All language subtitles for While.At.War.2019.720p.BluRay.x264.AAC5.1-[YTS.MX]

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Um filme de

ENQUANTO A GUERRA DURAR

- Vamos, vamos! - Depressa!

Apresentar...

armas!

Atenção!

Hoje...

dia 19 de Julho de 1936,

é declarado o "Estado de Guerra" em Salamanca...

e, com a ajuda de Deus,

em toda a Espanha!

Artigo primeiro:

É proibida a formação de grupos com mais de três pessoas...

nas vias públicas!

Quem desobedecer...

- será prontamente removido... - Vamos!

...pela força!

- Já era tempo! - Artigo segundo:

- Traidores, filhos da puta! - Viva Espanha!

- Viva a República! - Viva Espanha!

A República!

...dentro de 12 horas...

os proprietários de armas de fogo curtas e longas...

e de substâncias explosivas...

devem entregá-las nos postos da "Guardia Civil"...

- no domicílio dos seus proprietários! - Viva a Revolução Social!

- Viva a República! - Fascistas!

Após esse prazo, aqueles que as detiverem...

- serão considerados insurrectos! - Fascistas!

Artigo quarto:

É estritamente proibido aproximarem-se...

sem razão justificada...

dos cabos da rede eléctrica!

Artigo quinto:

Serão submetidos à minha apreciação,

e como requisito indispensável para circular, três cópias...

Fascistas!

Casto Prieto, você está preso.

Do que acusam o meu marido, hum? De quê?

Cale-se, senhora!

- Sequestrais o Alcaide! - Olhe que vai presa!

- Canalhas! - Basta!

Canalhas!

Avô!

Avô!

As tias mandaram-me avisar-te.

Do quê?

...quem deseje apoiar o movimento de Salvação da Pátria...

as inscrições para doações serão abertas a partir de amanhã.

Todo o esforço é pouco em momentos tão decisivos.

Repetimos a seguir o pedido, emitido à duas horas atrás...

pelo nosso capitão, Don José...

- Mas papá, para onde vais? - Não ouves os tiros?

Papá, por favor!

Onde está a boina?

Don Miguel, que tal uma partida de cartas?

A boina?

A aqui a tem.

Se saíres, eu vou contigo.

Não, filha. Tu ficas.

Fechem a porta e não a abram a ninguém.

Avô!

Miguelím, vai para dentro!

Boa tarde.

É o... Viste quem era?

- Miguel de Unamuno! - Sim, o escritor!

- Boa tarde. - Também ouviu?

Sim, sim. Chama o teu marido.

Já saio, Don Miguel, já saio!

Atilano, por favor, tem cuidado!

Claro que sim, Enriqueta, claro que sim!

Vamos sair hoje?

Hoje, é arriscado.

Então não venhas. Vamos, Atilano, que se faz tarde.

Esperem, esperem por mim!

Ali.

E o outro caiu ali.

Bem, eu não vejo sangue, Salvador!

- Atilano, pelo amor de Deus! - Não blasfemes!

Cinco mortos!

- Cinco. - E os outros não dispararam?

É claro, os comunistas e os sindicalistas são uns inocentes!

Não comeces com isso!

São eles os que incendeiam as igrejas e os conventos,

Salvador, olha que não estou a inventar nada!

Sabes lá tu, que nem católico és!

Sim, sou protestante,

mas aqui em Espanha,

a fé em Cristo foi atacada.

Como na Rússia, sim ou não, Don Miguel?

Prefiro guardar as minhas opiniões para os jornais.

Tenho uma entrevista dentro de meia hora.

Bem...

Mas, já vai?

Por que nos fez sair de casa?

Para tomarmos café, como é hábito.

E não vai dizer nada?

Sobre o quê?

Miguel, estão a atacar a República.

Salvador, meu rapaz,

há quantos anos me conheces?

Queres mesmo que eu te fale da República?

Deixo-te a chávena.

E um burro.

UNIVERSIDADE DE SALAMANCA

UNIVERSIDADE DE SALAMANCA E assim acabei em Fuerteventura, banido,

por querer mudar as coisas.

E, quando finalmente mudaram,

quando finalmente nos livramos do rei...

e chegou a tão esperada e sonhada República,

nem ordem, nem paz, nem pão, nada...

E depois, há ainda o estatuto da Catalunha...

o qual eu aprovei nas Cortes, mas não para dividir a Espanha.

Diga.

Não! Não, não, absolutamente...! Não, senhor!

Eu não traí em nada a República!

A República é que me traiu a mim!

E, estranhamente, ainda a amo!

É por isso, que isto é necessário...

para voltar a pô-la nos eixos!

Desculpe, mas não pode entrar!

Sr. Reitor!

Bem, agora tenho que o deixar.

E escreva isso bem, que vocês os jornalistas, aniquilam o Castelhano.

Tenho dito. Adeus.

Eles levaram-no, Dom Miguel.

Sem acusação, nem explicações!

Só por ser o Alcaide e socialista.

E quantas vezes disse eu que isto poderia acontecer?

A todos vocês. Eu não vos avisei?

Agora temos que colaborar.

Colaborar com quem?

Com os sublevados?

Antes a morte, digo-lhe!

A morte!

Um país inteiro disposto a morrer por ideias políticas!

E diz-me você isso...

quando nunca se calou? E diz-me isso?

Olhe, Ana...

sobre esse assunto nada posso fazer.

Bem, se necessário, posso dar-lhe dinheiro.

Dinheiro?

Enquanto o Casto está na prisão.

Isso se não o matarem antes!

Aí, você veria!

Veria se lhe levassem os seus.

- Senhora, por favor! - Aí, saberia o que sinto!

Mas, que barbaridade!

Assim vai Espanha, Ramos.

PROTECTORADO ESPANHOL EM MARROCOS

Vinte aviões Junkers a atravessar o estreito, dia e noite.

Uma ponte aérea para as suas tropas.

Viva Hitler!

Heil Hitler!

- Heil. - Nunca se fez nada assim.

Deste modo, ajudamos os nossos irmãos,

empenhados em salvar a República do comunismo.

Transmita a Berlim a nossa imensa gratidão.

Traga limonada para os senhores Alemães.

Sim, meu general!

O Führer está preocupado com a morte do general Jan...

- San... - Sanjurjo.

E quer que vocês nomeiem...

um novo chefe o mais rápido possível.

A chefia é agora exercida por um conselho...

de defesa em Burgos que toma as decisões por consenso.

Vocês não podem vencer sem um chefe.

O Führer poderia retirar-vos...

o seu apoio.

Fez aquela cara novamente, como se não estivesse a perceber.

Às vezes penso que goza connosco.

Estes alemães devem continuar a ser espremidos.

Como limões.

E aquilo do chefe?

Veremos se não nos fecham a torneira, meu general!

Paco, tens que avançar agora.

Não...

Vamos, em duas filas da direita para a esquerda!

Artigo 1º: Fica revogada...

a lei aprovada a 30 de Setembro de 1934.

Don Miguel de Unamuno é assim demitido como reitor vitalício...

da Universidade de Salamanca e afastado de todos os cargos e funções.

Queres esconder esse jornal.

Porquê?

Porque veio de Madrid, tonta!

É assinado pelo Azaña.

Isto põe-te na rua.

- Está mal escrito, como sempre o fez. - E a caricatura?

Olha avô, está mal escrito.

"Deslarguem-no", que está senil.

Sim!

Atacam. Os vermelhos atacam-me.

E sabes porquê, certo?

Pelas 5000 pesetas.

Menina, eu fiz essa doação aos militares...

A fascistas, papá! A fascistas...

E deu-lhes o seu salário de seis meses.

A militares que cumprem os seus deveres para com a República.

Se lessem os meus artigos nesta casa!

- Eu leio-os. - Tu, come e cala-te.

Com a minha idade, irás perceber.

Sim, é isso, são coisas da idade.

- Quem? - O Casto.

O nosso Alcaide? Mas se está preso, Salvador. Preso!

Jaz numa vala com um tiro na cabeça. Viu-o o leiteiro, a caminho de Valladolid.

E porque devemos nós acreditar num leiteiro?

Lá vamos nós, novamente!

E os tiros ouvidos esta manhã? Por aqui andam a matar pessoas.

Caçadores furtivos.

E acredita mesmo nisso?

A única coisa que realmente importa, cavalheiros...

é que aqui ninguém aboliu a República.

Tenho dito.

Claro, para quê complicar?

Desde que não se mexa na bandeira...

no café e nas suas figurinhas de papel, está tudo bem.

Salvador...

Como você mudou!

O que queres dizer?

Olha rapaz, eu não mudei.

Já alguma vez me calei?

Bem, pois agora tem andado mudo.

E a dormir, pois não falha uma sesta.

Salvador, toma tento.

Ouve-me isto.

Eu quando durmo, estou mais acordado do que vocês.

Porque não te passas para a zona vermelha...

- para o lado do Azaña? - Don Miguel...

Como ele me demitiu...

- dizes-lhe... - É isso que o pica!

- Senhores... - E dizes-lhe...

que para o bem de Espanha, que se demita ele.

Ou melhor, ele que se mate!

- Como o Balmaceda no Chile. - Não diga uma coisa dessas!

- Claro que digo! - Como cristão, isso nunca...

Eu sou "Unamuniano", e digo o que me dá na gana.

Bem, eu como cristão, não o posso consentir.

Se te ofendes tanto, com o que foi aqui dito...

porque não voltas para a tua igreja?

Onde nada muda, Atilano.

Há muito tempo que te quero dizer isto.

Sabes o que tu és? Um anjinho.

Sim, sim!

Um anjinho!

Não, não! Atilano, não!

Essa podia ter sido evitada.

Apenas frisei que ninguém me cala. Nem ele, e tu ainda menos.

Mas que trio fazemos nós!

Deveríamos estar na Frente a dar uns tiros.

Caçadores, é?

ESCOLA DA IGREJA EVANGÉLICA

Boa tarde, Enriqueta.

Boa tarde.

O Atilano está?

- Não estava convosco? - Bem, sim...

Deve estar lá dentro. Eu chamo-o.

Não, não, não!

Não é preciso. Diz-lhe apenas...

que o espero amanhã no café Novelty, como sempre.

Claro, esteja descansado!

Mas queria mais alguma coisa?

Eu não, não, nada.

Isto é tudo.

Adeus, adeus.

Adeus.

"A dormir", dizia o outro!

A dormir, eu...?

Preguiçosos!

Criminosos!

Delinquentes!

Era como vos chamavam! Mortos em vida!

Mas eu recolhi-vos,

e recebi-vos de braços abertos!

Bem, com o único que me resta.

Ofereci-vos uma oportunidade,

uma vida nova...

de Senhores!

Por isso deveis morrer novamente, se preciso for!

Senhores legionários,

...viva a morte!

Viva!

Viva Millán-Astray!

Eles querem-me como a um pai.

Eu digo mais: Estes e os outros,

os vermelhos. Todo o mundo me quer.

Até os catalães me querem!

Rapazes...

morrer em combate, não existe maior honra!

E morrer a cantar!

♪ Sou um homem a quem o destino... ♪

♪ Marcou com garra matreira... ♪

♪ Sou o prometido da Morte... ♪

♪ Que se unirá em vínculo forte... ♪

♪ A tão leal companheira! ♪

♪ E quanto mais forte for o fogo... ♪

♪ E mais feroz a luta for, ♪

♪ Em defesa da sua bandeira... ♪

♪ O legionário carrega de novo... ♪

QUARTEL-GENERAL DE FRANCO CÁCERES

Viva o "Glorioso Mutilado"!

Viva! Viva!

Esse, sou eu!

Pepe...

Pepe, não te vais pôr a chorar?

Anda.

Que tal estava a Argentina?

Eu, Paco, eu...

ouvi como a uma voz...

que me dizia: "A mim, a Legião!"

E sabia que eras tu!

E aqui me tens,

pronto a vestir a farda de serviço!

Onde está a Carmen e a miúda?

Essa informação não está disponível nem para um irmão.

Não se fala mais nisso!

Avançamos 25 km por dia.

Espera...

É que assim, vejo melhor.

Sevilha...

Mérida...

Badajoz...

Paco, tinhas que vir tu de África,

para nos salvares a pele.

Porque essa Junta de Burgos...

- Não digas isso. - Sim, homem!

É que tu és muito recatado.

Olha Paco, que faço eu?

Olha, aqui o sangue já corre,

mas, como sabes, precisa de ser publicitado.

Aqui.

Propaganda.

Conta comigo.

Rapidamente tomaremos Madrid. Xeque aos vermelhos e depois o Mate.

Bom!

E queres vê-lo, não é?

Desculpe-me, meu general.

Não! Não há problema.

Podes ver.

Sem pressa.

Mais perto, mais perto.

Isso, chega-te mais perto.

Olha bem!

Vê bem.

Anda, serve.

...coloca Don Miguel de Unamuno...

entre os mais proeminente sábios de Espanha...

e do Mundo...

O seu prestigiado trabalho literário e filosófico é sobejamente conhecido.

É por isso...

que a sua fervorosa adesão à nossa luta sagrada...

nos enche de orgulho...

e nos força a não actuar com desdém.

Assim,

e contra aqueles que pretendem tirar...

o que não foi por eles, mas por Deus concedido,

e como presidente da Junta de Defesa Nacional...

passo a decretar:

Artigo único:

Don Miguel de Unamuno é reintegrado...

como Reitor vitalício da Universidade de Salamanca.

Ninguém mexeu em nada.

Sabíamos que a anulação era só uma questão de dias.

Eu também.

E isto?

São os relatórios.

Que relatórios?

Não lhe disseram?

Pois não.

Como Reitor, é agora o presidente...

da Comissão Provincial de Censura.

Mas que estupidez! Eu não sou juiz nem fiscal.

Quem irei eu censurar?

Então, também nada sabe sobre o manifesto.

Para as universidades do mundo.

Seriam algumas palavras suas de apoio à sublevação.

A propaganda é com os militares. Isto é uma instituição de ensino.

Sim.

De facto, a propaganda está agora a cargo do general Millán-Astray.

Quem? O mutilado que berra mais que o Mussolini?

É esse, quem nos dá ordens?

Pois que me exonerem de novo.

Se não suportei o rei, muito menos suporto estes.

Só teria que o assinar. Eu próprio elaboro o documento.

Olhe Ramos, faça o que quiser,

mas eu não vou passar à História como um Judas.

Tire-me esses papéis da mesa!

Don Miguel!

Entre, por favor.

Boa tarde.

Passa-se algo com o teu marido?

Não sei, como não foi ao café...

Na terça-feira, quando cá esteve, ele não apareceu mais.

À noite fui à Guardia Civil e disseram-me que o iam interrogar.

Ao Atilano?

Mas mulher, isso foi há três dias!

Porque não me disseste nada?

Don Miguel, eles vão libertá-lo! Lá irão perceber!

Perceber o quê?

Bem, que estavam enganados!

Ou não?

O que lhe queria?

O quê?

Quando o veio procurar. Por alguma coisa foi, certo?

Algo que você sabia...

Não, nada, não. Um disparate.

Coisas nossas.

Coisas nossas!

Será porque nesse dia se envolveu em coisas de política?

Na política, andamos todos, e você foi o primeiro.

Hum! Não sei, não sei...

Meteu-se em alguma estupidez, ou loucura!

Agora por Madrid...

e por Barcelona! Viva Espanha!

Viva Espanha!

O Atilano, numa loucura?

Ele não faz mal a ninguém!

Devemos ir ao município ou melhor, ao governo central.

Que nos dêem uma explicação!

E acha que lha dão?

A mim, claro.

Porquê? Porque é o Miguel de Unamuno?

Veja o García Lorca!

Não, isso são boatos! Boatos espalhados pelo outro lado!

Miguel, desça à terra imediatamente!

Ao García Lorca deram-lhe dois tiros.

Não, não, não!

Foi dito pela BBC.

Pela BBC?

Sim.

Não vê que isto não é um regresso à Ordem?

Isto é o Fascismo! Como em Itália e na Alemanha!

Vamos.

Onde?

À Universidade.

Um momento!

Você é o Unamuno?

Sim, porquê?

O verdadeiro Unamuno?

Sim. Que se passa?

Que foi que vos disse? É uma honra! Dar-me-ia...

- um autógrafo? - Sim.

Por favor, Salvador.

Dedicado ao Gregorio Aparicio, se não se importa.

Para que queres tu isso se não sabes ler!

Cala a boca! O Sr. é muito famoso!

Este ano, quase recebeu...

- o prémio Nobel da Literatura. - Aqui tem.

Muito obrigado!

O Sr. é um orgulho para todos! Viva Espanha!

Viva Espanha!

Vêem?

Ramos, onde os colocou? No meu escritório, não estão.

O quê?

Os relatórios da Comissão.

Mas se me disse que...

Sr. Reitor, a si não há quem o perceba, pois não?

Já mo tinham dito.

- Quem? - A minha mulher. Ande, ande!

Não pode ser.

O quê?

Alfredo Velarde. Este rapaz foi meu aluno.

Preso por se inscrever...

num sindicato.

Veja este.

Detido por não ir à missa.

Bem, podíamos ser nós.

Aqui está.

Atilano Coco.

Sim, mas o que tem de mal?

Foi em Inglaterra, quando foi ordenado pastor.

Lá, isso é normal. Até o rei é.

Vai tocar o recolher. Temos que ir.

Até há muitos generais.

Don Miguel, agora já não percebo nada.

Papá, tu não podes fazer nada.

Se o Atilano é maçom, é culpa dele.

Felisa, sabes lá o que é a Maçonaria?

Não sei nem me interessa. Não deve ser nada de bom.

Não é razão para se prender alguém.

Então porque o fizeram, Maria? Diz-me?

Por causa de um mito.

O de que os Judeus, por não terem pátria,

quererem ter a sua vingança...

conspirando assim a destruição das outras nações.

Os seus aliados seriam os maçons...

e os comunistas.

Uma conspiração judaico-maçónica-marxista.

Mas quem acredita nisso?

Canalhas!

Miseráveis!

Infâmia!

Isto é uma infâmia!

Vamos ficar aqui...

a ver esta escumalha inimiga de braços cruzados?

Com licença, meu general.

A sua esposa e filha chegaram.

Por Deus!

Diga-lhes que esperem.

- Sim, senhor. - Uma infâmia!

Temos que ir lá e enfrentá-los!

Viva o Alcázar de Toledo, porra!

Nós não podemos intervir.

Isso atrasaria a nossa entrada em Madrid.

Em alguns dias, nada mais.

O suficiente para a Rússia ajudar os vermelhos...

e isto passar a ser, uma guerra de anos.

Paco...

Temos mil dos nossos ali.

Pepe,

o Alcázar não é uma prioridade. Não insistas.

O Alcázar não fica em caminho.

Disciplina, isso é o que importa.

Mamã, posso tocar piano?

Um chefe, não dos que só lêem jornais, como o Cabanellas.

Eu sei como resolver isso.

Vamos a Burgos dizer a essa Junta...

que agora quem manda é o general Franco!

Saia.

Sim, meu general.

Você também.

Sim, meu general.

Não posso pedir o comando como quem pede uma sopa.

Não tenho apoios suficientes.

O que se passa é que tu és muito moderado!

Talvez convocando uma reunião com outro motivo...

Uma vez lá, e com muito tacto...

Tacto, que tacto!

Dá-se um murro na mesa e basta!

Chega, Pepe!

Pões-me a cabeça em água!

Eu não tenho apoios, porra!

Ficou chateado?

Nicolás, tu és irmão dele.

Afinal quer ou não quer?

O que ele não quer é dar um passo em falso.

Paco.

Saia.

Este palácio não tem capela.

Mulher, a cavalo dado...

Sabes o quão importante é rezar. Agora mais do que nunca!

Sim, pensarás tu que eu ganho as batalhas só porque tu rezas.

Nós vamos descansar.

Anda, boneca.

Não te zangues mulher. Verei o que posso fazer.

- Adeus, papá. - Adeus, minha vida!

- Soldado - Sim, meu general!

Retire a bandeira da varanda e hasteie esta.

O que foi, não a reconhece?

Claro, meu general, é a "Monárquica".

A bicolor.

A de sempre.

Aproxima-se um sargento...

Eu abro e leio:

Parabéns pela sua quarta gloriosa ferida. Stop.

Estou ansioso pela quinta. Stop.

Alguém a sabe com a letra?

- Qual, meu general? - A da "Marcha Real"!

Eu sei a do maestro Marquina.

Então anda,

que se faz tarde!

♪ Glória, glória, ♪

♪ Orgulho da Pátria, ♪ ♪ Soberana luz, ♪

♪ Que é ouro em teu Pendão. ♪

- ♪ Vida, vida... ♪ - ♪ Viva Espanha! ♪

♪ Futuro da Pátria... ♪

♪ Do povo espanhol, ♪

♪ Que volta a ressurgir... ♪

♪ Púrpura e ouro... ♪

♪ Bandeira imortal... ♪

♪ Em tuas cores, juntas, ♪

♪ Carne e alma estão... ♪

♪ Púrpura e ouro: querer e lograr ♪

♪ Tu és bandeira, ♪

♪ O signo do humano afão. ♪

♪ Vive, Espanha, o teu nome será... ♪

♪ Levado aonde queiras... ♪

♪ Sobre o azul do mar... ♪

♪ O caminhar do sol. ♪

E amanhã, o mesmo em Sevilha.

Assim se cativam os monárquicos, e que não são poucos.

Sim, já dizia o Sanjurjo:

Franquito, esse manhoso, que anda sempre a fazer das suas.

Revoltei-me para limpar a República, porra!

Não foi para trazer de volta o rei!

A República não tem salvação, meu general, connosco ou sem.

E o que você sugere? Que cada um faça o que quer?

Parecemos os vermelhos!

Façamos como o Franco. A "Monárquica" hasteada nas nossas praças.

Agora fala-se de unidade, mais tarde, veremos.

Depois...

reunimo-nos a todos, onde quer que seja...

Mas todos!

Já chegaram.

Miguel?

Veja!

O Cabanellas,

o Mola...

e o que cumprimentaram é o Franco, o de África.

A Junta completa.

E não estão só de passagem. Estão a planear algo.

Sr. Reitor.

Sim, toma.

Vou até lá.

Então, que propõem vocês?

Sr. Unamuno, finalmente, o saúdo pessoalmente!

- Bom dia, general Cabanellas. - Senhores...

eis o maior escritor de Espanha, Don Miguel de Unamuno.

Não, não diga isso.

Queria agradecer-lhe pessoalmente por me readmitir...

- como Reitor... - Mais faltaria!

Deixe-me apresentá-lo.

- O General Mola. - Prazer.

- Igualmente. - O General Kindelan.

- Muito prazer. - O General Franco.

- Prazer. - É uma honra conhecer...

- tão distinto espanhol. - Obrigado.

O General Millán-Astray.

- O "Glorioso Mutilado". - Prazer, muito prazer.

Bem...

já que estamos todos, sabiam que eu sou o presidente...

- da Comissão de Censura? - Sim, um bom cargo.

Obrigado. Bem, como tal, queria revogar uma detenção.

Como diz?

Sim, a de um bom amigo, o Atilano Coco.

Sim, mas agora não pode ser.

Não? Então, e quando?

Não se preocupe, Don Miguel.

Analisaremos o seu caso. Como disse que ele se chamava?

- Atilano Coco Martínez. - Senhores...

preciso que posem para a foto.

Venha, Don Miguel.

Sr. Unamuno...

lembra-se de quando escreveu para aquele semanário,

"A Luta de Classes"? Uns pequenos artigos!

Sobre a luta dos trabalhadores, e um tal clero atávico...

Isso foi na minha juventude.

Há já muitos anos que deixei o socialismo.

Bem, não faz muito tempo, que chamou aos meus legionários

"brutamontes" e "corta-cabeças".

Eles, que com tanto esforço tentam levantar a cabeça...

e vai você e arrasta-os pela lama.

Às vezes, passo dos limites.

Bem, veja...

agora é a altura de cada espanhol,

como bem sabe, emendar os seus erros...

e abraçar esta Causa.

Digo isto, por causa do manifesto que me disseram não querer assinar.

- Aqui o tem. - Olhem para a câmara...

Não se mexam, por favor...

A minha mulher admira-o muito.

- Desculpe? - Mais uma, ainda...

Que a minha mulher o admira muito.

Que parga de imbecis!

Então, e...

Eles vão analisar!

E o que lhe disse o Franco?

- Quem? - O Franco!

O de África? Esse é desgraçado!

Caímos na sua armadilha.

Como?

Ele quer falar sobre "poder".

É isso o que ele quer: o Poder. Vocês não o conhecem como eu.

Esse fá-las pela calada!

Bem, vamos alinhar, Cabanellas.

E quando ele nos der Madrid, mandamo-lo para casa.

Franquito, o manhoso!

Eu, como vocês sabem, não vejo isso como urgente.

Isso do único e "Generalíssimo", como alguns sugerem.

Prefiro o mandato por Junta, como até agora.

General, com a primeira estratégia ganham-se as guerras.

Com a segunda, perdem-se.

Muito bem.

Então, eu não vou voto.

- Quem será o primeiro? - Eu mesmo.

Permita-me, antes de votarem,

uma pequena pergunta e nada mais.

Vocês sabem o que é a baraka?

Quando há poucos meses atrás o General Sanjurjo...

que descanse em paz, se preparava para apanhar...

aquele avião no Estoril,

o piloto reclamou que a sua bagagem era muito pesada.

E não era de estranhar.

Com todas aquelas medalhas e condecorações...

pois o Sanjurjo regressava a Espanha para liderar a Revolta.

Ele tinha que ser o Ge-ne-ra-lí-ssi-mo!

Então...

um avião, que não levanta,

que não voa...

parece ser um mau augúrio.

Alguns dirão que foram as malas,

outros dirão que foi o piloto,

ou...

que não teve sorte.

A providencial sorte!

Isso é a baraka!

O meu general e eu, lutamos juntos durante uns 15 anos...

quando eu fundei a Legião, em África.

Eu nunca o vi tremer!

Porque Francisco Franco Bahamonde...

não conheceu ou conhece o medo.

Mas não é só isso!

Os tiros que nos atingiram,

os tiros...

que me deixaram com um só olho, maneta e coxo...

A ele nem lhe tocaram!

Passavam-lhe ao lado!

Passavam-lhe ao lado!

"Baraka"...

chamavam-lhe os mouros.

Senhores...

É isso que o meu general tem!

Baraka!

Com isto termino.

E agora votem.

A Universidade de Salamanca...

sabe que perante circunstâncias tão dramáticas,

deve denunciar a crueldade...

a crueldade desnecessária das hordas vermelhas:

assassinatos e destruição inútil, bombardeamentos...

a santuários, hospitais e escolas...

Tais actos são reveladores de grande crueldade...

Tais actos são reveladores de grande crueldade e destruição,

desnecessários e inúteis...

Basta!

Mas que péssima redacção!

Vamos ver, dê-me cá isso.

Dê-me isso!

Vocês avacalham o Castelhano!

Vejam-me este acumular de repetições e despropósitos!

Então...

sempre vai assinar?

Franco.

Franco.

Franco.

É a sua vez, general.

Franco.

Salamanca, 20 de Setembro de 1936

O Mola, um completo inútil.

O Queipo de Llano, um bêbado.

O Cabanellas, maçom, como todos bem sabem.

Como puderam eles não votar em ti, Paco,

quando não te chegam aos calcanhares?

Que se passa?

Empossado como Generalíssimo, mas sem atribuições, Pepe.

E não tornar isso público? Estão a gozar connosco.

Não percebo! Então, para quê o nomearam?

Era exactamente o que eu temia.

O quê?

Um passo em falso.

Don Miguel!

Enriqueta, ia agora mesmo a tua casa.

Boa tarde. Trago-lhe...

esta carta. Escrevi-a eu mesma a explicar tudo.

Não, ouve...

Esclareço que Atilano não fez nada.

Não será precisa. Eles vão analisar o caso.

Sim. Disseram-me isso hoje.

Eu sabia que eles iriam ouvi-lo!

Nem sabe o quanto lhe agradeço!

Desculpe!

Enriqueta!

A carta, Enriqueta!

Avô, fazes-me um leão?

Um leão não sei fazer. Toma um chimpanzé. E pára...

- de dar tiros, miúdo! - Obrigado.

- Não, agora não. - Papá.

Não! Não consigo acudir a tantas mulheres!

E todas elas me suplicam!

Suplicam porque lhes matam os seus homens!

- E que posso eu fazer? - Denunciar o massacre ao mundo!

Escreve um artigo!

Isto não te comove?

Se não me comove?

- Tens um coração de pedra. - Não fales assim ao papá!

O pai dele está em Madrid, a lutar pela República,

e tu um "cidadão honorário", ficas aqui sem fazer nada.

Fazer por quem? Pelos vermelhos?

Os que me chamam traidor, e dizem que eu estou senil,

que gritam e matam como os outros?

- Papá! - Iguaizinhos a estes!

Merda.

Ó meu Deus. Outro exercício?

Dá no mesmo. Temos de nos abrigar. Miguelín, para o roupeiro.

Aurelia!

- Vamos papá. - Não, fico aqui.

- Papá, por favor. - Deixa-me em paz!

Se me cair uma bomba, tanto faz, já que sou de pedra...

Miguelín!

- O que fazes aqui? - Queria estar contigo.

Fugiste? Vais a ver quando as tias descobrirem!

Avô, por favor, não lhes digas nada.

Anda, senta-te ali.

E nada de distracções, sim?

Avô...

Avô, por que te zangaste com a tia Maria?

Lembras-te de quando a tua mamã partiu,

faz agora três anos?

Ela foi para o céu.

Tu ficaste sem mãe,

e eu, sem filha.

E depois, o que aconteceu?

A avó foi também.

Que era minha mulher, mas que me tratava por filho.

Ficamos muito sós os dois.

Órfãos!

Já passamos por muito, não?

E isso...

tornou-nos mais fortes.

Os nossos corações endureceram, Miguelín.

Mas não somos de pedra.

Nós, sofremos.

Sofremos pelos outros.

Não é?

Por isso me zanguei...

com a tia Maria.

Corre.

Corre, antes que te descubram.

Estas paredes resistiram ao indescritível.

Durante séculos.

Até a terremotos.

Seria um perfeito abrigo antiaéreo, Eminência.

Deveríamos consultar os italianos.

Os alemães.

É melhor os alemães. Que disto percebem eles.

Quanto ao meu palácio,

será uma honra cedê-lo à Causa, pois isto não é apenas uma guerra.

Isto é uma Cruzada.

Quando mudariam o quartel?

O mais cedo possível, Eminência.

Salamanca tem uma localização perfeita.

Desculpe-me.

Nicolás. Tens de convencê-lo sobre o Alcázar.

O "El Cid".

Que grande homem, general.

Em nada como os vulgares políticos de hoje!

Um cavaleiro cristão.

Digo o mesmo.

Por isso fomos um Império.

Nicolás.

Estou a fazer isto mal.

Paco, não digas isso.

Ouve...

- não penses mais na Junta. - Não, não.

Tudo mal, desde o princípio.

Eu estou...

cheio de pressa.

E que ganho eu?

A guerra?

Para depois voltar ao meu quartel...

e em poucos anos voltar tudo ao mesmo.

A uma nova briga.

Em Espanha é assim.

Sempre à briga.

Vou desviar as tropas para o Alcázar.

Paco...

Fazes isso e serás um herói.

A Espanha precisa de heróis.

Deixas Madrid quando está prestes a cair?

A guerra durará anos.

Anos...

É o que te estou a dizer.

Para limpar isto, fazem-nos falta anos.

Que vais dizer às pessoas?

Pelo que irão lutar eles quando se fartarem de enterrar os mortos?

Por ti?

... Civilização Cristã Ocidental ...

Miguel de Unamuno

...entre as mulheres...

e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores,

agora e na hora da nossa morte. Amém.

Ave-maria, cheia de graça,

o Senhor é convosco,

bendita sois vós entre as mulheres

e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Toledo, Espanha. As tropas do general Franco avançam...

em direcção às ruínas do Alcázar...

para resgatar os seus camaradas barricados no forte.

1000 homens, mulheres e crianças...

que resistiram durante 70 dias...

preferindo morrer a lutar a serem capturados vivos...

finalmente conheceram os seus salvadores.

Sejam quais forem as suas simpatias, este feito ficará na história...

como um dos maiores actos de heroísmo militar do séc. XX.

E os seguidores de Franco...

gritam agora pelo seu nome.

Franco, Franco, Franco, Franco!

Aqui está.

Um cavaleiro cristão como El Cid!

Um Chefe.

Os vermelhos que venham agora, eles que venham!

Venham ver do que somos...

capazes à sombra desta bandeira!

Viva a morte!

Viva!

Viva Franco!

Franco, Franco, Franco!

Devia ter visto a cara deles.

Agora só vêem o Franco.

Sim, pois agora ele que lhes diga quanto tempo vai durar a guerra.

Baixem isso!

General Cabanellas,

exigimos outra reunião na terça-feira.

É melhor amanhã.

- Amanhã mesmo. - Amanhã?

É como lhe digo. Tem que se definir os seus poderes.

A Revolta...

é já uma guerra santa e gloriosa,

como aquelas que guiaram...

os grandes salvadores da Pátria!

Viva Espanha!

Viva Espanha!

Don Miguel, é a sua vez.

"Viva Espanha!"

Viva Espanha? Pensam eles que dizem alguma coisa!

Não seria melhor desligar o rádio?

Uma Pátria, um Estado, um Chefe!

O que dizem agora?

Uma Pátria, um Estado, um Chefe!

Não sei, "um chefe", eu acho.

Chefe?

Mas para onde vai?

Para o Novelty, fazer figurinhas.

- Salvador! - Mas o que faz?

- Onde estavas? - No parque, a ler. Porquê?

- Soltaram o Atilano? - Vamos.

Ao Novelty, não vou. Só tem fascistas.

- Bem, vamos a outro lado! - Onde?

Sei lá! A Zamora!

Zamora era a brincar, certo?

Até à China, se necessário.

Aqui já não se respira!

Podemos regressar, por favor?

Ao menos resta-nos isto.

- O quê? - O campo.

O ar, o sol.

Espanha.

Espanha!

As pessoas. Conversar com amigos. Isso não nos conseguem tirar!

Conversar neste país? Não será mais discutir.

E consigo nem se fala.

Costumava vir aqui com a minha Concha,

a minha companheira.

Nós sim, é que discutíamos! Desde crianças.

"Não te percebo", costumava dizer-me ela.

E aos teus livros ainda menos.

Sim, mas a si quem o percebe?

Veja, você já foi pró-basco, pró-espanhol,

marxista, socialista...

E agora dizem que fascista.

Ateu, cristão, agnóstico. Decida-se, Miguel.

- Decido-me, eu? - Sim.

Decidam-se vocês, porra! Decidam-se vocês!

- Mas porque não o reconhece? - O quê?

Que você varia!

Que hoje pensa uma coisa e amanhã outra! Que se engana!

- Quem eu... - Sim, que errou nisto tudo!

Apoiou a direita sem se perguntar o que fariam depois! Errou.

E vocês, a esquerda, que prometeram de tudo...

enquanto nos levavam ao desastre, não estavam errados?

Não, vocês não! Vocês nunca estão errados!

É a esquerda que tenta tirar a Espanha da Idade Média!

Esta Espanha decrépita que fede a sacristia,

onde os pobres só têm liberdade para continuarem pobres!

Pobres e analfabetos!

Os da esquerda, que tanto enchem a boca ao falar da liberdade,

era bem bom que engolissem a ditadura do Estaline!

- Por favor! - Nesta República eu só vi...

vingança, ódio e ressentimento!

- Ódio! - Porque falou do Estaline...

se eu não lhe falei na República?

- Porque falou do Estaline? - Porque falei!

Então só podemos falar daquilo que te apetece?

E se somos assim tão maus,

o que faz você aqui, agora...

fugindo dos outros?

Anda, filho...

Regressemos.

Regressemos.

Salvador Vila?

- Sim, que se passa? - Acompanhe-nos.

Porquê?

Vamos andando.

Não levem a mal mas quem são vocês?

Quem são?

- Entra no carro! - Que fazes tu, filho da puta!

Ei, o que se passa aqui?

- Espera. - Um momento!

- Olhem, eu sou o Unamuno! - Anda.

Amigo deste vermelho?

Também o quer acompanhar?

Então fique sossegado, a olhar para o chão e de costas.

Até irmos, sim?

Que te disse eu?

Vamos!

Papá, onde estiveste?

- Que má cara! - Apanhaste frio?

- Que má cara! - Estamos quase em Outubro!

A viúva do Alcaide está cá. Quer falar contigo. Está na sala.

Eu disse-lhe para não a deixar entrar, mas...

Tenho três filhos.

Eu nunca pensei que passaria por isto.

Mas, sem o rendimento do Casto...

Há dois meses, você ofereceu-me dinheiro.

E agora eu estaria...

Estou disposta a aceitá-lo.

Olhe, Ana...

você nunca vai fazer ideia do quanto eu lamento isto.

Eu nunca, nunca, mas nunca imaginei que...

que isto degeneraria...

a este ponto!

Agora também tenho problemas e...

Sim, eu ofereci-lhe, mas agora,

eu não a posso ajudar.

Não pode, é claro...

Mas soube apoiar a sua causa.

5000 pesetas!

Sabe o que fizeram com o seu dinheiro?

Compraram armas!

Com as quais mataram o meu marido!

Com o seu dinheiro, sim!

As suas mãos estão tão manchadas de sangue como as deles!

Cada morte é sua! Você é um assassino!

Desculpe, desculpe, desculpe!

No dia em que te levaram preso...

quando te sanearam,

eu disse-te:

Porque não cedes?

Porque não paras com as tuas críticas ao rei?

"Fá-lo por mim", disse-te.

E tu disseste-me...

Filha!

Porque achas que não desisti?

Eu não desisti, por ti.

Pelos meus filhos.

Levei muitos anos para te entender!

E agora...

que finalmente te compreendo...

agora é precisamente quando...

Manifesto da Universidade de Salamanca de Apoio à Revolta

Não, não concordo com isso de forma alguma!

O general é que me ameaçou!

Quem fez isso foi você!

- Eu não controlo nada... - Os catalães.

Isto é muito mais do que combinado.

Falou-se em Generalíssimo, nunca em chefe de Estado.

Isso seria concentrar em Franco o poderio militar e político.

Seria como lhe dar a Espanha!

E?

E?

Dê-me.

Olhe, adicione aqui...

"Enquanto a guerra durar."

"Chefe do governo do Estado, enquanto a guerra durar".

Senhores, apressemo-nos que nos esperam nos quarteis.

Venham.

- Tenho que voltar à Frente. - Vai tranquilo.

Anda.

Nicolás...

pode ser o dia mais importante da minha vida.

Eu sei.

Relaxa, Paco, relaxa.

Avô, tu vais morrer!

Não digas disparates!

Vai brincar!

Vai brincar, anda, vai brincar!

Não quero deixar-te só, avô.

É melhor assim.

Eu não faço nada lá fora.

Todos querem que faça algo, mas que posso eu fazer?

Eu não, não posso parar a guerra, eu não...

Eles não me compreendem!

Eles não me compreendem!

Eu sim, compreendo-te.

Um momento!

Aqui não aparece.

A menção à guerra: "Enquanto a guerra durar".

Lembra-se?

Foi proposto pelo general Kindelán.

Por quantas mãos passou este acordo?

Quantas? Por todas. Que insinua, general?

Quero falar com o general Mola.

O general Mola partiu há umas horas atrás.

Ponham-me em contacto com ele.

Mas Cabanellas...

Não vê o que estamos a fazer.

Eu tinha-o sob o meu comando!

Manda-se o Franco ocupar uma colina e de lá ninguém o tira!

Se lhe dermos a Espanha, ele não a largará até morrer!

Digo-lho eu, que o conheço bem!

Bem, e ele a si.

O que quer dizer?

Bem, agora não é altura de picardias uns aos outros.

Aqui todos nos conhecemos.

Eu ainda não o percebi.

Você é maçom. Certo?

Veja, são...

duas da manhã e há que ganhar a guerra. Assine e logo se vê!

Concha!

Meu amor!

Minha companheira!

Ele adormeceu!

Esse não sou eu!

Esse é outro!

Abraça-me!

- Abraça-me! - Miguel.

Meu filho, acorda.

Finalmente!

Papá!

Tu deliraste durante dois dias.

- Foi? - Como estás?

Bem, bem.

Que susto nos pregaste!

Que susto!

Felisa!

Assustaste-te tu, filha? Logo tu.

As aulas já começaram, e eu aqui em casa.

A partir de agora não ligues a isso.

Está tudo bem. E come.

Franco, chefe de Estado?

Desde ontem. E mudou o quartel...

para o palácio do bispo. E pensar que Deus os fez...

Não o piques mais, por favor.

Ainda vou a tempo.

Que disse ele?

- Uma gravata! - Queres uma gravata agora?

Papá, tu nunca usaste gravata!

A que eu levei para discursar em Oxford!

Tu achas que ele te vai ouvir?

Claro!

Ele é o mais sensato!

Como o mais sensato?

Não nos disseste isso quando eles to apresentaram.

Não? E o que disse eu?

Um desgraçado!

Mais uma vez todas contra mim!

Tenta falar com a mulher e olha-a nos olhos.

Com a mulher? Porquê?

Dizem que é muito cristã. Certamente que ela te ouvirá.

Não, meu Deus. Agora não, por favor!

Agora não!

Ao menos digam-lhe, caramba!

Não posso fazer nada!

Mas ele conhece-me!

Eu não volto repetir! Saia daqui!

Muito bem! Você não me trata assim!

- Nem você, nem ninguém! - Don Miguel!

Sou o Gregorio, o do autógrafo.

Como não o deixaram passar?

Pergunte-lhe a ele.

O senhor não faz ideia do quanto o admiramos.

Não é verdade, Paco?

Especialmente, pela sua poesia cristã.

Já as outras coisas...

- Não quer mesmo café? - Não, obrigado.

- E comer? - Não, obrigado, obrigado.

Veja, general; perdão, Excelência.

Eu não sei dizer se esse meu amigo, muito meu amigo...

fez algo de mal ou não, porque, sinceramente, não sei.

Como disse que ele se chamava?

É Salvador Vila, professor de Literatura na universidade...

Descubram onde está.

Sim, Vossa Excelência.

Bem, obrigado, muito obrigado.

É como um filho para mim. Fui seu professor, sabia?

E, bem, aproveitando que estou aqui consigo,

Deixe-me dar-lhe a carta...

da mulher de Atilano Coco.

É um pastor evangélico e também um grande amigo meu.

Disseram-me que o liberariam...

Desse já me falaram. É protestante e maçom.

Um mau espanhol.

Bem, mas, mas ele, mas ele não cometeu nenhum crime!

E, como ele, há muitos! Já são muitos!

E as razões, francamente...

Já para não falar de tanta patrulhas à noite...

e execuções sem...

julgamento!

E do outro lado, o que acha que fazem?

Ou você acha que eles não fazem nada?

Sei, sei!

Eu sei o que eles fazem!

Mas nós somos cristãos!

Precisamente.

Nós cuidamos do inimigo.

Antes de morrerem, os presos têm a oportunidade de confessar,

para poderem ir para o céu. Os do outro lado, nem isso fazem.

Você vai à missa, Don Miguel?

À missa?

Vossa Excelência.

Obrigado.

Sim. O seu amigo está neste momento detido pelos Nacionalistas.

Mas os nacionalistas são vocês...

Don Miguel.

Chega.

...três minutos...

...podem fazer pelo...

...seu caso...

Enriqueta.

Lembras-te do dia em que vim cá para falar com o Atilano?

Sabes, na verdade, eu só me queria desculpar.

Pedir desculpas por...

por um disparate que lhe disse. Chamei-lhe...

Chamei-lhe...

Anjinho.

E mandei-o regressar à sua igreja!

Penso que ele ficou magoado...

e eu teria gostado tanto...

de lhe pedir perdão.

E agora, não mais, nunca mais o poderei fazer!

Don Miguel.

Ele já o perdoou.

Aproxima-te.

Chega mais perto.

Anda.

Tu vais gostar, vais ver.

Com as crianças, nunca falha!

Magoaste-te?

- Não. - Boa tarde, Don Miguel.

Venho roubar-lhe um minuto apenas.

- Quer sentar-se? - Não.

Não sou homem de sofás.

Bem, bem, bem, bem...

Senti a sua falta esta manhã.

Aonde?

E onde há-se ser, se hoje é domingo?

Na catedral.

Tenho andado mal.

Bem!

Bem, então recupere,

porque amanhã você não pode faltar.

Amanhã, é nada mais, nada menos, que o "Dia da Raça".

Na Universidade.

O seu templo.

General Millán-Astray...

eu já fui uma vez, infelizmente, a essa festa absurda.

Para mim, tudo isto da exaltação da raça...

assemelha-se em muito ao arianismo nazi...

e à sua triste consequência,

o anti-semitismo.

Uma treta.

Olhe, não vou discutir isso consigo...

Já contava.

Vocês, os intelectuais, fazem-me rir.

Sempre tão corajosos,

sempre tão íntegros, sempre a tentar mudar o mundo.

Mas em casa.

Nos vossos livros.

Desde a vossa trincheira.

Enquanto nós, os "brutamontes"...

os "corta-cabeças"...

deixamos o corpo...

e a alma...

na linha da Frente do combate.

General,

o valor, não se mostra só...

em combate.

Tem razão.

O nosso Chefe não poderá participar no evento de amanhã...

e solicitou expressamente que vá você em seu lugar.

Porque não lhe disse isso, sobre o evento ser uma treta?

Diga-lhe isso.

Seja corajoso.

Vou andando.

Já chegaram.

Papá.

Se falares hoje, eles fuzilam-te.

Não digas nada, estás a ouvir?

Filha, logo tu para me dizeres isso...!

Toma.

Não querias um leão?

Dás-mo quando voltares.

Já estão a entrar. Bem, sigam-me, por favor.

Presidirá a mesa, a nossa ilustre senhora, Dona Carmen.

E, acompanhando-a, de um lado, o ilustre,

senhor Bispo e nosso senhor Reitor,

do outro, Don José Millán-Astray, Don José María Ramos Loscertales...

- e Don José María Pemán. - Professor, vai ter que discursar.

Já que fala tão bem!

Não, já sei o que acontece quando se me solta a língua.

...os quais vivem até agora...

às custas dos outros espanhóis!

A Catalunha e o País Basco são um cancro e anti Espanha,

e por isso temos que cortar a carne gangrenada...

com o aço frio do ardor patriótico!

Viva Espanha!

Viva!

Autoridades...

- Bonito! - ...querido público.

O Império Espanhol,

refúgio das essências históricas da nossa Raça,

assenta hoje mais do que nunca numa luta sem quartel...

contra aqueles que apenas procuram destruir...

a nossa sacrossanta civilização.

Bem dito!

Alturas há, em que...

o espírito de um homem ou de um povo inteiro...

precisam urgentemente de concentrar...

toda a sua energia espiritual...

nos actos de heroísmo puro das suas grandes figuras históricas...

Apoiado!

...ou da sua Nação.

Bravo!

Para, levantar a moral com o seu exemplo,

guiando-os no caminho dos grandes empreendimentos...

e aí se desentrelaçam...

cuidadosamente os fios de ouro de uma epopeia,

e da trama complicada...

da História, a fim de os manter...

em toda a sua pureza.

Hoje está a nossa Espanha numa daquelas situações,

onde passado e presente, unidos num heroísmo puro, se destacam...

de forma clara e brilhante,

ante os nossos olhos absortos à sombra...

da multitude de feitos históricos.

A 12 de Outubro, um navegador...

ao serviço de Isabel e Fernando de Espanha,

os primeiros autores da nacionalidade espanhola,

os arco e flecha da esperança...

no imperial futuro aberto a Ocidente...

e da construção do Império Espanhol.

Nunca os Espanhóis esquecerão...

algo de tão glorioso!

Partiu então e estava munido...

com a bandeira...

do Salvador,

finalmente alcançando a glória merecida,

pois esta, não duvidem, alcança sempre os valentes!

Rapazes, carreguemos todos no peito...

um Alcázar de Toledo!

Bom.

Eu disse que não queria discursar, porque me conheço,

mas como a minha língua foi provocada...

e como quem cala consente, devo fazê-lo.

Falou-se aqui na defesa...

da civilização cristã ocidental.

Eu mesmo criei esta expressão.

Estava enganado.

Esta é apenas uma guerra incivil,

um suicídio colectivo...

entre partidários do fascismo e do bolchevismo,

que nada mais são, que as duas faces...

côncava e convexa,

do mesmo transtorno mental!

Posso falar?

Acabei de ouvir insultos aos catalães e bascos...

chamando-lhes cancros e de serem anti Espanha.

O mesmo, poderia ser dito de nós.

O anti Pátria não existe!

Todos somos espanhóis...

e todos devemos lutar juntos!

Sem uns e outros, a Espanha ficará mutilada, zarolha e coxa,

como o general, inválido de guerra!

- Posso falar? - E aqui está o Sr. bispo,

que, goste ou não, é catalão...

e que deveria ensinar a alguns um pouco da doutrina cristã,

que aparentemente, vocês desconhecem.

Eu, por mim, que sou basco,

não tenho nenhuma objecção em ensinar neste Castelhano,

que vocês também desconhecem.

Quero falar!

Ontem, quando...!

Espanha!

- Una! - Espanha!

Grande!

- Espanha! - Livre!

- Viva Millán-Astray! - Viva a morte!

Viva!

Viva a morte?

Ou seja, morra a vida. Eu...

que sou especialista em paradoxos, garanto-vos que...

nunca conseguirei perceber isso.

Viva...

uma e mil vezes a morte, e a morte aos intelectuais!

- Não, homem, não! - Aos traidores!

Aos intelectuais traidores!

Millán-Astray!

Este é o templo da inteligência. O meu templo!

Vencer...

não é convencer!

Conquistar...

não é converter!

Vocês vão ganhar porque têm...

força bruta de sobra, mas não vão convencer...

porque, para convencer,

temos de persuadir.

Vencereis, mas não convencereis. Tenho dito.

Vermelho! Traidor!

Filho da puta!

Contra a parede!

À parede!

Fuzilem-no.

Don Miguel, dê-me a mão!

A mão, dê-me a mão!

Unamuno!

Aceite a mão da senhora do chefe de Estado.

Marxista, fora!

Canalha!

Tirem-no daqui!

Não me largue!

Realmente, não podia ter ficado calado?

Porque não se calou?

A única coisa que o meu marido quer é uma Espanha tranquila,

onde as pessoas não gritem ou lutem!

É a única coisa que queremos. Uma Espanha em paz.

Pelo amor de Deus, uma Espanha em paz!

Francisco Franco ganhou a guerra civil em 1939 e instaurou uma ditadura militar.

Apesar da derrota dos regimes Fascistas na Segunda Guerra Mundial

Franco conseguiu manter-se no poder até à sua morte em 1975.

Salvador Vila e Atilano Coco foram executados sem julgamento prévio.

Pelo seu discurso, Miguel de Unamuno foi destituído novamente como reitor

e submetido a vigilância policial.

Morreu de um enfarte dois meses depois.

A 15 de Junho de 1977 Espanha voltou a celebrar eleições democráticas.

Tradução : Letras & Ideias Rogério Soares / Richard Perry

Realização

Argumento

Produção

Fotografia

Música

LETRAS & IDEIAS - LX - 2020

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.