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- Art Subs - 12 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - NoriegaRJ -
O PR�NCIPE
Baseado no romance hom�nimo de Mario Cruz
Vamos, ande!
Pare a�!
Turco, companhia.
Vamos, entrem.
Se afaste da porta.
Se afaste da porta, filho da puta!
Venham.
Parem.
A porta, Mu�oz!
Vamos.
Andem, andem!
- Feche o port�o. - Garcia, a porta!
Andem!
Andem, andem.
Parem a�!
Entrem.
Voc�s dois.
Pare a�.
Entre a�.
D� a ele seu assento.
Por qu�?
N�o v� o estado em que ele est�?
N�o seja uma garota m�.
Sente-se.
Bateram forte em voc�, hein, garoto?
Qual � seu nome?
Jaime.
E seu apelido?
N�o tenho.
Tem que ter um.
Tire a camisa.
Tire.
Tire a cal�a.
V� lav�-las.
Por que eu?
Quer que eu v� lavar?
Olhem s� o Plat�o.
Plat�o gostou de voc�.
Significa que voc� � uma pessoa boa.
Pegue.
N�o, obrigado.
Fume, idiota. Vai te fazer bem.
Voc� teve sorte.
Aqui todos somos limpos.
N�o vai te faltar comida.
E ningu�m pisar� em voc�.
Se n�o sabe mostrar respeito, caia fora j� daqui.
Sabe mostrar respeito?
Sim, claro.
�timo!
Sente-se.
Bateram muito em voc�?
N�o.
Voc� n�o sabe mentir. E est� fedendo, idiota.
Vamos.
Os tiras realmente acabaram contigo.
Olhe como deixaram a sua cara.
Est� toda marcada.
Veja, um presente dos tiras.
Queriam que eu falasse.
- Chegou carne fresca! - Tome cuidado!
- Como vai, Potro? - Ol�, companheiro.
- Para voc�. - Obrigado.
N�o pode tomar banho com esse p�o.
Para sobreviver aqui tem que ser muito macho, cara.
Eu sou um principiante.
Tire sua cueca e entre no chuveiro.
Saia.
Est� �tima, cara.
Entre.
N�o est� boa?
Vamos, me conte.
Por que est� aqui?
Voc� ficou bem com minhas roupas, cara.
Aquele � o D�lar.
Eles se conhecem desde jovens.
Dizem que eles dormiam juntos.
E quando D�lar foi transferido,
Potro ficou t�o infeliz
que pegou uma l�mina de barbear e cortou a pr�pria barriga.
Ele foi punido por isso.
Recontagem.
- Um. - Dois.
- Tr�s. - Quatro.
Cinco.
Feito.
S�o uns babacas.
Saia da�.
E onde eu vou dormir?
Ali.
Venha deitar.
Mas tire suas roupas.
Fique de costas.
Relaxe.
Fique relaxado.
Contagem!
- Um. - Dois.
- Tr�s. - Quatro.
Cinco.
Feito.
Ol�.
- Ol�. - Claro!
- S� o pr�ncipe ganha um ol�. - Qual � o seu problema, escroto?
O pr�ncipe...
Esse ser� o seu nome agora. Pr�ncipe.
Vamos, levante.
V� se lavar.
O pr�ncipe primeiro, imbecil.
N�o se olhe tanto no espelho. Est� bonita.
- Sirva meu caf� da manh�. - N�o tem a ele agora?
N�o disse que ele era um pr�ncipe, idiota?
Tem que servi-lo.
Est� se achando superior, garota?
Sente-se.
Voc� n�o vai tomar o caf� da manh�?
Voc� me escutou?
Voc� me escutou?
Por que n�o me responde?
Levante-se, seu lixo!
Por favor, n�o me bata!
N�o vai me responder, filho da puta?
V� tirar essa merda fora daqui!
E n�o volte nunca mais.
Pegue suas merdas de tarde, quando eu n�o estiver aqui.
N�o quero te ver nunca mais. Suma!
Ol�.
Precisa de mais alguma coisa?
Sabe o qu�?
N�o preciso de mais nada.
O que houve, pr�ncipe?
Aquele velho que veio te ver � seu pai?
E sua m�e?
Voc� � �rf�o?
Vamos, conte pra mim.
Aqui, o sol tira nossas tristezas.
Quem � voc�, pr�ncipe?
Sou de San Bernardo, onde o povo � como est�tua,
que � tarde p�e a cadeira na cal�ada
para ver os p�ssaros voarem.
San Bernardo n�o � pobre nem triste,
e os jovens n�o fogem de l�.
Santiago fica perto,
mas parece longe por pura timidez.
Eu parecia um garoto selvagem desesperado
e terminava suando como um cavalo,
com as roupas grudadas no meu corpo.
Onde est� meu pai?
Seu pai n�o est� aqui. Ele ainda n�o chegou.
E...
est�vamos roubando p�ssegos...
e, de repente, Elena apareceu.
Ela estava chorando.
- Por qu�? - N�o sei.
- O que disse a ela? - Nada.
Voc� acha que n�s...
poder�amos nos ver de novo?
Aqui?
N�o.
Aqui podem nos ver.
Onde?
Em Santiago.
Ela me convidou para ir a Santiago.
Ent�o?
Aquela.
� muito cara.
� a que eu gosto.
- Ol�. - Boa tarde.
- Em que posso atend�-la? - Quer�amos ver roupas.
Sim? Para voc� ou para seu filho?
- Para meu filho. - O que gostaria de ver?
O su�ter da vitrine.
Claro. Que tamanho?
O menor que tiver.
Sim, eu te levo. Venha. Me acompanhe.
Mam�e? Venha comigo.
Ficou bonito.
Me deixe v�-los.
Me deixe v�-la.
Ela tirou sua roupa?
Tirou.
N�o.
A cal�a, n�o.
Por que n�o?
Ela fica bem em mim.
Deixe assim.
Isso.
Devagar.
N�o t�o r�pido.
N�o t�o r�pido.
Daqui a pouco estar� pronto de novo.
N�o.
Tenho que voltar para San Bernardo.
N�o pode me deixar assim.
Sim, posso.
Filho da puta!
Pronto.
Venha.
Como vai querer, garoto?
Assim.
- Como Sandro? - Sim.
- N�o combina com voc�. - Por qu�?
- Voc� � teimoso. - E se pusermos brilhantina nele?
- N�o combina. - Por qu�?
Corte estilo prisioneiro, cara.
Nunca.
Ele n�o quis.
Que temperamental!
- Quer parecer com Sandro? - Quero.
Quer ser famoso?
Que �timo! Vou tirar sua foto, garoto.
Voc� tem algum talento?
- Sou bonito. - Isso n�o serve pra nada.
- Sempre serviu. - Aqui dentro, l� fora, n�o.
Toca algum instrumento, canta, ou alguma merda dessas?
N�o sei nada.
J� sei onde te levar. Venha.
O t�pico paradoxo
do regime do sistema capitalista.
Quando a d�vida dos pa�ses do Terceiro Mundo alcan�a...
a inacredit�vel cifra...
- de 95 bilh�es... - Roberto!
O que foi?
Quando meu pa�s...
Estamos ouvindo o Chicho. O que houve?
Pra que ouv�-lo, cara? Prisioneiros n�o votam.
Este garoto quer ser artista e n�o tem nem um viol�o.
Viol�o? Atr�s da cortina tem um.
Vamos ver.
- Mas � velho. - E o que tem contra os velhos?
S�o bons para a primeira vez.
N�o lembra da velha que voc� comeu?
Plat�o!
Come�amos mal!
Aonde Plat�o foi?
N�o consigo tocar com cinco dedos.
V� com calma, garoto.
Espero que aprenda a tocar isso logo.
Por qu�?
Porque quando aprende a tocar um instrumento,
nunca mais estar� sozinho.
A ansiedade De ter voc� em meus bra�os...
Que m�sica � essa?
Um amigo me ensinou.
� verdade, idiota.
Talvez meus pensamentos
Estejam chorando
Minhas l�grimas s�o p�rolas
Que caem no mar
E o eco adormecido
Deste lamento
Que linda esta m�sica!
Em meu sonhar
A ansiedade
Voc� foderia um viado por dinheiro?
N�o sei. Se for muita grana, talvez.
Mas essa merda � arriscada porque os velhos t�m dinheiro.
E um mais jovem?
N�o sei.
E na boca
Voltar a te beijar
Onde voc� mora?
- Aqui perto. - Sozinho?
N�o, com meu pai.
Vamos dar uma volta primeiro,
depois te deixo em casa.
Suba logo.
Pronto.
O que � isso?
Rapazes, est�o detidos!
O maior por dirigir b�bado
e o menor por estar b�bado.
E do que est�o rindo tanto?
Estavam indo dormir juntos, suas bichinhas?
Vamos, entrem j�!
- Eu disse entrem! - Vamos, vamos, vamos!
Vou entrar. Est� bem, est� bem.
Quero vomitar.
Jaime.
Jaime.
Jaime, vou vomitar.
Levante.
O que aconteceu?
Algu�m deve estar chegando.
Julio, Miguel!
V�o e vejam quem est� vindo.
Vamos.
Deve ser algu�m importante.
Eles o est�o recebendo como um artista.
J� n�o me cumprimenta mais?
Voltarei depois, quando estiver mais apresent�vel.
Vestido.
Para voc�, garoto.
Quem � o argentino?
Como aquele idiota poderia ser argentino?
Ele � chileno, cara.
Voc� o conhece?
Bom... Voc� estava me contando...
- Como est�, parceiro? - O que v�o querer?
Por enquanto... tr�s vezes quatro...
doze cervejas.
- Por enquanto. - Certo, cerveja.
A seu dispor.
- Doze cervejas. - � que estamos com sede.
Vou ao banheiro. Volto j�.
Foi r�pido. N�o quer mais?
Vamos, vamos.
Vamos, babacas!
- Levantem, seus putos! - De p�, filhos da puta!
Andem! Vamos, vamos! De p�, babacas!
Verifique essa merda.
- N�o tem nada a�. - O que disse, imbecil?
Que n�o tem nada a�.
O que est� escondendo, imbecil?
Responda, seu merda!
Est� de mau humor, filho da puta?
O que est� escondendo, filho da puta?
Mu�oz.
Nada, sargento.
Tenho certeza que esse viado est� escondendo algo.
Vamos ter que verificar.
Fique de quatro.
Ele est� falando contigo, viado!
Obede�a ou vamos te enfiar a porrada!
Vamos ver, vamos ver...
Voc� tem um belo rabo, viado.
Quer sentir uma coisa grande e dura, sua bicha velha?
Quem tem vaselina?
Caras dur�es gostam assim.
Vaselina � para as bichinhas.
Um pouco de vaselina. Por que ser t�o cruel?
- Um pouco mais. - Este � o tamanho que temos.
� melhor fod�-los do que bater neles.
Isso � uma merda!
Fiquei entediado, babacas!
Este filho da puta � um osso duro de roer.
Est� sempre de cabe�a em p�.
Me deixe em paz, filho da puta!
Voc� sabe, pode ser com a vareta ou sem.
Eu trouxe esta com a vareta. S�o cinco escudos.
- E os cigarros? - Um escudo.
- Perdeu alguma coisa? - Qualquer um desses � um escudo.
S�o cigarros argentinos. S�o muito bons.
Estes s�o len�os de tango.
Para caras corajosos.
- Quanto custa a jaqueta preta? - Voc� n�o pode pagar.
Leve um torrone e fica me devendo dois escudos.
Eu disse dois escudos.
E esta jaqueta vermelha?
- Quanto �? - Ela j� tem dono.
- Pode ser negociado? - Claro que pode.
Saia daqui.
Potro.
- Para voc�. - N�o tenho dinheiro.
Me convide para almo�ar e tudo bem.
Para comemorar, tomem um.
S�o argentinos.
- Potro... - Estou comendo.
Que lindo gato.
De quem �? Como se chama?
� meu e se chama Plat�o.
Plat�o? Como o fil�sofo.
N�o, idiota, porque ele � platinado.
� um nome muito bonito.
E um gato muito lindo.
E o que aconteceu com o viol�o?
Os guardas quebraram.
E n�o conseguiu outro?
No pr�ximo m�s.
- N�o gostaria de ter um agora? - O que voc� quer, seu puto?
A cela.
� maior do que a minha. Preciso de mais espa�o.
Estou indo bem com os neg�cios.
Espero que fodam seu rabo.
Com uma vassoura?
Fora daqui, filho da puta!
- Voc� � muito mal educado. - Caia fora, escroto.
At� mais, Plat�o.
Oh, cigano!
Como voc�.
Devia cortar seu cabelo como Sandro.
Aqui, camarada.
Para voc�.
J� tinha andado de moto antes?
- Nunca. - E?
� �timo.
O vento na cara.
O cheiro de gasolina, grama e fuma�a. � �timo.
- Voc� ficou assustado. - N�o.
- Foi o que seu corpo mostrou. - Est� louco.
Ent�o por que me abra�ou com tanta for�a?
N�o queria cair.
- Ent�o estava com medo. - N�o.
Eu teria morrido feliz.
Por que estava fazendo c�cegas na minha barriga?
Porque estava feliz.
Sabe...
- Nada. - Diga.
N�o.
Voc� j� � grande, me diga.
Eu gosto... do seu sorriso.
Verdade, eu gosto.
- Posso te contar um segredo? - Claro.
- Este sorriso � roubado. - Como?
S�rio. Quando eu tinha uns 9 anos,
eu fui a uma feira, perto da parada 18 do �nibus,
e um cara apareceu com uma roupa incr�vel.
Um violonista.
Pegaram um banquinho, ele se acomodou,
e ent�o ele sorriu.
E era um sorriso t�o bonito...
Ele cantou alguns tangos, e quando aplaudiram,
voltou a sorrir e a� eu peguei aquele sorriso.
Eu me lembro disso desde ent�o.
Ficou na minha cabe�a.
Sonho com uma assim.
Com a jaqueta?
E a vida.
Voc� n�o consegue encontrar essa merda no Chile.
Potro, podemos levar um papo ali atr�s?
Claro.
Vamos embora.
E o filme?
Como se estivesse assistindo, idiota.
Vamos.
Que caem no mar
E o eco adormecido
Deste lamento
Faz com que esteja presente
Em meu sonhar
Talvez esteja chorando
Pensando em mim
E apertando meu retrato em seu peito
Com frenesi
E at� que seu ouvido alcance
A melodia selvagem
E o eco da tristeza
De estar sem ti
A ansiedade
De te ter em meus bra�os
Sussurrando
Palavras de amor
A ansiedade
De ter teus encantos
E tua boca voltar a beijar
Comecei a me estudar.
O sol estava fraco e penetrava na cela.
Isso me favorece. Pare�o bem.
Como os outros me viam? Eu n�o era feio.
Algu�m me acharia bonito?
O que chamaria mais aten��o?
Meus olhos, a boca, o cabelo, ou talvez meu corpo?
Ou tudo seria apenas regular?
E voc�?
Por que est� t�o feliz?
Coisas de adulto.
Acha que sou muito novo?
N�o.
Eu tamb�m ando feliz, sabe?
Ah, �?
Mas acho que n�o � pela mesma raz�o.
N�o mesmo.
Deve ser pela raz�o oposta.
N�o sei. Ser� um segredo.
Me conte.
As paredes podem nos ouvir.
Conte em meu ouvido.
Quantas vezes por dia toma banho, Russo?
Duas ou tr�s.
E por que tantas vezes?
- Porque est� tudo sujo aqui. - O telhado � que est� sujo.
E isso?
"O pr�ncipe tem um pau grande."
Que autoestima elevada. Ele acha que � um pr�ncipe.
Temos que ver isso, n�o? Mostre.
Muito bem.
T�nhamos que ver porque...
Russo tem...
dois punhos.
Tenho que medir o seu, certo?
� grande.
Voc� gostaria da nova jaqueta, n�o?
Venha conosco.
Vamos no quarto e voc� pega a jaqueta.
Vamos?
Ficou excitado.
Gostou da ideia, n�o foi?
V� arrumar a cama.
O que estava fazendo com aquelas bichas no chuveiro?
- Obrigado, Ricardo. - V� pra puta que o pariu!
Toque alguma coisa.
Voc� toca como uma merda.
Vou pedir ao Roberto pra vir te dar uma aula hoje.
Vai ser �timo.
N�o quero te ver mais com aqueles babacas, entendeu?
Entendi.
Por que est� de mau humor?
- Desde quando? - Alguns dias.
� essa senten�a que n�o sai.
Quer ir embora?
E quem quer ficar aqui, idiota?
Eu.
� porque pra voc� tudo isso � novo, cara.
Espere s� passar sete anos e ningu�m vir visit�-lo.
Ningu�m vem me ver.
Isso � porque voc� n�o teve uma fam�lia.
N�o tem filho, n�o tem esposa...
E a sua?
Devem estar por a�,
vivendo suas vidas.
E a que veio te ver?
N�o.
Aquela n�o era Cristina.
Cristina era linda.
As �nicas mulheres que esperam voc� sair da pris�o
s�o as gordas, feias e sem dentes,
com cinco filhos nas costas.
Cristina era muito linda.
Trabalhava no El Carrusel,
- no jogo do gato. - Que jogo do gato?
Jogo do gato, um jogo...
com aqueles gatos, com olhos redondos
e voc� joga com uma bola de meia.
Eu passava horas l� jogando
e gastando todo meu dinheiro naquele maldito jogo
s� pra ficar perto dela.
Ela nunca me perdoou pela vida de merda que eu levava.
� que...
Cristina era uma mulher decente.
Voc� viu Plat�o?
N�o.
Tem dias que ele n�o aparece.
Deve estar andando por a�.
� um gato.
- Como? - Des�a para c�.
Para c�?
Isso.
- Ficou legal. - � isso a�.
E depois?
Boa tarde!
Podemos?
Vim trazer seu gato. Se enfiou na minha cela,
- este gato louco. - Podia ter me avisado, idiota.
Est�vamos mesmo esperando um tango, Che Pibe!
- Querem um tango? Pois, ter�o. - Voc� � cantor tamb�m?
Temos que aprender de tudo, Potro.
Tem alguma merda que voc� n�o saiba fazer?
Guardar rancor. N�o aprendi.
Com certeza.
N�o saber�s
O que aconteceu com Plat�o?
Tem estado esquivo h� v�rios dias.
Por culpa desse viado argentino.
Ele n�o era chileno?
Se vou odi�-lo, prefiro que esse puto seja argentino.
Entender
O que � amar e enlouquecer.
Teus beijos que queimam
Teus l�bios que embriagam
E que torturam minha raz�o.
Eu sei
Que nunca mais
Poderia arrancar do peito esse bem-querer.
No entanto, me atormento
Porque em meu sangue te levo
E a cada instante
Febril e amante
Quero teus l�bios beijar
Te quero sempre
Est�s cravada em mim
Como um punhal na carne
E ardente e apaixonado
Tremendo de ansiedade
Quero em teus l�bios
Morrer
� isso a�.
- Parab�ns, Che Pibe! - Muito obrigado, companheiros!
Agora cante uma chilena, idiota.
- Voc� � chileno ou n�o? - Eles pediram um tango, Potro.
Voc� � chileno ou n�o, filho da puta?
Ou vai negar seu pa�s?
Chega! O show acabou, idiotas! Todo mundo em suas celas. Saiam!
Para suas celas!
Vamos!
Vamos, saiam!
Tchau.
Por que o defende tanto, idiota?
Por acaso, gosta dele?
V� deitar.
- E voc� deita comigo, idiota! - Tire as m�os de mim!
Com quem mais eu deitaria, seu est�pido?
Ei, amigo. Podemos sentar aqui com voc�?
Chegamos agora do mercado e queremos tomar uma cerveja.
Sim, claro.
- Meu s�cio. - Ol�.
- Ol�. - V� e traga uma d�zia.
Estamos te convidando.
Foi um �timo dia.
Vendemos 800 escudos. Estamos forrados.
Deixe eu me apresentar. Me chamam de Tropical.
N�o porque vivo com tes�o. Sou apenas bonito.
� porque sou viril e um �timo dan�arino.
- Jaime. - Muito prazer.
As coisas est�o esquentando.
Obrigado.
- Uma para nosso amigo. - Ainda tenho uma.
Filho da puta!
O que voc� fez, filho da puta?
- Caralho! - Filho da puta!
O que houve?
N�o, n�o! Facas, n�o! N�o!
Facas, n�o!
Socorro! Ajudem!
Ajudem!
Por favor, ajudem! Parem eles!
N�o, n�o vamos entrar. V�o nos matar.
E o que v�o fazer?
Aqui, se voc� morrer, morreu.
Filhos da puta!
Separem eles! Separem eles!
Separem eles!
Eu vou te matar!
Mate ele!
N�o! Me deixe passar! N�o!
N�o! N�o! N�o!
- Vamos, vamos. Calma. - Cuidado.
Por que se importa tanto? Vou jogar mesmo no lixo.
PLAT�O
Fa�a o que tiver que fazer.
E me deixe fazer o que tenho que fazer.
Fume.
- N�o quero. - Vai te fazer bem.
Quer comer?
N�o tenho fome.
Eu tamb�m n�o.
Vai dormir na minha cama?
E voc�?
Durmo no ch�o.
Dorme comigo?
Oi.
Ricardo est� te esperando na enfermaria.
Vamos.
Ol�.
Ol�, pr�ncipe.
- Por que est� rindo? - Nada. Bobagem.
Me diga, voc� vai morrer?
N�o, idiota. Estarei de volta logo.
A jaqueta!
- � para mim? - N�o, idiota, para mim.
Ponha ela.
Ficou perfeita.
Agora sim est� parecendo um pr�ncipe.
Fique bom logo, est� bem?
Pode deixar.
Tamb�m tenho um presente para voc�.
S�rio?
- Trarei na pr�xima visita. - Claro.
Tome cuidado e aguente firme.
- Ele voltar� em alguns dias. - Que bom.
- Quero dar a ele um presente. - O qu�?
Um gato, de brinquedo.
Como aqueles dos carross�is.
E que se pare�a com Plat�o.
O que houve, Jaime?
S� queria saber, quem � seu amigo?
Tropical, �s suas ordens.
Muito prazer, Tropical.
Omar! Mais uma d�zia de cervejas.
Ei, amig�o. Um prazer conhec�-lo.
Um prazer conhec�-lo tamb�m, companheiro.
E voc�...
o que faz?
Na vida?
Vivo.
Isso mesmo!
- Voc� � bonito, cigano. - E o qu�, Tropical?
Se eu n�o gostasse tanto de pernas,
eu o convidaria para dan�ar.
E qual o problema?
- Vale tudo. - Venha com seu rei.
Querida
Se quer minha vida
Diga isso baixinho
E eu a te darei
Me d� s� um pouco
Nada mais que um pouco
Desse amor que voc� esconde
E ser� meu bem
Bom dia!
Bom dia.
Venho lhes informar que...
o r�u Ricardo Garcia...
faleceu hoje na enfermaria.
Minhas condol�ncias.
Viemos buscar seus pertences.
- Voc� vai lev�-los agora? - Agora.
O funeral � amanh�.
- Vou empacot�-los agora. - Eu fa�o isso.
Ricardinho...
Ricardinho...
Minhas sinceras condol�ncias.
Ricardo era meu melhor amigo.
- Posso entrar? - Entre.
Sinto muito.
Vou te pegar dormindo, filho da puta!
N�o te deram permiss�o para o funeral.
Gonzalez!
E quem � este?
Este � novo.
Vai ficar aqui.
Quero a verdade, garoto.
Qual o seu nome?
- Mauro. - E seu apelido?
- N�o tenho. - Tem que ter um.
Vai dormir a�.
E seja respeitoso, porque estamos de luto aqui.
Sabe mostrar respeito?
Muito bem.
E o que � isso?
� meu r�dio.
Voc� ter� que voltar para sua cela algum dia.
Eu sei.
Amanh�.
Posso ficar com voc� hoje?
Pode.
Mostre a ele os chuveiros. Voc� est� sujo.
Vamos.
Pe�o a voc�s...
que v�o para suas casas...
com a alegria saud�vel...
da limpa vit�ria alcan�ada.
E que esta noite,
quando acariciarem seus filhos,
quando buscarem o descanso,
pensem...
no futuro dif�cil que teremos pela frente,
quando teremos que colocar...
mais paix�o e mais carinho...
para fazer o nosso Chile cada vez maior
e cada vez mais justa a vida em nossa p�tria.
- Art Subs - 12 anos fazendo Arte para voc�!
Talvez meus pensamentos
Estejam chorando
Minhas l�grimas s�o p�rolas
Que caem no mar
E o eco adormecido
Deste lamento
Faz com que esteja presente
Em meu sonhar
A ansiedade
De te ter em meus bra�os
Sussurrando
Palavras de amor
A ansiedade
De ter teus encantos
E tua boca
Voltar a beijar
A ansiedade
De ter teus encantos
E tua boca
Voltar a beijar
Talvez meus pensamentos
Estejam chorando
Minhas l�grimas s�o p�rolas
Que caem no mar
E o eco adormecido
Deste lamento
Faz com que esteja presente
Talvez meus pensamentos
Estejam chorando
Minhas l�grimas s�o p�rolas
Que caem no mar
E o eco adormecido
Deste lamento
Faz com que esteja presente
Em meu sonhar
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