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Os céus estão cheios de mistérios.
Objetos voadores não identificados
investigados em segredo por agências governamentais
por toda a Europa, há décadas.
Tem havido e ainda há
muito secretismo em relação aos OVNIs
e também relutância em falar sobre este assunto.
Pela primeira vez,
reunimos avistamentos e relatórios em todo o continente.
Isto é descrito com exatidão
no filme Encontros Imediatos de Terceiro Grau.
Alguns peritos insistem
que muitos avistamentos têm explicações racionais.
Por vezes, mesmo o mais espetacular avistamento de OVNI
pode ter uma explicação muito terrena.
Mas alguns continuam a desafiar a compreensão.
Que raio é isto? Pareciam teias de aranha.
Serão visitantes de outros mundos ou fenómenos naturais?
E os governos europeus sabem mais
do que alguma vez revelaram?
As respostas podem estar nas histórias por contar
dos ficheiros dos OVNIs na Europa.
Ovnis na Europa
ZONA DE ACESSO LIMITADO
Durante décadas, governos europeus
têm guardado ficheiros sobre avistamentos de OVNIs.
Até hoje, um punhado de casos continua a ser inexplicável.
Uma chuva misteriosa de filamentos brancos
sobre uma cidade em Portugal.
Luzes brancas intensas que fazem parar um carro
numa estrada solitária na Dinamarca.
E um piloto de uma companhia aérea
que se depara com um objeto espantoso
durante um voo comercial de rotina.
Percebemos que não era deste planeta.
É, definitivamente, desconhecido.
Coulommiers, Leste de Paris. França.
28 de janeiro de 1994.
A voar a cerca de 60 quilómetros a leste de Paris,
um voo de Nice para Londres, com 24 passageiros,
depara-se com algo incrível.
Um objeto grande e castanho, a muitos quilómetros do avião,
a pairar no ar.
O caso da Air France é um dos casos franceses mais fortes.
Trata-se de algo desconhecido.
Está registado como tal.
Quando qualquer piloto sénior de uma grande companhia aérea
vê e relata um OVNI,
isso dá mais credibilidade ao acontecimento.
Nunca tinha visto algo assim.
Era muito diferente de tudo o que já vira antes.
Percebemos que não era deste planeta.
A jornalista e autora Leslie Kean
conheceu a testemunha Duboc, em 2007.
Jean Charles Duboc estava a pilotar um voo da Air France.
Tinha ao lado a copiloto Chaffeur
e eram cerca de 13h15.
O piloto Duboc lembra-se bem do que aconteceu nesse dia.
O tempo estava límpido.
Tínhamos mais de 100 milhas náuticas de visibilidade.
O assistente de bordo veio trazer-nos café
e viu o objeto.
Identifiquei-o como um avião que estava a virar.
O ângulo de inclinação era de 45 graus,
muito perigoso.
Pensei que o avião ia bloquear.
Apesar dos contornos não serem definidos,
o OVNI parece mudar para uma forma em V.
Mas parece manter
a mesma distância de 45 quilómetros do avião.
Era enorme.
Era vermelho e castanho, com contornos indistintos.
E imobilizou-se no céu.
Percebi que estava sobre Paris e foi uma grande surpresa.
Vimo-lo tornar-se transparente e desaparecer.
Desapareceu totalmente, sem se mover.
Foi uma loucura.
Observaram-no durante cerca de um minuto.
Pode não parecer muito tempo,
mas é bastante para estar a observar algo.
Duboc e a equipa contactam imediatamente
o tráfego aéreo para saberem se o objeto foi detetado no radar.
Perguntámos se tinham tido trânsito nesta posição.
Indicámos, o tamanho
a aparência e a direção do objeto.
Eles não viram nada no radar.
E foi isso. Continuámos o voo.
O voo aterrou bem em Londres.
Não podiam fazer mais nada. Foi posto de lado.
As normas indicam que o piloto tem de apresentar um relatório
sobre o encontro de aeronaves ao aterrar.
Mas o Comandante Duboc decide não o fazer.
Durante três anos, nunca fiz um relatório escrito.
Os OVNIs são tabus entre os pilotos da Air France.
E recusei-me a falar disso.
Três anos depois, em fevereiro de 1997,
o Comandante Duboc encontra um artigo
na revista "Paris Match" que o faz mudar de ideias.
O artigo descreve uma série de avistamentos de OVNIs na França,
incluindo aquele.
Revela que o controlo de tráfego aéreo
relatou o incidente, apesar de Duboc não o ter feito.
Mas o mais importante é que Duboc descobre
que o radar militar captou um OVNI nesse dia.
Houve uma identificação no radar
pelo controlo aéreo de França, o CODA.
Isso foi mesmo surpreendente.
Por isso fiz o meu relatório às autoridades.
Quando há identificação por radar, existe algo.
A Polícia inicia uma investigação
que acaba por fechar, sem conclusões, cinco meses depois.
Deixando a Agência Espacial Francesa SEPRA a investigar mais.
Os franceses são únicos no facto
de terem uma agência altamente funcional,
o equivalente à NASA.
E investigam casos de OVNIs desde 1977.
A equipa é dirigida pelo investigador experiente
Jean-Jacques Velasco.
Foi Velasco que descobriu
que o radar militar conseguira captar o OVNI,
pois era mais potente do que o radar
do controlo de tráfego aéreo, na altura do avistamento.
O conhecimento militar permitiu validar esta investigação.
O mais interessante foi podermos
comparar o testemunho da equipa com os dados do radar.
Os dados do radar parecem corroborar
as observações da tripulação do Air France.
Esta é a nossa rota para Londres.
Aqui era Coulommiers.
Vimos no radar que o objeto estava ali.
A tripulação, o comandante e a copiloto,
disseram que viram o objeto a desaparecer.
O contorno do objeto ficou indistinto e desapareceu.
No radar, para no momento exato
em que descrevem o desaparecimento do objeto.
Quando há um caso com identificação por radar,
em que um radar oficial documenta
a fisicalidade de um objeto visto por testemunhas credíveis,
isso é importante.
A existência dos dados do radar reforçam a convicção de Duboc
de que viram algo extraordinário naquele dia.
Mesmo estando disposto a admitir
que os detalhes podem ter-se desvanecido na sua memória.
Fiz o relatório três anos depois.
Talvez haja algumas diferenças da realidade.
Aceito isso.
Com cerca de 10 a 20 por cento de margem de erro,
temos a certeza de que havia algo no céu.
Era enorme e não era deste planeta.
O que mais poderia ser o objeto misterioso?
Será possível a tripulação ter identificado mal
uma aeronave civil ali perto?
O local da observação era muito invulgar.
O objeto estava mesmo acima de Paris.
Na capital de França, como em Londres
e noutras capitais, como nos EUA,
os aviões não podem sobrevoar ou serão enviados caças.
Será que o objeto era um avião militar?
Era uma época em que muitas aeronaves experimentais
estavam ser testadas secretamente em todo o mundo.
Há formas aerodinâmicas muito invulgares
nas aeronaves militares.
Poderia algum tipo de aeronave
estar lá cima em testes de aerodinâmica?
As autoridades poderiam não admitir
que uma aeronave militar
se tinha aproximado de um avião civil.
Há outra possível explicação.
Um balão meteorológico fora lançado a 80 km dali,
do outro lado de Paris, às 12h18.
56 minutos antes do avistamento.
Estaria o mistério prestes a ser resolvido?
Poderiam os pilotos ter confundido o balão com um OVNI?
O meteorologista Tomasz Schafernaker
pensa saber a resposta.
Eles viram uma forma oval no horizonte,
vermelha e alaranjada.
Depois, mudou de forma para um triângulo.
Os balões meteorológicos são vermelhos e alaranjados.
O avião voava a cerca de 35 mil pés de altitude.
Esse é o limite da maioria dos balões meteorológicos.
Ao chegarem a esse nível na atmosfera, eles explodem.
Antes de explodirem, crescem muito,
pois a pressão é muito mais baixa.
Imaginem que o látex explode.
Assume a forma em V, levando pelo fluxo.
O látex não cairia simplesmente ao chão.
Percorreria alguma distância através da atmosfera,
levado pelos ventos fortes.
São lançados muitos balões meteorológicos,
em todo o mundo. Poderia ser um balão desses
lançado perto do voo da Air France.
Mas, normalmente,
avisam os pilotos destes tipos de lançamentos.
É possível que este avião não tivesse sido alertado,
mas é improvável.
É uma piada? Não era um balão meteorológico!
Quando o vimos, percebemos que não era um balão meteorológico.
Era muito diferente. Era mesmo enorme.
Percebemos logo que era um objeto desconhecido.
Um objeto não identificado.
Os balões meteorológicos são pequenos e de neopreno.
O piloto disse que o objeto
era do tamanho de um dedo mindinho.
E um dedo mindinho a 40 quilómetros
corresponde a quase 300 metros
e não poderia ser qualquer tipo de balão.
A hipótese de ser um balão foi eliminada.
Algumas pessoas dizem ter sido uma alucinação.
Mas foram três pessoas a ver. Foi real.
Se era um balão? Não um balão de 300 metros.
Não temos possibilidades
de explicar cientificamente este avistamento.
Durante décadas, a Força Aérea dinamarquesa
e os Serviços Secretos Militares
seguiram cuidadosamente a observação de OVNIs.
Uma delas é especialmente difícil de explicar.
Levantei-me e olhei para aquela coisa grande
sobre o carro.
Tive muito medo. Pensei: "Meu Deus, o que é isto?"
É descrito um caso assim
no filme "Encontros Imediatos de Terceiro Grau".
E houve um incidente quase idêntico
25 anos antes.
É a primeira vez que uma pessoa credível avança.
Jutland, Dinamarca. 29 de setembro de 1995.
Cerca das 21h30 numa noite de sexta-feira.
O estudante de enfermagem Claus Lundholm, de 24 anos,
vai de carro sozinho.
Estava uma noite agradável e ia sozinho, com o meu cão.
Mandei o cão sentar-se e acalmar-se.
A investigadora de OVNIs Pia Knudsen estudou o caso.
O cão dele começou a agir de forma estranha
no banco traseiro do carro. O cão não se acalmava.
Todos os instrumentos no carro avariam.
Os limpa-para-brisas
e os faróis não paravam.
Todos os sistemas elétricos do carro dele
avariaram de repente.
Lundholm repara que o relógio do carro está estranho.
O carro não arrancava de novo.
No painel de instrumentos,
o relógio marcava 8888.
De repente, senti algo sobre o carro.
Surgiu uma luz brilhante.
Pensei: "Meu Deus, o que é isto?"
Espreitei pelo vidro da frente
e vi uma luz enorme sobre o meu carro.
Ele disse que se estivesse em pé em cima do carro,
poderia chegar lá. A luz estava assim tão perto.
Tive muito medo.
Sentia a adrenalina.
Pensei: "Será um OVNI ou o que é?"
Vi uma coisa enorme.
As luzes andavam à volta.
Pulsavam a frequências diferentes.
Lentamente, as luzes do objeto diminuem
e afasta-se do carro, desaparecendo sobre as árvores.
Lundholm fica tão chocado com o que vê
que só conta aos amigos próximos, por temer ser ridicularizado.
Mas, um mês depois, decide partilhar a experiência
com um grupo escandinavo de entusiastas por OVNIs.
Só soubemos deste avistamento
algum tempo depois, quando alguns dos amigos dele
lhe disseram para nos contactar.
Enviámos um investigador para o entrevistar várias vezes.
Ole Henningsen, do grupo escandinavo SUFOI,
teve acesso aos ficheiros que agora são públicos
da Força Aérea dinamarquesa.
Ele crê que os ficheiros não sugerem uma explicação óbvia.
Mas o perito em aviação Chris Yates tem uma teoria.
Há duas possibilidades.
Pode ter sido um helicóptero.
Ou algum tipo de drone.
Ambos podem pairar
num determinado local.
Alguns helicópteros usados pela Polícia
transportam muito equipamento, incluindo luzes muito fortes.
Ao sermos iluminados por elas à noite,
no meio de nenhures, assustam imenso.
Mas um helicóptero a voar tão perto
faria um barulho enorme.
Lundholm garante que não ouviu nada.
Havia muito silêncio. Não havia qualquer som
à minha volta.
Se pudesse subir ao carro
poderia tocar nas luzes.
O facto de não haver qualquer som era mesmo estranho.
Mas mais estranho foi quando o carro deixou de funcionar.
Claus comprara um carro em segunda mão,
mas tinha acabado de vir da oficina.
Não devia haver nada de errado com ele.
Ele não compreendia porque deixara de funcionar
e os sistemas elétricos ficaram avariados.
Lundholm disse que depois não encontrou falhas no carro.
Não conseguiram explicar porque mostrava 8888.
Quando voltei a ligar o carro,
o relógio estava normal.
Quando se analisa vários avistamentos de OVNIs
encontramos a sugestão
de que os OVNIs têm um campo eletromagnético
que interfere com coisas como o motor de um carro.
Acontecem coisas estranhas e as pessoas associam-nas.
Pode não haver qualquer relação.
Claro que isso não fornece uma explicação satisfatória
para as pessoas envolvidas,
talvez muito perturbadas com o que aconteceu.
O grupo escandinavo de investigação
não consegue explicar o avistamento de Lundholm.
Não sabemos o que era aquele objeto.
Nem qual foi a causa
desta experiência.
Contudo, apercebem-se de algo estranho.
O avistamento é semelhante a um incidente de há 25 anos,
também na Península de Jutland.
Jutland, Dinamarca. 13 de agosto de 1970.
O agente da Polícia Evald Maarup
está prestes a testemunhar algo assustador e extraordinário.
O polícia vai de carro para casa noite dentro.
O carro dele para, o rádio cala-se
e todos os sistemas elétricos falham.
Surge sobre ele uma luz branca intensa
que é sugada para dentro de um objeto
antes de desaparecer a grande velocidade.
A viúva de Maarup, Greta,
revisita o local da experiência estranha do marido
e recorda o incidente.
Ele disse-me que ficou assustado.
E não sabia o que acontecera.
Este avistamento é interessante por se tratar de um polícia.
Os polícias não têm tendência a imaginar coisas.
Não inventam histórias.
Seria grave para a carreira se o fizessem.
Evald Maarup arrisca-se ao ridículo e à descrença
ao relatar o que viu aos colegas.
Eles não conseguiram fornecer uma explicação.
Alguém brincou e disse que ele devia ser internado
num hospital psiquiátrico.
Era um homem muito sério.
Era um polícia que dizia
ter visto aquele fenómeno.
Foi a primeira vez em que uma pessoa credível avançou
e disse ter visto algo assim.
Porque os polícias são testemunhas credíveis
é um exagero dizer que quando veem algo estranho
têm a capacidade inata de conseguirem identificar
as coisas que viram como objetos voadores de outros mundos.
Só dizem que viram algo estranho no céu
e que queriam relatá-lo para a central ou isso,
pois poderia ser algo do interessa da defesa do reino.
Mas há quem leve esta história a sério.
A Força Aérea dinamarquesa começa a investigar.
Maarup tem provas que sustentam o que viu.
Fotografias do OVNI.
Ele carregou no botão da máquina da polícia
e tirou três fotos do que viu,
enquanto se distanciava.
Depois de a luz desaparecer, os faróis voltam a funcionar.
As fotos seguintes mostram apenas a estrada vazia.
As fotos só mostravam um pequeno ponto branco
num céu muito escuro.
Não sabemos o que mostram realmente.
A pequena luz pode ser o fim do feixe.
Se ampliarmos este ponto branco,
não conseguimos determinar qualquer tipo de estrutura.
Poderá haver uma explicação mais racional para o ponto branco?
Quando a Força Aérea escreveu o relatório final,
salientaram que a apenas alguns quilómetros dali,
havia a base aérea de Skrydstrup.
Dessa base aérea
descolaram seis caças T-33
e ele pode ter visto um desses caças.
"Seis aviões T-33 fizeram um treino de voo
"entre as 22h45 e as 23h45,
"descolando a intervalos de 10 minutos."
É muito possível que possa ter visto
as luzes de aterragem de um caça T-35.
As luzes de aterragem são mesmo muito brilhantes.
Voando à noite.
precisam do máximo de iluminação possível
para a aterragem
num aeroporto civil ou militar.
É possível que este avião tenha iluminado
o carro deste polícia, nesta noite.
Não podia ter visto as luzes de aterragem,
pois os aviões vinham por trás.
A única coisa que ele podia ver era do motor.
Talvez o "afterburner" ou algo do género.
A Força Aérea fecha a investigação passado um mês,
dizendo que Maarup apenas assistiu
a uma série estranha de coincidências.
"A opinião do Comando de Voo
"é que este incidente não tem nada a ver com OVNIs.
"Deve ter sido causado por eventos independentes
"que coincidiram na mesma altura."
Evald Maarup nunca recebeu uma explicação
para o que viu naquela noite.
O agente Maarup só queria descobrir o que era aquilo.
Ele nunca acreditara
em discos voadores
ou OVNIs.
Maarup morre a acreditar ter sido a única pessoa
a ver este objeto estranho.
39 anos depois, um técnico de radar surge
com informações novas e chocantes.
Nils Krog estava a trabalhar na estação de radar ali perto
e viu um rasto estranho no seu radar.
Foi à mesma hora e na mesma área
onde Evald Maarup vira o objeto.
Tínhamos algo no radar.
Não se movia muito depressa.
Aquela mancha não agia
como uma aeronave conhecida.
Há situações em que se consegue captar algo
em três varreduras do radar e volta a desaparecer.
Talvez tenha sido um bando de aves.
Esta mancha esteve parada durante bastante tempo.
Não era uma nuvem nem pássaros.
Agia como algo sólido.
Falámos uns com os outros.
Recebemos uma mensagem do nosso chefe
que aquilo não sairia dali.
Não sei o que ele viu. Mas não era uma aeronave normal.
O operador de radar diz que queria falar sobre o incidente,
mas foi silenciado pelos seus superiores.
Por fim, em 2009, Krog soube
que a Força Aérea dinamarquesa levantara a proibição
dos funcionários falarem sobre aquele incidente.
Mas a grande questão permanece.
O radar mostrou algo explicável
ou algo para além de uma explicação racional?
Não posso falar pelos meus colegas, mas creio
que era algo para o qual
não tínhamos explicação.
Évora, Portugal. 2 de novembro de 1959.
Objetos brilhantes inexplicáveis
são vistos a sobrevoar a cidade à luz do dia.
Dúzias testemunham isto.
Mas o que se segue é ainda mais estranho.
Uma substância branca misteriosa, como teias de aranha,
chove sobre a cidade, durante quase quatro horas.
Ninguém sabe o que é nem de onde veio,
só que coincidiu com o aparecimento
de objetos voadores não identificados.
Que raio é isto? Pareciam teias de aranha.
As pessoas não percebem a força da Mãe Natureza.
Pode ser um simples caso de Ciência.
Ciência Planetária.
12h00.
É outro dia comum.
Até o diretor do colégio, o Dr. Joaquim Amaral
receber um alerta.
Há algo invulgar no céu.
O Dr. Amaral estava a trabalhar no seu gabinete
e foi chamado de repente.
Havia um grande objeto a sobrevoar a cidade.
Ele saiu e viu no céu
algo branco azulado. O primeiro objeto.
Passou com o céu muito limpo.
O primeiro objeto que viram estava bastante longe,
movendo-se lentamente.
Amaral fez anotações. A direção era
de nordeste para sudoeste.
Estava a elevada altitude.
Amaral queria vê-lo melhor.
Para conseguir ver melhor o objeto,
o Dr. Amaral vai buscar o telescópio do colégio.
Os professores colocam o telescópio no pátio.
José Inácio Brito,
professor de educação visual, foi um deles.
JOSÉ INÁCIO BRITO, TESTEMUNHA
O objeto brilhante atravessa a cidade e desaparece.
Mas depois avistam outro objeto acima deles.
O verdadeiro drama começa com o segundo objeto.
O segundo objeto voava de uma forma específica.
Aparece mesmo por cima das cabeças deles,
atravessa o céu e quando está
num ângulo de 35 graus com o horizonte,
apontam o telescópio para ele.
O objeto misterioso parece estar bem alto no céu.
Têm dificuldade em vê-lo bem através do telescópio.
Notaram que o objeto era composto
por uma esfera acima
e uma forma circular por baixo.
Mas essa forma circular ondulava
e isso é muito curioso e espantoso.
O Dr. Amaral estaria convencido
de que os objetos seriam naves alienígenas
e os rumores espalham-se pela escola.
Contudo, o perito em aviação, Chris Yates,
crê haver uma explicação mais simples
nas aeronaves militares do fim dos anos 1950.
Nos anos pós-guerra, houve muita evolução
na indústria da aviação,
tanto na civil como na militar.
Criaram-se novos caças
e bombardeiros de longo alcance.
Muitas pessoas estavam habituadas a verem os aviões da guerra,
mas não o tipo de aviões da década de 1950,
enquanto evoluíam para os tipos operacionais
da década de 1960.
Se o que o Dr. Amaral e os professores viram
era uma aeronave militar,
isso explica a forma como o objeto se deslocava?
Um relato feito depois do incidente de 1959 indica:
"Parecia ter um movimento ondulante, similar a uma alforreca.
"Na parte superior, tinha uma esfera muito brilhante
"que se destacava do resto."
Muitos peritos de hoje
creem que Amaral descreve um balão meteorológico.
Os balões meteorológicos eram comuns nos anos 1950
e eram usados pela aviação civil e militar
para medir a direção do vento e recolher dados científicos.
Visto ao longe, através de um telescópio,
um balão meteorológico teria um aspeto mais estranho
do que ao perto.
E ondula enquanto sobe.
Tudo isso é equacionado
e é muito possível
que estejamos a falar de algo tão simples
como um balão meteorológico.
O avistamento de OVNIs em Évora
provavelmente teria ficado sem explicação,
como uma série de erros de identificação,
se não fosse um pormenor extraordinário.
Uma substância estranha similar a teias de aranhas cai do céu,
cobrindo o colégio e muitas outras áreas da cidade
e a região circundante.
Permanecerá um mistério que intriga os cientistas
há mais de meio século.
Évora, Portugal. 2 de novembro de 1959.
Objetos estranhos são vistos a sobrevoar esta cidade tranquila.
O diretor de um colégio vê-os através do telescópio,
mas o que ele e muitos outros em Évora testemunharão a seguir
irá intrigar os cientistas.
Depois da passagem deste objeto,
começa a cair do céu uma espécie de algodão.
Um algodão muito leve.
Cerca das 12h30,
filamentos brancos começam a cair sobre o colégio.
Rapidamente lhes dão o nome de cabelos de anjo
devido à sua aparência delicada e mágica.
JOSÉ INÁCIO BRITO, TESTEMUNHA
Fátima Ernesto tinha 17 anos na época.
FÁTIMA ERNESTO, TESTEMUNHA
Sem os professores e alunos saberem,
não eram os únicos a assistirem
ao fenómeno dos cabelos de anjo.
A 100 quilómetros dali, na base aérea de Sintra,
também cai essa substância branca.
O General Tomás Conceição Silva tinha 25 anos na época
e lembra-se bem do incidente.
Cheguei aqui nessa manhã, a 2 de novembro,
e os outros pilotos estavam espalhados pela base.
Estávamos a conversar,
à espera que nos atribuíssem os aviões.
Olhámos para o céu
e começaram a cair filamentos semelhantes a teias de aranha.
Quando nos caíam nas mãos,
com o calor, dissolviam-se. Não sabíamos o que era.
Mas Silva não foi o único a ficar confuso.
Dúzias de testemunhas
terão visto os cabelos de anjo naquele dia.
O que acontece a seguir é ainda mais extraordinário.
Durante as quatro horas em que os filamentos caem,
o Dr. Amaral recolhe uma amostra do pátio da escola.
Depois, vai até à casa de um amigo.
À espera dele,
está um astrónomo famoso localmente,
o Almirante Conceição e Silva.
O Almirante era um cientista amador entusiasta.
Hoje, o filho dele, que também viu os cabelos de anjo,
recorda a surpresa do Almirante com o que viram.
Lembro-me do espanto do meu pai e do Dr. Amaral.
Era muito estranho.
Ninguém sabia o que era aquilo.
Colocaram os filamentos sob o microscópio
e viram algo.
Era uma pequena célula com braços.
Mas não tinha seis ou oito braços.
Com oito seria uma aranha. Com seis seria um inseto.
Ao testarem esta estranha criatura,
Amaral tira fotos aos Cabelos de Anjo.
Este é o núcleo central.
As imagens mostram algo com tentáculos.
O núcleo central e os tentáculos.
Mas teriam um choque ao tentarem colocá-los
entre as lamelas do microscópio.
Esta coisa levantou os braços
para segurar o vidro,
como um ser inteligente
ou até um inseto, para não ser esmagado.
A primeira conclusão de Amaral foi que era um ser vivo.
Então, o que poderia ser?
Amaral continua a examinar os Cabelos de Anjo no mês seguinte
à espera de descobrir a resposta.
Mas chega a um beco sem saída.
Tomás Conceição Silva recorda a frustração deles.
É muito estranho. Nada do que conhecemos na Terra,
até agora,
podiam explicar o que era.
Amaral decide levar a amostra para a Universidade de Lisboa,
para que examinem os Cabelos de Anjo
e tentem identificá-los.
Mas até os melhores cientistas do país ficam espantados.
Uma das hipóteses avançadas por um cientista da Universidade
era que poderia ser admitido
que estes seres poderiam ter vindo do espaço extra-atmosférico
ou de um planeta vizinho.
O que pensam os cientistas da atualidade?
O biólogo Francisco Carrapiço
acha que pode ser um dos milhões de pequeníssimos
microrganismos que vivem no Oceano Atlântico.
Estes incluem larvas microscópicas de medusas.
FRANCISCO CARRAPIÇO, BIÓLOGO CELULAR
Se o espécime de Cabelos de Anjo era mesmo um organismo marinho,
permanece a questão de como chegaram a Évora.
O meteorologista Tomas Schafernaker
investigou outros casos estranhos
em que criaturas vivas parecem cair do céu.
Não posso explicar o que aconteceu em Évora,
mas as pessoas não percebem a força da Mãe Natureza.
É muito fácil imaginarmos ramos ou folhas a caírem do céu,
mas peixes ou rãs já é algo incrível.
Ele crê ser possível que criaturas vivas
sejam levantadas por um furacão e levadas para longe.
O furacão avança
e larga a vida selvagem numa cidade ou aldeia
e deve ser algo espantoso.
Raul Berenguel
é Professor na Universidade Fernando Pessoa
e investigador de OVNIs.
Ele estuda o caso desde 1978.
Ele crê ser provável que a explicação resida
no campo da Ciência Atmosférica.
Sabemos pouco sobre a atmosfera planetária,
acima de 14 quilómetros
até 100 quilómetros.
Dizemos que o espaço começa
a 100 km de altitude.
Não temos aviões nem balões
que investiguem essa área do planeta.
Berenguel crê que os Cabelos de Anjo
sempre existiram na atmosfera superior,
como uma criatura microscópica ainda não descoberta pela Ciência.
Os estudos mais recentes verificam
que existem mesmo microrganismos
nas camadas superiores da atmosfera.
Provavelmente, isto será
algo do reino vegetal.
que flutua
a uma altitude muito elevada
e por algum motivo físico,
tende a cair.
Até agora, Berenguel descobriu
nove casos semelhantes de Cabelos de Anjo
que caíram em diversas zonas de Portugal,
desde 1857.
O que aconteceu em 1959
foi o primeiro caso registado com detalhe.
Professores, cientistas
e um Almirante,
todos viram, em primeira mão, os Cabelos de Anjo.
Numa reviravolta final deste evento em Évora,
em 1978,
houve um incêndio na Universidade de Lisboa
que destruiu a amostra de Cabelos de Anjo.
Perdeu-se para sempre,
não sendo possível que os avanços na Ciência
determinem a sua origem.
Perguntámos a um famoso biólogo português:
"Se tivéssemos a amostra,
envelhecida pelos anos,
poderia fazer alguma coisa?"
O cientista disse que sim.
Mas isso nunca acontecerá.
Apenas restam as fotos,
os relatos das testemunhas dos OVNIs em Évora
e o ainda inexplicável mistério dos Cabelos de Anjo.
Tradução: Lígia Teixeira
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