembra.

E francamente, jamais achei que viveria para ouvir

que aqui é melhor ser vaca do que muçulmano.

Temos que vencer essa batalha porque é pela alma da Índia.

Subrip: Pix

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