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Os céus estão cheios de mistérios.
Objetos voadores não identificados
investigados em segredo por agências governamentais
por toda a Europa durante décadas.
As pessoas são fascinadas por estes objetos.
Há muitas pessoas que querem saber a verdade.
Pela primeira vez, reunimos avistamentos e relatos
por todo um continente.
Ele vem do sul. Vem na nossa direção.
O incidente ficou de tal forma gravado na minha memória
que acho que nunca o conseguirei esquecer.
Alguns peritos insistem
que muitos avistamentos têm explicações racionais.
Até o mais cauteloso investigador de OVNIS
pode ser vítima de um embuste bem feito.
Mas alguns continuam a desafiar o entendimento.
Este incidente com o OVNI
foi e continua a ser inexplicável.
Serão visitantes de outros mundos
ou fenómenos naturais?
E saberão os governos europeus mais
do que aquilo que nos revelam?
As respostas poderão estar nas histórias ocultas
dos ficheiros sobre OVNIS da Europa.
Ovnis na Europa
Rendlesham, Inglaterra. 26 de dezembro de 1980.
Numa base americana de segurança elevada,
estão a decorrer eventos bizarros.
Um objeto não identificado é captado pelo radar.
Luzes misteriosas na floresta.
E a experiência estranha de dois guardas da Força Aérea.
De repente, chegámos a uma clareira
e surgiu uma luz brilhante. Toda a floresta se iluminou.
Atirámo-nos para o chão. Pensávamos que ia explodir.
O incidente da floresta de Rendlesham
é um dos mais misteriosos relatos de OVNIS.
É o encontro com um OVNI mais interessante da Grã-Bretanha.
Rendlesham tornou-se conhecido como o Roswell britânico.
Agora, 30 anos depois,
mais provas dão nova vida ao caso.
O controlador de tráfego aéreo, Nigel Kerr, revela o seu relato
de um objeto desconhecido detetado pelo radar nessa noite.
Vi algo. Bentwaters disse-me que tinham visto algo.
Pensamos: "O que aconteceu, realmente?"
A base militar americana de Bentwaters.
Às primeiras horas da manhã.
Os guardas John Burroughs e Jim Penniston
avistam uma luz estranha sobre a floresta.
Parecia quase uma luz de Natal, com várias cores.
Pensam ser uma aeronave caída e vão investigar.
Decidimos abrir o portão e ir até ao fim da estrada
para vermos se descobríamos do que se tratava.
Quando chegámos à floresta, não conseguíamos ver onde estava.
Quando pensávamos estar perto, já lá não estava.
De repente, chegámos a uma clareira
e lá estava o que parecia ser uma luz brilhante.
Toda a floresta se iluminou.
Atirámo-nos para o chão. Pensávamos que ia explodir.
Já não era uma aeronave caída.
Era uma situação desconhecida. Talvez uma ameaça à segurança.
Mas aquela noite anormal ia ficar ainda mais estranha.
Quando me levantei, a luz desapareceu.
Apareceu então uma aeronave triangular.
Jim diz ter feito anotações sobre aquela experiência bizarra.
Anotei o máximo de coisas que consegui.
Anotei o tamanho. Era uma aeronave preta.
Brilhante, como vidro. Lisa.
Depois, começou a subir, com a luz.
E descolou.
Fosse o que fosse, começou a subir e desapareceu em direção à costa.
Quando percebemos que perdemos o contacto,
avisámos a base e mandaram-nos regressar.
A veracidade do estranho encontro de Jim e John
tem sido muito debatida desde então.
Nick Pope dirigiu o Departamento de OVNIS da Defesa, nos anos 90.
Ele acha que o historial profissional das testemunhas
confere veracidade ao caso.
Quanto a muitos avistamentos, podemos dizer
talvez seja um erro de identificação de algo bastante comum.
Mas quando elementos de segurança da Força Aérea dizem
que encontraram um OVNI,
estão a mentir ou a alucinar
ou aconteceu mesmo aquilo que eles dizem.
Mas outros estão menos convencidos.
Existem inconsistências nos relatos das testemunhas.
Jim é o único que diz ter visto a aeronave aterrada.
O jornalista de investigação Dave Clarke
crê que pode haver uma explicação mais racional.
Reduzindo isso ao básico,
é um grupo de americanos à noite, na altura do Natal,
que diz ter visto luzes misteriosas numa floresta.
Certamente viram algo extraordinário e que não podiam explicar,
mas muitos incidentes com OVNIS, quando investigados,
revelam ser objetos comuns vistos em circunstâncias extraordinárias.
Mais tarde, nessa manhã, Bentwaters chama a Polícia.
ENTRADA PROIBIDA
A esquadra de Suffolk regista o pedido.
A Polícia dirige-se ao local onde o OVNI terá aterrado.
Só encontram marcas ténues no solo.
Com poucos indícios de um local de crime,
a Polícia não faz nada.
Mas Jim e John não foram os únicos a testemunharem
luzes estranhas no céu, nessa noite.
Cerca das 2h50 na madrugada em que foram à floresta,
houve relatos no sudeste de Inglaterra
de uma luz muito forte no céu.
Nigel Henbest crê que eventos cósmicos
podem fornecer a explicação.
A primeira luz que apareceu no céu, sobre Rendlesham,
sem dúvida que foi um meteoro.
Muitos astrónomos amadores da Associação de Astronomia,
que observam os céus todas as noites,
viram uma estrela cadente a atravessar a Inglaterra
exatamente a essa hora.
Quando se vê uma estrela cadente a atravessar o céu,
parece sempre mais próxima do que realmente está.
Se for uma estrela cadente muito brilhante,
dizemos ser uma bola de fogo, pois é mais brilhante que estrelas.
Muitas vezes dizem ser uma aeronave a despenhar-se.
Não só no caso de Rendlesham, mas em muitos outros casos.
Estes militares terão confundido um meteoro
com uma aeronave em queda?
Ou algo desceu mesmo na floresta?
Algo que foi lançado em altitude pode ter caído na floresta,
mas não há destroços.
Quanto a provas concretas, precisamos de destroços
que possamos analisar algures.
Para alguns, há problemas.
A falta de provas concretas.
E os anos que já passaram
desde que as testemunhas fizeram o relato inicial.
Acho que a história já circula há tanto tempo,
que sempre que eles a contam, embelezam-na mais.
Estão no circuito de palestras, aparecem em livros e artigos.
Fazem parte da indústria dos OVNIS.
Trinta anos depois,
Rendlesham continua a fascinar os entusiastas de OVNIS.
A curiosidade deles levou Nick Pope
a voltar a investigar o caso.
Quando eu investigava OVNIS para o Ministério da Defesa
no início dos anos 90,
continuavam a fazer perguntas sobre o caso de Rendlesham.
Era o único caso sobre o qual a imprensa e o público
me contactavam mais.
Por isso, decidi que devia
retirar os ficheiros do Arquivo e ver o que sabíamos.
Depois de fazer isso,
faria uma revisão a este caso arquivado.
Ia investigar o caso em retrospetiva
e ver se nos escapara algo.
Pope continua interessado por este caso.
Décadas após o evento original, a investigação dele convenceu
uma testemunha desconhecida a avançar.
Nigel Kerr estava diante de um ecrã de radar nessa noite.
É a primeira vez que dá uma entrevista televisiva
sobre o que viu.
Como era a época do Natal e do Ano Novo,
estava tudo muito tranquilo.
Cerca da meia-noite,
recebemos uma chamada do Posto de Comando de Bentwaters.
Viram luzes brilhantes
a uma altitude entre os 500 e mil pés, diziam eles.
Queriam saber se víamos algo no radar
que pudesse explicar as luzes.
Kerr era responsável
por controlar os movimentos de aeronaves militares na região.
Mas o radar habitual não captava nada de invulgar.
Mas ele tinha acesso ao mais potente radar de Inglaterra,
a rede de radares de defesa aérea, na RAF Neatishead.
Passámos para o radar de Neatishead
e captámos um contacto.
Deixámos passar algumas vezes e ainda lá estava.
À terceira varredura, desapareceu.
À quarta, voltou e, depois, não o voltámos a ver.
O Ministério da Defesa não registou atividade anormal
naquele período de Natal.
Mas este relato sugere que um objeto não identificado
sobrevoou Suffolk naquela noite.
Poderá o radar enganar-se?
O radar não é infalível.
Há coisas, como balões meteorológicos,
que são facilmente captadas pelo radar.
Podemos captar também um bando de aves.
Um bando de aves aparecia em uma ou duas varreduras
e depois desapareceria.
Neste caso, em particular, captámos algo em concreto
no local que Bentwaters referira.
Só talvez um ano depois,
quando foi revelado na imprensa,
é que me ocorreu que naquela altura
talvez fosse isso que Bentwaters tinha visto.
O relatório de Kerr
dá consistência ao relato extraordinário de Jim e John.
Mas o incidente de Rendlesham não estava encerrado.
Duas noites depois,
as luzes misteriosas voltaram.
Vem do sul. Vem na nossa direção.
26 de dezembro de 1980.
Elementos da Força Aérea dos EUA encontram luzes misteriosas
e um deles descreve uma nave aterrada
na floresta de Rendlesham, Inglaterra.
Rumores do avistamento do OVNI
espalham-se pela base aérea dos EUA.
As autoridades estão céticas, mas duas noites depois,
as luzes misteriosas voltam a aparecer.
Estamos a ver luzes estranhas no céu.
Vem do sul. Vem na nossa direção.
Desta vez, a testemunha é um tenente-coronel.
O Coronel Halt foi à floresta para acabar com a parvoíce do OVNI.
E acabou por ter o seu próprio encontro.
O incidente ficou de tal forma gravado na minha memória
que acho que nunca o conseguirei esquecer.
Há relatos diferentes do que aconteceu depois.
Alguns dizem que Halt confundiu as datas.
Mas ele afirma lembrar-se claramente de tudo.
Tivemos a festa de Natal.
Tínhamos acabado o primeiro prato quando o tenente de serviço
quis falar comigo e com o Comandante em privado.
Ele parecia um fantasma. Disse: "Voltou!"
Olhámos um para o outro e perguntámos:
"O quê?" E ele respondeu: "O OVNI."
Ninguém questiona que Halt vai para a floresta
determinado a desvendar o mistério.
Eu estava cético e acreditava numa explicação lógica.
Quando lá chegámos, estavam lá 20 ou 30 pessoas.
Via-se uma área clara onde teria ocorrido a aterragem.
Halt segue a luz brilhante até ao local exato
onde 48 horas antes teria sido avistado um OVNI.
Levei o microgravador que costumava ter comigo
e gravei determinadas partes do que aconteceu.
Tinha tudo documentado.
A gravação que Halt fez ainda sobrevive.
A 45 metros ou mais do suposto ponto de impacto.
Encontrámos uma área
rebentada ou mexida.
Olhando para cima, vemos uma abertura nas árvores.
Há ramos de pinheiro partidos no solo, por baixo.
Parece que alguém veio de cima.
O investigador de OVNIS Gary Heseltine
veio a Rendlesham explorar o relato de Halt daquela noite.
O objeto abrira caminho através das árvores.
Ao descer, partira vários ramos.
Eles também encontraram
uma área rebentada no meio do triângulo.
Quando o objeto terá descolado,
poderá ter usado alguma propulsão.
À medida que a equipa explora a área,
uma luz brilhante surge a deslocar-se pelas árvores.
Viram um objeto vermelho a piscar e move-se.
Ficamos vários minutos parados a olhar.
Uma luz vermelha movia-se pelas árvores.
Parecia um olho, como se pestanejasse.
Decidimos aproximar-nos e recuou.
Seguindo as estranhas luzes, vão dar a um campo aberto.
O fenómeno não identificado está à vista.
Há uma luz estranha vermelha adiante.
Também tem um tom amarelo. Vem nesta direção.
Vem mesmo nesta direção.
Não há dúvidas. Isto é estranho!
De repente, surgem mais duas luzes no céu.
A cerca de 10 graus, para norte,
temos dois objetos estranhos a dançarem, com luzes coloridas.
Ficamos ali espantados.
Pensei: "Será algo hostil?
"Estão a tentar comunicar? Será um aviso?"
Tal como apareceu de repente, desapareceu.
Halt fez um relatório oficial da noite ao Comandante
e entregou o gravador como prova.
O relatório original de Halt para o Ministério da Defesa,
foi uma notificação formal ao governo britânico
de que este incidente ocorrera.
O Coronel Halt deve ser um dos oficiais mais graduados
a ter visto e a fazer um relatório de um OVNI em serviço.
O estatuto de Halt como subcomandante da base
e a sua conversão de cético a crente,
parecem criar um caso sólido.
Mas nem todos os que estavam lá concordam.
O Comandante de Halt estava no exterior da base,
mas não viu luzes invulgares no céu.
Outros acham que pode haver uma origem terrena para a luz.
O farol de Orford Ness.
Halt fez uma gravação do que conseguia ver.
Se ouvirem a gravação e observarem o farol, a descrição
"Lá está de novo, da costa" encaixa na perfeição
com o feixe de luz do farol de Orford Ness.
Parece vir da costa. Mesmo no horizonte.
Move-se um pouco e pisca de vez em quando.
Orford Ness, com a sua lâmpada de 5 milhões de candelas
fica oito quilómetros a sudeste da floresta de Rendlesham.
Mas Halt afirma perentoriamente que não foi isso que viu.
Se souber que estavam a analisar o farol, grito.
Vimos o objeto de um lado,
e o farol está do outro lado. Nós víamos o farol.
Ele descreve vários objetos a norte.
Objetos a sul.
É óbvio que descreve algo que se desloca pelo céu.
O farol de Orford Ness fica bem longe.
E desafio qualquer um a dizer-me que existe um farol voador.
O relatório de Halt também descreve
outros OVNIS que ele viu no céu ao mesmo tempo.
Havia Três Objetos Semelhantes a Estrelas,
Dois a Norte e um a Sul, a 10 Graus no Horizonte.
De onde vieram estas luzes?
Nigel Henbest tem uma sugestão intrigante.
Como astrónomo, diria que as luzes que parecem
piscar como estrelas, eram mesmo estrelas.
A estrela Sírio, a estrela mais brilhante do céu,
era visível nessa noite, e exatamente na direção
que disseram estar a luz mais brilhante.
Disseram que piscava com cores diferentes.
Sírio parece fazer isso.
Henbest crê que Sírio também pode explicar
os movimentos do OVNI descritos por Halt.
O relatório também dizia que a luz descia gradualmente.
Se verificarmos a posição de Sírio no céu,
é o que Sírio teria feito.
Para mim, como astrónomo,
uma descrição precisa da estrela Sírio.
Cerca de 20 por cento dos avistamentos de OVNIS
são atribuídos a eventos astronómicos.
O caso continua a ser controverso até hoje.
Nenhuma teoria explica todos os eventos
descritos no relatório de Holt.
Se era um farol ou uma estrela brilhante,
na altura em que o viram, fosse o que fosse,
era um objeto voador não identificado.
Halt e a sua equipa encontraram
algo invulgar que não conseguiam explicar.
Não sei o que encontraram
e o Ministério da Defesa também não sabe.
Este incidente com o OVNI
era e continua a ser inexplicável.
Veneza. 17 de agosto de 1936.
O avistamento extraordinário
de três objetos voadores não identificados.
faz a Força Aérea italiana entrar em pânico.
Confirmar posição.
Foram enviados dois aviões
para tentarem aproximar-se desses objetos.
Mas eles deslocavam-se a grande velocidade.
60 anos depois,
documentos misteriosos revelavam agora o evento
e o encobrimento do governo.
Foi uma ordem de Mussolini para não se falar disso.
Foi criado um grupo secreto de investigação de OVNIS,
chefiado pelo ditador italiano.
Se forem genuínos,
percebe-se por que Mussolini estaria interessado.
Roberto Pinotti é um ovnilogista italiano de renome
e diretor do maior centro italiano de investigação de OVNIS.
Ele passou quase meio século a estudar relatos de OVNIS.
Em 1996, uma encomenda anónima chegou ao escritório de Pinotti.
Os documentos que continha
seriam um relatório secreto do governo
sobre o avistamento do OVNI.
Estes documentos eram muito intrigantes.
Estão relacionados com um relato
com a data de 22 de agosto,
de 1936,
em relação a um avistamento sobre Mestre, Veneza.
O relatório continha descrições pormenorizadas
e esboços do OVNI.
Pinotti e o colega Alfredo Lissoni
acreditam que o relatório é genuíno.
Foi a meio do dia, com boa visibilidade,
quando surgiu de repente no céu de Veneza
um objeto estranho, um fuso voador,
um objeto com forma de charuto e com várias janelas.
A grande aeronave paira sobre os céus de Veneza.
Os ficheiros contêm os detalhes observados pelas testemunhas.
Tinha escotilhas diferentes.
Vemos, pelo menos, quatro
ao longo da superfície.
E o objeto deixa um rasto de fumo para trás.
De repente, o OVNI abre-se numa extremidade,
libertando dois objetos mais pequenos.
O relatório descreve os dois objetos
perto da aeronave em forma de charuto,
como objetos metálicos com a forma de Saturno.
Com três aeronaves não identificadas agora no céu,
os militares italianos reagem rapidamente.
A Força Aérea italiana foi alertada.
Enviaram dois caças
para intercetarem este objeto não identificado.
Mas, de repente, o fuso e as duas esferas
desapareceram a grande velocidade.
O que podiam ser aqueles objetos?
Os céticos sugerem uma aeronave mal identificada.
Em 1936, os zepelins
são o meio de transporte aéreo mais comum através do Atlântico.
Aeronaves, como o zepelim,
têm a forma de charutos e motores a combustível
que explicariam o rasto de fumo do objeto.
Mas Lissoni não está convencido.
O objeto visto sobre Veneza não era um zepelim,
porque os italianos conheciam bem essa aeronave
e um zepelim não poderia transportar
dois veículos mais pequenos.
Segundo estes documentos,
o que estava no céu, nesse dia,
teve um efeito duradouro no ditador fascista.
Ele tenta silenciar todas as testemunhas-chave.
As testemunhas são detidas pela polícia secreta,
a OVRA, de Mussolini.
São levados para Roma seis dias depois, interrogados,
e fazem um relatório das suas declarações.
Ordenaram-lhes que não voltassem a falar sobre isso,
ou seriam enviados para um hospital psiquiátrico.
Mas o que temia Mussolini que as pessoas soubessem?
Nick Pope, ex-funcionário do Ministério da Defesa,
crê que o "timing" político do avistamento
pode revelar algo.
Acho que é importante ver esses ficheiros de Mussolini
tendo em conta um contexto contemporâneo.
Era uma era muito diferente.
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial.
Durante a guerra, claro, há sentimentos
de medo, pânico e paranoia.
Temos de nos questionar se isto tem alguma influência
nestes avistamentos de OVNIS
e no fenómeno mais em geral.
Mussolini achava
que os veículos voadores não convencionais,
o que os fascistas lhes chamavam,
eram apenas uma nova arma de outro país europeu,
da Inglaterra, da França ou da Alemanha.
Tanto quanto sabemos,
ele suspeitava que os objetos eram dos alemães.
A suspeita de que a Alemanha estava a desenvolver
uma nova tecnologia era comum a toda a Europa.
Há muitos rumores
de que durante a Guerra, os nazis desenvolveram
um disco voador.
Fala-se muito de discos voadores nazis.
Se for verdade,
percebe-se o interesse de Mussolini.
Dizia-se que se aquilo representava
o estado da tecnologia,
nós, a Força Aérea italiana, temos de evoluir.
Segundo, Pinotti, é isso mesmo que Mussolini tenta fazer.
Ele cria um grupo de investigação ultrassecreto
para estudar os "Velivoli Non Convenzionali"
ou aeronaves não convencionais.
Este grupo era o departamento RS33.
RS são as iniciais,
a abreviatura de "Recherché Specialise".
Os principais cientistas, engenheiros e astrónomos italianos
são reunidos para criarem novas tecnologias de voo
com base nas descrições das testemunhas do OVNI.
Mussolini ordenou-lhes
que tentassem copiar estes objetos.
Geralmente, os aviões são compridos
e têm asas, "flaps" e isso.
A tecnologia que eles tentaram desenvolver
tinha asas retráteis ou rotativas.
Ou seja, tentaram desenvolver
aviões redondos. Objetos redondos.
Se o relatório for genuíno,
o envolvimento do governo italiano dá-lhe um lugar único na história,
como o primeiro avistamento mundial oficial de um OVNI.
Até agora, era aceite que a ovnilogia
começou no fim dos anos 1940 com eventos como os de Roswell.
Os ficheiros do OVNI de Mussolini
são muito interessantes. Se forem genuínos,
reescrevem toda a história do fenómeno moderno dos OVNIS.
O mistério moderno dos discos voadores
começa em 1947.
Se Mussolini se interessava por isto nos anos 1930,
temos de rever toda a história disto.
É uma história extraordinária.
Mas será mesmo verdade?
O autor de origem britânica
e investigador de OVNIS, Mark Pilkington,
veio a Veneza explorar as provas.
Atrás de mim, está Mestre, a Norte.
Foi aqui que, segundo os documentos de Pinotti,
ocorreu o avistamento do OVNI.
Na altura, Mestre era uma vila residencial tranquila.
Pilkington tem estudado os documentos
que se diz registarem o que aconteceu aqui em 1936.
Trouxe cópias dos documentos originais de Pinotti para Veneza,
para tentar perceber melhor o que é descrito.
Mas o problema é que não consigo ultrapassar
os próprios documentos. Não acredito que sejam autênticos.
Até o mais cauteloso investigador de OVNIS
pode ser vítima de um embuste bem feito.
Mas Pinotti e Lissoni já consideraram isto.
Em 1996, recebemos os primeiros documentos
e achámos que era um embuste elaborado.
Mas, por curiosidade, quisemos verificar.
Pedimos uma análise forense.
O papel e a tinta foram analisados.
Na verdade, a análise forense provou que era tudo autêntico.
Mas, para Pilkington, ainda há perguntas sem resposta.
O que me deixa mais desconfiado
é a altura e a forma como surgiram.
Foram entregues anonimamente a Pinotti
e ele não tem como verificar a fonte.
Talvez o mais revelador seja a altura da chegada, em 1996.
Foi a altura em que globalmente houve mais interesse
no tema dos OVNIS do que havia há 20 anos.
Foi na altura de "Ficheiros Secretos",
da alegada autópsia dos alienígenas de Roswell.
Alguém podia ver que as pessoas em todo o mundo
estavam fascinadas pelo tema dos OVNIS
e muita gente estava a ganhar dinheiro com isso.
Não há referências ao avistamento
nem a um grupo de investigação secreto
em qualquer arquivo italiano ou internacional.
Todo o caso
depende da credibilidade dos ficheiros de Pinotti.
O próprio Pinotti está convencido
da autenticidade
e diz tê-los mostrado a um arquivista de materiais
que os verificou como sendo da época correta.
Contudo, há pessoas na comunidade italiana dos OVNIS
que não estão tão convencidas.
E a aumentar as suspeitas de Pilkington,
Pinotti não quer permitir mais análises ao documento.
Os documentos que têm o potencial de reescrever a História
deviam ser estudados por vários analistas independentes,
não por só uma pessoa.
Há uma enorme controvérsia quanto a isto.
Se for um embuste, é muito inteligente
e bem construído.
A minha opinião? Estou indeciso.
A encomenda, a ideia
de um grupo clandestino
de investigação de OVNIS criado por Mussolini
é muito empolgante, evocativa e romântica.
Daria um excelente filme de ficção científica.
Eu gostaria de vê-lo.
Contudo, na verdade há muito pouco
que sugira algo além de falsificações bem feitas.
Suécia central.
15 de setembro de 1952.
Às 23h30, um jovem escriturário e a sua mãe
veem dois OVNIS a pairarem nos céus sobre a casa deles.
Este avistamento dá origem
a uma investigação completa do Ministério da Defesa sueco.
E tornou-se um dos mais famosos casos de OVNIS no país.
Clas Svahn é jornalista e vice-presidente da AFU,
um dos maiores arquivos mundiais de OVNIS.
Ele passou muitos anos a analisar os ficheiros do governo.
Esta foto tirada por Nils Frost em Mora, no centro sul da Suécia
deve ser a mais escrutinada
foto sueca de um OVNI.
É muito interessante. Os militares não a identificaram.
Nils Frost, de 20 anos,
volta para casa, depois de visitar a namorada.
Quando ele chegou a casa,
ia entrar em casa, onde a mãe estava a dormir.
Olhou à volta e viu uma luz estranha,
no horizonte, a noroeste.
Ele não compreendia o que estava a ver.
Espantado com os dois objetos misteriosos,
Frost corre para dentro de casa para acordar os pais,
trazendo a mãe para a rua, para ver.
Eles estavam juntos a verem a luz a mover-se devagar.
E viram outra luz a aproximar-se por trás
da primeira luz, a maior.
Ele achava que tinha cerca de 15 cm de diâmetro.
É um ângulo muito grande no céu.
Na verdade, significa 15 centímetros àquela distância.
Ilumina as nuvens.
É uma fonte de luz muito forte.
Este incidente estranho
podia nunca ter sido levado a sério pelo governo
mas Nils Frost tinha a máquina fotográfica com ele.
Ele tirou duas fotos
daquela luz tão estranha.
Vê-se outra luz a surgir ali atrás.
Na foto, podemos ver
uma linha de árvores e o objeto está mesmo acima.
Estas imagens misteriosas
intrigam os investigadores há décadas.
A Dra. Eva Bernhardsdotter
é investigadora no Ministério da Defesa Sueco.
Ela sabe como o caso foi levado a sério.
As forças armadas suecas contactaram várias pessoas
para investigarem a origem deste fenómeno.
Cientistas de renome viram estas fotos
e disseram ser impossível identificar a fonte de luz.
O objeto maior que foi visto
tinha de ser muito intenso,
muito mais forte do que a luz da Lua, por exemplo.
A luz era tão intensa, que provavelmente queimou o rolo.
O negativo estava demasiado claro no meio.
Quase queimou o negativo.
Mas o perito em fotografia, Paul Ellis
não está convencido que a fonte de luz do OVNI
tenha danificado o negativo.
Acho muito improvável que a luz fosse tão intensa
que queimasse um rolo.
Já estive no Círculo Ártico
e veem-se luzes estranhas no céu.
Não apenas a aurora boreal, mas outras luzes invulgares.
O que é esta luz brilhante?
Um teoria investigada pelos militares na época
é o fenómeno elusivo chamado relâmpago esférico.
O relâmpago esférico é um fenómeno misterioso.
Muitas pessoas relataram-no ao longo dos séculos, cientistas,
e é descrito como uma bola de luz brilhante,
vermelha, amarela e talvez azul ou branca.
Uma bola de luz elétrica
entre alguns centímetros de diâmetro a talvez um metro.
Foi isto que Nils Frost viu?
O Ministério de Defesa sueco pede ao físico Hannes Alfven,
que mais tarde ganharia o Prémio Nobel,
uma opinião especializada.
O Professor Alfven disse aos militares que não era um relâmpago esférico.
Era a especialidade dele.
Por isso, eliminaram essa hipótese.
Eu concordo que não era isso. Estava muito tempo no céu
e não pareciam relâmpagos esféricos.
O Professor Alfven conclui:
"O fenómeno de luz não se assemelha a nada
"que tenhamos visto ou vivido antes."
A seguir, a investigação centra-se na própria testemunha.
Poderá ter sido um embuste elaborado?
Clas Svahn entrevistou Nils Frost nos anos 1980,
antes de ele falecer.
Quando entrevistei o Nils Frost em 1987,
ele pareceu-me um homem simpático e algo tímido.
Ele não queria ter o nome dele nos jornais.
Nunca pensei que Nils Frost estivesse a enganar alguém,
pois ao chamar a mãe, isso seria muito difícil.
Então, o que fotografou Frost naquela noite fria de setembro?
Uma teoria final
sugere objetos que não são deste mundo.
A maioria das pessoas não está habituada a ver planetas no céu.
Se não forem astrónomos
e estiverem num local escuro, na montanha,
na floresta ou num lago, longe de tudo,
podem ver uma luz brilhante no céu que não esperavam.
Não estamos habituados a ver planetas.
Acho que podiam ficar maravilhados e algo assustados.
Após o avistamento, foi investigado se Frost
tinha assistido a um alinhamento da Lua e do planeta Júpiter.
Há um bom motivo para, nos países nórdicos,
como a Suécia ou a Noruega,
poderem confundir os planetas com OVNIS
do que em países do sul.
Os planetas parecem andar à volta de um anel no céu.
Quanto mais a norte estivermos, mais baixo esse anel está.
Os planetas parecem estar no horizonte,
é então que reparam neles.
Poucas pessoas olham para cima e veem o que está acima,
mas olhamos para o horizonte.
Há coisas no horizonte, luzes brilhantes
que podemos confundir com um OVNI.
Mas, em 1952, os peritos não estão convencidos.
O Observatório de Estocolmo conclui que não pode ter sido
um fenómeno astronómico.
Mas estará o observatório enganado?
Clas Svahn investiga um pouco mais.
Tentei ir mais longe
e investiguei antes e depois da data
que se disse ter ocorrido.
E, uma semana antes, a Lua e Júpiter
estavam exatamente naquele ponto no céu.
O novo mapa celeste mostra
que oito dias antes do avistamento,
a Lua e Júpiter estariam baixos e grandes no céu noturno.
Se compararmos as fotos que Nils Frost tirou
com o mapa celeste de 6 de setembro de 1952,
podemos ver que é provável que tenha sido a Lua e Júpiter
que ele viu.
Por vezes, as testemunhas dão a data errada
e até a hora errada.
Suspeito que as fotos foram tiradas uma semana antes.
Mas Nils Frost manteve-se fiel à história.
O mistério da mais icónica fotografia sueca
continua até hoje.
Se foi tirada uma semana antes,
é a Lua e o planeta Júpiter.
Se foi tirada a 15 de setembro,
não faço ideia. É algo totalmente diferente.
Tradução: Lígia Teixeira
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