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NETFLIX APRESENTA
Só mais cinco minutinhos.
Bom dia, Texugo.
-Oi, amor. -Bom dia, amor.
Levante-se, meu bem.
E, Texugo…
Que pena, eu queria convidá-lo para comer chilaquiles verdes.
Com uns ovinhos motuleños deliciosos.
Mas parece que vou ter que chamar Mila.
Embora eu também quisesse te dar
uns beijinhos matinais
e umas mordidas no pescoço, meu Texugo.
Mas parece que hoje não vai dar.
Não!
-Vai aonde? -Não, pare de fazer cócegas!
-Não, amor! Por favor! -O que foi?
Hoje é minha reunião. Vamos, anda.
-Não, espere. -O quê?
Não sei mais o que fazer.
Calma, amor.
Amor?
Sabe Valentina Reina?
Sim, a diretora do Inmujeres.
-É. -Sei, claro.
-Está grávida. -De novo?
Que maravilha, né?
Ela já não tem uns 26 filhos?
-Quatro. -Eu não aguentaria um.
-É questão de organização. -Não é verdade.
É. E vocês, mulheres, já vêm com o chip de maternidade.
Até parece.
-Sim. -Claro, como a mulher aí atrás.
-Amor… -Veja como tem o chip.
-Ora… -Olhe só para ela.
E se não for gripe, mas um desses vírus matantes?
-Mutantes. -Não, vírus que matam.
-Não, Bety. -Você não pegou, meu amor.
Imagine isso multiplicado por quatro.
Coitada. Precisa que a salvem.
-Eu vou. -Quê? Eu não quis dizer isso.
Veja como serei um bom pai.
-Não, escute. -Oi!
-Amor, me deixe. -Alejandro!
Desculpe, que vergonha!
Que bebê fofo! Qual é o nome?
Alaia.
-Alaia, é menina! -Alejandro…
Posso?
-Sou bom com bebês. -Você tem algum documento?
Você pode ser um sequestrador
-ou um criminoso. -A carteira de motorista serve?
-Relaxe. -Calma, é brincadeira.
Assim. Tudo bem.
-Passou. -É porque ele está calmo, viu?
-Tome seu café. -Obrigada.
Como toma sem açúcar?
Não, Laurita!
Não, qual foi nosso trato? Isso é intocável, sagrado.
-Só tirava a poeira. -Não, para quê?
Esta é uma edição limitada de 1982.
Está bem. É para limpar ou não?
-Não, para quê? -Está bem.
-Obrigado, muito gentil. -Sim.
-Licença. -Pode ir.
E aí, cara?
E aí, irmão?
Não muito bem.
Mussolini está enchendo. Quer a proposta de campanha para já.
Eu sei, cara.
Até tive um pesadelo com ela.
Sonhei que estava na minha Fase Azul
num comercial muito de vanguarda,
e, de repente, Mussolini aparecia brava e me mordia.
Aí eu acordei.
Foi. Acordei assustado.
Ser ela deve ser horrível, né?
Digo, não ser amada, não amar ninguém…
Com a vida girando em volta do cachorro dela.
Por que acha que ela não teve filhos? Por opção ou…
Ouça, há mulheres que não estão dispostas a sacrificar a beleza e o talento
e ficar esquecidas, entende?
O quê?
Acham que a inteligência superior delas faz falta no mundo do…
Como vou dizer?
Sim, no mundo.
Claro. É como Ceci, minha esposa.
Ela não quer filhos, como Sylvia.
Conversamos muito sobre ela. Nós a admiramos…
-Chega. -Sylvia! Você está aí?
-Estávamos falando de… -Muito papo, não é?
Logo será a apresentação formal do projeto.
Concentre-se, Alejandro.
-Sim, perfeito. -E você, Rafa?
Se quiser ter seu visto renovado,
me faça lembrar o motivo da sua contratação, certo?
Certo.
Sem dúvida, o projeto mais sólido
são as micro-hidrelétricas em Chiapas.
Exige um investimento de US$ 50 milhões com retorno de 12 a 14%.
Mas o mais importante
é o impacto positivo que vamos gerar nas redondezas.
Não vamos afetar o ecossistema,
não vamos queimar combustíveis fósseis,
mas vamos gerar empregos enquanto produzimos energia limpa.
Tudo isso vai nos posicionar como uma empresa socialmente responsável.
Nada mal, agora só falta verificar os requisitos legais.
Já verifiquei. Estão autorizando.
O governo tem interesse em investimento privado.
Ótimo, quando pensar num investidor, discutiremos isso.
Entrei em contato com possíveis parceiros nos EUA.
Estão interessados em financiar isso.
Bom, com Ceci no comando,
a nós, sócios, só resta jogar golfe.
Ou tênis, para não desperdiçar muita água.
Ou tênis!
Esse é um grande investimento para nossos clientes.
Ou seja, não vou até o conselho de acionistas
sem uma análise clara, séria e confirmada
da situação política, econômica, social e tributária da região.
Sim, eu até queria lhe dizer, Guillermo,
que todos receberam hoje de manhã
um relatório com tudo que você pediu.
Bom, preciso ir.
-O que acharam? -Adorei, cara!
É?
É sério?
Não. Que vergonha, Rafa!
É o mesmo comercial que sempre vimos.
Vocês não entendem nada.
Calma, que história é essa?
Tem uma mensagem muito feminista.
O que foi? Diz que as mulheres podem ser tudo o que quiserem e mães também.
-Para mim, é muito revolucionário. -Não é?
Ouçam, senhores feministas.
Seria mais revolucionário
se houvesse um homem no comercial.
Um rapaz cuidando dos filhos e da casa.
Fofinhos. Até mais tarde.
Totalmente radical.
Ela tem razão.
GESTÃO EMPRESARIAL
-Vamos. -Não vamos a lugar nenhum.
Temos que dar duro porque não vou deixar Guillermo
usar os truquezinhos dele para prejudicar meu projeto.
Ficaremos até tarde?
Eu vou.
Você deveria trabalhar menos.
Isto não é vida.
O que poderia fazer de mais produtivo?
Menina, tomar uma cerveja!
Artesanal. Mexicana.
Para a indústria da cerveja gerar milhares de empregos
a milhares de mexicanos e incentivar a economia do país.
Você venceu. Vá pegar umas cervejas.
Bati!
Alguém acaba de parir uma bucha de sena e bater.
-Isso! -Rafael!
Eu ia jogar agora.
Calma.
Parir não é o fim do mundo, certo?
É só o fim do sexo, das férias românticas, da poupança…
Se quiser, abandonamos os meninos.
Não, amor. Nunca. É melhor rifá-los.
Ora, você não aguentaria um dia sem seus filhos.
Quatro pretas.
-Alicia! -Obrigado.
Quase esqueci, trouxe roupas dos meus filhos para seu bebê.
Muito obrigada.
-Alicia, quantos anos Alan tem? -Um.
Um ano? Que legal!
Estou doido para ter um bebê.
E deveria ter!
-Desculpe, Alicia. -Sim.
Sim. Eu quero, mas Ceci não.
Como ela está? Não a vemos há anos.
Está bem. Sempre trabalhando.
Se trabalhasse menos, nossa família poderia aumentar, mas…
E por que quer um bebê?
Como assim?
Para amá-lo, brincar com ele…
Para ver Star Wars com ele, não?
E para sustentá-lo, educá-lo, alimentá-lo…
-Estraga-prazeres! -Sim.
Onde comem dois, comem três.
Querem algo mais?
-Não. Obrigado. -Obrigada.
É um prazer.
Tudo bem, cara?
Sim, por quê?
-Nada. -Bom, eu desisto.
Recusado. Mas não é o cartão, é o sinal instável.
-Quer tentar de novo? -Sim, por favor.
Alicia, quantos anos você tem?
Dezoito.
-Dezoito? -Bem, quase dezoito.
Não diga a ninguém ou me demitem.
Claro. Não vou dizer nada.
Como consegue cuidar do seu bebê?
Quem te ajuda?
Alicia, não o deixe na cozinha. Ele pode se queimar.
Alan, não posso contar com você, né?
Olá! Vem cá.
Deixe-me pegá-lo um pouco. Passou.
Não.
Você é bom com bebês.
-Sou? -É.
Como se eu tivesse um chip, né?
Pronto.
-Seu cartão. -Obrigado.
Olha…
Isto é para você. Sua gorjeta.
Por que tanto?
Bom, para comprar algo para Alan.
Passou.
Obrigada.
Sem problema.
Se precisar de ajuda para cuidar dele, me ligue.
Aqui é meu telefone.
Me ligue, está bem?
-Certo. -Tchau, Alan.
Cuide-se.
-Diga "tchau". -Tchau.
-Tchau! -Tchau.
-Até mais. -Tchau!
Viu?
Bom dia, meu amor.
Bom dia, amor.
Você fica linda quando acorda. Nossa!
Não é verdade.
Principalmente após trabalhar até tarde.
Eu te amo cheia de olheiras e tudo mais.
E eu te amo assim sonolento e bonitão.
Ei…
E se tivermos um bebê?
E se não tivermos?
-Qual é! -Não.
Um pequeno e gordinho para abraçar e morder.
Para morder não.
-Então para você amamentá-lo. -Não, nada de amamentar.
Além disso, já estamos perfeitos.
Já discutimos isso.
Quando?
Não me lembro de discutir isso.
Entre, Cecilia. Sente-se.
Sim.
Diga, Sr. Gonzalo.
Ótimo trabalho, parabéns.
A hidrelétrica foi aprovada.
Obrigada. Muito obrigada!
Que bom que está feliz.
Você merece.
Obrigada.
Cecilia…
Sabe por que não tive filhos?
Porque não poderia criar esta empresa
se tivesse gastado tudo em colégios.
Não.
Não, minha esposa e eu não pudemos.
Eu lamentei a vida toda.
-Lamento. -Dito isso…
-Sim. -Quero que escute
e pense bem na sua resposta.
Sim.
Vou me aposentar em breve
e não tenho filhos que herdem meu negócio.
Talvez possa me ajudar a achar a pessoa certa
para passar o bastão.
Sim, claro. Eu ajudo.
-Vou lhe dar alguns nomes. -Não.
Não?
E você, Cecilia?
Você, por exemplo.
Onde se vê em cinco anos?
Eu…
me vejo…
Eu me vejo bem aí, Sr. Gonzalo.
Maravilha.
Então temos muito o que conversar.
-Sim. -Considere isto uma proposta formal.
E vamos resolvendo os detalhes.
Temos uma videoconferência às 15h.
Chegou na hora, Guillermo.
Estava falando com Cecilia sobre ela ficar no meu lugar.
E, sim,
ela se interessou.
Que bom!
Agora, sim, Ceci.
Vai saber o que são as viagens de negócios express.
Sim, já fiz muitas.
E estaria disposta a mudar de país se for necessário?
-Sim, claro. -Certo, falamos disso depois.
Só queria ver se ela teria interesse.
-Obrigada. -Ótimo.
Só falta a aprovação dos conselheiros na próxima reunião.
Os resultados de Cecilia vão convencê-los.
Sim, vão mesmo.
Vamos?
Vamos.
Obrigada.
Você decidiu.
Amor.
Meu amor!
Tenho algo para contar.
Que delícia!
-Amor… -O quê?
Não paro de pensar.
Sobre o quê?
Quero um bebê.
-Alex! -O que foi?
Quero um apartamento em Manhattan,
um milhão de dólares e a paz mundial.
Não, é sério.
Eu também.
Péssimo momento.
Sempre que quero falar disso, nunca é uma boa hora.
Não, e agora principalmente.
Nós concordamos que um dia vamos ter um filho.
Nós conversamos que, talvez, algum dia,
mas não agora e não no curto prazo.
Não, claro.
É melhor esperar você fazer 40 anos,
gastar uma grana com tratamento de fertilidade
-e torcer para ele ser saudável. -Grosseria desnecessária.
Desculpe, mas agora…
Amor, sou muito jovem. Tenho muitos planos.
Um bebê? Agora?
De jeito nenhum. Não tenho tempo.
Eu te ajudaria.
Não se trata de ajudar, mas de querer.
-Exatamente, eu quero! -Mas eu não.
Certo, por que não?
Amor…
por favor, não me pressione.
Sabe como me esforço para alcançar minhas metas.
Estou conseguindo.
Entendeu?
Nossa, então…
não estou nas suas metas?
-Não se faça de vítima. -Não, é sério.
Acho que está investindo muito no trabalho
-e pouco em nós. -Quê?
-Não. -Sim.
-Não acho. -Eu acho.
Eu não!
Acho que estou investindo o certo.
-O certo? -Exatamente.
Além do mais,
com ou sem filho, não vou parar de trabalhar.
-Está bem. -Está bem.
Quer jantar?
Não estou com fome, obrigado.
Esta é pela sócia da empresa.
Ainda não é oficial.
Mas você é a mais foda. Óbvio que vão aprovar.
-Óbvio. -O que Alex disse?
Acredita que ainda não contei a ele?
Por quê?
Porque ele está obcecado em ser pai.
-Que ótima notícia! -Não, nada de ótima notícia.
Parece um menino teimoso reclamando:
"Mamãe, me dá um cachorrinho? Eu juro que vou limpar o cocô dele."
E, no fim das contas, é a mãe quem faz tudo.
Acho que já estamos superpovoados
e que ninguém mais deveria ter filhos.
Nossa, o que está querendo me dizer?
É tarde demais para você. Não pode devolvê-lo.
Mas é só esse, chega.
-Sua vez? -Sinceramente,
não acho que ter uma família
e criar bons seres humanos seja ruim para o mundo.
Por exemplo, você faz pão bom, e eu faço filhos bons.
Mas não sou esposa de um croissant
nem mãe de um cupcake, sabe?
Eu sou esposa de croissant?
É a esposa de Fernando.
Você é idiota se me vê como esposa dele.
Não importa, pois levo a vida que sempre quis.
É exatamente isso.
Você é mãe e tem família porque é o que sempre quis.
Mas eu não.
Eu nem sonhava em me casar. Você sabe.
Casei com Alex, pois era isso que ele queria,
e, hoje que fazemos três anos, juro que estou muito feliz.
Mas…
não sei se quero filhos.
Você não quer filhos nunca?
Não sei.
Oi, amor.
Oi, querida.
Podemos conversar agora?
Sim.
Mas, antes, abra seu presente.
O que foi?
Feliz aniversário! Venha abrir.
-Feliz aniversário, meu amor! -Sim.
Você comprou um presente!
Não, fui eu que fiz.
-Não. -Sim, veja.
Um, dois, três.
Nossa! É incrível!
É? Gostou?
É incrível, amor. Como pode ser tão talentoso e bonito?
Você me perdoa?
-Por quê? -Não comprei nada.
-Não se preocupe. -Esqueci.
Bom, pode me levar para jantar ou algo assim.
Talvez eu tenha deixado uma surpresinha lá embaixo.
O quê?
Acho que somos o casal mais brega do país com as bicicletas iguais.
Vamos correr.
-Estavam em promoção? -É claro, amor!
Pronto, amor.
-Tem álcool. -Perfeito.
-Olha, amor… -Texugo…
-O quê? -Você primeiro.
-Você. -Não.
-Você. -Não, você primeiro.
Está bem.
-Não, eu. -O que…
Certo. Fale.
Eu estava pensando.
-O quê? -Essa bicicleta
ficaria linda com um assento de bebê, não?
-Caramba, amor! -O que foi?
Por que você não entende?
Não estou preparada.
Não precisa estar preparada.
Vocês, mulheres, têm um talento nato que surge ao virar mãe.
Foi a coisa mais sexista que disse desde que te conheci.
-De todas. -Não, ouça…
É como eu achar que, por ser homem, você tem que gostar de futebol.
-Eu gosto de futebol. -Não é…
-Em que time Chicharito joga? -Ué…
-No Winchester. -Não.
-Rochester? -Não, Manchester. E foi há tempos.
-Quase acertei. -Não.
Estou tentando dizer algo há dias, mas você não deixa.
E eu quero ser pai, mas você não deixa.
-Texugo, por que quer brigar? -Não.
-É nosso aniversário. -Eu sei, não quero brigar.
-E então? -Quero um bebê com seu sorriso.
-Não me culpe por isso. -Veja meu sorriso.
Tudo bem, vou calar a boca.
Pronto.
O Sr. Gonzalo me ofereceu uma vaga como sócia da empresa.
O quê? Por que não me contou?
Porque não deixou, com esse papo de bebê.
Amor, que ótimo! Parabéns!
Obrigada. Mas isso vai exigir certas mudanças.
Calma, o que vai mudar?
Vou passar mais tempo no trabalho,
mais viagens.
E, se eu virar sócia,
vão anunciar na convenção de Valle.
-Certo. -Vai ser ótimo.
Você vai, né?
-Não sei. -Vestido de terno!
-Quê? -Formal!
-Calma. Formal como? -Chique.
Chique?
Está bem.
-Chique… -Amor, preciso do seu apoio.
Meu amor,
vou com você daqui até a China.
Oi.
-Oi. -O que faz aqui?
Então…
lembra que disse que me ajudaria a cuidar dele?
-Foi, mas eu preciso… -É uma emergência,
e preciso que cuide dele para mim.
Três dias.
-Três dias? Não, calma. -Sim.
-Prometeu, esqueceu? -Não.
-Diga "oi". -Oi, Alan.
Mas é que eu não posso.
-Tenho trabalho. -Por favor!
Juro que você é minha única opção.
Certo, mas está tudo bem?
Sim. Tudo bem, mas não posso explicar agora
porque preciso ir, mas são só três dias.
-Eu trouxe as roupas dele. -Certo. Está bem.
Muito obrigada. De verdade.
-Não, espere. -Juro que são só três dias.
Três dias e pronto.
Está em suas mãos!
Olá. Nossa…
Onde vou te esconder agora?
Olá.
-Nada de café hoje? -Não, desculpe. Nada de café.
Bom dia.
-Oi. -Está de mudança?
-O quê? Não, são coisas que preciso. -Para trabalhar?
-É. -Por que tão grande?
-Sabe como é. -Mexeu.
Quê? Não se mexeu.
Mexeu, cara!
-Não, eu não vi nada. -O que tem aí?
-Silêncio! -O que tem aí?
-Sente-se! -O que tem aí?
Não, pare!
O que é isso?
O que pode ser? É um bebê.
É seu?
Como pode ser meu?
É de Alicia, a garçonete.
-Pediu para cuidar dele por três dias. -Atenção!
Sabem quantos e-mails eu recebi sobre o projeto?
Exatamente.
Zero.
O prazo termina às 12h.
-Então vão trabalhar, está bem? -Certo.
-Está bem. -Sim.
E então?
O que vai fazer?
Como assim?
Ué, vou cuidar dele pelos três dias e…
Ceci vai me matar.
Não sei no que pensei.
Não, é óbvio que não estava pensando.
E o que eu podia fazer?
Alicia apareceu aqui embaixo, deixou o bebê e foi embora.
Bom, acho que um bebê
só precisa de amor, né?
E Ceci vai ter que entender.
Na verdade,
talvez ela precise disto.
De conviver com um bebê
para perder o medo, né?
Vamos lá. Me ajude.
-Vou aumentar a música. -Isso.
-Boa ideia. Sim. -Bem alto.
Vou colocar uma música. Aqui está meio caído.
Não, pessoal. O que é isso?
O encanador não veio ontem?
Veio, sim.
O cheiro está muito forte. Meus olhos estão coçando.
Vou chamar Laurita.
Obrigada.
E quem aumentou a música?
Eu falei, idiota. O fedor está horrível. Parece cheiro de desgosto.
Cheiro de esgoto!
Isso. Está me matando!
-Faça algo, cara. -O quê?
Sei lá! Alguma coisa.
Alicia só me deu roupa, não tem fralda.
Já sei! Tome.
Aqui.
Vá à farmácia e compre fraldas.
-Te vejo no banheiro. -Certo.
-Oi, como vai? -Oi. Bem, e você?
Bem.
Você cortou o cabelo, não foi?
Não. É que deixei aqui na frente.
Vou buscar.
-Chegou um lubrificante orgânico ótimo… -Não.
Vou querer outra coisa.
-O quê? -Bom…
Fraldas.
Fraldas?
Comprou camisinha ruim.
-Sim, sabe que… -Não!
São para você?
Não, são para um amigo.
Sei, você quer fraldas de adulto.
Não, calma. Eu explico. Um amigo meu tem um bebê.
Certo. Quer de que tamanho?
Não sei, tamanho de bebê.
Qual é a idade dele?
Como vou saber? É só um bebê.
Ora, ora…
Você sai engravidando os outros
e nem sabe a idade dos meninos.
-Senhora… -Não me venha com "senhora".
Ora, faça a conta.
Quando dormiu com a mãe?
Some nove meses
e depois acrescente os meses até hoje.
Essa é a idade do seu filho.
-Com certeza esta vai servir. -Sim, com certeza.
Não acredito! Mas que porra!
Alex. Está fora de uso, cretino.
O quê? Não seja burro. Fui eu que coloquei.
Espere. Vou abrir.
Pronto. Vamos lá.
Não, que nojo! Parece doce de leite!
Me dê os lenços. Isto não está limpando.
Não, que lenços? Só trouxe fraldas.
Não trouxe lenços?
Você pediu fraldas, e eu trouxe.
Certo, me dê uma fralda.
-Espere. Pronto. -Aqui.
Aqui está. Não!
-Segure! -Que nojo, porra!
Venha cá. Não. Rafa.
-O quê? -É de recém-nascido.
-O que é isso? -Sei lá, mano.
Você não disse. Eu não sabia. Que nojo!
-Está comendo o cocô! -Não, Alan! O cocô, não!
Espera. O cocô. Calma.
-Não deixe comer. -Traga fraldas maiores!
Não.
Sócia?
No seu lugar?
Acha que ela consegue?
Que o marido vai deixar?
Porque, qualquer dia desses, ela aparece com uma barriga grande
e nos deixa na mão.
Não, Guillermo.
Cecilia não é de largar o trabalho.
É uma mulher muito focada.
Além disso, a visão dela será útil para a empresa.
Você é o sócio majoritário.
Eu?
Não deixaria tudo nas mãos de uma mulher.
Elas são muito emotivas. Pense nisso.
Pensar?
Amor?
Amor!
Venha.
Ela ainda não chegou. Vamos.
Olhe.
Este quarto
é seu por enquanto, está bem?
Você vai ficar aqui.
É um momento muito delicado, está bem?
Preciso que me ajude.
Não faça barulho nenhum
até eu contar tudo à Ceci.
Certo?
Está bem, certo.
Ela chegou.
Fique aqui. Já volto.
Oi, meu amor.
-Por que a música está tão alta? -É ótima.
-De um a dez, quanto você me ama? -Agora? Está em oito.
Mas pode ganhar mais pontos.
Falando em ganhar e perder pontos…
-Sim? -Você me perdoaria qualquer coisa, né?
O que você fez, Texugo?
Nada.
-Sei. -Eu trouxe um bebê.
Quê?
Abaixe o volume. Mal dá para te ouvir.
Não, eu adoro essa parte.
Acho que deixei o computador ligado.
Já volto, me espere.
Está bem.
Não!
O que você fez?
O que você fez? Não! Ela ainda não sabe.
Vamos. Venha cá.
Venha. Aqui.
Sim, aqui.
Assim.
Olhe.
Tome.
Teoria Quântica, leia.
Fique quieto, por favor. Certo?
Com Snoopy.
Pronto. Ainda não contei a ela.
Espere. Você disse que me ajudaria. Por favor, está bem?
Pronto, voltei.
-Sim. -Amor…
-O quê? -Olha…
Acho que é importante…
Não!
Quero falar da nossa situação familiar.
Ótimo.
Agora que mencionou a família.
Não sei bem como dizer isso,
mas…
temos um pequeno aqui.
Um pequeno problema.
Não tem nada aqui em casa. Temos que fazer compras.
-Só tem rabanete. -Eu sei.
Juro que adoraria ter tempo para compras e ser a esposa perfeita,
mas tenho tanto trabalho que não tenho tempo.
-Não, mas você é perfeita. -Não sou.
Sim, quando chegar a hora, você será uma ótima mãe.
Não, escute.
Era sobre isso que eu queria falar com você.
O quê?
E se eu fosse estéril?
-O que tem? -Deixaria de ser a esposa perfeita?
De jeito nenhum.
-Certo. -Continuaria perfeita.
Sim, nós adotaríamos um bebê e pronto.
E se eu nunca quiser filhos?
Adotivos, biológicos ou de nenhum tipo?
Acho que estaria sendo egoísta.
Estaria pensando em si própria, quando deveria pensar em nós.
Não! Além disso, todo mundo tem um trauma por causa dos pais.
Não quero traumatizar um bebê, entende?
Você, por exemplo, odeia sua mãe.
-Não odeio minha mãe. -Odeia.
-Não odeio minha mãe. -Um pouco.
Eu teria adorado se ela tivesse me visto nos festivais da escola,
na minha formatura, no exame profissional, no nosso casamento, mas não foi.
Porque trabalhava.
E agora eu tenho tanto trabalho que nem tenho tempo para mim.
Precisamos passar mais tempo juntos.
Sim.
Fazer o dever de casa.
E pensar em ter um bebê.
Dever de casa,
sim.
Ter filhos,
não.
Por quê?
Meu amor…
Um bebê seria a pior coisa para mim agora.
-É mesmo? -A pior.
-A pior? -A pior.
Um gato.
Como você sabe?
Ué, porque miou, não?
-Não. -Sim.
O que foi?
Estou sentindo a garganta fechar.
Viu? É um gato.
É. Sabe como isso te afeta.
-Que droga… -Fique aqui e me espere. Vou ver.
-Certo? -Que saco! Um gato!
Bebê!
Venha.
Venha comigo, vamos embora.
Texugo?
Texugo?
É um gato.
-Não. -Sim, estou encurralado-o no sofá.
-Vá para o quarto. -Sim, está bem.
-Feche a porta. -Sim.
E depois?
-Eu aviso. Feche a porta. -Está bem.
Amor, tudo bem?
Tudo. Já estou tirando. Eu aviso.
Está bem!
Cuidado!
Nossa, que horror!
Odeio gatos.
Diga "oi, Rafa, podemos entrar?".
Não.
-Sim. -Não.
-Sim! -Não!
-Não pode nos deixar na rua. -Agora não.
-Como assim? -Não posso.
Deixe-me entrar.
-Não, escute. -Vou explicar.
-Eu o escondi de Ceci, e depois… -Não.
Olá.
Olá.
Lorena, Alex
-e o Come-Come. -Que fofo, é seu?
-É dele. -Não, é dele.
-Quê? -Aceite.
-Não. -É seu, Rafa?
-Sim. -Juro que não.
Por que ele disse isso?
-Não… -Sabe como ele é.
-Quando tem um encontro, ele deixa comigo. -Eu explico.
-Eu explico tudo. -Sério? Vamos, explique!
Quer saber?
Não precisa explicar. Eu não entendi nada,
e vocês precisam conversar.
-Desculpe. -Eu vou.
Espere, não o conheço. Nem sei o nome dele!
Que vergonha!
Sim, que vergonha negar seu bebê!
Não acredito.
Espera! Te vejo amanhã na festa na piscina, né?
Sim, claro.
Festa na piscina?
Sim, cretino. Festa na piscina!
Viu como ela era gostosa?
Vi, mas precisamos da cama.
Tome.
CINCO CHAMADAS PERDIDAS
-O que foi? -É Ceci. Tome. Segure-o.
-Segure. -Algo mais?
Diga "por favor, tio Rafa". Tudo bem?
O que aconteceu? Estou te esperando.
Oi, querida.
Desculpe, estava em outra ligação.
Tive uma emergência no trabalho
e passarei a noite trabalhando com Rafa.
Tem razão. Trabalho é trabalho.
-O que aconteceu, afinal? -Com o quê?
Com o gato.
O gato?
Deixei no veterinário.
Com um médico muito simpático e paciente.
Está na hora de dormir.
Puta merda! O que deu a ele, Red Bull?
Chocolate.
Que burrice, Alejandro!
Vamos ligar a TV para ele.
Não. Sabe que não gosto de dormir com a TV ligada.
Mas dorme com esse barulho?
Você tem ouvido seletivo, babaca?
Preciso descansar. Vivo de minhas ideias, Alejandro.
Se não descansar, não tenho boas ideias.
Você é muito sensível.
Se eu não dormir, ninguém dorme.
O que está fazendo?
Apague a luz e pare de gritar, senão ele não dormirá.
Gritar? Parece que estou gritando, Alejandro?
Sim, parece que faz tempestade em copo d'água.
Que bom que falou em copo d'água,
pois fiz de tudo pelo bebê,
e você não fez nada. Não me ajuda.
O quê?
Eu não te ajudo?
Quem foi comprar a mamadeira?
O quê?
A mamadeira, idiota. E neste frio, viu?
Eu estava trocando a fralda.
E quem comprou as fraldas?
Você, mas eu paguei.
Não, sustentar um filho não faz de você um pai.
Você não limpou um cocô sequer!
E você não foi humilhado na farmácia!
Você não perdeu a garota mais gostosa da história do Tinder!
Fiz tudo por você, e o que fez por mim?
Não fez nada por mim!
Veja! O jarro está vazio.
Não tem uma gota de água, e você não enche.
Por que não enche? Encha!
Está bem.
Vou encher o jarro de água.
-Inacreditável. -Cuide dele.
-Sim. -Não o deixe te ver chorar.
Não.
Desculpe. Eu sei que a culpa não é sua.
A culpa é daquele cretino.
A culpa… Chega. Mano!
Mano!
O que foi?
Já sabe onde vai escondê-lo amanhã?
Não pode escondê-lo por três dias numa caixa esburacada no escritório.
Pode achar um esconderijo melhor, não acha?
Que esconderijo?
Deixe comigo.
Antes, encha meu jarro. Não seja cretino.
Até em cima.
Vá dormir.
-Oi, bom dia. -Bom dia.
Como vão?
Olá, Erica.
Jackie, desculpe. Sem café de novo.
Sim, tudo bem.
Caramba, que chatice!
O que é isso?
Uma proposta de amostras para embalagens ecológicas.
Para a campanha de fraldas.
Pelo menos, as embalagens são ecológicas.
Não queria que eu provasse que valia a pena pagar meu visto?
Excelente.
Parece que você não é inútil, afinal.
Mas quero uma apresentação impecável na segunda de manhã.
Sim, claro.
Se me fizer perder esse cliente, Alejandro,
corto seu adicional de produtividade.
-Sim. -Está bem?
Está bem.
-Está bem. -Está bem.
-Cara, conseguimos! -Conseguimos!
Que proposta legal, viu?
Eu adorei. É ótima.
Foi ideia de Rafa. Você o conhece.
Vamos ver. Nossa!
-As cestas são incríveis. -Pois é, né?
Vamos ver.
Não roubou dos artesãos, né?
-Não. -Pelo contrário. É para apoiá-los.
-Quer um café? -As fraldas ficariam aqui?
-Sim, claro. -Sim.
-Fantástico. -Diferente, né?
Vocês sabem como adoro artesanato. Sempre quis fazer algo com os artesãos.
-Quer café? -Chocolate?
-E aqui? -Não!
Eu sabia que estavam aprontando!
O que é isso?
É para a campanha ou o quê?
Vamos à cozinha para contarmos? Pode ser?
-Certo, vejo vocês lá. -Sim.
-Ótimo. -Certo.
Vamos.
Você enlouqueceu?
Se Mussolini souber que você trouxe um bebê, vai te demitir.
Lembre-se do que houve com Amanda, quando amamentou na recepção.
-Sylvia odeia crianças. -E todos os seres vivos.
-Não. -Não, precisamos de sua ajuda.
Minha?
-Para escondê-lo. -Vamos!
Por favor, Jackie, é a única que pode ajudar.
Só por um dia. A mãe vai buscá-lo amanhã.
Jackie, por favor.
Está bem.
Mas todo o escritório deve participar.
Como?
Já sei.
Vou mandar uma mensagem criptografada.
BEBÊ AQUI. ASSOBIE SE MUSSOLINI CHEGAR! MENSAGEM COMESTÍVEL. DESTRUA-A.
Você é a pequena esperança do mundo.
Gostou? Você também?
Ser pai é minha praia mesmo.
Mas você não fez nada.
Como assim?
Não se nasce pai, torna-se pai. Faça por merecer.
Estou fazendo tudo direitinho. Não estou?
Não estou fazendo tudo certo? Ei, idiota.
Eu fiz uma pergunta!
O quê? Não sei do que está falando.
Estou com uma gata no Tinder.
Sabe que acabará sozinho, gordo
e com o cabelo pintado atrás de mulheres, né?
Não. Gordo, não.
Sim, esse…
-O que é isso? -Assine, por favor.
Eu sei, mas a reunião não é agora. O que está havendo?
Saiam, vão estressar meu cachorro.
Meu amor, tudo bem.
A Gestapo já foi. Tudo limpo.
Como sabe,
nossos parceiros internacionais virão em duas semanas
para a reunião anual em Valle de Bravo.
Sim.
E, em vez de eu apresentar os projetos…
Sim.
Gostaria que você apresentasse,
para que a vejam em ação.
Sim, claro que sim. Com certeza.
Obrigada pela oportunidade. Não o decepcionarei.
Você mereceu, Cecilia.
Você mereceu.
Mais uma coisa.
Se isso se realizar,
terá que morar em Hong Kong por um ano
para cuidar do novo escritório.
Nossos principais clientes estão lá,
e precisa estar perto deles na transição.
Isso será um problema?
Nenhum.
Não. Calma. É Hong Kong.
É óbvio que vai adorar a ideia.
Fofinho.
-Ele dormiu. -Sim.
Caramba, é Ceci.
Alô, meu amor!
Amor…
andei pensando muito no nosso futuro,
e tem algo que quero contar que vai mudar completamente nossa vida.
Nossa, que ótimo! Conte.
Não, quer saber?
Vou contar quando você chegar em casa.
Mas não vai acreditar.
É algo para comemorarmos.
Está bem. Claro. Quando eu chegar, nós comemoramos.
Mas é que vou levar…
um tempo.
Texugo, tudo bem, meu amor.
Vou preparar uma surpresa que vai adorar.
Vou com você daqui até a China, meu amor.
Daqui até a China. Te amo!
Você precisa levar esse garoto para casa agora.
Eu também acho.
Sinto que Ceci vai me dizer que quer ser mãe.
Eu a ouvi muito bem. Acho que chegou a hora.
Sim, você vai ver. É muito legal.
Este é o interruptor, para você aprender.
E aqui…
E esse…
bebê?
Alan, Ceci. Ceci, Alan.
De quem é?
É de Alicia, a garçonete do Salão Cortés, lembra?
Cadê a mãe dele?
Não sei. Ela o deixou comigo por três dias.
Quê?
-Três? -Sim.
O que foi?
Por que reage assim?
O que foi? Você é alérgica a bebês e gatos?
O quê?
Esse era o gato?
Está com ele desde ontem e não me disse?
Você disse que a pior coisa que poderia acontecer
era ter um bebê, então…
eu o levei para você não surtar.
Claro que eu surtaria, como agora.
Mas, se tivesse me contado,
em vez de aparecer com um menino do nada,
com certeza eu teria reagido diferente.
Alan, me ajude.
Meu amor…
O quê?
Alan te acha linda quando se zanga.
Isso não tem graça.
Está bem.
Por que…
Por que…
ela o deixou com você?
Bom…
E por que nem perguntou se eu não me importava
com você trazendo um menino por três dias?
-Você não está nem aí para mim. -O quê? Não.
Olha, acho que o bebê está cansado.
Vou colocá-lo para dormir e volto para conversarmos, certo?
Volto já.
Ei.
Estou esperando.
Nem pense em…
Que cheiro bom!
Tem para mim?
-Ainda espero uma explicação. -É mesmo. Silêncio, ele está dormindo.
Sem essa de silêncio.
Sem essa.
Está bem.
O que está fazendo?
-Vou dar leite a ele. -Não.
Gelado? Pirou?
Obrigado.
Certo, eu explico.
A mãe dele teve uma emergência
e não tinha quem ajudar.
E por que não me disse?
Não disse, porque achei que não concordaria.
E eu também não podia recusar.
Olhe, não se preocupe.
Ela vai buscá-lo hoje, e voltaremos ao normal, certo?
-Hoje? -Sim, hoje.
Nada, irmão. Ela não disse nada.
Mas deixou algo para você.
Foi? Cuidado.
-Aqui está. -Vamos ver.
Vamos ver. Olhe.
Veja, é para você.
Mike,
-e se aconteceu algo com ela? -Não. Ela já fez isso.
Ligava para dizer que estava gripada e sumia por uma semana.
Boa noite.
-Tchau, Iker. -Cuide-se.
-Nossa… -Alex, ele dormiu.
-Foi? -Foi.
-Ótimo. -Preciso ir.
-Descanse. -Você também.
Eu ficaria, mas tenho um encontro.
Sim.
Então, achou o cara do bar? Falou com ele?
Sim, disse que Alicia não foi trabalhar e ninguém sabe dela.
Tento ligar, mas cai direto na caixa postal.
Então quer dizer
que, de todas as mães altruístas do mundo,
e há milhões delas, um monte,
que lutam pelos filhos, se sacrificam e fazem tudo por eles,
você escolheu ajudar a única que quer abandonar o dela?
Rafa,
obrigado, mas é a última coisa que preciso ouvir.
-Boa noite. -Você também.
Deixei sopa na cozinha
e comprei uma pomada para assaduras na farmácia.
Karime vai emprestar a bolsa de fraldas. É só o que vou fazer por você.
Certo.
E te mandei um link de tutorial de banho de bebês.
E o mais importante:
meu evento em Valle é em poucos dias,
e você prometeu que iria comigo.
Sim.
Alan, queridinho, nada disso é culpa sua.
Boa noite.
-Amor. -O quê?
Obrigado.
Prometo que vou procurar Alicia e dar meu bebê a ela.
-Como é? -O bebê dela.
-O bebê dela. -O bebê dela, sim.
-Durma bem. -Está bem.
Alan perguntou se você pode dar um beijo de boa noite.
-Não, nada de beijo. -Vamos.
Boa noite, colega de quarto.
Venha. Vamos nos divertir.
Nossa!
Pelo que ela me disse,
ela é de San Luis Potosí.
Parece que os pais dela são muito católicos,
então a obrigaram a ter o filho.
Mas ela fugiu de casa porque…
apesar de muito católicos,
são muito alcoólatras.
Que ironia, não? Vir até aqui para servir a outros bêbados.
Sem ofensa, cara.
Não ofendeu.
Sabe algo sobre o pai dele?
Ela nunca falou disso.
É uma história muito feia.
Saúde.
Olhe.
É uma cópia da identidade dela.
Não sei se vai ajudar, porque é falsa, mas tem um endereço.
Boa sorte, amigo.
Se tiver notícias dela, me avise.
Diga, Alan…
você se lembra destas ruas?
Bom dia.
É aqui? Você mora aqui?
Olá, senhora.
Sim, diga.
Alicia mora aqui?
Não, eu não a conheço.
Não. Senhora.
Senhora, por favor.
Senhora!
Entre.
Venha.
Sim, é aqui.
Sente-se.
Obrigado.
Bom dia.
Vim devolver o bebê à Alicia.
Como eu disse, não a conheço.
Ela se faz de boba.
Eu a conheço.
Ela aluga aqui. De vez em quando, eu cuido do garoto.
Mas não o deixe comigo porque já tenho muitos filhos.
É mesmo?
E cadê eles? Na escola?
Não, estão trabalhando.
Tenho que ficar aqui, senão minha mãe sai.
Quando vir Alicia ou falar com ela,
diga que este bebê é responsabilidade dela,
que não pode deixá-lo com estranhos.
Muito menos bagunçar a vida do estranho. Tome.
Pegue-o.
Não.
É que…
aqui tem uns marginais que querem levar o menino.
Acho que foi por isso que ela o deixou com você.
Alguns os alugam para pedirem esmola nos semáforos.
Mas vamos dar um jeito.
Ele finalmente dormiu.
E então?
Fui muito claro com a moça que aluga o quarto.
Falei que não podemos passar mais tempo com o bebê.
E por que ele ainda está aqui?
Porque exploradores de crianças querem levá-lo,
e alguém tem que protegê-lo.
Exploradores?
Sim, ele merece uma família que o ame e cuide dele.
-Não é verdade? -É.
Claro que é.
Por isso, o certo é levá-lo à assistência social para adoção.
Assistência social?
Só consigo pensar nisso.
Lá tem pessoas que podem cuidar dele.
Nem você nem eu estamos prontos para um bebê.
Eu estou.
O quê?
Acho que devemos esperar umas semanas para Alicia voltar.
-Não. -Enquanto isso, vamos cuidando dele.
Não.
O que temos…
O que você tem que fazer
é ligar para a polícia
e avisar que há uma moça desaparecida e uma criança abandonada.
E peço que faça isso antes do meu evento em Valle.
Amor, você entende
o quanto isso é importante para mim?
Vou ser a primeira mulher
a ter um cargo desses na empresa.
Depois disso, tem a mudança para Hong Kong,
fazer as malas,
procurar apartamento…
Hong Kong?
É sério?
Me incumbiram do escritório de lá.
E quando você me disse isso?
Só para constar, eu te perguntei
antes de aceitar formalmente.
Falou: "vou com você daqui até a China."
E você levou ao pé da letra.
Hong Kong? É sério?
Meu amor, Hong Kong…
é meu sonho.
Olha…
podemos ficar com o menino
alguns dias até você falar com a polícia.
Mas, depois, nossa vida precisa voltar ao normal.
Concorda?
Está bem.
Promete que vai resolver isso como um adulto?
Juro de dedinho.
De dedinho.
Se minha esposa perguntar por que estou aqui,
devo dizer que estou trabalhando de espião?
Detetive particular.
-Rafa. -O quê?
Acha que o disfarce é necessário? Digo…
Você acha que estou improvisando?
Está tudo sob controle. Calma.
Relaxe.
Olha, quer saber?
Diga o que quiser, mas prometa que não vai sair daqui.
-E, quando vir Alicia, me ligue, certo? -Sim.
Rafa…
Acho que ele não devia parecer traficante.
Vai nos causar problemas.
Diga algo.
Venha, vamos lá.
O que foi? Não quer ler?
Tudo bem. Já chega.
Não vamos ler. Nada de livros.
Vamos nos divertir. Vamos, sim.
Vamos nos divertir.
Sim, estamos otimistas com esse projeto maravilhoso.
Então, senhores,
muito obrigada pela atenção.
Espero vê-los semana que vem em Valle de Bravo.
-Excelente. -Perfeito.
-Muito bem. -Vamos.
-Ji dan! -O quê?
-É "do caralho" em chinês. -Mentira.
-Duvido. -Não, mas essa é a ideia.
Não, Alan.
Olha só para isso. Está uma bagunça.
Vamos. Venha.
Olhe só essas mãos. No rosto, não.
Jackie…
liga para o cliente e pergunta se concorda com as referências?
Já adiantaria a reunião de hoje.
Vou mandar o número do cliente.
-O que há com você? -Desculpe!
Alan, tudo bem? Desculpe.
Desculpe, sou um idiota.
Precisamos de uma cadeirinha.
Pronto. Liberado. Ela já foi.
Ela tem uma reunião no sul da cidade. Então só voltará tarde.
-Estamos livres de Mussolini, meu amor. -Nossa!
-Passeie com a tia Jackie. -É um bebê livre.
Vamos passear.
Alô? O que foi, Charlie?
Não vai jogar dominó?
Já é sexta?
-É. -Nem percebi.
Acho que não, tenho que cuidar do bebê.
Ainda está com ele?
Estou.
Traga-o à nossa casa. Temos uma babá hoje.
Não, porque vamos voltar tarde.
Se fizer frio, ele pode adoecer, e vou me sentir culpado.
Estou falando com Alejandro Álvarez?
Para com isso.
Espere, tem alguém ligando.
-Não desligue! -Estarei aqui.
-Alô? -Alex?
-Sim. -A mãe do bebê voltou.
-Voltou? -Ela está aqui.
-Que ótimo! -Devo esperar?
-Sim, já estou indo. -Nos vemos em breve.
Talvez eu consiga ir.
-Ótimo, estaremos aqui. -Ligo mais tarde.
-Legal, tchau. -Tchau.
Esse pão está gostoso?
O pão está bom?
Gostoso, né?
Alô?
-Amor, adivinha. -O que foi?
-Alicia voltou. -Sério?
Estou indo devolver o bebê a ela. Tudo vai voltar ao normal.
Obrigada, amor. Sabia que resolveria. Como você está?
Bem, meu amor.
Agora poderemos nos concentrar em seus planos.
Nossos planos, Texugo.
Certo. Nossos planos.
-Sim. -Eu te amo!
-Te amo. -Até logo, tchau!
Tem certeza de que ela está lá?
Tinha entrado quando liguei e não saiu.
Está bem.
Obrigado.
-Obrigado, espião. Bom trabalho. -Boa sorte.
Sim. Venha.
Vamos devolvê-lo.
Já chegamos à sua casa.
Alicia.
Onde você estava?
Oi, senhora.
Boa tarde.
Vou deixá-los a sós.
Vou ver minha mãe.
Meu amor, desculpa.
Eu te amo muito.
Olha, Alicia.
Não sei onde você estava, mas não pode sumir assim.
Não esqueça que tem uma responsabilidade do tamanho de Alan.
-Você é mãe dele… -Estava em tratamento de câncer.
-O quê? -Tratamento de câncer.
Tenho um tumor
na cabeça.
O médico disse que não há muito o que fazer.
Como é?
Tem certeza?
Fizeram exames, tomografia e tudo mais?
Sim, fizeram muitos exames.
É…
Não sei o que dizer.
Bom…
Do que você precisa?
Como posso ajudar?
Adote-o.
Eu?
Não, como?
Não, calma…
Alicia, você nem me conhece tão bem.
Conheço. Já te vi várias vezes no restaurante,
e você é sempre legal com os outros e trata todos com gentileza.
Desde que conheceu Alan, foi muito bom com ele.
Quando disse que queria um filho, achei que era um sinal do céu.
Assim que saí do hospital, pesquisei como fazer.
Basta assinar uns papéis.
-Então… -Por favor, não recuse.
Você é a melhor coisa que poderia acontecer a Alan.
Alicia, eu adoro Alan, me afeiçoei muito a ele, mas…
Quer dizer…
Tenho uma esposa,
não posso decidir sozinho.
E essa coisa de adoção é complicada.
Não, olha.
Saí de San Luis sem registrar o bebê,
então podemos registrá-lo como seu, e pronto.
Não sei.
O que está pedindo é muito difícil.
É.
Sim, tem razão.
Fui boba em pensar que meu filho poderia ter uma vida melhor que a minha.
Não, calma. Não foi isso que eu quis dizer.
Escute.
Vamos fazer o seguinte.
Eu te levo a um médico, a um oncologista
que nos dê uma segunda opinião, certo?
Ele deve achar a solução.
Não se preocupe, não vou abandonar vocês.
Vai ficar bem, e seu bebê também.
Certo?
A questão é que…
Agora você tem que cuidar de Alan. É a mãe dele.
Ele quer ficar com você. Sentiu sua falta.
Certo? Qualquer coisa, me ligue.
Você está bem?
Sim.
Muito obrigada, certo?
Certo. Está mesmo bem?
Certo. Ótimo.
Estarei à disposição.
Ligue se precisar de algo.
Certo.
Tchau, Alan.
Tchau.
A mamadeira.
Já vou.
Senhora!
Senhora!
Alicia desmaiou! Senhora!
Alicia.
Coitadinha, isso acontece o tempo todo.
-Como assim? -Vai ficar bem logo.
-Alicia? -Vou pegar álcool.
Vá.
Terno?
Acho que nunca o vi de terno, tirando no seu casamento.
É claro, porque ele detesta.
Mas veja esta belezura que ele vai usar em Valle.
Ele vai ficar todo lindo.
-Você parece muito feliz. -Sim.
O que aconteceu com o menino?
Problema resolvido.
A mãe voltou, finalmente.
Comecei a procurar apartamentos em Hong Kong.
-São incríveis. Quer ver? -Claro. Mostre.
-Legal. -Olhe a vista.
Olhe este. Fica a meio quarteirão
da galeria de quadrinhos mais importante da Ásia.
-Alex vai ficar empolgado. -Legal.
Alicia, é sério. Você não está sozinha.
Temos um quarto extra onde vocês podem morar.
Eu fico sem graça.
Não se preocupe.
Não faltará nada para você nem para seu bebê, certo?
Cecilia terá que entender.
Volto já.
Não.
Amor, por favor, me escute.
-Escutar o quê? -Bom…
Chamou duas pessoas para morar na minha casa.
De novo, sem me consultar, como se fossem sua família e eu não.
Se você é minha família, não está sendo compreensiva.
Entendo que tenha boas intenções, mas não é assim que se faz.
O que é isso de "Cecilia terá que entender"?
Então…
-Podemos ajudá-los. -Até quando vai bancar o herói?
Ou está querendo levá-los para Hong Kong?
Quando me perguntou se eu queria ir?
-Perguntei. -Não, você presumiu.
-Não. -Sim.
-Não. -O que vou fazer lá?
-Ser seu príncipe consorte ou o quê? -Achei que fosse gostar.
Você só pensa nos seus sonhos,
no que quer, no seu trabalho.
-Não é assim. -É só o que você quer.
E eu? Onde ficam meus sonhos e o que eu quero?
Deveria pensar em mim. Deveria pensar em nós.
Deveria me dar um filho.
Eu deveria te dar um filho?
Só tenho valor para você como mulher se te der um filho?
Por que nos casamos?
Por que estamos juntos?
Se não vamos ter um filho…
isto não faz sentido.
Seu terno.
É óbvio que você vai perdoá-lo, né?
Vamos, converse com ele. Mas sem estar com raiva.
Vocês estavam zangados.
-Fale de cabeça fria. -Falar o quê?
Ele disse o que pensa dela.
-Não. -Ele a vê como máquina de bebês.
Ele não pensa isso dela.
Estão juntos há sete anos, e ele não é assim.
Ele é machista.
-Sim, ele é um pouco machista. -Não.
Falamos bobagens quando bravos.
Mas elas vêm de algum lugar, Karime.
Ele não inventou do nada. É o que ele pensa.
Então você acha mesmo que sou a esposa do croissant?
Não briguem agora.
É esposa do croissant ou não?
-Então acha isso? -Desculpe,
mas as pessoas te veem assim, como "esposa" ou "mãe".
-É assim. -Sinceramente…
TEXUGO AMOR
Deixe-o explicar.
Escute-o.
Escute o que ele tem a dizer. Ouvir não tira pedaço.
Sim, tudo bem.
Para explicar o quê?
Todos os homens são iguais.
O menino deve ser dele.
-De jeito nenhum. Você acha? -De jeito nenhum.
-Não pode ser. -Olha, senhora. Aconteceu comigo.
É como um curativo: tem que arrancar de uma vez.
Pili, não!
-Não! O que você fez? -Não!
Pili, meu Deus!
A senhora pode comprar um celular a qualquer dia.
Empodere-se! Seja independente!
É dona do seu próprio destino.
-Não precisa de homem para viver. -Pili, coloque no arroz, por favor.
O que está acontecendo?
-Por quê? -Desculpe, eu não esperava por isso.
Desculpe.
Se o arroz não ajudar, compro outro.
Escutem. Vocês não ouviram o que Pili falou.
Que guru da porra! Você é a dona da sua vida.
Quem liga para o celular?
Deixe seu recado após o sinal.
Ceci, esta é a 39ª mensagem que deixo.
Olhe, pensando bem, sou eu quem deveria estar ofendido.
Está se livrando de mim muito facilmente.
Está me tratando como um criminoso.
Já pedi desculpas.
Eu te amo.
Me ligue.
Ouça, não entendo muito dessas coisas,
mas parece que, quando é pai, precisa sacrificar muita coisa.
Talvez você tenha que sacrificar Ceci pelo menino.
Não entendo a atitude dela. A questão…
Se alguém me aparece com um menino,
juro que minha reação vai ser muito pior.
Porque isso não é para mim.
E talvez não seja para a Ceci.
Ela não me deixou explicar nada.
Mas você precisa de outra coisa.
Nunca pensou em rever sua mãe depois desse tempo todo?
Pense nisso.
Já vai!
Oi.
Oi.
Podemos entrar?
-Sim, claro. Entre, por favor. -Obrigado.
-Entre. -Obrigado.
Sim.
E esse bebê?
É meu neto?
Qual é seu nome, meu amor?
O nome é Alan.
E não, ele não é seu neto.
Mas pode ser.
Como assim?
É uma longa história.
Tem tempo para mim ou tem algo melhor para fazer?
Quer um café?
Olhe, mãe,
talvez não me entenda
porque nunca foi uma mãe muito presente nem muito apegada e…
Suponho que vá ficar do lado de Ceci.
Calma, escute.
Sei que você encarou tudo como um desapego ou como se eu tivesse te abandonado.
Eu lamento.
Se encarei assim, é porque foi assim.
Minha única lembrança da infância é você com uma mala.
Eu era comissária de bordo.
Eu precisava ir aonde o trabalho mandava.
E nunca participou quando eu precisava.
Você nem foi a meu casamento.
Filho, eu te criei sozinha.
Fiz o melhor que pude, e nunca te faltou nada.
Faltou você.
Olha…
Não sei o que vai acontecer com Ceci,
mas eu sou sua mãe.
Quero estar presente nisso.
Me deixe ajudar.
Eles têm que se beijar.
Nenhum deles é ator…
Como você se sente? O que passou pela sua cabeça?
Pensou durante a noite? O que você considerou?
Karime, você é muito desagradável.
Desagradável é você.
Bom…
Tomei uma decisão.
Não vou ficar com um homem que me ache egoísta.
-Isso. Sim. -Isso.
E que sempre me peça para trabalhar menos.
-Exatamente. -Exatamente!
E que ache que meu valor como mulher dependa de eu ser mãe.
-Isso, garota! -Isso.
-Ele que se foda! -Estou com você.
-Sou arquiteta do meu destino. -Quem precisa dele?
-Ninguém! -Calma.
-Ele que se foda! -Que vá para o inferno!
Ceci, você é a arquiteta do seu destino.
-Mas eu também acho que… -O quê, Karime?
Ela se decidiu e está satisfeita. Diga o que você acha.
Sim, o que acha?
Não acho nada.
Não tenho opinião, está bem?
Não acho nada, não tenho opinião. Nem penso.
Não tenho cérebro, meu bebê comeu.
O quê?
O que você disse?
Meu bebê comeu.
Que idiota!
Volto já.
Está bem.
Chega.
Ceci.
Que bom te encontrar aqui.
-Diga, Guillermo. -Então…
Sim.
Revisei seu projeto.
Está bom.
Muito bem feito.
-Obrigada. -Parabéns.
Obrigada.
Então…
Você sabe que…
se me deixasse ajudar um pouco, teria ficado bem melhor.
Posso te apresentar a meus fornecedores
e posso fazer o número final melhorar.
Não, obrigada. Mas não tenho interesse.
-Você está bem? -Sim, estou bem.
Parece meio estressada.
Vou dar um conselho.
Não deixe sua vida pessoal interferir no trabalho.
Principalmente sendo…
Mulher.
Você é candidata a sócia, minha querida.
Se os outros perceberem,
podem ficar em dúvida.
-É uma dica. -Obrigada.
Babaca.
Oi, finalmente você ligou.
Alejandro.
Só liguei para avisar que vou passar em casa às 12h
para pegar minhas coisas.
Não esteja aí, pois não quero ver você.
Não dificulte as coisas.
Mas…
Não sei o que você acha,
mas a burocracia da adoção é muito lenta.
Eu tenho um quarto sobrando em casa.
Parece que você vai vender seu apartamento.
Então você pode vir morar comigo.
Nós ajudamos Alex a cuidar do bebê,
e eu cuido de você.
-Sério? -Obrigado, mãe.
Claro, fico feliz em ajudar.
Obrigada.
Sabia que as fraldas descartáveis
geram 900 mil toneladas de lixo ao ano?
Acho que deveria pensar em usar fraldas de pano, Alan.
Pare. O que deu em você?
Deixe-o em paz. É só um bebê, coitado.
Aprenderá aos poucos. Bebês entendem.
Sim, mas aos poucos.
Vai traumatizá-lo.
O que está havendo?
Por que isso está no meu escritório?
Quero uma explicação agora.
É só um bebê.
Alejandro…
você parece que quer ser demitido.
Você perdeu a apresentação da sua campanha,
faltou ontem e anteontem.
Além de cortar seu adicional de produtividade…
Mandei um e-mail explicando que eu tinha questões de família.
Você não recebeu?
Isto é um escritório.
Aqui não se resolvem questões familiares.
Ouça, tive que cuidar do bebê.
Ele passa por dificuldades, mas entreguei todo o meu trabalho.
Rafa tem suprido minha falta nas reuniões,
e eu estive presente via Skype.
Tenho trabalhado de casa.
Sylvia, por favor. Deveria ser mais tolerante.
Tolerante?
Terei que pedir que vá embora.
Mais alguém tem algo a dizer?
-Sylvia… -Não, calma. Não digam nada.
Vamos.
E suas coisas?
Sylvia,
se alguém tivesse lhe dado amor dos zero aos seis anos,
você seria uma pessoa melhor.
Vamos lá.
Seja bonzinho e entre na caixa.
Ao trabalho!
E pensar que todo mundo já foi bebê.
Além disso, quem sabe o que acontece
que nos torna tão complicados, machucando uns aos outros?
É preciso muito esforço para nos reconciliarmos.
Eu devo muito a este bebê.
O que foi?
O que você quer?
Sylvia,
eu vim pedir desculpas.
Sente-se.
Obrigado.
Olha, Sylvia…
Eu quero pedir desculpas pelo que falei.
Às vezes, quando me irrito, falo bobagem.
Desculpe.
É só isso?
Sim.
Está bem.
Sei de tudo o que vocês falam pelas minhas costas.
Olha, Sylvia…
Já que não trabalho mais aqui,
eu gostaria de dizer…
Não sei, seja um pouco menos dura.
Sim, mais flexível.
Todos temos uma vida pessoal,
e o trabalho geralmente tem uma motivação.
E essa motivação é a família.
Suponho que você tenha sua própria motivação, certo?
Sim, Yecapixtla.
Pois é, sim.
Dizem que cães são como família, não?
Estou certo de que Yecapixtla
valoriza tudo o que faz por ela
e é profundamente grata
-pelo que… -Um:
eu receber amor quando criança não é da sua conta.
-Sylvia, eu sei. Perdão. Eu… -Dois:
eu ser rígida, dura ou seja lá o que me der na telha,
isso também não é da sua conta.
Está bem, sim.
Três…
Seu trabalho é impecável.
Vou reconsiderar que volte ao seu trabalho
porque fala pela frente.
Está bem. Sim.
A vida não é fácil, Alex.
Nem sempre temos a vida que queremos,
mas a vida que nos foi dada.
Eu não concordo.
Escolhemos a vida que queremos,
porque tomamos decisões. Ou seja, todo mundo tem desafios,
mas, no fim das contas, o importante é o que fazemos com eles.
Rafa vem?
O quê?
-Ele não contou? -O quê?
Está no terceiro encontro com uma garota do Tinder.
Terceiro?
Sim, mais uma jovem de 20 anos.
Não, essa tem 43 e um filho.
Nossa!
Ótimo, achei que ele nunca fosse crescer.
Ora, alguns de nós demoramos um pouco, mas mudamos.
Mas seria mais divertido
não perder pessoas importantes no processo.
Cecilia é fantástica, né?
E te ama muito.
Você acha?
Depois do que eu disse?
Você fez besteira,
mas acho que pode consertar.
Se mostrar para ela
que ela não precisa desistir do sonho para que você seja pai…
Bom, é muito difícil.
E você vai precisar de muito apoio,
mas pode contar conosco.
Claro.
Obrigado. Mas não sei.
Eu adoraria ir à promoção dela.
-Quando será? -Hoje.
O quê? O evento dela?
E o que você quer aqui? Ela vai virar sócia. Qual é a sua?
Nada, estou respeitando a decisão dela de não querer me ver mais.
Quantas vezes eu digo que não quero te ver quando me irrito?
Duas vezes por semana!
Pois é!
Anda! Ela é o amor da sua vida ou não é?
-É. -Então não desista.
-O terno! -Certo.
-Pode ficar com Alan? -Claro.
-Está em suas mãos. -Certo.
COMO POSSO AJUDAR?
Siri, ligue para Ceci.
Isto é o que achei de Salt Lake City.
Não, ligue para Ceci!
SINAL FRACO. TENTE MAIS TARDE.
Siri, ligue para Ceci!
Para que número do CiCi Acapulco Magico
-devo ligar? -Você é inútil!
Está nervosa?
Sim, não. Um pouco.
-Você está preparada. -Você é foda.
Estou esquecendo!
Calma.
Sinto que está faltando algo.
Faltam os brincos.
Não.
Não são os brincos.
Obrigado, amigão.
MANOBRISTA
A chave, senhor.
Desculpe.
Hoje é meu dia. Não deixarei que estraguem.
Exatamente.
Guillermo, Alejandro, ninguém!
Nem pense em Alejandro. Ele fez besteira.
A besteira não foi tão grande. Ele ia adorar estar aqui.
-Kari, agora não é hora. -Ele merece ser ouvido.
A última coisa que ela precisa é ouvir falar nele.
-Você mencionou… -Pense…
Parem! Que tal irem guardar seus lugares?
Alguém pode pegar.
-Certo? -Mas não estão marcados?
-Kari, vamos. -Me disseram isso quando entrei.
-Disseram: "Você é amiga da…" -Sim, eu sei.
Está bem.
Hoje é meu dia.
Desculpe.
Olá.
Com licença, o quarto de Cecilia Méndez?
-Não posso lhe dar essa informação. -Por favor, é urgente.
É sério, você não sabe…
Mila! Karime!
Mila!
E Ceci?
Onde ela está?
-É sério isso? -Cara…
Quarto 206.
Certo. Obrigado.
Como um filme de Julia Roberts.
Oi.
-Não. -Meu amor…
-Não. -Amor, por favor.
Me dê um minuto.
Só um minuto. Aí, se você quiser, vou embora.
Por favor.
Um minuto.
Está bem.
Certo.
Desculpe pelas besteiras que eu disse.
Casei com você porque te amo
e quero passar a vida toda com você.
Com ou sem filhos?
Com ou sem filhos.
Mas, por favor, me deixe explicar.
Não planejei nada disso.
Alicia, a mãe de Alan,
está com câncer muito avançado.
E não tem ninguém para cuidar dela ou do bebê.
E eu não podia entregar o bebê à assistência ou a um orfanato.
Às vezes, fazem 18 anos sem ninguém os adotar.
Quando fui devolver Alan,
Alicia desmaiou.
-O quê? -Eu estava lá, não sabia o que fazer.
Por isso os levei para casa, não podia deixá-los lá.
Por que não me disse nada disso?
Não sei. Não soube como.
Desculpe.
Sabe que quero ser pai.
E a vida me dá essa oportunidade.
Não quero te obrigar a nada, e nem cortar suas asas,
mas olha…
O que aconteceria se eu fosse pai
sem te obrigar a ser mãe?
Continuaria comigo?
Mas como?
Bom…
Eu trabalharia em casa,
cuidaria de Alan e de tudo.
Claro, seguindo suas regras.
Mas me deixe ser pai.
Amor, eu nunca te impedi.
Só te pedi para me esperar.
Alex, eu te amo.
Quero que realize seus sonhos, mas…
E o resto? E quanto a Hong Kong?
-E… -Hong Kong.
Eu te esperaria o tempo que precisar.
Olha, se quiser, depois a gente resolve.
Agora o importante é seu evento.
-Está bem? -Sim.
Posso ficar?
Quero te ver brilhar.
Quero te aplaudir.
Estou muito orgulhoso de você.
Coloquei o terno chique.
-Eu te amo. -Te amo.
Você está muito bonito.
Você está deslumbrante.
-Vamos. -Vamos?
Vamos, sim.
Vamos rápido.
-Mario, perfeito. Cuide disso. -Obrigado.
Sr. Gonzalo.
-Alejandro, prazer em vê-lo. -Igualmente.
-Pronta, Ceci? -Prontíssima.
-Ótimo. Vamos. Então… -Sim.
-Antes, o vídeo… -Alô?
O que houve, mãe?
Não atendi porque estava na estrada, e não tinha sinal.
O quê?
Certo, daqui a pouco te ligo.
-Amor… -O que foi?
Levaram Alicia ao hospital.
Não sei o que vai acontecer, mas preciso assinar uns documentos,
-senão vão levar Alan. -Não, vá.
-Quê? -Vá.
-Mas… -Precisa ir. Vá!
-E você? Não quero faltar com você. -Amor, calma.
Vou dar um jeito.
Sr. Gonzalo.
Meu marido e eu temos uma emergência na família.
Posso, por favor, fazer a apresentação antes
para eu poder ir? Por favor.
Claro, Ceci. Pode deixar. Vou avisar a Mario.
-Mario. -Perdão, Ceci.
No primeiro problema doméstico, você quer abandonar o barco?
-Não faça isso. -Não ouviu?
Ela tem uma emergência de família,
e toda pessoa responsável e comprometida com a família
atende quando precisam.
Obrigada.
Isto é como sua prova final perante o resto dos sócios.
Também é importante para ela.
Não, Guillermo. Isso é só uma formalidade
para todos se sentirem incluídos.
A papelada para ela assumir meu lugar já está finalizada.
Ela só falta assinar a ata de assembleia.
-Quê? -Mario!
-O que isso significa? -Ela já é a chefe.
É? Como?
O quê?
Você sabia?
Ji dan, garota!
Aqui está.
Sim, claro.
-Tome esta. -Sim.
Excelente.
Sr. Gonzalo, obrigada por tudo.
Fique com ela.
-Não. -Sim.
E vá resolver o que for preciso. Anda.
-Muito obrigada. -Perfeito.
Parabéns, meu amor.
-Vamos. -Vamos.
-Vão. -Não.
-O que foi? -Amor, espere.
-Está bem. -Espere um pouco.
Guillermo.
-Seu currículo está atualizado? -Sempre.
Ótimo.
Porque, agora que sou sócia,
não vou permitir que minha empresa tenha espaço
para um corrupto, machista e importunador como você.
Pode começar a mandar currículo a outras empresas.
Sr. Gonzalo, obrigada por tudo.
Vá. Resolva seu problema.
Viu como basta dar poder a uma mulher, e ela enlouquece?
O que deu nela?
O que vai fazer?
Não vai permitir isso.
Gonzalo, não está pensando com a cabeça.
Não, Guillermo.
Já não sou mais chefe.
Embora me veja aqui…
de terno,
na verdade, estou nas Bahamas tomando margarita com minha esposa,
de traje de banho,
me bronzeando…
Nossa, que maravilha!
Com licença.
Um brinde a Cecília.
Ainda estão aqui?
Sim, claro.
-Ainda estamos aqui. -Estamos.
Quer alguma coisa? Vou descer para ver Alan e minha mãe.
-Água. -Está bem.
-E você, amor? -Não.
-Nada? -Bom, traga um café.
Está bem.
-Obrigada. -Sim.
Escute.
Eu não disse antes…
mas vou cuidar bem do Alan.
Vou brincar muito com ele e vou amá-lo muito,
enquanto você melhora.
Muito obrigada.
Obrigada a você.
Diga a ele que o amo, está bem?
Direi isso a ele todos os dias.
E você também.
MÃE AMOROSA
Acredita que Sylvia vai abrir um lactário no escritório?
-Não! -Sim.
Nossa!
E ela ficou triste quando eu disse que ia sair da agência.
-Por quê? O que você disse? -Eu disse a verdade.
Que ia voltar a trabalhar com animação, mas dentro de casa,
para cuidar do meu bebê.
E disse que mandaria para ela uns cartões postais
e uns bolinhos de Hong Kong.
-Amor. -O que foi?
Não brinque com isso. É sério.
Não suporto pensar que ficaremos tanto tempo separados.
Não brinque.
Se aceitar, vamos com você.
Alex, pare!
Sério, amor. Não tem graça.
Falo sério.
Daqui até a China.
O que foi?
-Está escrito "Hong Kong". -Claro que está.
-Vamos para Hong Kong? -Sim!
Vamos para Hong Kong, Alan!
-Alan, vamos para Hong Kong! -Vamos.
-Nós vamos para Hong Kong. -Vamos.
-Te amo. -Eu te amo.
Legendas: Francisco de Oliveira
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