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N�O ENTRE
O LABIRINTO
Robert, Robert!
Estou indo, William.
- O que h�? - � aquilo. Aconteceu.
- Onde est� ele? - Na torre.
- O que vamos fazer? - Chamar um m�dico, depois...
- Um m�dico aqui? N�o podemos. - Temos que correr o risco.
Coloque-o num quarto de baixo, enquanto eu vou � aldeia.
E o Sr. Gerald?
Vou escrever pedindo que venha imediatamente a Craven.
Creio que foi assim que tudo come�ou.
Aconteceu na Esc�cia,
num castelo isolado nas Highlands.
Assim come�ou a s�rie de estranhos acontecimentos
que me levaria ao labirinto.
Foi h� um ano atr�s.
Minha sobrinha Kitty e eu celebr�vamos, num belo caf�
de Cannes, na Riviera, a sua festa de noivado.
Tia Edith, voc� reparou como aquela garota olhou para o meu noivo?
Eu me pergunto o que voc� faria se eu n�o estivesse aqui.
Eu te procuraria, como sempre fiz.
� por isso que fiquei noiva dele. Ele sempre tem as palavras certas.
Sempre desconfiei de pessoas eloq�entes.
- Mas voc� � uma exce��o, Gerald. - Obrigado, sra.
Em algum momento,
terei ao menos o direito a uma dan�a com a noiva,
antes que o Gerry prevale�a para melhor ou para pior.
- Posso, Kitty? - Claro, Richard.
Pare de sorrir, Gerald. Voc� deveria estar com ci�mes.
Tia Edith, � maravilhoso estar apaixonado,
lamento n�o ter me apaixonado h� mais tempo.
Voc� acha que seu tio, Sir Samuel, vir� ao casamento?
Sir Samuel? N�o, acho que n�o.
Ele vive enclausurado naquele castelo horroroso de Craven.
- � um belo lugar. - Quando � visto de longe.
Faz anos que l� n�o entra moderniza��o alguma.
Nem eletricidade, nem telefone, nem sistema de aquecimento. Nada.
- H� quanto tempo voc� n�o vai l�? - H� 15 anos.
Havia umas regras muito estranhas.
Toda noite, meu tio me trancava no meu quarto.
E havia um labirinto cheio de mato.
A porta era trancada a cadeado.
Outro lugar que me era proibido.
- Um labirinto? Por que? - Quem vai saber?
Todos os castelos escoceses os tinham, mas desapareceram.
Menos em Craven.
Um belo par.
Obrigado, Kitty.
Adeus, caros amigos, vou ao bar,
me afogar num mar de champanha.
Para mim, a vida se foi.
E eu ainda tenho 15 dias de celibato para aproveitar.
- Voc� dan�a? - � que isso levar�?
Vamos ver.
- A sra permite, tia Edith ? - Vou pensar.
O que Gerald disse sobre Craven e a fam�lia MacTeam
me preocupou.
Menos pelo que ele disse do que pelo que ele calou.
Nenhum dos baronetes viviam mais do que poucos anos
depois de herdarem o t�tulo.
E Gerald era o pr�ximo herdeiro.
O calor de ver�o do dia seguinte
me ajudou a dissipar meus temores.
Tia Edith!
A �gua est� boa. Voc� devia entrar na piscina.
Chegou agora mesmo. Uma correspond�ncia urgente.
Correspond�ncia urgente? Quem ter� tanta pressa de me contatar?
Seu tio Samuell, com certeza. Isto vem de Craven.
De Craven?
J� faz 15 anos que n�o tenho not�cias de l�.
Do que se trata?
� do William, o mordomo do meu tio.
Ele pede que eu v� a Craven imediatamente.
- Que pena, Gerald. - Quando voc� vai?
- N�o antes de nos casarmos. - � daqui a duas semanas.
Se � urgente, voc� tem que ir. Seu tio pode estar doente.
Mas ele mal me conhece. N�o temos nada em comum.
Acho que voc� tem raz�o.
Desculpe, querida. Voltarei o mais breve poss�vel.
H� um casamento que n�o quero perder.
Fico feliz em ouvir isso.
N�o seja t�o s�ria, tia Edith.
Por um lado, � bom que Gerald se ausente.
Assim posso montar meu enxoval
sem que ele queira comprar todos os modelos da Fran�a.
E eu estava contando com isso!
Eu vou me vestir e tomar o v�o do meio-dia para Londres.
Quanto mais r�pido vou, mais r�pido volto.
Te vejo antes de partir.
Esqueci que um dia eu seria a esposa de um baronete.
Lady Gerald MacTeam.
Impressionante, n�o?
�, Kitty, soa muito bem.
Bom dia.
J� chegou o correio?
Lamento, n�o h� nada para a sra. hoje.
Obrigada.
J� devia haver not�cias. J� se passou uma semana.
Ele deve estar muito ocupado. Logo receberemos.
Estou preocupada. H� algum problema, tenho certeza.
- Vou telefonar. - Kitty.
Gerald me disse que n�o h� telefone em Craven.
- N�o h� telefone? Como pode? - N�o.
O castelo n�o se moderniza h� s�culos.
N�o h� eletricidade, nem telefone, nenhuma instala��o moderna.
Ent�o vou enviar um telegrama.
Ele j� deve estar regressando.
Teria me avisado, se estivesse.
Vou enviar um telegrama.
Veja isto.
"Morreu um baronete escoc�s."
"Sir Samuel MacTeam faleceu no Castelo de Craven, Esc�cia,
de uma doen�a card�aca, no �ltimo fim-de-semana.
Estava com 45 anos.
Sir Gerald MacTeam, seu sobrinho e sucessor,
informou que os funerais ser�o realizados de forma privada."
Pobre Gerald.
� por isso que n�o tivemos not�cias.
Ele teve que organizar o funeral de Sir Samuel e...
deve ter muito que fazer.
- Agora poder� se comunicar. - Sim, com certeza.
Al�? Sim, sou eu.
Sim, entendo.
Obrigada por avisar.
Era a companhia de tel�grafos.
Enviaram minhas correspond�ncias a Gerald,
e todas chegaram ao castelo de Craven.
- Mas nenhuma resposta. - Nada.
Kitty, o sil�ncio de Gerald � a sua resposta.
- � por causa do funeral ... - Responder � coisa r�pida.
N�o. � evidente que estou com medo.
Gerald n�o pretende te rever.
Ele teria me dito. Teria enviado uma explica��o.
- Esque�a-o. - N�o posso.
Voc� � corajosa e otimista, mas quanto tempo voc� esperar�?
O tempo que for.
Eu amo Gerald e o conhe�o.
Aconteceu alguma coisa. H� algum problema.
Seja o que for, ele se manifestar�
e nos dar� not�cias.
Est� bem, querida, vamos aguardar.
Deve haver uma explica��o simples.
Tentei mostrar que concordava, mas n�o acreditava.
Tive a horr�vel sensa��o de que n�o tornar�amos a saber de Gerald.
Mas estava enganada.
Seis semanas depois, chegou uma carta de Gerald,
n�o para Kitty, mas para mim.
- � do Gerald? - Acho que sim, vem de Craven.
"Cara tia Edith,
pensei que poderia arranjar tudo.
Deus sabe o quanto tentei.
Mas me dei conta de que � imposs�vel.
Diga a Kitty que ela est� livre de todo compromisso,
mas lhe serei fiel para sempre.
N�o posso me casar, a menos que algo mude..."
Ele riscou algo a l�pis.
"ou algu�m pode morrer"?
"Diga-lhe que n�o posso me casar,
a menos que algo mude,
ou algu�m pode morrer."
Morte de quem? Seu tio j� morreu.
Prefiro n�o me envolver.
Mas eu sim. Gerald n�o iria querer que algu�m morresse.
- Sim, mas o fato � ... - Aconteceu alguma coisa.
Esta carta � muito estranha.
- H� t�o pouco tempo ... - Este � provavelmente o castelo.
Sem d�vida.
E se voc� acha que um velho castelo vai arruinar nossa vida, est� enganada.
- O que voc� vai fazer? - Eu vou at� l�.
Pouco importa os fantasmas e esqueletos...
- N�o... - Sim!
Quero que voc� v� comigo,
mas quer voc� v� quer n�o, vou arrumar minha mala.
- � aqui? Tem certeza? - Sim, este � o castelo de Craven.
Caramba! Ele poderia nos ajudar com a bagagem.
Ele tinha um ar de medo.
O que ele temeria?
Eu poderia citar v�rias raz�es.
N�o seja boba. Vamos.
Talvez tenhamos que esperar at� amanh�.
Parece que estamos em outro mundo.
Sim, � sinistro.
Talvez n�o haja ningu�m a�.
Deve haver alguns fantasmas.
Pois n�o...
Somos amigas de Gerald Macteam.
Sir Gerald est� indisposto.
N�s tamb�m, de tanto esperar no meio desta n�voa horrorosa.
Venha, tia Edith.
Por favor, v� dizer a Sir Gerald que ele tem h�spedes.
Que sua noiva e a tia vieram v�-lo.
- Perd�o...? - Voc� entendeu.
Sua noiva, Senhorita Katherine Murray.
Certo, senhorita, vou avis�-lo.
Kitty, n�o dev�amos ter vindo.
E quanto antes sairmos, melhor.
Minha pobre tia, deve estar congelada.
Se Gerald n�o nos leva logo para uma sala...
Gerald!
Voc� n�o deveria ter vindo.
Voc� est� errado. Eu deveria ter vindo h� muito tempo.
O que est� havendo?
- Voc� n�o recebeu minha carta? - Sim, Gerald, eu recebi.
Ent�o n�o tem desculpa. Voc�s t�m que ir embora.
Vamos ficar, Gerald.
Viajamos por horas. Estamos com fome e frio.
William.
Leve-as a um quarto.
Singam-me, senhoras. Robert trar� a bagagem.
Obrigada, Gerald.
Voc�s ir�o embora amanh� de manh�.
Seus quartos, sras.
Esta porta leva a uma sala adjacente.
Obrigada.
Voc� poderia trazer ch�
e p�r lenha na lareira?
Sim, srta.
J� viu algu�m mudar tanto?
Gerald parece 20 anos mais velho.
E queria nos mandar embora. N�o entendo.
Alguma coisa terr�vel lhe aconteceu.
Seus olhos... Seu olhar parecia cheio de �dio.
Entre.
O que �, William?
- A jovem lady, Sir. Creio que disse ser vossa noiva. - Ela foi.
- Eu rompi o noivado. - Ent�o o que ela faz aqui?
N�o sei. Elas v�o embora amanh� de manh�.
Sim senhor.
- J� s�o 22:30h. - Sim senhor.
Em qual quarto elas est�o?
Naquele do meio do corredor.
Mandei o Robert trancar a chave.
Certo, William. Obrigado.
Sim senhor.
- Mais um pouco de ch�? - Sim, obrigada.
N�o consigo me aquecer.
Eu sei.
- Que lugar mais l�gubre. - Sim, de fato.
Por que as janelas est�o seladas?
N�o fa�o id�ia.
E voc� j� reparou no revestimento de corti�a no corredor?
E os passos?
Nunca vi algo t�o estranho.
- Parecem plataformas. - Tudo � estranho aqui.
Muito me agrada saber que vamos embora.
N�o podemos ir.
N�o antes de tentar ajudar Gerald.
Ele parece estar doente.
Kitty, ele est� lidando com alguma coisa mal�fica.
Eu sinto isso.
Temos que ir embora antes que nos tornemos v�timas.
Este lugar me gela tanto quanto a voc�, mas tenho que tentar.
N�o sei se a doen�a de Gerald � f�sica ou mental,
mas vou descobrir. Tenho que descobrir.
N�o sei se serei de alguma utilidade...
Abra j�!
N�o, Kitty, � uma das regras do castelo.
Uma regra? Do que vc. est� falando?
Eu n�o te disse nada, mas o Gerald me falou a respeito.
Seu tio trancava as portas todas as noites.
Assim como o labirinto no jardim.
E, no final do corredor, � proibido o acesso � torre.
- Tudo isso parece rid�culo. - Gerald tamb�m achava.
Mas agora ele age como o tio.
Sir Gerald.
Sir Gerald,
a Sra. Cameron, a empregada que teve um
acidente vascular cerebral na outra noite...
Sim, como ela est�?
Ela morreu. Ouvi na aldeia.
- Trate dos funerais. - Sim senhor.
Qual � a causa mortis oficial?
De acordo com o obitu�rio, um ataque card�aco.
Depois disso, Robert e voc� ser�o os respons�veis pela casa.
Sir Gerald, n�o foi culpa nossa.
Ela foi proibida de entrar no labirinto.
Eu sei.
Se precisarem de ajuda, n�o contrate mais mulheres.
Sim senhor. Obrigado, senhor.
Tia Edith.
Kitty, o que h�?
H� qualquer coisa no labirinto, eu vi.
No labirinto? Do que est� falando?
Uma passagem secreta liga o meu quarto a uma esp�cie de torre de vigia.
- Vista-se, eu vou te mostrar. - N�o, isso n�o me interessa.
Eu vi o labirinto e havia algu�m l� dentro.
No meio da noite? Mas o que fazia l�?
N�o sei. Deve haver uma liga��o em tudo isso.
As portas trancadas e tudo o mais...
Kitty, o que se passa aqui deve ser algo horr�vel,
a ponto de transformar Gerald tanto assim.
Quanto antes partirmos, melhor ser�.
Estou come�ando a concordar com voc�.
Voc� j� est� vestida? Eu s� para alguns ...
- Sa�de. - Obrigada.
� esse maldito nevoeiro. Peguei um resfriado.
Eu n�o dormi esta noite. Fiquei pensando.
- N�o podemos partir agora. - Posso perguntar por qu�?
O que eu sinto por Gerald n�o foi alterado.
Eu gostaria de poder ajudar.
E ainda nem tentei.
Ele vai impedir, voc� sabe. Ele nos disse para ir embora.
Desculpe.
Se eu apenas pudesse encontrar um meio.
J� sei! Voc� tem um forte resfriado.
Mas o que voc� diria? � um resfriado de nada.
Sinto-me...
Voc� deve ficar de cama por alguns dias
e eu digo ao Gerald que voc� n�o pode partir.
- N�o creio que adiante. - Farei o poss�vel.
Vou lhe trazer o caf� da manh�.
A sala de jantar � desse lado, senhorita.
Est� bem.
- Bom dia, William. - Bom dia, senhorita.
Bom dia, Gerald. Belo dia, n�o?
- Especialmente depois do nevoeiro. - E a senhorita Murray?
Est� com um forte resfriado. Eu disse que ficasse na cama.
Vou preparar-lhe um prato na cozinha.
- Na cama, voc� diz? - Nada s�rio. Em 2 ou 3 dias...
Imposs�vel.
Quero que voc�s partam esta manh�.
Desculpe se a minha presen�a incomoda,
mas n�o temos escolha.
Minha tia n�o pode se levantar at� ficar completamente boa.
Voc� n�o tinha o direito de vir aqui. Este n�o � um lugar para voc�.
� sim, Gerald.
Meu lugar � com voc�, onde quer que esteja.
E quanto a n�s?
E todos os nossos sonhos?
Por que voc� faz esta com�dia?
N�o fa�o com�dia.
S� quero que voc�s v�o embora.
Eu quero te ajudar, Gerald.
Meus sentimentos n�o mudaram,
e acho que os seus tamb�m n�o.
Eu disse em minha carta que n�o poderia casar com voc�.
E n�o posso mesmo.
Se vossas malas estiverem prontas, vou traz�-las para baixo.
N�s n�o vamos embora.
Prepare uma bandeja para minha tia. Eu vou subir.
- Sim, senhorita. - William...
Eu queria lhe perguntar o que aconteceu com Sir Gerald.
Perd�o...?
Ele est� doente. Se voc� � leal, chame um m�dico.
N�o � necess�rio, srta.
N�s somos plenamente capazes de cuidar de Sir Gerald.
Voc� n�o vai chamar um m�dico? � isso?
Vou fazer o ch�, senhorita.
- Deseja alguma coisa, srta.? - Sim...
Diga a William que vou tomar o desjejum com minha tia, no quarto.
- Sim, senhorita. - Obrigada.
Quando pedi que chamasse um m�dico,
ele mudou logo de assunto.
- Tenho que fazer alguma coisa. - Mas o que, Kitty?
Se Gerald n�o diz nada a voc�, imagine a um m�dico.
Se ele se permitisse examinar.
Voc� me deu uma id�ia.
Farei que seja examinado, querendo ou n�o.
- Como assim? - Bert. Bert Dilling.
- Vou convid�-lo a vir com a Margaret... - Vai ficar �bvio demais, Kitty.
O Gerald sabe que ele � m�dico.
E ele n�o vai permitir que se convide quem quer que seja a vir aqui.
Quando souber, n�o poder� mais recusar.
Direi ao Bert que venha com Richard e Peggy Lord.
- Vai parecer menos arranjado. - Uma visita inesperada?
N�o � imposs�vel.
Eles vir�o passar o fim-de-semana na Esc�cia e...
- Kitty, espero que voc� saiba o que est� fazendo. - Eu sei, acredite.
Al�m de tudo, ele n�o pode se isolar por tanto tempo.
S�o seus amigos.
Isso o far� esquecer seus problemas.
Pelo menos uma vez.
- Espero que d� certo. - Vai dar.
- Sim, quem �? - Vim buscar a bandeja, senhora.
Certo, entre.
- A jovem est� escrevendo uma carta. - Certo.
- Mas... - Eu cuido disso, Robert.
Tia Edith,
diga-me o que acha.
"Caro Bert, n�o tenho tempo para explicar tudo,
mas voc� deve vir r�pido ao castelo de Craven.
O Gerald est� doente e seus empregados se recusam a chamar um m�dico.
E eu tenho certeza de que ele tamb�m se recusar� a consultar algum.
Venha, eu lhe pe�o, e traga Margaret com voc�.
Eu acho que Richard Roblar e Peggy Lord tamb�m devem vir.
Assim, parecer� uma visita de cortesia.
N�o h� tempo a perder. Venha assim que poss�vel.
Kitty."
Ele vir�, se ler a carta. Mas como voc� vai enviar?
N�o pensei nisso.
Ah, n�o se preocupe, eu dou um jeito.
- Boa tarde, senhorita. - Boa tarde, William.
Eu enviarei sua carta, senhorira.
N�o, obrigada, William. Eu mesma vou.
N�O ENTRE
Eu n�o entraria a�.
Bom dia.
- Lindo dia, n�o? - Sim, srta. A srta. se perdeu?
Me perdi...? N�o, sou h�spede de Sir Gerald, no castelo.
Uma h�spede? Em Craven?
Sim, Gerald e eu somos noivos.
Qual � o problema?
Felicidades, srta. Vou rezar por voc�s.
Obrigada.
Vou voltar ao trabalho. Bom dia.
Tenho uma carta a enviar. Onde posso encontrar o carteiro?
Vou estar com ele. Eu lhe entregarei sua carta.
Gerald!
Gerald, est� me machucando.
Fique longe daqui enquanto estiver no castelo.
- O que foi, Kitty? - � o Gerald...
Eu entrei no labirinto e ele ficou cheio de raiva.
- Tome. - Obrigada.
Melhorou?
O que aconteceu?
Ele me disse para sair e n�o entrar mais l�.
Estava furioso.
Ele machucou meu bra�o.
- Tenho que falar com ele agora. - N�o, n�o vai adiantar nada.
- Ele n�o tem o direito de te tratar assim. - N�o, tia Edith.
Gerald est� doente. N�o � respons�vel por seus atos.
Ele deve estar mais infeliz que eu.
E vai ficar mais ainda quando eu falar com ele.
William!
Onde est� Sir Gerald?
Est� ocupado.
Diga-lhe que quero v�-lo imediatamente.
Desculpe, Srta. Murray, ele n�o quer ser perturbado.
Pouco me importam suas ordens, quero v�-lo agora.
Receio que seja imposs�vel. Talvez amanh� de manh�.
Me desculpe.
Tia Edith?!
Voc� est� bem, tia Edith?
O que est� havendo?
Voc� desmaiou.
Gerald,
eu entrei no seu quarto e vi uma coisa.
Uma coisa horr�vel. Nunca vi nada igual!
O que voc� viu? O que era?
Uma coisa viva. Vi que se mexia.
Foi imagina��o sua.
Tia Edith n�o imagina coisas assim, Gerald.
L� em cima s� h� o meu quarto.
E fa�o quest�o da minha privacidade.
Parece que, para garanti-la, devo trancar meus...
h�spedes n�o convidados em seus quartos.
Assegure-se de que est�o nos quartos antes de trancar as portas.
Sim senhor.
Kitty, eu vi alguma coisa, tenho certeza.
- Est� melhor? - Sim.
Durma. Voc� est� exausta e com os nervos em frangalhos.
- Voc� n�o acredita em mim? - Sim, mas...
A gente fala disso amanh�. Boa noite.
- Est� acordada, tia Edith? - Claro que estou.
- Como se sente? - Exausta.
Mas melhorei do resfriado. Deve ter passado com o medo.
N�o temos mais desculpas para ficar aqui.
N�o estou mais resfriada...
Algu�m est� vindo.
- Quem �? - Gerald.
- Bom dia, Gerald. - Bom dia.
- E o resfriado? Melhorou? - De fato...
N�o exatamente.
Tia Edith dormiu mal esta noite e...
- N�o �? - �, mas...
Kitty, chega de pretextos.
Quero que voc�s v�o embora.
Certo, Gerald. Partiremos amanh�.
O que voc� espera ficando uma noite a mais?
� preciso que Bert veja o Gerald.
Depois do que aconteceu, n�o fico nem mais uma noite.
O que voc� viu, ou pensa que viu,
voc� consegue descrever?
N�o.
Era...
Eu n�o sei, estava escuro. N�o vi bem.
Poderia ser um homem?
Bem, n�o sei.
Pode ser.
Com certeza era algo.
O quarto estava escuro,
e voc� foi pega de surpresa,
voc� ficou com medo e desmaiou.
- Talvez voc� tenha raz�o. - Tenho certeza.
- Vou lhe trazer o desjejum. - Kitty.
Aquela carta que voc� deu ao jardineiro,
voc� acha que ele a enviou?
Se enviou, Bert e os outros chegar�o hoje.
Caso contr�rio...
teremos que partir amanh�.
Que belo lugar!
Parece que tudo vai desmoronar.
Como voc� � tolo, Richard. Este � o charme do velho continente.
Sim, bem velho.
Parece ter s�culos. Tem certeza de que � aqui?
S� h� um jeito de saber.
TERATOLOGIA
- Kitty, como vai? - Ol�.
Estou t�o contente por terem vindo!
Bert, estou muito feliz por te ver.
Ol�. O que tem ele?
Conforme lhe disse na carta, Gerald...
- Prazer em v�-lo, Gerry. - Ol�, Gerry.
Est�vamos passeando e acabamos chegando �s Highlands.
Passando aqui, resolvemos parar.
- Que lugar fant�stico! - Ent�o este � o solar dos MacTeam.
Como � ser um baronete?
Aqui deve haver muita ca�a. N�s trouxemos nossos fuzis.
�timo! Estou gostando de estar aqui.
Tenho um monte de coisas para te contar.
Mas isto ser� melhor depois de alguns tragos.
Gerald, nossos amigos viajaram o dia inteiro.
Acho que gostar�o de descansar antes do jantar.
- William. - Senhor?
Acompanhe meus... h�spedes aos seus quartos.
Sim senhor.
Sigam-me, por favor.
Kitty.
- Quero falar com voc�. - Certo, Gerald.
Vejo voc�s mais tarde.
Voc� acha que eu sou idiota?
Quer que eu acredite que eles vieram por acaso?
- Gerald, por favor! - Que direito voc� tinha de convid�-los?
Me escute s� um instante.
Voc� quer ocultar os problemas, mas quaisquer que eles sejam,
nada pode te obrigar a se isolar do mundo.
Essas pessoas s�o seus amigos. Gostam de voc�.
E, Gerald, eu vim porque te amo.
Quero te ajudar. Deixe que eu te ajude.
O �nico modo de voc� ajudar � ir embora daqui.
Sua doen�a pode ser curada, tenho certeza.
Eu n�o estou doente, Kitty.
Se isto pudesse ser assim t�o simples.
Desculpe-me. Obrigado.
Entre.
O que voc� acha, Bert ?
N�o sei muita coisa. Ele parece bem mal,
mas, a meu ver, ele n�o est� doente.
Voc� n�o acha que o problema seja f�sico?
- Ent�o ele pode estar... - Louco? N�o sei.
Ele se recusa a ser examinado,
ent�o o observei o melhor que pude.
Vamos tentar distrai-lo, se for poss�vel.
Sim, � o melhor a fazer. N�o olhem para ele fixamente,
e demonstrem alegria. Acho que � uma boa id�ia.
Deve ser terr�vel para voc�. Mas Bert vai fazer o poss�vel.
Com certeza. Vamos fazer o melhor que pudermos.
Voc�s s�o bons amigos. Obrigada.
Voc� est� se sentindo bem para vir jantar?
Sim, estou bem.
Fiz bem em trazer roupas de soir�e.
Eu sabia que as usar�amos.
N�o � uma roupa que se use num lugar t�o l�gubre.
Usa-se sim!
N�o sei que impress�o vai dar.
S� consigo me ver por partes.
Partes muito bonitas.
Pare de tergiversar e vamos jantar, estou com fome.
Voc� deve estar faminta.
H� dias que n�o come nada de s�lido.
- � capaz de voc� se divertir. - Talvez.
- A� est�, meu amor. - Onde voc� esteve?
- Sentiu minha falta, hein ? - Com certeza.
Este martini me parece um pouco sem cor.
� como voc� ficaria com 90% de �lcool.
Ruim, n�o �? Vou fazer melhor da pr�xima vez.
- Kitty? - N�o, obrigada, Richard.
- N�o? - N�o.
Vai gostar, Dr Bert. Segui sua receita.
- � muito terap�utico. - Oh n�o!
Voc� n�o precisa beber. Podemos te arranjar vinho do porto.
N�o precisa. Vamos, Richard, encha.
Talvez eu esteja doente.
Doente, a mulher de um m�dico? Nunca vi.
E eu n�o vejo como.
Conte a piada do m�sico ao Gerald, para alegr�-lo.
Boa id�ia.
Tenho uma piada nova sobre um m�sico.
Um cara estava tocando piano muito alto, tarde da noite.
O porteiro do pr�dio aparece e diz:
"Ei, e a velha senhora doente no andar de cima?"
E o outro: "N�o conhe�o, mas assobie os primeiros acordes
que eu acompanho."
Assim � melhor, Gerald.
� bom rever nossos amigos.
A respeito de m�sicos, eu me lembro, faz 6 meses...
- Aonde ele foi, Kitty ? - N�o sei.
Se soub�ssemos, poder�amos fazer algo.
Ele est� contrariado. Se descobr�ssemos a causa...
- A porta est� fechada a chave. - Tem certeza?
Est� decidido! Devo agir, e r�pido.
O que voc� vai fazer?
Me d� a chave do seu carro.
Sim, mas para que?
Assim que puder, vou at� a vila.
Vou providenciar os documentos para intern�-lo.
- Mas ele n�o est� louco! - N�o quero correr nenhum risco.
Com base no que vi, ele pode ser muito perigoso.
Quanto mais r�pido for tratado, mais r�pido se curar�...
Se for poss�vel.
- N�o pode ser assim t�o grave. - Claro que n�o.
Kitty, voc� pediu que eu viesse para observar Gerald.
Foi o que fiz.
E temo que a coisa seja mais grave do que pensei.
N�o o irritem. Entenderam?
- � muito grave? Voc� acha? - Acho.
N�o digam nada que possa enerv�-lo. Ele pode...
J� lhe contei a hist�ria das dan�arinas de Singapura?
N�o, mas eu adoraria ouvir.
O jantar est� servido.
Ser�, no m�nimo, a comida digna de um baronete.
Espero que ele coma luz. Assim posso ver minha figura.
Tia Edith, voc� vai roubar a chave da porta grande para mim.
Para que?
As chaves s�o todas iguais, e esta noite eu quero sair.
E eis-me preso entre esse elefante enfurecido
e toda uma tribo de crespos.
Por que "crespos"?
Isto � para homens porque as mulheres ...
Jovem,
poupe-nos de suas piadas ruins depois de um bom jantar.
Minhas piadas ruins?
Eu ia citar Kipling, como Bert costuma fazer.
"Sob o sol da �ndia, onde eu passei um tempo
- ...a servi�o de Sua Majestade..." - Desculpem.
H� certas regras que devem ser seguidas no castelo.
Todos voc�s devem estar em seus quartos �s 23 horas.
Gerry, � mesmo...
Certo, Gerry. Estou muito cansada.
Como voc�s constataram, este n�o � um lugar de divers�o.
Foi um prazer v�-los, mas amanh� voc�s devem partir.
O que voc� vai fazer, Bert?
Esperar at� amanh�. N�o tenho escolha.
Conseguiu a chave?
Bert, d� pra voc� parar de andar de um lado para o outro?
O que voc� vai fazer com isto?
Espero que nada.
Mas se for necess�rio, vou quebrar esta fechadura.
Voc� acha mesmo que Gerald � perigoso?
Sim, eu acho.
Eu verifiquei o hist�rico dos MacTeam quando recebi a carta da Kitty.
Parece que s�o predestinados a uma doen�a cong�nita.
Todos os baronetes morrem cedo.
Sir Samuel, o tio de Gerald, s� tinha 45 anos.
Seu tio-av� tinha 30 anos. E isso em todas as gera��es.
- Voc� viu a apar�ncia do Gerald. - Como ele envelheceu!
E isso n�o � tudo.
A �ltima mulher que se casou com um baronete morreu
pouco depois de chegar aqui, em circunst�ncias estranhas.
Os arquivos mencionam sua morte, mas n�o a causa.
Desde ent�o, n�o houve nenhuma outra mulher em Craven.
Desde quando?
Desde duzentos anos, quase sempre no mesmo dia.
Robert.
- Voc� est� com a chave da porta grande? - N�o.
- Ela desapareceu. - Tem certeza?
Sim, quando os h�spedes se recolheram aos quartos.
- Ter� sido um deles? - N�o sei.
Mas devemos procurar em cada quarto.
23h30. N�o temos mais tempo.
N�o. faremos isso amanh� de manh�.
- Devemos avisar a Sir Gerald? - N�o, n�o.
Espero que n�o tenha sido uma mulher que a roubou.
Voc� viu o que aconteceu � governanta.
�...
Kitty, n�o v�.
Esta torre esconde alguma coisa.
� preciso, tia Edith. Mais do que nunca.
Bert acha que o Gerald est� louco; eu n�o acho.
Esta � a melhor maneira de saber o que perturba.
N�o h� m�veis.
Aqui a janela n�o est� bloqueada.
Aonde pode levar esta porta?
- Algas. Tenho certeza. - Sim.
E uma tigela de tomates.
Gerald estava lendo este livro hoje.
TERATOLOGIA, de L. Warren Thorpe
"Estudo das monstruosidades, malforma��es graves
e altera��es em humanos."
Sim senhor, est�o todas fechadas.
- O que vai fazer, Kitty? - Vou segui-los.
Olhe isto.
Vi uma pegada igual no labirinto.
- O que � isto? - N�o sei.
Mas tenho certeza de uma coisa: o mist�rio � uma pessoa.
- Como voc� sabe? - Voc� n�o ouviu o Gerald?
"Sim senhor, est�o todas fechadas".
Ele falou com algu�m que n�o conhecemos.
Kitty, voc� est� pensando o mesmo que eu?
"Teratologia: Estudo das monstruosidades..."
Pobre Gerald.
- O segredo de Craven �... - T�o horr�vel que ele n�o pode casar.
- Kitty... - Ele deveria me conhecer melhor.
Devo falar com ele, dizer a ele que eu n�o me importo.
Nos enganamos.
E nos enganaremos de novo antes de chegar ao centro.
Espero que voc� saiba como sair daqui.
Kitty...
Onde voc� est�?
- Est� vendo a luz? - N�o muito bem.
Fique onde est� e fale baixo. Estou indo.
Por aqui.
Por aqui.
Por aqui.
- Kitty! - Tia Edith...
A luz se apagou.
- Voc� me ouve? - Ou�o de longe.
Kitty...
Tia Edith ? Tia Edith, por aqui.
- Por aqui. - Kitty...
Kitty...
Tia Edith...
Est� me ouvindo?
Tia Edith...
Kitty...
Onde voc� est�?
Por aqui.
Por aqui.
Tia Edith!
Tia Edith...
Pegue-o. Eu cuido dela.
Tia Edith!
Kitty!
Tia Edith!
- O que voc� vai fazer? - Ver de onde vinham os gritos.
Tenha cuidado.
N�o, doutor! N�o!
Espere, Gerald!
Cuidado!
Bert, abaixe esta arma.
Ele estava com medo.
Tentei tranquiliz�-lo, mas ele n�o quis ouvir.
Quando ele passou pela janela, n�o pude segur�-lo.
Eu sei, William.
N�o foi culpa sua.
Leve-o para dentro.
Estou pronta, Kitty. Quando voc� quiser.
Tudo vai ficar bem, n�o se sinta culpada.
Por que fui me meter?
Por que vim aqui?
Sim? Entre.
Com sua licen�a.
Meu senhor quer v�-las na sala de jantar.
Todos os h�spedes j� est�o l�.
Seu senhor? Refere-se a Sir Gerald ?
Sim, srta. Agora ele � o senhor.
- Bom dia. - Bom dia.
Bem, estamos todos aqui.
Pelo menos n�o perdemos ningu�m esta noite.
Oh, querido. � um pouco cedo, n�o?
Voc� est� enganada, � quase tarde demais.
Ningu�m me acompanha?
J� que voc� disse, que � tarde, ent�o �.
- Bom dia, amigos. - Bom dia, Gerald.
Kitty, tenho tantas coisas a te explicar.
- Sim, Gerald ? - Eu...
Desculpem, darei uma explica��o a todos.
- Com certeza, Gerald. - E voc�s a ter�o.
Eu sei que voc�s pensam
que meus ancestrais e eu foram, desde 200 anos
os verdadeiros senhores do castelo de Craven.
Isto n�o � verdade.
O �ltimo baronete de Craven, Sir Roger MacTeam,
nasceu em 5 de abril de 1750.
Morreu em 10 de maio...
- de 1953. - Ontem?
Ontem � noite.
De acordo com seus desejos, foi enterrado aqui, antes do amanhecer.
Gerald, ningu�m vive 200 anos.
N�o, Kitty, seres humanos n�o.
Mas certos anf�bios sim.
Vou tentar explicar o melhor que puder.
O embri�o humano passa por todas as fases de evolu��o.
Do invertebrado ao mam�fero.
Em determinado momento, o embri�o � um anf�bio.
Sir Roger nunca ultrapassou esta etapa, fisicamente.
Mas continuou a se desenvolver mentalmente.
Durante 200 anos, ele sofreu tortura
de ser um homem dentro do corpo de um monstro.
E durante todos esses anos, ele administrou a propriedade?
De fato.
Seus sobrinhos, sobrinhos-netos e assim por diante
o sucederam no castelo,
com o t�tulo de baronete.
Mas nossa verdadeira fun��o era servi-lo
e esconder a desgra�a da fam�lia.
Ele se escondeu de todos, exceto seus sobrinhos
e do pessoal do castelo.
Eis por que ele ficou t�o perturbado ao te ver no labirinto.
Ele n�o queria te fazer mal, s� queria se esconder.
Entendo.
Apesar de tudo, ele tinha alguns lazeres.
Muitas vezes, � noite,
Ele pedia que o levassem � lagoa do labirinto.
Ele despia a capa e se jogava na �gua,
seu habitat natural.
Sua cama, na torre, era um leito de algas.
Nada de almofadas, len��is ou cobertores.
N�s o enterramos junto � lagoa, onde ele...
viveu os raros momentos agrad�veis de sua exist�ncia.
Sinto muito, eu n�o deveria ter vindo.
Kitty, n�o, n�o � culpa sua.
Era um segredo que ele imp�s. Ele sabia disso.
Se ele tivesse revelado a sua exist�ncia,
ningu�m o teria considerado uma criatura mal�fica.
Mas ele era muito orgulhoso, e muito envergonhado.
Como todos n�s.
A� est�, voc�s sabem de tudo.
Desculpem-me pelo susto que lhes causei.
Mas sobretudo, Kitty,
perd�o pela dor que te causei.
Posso te assegurar que a minha era insuport�vel.
Kitty e Gerald se casaram.
Eles vivem felizes no castelo.
Tudo foi remodelado modernizado,
exceto uma coisa,
o t�mulo de Sir Roger.
Aqui jaz Sir Roger Philip MacTeam,
baronete de Craven, 1750 - 1953.
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