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Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Esta é sua primeira e única advertência
Em sua tela, histórias dramatizadas de pesquisas científicas
que alguns podem achar controverso e perturbador
Recomendamos aos espectadores manterem distância
Perguntas a fazer.
Perguntas que você não tem que fazer.
Experiências que não tinham que acontecer.
Portas...
que deveriam ficar fechadas para sempre.
DARK MATTERS Distorcido mas verdadeiro S01E03
Tradução e sincronia: marcrip
Na ciência, as boas ou más intenções não garantem resultados.
Não importa como, ou por que é obtido?
O conhecimento tem o poder por si mesmo.
Vou apresentar três histórias de experiências
de consequências imprevistas.
Há um homem que pensou que podia trocar cabeças
e um cientista brilhante
envolvido num plano nuclear, que poderia destruir o planeta.
Mas primeiro
conheceremos uma espiã-bomba supersexy
que acreditava ser uma dona-de-casa
ou seria o contrário?
Podem duas pessoas viverem no mesmo corpo?
Poderia ter uma identidade secreta sem saber?
Qual das duas seria o sua verdadeira?
Candy Jones,
nos anos 40 e 50
ela era uma das mais famosas modelos pin up.
Mas ela achava que havia alguém mais
vivendo em sua cabeça.
Uma personalidade criada para transformá-la
em uma arma.
Quem era a verdadeira Candy Jones?
A AGENTE SECRETA SEXY
Candy era recém casada com seu segundo marido, John Neble.
Quando os franceses querem aparecer, apertam a rolha.
Candy é uma ex-modelo.
Neble é um popular apresentador de rádio de Nova York.
É um casal conectado ao mundo das celebridades.
Eles eram casados há muito tempo antes que a nova esposa de John
E assustadoras.
Tudo bem. Sinto muito.
Dane-se. É bobagem minha.
Durante esses episódios, Candy parece uma pessoa diferente.
Cada vez parece mais ausente, como se estivesse em transe.
Nebel fica desesperado por descobrir o que acontece à sua mulher.
Ele aprendeu hipnose de um convidado de seu programa.
Neble decide que poderia funcionar com Candy.
A hipnose é um processo psicológico
que orienta uma pessoa a um estado alterado de consciência.
Simplesmente distrai a mente consciente.
Candy rapidamente entra em transe.
Mantenha-se calma. Só relaxe.
Só escute a minha voz.
Qual é o seu nome?
Meu nome é Arleen Grant.
Trabalho para a CIA.
O quê?
Fazendo o quê?
Eu sou uma agente secreta.
Treinada para matar em apoio a interrogatórios e torturas.
Quando retorna de seu estado hipnótico, Candy Jones confronta-se
com a gravação de alguém de que ela nunca ouviu.
Candy é hipnotizada repetidamente
e, lentamente, descreve seus 12 anos antes da indução
no mundo dos espiões.
Então Arleen,
como se envolveu com a CIA?
Estava completamente desesperada depois no meu divórcio,
quebrada, com dois filhos.
Esse vizinho do lado era militar.
Disse que poderia ganhar dinheiro só entregando uma carta
a um homem chamado Dr. Jansen
Assim eu fiz.
Olá, Srta. Jones! Por favor, entre.
Um prazer conhecê-lo, doutor.
Gilbert Jensen. Por favr, sente-se.
Sob hipnose,
Candy nunca disse que o Dr. Jansen trabalhou para a CIA.
É que viaja muito.
Que bom que chegou a tempo.
Foi uma longa jornada
e agora se sente cansada
esgotada
fechando os grandes olhos azuis
se preparando para relaxar em um sono bem profundo.
As experiências com hipnose foram realmente muito úteis para as agências do governo.
A CIA realizou experiências de controle mental dos anos 60 até início do 70.
tudo projetado para o controle da mente e lavagem cerebral
como influenciar o comportamento.
Em 1972, quando Neble hipnotizou Candy Jones,
essa informação ainda era confidencial.
Só alguém de dentro da CIA saberia.
Seria possível que o Dr. Jensen transformasse Candy Jones
durante uma lavagem cerebral, em uma "agente sonâmbula"?
A ideia era certamente conhecida pelo público
mas só na ficção
como "Candidato da Manchúria".
Os primeiros candidatos vieram dos prisioneiros da guerra EUA x Coréia.
Quando eram capturados pelos chineses, um deles se transformou
em um desses assassinos sem seu conhecimento.
Se isso funciona além da realidade
teriam feito de Candy a agente secreta perfeita da Guerra Fria.
Se tivessem êxito na criação desses candidatos as possibilidades são infinitas.
Teria uma pessoa que possa cometer assassinatos
e qualquer outro trabalho importante.
E se forem apanhados, não haveria problemas
porque nem eles mesmos saberiam o que fizeram.
É a melhor ferramenta para qualquer agência de espiões.
Poderia o Dr. Jansen ter criado a segunda personalidade?
Foi encoberto por 12 anos até que Neble conheceu Arleen.
Essa estranha viagem dentro da mente subconciente
está por desvendar um novo mundo de segredos.
A bela esposa de John Nebel está lhe escondendo segredos.
Tendo uma vida dupla com outro nome.
Pior é não acreditar que sejam só segredos.
Ela acredita que tenha sido vítima de experiências secretas de controle mental.
A CIA pensava que a hipnose seria útil para a ideia de usar sugestão pós-hipnótica.
As sugestões pós-hipnóticas são gatilhos que disparam uma ação inconsciente
que se leva a fazer sem perguntar.
Imagine que plante em alguém no governo chinês, que pensa que
está lá a trabalhar para o governo chinês.
Eles levantam o telefone um dia e escutam "cachorro vermelho"
e esta é uma sugestão pós-hipnótica que faz funcionar um plano secreto.
O aspecto mais poderoso dessa hipnose é que a pessoa não terá memória
do evento hipnótico.
Embora eles fossem interrogados,
eles não teriam ideia do que aconteceu.
O alter ego de Candy Jones, Arleen Grant
disse que foi treinada no uso de explosivos.
Resistência a interrogatório
incluindo matar com suas próprias mãos.
Ok, chega.
Excelente!
Muito bom.
A CIA realmente acha que a hipnose pode ser poderosa o suficiente
para fazer alguém matar.
A CIA fazia experiências em secretários que eram hipnotizados
e eram utlizados para retirar ou enviar documentos,
transferir bombas a outras pessoas ou inclusive disparar em outro ser humano.
Quando eu dizer: "abra seus olhos", você abra-os.
Abra seus olhos.
Os arquivos confidenciais da CIA coincidem
em alguns aspectos, com o alter ego de Candy Jones, Arleen Grant.
Arleen descreve uma missão em Taiwan em 1966.
Ela foi capturada e torturada com eletricidade
mas Candy não tem lembranças das ações e da sua missão.
Seus captores finalmente a libertaram.
O marido de Candy está convencido da história
mas quando o torna público em 1976, há alguns mais.
Alguns dizem que não foi a CIA que programou Candy Jones.
Só escuta minha voz.
John, mesmo com ou sem o conhecimento,
pode ter plantado falsas memórias durante a hipnose
mas poderia a identidade secreta vir do subconsciente de Candy?
Próximo ao casamento, Candy começou a mostrar sintomas de transtorno dissociativo.
Mudanças bruscas no comportamento,
mudanças bastante dramáticas no comportamento e amnésia nesses episódios.
O nome do alter ego de Candy Jones, Arleen
é seu próprio nome de criança.
Arleen também é o nome que ela deu a um amigo imaginário que criou
quando era muito pequena, para ajudar a lidar com uma infância traumática.
Ok, menina, você vai ficar aqui até se comportar.
Talvez a agente secreta Arleen Grant não fosse criação da CIA.
Talvez tenha personalidade dividida criando Arleen para fugir da realidade.
Mas é possível que as duas histórias sejam verdade.
O transtorno de personalidade dividida poderia torná-la o sujeito ideal
para criar uma espiã que não sabia que era espiã.
Uma Candidata da Manchúria.
A CIA estava interessada em múltiplas personalidades
o que é transtorno dissociativo.
Porque é um pilar fundamental para os Candidatos da Manchúria.
Se tem alguém que é dissociativo pode-se desenvolver e expandir.
Pode criar diferentes níveis e códigos de acesso e usar na pessoa em operações.
Um ano depois que Candy revelou sua história,
o público soube dos testes de controle mental da CIA.
Documentos confidenciais parecem apoiar alguns aspectos de sua história.
Mas nenhum dos arquivos menciona Arleen Grant.
Dois. Um.
Olá!
Nem a Candy Jones.
Olá!
- Como eu fui? - Foi bem.
Como se sente?
- Me sinto melhor. - Sim?
- Sim. - Você parece bem.
Uma modelo levando uma vida secreta como agente secreta
Arleen Grant, verdade ou fantasia?
A CIA afirma que nunca criou com sucesso
um "Candidato da Munchúuria".
Assuntos involuntários de experiências de controle da mente
tiveram processos bem sucedidos nos governos americanos e canadenses
para a compensação total de US$ 7.000.000.
Candy Jones morreu em 1990.
O que faria para enganar a morte?
Imagine que esta é sua cabeça
esperando ser posta em um novo corpo
Faria essa cirurgia
se fosse a única chance de salvar sua vida?
O que faria se este macaco se sacrificasse para salvar a humanidade?
Como se sentiria?
Imagine que seu corpo adoeceu.
Doença ou acidente vai lhe levar à morte.
Se o seu cérebro não está danificado
sua única esperança
é um corpo novo.
Um médico acredita que pode fazer isso.
Seus procedimentos se afastam das crenças fundamentais
do que é errado.
TRANSPLANTE DE CORPO COMPLETO
Dr. Robert White
Sua carreira começa nos anos 50
justamente quando o primeiro transplante de órgãos é alcançado.
É um homem inspirado mais dedicado à ciência.
Bom dia, vocês sabem que nós tivemos sorte.
A carreira da medicina oferece o máximo em satisfação humana.
Combina a ciência com o mistério de Deus.
White tem um plano radical para pôr
a ciência dos transplantes em territórios desconhecidos.
O cérebro
só outro órgão.
Por que não transplantar cérebros?
White teve a ideia de que, se pode transplantar rins ou corações,
por que não transplantar um cérebro?
Então, por que não?
O que nos detém a tentar?
Não pode fazer!
O transplante demoraria horas e o cérebro morreria.
Esse é o desafio!
Como nós conseguiremos tempo suficiente?
Outros órgãos podem criar energia
na ausência de oxigênio através de um processo conhecido como
produção de energia anaeróbica.
Mas no cérebro isso não é possível.
Assim, durante transplantes de cérebro você tem uma janela muito curta
em que o cérebro possa operar
até o seu oxigênio acabar.
Se não fizer muito rápido, ou baixa o metabolismo, de alguma forma
o cérebro pode morrer.
White precisa que o cérebro sobreviva de alguma forma no ar
ao ser movido de uma cabeça para outra.
Em 1952, ele começa as experiências com macacos congelados.
Bom, vamos começar!
Ele pretende pôr o cérebro no gelo.
A ideia de esfriar o cérebro é, simplesmente, para reduzir a atividade elétrica
e redizr seu metabolismo, mantendo-o vivo por mais tempo.
White conecta o cérebro a uma máquina
para mantê-lo sendo oxigenado.
Pronto.
Mas está vivo?
Damas e cavalheiros
temos atividade elétrica.
Um cérebro vivo e funcionando preservado fora do corpo.
Como católico devoto, White acredita que
esse trabalho possa lhe ajudar a preservar a alma humana.
A essência de quem somos
mesmo depois de nossos corpos sofram doenças ou lesões.
White acreditava que as pessoas iriam gostar de saber que
o cérebro seria, de alguma forma, o recipiente da alma.
Está consciente?
Eu não sei.
Logo averiguaremos mas na próxima etapa.
É muito difícil saber o que está passando dentro da mente desse macaco
depois que seu cérebro foi removido de seu corpo
e está sentado, sem qualquer sentido sensorial.
Nosso melhor palpite é que é muito assustador.
Pode ver,
pode ouvir,
e pode falar.
Nenhuma lei proteje os animais de investigação
e apenas uma voz solitária questiona o trabalho do Dr. White.
A repórter Oriana Tulachi lhe perguntou se essa experiência
vale o custo do sofrimento dos animais.
As experiências cirúrgicas em animais do Dr. White lhe deram apelidos como
Dr. Carniceiro, Frankenstein.
Em 1957,
White recém está começando.
Sabe, isso seria mais fácil de fazer em humanos.
O cirurgião White fez o que muitos
acreditavam impossível: extrair um cérebro humano vivo
e mantê-lo com vida em seu laboratório.
Agora quer substituir seu coração mecânico
por algo menos artificial,
um corpo vivo.
Essas experiências custaram caro aos animais que usou.
Não há dúvidas que hoje essas experiências não seriam permitidas.
Em 1970, havia poucas restrições à pesquisas com animais
e White acredita que valeu à pena.
Sabe, se tivermos êxito com essas experiências,
um dia
não só poderemos salvar vidas, como também almas.
Não tenho dúvidas
o cérebro é o recipiente
da alma humana.
Leva 3 anos para planejar a cirurgia.
Em 14 de março de 1970, White
entra na sala de operações
para transplantar a cabeça de um macaco ao corpo de outro.
Leva horas de intensa concentração
antes de saber se funcionou.
Os sinais vitais estão bem.
Excelente trabalho! Excelente!
Verifique as reações.
Pode ver.
Pode saborear.
Inclusive escutar.
White está convencido que a consciência do macaco
sobreviveu.
Ele alcançou o impensável.
Um transplante completo de cabeça.
Parabéns, doutor!
O macaco morre um dia e meio depois
mas White repete a cirurgia com sucesso 9 vezes.
Gradualmente melhorando sua técnica.
Cada operação sacrifica dois macacos sadios.
Uma cabeça e um corpo simplesmente são descartados.
A religião de White torna-se aceitável.
Ele diz que as cabeças dos macacos não têm algo que só os humanos têm:
uma alma.
Isso seria muito mais fácil de fazer em um humano.
Tudo que é maior, é mais fácil para trabalhar.
Imagine que poderíamos salvar grandes mentes quando seus corpos adoecerem.
A cobiça de White é grande
mas remover a cabeça significa cortar a espinha.
Suas criações estão paralisadas abaixo do pescoço.
Este é um modelo de cera da coluna.
Dentro da coluna tem matéria cinzenta semelhante a do cérebro
com milhões de fibras nervosas que sentem os sinais que indicam
como se mover quando se respira,
que temperatura que você sente e tudo que você sente.
Cortar a cabeça
faria com que perdesse toda a sensibilidade e movimento.
E White não só cortou a espinha
como também o maior nervo de todos.
O cérebro não tem forma de regular esse novo corpo.
Os macacos não seriam capazes de respirar por seus próprios meios.
Não seriam capazes de controlar seus fluxos sanguíneos nem seus sistemas digestivos.
Então, teria que fornecer glicose, injetar adrenalina
para aumentar o ritmo cardíaco, porque esses animais não seriam capazes de
controlar seus ritmos cardíacos,
assim teriam um corpo apenas vivo e um cérebro apenas vivo também.
Mas se os pesquisadores encontrassem uma forma de reconectar vários nervos,
os transplantes de cabeça de White poderiam voltar à realidade.
Eu prevejo que as coisas que foram ficção científica
como a lenda de Frankenstein em que um ser humano completo
é construído usando várias parte de corpos
será uma realidade clínica
no século XXI.
As implicações éticas dessa pesquisa
são problemáticas de qualquer maneira
que se possa imaginar num mundo onde
tenhamos esses cérebro que queremos conservar
mas como fazermos isso?
Acaba com a conclusão de que terá que colher corpos
para manter esses cérebros.
Onde podemos encontrar um corpo saudável disposto a se sacrificar?
E os macacos?
Onde desenharia a linha de pesquisa com animais
com essa oportunidade
de salvar sua vida?
As ideias de Robert White de resfriamento do cérebro
permanecem em uso nas cirurgias hoje.
Ele recebeu quatro doutorados honorários
e foi membro da Academia Pontífica das Ciências.
Ele morreu em 2010.
O desejo de supremacia pode levar as nações a decisões loucas e imprudentes.
Os confrontos da Guerra Fria envolveram um cientista
em um conflito armado no espaço sideral
e pôs em risco a segurança de todo o planeta.
Ele tem uma vaga idéia dos riscos que está tomando.
Em 1962, o céu do Hawaii se envolve em fogo.
Os satélites falham, uma banda de rediação letal envolve o mundo.
É uma guerra no espaço.
E, talvez, a experiência mais arriscada de todos os tempos.
QUERIDA, BOMBARDIEI O PLANETA
Raios cósmicos.
O espaço está inundado dessa poderosa e mortal radiação
e alguns atingem a superfície do nosso planeta
tornando-o difícil de estudar, pelo cientista James Van Allen.
Van Allen estava muito interessado nessas radiações cósmicas.
Partículas altamente energéticas que vêm de fora do nosso planeta
e penetram na nossa atmosfera.
A maioria morre nessa viagem mas algumas sobrevivem o suficiente
para alcançar na superfície da Terra.
Com este dispositivo podemos ver o rastro dessas partículas e morrer à nossa frente.
Aqui está uma que atravessa, aqui outra que morre podemos ver essa trilha esbranquiçada.
Essa partícula pode viajar por milhões de anos e aqui vemos o final de sua viagem.
É facil ver por que Van Allen tinha tanta curiosidade.
Mas como esta radiação não está enfraquecida por nossa atmosfera?
Para entendê-la realmente, James Van Allen precisa vê-la em seu ambiente natural,
o espaço.
Em 1957 tem sua oportunidade.
No alto da época dos foguetes,
ele desenvolve detectores de raios cósmicos para que vão dentro da Explorer-1.
Tentando ser o primeiro satélite feito por humanos.
Eles conseguiram! Os russos colocarem um satélite no espaço.
É, eu sei.
Tudo o que fazia o Sputnik era "bip bip".
Nós podemos pôr algo da ciência lá em cima.
O detector de raios cósmicos oferece a chance à América
de evitar ser totalmente destruída.
- E como fazemos isso? - Preparamos esse bebê para voar.
Somos as pessoas certas, no lugar certo, no momento certo.
Van Allen espera ser o primeiro cientista a experimentar no espaço.
A Explorer-1 está pronta para a decolagem.
É isso aí.
Quatro meses depois dos russos,
a América põe um satélite em órbita graças a um foguete militar.
Uma vez no espaço, os instrumentos de Van Allen
descobriram padrões de radiação totalmente inesperados.
O que descobriram, que parecia muito estranho, era que eles
estavam se movendo em áreas onde a radiação era muito alta.
Tão altas que saturaram completamente os detectores
e também variava quando se distanciava da Terra e ao mudar de altitude.
Van Allen encontrou quantidades letais de radiação ao redor do planeta.
Oi chefe.
Ouvi que eles chamaram de Cinturão de Van Allen.
Então, eu acredito.
Olha o que eu trouxe.
O melhor do melhor direto do Pentágono.
Parece que temos novos melhores amigos.
Van Allen consegue a última novidade em tecnologia de comunicação.
Um comunicador que o manterá em contato com as agências espaciais
e com os militares.
Se é um cientista que quer investigar o espaço, deve trabalhar com os militares
para poder usar seus foguetes para lançar seus satélites e não há como voltar atrás.
Com os militares é onde está o dinheiro.
Quem trabalha em tecnologia de foguetes, que é a mesma dos mísseis,
está, a vigor, a trabalhar em pesquisas militares.
Nos próximos três anos são lançados cerca de 40 satélites científicos.
Todos em foguetes militares, a maioria com tecnologia de Van Allen.
Van Allen está no círculo.
Em 1950, a revista Time o nomeou como um dos homens do ano
mas se envolver com os militares tem um preço.
O efeito colateral de se trabalhar com os militares é que eles podem chamar você
para outras experiências.
A tensão sobe rápido entre Moscou e Washington
e não falta muito para que algo estoure.
Infelizmente para Van Allen, estoura no espaço.
Os russos detonam uma arma nuclear no alto da atmosfera.
Eles chamam de um teste, mas é também uma ameaça.
A América decide responder.
Sim, eu entendo.
Muito bem, obrigado Sr. Vice-Presidente.
Tenha um bom dia.
Johnson?
O que aconteceu?
Vão detonar algo nuclear no espaço.
Uma bomba H de 1 megaton.
Me querem no Comitê para que diga que é seguro.
Querem que diga que é seguro?
- Quanto tempo você tem? - Três semanas.
E tomaram a decisão que eu vá.
Uma bomba de hidrogênio de 1 megaton,
mais de mil vezes mais poderoso do que o teste dos soviéticos.
O que acontece quando uma bomba radioativa desse tamanho
detona bem na frente da nossa atmosfera?
Ninguém, nem o grande Van Allen pode ter certeza.
Quando a Rússia detonou uma bomba no topo da atmosfera
as relações com os Estados Unidos tornaram-se explosivas.
O cientista Van Allen é metido na briga.
O governo está usando seu nome para sustentar um plano selvagem.
Detonar uma bomba H de 1 megaton no espaço.
Codenome: Projeto Starfish Prime
No final dos anos 50, os dois lados acordaram
em não detonar armas nucleares no alto da atmosfera.
Mas em 1961 a União Soviética quebrou a promessa e começou seu programa de testes.
O Canadá fica furioso e os EUA começam seu próprio programa em resposta.
Os EUA querem mostrar poder aos Soviéticos mas há outra ideia por trás desse teste.
Criar um escudo contra mísseis russos.
Uma bomba de hidrigênio cria uma imensa quantidade de radiação.
A idéia por trás desse Projeto Starfish Prime foi que, assim que uma exploda,
criaria um escudo de radiação
que fritaria a eletrônica de qualquer míssil.
Essa foi a tentativa dos EUA de combater o fato de estarem muito atrasados.
Eles não tinham a tecnologia para enviar mísseis à Rússia,
mas, pelo menos, tentaram proteger o país.
Eu li que é muito perigoso fazer este teste.
Não podemos prever o efeito de algo grande.
Sim, eu li isso também.
Uma das dúvidas mais difíceis foi saber que essa explosão criaria
um Cinturão de Van Allen novo e artificial
e a radiação dele interferiria nas comunicações
e também intensificar os efeitos do sistema à volta.
Também seria potencialmente perigoso para a vida dos seres humanos.
Não era só os cientistas que estavam preocupados.
Lembre-se que logo que acabou a 2º Guerra Mundial
quando as armas nucleares foram usadas no Japão,
o sofrimento humano foi bem documentado
e as pessoas estavam ansiosas que neste caso a explosão
seria à grandes alturas.
Havia preocupações que contaminaria a Terra
e, para ser honesto, ninguém tinha as respostas para essas perguntas.
Junho 1962
O governo apoiado em James Van Allen,
para justificar sua bomba gigante no espaço
não importando o que o mundo pense.
Ainda está aqui?
É hoje, certo?
Acho que sim.
O Pentágono poderia explodir.
- Ouviu o Kennedy? - O quê?
James Van Allen disse que nada será danificado.
Mas nós sabemos disso?
Poderia parecer imprudente no momento
mas sim, era realmente imprudente,
os cientistas não sabiam exatamente o que aconteceria.
Essa é a razão porque os cientistas experimentaram
mas a noção de bombardear muita radiação
nesse cinturão, onde temos muita radiação, parece louca.
Na tarde de 8 de julho
os Estados Unidos lançam com êxito o Starfish Prime.
Uns minutos depois a uma altitude de 2500 milhas
a bomba de 1,4 megatons detona.
É mil vezes mais poderosa que a bomba que destruiu Hiroshima.
A cerca de 1000 milhas da explosão
as pessoas observam luzes ao redor do céu.
Uma aurora feita pelo homem.
E há conseqüências inesperadas.
A aurora foi vista no Hawaii.
Um pulso eletromagnético apaga as luzes das ruas.
E os satélites circulando ao redor são
desativados pela grande quantidade de radiação
que a bomba pôs no espaço.
Esse é o escudo antimísseis que sonharam?
Na verdade, só queimou a eletrônica dos satélites,
mas eles continuaram em suas posições
e as armas nucleares viajariam muito rápido
através do escudo que criaram e não seria eficaz
então, nesse aspecto, foi um fracasso.
O que se fez com êxito foi acelerar massivamente a tensão entre EUA e Rússia.
Em questão de meses, os dois países estão à beira do Armagedom.
A crise dos mísseis cubanos.
Dada a política desta nação, qualquer míssil lançado de Cuba
contra qualquer nação do Hemisfério Ocidental será considerado como
um ataque da União Soviética contra os Estados Unidos
requerendo uma resposta total.
Lembro que minha família me disse que as pessoas que
deixaram suas casas nesse fim de semana diziam adeus.
Realmente pensávamos que seria o fim.
Esperança para o mundo, notícias que um acordo foi alcançado.
É claro que nos assustamos o suficiente para
concordar com um tratado de armas nucleares.
Felizmente foi assinado um pouco depois.
Van Allen continuou seus estudos com os militares
e se tornou-se em um pioneiro na exploração espacial.
Levou 10 anos para que a radiação produzida pelo Starfish Prime desaparecesse
permitindo-lhe a estudar de novo o Cinturão de Van Allen natural.
Imediatamente após a Starfish Prime, Van Allen o descreveu
como 'maluca' e 'doentia'.
Van Allen morreu em 2006 os 91 anos de idade,
um dos cientistas proeminentes do século 20.
A Stafish Prime permanece como o maior artefato nuclear já detonado no espaço.
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