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UM FILME ORIGINAL NETFLIX
Aqui! Encontrei-o! Encontrei isto.
Est�o � escuta? Encontr�mos algo. Pode pertencer � v�tima.
14 ANOS DEPOIS
Tem calma. Sou pol�cia. Vai ficar tudo bem.
N�o!
N�o fales!
N�o!
N�o te preocupes. J� acabou.
- Sou o Vel�zquez. Como est�? - Bem, obrigado.
- A Manuela Pelari? - Ali, senhor.
- Como chegaste aqui t�o depressa? - Estava na �rea.
Que coincid�ncia.
O que aconteceu? Est�s bem?
Estou. N�o � meu.
A inspectora entrou sozinha.
Fiz o que teria feito o chefe. Foi o que me ensinou.
Sim. E tamb�m te ensinei a trabalhar em equipa. N�o entras sem autoriza��o.
P�es a opera��o em risco.
O homem que foi detido vai a caminho do hospital.
O inspector s� quer saber do homem detido.
N�o, preocupa-me que seja libertado.
Soube atrav�s da queixa de uma testemunha que ouviu gritar.
Chefe, as c�maras. Como lidamos com a imprensa?
� uma not�cia importante. J� sabem o que devem dizer.
"A opera��o foi um sucesso." "O trabalho de equipa." Bl�, bl�, bl�.
"Seis meses de investiga��o." Entendido?
Dispenso.
Eu n�o vou falar com eles.
No entanto, vieste bem preparado.
Est� bem. Eu trato disto.
Est�s a virar os teus colegas contra ti.
O Mart�n � um bom pol�cia.
N�o te esque�as da tua fam�lia.
Bom trabalho. Mas foi o �ltimo.
N�o podes salv�-las a todas.
Est�s demasiado envolvida.
� a �nica coisa em que me envolvo, Ram�n.
Tem duas mensagens novas.
Ol�, Manuela. Fala a Clara Villalba.
Tenho de falar contigo amanh� na missa em mem�ria da Cornelia.
� �s 10 horas, na Igreja da Imaculada Concei��o.
Cheg�mos.
Olha ali!
Isto � t�o lindo. Est� a nevar.
Ainda bem. Podemos faltar � visita de estudo.
N�o, quero ir ver o vulc�o.
N�o, Pipa, teremos muitos trabalhos para fazer.
� verdade. � melhor n�o.
Aviso j� que durmo sozinha.
Eu e a Pipa dormimos juntas.
- Sim. - Vamos, meninas. Est� muito frio.
Ariel?
- Clara. - N�o foste � missa.
Sim, fui. Mas j� tinha acabado.
As coisas da Cornelia.
O que a Pol�cia me deu.
H� anos que as guardo na esperan�a de que algo possa ser feito.
Quero que as vejas, Pipa.
Acompanhe-me, por favor.
�s a �nica que me pode ajudar a descobrir o que aconteceu � minha filha.
A Clara sabe exactamente o que aconteceu.
O caso foi encerrado h� anos.
O corpo nunca foi encontrado.
A erup��o do vulc�o e as cinzas impossibilitaram as buscas.
�s vezes, quando acordo, esque�o-me que ela n�o est� aqui.
Outras vezes, parece-me v�-la na rua.
Uma rapariga parecida com ela...
Depois, penso: "N�o, n�o � a minha filha.
Ela agora j� � uma mulher."
Como tu.
Tamb�m deves sentir algo parecido com o que eu sinto.
Se publicaste este an�ncio, significa que ainda n�o o ultrapassaste.
Eram as melhores amigas.
Eram como irm�s.
N�o te estou a culpar,
mas n�o consigo entender o desaparecimento dela.
Sem explica��o! Debaixo do nariz das pr�prias amigas.
Lamento muito o que aconteceu.
N�o vim aqui para te culpar ou ouvir desculpas.
S� quero que fa�as o teu trabalho. Quero trazer a Cornelia de volta.
Sei como deve ser dif�cil para si e para a sua fam�lia.
Mas n�o entendo o que me pede.
N�o? Ningu�m entende.
�s pol�cia.
Podes reabrir o caso.
Ver se algo foi omitido.
J� n�o usas o fio?
N�o.
H� muitos anos que n�o o uso.
Se souber algo, fa�o-a saber.
� o meu trabalho.
� mais do que isso.
� a tua vida.
Toca a levantar!
Vamos! V�, Alina!
- Espera. Quem �s tu? - Vamos! Sou da Pol�cia.
V�, levanta-te.
- Anda. Leva as drogas contigo. - Para! Est� bem.
Vamos. Mexe-te! Leva as drogas contigo!
Se algo lhe acontecer, ser�s detido. Ouviste?
Despacha-te.
Alina?
Toma.
N�o penses que isto ser� muito melhor.
Para come�ar, a foto n�o � digital.
Eliminei os reflexos do vidro. Aqui tens.
Por isso te pedi para a melhorares.
Preciso da foto original.
Mas n�o garanto que consiga fazer muita coisa.
O an�ncio? Consegues localiz�-lo?
Se foi pago com cart�o de cr�dito, que ag�ncia o publicou...
Quem �?
N�o � da tua conta.
Para de revistar a minha casa, Pipa.
Preciso de ti l�cida. � importante.
Ela desapareceu e nunca mais se soube nada.
Foi um acidente.
Se foi um acidente, o que procuras?
- � um caso novo? - � pessoal.
Para ti, todos os casos s�o pessoais.
Toma. Uma c�pia para pendurares na parede.
N�o � um caso, mas pelo sim, pelo n�o...
Obrigada.
Irei interrogar-te. Ser�s uma testemunha no caso.
Prometeste que eu n�o ia depor.
- Eu odeio... - Para, Alina!
Tive um dia de merda e ainda vai no in�cio.
- Padre? - Sim?
Vim buscar a foto da Cornelia Villalba. A que estava no p�lpito.
- A rapariga da missa de hoje? - Sim.
Acabaram de a levar.
- Quem? - Um homem.
Disse que vinha da parte da fam�lia. N�o sei.
- Acabou de sair. - Obrigada.
AMIGAS PARA SEMPRE
Est�s t�o bonita, Pipa. N�o sei o que hei de vestir.
Obrigada.
- Ajudas-me? - Sim, ajudo.
O que pensas do Ariel?
� giro, mas esquece-o. A Leonora j� o reclamou para ela.
- Gosto deste. � novo? - �, comprei-o no outro dia.
- Experimenta. - Est� bem.
- Deixa-me ajudar-te. - Obrigada.
Seja como for, ele gosta de mim.
A Clara disse que querias falar connosco por causa da Cornelia.
Isso mesmo.
O que tem isso que ver connosco?
Estou a rever o caso.
Procuro esta foto.
Alguma de voc�s a deve ter levado.
N�o. Ela n�o est� com bom ar. Parece zangada.
A Cornelia era assim.
Talvez tenha sido tirada naquela altura. � o que parece.
E quero saber quem publicou este an�ncio.
Foi alguma de voc�s?
"Metade da tua aus�ncia � amor."
O que significa?
N�o sei.
Fazem alguma ideia?
N�o sei. Ao ver isto assim, n�o sei. Deixa-me pensar.
N�o foram os Villalba.
A Clara achou que tinha sido eu.
N�o foi a fam�lia? Isso � estranho, n�o �?
Bem... Pipa, n�o entendo.
Porqu� agora? Porque n�o antes?
Pipa, h� algo sobre a Cornelia que n�o nos estejas a contar?
N�o.
E voc�s?
Sabes melhor do que ningu�m que este caso foi encerrado h� anos.
N�o h� nada para explicar. A Cornelia perdeu-se.
Foi comida por um puma ou por outro animal qualquer.
Nunca pensam naquela noite?
Sim, eu penso.
Ela morreu.
Temos de o aceitar.
O corpo nunca foi encontrado.
E vais encontr�-lo agora?
N�o � errado algu�m preocupar-se com isto, certo?
- Ent�o, porque n�o foi � missa? - Para, Leonora.
Se algu�m sabe o porqu� de ela ter sa�do do hotel, n�o somos n�s.
Voc�s estavam sempre juntas. Eram as melhores amigas.
Sim. �ramos as melhores amigas.
Desculpem, meninas.
Sempre que penso na Cornelia,
penso que j� ultrapass�mos isto. Mas n�o...
Aqui estamos, de novo a discutir como menininhas.
Ol�, meu amor.
Vamos, Rodrigo?
- Posso ir jogar videojogos? - Sim, podes.
Puseste-o na nossa escola.
Sim. Toda a minha fam�lia estudou em Dullmich.
Quantos anos tem?
Sete. Faz sete na pr�xima semana, no dia 18.
Vais-te embora?
- Sim. - Eu acompanho-te.
N�o � preciso, obrigada.
J� est�, Sirena.
- Ela est� l�cida? - Sim.
A �ltima que trouxeste nem conseguia andar.
Oxal� n�o tenha marcas.
Hoje, chegaram quatro venezuelanas. Est�o em mau estado.
- O que fazem aqui? - Foram emprestadas.
Ent�o, t�m de recuperar e ir trabalhar.
Comprei dois tamanhos diferentes.
Ela j� comeu?
Sim.
O cliente tem at� � meia-noite, nem mais um minuto.
N�o tires os olhos dela. E tr�-la com as outras.
E o eg�pcio?
Ele n�o sabe de nada.
Ela � virgem e � minha.
Vale ouro, tu sabes.
� o que estou a dizer. Ela � virgem.
Se o eg�pcio sabe...
Eu trato dele.
Como queiras.
Fizeste o que te pedi?
Sim.
Hoje, vi esta pol�cia.
POL�CIA BEM-SUCEDIDA EM CASO DE TR�FICO HUMANO
Tens a certeza?
Sim, tenho. Cruzei com ela na igreja.
Quem � a rapariga da foto?
Ningu�m. Foi um neg�cio que correu mal. N�o � da tua conta.
� se a Pol�cia andar por perto.
Podemos falar disto depois?
Vamos.
Sabes quem sou?
Bem-vinda � tua nova vida.
Quanto mais cedo te habituares, melhor.
Se n�o quiseres ter problemas, faz o que eu digo.
Entendido?
Muito bem.
Veste isto.
ILHAS CAN�RIAS SETE ANOS ANTES
Vamos. Mexe-te.
Tu tamb�m.
Mexe-te.
� uma mensagem.
Batem-lhes de tal forma que n�o voltam a trabalhar.
Que desperd�cio.
Eram as nossas melhores raparigas. E agora?
J� n�o servem para nada.
Livrem-se delas.
Vamos. Mexam-se.
Eu e ela vamos sobreviver.
Sirena.
Como est�s?
O m�dico disse que em breve me tiram as ligaduras.
O que se passa?
Tenho de sair daqui.
Vais ter de te desenrascar sozinha.
- Agora? - Sim.
O eg�pcio j� partiu. Espanha j� n�o � segura.
Como assim, partiu?
Para onde foi?
Para a Argentina.
Leva-me l�.
Tenho um neg�cio para lhe propor.
Queres voltar para ele, ap�s ter mandado matar-te?
Ele j� me matou.
Que mais mal me pode fazer?
E ela?
A Lucr�cia tamb�m vem.
Vai trabalhar para n�s. Vai pagar-nos. Salv�mos-lhe a vida.
� perigoso. O eg�pcio n�o confia em ningu�m.
Confia em ti. � o que basta.
E a tua gravidez?
Aqui j� n�o h� mais nada para n�s.
Bom dia.
Onde estiveste, Manuela?
O chefe anda � tua procura.
Onde estiveste ontem?
O Oreyana?
Estiveste com o teu namorado?
N�o, a Manuela n�o tem tempo para namorados.
Nem para preencher relat�rios.
Ela est� acima disso tudo.
N�o tenho tempo para as tuas merdas, Mart�n.
Trouxe notas para o relat�rio.
Vejam s�.
Mas n�o tenho tempo.
Prefiro que nos fales de ti, da tua vida.
Gostas de ser misteriosa.
Mas sei o teu passado.
Nada sabes sobre a minha vida.
Sai da frente.
Achas que te safas porque tens privil�gios.
Mas o chefe vai ser promovido. Quem te ir� proteger depois?
Ter�s de encontrar outro pap� que cuide de ti.
Qual � o teu problema, Seretti?
O meu problema � ter sempre de limpar as tuas merdas.
� esse o meu problema.
- Eu n�o te pedi nada, pedi? - N�o precisas.
Deves ter um encanto oculto que desconhecemos.
Nem tentes.
Pelari! No meu gabinete, j�.
Cabra maluca.
Est�s maluca ou qu�?
Ultimamente, tenho ouvido muito isso.
N�o te fa�as de parva comigo.
N�o podes atacar um colega assim � frente de todos.
Est�s a provoc�-los.
Ages sozinha numa opera��o que durou seis meses
e quando o promotor quer falar contigo, desapareces.
E, agora, insultas a �nica pessoa que te protege.
Queres ser suspensa?
- Estou a ter um mau dia. - Est�s a ter um mau dia!
Preciso do seu apoio, Ram�n!
N�o achas que j� te apoio o suficiente?
O que se passou?
Podes tirar uns dias, se precisares.
Fazia-te bem. Deixamos as coisas acalmarem.
N�o, n�o � isso. Estou a investigar um caso.
Que caso?
O da Cornelia Villalba.
Ontem, estive na missa dos 14 anos.
Tenho um obitu�rio que ningu�m sabe quem o publicou
e uma foto que ningu�m sabe quem tirou ou a p�s l�.
Cornelia Villalba?
Sim, sei que parece uma loucura. Mas tenho a certeza de que h� algo mais.
"Algo mais", o qu�?
Talvez ela n�o tenha sido comida por um puma e n�o se tenha perdido.
Talvez a tenham matado.
Pipa, sabes bem que tratei deste caso pessoalmente.
Ningu�m a matou.
Foi uma trag�dia, um acidente que te levou muito tempo a ultrapassar.
N�o existe um caso Villalba.
J� o analis�mos milhares de vezes.
Muitas vezes, durante muito tempo.
E sabes que o fiz por ti.
Sim, mas veja.
O que tem?
Era o que ela estava a usar na �ltima noite.
Ela usou essa camisola pela primeira vez.
Escolhi-a para ela.
Veja o pesco�o.
N�o est� a usar o fio encontrado no dia da busca.
Todas temos um. Jur�mos us�-lo para sempre.
O que est�s a dizer? Como consegues lembrar-te de algo assim?
Talvez o tenha tirado para tomar banho e esqueceu-se de o voltar a p�r.
N�o! N�o se esqueceu. Ela nunca se esquecia.
O caso foi encerrado afirmando que ela regressou connosco.
Que depois se sentiu mal, foi para o bosque e perdeu-se.
Exactamente no mesmo local onde o fio foi encontrado.
Mas agora h� outra possibilidade.
E se se perdeu noutro lugar e algu�m p�s l� o fio?
N�o se esque�a que isso levou � conclus�o de que ela tinha regressado ao hotel.
Isso e as declara��es das tuas amigas, incluindo a tua,
a dizer que todas tinham regressado juntas naquela noite.
Est�s � procura de uma desculpa para voltar ao caso Cornelia.
O Ram�n ensinou-me a procurar inconsist�ncias.
Sim, e j� estou arrependido de to ter ensinado.
N�o posso encobrir todos os teus disparates.
Manuela, tu prometeste deixar a Cornelia no passado.
N�o podes alterar os factos. Foi a minha condi��o para te ajudar.
Ram�n, � o �nico que me entende.
D�-me dois dias.
Se n�o conseguir nada, prometo que esque�o isto.
N�o sei. Sempre pensei que serias capaz de seguir em frente com a tua vida.
S� Deus sabe o que j� tentei fazer por ti.
Quero que voltes � terapia.
N�o te quero assim nas ruas. N�o consigo proteger-te a toda a hora.
- Chefe, tem a reuni�o de departamento. - Sim.
Ram�n...
Desta vez, n�o.
Esquece o caso Villalba. � uma ordem.
- N�o! - Porque me segues?
Inspector Oreyana? Ram�n Oreyana?
Quem �s tu?
Manuela Pelari. Pipa.
A amiga da Cornelia Villalba. Lembra-se de mim?
Em que te posso ajudar, Manuela? Sou todo ouvidos.
Prometeu-me uma coisa. Disse-me que a Cornelia estava viva.
- Na altura, pensei que sim. - Disse-me...
Lembro-me muito bem do que te disse. Mas j� passaram quatro anos.
O caso est� encerrado. Acabou. O que queres?
Quero saber tudo.
Preciso de entender. Deixe-me ver a investiga��o.
Achas mesmo que te posso mostrar seja o que for?
N�o te devo nada.
O melhor que tens a fazer � cuidar da tua vida.
Onde vives? Os teus pais sabem que est�s aqui?
Ensine-me.
- O qu�? - A ser como o Ram�n.
N�o tens no��o do que est�s a dizer.
Queres ser pol�cia? Olha...
A primeira coisa que tens de fazer � parar com as drogas.
Essa merda destr�i a tua vida.
Ensine-me.
Deve-me isso.
Vamos come�ar.
Diz-me o teu nome completo, idade, morada. Olha para a c�mara, por favor.
Leonora Dur�n Esquivel. Tenho 14 anos. Vivo no n� 2016, na Super�.
Voc�s foram sozinhas, ao contr�rio do resto da turma.
Porqu�? O que acharam da ideia da professora de Geografia
de vos levar numa visita de estudo ao sul?
Foram l� para ver o vulc�o Tunik, correto?
Sim. Pens�mos que seria divertido.
N�o o vulc�o, mas a visita e irmos as cinco juntas.
Como era a tua rela��o com a Cornelia Villalba?
Conhe�o-a desde sempre.
Ela era...
A minha melhor amiga.
Sim, as melhores amigas.
�ramos as melhores amigas.
Mas a Cornelia e a Pipa eram mais pr�ximas.
A Leonora Dur�n nem sempre estava...
Ela tinha inveja.
Queria ser sempre o centro das aten��es.
E tu? N�o tinhas inveja?
Eu fa�o parte do grupo.
� "o" grupo na escola.
Entende? A Leonora � a l�der.
E a Cornelia?
A Cornelia?
Ela s� queria saber da Pipa.
Queres, Pipa?
Leo, o Ariel n�o tira os olhos de ti.
A ideia era fazer algo divertido. Sair um pouco.
O Ariel ia levar-nos l� na carrinha dele
e depois levava-nos cedo de volta ao hotel.
Lembras-te de algo fora do normal?
Se conheceste algu�m...
N�o, ningu�m. N�o fizemos nada, juro.
Como estava a Cornelia? Estava chateada? Beberam muito?
N�o sei. Bebemos um bocado. Mas ela estava bem.
E quando � que decidiram voltar?
Quando a Leonora quis. Disse que estava a ficar tarde.
- E a seguir? - Nada. Volt�mos.
- E depois? - Depois nada. Fomos dormir.
Fomos dormir e quando acord�mos a Cornelia n�o estava.
Voltaram como?
Com o Ariel, na carrinha dele.
E nunca se separaram?
N�o.
N�o.
N�o.
Podes repetir, por favor, como estavam sentadas na carrinha do Ariel
quando regressaram?
Eu ia � frente e a Cornelia do lado da janela.
Quem estava sentada ao lado da Cornelia?
A Pipa.
Eu estava... Sim, acho que sim. Eu estava nesse lugar.
E durante a viagem, ela n�o te disse nada?
N�o. N�o fal�mos.
A m�sica estava muito alta e adormeci.
E o que achas que aconteceu a seguir?
N�o sei.
Ela... saiu ou distraiu-se...
Ou perdeu-se. N�o sei.
Senhor?
Podes chamar-me pelo meu nome, Ram�n.
V�o encontr�-la, certo?
N�o te preocupes. Vou encontr�-la.
Queres fazer uma pausa?
Sim.
CASO CORNELIA VILLALBA
14 ANOS AP�S O DESAPARECIMENTO DE CORNELIA VILLALBA
BOLETIM ESCOLAR
ERUP��O DE VULC�O DEIXA CINZAS AOS HABITANTES
CASO CORNELIA VILLALBA SER� ENCERRADO
METADE DA TUA AUS�NCIA � AMOR.
N�o se v�o embora sem mim. Esperem por mim.
Mas que...
Toma, bebe.
A equipa forense identificou alguns criminosos com tatuagens.
Mas s�o tatuagens comuns, s�o feitas na pris�o.
Por outro lado, isto � muito melhor.
Se estiver nos arquivos, ser� f�cil de encontrar.
Ent�o, procura. � importante.
O homem na igreja tinha uma.
E este len�o tamb�m.
Uma mulher que estava na missa nesse dia deixou-o cair.
Sei que est�o a refinar as buscas por caracter�sticas.
Homens, mulheres...
N�o h� mais nada sobre o an�ncio. Foi pago em dinheiro.
- Em que ag�ncia? - A Recoleta.
J� falei com o pessoal. Ningu�m se lembra de quem o publicou.
E a foto?
Tem uma marca no canto superior esquerdo, v�s?
Pode ser um defeito da lente. � uma impress�o.
Encontras a c�mara e saberemos quem tirou a foto.
Avan�amos com as tatuagens.
Aceder a arquivos policiais � crime.
N�o � a primeira vez.
Consegues aceder daqui, com a minha palavra-passe?
Sou sempre eu a fazer o trabalho sujo.
For�a nisso.
N�o ficas para jantar?
N�o. Tenho de trabalhar.
Alina?
Diz-me. O que aconteceu?
Encontrei uma pessoa com a mesma tatuagem.
Chegou aqui h� quatro anos, em p�ssimo estado.
N�o falava, n�o tinha qualquer liga��o com o mundo exterior.
As enfermeiras chamam-lhe "fantasma".
Desde que c� est�, gosta de pintar.
�s vezes, estas actividades ajudam.
Lentamente, revelam um mundo interior
devastado pela viol�ncia que sofreram.
Ela n�o est� habituada a estranhos.
- Vem algu�m visit�-la? - Que eu saiba, n�o. Mas vou tentar saber.
Podia faz�-lo agora?
- Sim, claro. - Obrigada.
- N�o! - Calma. Anda.
Tens visitas.
- N�o! - Calma.
Vem. Com calma. Anda.
Posso ver o teu bra�o?
Deixas-me?
O que significa esta tatuagem?
Ela n�o fala. N�o perca o seu tempo.
Porque escreveste Cornelia? Conheces a Cornelia Villalba?
Saia! Por favor, espere l� fora!
Calma. Tranquila, fantasminha.
Vamos.
Tranquila. V�, fantasminha.
Segundo os registos, esta deve ser a Nadine Basset.
A imagem � pouco clara. N�o h� outra c�mara?
N�o, consertaram esta no ano passado. � tudo o que temos.
Sim, � ela. Vem sempre na mesma data.
De certeza que � a �nica que a vem visitar?
Desde que trabalho aqui, sim. N�o vi mais ningu�m.
Vem sempre no dia 18 de outubro.
Desde que me lembro, vem sempre � mesma hora.
Traz um bolo, elas sopram as velas e vai embora.
Pensei que n�o tinham informa��es da rapariga fantasma.
Como sabem que � o seu anivers�rio?
O da mulher espanhola, quero dizer.
- � espanhola? - Sim.
- Sabem se t�m parentesco? - N�o que eu saiba.
Levarei comigo os registos e o v�deo da c�mara de seguran�a.
Se ela voltar, avisem-me.
O dia 18 de outubro � para a semana. De certeza que vir�. N�o falha.
Isto n�o d� um caso.
� a mulher que estava na igreja no dia da missa.
E a paciente internada escreveu "Cornelia" no desenho.
Os desenhos de uma louca n�o s�o provas. Sabes disso.
N�o temos nada.
N�o, Ram�n. � imposs�vel que isto seja s� uma coincid�ncia.
Cornelia n�o � um nome comum.
Continuarei a investigar at� encontrar algo.
Temos de encontrar a Nadine Basset.
N�o te vou dizer o que fazer no teu tempo livre.
Se te queres armar em detective privada, for�a.
Mas preciso de ti aqui, a trabalhar.
O que se passou com a terapia?
Desculpem interromper,
mas j� todos sa�ram e eu fiquei a preencher relat�rios.
Algu�m me ajuda?
V� isso com a Manuela. Parece que ela tem bastante tempo livre.
Bom dia, minha querida Sirena, meu amor. Est� tudo bem?
Est�s a� h� muito tempo?
- O suficiente. Os russos? - Est�o a dormir. E s�o albaneses.
E tu j� sabes o que penso dos albaneses.
Sei o que pensas da m�fia albanesa.
Estes s�o amigos.
Ningu�m melhor do que tu sabe como tratar os meus amigos
para que levem boas recorda��es de Buenos Aires.
S�o mais dois mil d�lares.
Soube que tu e o Adalberto t�m um esquema.
Comprar e vender mulheres � para os homens. J� to disse mil vezes.
N�o sei do que falas. N�o tens de te preocupar...
� um assunto pessoal.
Desde quando tens assuntos pessoais?
Quando o Adalberto te trouxe,
achei uma boa ideia ter-te a tomar conta das raparigas.
N�o me fa�as arrepender disso.
Est� bem.
Querida Sirena, acabaram-se os assuntos pessoais.
Sim, meu rei.
Os registos do hosp�cio.
Encontraste alguma coisa?
N�o entrou nenhuma Nadine Basset no pa�s.
Ainda estou � procura de informa��es dos voos locais,
os aeroportos locais n�o guardam registos.
� imposs�vel que n�o haja nada.
N�o. Nem fotos, nem redes sociais,
nem contas em nome dela, nem cart�es de cr�dito.
� s� um nome.
Ram�n, vem c�.
- Viste o Ram�n? - N�o, n�o o vi.
Ent�o, � o qu�, uma identidade falsa?
Acho que sim. Mas encontrei outra coisa.
Disseste-me que achavas que era espanhola.
Sim.
Encontrei uma vila perto de �frica, nas Ilhas Can�rias.
Uma vila de pescadores. Olha.
- Outra sereia. - Sim.
Uma imagem que podemos encontrar em muitos barcos.
Representa a sorte e o azar dos pescadores.
A sereia de duas cabe�as.
Igual � estampada no len�o e �s tatuagens.
Temos de aguardar informa��es da companhia a�rea. E encontr�-la no mapa.
Estou a tratar disso. Termino hoje.
Passa-me os registos do hosp�cio, por favor.
Quero saber em que dias a visitou ou se teve outras visitas.
Quero saber tudo.
Tenho de estar um passo � frente.
Se conseguir encontrar a Nadine Basset, saberei o que aconteceu � Cornelia.
Eles n�o gostam de reabrir os casos.
E o teu chefe n�o vai ser promovido em breve?
Deixaste a janela aberta?
O meu gato pode fugir, Alina! Ram�n!
Ram�n, vem c�!
Encontrei outro obitu�rio que vais achar interessante.
Ram�n?
Ram�n!
Pipa!
Ram�n!
Levanta-te, idiota.
Ram�n! Vem c�.
Alina!
Alina! N�o!
N�o! Alina...
- Como est�s? A Manuela Pelari? - N�o conseguimos falar com ela.
N�o se mexeu desde que cheg�mos. N�o responde �s perguntas.
J� sabe como ela �, chefe.
Est� aqui muita gente. Est�vamos � sua espera.
O que aconteceu?
N�o se sabe bem. Uma mulher saltou de uma janela, mas ningu�m viu nada.
Vamos precisar do depoimento da inspectora. Pelos vistos, � a �nica testemunha.
Tens um cigarro?
- Obrigado. - De nada.
- Quando chegou a equipa forense? - H� cerca de uma hora.
Liguem ao Gerez.
Pipa, tens de me contar o que aconteceu.
Sei que ela era como uma irm� para ti.
Quero ajudar-te.
Mataram-na por minha causa.
- Quem? Viste-o? - O mesmo tipo da tatuagem.
Pipa, prometo que faremos tudo...
Como fizeram com a Cornelia?
Isto n�o nada que ver com a Cornelia...
Isto tem tudo que ver com ela! Consigo. Com todos voc�s!
Se me tivesse ouvido, a Alina estaria viva.
O que me vai dizer agora, Ram�n? Que ela escorregou?
Que caiu?
Mataram-na.
As mesmas pessoas que mataram a Cornelia.
Encerraram o caso h� 14 anos. E v�o encerrar este tamb�m.
Ningu�m quer saber.
Acalma-te, por favor.
N�o, n�o me acalmo!
A espanhola, a Nadine Basset, estava na igreja no dia da missa.
Estava l� por causa da Cornelia.
Eles sabem que me estou a aproximar.
Mas n�o vou parar at� a encontrar. Deixe-me fazer a minha investiga��o.
Sabes que n�o podes. A rapariga saltou do teu apartamento.
Saltou? Empurraram-na.
E onde estavas tu?
� procura do meu gato.
Pipa, isto est� fora de controlo.
N�o te podes envolver. A imprensa dir� que � pessoal.
Sabe o que dir� a imprensa? Que os pol�cias s�o uns in�teis.
Mataram a minha amiga.
E n�o vou parar at� descobrir quem foi, com ou sem a sua ajuda.
- Est�s a amea�ar-me? - Estou a avis�-lo.
N�o me deixas alternativa.
Est�s suspensa at� tudo ficar esclarecido.
N�o est�s em condi��es de continuar a trabalhar.
D�-me a tua arma e distintivo e sai daqui o mais r�pido poss�vel.
Tinha raz�o, chefe. Acabou de apanhar um avi�o para o sul.
Filha da m�e.
Imagino que n�o vamos informar a Pol�cia local.
N�o. Se, como a Pipa diz, algu�m encobriu tudo,
devem estar todos envolvidos.
Com a sua autoriza��o, posso ir no pr�ximo avi�o.
N�o. Eu trato da Pipa.
Coordena com o Dep. de Homic�dios e descubram o assassino da Alina.
Vai.
Mart�n?
At� termos a certeza, n�o fales com ningu�m.
Raios partam o dia em que me convenceste que eu precisava desta cabra
para gerir o neg�cio.
A culpa � minha. Eu decidi mat�-la. Aquela mulher sabia demais.
Sabia? � assim que resolves as coisas?
Matando uma informadora no apartamento de uma pol�cia?
Porque achas que sou eu quem gere este neg�cio? Porqu�?
Aquela pol�cia n�o sabe de nada.
N�o? N�o sabe de nada?
N�o sabe de nada?
Ent�o, porque � que agora est� no sul?
Eu sei tudo, Sirena. Sei tudo.
H� dez anos sem dar nas vistas e, agora, por tua causa, n�o me largam.
E tu? Estragaste tudo por causa de uma cabra de merda!
Depois conversamos. Agora, sai. N�o deixes ningu�m entrar.
Os segredos e as mentiras de uma mulher s�o mais importantes que a pr�pria vida.
Resolverei isto � minha maneira. Meu rei.
Tens a minha palavra.
A tua palavra n�o vale nada. �s in�til.
Acabou, Sirena.
Sirena. Vamos embora.
N�o. Vai tu.
S� vou quando estiveres segura.
Nunca estive segura.
Trouxe mais ch� quentinho.
Ent�o, reabriram o caso?
Sim.
Foi uma trag�dia. E o facto de terem parado as buscas...
H� locais onde ainda se v�em as cinzas.
Se precisar de algo, avise-me.
Procuro esta mulher...
... que est� sempre com um homem com uma tatuagem.
� espanhola.
N�o, n�o a conhe�o.
N�o sei. Pode ser uma cliente. Vem c� muita gente.
Se tivesse visto esta tatuagem, lembrar-me-ia.
Gostava de ir ao local onde encontraram o fio.
O Ariel deve estar a chegar. Ele pode lev�-la.
J� posso ver o livro de h�spedes?
Vou busc�-lo.
Ela chama-se Nadine Basset.
Seretti. Tr�fico Humano.
- Coria. Homic�dios. - Muito prazer.
Est�vamos � sua espera.
Tem a certeza de que � o eg�pcio?
Khalfani Sadat. Verific�mos tudo o que havia sobre ele.
H� dez anos, foi emitido um mandado de captura.
� um dos grandes. Por isso o cham�mos.
Sabem h� quanto tempo est� morto?
H� algumas horas. O m�dico-legista em breve vai confirmar.
A arma do crime?
Um objecto afiado e pontiagudo. Mas ainda n�o foi encontrado.
- Certo. Com licen�a. - Esteja � vontade.
N�o se v�o embora sem mim.
Foste tu?
Drogaste-nos?
O que fizeste � Cornelia?
Que porra te importa isso?
Preocupa-te contigo.
Estou?
Sim, entendido.
Ainda n�o � a tua hora.
M�e?
M�e?
M�e!
M�e!
N�o!
Ol�, Pipa.
Encontraste-me.
Ou melhor, eu encontrei-te.
Cornelia.
Est�s viva.
Sim. Bem, a� est� uma forma de o dizer.
Faz tempo que deixei de ser a Cornelia.
- Desde que me abandonaram. - O qu�?
Pipa, eras a minha melhor amiga. Eras mais do que isso.
�ramos como irm�s.
Confiei em ti.
E tu foste-te embora.
Mas isso n�o foi o pior. N�o.
Continuaram com as vossas vidas como se nada tivesse acontecido.
Ent�o, fiz o que todas queriam que eu fizesse.
- Deixei de existir. - N�o te abandonei.
A minha vida tamb�m mudou depois daquela noite.
Pipa... Sofreste?
Vejam s�. E eu a pensar que tinha ficado com a pior parte.
Abandonaram-me e fizeram de mim uma escrava.
Uma puta.
Nadine.
N�o. Prefiro que me chames Sirena.
Reconhe�o que, no in�cio,
n�o gostei que estivesses a investigar o passado.
Mas lisonjeia-me que me tenhas procurado t�o insistentemente.
Ainda que demasiado tarde, n�o achas?
Mas j� que est�s aqui, vou contar-te o que aconteceu.
Foi por isso que quis vir pessoalmente.
Mica?
Mica.
Pipa.
Tenho sono.
Volto j�. N�o se v�o embora sem mim.
Leo?
Vamos embora.
Leo?
Leo?
- N�o! - Sua merdas!
- N�o! Larga-me! - Que porra est�s a fazer?
A Leonora?
Ela nunca disse nada.
Disseram-lhe que se falasse, matavam-me.
Deixa-nos sair, por favor!
Acabou, sua merdas. Acabou! Perdeste! Nunca vais sair daqui!
A Leonora tamb�m deixou de ser a Leonora.
A �nica diferen�a � que j� n�o era virgem.
Por isso me levaram. Sabes que pagam uma fortuna por uma virgem.
Ao in�cio, d�o-te presentes e tratam-te bem,
mas, depois, �s uma mercadoria barata, uma puta.
Finalmente, ap�s muitos anos, tive sorte.
Voltaram a matar-me.
E voltei para a Argentina.
Quando regressei, fui ver a Leonora. E dei-lhe aquela foto idiota
que ela teve a triste ideia de levar para a missa.
Achaste que eu n�o ia perceber que n�o usavas o fio?
Por isso, depois, foste l� buscar a foto.
Cornelia...
... porque n�o me procuraste a mim?
Vejo que n�o entendes.
Deixei de ser a Cornelia assim que me tornei uma escrava.
A Leonora era a �nica que me conseguiria entender.
E devia-me uma.
Se h� algu�m do passado
que ainda tem uma rela��o comigo, � ela.
Mas, n�o, claro. Tinhas de voltar a investigar.
Sempre te procurei. Toda a tua fam�lia te procurou.
A minha �nica fam�lia � um fantasma no hosp�cio.
N�o chores, Pipa.
N�o chores por mim.
Eu n�o mere�o.
Nada � para sempre, Pipa.
Tu sabe-lo.
S� se fores inocente.
E nenhuma de n�s � inocente.
A Pol�cia anda � minha procura.
J� sabem que estou aqui.
Claro que sabem.
Como achas que funciona isto?
Mas ningu�m te salvar�.
Diz-me onde ela est�.
Pipa!
Ram�n.
Aqui, Ram�n!
O eg�pcio est� morto. Acabou. Diz-me onde ela est�.
Qual eg�pcio?
Nunca vais saber.
N�o!
A Cornelia est� viva!
Est� aqui!
� a Nadine.
N�o saias daqui!
Pipa?
Est� aqui mais algu�m?
Pipa, responde. O Oreyana est� aqui?
- Porqu�, Mart�n? O que aconteceu? - Pipa, o que tens?
- Ele est� aqui ou n�o? - Est�.
- Onde? - Foi atr�s da Nadine.
Vamos. Temos de ir.
Vamos, Pipa. Recomp�e-te.
Est�s bem?
Vamos.
- Pipa, sou eu! - Ram�n?
O que fez? Est� louco?
Ouve-me com aten��o.
Tenho de encontrar a Sirena.
Ela n�o pode voltar a escapar.
O qu�?
Pensa, Pipa. Tens de pensar r�pido.
Pensa na melhor forma de sairmos disto.
Que sa�da? Se matou o Seretti.
Ele n�o se devia ter envolvido.
Tal como a Alina.
Mas connosco � diferente.
Pipa, vou sair. N�o dispares.
N�o, n�o venha!
Acalma-te.
Prometeu cuidar de n�s.
E deixou que a levassem!
Confiei em si, Ram�n!
Ensinei-te a n�o confiar em ningu�m.
Renda-se.
N�o vou fazer isso.
Pipa, isto � rid�culo. Acabaremos por matar-nos um ao outro.
Destruiu a minha vida.
N�o. Eu cuidava de ti.
� um monstro.
Pipa, ouve.
N�o fiz o que queria, fiz o que pude.
Uma coisa levou � outra e, quando quis sair, era tarde demais.
Mas sou a �nica fam�lia que tens.
E tu, a filha que nunca tive.
Confundiste tudo. Isto � um neg�cio.
N�o � pessoal.
Para mim, �.
Pipa?
Vamos.
Vamos jantar e beber um copo. Queres vir connosco?
Vai tu.
Obrigada por ter vindo.
Queria devolver-lhe tudo pessoalmente.
Eu sabia que ias encontr�-la.
Agora, posso enterr�-la.
Consola-me que sejas tu a encerrar este caso.
A Cornelia est� morta.
E quem a matou tamb�m.
Obrigada.
Obrigada.
- Ol�. - O que fazes aqui?
Estou melhor, muito melhor. J� quase nem d�i.
Entra, Seretti.
Precisamos de mais pessoas como tu.
Obrigada.
A Pol�cia procura a Nadine Basset.
N�o creio que aguente muito nas ruas.
Eras muito bonita.
N�o sou eu.
Desculpa.
O hosp�cio est� seguro, portanto, se...
Seja como for, obrigada.
N�o tens de qu�. Se ela aparecer, apanhamo-la.
� a �nica que nos pode dizer o que aconteceu � Cornelia.
N�o vai voltar ao hosp�cio.
Sabe que encontr�mos a fantasma.
� uma possibilidade.
Hoje � dia 18 de outubro.
Se n�o hoje, talvez amanh� ou no pr�ximo ano.
Talvez. Mas n�o creio.
Ontem, era a Clara Villalba, n�o era?
Sim.
Chamei-a para lhe dizer que n�o vamos recuperar o corpo.
E que o Ariel confessou.
O Ariel morreu.
Sim.
Mas confessou-o a mim.
14 ANOS DESDE O DESAPARECIMENTO DE CORNELIA VILLALBA
ANIVERS�RIO DE QUEM?
METADE DA TUA AUS�NCIA � AMOR.
Sete.
A metade s�o sete.
Pipa?
Esqueci-me que tenho um anivers�rio.
Toma conta do gato.
Pipa? Que surpresa.
Podemos falar?
� o anivers�rio do Rodrigo, tenho convidados.
Estive com a Cornelia.
Por favor, vai-te embora.
Ela contou-me tudo.
Sei que foste tu que levaste a foto.
Deu-ta quando voltou a Buenos Aires.
E tamb�m publicaste os an�ncios.
O primeiro foi em 2011. "Um ano de amor."
E o segundo, seis anos depois. No dia da missa.
"Metade da tua aus�ncia � amor."
S�o sete anos.
A idade do Rodrigo.
E hoje � dia 18 de outubro.
O anivers�rio dele.
Quando a Cornelia apareceu aqui com um beb�,
ap�s tudo por que passou, tudo o que lhe fizeram,
n�o conseguia cuidar dele e eu devia-lhe uma.
A culpa n�o foi tua.
Sim, foi.
Levaram-na por minha causa.
Amea�aram-me.
Disseram-me que se falasse, a matavam.
N�o sabes do que s�o capazes.
Pipa, por favor.
Se algu�m sabe que o Rodrigo � filho dela...
Ele est� seguro comigo.
N�o mo podes tirar.
� meu filho.
V�, matei-te. Tens de morrer.
Se pensas que me vou entregar, enganas-te.
N�o vim para isso.
A nossa hist�ria termina aqui.
Tinhas raz�o.
A Cornelia morreu.
Legendas: Cristiana Antas
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