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Nesta semana, em VICE...
o custo altíssimo nos EUA dos remédios controlados.
Uma mulher me disse que não dava mais,
que ia morrer sem o remédio.
Ela não se referia à doença, mas ao custo dos remédios.
É bom as pessoas saberem
que os produtos químicos custam quase nada.
Depois, o apelo por mudanças em Porto Rico.
Surpreende vocês que após tanto tempo do furacão
ainda não tenha energia?
Já esperávamos isso porque o governo não ajuda.
Não podemos mais esconder a pobreza e a desigualdade
atrás de belas palmeiras e piña coladas.
Não, está tudo exposto.
Eles estão dizendo que é hora de mudar.
As empresas farmacêuticas fizeram avanços incríveis
na Medicina.
Porém, ao mesmo tempo,
o custo dos remédios subiu muito com os anos,
superando drasticamente o custo de outros produtos.
Os escândalos recentes de inflação de preços
levantaram dúvidas sobre se o custo de alguns remédios
deveria ser determinado pelo mercado.
Então, Hamilton Morris foi investigar
as alternativas possíveis para o sistema atual.
O CUSTO DE VIVER
Eu estou em um espaço de Biologia DIY,
na América do Norte,
e vou trabalhar com um amigo químico,
ou o Dr. Butil Lítio,
e vamos sintetizar pirimetamina, ou Daraprim,
o mesmo remédio que Martin Shkreli
aumentou o preço em 2015.
De US$18 para US$750 por comprimido,
são 4.100% em 24 horas.
Todos fazem isso.
No capitalismo, queremos chegar ao valor mais alto.
É uma droga acessível a qualquer químico.
Não é só a empresa farmacêutica que pode produzir.
O Daraprim não requer produtos de laboratório.
É possível fazer com ingredientes caseiros.
Limpador de ralo, thinner e cloro de piscina.
-Vamos fazer metal de sódio? -Eu adoraria.
Mesmo com thinner, ou feito no laboratório,
ainda será um remédio.
Não há nenhum segredo nesses remédios.
Apenas que são dispostos de uma forma científica,
para agirem conforme o prometido.
É isso aí.
Vamos lá.
Demais. É isso aí. Demais.
Ótimo.
Esse é produto bruto
e é assim que ele fica após cristalizar.
-Isso. -É demais.
Quanto custa o Daraprim como remédio?
Custava US$13,50 antes de o preço inflar.
Agora custa US$750.
E o seu custaria...
O valor bruto seria de US$15 por comprimido, como vemos aqui.
Mas ainda dá para diminuir.
É uma opinião impopular,
mas acho que Shkreli é aquele rosto
que gostamos de colocar em uma maldade como essa,
mas há problemas maiores do que ele no sistema.
A inflação de preços atinge todo o setor farmacêutico,
até mesmo em alguns tratamentos antigos.
Lembro-me de estar na sala de espera do médico.
E meus pais estavam de pé, falando com ele.
E ele lhes deu a má notícia:
"Sua filha tem diabetes,
e vai morrer antes de fazer 40 anos".
Então, eu cresci convivendo com isso.
Gail DeVore é um dos 30 milhões de americanos com diabetes.
Como muitos, ela toma insulina diariamente.
Embora exista há um século, não há nenhum genérico,
e os valores dos tratamentos mais populares com insulina
triplicaram na última década.
Saber como vou comprar,
qual conta vou atrasar para poder pagar
é uma condição horrível.
E sermos forçados a tomar essas decisões
é inaceitável.
As proteções de patente para um remédio
impedem os fabricantes de fazerem opções mais viáveis,
deixando pessoas como Gail sem saída.
Isso incentivou cientistas
que trabalham fora do setor farmacêutico
a criar outras formas de produzir insulina.
O Counter Culture Labs é um espaço de biohacking.
Como vê, nosso laboratório molecular é bem equipado.
A Índia e a China estão trabalhando bem
na produção de alternativas locais.
E o que choca nos EUA, por causa do nosso sistema,
é que muitas pessoas ficam sem insulina,
e algumas morreram tragicamente por isso.
Tem algum diabético envolvido nesse projeto?
Tem eu.
-Você é diabético? -Sim. Diabetes do tipo 1.
Minha preferência seria usar uma insulina artesanal
à produzida em massa e vendida nas farmácias.
Uma insulina sem alma corporativa?
Em biotecnologia,
há algumas formas de se produzir proteínas.
Temos uma cepa de leveduras
criada para produzir pró-insulina,
que é uma proteína precursora da insulina.
O fato é que a insulina não é patenteada.
Mas as formas de produzir, muitas são patenteadas.
Então, precisamos de outras estratégias
para não infringirmos nenhuma patente.
E quando vocês acham que poderão usá-la
para tratar diabetes?
Sendo otimista, daqui a três ou seis meses.
-Então, estão correndo. -Sim, já estamos fazendo.
O projeto Open Insulin não está sozinho.
Tem sido difícil democratizar o remédio
com outras soluções.
Mas o ambiente farmacêutico é vasto,
deixando pacientes com doenças raras
vulneráveis à inflação dos preços dos remédios.
Sem a presença dos genéricos e a regulamentação de preços,
os pacientes devem pagar, se quiserem sobreviver.
Jackie Trapp tem mieloma múltiplo,
um tipo raro de câncer no sangue.
Quando foi diagnosticada, há três anos,
o médico estimou que ela teria só cinco anos de vida.
Como parte do tratamento, ela toma Revlimid,
que dobra a expectativa de vida dos pacientes,
mas seu preço disparou de uns anos para cá.
O que é isso?
São todas as coisas relacionadas ao meu câncer.
Todas as consultas, as sondagens ósseas...
Eu anoto os remédios que eu tomo aqui,
o que acontece com eles, com os efeitos colaterais.
Estes são os papéis do seguro, as concessões,
tudo que preciso juntar para comprovar o auxílio.
E isso é só a parte nova.
O primeiro golpe foi: "Você tem câncer terminal".
O segundo foi: "Você fará transplante de medula
e vai ser horrível." E foi mesmo.
Mas eu consegui.
E o terceiro foi: "Você tomará Revlimid,
seu remédio eterno".
O preço do Revlimid mais que dobrou na última década.
Hoje, os 28 comprimidos que ela toma por mês
podem custar até US$22 mil.
O que mais subiu tanto desse jeito
em tão pouco tempo?
Meu salário que não foi.
-Vou dirigir hoje? -Pois é. Vou morrer de medo.
Sempre tive seguros.
Nós sempre fomos muito precavidos.
Mas já usamos tudo.
Usamos todas as economias.
Não sobrou nada.
Tivemos de refinanciar a nossa casa.
Recorremos a uma linha de crédito imobiliário.
E essas coisas são importantes para mim.
Eu estava lendo um post de um grupo de pacientes
em que uma mulher dizia que não dava mais,
que ela ia morrer sem os remédios.
Ela não se referia à doença, mas ao custo dos remédios
e a tudo que ela fazia para ter o remédio.
-Tem alguma opção? -Não.
Morte.
Só há um fabricante de Revlimid nos EUA,
que é a Celgene.
Alguns pacientes já consideraram a ideia
de trazer da Índia.
Mas não sabemos direito se funciona ou não.
E se pudesse comprar da Índia ou da China,
e soubesse que funciona, você infringiria a lei?
Sim. Eu infringiria.
Muitos ingredientes farmacêuticos ativos, ou IFAs,
não são produzidos nos EUA,
mas em lugares de fabricação mais barata.
Os princípios ativos custam uma parte do remédio de marca,
gerando um mercado negro
no qual os consumidores subvertem o sistema,
comprando genéricos não aprovados e IFAs puros.
E o centro da fabricação de IFAs está na China,
onde 20% do volume mundial de IFAs são feitos.
Estou em uma convenção de IFAs, em Xangai, China,
que são os princípios ativos,
ou o remédio dentro do remédio.
É aqui que todas as indústrias se reúnem atrás de compradores.
Nossa, que legal.
Muito bom, não é?
Por trás de cada um desses nomes técnicos
há um medicamento conhecido.
Citrato de sildenafila é o Viagra.
O diazepam é o IFA do Valium.
Lorazepam é o Ativan.
A conferência está cheia desses produtos.
Não parece, mas eles são a base dos medicamentos
que estão mantendo as pessoas vivas
no século 21.
Para sabermos o custo do Revlimid que Jackie usa,
precisávamos achar o fabricante de seu IFA, ou lenalidomida.
Então, pedi a ajuda de um comprador de IFA
chamado Keoni.
Digamos que quisessem comprar um quilo de lenalidomida.
Eu localizaria a indústria,
pediria o teste independente
e agilizaria a logística.
Eu consigo achar qualquer substância fabricada na China.
Minutos após eu perguntar,
Keoni já tinha achado um vendedor de lenalidomida.
-Alô? -Olá.
Lenalidomida é patenteado. Sabia?
Sim, eu sei que é.
Quanto sairia um quilo?
US$2.400.
E eu soube
que você virá visitar a nossa indústria.
-Você quer ir? -Sim.
-Certo. -Certo.
O contato de Keoni nos levou a uma indústria,
no sul de Xangai,
onde fizemos um passeio com representantes
que queriam muito vender quilos de lenalidomida pura.
É muito sensível. Não toque.
Vai sentir coceira.
Podemos lhe fornecer o produto químico.
E o preço é bem baixo.
Com um chazinho,
eles me deram 10 gramas de lenalidomida para análise.
Acabei de sair da indústria.
Eles me deram 10 gramas do AFI puro como lembrança.
Esta quantidade oferecida como amostra na China
custaria aos pacientes de câncer dos EUA
pelo menos US$3 milhões.
A análise não só mostrou que era mesmo lenalidomida,
como a pureza se comparava à do medicamento.
Não é certo sugerir
que todos comprem seus remédios da China.
Como também não é certo inflar preços
para pacientes terminais e desesperados.
É complicado, e não tenho a resposta.
Mas é importante ressaltar
que os princípios ativos custam quase nada.
Ao perguntarmos à Celgene sobre o custo do Revlimid,
ela respondeu que o preço seguia o valor aos pacientes,
o sistema de saúde
e o custo geral de pesquisa e desenvolvimento.
Também recebemos um estudo de um funcionário da Celgene,
mostrando que 90% das queixas chegavam a US$50 ou menos
em despesas para os pacientes.
Um estudo da Kaiser Family Foundation estima
que os pacientes do Medicare pagam uma despesa anual
de US$11.500 pelo medicamento.
Para entender os custos dos medicamentos,
fui à principal empresa de lobbying do setor,
conhecida como PhRMA.
Como é isso?
Como um remédio se torna tão caro?
Há vários fatores na criação de um remédio
e em quanto ele vai custar.
E desenvolver tratamentos para doenças como diabetes,
câncer ou doenças graves, como o Alzheimer,
é muito difícil.
Demora muito, é caro
e as chances de sucesso são muito baixas.
Nove de 10 medicamentos que são testados
não chegam ao mercado.
E é pelo teste e erro que nós concluímos
o que é preciso para criar um remédio que combata algo.
Certo, mas não é só isso.
Se fosse só pela pesquisa, as pessoas aceitariam.
Tem também as questões de marketing, publicidade
e até de uma ganância na inflação dos preços,
e acho que é isso que incomoda as pessoas.
Sim, você tem razão.
Há vários fatores envolvidos
na precificação de um medicamento.
Vemos quantos pacientes ele vai auxiliar,
que outros cuidados ele poderá eliminar,
que tipos...
Quão transformador é comparado a outros medicamentos.
No fim, o valor pago por um medicamento
é negociado por compradores muito poderosos
e o fabricante. E, como resultado,
o aumento dos custos tem sido o menor em anos,
e isso nos surpreende porque é muito diferente
do que vemos por aí e lemos nos jornais.
Mas se elas perdem tudo para pagar o tratamento
é como precificar uma vida, e ninguém quer fazer isso.
Mas é isso que acontece, no fim das contas.
Sei que podemos fazer mais
para que os pacientes tenham acesso ao tratamento.
E infelizmente, vemos uma tendência maior
de solicitar aos pacientes
que arquem com uma parte do tratamento.
Ou seja, os mais graves subsidiam os menos graves.
O seguro de saúde serve para quando você adoecer,
se precisar de uma cirurgia ou algum remédio,
para que você tenha acesso a isso.
Geralmente, não é o caso. E devemos resolver isso.
-Com manteiga, na chapa? -Por favor.
Tudo bem.
Doug e eu somos um casal...
Estamos juntos desde o colegial.
Faremos 30 anos de casados neste ano.
Sempre achamos que seríamos um casal de velhinhos,
e agora estamos velhinhos.
Enquanto nossos amigos gastavam e gastavam,
nós só economizávamos.
Tudo para o futuro.
E agora, já foi.
Ele não me perturba porque já sabe.
Mas você, molengão...
Ele sabe onde ficam o queijo e os frios.
Deixá-lo falido, além de tudo mais,
já é muito ruim.
Mas não vamos chegar aos 50 anos de casados.
O furacão Maria foi um dos piores desastres naturais
da história de Porto Rico.
O furacão está indo na direção da ilha.
O furacão causou US$90 bilhões em prejuízos.
4.600 pessoas morreram
porque ficaram sem energia e auxílio médico.
Mesmo que a ilha faça parte dos EUA,
a reação do país foi menor e mais lenta
do que com o furacão Harvey, quase um mês antes.
Esse esforço desproporcional
afetou a relação entre os EUA e seu território,
culminando em um estranhamento
entre o Presidente Trump e a Prefeita de San Juan.
Fizemos um trabalho incrível,
considerando a falta total de recursos.
Sr. Trump, faça seu trabalho.
Há vidas em jogo.
Não tem a ver com política.
Então, Isobel Yeung foi a Porto Rico,
para ver o caos político
que o furacão Maria causou por lá.
PARAÍSO PERDIDO
É um trabalho árduo no sentido de ter mesmo...
Não tem como fazer isso, senão ir à comunidade.
Meses após a passagem do furacão Maria,
ainda há comunidades em ruínas em Porto Rico.
O número oficial de mortes deixa o Maria com 64,
mas um estudo recente diz que foram quase cinco mil.
Fomos com a Prefeita de San Juan, Carmen Yulin Cruz,
para ver alguns dos milhares que foram afetados.
Nossa.
Veja aqui, a marca.
A água chegou até aqui.
-O FEMA veio ver? -Sim.
-E não ajudaram com nada? -Não.
O governo federal demorou para perceber
que esta é uma crise humanitária.
O Sr. Trump se deu uma nota 10.
Que nota dá para a reação da Casa Branca?
Eu dou nota 10.
E não passou... Ele nem veio aqui.
E ele jogou papel toalha para nós, achando graça.
Trump acabou indo a Porto Rico duas semanas após o furacão.
Mas não sem iniciar uma guerra no Twitter.
Foi falta de liderança da prefeita,
e de outros por lá,
que não puseram gente para trabalhar.
Os americanos têm um coração grande,
o Presidente Trump tem uma boca grande.
Odeio dizer, Porto Rico,
mas vocês vão mexer no orçamento.
Ele virou o presidente da falta de comunicação.
Você criticou de forma muito aberta
a reação do governo na ocasião do furacão.
Mas medindo o estrago que foi feito aqui,
que nota daria para eles?
-No geral. -Sério?
Uma porcaria. Não foi nada boa.
Mas eles deram auxílio e suporte, certo?
É o dever deles.
Assim como em Houston, ou na Califórnia.
Assim como na Flórida,
ou em Nova York.
Você ajuda,
para garantir que todos fiquem bem.
O Haiti fica a poucos quilômetros.
E o Haiti recebeu muito mais ajuda
sem ter qualquer relação com os EUA.
Por que os porto-riquenhos deveriam receber mais auxílio?
Nós conquistamos a cidadania dos EUA
na invasão de 1898.
Nós recuamos como despojos de guerra,
na Guerra Hispano-Americana.
E conquistamos, em 1917,
a cidadania americana no nascimento,
e fomos convocados para a Primeira Guerra.
Assim, desde então,
os porto-riquenhos vêm morrendo a cada conflito.
Nós acabamos pagando o preço disso.
Como a reação do governo destacou para você
a relação entre Porto Rico e os EUA?
Somos uma colônia dos EUA.
E nessa situação,
o fato de sermos colônia tem sido escondido.
Não podemos mais esconder a pobreza, a desigualdade
e a discriminação que aparece em Porto Rico
atrás de belas palmeiras e piña coladas.
Não, está tudo exposto.
Porto Rico é um território não incorporado dos EUA.
Seus residentes são cidadãos americanos,
mas não votam
e não têm representação no Congresso.
Os EUA são responsáveis pelas ações de emergência,
mas a reação ao furacão Maria ficou muito aquém
das reações mais recentes no continente.
O saldo foi de três consequências graves.
Primeiro, Porto Rico enfrenta um êxodo em massa.
Estima-se que quase meio milhão de residentes
terão ido embora no ano que vem.
São 15% de toda a população de Porto Rico.
MUDANÇAS LA ROSA DEL MONTE, DORADO
Depois do Maria, houve muita procura.
Uma procura grande que nunca tivemos.
Tinha fila com 50 pessoas
esperando do lado de fora para serem atendidas.
Este contêiner está indo para Orlando.
Certo.
E este veio ontem, também para Orlando.
Nos 51 anos dessa empresa de família
-já viu tanto movimento? -Após o furacão, não.
Todas as filiais foram afetadas.
As filas eram enormes,
e não tinha gente para atender todo mundo.
Fizemos plantão
porque tinha gente vindo de longe, atrás de nós.
Então, de fato, não. O Maria nos afetou muito.
Os serviços sociais foram afetados.
-Por isso tanta gente saiu? -Ainda há lugares sem energia,
sem transporte público, sem hospitais...
Tudo foi afetado.
Mais de 13 mil casas em todo o Porto Rico
ainda estão sem serviços como energia e água,
obrigando os moradores a se virarem.
O que seu tio está fazendo?
Ele está religando a energia na nossa comunidade.
É isso que você faz? Você trabalha com isso?
Não. Nunca mexi com isso.
Nunca trabalhei com energia elétrica.
Na verdade, tenho medo da alta tensão.
Os vizinhos se juntam para comprar as peças e tal.
Compramos o caminhão com esse dinheiro.
O que você acha, após tanto tempo,
de ainda não ter energia elétrica?
Nós já esperávamos. Porque o governo não ajuda.
A emergência perdura,
com o desabastecimento em 2º lugar na história mundial.
Os efeitos são nítidos em toda a ilha.
É incrível o que os professores conseguem fazer.
Não tem luz, os dias letivos foram cortados pela metade,
mas eles ainda estão aqui.
É escuro.
Deve ser difícil para ler ou fazer coisas fáceis.
{Não é como ter uma sala bem iluminada, com luz,
onde dê para enxergar bem
para escrever e fazer as tarefas.
É igual na casa delas, porque não tem luz.
Isso atrapalha muito.
Genesis, uma aluna daqui, nos levou à casa dela.
Por que está indo embora tão cedo?
Porque não tem luz.
Saímos ao meio-dia e fico entediada em casa.
É melhor sair às 15h
porque posso estudar todas as matérias.
CASA DE GENESIS MAMEYES, JAYUYA
-Esta é sua casa? -Sim.
O telhado saiu voando, isso tudo aqui.
O berço do meu irmão quase quebrou.
A pia da cozinha estava no chão.
O que achou da reação de Trump quanto ao que houve aqui?
Achei muito ruim
porque esse cara é racista e não vai nos ajudar.
Basicamente, ele odeia todo mundo.
Seus filhos terão um futuro em Porto Rico?
É difícil
porque queremos que eles frequentem uma boa escola,
mas falta água,
e falta luz nas escolas.
É difícil porque queremos o melhor para nossos filhos
e se não conseguimos isso, ficamos sem opções.
Se ficarmos aqui, não teremos
um futuro melhor.
O descontentamento e a frustração de quem ficou
resultaram em outra consequência grave:
um movimento com a ideia
de que Porto Rico não precisa dos EUA.
A ativista independente Jocelyn Velázquez
dá seu recado em protestos como este,
com manifestantes contra as políticas
do governador pró-EUA.
Para você, o furacão Maria afetou a confiança
das pessoas no governo?
Sim.
O povo está frustrado, cansado,
de saco cheio do governo,
da incompetência e da corrupção deles,
e da falta de compromisso.
A raiva da interferência dos EUA aumenta há anos,
desde que Porto Rico declarou falência
e Washington impôs medidas de austeridade.
Os "independentes" chamam o Conselho de Controle Fiscal
de colonialista
e acha que vai piorar a alta taxa de 44% de pobreza.
SOPA DE CARIDADE
RESTAURANTE COMUNITÁRIO
O que o seu grupo quer para Porto Rico?
A primeira coisa é ter poder para tomar decisões
quanto ao futuro do país.
Se não tivermos poder,
é impossível fazer algo para ajudar o nosso povo.
Hoje, quem decide é um governo externo
focado nos interesses dele, que não faz nada por nós.
E Porto Rico vai conseguir se manter
-sem verba do governo? -Sim, tenho certeza.
Embora alguns apoiem, um referendo sugeriu
que a maioria do povo prefere uma abordagem oposta.
A terceira consequência do furacão
é a renovação da ideia de soberania de Porto Rico.
O governador e o Partido Progressista,
encabeçaram o esforço,
que ainda não ganhou força no Congresso.
Falamos com um representante,
o senador estadual Carmelo Ríos.
Para você, o furacão Maria foi um catalisador
no apoio para a sua soberania?
Sim. Não tínhamos dois senadores,
ou cinco congressistas para nos representarem.
E tivemos de "alugar" a democracia, como dizemos.
Temos de sair e dizer:
"Quer ser congressista por um dia?
Pode ser meu campeão?
Pode fazer tal coisa?
Pode garantir que vamos ser bem atendidos?"
Por que você acha que a soberania de Porto Rico
é a única solução para os problemas do país?
Bem, eu não pedi isso. Sou cidadão americano.
Meu pai era do Exército, fomos às mesmas guerras.
Nós pagamos impostos e não temos representantes.
Eu estudei nos EUA e votei para presidente,
como cidadão, com todos os direitos.
Mas algo aconteceu lá em cima,
enquanto eu voava de volta a Porto Rico,
e perdi esses direitos.
Então, tem a ver com nossos direitos civis.
Não é isso que os EUA pregam?
Teoricamente, em um mundo ideal, sim.
Mas afetaria bastante o orçamento dos EUA.
Por que aceitariam?
Não somos diferentes dos estados que não têm verba.
Por que eles não tiraram Detroit
da União?
O que estará em jogo
se os EUA rejeitarem a soberania de Porto Rico?
Bem, vamos supor que Trump diga "não"
e que o Congresso,
o Congresso republicano diga "não".
Bem, talvez tenhamos de nos juntar como agora,
em todos os estados.
E convocar os latinos a votarem.
E mudar a perspectiva do que é Porto Rico.
Somos um problema que cabe aos EUA resolverem.
Eles não podem dizer que conquistam o mundo,
se negam direitos a 3,2 milhões.
Por isso é importante nos definirmos.
Após o Maria, temos tido a atenção
que merecemos para consertar o estrago,
ficando aqui ou não.
Subrip: Pix
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