All language subtitles for And.the.Birds.Rained.Down.2019.720p.WEB-DL.x264.AC3.HORiZON-ArtSubs.[AMARELO+NEGRITO]

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Original subtitles

- Art Subs - 12 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - Durenkian -

Vamos l�, Jack. Vamos. Venha.

Na segunda fui preso Na ter�a fui julgado

O juiz me considerou culpado

E eu baixei a cabe�a E chorei para Deus

E chorei para Deus

Juiz, qual ser� minha multa?

Ele disse: picareta e p� L� embaixo

Na mina de carv�o Do John Brown

Na mina de carv�o Do John Brown

Olha s�!

Nunca mais

Nunca mais

N�s vamos nos machucar a�.

Um, dois, tr�s, j�!

Segure a�!

Espere!

Est� bom, Ted. Est� bom, solte.

- Embaixo, podem descer. - Ajeite a�.

- Est� firme. - Deve aguentar.

�...

N�o sei n�o.

Ted?

ESTAVA CHOVENDO P�SSAROS

- Tia Gertrude? - Steve.

Steve, isso.

- Gertrude. - Gertrude.

N�o � longe. A picape est� logo ali.

Ah, �.

Lembra do meu pai?

- Paul? Ele era o mais novo. - �.

Sentirei falta dele.

REGI�O TUR�STICA DO ABITIBI-T�MISCAMINGUE

Paul nos deixou j� h� alguns meses.

Deixou em luto a esposa, Genevi�ve, o filho, Steve,

seus irm�os e irm�s, Th�odore, Romain, Solange

e Gertrude.

Queridos amigos, queridas amigas, obrigada por estarem aqui.

Paul, com a doen�a, nos �ltimos tempos

n�o estava mais...

N�o estava mais aqui na verdade.

Tinha perdido a mem�ria.

Muito obrigada pelo apoio de voc�s.

Obrigada, Gertrude.

Obrigada por pegar a estrada.

Estamos todos muito felizes e emocionados

em encontrar com voc�.

- Ao Paul. - Ao Paul.

Gertrude? Tudo bem?

Voc� tem essas crises com frequ�ncia?

N�o estou mais acostumada a dormir em outro lugar.

Isso nunca me aconteceu.

Gostou de sair de sua resid�ncia?

Fui for�ada a me habituar, eu imagino.

Eu tinha... Tinha esquecido meus irm�os,

minha irm�, de seus rostos.

Eles s�o estranhos agora.

Mas nunca esqueci da floresta, dos lagos...

do vento...

da f�brica...

do cheiro de enxofre.

Faz mais de 60 anos...

Sessenta anos?

...que n�o voltei aqui, para esta cidade,

para esta casa.

A �ltima vez, eu tinha 16 anos.

Minha b�ssola!

Ela ainda est� aqui.

Faz 60 anos que ficou escondida aqui?

Eu sonhava em viajar...

e descobrir o mundo.

Mas meu pai era muito severo.

N�o t�nhamos direito a sonhar.

N�o o conheci, mas parece que ele era dur�o.

A chave para o galp�o onde fazia meus experimentos.

O que voc� fazia?

Eu previa o futuro...

e falava com esp�ritos.

Essa �rvore � magn�fica.

Cuide-se bem. Cuide-se bem.

Os bombeiros combatem inc�ndios no norte, na regi�o de...

Certo, quero relaxar, vai...

Quer que eu desligue a m�sica?

Deixe, por favor.

CUIDADOS DE LONGA DURA��O PSIQUIATRIA

N�o, n�o, n�o quero! N�o posso voltar para l�!

N�o posso! Por favor!

O que voc� quer?

Paisagens, ver as paisagens.

Queimou tudo. Era um inferno.

O inc�ndio mais mort�fero da regi�o.

A fam�lia inteira correu pelas planta��es de batata.

O lago ficava longe demais,

ent�o nos deitamos no fosso, com o rosto na terra.

Minha m�e nos ajudava a cavar trincheiras.

Mas a fuma�a...

Todos sobreviveram?

Menos a minha m�e.

Ela se deitou sobre meu irm�o ca�ula

para proteg�-lo. Depois...

� melhor n�o sorrir. N�o �...

Olhe l� fora.

Est� perfeito.

Havia um braseiro ardendo durante dias.

Havia animais mortos e cad�veres.

O c�u tinha...

uma luz dourada.

Eram como imagens para o fim do mundo

e que Deus vinha nos buscar.

Voc�s conheceram Boychuck?

Ted Boychuck? Ele � uma lenda!

Ele viu os pais, os cinco irm�os e irm�s

morrerem asfixiados.

Ele andou durante seis dias sem parar.

Com o corpo despeda�ado. O olhar, cego.

Como se andasse nos passos de Deus, como diziam. N�o �?

Algu�m sabe onde ele mora agora?

Ele morreu, com certeza.

Parece que ele foi visto na regi�o.

Viram de relance no Hotel do Liban�s.

- Que liban�s? - N�o existe nenhum liban�s.

Minha irm� e eu ficamos esperando, com o rosto escondido no cachecol.

Foi a� que algo caiu na minha cabe�a.

Com a falta de ar e o calor,

os p�ssaros come�aram a cair.

Eles morriam no c�u...

e ca�am em nossas cabe�as.

Margie, minha irm� g�mea e eu, pouco antes do Grande Inc�ndio.

- Eram s� voc�s duas? - N�o, �ramos sete. Sete crian�as.

Mas n�s duas est�vamos sempre juntas.

Ela morreu no ano passado.

A senhora nunca conseguiu esquecer do inc�ndio?

N�o � o inc�ndio que nos assombra. � o amor.

A senhora perdeu seu namorado?

Ele sobreviveu.

Salvou minha irm� e eu das chamas.

Ele foi um her�i.

Viu ele novamente?

N�s nos escrevemos por muito tempo.

Mas ele viajava o pa�s inteiro. Ia aonde havia trabalho.

A� eu me casei. Minha irm� tamb�m.

Tive uma vida boa, no conjunto.

A �ltima vez que nos vimos, eu tinha 40 anos.

Suas fotos s�o espl�ndidas.

Preciso mesmo ir, Sra. Sullivan. Tenho uma longa viagem � frente.

Muito bem.

E Ted Boychuck? Algu�m o viu? A Sra. Polson?

Recentemente, n�o. Outros acham que ele morreu.

Outros disseram que o viram perto do Hotel do Liban�s,

mas n�o entendi muito bem.

- Deve ter morrido. - O Hotel do Liban�s!

O verdadeiro nome do Liban�s

� Hotel du Ruisseau.

HOTEL DU RUISSEAU FUJA PARA A NATUREZA

Ent�o, � aqui que eu trabalho.

Ol�!

Ol�!

� um lince.

- Os olhos s�o de verdade? - N�o. S�o de vidro.

Espere, vou lhe fazer um ch�, algo quente para relaxar.

Isto � tudo que encontrei para ler.

S�o antigas, mas tem artigos interessantes

e belas fotos.

- Um alce. - Um alce.

Um belo alce.

TRILHA CA�A E PESCA

� melhor n�o ficar andando pelo corredor.

Pode aparecer algu�m e come�ar a fazer perguntas.

Que droga!

O que h� com voc�? N�o late mais?

Nossa! O grande cachorro! Voc� n�o � lindo?

Ol�!

Tem um quarto livre?

Bem, depende do n�mero de pessoas.

Preciso ver a disponibilidade, quanto tempo...

�s vezes, depende.

� que geralmente, as pessoas reservam.

- Voc� � o propriet�rio? - O gerente.

O propriet�rio � liban�s. Ele mora nos EUA.

Neto de um milion�rio certo de que a ferrovia viria at� aqui.

Chamou isto de Nova Klondike.

Mas a ferrovia nunca foi constru�da,

ent�o o hotel de luxo nunca deu certo.

- Mas voc� ficou? - Eu sou o Steve.

Raf.

- Rafa�lle. - Rafa�lle.

Deve ser solit�rio aqui.

Depende. Gosto de ficar sozinho.

N�o h� ningu�m para brigar.

Ted Boychuck � tagarela como voc�?

Ouvi gente dizer que ele mora por aqui, na floresta.

Bem, n�o tem liban�s aqui, nem Boy sei l� o qu�.

Tem o Steve!

Steve, que gosta de filmes relaxantes.

�.

Ent�o...

Veio passar as f�rias na floresta?

Estou tirando fotos para um museu

e entrevistando os sobreviventes do Grande Inc�ndio.

Queria muito encontrar Ted Boychuck.

- Vai procurar por muito tempo. - Eu tenho tempo.

Devia abrir as janelas antes que entremos em coma.

Sempre tem ermit�es na floresta.

Ermit�es?

Bem, por defini��o, os ermit�es se escondem.

N�o querem ser encontrados, se misturar com o resto do mundo.

Mas como um semiermit�o, voc� deve saber

onde se escondem os outros ermit�es,

especialmente se um deles � uma lenda.

Sim. Claro que h� v�rias cabanas de ca�a por aqui.

Mas eu n�o entraria na floresta, se fosse voc�. Se perderia.

Gosto de desafios.

Que seja.

Depois do rio, vire � direita.

Dirija 15km at� o Lago Perfection. N�o tem erro.

A �gua � verde, � redondo como um prato

e da� vem o nome "Perfei��o".

No mato tem um suporte de metal enferrujado.

Vire � esquerda e atravesse a ponte.

N�o pegue as estradas vicinais, s�o muito antigas.

Estragaria o chassi do carro, o amortecedor, a suspens�o...

H� um riacho que leva a um lago.

� uma rua sem sa�da. N�o tem erro.

No final do lago, talvez hajam cabanas.

Mas...

As pessoas que vivem l� n�o gostam muito de visitantes.

Obrigada.

N�o � aqui!

Como colocar a agulha Num disco velho

Bem...

Houve progresso Asfalto e o que segue

Eu me pergunto quem eu seria Se tivesse ficado aqui

Dor insuport�vel De quem � a culpa?

Eu seria incapaz De v�-la com outro

Mas esqueci tudo Me tornei outro

Meu cora��o est� ansioso Para ver meus velhos amigos

Ol�, apaches! Ol�, turma!

Arranjem o fumo Que eu trago a cerveja

Adoro essa m�sica.

Ol�, boneca!

Eu me perdi com o carro. N�o tem sa�da.

A�, eu ouvi uma voz e...

A voz � sua.

- Sei. Quer um trago? - N�o, obrigada.

- Posso? - Claro.

- Merda! - Tudo bem?

- Posso fazer algo? - N�o, vai passar.

Desculpe.

- Tudo bem? - Sim.

Eu disse que era melhor ficar l� dentro.

Ela disse que gosta da minha voz.

- Isso. - Isso.

Acontece muito de cair e se machucar, assim?

Se for preciso, para ser salvo por uma bela mulher.

J� tive ferimentos que duraram v�rios dias.

Mas passaram.

Uma vez, ca� num coma et�lico durante a noite,

no meio da floresta.

Voc� morreu. Ou quase.

Mas estou s�brio agora. Ou quase.

Diga, Charlie! Voc� vai morrer hoje?

Se me fizer passar por outra noite como essa, talvez amanh�.

Mas se for amanh�, quero que seja no p�r do sol.

Eu sempre quis morrer vendo o sol se p�r.

- No entardecer, quer dizer? - Isso mesmo. No entardecer.

Mas se demorar, marco outra hora,

porque n�o quero morrer no escuro!

Como voc� o encontrou?

Foram os cachorros.

Voc� trabalha para o governo?

N�o, eu sou fot�grafa.

Procuro sobreviventes do Grande Inc�ndio na regi�o.

Mary Gyokery!

Quando era mais jovem, eu n�o a tiraria da cama.

Samuel Dufaux.

Ele foi salvo por um cachorro que nadava no rio no meio do fogo.

- Ah, �? - Ficou rico nas minas de cobre.

Morreu de tanto beber no hotel onde eu tocava viol�o.

E Ted Boychuck? Ele era garimpeiro?

O Ted morreu, minha querida.

Est� morto e enterrado. Ele teve uma bela morte.

- Como assim, �bela morte�? - Ele morreu de velhice.

- S� t�m voc�s dois aqui? - E os nossos cachorros.

Al�m disso, n�o existimos para ningu�m.

Bem, preciso voltar para casa.

Tem costume de andar na floresta?

Tom?

- N�s j� vamos. - Aonde?

Para casa.

- Vamos! - Tudo bem?

Precisam de ajuda?

Voc� pode dormir aqui.

Mas no sof� est� �timo. Sem problema.

Para lavar seus dentes.

Obrigada pelo ch�. E pela hospitalidade.

Onde fica a cabana do Boychuck?

Gostaria de tirar fotos dela.

N�o direi onde voc�s moram. Acredite.

S� achei a hist�ria dele comovente.

Voc� n�o conhece a hist�ria dele.

Ted n�o contou a hist�ria dele a ningu�m.

Deixe-o em paz.

Que gra�a surpreendente

Que som mais doce

Isso salvou um miser�vel Como eu

Uma vez eu me perdi Mas agora me encontrei

Eu estava cego

Mas agora eu enxergo

Atrav�s de muitos perigos Lidas e ciladas

Eu j� passei

Essa gra�a me trouxe A salvo at� aqui

E essa gra�a Me levar� para casa

Temos visitas, Chummy.

Cuidado onde pisa.

Muito bem.

Preciso ir... ao banheiro?

Fica logo ali. Na cabana ali atr�s.

Um instante.

- Ah, sim. - Venha, eu lhe ajudo.

Que bom. N�o, tudo bem. Eu vou.

Tudo bem.

Quem � ela?

� a minha tia. A irm� mais velha do meu pai.

Estou procurando um lugar para hosped�-la.

Um lugar discreto. Ela n�o tem para onde ir.

Imposs�vel! Uma mulher bonita sempre tem onde ficar.

Bem, �s vezes, n�o d� para escolher.

�s vezes, voc� quer desaparecer

e nunca mais voltar.

Sim... N�o sei.

Olha!

Eu vou...

Ted, eu trouxe sua comida! E tintas e pinc�is, Michelangelo!

Ted?

Isso foi... planejado?

N�o, ele morreu de morte natural.

- E o Jack? - Com o dono, como ele queria.

Ele queria ter uma bela vista do lago.

Ted tinha quase um sorriso nos l�bios,

quando o encontramos.

Pobre Ted!

Ele esperou morrer para sorrir.

Foi o p�er.

Foi isso que o matou. Maldito p�er!

Caiu de novo? Vamos precisar consert�-lo.

N�o foi o p�er. O cora��o dele pifou.

N�o foi o p�er. J� fazia um tempo que o cora��o estava mal.

�...

Como � lindo aqui.

Quando meu pai morreu,

minha m�e encontrou uma carta nas coisas dele,

que a Gertrude tinha escrito

quando ele era adolescente, ou quase.

Ela implorava para ele ir busc�-la.

Ela dizia que o pai dela, meu av�,

a tinha trancado l� e que aquilo era um erro.

Ela escreveu para todos, para os irm�os e a irm�...

Minha m�e nunca tinha ouvido falar nela antes de ler a carta.

Meu pai e a fam�lia dele nunca falaram dela.

� revoltante.

A �nica palavra para isso � �revoltante�.

Ent�o minha m�e a encontrou e a convidou para o enterro,

como forma de se desculpar por meu pai e pela fam�lia. Foi...

Um reencontro depois de 60 anos � estranho.

Tarde demais.

E o que isso tem a ver conosco?

Eu deveria lev�-la de volta.

� bem longe daqui.

Mas a�...

Ela surtou, e eu tamb�m.

Qual � seu plano, Einstein?

N�o queremos encrenca.

Se a pol�cia vier aqui, acabaremos num asilo

ou por tr�s das grades!

N�s n�o existimos para ningu�m, e nem queremos! Entendeu?

� por isso que estou aqui.

Teremos que lhe dar um nome.

Como quer ser chamada em sua nova vida?

Eu...

Eu...

N�o podemos aloj�-la

como se tivesse passado a vida aqui.

Vamos arrumar a cabana do Ted.

Vamos arrum�-la e calafet�-la melhor.

Marie Desneige.

Gostaria de ser chamada de Marie Desneige.

Voc� toma algum ansiol�tico, rem�dio para dormir...

Sabe os nomes dos seus outros rem�dios?

Tomo para ataque de p�nico.

Para dormir. Para press�o alta.

Para o ferro. Mas n�o gosto deles.

�Duas colheres de caf� de erva-cidreira.

Duas de maracuj�.�

Um presente.

Quer ser convidada?

Esqueceu de contar que h� um atalho at� os ermit�es.

O que voc� quer?

N�o sei. Ver um filme?

Pode me dar outro cobertor? Estou com frio.

Sim, � claro. Sim.

- Tome. Isto a manter� aquecida. - Obrigada.

- Quer mais ch�? - Sim.

Eu levo no seu quarto.

Uma corredora de florestas?

Isto � um hotel. �s vezes temos h�spedes.

N�o � s� voc�.

Vou fazer um ch�.

Minha outra h�spede quer algo?

Mais pipoca.

E voc�.

- Vou p�r isto aqui. - Perfeito, pode p�r.

O seu plano � rid�culo, Steve. Rid�culo!

Ela n�o est� bem! A m�sica que ela canta � triste.

Vamos mat�-la aqui!

Deixe-a viver uma vez na vida.

Cale-se, fil�sofo maluco. E isso � s� tempor�rio.

A hist�ria dela � degradante, mas ela n�o vai aguentar!

N�o somos uma col�nia de f�rias.

Ela est� se desintoxicando, com certeza.

Malditos rem�dios. � desumano.

Vista.

Depois, vamos lhe arranjar umas roupas mais quentes.

N�o sei o que fazer. N�o sei fazer nada.

Eu tamb�m n�o, titia, n�o sei fazer muita coisa.

Obrigada.

N�o tem do que.

Olhe o fog�o a lenha, de vez em quando.

- N�o est� -30� C! - Mas n�o vamos p�r fogo aqui.

Tem inc�ndios ao norte. N�o vamos provocar outro.

- Longe ao norte? - Sei l�. Vou me informar.

Chummy!

E todos os males

Que sempre causei

Ai de mim, n�o foram feitos

A ningu�m mais al�m de mim

Ent�o encha para mim

O copo de despedida

Boa noite

E que a alegria esteja Com todos voc�s

Eu... N�o estou acostumada a ficar sozinha.

A dormir sozinha.

Bem, isso...

A gente se acostuma, eu imagino.

Minha vida inteira eu dormi em dormit�rios ou...

ou em quartos compartilhados.

Esta noite, pela primeira vez na minha vida, estou livre

e me sinto incapaz.

N�o, mas...

Por qu�...

O que houve...

Por que passou sua vida l�?

N�o, desculpe.

Voc� n�o...

Eles tiraram a minha vida.

� dif�cil fazer isso. E fede!

Voc� gosta de fazer isso?

No in�cio, o Ted queria fazer isso para seus quadros.

�. Com seus pinc�is de pelo e telas de linho...

E a bebida, Tom...

Isso eu n�o entendo.

N�o entendo como pessoas inteligentes

e com a cabe�a no lugar

passem a vida fumando isso, s� para ficarem malucas.

Eu acho isso uma estupidez.

Vem c�.

Gostaria de se lavar?

� assim. Voc� pega a areia e esfrega.

N�o se preocupe. Vou sair da �gua. N�o vou olhar.

- Tenho medo da �gua. - N�o � fundo aqui.

Vamos l�.

- Um pequeno mexilh�o. - Era um mexilh�o.

Lamento.

Eu entendo.

Eu praticava rituais.

Fingia ver o futuro das pessoas.

Imitava a voz de um ser superior

que falava atrav�s de mim.

De tanto fingir ser vidente acabei acreditando.

Minha m�e me levou ao m�dico.

Ela disse que eu tinha uma imagina��o f�rtil.

� verdade que eu gostava de desafiar as regras.

Meu pai tinha certeza que eu estava possu�da pelo dem�nio.

Eles me internaram quando eu tinha 16 anos.

Quando cheguei l�, entrei em p�nico.

Tive crises. Eu batia e mordia.

N�o conseguia falar direito.

Estava perdendo a raz�o.

Depois houve choques el�tricos...

e rem�dios fortes.

Comas.

Por milagre, escapei da lobotomia.

N�o tenho crises h� muito tempo.

S� uma sensa��o...

de vazio.

Tudo o que me restou � o vazio...

Bem aqui... no meu ventre.

Malditos rem�dios!

Charlie � seu nome verdadeiro?

Agora, �.

Marie Desneige combina com voc�.

Uma vez eu me perdi Mas agora me encontrei

Eu estava cego Mas agora eu enxergo

Olhe!

No inverno, as lebres fazem sempre o mesmo caminho,

para n�o afundarem na neve.

Seguimos suas pegadas para encontrar as tocas.

A� n�s jogamos uma bombinha na toca, e bum!

Ensopado de coelho expresso!

- Ensopado? - Tostado!

- O que temos aqui? - Bingo!

Voc� encontrou algo, meu Chummy!

Ah, sim. Esse � bom.

Ah, sim.

Toque.

Veja o rabinho.

O rabinho.

- Macio, n�o? - Sim.

Meu velho, n�o aguento mais isso!

Precisamos mant�-la ocupada. Distra�-la.

�.

Tenho um especial na minha reserva, Charlie.

- N�o. - Tenho sede. N�o aguento mais!

Tom, a regra.

Azar a regra! Fui eu quem a fez.

� o meu corpo, enfim, o que sobrou dele.

- Ent�o, me deixe sossegado! - N�o, voc� quis a regra!

Estou mudando a regra. Entendeu?

Tom, o homem, est� mudando a regra!

Est� decidido.

N�o vim para a floresta

para obedecer um sobrevivente de c�ncer,

ou uma maluca que fugiu do hosp�cio.

Aja como um idiota se quiser, mas ela nunca fez nada para voc�!

Como um p�ssaro

Num arame

Como um b�bado Num coro da meia-noite

Eu tentei � minha maneira

Ser livre

Como uma minhoca num anzol

Como um cavaleiro De algum livro antigo

Eu guardei

Todas as minhas fitas Para voc�

Se eu

Se eu tiver sido indelicado

Espero que voc�

Deixe isso para l�

Se eu

Se eu tiver sido falso

Espero que voc� saiba

Que nunca fui para voc�

Ou como um beb�

Nem um chifre como uma fera

Com seu chifre

Eu despedacei todos

Come�ando por mim

Vem c�, Drink.

Vem c�.

Merda! Sou um homem.

Merda, sou um homem.

� como me sentirei Pelo resto de nossas vidas?

Algo n�o est� bem Mas voc� n�o liga

Mude de assunto At� voc� se interessar

Eu te amo, eu n�o te amo Eu te amo, n�o sei

LIMPAR O QUARTO POR FAVOR

Ange-Aim�e?

Seu penteado � como o da Ange-Aim�e.

Quem � Ange-Aim�e?

Ela era a rainha da nossa ala.

Todos a respeitavam. Eu era camareira dela.

- Camareira? - Sim. Eu fazia servi�os para ela.

Fazia a cama, costurava as roupas

e, em troca, ela me protegia.

Ela se balan�ava por muito tempo,

segurando um beb� invis�vel.

Eu tamb�m balancei por muito tempo

o beb� que ela tinha perdido.

� o ateli� do Ted. Ele gostava de pintar.

- Ted Boychuck? - Sim.

- A senhora o conheceu? - N�o.

� inacredit�vel.

A floresta... A floresta est� em toda parte.

Parece um mundo que se dissolve.

Tem seis, talvez mais dentro da casa.

Qual casa?

Talvez os pontos vermelhos n�o sejam chamas, mas...

os mortos.

Os mortos?

O ponto rosa � um beb�, um olho nos bra�os da m�e.

Um bebezinho.

Est�o todos mortos.

Como eu, um beb�.

Como a senhora?

Como sabe disso tudo? Algu�m lhe contou a hist�ria dele?

N�o precisa me tratar de senhora.

De onde eu venho, aprendi a observar as pessoas.

As coisas que diziam, que contavam, aquilo que pensavam.

A fam�lia inteira dele morreu num por�o. Voc� sabia?

�Querida Margie...�

Ted escreveu esta carta � Margie.

��s vezes, com frequ�ncia, constantemente,

tenho a impress�o que minha alma

� perfurada, atravessada, pela escurid�o.

Talvez eu esteja assombrado, ou s� sombrio.

Assombrado e sombrio.

E voc� est� a�, t�o luminosa.

Essa luz que me atrai, me inspira, me transporta.

Mas essas paredes, esta incapacidade de escolher

que me ret�m como um destino sinistro,

escolher � parar e tenho medo de parar.

Se paro, deverei confrontar o vazio dentro de mim.�

Estou no impasse da solid�o.

Ap�s todo esse tempo, deixar esse estado,

reaparecer, reemergir,

me exigiria ter mais explica��es a voc�, � sua irm�

e a mim mesmo, que ficar aqui.

Estou sozinho,

e � inteiramente injusto da minha parte.

Porque voc� est� a�, me esperando.

Ent�o eu devia escrever a voc�s duas,

para dizer que estou sozinho

e que n�o podia ser diferente.

Se escolhi ser sozinho um dia h� muito tempo, para n�o sofrer,

hoje, n�o faria mais essa escolha.

Mas � tarde demais.

Ao menos nesta solid�o,

consigo amar voc�s duas, sem escolher.

A� est� o que me restou.

Nosso chal�.

A �gua est� boa! Venha!

Eu nunca aprendi a nadar.

Eu te ensino.

Vai afundar, com essa roupa.

- Tudo bem? - Sim.

- Viu? Est� quente. - Sim.

- Est� quente. - Sim.

- � macio nos p�s. Como musgo. - Sim.

- � bom! - �.

Sim, muito bom.

- Continue. - Certo.

- Solte-se. - N�o quero.

Vamos.

Solte-se, tudo bem?

- Sim, tudo bem. - Muito bem.

Isto � liberdade.

Estenda as pernas.

Isso! Como uma verdadeira r�.

� preciso dizer.

Isso mesmo. Sentir-se livre.

- N�o, n�o. - Bata os p�s. Vai!

Mexa as pernas. Isso, isso, assim!

Eu era casado, tive dois filhos.

Trabalhava no correio. Uma vida decente.

Mas assim que podia eu fugia para as cabanas.

Gostava de ficar s� na floresta.

Regras e compromissos, sempre odiei.

Sempre ficou claro que ao aposentar iria para a floresta.

E a�, fiquei doente.

O m�dico encontrou uma met�stase.

Prop�s uma quimioterapia.

Mas hospitais, tratamentos...

Eu n�o aguentaria.

Ent�o arrumei meus neg�cios, o banco, o tabeli�o,

e fugi para a floresta.

Eu me senti p�ssimo em fazer isso � minha fam�lia, � minha esposa...

mas foi como se... dane-se eu.

Como um... Como um animal.

Parece que n�o ficaram surpresos

que era melhor eu me esconder para morrer.

Faz 15 anos. E n�o estou morto.

Com o tempo, disse a mim mesmo

que haviam me dado uma segunda vida

e que eu a viveria do jeito que queria.

E agora?

A sua vida...

� a que voc� queria?

Acho que sim.

Sim.

N�o �, Chummy?

E a�, Drink?

- Vim consertar seu p�er. - Ah, �? Est� bem.

N�o � andando por aqui que vai encontrar uma esposa.

A vida � curta, Steve.

- Precisa sair um pouco. - Ah, �?

Mija em cima do banheiro, �?

Claro!

N�o � nada.

Pensei que tiv�ssemos um trato!

Que � isso? Vai me atacar com um p�-de-cabra?

O que faz aqui? Largue isso! A casa n�o � sua.

- N�o � mais casa de algu�m. - Mas � do Ted.

�, mas o Ted est� morto. N�o sente mais nada, n�o enxerga.

E os quadros dele s�o espl�ndidos.

Veja esse.

Voc� � realmente irritante.

E bisbilhoteira.

Quando eu era pequeno,

estava convencido que os quebequenses

e os outros americanos mor�vamos no topo da Terra

e os chineses e os japoneses ficavam de ponta cabe�a.

Mas n�o viviam assim, pois tinham botas magn�ticas,

ou algo que permitia que eles andassem nas ruas.

- Os que n�o tinham botas, caiam. - �.

Caiam aqui, na Am�rica, em restaurantes chineses.

� isso que eu pensava.

E me perguntava como seria andar de ponta cabe�a.

Podemos tentar juntos, se voc� quiser.

Acha que aceitariam dois esp�cimes como n�s?

Ei! Charlie!

Eu consertei o p�er! Sim, senhor!

Veja o Charlie. Ele vai surtar. J� est� grunhindo.

Tem mais gente aqui que no seu hotel.

� por isso que ele foi ao chal� dele

do outro lado do lago.

Agora voc� pode se esticar.

Tirar um cochilo.

Ler um livro tomando um ch�. Relaxar.

- Obrigada! - E esticar as pernas.

- O Ted gostava de comida chinesa? - Sim.

Comida chinesa nos deixa nost�lgicos.

- Ela � sua namorada? - N�o.

Ent�o o que faz aqui?

Me interesso pela hist�ria do Boychuck.

E os quadros no ateli� dele s�o muito bonitos.

Por que est� interessada nele?

E como fez para entrar l�?

- Temos que expor o trabalho dele. - N�o.

Venha me ajudar, Einstein!

Calma.

Traga algumas t�buas.

- O que vai fazer com elas? - Cobrir as janelas.

- S�o espl�ndidos. - N�o me fa�a rir.

Pinturas todas iguais com rabiscos da cor de coc� de ganso?

� isso que faz?

Resolveu roubar coisinhas da vida dos mortos?

Os quadros est�o aqui.

Eles existem. N�o vamos deix�-los apodrecer.

Voc� n�o deveria p�r os p�s na cabana dele.

Ningu�m veio aqui. Nem eu, nem o Charlie!

Ted queria que os quadros apodrecessem!

Ele fez esses quadros porque tinha algo a dizer, a expressar.

A compartilhar. Eu no lugar dele...

Se ele tivesse algo a dizer,

teria feito mais do que rabiscos escuros.

Por que acha que ele arranjou a melhor tinta

e se deu ao trabalho de pintar no linho?

J� tentou descobrir por que ele era t�o sombrio?

Ele n�o estava aqui para responder perguntas.

Todo o passado e o sofrimento dele est�o aqui.

Exatamente! Por que mostrar ao mundo?

Ningu�m te ensinou a ter respeito?

Ele passou 20 anos se descabelando

para dar sentido a essas manchas de cor.

Certamente, tinha muito a dizer.

Demais para ser dito em palavras.

Por que voc� se importa tanto? N�o entende?

N�o existimos para mais ningu�m. Ent�o d� o fora!

Caramba, Tom! Tenha calma!

Voc� n�o passa de um velho alco�lico.

- Tudo bem? - Sim.

Polson...

As g�meas Polson.

Ted e uma Polson?

O Ted exagerou. O cabelo dela n�o era t�o comprido, mas...

O amarelo representa o amor.

Essa mulher est� apaixonada.

Essa jovem, quer levar o Ted ao mundo.

Ele escolheu viver aqui no esconderijo dele.

N�o queria voltar ao mundo. Nem eu, nem ele, nem Tom.

Talvez ele n�o soubesse como.

Vou p�r lenha no fogo.

Estamos bem, aqui.

� verdade que estamos bem, aqui.

Voc� me fez saber mais sobre o Ted

do que todos os anos que passei com ele na floresta.

O Ted nunca falou de sua vida amorosa.

De onde eu venho, quando o sofrimento

� grande demais para algu�m,

quando � preciso reviver imagens de horror na cabe�a,

n�o sobra espa�o para nada.

Talvez o Ted n�o fosse mais capaz de amar.

�Faz tempo que n�o tenho not�cias suas.

Minhas cartas anteriores ficaram sem resposta.

Fiquei preocupada com sua sa�de, com sua vida.

Minha irm� soube que voc� estava vivendo no norte,

na paisagem que voc� ama tanto.

Querido Ted, a vida aqui continua. As crian�as est�o crescendo.

- Entretanto, - Entretanto,

- sinto um vazio, - sinto um vazio,

- um vazio pesado que ressinto. - um vazio pesado que ressinto.

A vida passa, mas � voc� que eu espero,

e esperarei sempre.

Seu anjo, Angie Polson.�

Voc� sabe de cor?

Quando jovem, eu trabalhava no correio.

Muitos tinham contrato tempor�rio. Mudavam-se com frequ�ncia.

A correspond�ncia voltava.

A�...

comecei a ler algumas escondido.

Eu devolvia, se encontrava o endere�o.

A�, encontrei por acaso a correspond�ncia de Ted Boychuck

com as irm�s Polson.

�Theodore Boychuck, caixa postal.� Est� escrito no envelope.

Fiquei fascinada pela hist�ria deles,

pelo amor imposs�vel.

A�, Ted Boychuck desapareceu. As cartas pararam.

Mais tarde, para os arquivos,

o museu herdou a correspond�ncia

dos desaparecidos no Grande Inc�ndio dessa �poca.

- Quantos quadros voc� recuperou? - Muitos.

� preciso salv�-los e exp�-los.

Quem se interessaria por quadros de um ermit�o desconhecido?

N�s.

Est�o mais perto que o normal.

Ora, nem tanto assim.

Devem estar evacuando a �rea. � melhor n�s irmos.

N�o, vai chover. Ficaremos bem.

Isso se chama sorte de iniciante!

N�o, continue! Voc� consegue! Segure firme.

- Assim? Est� puxando! - Traga-o!

� isso a�! �timo!

- Meu primeiro peixe! - Voc� conseguiu!

� um belo fil�!

� pequeno, mas me deu apetite.

D� para sujar uns dentes.

Vamos, bata as pernas. Bata as pernas.

Isso, continue.

Isso mesmo! Continue.

De novo!

Vamos l�.

Quer um ch�? O ch� de ervas do Steve?

A sua m�o.

- A sua m�o! - O qu�?

� a� que d�i?

Quando cantarmos O tempo das cerejeiras

O rouxinol alegre O melro do meu cora��o

Estar�o todos festejando

As lindas mo�as Ter�o a folia em mente

Que os amantes Com Sol no cora��o

Quando cantarmos O tempo das cerejeiras

Estar� bem mais satisfeito O melro do meu cora��o

A�.

Era o final de ver�o

Mas o sol estava pesado

Sobre nossos corpos febris Apressados em se ocupar

Acontece que sou respons�vel por um hotel.

Enquanto n�o avisarem para evacuar, eu fico de olho.

Eles n�o os deixar�o na floresta.

Os guardas florestais passam em todos os campos de ca�a.

Sabe, n�o existimos para ningu�m.

De helic�ptero n�o � dif�cil ver sua planta��o de maconha.

- O que foi? - N�o � nada.

Mike � um bom cliente. Ele n�o diria nada.

N�o diria? At� parece.

Vai ficar tudo bem. Ir embora para onde?

Fica tentado a dormir em outro lugar?

J� ralei em muitas privadas da vida, meu velho.

J� ralei numa por��o de cidades, plan�cies e tamb�m,

tive minha cota de mulheres.

Mas agora, meu corpo est� como uma minera��o velha, esburacado.

Tom, o homem, est� cansado.

Voc� j� esteve do outro lado, na �sia?

L� encontrei mulheres bastante lindas.

E eu nunca sa� daqui,

exceto quando fui estudar biologia em Quebec.

E o que est� esperando, Steve?

O que est� fazendo na floresta, com um diploma universit�rio?

E eu te vi Havia sangue nos seus ombros

Voc� andava devagar Na Gallaway Road

Sinto falta disso.

- Das mulheres? - N�o!

De cantar. Fazer um show.

A adrenalina, a audi�ncia.

Mas como pode ver, essa vida a� quase me matou.

Devia dizer � garota para n�o ficar presa �s grades.

Para n�o se tornar um Tom.

O dinheiro esperto Est� no Harlow

E a Lua est� na rua

E os pivetes Est�o quebrando todas as leis

E voc� est� Ao Leste de St. Louis

E o vento Est� fazendo discursos

E a chuva soa Como uma salva de palmas

Napole�o est� chorando No sal�o de carnaval

Sua noiva invis�vel Est� no espelho

E a banda est� indo para casa

Chovem martelos Chovem pregos

E � verdade Nada deixaram para ele aqui

Aqui embaixo

Mas � o tempo, tempo, tempo

� o tempo, tempo, tempo

� o tempo, tempo, tempo Que voc� ama

� o tempo, tempo, tempo

E todos eles fingem Serem �rf�os

E suas mem�rias S�o como um trem

D� para v�-las diminuindo � medida que se afastam

E as coisas Que voc� n�o consegue lembrar

Dizem coisas Que n�o pode esquecer

Esta hist�ria p�e Um santo em cada sonho

Ela disse Que ficaria por aqui

At� as ataduras ca�rem

Mas esses filhinhos de mam�e Apenas n�o sabem quando parar

E Matilda pede pelos marinheiros Naqueles sonhos

Naquelas preces

Ent�o feche os olhos, filho Que isso n�o vai doer nada

Mas � o tempo, tempo, tempo

� o tempo, tempo, tempo

� o tempo, tempo, tempo Que voc� ama

Mas � o tempo, tempo, tempo

Isso � por causa do beb�.

Voc� teve um filho?

- Menino ou menina? - N�o sei. N�o me disseram.

Teve outros depois?

N�o. Com a cesariana, tamb�m fizeram a opera��o grande.

Eu nunca experimentei isso.

Car�cias, beijos...

E na primeira vez?

Houve outra coisa, mas foi...

mas sempre foi muito r�pido.

Numa escadaria, atr�s de uma porta,

atr�s de uma sebe, com a saia levantada,

com outro residente ou um auxiliar, dependendo.

Mas n�o significava nada.

N�o estou me queixando.

Eu sempre gostei do �bidiwiwi�.

- �Bidiwiwi?� - N�o conhec�amos outro nome.

Mas nunca fui acariciada. Nunca fui beijada.

- Este foi seu primeiro beijo? - Sim, foi meu primeiro beijo.

E � bem melhor que tudo que eu havia imaginado!

Eu te darei todos os beijos que quiser.

Todos que nunca teve.

Milh�es de beijos.

Pensei que nunca mais beijaria uma mulher no resto da minha vida.

Al�m disso, uma mulher bonita.

O...

O frasco de cianeto...

foi ideia de quem?

Minha.

Quando fiquei doente e escolhi esta vida...

tamb�m quis escolher a minha morte.

Tom e Ted concordavam com isso.

Se pod�amos decidir sobre nossa vida,

pod�amos decidir sobre o momento de nossa morte,

se as coisas n�o sa�ssem como quer�amos.

Gostaria que viv�ssemos por muito tempo.

Vamos viver por muito tempo.

Esta � a minha primeira vida.

E dou valor a ela.

Enquanto n�s dois estivermos vivos...

n�o tocaremos no frasco, est� bem?

Eu prometo.

Contanto que continuemos a escolher nossa vida,

pouco importa o quanto viveremos.

O que mais voc� quer?

Gostaria de ver um carro passar de vez em quando.

Certo, Tom. Cuidaremos de tudo.

Sim. Cuide-se, amigo.

- Claro. - Voc� tamb�m.

Ol�, Drink!

A pol�cia e a guarda florestal est�o rondando.

Falaram com o Mike no bar, ontem.

Est�o alertando que o fogo se aproxima.

�?

Quanto falta para chegar aqui? Quantos quil�metros?

N�o sei exatamente, mas h� uma dezena de quil�metros.

O problema � que come�a em toda parte ao mesmo tempo.

Sim.

Mas se a pol�cia e a guarda florestal vierem aqui,

v�o ficar contentes em nos p�r na manchete do jornal.

Dois velhos, sequestradores, maconheiros,

um alco�lico acabado e um ressuscitado.

E n�o confio naquele barman. Ele � suspeito.

O que tem ele?

Ele � cliente do Steve. E fala demais.

- Oi. - Oi, Jeff!

O que houve?

A coisa n�o est� boa. O fogo est� ganhando terreno.

Recomendamos aos residentes tomarem medidas de preven��o.

Soubemos que voc� conhece pessoas que vivem na floresta.

Bem, n�o sei.

Tem muita gente na floresta por aqui.

Conhece Tom Aylwin?

Conhe�o um pouco. Ele � um lobo solit�rio.

O Servi�o Social o procura h� anos.

Ele est� envolvido em sua planta��o de canabis?

Como?

Temos fontes que confirmaram

que voc�s plantam e vendem canabis ilegalmente.

Eu j� tenho emprego. Sou s� gerente aqui.

Eu entendo. Tudo bem.

� s� colaborar e n�o haver� problema.

Tome. Vai lhe fazer bem.

N�o conseguirei suportar outro inverno.

No ano passado, tive pneumonia. Fiquei dois meses na cama.

N�o conseguirei mais.

Pois �...

Drink! Vem c�, meu cachorro! Vem!

Vem.

Vem! Vem!

Voc� n�o deveria fazer isso no mesmo...

J� decidi, Charlie.

J� decidi.

N�o esque�a,

uma pitada para voc�

e duas para o cachorro, sen�o...

N�o se preocupe. Eu tenho classe.

Especialmente na frente de uma dama.

�... Certo.

Coma.

Bons sonhos.

Bons sonhos.

Adeus, pombinhos!

Steve?

COMBINAMOS VER UM FILME. RAF.

�Estava chovendo p�ssaros.�

ESTAVA CHOVENDO P�SSAROS

TED BOYCHUCK - PINTOR RAFA�LLE MARTINEZ - FOT�GRAFA

Chummy! Foi colher cerejas?

Vamos fazer uma geleia?

Aguarde, n�o terminou...

Cantarei mais uma para levarem no caminho.

Esta � para o Ted e o Charlie, certo?

Quando voc� morrer De nossos amores

Irei plantar no jardim

Uma flor que floresce Bem cedo de manh�

Metade metal, metade papel

Para ferir um pouco meu p�

Morra de me morte bem suave

Para uma flor crescer

Quando voc� morrer De nossos amores

Eu escreverei dois livros Muito belos

Que nos servir�o De sepultura

E ali repousarei Na minha vez

Pois morrerei no mesmo dia

Morra de morte bem suave

Esperando por eles

Quando voc� morrer De nossos amores

Irei me pendurar com a chave

No gancho Das felicidades estragadas

E os caminhos Conquistados por n�s

Ningu�m jamais saber� Por quem

Morra de uma morte requintada

Eu que o diga

Quando voc� morrer De nossos amores

De mim restar� muito pouco

N�o se pergunte o porqu�

Nas mentiras que se seguiriam

N�s n�o ser�amos Nem bonitos, nem verdadeiros

Morra de uma morte Bem viva

Que eu sigo voc�

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