All language subtitles for Bitter Daisies s01e03

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Original subtitles

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

� dela?

N�o h� corpo. S� roupa.

Algumas pe�as t�m manchas,

talvez de sangue.

Acho que temos um assassino em s�rie.

Marta!

N�o sei se mataste as raparigas

ou encobres o filho da puta que o fez.

Seja como for, n�o te reconhe�o!

- Mu�iz! - A Marta prostitu�a-se.

Tinha um cliente que queria o estilo colegial.

Diz-me que cliente gosta de menores de idade e de uniformes.

- Por favor! - Miguel, para o carro!

Para o maldito carro!

- Sai! - Tratam-me

como culpado quando sou uma v�tima.

A Marta filmou um dos encontros.

Chantageou-me para n�o divulgar o v�deo.

Encontr�mos um corpo hoje.

A �rika?

Desapareceu h� dois dias.

Pensas que encontr�mos a �rika?

Esta vila tem demasiados pecados.

Pode ser que uma rapariga morta seja a melhor forma de os manter ocultos.

Abdominais,

vasto lateral,

reto lateral

e...

Reto femoral.

Muito bem, aprendeste-os todos.

O corpo humano tem mais de 600 m�sculos.

Mas n�o temos de os saber todos para o teste.

Amanh�, depois do teste, vamos comer gelado para celebrar.

- Prometes? - Prometo.

Muito bem, continua.

Achas que amanh� nos trazem a D�ri?

Claro.

E se a mulher n�o a quiser trazer?

Como assim?

Talvez goste da D�ri e a tenha raptado.

N�o, filha.

A senhora deve ter tido um imprevisto e n�o a p�de trazer.

Sabes que usamos 17 m�sculos para sorrir?

V�s? Est�s a mexer 17 m�sculos.

Vamos rever de novo

e a D�ri vir� amanh�, vais ver.

Mass�ter, peitoral, b�ceps,

braquiorradial, abdominais,

vasto lateral,

reto lateral,

reto femoral...

Desvanece como fumo no ar

ou a espuma na �gua.

"COMO FUMO NO AR"

O bispo de Santiago de Compostela

conduz as ora��es para os jovens, na Catedral de Santiago,

onde os relembra da sua miss�o apost�lica

com textos do Evangelho de S�o Mateus.

Lembrem-se das palavras do Senhor:

"Envio-vos como cordeiros entre lobos,

por isso, sejam espertos como serpentes

e inocentes como pombas."

Alguma ideia nova ap�s a confiss�o do Miguel?

Como fizeste isso?

Sendo um faz-tudo.

Em casa ou na cara de algu�m?

A vantagem de discutir com a minha filha � ela arrepender-se.

� assim que fazemos as pazes.

Enviou-mas por autocarro, como quando o meu pai

trabalhava em Vigo.

Tirem, n�o sejam t�midos.

S�o boas.

N�o comas muitas,

a Lu�sa est�-se a esmerar.

N�o te esque�as do jantar.

N�o.

Vamos rever isto.

Segundo o saldo das contas

e os registos, sabe-se que a Marta chantageava os clientes.

O Miguel foi um deles.

Mas tem um �libi no dia do desaparecimento.

Isso n�o impede que seja um pervertido.

Chantageou outros quatro homens. Um deles pode ser o autor.

Ou pode haver um sexto.

Segundo o saldo da conta,

sabemos que cinco foram extorquidos.

E se houvesse um sexto, que em vez de pagar a matou?

Pode ser.

Precisamos das grava��es.

N�o estavam nem na bomba, nem na pens�o.

Ambos os lugares foram revistados antes de l� chegarmos.

Por quem matou a Marta e as outras.

N�o nos vamos precipitar.

A Marta desapareceu, n�o morreu.

E at� encontrarmos os corpos, isto s�o apenas roupas.

Mas temos um corpo.

�rika Mejade.

Uma imigrante ilegal romena.

Talvez trabalhasse no clube.

Vou arranjar um mandado de busca.

� in�til.

O gerente do clube � esperto. Sabe manter a merda fora de casa.

J� revist�mos o s�tio mil vezes e nunca encontr�mos nada.

Vou na mesma.

At� ia consigo,

mas estou ocupado com o Papa.

Tamb�m estou ocupado.

Desculpa por ontem.

Desculpa tu.

Eu � que fiz asneira,

n�o te preocupes.

Esquece isso. J� me passa.

Obrigada.

N�o posso perder um amigo.

Ouviste do Miguel?

Est�o todos a falar disso.

Que dizem?

Que foi despedido sem explica��o.

Dizem que gostava de espiar as meninas.

Falou contigo ontem, reparaste nalguma coisa?

N�o.

CHAMADA RECEBIDA

Fazes bem em n�o responder.

Que v� � merda.

Quem me dera que fosse f�cil. � um porco, mas s� penso nele.

Pensa noutra coisa.

Nas fotos que te tirei.

O meu primo gosta de ti,

mas precisa de algo profissional

para mostrar a ag�ncias e clientes.

- N�o posso pagar a um fot�grafo. - Eu sei tirar fotos.

E posso arranjar uma boa c�mara.

N�o me apetece.

Apetece-te, sim.

Vai-te animar.

Como se fosse terapia.

Vai-te ajudar a esquecer o Brais.

Se queres dinheiro e deixar esta vila,

� o primeiro passo.

Gostaria muito,

mas n�o agora.

Procuras trabalho?

�s um bocado velha, mas aceit�vel.

D� uma volta para te ver o cu.

Nesta vila, s� gostam de cu. Empadas, polvo e cus.

Tenente Vargas, Guarda Civil.

Sente-se.

Mas sabe,

a mim parece-me que ter mais que um emprego � �timo.

E se trouxesse o uniforme e as algemas,

seria espetacular.

Mas teria de ver o cu.

Isso � confidencial.

Conhece esta rapariga?

N�o sei, menina.

Desculpe chamar-lhe "menina",

mas se disser tenente, imagino-a de bigode.

Disseram-me que trabalhava aqui.

Trabalhar? N�o sei do que fala.

Ela esteve aqui hospedada,

mas foi-se embora h� uns dias.

- Hospedada? - Sim.

Eu s� arrendo quartos e vendo bebidas.

- Claro. - O que ela faz � com ela.

Foi por isso que me ofereceu trabalho?

Algu�m tem de limpar e fazer as camas.

E o meu cu seria fundamental.

Menina, n�o mude de assunto, sim?

Estava a falar da rapariga.

O que aconteceu � �rika?

Porque � que se foi embora?

Teve problemas consigo ou com algum cliente?

Comigo?

N�o.

Elas s�o livres de fazerem o quiserem.

N�o me meto na vida delas

e n�o quero saber de nada.

- Eu s�... - J� sei.

Arrenda quartos e vende bebidas.

Exato.

E certifico-me que tudo corre bem.

� mulher, certamente n�o est� de acordo,

mas elas est�o mais seguras aqui.

Que isso seja muito claro.

N�o me responsabilizo pelo que se passa l� fora.

E ela?

Esteve aqui?

Viu os quartos,

mas n�o gostou das condi��es.

Eu n�o for�o ningu�m.

Menina...

Saiba que aqui

ter� sempre um quarto dispon�vel.

Acalme-se, mulher.

Deve ser algu�m doente.

Tem um mandado de busca?

N�o preciso se houver um crime.

Um crime?

N�o exagere.

Relaxa, comadrita.

� uma das novas, a Vivi.

Tem enxaquecas e precisa de descanso.

Estou farto da Guarda Civil e de coisas estranhas.

Vou tomar medidas.

Conseguiste algo?

Uma oferta de trabalho.

Foi tudo o que encontr�mos na pens�o. Nenhuma c�mara.

Podia ter filmado com o telem�vel. Tens filhos ou irm�os mais novos?

N�o.

Hoje em dia, tudo tem c�maras.

A minha filha tem mais tecnologia do que a NASA.

Mas � claro.

Obrigada.

- Porqu�? - Pela ajuda.

�s vezes, n�o � o que l� est�, mas o que falta.

De certeza que n�o falta nada?

N�o lhe chega?

Que mais acha que ela teria?

Um rob� de cozinha?

- N�o havia cassetes ou pens? - � tudo.

N�o sabe nada sobre

os biscates que a Marta fazia?

Sou discreta quando os clientes t�m companhia.

H� uma porta nas traseiras.

Assim que a investiga��o terminar, estas coisas

s�o minhas.

Posso ver o quarto da Marta?

Estava aqui um televisor?

Sim.

A Marta partiu-o.

Aprendeu a arranjar televis�es na Guarda Civil?

N�o estou a arranj�-la.

Ent�o?

N�o a parta mais.

A Pol�cia Cient�fica e os inform�ticos t�m o resto das coisas.

Isto � o que a Marta escondia.

Seis caixas de cart�es de mem�ria.

Cinco com os cart�es, uma vazia.

A que falta estar� na c�mara?

- N�o encontr�mos nada. - E as outras?

Encontros sexuais com cinco dos seus clientes.

Um deles era o Miguel.

Toma.

S�o as c�pias dos outros tr�s clientes.

Verifica os �libis.

O �ltimo � diferente, vamos v�-lo juntos.

� uma mulher?

N�o parece ser.

- Transexual? - Fetichista, provavelmente.

Homem que se veste de mulher.

Vejam bem as roupas.

S�o as que encontr�mos na f�brica.

Isto liga a Marta diretamente �s roupas.

E este � o nosso principal suspeito.

Reconhecem-no?

- Com a peruca, n�o. - Nem eu.

Vou falar com estes. Talvez saibam quem ele �.

Os inform�ticos descobriram outra coisa.

N�o havia fotos nem v�deos no computador,

mas havia um e-mail enviado ao irm�o.

N�o h� Internet na pris�o.

Mas contrabandeiam sempre telem�veis.

Era assim que a Marta mantinha contacto.

O que diz o e-mail?

Que estava a fazer montes de dinheiro

e que pagaria a fian�a.

E um bom advogado, claro.

- Quanto era a fian�a? - Sessenta mil euros.

� �bvio que a Marta chantageou a pessoa errada.

O travesti ou o do cart�o de mem�ria em falta?

Ainda n�o sabemos.

Mas h� outra coisa.

A Marta usava muito o chat.

Com o irm�o, o Brais, a Rebeca

e com algu�m chamado dante78.

- Sabe quem �? - N�o.

Mas pelas conversas, � um homem.

� o �nico a quem a Marta contava absolutamente tudo.

At� que se prostitu�a para ajudar o irm�o.

Nem os melhores amigos sabiam.

O que est� a fazer?

Tenho a palavra-passe da conta da Marta.

Vou fingir ser ela.

E se o dante78 for quem a levou?

TENHO DE FALAR CONTIGO. � IMPORTANTE.

V�ndalos.

Nem tocaram nas caixas das esmolas. N�o � a primeira vez.

Porque h� gente m�?

Profanaram o corpo de Cristo.

Roubaram �gua benta.

Mas ser�o julgados por Deus pelos seus pecados.

N�o cometas o pecado da ira por causa deles.

- Bernab�. - Que foi?

Apanha isso, vou falar com o teu irm�o.

Est� bem.

Acho que o teu mau humor n�o se deve s� a isto.

Isso resolve-se.

Falaste com a Samanta?

- N�o. Convidei-a para jantar. - E?

Ela n�o veio.

E n�o sabes porqu�?

N�o sei.

Ligaste-lhe?

Ela n�o atende.

Vai procur�-la.

Ora bem,

queres perd�o?

� essa a penit�ncia. Como dizem os jovens:

vamos, mexe esse cu.

Um bocadinho mais abaixo.

Ora, ora.

Se n�o � o sacrist�o.

Onde est� a Samanta?

Porqu�? Deu-te a vontade agora?

N�o podes esperar?

Onde est� ela?

Liguei-lhe e n�o atende.

Podes ir.

Tirei-lhes os telem�veis.

A Guarda Civil fez perguntas e n�o quero surpresas.

Tenho de falar com ela.

Vou ser muito claro, Xabier.

� muito bom que lhe pagues para ir a tua casa.

E n�o me interessa se ela cozinha ou te faz um broche.

Mas quando tem clientes,

n�o pode ir contigo. Entendes?

N�o fa�as essa cara.

L� por ser mais velha e trabalhar no bar,

n�o significa que n�o fa�a outros servi�os.

- A quem? - "A quem?"

A quem pagar.

Relaxa, eu digo-lhe para te ir ver

quando n�o estiver ocupada.

Vai-te embora.

Vais matar-me, Eva.

Tive um furo e deixei o para-choques num sinal de tr�nsito.

E perdi a pulseira da m�e.

Passei a sa�da e n�o sei onde estou.

Vitaminas.

A minha mulher tamb�m as tomou quando a m�e dela morreu.

Sempre fui nervosa.

Costumava vomitar antes dos testes, na escola.

E como este caso � o meu primeiro...

Tem cuidado.

N�o ajudaram muito a Lu�sa.

Vou-me lembrar disso.

Alguma coisa dos tipos das grava��es?

Nada. Tr�s pobres coitados que tiveram dificuldade

a pagar � Marta.

Tr�s pobres coitados que pagaram por sexo

e que tra�ram as mulheres.

N�o s�o v�timas.

Todos os tr�s t�m �libis.

- E o travesti? - Nada.

� o Alberte.

Sim.

A caminho.

"�s a Marta?"

Isso quer dizer que n�o a levou.

Ou levou-a e quer saber quem �.

"Sou algu�m

que sabe o que lhe aconteceu.

Tenho de falar contigo."

�S A MARTA?

SOU ALGU�M QUE SABE O QUE LHE ACONTECEU.

"O que aconteceu?"

"Temos

de falar

pessoalmente."

TEMOS DE FALAR PESSOALMENTE.

"Porque est�s no chat da Marta? Quem �s?"

Temos de o conquistar.

"Sou uma amiga da Marta.

Ela falou-me de ti.

Tenho de te dar uma coisa."

"O qu�?"

"N�o sei.

Est� num envelope fechado.

Onde nos podemos encontrar?"

"Se te falou de mim, sabes onde estou."

"Ela n�o me disse."

"Disse-te o meu nome?"

"Tamb�m n�o."

"Ent�o deve ter tido uma boa raz�o."

Merda.

E isto?

Pelo outro dia.

J� fal�mos sobre isso.

Tu pagas-me e eu cumpro.

Pago-te porque precisas do dinheiro. Isto � porque quero.

Obrigada.

N�o sou como os outros clientes.

Eu j� n�o tenho clientes.

N�o foi o que disse o Vidal.

Isso foi um capricho de dois idiotas.

Foi horr�vel para mim.

- Fiquei enojada. - Quem?

- Que importa? - Quem?

- N�o posso, nem te... - Samanta!

- Esquece! - N�o consigo!

N�o gosto que fiques assim.

Se confias em mim, conta-me.

Se n�o, sai.

Nem te preocupes em pagar.

Samanta, olha s�.

Olha o que tenho.

Arranjei-o e n�o o vou vender.

Onde arranjaste isso?

- N�o sei. - N�o mintas!

N�o.

N�o!

Como pudeste roubar a igreja?

N�o!

Como pudeste roubar a igreja?

Deixa-me em paz.

Deixa-me em paz.

Vamos ver.

Eu acho

que n�o � como se me deixasses sair,

eu � que vos deixo a casa para voc�s.

J� falaste com a tenente da Guarda Civil?

Como � que ela �?

Parece inteligente.

Sabe ouvir e consegue o que quer.

Cheira bem aqui.

Algo de novo sobre a Marta?

Depois do que fez,

preocupas-te com ela?

Como � que sabes?

Faz parte do caso.

Que lhe fez ela?

Dormiu com o Brais.

E tu preocupas-te com ela?

N�o gostavas da Marta ainda antes disso.

Mas ela n�o era uma est�pida

como voc�s diziam. - Tu conhecia-la?

Dormir com o Brais n�o foi a pior coisa que fez.

Isso era o normal para ela.

Ela prostitu�a-se e chantageava os clientes.

Queria fazer dinheiro. N�o se preocupava com nada, nem contigo.

Foi por isso que acabou assim. Queres ir pelo mesmo caminho?

N�o imaginas os sacrif�cios que fazemos para teres um futuro melhor.

Insistes em deitar tudo a perder pela tua amiga

e por um tipo como o Brais.

V�s como eles agradecem?

Rebeca.

Porque �s t�o duro com ela?

Somos demasiado brandos.

Mas depois de tudo o que ela passou...

N�o comeces.

CLUBE P�TALAS

A Pamela?

N�o queres provar um champanhe diferente?

Para qu� mudar?

Vais ter de esperar um pouco.

Olha.

Ent�o gostaste e vens repetir.

Demoraste, n�o tenho muito tempo.

N�o podes c� vir todos os dias.

Liguei-te a tarde toda.

Merda.

Quando vieste como Guarda Civil, o Vidal passou-se.

Tirou-nos os telem�veis.

Quem estava a gritar?

A Vivi.

� nova. Est� ali atr�s.

� dif�cil para ela.

Ontem, estava com um cliente e vomitou-lhe em cima.

O chefe teve de mandar a Gloria para o compensar.

T�m algum cliente que se vista de mulher?

N�o que eu saiba.

Porqu�?

� o nosso suspeito.

Soubeste algo da �rika?

Gra�as a ti, identific�mo-la.

Tens a certeza?

Foi baleada.

Foi r�pido.

Foi esse cabr�o do travesti?

� poss�vel que a tenha matado, e outras tamb�m.

Vou tentar descobrir.

Boa.

Volto amanh�.

Vem quando quiseres.

Mas cuidado, Rosa, o Vidal � doido.

Se nos descobre...

Vou ter cuidado.

Vendem vinho aqui?

Vinho? N�o.

Bebidas e champanhe.

Ol�.

O que se passa?

N�o, nada. S� n�o estou habituado a ver-te assim.

Est�s...

... muito bonita.

Posso entrar?

Sim, claro. Entra.

Est�s muito bonita.

Obrigada.

Tem de ir para o frigor�fico.

N�o era preciso.

O jantar est� quase pronto.

Por aqui.

Tinhas de ver o Alberte a disparar contra os porcos,

como se fosse uma invas�o.

As pessoas assustaram-se.

H� quem lhe chame "talhante".

Gozaram muito com ele por causa dessa matan�a.

Mauro, passas-me o a��car?

Obrigada.

- Tudo bem, Lu�sa? - Como?

Sim.

Tens filhos?

N�o tenho.

J� pensaste nisso?

N�o tens alian�a,

mas deves ter um namorado.

A Lu�sa teria dado uma grande detetive.

Ningu�m resiste aos seus interrogat�rios.

Mas tens um namorado?

�s t�o bonita, deves ter muitos pretendentes.

Devo estar a fazer algo mal, n�o tenho namorado.

Est�s na Guarda por tradi��o?

A maioria tem liga��es familiares.

N�o.

Que estranho.

Porqu�?

�s da Corunha, certo?

O meu irm�o est� em Melilla

e era muito amigo do Mateo Vargas, tamb�m da Corunha.

A fam�lia � toda da Guarda Civil. Pensava que eram parentes.

N�o os conheces?

Andei na escola com a irm� dele, mas n�o sou do cl�.

Vargas � um apelido comum nessa zona.

E porque decidiste ser tenente?

Estudei Direito e achei que seria bom para arranjar emprego.

Que dizem os teus pais? N�o � f�cil

aceitar a vossa profiss�o.

E sendo mulher.

Eles t�m muito orgulho.

E os teus irm�os?

Seguem o teu exemplo? Ou n�o tens irm�os?

Tenho.

Tenho uma irm�.

Mas ela n�o gosta disto.

Irm�?

Tens de me dar a receita. � delicioso.

Claro.

Porque ter�amos segredos?

Eva.

Bernab�!

Bernab�!

N�o.

N�o.

- Deixa-me ir. - Bernab�.

N�o me batas, por favor.

- Bernab�. - Deixa-me ir.

N�o te queria magoar.

Tudo o que fa�o � por ti.

Sabes disso?

Sei que �s bom rapaz e que te esfor�as,

mas essa n�o � a parte dif�cil.

Dif�cil � diferenciar o bem do mal.

E para isso tens de confiar em mim.

Confias?

Confias?

Sim.

- Sim. - Toma um duche e come alguma coisa.

Est� bem. E...

... perdoas-me?

N�o, perdoa-me a mim.

CLUBE P�TALAS

GUARDA CIVIL

O que faz aqui?

Estava a usar o computador.

N�o tem um?

O que se passa?

� a Rosa.

- Ia ver o ficheiro dela. - Porqu�?

N�o confio nela.

� estranha.

Mentiu sobre a fam�lia.

Est� a virar tudo do avesso

e n�o para de tomar antidepressivos.

Ent�o toma comprimidos.

Press�o arterial,

vitaminas...

... diur�ticos,

dor de cabe�a

e para dormir.

E depois?

Tamb�m me vai investigar

se esconder algo sobre a minha fam�lia?

N�o gosto como ela nos trata, como se nos desse ordens.

Ela � sua superiora.

E est� a ajudar-nos a descobrir as merdas

que t�nhamos debaixo do nariz.

Tenho mais quatro dias na Guarda e quero resolver isto.

Vamos ajud�-la com tudo o que ela quiser, entendido?

Em breve estar� no comando.

Tem de aprender a confiar nos colegas.

E a Rosa � uma Guarda Civil,

tal como voc�.

N�o fique obcecado com ela.

Temos um novo relat�rio forense.

Encontraram algo.

APAGAR

O que fazes, Rebeca?

Nada.

Ainda bem,

porque hoje � o teu dia de sorte.

Tenho uma boa c�mara

e o s�tio perfeito para uma sess�o.

Com maquilhagem profissional, luz e tudo.

- Num est�dio? - Improvisado, sim.

Mas as fotos v�o ficar incr�veis.

Tirei estas � minha prima e ela n�o � bonita como tu.

Parecem fotos de revista. Est�o muito boas.

As tuas v�o ficar melhores.

Achas mesmo?

E o meu primo pode mostr�-las em ag�ncias.

Que v�o lutar por ti, vais ver.

N�o sei, David.

Vamos, Rebe, vai ser divertido.

De certeza.

Mas com tudo o que se passa, n�o me apetece.

Como queiras.

Fica nesta vila e faz o papel da que foi tra�da com uma mi�da desaparecida.

Anda l�, Rebe.

Irrita-me que n�o saibas o quanto vales.

Mereces melhor que o Brais.

E que isto.

Tudo bem, talvez noutro dia.

David!

A que horas?

Encontraram impress�es digitais parciais

que n�o temos na base de dados.

MALA ROUPAS

Tiraram ADN das manchas de sangue. Pertence a mulheres.

Tamb�m tiraram ADN da n�doa de batom, mas, aten��o,

� de um homem.

Sabemos de quem � o ADN?

N�o. N�o est� em nenhuma base de dados.

Como podemos ajudar?

O relat�rio qu�mico indica tinta vermelha.

Est�o a analis�-la para saber de que marca �.

Isso � poss�vel?

Sim, e pode-se descobrir de que lata veio.

Que mais?

Na mala e nas roupas h� vest�gios de tetraborato de s�dio,

paraformalde�do e formol.

- Para que serve? - Para curtir peles.

N�o h� curtumes na vila.

H� outra coisa.

O que julg�vamos ser uma joia suja

era afinal um olho artificial.

Alguma mulher s� tinha um olho?

N�o � humano, � animal.

Como os taxidermistas usam, tal como os qu�micos.

Algu�m que disseque animais?

O meu dentista, o Xacobe D�az.

Temos um suspeito.

S� h� um problema.

O neg�cio corria-lhe mal e suicidou-se h� quatro meses atr�s.

Est� morto.

Sonia, � a Tenente Vargas.

Estamos a ajud�-la com um caso.

� sobre a f�brica?

Todos falam sobre isso.

Temos algumas imagens que podem ter sido gravadas h� algum tempo.

Quando o Xacobe estava vivo.

� desagrad�vel, mas precisamos que nos diga

se esta pessoa � o seu marido.

O que � isto?

O homem disfar�ado � o seu marido?

Claro que n�o.

Que � isto, Alberte?

Pensava que �ramos amigos e vens-me aqui insultar.

Calma, Sonia, � s� uma pergunta.

E se as pessoas sabem que vieste manchar o nome do meu marido?

E os meus filhos?

Os vizinhos?

Ajudaste-nos muito quando o Xacobe partiu.

Conhecia-lo bem.

Como podes achar que faria tal coisa?

�s vezes, temos de fazer perguntas dif�ceis.

Mesmo que n�o seja ele, pode ser um amigo dele,

ou um cliente.

N�o da cl�nica, mas dos animais.

Aquelas criaturas.

Quem me dera livrar-me delas.

Mas n�o tenho coragem.

Reconhece a mala?

Falta-lhe um olho e tem tinta vermelha.

Eu sei que a Sonia est� a mentir...

... mas n�o vai admitir nada � sua frente.

Deixe-me falar com ela. Depois ligo.

Mantilla, e os documentos do Montero?

Est�o quase prontos.

A reuni�o � esta semana.

Tens de rever os resultados trimestrais.

Sim.

Ol�, Montero. Sim.

Estou?

Desculpe n�o ter trazido a D�ri,

tenho estado ocupada.

A minha filha quer ver a cadela e...

Come�ou a achar que raptou a D�ri. Sabe como s�o os mi�dos.

Est� algu�m em casa?

Certo.

O que foi?

Queria fazer-lhe uma pergunta estranha.

H� quanto tempo tem essa buzina?

Desde sempre.

Para que os clientes nos reconhe�am.

Assim sabem que sou eu e v�m buscar o p�o.

Onde faz as entregas?

Na vila toda e nos arredores.

- E h� dois anos atr�s? - Tamb�m.

Reconhece-a?

N�o, lamento.

Mais uma coisa.

Importa-se que a siga?

Tirei a foto no ver�o passado.

Est� crescida.

� t�o bonita.

D�-se bem em Vigo?

Sim. Elas adoram a praia.

Para mim � pior, vejo-as poucas vezes.

- Como est�o os teus filhos? - Bem.

O mais velho est� na faculdade?

De veterin�ria.

Sempre gostou de animais.

Discutia sempre com o pai por causa da ca�a.

Sabes que n�o te quero magoar.

O caso n�o � nosso, � da Pol�cia Judici�ria.

S� os quero ajudar,

e eles j� descobriram muito.

Alberte, n�o me fa�as isto.

S� te quero ajudar.

Encontr�mos impress�es digitais.

O juiz vai dar ordem que sejam comparadas �s tuas e �s do Xacobe.

E a� vai saber-se tudo.

Mas se me contares tudo, serei discreto

e ningu�m te chatear�.

Preciso de saber o que aconteceu.

E prefiro que me digas

do que ver a tua casa cheia de pol�cias e rep�rteres.

Sonia, deixa que te ajude.

� t�o embara�oso.

Nem sei por onde come�ar.

N�o sabia dos passatempos do meu marido.

Mas um dia atrasou-se para jantar...

... e presumi que estivesse com os bichos.

Fui at� ao barrac�o.

Encontrei-o ali.

Todo vestido e maquilhado, como um infeliz.

Com um saco na cabe�a e a m�o no...

Foi assim que ele se matou.

Que o meu marido...

... o pai dos meus filhos fizesse essas coisas...

O que fizeste tu?

Tirei-lhe o saco da cabe�a.

Despi-lhe...

... o vestido e...

... outras roupas que l� tinha.

Pus tudo numa mala, que deixei na f�brica antiga.

E disse a todos que foi suic�dio.

� melhor

do que a verdade, n�o?

Achas que ele magoou algu�m?

N�o a que estamos � procura,

ela s� desapareceu h� alguns dias,

mas as mulheres a quem essas roupas pertencem...

... n�o sei.

N�o te preocupes, vou ser discreto com isto.

Vais matar-me, Eva.

Tive um furo e deixei o para-choques num sinal de tr�nsito.

E perdi a pulseira da m�e.

Passei a sa�da e n�o sei onde estou.

No meio da floresta.

H� uma esp�cie de armaz�m vermelho.

E pain�is publicit�rios.

Que devo fazer? Ligar ao seguro, � oficina?

H� uma esp�cie de armaz�m vermelho.

E pain�is publicit�rios.

Que devo fazer? Ligar ao seguro, � oficina?

H� uma esp�cie de armaz�m vermelho.

E pain�is publicit�rios.

Que devo fazer?

Sim, Alberte.

Vou a caminho.

Conseguiu que lhe contasse tudo?

Sim, mas teremos de ser discretos.

N�o se preocupe.

Ela disse de onde v�m as roupas?

N�o sabe.

E os sapatos?

A Sonia disse que eram dez pares de sapatos e dez conjuntos de roupa.

O que fez com eles?

P�-los num saco e deixou-os com a mala.

N�o estavam l�.

Algu�m os deve ter levado.

Acha que o Xacobe matou as mulheres?

N�o consigo imaginar tal coisa.

Mas tamb�m n�o o imaginava como travesti a ter sexo com mi�das.

E quando encontrarmos o respons�vel por isto tudo,

vou ficar surpreendido que algu�m assim tenha vivido entre n�s.

A carrinha do Xacobe.

Ningu�m lhe tocou desde que morreu.

N�o dev�amos levar nada da cena do crime.

Acho que reconhe�o isto.

Uma carpintaria?

N�o sei.

Tira o casaco.

Muito bem.

Vamos ver o que tens.

De tudo um pouco.

O que achas?

Est� bem.

� bonito.

O que foi?

V�s roupas assim nas revistas de moda?

Pois.

Um pouco mais decotado?

Um pouco mais sexy.

- Isso sim, vende. - Certo.

Gostei deste.

Queres entrar num cat�logo que venda batas?

Deixa comigo.

Veste isto.

J� n�o me serve.

Serve sim, veste-o.

Toma.

CHAMADA RECEBIDA

- Que fazes aqui, Xabier? - Vamos.

- Que fazes? - Vem comigo.

- O Vidal n�o quer... - Que se foda o Vidal.

Que se fodam todos.

Nada em carpintarias nem em empresas de constru��o?

Obrigada, Alberte.

Se me ocorrer algo, ligo-lhe.

At� logo.

Depois de comermos, levo-te aos donos.

Os ovos que me deu tinham estas aparas.

S�o para as galinhas.

Galinhas?

� do melhor para criar galinhas.

Protege-as da humidade e do frio.

Muitos usam cascas de arroz por ser mais barato, mas as aparas de madeira...

Onde as arranjou?

Onde? Na quinta.

N�o me deixam entrar por causa do banco.

Mas eu vou na mesma.

N�o � crime?

N�o.

Onde fica a quinta?

Porqu�?

Vai fazer algo acerca do meu problema?

Mais ou menos.

Boa tarde.

Dois entrecostos.

Queres no ponto?

Um no ponto e outro malpassado.

J� a seguir.

Que fazes, Xabier?

N�o te volto a pagar. Se quiseres dinheiro, pede.

Disseste que me querias fazer feliz,

mas que a tua felicidade n�o importava.

S� estou feliz se tu estiveres.

N�o te importas que nos vejam juntos?

Queres uma entrada?

Onde aprendeste isto?

Com o meu primo.

Estamos prontos.

Vamos ver.

Estou nervosa.

Uma coisa � tirar fotos por a�,

outra � nesta luz e roupas.

Esquece isso e relaxa.

Isto pode ajudar-te.

Est� bem.

Ol�, querida.

Uma cerveja.

Mais uma.

E esta?

Perfeita.

Muito bem.

Vamos tentar algo mais ousado.

Um fato de banho?

N�o.

Tira a camisa.

Com o soutien.

Anda l�, � como um biqu�ni.

Est� bem.

� isso. Muito bem.

Estou bem?

�tima. Est�s t�o bem,

que vamos experimentar algo mais art�stico.

Tira o soutien.

CHAMADA RECEBIDA

Tens de decidir.

N�o sou entendido,

mas isto parece pertencer a um culto sat�nico.

H� velas e outras coisas da igreja.

Foste tu?

� melhor colaborares.

N�o vou, porque n�o o fiz sozinha.

N�o conhecem o poder de Sat�.

E como a sua escurid�o est� enraizada nesta vila.

� por isso que est�s assim?

Reconheceste os tipos no restaurante?

- Jura por Deus. - N�o invoques o nome do Senhor em v�o.

"N�o adorar�s outros deuses."

Xabier, por favor.

A Marta pediu-te para guardares algo?

- Um cart�o de mem�ria? - N�o.

A Marta n�o te contou onde guardava coisas secretas?

V�s como seduzes a c�mara?

Quero que v�s imediatamente.

Ana, isto � perigoso.

N�o vou at� encontrares o assassino.

Legendas: Mariana Lima

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