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O CORUJ�O E A GATINHA
Est� chovendo, n�o consigo pegar um t�xi, e n�o tenho dinheiro.
Que droga. � s� um cara gentil querendo ajudar uma garota.
Um cara rico e bonito, que quer me levar para casa!
� isso a�.
N�o! N�o � isso, n�o.
LAMENTAMOS INFORMAR QUE SEU ROMANCE FOI RECUSADO
Sherman!
- Boa noite, Sr. Rapzinsky. - O que �?
- � carta. - Para jogar no lixo, n�o no ch�o.
Eu, Rapzinsky, estou dizendo.
Desculpe tir�-Io do seu por�o, Sr. Rapzinsky.
Sei como se dedica para o pr�dio sair na House and Gardens.
- Sherman! - Sim, Sr. Rapzinsky.
- Continua fazendo barulho. - Que barulho � esse?
Tique-taque, tique-taque.
Esse � o som da m�quina, quando aperto as teclas.
� o m�todo que uso para criar as hist�rias de meus romances.
- Sou escritor. - Recebi outra reclama��o.
- De quem? - Ela reclama do barulho � noite.
N�o fa�a mais. Eu, Rapzinsky, estou dizendo.
Acabou?
Ent�o, vou subir. Pode descer, e se sentar no seu pneu.
Informa��o sobre o tempo. Tempo rigoroso em toda a costa...
indo do meio do Atl�ntico ao sudoeste, no domingo.
Tempestades violentas nas adjac�ncias...
Tempestades violentas nas adjac�ncias...
S� uma coisa, tenente. Acha que Vincent Cole matou?
Pode ter sido, n�o sei.
S� sei que...
- Certo, certo. - Est� cercado, Vincent.
Desista.
Sr. Rapzinsky?
� o Sr. Sherman.
Sim, acho que h� algo que deva saber.
Sr. Sherman.
Sr. Sherman.
Sr. Sherman!
Sr. Sherman!
O que quer?
Preciso falar com o senhor.
- Quem � voc�? - N�o me conhece, mas � s�rio.
- Por favor. - N�o atendemos depois das 0:00.
- N�s? - Wolf e eu.
- Wolf � um dobermann. - � quest�o de vida e morte!
Sente-se, Wolf. Vamos, garoto, sente-se.
Sente-se, Wolf. Sente-se.
- Algu�m a est� perseguindo? - N�o d� pra dizer. � pessoal.
- Est� sozinha? - Estou.
- Jure. - Por Deus.
Diga: "Juro por Deus que estou sozinha".
Juro por Deus que sou uma garotinha sozinha no corredor.
Ol�, dedo-duro veado! Seu louco fofoqueiro!
- N�o � garotinha! - N�o h� c�o!
Pode estar no quarto, pronto para atac�-la!
Voc� n�o teria um c�o chamado Wolf!
Teria peludinhos veadinhos chamados Pooky e Doodoo.
- Enganou-se de apartamento. - N�o me enrole, verme nojento!
� este mesmo, e � esta bicha!
- Est� tendo uma paran�ia grave! - O que disse?
- N�o est� no seu ambiente baixo! - Se n�o fosse fina, socaria voc�.
- Voc� � louca! - Quem fala � a bicha...
- que espia garotas pela janela. - Do que fala?
De um rato que tem inveja do que os caras fazem...
e faz fofoca s� porque uma garota entret�m um amigo!
- E aceita uma gorjeta gorda. - Voc� confessa!
Estava espiando! � um voyeur! S� ser delator � pior que isso.
E voc� � os dois! Sua bicha quatro-olhos.
- Sinto que est� aborrecida. - Que tipo mais estranho!
- Tem olhos de abutre! - Feche as cortinas...
N�o gosto de fech�-las! O quarto � muito quente.
- � de fazer fric��o. - O que � isso? Uma piada suja?
Fric��o...
J� entendi.
Algo que nem conhece. Seus homens t�m ar-condicionado, n�o?
- Estou ficando bravo. - Vai arrancar meus olhos?
- Estou ficando bravo. - Seu namorado vai me bater?
- Estou bravo. - Aonde vai?
Vou chamar a pol�cia.
Por que isso tinha de acontecer comigo?
Por favor, n�o fa�a isso.
N�o adianta chorar. Chorar n�o resolve...
Quem est� chorando?
Volte para o seu apartamento e...
N�o tenho apartamento! Fui expulsa!
- O qu�? - O "Raspinasky" me expulsou.
- Expulsou? - Ele me jogou na rua.
Voc� ia chamar a pol�cia. Voc� � um papagaio?
N�o o mandei chamar a pol�cia. S� disse que havia algo estranho.
Por que eu? Ou odeia as garotas em geral?
- Podia chorar em outro lugar? - N�o estou chorando!
- Est� molhando minha m�quina. - Voc� � muito estranho.
- Vai enferrujar. - Onde quer que chore?
- Que tal em Detroit? - D�-me US$ 5 para um quarto.
N�o se preocupe, pagarei!
N�o tenho dinheiro. Recebi hoje, e n�o descontei o cheque.
Faz sentido.
Dedos-duros nunca t�m dinheiro.
- E o dinheiro de seu amigo? - "Raspinasky", sei l�, levou.
Disse que, se desse o dinheiro, n�o contaria � pol�cia.
Isso � desprez�vel.
- O que isso quer dizer? - O qu�?
- O que voc� disse! Desprez�vel. - Que ele � uma pessoa desonesta.
Esta � a desculpa dele. Qual � a sua?
- Minha o qu�? - Por que me entregou?
- Por que reclamou da m�quina? - Foi por causa da m�quina?
- Estava chateado. O dia foi ruim. - O dia foi ruim? Sem emprego...
sem ser paga, sem quarto, sem lugar para ir...
estou falida, est� chovendo, e estou com um pervertido!
- Pelo menos voc� tem sa�de. - Muito engra�ado. Voc� � um...
Espere um pouco.
- S�o tr�s da manh�! - Voc� me olhava com isso!
� um profissional treinando para a Olimp�ada dos pervertidos!
- Fale baixo. - A olho nu, at� que passa...
mas isso � sujeira. Nada pode ser mais sujo!
Que vergonha! Voc� � nojento!
- Aconteceu. - Chegou a me fotografar?
Faz parte do meu trabalho. Faz parte dos meus estudos.
- Vai ser ginecologista? - Sou escritor. Observo as pessoas.
- Um escritor escreve! - Um voyeur faz isso!
� incr�vel. �s 3:00, ou�o serm�o de uma puta em minha casa!
N�o sou puta, ouviu? N�o sou puta!
- Sou modelo e atriz! - Agora chega! Agora chega!
- Seremos expulsos daqui! - J� fiz dois comerciais.
- J� sa� em muitas revistas. - Certo, fique quieta.
- E jornais. - Certo, quieta.
Estou dizendo.
Al�? Sim, Sr. Rapzinsky.
Eu sei, eu sei.
S�o 3:00. Uma amiga...
Farei isso.
Cad� voc�, fofa?
Escondendo-se da megera?
Abra esta porta, por favor.
- Quem �? Quem est� a�? - Sou eu, o Sr. Sherman.
- Quem? - Felix Sherman.
- O que est� fazendo a�? - Moro aqui.
- Onde? - Aqui! Nesse apartamento!
N�o grite, vagabundo. Sabe que horas s�o?
- Se eu sa�sse pela sua janela... - Cuidado!
Fique a�, senhor! N�o se aproxime. Tenho uma vassoura.
Eu me tranquei aqui fora. Estou totalmente desarmado.
Ele vai se mostrar!
- Sherman, onde voc� est�? - Estou no corredor!
- O que est� fazendo a�? - Fiquei trancado aqui fora.
- Tem certeza de que � voc�? - Claro.
- Est� sozinho? - Claro que estou!
- Jure. - O qu�?
Jure que � s� uma bichinha sozinha no corredor.
Voc� se machucou, querido?
Olhe, acho que tenho US$ 1,50.
- Darei a voc�, e ir� embora. - US$ 1,50!
- Quase US$ 1,75. - Farei minha viagem � Europa!
- E a Associa��o de Mo�as? - Por US$ 1,75? N�o d�.
Se Rapzinsky a descobrir aqui, ele me expulsar� do apartamento.
Seria terr�vel, n�o? Ser expulso do apartamento, no meio da noite?
Ou�a, vou dormir. N�o ouvir� barulho meu.
Sairei antes que acorde, pois n�o quero mais ver voc�!
- Est� bem? - Est� bem.
- Onde est� a TV? - Tenho orgulho de n�o ter uma.
O que farei? N�o durmo sem televis�o!
- Use a sua. - N�o posso. Ele quebrou.
Ele veio entrando, e arrancou da tomada com aquelas garras.
Tenho essa televis�o h� 8 anos. Far� 8 anos em agosto.
Se � que ele n�o acabou com ela. Se ele quebrou algum fus�vel...
ou qualquer outra coisa, juro que vou mat�-Io.
Qual � o problema?
Est� esperando companhia?
Essa � uma cria��o muito especial. Mandei fazer.
- O embrulho era marrom? - � roupa para posar.
- Para o estrangulador de Boston? - Se se comportar, poder� provar.
Vamos esclarecer uma coisa... Doris.
- Como sabe meu nome? - Est� escrito a�.
Quem o autorizou a ler minha calcinha?
Boa noite.
O que ia dizer?
N�o pode conversar comigo? N�o consigo dormir direto.
N�o temos nada a nos dizer. N�o falamos a mesma l�ngua.
Ah, vai... N�o vou machucar voc�.
- N�o precisa ter medo de mim. - Quer dar licen�a?
- Quase peguei voc�, n�o? - Abaixe a cortina e saia.
Por qu�? Acha que tem algo especial?
- Que eu n�o tenha visto? - Um dos poucos, sem d�vida.
Precisa superar este medo do sexo oposto.
- Quer sair daqui? - S� porque � indefinido?
Ou�a, droga. Sou t�o normal quanto voc�.
- Quero deixar isso claro. - De que tem tanta vergonha?
N�o tenho vergonha de nada.
Caramba! � esse o castigo por rir tanto.
Me desculpe ter rido.
S�rio. Eu juro.
N�o estava rindo de voc�. Eu estava rindo... da situa��o.
� s�rio.
� s�rio, eu juro. Voc� � uma pessoa bonita.
N�o h� nada de errado com voc�.
N�o h� nada de errado com voc�.
- Prenda a respira��o. - Nunca d� certo!
Beba dez goles de �gua.
N�o funciona. Voc� precisa me assustar.
- Preciso assust�-la? - S� isso funciona. Por favor.
- Vai solu�ar at� dormir. - � muito forte!
For�a muito meu cora��o! Assuste-me, ou vou gritar!
- Vamos! - � s�rio? Quer que eu a assuste?
- Precisa me pegar de surpresa. - Pegar de surpresa?
Claro! Mude de assunto, distraia-me!
- Certo. Que tempo bom, n�o? - Est� chovendo.
- Melhor do que no ano passado. - Eu estava em Chicago!
- Chicago � fascinante. - � fedida! Vou ficar solu�ando?
- Estou distraindo voc�! - Estou distra�da agora.
- N�o est�. Est� esperando. - N�o estou. Quer andar logo?
Est� certo. Estava esperando por isso.
Vou dormir. Dane-se voc�. Estou exausto. Boa noite.
Seu filho da m�e insens�vel!
Tem alguma coisa para beber?
Tem Coca-Cola?
- Ei, chato! - Na geladeira.
Eu podia morrer, se dependesse desse pervertido.
Ningu�m se importa com mais ningu�m.
O que h� com voc�? Est� louco? Pelo amor de Deus!
Disse para me assustar, n�o para me matar do cora��o!
Pare com isso!
Tire suas m�os de mim, seu tarado!
- Veja s�. - V� se catar!
Com essa s�o tr�s.
- Tr�s o qu�? - Tr�s vezes que apareci na TV.
Essa vez poder� lan��-la ao sucesso.
- O que houve? - Barney, sei que � uma invas�o.
- O que foi? - Se houvesse uma alternativa...
- O que houve, Felix? - Felix?
Fomos expulsos.
- Ol�, sou Doris. Muito prazer. - Sou Barney.
- Levarei isso � Justi�a. - Conte-me de manh�.
Felix?
� uma situa��o bem peculiar. Na verdade...
a gente se conheceu esta noite, embora moremos no mesmo pr�dio.
Estava sem dinheiro, sen�o ter�amos ido a um hotel.
Para hot�is separados, digo, quartos separados.
Voc� � hetero, n�o �?
N�o sabia, Barney. Devia ter dito que estava se divertindo...
Espero n�o termos interrompido nada.
- Quer usar o banheiro? - Certamente, n�o.
Obrigado, mesmo assim.
Obrigado por tudo.
Ou�a, se precisarem de...
- Felix. - Sim.
Este � mesmo seu nome? Felix?
H� algo errado com Felix?
- Soa como uma "eca". - N�o conhe�o esta palavra.
Talvez pudesse expandir seu vocabul�rio, para me explicar.
Felix � um bom nome para uma lesma de estima��o.
- Sei que desconhece etimologia. - Desconhe�o mesmo.
Mas Felix significa "feliz e sortudo".
- Uma lesma feliz e sortuda. - Obrigado, "Doris".
- Como assim "Doris"? - Uma prostituta incorrig�vel.
Saiba de duas coisas, cretino! N�o sou prostituta!
Sou modelo e atriz! J� fiz tr�s comerciais para televis�o!
Tr�s? Fant�stico. Deve ter feito outro no elevador.
Talvez tenham sido s� dois! Mas j� sa� em revistas e jornais.
E j� participei de um filme!
Nos intervalos, pode ser alugada.
S� fiz umas 2 vezes. E foi com...
gente de respeito, ouviu? Em casos de emerg�ncia.
- � algo que nunca entenderia. - Que algo � esse?
Que posso ser prostituta, mas n�o sou prom�scua.
Est� absolutamente certa. � uma diferen�a sutil. Retiro tudo.
Exemplo do capitalismo pr�tico. Retira as fontes naturais...
adiciona o custo do seu trabalho, vende o produto, e obt�m lucro.
- N�o entendi, mas foi ofensa. - N�o.
Foi s� uma constata��o de como as coisas s�o.
Pretende dormir nessa posi��o?
� meu h�bito de assistir � TV � noite.
- Tinha duas coisas a me dizer. - Tinha?
Sei o que o nome Doris significa, pois fui consultar.
Acho que n�o sabe tudo.
N�o sabe o que o nome Doris significa, sabe, Dr. QI?
Gostaria que eu lhe dissesse o significado de Doris?
Gostaria de aprender algo?
Se isso for ajud�-la a dormir.
O nome Doris significa uma mulher d�rica.
- E o que � uma mulher d�rica? - Sei l�.
Muito bom. Quer apagar a luz?
- Ainda n�o consigo dormir. - Mas eu consigo.
Voc� tem muita sorte.
� bom poder dormir quando se quer.
Quando eu consigo dormir, durmo que � uma beleza.
Como uma pedra.
Como um cad�ver.
Mas, para mim, � dif�cil dormir quando estou desperta.
Fui a um terapeuta, uma vez, que disse que era medo de morrer.
N�o sei. Acho que...
acho que...
tenho muito dessa coisa chamada...
"anilina".
Sabe?
Quando estou deitada bem paradinha...
eu sinto.
Consigo limpar meu corpo.
Todos os meus �rg�os.
Meus bra�os, minhas pernas.
� como uma energia.
Como eletricidade.
Como Lon Chaney, sabe? Em The Man Made Monster?
Quando fazem os testes em Lon Chaney com descargas el�tricas.
At� ele ficar quase em brasas. Um dia, ap�s matar algu�m...
ele vai pra cadeira el�trica, e recebe 50 mil volts de carga.
Bem, ele fica alucinado. Ele fica todo mole.
E, quando tentam agarr�-Io, eles percebem...
que era s� ele toc�-Ios, que eles fritariam na hora!
D� para imaginar como deve ser isso?
- O que � isso? Por que faz isso? - Qual � o problema?
Estou em p� desde as 8:00 de ontem!
Meu corpo est� desesperado por descanso!
Tenho compromissos. Gostaria de estar acordado para cumpri-Ios.
N�o tenho esse excesso de adrenalina! Estou fadado...
a, uma vez por dia, fechar meus olhos e dormir de verdade.
Dormir de verdade!
Voc� me deixa t�o irado, que at� falei errado! Minha mente pirou!
Logo, n�o serei respons�vel pelos meus atos. � um aviso!
- Vira um tigre quando se altera. - Por favor! Por favor, Doris!
Eu lhe pe�o. Em nome de tudo o que � sagrado.
- V� dormir. - Desculpe! Eu gostaria...
mas n�o consigo sem a TV! Ela me acalma!
- Que tal um comprimido? - Nunca tomo. Fico debilitada.
- Ouviu o que eu disse? - O qu�?
- Os comprimidos s�o debilitantes. - Eu ouvi.
- Sabe o que isso quer dizer? - Sei.
- Todos acham que � o contr�rio. - Acham?
- Mas n�o �. - Raramente �.
- Mas n�o �. - Raramente �.
- O qu�? - O contr�rio.
Meu Deus, estou come�ando a falar como ela!
Talvez pud�ssemos pegar uma televis�o emprestada.
O que est� fazendo?
N�o h� como provar minha inoc�ncia?
N�o se preocupe. Antes de morrer, o velho �ndio confessou tudo.
- Tudo? - Sim, tudo sobre o dinheiro.
Acharam onde ele o enterrou, perto da cruz, na colina.
- E Louise? - Louise vai...
- Sim, mas n�o andar� mais. - Nunca mais?
Pelo menos n�o at� a pr�xima semana...
quando entrar na igreja, rumo ao altar, com voc�.
- Mas, papai, pensei... - N�o, filho.
Sua m�e e eu a achamos h� muitos anos.
Ela estava quase morta pelo sol e pelo cansa�o, em Samson's Gulch.
- Ent�o... - Sim, Louise n�o � sua irm�.
Mas esta � uma outra hist�ria.
Um intervalo para as �Itimas not�cias, antes de encerrarmos.
O corpo do escritor Felix Sherman foi achado em seu apartamento.
A aut�psia diz que a morte foi causada por exaust�o profunda.
Essas s�o as not�cias desta noite.
O conselho desta noite � sobre uma das maiores d�divas divinas:
O poder do sono.
Sono, que refresca o corpo e nutre a mente.
Sono, que cose as mangas desfiadas da prote��o.
Sono, que engloba ministros, padres e rabinos...
independentemente da cor, nacionalidade ou origem.
Voc� pode ver isso? E os foguetes vermelhos?
Esta � a F-E-L-l-X TV, a rede Sherman...
desligando-se... pra sempre.
- Foi fant�stico. De verdade! - N�o se levante.
Inventou tudo? Deve ser um �timo escritor!
- Por favor, n�o levante. - Esqueci de beber �gua.
- O que j� escreveu para a TV? - Ela levantou.
- J� escreveu para a TV? - Ela levantou.
N�o escrevi para a caixa de lobotomia.
- Escreveu para o cinema? - N�o escrevi para o cinema.
- Que pena. - Eles n�o acham.
Adoro cinema. Eu ia toda noite, na Rua 42.
S� que sempre tinha algu�m ao lado, me assediando.
- J� tentou ler? - N�o adiantaria nada.
N�o estou falando no cinema. J� tentou ler um livro?
Um livro?
Eu lia a Playboy, at� ficar brava com eles.
Por qu�?
Posei para ser uma linda coelhinha do m�s, sabe?
- O que houve? - Mandaram as fotos de volta.
Sei como �.
Ei, Felix...
Quer dar uns amassos?
N�o quero dar uns amassos.
Tudo bem.
- Quer �gua? - Doris, ficar� surpresa...
mas acho que gostaria de dormir.
- Pode me contar uma hist�ria? - � imposs�vel.
Conte-me uma hist�ria, e eu juro que vou dormir.
- Bem, que tipo de hist�ria? - Uma hist�ria de cinema.
Sinto muito, mas n�o sei a hist�ria de A Novi�a Rebelde.
Essa � horr�vel.
Achou A Novi�a Rebelde horr�vel?
Vi esse filme terr�vel 4 vezes.
- Deve ter odiado mesmo. - Quase matou minha amiga Eleanor.
- �? - No RKO da 86, agora demolido.
Estava sendo passado direto.
Sem intervalo.
Entendeu?
- N�o muito. - A bexiga dela estourou.
- H� uma li��o a� para todos n�s. - Ei, e minha hist�ria?
- Vou ter um pesadelo. Ou�a. - E as hist�rias que trouxe?
S�o trabalho em andamento.
Leia um trabalho em andamento. Estou mesmo muito interessada.
- N�o entenderia meu trabalho. - Como sabe?
N�o h� gente bonita, m�sicas da parada, nem finais felizes.
Talvez eu possa mostrar onde errou.
Sei onde errei. Errei quando abri minha porta �s 2:00 hoje.
Vamos, leia suas coisas, e prometo n�o pedir mais nada.
Gosto do som da sua voz. Verdade. � bem debilitante.
Sabe o que isso quer dizer? J� lhe contei.
Vamos, leia uma hist�ria!
N�o quero ler minha hist�ria. N�o pode dormir de outro jeito?
- Vou ler minha hist�ria. - �timo!
Sou uma ouvinte fant�stica. Dormirei antes da p�gina dois.
Isso seria um elogio.
"Grito. Cap�tulo um. A cidade."
Este � o t�tulo, certo? "Grito".
- "A cidade". - Que t�tulo louco.
"A cidade ganhou vida. O sol cuspiu a manh� na cara de Julian.
A sinfonia do tr�fego respondeu � batida do dia...
enquanto milh�es de almas envolviam-se no casulo do sono."
- O sol cuspiu a manh�? - "Enquanto milh�es de almas...
- envolviam-se no casulo..." - Espere a�.
O sol cuspiu a manh� no rosto desse cara?
- Sim, essa � a imagem. - O rosto dele...
- ficou com a manh� cuspida. - Eu disse que n�o ia gostar.
Disse que eu n�o ia entender. Eu entendi, mas n�o desgosto.
- N�o? - Odeio! Como o sol cospe a manh�?
- N�o escrevi pra voc�. - Escreveu para quem?
- N�o precisa falar alto. - Como pode dizer algo assim?
Acalme-se. Para que gritar? � uma met�fora: O sol cuspiu a manh�!
N�o � s� isso! O sol cuspiu a manh� no rosto do cara!
Barney, n�o acordamos voc�s, acordamos?
Que nada!
S� queremos ver os lixeiros em a��o. Juntar-nos � multid�o.
Desculpe se causamos inc�modo.
N�o mesmo. �amos fazer um passeio pelo interior mesmo.
E, j� que o sol come�ou a cuspir...
pensamos em sair cedo e pegar a baba da manh�.
Espero n�o t�-Io constrangido com seu amigo.
N�o � a esposa dele, �?
Ele tem uma bela apar�ncia.
Voc� tamb�m n�o � feio. Sem brincadeira.
N�o vai falar mais comigo?
Ei!
Ou�a, desculpe se usei essa linguagem vulgar.
E desculpe ter sido expulso.
Fiquei ferrada, isto �, brava.
Tinha o direito de ficar brava, se sua conduta fosse exemplar.
- Conhece palavras fant�sticas. - A linguagem � meu trabalho.
- Voc� est� bem a�? - Estou.
- O que est� fazendo? - Escovando os dentes.
- Ganha muito com isso? - Escovar os dentes...
- n�o � mais como era antes. - Eu estava falando de escrever!
- N�o escrevo por dinheiro. - Se lhe dessem, aceitaria, certo?
Mas seria incongruente com minhas convic��es est�ticas.
- S� entendi "com" e "minhas". - Ganharia para ser submisso.
- Quero escrever do meu jeito! - Bem, o dinheiro � deles.
Sim, acho que pensam assim.
Boa noite, Doris.
- Por que fez isso? - Esta cama � de casal.
Eu sei.
Eu me sinto ego�sta dormindo em uma cama de casal...
quando h� gente na China dormindo no ch�o.
- Vou ter de fazer de novo. - Eu fa�o.
- Posso fazer sozinho. - Eu desfiz, vou fazer!
- Disse que farei, e assim ser�. - Olhe!
- Doris! - Voc� est� entrando na minha.
- Vamos, Doris! - Estou indo, amor.
Estou quase batendo em voc�.
- Adoro caras dur�es. - Mas sou contra a viol�ncia.
Gosto de caras d�ceis. Sei que quer.
- Doris, n�o sou um animal. - Vamos, querido. Vai adorar.
N�o sucumbo ao meu apetite. Sou um intelectual.
Minha vida � regida pela minha mente.
- Veja, amor... - N�o sou amor, sou Felix.
N�o ligo para o seu passado. J� estive com giletes.
Droga, Doris! N�o sou gilete. N�o entende? Sou hetero.
Ou�a, se quiser, � s� me dar a m�o. D�-me a m�o.
Pode fechar os olhos e fingir que sou um cara deformado.
Isso foi fant�stico!
- Vou conseguir. - Observe. Eu fa�o.
- Consegui. - Eu fa�o.
- Est� apertando. - Estou acostumada com isso!
Deixe-me desamarrar. Deixe-me ajudar, amor.
- Deixe que eu fa�a. - Est� amarrando mais!
Consegui.
Cuidado. Cuidado!
Espere um pouco!
- Seu filho da... - N�o vire pra baixo!
- Espere um pouco! - Calma. Tudo bem.
L� vai.
N�o � a�, querido. N�o, querido!
- D�-me uma dica. Uma dica! - Precisa desencaixar.
Tem algum encaixe?
- N�o � assim, amor. - H� uma palavra secreta?
Deixe-me ajud�-Io. Posso ajudar, por favor?
- N�o rasgue! - � algum decalque?
- Eu tiro. - Cuidado.
Que tal?
Fa�a mais isso. Fa�a mais. Vamos, amor.
- Vamos, amor. - N�o sou amor.
- Continue, meu amante. - N�o sou amante.
Bom, bom. Que garoto bom!
Muito bom. Ponha a m�o a�.
Doris, por favor.
Espere, deixe-me afastar a perna. Deixe-me afast�-la.
Que gostoso! Como � que est�? Como � que se sente?
- Est� gostoso? - Pode evitar falar tanto?
Est� me desconcentrando.
- Sou um jogo de xadrez? - Cale a boca!
Doris. Doris, por favor.
Por favor, Doris.
Pare, Doris.
- Qual o problema? - Respeito pela tradi��o.
Como quiser, Sr. Sherman.
Qual � seu sobrenome?
Waverly.
Tem certeza?
Claro que tenho! � que voc� me perguntou t�o de repente!
Bem, na verdade...
estou entre dois nomes agora.
Tentei Wadsworth, por um tempo, e Wellington.
Mas, no momento, � Waverly.
Por que fica mudando?
� importante, para uma atriz, ter um nome marcante.
Um nome do qual o p�blico v� lembrar.
E tem classe, n�o acha?
- O importante � ter talento. - Tenho talento!
- N�o quis dizer... - Tenho muito talento!
N�o � por n�o falar como voc� que eu seja burra.
Doris, estou lhe dizendo, voc� n�o � burra.
N�o est� sendo s� educado?
Est� errado.
A metade do tempo n�o entendo o que diz.
- Suas palavras me assustam. - Palavras n�o s�o intr�nsecas...
Falou de novo. Mais uma que n�o sei o que �.
- Por que fica brava? - Por que fico brava?
Suponha que eu diga que fiquei "estubulando". O que pensaria?
Que isso demonstra que tem imagina��o.
- N�o � f�cil criar "estubelando". - "Estubulando".
Chatear-se ao n�o saber algo prova que � curiosa.
- Este � um grande atributo. - Cuidado.
Qualidade!
Gosto de conversar com voc�, sabia?
Aposto...
que, se convers�ssemos, digamos...
uma vez por dia...
eu poderia aprender muito.
Eu poderia aprender certos aspectos da vida com voc�.
Pode apostar.
- Deixe-me perguntar algo. - O que acha de Washington?
- O qu�? - De Washington. Voc� gosta?
- Emocionante, capital do pa�s... - Washington! Doris Washington!
� muito bom. Ou�a, Doris Washington...
- diga-me uma coisa. - O qu�?
- Diga-me uma coisa. - O qu�?
N�o posso deixar de ter curiosidade em...
- N�o, esque�a. - O que �?
- Esque�a. N�o � da minha conta. - Direi se n�o for. Pergunte!
- Deve ter tido v�rios homens. - N�o � da sua conta.
- Entendo. - O qu�?
- Desculpe, n�o quis aborrec�-la. - Acha que isso me aborreceria?
- Por que grita? - N�o grito, s� falo alto!
- Tudo bem. - Tudo bem nada!
Por que foi me perguntar isso?
Vamos esquecer isso. Foi s� curiosidade.
Que coisa mais peculiar para ter curiosidade, n�o?
- E se eu lhe perguntasse isso? - Eu n�o ficaria t�o defensivo.
Pois a resposta n�o seria muito interessante, certo?
- Leva muito para o lado pessoal. - Levo? Puxa, desculpe.
N�o quis fazer uma pergunta pessoal. A que me fez n�o era!
"Conte-me sobre os 6 mil caras com quem dormiu"!
- Mas, Doris, no seu caso... - No meu caso?
- Sou um caso especial, certo. - N�o falei sobre 6 mil caras.
Mas foi o que pensou!
Certo?
- Aonde vai? - N�o � da sua conta!
- A verdade incomoda tanto? - Que verdade?
Se quer sab�-la, por que n�o faz a pergunta direito?
- E qual seria a pergunta? - Vou lhe dizer qual seria.
Queria saber seu lugar na competi��o. Sua pontua��o.
- Se foi aprovado, certo? - Se voc� diz, professora.
- N�o percebi que deu aula. - N�o aceito iniciantes.
- Uma profissional como voc�, n�o. - Sei a pr�xima pergunta.
Pois � a mesma pergunta est�pida que fazem. A pr�xima seria:
"Gostou mesmo? Depois de tantas vezes, foi emocionante?
Um objeto, uma coisa como voc� sentiria prazer...
com um cidad�o honesto e exemplar como eu?" N�o �?
Por que n�o percebo? Como n�o aprendo?
N�o serei tratada como coisa. Sou uma pessoa.
- Sou Doris Wilgus! - Wilgus?
Pode tirar os olhos de mim, enquanto lhe digo uma coisa.
Ontem � noite, achei que algo muito bom estava acontecendo.
Voc� parecia ser um cara legal.
Mas eu me apaixono o tempo todo, ouviu?
Isso � normal. Mas voc� foi gentil. Disse coisas bacanas.
Isso s� prova que � melhor ator que eu. Quero dizer, atriz.
Isso voc� sabe melhor que eu, j� que atuou na cama.
Algu�m precisa parecer saber o que est� fazendo.
Desculpe se n�o correspondi. Levaria uma nota de 0 a 10?
- Se aceitar fra��es. - Sabe do que precisa?
- N�o estou interessada! - De um psiquiatra competente...
que talvez, se tiver tempo, junte os peda�os de sua mente!
- Quanta merda! - Deve ter aprendido isso no teatro.
Ou�a, Sr. Sabich�o, fiquei muito tempo no div�.
- N�o tinha cama por perto? - Muito engra�ado!
O psiquiatra � como voc�, fala e n�o age.
Sabe o que ele disse?
"Fa�a o que n�o a deixe infeliz." E eu fiz.
N�o lhe paguei. N�o fiquei infeliz, mas ele ficou furioso.
Por que n�o lhe pagou de outro jeito?
D�-me US$ 1, por favor.
Se puder.
Para eu pegar um t�xi para algum lugar.
- Para onde mando? - Esque�a.
- Se fosse rico, eu esqueceria. - Voc� trabalhou por ele.
- Mais do que voc�. - Pode faturar mais US$ 10 hoje.
Voltarei aqui. Seu amigo Barney me dir�.
Mande para a Doubleday. Na 53� com a 5�.
� onde voc� trabalha?
Na Doubleday?
Uma livraria?
� vendedor?
Vejam s�! O famoso escritor � vendedor de livros.
- Isso me deixa feliz. - Que bom que algo a satisfaz.
- Boas vendas, Sr. Sherman. - Boa cal�ada, Srta. An�nima!
Talvez um dia eu v� � livraria...
ver o vendedor barato que quer ser escritor, e nunca ser�.
- Como sabe? Precisa aprender a ler! - Vou lhe dizer:
Sei que nunca ser� escritor...
n�o importa o quanto finja, Sr. Sherman...
porque, droga...
o sol n�o cospe!
GAROTAS
Por que fez isso, seu nojento?
O que est� fazendo?
Quem acha que est� enganando?
Aonde vai
Quando a divers�o acontece?
Ningu�m esperar�
Voc� encontrar seu caminho
Construa sua vida toda
- "Transas"? - Como?
Talvez eu possa pedir um vestido e explicar que sou atriz...
e que ser� bom para a loja dele eu usar seus vestidos.
E ele me dar� um cr�dito.
Voc� esteve sozinho Por tanto tempo
E � hora de mudar
FECHADO
Continuar� sozinho Enquanto achar
O amor t�o estranho
Aproxime-se Veja o que pode ver agora
� melhor voc� procurar
Seja o que pode ser agora
- Gostaria de saber... - O qu�, senhor?
- Pode dizer a que horas? - O qu�, senhor?
A que horas come�a Circuito das Putas?
O qu�, senhor?
Circuito das Putas!
Quero assistir a Circuito das Putas!
Putas agora.
- Sobretudo? - N�o tenho.
Quer alugar um?
Fant�stico!
- Se eu levar um vestido... - N�o vim vender vestidos.
N�o sei que truque quer aplicar. Mas, se quiser encrenca...
- vai arranjar. - Relaxe. N�o fique t�o tenso.
Onde acha que vai agora?
Vou entrar aqui um pouco.
- Certo? - Certo...
mas vou lhe dar s� 30 segundos para sair. Est� ficando tarde.
- Preciso ir pra casa, entende? - Eu tamb�m.
Voc� � muito asseado, n�o �?
Acho que as roupas de um homem s�o seus bens mais valiosos.
Puxa.
Tragam-na aqui.
- Para o quarto. - Para o quarto, n�o!
N�o tente fazer isso. Quer isso aqui?
- N�o, eu imploro! - Segurem-na para abrir a porta.
- N�o, por favor! - Ficar� a� para ter disciplina!
O que est� fazendo? Para que isso?
O que far� com isso?
Que coisa � aquela? E que outra coisa � aquela?
Onde pensa que vai p�r isso? Espere a�! Espere a�!
N�o pode fazer isso!
N�o com os dois! N�o pode! N�o pode!
Pode? Ah! Talvez possa!
Meu Deus, voc� conseguiu!
Tenho uma coisa para lhe dizer.
O qu�?
N�o sei como vai aceitar isso...
mas tem o direito de saber.
Saber o qu�?
Joguei sua cal�a no vaso e dei descarga.
Fecharemos em 5 min. Posso ajud�-la?
Tem certeza de que n�o posso ajud�-la?
- Fecharemos em 4 min. - Sou Eleanor.
- N�o importa, n�o �? - N�o muito.
N�o ligo pra voc� tamb�m. Para ser bem honesta...
- n�o sei o que ela v� em voc�. - Agrade�o sua franqueza...
- Acho voc� um cretino. - Um o qu�?
- Cretino. Pelo que fez com ela. - Espere a�. O que fiz com quem?
- Doris. - Doris? N�o conhe�o nenhuma...
Ah, Doris. Agora entendi.
- Procurou o cretino errado. - � o que todos dizem.
Dessa vez, dizem a verdade. Est� procurando Felix.
Voc� n�o � Felix? L� embaixo, disseram que Felix estava aqui.
Ele est�.
- Aquele � Felix? - Frustrante, n�o?
- Ele est� dormindo? - N�o, est� morto.
- Pare com isso. - Morreu h� algumas semanas.
Mas todos gostavam tanto dele, que nos reunimos...
e decidimos empalh�-Io! �timo trabalho, n�o acha?
Corta essa.
Felix Sherman?
Acho que sim.
- O que fiz para merecer isso? - N�o muito, pelo que soube.
Voc� n�o �... �?
- Sou Eleanor. - Eleanor. Voc� � Eleanor.
- Barney, esta � Eleanor! - N�o me toque, n�o estou bem!
Onde est� Doris, Eleanor?
Tenho este recado pra voc�.
Doris n�o quer v�-Io novamente. Foi por isso que eu vim.
Disse para eu dizer que n�o quer mais falar com voc�.
Ou qualquer outra coisa. Mesmo se a vir na rua, ou em uma loja...
incluindo o lugar onde ela se encontra agora...
comendo um sandu�che de presunto...
na Riker's, na esquina da 6� Avenida com a Rua 57.
Muito bem. Disse tudo.
Veio correndo?
- Estava pensando... - Ou�a...
- O que ia dizer? - Pode falar.
Estava pensando onde ficou na �Itima semana.
La perguntar isso a voc�. Ainda est� no Barney?
- Mudei-me temporariamente. - Eu tamb�m.
Estou com minha amiga Eleanor. � na Rua 14.
Ela parece ser apraz�vel.
Doris, tenho uma coisa para lhe dizer que diz respeito a n�s.
Se n�o for...
- Quem era? - Voc� me pegou.
- Como assim? Cumprimentou voc�. - N�o, s� fez "uh, uh".
- Estranhos fazem isso pra voc�? - N�o at� esta noite.
- Veja, Doris... - Voc� est� p�ssimo, sabia?
- Estou? - Como se dormisse pouco.
- N�o tenho dormido muito bem. - Tentou um banho quente?
Tentei. Acho banhos quentes muito debilitantes.
Debilitantes?
Fiz voc� rir. Ponto pra mim.
Doris, quero que tente entender o que direi.
- H� 31 anos tento estabelecer... - Essa � sua idade? 31?
Tentei estabelecer a supremacia do aspecto intelectual...
- sobre o aspecto f�sico da vida. - Veio correndo s� pra dizer isso?
- N�o corri, fiz cooper. - Podia ter mandado uma carta.
- N�o sabia seu endere�o! - Podia ter entregado a Eleanor!
Queria v�-la novamente.
- Desculpe por aquela noite. - Foi minha culpa!
- � que tenho um g�nio terr�vel! - Estava totalmente correta.
N�o tenho o direito de fazer certas perguntas.
Claro que tem! � escritor. Precisa descobrir coisas.
Se n�o fizer perguntas, como far� para incorpor�-las?
O qu�?
Disse que se n�o fizer perguntas, como ir� incorpor�-las?
- "Incorporar"? - Nada mal, hein?
- Voc� e Seu Vocabul�rio. - Achei perto de inculta.
- Perto de inculta. - Impec�vel, n�o?
� not�vel.
Tento aprender, quero dizer, tento incorporar...
cinco palavras novas, por dia.
Desse jeito, acho que aprenderei a falar t�o bem quanto voc�.
- N�o seria uma conquista? - Seria maravilhoso.
� sempre uma vantagem expressar-se claramente.
Ei, dona, quer dar uma volta?
E acho que seria bom, para mim, como atriz, n�o acha?
- A linguagem... - E ent�o, amor?
...� uma das principais ferramentas do ator.
- Livre-se do quatro-olhos! - Poderei fazer o que n�o podia...
porque n�o me expressava "sucsintamente", entende?
- Sucintamente. - Isso.
- Lembre-se: Linguagem � poder. - Vou me lembrar disso.
- Ei, amor, temos algo pra voc�. - Pode me dar licen�a?
Pule aqui. Vamos!
Desculpem, garotos...
mas est�o invadindo a minha privacidade.
Felix! Vamos!
As pessoas andam t�o sens�veis. � preciso medir cada palavra.
- Doris, o que h� com voc�? - Como assim?
- Sua vida sempre foi t�o vol�til. - Quem?
Vol�til!
"Vol�til"?
Aqui est�! "Explosiva."
"Explosiva, cheia de energia." Acho que sim.
� por eu ser temperamental. Isso me d� problemas.
Uma vez, tive uma briga violenta com um cara que n�o queria me pagar.
- Te pagar? - N�o � o que est� pensando.
- Eu o peguei pelo avental. - Avental?
Por que ele estava de avental?
Para n�o amassar o terno ao deitar no ch�o. Mas...
- Por que estava deitado no ch�o? - Para acertar a mira.
Espere!
- Quem estava na mira? - Eu! Estou tentando lhe dizer!
- Doris, isso est� me chateando. - Est� bem!
Quer soltar?
Voc� tem m�os fortes, para um pulso t�o fino!
- Conte cada passo, do in�cio. - N�o � t�o interessante.
- Eu direi se �. - Bem, o cara...
� um homem de neg�cios, de uns 50 anos.
Tem um escrit�rio na Madison, com um corredor todo de m�rmore.
E?
Ele me dava US$ 50 para eu ficar sentada no fim do corredor.
- S� para ficar sentada? - Usando uma capa de chuva.
Ficava sentada usando uma capa de chuva?
Com as m�os amarradas.
- Entendo. E o que ele fazia? - Ele...
ele ficava na outra ponta do corredor, ajoelhado, de avental!
E?
Eu tinha de gritar enquanto ele jogava ovos cozidos em mim!
- Fale de novo. - Eu disse...
que eu gritava enquanto jogava ovos em mim!
- Ele jogava ovos em voc�? - Cozidos! N�o � nada de mais!
- Doris, � nojento! - Por qu�?
Porque...
n�o consigo achar a palavra.
Onde estamos?
Onde estamos?
Quem mora aqui?
Que lugar � esse?
- Isso aqui � de quem? - � a casa dos Weyderhaus.
S�o o pai e a m�e da Srta. Ann Weyderhaus.
A Srta. Weyderhaus � pianista. � tamb�m...
minha noiva.
- Vai se casar? - Estudamos juntos.
Decidimos nos casar assim que eu vender o meu 1 � romance.
- Quando ser� isso? - Talvez s� no pr�ximo s�culo.
- Por que diz isso? - N�o questiono os editores de NY.
Do que eles entendem?
De algo que eu n�o entendo.
Est� quente, sabia? Como se sente?
- Sinto meu cabelo em chamas. - Vamos, precisa ir pra cama.
- Felix � malvado. Precisa dormir. - N�o fale assim. Isso me assusta.
- Felix � estranho. Assusta todos. - Pare! Vou tirar seus sapatos.
Vou lhe dizer o problema de Felix. Felix fez uma boa faculdade...
e cursos de literatura moderna.
Aprendeu palavras dif�ceis, mas nada sobre jogar ovos cozidos!
Quer parar de falar nisso?
Felix est� regredindo. Esqueceu como se abotoa uma camisa.
- Levante as pernas. - Felix agora levantar� as pernas.
- Tem algum term�metro aqui? - No banheiro.
Mostre onde �.
Os Weyderhaus s�o ricos?
Muito.
Abra.
Feche.
Essa � ela?
� a Srta. Weyderhaus?
� parcialmente atraente.
S� consigo ver um peda�o do rosto dela...
mas creio que toque bem, n�o?
Ela estreou ontem � noite, com a sinf�nica de Boston.
� onde a fam�lia dela est�?
Como ela � na cama?
Perguntei como ela � na cama.
- N�o � da sua conta. - N�o � boa, certo?
Talvez n�o entenda, mas nossa rela��o n�o � baseada nisso.
� baseada em qu�?
Na aprecia��o m�tua de certas coisas: Arte e literatura.
- Ela nem quer? - A m�sica � a vida dela.
V�o para a casa de Sam Goody na lua-de-mel?
N�o quero falar nisso. Os Weyderhaus s�o boa gente.
Eles t�m uma moral sincera e antiga.
- Conhe�o o tipo. - Acho que n�o conhece.
- Voc� n�o est� normal. - O que quer dizer?
Veja, 34.
Precisa ir pra cama.
- Meu corpo me odeia. - Vamos.
Prontinho.
- O que vai fazer? - Acender a lareira.
E se minha temperatura continuar a cair?
N�o se preocupe, pegarei um furador de gelo.
- Ovos. - O qu�?
- O que significa? - O que significa o qu�?
O que pensava enquanto ele jogava os ovos em voc�?
Pensava nos US$ 50 que ganharia.
O mesmo que pensei no lance do caix�o.
Tenho pavor de perguntar, mas o que era o lance do caix�o?
Eu entro em um quarto e acendo as luzes.
Tem um cara l�, deitado em um caix�o.
M�os sobrepostas, rosto maquiado, um cad�ver, entende?
Vou at� ele. De repente, ele abre os olhos e diz: "Boa noite."
D� um berro e...
� isso.
50 paus. Havia um que queria que eu o embrulhasse em celofane...
e o amassasse. Tinha um que queria...
que eu o visse pela fechadura, enquanto comia um pepino.
Outro me fotografava deitada na mesa...
enquanto seu periquito andava sobre minhas costas.
Doris, voc� � uma Disneyl�ndia sexual.
Bem, aparece de tudo.
- Vou para LA. - O qu�?
Vou para a Calif�rnia.
- Por qu�? - Bem...
n�o estou ganhando bem aqui.
� para l� que as atrizes devem ir. � onde h� trabalho.
Assim como precisa ficar aqui, pois � escritor.
- O que isso tem a ver com ficar? - Escreve sobre a cidade, n�o?
- Como em sua hist�ria "Grito". - Lembro do quanto gostou dela.
Eu sei. Tenho pensado nisso.
No come�o, n�o entendi. O sol cuspir a manh�.
- Mas agora entendo. - Entende?
Com certeza.
O sol como um grande rosto.
A� vem ele. A� vem ele.
Bem devagar...
por cima do mundo.
Ele olha a cidade de cima e...
Entendeu?
Entendeu?
Para que fez isso?
N�o sei bem.
Pode fazer de novo? N�o estava preparada.
N�o � afivelado. � s� puxar.
Ou�a, Felix...
talvez devesse ir com calma. Deixe sua temperatura subir.
Est� subindo. Estou sentindo.
Mas voc� est� exausto, lembra-se?
H� partes minhas que est�o bem acordadas.
Isso pode ser perigoso.
- Do jeito que est� doente... - Vou parar daqui a pouco.
Fa�a isso, e eu o mato.
Voc� a acha bonita?
A Srta. Weyderhaus, a pianista.
- Ela tem um corpo bonito? - � muito delicada.
- � muito fr�gil. - H� um adesivo nela escrito:
- "Este lado pra cima"? - N�o tem gra�a.
Voc� me acha bonita?
Na verdade, n�o sou. Fa�o voc� achar que sou.
Como faz isso?
� um truque.
- � dif�cil de explicar. - N�o entendo.
Bem...
� uma esp�cie de atua��o, entende?
Voc� precisa interpretar a beleza.
Vou lhe mostrar. Veja isso.
Agora estou bonita, certo?
- Est�. - Agora, veja isso.
� espantoso. S�o duas garotas totalmente diferentes!
- Voc� est� debochando. - N�o estou. � fant�stico!
- Voc� est� debochando. - N�o estou. � fant�stico!
O que est� fazendo?
Farei com que se sinta bem.
Sei o que � isso.
- Ficar� de bom humor. - N�o quero fazer isso.
- N�o seja t�o certinho! - N�o sou t�o certinho.
Apenas creio que existem certos limites.
- Eu lhe farei uma proposta. - Definitivamente n�o.
Ou�a, umas tragadas nisso aqui...
e irei...
- Se n�o estiver interessado... - D�-me isso a�. D�-me isso.
� s� para demonstrar que posso optar, que n�o sou quadrado...
e que estou, se eu quiser estar, totalmente na onda.
Eu sou moderna, voc� est� na onda.
Como voc� e a Srta. Weyderhaus n�o transam?
J� lhe disse!
Como voc� e a Srta. Weyderhaus n�o transam?
J� lhe disse!
Porque ela � fr�gil.
- � por isso, n�o �? - Fica preocupada com as m�os.
Ela n�o quer machucar as m�os.
Ela podia usar luvas de boxe.
As m�os dela s�o muito bonitas.
- Ela passa �leo nelas. - Passa �leo nelas?
Como o Homem de Lata?
Exatamente! Para elas ficarem macias.
- � um ser humano extraordin�rio. - Parece ser um saco.
Parece.
Isso foi uma porta?
Acho que foi uma porta.
Algu�m entrou?
- Ou um de n�s saiu. - Felix?
� a dita cuja.
- Correto. - Felix, voc� est� a�?
Est� prestes a conhecer a Srta. Weyderhaus.
- M�e, Felix est� a�? - E a Sra. Weyderhaus.
N�o daria para dispensarmos essa situa��o?
N�o daria para dispensarmos essa situa��o?
- Tem algu�m a�? - S�o muito compreensivas.
- Seja voc� mesma. - N�o tenho muita escolha.
Sra. Weyderhaus! Esta � Doris Wellington, uma amiga minha.
- Oi, Sra. Weyderhaus. - M�e, minha cama est� quebrada!
Ann Weyderhaus, quero que conhe�a Doris Washington.
Ol�, Srta. Weyderhaus. Felix me falou tanto sobre voc�!
- O que est� acontecendo? - Sr. Weyderhaus!
- Permita-me... - Doris!
- Doris? - O que est� fazendo?
Doris?
- Doris? - Puxa vida!
O cara dos ovos!
Este � o cara do avental! O que atirava ovos cozidos!
Para onde est� correndo?
Como voc� anda r�pido!
- Para onde acha que vai? - N�o sei.
- N�o me siga. - N�o o estou seguindo!
S� estou indo na mesma dire��o, mas voc� anda mais r�pido.
- Quero ficar sozinho agora. - Eu poderia lhe explicar algo?
- O qu�? - Est� deprimido agora, pois...
n�o � de fumar maconha.
- Sim, doutora? - Ficou euf�rico e o efeito passou.
O efeito pode ser forte, entende? Na 1� vez, fiquei t�o deprimida...
que nem me senti humana. Eu me senti uma barata!
- Kafka. - Isso, como uma "Kafka".
Nunca sabe o que ir� acontecer. Precisa tomar cuidado.
A partir de agora, terei cuidado.
Terei muito cuidado para n�o me envolver na vida de ningu�m.
N�o � bom pro outro, e n�o � bom pra mim.
- E sobre ontem � noite? - O que � que tem?
- Fazer amor n�o foi bom? - Est� usando a terminologia errada.
- N�o fizemos amor. - Foi melhor que secar pratos.
Aquilo foi uma emo��o fugaz.
Uma vez � emo��o fugaz. Seis vezes � fazer amor.
Quer saber o que fizemos? Vou lhe mostrar.
- O que � isso, Felix? - Venha, vou lhe mostrar algo.
Olhe ali.
Foi aquilo que fizemos. Com o mesmo prop�sito.
N�s somos assim. Talvez seja pra isso que servimos.
Pra sermos bichos de estima��o. Gostaria disso?
- As pessoas amam seus bichos. - Quer ser meu bicho, Doris?
N�o � m� id�ia. Podia usar coleira e dormir em uma caixa.
� noite, teria de tranc�-la no banheiro, para n�o fugir.
- N�o entendo o que diz. - Poderia lav�-la, dar banho.
J� fizemos isso, n�o?
- Podia lhe ensinar uns truques. - N�o fale assim.
Podia sentar, fingir de morta, rolar.
- Est� me assustando. - Que tal trazer coisas?
Essa � f�cil. Trazer coisas � f�cil.
- Deixe-me pegar um graveto. - Pare!
- Peguei um graveto. - Pare!
Muito bem. Pegue. V� buscar!
� dif�cil, n�o? Vamos fazer algo mais simples.
Vamos, d� a patinha!
- N�o sei o que quer de mim! - Quero que seja boazinha...
- e d� a patinha para o papai! - J� incorporei "impec�vel".
Esse foi um bom truque. Quero lhe ensinar outro.
Se n�o aprender comigo, ter� de ir a um treinador.
- Agora, d� a patinha. - Por que est� fazendo isso?
Bichos n�o perguntam, obedecem. Caso contr�rio, s�o doados.
� o que quer? Quer ser dada a uma fam�lia pobre que te bata?
N�o fique a� como um ser humano, d� a patinha!
- Se eu der, ir� parar com isso? - N�o negociamos com bichos!
Estou avisando, esta � sua �Itima chance. D� a patinha.
Ei, Felix.
- Meu nome n�o � Felix. - O que disse? N�o ouvi.
Meu nome n�o � Felix.
N�o entendi.
Meu nome � Fred.
Est� diante de Fred Sherman, n�o de Felix.
Fred. Apelido de Frederick.
Como Washington, Wellington, Wadsworth e Waverly.
Felix � apenas mais uma pomposa, vazia e desesperada pretens�o.
"F" � de Fred. Tamb�m � de...
falso, fraude e...
Falsifica��o?
E de fracasso. � isso mesmo.
� isso que significa. A velha hist�ria americana de fracasso.
- Ah, Felix... - Fred, droga!
Estou acostumada a Felix, certo? N�o posso incorporar Fred assim.
Pare de usar palavras que n�o entende. Use as familiares.
Pare de usar palavras que n�o entendo. A�...
talvez eu entenda o que n�o devo entender. Entendeu?
Aonde vai?
Por que fez isso?
Era ela ou eu.
Do que est� falando? Era sua m�quina!
A filha da m�e queria me matar.
Quem estava? De que est� falando?
Algu�m pode me dizer do que ele est� falando?
- N�o se vire. - O qu�?
Fique a�. Fique a� e conte at� 50, entendeu?
- Fa�a o que eu disse! - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10...
11, 12, 13... 18, 19, 20...
21, 22, 23...
- Continue. - 28, 29...
30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39...
40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48...
Agora, ou�a com aten��o.
Meu nome � Fred. Fred Sherman.
Como voc� se chama?
- Doris. - Doris de qu�?
- Doris Waverly. - Desculpe, n�o ouvi.
Deixe-me perguntar de novo.
Como se chama?
- Doris. - Sim...
Cuidado.
Isso, isso.
- Wilgus? - Wilgus!
Que nome bonito! � bem real!
� razo�vel.
Trabalho em uma livraria. Sou vendedor.
Bem, na verdade, estou quase virando assistente de ger�ncia.
- N�o brinca! - Trabalho � noite...
e passarei o dia procurando por um apartamento.
Que coincid�ncia. Tamb�m n�o tenho onde morar.
- O que voc� faz? - Sou modelo e atriz.
J� fui prostituta.
Bem, tamb�m j� fiz dois comerciais de TV.
Achei que fosse familiar.
Foi um grande prazer t�-la conhecido, Srta. Wilgus.
Muito prazer, Fred.
Bem, na verdade...
foi s� um comercial.
Voc� ainda me ama?
Quem sabe? Podemos at� achar um lugar com televis�o.
- Nunca vejo televis�o. - S�rio?
� muito debilitante.
Quero apenas comentar Que haver� comida e bebida
E dan�a ao luar
Se puder providenciar isso
Poderia emprestar seu apartamento, ou quarto de hotel?
Quero lembrar a voc�
Que agora � a hora de celebrar
Quero lhe dar um emprego Voc� mal pode esperar
Quero apenas comentar
Que daqui parte um Barco para amar
Deixemos isso com o destino
Podemos ir todos para Casa tentar comemorar
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