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Original subtitles

"Guerra: uma aventura cruel e ridícula

em que os homens embarcam quando são vítimas da loucura."

Siegfried Lenz

Pomerânia, Julho de 1944

"Walter!"

Está na hora!

Faz figas.

"Walter!"

Baseado no romance de Siegfried Lenz

Foi tudo muito rápido.

Não comeces de novo.

Walter, fica.

__ O DESERTOR __ Episódio 1

Não me vais ao menos dizer-me "adeus"?

- Vais ter dores de barriga. - Não fales assim.

- E se ficares doente? - Mas não estou doente.

Nunca te encontrarão. Caso resolvam procurar-te.

O Kurt construiu isto.

Eu sou um soldado.

Sem o uniforme, não és mais um soldado!

Tu disseste que não ganharíamos esta guerra.

E lutar por quem? Pela Pátria? Pelo Führer?

- Tenho um dever a cumprir. - Uma ova é que tens!

Não posso decepcionar os meus camaradas!

Já preparaste o cavalo?

Prepara-o.

- Podemos ir? - Sim.

Walter!

Tenho um mau pressentimento.

É a última vez.

Já chega de dramas. Não piorem as coisas.

Volta para casa. Inteiro!

E escreve!

Ela deve ter escondido outro aí no fundo.

Ela diz que eu como demais.

Vai tudo acabar em breve.

A guerra só termina quando o líder morre.

- Tu também votaste nele. - Só uma vez, há 11 anos.

Os russos ou os americanos vão fazê-lo por nós.

O importante é que voltes são e salvo.

- Senão, a tua irmã vai-te matar. - Cuida dela, sim?

- E contigo que se vai passar? - Casar e ter filhos.

Quando a guerra acabar?

Tu nem sequer tens uma mulher!

Quando a guerra acabar.

Vai demorar muito?

Não, a locomotiva precisa de água.

Não podemos parar durante o dia.

Eles espreitam nas árvores como corujas.

Uma bala acerta-te fácil.

- Fica muito longe? - Depende para onde vais.

Para a linha de frente.

A Frente está cada vez mais perto.

- Grajewo caiu? - Até onde sei, não.

É para lá que vou.

Mais 12 horas. Ei!?

Afaste-se do comboio. Fique onde está!

- Sr. Soldado. - Fique onde está!

Sr. Soldado, posso ir convosco?

Isso é estritamente proibido!

Tenho dinheiro. É um trecho curto só até o Pântano.

- É polaca - Sou.

Onde aprendeu alemão?

É um comboio militar, não pode viajar nele!

Saia daqui agora!

Depressa, fora daqui!

- Ela podia vir connosco. - É proibido.

É apenas uma mulher...

As mulheres são as piores,

parecem santas e depois explodem o comboio inteiro!

Vamos, para dentro!

Tenho de saltar em breve.

Que pena.

O seu camarada vai ficar furioso.

Ele vai-me matar?

Eu protejo-a!

Cigarro?

Não fumo.

Então, também não vou fumar.

Chegue aqui.

- É seu amigo? - Engraçadinha.

E você? É daqui?

Sou.

Eu nasci aqui.

E o seu pai...

- O meu pai é guarda-florestal. - Guarda-florestal, fixe.

É, mas já morreu.

Morreu na guerra?

Foi morto há 2 anos na vila, um soldado. Alemão!

No dia seguinte, eles vieram e revistaram todas as casas.

O meu pai escondeu-se num armário.

Eles já estavam de saída.

Então...

O meu pai tossiu.

Eles atiraram no armário.

Duas vezes em cima, duas vezes em baixo.

- Sinto muito. - Deixe-se de fingimentos.

Sabe bem com é.

Quantos é que já matou?

Vai acabar tudo em breve.

Feche os olhos!

- O quê? - Eu ordeno...

que feche os olhos!

Às ordens.

Feche-os!

O que está a fazer?

- A ler a sua testa. - E o que diz?

Diz que...

Vai correr tudo bem.

Ou talvez não.

Como te chamas?

Wanda e tu?

- Walter. - Walter?

Walter e Wanda.

Se o teu camarada não disparar sobre mim,

vamos encontrar-nos de novo.

A minha testa também disse isso?

Onde?

Não posso dizer.

Este calor põe-me mesmo mole.

Bom dia.

Bom dia.

- Seu esquilinho. - Quê?

Esquilinho.

Que quer dizer? Esquilinho?

É o que tu és.

O que há nesse pote?

O meu irmão.

Ia num comboio que foi pelos ares.

Vou levá-lo para a casa da minha mãe.

Eles vão inspeccionar o comboio.

Precisas de te esconder. Naqueles fenos!

Eu aviso-te quando eles saírem. Que foi?

Controlo!

- Que aparência! A sua cédula militar. - Sim, senhor!

- Para Grajewo? - Sim.

- É mesmo? Killian? - Sim, é meu Sr. Hauptmann.

O seu Hauptmann está morto.

Guerrilheiros.

- Quando foi? - Há 4 dias.

Era um bom homem. Sinto muito.

Wanda?

Siga!

Wanda?

"Orfeu e Eurídice"

Descansa em paz.

O que foi isto?

Não sei. Talvez um bombardeiro

Bombardeiros invisíveis, ou quê?

Pergunto-me como uns papalvos como vocês continuam vivos nesta guerra.

A sorte favorece os tolos.

Diabos, há alguém aqui!

Nem sabes a sorte que tens, passarinho!

- É Polaco? - Polaco?

Não sou Polaco coisa nenhuma, sou da Silésia.

Eles vão chegar em breve.

Precisamos sair daqui. Vamos, depressa!

Quem?

Os guerrilheiros que explodiram o comboio.

Chega aqui!

- E os outros? - Mortos.

O fogueiro morreu esmagado como insecto.

O maquinista foi parar à floresta. Ganhou asas!

- E o soldado? - Também morreu. Vamos!

Vem, depressa!

Baixa as ventas!

Ah! Agora estão a saquear o comboio.

Não! Eles matavam-nos.

Vá, vamos embora daqui!

Segue-me!

- Para onde vamos? - Ter com os nossos.

Guardamos o controlo ferroviário. Seis homens.

E o sargento.

Para onde te destacaram?

- Grajewo. - Ah, não é longe.

- Stani! - O quê?

Stani!

- Espera! - Stani...

Onde estás tu?

Stani!

Stani!

Stani, o que fizeram contigo?

Aguenta-te!

Oh Meu Deus! Ai Jesus!

- É inútil. - Temos de o levar daqui!

- Acho que está morto. - Não!

Não está morto! Ouvi-o gemer. Tens me ajudar a levá-lo!

Vá, vamos levá-lo!

Vamos!

Sobe!

Pensava que a tua galinha fosse mais burra que tu, mas não.

E agora estás a ensiná-la a falar.

- A Alma não fala alemão. - Ah, não fala alemão.

Mas talvez ela já tenha ouvido falar de Guilherme Tell.

Na Alma não!

Ei!

Cheguem aqui!

O Stani teve muito azar!

- Ele está morto. - Não!

Ele gemeu, se gemeu não está morto.

Cavem uma cova.

Ele deu um gemido!

Vocês são tão burros como feios.

Tirem este corpo inútil daqui!

Peguem o seu livro de serviços, placa de identificação e anéis.

E não se atrevam a enterrar nada disso!

E quem é esta "estátua"?

Não te vais apresentar?

Obergefreiter Proska, 6º Batalhão, 1ª Companhia.

E o que fazes aqui?

O meu transporte foi atingido por uma mina.

Bem...

Não temos comida, cigarros,

nem mulheres, nem esperança. Entendido?

Sim, senhor.

Então, segue para o controlo ferroviário e vigie o próximo comboio.

Os carris estão bloqueados, não se move nada.

Macacos me mordam!

De que estão à espera?

Que ele ressuscite? Vá, levem-no!

Mas Sr. Unteroffizier, o Stani gemeu.

- Ele está morto, entendeste? - Não, não está morto!

É preciso dar-lhe um pouco de tempo..

Ele tem dificuldades em raciocinar. Vem!

Agora tratem de o enterrar!

Alô?

Alô?

Sim, aqui é o Unteroffizier Stehauf.

Posto 25. A reportar uma baixa.

Stanislaw Paputka.

E um comboio de carga foi atacado por guerrilheiros.

Só há um sobrevivente, Prossa ou algo parecido.

- Proska. - Está certo!

Sim, ele irá substituí-lo.

Aguentar a posição até o último homem.

Sim, senhor.

Ouviste. Ficas connosco.

- Mas pensei, tenho ordens... - Calado!

Quem pensa por ti aqui, sou eu.

- Entendido? - Sim, senhor.

Vais ficar aí parado como um soldadinho de chumbo? Mexe-te!

Tens lume?

Sim, senhor.

Então, também tens cigarros?

Pertencem ao exército. Passa-os para cá.

Eu trato da distribuição. Por isso...

Lava-te na vala. Cagar, atrás das bétulas.

O nosso cozinheiro é o da galinha, Baffi.

Já estiveste na Frente?

- Sim, Sr. Unteroffizier. - Desde quando?

Desde o começo.

Então, tens tido sorte até agora.

Que ela jamais te abandone.

O que foi?

Viste, acontece tudo muito rápido.

Mas aqui em Waldesruh estás seguro.

Sim, senhor.

Não acreditas em mim.

Acredito, Sr. Unteroffizier.

Dá para ver que não acreditas em mim.

Vou fazer uma inspecção de segurança,

fica atrás da porta.

Mandei-te ficar atrás da porta.

Tens problemas de ouvidos?

Inspecção de segurança.

Vejam se ele se borrou nas calças.

Acho que ele desmaiou!

Mas não sujou as calças.

Ponham-no na cama fedida do Stanis!

Lá em cima!

Depressa, antes que o velho entre!

Inspecção de segurança.

Quem ordenou o fim da patrulha?

- Ouvimos tiros. - Tiros o caraças !

- E o Zwiczos? - Está vivo.

Eu era um artista de cabaré e actor.

Vê.

Se não fosse a guerra, hoje seria mundialmente famoso.

Baffi, já chega dessas histórias tolas.

E vê se nos arranjas algo para comer.

Sim, senhor!

Mundialmente famoso.

Pãozinho de leite!

Amanhã vais com a próxima patrulha.

Proska, ou algo assim.

E não me olhes com essa cara!

Wolfgang Kürschner.

Walter Proska.

O nosso Stani morreu pelo Führer e pelo Reich Alemão.

Todos lhe devem estar gratos, porque...

...ele sacrificou-se ...

...e agora é um herói.

Adeus, Stani.

Em breve vemo-nos no Céu,

se não for lá, será noutro lugar.

Os velhos camaradas não perdem o contacto, certo?

Maldita esponja.

Já o podem enterrar.

Ele não seria ninguém sem esta guerra.

É um porco sádico.

Só sabe ofender as pessoas.

- Ele tem responsabilidades. - Que responsabilidades?

Há meses que esperamos neste atoleiro para ver quem leva o próximo tiro.

O calor...

Os guerrilheiros, os mosquitos.

Esta merda de pântano está-nos a enlouquecer.

Responsabilidade o caraças!

O que foi?

Temos de ir por ali.

- Aqui há sempre tiros. - Não entendi?

Tu não vês nada, mas estão a ver-te.

- Estão sempre por aqui? - Não. Mas quase sempre.

Aquilo é Grajewo.

Os nossos estão mesmo atrás. Depois da floresta.

É a minha Companhia.

Tão perto e contudo inacessível.

- Guerrilheiros no caminho. - Escondidos na floresta.

Estimamos pelo menos 100.

Prontos a explodir o buraco em que estamos enfiados.

O que os está a impedir?

A tua Companhia atrás de Grajewo.

E porque estamos aqui?

Para cumprir o nosso dever sagrado. Pelo Führer, o Povo e a Pátria.

Vá, Walter. Ali!

Eles assaltaram o comboio.

Porque não me deixaste atirar?

O modo como falas...

o que queres dizer?

Não atire!

Sozinho?

Você está sozinho?

Fala alemão?

Sim.

Estou sozinho.

Sou civil.

Sou Pastor.

Não está armado.

E agora?

Podemos libertá-lo.

Saia daqui.

Vamos, vá!

Vocês perderam-se?

Stehauf estás de saltos altos!

Ei, onde arranjaram isto?

É um Pastor. Está desarmado.

- E porque está ele aqui? - Isso importa?

Vem comigo.

Vamos, mexe-te!

Vamos!

Despacha-te!

Vai!

Vamos!

O que faz aqui este comedor de sopa?

Encontrámo-lo no caminho.

Está desarmado.

E se déssemos um jeito nele?

Não, deixe-me ir, por favor. Eu sou Pastor.

Bico calado.

Amarrem-no!

De noite resolvemos isto.

Vamos.

O sal.

Ele já deve ter nascido.

O teu herdeiro?

Sim.

Tenho três filhas e ainda pago o dote,

preciso de alguém para a quinta.

Sonhei que a minha mulher teve um filho.

E com o que mais sonhaste, campónio?

Sonhei que a minha esposa pariu um belo "Siegfried".

- Não, é melhor "Lothar". - Já chega!

Traz o comedor de sopa.

Não.

Tu, não.

Que vá outro.

Deixe-me, por favor!

Por favor!

Deixe-me ir.

Se disser a verdade, não tem nada a temer.

Sabe que isso não é verdade.

Que se passa agora?

Se ele disser a verdade, não deve temer nada.

É claro que não.

Despacha-te.

Certo.

Agora tu vais-me contar umas coisas.

Mas nada de fábulas. Baffi, serve-lhe uma bebida.

- Da minha garrafa? - Sim, claro!

Eu não bebo.

Jesus também bebia! É para já!

Pelo amor de Deus,

- bebe ou parto-te a cara! - Cala essa boca!

Quem se meter com ele, vai ter de se haver comigo.

Quando eles te trouxeram para cá,

alguém te magoou, espancou ou torturou?

- Podes falar à vontade. - Fui bem tratado.

Cigarro?

- Não bebo nem fumo. - E deitaste a tua pistola fora?

Eu não ando armado.

Claro que não. Apenas a Palavra de Deus.

Apenas um bastão dinamite de vez em quando para explodir comboios?

Nunca fiz isso.

Certo.

Mas porque falas alemão tão bem?

Morei na Alemanha há 32 anos.

Estudava.

Köenigsberg e Jena.

Do que gostavas na Alemanha? Fala com sinceridade.

Eu adorava,

as almôndegas de Königsberg.

Ele conhece.

- Essas almôndegas... - Cala a boca!

Do que mais gostavas?

Dos queijos Tilsit...

- ... e de Kant. - Onde fica isso?

É um filósofo, idiota!

E não sabes mais nada sobre a Alemanha?

Hã?

Não sabes que estamos em guerra aqui?

Não sabes que o mundo inteiro treme diante de nós?

Que os nossos comboios explodem

e que a nossa gente está enterrada na tua terra suja?

- Onde está a tua pistola? - Não tenho nenhuma.

- Eu faço-o falar. - Tira as patas!

Ele é um homem honrado.

Este homem diz a verdade.

Quem defende a verdade não tem nada a temer aqui.

Vai!

Então? Estás cravado à cruz como o teu Jesus?

Desaparece. Antes que mude de ideias.

Não o vou deixar partir com dinamite.

Ele tinha alguma?

Se tivesses prestado mais atenção.

Esse Pastor teria mandado tudo pelos ares!

- Nós revistámo-lo. - O que fizeram?

Nós revistámo-lo. Não encontrámos nada.

Estás a dizer que estou a mentir?

Vou levar-te a corte marcial, merdoso!

Como? Não te consigo ouvir!

Eu revistei o Pastor.

Se ele escondia algo, a culpa foi minha.

Presta atenção...

Proska ou seja lá qual for o teu nome.

Agora sais em patrulha

até que os teus joelhos saiam pelo rabo. Estamos entendidos?

Turno duplo. Vocês os dois!

Porque não o deixámos ir?

:: Adaptação ferneiva ::

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