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Irm� Bel�m.
Estava te esperando.
A zeladora pediu para te avisar.
Para n�o procurar Aurora.
Nem se aproximar dali.
Onde est�?
Em sua cela, com vigil�ncia.
Obrigada, madre.
Tenho que ir.
Por favor. Sim, irm�.
Aurora.
Por que fez isso?
Me mostre as m�os.
Vamos, deixa-me ver.
N�o foi nada.
O medico acaba de cur�-la.
Eu a ensinaria.
Quer nos deixar a s�s.
Estarei l� fora.
N�o deveria ficar sozinha com ela.
� uma fera.
Por que me solta?
N�o ouviu que sou uma fera?
Ainda n�o me respondeu.
Por que quis se matar?
E me pergunta?
la fugir no caminh�o da lavanderia.
Meu noivo dirigia.
Voc� sabe quem nos denunciou, n�o?
N�o, n�o sei.
Mas conhece meu noivo.
Quando vinha, voc� n�o tirava os olhos de n�s.
N�o era seu irm�o?
Era meu noivo, e voc� sabe muito bem.
� bonita, n�o?
Isso ele falava de voc�.
Para que saiba.
N�o interessa o que possa dizer.
Nem ele nem ningu�m.
Ent�o para que veio aqui?
Para que prometa.
Que n�o vai cometer a loucura de cortar os pulsos.
Loucura? Pode ser.
Dia e noite com a luz acesa.
Olhando essas paredes.
Onde outras desgra�adas como eu.
Colocaram seus nomes com as unhas.
Esses.
Seus nomes?
Sim, esses.
Todas pensaram o mesmo que eu.
E quem sabe se n�o houve alguma que conseguiu.
Nenhuma.
Gra�as a Deus.
E voc� n�o voltar� a tentar.
Amanha.
� aniversario de nossa madre superiora.
Pedirei ao diretor.
Que deixe voc� ensaiar conosco.
Precisam de mim para cantar algo.
E por que voc� n�o canta?
Voc� canta muito bem.
N�o canto.
Se canto no coro.
� porque mandam.
E fiz voto de obedi�ncia.
Claro.
Dizem que se te deixam falar.
Sempre tem raz�o.
Quem disse isso?
Meu noivo.
E disse outras coisas.
N�o vou contar.
N�o precisa.
Talvez te disseram.
Essa freira tem historia.
Se eu a conhecesse.
Antes de se chamar Sor Bel�m.
N�o � isso?
Sim.
E que te viu muitas vezes.
Quando voc� era... Uma mulher diferente.
N�o mentiu.
Quando eu procurava minha liberdade.
Como voc� procura a sua.
E sabe?
A liberdade est� s�.
Na paz da alma.
Voc� tem?
N�o.
Porque ainda n�o saldou sua divida.
Pode me entender?
N�o sei, irm�.
Mas acredito em voc�.
Eu fui uma mulher como voc�.
Tamb�m escrevi meu nome.
Na parede da cela.
Me chamava Magda.
Magda Beltran.
Teve uma boa id�ia.
Decorar isso.
Ao estilo de la belle epoque.
N�o falha.
Os velhos se sentem rejuvenescidos nesse ambiente.
Tamb�m vem gente jovem?
Sim, mas a conta sempre pagam os velhos.
Temos que reconhecer.
Que as pessoas n�o vem s� pela decora��o.
Magda os cativa.
Que poderia dizer quando a conheceu que chegaria a isso.
Claro que a conheci, porque tinha que chegar a isso.
Por que n�o fala?
O que est� pensando?
Que n�o devia estar aqui.
Sabe que n�o gosto que venha ao camarim.
Ent�o atende o telefone, quando ligo para sua casa.
Olhe Angel.
� um bom rapaz.
N�o quero me zangar com voc�.
Se n�o atendo � porque tenho minhas raz�es.
Uma raz�o.
Uma s� que tenha nome pr�prio.
Que usa smoking de vez em quando.
E nariz, at� que eu quebre.
� um covarde.
Terei oportunidade de dizer.
Covarde, por que cuida de mim?
N�o sabe que sou como uma l�mpada.
De seu estabelecimento?
Como um enfeite mais.
Precisa de mim.
Para se enriquecer contigo.
Agora, pode ir.
Mas quando me encontrou cantando em...
Bom.
Onde fosse.
Eu n�o era nada.
Se tem uma divida com ele, eu pago e pronto.
Por que e com que?
Voc� n�o tem idade.
Nem dinheiro para pagar nada.
E n�o se zangue. Sen�o vai adoecer.
Essa doen�a, curar� com o tempo.
N�o zombe de mim.
N�o fale desse modo.
Nem me d� conselhos.
Ent�o.
Por que faz essas cenas, t�o absurdas?
Por que?
Por que? Voc� sabe muito bem.
Porque te amo.
Se hoje telefonei varias vezes.
� porque tomei uma decis�o.
E posso saber qual �?
Se refere ao seu futuro e ao meu.
N�o quero que dependa de ningu�m.
N�o est� pensando...
...se casar comigo?
Acha absurdo, n�o?
Mas j� decidi.
Serio?
J� falei para meu pai.
Deve ter ficado muito contente.
N�o me importa.
J� sou maior de idade.
E sua noiva?
Me falou que tem uma noiva.
N�o a vi desde que te conheci.
E do que vamos viver?
De ar?
Se engana como sempre.
Tenho dinheiro.
N�o acredita?
Lembra aquele bracelete que voc� gostava?
O de brilhantes e esmeraldas?
Da rua Vel�squez?
Sim.
N�o se incomode.
Por que?
Porque Gerardo vai me dar no dia de meu aniversario.
Ser� outro.
Aquele comprei essa tarde.
Amanha eu te dou.
N�o quero.
De voc� n�o quero nada.
Porque n�o tenho nada para te dar.
Entende?
Magda.
Magda, o �nico que entendo � que...
...que estou louco por voc�.
E quer me dar um presente?
Sim.
A chave de minha casa.
Te dei um dia para que soubesse que vivia s�
N�o sou o �nico que tem.
Por isso me devolva.
Sim, j� vou.
Pedi, algo.
Amanha te mando tudo.
Tudo n�o.
Dos dois presentes.
O que vale menos.
N�o quero me obrigar a nada.
Devia ter acreditado quando me disseram.
Que era uma mulher sem sentimentos.
Dizem isso?
Todos os que te conhecem.
E muito mais, quer saber?
N�o sou curiosa.
Angel.
Angel, viu?
Nem sei seu sobrenome.
Nunca me perguntou.
Me chamo.. N�o me diga.
N�o tem mais import�ncia.
Tocou muito r�pido.
Mais um pouco e me perco.
O que quer?
Sou o �nico homem que n�o te segue.
Quando vai falar serio?
O dia que cante mal.
Vamos, vai.
E essa mesa vazia?
Est� reservada, senhor.
N�o quero reservas a essa hora.
Tem gente esperando no bar.
Reservou o Sr Benevides.
Est� bem.
Temos autoridades.
Conhece ele?
Tive a honra de que tentasse fechar tr�s vezes esse lugar.
Ent�o?
Deve ser piada de mal gosto.
Vou autorizar ocuparem essa mesa.
Tarde.
A piada est� sentando.
Sente-se por favor.
N�o obrigada.
Prefiro tomar ar at� meu pr�ximo numero.
Estou aqui desde as 10.
E o publico desde as 9:30.
Sente-se.
Obrigada, voc� sempre muito gentil.
Veja, esse n�o � Benevides.
J� vi.
Seja quem for.
Prefiro do que o outro.
� Adolfo Vega.
Conhece?
De nome.
Advogado, Conselheiro, governador n�o sei quantas vezes.
N�o gosta dos sal�es de baile.
Fecharia todas.
Acho que essa noite n�o deve cantar.
Est� cansada.
Tem medo que o senhor se escandalize?
De que fechem o local.
Cantarei, Gerardo.
Nem um de n�s � covarde.
Fa�o o que quiser.
Mas que saia antes que entre o bal� sueco.
Vamos ver como se sai.
Parece que n�o gostou como cantei essa noite.
Como sempre cantou muito bem.
Como sempre?
E � a primeira vez que vem aqui?
E o que isso importa?
Sei que o ruissenhor canta bem.
Nunca ouvi nenhum.
N�o quer sentar um pouco?
N�o, obrigada.
Tem medo de mim?
Medo?
Por que n�o aplaudiu?
Porque dedicou a can��o a todos, menos para mim.
Achei que n�o prestava aten��o.
Ao que cantava.
Somente por isso?
Ou talvez esteja esperando algu�m.
Sim, voc�.
Eu?
Mas pode estar comprometida.
Sim, com voc�!
Nesse caso.
Nesse caso.
� melhor irmos embora daqui.
Esse ambiente n�o � bom.
Para mim?
Que disparate, para mim.
Voc� mora aqui? Sim.
Achei que era um apartamento de solteiro.
Sim, quase �.
Esse quase, � uma mulher?
N�o, n�o tem nenhuma mulher.
Hum, solteiro.
Vi�vo?
Mas, ou�a deve ter criadas.
Os criados dormem.
Ent�o?
N�o acha que deveria estar um pouco assustada?
Ningu�m impede.
Meio antiquado.
Largue isso.
Pe�o por favor.
A dona disso, mora nessa casa?
N�o.
Longe daqui?
Quase n�o mora em nenhum lugar.
Voc� � o homem dos "quase".
Se gosta desse casaco.
Posso lev�-lo?
Posso te comprar um igual.
N�o, obrigada.
Gosto dos presentes ao portador.
Espere um pouco.
Abra.
Para mim?
Ao portador e sem recibo.
Esmeraldas.
Curioso.
O que?
Nada, pura coincid�ncia.
Desagrad�vel?
N�o.
Ent�o, aceite.
Em troca de...
...que?
N�o, de nada.
Uma lembran�a do dia em que nos conhec�ssemos.
Ao menos que n�o seja simp�tico para voc�.
Ao contrario.
Pena que...
Muito velho?
Muitos mist�rios.
N�o tem mist�rios.
Pergunte o que quiser.
Deus me livre.
N�o vamos nos fazer nenhuma pergunta.
Porque �amos mentir.
Nesse caso falo sem necessidade de mentir.
Voc� me interessa muito.
Ent�o fora isso.
Do restante n�o se percebe.
� que sou t�mido.
Sim, n�o ria.
� a primeira vez que saio com uma mulher como voc�.
T�o m�?
T�o bonita.
E t�o importante.
Ora, melhoramos.
Se n�o � namorado, pelo menos admirador.
Merece que te ajude.
Que tal um pouco de musica?
Tem raz�o deveria ter colocado.
N�o gosta?
Sim, sim.
Mas, sente-se.
N�o dan�amos?
� muito para um principiante.
E talvez perigoso para voc�.
Por que?
Porque n�o sei dan�ar.
Mas para mim, isso � muito mais perigoso.
T�o perto.
S�s.
E com esse fundo musical.
Com os bra�os desocupados.
Quem garante que n�o quer me abra�ar?
E me beijar?
Agora entendo como uma mulher como voc�.
Pode enlouquecer um homem.
Entrou um carro.
Espera visita?
N�o.
As vezes vem amigos para entreter minha solid�o.
Acha errado?
Acho legal.
Depois um encontro a dois, � muito chato.
Ent�o vamos dan�ar.
Me disse que n�o sabia.
Os cavalheiros tamb�m sabem mentir.
Ol�, n�o te esperava t�o cedo.
Boa noite, papai.
Voc� colocou essa musica?
Entre, n�o fique ao parado.
Quer nos acompanhar?
Tome uma bebida conosco.
Esse � o amigo?
Que vem entreter sua solid�o?
O que faz voc� aqui?
Isso ele dir�.
Trazendo-me aqui.
Preparando a grande cena.
Papai.
Acho que tenho direito a uma explica��o.
Tudo.
Aqui tem a explica��o em pessoa.
Trouxe ela para voc� saber quem �.
Umas palavras.
Uns sorrisos.
Foram suficientes para ela vir comigo.
Como com qualquer um.
N�o permito que fale assim.
E n�o tem direito a se meter na minha vida.
At� certo ponto.
Esta tarde tive uma visita.
Uma visita inesperada.
Pagou uma j�ia, com um cheque.
Que tinha minha assinatura.
Uma falsifica��o sua.
Claro que reconheci a assinatura como minha.
Mas...
Mas o que?
Fala de uma vez.
Quis conhecer melhor.
O motivo que fez voc� descer t�o baixo.
Adoro as brigas familiares.
Se me permitem.
O "motivo" vai embora.
Sinto por voc� senhorita.
Teve uma mal momento.
Mas eu j� paguei.
E agora pode ir embora.
Por muito tempo, e se poss�vel.
Para sempre.
Adeus!
Espere.
Deixa algo.
Ah, sim.
A lembran�a dessa noite.
Que com isso ser� inesquec�vel.
Adeus, Angel.
Pelo menos agora sei seu sobrenome.
Onde vai?
Sobe.
Devia me agradecer.
Por me seguir?
Sabia que n�o ia achar taxi a essa hora.
Bom, obrigada.
O maestro chegou.
Um homem, senhorita, no ch�o.
Na sala.
Com a cara na almofada.
O que est� dizendo?
Isso n�o � poss�vel.
Teve vis�es.
N�o.
Senhorita, n�o.
Ao entrar tropecei em seu corpo.
E n�o se moveu.
Deve estar morto.
Entre.
Com licen�a.
Entre.
Esse rapaz, seu amigo da boate.
Angel?
Sim, quer falar com voc�.
Falar comigo?
Mas n�o est�... B�bado?
J� passou.
Mas te deixou sem conhaque.
Pois eu te digo, agora pouco estava morto.
Um morto estranho.
Que acaba de me pedir um favor.
V� e n�o volte.
Pe�o por favor.
Quero ter de voc� uma boa lembran�a.
E que voc� pense.
N�o agora.
Mas depois de algum tempo.
Que sou um pouco melhor do que te disseram.
Irei sim.
Mas antes vai ter que me ouvir.
Maestro.
Miranda.
Quero falar com voc� sozinho, entende?
Me chamou para repassar os n�meros?
Sabe que as 4 temos ensaio geral.
Sim, eu sei.
Desculpe, quer me dizer algo?
N�o, nada.
O que faz?
Estou lendo.
E o que l�?
Uma carta de um amigo meu, empres�rio em Paris.
Que te conven�a para estrear no Olympia.
Depois dois anos de turn� pela America e oriente.
Com o melhor acompanhante do mundo.
Quem � esse acompanhante?
Eu!
Decida-se.
N�o posso e n�o quero.
Podemos ensaiar seu numero apache?
Quando quiser.
Estou com a roupa por baixo.
Est�o prontos, escolheram a roupa.
Est� muito bem ambientado.
Veremos.
O que � isso, n�o pode ser, n�o pode ser.
Parem, parem.
Quem vestiu voc�s assim?
Desculpe senhor Esquivel.
Pelo amor de Deus, estamos em Paris.
Desculpe, estamos em Madrid.
Est� � uma ordem de fechamento.
Viemos fechar o local.
E suspender sua licen�a.
Onde est� o dono...
Sr Gerardo Esquivel?
Sou eu.
Isso � obra sua.
Eu te avisei.
O Sr ministro est� de acordo.
Te espera em seu escrit�rio amanha de manha.
Est� bem.
Tem algu�m esperando?
Uma senhora quer falar com voc�.
Que espere um pouco.
Est� com pressa.
Nervosa.
� cliente do escrit�rio?
N�o senhor.
E n�o quis dar seu nome.
Diga que volte outro dia.
Estou muito ocupado para atender gente que n�o conhe�o.
Por que n�o diz voc� mesmo?
Se � t�o valente?
Perguntei, por que n�o diz voc� mesmo?
Mas eu pedi... Est� bem, pode deixar.
O que quer senhora?
Fico contente que me chame de senhora.
Porque n�o posso te chamar de senhor.
Aqui s� atendo assuntos profissionais.
Veio me ver como advogado?
Vim dizer que o que fez � uma sacanagem.
Que homens que se vingam em mulheres indefesas.
N�o merecem serem chamados de homens.
Estamos de acordo, n�o?
Por isso n�o me responde.
N�o respondo, porque n�o sei ao que se refere.
N�o?
Se deixei voc� entrar aqui de um modo informal.
� que queria dizer que conhe�o sua atitude.
Com rela��o ao meu filho.
Mais gentil que seu pai.
Certo.
Principalmente agora que voltou para casa.
Para sua vida normal, para sua noiva.
Sei que devo a voc�.
Ora!
E me paga fechando o lugar onde eu trabalho.
Colocando-me no rid�culo.
E tirando o p�o de 30 fam�lias.
Que n�o ser�o t�o distintas como a sua.
Mas que tamb�m tem direito de viver.
Muito obrigada.
Deve estar orgulhoso de sua a��o.
Escute-me.
Seus discursos n�o me interessam.
O que fez foi suficiente.
Vim te dizer, e j� vou embora.
Est� bem.
Como queira.
Saiba que o desprezo profundamente.
E acho.
Que te odeio com toda minha alma.
Embora n�o tenha sido uma consulta.
Usei seu tempo precioso.
E quero pagar.
Como fez uma noite comigo.
Lembra?
Prefiro n�o te dever nada.
Assim posso te odiar com mais prazer.
Sou Adolfo Vega.
O secretario, por favor.
Ah, � voc�.
N�o tinha te conhecido.
Verdade que fecharam o Molino de los 20.
Por qual motivo?
Impostos sem pagar.
Devem muito?
Tudo isso?
Sim, sei que � grave.
N�o podia dar um jeito?
� muito bonita.
Sim, tamb�m acho.
Isso eu posso dizer, mas voc� n�o.
Levou o isqueiro.
Por favor, fiquei quieta.
Muito obrigada.
Que vergonha!
A culpa � sua, n�o dever�amos vir.
Tem raz�o, vamos.
Voc� aqui?
Queria v�-la.
E por que n�o na sala?
� curioso.
Na noite que te conheci estava l� fora.
E Angel onde voc� est� agora.
Costumo arrombar as portas.
Disseram para esperar aqui.
Claro!
Para que n�o te vejam.
Freq�entando esses lugares.
Que voc� faz fechar e abrir.
Como se abre e fecha os olhos.
� uma das coisas que queria te falar.
N�o tive nada a ver nesse episodio desagrad�vel.
Pelo menos n�o se expos.
E depois.
Interv�m generosamente.
Para que pud�ssemos continuar.
Ganhando a vida.
Veio cobrar o favor?
N�o, quero falar com voc�.
Me d� pena ver como se esfor�a.
Para aparecer o que n�o �.
Acredite, agrade�o muito.
Tenho que me trocar para o pr�ximo numero.
E se insiste em ficar aqui.
Corre o perigo de me ver.
Tal como sou.
Por favor.
Sim.
Embora tenha um isqueiro que n�o � seu.
Ent�o estava vendo o espet�culo.
Pelo jeito trouxe toda a fam�lia para aplaudir Magda Beltran.
Ou para zombar dela.
Voc� � melhor cantora que atriz.
Porque n�o acredito.
Ent�o, se � assim.
Saia daqui.
Pe�o por favor.
Disse que quero falar com voc�.
Est� bem.
Mas aqui n�o.
Esperarei voc�.
N�o, quando acabar.
V� ao bairro dos Traperos.
E pergunte pela escola de Dami�o
A essa hora? Uma escola?
Essa est� sempre aberta.
E no bairro dos Traperos.
Sim.
L� as pessoas v�o procurar.
O que se perde no lixo.
E voc�s perderam um isqueiro.
O encontraremos, se for.
Vamos, vai dormir, n�o tem ningu�m para te ouvir.
O que deseja?
Caf�. N�o temos caf�.
Ent�o anis.
Aviso que j� vamos fechar.
Disseram que era uma escola.
J� foi alguma vez?
N�o, nunca.
Te enganaram.
Que anis quer?
Qualquer um, do que bebe a senhora.
Ouviu? Senhora.
Senhora!
Obrigada, senhor.
Voc� sabe distinguir um verdadeira dama.
Dami�o, serve o senhor.
Outra bebida para a senhora.
Obrigada.
Devemos nos conhecer de algum lugar.
Talvez nos tenhamos visto.
Na R�ssia, Atenas, Viena.
Quando dancei para o Czar.
Ou quando Francisco Jose me pediu.
Que dan�asse com ele a valsa.
Boa noite a todos.
Ol� Magda.
Ol� Dami�o.
Demorei muito?
N�o encontrava um taxi que quisesse vir at� aqui.
N�o te esper�vamos.
Nunca vem de noite.
Mas hoje sim.
Tenho um encontro.
Se veio por noticias de...
Est� bem, muito bem.
� Magda?
Sim, sim Bella, sou eu.
Bella, foi a melhor artista do mundo.
Sim, j� se apresentou.
E a que tem as j�ias mais lindas.
Esse diadema � a do Czar?
N�o, a do Kaiser.
E n�o venderia para mim?
N�o, n�o tem dinheiro para comprar.
Voc� acha?
Eu acho que sim, olha.
� suficiente?
Sim.
Tome.
Dami�o.
Dami�o.
Estou rica.
Volto a ser rica.
Comida para todos.
Ouviram?
Eu tamb�m convido para outra rodada.
J� era hora.
Parecia que tinha esquecido de n�s.
Embora sejamos pouco para voc�.
Queremos que lembre de n�s.
N�s te descobrimos.
Cantava toda noite aqui.
At� acontecer aquilo.
Quieto, b�bado.
Quer ir embora?
N�o.
Tem raz�o.
E voc� tamb�m.
E todos que me olham como se fosse uma estranha.
� verdade.
Faz tempo que n�o canto para voc�s.
Toca flor del mal.
Ambiente estranho, n�o?
Principalmente para voc�.
Muito interessante.
N�o esperava encontrar isso.
Voc� disse que era uma escola.
Acha que tive outra?
Aqui foi onde aprendi a viver.
Aqui cantava.
E aqui conheci o dono do Molino.
Por isso quis que conhecesse isso.
Para que pudesse entender.
Muitas coisas.
Entendo muito bem.
Tanto que...
Eu queria...
N�o sei como dizer.
Para que n�o leva a mal.
ajud�-la.
Salvar uma pobre mulher perdida.
N�o � isso?
E por que acha que preciso ajuda?
Ganho bem.
Tenho fama.
Voc� est� s�.
Completamente s�.
Se engana.
Mais uma vez.
N�o me engano.
Por quem voc� trabalha?
Por quem se sacrifica?
Est� amanhecendo.
Ser� bom dar um passeio.
Vamos.
Como quiser.
Muito obrigado, senhor.
Antes.
Antes eu andava por aqui.
Por isso agora me conformo com o que tenho.
Tem direito a algo melhor.
Pode contar comigo, sem interesse.
Caridade?
N�o, estamos acostumados nesse bairro.
Ver senhores que descem de seus carros.
E d�o esmolas.
Eu preferi, e prefiro trabalhar.
Para que e para quem?
Vamos entrar nessa casa.
Quem mora aqui?
Entra.
Quem �?
Sou eu, Magda.
Magda.
Ol� Ros�lia.
A essas horas aqui?
Aconteceu algo?
N�o, queria fazer uma surpresa.
Colocou cortinas.
E n�o colocamos o rel�gio que mandou.
Porque o senhor disse para n�o por.
Por que?
Disse que n�o dev�amos acostum�-la ao luxo.
A casa est� muito bonita.
O senhor tamb�m?
Sim tamb�m.
Quer que acorde ela?
N�o, deixa ela dormir.
Agora sabe o que queria saber.
Por quem vivo.
E por quem trabalho.
Se chama Esperan�a.
L� dentro.
Est� a raz�o de minha vida.
Ama muito ela?
Mais que nada no mundo.
� tudo o que tenho.
E por que n�o mora com ela?
Gerardo disse que prejudicaria minha carreira.
Talvez tenha raz�o.
Mas o que pode te importar tudo o que estou contando?
Se n�o me importasse, n�o estaria aqui.
N�o precisa mentir.
Veio por causa disso.
Tamb�m tem um filho.
Que faz voc� passar as noites em claro.
Obrigado, mas isso.
Mas n�o foi o motivo que me trouxe aqui.
Posso te acompanhar at� Madrid?
N�o.
Quando venho ver minha filha.
Nunca volto acompanhada.
A essa hora n�o ter� como ir.
N�o?
Voc� esquece que sou desse bairro.
Antonito.
Sim.
Me leva at� Madrid?
Claro que levo.
Sobe e me dar� sorte.
Venha, vamos apresse-se.
Vamos, Andr�.
Obrigado, papai.
Deve ter sido dif�cil ela devolver, n�o?
Como sabe?
Chegou tarde em casa.
Sim, bem tarde.
Alo.
Sim.
Me avise quando chegue da faculdade.
Sim, te ou�o.
Pensei que tinha desligado.
Pensei muito.
Em tudo o que disse.
E telefonei porque.
Preciso seu conselho.
Se trata de minha filha Esperan�a.
E de mim.
Ofereci te ajudar e mantenho minha palavra.
Falaremos do que seja necess�rio.
Onde?
Como quiser.
As onze.
� minha folga.
Certo.
Adeus.
Pronto.
Como voc� quis.
Certo.
Outro u�sque?
� o terceiro, � muito.
� pouco.
Para pagar os conselhos que meu deu.
Como me pediu para n�o continuar
N�o posso cobrar.
Por isso faz tempo que est� t�o quieto.
N�o.
Agora s�o dois contra um.
Tiramos a musica, se quiser.
N�o, por favor.
Me deixa ouvir.
Enquanto olho voc�.
Como quiser.
Diga alguma coisa.
Mesmo que seja para me criticar.
Agora � voc� quem n�o fala.
Fiquei sem nenhuma das duas.
� estranho o que sinto com voc�.
Quanto mais te conhe�o.
Mais me intimida.
Me sinto mais longe.
Isso tem alguma explica��o?
Talvez o modo como me conheceu.
T�o suja e t�o injusta.
N�o.
Voc� tinha raz�o.
A culpa foi minha.
Ent�o n�o sei porque me acontece ao contrario.
Conforme vou te conhecendo.
Mais te admiro, mas...
Mas, o que?
Mais gostaria de estar ao seu lado.
Todo o tempo.
Para te acompanhar
Para te aceitar.
� verdade o que est� falando?
N�o sei mentir, Magda.
Voc� acha que...
Realmente.
Eu seja boa.
Sim, apesar de tudo.
Mas, n�o sou.
Para que veja como se enganam os homens.
Principalmente os que acham que sabem tudo.
N�o sou boa, n�o sou.
Por que isso?
N�o deve se atormentar assim.
O que est� dizendo?
A verdade.
Sabe por que fiz voc� vir aqui?
Porque Gerardo me pediu.
Quando falava ao telefone com voc�.
Ele estava ao meu lado.
E repetia suas palavras.
Continua achando que sou boa?
Responde.
Diga alguma coisa.
Se tudo isso � verdade.
Seria normal n�o me falar.
Por que est� me dizendo?
Por que?
N�o sei.
Porque sou uma est�pida.
Porque n�o quero que me despreze.
Porque n�o posso te fazer mal.
N�o sabe?
Porque...
E agora vai.
Pelo que mais ame.
E perdoe.
Vai embora.
Ele vai vir aqui?
Sim.
Pediu que trouxesse voc�.
Prometeu me deixar livre depois.
Poder� me perdoar?
Mas n�o entende.
Gerardo vir� logo.
E pedir� algo que n�o pode dar.
E ent�o...
Chantagem.
Claro, por isso quero que v� embora.
Quis que eu viesse.
Antes, quando n�o sabia que te amava.
Vai Adolfo.
Vai agora.
Te pe�o.
Com voc�.
N�o, agora n�o.
Chegou.
Deixe entrar, ser� um dialogo interessante.
N�o pode ser.
Por voc�, por sua carreira.
Por teu nome.
Porque te amo como nunca amei.
Far� isso por mim. Vai.
Est� bem, mas n�o me afastarei muito.
Por aqui, pela escada de servi�o.
E n�o acenda a luz.
Onde est�?
N�o veio.
E por que n�o veio?
N�o sei.
S�rio, que n�o sei.
Ent�o quem estava aqui com voc�?
Bom.
Fez ele ir embora.
Por que?
Porque...
Porque n�o sirvo para fazer patifaria.
Canalha!
Muito valente.
Deixa ela em paz.
Adolfo.
Por que voltou?
Porque Sr Adolfo � um cavalheiro.
E os cavalheiros se enganam.
N�o sei o que quer de mim.
Mas estou aqui.
la fazer uma proposta.
Pode deixar.
Parece dif�cil que possamos nos entender.
Bom.
Ent�o ter� que explicar para alguns amigos meus.
Sua presen�a nessa casa.
Voc� n�o far� isso
Quieta.
Sente-se enquanto esperamos companhia.
Essas coisas acontecem com os cavalheiros.
Por confiarem em mulheres assim.
Cale-se.
Deixe-o
O que fez?
Vamos embora.
N�o, eu n�o.
Eu fico.
Os outros v�o chegar.
E quero que me encontrem aqui.
Mas, Magda � in�til.
In�til � voc� ficar.
Por favor, vai embora.
Te pedi antes.
E viu no que deu.
Vai embora agora.
N�o posso te deixar aqui.
Te prender�o.
Por isso mesmo.
Se fica.
E compromete-se comigo.
N�o poder� me ajudar.
E preciso que me ajude.
Hoje, mais que nunca.
Agora mais que nunca.
Por favor, Adolfo.
Por favor.
Abra, por favor.
Eu o matei.
Fazia minha vida imposs�vel.
� o advogado, nomeado pelo juiz.
Respondo por ele.
N�o � trabalho f�cil.
Naturalmente vai alegar defesa pr�pria,
Mas quem pode provar isso?
Ningu�m.
Porque estava sozinha.
Com Gerardo.
Segundo declara��o.
Entre a chegada de Esquivel e o tiro.
N�o passaram nem cinco minutos.
Houve tempo para tudo.
Para atirar � s� um segundo.
E quando se faz com prazer.
Magda.
N�o poder� dizer isso no tribunal.
E se disser?
� assunto meu.
Seu e de algu�m mais.
Diz voc� ou digo eu?
O que querem dizer?
De sua filha.
Aconteceu algo com ela?
N�o, nada.
N�o se assuste.
Com sua situa��o precisa resolver isso definitivamente.
Quando sair daqui.
Ningu�m me impedir� de viver com ela.
Quando sair daqui, j� se passaram muitos anos.
Minha defesa tem que ser o menos poss�vel.
Quantos podem ser?
Na atual circunstancia sem testemunhas.
O c�digo penal nesses casos...
Quantos?
Seis anos, talvez mais.
Entendo.
A menina n�o pode ficar no bairro tanto tempo.
Pelo bem da menina.
Assine essa procura��o.
� uma autoriza��o para agir em seu nome.
Escola, ado��o.
Magda, voc� sabe que estou de seu lado.
Acho que deve assinar.
Me d� os papeis.
Zeladora, por favor.
Espero que isso te deixe mais calma.
Continuarei estudando o caso com muito interesse.
Obrigada, por tudo.
A visita acabou.
A Madre Superiora veio te ver.
Magdalena.
N�o me chame assim.
Porque assim me chamava minha m�e.
E pelo que fiz.
Calma.
Esta vez n�o pude evitar o castigo.
Mereceu?
Escolheu um p�ssimo dia para serm�es.
Posso fazer algo por voc�?
Nada.
Talvez se encontre muito s� nessa cela.
Posso pedir que te troquem para uma comum.
Para que?
Quer que traga sua filha?
N�o, isso n�o.
� muito crian�a ainda.
Poderia lembrar algum dia.
Ent�o reza.
Te far� bem e precisa.
Levar�o meses at� verem seu caso.
Sinto muito Madre.
N�o sei rezar.
Voc� vigilante noturno.
Estava na frente da casa.
Enquanto aconteciam os fatos.
Sim senhor.
Pode lembrar como foi?
Estava no numero 10.
Abri a porta para o Sr Antonio.
Voc� conhece.
� como voc�.
Procura defeitos nas pessoas.
� do jur�dico?
N�o senhor, � critico.
Ordem.
Estava acendendo um cigarro.
Parou um carro na porta da casa.
Onde mora essa senhorita.
Uma senhorita mesmo.
Nada de confus�es, homens, nada.
E uma gorjeta, cada vez que abria a porta.
Parou um carro.
Desceu algu�m dele?
Sim, senhor. o cad�ver.
Como?
Explique-se.
Aquele que ia ser o cad�ver.
Sr Esquivel.
Voc� conhecia ele?
Muito bem, sim senhor.
Era um mesquinho.
Dava gorjeta um dia sim outro n�o.
De modo que a senhorita n�o recebia homens.
E o Sr Esquivel a visitava todas as noites.
Ele era como da fam�lia.
Que aconteceu depois.
Se ouviu um tiro.
Voc� n�o fez nada?
Para que? Ouvi tanto na guerra.
Agora n�o estamos em guerra.
Foi o que eu pensei.
Vi sair um homem da portaria.
N�o pode afirmar.
Que esse homem descia do andar da acusada.
N�o senhor.
Para mim quem entra e quem sai, todos s�o iguais.
Contanto que me d�em gorjeta.
Saem muitas pessoas desconhecidas desse pr�dio de madrugada?
No que se diz muito, n�o.
Mas tem noites muito animadas.
Senhores.
Est� provado que essa noite a acusada estava s�.
Com desejo de matar Esquivel.
Convidou ele para sua casa.
Efetuando o assassinato com a arma da vitima.
Que a acusada roubou no escrit�rio da boate.
Sr. Juiz.
A acusa��o est� julgando o resultado da prova.
Atenha-se ao interrogat�rio.
Terminou com a testemunha?
Sim, merit�ssimo.
A defesa?
Dispenso interrogat�rio.
A testemunha pode sair.
Terminada a acarea��o da promotoria e da defesa.
O promotor mant�m as conclus�es ou altera?
Mantenho.
Sr Juiz.
Uma testemunha n�o solicitada.
Afirma ser definitivo para esclarecer essa causa.
Se apresenta para essa defesa.
Mesmo n�o sendo certo nesse momento.
Solicito a interroga��o do tribunal.
O promotor tem algo a declarar?
Nada.
Que entre a testemunha.
Mesmo sendo conhecido, devo perguntar seu nome.
Adolfo Vega Linares.
Profiss�o?
Catedr�tico de direito penal.
Conhece a r�?
Sim, Sr Juiz.
Fique em p� a r�.
Conhece a testemunha?
N�o senhor.
Nem sabe quem �?
Nunca o vi.
Sente-se.
O promotor pode come�ar o interrogat�rio.
Sr Vega.
Uma vez que a promotoria n�o pediu seu testemunho.
Podemos saber por qual motivo veio?
No momento do crime a acusada estava em sua casa com um homem.
Como pode afirmar com tanta certeza?
Porque esse homem era eu.
Acredito que possa provar.
Senhores.
Podem perguntar o que quiserem.
Assim n�o Magdalena, levanta a cabe�a.
Sim madre.
Deve sair de cabe�a erguida.
Se n�o foi condenada, n�o cometeu nenhum delito.
Demoraram muito para reconhecerem.
Se consola pensando que aqui dentro.
Aprendeu a rezar.
J� n�o se sentir� t�o s�.
Espero.
Depois.
Meus amigos devem ter vindo.
Tenho muitos amigos.
E estar�o contentes de me verem.
Adeus Magda.
Sorria, come�a uma vida nova.
Acha que terei for�as para isso?
O Senhor te ajudar�.
E se as for�as um dia faltarem.
Ou duvidar de voc� mesma.
Venha me ver.
Voltaremos a rezar juntas.
Obrigada Madre.
Obrigada por tudo.
Adeus, filha.
Que Deus te acompanhe.
Magda.
Ol�.
Bem vinda.
Bem vinda.
Veio s� voc�?
Sim, mas todos nos alegramos muito.
E os outros.
E ele?
Vamos para casa.
� minha filha e a quero aqui.
Ao meu lado.
Ningu�m pode me impedir.
Sim, tem quem pode.
Quem, quem?
A fam�lia que adotou ela.
Que a ama como uma filha.
Isso n�o interessa.
Falarei com eles e entender�o.
Pediram anonimato para evitar contato.
S� sei pelo advogado.
Que � tratada como rainha.
O advogado ter� que dizer quem s�o.
Isso � segredo profissional.
Belo advogado.
Me enganou, falou de condena��o de anos e anos.
Foi para seu bem.
Quem ia pensar que Vega ia fazer o que fez?
Adolfo.
Por que n�o veio?
N�o sei.
Devo telefonar, devo agradecer.
N�o fa�a isso.
Tenho que falar com ele.
Para que?
Prejudicou muito ele.
Eu?
Sem querer, eu sei.
O jornais acabaram com ele.
Teve que se demitir de seus cargos oficiais.
Achei que minha liberdade seria diferente.
Via ele junto comigo.
E de novo o sucesso.
Os aplausos.
Minhas can��es.
Acho que por enquanto n�o vamos achar contratos.
Foi tudo muito recente, entende?
Mas tenho que viver.
Aqui vai ser dif�cil.
N�o sobraram amigos.
Quer me convencer de que...
S� sobrou voc�.
Valho pouca coisa, mas...
De todo cora��o Magda.
N�o foi minha fun��o sempre te acompanhar?
Sim, no teatro.
Mas seja aonde for.
Tem raz�o.
Vamos embora daqui.
Claro, ao menos por algum tempo.
Lembra aquele amigo seu que queria me levar para o Ol�mpia?
Sim
Paris, est� muito perto.
Quero que me leve para longe e por muito tempo.
Para que at� esque�am meu nome.
Contente a minha artista exclusiva?
Chovem ofertas dos correspondentes.
Pode aceitar.
Sempre que for longe da Espanha.
Mas Magda, j� estamos anos fora de casa.
Depois de Lima, Estados Unidos.
Tenho contratos para Punta del Este, Mar del Plata, Acapulco.
Queria esta em Valladolid agora.
O que resmunga?
Nada, nada.
Mais alguns anos.
Bom, vou escrever uma carta para Madrid.
Para enviar quando desembarquemos.
Sem se aborrecer.
Sabe que te amo muito.
Se permite te farei companhia.
Com uma condi��o.
Proibido ficar rom�ntico.
Esse era o trato.
J� cumpri muito tempo, Magda.
Por que acha que vou pessoalmente em suas turn�s?
Para ganhar dinheiro.
Ou para perder.
Larguei meus neg�cios para estar ao seu lado.
Pensa, Magda.
J� pensei.
Pode rasgar esses telegramas.
Continuarei a turn� por conta pr�pria.
Dentro de quatro semanas.
Terminamos aqui em Atenas.
O pr�ximo contrato T�quio.
Sabe como o Jap�o � longe?
Por isso aceitei.
Voltemos para a Espanha, Magda.
J� passaram muitos anos.
Ningu�m lembrar� o que aconteceu.
Tem raz�o, n�o tenho o direito.
Ent�o voltamos para Madrid.
Que alegria.
Quando, quando?
Voc� quando quiser.
J� fez muito por mim.
E voc�?
N�o se preocupe com isso.
Me ajude a encontrar um pianista.
E eu me arrumo sozinha.
N�o, eu fico.
Parece que n�o gostou.
Como cantei essa noite.
Como sempre cantou muito bem.
N�o quer sentar.
Deve estar esperando algu�m.
Voc�!
Mas pode estar comprometida.
Sim.
Com voc�!
Vim para um congresso.
Foi uma coincid�ncia.
Esperei tantos anos essa coincid�ncia.
Vivi fugindo.
Tinha medo.
Dor, remorso pelo preju�zo que te causei sem querer.
Ningu�m se lembra disso.
Tudo voltou como antes.
Minha vida, a cidade.
Meus alunos, Angel.
Como ele est�?
Se casou.
Tem um filho assim.
O que est� pensando?
Que tamb�m tinha uma filha.
Sei que renunciou a ela.
Me enganaram.
Magda.
Sua filha est� bem.
Como sabe?
Conhece a fam�lia com a qual vive?
Garanto que adoram ela.
Quando volte a Madrid, me dir� onde est�.
E solicitarei meus direitos.
V� ela?
J� � uma senhorita.
Bonita?
Como a m�e.
Mas n�o tanto.
Por que n�o veio me buscar antes?
Ningu�m te impedia.
� livre.
Acha mesmo que algu�m seja livre?
N�o entendo.
Nem quero.
S� sei que est� aqui.
E que essa noite me recompensa.
De todas as amarguras que passei.
N�o conhecia a ilha de Rodes.
S� tinha ouvido falar.
Do colosso?
Ningu�m sabe onde ficava.
Esse est�dio tem mais de 2000 anos, como o teatro.
Teatro, disse teatro, temos que voltar para Atenas.
Essa noite � minha despedida.
Nossa ultima noite em Atenas.
Na primeira te encontrei.
Lembro muito bem, n�o te cansa tanto trabalho?
Ao seu lado n�o sinto.
Mas a turn� vai ser grande.
N�o vai se cansar de me acompanhar?
Ao seu lado nunca.
Mesmo que dure muito tempo?
Mesmo que dure toda a vida.
Quer me ligar com o quarto do Sr Vega.
Sim do Sr Adolfo Vega.
Como?
O que disse?
� imposs�vel, informe-se melhor.
Sim, senhorita, foi embora essa manh�.
N�o, n�o deixou nenhum recado.
Claro senhorita.
Eu mesmo coloquei a bagagem no taxi.
Est� bem, obrigada.
Com o Sr Miranda, por favor.
Maestro, acorde.
E ou�a bem, vamos para Madrid.
N�o, n�o grite.
No primeiro avi�o.
Madrid, Magda, Madrid, n�o parece um sonho?
O que foi n�o est� contente?
Tenho medo.
Estou perdida.
N�o conhecemos ningu�m e Madrid e n�o nos conhecem.
Isso voc� acha, olha, olha.
A quem cumprimenta?
Uma velha amiga numa carro�a puxada por dois le�es.
Preciso falar com Vega, urgente.
N�o est� no escrit�rio.
Te direi quando acabe de perguntar.
Sim senhorita, pergunto por Sr Adolfo Vega.
N�o ir� essa tarde ao escrit�rio.
N�o, n�o.
Telefonarei amanha, obrigado.
Ouviu, n�o est�.
Esperaremos at� amanha.
N�o posso esperar.
Eu sei onde encontr�-lo.
Quer que v� com voc�?
N�o, vou sozinha.
Sr Adolfo Vega.
N�o est� em casa.
Se quiser falar com seu secretario?
N�o, obrigada.
Se trata de algo pessoal e urgente.
N�o sei onde est� o senhor.
Quem sabe o secretario saiba.
N�o, ele tamb�m o est� procurando.
N�o saber� Angel?
Angel � o secretario do senhor.
Quem � Joaquim?
Uma senhora quer saber.. J� ouvi.
Diga que entre.
Entre.
Boa tarde, senhora.
Boa tarde.
Entre por favor.
Eu pe�o.
Quer falar com meu filho?
Desculpe, perguntava pelo Sr Vega.
E por Angel.
Sim. Angel � meu filho.
Desculpe mas acho que se confundiu.
Procuro Sr Adolfo Vega.
O advogado.
Meu marido.
Como ele n�o est�, meu filho te atender�.
Diga a Angel que venha.
Sente-se por favor.
Se me permite, te fa�o companhia at� que venha.
Entendo que estranhe algo.
Mas fiquei tantos anos fora dessa casa.
Que ainda n�o me acostumo.
� t�o grande.
Na verdade sou eu quem precisa de companhia.
A senhora quer te perguntar algo.
Sim, eu sei.
Quer vir ao escrit�rio, senhora.
Tentaremos localizar o Sr Vega.
Quer me acompanhar?
Por que leva ela?
Agora que est�vamos conversando.
� preciso mam�e.
A senhora � uma cliente.
E seu assunto � serio.
Por favor.
Por aqui, senhora.
Joaquim. Senhora.
Quando a senhorita voltar me avisa.
Est� no quarto com as modistas.
Sem me dizer nada.
E eu aqui sem saber.
Conversando com uma desconhecida, para n�o ficar sozinha.
Desconhecida, mas simp�tica, n�o?
Tem cara de boa.
Seu pai nunca me falou de sua mulher.
Ent�o.
Ficou doente muitos anos.
Na Su��a.
Tratada pelos melhores especialistas em doen�as nervosas.
N�o seria agrad�vel falar disso.
Porque n�o tinha solu��o.,
Mas teve solu��o.
Quando ningu�m esperava.
Ainda n�o est� bem de tudo.
Seu c�rebro continua...
Ainda, num estado, como dizer...
Infantil.
Mas raciocina muito bem.
Foi um milagre.
Um verdadeiro milagre.
Parab�ns.
Ambos devem estar muito contentes.
Isso voltou a ser um lar.
Uma fam�lia, entende?
Entendo muito bem.
Por isso Magda, pe�o que v� embora.
Esteve a ponto de destruir essa casa.
Lembra?
J� vi que s� o que te interessa � sua casa.
Posso te ajudar em algo?
Em nada.
S� queria saber.
O que?
Esse milagre feliz.
Como voc� chama.
Aconteceu faz muito tempo?
Fazem umas semanas.
Papai estava na Gr�cia.
Mandamos um telegrama.
E veio em poucas horas.
J� acabou filho?
Sim, mam�e.
A senhorita ir� ao escrit�rio outro dia.
J� vai?
Sim senhora, adeus e obrigada.
Adeus e obrigado a voc� por tudo.
N�o se incomode, eu acompanho ela.
Tem tanto trabalho.
Senhora.
Pode ficar comigo um pouco?
Desculpe, mas tenho que ir embora.
S� uns minutos.
Precisa me fazer um favor.
Pode dizer.
Amanha teremos uma festa.
A primeira desde que voltei.
� um acontecimento, entende?
Sim, embora n�o sei em que possa te ajudar.
Quero sua opini�o sobre um vestido.
Adolfo confia em mim.
E n�o quero decepcion�-lo.
Ajudar� a n�o me enganar?
Sim, senhora.
N�o sei se minha opini�o poder� ajudar.
A senhora chamou?
Diga a minha filha para vir aqui.
Com esse vestido que estavam provando.
Sim senhora.
Voc� disse, minha filha?
Sim, por que?
N�o, por nada.
N�o sabia que Angel tinha uma irm�.
Como se fosse.
� uma boa obra como se Deus nos tivesse recompensado.
Depois leva nosso nome.
N�o entendo.
Quer dizer que � adotada?
Adolfo sempre sonhou ter uma mulher em casa.
Principalmente durante minha aus�ncia.
A m�e era cliente de meu marido.
Morreu de p�ssima forma.
Era uma artista. Uma artista?
Sim.
Morreu faz muito tempo?
Quando a menina era pequena.
Para sorte dela,
A educamos ao nosso modo.
Quero dizer, longe de camarins.
Boemia, mulheres com pouca roupa.
Maus exemplos.
Voc� entende, n�o?
Sim claro que entendo.
� uma verdadeira senhorita.
E a alegria dessa casa.
O dia que for embora.
N�o quero nem pensar.
Como se chama?
Vega, j� disse.
Me refiro ao nome.
Me chamava?
Aqui estou mam�e.
Demorei muito?
Me desculpe.
Essa � minha filha Esperan�a.
De quem est�vamos falando.
A Srta se chama Esperan�a?
Sim senhora.
Pode me chamar de voc�.
Todas amigas de minha m�o chamam.
Obrigada.
Esperan�a.
Repete meu nome, por que n�o gosta?
Muito.
Uma pessoa...
A quem adorava...
Se chamava assim.
Entendo.
Bom o que tem o vestido?
Acho que me chamaram para isso.
Como est�?
Me parece que... O que voc� acha?
Que � muito bonito, Esperan�a.
Digno da senhorita.
N�o ia me chamar de voc�?
Digno de voc�.
Todos de acordo.
S� espero que meu noivo goste.
Noivo?
Vai se casar?
Se Deus quiser e meu noivo n�o se arrependa.
A festa � para celebrar o noivado.
Deveria estar triste.
E estou sim.
N�o acredito.
Todos que me amam, deve estar contentes que eu seja feliz.
N�o � verdade, senhora.
Claro que sim.
E seu noivo?
� bonito?
Muito bonito.
Inteligente, rico e louco por voc�.
N�o exagere, mam�e.
A senhora pode n�o achar, quando o conhecer.
Voc� vir� na festa, n�o?
Claro, Adolfo convidou todos seus clientes importantes.
Mas n�o sou importante, senhora.
Pedirei a papai que a convide.
Nos ajuda numa escolha dif�cil.
N�o se preocupem.
Amanha n�o estarei em Madrid.
Vai viajar?
Sim.
Que pena.
Longe?
Para o exterior?
De onde vim.
Voltaremos a nos ver?
N�o sei.
Porque.
Vou por muito tempo.
Teria gostado que viesse a festa.
Eu tamb�m.
Mas n�o importa.
Pensarei muito em voc�.
E se me permite.
Te darei meus parab�ns.
Antes de ir.
Posso? Claro.
Assim me trar� sorte.
Que seja muito feliz.
Esperan�a.
Obrigado senhora.
Mam�e esqueceu de dizer como se chama.
Me chamo Maria.
E o sobrenome?
Miranda.
Mas n�o vale a pena lembrar como me chamo.
Adeus.
Bonito irm�.
Quando minha mulher ver, vai morrer de inveja.
Quem � essa senhora Miranda?
Quem?
A senhora que estava contigo no escrit�rio.
Uma cliente.
Uma cliente sem import�ncia.
Magda.
Estou te esperando horas e horas.
Achei que n�o viria.
Por que demorou tanto meu amor?
Por que n�o responde?
Fui na sua casa.
Venho de l�.
N�o devia ter ido.
Por que, para que?
Falei com minha filha.
E com sua mulher.
Eu te esperava para contar tudo.
Quero que comecemos uma vida nova, a qual temos direito.
Tarde demais.
Eu j� n�o tenho direito a nada.
E voc� pertence a eles.
O que desejo.
O que sonho.
O que amo.
Se torna pecado.
Sofrimento.
Morte.
N�o quero continuar prejudicando.
Adolfo, vai embora.
O que est� dizendo?
Como vou te deixar s�, te amando como te amo.
� in�til o que disser.
O que fizer.
Tem que ir embora.
Ouviu?
Vai embora.
Vai embora.
Magda.
Vai embora.
Deve sair daqui com a cabe�a erguida
Console-se pensando que aqui dentro aprendeu a rezar
Se algum dia te faltarem for�as, ou duvidar de voc�
Volte aqui, voltaremos a rezar juntas
Venha me ver
Se algum dia te faltarem for�as
Madre.
N�o lembra de mim?
Magda.
Magdalena.
Claro que me lembro.
Aproxime-se.
Madre, estou s�.
Cansada, morta.
Ajude-me, ampare-me, Sor Maria.
N�o ag�ento mais.
N�o ag�ento mais.
N�o se procura Deus no desespero, minha filha.
Me mostre o caminho, madre.
N�o me sinto capaz de viver.
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