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Original subtitles

Berlim, outono de 1943 Ala cir�rgica do Charit�

A GUERRA NO CHARIT� Tiro para Regressar a Casa

O que se passa hoje?

O grande Sauerbruch aparece no notici�rio.

Hoje?

- Sim, hoje. - Mas...

Est�o c� todos s� por causa do teu exame, irm�zinha.

Otto!

Alferes Marquardt de regresso da frente!

Meu Deus! Como est�s magro.

N�o se pode dizer o mesmo de ti.

Anda.

Tenho muito medo, doutora.

N�o sentir� nada. Vou dar-lhe primeiro um sopor�fero.

E, quando acordar, serei um inv�lido.

� de corpo inteiro.

Entusiasmante. A cirurgia n�o � a minha especialidade.

- Onde est� o teu Artur? - Ali.

Senta-te ao p� dele. Tenho de ficar aqui.

Os candidatos a exame sentam-se na primeira fila.

Ainda bem que aqui est�s!

Boa sorte!

Minhas senhoras e meus senhores,

o nosso notici�rio mostrar� hoje o famoso general-m�dico Sauerbruch,

que forma os m�dicos para a frente de Batalha.

Posso pedir que os membros da companhia de estudantes

venham para a primeira fila?

Pode dar-lhes espa�o, por favor?

Mas eu fa�o hoje o meu exame oral de cirurgia.

A sua contribui��o para a vit�ria final

n�o �, claramente, de natureza te�rica, mas sim pr�tica.

Ficaria surpreendido. Consigo fazer ambas.

Ainda assim.

Aviso de tempestade. O chefe deixou a porta aberta.

N�o lhes passes os pontos errados ou ele desfaz-te em bocados.

Os de 35 cm. Nem mais um cent�metro.

Bom dia.

Bom dia, senhor professor.

Primeira assistente.

Tu ser�s o segundo.

E que ningu�m fa�a asneira.

Ou as pessoas no cinema ver�o o Sauerbruch a despedir-vos.

Sr. Prof. Sauerbruch.

Cuidado. Estou esterilizado.

Mas n�o como pensas.

Colega de Crinis.

Ent�o, o chefe da psiquiatria quer ser examinado por mim.

O p�blico do cinema vai admirar-se com um estudante t�o velho.

N�o quero realmente dar a impress�o

de ter de ir aprender com o Sauerbruch.

Vai come�ar j� com a opera��o?

N�o posso pedir isso � minha candidata a exame.

Possivelmente, teria o filho antes de eu terminar a cirurgia.

Onde est�s?

- Aqui. - Queres esconder-te?

Muito bem, mostra-nos se aprendeste algo.

Apresenta-nos o caso, de forma a que o p�blico tamb�m perceba.

O paciente � Paul Lohmann, de 22 anos.

Fractura com origem em bala na coxa, com fragmentos no f�mur.

Ap�s tratamento inicial no hospital militar,

desenvolvimento de uma infec��o secund�ria com gangrena e isso...

Est�s a dizer que a perna est� estragada?

- Portanto, amputamos? - Sim, claro. Mas...

Aqui a jovem colega parece estar um pouco desanimada

relativamente ao futuro desta perna.

De maneira nenhuma.

Este paciente � o candidato ideal para a abdu��o da coxa de Sauerbruch.

Ou seja, a coxa infectada e sem salva��o � removida

e o paciente pode conservar a zona inferior da perna, ilesa,

ao ser novamente ligada ao coto da coxa,

a que se junta uma pr�tese.

Isso agora parece magia. Pode ser um pouco mais precisa?

Corta-se o f�mur com a serra de Gigli.

Segue-se depois a desarticula��o do fragmento proximal

com um retracto de ossos.

Depois da separa��o do p� e do osso distal da coxa,

o osso da zona inferior da perna � virado.

A superf�cie da articula��o da t�bia torna-se assim

uma esp�cie de cabe�a do f�mur que encaixa no acet�bulo.

Depois de a ferida sarar,

o coto funciona como base para uma pr�tese.

Afinal, sempre aprendeste algo.

Senta-te aqui � frente.

Martin, anda. Mostra-nos a tua perna.

Ferimento de fragmentos de bala na coxa,

durante a campanha nos Balc�s, h� dois anos.

Veio do hospital militar para aqui, para amputa��o pela coxa.

Muito bem. E agora? Toda a perna estragada?

N�o com o Sauerbruch.

Tamb�m neste paciente se utilizou a minha abdu��o da coxa.

No entanto, o facto de a perna ter estado desconectada

durante muito tempo foi problem�tico.

Congratulo-me todos os dias por teres voltado a andar t�o bem.

Muito bem.

Com um grande corte longitudinal na zona exterior da coxa,

desde a crista il�aca at� ao joelho, avan�o directamente at� ao osso.

E solto-o, conservando o m�ximo de vasos e nervos,

juntamente com o m�sculo.

A anestesia n�o foi suficiente.

Maldi��o! N�o sabes ler uma escala?

V�, n�o aprendes mais. Fora!

Quem substitui? Vamos, fora!

- Desculpe. - Pois, desculpa-te!

Pede desculpa ao teu paciente.

Est�s a fazer-me sombra! Maldi��o!

E tamb�m se aprende um pouco sobre o temperamento de um man�aco.

Bem observado.

Certamente que tamb�m n�o lhe escapou

que a fractura de bala na coxa

� um caso para o seu trabalho de doutoramento.

Este Lohmann pode ter voltado para casa devido a ferimento

causado por ele mesmo.

Ningu�m consegue trabalhar assim.

Fritsch, escreve uma carta ao l�der dos m�dicos do Reich Conti.

Ele que traga para c� finalmente o tal Professor Jung de Estrasburgo.

Estou farto destes diletantes aprendizes de talhantes!

Sra. Fritsch, tem um caf� para uma diletante aprendiz de talhante?

- Bom dia. - Minha querida Dra. Sauerbruch,

� claro que tu h� muito que �s assistente de talhante.

E � claro que mereces um Muito Bom por me aguentares.

Com louvor.

Prefiro um aparelho de combate pr�ximo em ouro.

Aqui � tudo muito modesto. Mas pelo menos temos dois quartos,

agora que o pequenote est� para chegar.

Esta � para ti.

- Chega, por agora? - Claro!

E ent�o? Como vamos festejar a tua licen�a para exercer?

Sobrou um pouco de massa com queijo.

Est�s t�o magro!

Conta. Como correram as coisas na frente?

Como querias que corressem?

Vamos alimentar-te.

A m�e enviou uma encomenda com comida.

Em Allg�u ainda h� quase tudo.

- Ela vem para o nascimento? - N�o, se aventura.

Os comboios est�o sempre a ser cancelados.

H� quase um ano que n�o a vejo.

Esperava ainda a poder visitar, antes de ter de voltar para a frente.

S� vos d�o mesmo dois semestres para o exame? Como � poss�vel?

Pois, para amputar chega. Para parteira n�o.

� agora?

N�o, ainda demora.

O inquilino de baixo est� s� aos pontap�s.

�ptimo.

Queres senti-lo?

- Sim. - Aqui, olha.

- Assim? - Sim.

Obstetr�cia do Charit�

Sim...

Os meus parab�ns � doutora acabada de sair do forno.

Obrigada. Mas ainda n�o tenho o t�tulo.

Para terminar o trabalho de doutoramento,

a crian�a teria de demorar muito. - Parece que � o que pretende.

N�o se est� a esfor�ar por se encaixar.

- Ainda n�o sente dores? - N�o.

- Qual pode ser a causa? - Temos de esperar.

A crian�a ainda se pode encaixar bem sozinha, antes do parto, colega.

E se estiver assim devido a uma placenta pr�via?

Em primeiras gravidezes, isso � raro. N�o h� motivo para preocupa��o.

A f�rtil genologia de ambas as vossas fam�lias

atestam que n�o existe nada contra uma rica fertilidade.

Decerto que a crian�a se encaixar� em breve.

Pense menos como uma m�dica,

e sinta-se mais uma feliz futura m�e.

- Boa noite. - Ainda est� fechado.

S� viemos trazer as senhas para o nosso copo-d'�gua, no dia 15.

Est� bem, vou j�.

� pena que j� n�o tenhamos o apartamento s� para n�s, � noite.

As noites s� a dois tamb�m est�o quase a acabar.

Pens�mos num ponche com �gua com g�s em vez de espumante

e vinho branco.

Acho que ser� um ponche de couve. Ou algu�m escondeu morangos?

De qualquer forma, as senhas n�o chegam para um ponche a serio.

Ainda c� tenho branco. At� mesmo fechado.

- Sim, e alm�ndegas a acompanhar. - Tenho de tratar disso em segredo.

Mas custa mais.

Tamb�m posso arranjar lagosta. Para isso n�o � preciso senha.

Uma lagosta para 26 pessoas?

Pois, uma lagosta n�o d� para nada, n�o �?

� melhor um pouco mais.

Alm�ndegas.

Muito bem, camaradas. N�o se esque�am de beber.

Ol�. Otto Marquardt. Sou o novo aprendiz.

N�o t�m nada mais forte para as dores?

- Preciso de algo mais forte. - Demos-te morfina h� uma hora.

- N�o ajuda? - N�o chega.

- N�o t�m chocolate de tanques? - N�o � um analg�sico.

Em conjunto com a morfina, � poderoso.

Na frente, todos o tomam.

Mas n�o tomes mais de dois de uma s� vez. Promete-me.

- O Pervitin n�o � assim t�o mau. - Tamb�m j� n�o serve de nada.

Toda esta feiti�aria.

No final, somos enviados para casa como uns inv�lidos in�teis.

Eu n�o me sinto in�til

e uma perna de madeira n�o tem p� de atleta.

- Tens mulher? - N�o.

A minha noiva.

N�o me parece que se queira casar com um inv�lido.

Lohmann!

Reencontramo-nos depressa. J� n�o me conheces?

Segunda Batalha de Ladoga?

Estava na companhia hospitalar 161 �s ordens do Dr. Weidner,

o major-cirurgi�o.

Marquardt. Sou o novo aprendiz.

- Otto Marquardt? - Exacto.

Como vieste para casa devido a um ferimento?

Fecha a matraca. Ainda me meto em sarilhos.

- N�o disse que foste tu. - Nem fui.

Em todo o caso, n�o precisas de voltar para a frente.

D�-te por feliz por te teres livrado.

Podes trocar comigo. Preferia ter a minha perna de volta.

Cuidado com o que dizem. J� n�o est�o entre camaradas.

Na p�tria, as regras s�o diferentes.

Ent�o, Helmut? Mostra c�.

- Sentes isto? - Faz c�cegas.

Isso � bom.

E ent�o? J� tens saudades da escola?

N�o. Com o gesso, n�o consigo escrever.

Vamos l� a acabar com a pregui�a, Helmut.

Tamb�m se escreve com a esquerda.

Ai, Professor Bessau, eu tamb�m n�o conseguiria,

apesar de eu pr�prio ter duas m�os esquerdas.

Ent�o preste aten��o,

para que os seus pr�prios filhos n�o lhe contem hist�rias.

Com a sua ajuda, enfermeira K�the,

� claro que o meu filho ter� uma educa��o muito firme.

A prop�sito, eu e a minha mulher vamos finalmente fazer o copo-d'�gua.

N�o conseguimos antes, por causa do exame da Anni.

- D�-nos a honra? - Com todo o prazer.

Claro que a enfermeira K�the tamb�m.

Eu? Com os grandes animais?

At� pareceria uma pessoa a s�rio.

A prop�sito, tenho boas not�cias.

A sua posi��o na reserva acabou de ser confirmada

pela divis�o da defesa de Mitte.

Fica poupado � frente enquanto durar a sua educa��o.

Meu Deus! Ainda bem que o conseguiu. Obrigado!

Pois, agora tamb�m tem de estar � altura.

S� ent�o o conseguirei p�r no lugar de meu seguidor.

Estou feliz por agora estar aqui e poder terminar o meu curso.

� verdade que s� estive no hospital militar, mas chegou-me.

Os outros m�dicos tinham de resgatar os feridos na frente.

E n�s que pens�vamos que ter�amos um verdadeiro her�i de guerra.

Posso garantir-lhe que o trabalho atr�s da linha tamb�m � her�ico.

Por exemplo, o nosso major-cirurgi�o exigiu-me

que avaliasse os n�veis de a��car no sangue de um paciente,

provando a sua urina.

- Prove, enfermeira Christel. - N�o.

Diria que 95.

N�o se vai acovardar! Ou � mariquinhas?

� sumo de ma��!

Ora, os aprendizes descarados que nos enviam da frente!

Enfermeira Christel, onde est� o Paul Lohmann?

O do notici�rio?

Ali.

- Que deseja dele? - Gostaria de entrevist�-lo.

Preciso de casos para o meu doutoramento.

- Qual � o tema do seu trabalho? - Diagn�stico psiqui�trico

em suspeita de automutila��o. - Ent�o, o Lohmann n�o � para si.

O �ngulo da bala comprova que n�o pode ter sido ele a ferir-se.

O Lohmann poder� contar-me as circunst�ncias.

N�o, n�o o far�.

N�o deve ser perturbado depois desta dif�cil interven��o.

Quer mesmo que o meu orientador

tenha de requisitar o ficheiro do paciente de forma oficial

junto do Professor Sauerbruch?

Acha mesmo que o Professor de Crinis n�o tem nada melhor que fazer

do que procurar casos para o seu trabalho de doutoramento?

De qualquer maneira, nunca terminar�.

Ansiar� mais por uma Cruz de Honra da M�e Alem�

do que por uma carreira cient�fica.

N�o sei que tem que ver com o facto de eu ser m�e, Dra. Sauerbruch.

E, nesse respeito, tamb�m n�o � o meu modelo pessoal.

- Tenha um bom dia. - Bom dia.

Mais tarde...

Quando o chefe sair.

Tamb�m tenho algo para ti.

Sra. Fritsch, por favor procure o ficheiro do Lohmann.

O de Crinis pedir� o ficheiro do Lohmann.

Porqu�?

Por causa do doutoramento da Waldhausen.

A Waldhausen? Que quer ela do meu paciente?

Ver se ele se auto mutilou.

O que � que o hospital militar descreveu como origem do ferimento?

� melhor vermos o ficheiro,

para que n�o seja usado contra o Lohmann.

Como quer que tenha perdido a perna, j� foi suficientemente castigado.

N�o o vou p�r de novo inteiro,

para que o de Crinis o arraste para o tribunal marcial.

N�o se atrever� a isso.

A protec��o dos jovens, a disciplina militar

e delibera��es pol�ticas para a popula��o

exigem uma proibi��o de qualquer comportamento homossexual.

H� colegas que fazem a distin��o entre inclina��es

e sedu��es homossexuais.

No entanto, h� muito que est� cientificamente comprovado

que, no caso dessas inclina��es contranatura,

se trata de psicopatas e criminosos incertos dos seus desejos.

Por isso, � in�til um tratamento psicoterap�utico.

� excep��o de jovens seduzidos, � preciso, para a sua dissuas�o,

impor a castra��o e a pris�o preventiva.

No caso de famosos sedutores de jovens,

considero mesmo adequada a pena de morte,

como j� � imposto na SS contra os homossexuais em geral.

Como v�em, meus senhores,

aqui na p�tria tamb�m tratamos do vosso apoio nos duches.

Credo!

Voltei a perder-me na conversa.

Na pr�xima semana, falarei sobre o tratamento educacional

de neur�ticos de guerra resistentes � terapia.

- Professor? Tem um momento? - Para si, sempre, Sra. Waldhausen.

� por causa do meu trabalho de doutoramento.

Fa�a favor.

H� um problema na cirurgia.

Queria entrevistar o Paul Lohmann, o da fractura de bala na coxa.

A Margot Sauerbruch impediu-me o acesso,

pois acha que o ferimento n�o foi auto-infligido.

Deveria deixar essa avalia��o para um psiquiatra.

- N�o pode pedir o ficheiro? - � mesmo t�pico.

A Sauerbruch acha que, l� por o seu marido ser um especialista,

isso tamb�m passa para ela.

A mulher tem uma ambi��o doentia. Parece que n�o quer ter filhos.

Tem uma filha do primeiro casamento. Est� num internato.

Pois, um filho incomoda,

quando se quer manter uma posi��o elevada.

Tratarei de que as for�as armadas me pe�am uma avalia��o ao Lohmann.

A�, nem o Sauerbruch nos poder� impedir

de examinar o homem.

Afinal que queria a sua irm� do nosso Lohmann?

A Anni esteve aqui?

Sim e discutiu com a Dra. Sauerbruch.

Tamb�m sei uma coisa ou duas sobre discuss�es com a minha irm�.

Quando eu tinha dez anos, bateu-me aqui com uma escova.

Quer que sopre?

Quer proteger-me de mais ataques da Anni?

Convidou-me para ir ao Caf� Salvasan no domingo.

Venha tamb�m.

Marquardt, preciso de ajuda para trocar o M�lller de cama.

Volto num minuto e quatro segundos. N�o fuja.

E onde est� o M�ller?

Depois.

- Ouve l�, conheces bem o Lohmann? - O Lohmann?

N�o muito bem. Porqu�?

- O de Crinis pediu o ficheiro dele. - Sim, e ent�o?

� o alto psiquiatra do ex�rcito.

N�o seria a primeira vez que escolheria soldados feridos

para avaliar e os levaria a tribunal marcial.

- Por causa de qu�? - Automutila��o.

O Lohmann? � um disparate.

N�o, � subvers�o do esfor�o de guerra.

- Ele n�o faria uma coisa dessas. - Como sabes disso?

Seria bom que algu�m da companhia dele

fizesse uma declara��o a favor dele.

Por ser um entusiasta guerreiro do povo e da p�tria, algo assim.

Mas eu mal o conhe�o.

Berlim Grunewald Resid�ncia Sauerbruch

Santo Deus, pap�! Assustaste-me.

J� me chegam os verdadeiros generais no comando-geral.

Queres dizer que um general-m�dico n�o � a s�rio?

Olha, recebi uma condecora��o.

Palavras de louvor.

O teu pai quer acompanhar-vos, se todos os filhos t�m uniformes.

Bem-vindo, Peter.

Que bom que a Ada nos deixa roubar-te um pouco.

- Nada de espica�ar, Margot. - Ela n�o sabe que eu aqui estou.

Sabem como a mam� �.

J� te disse que estive com o Hitler no Covil do Lobo?

Obrigado.

E o c�o dele, o Blondie, s� aceitou festas de mim.

A�, ele queixou-se: "Agora, perdi o meu �nico amigo."

Todos os animais adoram os Sauerbruchs.

Isto fica entre n�s:

na minha opini�o o homem est� indubitavelmente doido.

Disse que tem de ir a �ndia ou um disparate assim.

A�, tive de voltar a pensar naquele trabalho de doutoramento

sobre cegueira de guerra hist�rica,

em que tamb�m um certo Hitler de Braunau � descrito como caso.

O velho Bonhoeffer mostrou-mo, uma vez.

Tenho muitas saudades do Bonhoeffer no Charit�.

O seu seguidor, o de Crinis n�o tem o calibre dele.

Trocou a espinha dorsal pela carreira.

H� correio do Hans e do Friedrich.

Est�o os dois bem.

Um aborrece-se na caserna, o outro na Lap�nia.

Temo que, em breve, viva mais disso.

Foi destacado para a XIV Divis�o Panzer na frente oriental.

Fico muito feliz por ambos. Sobretudo pelos filhos que criar�o.

Ent�o o senhor � o cunhadinho do meu Dr. Waldhausen?

Que rapaz fino, n�o?

Isso agora � raro e � rapidamente percebido, n�o?

Querido casal Waldhausen e, acima de tudo, querida Anni.

Tenho de admitir que, hoje, batem dois cora��es no meu peito.

Quase que fico com ci�mes, meu caro Waldhausen.

N�o pelo que est� a pensar.

N�o, mas n�o gosto de abdicar desta bela rapariga na minha cl�nica.

Portanto, n�o se esque�a do seu orientador.

Um viva a esta feliz uni�o!

Obrigado pelos desejos de felicidades.

Tamb�m em nome da minha mulher.

E espero que, em breve, possamos brindar convosco ao nosso filho.

- Chamar-se-� Adolf. - Sobretudo se for menina.

- Sa�de! - Sa�de!

O obrigado pela nobre pinga.

Foi uma doa��o da minha mult�para mais diligente,

a mulher do Ministro do Reich Goebbels.

O buffet est� aberto.

Professor Bessau.

Acabei de fazer o meu discurso.

Ainda bem que p�de vir. Posso servi-lo?

Com todo o prazer. Ao seu futuro no Charit�.

Obrigado.

Sr. Professor Bessau.

- Minha querida. - Muito obrigada pelo seu apoio.

Estou muito feliz por o Artur n�o ser recrutado, para j�.

N�o gosto de abdicar do meu melhor cavalo.

Obrigado.

Alguns cavalos ficam no est�bulo e outros t�m de ir para a lama.

O meu irm�o Otto Marquardt. O Professor Bessau.

Se tivesse visto o que eu vi,

n�o conseguiria beber conhaque suficiente dos Goebbels

para o esquecer.

Aqui, na p�tria, n�o conseguimos realmente avaliar

o que os nossos soldados sofrem l� fora.

Deve ser dif�cil permanecer decente quando se v� a forma b�rbara

como o inimigo mata a popula��o civil.

Desculpe, ele bebeu de mais.

Otto, que se passa?

Seu sortudo!

Anda, vamos brindar, porque...

N�o precisas de ir para a frente.

Quer que o leve?

N�o � necess�rio.

As for�as armadas alem�s entretanto dominam os avan�os

no sector das traseiras.

Artur!

As for�as armadas Est�o em terreno inimigo!

Tamb�m j� n�o consegues dormir sem a luz acesa?

Boa noite.

Cuidado!

E para tr�s!

E alongar.

E para o lado.

E alongar.

E para o lado.

E para baixo.

E alongar.

E para cima.

Desporto matinal.

Faz tu. Eu fico aqui.

O Otto est� t�o mudado. O nosso raio de sol.

- O meu n�o. - Artur...

- N�o sabemos o que ele viveu. - Nisso tens raz�o, claro.

Mas n�o nos pode arranjar problemas.

Certamente que n�o.

Tenho de ir.

A cl�nica psiqui�trica infantil de Wiesengrund

disponibilizou para minha tentativa de vacina,

as primeiras oito cobaias

para desenvolvimento de uma vacina contra a tuberculose.

Seu sortudo!

Cl�nica Infantil de Wiesengrund

Dra. Reuter.

Dr. Waldhausen.

O meu chefe, o Professor Bessau, avisou que eu viria.

- Bem-vindo a Wiesengrund. - Obrigado.

Gostaria de come�ar imediatamente,

para voltar ao Charit� antes de anoitecer.

Aqui est�o as suas cobaias.

Preparou as seringas esterilizadas?

Sim, est�o aqui.

Obrigado.

Mam�!

Este � o nosso Heinz.

Ol�, Heinz.

Mam�!

Penso que 5 cc devem chegar.

Onde est� a declara��o de consentimento dos pais?

Nestas crian�as, n�o existe. S�o crian�as do Reich.

- Tem a certeza? - Sim, claro.

Muito bem.

� s� uma pequena picada.

Vou escrever a dosagem nos ficheiros respectivos

e, por favor, registe as reac��es.

Ouve l�, maninho, afinal como est�s?

Bem.

- A s�rio? - Sim.

Mas tu pareces que vais rebentar em breve.

Obrigada, muito encantador.

- Entretanto, a crian�a j� encaixou? - N�o, ainda n�o.

O Professor Stoeckel diz que eu n�o devo pensar tanto como m�dica.

- Ora bem. - Podes ajudar-me, hoje.

Tenho de levar um paciente da vossa ala para a psiquiatria.

- O Lohmann n�o! - Precisamente esse.

O de Crinis vai fazer uma avalia��o de credibilidade.

Deram-lhe um tiro na perna. Dificilmente o ter� inventado.

Da� ser importante determinar se foi ele a auto mutilar-se.

Ou ent�o qualquer um se pode acovardar,

� custa dos seus camaradas. Devias perceber isso.

Ou n�o precisamos de todos na frente, contra os russos?

- O Lohmann est� certamente inocente. - Ent�o, o de Crinis n�o lhe tocar�.

Ele est� determinado a que estes casos

sejam avaliados segundo crit�rios cient�ficos.

Foi por isso que me deu esse tema para o doutoramento.

Sr. Lohmann, vamos agora lev�-lo para a psiquiatria.

Porque tenho de ir para a psiquiatria?

Est� tudo bem com a minha cabe�a.

S� tem de responder a umas perguntas.

Depois, voltamos a traz�-lo para aqui.

Com os cumprimentos do Professor de Crinis.

Porque � que as for�as armadas pedem uma avalia��o?

Tem de perguntar ao Professor de Crinis.

Obrigada.

Salve Hitler!

Sofreu a sua fractura com bala na coxa

na Batalha junto ao lago Lagoda... - Mar Ladoga.

- A norte de Gatolowo. - Gaitolowo, mas n�o importa?

No relat�rio secreto da pol�cia de campo,

diz que se tratou de um tiro falso,

comprovado pelos res�duos de p�lvora no ferimento de entrada.

Eu sei que pensam que fui eu, mas eu...

Especialmente porque, no seu posto, escreveu recorrentemente � sua noiva

que tinha umas terr�veis saudades de casa.

N�o disparei contra a minha perna.

Os dois camaradas que estavam comigo no ninho de metralhadora

podem comprov�-lo.

- Os cabos Kr�ger e H�hnlein? - Sim.

Est�o mortos.

Por favor, descreva-nos o sucedido.

Sr. Lohmann?

Primeiro, o fogo de barragem russo atingiu-nos durante duas horas.

Est�vamos no nosso ninho de metralhadora, os tr�s.

De repente, a metralhadora encravou.

O Kr�ger queria p�-la a boiar. Levou um tiro na barriga.

Caiu em cima de mim.

De repente, o Ex�rcito Vermelho atacou.

O russo invasor pensou que eu estava morto.

Porque estava debaixo do Kr�ger. Disparou contra o H�hnlein.

Agarrei-lhe nas pernas e ele virou-se.

Na luta, acertou-me na perna. O H�hnlein tamb�m foi atingido,

mas conseguiu acertar com um tiro na cabe�a do russo.

Salvou-me a vida.

Perdi muito sangue e s� recuperei a consci�ncia no acampamento,

quando me deram uma infus�o. - E o Kr�ger e o H�hnlein?

Nunca mais os vi.

Estavam feridos com mais gravidade e foram para o hospital militar.

No meu caso, ao in�cio pensaram que n�o era assim t�o grave.

At� a perna ter infectado.

O Kr�ger sucumbiu ao tiro na barriga,

sem ter voltado a recuperar a consci�ncia.

E o H�hnlein ainda fez uma declara��o, antes da morte.

Bate certo com a sua descri��o.

Quem me diz que n�o criou esta hist�ria em conjunto com o H�hnlein?

Para que ambos sa�ssem da frente?

Que est�s aqui a fazer?

Queres lev�-lo de volta?

Quero fazer uma declara��o.

Sou o irm�o da Anni Waldhausen.

Quero fazer uma declara��o sobre o Lohmann.

Por favor, chame algu�m que o leve de volta.

Sim. Fico feliz por conhecer o irm�o da Anni desta maneira.

Conhece, portanto, o cabo Paul Lohmann?

O regimento de infantaria dele foi tratado pela nossa companhia.

E onde estava colocado, aquando da Batalha no lago Ladoga?

Na esta��o principal, junto a Gaitolowo.

E como pode ter visto como o Lohmann se feriu?

Na verdade, n�o o vi.

Mas assisti quando o Dr. Schulter, o major-cirurgi�o,

lhe prestou os primeiros cuidados.

Infelizmente, o Dr. Schulter foi depois morto,

mas posso testemunhar que foi um tiro a dist�ncia.

E n�o pode ter sido o Lohmann a disparar.

- E jur�-lo-ia? - Sim.

Obrigado. Pode ir.

Fui testemunhar a favor do Lohmann junto do de Crinis.

Pensei que n�o conhecias o Lohmann.

Sempre consegui mentir bem, sem ficar vermelho.

O importante � que o Lohmann n�o v� a tribunal marcial.

Esperemos que n�o. Com o de Crinis, nunca se sabe.

Talvez queira fazer do Lohmann um exemplo

e uma condena��o por automutila��o espalha-se depressa pelas tropas.

Porque � que a Anni est� t�o convencida com o de Crinis?

Isso tens de lhe perguntar a ela.

Ela nunca levou o irm�o mais novo a s�rio.

Isso � um erro.

E, de castigo, n�o recebe mais marmelada.

N�o mandaremos ao soldado alem�o nem uma, nem duas, nem tr�s...

N�o, mandaremos aos soldados alem�es

marmelada de quatro frutos, para a frente.

Perdeste completamente o ju�zo?

- Que se passa? - Idiota!

Se vais fazer uma declara��o falsa, pelo menos combina com o Lohmann.

Ele explicou-nos detalhadamente como foi atingido por um tiro de perto

e tu inventas um tiro a dist�ncia!

- Meu Deus! - Consegui convencer o de Crinis

que tu �s apenas um mi�do com um bom cora��o

que quer ajudar o seu camarada.

Acho que ele por� a miseric�rdia � frente da justi�a

e esquecer� a tua declara��o.

Nunca mais fa�as algo assim.

Se n�o fosse eu, iam ambos a tribunal marcial.

Oficina de pr�teses do Charit�

Aqui e aqui s�o os pontos cr�ticos onde se pode rasgar.

� melhor deixares a madeira secar mais tempo.

Mas a madeira de choupo � a certa, n�o?

- 1300 gramas? - 200.

Muito bem.

Com isto, faremos dele um tipo realmente feliz.

Lohmann! Vamos arranjar-te uma nova parte de baixo da perna.

Que tamanho cal�as?

46.

O qu�? Que pezudo.

Assim, aguentas-te bem em cima de uma s� perna, n�o?

A ferida est� bem sarada. Tamb�m j� desinchou.

Muito bem.

O Sr. Heim vai come�ar por te fazer um molde de gesso,

para poder depois fazer a pr�tese � medida.

E, at� estar pronta, treinas os m�sculos.

- Est�s a ouvir, Lohmann? - Sim.

V� se ele se desmama do Pervitin.

- Provoca depress�o e depend�ncia. - Compreendo.

- Como te chamas mesmo? - Otto Marquardt.

- Sou o irm�o da Anni Waldhausen. - A nossa futura m�e.

Sim, exacto.

Ainda moro com ela, mas quando beb� nascer...

Gostava de arranjar algo para mim.

Heim, o meu aprendiz precisa de uma cama.

Que h� com o sof� na antiga arrecada��o?

- Sim, pode ser. - Mil vezes obrigado.

Aqui, n�o ficar�s com escarras de estar deitado.

Cl�nica infantil!

- Cirurgia! - Eu levo.

Obstetr�cia!

Lohmann?

Muito bem, Sr. Fischer, vamos medir a febre.

Obrigado.

Lohmann?

Paul!

Maldi��o! Est�s a ouvir-me?

Consegues ouvir-me?

Paul!

Paul!

Consegues ouvir-me?

Os m�dicos est�o na apresenta��o no filme.

V� ter com o Martin e pe�a-lhe que traga tudo

para uma lavagem ao est�mago.

A circula��o est� a estabilizar.

Como � que ele conseguiu isto?

A verdade � que s� damos Pervitin

quando algu�m chega em priva��o, vindo da frente.

� melhor deitarmos isto fora.

"Convocat�ria para julgamento,

"segundo o par�grafo 5 da lei especial de viola��o de guerra

por subvers�o do esfor�o de guerra atrav�s de automutila��o."

O Professor Sauerbruch d� uma aula.

O F�hrer atribui ao grande m�dico alem�o,

que agiu de forma pioneira em muitos campos da medicina

a Cruz de Cavaleiro por M�rito na Guerra com louvores.

... veio do hospital militar para c� para amputa��o na zona da coxa.

Toda a perna est� estragada? N�o com o Sauerbruch.

Com um grande corte longitudinal no lado exterior da coxa...

O Professor Sauerbruch, general-m�dico,

recebe esta elevada distin��o

especialmente pelos seus grandes �xitos na cirurgia de guerra.

Esta virtuosa t�cnica, esta seguran�a admir�vel.

Quem � este talentoso cirurgi�o?

Esta graciosidade e paci�ncia!

Gostava de conhecer aquele homem.

Estou como a senhora, graciosa senhora.

Seus bandidos, queriam apenas que eu fosse ver o filme

e n�o vos continuasse a examinar.

A frente no oriente, zona de confronto de Leninegrado.

Sabias que o teu de Crinis levou o Lohmann a tribunal marcial?

Disseste que ele n�o tinha nada a temer!

Uma pessoa perde uma perna pelo F�hrer, pelo povo e pela p�tria

e, como agradecimento, um inocente ser� agora julgado!

Deixa a Anni em paz.

Lamento. Esqueci-me de que j� n�o se pode abrir a boca.

Otto! Agora, cala-te!

� agora?

Artur, ajuda-me. H� algo que n�o est� bem.

Sangue.

:: Ressincroniza��o ferneiva ::

Tradu��o e Legendagem ANA VARELA RTP - Produ��o

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